A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CHEIRINHO DE HOMEM

Olfato feminino pode distinguir parceiros mais velhos; homens não têm a mesma capacidade

Homem cheira diferente de garoto.” Essa frase, ouvida casualmente numa conversa, definiu o projeto de mestrado do psicólogo Tomaszewski Hipólito de Moura, defendido na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Estudando a influência dos feromônios na seleção de parceiros, o pesquisador demonstrou que as mulheres são capazes de distinguir homens mais novos ou mais velhos apenas pelo olfato.

Os resultados indicam a existência de um mecanismo ancestral por meio do qual as mulheres conseguem explicitar sua preferência por parceiros alguns anos mais velhos, o que teoricamente se traduz em indivíduos mais maduros do ponto de vista físico, mais experientes para enfrentar as ameaças do ambiente e com mais recursos para prover e proteger a companheira e os descendentes. Os homens, por sua vez, não foram capazes de distinguir a idade das mulheres pela percepção olfativa, embora a maioria tenha preferido parceiras mais jovens, na faixa dos 20 anos, sempre que o contato visual foi permitido.

OUTROS OLHARES

VERDADE: A ETERNA BUSCA DO SER HUMANO

A verdade é essencial para a plenitude e felicidade do ser humano, fazendo de sua vida uma experiência de existência muito mais efetiva

Quero iniciar nossa reflexão fazendo uma pergunta que, na verdade, é uma paráfrase em relação a pergunta feita por Jesus Cristo ao se dirigir às pessoas que estavam querendo apedrejar a mulher (João 8:1-11) “quem nunca disse uma mentira que atire a primeira pedra”. Penso que nenhum dos leitores, fazendo uma retrospectiva honesta de sua vida, irá atirar a primeira pedra. Quem nunca ouviu ou disse: foi só uma mentirinha sem maldade. Porém, mesmo diante desta constatação, costumo afirmar que: a história da humanidade é a história da busca pela/da verdade.

O ser humano, apesar de todos os percalços, sonha em encontrar a verdade nas mais diferentes áreas, seja em relação à origem do universo ou em relação à existência ou não de Adão e Eva até coisas mais simples e próximas como: café faz mal ou bem? Ela me ama ou não? Enfim, não parece ter sentido, de forma consciente, buscarmos e vivermos na mentira. Vamos pensar a questão do geocentrismo, ele era uma mentira ou uma verdade para a sua época? Algumas situações são, no mínimo, estranhas é o caso da ‘loira do banheiro’, ela existe? Lógico que não, mas diga isto para quem a viu. Algumas questões talvez nunca tenhamos como provar que não é verdade como por exemplo a questão da existência de ET. Imagine que seu amigo disse a você que entrou em contato com um ET e ele informou que daqui a um milhão de anos seu planeta fará contato com a terra. Como desmentir o seu amigo? Entendo que só conseguiríamos de fato desmenti-lo se vivêssemos um milhão de anos para confirmar.

Descartes, buscando uma verdade indubitável, defendeu a ‘dúvida metódica’ e, a partir dela, chegou a famosa frase “Penso, logo existo”. Ele chegou a duvidar se estaria aqui e agora ou se existiria um deus brincalhão e enganador o enganando que estava aqui e agora. Descartes tinha na dúvida o método para se alcançar uma verdade indubitável que pudesse sustentar a própria história da humanidade. O cogito cartesiano inaugura um novo momento na história da filosofia ocidental, não é possível fazer filosofia sem se deparar direta ou indiretamente com o cogito cartesiano, seja para defendê-lo seja para atacá-lo.

Porém, não pretendo aqui trabalhar com um pensador ou corrente filosófica e nem discutir a questão a verdade sob o ponto de vista esotérico da ética, da ontologia, da antropologia, da epistemologia entre tantos outros. Pretendo partilhar, sucintamente, algumas questões que se apresentam no meu dia a dia e que, com certeza, também se apresentam no seu dia a dia. Verdade ou mentira?

Pensar a verdade necessariamente nos remete questão da mentira e vice-versa, ou melhor, só existe verdade porque existe a mentira e vice-versa. Algumas pessoas dizem que a verdade é a ausência da mentira e que a mentira é a ausência da verdade. Muitos até afirmam a existência de ‘meia verdade’ ou ‘meia mentira’. Porém, do ponto de vista cristão, no princípio era a verdade e não havia a mentira. Por onde ela entrou então? O cristão pode responder que a mentira entrou pelo pecado. Mas esta é uma outra discussão.

Quando eu afirmo que a composição da água é H2O, eu afirmo uma verdade sobre a água? Será que ela tem somente esta verdade? O mesmo ser pode ter várias verdades? Quando eu resolvo uma equação matemática eu afirmo ter chegado numa verdade matemática. Quando eu digo que o governo A ou B foi bom ou ruim eu afirmo uma verdade ou uma posição pessoal? Como aproximar o máximo possível esta posição pessoal da verdade? Quando eu digo que existe ET eu digo uma verdade ou uma mentira? Quando você diz ao outro que você o ama, de qual tipo de amor você está falando para que se possa ter um parâmetro de verdade ou mentira naquilo que, por você está sendo afirmado.

Percebe-se que as afirmações acima são diferentes e envolvem critérios diferentes. As duas primeiras afirmações não tem como serem negadas: a água é H2O e a equação matemática me leva a um resultado verdadeiro e suficiente em si mesmo. Porém, acredito que dificilmente chegaremos a uma verdade sobre se o governo A ou B é bom ou ruim, pois aqui temos critérios não passíveis de total mensuração e objetividade. Por outro lado, em relação a existência ou não de ET não tenho como afirmar positivamente ou negativamente. Só é possível provar sua existência, caso ele aparecesse, mas não sua inexistência, uma vez que ele pode aparecer daqui a um milhão de anos e nós não estaremos mais aqui para verificar a veracidade da afirmação.

Do ponto de vista das ciências da natureza, a afirmação da verdade ou falsidade de algo parece ser mais provável, uma vez que ela tem como objeto de estudo aquilo que pode ser mensurável, medido e testado em laboratório, mas nas ciências humanas a afirmação da verdade sobre algo ou a afirmação da mentira sobre algo parece ser muito mais complexo devido ao objeto de análise e aos diferentes métodos utilizados.

Para melhor encaminhar esta complexa discussão, segue abaixo três definições etimológicas de verdade dadas pela professora Marilena Chaui em sua obra Convite à Filosofia:

GREGO: aletheia não-oculto, não-escondido, não-dissimulado. O verdadeiro é o que se manifesta. Se opõe ao falso, ao encoberto, ao escondido. Qualidade das próprias coisas, o verdadeiro está nas coisas;

LATIM: veritas – precisão, rigor, exatidão de um relato. Verdadeiro é a linguagem enquanto narrativa. A linguagem enuncia os fatos reais;

HEBRAICO: emunah – confiança, cumprir o prometido. Verdade é uma crença fundada na esperança e na confiança, revelação.

Pode-se afirmar que ainda hoje as três definições anteriormente apresentadas estão presentes e, muitas vezes, fazemos uso delas sem ao menos ter conheci­ mento delas. Por exemplo:

  • Filho não esconda nada da mamãe, pois a verdade sempre aparece;
  • Por favor, seja preciso naquilo que você for dizer, não fique inventando coisas;
  • Você é meu amigo e eu confio no que você diz, afinal de conta, amigo não mente.

Apesar da diferença etimológica, o que se percebe é que em ambas a verdade é algo possível, ela existe, ou pelo menos acredita-se em sua existência, até porque acredita-se no seu oposto.

Aristóteles traz uma definição ao mesmo tempo simples, mas bastante desafiadora quando pensada de forma mais cuidadosa: “Dizer que uma coisa é quando não é ou que não é quando é, é falso; enquanto isso, dizer que uma coisa é quando é, e que não é quando não é, é verdade’. A adequação entre o que se diz sobre a coisa e aquilo que a coisa é efetivamente, ao mesmo tempo que afirma existência separada entre o falar e a coisa, afirma também a possibilidade do sujeito apreender a coisa de forma a não deixar distância entre ela e ele. O falar coincide com o ser da coisa, ou melhor, o falar coincide com aquilo que, efetivamente, a coisa é. Porém, ao ler a definição dada por Aristóteles percebe-se a possibilidade da não adequação entre o falar e a coisa, esta não adequação tem dois caminhos: um ontológico e outro ético. É possível, ontologicamente, não se conseguir dizer o que a coisa é, ou por uma impossibilidade do sujeito ou por uma condição específica da coisa que não se deixa mostrar totalmente/plenamente ao sujeito. É possível, eticamente, não se dizer o que a coisa é, mas neste caso existe um posicionamento do sujeito que, intencionalmente, ‘esconde’ a coisa, negando a verdade sobre ela. Neste caso você conhece a verdade, mas por razões diversas não a diz. Por exemplo: você sabe que não foi João quem quebrou o vidro da janela, mas diz que foi ele.

De tudo o que foi dito até aqui pode-se afirmar que, necessariamente, a verdade é sempre uma relação, seja entre um pensamento e um objeto ou mesmo entre um pensamento com outro pensamento ou até mesmo um pensamento com ele mesmo. Neste sentido, verdade é sempre uma concordância de algo com algo e a não verdade é a discordância de algo com algo, seja: pensamento com objeto; pensamento com pensamento. Quando tenho uma concordância do conteúdo do pensamento com o objeto, posso dizer que mantenho uma posição realista, ou seja, um realismo, pois aquilo que está no meu pensamento coincide com aquilo que está fora dele. Quando tenho uma concordância do meu pensamento com ele mesmo e não em algo transcendente, posso dizer que mantenho uma posição idealista, ou seja, um idealismo, pois aquilo que está no meu pensamento coincide com ele mesmo, é imanente e formal e não transcendente.

Quero aqui relatar uma experiência que tive ao ser ‘júri popular’ em quatro julgamentos. Por várias vezes ouvi a juíza pedir ao júri para ‘firmar convicção’ e votar. Naquele momento, foi muito difícil para mim, pois não estava convicto, uma vez que as chamadas evidências não foram, no meu parecer, suficientes e com isso não conseguia estar certo da verdade. Aqui temos dois conceitos que acompanham a verdade, se é que assim podemos dizer. Evidência pode ser considerada aquilo diante do qual não nos resta dúvida ou aquilo que nos leva a eliminar todas as dúvidas. Pode-se até afirmar que sem evidência não há como chegar à verdade, ela é um critério da verdade. Quero aqui indicar o filme A espera de um milagre e fazer uma pergunta: Qual ou quais evidências levaram aquele homem a ser condenado à pena de morte? O outro conceito presente quando se discute verdade é o conceito de certeza. De maneira geral, certeza não é algo externo e muitas vezes não depende de evidências, ela diz respeito a um estado de espírito que nos leva à adesão de uma determinada ideia, coisa, fato, fenômeno etc. Esta adesão acaba confirmando em nós a verdade da coisa. Quero aqui também indicar um outro filme Deus não está morto e fazer uma pergunta: De onde vem a certeza do aluno ao defender a existência de Deus e de Jesus?

Ao participar dos júris, ‘senti na pele’ como os conceitos acima mencionados fazem parte do nosso dia a dia: verdade, evidência e certeza.

Para concluir esta sucinta reflexão sobre verdade quero aqui trazer algumas possibilidades de compreensão do termo verdade, ou melhor, de como a verdade pode ser vista nos diferentes contextos de nossa vida, verdade como: correspondência, revelação, conformidade a uma regra, coerência e utilidade. Peço que o leitor faça uma breve retrospectiva de sua vida, ou da semana que passou e procure loca­ lizar em qual dos sentidos acima o termo verdade foi utilizado.

Enfim, pessoalmente acredito que somente a verdade posta em todas as áreas da vida do ser humano poderá levar a humanidade a uma existência muito melhor, mais plena, feliz e segura.

CÁSSIO DONIZETE MARQUES – é formado em filosofia e ciências econômicas pela PUC – Campinas. É mestre em filosofia pela mesma instituição e doutor em educação pela Unicamp. Professor universitário há 25 anos, lecionou em diferentes instituições de ensino. Atualmente, trabalha no Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (CEUNSP) de Itu e Salto – SP, do Grupo Cruzeiro do Sul Educacional, e na Escola Sagrada Família de Salto

GESTÃO E CARREIRA

SAIR DA ZONA DE CONFORTO

A nossa memória inconsciente nos obriga a pensar e agir de forma automática. Por isso não é fácil mudar, mas é preciso focar nos objetivos com a predisposição de enfrentar o desconhecido de forma positiva

Viver de forma consciente e encarar os desafios que surgem durante a vida não são tarefas fáceis. Mesmo que bem planejadas, as metas nem sempre são alcançadas pelas pessoas. Mudar de emprego e obter uma posição melhor na empresa, por exemplo, são objetivos comuns entre os profissionais. Mas quantos deles realmente se dispõem a fazer o que é necessário para crescer na carreira?

Há pessoas que focam nas dificuldades e duvidam da própria capacidade. Esses tipos de pensamentos, além de limitarem a visão aos pontos negativos, colaboram para a desistência, antes mesmo de tentar o novo. Isso nada mais é que uma forma de defesa, já que, por não exigir o esforço necessário para o rompimento de barreiras, a atual situação transmite uma sensação de estabilidade.

Toda novidade, geralmente, traz nas pessoas três sensações básicas negativas: inadequação, ridículo e desvalorização. Provavelmente, você já passou por situações em que ficou exposto a uma delas. Essas sensações acontecem porque a tendência do cérebro é sempre buscar a rotina. Ele é naturalmente configurado para gerar uma série de repetições e, para nos proteger, cria alguns sistemas – ou seja, os nossos hábitos, o que nos faz escovar os dentes, por exemplo, sem precisar aprender todos os dias como fazê-lo.

É importante que se diga que essa busca do cérebro pela rotina não é algo totalmente ruim, pois economiza tempo e ajuda a preservar a espécie, além do que, estar sempre em estado de alerta seria muito estressante para qualquer um. O lado negativo, porém, é que isso engessa a forma como vivemos.

Voltando às sensações negativas, a inadequação é muito comum nos tímidos. Por medo da exposição e do sentimento de desvalorização diante de outras pessoas, eles alimentam a postura reservada, e as situações novas e os momentos em que deveriam se destacar tornam-se torturantes.

Esse é exatamente o mesmo caso daquele funcionário que se destaca por seus bons resultados, porém se apaga em uma reunião externa. O medo de ouvir um “o que você acha disso? ou quais são as suas sugestões para que façamos isso? imediatamente faz com que tenha a sensação de uma possível rejeição. Como resposta, por mais que domine o assunto, ele configura o seu pensamento para ficar invisível em situações consideradas de grande exposição. Por trás de tudo isso, está o pensamento: “É melhor passar despercebido do que ser exposto, pois o que importa é bater as metas”.

Outra consequência da inadequação é o receio frequente do abandono, que se manifesta nas inseguranças e tem origem na memória inconsciente. Dentro dela existem traumas do passado, experiências dolorosas e limitadoras, feridas não cicatrizadas que precisam ser cuidadas e curadas. É como passar por um relacionamento que não deu certo e carregar apenas as lembranças ruins, deixando-as contaminar as próximas relações.

Com esse cenário em mente, a pessoa cria barreiras que impactam na intensidade do amor, até que ele deixe de existir. A trajetória faz com que destrua aquilo que deseja por trazer à tona apenas os pontos negativos do relacionamento anterior.

Por conta disso, em algumas situ- ações de mudança, o cérebro é obrigado a construir caminhos e, dessa forma, os medos tornam-se inevitáveis. Essas situações são comuns a todos que, por exemplo, buscam um emprego, iniciam um relacionamento ou enfrentam um novo desafio na empresa em que atuam. Como, então, encarar sem receios essas sensações que surgem no cotidiano?

O sentimento é inevitável e involuntário! O importante é criar ferramentas que ajudem a enfrentar as situações de frente, pois, quando não temos o foco no objetivo, surge a desmotivação para esfriar o ímpeto de atingir o resultado. Assim, sem que se perceba, o compromisso com o sonho, aos poucos, cai no esquecimento e deixa de ser prioridade.

Quem opta por seguir esse caminho, geralmente, não evolui, pois não consegue interpretar o cenário e acaba por escolher apenas os padrões conhecidos. Esses padrões o condicionam a encontrar apenas aquilo que está habituado a enxergar, como as possibilidades de fracasso e sofrimento.

Não há fórmulas mágicas para mudar, mas precisamos utilizar ao máximo a nossa vontade consciente, direcionar a atenção para o novo comportamento e ter uma prática mental e física persistente, constante e repetitiva, a fim de deixar os novos traços permanentes em nosso cérebro. Muitas vezes, fazemos poucas e fracas tentativas e, logo em seguida, desistimos.

A fórmula neurológica do sucesso se encontra na intencionalidade: ter atenção direcionada e intenção consciente sobre aquilo que queremos, criando uma representação interna, uma imagem mental tão real que começamos a formar no nosso cérebro novas conexões para arquivá-las como lembranças, as quais estarão à disposição para ser utilizadas quando necessário. Nesse momento, a mudança visualizada na mente está fisicamente presente no cérebro.

Invista mais no inesperado caso queira resultados diferentes para questões antigas. A resposta do que fazer estará sempre dentro de nós.

EDUARDO SHINYASHIKI – é mestre em Neuropsicologia, liderança educadora e especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional e pessoal. Com mais de 30 anos de experiência no Brasil e na Europa, é referência em ampliar o crescimento e a auto liderança das pessoas. http://www.edushin.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

ASSASSINOS DE MINISTÉRIO QUE VOCÊ PRECISA VENCER: A ROTINA

CAPÍTULO 22 – LIDANDO COM A SÍNDROME DE BURNOUT

“Trabalhar por tanto tempo sem uma pausa é uma forma de orgulho.” — Dave Williams

PENSAMENTO-CHAVE: Líderes espirituais dedicam tempo para aprender qual é o seu próprio ritmo, fazem pausas e buscam rejuvenescimento durante a jornada.

Muitos começam o seu trabalho no ministério com zelo, dedicação, entusiasmo e idealismo. Afinal, o que seria mais honroso do que ser chamado para trabalhar para Deus, e o que poderia ser mais gratificante e recompensador do que servir ao povo de Deus? Enquanto alguns mantêm a vibração e a energia em alta em longo prazo, muitos líderes inadvertidamente “dão de cara com a parede” em algum momento em suas jornadas. De acordo com um levantamento, “45,5% dos pastores dizem que já experimentaram depressão ou síndrome de burnout (esgotamento) a tal medida que precisaram tirar uma licença para afastamento do ministério”.

Eles podem não ter previsto, ainda que tenham alcançado um ponto de esgotamento e estejam já sem forças. Por muito tempo, eles têm dado, dado e dado… muito mais do que recolheram. Eles não se reabasteceram ou fizeram pausas suficientes. Talvez eles tenham ficado tão ocupados ministrando a outros que se esqueceram de monitorar sua própria saúde espiritual e emocional. Talvez eles quiseram corresponder às expectativas impossíveis (impostas por eles mesmos ou por outros) ou se desgastaram lidando com pessoas difíceis, não cooperativas ou depreciativas. Decepção e desilusão podem desgastar a motivação de um líder espiritual, e ao longo do tempo, eles se encontram apenas tentando manter a cabeça fora da água.

O QUE É A SÍNDROME DE BURNOUT?

Frank Minirth e Paul D. Meier descrevem o burnout como “… uma perda de entusiasmo, energia, idealismo, perspectiva e propósito. Ela pode ser vista como um estado mental, físico e um esgotamento espiritual provocado por estresse contínuo”.54 Um dicionário afirma que é “esgotamento físico ou de força emocional ou motivação normalmente como resultado de um estresse prolongado ou frustração”.

O Dr. Richard A. Swenson fala sobre essa síndrome de esgotamento no capítulo “Bacon Carbonizado” de seu livro, Margin (Margem). Ele escreve: “Na próxima vez que você fritar bacon, deixe uma tira na panela por quinze minutos extra. Então pegue-o e olhe para ele. Ele está murcho, carbonizado, como uma tira dura e é semelhante ao que uma pessoa experimenta com o burnout”. Alguns dos sintomas e atitudes de alguém com a síndrome de burnout incluem:

•   Exaustão

•   Depressão

•   Irritabilidade, hostilidade

•   Paranoia, desconfiança

•   Afastamento, não envolvimento

•   Várias doenças psicossomáticas

•   Atitude de “Eu não aguento mais esse trabalho”

•  “Eu tenho pavor de ir ao trabalho”

•  “Eu prefiro ficar sozinho”

•  “Eu não ligo”

•  “Eu odeio isso”

Gregory de Nazianzo, que ministrou no século 4, aparenta ter lidado com a síndrome de burnout quando disse: “Estou gasto, Oh meu Cristo, Sopro da minha vida. Surto e estresse perpétuos, juntos, alongam o tempo nesta vida, esse negócio de vida. Lidando com inimigos interiores e exteriores, a minha alma tem perdido sua beleza, turvou sua imagem”.

Muito antes de Gregory expressar a sua experiência, proeminentes figuras bíblicas, ocasionalmente, expressaram diferentes níveis de angústia, frustração, desesperança e desespero. A síndrome de burnout poderia ser afinal um fator que contribui para a dor por trás de algumas dessas declarações?

•  MOISÉS – “Eu sozinho não posso cuidar de todo este povo; isso é demais para mim! Se vais me tratar desse jeito, tem pena de mim e mata-me! Se gostas de mim, não deixes que eu continue sofrendo deste jeito!” (Números 11:14-15, NTLH).

•  JÓ – “Eu prefiro ser estrangulado; é melhor morrer do que viver neste meu corpo. Detesto a vida; não quero mais viver. Deixa-me em paz, pois a minha vida não vale nada” (Jó 7:15-16, NTLH).

•  ELIAS – “e foi para o deserto, andando um dia inteiro. Aí parou, sentou- se na sombra de uma árvore e teve vontade de morrer. Então orou assim:–Já chega, ó SENHOR Deus! Acaba agora com a minha vida! Eu sou um fracasso, como foram os meus antepassados.” (1 Reis 19:4, NTLH).

•  JEREMIAS – “Maldito seja o dia em que eu nasci! Esqueçam o dia em que a minha mãe me deu à luz! Por que nasci? Será que foi só para ter tristeza e dor e acabar a minha vida na desgraça?” (Jeremias 20:14,18, NTLH).

•  PAULO – “Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. Porque, chegando nós à Macedônia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro” (2 Coríntios 1:8, 7:5).

Em todos esses casos, houve outros problemas e fatores envolvidos além do burnout, mas algum tipo de esgotamento e exaustão ocorreram enquanto esses homens lidaram com vários fatores de estresse em suas vidas.

QUEM É MAIS VULNERÁVEL À SÍNDROME DE BURNOUT?

Gary R. Collins escreve: “A síndrome de burnout é comum em todas as profissões de auxílio, inclusive o pastorado. Ela ocorre com mais frequência em pessoas perfeccionistas que são idealísticas, profundamente comprometidas com o seu trabalho, relutantes a dizer não, e inclinadas a serem viciadas em trabalho”.

CHAVES PARA PREVENIR E SE RECUPERAR DE UM DESGASTE

1. CONHEÇA A VERDADEIRA NATUREZA DE DEUS

Como você reconhece Deus? Alguns parecem pensar que Deus é como um dos capatazes severos do Egito que estavam constantemente exigindo mais e mais. A Bíblia diz: “Por isso os egípcios puseram feitores para maltratar os israelitas com trabalhos pesados. E assim os israelitas construíram as cidades de Pitom e Ramessés, onde o rei do Egito guardava as colheitas de cereais… e os tornaram escravos, tratando-os com brutalidade. Fizeram com que a vida deles se tornasse amarga, obrigando-os a fazer trabalhos pesados na fabricação de tijolos, nas construções e nas plantações. Em todos os serviços que os israelitas faziam, eles eram tratados com crueldade” (Êxodo 1:11, 13- 14, NTLH).

Se você se sente impelido e não importa o que você faça, nunca é o bastante, então você pode ter uma visão distorcida de Deus. Lembre-se de que é o inimigo que procura nos levar a uma sensação de pânico; Deus nos guia com uma sensação de paz.

Não é errado trabalhar pesado, mas tenha certeza que o seu trabalho pesado é motivado pelo amor de Deus, e não por uma sensação de compulsão. “Compulsão é um desejo insaciável de fazer mais e ser mais. É um desejo que pode ser mascarado por motivos positivos e caridosos, mas, na verdade, pode ser originado no íntimo do ser humano, talvez mesmo que inconscientemente por sentimentos de inadequação e vergonha.”

Considere estes versículos:

Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.  — Salmos 23:2-3

Como um pastor cuida do seu rebanho, assim o SENHOR cuidará do seu povo; ele juntará os carneirinhos, e os carregará no colo, e guiará com carinho as ovelhas que estão amamentando.  — Isaías 40:11 (NTLH)

Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso. Sejam meus seguidores e aprendam comigo porque sou bondoso e tenho um coração humilde; e vocês encontrarão descanso. Os deveres que eu exijo de vocês são fáceis, e a carga que eu ponho sobre vocês é leve.  — Mateus 11:28-30 (A Mensagem)

Conhecer a verdadeira natureza de Deus é uma coisa; contudo, tomar parte da Sua natureza é outra coisa. O Salmo 34:8 diz: “Oh, provai e vede que o SENHOR é bom…” Comunhão com Deus através da oração e alimentar-se de Sua Palavra são essenciais.

2. ESTABELEÇA UM RITMO SAUDÁVEL

Quando entendermos que Deus não é um capataz severo, que está estalando o chicote e fazendo pedidos irracionais, seremos capazes de entrar em um ritmo que é sustentável para nós e para aqueles que lideramos. Se formos impulsivos, nós levaremos outros a serem da mesma forma. Se aprendermos nosso próprio ritmo, então seremos bons exemplos e uma influência positiva sobre outros.

Um exemplo clássico desse princípio encontrado na Bíblia ocorreu quando Jacó encontrou o seu irmão, Esaú, depois de muitos anos de separação. O relacionamento deles havia sido tão tenso que Jacó não estava certo de como Esaú o receberia. Ele seria hostil ou amigável? Quando o encontro acabou sendo amigável, Esaú quis que Jacó viajasse com ele e essencialmente disse: “Segue-me, e eu irei acertar o ritmo para ti e para aqueles que viajam contigo”. Veja como isso se desenvolveu, e especialmente como Jacó respondeu.

Então Esaú disse: “Bem, vamos embora; eu vou na frente”. Jacó respondeu: “Meu patrão, o senhor sabe que as crianças são fracas, e eu tenho de pensar nas ovelhas e vacas com crias. Se forem forçados a andar depressa demais, nem que seja por um dia só, todos os animais poderão morrer. É melhor que o meu patrão vá na frente deste seu criado. Eu vou atrás devagar, conforme o passo dos animais e dos meninos, até que chegue a Edom, onde o senhor mora”.  — Gênesis 33:12-14 (NTLH)

Insegurança, medo ou um desejo de não entristecer Esaú poderiam ter feito Jacó ignorar o bem-estar daqueles que estavam confiados a ele. Mas Jacó demonstrou sabedoria e compaixão quando ele disse: “Eu vou atrás devagar, conforme o passo dos animais e dos meninos”. Então, em essência, ele disse: “Nós chegaremos lá quando chegarmos, e então o veremos, mas eu não vou ferir aqueles que estão sob os meus cuidados para tentar me manter bem com você, ou superar suas expectativas”.

Líderes espirituais precisam ser sábios para aplicar a estratégia de Jacó. Tenha certeza de que você está considerando o bem-estar do seu cônjuge e filhos assim como dos seus trabalhadores enquanto você segue a sua jornada. Lembre-se de que aqueles que o amam são afetados pelo seu ritmo. Como meu amigo Gerald Brooks diz: “Líderes espirituais precisam não apenas considerar sua própria tolerância à dor no ministério, mas também a tolerância dos seus cônjuges”.

Richard A. Swenson disse: “Nós precisamos ter espaço para respirar. Precisamos de liberdade para pensar e permissão para curar. Nossos relacionamentos têm estado fadados à morte por causa da velocidade. Ninguém tem tempo para ouvir, muito menos para amar. Nossas crianças caem feridas ao chão, atropeladas pela alta velocidade das nossas boas intenções. Deus é a favor da exaustão? Ele não guia mais as pessoas às águas tranquilas?”

3. ENCONTRE O RITMO QUE DEUS ORDENOU PARA A SUA VIDA

Todos nós ouvimos o velho ditado: “Todo o trabalho sem diversão faz de Jack um bobão”. Existe uma grande verdade nisso. Richard Exley escreveu: “Tome um minuto e pense sobre isso. Você está vivendo em qual ritmo de vida? Qual é o seu equilíbrio entre trabalho, descanso, adoração e diversão? Você é realizado? Os relacionamentos mais importantes da sua vida são como deveriam ser? Você tira tempo para si mesmo? Para Deus? E quanto à diversão? Você se diverte vivendo assim?”

Se você tem tendências a ser viciado em trabalho, então essa declaração pode ser desafiadora de se ouvir. Eu era assim. Quando uma pessoa está trabalhando para Deus, é fácil negligenciar outros relacionamentos e atividades, e parecer tão virtuosa enquanto faz isso. Contudo, Deus não nos criou simplesmente para ser uma máquina de trabalho que incessantemente produz resultados.

Paulo disse que Deus “… tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento” (1 Timóteo 6:17). Se é esse o caso, nós deveríamos desfrutar das coisas naturais, relacionamentos, vida, etc. Contudo, nós não poderemos fazer isso se estivermos exclusivamente obcecados com trabalho. Precisamos rir, muito! Não podemos nos levar tão a sério. Todos na igreja têm uma vida fora da igreja, e nós também precisamos ter. Passatempos podem ser uma ajuda dando descanso dos pensamentos constantes sobre o ministério. Nosso cérebro precisa de tempo para descansar e “recriar!”

Charles Spurgeon sabiamente disse: “Repouso é tão necessário para a mente quanto o sono é para o corpo… Se não descansarmos, teremos um colapso. Até mesmo a Terra precisou ficar de repouso e ter os seus sábados, da mesma forma nós. Daí a sabedoria e compaixão do Nosso Senhor, quando Ele disse: ‘Vamos ao deserto descansar por enquanto’”.61 A passagem a qual Spurgeon se refere aqui é Marcos 6:31. Está escrito: “E ele lhes disse: Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto; porque eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham”. Jesus não defendeu a pegar mais e mais pesado o tempo todo; Ele defendeu o descanso.

Enquanto não estamos debaixo do Antigo Testamento, a “Lei” do Sábado, existe um princípio do Sábado que permanece, e deveríamos ser sábios em honrá-lo. Pausas são imperativas! Pequenas paradas são importantes, mas grandes pausas também. Não se engane evitando dias livres e férias!

4. TOME CUIDADO DE SI MESMO

Paulo falou para Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (1 Timóteo 4:16).

Líderes espirituais são com frequência eficientes em cuidar de outros, mas eles, às vezes, são negligentes em cuidar de si mesmos. Trabalhar para Deus é maravilhoso, mas não é um substituto para cuidar corretamente da saúde do corpo, mente e emoções. Quão bem estamos cuidando de nós mesmos?

•   Como está a sua dieta? Você está comendo comidas saudáveis?

•   E quanto aos exercícios?

•   Você está descansando o suficiente? Dormindo bem?

•   Quando foi a última vez que você viu o seu médico ou fez um exame físico?

•   Como está o seu relacionamento pessoal com Deus? Você só interage com Deus relativo ao seu ministério, ou você desfruta de comunhão com Ele, alimentando-se da Sua Palavra e desfrutado da Sua presença, em um nível pessoal?

•   O que você tem feito para se divertir recentemente? O que você faz para se divertir regularmente?

Em seu marcante livro sobre a síndrome de burnout, Wayne Cordeiro diz: “Não esquecemos que somos cristãos. Esquecemos que somos humanos, e que apenas um descuido pode debilitar o potencial do nosso futuro”.

5. MANTENHA-SE EMOCIONALMENTE SADIO

Como está a sua alma?

• Você sabe o seu valor intrínseco como um filho de Deus? Você está mantendo um senso   de autoestima positiva a respeito do seu desempenho e da opinião de outros?

•  Você está praticando a arte do contentamento?

•  Você está desfrutando de alegria em sua vida?

•  Você tem um senso de resiliência? Você ainda dá uma “ressaltada” antes de responder às adversidades?

•  Você está processando bem as emoções?

•  Você é honesto com relação à raiva, frustrações e decepções?

•  Você já lidou com temores não resolvidos em sua vida? Ofensa?

•  Você já derramou o seu coração para Deus ou você suprime o que é negativo e mantém a fachada?

•  O Salmo 23:3 (“Refrigera a minha alma?”) é uma realidade para você?

Existe alguma crença errada que o tem mantido preso? Alguma das frases a seguir faz parte da sua conversa consigo mesmo?

•  Deus só me amará se eu agir perfeitamente.

•  Eu preciso ter a aprovação dos outros para me sentir bem comigo mesmo.

•   Se algo está errado, deve ser culpa minha.

•   Eu preciso fazer tudo perfeitamente.

•   Eu preciso ser forte e estar no controle.

•   Ninguém pode ver qualquer fraqueza em minha vida.

6. MANTENHA OS FOGOS DE CASA ACESOS

Deus não nos chamou para sacrificarmos as nossas famílias no altar do ministério. Seu relacionamento com sua esposa e filhos precisa ser uma prioridade. Você não pode se permitir ser tão drenado, tornar-se desgastado e exaurido pelo seu ministério, de forma que não tenha sobrado nada para investir em casa. Você precisa ter tempo de qualidade com o seu cônjuge, e você deveria levar a sério qualquer aviso ou preocupação que o seu cônjuge expressa.

Se você tem crianças ou adolescentes, tenha certeza de que você é uma grande parte de suas vidas. Um dos pontos altos da minha vida foi quando fui capaz de ser o treinador do grupo de basquete do meu filho quando ele era jovem. Fomos afortunados de trabalhar para um pastor sênior que encorajava todos da equipe a serem altamente envolvidos nas vidas dos filhos.

7. CONHEÇA OS SEUS LIMITES

Paulo disse: “Estamos presos aos limites estabelecidos por Deus” (2 Coríntios 10:13, A Mensagem). Faríamos bem em fazer o mesmo. Sempre que possível, deveríamos focar no que fazemos bem, e delegando funções, deixar outros prosperarem naquilo em que eles têm o dom.

Se você tende a ter um senso superestimado da sua própria importância, seria bom lembrar-se com frequência das seguintes declarações:

•  Eu não sou o Messias.

•  Eu não sou o Espírito Santo.

•  Eu não sou indispensável.

•  Eu não sou onisciente, onipresente, nem onipotente.

•  Eu não posso suprir cada necessidade.

•  Está tudo bem para mim no tocante a estabelecer limites e dizer “não” a certas coisas.

•  Eu tenho permissão para delegar e compartilhar a carga do trabalho com outros.

Jesus sabia quando dizer “sim”, e quando dizer “não”. Nós observamos exemplos na Bíblia    quando Ele delimitou limites e disse “não”, permanecendo dentro dos limites do Seu chamado.

•  Jesus disse “não” a Pedro quando ele tentou redirecionar o curso de Jesus do caminho que envolvia sofrimento (Mateus 16:23).

•  Ele disse “não” para o povo que queria mantê-lo em um lugar e impedi-lo de pregar em outros locais (Lucas 4:43).

•  Jesus disse “não” ao povo que queria fazer dele um rei “natural” (João 6:15).

Bill Cosby teve uma boa compreensão quando disse: “Eu não conheço a chave para o sucesso, mas a chave para falhar é querer agradar a todo mundo”.

8. RECEBA MINISTRAÇÃO

Você pode ter ouvido a frase: “Quando a sua despesa excede a sua renda, sua manutenção torna-se a sua queda”. Alguns têm dito isso no contexto das finanças, mas isso também é verdade concernente aos nossos recursos espirituais e emocionais. É fácil ficar tão envolvido em dar e servir a outros, que o líder simplesmente não toma tempo para reabastecer o seu próprio reservatório.

Jesus e os seus discípulos continuaram a sua viagem e chegaram a um povoado. Ali uma mulher chamada Marta o recebeu na casa dela. Maria, a sua irmã, sentou-se aos pés do Senhor e ficou ouvindo o que ele ensinava. Marta estava ocupada com todo o trabalho da casa. Então chegou perto de Jesus e perguntou: “O senhor não se importa que a minha irmã me deixe sozinha com todo este trabalho? Mande que ela venha me ajudar”. Aí o Senhor respondeu: “Marta, Marta, você está agitada e preocupada com muitas coisas, mas apenas uma é necessária! Maria escolheu a melhor de todas, e esta ninguém vai tomar dela”.  — Lucas 10:38-42 (NTLH)

Ninguém pode culpar Marta por sua ética de trabalho, mas ela foi além do esforço consciente. De acordo com esses versículos, ela estava distraída, preocupada e desapontada. Graças a Deus pelos trabalhadores, mas não podemos trabalhar o tempo todo. Jesus viu um valor enorme no desejo de Maria em receber a ministração, e o chamou de “a melhor de todas”.

9. TENHA UM AMIGO

Líderes espirituais precisam de alguém com quem eles possam conversar aberta, franca e livremente. Eles precisam de alguém com quem eles possam ser reais, alguém com quem eles não precisem ser “profissionais” ou impressionar, alguém com quem eles possam ser totalmente transparentes e esquecer-se da própria “imagem”. Tipicamente, a pessoa que representa esse papel é outro líder, talvez um mentor ou conselheiro, alguém que possa ser confiável.

O isolamento é um convite para o desastre para o ministro e para qualquer crente, contudo 70% dos pastores indicam que eles não têm alguém que considerem um amigo.63 Não podemos esquecer a admoestação de Provérbios 27:17: “Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo”.

PENSAMENTO CONCLUSIVO

Não posso imaginar outro líder enfrentando mais estresse e pressão do que o apóstolo Paulo enfrentou. Entre açoites, prisões e naufrágios, Paulo também disse: “Tenho tido trabalhos e canseiras. Muitas vezes tenho ficado sem dormir. Tenho passado fome e sede; têm me faltado casa, comida e roupas” (2 Coríntios 11:27, NTLH). A despeito de tudo isso, Paulo estava determinado a terminar a sua carreira com alegria (ver Atos 20:24). Existem dois tipos de líderes espirituais: aqueles que acabam a sua carreira com alegria, e aqueles cuja carreira está acabando com eles. Determine-se a estar no primeiro grupo.

Se você estiver experimentando algum nível de síndrome de burnout, por favor, saiba que Deus é por você, não contra você. Ele quer trazer uma rica restauração sobre sua vida. Isaías profetizou sobre o Messias dizendo: “Não quebrará o caniço rachado, e não apagará o pavio fumegante” (Isaías 42:2, NVI).

Isaías 40:29-31 (A Mensagem) fala mais da natureza restauradora de Deus: “Ele fortalece os que estão cansados, renova as forças dos que desistiram. Pois até os jovens se cansam e desistem, os jovens na flor da idade tropeçam e caem. Mas os que esperam no Eterno renovam suas forças. Abrem as asas e voam alto como águias, correm e não se cansam, andam e não ficam exaustos”.

Enquanto andamos na sabedoria de Deus, eu creio que a admoestação de Paulo será cumprida em nossas vidas: “Não se deixem esgotar: mantenham- se animados e dispostos” (Romanos 12:11, A Mensagem). A versão amplificada desse versículo diz: “Nunca fique lento no zelo nem no anseio ardente; esteja brilhando e queimando no Espírito, servindo ao Senhor”.