A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DIVERSIDADE E INCLUSÃO ESCOLAR

Lidar com as diferenças na sala de aula é um desafio não apenas para professores, mas também para psicólogos e outros profissionais que acompanham crianças

Começa o ano letivo. Ao entrar na sala de aula, o professor depara com 30, 35ou 40 rostos. Às vezes, não se detém em nenhum deles e já começa a colocar o planejamento em prática: é preciso se apressar para cumprir o programa. Mas é aí que algo acontece: há alunos que simplesmente não aprendem.

Coloca-se então o desafio não apenas para educadores, mas também para pais, psicopedagogos, psicólogos e outros profissionais das áreas da saúde e da educação. Haveria um desencontro? Falta de preparo por parte do docente? Ou as crianças não tiveram “uma base boa” do ano anterior? Hipóteses são cogitadas: alunos que apresentaram dificuldades certamente têm algum problema! A partir desse momento, o olhar do professor para os alunos que o decepcionaram já está contaminado pelas ideias de fracasso e há o risco de que ele, ainda que involuntariamente, atribua rótulos a essas crianças – cada qual com uma história, uma trajetória escolar distinta, uma maneira singular de perceber o mundo, de se relacionar e de aprender.

Os professores do ensino fundamental, médio ou mesmo da universidade consideram a singularidade ao preparar suas aulas? Os cursos de graduação de fato prepararam profissionais para a diversidade e para se preocuparem em conhecer as crianças, adolescentes ou adultos que chegam até as salas de aula? Incentivam o planejamento de atividades variadas, que podem proporcionar aos estudantes possibilidade de obter sucesso, descobrir e mostrar as habilidades, desafiando-os a buscar novos conhecimentos?

Se a ação educativa deve levar em conta todos esses cuidados, será possível incluir cada um dos educandos na rotina escolar, garantindo que sesintam seguros para mostrar o que sabem e correr em busca do que lhes falta. A inclusão à qual me refiro parte daí, do respeito que deve pautar as relações. Seja com alunos considerados “normais”, com os que pertençam a outras culturas ou que tenham alguma necessidade educacional especial.

Mas o que é inclusão? Como praticá-la em salas de aulas lotadas, com poucos recursos, alunos indisciplinados e tantas outras dificuldades? Como promover valores quando, por exemplo, a mídia eleva à categoria de heróis e celebridades aqueles que trapaceiam e mentem, seja nos reality shows ou no cenário político? De fato, fazemos parte de um sistema educacional cheio de falhas e que, não raro, dificulta o próprio ato de educar; incluir o outro, porém, depende basicamente da vontade e da disponibilidade para conhecer e se comprometer com o desenvolvimento desse outro – seja ele uma criança sem deficiência, um aluno com necessidades especiais, um “adolescente problema” ou um adulto que ainda não foi alfabetizado. É fundamental que aquele que, de alguma maneira participa do processo de educar tenha disponibilidade psíquica para o acolhimento. Segundo o pesquisador González Rey, a subjetividade caracteriza-se por “formas de organização subjetiva dos indivíduos concretos. Nela aparece constituída a história única de cada um dos indivíduos, a qual, dentro de uma cultura, se constitui em suas relações pessoais”. Trata-se de um processo dialético: quando a ação do sujeito modifica o meio social, é significada por ele e, a partir dessa significação, o próprio sujeito pode alterar o sentido anterior relacionado àquela ação.

A subjetividade é uma configuração flexível e se dá ao longo do tempo, constitui-se por meio da ação do sujeito, das relações interpessoais, do contexto social, cultural e do momento histórico em que o sujeito está inserido. As relações estabelecidas na escola entre professores e estudantes e entre os próprios alunos são relações entre subjetividades, constituídas por conceitos e pré-conceitos, por ideias sobre o que é aprender e se desenvolver, pelas ideias que os educandos têm de escola, de ensino, de seu papel na instituição, do sentido que os professores atribuem à prática pedagógica do momento histórico, político, económico e social.

Constituímos uma sociedade que exclui o que é diferente, o que foge à regra, o que não dá lucro. A escola recria e mantém as relações de poder e submissão que caracterizam a sociedade, por isso, também exclui através da busca da padronização privilegiando o resultado e não o processo.

Alunos que “não conseguem acompanhar” a turma são excluídos por meio de notas, dos comentários feitos a respeito de seu desempenho e dos rótulos aos quais são submetidos. Ou por meio de gestos e olhares que expressam a desaprovação. Como reverter esse quadro? Com a obrigatoriedade determinada por lei de as escolas receberem todos os alunos, sem distinção, se faz mais do que nunca necessário refletir sobre práticas pedagógicas. Não é mais tolerável que se aja como se todos os sujeitos fossem iguais e aprendessem do mesmo jeito, em um mesmo ritmo e por meio das mesmas atividades.

Em meio a esse turbilhão – chamado inclusão – cabe à escola promover a inserção sistemática dos alunos na cultura e torná-los aptos a serem agentes ativos e participativos.

E onde a leitura e a produção de textos entram nesse processo? Entram desde o início da vida acadêmica. Ou, pelo menos, deveria ser assim. Escrever é uma forma de expressar o pensamento, os sentimentos e de se comunicar. O hábito da leitura permite, além do desenvolvimento cognitivo, apropriações afetivas e desenvolvimento da certeza de que se pertence a uma cultura e a um tempo. Por meio dessas práticas é possível mobilizar sentimentos, fazer despertar variados interesses, motivação, propiciar a interação entre pessoas, deixar fluir a criatividade.

O registro escrito, ao longo da nossa história, reflete a condição humana, desejos, angústias, incertezas, conflitos, alegrias, sofrimentos, conquistas e evolução. Quando se trabalha com a diversidade textual, é dada aos alunos a oportunidade de desenvolver habilidades, representações e competências, facilitando a interação social, melhorando sua autoestima e, por conseguinte, o desempenho acadêmico.

Um conto não é mais importante do que uma história em quadrinhos ou uma notícia de jornal. São apenas diferentes, podendo ser de boa qualidade ou não. Privilegiar o trabalho com um tipo específico de texto é excluir a riqueza que as mais diversas modalidades de produções escritas nos oferecem e implica excluir alunos que se identificam com outros tipos de leitura.

A aceitação da diversidade textual em sala de aula possibilita a inclusão dos diversos estilos e ritmos de aprendizagem. A busca da competência, do desenvolvimento das habilidades individuais, da sensibilidade e do trabalho em conjunto são caminhos para lidar com a singularidade – e talvez nos torne mais sensíveis, solidários e preparados para enfrentar os desafios de um mundo em constante transformação.

OUTROS OLHARES

CUIDADORES DIGITAIS

É inegável que a plasticidade do cérebro de uma criança e um jovem é muito maior do que a de um adulto. Mas, no caso das máquinas digitais, há um entrosamento além do treinamento

O que faço quando meu computador ou o meu smartphone tem um problema? Pego o manual e tento achar uma solução. Pergunto ao Google. Não encontro a solução. Então telefono para meu técnico. Mas nem sempre ele está disponível. O passo seguinte é recorrer aos meus sobrinhos ou vizinhos. Com uma condição: chamar sempre os mais jovens. Quanto mais jovem for uma pessoa, mais familiarizada ela será com a tecnologia. Mas, por quê?

Alguns dizem que é porque os mais jovens começaram, desde cedo, um processo de imersão digital, tanto em casa como na escola. Com um cérebro mais plástico do que os adultos, eles se adaptam mais facilmente a um ambiente povoado por máquinas. Outros dizem que é porque os adolescentes não temem correr tantos riscos como os adultos e que, por isso, testam todas as possibilidades de uma máquina, sem receio de sua imprudência. Os adultos têm medo de mexer em um computador e depois serem incapazes de acessar sua conta bancária e pagar um boleto que vence naquele dia. Essa não é uma preocupação para um adolescente.

É inegável que a plasticidade do cérebro de uma criança e de um jovem é muito maior do que a de um adulto. Sempre soubemos que é recomendável aprender línguas estrangeiras desde cedo. Mas, no caso das máquinas digitais, há algo mais. Há uma espécie de entrosamento com elas, que vai além do treinamento. Um traço marcante desse entrosamento é o fato de que, atualmente, as crianças aprendem a digitar sem ter de frequentar uma escola de datilografia, como ocorreu com pessoas da minha geração. O inglês também é facilmente assimilado, motivado pela curiosidade em saber o conteúdo de sites da internet.

Penso que uma hipótese para explicar o surgimento dessas habilidades pode ser encontrada na epigenética. A epigenética é uma nova disciplina da biologia que estuda as modificações das características dos organismos por meio da transmissão de experiências que passam de pais para filhos.

A epigenética tem sido criticada por sua proximidade com ideias lamarckistas. O lamarckismo foi uma teoria proposta no século XVIlI pelo francês Lamarck (1744 -1829) que sustentava que as espécies se modificavam de acordo com o uso que faziam de seus órgãos, e que essas modificações se transmitiam para as gerações seguintes, alterando as características das espécies. Com a publicação do livro de Charles Darwin, A origem das Espécies, em 1859, o lamarckismo foi abandonado e só recentemente retomado pela epigenética, em uma nova versão, diferente da de Lamarck. A herança epigenética não modifica a espécie, mas apenas algumas gerações, pois nela não ocorrem mudanças profundas que alterariam o DNA de um organismo de forma permanente.

Se a hipótese epigenética estiver correta, filhos de pais que interagiam com máquinas têm mais facilidade para se entrosar com elas, embora essa não seja uma característica que ficará permanentemente gravada no seu DNA. Isso significa que a espécie humana não se tornou mais digital, mas apenas que há gerações mais digitais do que as outras. Desde a invenção do computador pessoal, há 30 anos, pelo menos duas gerações já passaram. Pessoas como eu, da geração dos babyboomers, só nas últimas décadas passaram a interagir cotidianamente com máquinas. A mesma situação ocorre com as gerações que me precederam. Ou seja, somos gerações descendentes de analfabetos digitais e, por isso, com poucas chances de nos entrosarmos com tecnologias digitais. Não seria por acaso que, até para instalar uma Smart TV, pessoas mais idosas se atrapalham.

Essa é uma situação preocupante. As sociedades contemporâneas tentam quebrar todas as barreiras que existem: de cor, de gênero, de credo religioso, de classe social. Mas não a barreira de idade. Com o aumento da longevidade, as sociedades passaram a ser divididas em gerações, que podem facilmente ser identificadas pelo seu discurso ideológico. Frequentemente, a inaptidão tecnológica é comum a todas elas, e se tornou um motivo para rechaçar os idosos para um passado ultrapassado. O idoso não tem condições de acompanhar a corrida tecnológica e se torna motivo de riso para os mais jovens. Como afirmou Simone de Beauvoir, os velhos são párias. Eu acrescentaria: a maioria são párias tecnológicos.

Que podemos fazer? No Brasil, a velhice é encarada como um problema estritamente contábil. A mídia afirma o tempo todo que “nossa sociedade envelhece mais rapidamente”, mas o significado dessa afirmação não é explorado. Como será uma sociedade na qual a maioria das pessoas são idosas e os jovens entre 18 e 25 anos não têm emprego? Esse parece ser o cenário futuro, para o qual não estamos nos preparando.

Nos próximos anos, haverá uma grande reconfiguração tecnológica do trabalho, na qual o trabalho humano ficará cada vez mais irrelevante. Mas, ao mesmo tempo, aparecerão novas profissões. Talvez os jovens pudessem aproveitar sua herança epigenética e oferecer tutoriais individualizados para auxiliar os idosos a se entrosar com a tecnologia. Há uma oferta muito pequena de tutoriais tecnológicos para a terceira idade e as escolas para idosos que têm essa proposta são deprimentes. A vantagem dos jovens seria o fato de não precisarem se preparar muito para exercer essa nova profissão, a de cuidador digital. Certamente, a maioria dos idosos não poderá pagar muito, mas penso que é melhor ser um cuidador digital do que dirigir um Uber. E, quem sabe, da próxima vez que eu tentar falar com meu tio, seu celular não vai estar desligado por ter baixado joguinhos e não saber como se livrar deles.

JOÃO DE FERNANDES TEIXEIRA – é paulistano, formado em filosofia na USP. Viveu e estudou na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Escreveu mais de uma dezena de livros sobre filosofia da mente e tecnologia. Lecionou na UNESP, na UFSCAR e na PUC-SP.

GESTÃO E CARREIRA

RECOMEÇO DEPOIS DOS 50

A dificuldade para encontrar uma recolocação aumenta à medida que o brasileiro envelhece. Diante disso, algumas empresas começam a ampliar a contratação de funcionários acima dos 50 anos

Com mais de 25 anos de experiência na área de finanças em grandes empresas, a paulistana Aureane Resende tomou uma decisão difícil há três anos: pediu demissão para cuidar de problemas de saúde na família. Na época, ela era gerente do departamento financeiro para a América Latina numa indústria farmacêutica. Resolvida a questão pessoal, a volta ao trabalho não foi imediata. Dois anos mais tarde, em 2018, a oportunidade surgiu na fabricante de alimentos e bebidas Pepsico. Aos 50 anos, formada em administração pela Fundação Getúlio Vargas e em ciências contábeis pela Universidade de São Paulo, Aureane foi uma das três contratadas na primeira edição do programa Ready to Return (pronto para retornar), destinado a profissionais que pausaram a carreira e buscam recolocação. “Poder voltar a trabalhar é muito bom”, diz ela, hoje gerente de finanças da Pepsico.

Histórias como essa costumam ter um desfecho menos animador. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o fenômeno do desalento, no qual desocupados desistem de buscar emprego, torna-se mais frequente à medida que o profissional envelhece. A maior proporção de desalentados está entre os desocupados acima de 60 anos. No levantamento mais recente, feito em 2017, dois terços dos desocupados dessa faixa etária disseram ter perdido a esperança de encontrar um emprego. Desse grupo, 32% apontaram a idade como principal entrave. Aos poucos, o tema começa a despertar a atenção das empresas. Em pesquisa realizada em parceria com o Instituto Ethos e publicado em março, só 19% das empresas analisadas divulgaram o percentual de pessoas com mais de 45 anos que têm em seus quadros, um dos passos básicos antes de agir para ampliar esse contingente. Uma parcela bem maior, de 61%, já publica dados sobre a participação de mulheres. “A gerência de boa parte de grandes empresas tornou-se mais jovem nos últimos anos”, afirma Margareth Goldenberg, consultora especializada em diversidade. Àmedida que elas percebem as vantagens de ter uma cultura mais inclusiva, como refletir internamente a diversidade de perfil dos próprios consumidores, é natural que revejam também o desequilíbrio de gerações.”

É um assunto que se toma mais premente com o envelhecimento da população. Até 2060, a proporção de quem está acima de 60 anos deverá mais do que dobrar, chegando a 32% do total de brasileiros. Em 2010, a proporção era de 7,3%. Muito antes disso veremos o fim do chamado bônus demográfico, período mais favorável ao crescimento econômico. A reforma da Previdência, recém-aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados, traz outro componente crítico. Pelas novas regras do Instituto Nacional de Seguridade Social, em 2023 deverá haver uma idade mínima de aposentadoria para as mulheres, de 62 anos, e para os homens, de 65.

Diante da constatação de que a idade média de seus gerentes é de 39 anos, os executivos da Pepsico iniciaram um esforço para aumentar a contratação de profissionais mais experientes com a adoção de um programa vindo da matriz, o Golden Years, em 2016. O programa, voltado para o setor operacional, já trouxe resultados. Há três anos, funcionários com mais de 50 anos representavam 5,2% do quadro nessa área. Hoje somam 6,9%. “O objetivo é fortalecer a diversidade geracional na área que concentra mais funcionários”, diz Mauricio Pordomingo, vice-presidente de recursos humanos da Pepsico. Segundo ele, há menos rotatividade entre os maiores de 50 anos. Em 2018, a companhia também adotou o Ready to Return, sem faixa etária determinada. A proposta de contratar profissionais para cargos gerenciais que passaram uma temporada fora do mercado vem atraindo um público acima de 45 anos. Mais de 3.000 candidatos na época concorreram a três vagas. Em julho, outras três vagas foram abertas.Um indicador mostra que brasileiros acima de 50 anos já buscam maneiras de ampliar a longevidade profissional. Segundo o Censo do Ensino Superior, divulgado em 2017, há quase 80.000 pessoas acima de 55 anos matriculadas em universidades. Esse dado inspirou a fabricante de bens de consumo Unilever a criar no Brasil um programa de inclusão inédito no mundo: o Senhor Estagiário, lançado em julho. Mais de1.100 candidatos se inscreveram, porém apenas 25 se encaixaram no perfil exigido. Além de formação em administração, era preciso ter mais de 55 anos e interesse pela área de vendas. Cinco foram contratados e começarão a trabalhar em agosto. ”A depender do resultado, poderemos exportar o modelo para outros países”, diz Fernando Rodrigueiro, diretor de recursos humanos da Unilever. “Profissionais dessa faixa etária têm características complementares aos mais novos.” Uma delas é a própria experiência. Com o avanço da longevidade, é de esperar que reiniciar a carreira mais tarde se torne mais comum. ”Até agora, prevaleceu a ideia de que os mais jovens têm mais potencial”, diz Andrea Zitune, gerente executiva de talentos da fabricante de alimentos Danone. Hoje, 66% dos 480 gerentes da Danone têm menos de 39 anos. Dois têm mais de 60. Uma foi contratada há três meses: Lenira Gonçalves, de 61 anos, gerente de estratégia de acesso da divisão de nutrição. A empresa não tem programas de atração específicos para essa faixa etária. Mas, para Andrea, a contratação de Lenira se deve a medidas tomadas para promover uma cultura inclusiva, entre elas a retirada de dados como idade e sexo do perfil de candidatos pré-selecionados pela área de recrutamento e repassados aos gestores. “Esse cuidado diminui o risco de que padrões se repitam. Agora são avaliadas apenas as competências dos profissionais”, afirma Andrea. E, no fim do dia, é isso que importa

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 21 – TRAÇOS DE PAIS ESPIRITUAIS

“Não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais, para os filhos.” — 2 Coríntios 12:14

PENSAMENTO-CHAVE: Verdadeiros pais espirituais buscam o bem-estar e o aperfeiçoamento daqueles a quem eles servem.

Alguns anos atrás, quando eu estava me preparando para ministrar em uma conferência internacional de ministros, o missionário anfitrião perguntou se eu poderia ensinar não apenas acerca de “Como ser um Timóteo”, mas também sobre “Como ser um Paulo”. Ele explicou que houve um racha significativo em seu país entre “pais” espirituais e “filhos” espirituais.

Ele disse que alguns “filhos” estavam sendo treinados e então minando os pastores e dividindo suas igrejas. Além disso, alguns pastores temiam tal revolta e fugiam de qualquer “filho” que parecia ter potencial ministerial antes que tais problemas pudessem se levantar. Existiam problemas em ambos os lados.

Também já ouvi a respeito de situações em que os chamados “pais espirituais” ofereceram seus serviços (por um preço), mas parece questionável saber se seus esforços foram realmente para o desenvolvimento e o progresso dos filhos, ou se eles estavam meramente criando uma hierarquia autopromovida e cultivando a lealdade dos filhos a eles mesmos. Não consigo imaginar Paulo endossando uma abordagem de “alugue um pai” para o ministério!

Relacionamentos sadios e legítimos entre pai e filho continuam importantes. O Dr. Howard Hendricks disse que existem “… três tipos de relacionamentos de mentoreamento que um homem desesperadamente precisa perseguir: um Paulo, um homem mais velho que pode edificá-lo em sua vida; um Barnabé, um colega, um irmão de alma com quem ele pode contar. E um Timóteo, um jovem cuja vida ele está edificando”.

Paulo era um pai espiritual não apenas para Timóteo e Tito, mas também para as igrejas. Paulo, às vezes, referia-se a si mesmo no papel de um “tipo de paternidade”. E ele articulou certas características que exibiu para aqueles a quem ministrou. O que observamos nessas passagens concernentes ao coração de um pai espiritual?

• Ele não os bajulavam (1 Tessalonicenses 2:5). Paulo não os mimava para que eles gostassem dele ou para que pudesse tirar algo dos tessalonicenses.

• Paulo não era cobiçoso em relação a eles (1 Tessalonicenses 2:5). Ele não visou ter um relacionamento com eles como uma forma de obter os seus bens.

• Paulo não buscava a glória dos homens, não procurava ser exaltado (1 Tessalonicenses 2:6). Isso não diz respeito a Paulo reunindo filhos para si, a fim de alimentar o seu próprio ego.

• O apóstolo Paulo não exigia deles. Ele não era controlador, manipulador ou ditatorial (1 Tessalonicenses 2:6).

• Paulo, enquanto líder, demonstrava uma preocupação sincera e compassiva sobre o bem-estar deles.

• Paulo era gentil para com eles (1 Tessalonicenses 2:7).

• Ele os nutria (1 Tessalonicenses 2:7).

• Ele ansiava afetuosamente pelos irmãos em Tessalônica (1 Tessalonicenses 2:8).

• Paulo não lhes deu apenas o Evangelho, mas deu sua própria vida por eles (1 Tessalonicenses 2:8).

• Eles eram queridos por Paulo (1 Tessalonicenses 2:8).

• Paulo exortava, confortava, e cuidava de cada um deles, como um pai faz com os seus filhos (1 Tessalonicenses 2:11).

• Sua energia e seus esforços foram direcionados para o desenvolvimento espiritual deles (Gálatas 4:19).

• Paulo não estava interessado em envergonhá-los, mas se sentia obrigado a avisá-los. Ele não os levou a uma viagem de culpa ou os fez se sentirem intimidados (1 Coríntios 4:14).

• Ele era diferente de um mero mestre, não estava apenas passando informação para os coríntios, mas ele os tinha “gerado” pelo Evangelho e estava estabelecido como um exemplo que eles poderiam seguir em seu desenvolvimento espiritual (1 Coríntios 4:15-16).

• Paulo não estava buscando o que era deles (seu dinheiro), mas buscava a eles (2 Coríntios 12:14).

•   Ele estava disponível para investir e para se deixar gastar por seus liderados, em outras palavras, Paulo estava disposto a viver e a se doar sacrificialmente por eles, pelo avanço e desenvolvimento deles (2 Coríntios 12:15).

Se você é um líder maduro, eu oro para que esses sejam os traços que você irá exibir em relação àqueles a quem você tem o privilégio de influenciar. Se você está em busca de uma figura paterna, um mentor ou um modelo no ministério, eu acredito que você irá manter esses traços em mente enquanto busca alguém que possua uma boa influência e um bom exemplo para você.

Concluindo, deixe-me compartilhar a busca de um ministro por alguns mentores. Muitos anos atrás, um bom amigo meu (pastor Gerald Brooks) percebeu que ele precisava desenvolver-se em sua vida e ministério, então solicitou mentoreamento de um ministro mais experiente. Sua tentativa não foi recebida calorosamente, por isso ele partiu para obter mentoreamento da melhor maneira que sabia. Ele identificou três líderes cristãos que admirava e percebeu a força distinta que cada um deles tinha.

Embora não conhecesse a personalidade de qualquer desses homens, ele adquiriu tantos livros e fitas de ensino o quanto foi possível. Por anos, estudou os escritos e ensinos desses homens para absorver o máximo que podia. De um, ele focou em aprender as verdades espirituais e bíblicas, do segundo, ele se concentrou em aprender as habilidades pastorais, e do terceiro ele procurou aprender os princípios de liderança.

Finalmente, ele foi capaz de encontrar e formar relacionamentos com esses três homens, mas não até tê-los estudado à distância por anos. Cada um desses ministros desempenhou um papel importante de mentor e eles o ajudaram a se desenvolver em várias áreas de sua vida.

Que Deus possa nos ajudar a seguir bons exemplos e a sermos bons exemplos.