A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

IMPERADORES DOMÉSTICOS

Ao longo dos anos foi surgindo uma geração de crianças mimadas e autoritárias, sem limites definidos, que está intimidando e exaurindo pais e educadores

Imperadores domésticos

Gritos, birra, jogar-se no chão, mandar e bater encorpam a trama de comportamentos das crianças sem limites definidos. A presença dessas crianças na prática clínica vem aumentando, encaminhadas pela escola ou trazidas pelos pais, que se encontram exauridos emocionalmente. Mas o que de fato está acontecendo com as crianças para se comportarem de maneira autoritária, mandona e desrespeitosa com os pais e professores?

Um dos fatores apontados por psicólogos e pedagogos são as mudanças socioculturais da última década, que levaram os pais a terem menos tempo para permanecer com os filhos e, por isso, ficam mais propensos a aceitar as birras e a superproteger, compensando, assim, a sua ausência. Outro condicionante é o modelo de educação autoritária, na qual os pais foram submetidos, ou seja, ambientes de muita repressão, mágoas e culpa. Para fugir dessa matriz e não replicá-la, muitos pais acabam afrouxando as rédeas e tornam-se reféns emocionais dos filhos ao serem lenientes com caprichos e birras deles. Quando os pais são indulgentes, os filhos desenvolvem a crença de que tudo podem e transformam-se em imperadores domésticos, cujo comportamento é transferido para a sala de aula e na relação com demais colegas.

O médico psiquiatra e referência em matéria de comportamento humano no Brasil, Içami Tiba, afirma: “Os pais, não sabendo ser pais, estão sendo dominados por crianças temperamentais, que querem fazer o que querem, e os pais não têm condições de impor limites e disciplina, porque temem perder o amor dos filhos. Isso não é pai que se preze, porque ele se torna refém do seu medo e o filho pequeno acostuma a reinar, a mandar nos pais”.

Pode-se imaginar que quando a criança não aprende com os progenitores que ela não pode ter tudo o que deseja, no seu tempo e ao seu modo, terá dificuldade em assimilar as regras sociais inerentes à convivência. Com isso, a probabilidade desse infante infringir as regras sociais será alta. É possível observar isso na escola, a exemplo de a criança xingar o professor, roubar brinquedos, não aceitar as orientações, bater nos colegas, não querer fazer as tarefas, mentir e outros tantos comportamentos muitas vezes negligenciados pelos pais. Tais pais têm dificuldade em dizer “não” e inserir consequências para os comportamentos errados da criança com medo de ferir ou traumatizar emocionalmente. O efeito para essa falta de limite é que os pais estão ensinando ao filho que ele pode ter tudo e que os outros vão servi-lo para suprir suas necessidades, tornando-os verdadeiros imperadores domésticos. O médico Içami Tiba ressalta: “Os filhos dessa geração foram criados sem noção de padrões de comportamento e limites, formando uma geração de “príncipes” e “princesas” com mais direitos do que deveres, mais liberdade do que responsabilidade, mais “receber” do que “dar” ou “retribuir”, colocando voz de mando na casa, na escola, com os amigos e na sociedade”.

O termo síndrome do imperador ou imperador doméstico tornou-se popular pelos profissionais da área da saúde, principalmente por psicólogos, pedagogos e pediatras, para elucidar os comportamentos de mando, birra e agressividade de algumas crianças, que submetem os pais aos seus caprichos. O sistema diagnóstico mais amplamente utilizado pelos profissionais, o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), classifica esse repertório de comportamentos disfuncionais (padrão frequente e persistente de humor raivoso/irritável, questionador/desafiante ou de índole vingativa, com duração de pelo menos seis meses, preenchendo ao menos quatro sintomas de qualquer das categorias descritas no manual) como transtorno desafiador de oposição (TDO), compondo a classe dos transtornos disruptivos.

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TRANSGRESSÃO DE NORMAS

Os transtornos disruptivos são conhecidos pelos profissionais da área da saúde como sendo os comportamentos associados à transgressão de normas, desafiadores e antissociais, que causam muito incômodo nas pessoas por serem problemas externalizantes, de grande impacto no ambiente social, em geral com implicações severas. Dessa maneira, crianças disruptivas geram sentimentos negativos muito fortes nos outros, como raiva, frustração e ansiedade, ocasionando prejuízos sociais graves.

Os imperadores domésticos lideram a casa, xingam os pais, babás e professores, escolhem a comida que vai ser feita, definem o que deve ser assistido na TV, a hora de ir dormir e acordar, as atividades do dia, se querem ou não fazer a tarefa da escola e estudar para a prova. Também mandam nas brincadeiras fazendo com que as demais crianças obedeçam às suas ordens, choram e se atiram ao chão, batem a cabeça na parede, jogam os alimentos ou cospem no rosto dos pais, agridem e ameaçam psicologicamente os progenitores quando seus caprichos não são atendidos.

Geralmente, esses comportamentos costumam apresentar relevância por volta dos 7 anos de idade. Entretanto, o desrespeito e a desobediência começam a aparecer bem antes. Cabe lembrar que toda criança em algum momento de sua trajetória vai desobedecer alguma orientação. Isso faz parte da curiosidade e do ciclo de aprendizagem do infante. Quando se trata da síndrome do imperador tais comportamentos são frequentes e intensos, resultando em sérios prejuízos nas relações interpessoais, afetando a casa, a escola e os amigos.

Em crianças entre 2 e 3 anos, a desobediência é comum, pois ela é muito pequena e a percepção do real e dos próprios sentimentos ainda é inadequada. Entretanto, é justamente nesse estágio que os pais devem ajudar a criança a organizar e a administrar as emoções e os comportamentos. Para isso, os pais devem adotar algumas posturas orientativas para que a criança aprenda padrões de comportamentos mais adequados. Os pais são os primeiros exemplos para a criança, e esta molda seus comportamentos de acordo com o que absorve e assimila das pessoas e dos ambientes onde convive.

Quando os pais não orientam a criança ou até mesmo quando validam o erro, esses comportamentos ditos como disfuncionais aumentam de intensidade até chegar à desobediência total, ocasionando a síndrome do imperador. Se não corrigidos, a criança poderá desenvolver o transtorno de conduta ou mesmo se transformar em uma personalidade antissocial na adultidade.

Do ponto de vista dos teóricos psicodinâmicos, a origem dos comportamentos disfuncionais se dá pela qualidade do relacionamento da criança com seus pais. Se os pais são indulgentes, os filhos crescem acreditando que podem fazer qualquer coisa, sem responder pelos efeitos. Enquanto que se os pais são abertamente restritivos, as crianças se desenvolvem acreditando que, para satisfazer suas necessidades, devem tomar o que desejam, independentemente das consequências. Nessas situações, o elemento comum é a frustração. E, em muitos casos, a frustração leva à agressão.

Já os pesquisadores da aprendizagem sugerem que os comportamentos inadequados são aprendidos pela imitação e gratificação. Holmes comenta que diversas pesquisas em Psicologia indicam que indivíduos que observam agressão em outros, subsequentemente desempenham mais atos de agressão. Nessa mesma linha, pesquisas evidenciaram que mães que usaram comportamentos mais agressivos na educação dos filhos tiveram, em geral, crianças mais agressivas do que as que usaram métodos menos hostis. Ou seja, a punição somente pareceu promover mais agressividade em vez de reduzi-la.

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VÍNCULOS

O psiquiatra e psicólogo Bowlby comenta que todos os seres humanos estabelecem vínculos afetivos fortes uns com os outros desde os primeiros anos de vida. É por meio da qualidade desse vínculo inicial que a criança modela a percepção de si mesma, do outro e do mundo, refletindo diretamente nos modelos de relacionamentos futuros.

Para a autora Rodrigues, as pessoas que cuidam da criança transmitem de modo consciente ou inconsciente informações que darão a base ou alicerce para o desenvolvimento da personalidade do infante. Por meio do embalar, do cuidar, do pegar, do falar os adultos estão apresentando o mundo para a criança.

Se os pais são afetivos, cuidadosos e pacientes, a criança acredita que o mundo é seguro e a sensação de segurança é aprendida. Entretanto, se há negligência nos cuidados primários, falta de incentivo e afeto, olhar punitivo demasiado, ambiente agitado e falta de limites realistas, a criança aprende que o mundo é perigoso, estressante, e a instabilidade será instaurada por meio de esquemas disfuncionais.

Em síntese, os esquemas disfuncionais são padrões emocionais e cognitivos autoderrotistas iniciados no desenvolvimento desde cedo e repetidos ao longo da vida. Em grande medida, a dinâmica familiar de uma criança é a dinâmica de todo o seu mundo remoto. Outras influências, de amigos, escola e cultura ao derredor, tornam-se cada vez mais importantes à medida que a criança se desenvolve e podem contribuir para o desenvolvimento de esquemas. Entretanto, não serão tão profundos e poderosos quanto os esquemas formados no berço familiar.

Devido a esse fator, ressalta-se a importância do protagonismo e exemplarismo dos pais no cenário da família. Grande parte dos pais comete erros na educação de seus filhos, porque reforça os comportamentos inadequados da criança, muitas vezes de maneira inconsciente, na tentativa de dar proteção e afeto. Porém, tal postura é deslocada e prejudicial. Um exemplo disso é quando a mãe dá o doce que a criança deseja, enquanto esta se joga no chão e chora compulsivamente. O que a criança aprendeu com essa atitude da mãe? “É com escândalo que posso ter tudo o que quero.”

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MUDANÇA

Outra situação é quando o filho considerado travesso, um belo dia, obedece a seus pais prontamente. Por sua vez, os pais falam, “não fez mais que a obrigação” e ficam bravos pelos comportamentos anteriores. O que a criança aprendeu com essa atitude dos pais? “Não adianta me esforçar, eu nunca vou dar orgulho para os meus pais.” Quando não valorizamos as posturas positivas da criança, ela tende a não repetir os acertos. Quando os pais discutem, brigam e xingam na frente da criança, o que a criança está aprendendo com os pais? Ela aprende a ter raiva e ansiedade e replica tais impulsos nas relações com os outros.

Outro aspecto importante de mencionar é que há casos em que os pais se esforçam para orientar quanto aos valores morais e éticos, inserindo a disciplina no cotidiano, conjuntamente com o afeto. Entretanto, a criança demonstra comportamentos de maldade e crueldade. Mas como explicar isso? Estudos da Neurologia, Neurociências e Psicologia abordam que não há um único fator que leva a criança a desenvolver tais comportamentos. Mas, sim, um somatório de aspectos ambientais, mesológicos e genéticos. Ou seja, há crianças que devido à falta de orientação quanto aos limites agem assim, mas há outras que possuem essa atitude devido aos aspectos genéticos.

Diante de toda essa gama de teorias e pesquisas, cabe a seguinte reflexão: como é possível saber quais fatores estão interferindo no comportamento da criança? Primeiramente, é essencial buscar a orientação de psicólogos, pediatras e psiquiatras, pois estes possuem ferramentas terapêuticas que podem otimizar o diagnóstico preciso quanto aos fatores mencionados e, acima de tudo, darão orientações para a resolução do problema da criança e da família. Pois nenhuma criança é igual à outra e não há receita de bolo em se tratando da mente humana.

Mas é possível auxiliar essa criança? Sim. Por intermédio dos estímulos saudáveis, como o reconhecimento dos talentos da criança, a orientação quanto aos limites realistas e o fornecimento de um ambiente acolhedor, estável e estimulante. Com isso, pouco a pouco a criança vai criando novas formas de olhar a si mesma, os outros e o mundo.

Por isso é importante ter em mente que pais com ausência de limites, com posturas rígidas ou, até mesmo, que demonstram falta de envolvimento com os filhos são indicadores para a criação de imperadores domésticos.

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PAIS RECÍPROCOS

Qual tipo de pai, então, seria o ideal? Os chamados “pais recíprocos”. Eles cooperam com os filhos, compartilham suas decisões, têm limites definidos, coerência na educação e conseguem manter um relacionamento aberto com as crianças. O ideal é equilibrar dois fatores: a validação pelo bom comportamento e a aplicação de limites realistas pelo comportamento indesejado; tudo isso dentro de um ambiente terno e carinhoso.

Dessa maneira, ao serem observa- dos na criança comportamentos assíduos de birra, mando e desrespeito em diversas situações, assim como dificuldade dos pais em lidar com o filho, deve-se procurar rapidamente um psicólogo. Esse tratamento poderá realizar testes específicos, como propor psicoterapia para a criança e psicoeducação para os pais. Nesse sentido, cabe a reflexão da frase do famoso filósofo romano, Sêneca (4 a.C.): “A educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida”.

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MODELOS DE PAIS

Para Rutter apud Kaplan, existem quatro modelos de pais:

1) AUTORITÁRIOS: caracterizados por posturas rígidas e regras inflexíveis.

2) PERMISSIVOS: caracterizados por posturas indulgentes e ausência de limites.

3) INDIFERENTES: caracterizados por posturas negligentes e falta de envolvimento.

4) RECÍPROCOS: caracterizados por posturas de cooperação e compartilhamento na tomada das decisões, com um comportamento dirigido de modo racional (limites definidos).

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TRANSTORNO DE CONDUTA

Conjunto de alterações comportamentais apresentado, especialmente, em adolescentes que são agressivos, desafiadores e antissociais, o transtorno de conduta também faz com que o jovem viole os direitos básicos do outro. Assume uma face mais grave quando comparado ao transtorno desafiador opositivo. Com maior incidência em pessoas do sexo masculino, acredita-se que cerca de 9% dos meninos e 4% das meninas com menos de 18 anos sofram do problema.

OUTROS OLHARES

SAUDÁVEIS? NEM TANTO…

Com base na balela de que fazem bem e não engordam, comidas cujos benefícios não são reais ou não foram comprovados têm consumo cada vez maior no país

Saudaveis - Nem tanto...

Toda mudança de comportamento pressupõe, historicamente, um manifesto que a oriente — se fosse o caso de apontar um documento deflagrador dos novos hábitos alimentares do mundo ocidental, a melhor escolha seria o livro Em Defesa da Comida, do americano Michael Pollan, lançado em 2008 e que atravessaria um par de anos na lista dos mais vendidos, nos Estados Unidos e também no Brasil. Não por acaso o título tinha o aposto que lhe cabia perfeitamente — “um manifesto” —, pela força de suas teses e por seu extraordinário poder de reunir os conhecimentos adquiridos no passado para misturá-los em um liquidificador com as descobertas do presente. Instado a responder à pergunta supostamente complicadíssima sobre o que os seres humanos devem comer para ser saudáveis ao máximo, Pollan anotou: “Coma comida. Não em excesso. Principalmente vegetais”. E acrescentou em outra obra, numa frase já antológica, dada sua concisão didática: “Não coma nada que sua avó não reconheceria como comida”. O raciocínio de Pollan, ancorado nessas duas afirmações, irretocáveis, funcionou à perfeição até ser atropelado pela velocidade das informações que circulam nas redes sociais, pelo excesso de palpites transformados em leis científicas e, sim, pela proliferação de fake news (olha elas aí, onipresentes) no trato com o que digerimos. O exagero e a desinformação nos trouxeram ao ponto em que estamos hoje: a louvação de supostos alimentos mágicos, que de mágicos nada têm, e que poderiam ser definidos como falsos saudáveis. É tanta propaganda enganosa que até nossas avós cairiam na balela — e não se trata, simplesmente, da condenação dos produtos industrializados. Há mentiras a respeito de frutas, vegetais, ce­reais, leguminosas e grãos, esses que existem desde sempre na natureza.

Dificilmente a musa fitness do Instagram postará a foto de um suculento hambúrguer de carne de vaca — mas é certo que alardeará a receita do prato preparado com carne de soja. Presunto e salame? Nem pensar. Uma fatia de peito de peru no café da manhã? Com certeza. Carne de soja e peito de peru são recomendáveis, ainda que um tanto sem graça, ressalve-se, mas não resolvem todos os problemas do mundo. “Supervalorizar um alimento pela fama de ser saudável é tão ingênuo quanto demonizar outros a ponto de excluí-los de sua dieta”, diz o endocrinologista Francisco Tostes, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. As coisas andavam em banho-­maria, na trilha doméstica proposta por Pollan, até que, em 2011, outro livro, Barriga de Trigo, do cardiologista americano William Davis, pôs em cena um personagem que viraria símbolo da atual onda de propagar benefícios nem tão positivos assim e divulgar malefícios nem tão prejudiciais: o glúten, proteína encontrada no trigo, na cevada e no centeio. Ele teria de ser banido por fazer mal à digestão. E o glúten virou vilão, sobretudo entre pessoas de alto poder aquisitivo. Colou, porque subtraí-lo da dieta — e, portanto, reduzir o consumo do trio trigo-cevada-centeio — faz perder peso, devido à supressão do pão, do macarrão, de bolos, biscoitos e tortas, além de outros carboidratos simples de índice glicêmico elevado. Não há nada, contudo, que comprove os danos provocados pelo glúten, a não ser para quem tem alguma intolerância à substância, como os portadores de doença celíaca — e, nesses casos, o glúten causa atrofia da mucosa do intestino, prejudicando a absorção de nutrientes. Os celíacos representam menos de 1% da população. Ainda assim, estima-se que 3 milhões de americanos saudáveis tenham declarado guerra ao glúten. No Brasil, levantamento realizado em 2017 pela área de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Editora Abril mostrou que 19% dos adultos aderiram ao modismo “não ao glúten” como quem pretende derrubar um presidente.

No rastro dos sem-glúten, a tapioca imperou na mesa dos brasileiros. Aficionados de treinos e regimes pouco calóricos se esbaldam com rodelas de tapioca por acreditar que fornecem energia sem fazer engordar. Afinal, tapioca não tem glúten. O senso comum informa ainda que é saudável por ser cheia de fibras e proteínas. Mas não, isso é um mito. A verdade: o alimento, feito da fécula extraída da mandioca, não tem nem fibras nem proteínas. A título de comparação, é melhor levar à boca uma fatia de pão integral (que os muitíssimos sadios puseram de lado), que contém razoáveis 6,8 gramas de fibras e 10 gramas de proteínas. E convém lembrar aos incautos que cinco colheres de tapioca têm excessivos 240 gramas de calorias, quantidade equivalente à de duas bananas inteiras.

Como as ondas nutritivas nunca brotam sozinhas, levantamento do Ibope realizado no ano passado mostrou outro fenômeno na postura alimentar dos brasileiros: 30 milhões de homens e mulheres se dizem vegetarianos ou veganos. Nada de muito errado, não fosse por um detalhe: os comestíveis de origem animal são relevantes fontes de nutrientes para o organismo, em especial proteína e cálcio. Expulsá-los da dieta pode ser má ideia. Para suprir a necessidade de proteína, por exemplo, a maioria das pessoas recorre à chamada “proteína texturizada de soja”. O.k., é comprovadamente um alimento riquíssimo em proteínas. Mas tem compostos que inibem a absorção de nutrientes no organismo, além de fitoestrógeno, substância semelhante ao hormônio feminino estrogênio, que, em excesso, pode levar à puberdade precoce nas meninas e ao aumento de mamas nos meninos. A maior parte da soja consumida no mundo, no entanto, é geneticamente modificada, o que, para os puristas, poderia provocar males, como alguns tipos de câncer — embora não existam, ainda, evidências científicas para alarde. Um conselho, como sempre: o bom-senso. Diz Eduardo Rauen, nutrólogo do Hospital Albert Einstein, em São Paulo: “Ainda está muito cedo para dizer que a soja modificada não causa problema algum à saúde, mas também não podemos afirmar que faz mal”.

As promessas vãs dos alimentos se propagam com rapidez, e sem transparência, nas prateleiras dos supermercados na forma dos ultraprocessados — aqueles repletos de ingredientes prejudiciais à saúde, como corantes, conservantes, aromatizantes e gorduras nocivas, combinação explosiva se consumidos em excesso. O rótulo desses produtos raramente traz informações precisas. O consumidor tem de saber o que significa, por exemplo, “xarope de frutose”, “óleo interesterificado” e “gordura vegetal hidrogenada” — a famigerada gordura trans, uma substância criada artificialmente em laboratório com óleos vegetais para aumentar o prazo de validade dos alimentos e permitir textura crocante. Um recente estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor em parceria com a Universidade de São Paulo analisou a embalagem de 11 000 itens encontrados em lojas das cinco maiores redes de supermercados do país. Do total, 18,7% contêm ou podem conter gordura trans — e apenas 7,4% trazem no rótulo a informação sobre a presença da substância. Está em discussão na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) uma saída para corrigir o problema. As alterações propostas, ainda sem data para ser definidas, incluem maior clareza na listagem dos ingredientes, com letras maiores e dados organizados, além de alertas vistosos sobre a qualidade nutricional. É assim nos Estados Unidos e na Europa. A iniciativa é extraordinária, mas de nada servirá se os mitos continuarem a se propagar. Na dúvida, vale voltar ao axioma de Michael Pollan: “Não coma nada que sua avó não reconheceria como comida”.

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GESTÃO E CARREIRA

VOCÊ TRABALHA POR RESULTADO OU POR CARGA HORÁRIA?

”A tão sonhada liberdade só será possível se estiver atrelada à responsabilidade de cumprir com seus compromissos e com a entrega de resultados…”

Você trabaçha por resultado ou carga horária

Se você ainda trabalha batendo cartão na empresa, das 8h às 18h, faz cálculo de quanto ganha pautado na quantidade de horas trabalhadas, sinto lhe dizer, mas você estará fora do que vem por aí em relação ao futuro do mercado de trabalho.

Nossa tão atrasada CLT, ainda no modelo padrão e ultrapassado da revolução industrial – em que, naquela época, cada funcionário tinha que estar na linha de produção um determinado período senão os produtos não ficariam prontos -, já não acompanha o sistema de trabalho que vivenciamos. E se não tivermos uma ruptura no sistema atual, estaremos fora do mercado de trabalho mundial em um curto espaço de tempo.

Esse modelo de trabalho por carga horária só tem gerado um padrão que adoece as pessoas e empobrece a saúde mental dos trabalhadores.

Observem que as doenças psicológicas, têm adentrado as empresas de maneira sorrateira e perigosa. Você já deve ter conhecido alguém que pediu ou está de licença médica devido a doenças psicológicas, como Burnout, ansiedade e/ou depressão. Onde vamos parar?

Na era do conhecimento em que estamos vivendo, o trabalho tem que ser medido por resultado. É exatamente nesse ponto que líderes devem aprender a confiar mais em sua equipe, a delegar melhor. Muito comum receber questionamentos como “se não vão trabalhar por tempo, como vou cobrar a entrega dos serviços? E como saberei se realmente estão trabalhando?”.

Veja bem, não podemos confundir presença física com produtividade. Chegar ao local de trabalho “pontualmente” (entre aspas mesmo) às 8 horas da manhã e sair às 18 horas não o faz uma pessoa produtiva, mas sim um escravo moderno, em que a preocupação está apenas em se manter ocupado durante o dia para que o tempo passe e a pessoa perca mais um dia de sua vida!

Quando você parar de vender as suas horas e começar a vender o seu resultado, o compromisso de chegar todos os dias às 8 horas da manhã no trabalho deixará de existir, e, logo, não será falta de pontualidade não cumprir o protocolo padrão (8h às 18h). Em consequência disso, ser “pontual” com horário de entrada e saída no serviço não significará nada, o que realmente vai importar é ser pontual com os compromissos firmados e com o resultado final do seu trabalho.

Muitas empresas já estão trabalhando dessa forma, em que cada colaborador tem liberdade com seus horários.

Veja bem, a tão sonhada liberdade só será possível se estiver atrelada à responsabilidade de cumprir com seus compromissos e com a entrega de resultados, caso contrário, esse colaborador também estará fora do mercado de trabalho.

Portanto, para se manter competitivo nesse mercado de trabalho, quais são as competências cruciais para trabalhar por resultado? Poderia destacar várias, porém as cruciais são organização e disciplina.

Organização para com suas responsabilidades, sobre a forma de administrar seu tempo de como executará cada tarefa sem ter um chefe no “seu cangote”, lhe dizendo a todo momento o que fazer e disciplina para lidar com fatos difíceis, pragmáticos e para fazer o sacrifício que for necessário para concretizar o que foi prometido. Só com essa combinação que terá liberdade e conseguirá trabalhar bem por resultado!

Não confunda ser obrigado a cumprir uma carga horária de procrastinação com a energia boa de trabalhar por objetivos e no seu tempo. Prepare­ se para experimentar a verdadeira liberdade e saia da escravidão moderna.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

Qualificados - Tony Cooke

CAPÍTULO DOIS – CHAMADOS PARA QUÊ?

“Existe um senso comum primário no qual todos os cristãos são ‘chamados’, pois Jesus Cristo é Senhor sobre toda a vida, sobre toda tarefa, sobre todo esforço. Mas há outro senso comum no qual apenas alguns são ‘chamados’ para cumprir aquelas responsabilidades especiais colocadas na Bíblia, das quais a vida e a ordem da Igreja dependem diretamente.” — Sam Storms

Pensamento-chave: Deus nos chama para sermos Seus filhos e nos dá atribuições específicas.

 

Desde que Deus chamou o desobediente Adão “Onde estás?” (Gênesis 3:9), Ele tem chamado homens e mulheres através das eras, acenando-lhes para voltarem para Ele e chamando-os para a Sua família.

Há muitos equívocos acerca do que significa ser “chamado” por Deus. Muitos cristãos tendem a pensar no “chamado” como algo que se aplica apenas aos pregadores, mas Deus chamou todos nós para sermos Seus filhos e refletirmos a Sua glória e honra sobre a terra. Deus o chamou para ser:

  • Um esposo ou esposa temente ao Senhor?
  • Uma pessoa que terá uma influência santa sobre os seus vizinhos, amigos e colaboradores no local de trabalho?
  • Um obreiro produtivo ou um líder na igreja local?
  • Um pai que cria os seus filhos na educação e admoestação do Senhor?

Todos esses são valores e atribuições significantes na vida, quer você se coloque atrás de um púlpito quer não. Nós devemos servir a Deus…

  • Com ou sem um título.
  • Com ou sem uma posição.
  • Na frente ou atrás dos bastidores.
  • Tendo recursos ou espontaneamente.
  • Formal ou informalmente.

Algumas pessoas pensam que um chamado será sempre altamente dramático e sensacional. Para alguns, pode até ser; entretanto, para a maioria dos cristãos, um chamado pode vir apenas como uma percepção ou um desejo crescente dentro do seu coração que o conduz na direção de Deus.

Muitos cristãos, provavelmente, perceberam que Deus os chamava para serem Seus filhos — quando eles ouviram o Evangelho e sentiram o Espírito Santo atraindo os seus corações. Temos ouvido e nos alegrado com histórias de conversões muito dramáticas, nas quais pessoas tiveram experiências incríveis de salvação (como a que Paulo teve em Atos 9:1-18). Entretanto, a maioria dos cristãos não tem tais experiências dramáticas e sensacionais.

Em minha vida pessoal, meu chamado para o ministério não foi dramático ou sensacional. Não ouvi uma voz de modo audível, não tive uma visão, ou vi anjos. Para mim, houve apenas uma percepção que aumentava e um desejo que crescia de servir a Deus que eu jamais experimentara.

Semelhantemente, quando se trata de ser chamado para uma função específica, muitos cristãos devem ter sentido um desejo de servir a Deus em certo grau. À medida que foram fiéis, eles começaram a perceber que tinham certa aptidão ou talento em sua vida. Enquanto continuavam a ser fiéis, a aptidão deles ou talento desenvolveu-se a uma grande capacidade.

Falando de obediência à vontade de Deus, Paulo disse a um grupo de crentes: “[Não na sua própria força], pois é Deus quem está o tempo todo, eficazmente, operando em vocês [energizando e criando em vocês a força e o desejo], para querer e operar o Seu bom prazer e satisfação e deleite” (Filipenses 2:13, AMP).

Mesmo quando se trata de ser um filho de Deus, Ele nos chamou para algumas coisas específicas; Ele não nos chamou simplesmente de modo genérico e indeterminado. À medida que você meditar nos seguintes versículos, não passe superficialmente sobre eles, mas os considere cuidadosamente para perceber exatamente para que Deus nos chamou.

…chamados para serdes de Jesus Cristo. A todos os amados de Deus, que estais em Roma, chamados para serdes santos… Romanos 1:6-7

E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. Romanos 8:30

…chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso. 1 Coríntios 1:2

…fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. 1 Coríntios 1:9

…daquele que vos chamou na graça de Cristo… Gálatas 1:6

Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade… Gálatas 5:13

…segundo é santo Aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento. 1 Pedro 1:15

Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz… 1 Pedro 2:9

…o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória. 1 Pedro 5:10

…aos chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo… Judas 1

Ser chamado por Deus não fala da nossa perfeição, ao contrário, reflete a Sua bondade e misericórdia para conosco. Enquanto estávamos perdidos e separados de Deus, Ele escolheu nos alcançar por causa do quão maravilhoso Ele é. Quando pensamos no fato de que Deus nos chamou para sermos Seus, não devemos ficar orgulhosos, mas humildes e gratos.

DIFERENTES TIPOS DE CHAMADOS

Ao estudar a Bíblia, torna-se evidente que existem diferentes tipos de chamados. Apenas lemos diversas passagens que se aplicam a todos os filhos de Deus. Esse tipo geral e inclusivo de chamado é refletido na declaração de Jesus (perceba que Ele diz isso a todos): “… se alguém tem sede, venha a Mim e beba” (João 7:37).

Também existem outros tipos de chamados, os quais são únicos para diferentes indivíduos. Esses chamados não são para todos, mas para aqueles que Deus chamou especificamente e escolheu para responsabilidades específicas. Por exemplo, quando Jesus escolheu Seus doze discípulos (os quais, finalmente, tornaram-se apóstolos), Ele não chamou voluntários. Marcos 3:13 diz que Jesus: “… chamou os que Ele mesmo quis, e vieram para junto Dele”.

Devemos respeitar o fato de que Deus escolhe certas pessoas para fazer certas coisas. Hebreus 5:4-5 diz: “Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão. Assim, também Cristo a si mesmo não se glorificou para se tornar sumo sacerdote, mas o glorificou Aquele”.

Quando se trata de ser filho de Deus, Ele chamou todos nós — qualquer um — para participar de Sua graça e perdão. Entretanto, quando se trata de atribuições ministeriais, a Bíblia indica que Deus tem diferentes chamados e atribuições para cada um de nós, e esses são atribuídos de acordo com o Seu critério.

Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve. — 1 Coríntios 12:18

Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo. A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. — 1 Coríntios 12:27-28

Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo; ou o que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria. — Romanos 12:4-8

No que diz respeito aos dons ministeriais de Cristo — apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres — o apóstolo Paulo declara especificamente que: “Ele (Jesus) mesmo concedeu” esses dons para a Igreja (Efésios 4:11).

Finalmente, o apóstolo Pedro também reconheceu uma distinção nas funções desses dons quando disse:

Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém! — 1 Pedro 4:10-11

O Espírito Santo não irá apenas testemunhar com o seu coração que você é filho de Deus (Romanos 8:16), mas Ele também lhe dará os dons e o equipamento espiritual para fazer o que você foi chamado para fazer. O Espírito Santo, também, usará outros para confirmar e encorajá-lo em seu chamado.

Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram. — Atos 13:1-3

Observe que esses outros homens não chamaram Saulo e Barnabé para o ministério; eles já tinham sido chamados por Deus. Eles apenas admitiram o seu chamado e reconheceram que agora era a hora para Barnabé e Saulo começarem a fazer o que o Senhor já os tinha chamado para fazer. O chamado deles também foi confirmado pelos frutos e pelos resultados que foram produzidos à medida que eles obedeciam a Deus e executavam a Sua tarefa. Barnabé e Saulo (mais tarde conhecido por Paulo) responderam ao chamado de Deus. Eles disseram “sim” a Deus e é isso que nós também devemos fazer.