A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CREPÚSCULO DA VIDA

Hermann Hesse contemplou a melhor idade transformando suas observações sobre o processo de envelhecer em poesia. É o que acontece na obra Com a Maturidade fica-se mais jovem

Crepúsculo da vida

O que poderá dar sentido ao envelhecer? Uma parte da psique faz-nos ater aos médicos e as máquinas, que fazem diagnósticos para determinar as possibilidades biológicas do ainda viver; a outra faz-nos olhar para as estrelas e projetar nelas nossa essência transcendente. É a ideia de totalidade, objeto de revelações místicas. Que parte será útil para nos conduzir à maturidade?

Desde os 43 anos, o Nobel de Literatura Hermann Hesse produziu textos sobre o crepúsculo da vida. Seus escritos foram reunidos em uma obra lançada no Brasil, intitulada Com a Maturidade Fica-se mais Jovem. Ele faleceu aos 85 anos, enquanto dormia, e seu último trabalho foi um poema dedicado a uma velha árvore, que não sabia se chegaria a ver a próxima estação. A escolha de Hesse foi a de contemplar as estrelas, o que foz das suas observações sobre o envelhecer uma poesia.

A época da Primeira Guerra, Hesse faz um processo psicoterapêutico com J. B. Lang, que aplicava o método junguiano. Tempos depois, tornou-se cliente do próprio C. G. Jung. Daí utilizar-se em sua obra dos conceitos dessa psicologia. Ele definiu para o escritor chileno Miguel Serrano que “Morrer talvez seja ir para o Inconsciente Coletivo, perder­ se, para dali retornar um dia à forma, às formas…”.

Inconsciente são atividades mentais, que estão conduzindo nossos atos, sem que tenhamos consciência dessas ações. No entanto, para a psicologia de C. G. Jung, há uma camada de inconsciência mais profunda, que é uma condição inata, em que todo ser humano se predispõe a realizar tudo o que é próprio da espécie. Ele denominou esse conceito de Inconsciente Coletivo.

É no Inconsciente Coletivo que encontramos a sabedoria dos nossos antepassados e a dos antepassados do mundo; talvez, do universo. Em todas as gerações, os temas se repetem coloridos, de acordo com as experiências do espírito do tempo. A essas unidades temáticas que compõem o Inconsciente Coletivo, Jung chamou de Arquétipos. Desses, ele destacou o Self; o arquétipo da totalidade, que faz o homem ter necessidade de criar uma imagem que possa compor a ideia de Deus. Esse “EU” é como um centro divino, um círculo imaginário, que transcende o que é circunscrito. É o ilimitado que se relaciona com o limitado, uma analogia com o Deus que se relaciona com o homem. É como uma voz interior, que nos indica o que deve ser vivido. Amadurecer é saber dialogar com esse Self e segui-lo em suas mensagens – só quem puder ler o silêncio e entregar-se aos enigmas das figuras da imaginação poderá entender seus desígnios.

O Self, ao se fazer carne, ter um corpo, cria a consciência de um “Eu” para que ele possa atuar. Esse “Eu” é o limitado, que pode se relacionar com as experiências desse corpo, guardadas em uma estrutura imaginária, que Jung chamou de Inconsciente Pessoal.

Enclausurado nesse corpo, que segue as leis da biologia, o “Eu” se relaciona com o Self por meio de rituais e imagens, que chamamos de Símbolos, aquilo que une o desconhecido ao conhecido, o ilimitado ao limitado. Então, uma parte da psique é literal (o “Eu”, o circunscrito) e a outra (a relação desse “Eu” com o Self) manifesta-se de forma simbólica. É dessa maneira simbólica que Hesse pode dizer: “Amanhã ou depois, em breve, serei folha, terra e raiz, não mais escreverei palavras em folhas de papel, não terei mais no bolso a conta do dentista…” É como se dissesse que o “Eu” irá se dissolver no Self: como uma gota d’água no oceano. Ele deixará de existir apenas em sua individualidade, mas continuará o Self na condução de outros humanos.

O “Eu” se manifesta dividindo o mundo em bem e mal, claro e escuro, bom e ruim, enquanto o Self tem a unidade do seu centro. O amadurecer saudável é também romper com esse modo unilateral de enxergar o mundo. Brincar de casinha e falar com pedras, como fez Jung, são a coragem de deixar virem as fantasias para seguir e criar com a segurança de um “Eu” forte que, em lugar de ser invadido pelo inconsciente e se dissolver na loucura, permite ao indivíduo uma saudável adaptação ao mundo. Uma semente desempenha seu papel, de chegar ao cumprimento das leis biológicas – e, talvez, deixar outras sementes para continuarem a sua criação -, quando não é pisoteada por um animal. Assim, o Self carnal e cósmico tem a potencialidade de construir nossa personalidade, o que nos leva a ser íntegros. Enquanto o “Eu” quer entender se o universo se foz por necessidade ou por acaso – ou o que há depois da morte -, o Self já tem em si todos os segredos do universo e não precisa dessas respostas. As silhuetas das pessoas que existiram continuam vivas para nós, congeladas naquela imagem que vimos pela última vez, muitas vezes aparecendo em nossos sonhos sem rosto ou em nossas lembranças como quem foge de ser retratada. Sua voz ficou longe, suas maneiras não se mostram e tudo ficará envolvido em saudades. Porém, como diz Hesse, por meio do pensamento, da exata lembrança e da reconstrução do ente querido em nosso íntimo, poderemos fazer o morto permanecer ao nosso lado e sua imagem, preservada, nos ajudará a sublimar a dor.

Olhar a vida apenas com o “Eu” é assombrar-se com a decadência biológica no cumprimento de uma sina, enquanto a visão do “Eu”, na relação com o Self ou o modo simbólico de perceber a vida, é ser contemplativo e, como aquela folha que amareleceu balança suavemente, até flutuar aos cuidados de uma corrente de vento, que delicadamente a pousa ao chão.

Crepúsculo da vida. 2

OUTROS OLHARES

SOM INTELIGENTE

Máquinas assumem funções criativas na música e anunciam os novos tempos

Som inteligente

Em 2017, a cantora e youtuber Taryn Southern, que fizera parte do programa American idol, ganhou enfim seu bom quinhão de celebridade ao anunciar que tinha gravado o primeiro álbum musical feito inteiramente com inteligência artificial (IA): IAM AI. De lá para cá, o que pertencia ao território da ficção científica entranhou-se ainda mais no cotidiano, e o que se vê em 2019 é uma enxurrada de exemplos de como as máquinas podem assumir tarefas criativas que desafiam os limites até mesmo dos mais talentosos e – capacitados músicos de carne e osso – e não só no pop.

Com a ajuda de um programa de IA que roda em seu telefone celular chinês Huawei, o compositor de trilhas para cinema Lucas Cantor, radicado em Los Angeles, conseguiu terminar e mostrar em maio a Sinfonia nº 8 que o compositor austríaco Franz Schubert (1797- 1828,) um gênio da música, havia abandonado em 1822, após escrever apenas seus dois primeiros movimentos. O aparelho “estudou” toda a obra de Schubert para “entender” seu pensamento e prever melodias que ele poderia usar. Por outro lado, o projeto Magenta,  do Google – uma das iniciativas de ponta no uso de IA para fazer música, ao lado do Flow Machines da Sony e da startup britânica Jukedeck -, apresentou em março um artifício visual e musical muito especial para celebrar o aniversário de um dos pais da música ocidental,  Johann Sebastian Bach (1685- 1750): quem tocasse uma melodia no teclado virtual da  página de abertura do Google no dia 21 daquele mês poderia ouvi-la harmonizada como um  coral bachiano. A máquina foi alimentada com mais de 300 obras do compositor para poder realizar com êxito a sofisticada e encantadora brincadeira.

“Nos últimos dois ou três anos, vimos numerosas conquistas sobre música e inteligência artificial sendo reivindicadas, como ‘a primeira música pop composta com IA’ e ‘a primeira obra de orquestra sinfônica escrita com IA’. Espero que já estejamos passando dessa fase, porque no fim não se trata de ser o primeiro, e sim de construir uma tecnologia duradoura”, defendeu, em entrevista, Douglas Eck, pesquisador de computação da equipe do Google Brain, que coordena o Magenta. “Estamos vendo essa experimentação acontecendo agora, com artistas como a banda pop de Los Angeles YACHT. Eles passaram muito tempo trabalhando com ferramentas do projeto Magenta e descreveram quanto gostaram de passar da etapa ‘novidade’ – ‘Isso é estranho e legal’ – para a fase de ‘domínio’ – ‘Essa é uma ótima ferramenta para fazer música’.”

Enquanto o Google ia por um lado, o professor de computação da Goldsmiths University of London Mick Grierson trabalhava na criação de um sistema com o qual pudesse treinar uma inteligência artificial a fim de que ela gerasse novas gravações a partir de coleções de gravações existentes.

Um dos interessados no projeto foi o grupo inglês Massive Attack, um dos grandes nomes mundiais da música eletrônica, que confiou a Grierson um de seus álbuns mais famosos, Mezzanine, de 1998. O resultado, gestado pelo pesquisador e por Robert dei Naja, integrante do grupo, está em exposição até o dia 26 de agosto no Barbican, centro de artes em Londres: é o Mimic, programa que usa IA para criar remix do disco. “Nos primeiros dias de desenvolvimento, tudo que saía soava como ruído branco”, contou Grierson. “Muito esforço foi feito para projetar uma IA que pudesse gerar um sinal de áudio em qualidade de CD – essa era uma ideia totalmente nova na época. Nossos primeiros experimentos eram muito barulhentos, semelhantes aos criados pelo Google e por outros. No entanto, trabalhando de uma maneira um pouco diferente, conseguimos melhorar muito a qualidade. Se você colocar Jimi Hendrix no gerador, vai sair algo como Mezzanine’. Isso é bem legal, já que você pode, teoricamente, criar sua própria música e reconstruí-la por meio do som do Massive Attack.”

Idealizador, com o parceiro Oded Ben-Tal, do Folk-RNN – um gerador de música folclórica de uma rede neural recorrente (RNN) -, o estudioso Ben Strum contou que há quase 60 anos a inteligência artificial tem sido aplicada de várias maneiras à música. “Um dos primeiros exemplos é o concerto de cordas (criado em 1957 por um supercomputador de uma universidade de Illinois e considerado a primeira composição de uma máquina eletrônica)”, ilustrou Strum.

“Como ferramenta, a IA traz diferentes possibilidades de expressão. Ela pode ser vista como um aspecto da prática mais ampla da ‘composição algorítmica’, em que a música é criada por meio da aplicação de procedimentos ou instruções computacionais.

Que o diga a americana Holly Herndon, produtora de renome no pop experimental que chamou a atenção do mundo em maio deste ano ao lançar o álbum Proto, o primeiro no qual trabalhou com inteligência artificial. Artista que já abriu shows do Radiohead e que tem ph.D. em composição na Universidade de Stanford, ela construiu, com o especialista em computação Jules LaPlace, um sistema de IA chamado Spawn. Ele pode imitar, interpretar e desenvolver ideias musicais, muitas vezes revelando elementos em suas composições que ela mesma desconhecia.

“Trabalhar com IA me fez apreciar o corpo humano; nós somos sensores incríveis. Nossos olhos e ouvidos e todas essas coisas que você não pode incluir em um arquivo de mídia… realmente fazem você apreciar seu próprio saco de carne”, comentou a artista em entrevista ao jornal inglês The Guardian. “Eu não quero recriar música, quero é encontrar um novo som e uma nova estética. A principal diferença é que vemos o Spawn como um membro do grupo, em vez de um compositor.”

Holly Herndon é muito crítica em relação às iniciativas comerciais voltadas para o uso de IA na música, como a alemã Endel, que neste ano se tornou o primeiro aplicativo a ser contratado por uma gravadora, a Warner Music. Ele cria paisagens sonoras personalizadas para os usuários, dependendo de suas necessidades, seja para relaxar ou se concentrar, usando dados como a hora do dia e o clima para direcionar os sons. “Aquilo é tipo: como faço para o sistema compor uma partitura de Hans Zimmer para mim, sem que eu precise pagar a um artista?”, disse Herndon ao Guardian.

Para Oded Ben-Tal, do Folk-RNN, a evolução da tecnologia fez com que hoje, pela primeira vez, as empresas possam ver oportunidades comerciais no uso da IA para produzir música. Mas, segundo ele, nem tudo o que sai dali é muito musical. “O que quero dizer é que, quando as pessoas veem o potencial, às vezes ignoram problemas significativos. Nem tudo que parece ou soa superficialmente como outras músicas é valioso”, advertiu Ben-Tal.

Há, porém, quem consiga dar a esse resultado pouco valioso de uma pesquisa séria um sentido bem-humorado. No YouTube, un1a das sensações roqueiras deste ano é o Relentless Doppelganger, uma rede neural programada para gerar uma trilha de death metal 24 horas por dia, sete dias por semana. É o trabalho dos especialistas em tecnologia musical CJ Carr e Zack Zukowski, do projeto Dadabots, que vêm experimentando há anos como fazer com que uma IA produza música que soe consistente aos ouvidos. “Gêneros musicais como o metal e o punk parecem funcionar melhor com o gerador, talvez porque os estranhos resultados da síntese neural (ruído, caos, mutações grotescas da voz) são esteticamente agradáveis nesses estilos”, escreveram eles na tese Generating albums with Sample RNN to imitate metal rock, and punk bands (Gerando álbuns com Sample RNN para imitar bandas de metal, rock e punk). No último dia 13, os Dadabots lançaram Outerhelios, gerador de rede neural mais avançado, que produz uma trilha interminável de free jazz, a partir de Interstellar space, disco que o saxofonista John Coltrane gravou em 1967, ano de sua morte. “Alguns dos resultados soam como um massacre de bebês elefantes. Alguns são melodias próximas do álbum original. Alguns são longos solos de bateria. Alguns soam como gansos raivosos. Mas a variedade com curadoria faz com que ele seja melhor que o de death metal”, disseram CJ e Zack.

E, nesse ponto da evolução tecnológico­ musical, surge uma questão importante, levantada em abril pela revista The Verge: Se a IA é capaz de fazer música, isso faz dela um artista também? Ou então: deveria o artista original, cujo estilo está sendo usado para treinar a máquina, ter direitos de propriedade intelectual sobre a gravação resultante?

Mick Grierson opinou: “Existe habilidade em treinar uma máquina, mas se você o faz usando o material de outra pessoa sem permissão, ela pode e deve reclamar seus direitos de propriedade sobre seu modelo”. E Oded Ben-Tal vai adiante: “Talvez a lei precise ser atualizada para refletir as mudanças tecnológicas. Mas vale a pena considerar qual é o propósito dos direitos autorais. Atribuir propriedade destina-se a permitir que o artista produza um trabalho de forma independente. Assim, não faz sentido conceder royalties à máquina! Os programadores certamente merecem ser pagos, mas não sei se os direitos autorais são o mecanismo correto para isso.

Muito do que pode acontecer no futuro nas relações entre música e inteligência artificial ainda é um mistério. “Mas não acredito que as máquinas vão pensar ou tocar como músicos, pelo menos não em um futuro próximo”, arriscou Douglas Eck. “E por quê? Porque a música é uma forma de arte completa e, portanto, um reflexo de toda a profundidade e amplitude do conhecimento e da criatividade humana. Nosso objetivo principal é inventar maneiras interessantes de expandir nossa criatividade. Isso faz parte de uma longa história da tecnologia que permite a criação de música Acho que em paralelo também veremos novas ferramentas para aprender a escrever e tocar música. Nós mal arranhamos a superfície do potencial da IA para ajudar novos músicos a aprender seu ofício.”

GESTÃO E CARREIRA

O PEQUENO GRANDE MEI

Cresce o número de redes de franquias que investem no formato de microempreendedor individual, levando menos burocracia e mais praticidade aos empresários

O pequeno grande MEI

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego atinge, atualmente, mais de 13 milhões de brasileiros, parcela da população que busca alternativas de fonte de renda que sejam acessíveis e que as atendam em relação a faturamento, fazendo com que cresça o número de microempreendedores individuais (MEls). O programa, que em 2019 completa dez anos, foi lançado para incentivar a formalização de pequenos negócios e trabalhadores autônomos, fechando o primeiro trimestre de 2019 com mais de 8 milhões de cadastros, segundo dados do Portal Empreendedor do Governo Federal. Somente nos últimos cinco anos, o período pré-recessão, o número de MEis no País cresceu mais de 120%, sendo 379 mil novos cadastros na modalidade somente nos três primeiros meses deste ano.

Vislumbrando a oportunidade e a necessidade do mercado, o franchising enxergou no modelo microfranquia, ou modelos de baixo investimento, a possibilidade de permitir que seus franqueados ou novos entrantes operem unidades como microempreendedor individual, buscando reduzir ao máximo o custo operacional dos franqueados, favorecendo assim uma lucratividade maior.

É o caso da Aloha Viagens, agência e operadora de turismo, que opera como franquia desde 2015 e possui mais de 200 franqueados – a modalidade, cuja principal função é diminuir a formalidade, dá incentivos fiscais a empresas que faturam até R$81 mil por ano. “O número de pessoas que desejam empreender vem de uma crescente orgânica; quando um franqueado começa como MEI, ele possui maior segurança e ajuda na expansão da rede”, afirma a diretora da Aloha Viagens, Claudia DelValle.

A principal vantagem de ser MEI é que o franqueado pode emitir sua nota fiscal, receber seu comissionamento e ficar isento de imposto até um teto delimitado pelo governo – onde se enquadram 99% dos franqueados da rede. “Resolvemos ingressar nessa modalidade, pois fomos sentindo a necessidade de novos franqueados emitirem as notas (nossos franqueados só recebem o comissionamento na Aloha após emissão de nota fiscal). E o MEI nos ajuda a regulamentar a situação de quem não possui empresa, mas quer empreender”, comenta Claudia.

Para ela, a única dificuldade em relação ao MEI fica nas legislações locais de prefeituras e municípios, em vista que cada lugar possui um processo de adesão e nem sempre há clareza nisso. “E agora há a questão da certificação on-line, onde somente o franqueado pode tirar seu registro. Antigamente nosso escritório de contabilidade fazia a assessoria e até mesmo a solicitação. Hoje, apenas o solicitante consegue fazer esse processo”, lembra a diretora da Aloha Viagens.

 FONTE DE RENDA

Também na área de turismo, a agência de viagens Vai Voando tem 60% dos franqueados da rede como MEIs, entre eles, empresários que estão montando pela primeira vez o seu próprio negócio. “O empresário começa um negócio formalizado – se ele não tem CNPJ, o processo de abertura pode ser feito pela internet, é gratuito e ele sai com a inscrição jurídica na hora, sem precisar pagar taxas de registro. Além da facilidade e custo, o processo é mais ágil e menos burocrático”, pontua Luiz Andreaza, diretor da Vai Voando. ”A única desvantagem é que existe a limitação de um funcionário e tem expansão limitada, ou seja, se ele atingir o limite de faturamento, deverá se enquadrar em um novo regime empresarial”, explica.

Na Vai Voando, o modelo de negócio e os produtos são voltados a consumidores das classes C, D e E, com foco de serem abertos em comunidades e periferias, ofertando aos clientes acesso a transporte aéreo (nacional), rodoviário e hoteleiro com benefícios do sistema de compra pré-paga, sem burocracia e sem comprovação de renda. “Pode ser mais uma fonte de renda e também pode ser vista como um respiro nos tempos atuais, em que números de desempregados do País crescem”, diz Andreaza.

INÍCIO PROMISSOR

Para Willian Tâmara, sócio-fundador da rede especializada em impermeabilização de estofados Doutor Sofá, o sistema MEI é um dos principais requisitos procurados pelos novos franqueados e uma grande solução para empreendedores que estão iniciando. “Com essa tributação, o franqueado tem uma série de vantagens em relação à abertura de outros tipos de empresas, por exemplo, o pagamento de um único imposto mensal fixo, que hoje fica em média de R$52,00. Além disso, o franqueado não precisa contratar um contador para cuidar das suas obrigações mais comuns – tudo pode ser resolvido pela internet:”, explica.

E, por atender, na grande maioria, clientes residenciais (pessoa física), o processo fica ainda mais simplificado e de menor custo. “Com a maturação de cada unidade franqueada, existe a necessidade de ampliar a equipe de atendimento, e quando o faturamento da unidade franqueada cresce, automaticamente a empresa passa a se enquadrar na alíquota do Simples Nacional. Por isso, vemos o MEI como uma grande solução para empreendedores que estão iniciando”, diz Tâmara, cuja rede está presente em mais de 120 cidades, com planos para expandir para Uberlândia, Uberaba, Patos de Minas, Araguari, Ituiutaba, Araxá e Patrocínio, em Minas Gerais.

BENEFÍCIOS

A rede de alimentação saudável Mr. Fit criou o modelo de freezer Mr. Fit Home, há dois anos, como opção além dos modelos de loja e quiosque, no qual o microfranqueado recebe um freezer e todas as refeições prontas para a venda, além de banners e cardápios, acesso facilitado a créditos em bancos – no estado de São Paulo, o Mr. Fit fechou parceria recentemente com o Banco do Povo para crédito aos microfranqueados, com o parcelamento de 100% da microfranquia – e a isenção de royalties.

Hoje, cerca de 12% dos franqueados de toda a rede são MEI, uma opção de negócio mais enxuto, que pode ser até utilizado como segunda fonte de renda, atendendo a uma demanda crescente de pessoas que buscam por uma alimentação saudável. “Nessa faixa de tributação, o microfranqueado tem acesso a vários benefícios da previdência social (INSS), como auxílio-doença, aposentadoria por idade e salário-maternidade, tudo isso a um custo  menor do que outros tipos de negócios: enquanto o MEI tem esses benefícios pagando  apenas 5% de um salário mínimo mensalmente, qualquer outro franqueado precisa pagar 11% de um salário para ter acesso aos mesmos direitos. É mais que o dobro!”, destaca a fundadora e CEO da rede Mr. Fit, Camila Miglhorini.

No caso de contratação de funcionário, que deve ser restrito a uma pessoa, Camila Miglhorini explica que o microfranqueado deve pagar até um salário mínimo por mês, e só vai precisar pagar 11% sobre o salário em impostos: 3% para a Previdência e 8% para o FGTS.

No caso de microfranquias, vale lembrar que nesses modelos não é necessário ter ponto comercial – o microfranqueado pode trabalhar no sistema Homebased ou ainda colocar o freezer em comércios parceiros como academias, clínicas, salões e afins. Ainda pode vender através de aplicativos de delívery, com os quais a franqueadora já possui parceria.

INVESTIMENTO MENOR

O modelo tem potencial e demandam ainda mais em tempos de crise econômica e baixa de emprego. Em resposta, a The Kids Club, de terceirização de ensino de inglês para crianças de até 12 anos, viu o microempreendedor como o caminho principal para sua rede. Para a sócia-fundadora e CEO, Sylvia de Moraes Barros, os planos sempre foram de se iniciar como microempresa, enquadrados, inclusive, na Associação Brasileira de Franchising (ABF) como microfranquia através do modelo que permite o início de um negócio com investimento total a partir de R$23 mil, em cidades menores, tanto no interior como no litoral, que hoje apresentam grande defasagem no ensino de inglês para crianças.

“Ofertam os essa proposta com investimento inicial mais acessível e compatível com o mercado local, voltados para implantação em municípios brasileiros com cerca de 50 mil habitantes. Mas, dependendo do potencial da cidade, ele pode ter um número de alunos relevante de maneira que precise contratar mais de um professor”, explica Sylvia.

Como a maioria dos franqueados tem na The Kids Club a oportunidade de iniciar no empreendedorismo através da microfranquia, a rede oferece um treinamento completo nas áreas administrativa, financeira, de marketing e de negociação, para que o microempreendedor entenda seu papel como empresário, conheça suas responsabilidades e possa lidar com os desafios do dia a dia.

O pequeno grande MEI. 2

ALOHA VIAGENS

Fundação: 2014 • Início no franchising: 2015 • Números de unidades (próprias e franqueadas): 200 • Investimento inicial: a partir de R$3.320 mil • Taxa de franquia: a partir de R$3.320 mil • Capital de giro: não informado • Royalties: R$100 • Taxa de publicidade: não é cobrada • Faturamento bruto: não divulgado • Faturamento médio mensal: R$30 mil  • Prazo de retorno do investimento: de 3 a 12 meses • Contato: www. alohaviagens.com.br

VAI VOANDO VIAGENS

Fundação: 2009 • Início no franchising: 2019 • Números de unidades (próprias e franqueadas): 48 franquias  (29 são MEI) • Investimento inicial: a partir de R$3 mil • Taxa de  franquia: R$2 mil • Capital de giro: R$10 mil • Royalties : R$500 para faturamento inferior a R$1 mil  e zero para faturamento superior a R$1mil • Taxa de publicidade: não é cobrada      • Faturamento bruto: R$327 milhões (em 2018) • Faturamento médio mensal: não divulgado • Prazo de retorno do investimento: a partir do 8º mês • Contato: http://www.vaivoando.com.br

DOUTOR SOFÁ

Fundação: 2013 • Início no franchising: 2015 • Números de unidades (próprias e franqueadas): 45 • Investimento Inicial: a partir de R$28 mil (com taxa de franquia) • Taxa de franquia: variável a partir da população da área de atuação, com opções a partir de R$24 mil  • Capital de giro: não divulgado • Royalties: taxa a partir de R$500 • Taxa de publicidade: isenção temporária • Faturamento bruto: não divulgado • Faturamento médio mensal: variável • Prazo de retorno do investimento: de 6 a 12 meses • Contato: http://www.doutorsofa.com.br

 MR. FIT

Fundação: 2013 • Início no franchising: 20J4 • Números de unidades (próprias e franqueadas): 17 • Investimento Inicial: a partir de R$12 mil • Taxa da franquia: não há           • Capital de giro: não divulgado • Royalties: não há • Taxa de publicidade: não há                    • Faturamento bruto: não divulgado • Faturamento médio mensal: de R$1 mil a R$6 mil         • Prazo de retorno do investimento: de 6 a 24 meses • Contato: http://www.redemrfit.com.br

THE KIDS CLUB

Fundação: 1986 (Inglaterra); 1994 (Brasil) • Início no franchising: 1990 • Números de unidades (próprias e franqueadas): não divulgado • Investimento inicial: R$23,5 mil • Taxa de franquia: R$12,5 mil • Capital de giro: não divulgado • Royalties: 12,5% • Taxa de Publicidade: não há • Faturamento bruto: não divulgado • Faturamento médio mensal: de R$10 mil a R$12 mil • Prazo de retorno do investimento: de 18 a 24 meses •Contato: www.thekidsclub.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

Qualificados - Tony Cooke

CAPÍTULO SEIS – É AO VIVO OU É MEMOREX?

“Para mim não foi a verdade que você ensinou, para você tão clara e para mim tão obscura. Mas, quando você veio para mim, você trouxe uma percepção Dele.” — Beatrice Clelland, “Retrato de um Cristão”

Pensamento-chave: Nós somos chamados para refletir o caráter de Cristo, mas jamais deveríamos evitar as nossas responsabilidades por esperar que Deus faça todas as coisas que Ele nos disse para fazer.

 

Lembro-me de um comercial de televisão da Memorex, uma companhia que criou as fitas cassetes de áudio. Um copo de vidro era mostrado sobre uma mesa, enquanto se ouvia a voz de Ella Fitzgerald cantando. Quando certa nota era atingida, o copo se estilhaçava e o telespectador era indagado: “É ao vivo ou é Memorex?” O ponto principal da questão é que a qualidade dos seus produtos era tão elevada que as gravações nas fitas eram essencialmente indistinguíveis da voz ao vivo.

Isso me fez considerar qual a “qualidade de reprodução” que está havendo em nossas vidas. É possível, para nós, estarmos tão cheios e transformados pelo Espírito de Deus que o que sai de nós, extraordinariamente reflita a própria natureza de Deus?

Se você parar e pensar a respeito disso, nossa vida deveria ser uma duplicação do Senhor Jesus Cristo.

  • Lucas 6:40 diz: “O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre”.
  • Efésios 5:1, na versão AMP, diz: “Portanto, sejam imitadores de Deus [copiem Ele e sigam o Seu exemplo] como filhos amados [imitadores do seu pai]”.
  • “Aquele que diz que permanece Nele, esse deve também andar assim como Ele andou” (1 João 2:6).

Quando Jesus convocou os Seus discípulos, a Sua prioridade inicial não foi para que eles saíssem e pregassem, mas para que eles estivessem com Ele (ver Marcos 3:13-15). Jesus sabia que a transformação pessoal que eles receberiam, através da comunhão e relacionamento com Ele, seria fundamental para a sua obra futura no ministério. Em outras palavras, Jesus colocou a ênfase primária em quem eles se tornariam, e não simplesmente no que eles finalmente fariam.

Foi por meio do tempo deles com Jesus que os discípulos aprenderam as Suas atitudes, valores e prioridades. Aqui estão apenas alguns dos valores que eles receberam a partir da sua associação com Jesus:

  • Eles aprenderam que não deveriam competir e lutar uns com os outros (Mateus 20:20-26).
  • Eles aprenderam que não deveriam ter atitudes que fossem territoriais e exclusivas com respeito ao ministério (Marcos 9:38-39).
  • Eles aprenderam que Jesus não vê filhos como um incômodo a ser evitado, mas como membros honrosos da família de Deus (Marcos 10:13-16).
  • Eles aprenderam que vingança não era uma resposta apropriada àquele que não recebeu o ministério de Jesus (Lucas 9:51-55).
  • Eles aprenderam que era correto cumprir com as suas obrigações civis (Mateus 17:24-26; 22:17-22).

O Espírito de Deus trabalhou tão profundamente e tão intimamente na vida do apóstolo Paulo que, às vezes, ele parecia lutar contra a seguinte questão: “Sou eu, ou é Deus em mim?”

Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim… — Gálatas 2:20

…trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo. — 1 Coríntios 15:10

Que dilema agradável! A obra interior do Espírito de Deus dentro do espírito humano de Paulo foi tamanha que ele disse: “Eu vivo” ou “Eu trabalhei”, mas aí ele tinha que esclarecer e dizer: “… mas realmente não era eu… pelo menos, certamente não era apenas eu; era  Cristo vivendo e operando através de mim”.

Paulo não acreditava que Cristo habitando dentro dele significasse que ele tinha sido   colocado em um estado de passividade, inatividade ou de irresponsabilidade. Certamente, ele descansava na obra acabada de Cristo, reconhecendo que Deus era a fonte de toda a vida e do poder dentro dele, mas ele também reconhecia que era um participante ativo com Deus. Ele admitia a sua completa dependência de Deus, mas reconhecia que Deus desejava a sua cooperação e envolvimento ativos no servir, obedecer e cumprir os planos Celestiais para a sua vida.

Por exemplo, Paulo disse em Colossenses 1:29: “Para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim”. Portanto, voltemos a uma questão anterior — era Paulo, ou era Deus? Eu não acho que podemos responder a essa questão com um “também/ou”, eu acho que é claramente um “ambos/e”. Era Deus trabalhando em/e através de Paulo, e era Paulo se rendendo e cooperando com Deus.

NÃO ESPERE QUE DEUS FAÇA O QUE ELE DISSE PARA VOCÊ FAZER

Precisamos discernir, cuidadosamente, qual é o papel de Deus em nossa vida e qual é o nosso; quais são as Suas responsabilidades e quais são as nossas. Se as pessoas simplesmente acharem que Deus irá fazer tudo, elas podem cair em um sentimento de irresponsabilidade e passividade. No entanto, se as pessoas acharem que irão fazer tudo (sem o poder e a capacitação de Deus) elas irão acabar esgotadas, frustradas e exaustas.

Paulo não disse: “Eu não vivo, afinal; é tudo Cristo”. Nem tampouco disse: “Eu não realizei obra alguma de qualquer natureza, era apenas a graça de Deus fazendo tudo”. Paulo disse: “Não obstante, eu vivo” e “Eu trabalhei mais do que todos eles”. Todavia, ele qualificou o seu papel por reconhecer que Deus era a fonte de toda a sua vida e de todo o seu trabalho.

Um cidadão leu Romanos 8:26 (“… o próprio Espírito intercede por nós…”) e disse que tinha desistido de orar e estava simplesmente deixando o Espírito Santo realizar esse trabalho por ele. Não, não podemos esperar que Deus faça o que Ele claramente nos disse para fazer, mas podemos confiar que Ele irá nos ajudar e fortalecer à medida que Lhe obedecemos.

E QUANTO ÀS OBRAS?

Efésios 2:9 e Tito 3:5 declaram enfaticamente que a nossa salvação NÃO é fundamentada em nossas obras! O dom da salvação é um presente de Deus; é a parte Dele. Ele nos oferece isso gratuitamente, com base na obra acabada de Cristo, e nós recebemos o Seu dom maravilhoso pela fé. Entretanto, se você ler um pouco mais adiante, Efésios 2:10 e Tito 3:8 dizem que somos salvos para as boas obras e também que devemos manter essas boas obras. Essa é a nossa parte!

Juntos, salvação pela graça por meio da fé, e boas obras que resultam de seguir essa salvação, nos conduzem à vontade completa de Deus. Isso não apresenta contradição; ao contrário, uma progressão. Salvação, é claro, começa com Deus nos salvando quando éramos completamente incapazes de salvar a nós mesmos. Entretanto, uma vez que Ele nos salvou e nos fez Seus filhos, por intermédio da fé, Ele opera em nós a fim de aquilo que observamos em Filipenses 2:13 tornar-se uma realidade em nossas vidas: “Não na sua própria força, pois é Deus quem está em todo o tempo operando eficazmente em vocês [energizando e criando em vocês o poder e o desejo], ambos, o querer e o efetuar o Seu bom prazer, satisfação e deleite” (AMP).

É você, ou é Deus? Não é nem você nem Deus, exclusivamente. É Deus “operando” em você e você se “rendendo” em submissão e obediência a Deus. O versículo que precede essa declaração fala aos crentes para “desenvolverem a sua salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12). Perceba que Paulo não disse para trabalhar para a sua salvação, mas ao contrário, para desenvolvê-la. A versão diz do versículo 12: “… opere (cultive, execute para o propósito e complete totalmente) a sua própria salvação com reverência e temor e tremor”.

Estamos sentados com Cristo nos lugares celestiais (Efésios 2:6), mas também temos que andar neste mundo (Efésios 4:1) e resistir contra as forças espirituais do mal (Efésios 6:10). Estar “sentado” significa que devemos descansar na obra acabada de Cristo. “Andar” e “resistir” significa que devemos agir de acordo com a obra acabada de Cristo.

E QUANTO À PURIFICAÇÃO?

Deus nos purifica ou purificamos a nós mesmos? Cada cristão que conheço se regozijaria de coração no fato de que Deus, através do sangue do Senhor Jesus Cristo, nos purificou de todo pecado! Na verdade, lemos essa verdade grandiosa em Hebreus 9:14: “Muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!”

Enquanto em Hebreus 9:14 o autor acentua a parte de Deus em nossa purificação, enfatiza a nossa responsabilidade em cooperar com Deus e obedecer a Ele no processo total de viver em santidade aqui na terra, a segunda carta aos Coríntios 7:1, diz: “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus”.

Alguém poderia dizer: “Espere um minuto! Se Deus nos purifica, então como purificamos a nós mesmos? Isso não seria desnecessário?” Essa é uma pergunta muito lógica, mas precisamos entender que esses tipos de versículos não são contraditórios; eles são complementares. Existe o “lado de Deus” da nossa redenção (o que Ele fez por nós) e o “lado do homem” (como nós respondemos e agimos a respeito do que Ele fez).

A carta aos Efésios ilustra isso perfeitamente. Os capítulos 1 a 3 podem ser resumidos em uma única palavra: “Feito”. Aqueles três primeiros capítulos de Efésios enfatizam o que Cristo fez por nós. Nesses capítulos, encontramos que fomos “abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais nas regiões celestiais” (1:3), fomos “aceitos no Amado” (1:6) e que estamos assentados com Cristo nos lugares celestiais. Tudo isso fala do que Ele já fez por nós e em nós.

Mas Paulo não para com “Feito”. Em Efésios 4 a 6, ele segue instruindo os crentes acerca de “Fazer”. Ele fala do que nós devemos fazer e como devemos viver à luz do que Cristo fez por nós. A Bíblia não apenas ensina sobre a vida espiritual que recebemos de Cristo, mas também nos ensina a respeito do estilo de vida prático que devemos levar por causa de Cristo. Efésios 4:1 dá o tom para o restante da epístola: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados”.

É Deus ou somos nós? A verdade é que somos ambos participantes nos feitos Dele. Deus faz a Sua parte e nós fazemos a nossa. Judas 24 diz que Deus: “… é poderoso para vos guardar de tropeços” e 1 Pedro 1:5 diz que nós somos “guardados pelo poder de Deus”. A parte de Deus é claramente declarada, mas à medida que lemos outras passagens, observamos que também temos uma parte a cumprir. João disse: “Aquele que é nascido de Deus não vive em pecado” (1 João 5:18) e também: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1 João 5:21). Judas também instruiu os crentes: “Guardai-vos no amor de Deus” (Judas 21). Tiago até mesmo disse que um componente da pura religião é “a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tiago 1:27).

Paulo disse que Cristo entregou a Si mesmo por nós para que Ele pudesse “purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu” (Tito 2:14). Depois disse a Timóteo: “Conserva-te a ti mesmo puro” (1 Timóteo 5:22). O apóstolo João disse: “… a si mesmo se purifica todo o que Nele tem esta esperança, assim como Ele é puro” (1 João 3:3). Portanto, Deus nos purifica, e nos purificamos a nós mesmos? A resposta é um retumbante “sim”! Jamais deveríamos pensar que podemos fazer alguma coisa de significância eterna ou espiritual à parte da Sua capacitação, assistência e qualificação, mas também não deveríamos pensar que o verdadeiro discipulado envolve um estado desengajado, passivo ou inativo da nossa parte. A maravilhosa obra de Cristo não anula a nossa responsabilidade de sermos “praticantes da Palavra” (Tiago 1:22). À medida que confiamos e seguimos o Senhor Jesus Cristo, nós ativamente nos rendemos, obedecemos e cooperamos com o Seu plano e propósito que está sendo executado em nossas vidas.

E QUANTO A SER QUALIFICADO?

Exatamente como a ilustração citada, existe uma “parte de Deus” e uma “parte do homem” no processo da nossa qualificação. Deus providencia toda a matéria-prima: Seu chamado, Seu Espírito, Seus dons e Sua orientação. Recebemos esses dons e permitimos que eles influenciem as nossas vidas. Ele nos qualifica e nós andamos nessa esfera de qualificação. Ele faz isso, mas nós participamos com Ele.