A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DOAR PARA GANHAR

É importante ensinar às crianças quais suas necessidades reais de consumo, aprender a olhar a necessidade do outro e ter em mente que esse é um processo de amadurecimento

Doar para ganhar

No começo de uma nova estação do ano, ou antes de datas festivas, quando novas roupas, brinquedos e coisas serão adquiridos, é comum as famílias separarem peças de vestuário, objetos e jogos usados para doar a instituições e, assim, conseguir criar um espaço destinado a guardar as coisas novas e deixar tudo em ordem para o novo período.

Sobre vários aspectos, essa é uma ação importante e louvável. Constitui ato de cidadania que deveria fazer parte da rotina de todas as famílias. Além disso, é uma forma de ensinar às crianças e jovens que objetos que eles já não usam nem precisam podem ser de grande valia para outras pessoas. Um aprendizado de valores e convívio em sociedade.

Tomar consciência de possuir peças repetidas, roupas sem uso, livros que nem foram lidos, brinquedos na caixa que ninguém nem lembra de ter ganhado, ao serem vistos, traz à razão o quanto podemos ser perdulários, consumistas.

É uma boa hora para se refletir sobre um outro lado da questão: podem os pais, sem risco de desrespeitar os filhos como pessoas, dispor das coisas que lhes pertencem, sem os comunicar? Até que ponto essa decisão é dos pais e até onde os filhos devem ser ouvidos? Qual a idade certa para a criança opinar?

Todos lemos objetos, roupas e livros que consideramos especiais, quer porque nos agradam muito, nos foram oferecidos por alguém muito querido, em uma data memorável, ou porque têm um valor simbólico e sentimental inestimável. Por que não pode ser assim para as crianças? Elas devem participar dessa seleção e ter oportunidade para manifestar sua opinião!

É conveniente, antes de tudo, explicar por exemplo que se precisa do espaço para guardar os no vos materiais escolares no lugar dos antigos e até trocar com outras crianças alguns jogos que se tornaram desinteressantes porque elas estão mais amadurecidas. No caso de resistência exagerada, os pais devem ser mais persuasivos e até firmes, pois sempre há aquelas crianças que não se desprendem de nada, não conseguem abrir mão mesmo de coisas pelas quais nunca mostraram interesse. E esse é um aprendizado necessário e formativo para todos, embora possa demorar algum tempo para se tornar uma rotina familiar tranquila.

Mas deixar de atender todos os pedidos dos filhos em favor da manutenção de um brinquedo especial, ou qualquer outro bem de valor sentimental, é uma medida que vai consolidar a ideia de que as coisas estão sendo “roubadas” deles, sem respeito algum pelos seus sentimentos pessoais. E isso vai torná-los mais egoístas, diminuindo ou mesmo fazendo desaparecer o espírito de colaboração social e de desprendimento que se objetivava ensinar.

Talvez algumas estratégias precisem ser adotadas pelos familiares encarregados dessa tarefa em relação aos pequenos. Em primeiro lugar, fazer disso um hábito periódico, para que a criança desde cedo se acostume. Segundo, a arrumação deve começar pelos armários dos próprios adultos e as crianças podem acompanhar a tarefa, ajudando a empacotar e etiquetar, por exemplo. Assim também começam a compreender o que significa doar, o que vai acontecer com as coisas depois que forem separadas e as razões para fazer essa doação. A postura dos adultos nesse momento é decisiva para o sucesso do aprendizado: contar como foi levar as coisas para este ou aquele local, como foi recebido e para que foi utilizado.

Terceiro, antes de retirar as coisas dos armários das crianças é aconselhável explicar o critério que será usado na seleção das coisas dela: brinquedos já muito usados, que perderam o interesse para sua idade, roupas justas, pequenas, livros que não serão mais usados etc. Podem ser colocadas caixas ou sacolas para cada fim.

Ao separar o material, mostrar à criança peça por peça e perguntar o que ela acha que deve ser doado. E estar atento para a sua atitude para poder intervir com sensibilidade e serenidade, antes que os problemas comecem. A doação deve ser pensada e espontânea.

Dar à criança a oportunidade de pensar o que deseja ou precisa guardar é respeitar sua maneira de lidar com perdas e seu grau de maturidade. Por muitas vezes a própria criança acaba por entregar para doação e com grande desprendimento algo que horas antes tanto queria guardar.

A maior lição, entretanto, está justamente no ensinar aos mais jovens que o respeito pelo outro independe de hierarquia, de poder ou de força. O respeito é um exercício de deferência ao direito do próximo e enobrece a imagem de quem, podendo simplesmente dar ordens por ser o mais velho ou ter maior poder, se preocupa verdadeiramente com o outro.

Aliás, a doação não precisa ser apenas de objetos, pode ser de tempo, de atenção aos outros: escrever um bilhete ao amigo doente, doar uma tarde de domingo para ajudar em um mutirão, participar em um bazar beneficente. Tudo depende da idade e interesse da criança: se aos 3 anos já pode opinar sobre os brinquedos e roupas que deseja doar, antes dos 10 anos visitar creches e asilos pode não ser para todas uma boa ideia.

De toda forma, doar tempo, atenção ou objetos faz muito bem a quem doa, pois estimula a empatia e a solidariedade, aumenta a autoestima por ter aprendido a ser generoso e menos consumista.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos e publicações nacionais e internacionais. Coordena cursos de especialização em Neuroaprendizagem. irenemaluf@uol.com.br

OUTROS OLHARES

A ERA DA DEPRESSÃO DIGITAL

O drama do youtuber Whindersson Nunes, que teve um esgotamento, ilumina um problema atual: a saúde psíquica em tempo de redes sociais

A era da depressão digital

Nascido de um famoso comercial de televisão de biscoitos dos anos 1980, o dilema do Tostines se resumia à seguinte e conhecidíssima indagação: “Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”. Transfira-se, com alguma liberdade de raciocínio, a indagação para o mundo das redes sociais: por que tantos youtubers têm ansiedade e depressão ou, ao avesso, por que tantos indivíduos que sofrem de ansiedade e depressão se tornam youtubers? Não há uma resposta definitiva, é impossível assegurar o que é causa, o que é efeito, mas há algumas hipóteses. O sujeito que vive pendurado na web, falando de si e de seu mundo à procura de curtidas e visualizações, acaba por entrar numa angustiante roda-viva de querer e precisar de mais e mais, atalho para desordens comportamentais. A pessoa deprimida no universo analógico muitas vezes usa as janelas digitais para pedir socorro, para ter algum contato, para sair do fundo do poço psicológico.

Como a dúvida sempre permanecerá, um bom modo de tentar desenhar a depressão na era da internet é entender o que se passa na cabeça dos grandes campeões de cliques – e poucos personagens são mais adequados a essa investigação do que o piauiense Whindersson Nunes, ex- ajudante de garçom que, em 2013, pousou no YouTube para compartilhar gravações engraçadas feitas dentro do próprio quarto e, debochado, virou fenômeno. Seu canal, que registra 36 milhões de inscritos e 2,9 bilhões de acessos, está entre os maiores do Brasil. Ele chegou a fazer vinte shows por mês, tem programa no Multishow, virou estrela de cinema – e alcançou faturamento anual de pelo menos 35 milhões de reais.

É um superstar de nosso tempo, incapaz de ser enquadrado em qualquer um dos escaninhos do passado (não é propriamente um humorista, não é exatamente um ator). Cresceu tanto, mas tanto, que explodiu – teve o que no universo empresarial é chamado de burnout, a palavra em inglês que designa o esgotamento profissional de caráter psíquico. Comoveu seus fãs ao admitir a depressão em uma de suas postagens, e depois se recolheu. Falou muito pouco ou quase nada do assunto. Agora, ele revelou com exclusividade o que de fato aconteceu. “Será que eu fiquei famoso para morrer como os artistas que partem aos 20 e tantos anos?”, indaga Whindersson. Ele assegura não ser viciado em smartphone – “Fico numa boa” -, mas essa é uma postura improvável, uma contradição em termos, para quem vive de se expor – o que no YouTube significa estar quase sempre plugado, 24 horas por dia. Outros nomes de peso desse time, como Felipe Neto (33 milhões de fãs no YouTube e 9 milhões no Twitter) e Kéfera Buchmann (11milhões de inscritos em seu canal no YouTube), já revelaram ter perdido o prumo. Ele admitiu medicar-se diariamente, com acompanhamento psicológico. Ela disse, em vídeo, e não poderia ser de outra maneira: “Se você sofre de depressão (…) tenho uma coisa para te falar. Não pense no suicídio como uma opção (…) você não quer acabar com sua vida, quer que a dor pare(…)depressão é uma doença muito séria. Não é doença de rico, de quem não tem nada para fazer da vida, ou coisa de desocupado”.

Afinal de contas, os problemas de Whindersson, Felipe e Kéfera, e de tantos outros youtubers, no Brasil e no mundo, são o retrato de uma nova modalidade de disfunção, que poderia ser chamada de depressão digital? E, se ela realmente existe, no que difere da depressão desplugada, do tempo de nossos pais? Ressalve-se, como premissa, que, do ponto de vista dos sintomas, a depressão dos tempos atuais e a de antes, quando não havia o smartphone, são semelhantes. Contudo, a influência das novíssimas tecnologias soa incontestável. “Ninguém está reinventando a depressão, mas a utilização excessiva das redes sociais e smartphones pode estar na base dos gatilhos depressivos”, diz o psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do grupo de dependências tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. “Ou seja, a internet acaba alavancando uma eventual predisposição genética que o indivíduo já carrega e que, sem esse uso exagerado, talvez não apresentasse”.

A depressão é um transtorno de múltiplos fatores e se caracteriza por tristeza profunda e forte sentimento de desesperança. Suas origens biológicas e suas causas ainda não foram totalmente desvendadas pela ciência.

Fatores genéticos, ambientais e psicológicos a tornam ainda mais desafiadora. A história familiar também é decisiva – alguém cujo pai ou mãe seja vítima do problema tem um risco 40% maior de desenvolver depressão. Pelo menos três dezenas de genes já foram identificados como uma chave de risco para a aguda aflição.

As pessoas propensas à depressão demonstram pouca habilidade para regular as emoções, têm resiliência frágil e, invariavelmente, tendem a levar a autoestima à lona – nesse aspecto, as redes sociais são o ambiente propício para embaralhar a saúde mental. O uso à noite, na hora de dormir, prejudica o sono; as notificações incessantes afetam a concentração; os likes (e que sorte não haver dislikes) aceleram a montanha-russa emocional; e a busca pela selfie perfeita termina como uma desnecessária briga de egos. Além disso, o ambiente virtual é habitado pelos haters, que adoram odiar, escrevem e falam o que pensam, atacam a vida dos outros sem medo de repercussões, incentivando o cyberbullying. Enfim, a vida digital mudou completamente a forma como as pessoas se comunicam, interagem e trabalham. Estudos recentes mostram que elas checam seu celular oitenta vezes por dia. Os brasileiros são os mais assíduos. Passam mais de nove horas diárias ligadíssimos, período inferior apenas ao dos filipinos e bem superior à média global, de pouco mais de seis horas no ar. O limite, considerado saudável, dentro do equilíbrio, é restrito a três horas diárias.

Do ponto de vista científico, as respostas sobre a influência que o uso massivo das redes sociais tem na saúde mental são embrionárias, mas interessantes demais para ser negligenciadas. Embora os smartphones tenham se popularizado já há uma década, com o lançamento do iPhone, a base de dados dos pesquisadores ainda está em construção. Um estudo publicado no início deste ano pela Universidade College London, do Reino Unido, mostrou que as meninas são duas vezes mais propensas a ter depressão devido ao uso das redes sociais do que os meninos. O levantamento analisou as associações entre redes sociais e sintomas depressivos em cerca de 11.000 jovens britânicos. Para a pesquisa, todos os participantes responderam a um questionário com informações sobre o tempo diário de uso de internet, a frequência de assédios on­line, os padrões de sono e impressões sobre a autoestima. Algumas conclusões: 25% das meninas apresentaram sinais clínicos de depressão; entre os meninos, a taxa foi de 11%. Outro levantamento, também do Reino Unido, avaliou quanto as principais redes (YouTube, Instagram, Twitter e Snapchat) influenciavam os jovens entre 14 e 24 anos. O canal mais nocivo, de acordo com o estudo, seria o Instagram. A necessidade, ou melhor, a imposição de fotos bem posadas e tratadas com filtros impacta a autoimagem e multiplica um medo recentíssimo, com direito a sigla –   POMO, que significa fear of missing out, ou medo de ficar de fora (veja o quadro abaixo).

O uso excessivo da internet é especialmente preocupante na adolescência, período em que o cérebro é mais vulnerável ao surgimento de doenças mentais. “As redes amplificam algumas fraquezas comuns entre os adolescentes – a busca por ser valorizado, a aprovação pelos grupos, a apreensão com as aparências”, diz Guilherme Polancyzk, psiquiatra de crianças e adolescentes da Universidade de São Paulo. “Essa transição para a vida adulta pode tornar-se mais difícil.” É tão preocupante o risco de o admirável mundo novo produzir uma geração doente, psiquicamente desguarnecida, que as grandes empresas de tecnologia começam a se mexer, criando mecanismos de freio. Recentemente, o Instagram anunciou um recurso para tentar ajudar usuários com transtornos de ansiedade e depressão. Se alguém fizer uma busca por hashtags associadas a essas condições, receberá rapidamente uma mensagem com sugestões de cuidados. E mais: o Instagram chegou a cogitar uma experiência radical, ao testar o fim da contagem de curtidas. A tentativa é reduzir a ansiedade pelos likes. Mas a pressão é permanente, talvez seja inescapável, e continuará a acelerar, na velocidade das redes, explosões como a de Whindersson Nunes.

A era da depressão digital. 2

GESTÃO E CARREIRA

RECREIO DIGITAL E CONSCIENTE

A fintech Nutrebem possibilita que pais acompanhem os gastos e as escolhas alimentares de seus filhos nas cantinas escolares

Recreio digital e consciente

A preocupação com a alimentação e o balanceamento nutricional das crianças em idade escolar tem sido uma constante, tanto para os pais quanto para as escolas. Afinal, essa é mais uma fase em que os pequenos precisam se alimentar corretamente e de maneira mais saudável. Estudos indicam que as crianças estão mais obesas e cada vez mais se alimentando de industrializados ou porções calóricas demais.

Para essa questão, a fintech Nutrebem descobriu o “pulo do gato” e criou uma conta digital para o acompanhamento nutricional das crianças nas cantinas escolares. Além de dar mais segurança aos pais com relação ao consumo nutricional das crianças, o objetivo da empresa é ensinar os alunos a lidar com dinheiro e também manter o serviço com preços mais acessíveis. Seu sistema tem dado tão certo que acaba de receber um novo aporte de R$5 milhões de investimentos dos fundos Kviv Ventures, Confrapar e Barn e prevê crescimento de 100% em 2019, alcançando 300 escolas particulares atendidas.

TOTENS NAS ESCOLAS

O serviço funciona de uma maneira bem simples. A Nutrebem fornece uma conta digital em que os pais colocam o saldo e podem fazer o acompanhamento dos gastos e checar a classificação nutricional do consumo dos filhos durante os intervalos das aulas. Para facilitar o serviço, a empresa oferece a cada aluno uma conta digital, em que o responsável pode ativá-la e adicionar valores ao saldo pelo aplicativo da Nutrebem ou diretamente na cantina do colégio. O aluno também possui acesso à conta a partir de totens instalados na escola, o que reduz filas, acelera o atendimento e encerra eventuais problemas com dinheiro vivo.

A plataforma oferece outras opções, como a montagem do cardápio e o mapeamento nutricional dos produtos, assim o responsável consegue acompanhar em tempo real a classificação do consumo. Para mais orientações, são enviados e-mails de alertas com dicas de melhoria dos hábitos alimentares das crianças.

“Queremos ajudar os pais na educação financeira e alimentar dos filhos. Afinal, o primeiro dinheiro que uma criança recebe é justamente aquele dado para utilizar na cantina da escola e é lá onde faz suas primeiras escolhas na vida”, explica o fundador e CEO da Nutrebem, Henrique Mendes.

O serviço prestado pela empresa vai além e auxilia também os operadores das cantinas escolares não só ao ofertar outras opções nutricionais no cardápio, mas também na mensuração da aceitação desses novos produtos. “Mais de 95% das cantinas aceitam apenas dinheiro em espécie, o que demonstra o grande potencial do mercado para a Nutrebem”, exemplifica Mendes.

INVESTIMENTOS E RETORNO

A Nutrebem nasceu do desejo de Henrique e de sua esposa falarem com os filhos sobre dinheiro, alimentação, habilidades comportamentais, entre outros assuntos. Fora isso, eles tinham muitas dificuldades de cuidar e acompanhar a rotina dos pequenos na escola. Como uma forma de solucionar essa falta, o CEO da Nutrebem acabou encontrando em empresas do exterior esse foco de atuação e nelas baseou o seu negócio.

Inicialmente, o empresário teve muitas dificuldades no recrutamento de pessoas e na captação de investimentos, por isso teve que dedicar mais tempo a essas etapas. A receita que Mendes dá para quem deseja ingressar nesse setor é ter muita resiliência: “a maioria das pessoas vai dizer que é muito complicado, não funciona, ou que é legal, mas não vai investir. Resiliência e motivação precisam caminhar juntas nessa montanha-russa do empreendedorismo”.

Mendes não acredita em uma receita específica para o sucesso de um negócio como o seu, entretanto, ressalta a importância de os empreendedores conhecerem bem o mercado em que sua empresa atua e buscarem uma equipe de sócios complementar. “Isso dará muito mais assertividade nas decisões rápidas a serem tomadas diariamente”, opina. Tirou da vida, dos seus mais de 47 anos, os aprendizados com o negócio. Os anos em que trabalhou fora do Brasil o ajudaram muito nessa nova carreira como empreendedor. “Porque fui ajudar a montar operações do zero, as chamadas green field”, relata.

O esforço deu certo! Com investimento inicial de R$ 350 mil, hoje a Nutrebem possui 28 funcionários e está presente em 202 escolas, sendo 55% delas em São Paulo, 30% no Rio de Janeiro e em Minas Gerais e o restante nos demais estados do Brasil. A empresa impacta 150 mil alunos. Com sede no Rio de Janeiro e escritório em São Paulo, a companhia atende todas as regiões do Brasil e tem como público-alvo alunos de 6 a 18 anos de idade.

Henrique Mendes não conta quanto lucra, mas explica que investiram muito em seu crescimento. “Transacionamos R$20 milhões em 2018 e estimamos fechar R$35 milhões em 2019”, relata. Ele espera conquistar mais de 400 escolas e transacionar R$60 milhões em 2020, sempre de olho em melhorias entre as opções de alimentação.

Para incrementar ainda mais o negócio, lançou em fevereiro o acesso à conta do aluno para a compra do lanche sem precisar usar o cartão. Atualmente, 34 escolas já operam com a funcionalidade. Os números mostram que quase 50% dos pedidos são feitos por meio dela e há escolas em que seu uso tem passado de 70%. ”Começamos também um cardápio exclusivo do Fundamental, em que uma única escola duplicou o número de alunos que lancham na escola, basicamente porque deixamos os pais mais seguros sobre o uso do dinheiro e a qualidade nutricional do lanche”, lembra.

 LANCHE VIA QR CODE

Em julho, a Nutrebem deve lançar mais uma facilidade, a compra do lanche pelo celular através de QR Code. Para que a implementação ocorra com sucesso, a empresa pretende investir ainda em equipe, tecnologia, marketing e novos serviços. “Temos concorrentes, mas o maior deles ainda é o dinheiro em espécie, que domina mais de 90% das escolas particulares na compra de lanches”, esclarece. O marketing digital, que gera conteúdo sobre segurança financeira e nutricional, também é preocupação. Fora isso, a empresa participa de feiras para gestores de escolas. O feedback vem de seus clientes e da equipe de campo: “Já erramos bastante também, mas vamos aprendendo com os erros”.

O principal dessa história é o amor que Mendes tem pela empresa e a missão que ela carrega. “Quero ajudar a construir um negócio que gere lucro e melhore a relação dos alunos com dinheiro e alimentação, dando mais segurança aos pais. Atualmente somos a maior empresa dessa área e a que cresce mais rapidamente focados no nosso maior concorrente, que é o dinheiro em espécie. Sonhamos grande e executamos com muita resiliência e motivação”, finaliza.

ALIMENTO DIÁRIO

                QUALIFICADOS

Qualificados - Tony Cooke

CAPÍTULO TRÊS – MAS EU NÃO ME SINTO QUALIFICADO!

“Aquele que cresce em graça lembra-se de que é apenas pó e, portanto, não espera que seus companheiros cristãos sejam algo mais. Ele desconsidera dez mil de suas faltas porque sabe que o seu Deus desconsidera vinte mil em seu próprio caso. Ele não espera perfeição na criatura e, portanto, não se desaponta quando não a encontra… Quando as nossas virtudes amadurecerem, acredito que não toleraremos mais o mal, mas seremos mais tolerantes com as debilidades, mais esperançosos para com o povo de Deus e certamente menos arrogantes em nossas críticas. Doçura para com os pecadores é outro sinal de maturidade.” — Charles H. Spurgeon

Pensamento-chave: Se Deus tivesse de esperar até que fôssemos perfeitos para nos usar, ninguém jamais seria usado por Deus.

 

Você já lutou contra o sentimento de não ser bom o suficiente para ser usado por Deus? Você não é o único. Medite nas palavras de Paulo aos coríntios.

Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. — 1 Coríntios 1:26-29

Deus chamou apenas uma pessoa perfeita: o Senhor Jesus Cristo. Todos os outros que Deus chamou para fazer alguma coisa para Ele — inclusive você e eu — são pessoas muito falíveis e imperfeitas. Deus sabe a nossa condição exata quando nos chama, e Ele começa conosco — exatamente onde estamos. A graça e a misericórdia de Deus têm feito com que muitos que não pareciam grandes “candidatos” à liderança espiritual, se submetessem a transformações extraordinárias:

  • Moisés, o Assassino, tornou-se o Libertador Poderoso.
  • Gideão, o Inseguro, tornou-se o Guerreiro do Senhor.
  • Davi, o Adúltero, tornou-se o Doce Salmista de Israel.
  • Pedro, o Covarde, tornou-se o Proclamador do Pentecostes.
  • João, o Tempestuoso, tornou-se o Apóstolo do Amor.
  • Saulo, o Fariseu (alguns historiadores creem que Paulo foi um Terrorista), tornou-se o Apóstolo da Graça.
  • Marcos, o Inconstante, tornou-se Útil para o Ministério.

Relatos bíblicos revelam que aqueles que Deus chamou para o serviço com frequência sentiram-se desqualificados e incapazes.

CONSIDERE MOISÉS

Quando o Senhor apareceu para Moisés e o comissionou para libertar os filhos de Israel da escravidão do Egito, Moisés ofereceu inúmeras desculpas que revelaram o seu choque e insegurança.

  • Ele perguntou a Deus: “Quem sou eu para ir a Faraó…?” (Êxodo 3:11).
  • Ele questionou: “Mas eis que não crerão, nem acudirão à minha voz…” (Êxodo 4:1).
  • “Ah! SENHOR! Eu nunca fui eloquente, nem outrora, nem depois que falaste a teu servo; pois sou pesado de boca e pesado de língua” (Êxodo 4:10).

Pessoa alguma que crê na Bíblia jamais duvidaria que Moisés tinha um chamado de Deus em sua vida, mas alguns admitem que ele não tinha qualquer consciência desse chamado até o incidente da sarça que ardia, quando estava com 80 anos (Êxodo 3). Entretanto, quando era mais jovem, Moisés teve uma percepção do propósito de Deus para a sua vida. Ele parecia ter captado uma ideia geral do seu papel, mas não compreendera completamente os detalhes vitais acerca do tempo e do modo como o seu chamado se cumpriria.

Quando completou quarenta anos, veio-lhe a ideia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel. Vendo um homem tratado injustamente, tomou-lhe a defesa e vingou o oprimido, matando o egípcio. Ora, Moisés cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus os queria salvar por intermédio dele; eles, porém, não compreenderam. — Atos 7:23-25

Você certamente se lembra do restante da história. Quando Moisés descobriu que o seu crime de assassinato fora descoberto, ele fugiu e passou os quarenta anos seguintes no deserto. Talvez o sonho inicial de Moisés em ser usado por Deus para libertar os israelitas tivesse morrido por quatro décadas de dias quentes e noites frias no deserto de Midiã, mas Deus ressuscitou aquelas percepções iniciais, trouxe esclarecimento para ele e lhe deu uma tarefa maravilhosa.

Talvez você esteja como Moisés. Você recebeu uma ideia de Deus e fez uma tentativa fracassada de realizar algo para Ele, não percebendo o tempo errado ou o modo errado. Quando você agiu sobre aquela ideia as coisas não funcionaram bem, então, você jogou a toalha. Deus quer que nós sirvamos a Ele, exatamente como Moisés o fez, mas é necessário que façamos as coisas do Seu jeito e no Seu tempo (isso com frequência inclui um período de preparação considerável).

Um grande passo em começar a cooperar com Deus envolve tirar os nossos olhos de nós mesmos. O porquê Deus escolheu Moisés diz respeito a Deus. Temos consciência de que Deus não escolheu Moisés porque ele era perfeito, ao contrário, Ele escolheu Moisés por causa do seu amor pelos israelitas e o seu desejo de libertá-los. Antes que Moisés entrasse em seu destino, ele teve de tirar os seus olhos de si mesmo e esquecer o seu passado. Ele tinha que olhar para Deus, para a responsabilidade que o Senhor lhe dera e para as pessoas que Deus queria libertar.

Moisés finalmente entendeu que seu chamado estava alicerçado na graça daquele que chama e não na perfeição daquele que está sendo chamado. Ele disse ao povo: “Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos” (Deuteronômio 7:7).

MUITOS OUTROS SENTIRAM-SE DESQUALIFICADOS

Gideão sentiu-se desqualificado por causa da inferioridade que ele sentia devido à sua condição socioeconômica inferior. Em Juízes, 6:15, ele disse: “Ai, SENHOR meu! Com que livrarei Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai”.

  • Jeremias sentiu-se muito jovem (Jeremias 1:6).
  • Sara pensou que era muito velha (Gênesis 18:12).
  • Quando o Senhor apareceu a Isaías, ele disse: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros” (Isaías 6:5).
  • Quando Pedro encontrou-se com Jesus, sua resposta foi: “Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador” (Lucas 5:8).
  • Paulo disse de si mesmo: “… não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus” (1 Coríntios 15:9).

Paulo disse a Timóteo que Deus “… nos salvou e nos chamou com santa vocação; não   segundo as nossas obras, mas conforme a Sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” (2 Timóteo 1:9). Paulo sabia que Timóteo tinha certos medos e inseguranças, e ele queria que esse jovem ministro entendesse: 

“Timóteo, isso não tem nada a ver com você ou quão perfeito ou imperfeito você é. Tire os seus olhos de si mesmo — desista de ficar preso às suas imperfeições e deficiências — e ponha os seus olhos no propósito e na graça de Deus para a sua vida”.

Paulo estava ciente de que seu passado não era puro. Ele disse:

Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim, que, noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade. Transbordou, porém, a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus. — 1 Timóteo 1:12-14

Alguma coisa o tem prendido no passado?

Você já se sentiu desqualificado para ser usado por Deus?

Você se considera “indigno” por causa de algumas deficiências em suas habilidades ou pecados em seu passado, ou até mesmo devido a alguma batalha que está travando em sua vida agora mesmo?

Existe insegurança ou sentimento de inferioridade que o tem impedido de render a sua vida a Deus e ao Seu propósito para a sua vida?

Se respondeu sim a essas perguntas, como eu disse, você não está sozinho. Jamais devemos esquecer que somos privilegiados por servir a Deus, e apenas por Sua misericórdia e graça que podemos fazer isso. Considere algumas passagens importantes que revelam o discernimento de Paulo sobre a origem e a natureza do seu ministério e perceba que o seu passado não o impediu de entrar no seu futuro.

Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus. Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a Sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo. — 1 Coríntios 15:9-10

… não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança… — 2 Coríntios 3:5-6

Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão… — Filipenses 3:12-13

Quais foram algumas das ideias-chave que direcionaram a perspectiva de Paulo sobre o seu ministério?

  1. Paulo nunca se esqueceu de onde tinha vindo. Ele reconhecia que Deus não o chamara porque ele era perfeito, ao contrário, chamara-o a despeito de sua hostilidade contra Jesus.
  2. A graça não era apenas a base para Deus salvar Paulo, mas também a base para a capacitação de Paulo no ministério.
  3. A graça era a base para o ministério de Paulo, mas ele trabalhou duro e fez a sua parte. Ele reconhecia que a sua obra não era independente de Deus, mas se dava em combinação com as obras de Deus nele.
  4. Paulo reconhecia que Deus era Aquele que o qualificava e o capacitava para ser um ministro.
  5. Paulo não considerava a si mesmo perfeito ou como tendo alcançado a perfeição. Ele reconhecia que ainda havia mais, e ele estava buscando o melhor de Deus.

A obra que realizamos para Deus não é fundamentada em nossa perfeição, mas em Sua misericórdia e graça. Todos nós somos uma “obra em progresso”. Não é o que fomos que importa; é onde estamos estabelecidos agora que conta para Deus. O seu passado não é desculpa para privá-lo do futuro que Deus tem para você. Deus tem uma obra para você realizar, e o que Jesus disse em Lucas 9:62 é válido para nós hoje: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o Reino de Deus”.