ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 20 – GURUS, FANÁTICOS E INGENUIDADE

“Não somos responsáveis pelo modo segundo o qual vocês vivem a fé. Não nos comportamos como inspetores, e sim como companheiros, trabalhando com vocês num ambiente de alegre expectativa. Sei que vocês permanecem firmes por sua própria fé, não pela nossa.” — 2 Coríntios 1:24 (A Mensagem)

PENSAMENTO-CHAVE: Líderes espirituais não devem cultivar a dependência de outros acerca de si mesmos; eles ensinam outros a pensar biblicamente e a descansar no Espírito Santo.

Se você é da minha idade ou um pouco mais velho, deve se lembrar da histeria envolvendo os Beatles quando eles se tornaram famosos.

Além dos sucessos Let It Be e I Want to Hold Your Hand, você pode se lembrar dos fãs que seguiam as tendências, que ficavam fora de si gritando, chorando e desmaiando na presença deles.

Esse fenômeno de ser pego e levado em um frenesi de entusiasmos irracionais não está restrito a adolescentes estrelas do rock. Às vezes, é algo bem mais sinistro com resultados morais. Adolf Hitler disse: “Que sorte para os governantes que os homens não pensem”. Um dos principais capangas de Hitler, Herman Goering, disse: “Eu não tenho consciência, Adolf Hitler é minha consciência”. Se alguém quer evitar ser enganado em assuntos grandes (ou pequenos), é essencial possuir habilidade e coragem para pensar claramente conforme o contexto da verdade.

Devemos evitar ser como as gaivotas. Afinal, as gaivotas engolem tudo o que é lançado para elas sem mastigar. Da mesma forma, uma pessoa ingênua é facilmente enganada, aceitando os pensamentos de outros sem uma inteligente consideração quanto a sua veracidade.

Os crentes, às vezes, tornam-se enamorados de certos líderes carismáticos e cegamente abraçam cada palavra dita por eles, colocando-os em pedestais e se esquecendo das admoestações da Bíblia sobre a nossa necessidade de operar com um discernimento afiado e com entendimento bíblico. Isso não apenas demanda revelação espiritual para discernir a verdade, mas também coragem de levantar-se pela verdade e não ser varrido com os desmaios em massa. É importante lembrar que nem tudo que é popular é alicerçado em princípios.

No prefácio do livro Bonhoeffer: Pastor, Mártir, Profeta, Espião, Timothy J. Keller aborda a associação da igreja germânica a Hitler: “Como ‘a igreja de Lutero’ o grande professor do Evangelho, chegou a tal lugar? A resposta é que o verdadeiro Evangelho — resumido por Bonhoeffer como a graça cara — foi perdido. Por um lado, a igreja tornou-se marcada pelo formalismo. Isso significa ir à igreja e ouvir que Deus apenas ama e perdoa a todos, então realmente não importa como você vive. Bonhoeffer chamou isso de a ‘graça barata’. Por outro lado, houve legalismo, ou salvação pela Lei e boas obras. Legalismo significa que Deus o ama porque você se recompôs e está procurando viver uma vida boa e disciplinada”.

Bonhoeffer demonstrou o que significa ser um pensador independente. Educado em meio ao extremo liberalismo teológico, ele desafiou muitos dos gigantes acadêmicos dos seus dias, e da mesma forma posteriormente resistiu ativamente aos males do nazismo. Admiro sua coragem e a deliberação de seus processos de pensamento.

A independência de Bonhoeffer me lembra da tenacidade de Paulo e sua defesa pela verdade à luz do que ele via na igreja em Antioquia. Gálatas 2:11- 13 diz: “Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível. Com efeito, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os gentios; quando, porém, chegaram, afastou-se e, por fim, veio a apartar-se, temendo os da circuncisão. E também os demais judeus dissimularam com ele, a ponto de o próprio Barnabé ter-se deixado levar pela dissimulação deles”.

Pedro e Barnabé eram sem dúvida bons homens, mas nesse infeliz momento, eles se tornaram “fanáticos”, simplesmente seguindo a multidão. Nessa situação em particular, faltou-lhes o discernimento ou a coragem de se levantarem em defesa do que era correto.

A Bíblia enfatiza a necessidade de não sermos ignorantes, mas de utilizarmos o estudo, a sabedoria e o discernimento em nossas vidas.

O inexperiente acredita em tudo que lhe dizem, mas o prudente escolhe e pondera cada palavra.  — Provérbios 14:15 (A Mensagem)

… quero também que sejam prudentes, afeiçoados ao bem e distantes do mal. Não se deixem enganar pelas conversas suaves e ao mesmo tempo malignas. Fiquem atentos. — Romanos 16:19 (A Mensagem)

Pois, assim como Eva foi enganada pelas mentiras da cobra, eu tenho medo de que a mente de vocês seja corrompida e vocês abandonem a devoção sincera e pura a Cristo. Porque vocês suportam com alegria qualquer um que chega e anuncia um Jesus diferente daquele que nós anunciamos. E aceitam um espírito e um evangelho completamente diferentes do Espírito de Deus e do evangelho que receberam de nós.  — 2 Coríntios 11:3-4 (NTLH)

Mas teste e prove todas as coisas [até que você possa reconhecer] o que é bom; [e a isto] se apegue.  — 1 Tessalonicenses 5:21 (AMP)

Amados, não creiam em todo espírito, mas teste os espíritos, se eles são de Deus; porque muitos falsos profetas têm entrado no mundo.  — 1 João 4:1

Tudo isso não envolve apenas conhecer a Bíblia e ser guiado pelo Espírito Santo, mas também envolve uma habilidade conhecida como “pensamento crítico”. Algumas das muitas definições de pensamento crítico incluem:

•   Ter um pensamento crítico é ser razoável, ter um pensamento reflexivo que é focado em decidir no que acreditar e o que fazer.

•   … interpretar, analisar, avaliar e sintetizar informações para formar um bom entendimento, julgamento ou solução.

•   …  uma habilidade de avaliar informação e opiniões em uma eficiente maneira, proposital e sistematicamente.

Ser um pensador crítico não significa que você seja uma pessoa crítica. Nós tipicamente pensamos sobre crítica no sentido de alguém que sempre é negativo, apreensivo, levando os outros para baixo, etc. Contudo, não é isso que estamos dizendo. Tampouco um pensador crítico significa alguém sem imaginação ou indisposto a considerar o ponto de vista de outros.

Lembro-me de um líder espiritual que compartilhou acerca de um momento em que ele estava ouvindo no rádio outro ministro pregando, e ele recorda que discordou dele em alguns pontos do seu ensino. Em vez de desligar o aparelho por causa do desacordo, o líder espiritual continuou ouvindo-o (mesmo que estivesse filtrando enquanto ouvia), e posteriormente, ele nos disse que esse ministro comunicou uma verdade marcante que respondeu a uma questão acerca da qual ele pensara por anos. Ele disse que ficou feliz por não ter desligado porque ele disse algumas coisas na mensagem com as quais ele discordou.

Jó 34:3 diz: “Porque o ouvido prova as palavras, como o paladar, a comida”. Enquanto precisamos ser cuidadosos para não exaltarmos o nosso raciocínio acima de Deus e de sua Palavra, Deus quer que usemos as nossas mentes (guiados por Sua palavra e Seu Espírito) para discernirmos a verdade. Em Isaías 1:18, Deus diz: “Vinde, pois, e arrazoemos…”. Observe que nós deveríamos arrazoar com Deus, não contra Ele. Lógica e razão certamente não são nossos deuses, mas elas são ferramentas a serem usadas para estabelecer as nossas crenças e práticas. Por isso Paulo disse: “Estude e esteja ávido ao máximo para apresentar-se a Deus aprovado (testado pelo experimento), um trabalhador que não tem do que se envergonhar, analisando corretamente e manejando com precisão

[manuseando corretamente e ensinando habilidosamente]

a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15, AMP). Como líderes, Deus não nos chamou para sermos gurus. Como liderados, Deus não nos chamou para sermos fanáticos. E Deus certamente não chamou qualquer um de nós para sermos ingênuos. Que Deus possa nos ajudar enquanto discernimos, abraçamos e proclamamos a verdade

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.