GESTÃO E CARREIRA

EMPREENDER COMO PLANO DE CARREIRA

Ao contrário do tradicional pensamento de estudar e estabilizar-se em uma grande empresa, os jovens de hoje veem no empreendedorismo o caminho principal para sua carreira profissional

No ano passado, o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Empreendedorismo e de Startups para a Juventude, que busca, entre outras coisas, incentivar o empreendedorismo para a juventude, gerando oportunidades, renda e garantindo um futuro aos jovens. É uma resposta natural ao cenário mundial de empreendedorismo, no qual cada vez mais os jovens escolhem fazer e desenvolver suas próprias empresas, produtos e serviços. Tanto que, das mais de 12 mil startups mapeadas pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups), 14% dos empreendedores encontram-se na faixa de 20 a 24 anos e 67% deles têm entre 25 e 40 anos. “O perfil geral são jovens criativos e curiosos com acesso à tecnologia, que querem criar soluções para diferentes problemas e ainda ganhar dinheiro no processo”, afirma o presidente da Abstartups, Amure Pinho.

Isso significa que o empreendedorismo está cada vez mais sendo levado em consideração como plano de carreira pelos jovens e adolescentes, inspirados por modelos como Mark Zuckerberg e nas startups de sucesso, substituindo o tradicional sonho de entrar para grandes empresas e conseguir estabilidade financeira e de plano de carreira em longo prazo. É uma tendência forte no Brasil e no mundo que tem revelado grandes talentos para a inovação. No entanto, nem sempre as habilidades criativas caminham ao lado da aptidão para liderança e gestão igualmente desenvolvidas, por isso o Plano governamental incentiva parcerias e iniciativas que buscam ensinar o jovem a pensar e colocar em prática produtos e serviços inovadores e que possam se tornar negócios.

Isso porque, em um cenário de crise, investir nas próprias ideias acaba se tornando a única solução viável em muitos casos. Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2017), com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o percentual de pessoas de 18 a 34 anos que têm negócios em fase inicial atingiu a marca de 57% em 2017, o que representa mais de 15 milhões de jovens. Esse mesmo estudo mostrou que a taxa de empreendedorismo total atingiu a marca de 36,4%, o que representa quase 50 milhões de pessoas.

EVOLUÇÃO ORIENTADA

O perfil do jovem brasileiro mudou. Para o professor de empreendedorismo e coordenador dos cursos Engenharia Elétrica e de Computação da UniCarioca, Marcos Ferreira, o que sempre moveu o homem e hoje é mais latente é a motivação. Empreender, ou seja, pôr em prática ideias com iniciativa, ousadia e criatividade – e ainda, se possível, com alguma inovação – é algo que vem do coração, é muito forte, quando se empreende por vocação. “Concretizar essa vocação latente é uma necessidade de vida, em vista que, nesses casos, só se encontrará felicidade respondendo a esses anseios de construir e realizar o que brota na alma”, diz o docente.

“Já empreender por necessidade é um movimento que se faz na busca por alternativas, para atender às carências de um mercado de trabalho com poucas oportunidades, o que é uma característica forte e muito presente no Brasil de agora. Dessa forma, a necessidade imposta pela falta de oportunidades representa, hoje, a principal motivação das pessoas para se lançarem no mundo dos negócios. Na verdade, empreender por vocação não é o que move a maioria dos brasileiros. Muitos almejam ter um bom emprego, pois isso é algo que dá mais segurança (envolve menos riscos) e a sociedade valoriza mais. Porém, obter sucesso no ato de empreender por vocação ou necessidade é algo que realmente faz a alma transbordar”, reforça Ferreira.

Em geral, todo mundo tem um empreendedor dentro de si, em muitos casos, adormecido, não descoberto. “Minha função e de outros docentes é, em certa medida, funcionar como ‘parteira’ e ajudar os alunos a descobrir esse aspecto, vocação e habilidades. Os grupos de discussão, os trabalhos em sala de aula e as leituras recomendadas servem para despertar essa característica em cada um junto com as técnicas e ferramentas que serão essenciais e os ajudarão a alcançar o sucesso, caso venham empreender algum dia”, pondera.

MOTIVAÇÃO GLOBAL

Não há um consenso quando se trata de características do empreendedor, mas garra, perseverança e automotivação são unânimes entre os bem-sucedidos. Na opinião de Gabriela Gusman, 27 anos, formada em Letras pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), mas que deixou o diploma de lado para empreender na Vênus Estúdio Criativo – agência de comunicação focada em branding e estratégica -, uma boa qualidade desses empreendedores é ter urna visão holística, integrativa do negócio. “Eu já cometi alguns erros nesse sentido e vejo muitos jovens empreendedores também pecando em ter uma visão muito ‘reta’, muito superficial. É necessário conseguir parar para analisar o produto oferecido, o serviço, o que de valor está sendo entregue, para aí ver quais fatores estão desalinhados, por que certas coisas não estão funcionando ou poderiam estar melhor”, pontua a jovem empresária.

Não existe uma receita exata quando se trata do empreendedorismo de sucesso, o importante é enxergar oportunidades e desenvolver habilidades para supri-las. Nesse caminho, segundo o diretor comercial da Sage, Jorge Santos Carneiro, os jovens buscam propósito e soluções para problemas reais do cotidiano das pessoas. “É um movimento que vai mudar totalmente as formas de trabalho no futuro. Na nossa empresa, por exemplo, temos estimulado o ensino aos jovens, aplicando programas de empreendedorismo extracurriculares aos alunos através da Sage Foundation e parcerias com ONGs voltadas para empoderamento de jovens, sendo um caminho interessante para fomentar o empreendedorismo em jovens”, diz.

CARACTERÍSTICAS PESSOAIS

A unanimidade fica por conta de que é um conjunto enorme de fatores que desencadeiam algum desequilíbrio lá na frente. O ideal é conseguir ver esse “todo”, ou seja, enxergar o negócio como um ecossistema, o que ajuda muito a detectar problemas ou possíveis desequilíbrios que mais tarde causariam dor de cabeça. Nesse sentido, a vontade de autoconhecer e autodesenvolver de forma contínua deve estar interligada no indivíduo. Gabriela lembra que empreendedores que acham que já sabem totalmente quem são, dotados de verdades absolutas, podem cometer erros muito graves no negócio.

“Autoconhecimento é poder. Muitas vezes, nosso maior inimigo e concorrente somos nós mesmos. Se não trabalharmos o nosso ego e nossas sombras, a tendência é sermos engolidos uma hora ou outra. Agora, se conhecemos nossos mecanismos de defesa, de autossabotagem, já temos muita vantagem e conseguimos escapar das armadilhas que criamos para nós mesmos”, opina Gabriela.

Vale lembrar que, mesmo no empreendedorismo por necessidade, é preciso estratégia e muito planejamento para a implementação de qualquer negócio. “Empreendedor não é apenas quem tem negócio próprio. É possível e necessário ser empreendedor trabalhando para um terceiro, dentro de empresas dos mais variados setores. Mais do que um modelo de negócios, o empreendedorismo é um estado de espírito”, ressalta Carneiro, da Sage.

ENSINANDO

Na rede de franquias de Ensino Infantil, Fundamental e Médio Maple Bear, empreendedorismo é uma matéria ensinada no dia a dia das próximas gerações. “Acreditamos que a formação sólida, que prioriza o autoconhecimento e autonomia, é decisiva para a conquista de um mundo de possibilidades. Por isso, ser empreendedor é ser visionário, olhando o mundo sob a perspectiva de oportunidades. Nosso programa privilegia a observação, a resolução de problemas e a tomada de decisões. Então, as possibilidades de aprender a empreender são infinitas”, diz o CEO da Maple Bear, Arno Krug.

Para o perito em educação, o estímulo ao aprendizado deve acontecer em todas as esferas e começa sempre na escola. incentivar a experimentação, promover o desafio intelectual, descobertas e a solução de problemas desde os primeiros anos da infância ajudam a formar um cidadão mais consciente e criativo, aberto para visualizar novas oportunidades em todos os momentos da sua vida. “A criatividade é um fator primordial para empreender. Fugindo dos estímulos tradicionais, sem impor algo, mas apresentando de forma criativa e com uma metodologia fundamentada na experimentação, na descoberta e no compartilhamento de informações. Dessa maneira, é possível desenvolver nos alunos a autonomia e uma verdadeira paixão pelo aprendizado”, diz Krug.

Em geral, especialistas apontam que é importante sempre buscar construir o conhecimento e expandir a criatividade ao compartilhar informações, comparar ideias, interpretar linguagens e desenvolver o pensamento crítico. A base de uma educação de qualidade é a descoberta.

Outra iniciativa que tem dado certo, desta vez, público-privada, é da Sage, multinacional britânica líder em softwares de gestão na nuvem, em parceria com a Junior Achievement São Paulo, instituição centenária que promove o empreendedorismo em jovens do mundo todo, que ajuda os alunos da ETEC Polivalente de Americana a desenvolverem aplicativos de celular para solucionar problemas e dificuldades encontrados no cotidiano das pessoas. Com o nome de StartApp, o projeto é um laboratório de criação de aplicativos que tem como objetivo incentivar o voluntariado junto aos seus funcionários como forma de retribuição às comunidades onde atuam. Como resultado, os alunos, divididos em grupos, desenvolveram cinco ideias de apps em diversas áreas, de auxílio na comunicação com crianças que apresentam transtorno do espectro autista até aplicativos para auxiliar estudantes das universidades a procurarem morada em repúblicas, todos viáveis de serem realmente implementados.

“Desenvolver as habilidades de criatividade e espírito de equipe desde a infância é muito importante para qualquer atividade que vá desempenhar ao longo da vida. É preciso pensar que a escola tem um poder incrível de incentivar essas habilidades que contribuirão para o desenvolvimento de um empreendedor. Hoje, o mercado necessita de pessoas que saibam trabalhar em equipe e sejam criativas no dia a dia dos negócios”, conclui o diretor da Sage, Jorge Santos Carneiro.

SEIS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS NO PERFIL DE UM EMPREENDEDOR

PROATIVIDADE – O empreendedor precisa estar antenado com o mercado e pronto para abraçar as oportunidades e para correr riscos calculados, sem ter medo do desconhecido.

EFICIÊNCIA E QUALIDADE – É preciso ser apaixonado pelo que faz, ser comprometido e cumprir o que promete. Acima de tudo, buscar sempre uma forma de melhorar a qualidade do seu produto ou serviço, comparando com a concorrência e sempre pela ótica do cliente.

SER PERSISTENTE – É necessário ser resiliente e saber adaptar-se às mudanças, superar obstáculos e resistir às pressões financeiras ou de expectativa por resultados. Persistência deve ser a sua palavra de ordem, buscando sempre superar o cansaço e o desânimo e, sempre que necessário, colocar a mão na massa.

ATENÇÃO E OPORTUNIDADE – O empreendedor deve ter a internet como uma forte aliada para buscar informações antes de começar um negócio, interagir com os clientes, pesquisar fornecedores e concorrentes. Informação, planejamento e comunicação formam a chave para o sucesso de um negócio.

ORGANIZAÇÃO – Planejar bem deve estar no início da jornada, pois, neste momento, o empreendedor de sucesso descobrirá os caminhos a percorrer e definir as metas do seu negócio. As etapas devem estar desenhadas e o caminho deve ser monitorado por meio de indicadores.

COMUNICAÇÃO E LIDERANÇA – Ser capaz de transmitir confiança e saber se comunicar são fundamentais para o empreendedor, que deve buscar uma comunicação assertiva, além de demonstrar confiança na sua capacidade de produzir resultados.

FONTE: MARCOS FERREIRA, docente da Uni Carioca.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.