GESTÃO E CARREIRA

GERAÇÕES DIFERENTES, OBJETIVOS SEMELHANTES

Ter no quadro de colaboradores profissionais com idades variadas é uma realidade e as corporações enfrentam o desafio de alinhar valores e códigos de comunicação muito distintos

Gerações diferentes, objetivos semelhantes

Não é de hoje que identificamos diversas gerações que trabalham juntas, mas possuem enormes dificuldades para encontrar a sinergia entre elas. Muitas são as mudanças tecnológicas, descobertas científicas e acadêmicas que impactam diariamente na vida profissional e pessoal dos indivíduos como um todo.

Além desse cenário, a transformação de pensamento, comportamento e de atitude das novas gerações aconteceu de forma muito rápida e complexa perante as demais. Assim, podemos dizer que existe um gap comportamental entre as pessoas de diferentes idades, que de certa forma faz com que os indivíduos se encontrem mais desconcertados, com a sensação de que perderam o controle sobre o significado e a finalidade da própria vida e do papel profissional.

Atualmente, em grande parte das empresas encontramos profissionais de quatro gerações. Todos interessados em solucionar os mesmos problemas, porém maneiras distintas, pois eles têm valores, motivações, expectativas e códigos de comunicação muito diferentes.

A maioria desses profissionais tem o mesmo objetivo: ascender na carreira e contribuir com o sucesso do todo. No entanto, nem sempre eles conseguem entrar em um acordo quando pensam nos meios para chegar a uma solução. Esse gap comportamental é um dos principais desafios encontrados pelos líderes atuais, uma vez que essa interação de gerações não depende do cargo. Pelo contrário, já é muito comum encontrarmos líderes mais novos que os liderados, ou seja, os profissionais precisam, urgentemente, encontrar pontos de referência e valores para nortear as ações das equipes multigeracionais. Além de moldar novos modelos estratégicos, equilibrando questões como inovação, desafios, competitividade e estabilidade de negócio.

Para que isso funcione, é fundamental entendermos um pouco das quatro gerações e suas principais diferenças. Por exemplo, as pessoas nascidas entre 1940 e 1970 podem entender as mudanças como acontecimentos negativos, que muitas vezes são encaradas de forma ameaçadoras e vividas como pressões indesejadas, já que correm o risco de perderem aquilo que foi conquistado ao longo dos anos como cargos, posições e benefícios. Esse comportamento não muito maleável dificulta o poder de inovação e está atrelado ao medo das rápidas e complexas mudanças no contexto profissional, pessoal e mundial. Dessa forma, pode surgir uma enorme ansiedade em provar que possuem as capacidades e competências adequadas no trabalho, e assim sendo impactados diretamente com desmotivação para conhecer novas soluções, ferramentas e técnicas inovadoras.

As gerações mais novas, nascidas entre 1971 e 1999, acreditam que ao fazer diferente vão conquistar posições novas e melhores, uma vez que não foram muito explorados e há um leque de oportunidades. Entretanto, demonstram muitos questionamentos às experiências dos mais velhos, tendendo a agir com certa teimosia, justamente por esse ímpeto inovador e destemido que apresentam.

De fato, tudo é um risco, mas a questão é estar com a cabeça aberta a um comportamento diferente e inovador. E isso inclui descobrir aquilo que já existe também. Não sabemos também se aquela certa estabilidade durará por muito mais tempo. Tudo é uma forma de olhar e de lidar com as circunstâncias.

São relevantes a sensibilização e a informação no contexto profissional, as diferenças entre as gerações, a importância da solidariedade entre elas e a valorização da diversidade, permitindo a mistura geracional eficaz. Assim como incentivar a mobilidade dos conhecimentos e competências, a troca de experiências e as atividades de integração – com atenção especial à comunicação e ao feedback – também é essencial.

Ao respeitar as diversidades podemos ter a consciência de que todos podem caminhar juntos, criando modelos muito mais valiosos e eficazes do que os desenvolvidos pelo indivíduo que produz sozinho. Dessa forma, promove-se o intercâmbio de ideias e a realização do trabalho em conjunto, o que aumenta o desempenho corporativo e a concretização de resultados.

Cada geração e cada pessoa têm uma riqueza a compartilhar. Sejam elas a maturidade e a experiência ou as ideias e propostas inovadoras. Nesse sentido, o importante é a diversidade favorecer a criação de um contexto mais satisfatório tanto no aspecto intelectual quanto emocional; ambos são a base da motivação, da qualidade do clima organizacional e de resultados positivos.

As diferenças acontecem justamente para pensarmos em novas soluções e possibilidades. Se estivermos abertos a pensar e agir de forma diferente, também estaremos agarrando uma enorme oportunidade: de conhecer novos horizontes, talvez até melhores do que aqueles que já dominamos. Isso é o que chamamos de vida que merece ser vivida todos os dias com um novo olhar. Contemplar novas paisagens pode significar apreciar as mesmas imagens, porém com novos olhares.

 

EDUARDO SHINYASHIKI – é palestrante, consultor organizacional, especialista em Desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. É presidente do Instituto Eduardo Shinyashiki e também escritor e autor de importantes livros como Transforme seus Sonhos em Vida (Editora Gente), sua publicação mais recente. www.edushin.com.br

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.