ALIMENTO DIÁRIO

A CASA FAVORITA DE DEUS

A Casa Favorita de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 7 – PORNOGRAFIA ESPIRITUAL OU INTIMIDADE ESPIRITUAL? VOYEURISMO OU VISITAÇÃO?

 

Certa vez, Deus falou com um ministro bem conhecido e disse: “Eu tenho visto o seu ministério, agora quer ver o Meu?” Ele está dizendo a mesma coisa à Igreja agora. A maioria dos pregadores aprende bem cedo como atrair uma multidão em seu ministério, mas eles usualmente não aprendem isso de Deus. Somos escolados em atrair a atenção dos homens, mas ignorantes em como atrair a atenção de Deus.

Eu sei como planejar uma reunião, promover um evento e pregar uma mensagem para “resultados humanos” máximos, mas estou relutante em prosseguir nesse caminho. Já estive naquela estrada e, na verdade, não gostei de ver onde ela acaba. Mas tenho de dizer que a verdadeira razão para minha desilusão é que eu fui destruído com Sua presença. Isaías disse isso, então eu posso dizer! “Vou perecendo.” – (Isaías 6:5). A palavra hebraica ali significa “perdido”. O encontro com Ele destrói seu apetite para encontro com o homem. Líderes de louvor também aprendem como elevar a alma com a unção sobre seus dons, e não há nada errado nisso. Mas eu, às vezes, pergunto para mim mesmo o que aconteceu com os verdadeiros líderes de louvor, cujo único propósito é levar o povo de Deus até Sua presença em consideração a Ele.

A unção pode facilmente dirigir uma grande multidão, mas o problema com aqueles tipos de reunião com homens é que você pode captar o favor dos homens sem jamais buscar o favor de Deus. Há uma maneira melhor e Jesus demonstrou com Sua vida. A Bíblia diz que Jesus cresceu em graça com ambos, Deus e os homens. – (Lucas 2:52). E Ele sempre, sempre colocou Deus em primeiro lugar.

Ao longo do Seu ministério, o único foco de Jesus era ouvir o que o Pai estava dizendo e dizê-lo, e ver o que o Pai estava fazendo e fazê-lo. – (Veja João 5:30; 7:16-18; 8:28-29; 12:49-50). Esta é a razão pela qual Jesus e os ministros que seguiram Seus passos nunca se preocuparam em atrair grandes multidões. Se você conhece a Deus e O agrada mediante a obediência total, a fome por Ele trará multidões até você. O que aconteceria com as nossas reuniões se fizéssemos isso? Eu posso lhe garantir que elas certamente seriam diferentes do que são agora.

Receio que a maior parte dos nossos cultos de igreja cuidadosamente orquestrados e reuniões de avivamento iriam muito bem sem a ajuda, aprovação ou comparecimento de Deus. Julgando pelo fruto de algumas das nossas intermináveis reuniões, elas já têm funcionado dessa maneira há um longo tempo. Comentário triste. É uma declaração do nosso baixo nível de fome, que se contentaria com menos de Deus do que Ele quer que experimentemos.

A TENTAÇÃO É CONTINUAR PROMETENDO QUANDO VOCÊ NÃO PODE CUMPRIR

Temos praticado e aperfeiçoado a arte de divertir o homem, mas durante o percurso temos perdido a arte de divertir a Deus. Já falamos sobre a zona do choro, aquele lugar de intercessão sacerdotal entre a corte do homem e o altar de Deus, onde alcançamos a Deus com uma das mãos e o homem, com a outra. Às vezes, ficamos tão envolvidos em atrair o homem à nossa mão estendida, que perdemos o desejo e a habilidade de atrair a Deus com a outra. Quando você pode puxar os homens até você, mas não pode fazer Deus Se aproximar mais, a tentação é continuar prometendo a Ele apesar de não poder cumprir.

Repetidas vezes, reunimos grandes multidões de pessoas embaixo de um cartaz de plástico que proclama “avivamento”! Então nos tornamos como perpétuos co-anfitriões de TV da madrugada, da cena de igreja dizendo: “Aqui está Deus!” Com entonação de voz bem praticada e manejar de mão floreado, convidamos e O anunciamos – só que não temos nenhum lugar para Ele Se assentar. Em nosso percurso para agradar os homens, aos esquecemos de agradar a Deus. Não há trono de misericórdia.

Assim, Ele nunca realmente aparece. Ele somente surge detrás das cortinas (ou da treliça, como Salomão disse), liberando apenas o suficiente de Sua unção para que você saiba que Ele está lá, mas não o suficiente para ter um encontro como o da estrada de Damasco que o mudará completamente.

Parte do nosso problema é o hábito de usar impropriamente a terminologia para artificialmente levantar as expectativas do povo, nós perpetuamente prometemos demais e produzimos de menos. Como eu disse anteriormente, se alguém diz: “A glória de Deus está aqui” de uma postura emprumada, você tem minha permissão para questionar a validade do comentário. Somos culpados de fazer tempestade em copo d’água, mas, somente em nossa vã imaginação. Quando o povo do mundo entra, eles dizem: “É bom aqui dentro. Eu sinto paz. Bom, isso é Deus. Não há dúvidas sobre isso, é Deus. Mas quanto de Deus?’’ Então eles saem.

A MÃO DE DEUS PODE SUPRIR, MAS SOMENTE SUA FACE PODE SATISFAZER

Nós prometemos a glória de Deus, mas frequentemente, na melhor das hipóteses, damos uma medida limitada da unção de Deus. A unção de Deus não foi feita para satisfazer a fome da nossa alma. A unção e os dons autorizados por ela são simplesmente armas para nos assistir, habilitar, encorajar e direcionar à sua Fonte. Somente o próprio Deus pode satisfazer a fome que Ele colocou em nós. Sua mão pode suprir nossas necessidades, mas somente Sua face pode satisfazer nossos anseios. À medida que contemplamos Sua face somos trazidos a uma união com o nosso destino e desfrutamos o favor de Seu amoroso olhar e do incomparável beijo de Seus lábios.

Há uma grande diferença entre encontrar a unção de Deus e encontrar Sua glória. Eu, na verdade, não estou mais muito interessado na unção – não quando ela é comparada com a glória da Sua presença manifesta. Eu digo isso porque é a única maneira que sei para ajudar as pessoas a entender a dramática diferença entre unção e glória de Deus.

A unção de Deus, em todas as suas várias formas, tem um sentido válido em Seus planos e propósitos. O problema é que temos nos tornado tão viciados na maneira que a unção nos faz sentir, que tiramos nossos olhos e nosso coração da glória e da face de Deus para conseguirmos mais da unção em Suas mãos. A unção habilita nossa carne e nos faz sentir bem. É por isso que a Igreja está cheia de “drogados com a unção” em ambos os lados do púlpito. A maioria (não todas) das bobices em nossos cultos que atraem fogo do mundo e vários segmentos da Igreja pode se encontrar nesse estranho vício.

Se você não acredita em mim, pergunte a si mesmo por que as pessoas atropelam umas às outras para conseguir um “lugar quente” na fila de oração nas conferências mais importantes. Expliquem-me por que cristãos nascidos de novo mentirão, conspirarão e quebrarão todas as regras do livro para conseguir os “melhores assentos” nos salões da convenção, quando o “Evangelista do Fogo X” vem à cidade? Honestamente, há muitos pregadores nacionalmente conhecidos que têm fã-clubes hoje em dia. Eles não o chamam de fã-clube, é claro, porque isso seria muito embaraçoso, mas isso é a pura verdade. Este é um típico comportamento quando pregadores e seus fãs se tomam viciados no poder da unção.

DESEJOS INCONTROLÁVEIS POR EMOÇÕES ESPIRITUAIS BARATAS SE TORNAM PORNOGRAFIA ESPIRITUAL

Nós, frequentemente, preferimos ser indiretamente emocionados pelo toque de Deus na vida de alguém do que buscar isso em nossa própria vida. Ou, se estamos no ministério, podemos nos tornar viciados na paixão das pessoas por nós, por causa da unção. É tão gostoso estarmos no fluir!

O vício transforma mesmo a mais forte unção em uma emoção barata. E o pior, o desejo incontrolável do pregador de ministrar sob a unção – e a compulsão que impele um crente a receber ministério sob a unção – se torna uma forma de “pornografia espiritual.” Como na variação física dessa compulsão, “pornógrafos espirituais” querem conseguir suas emoções observando a intimidade experimentada por outros, ao invés de arcar com a responsabilidade do relacionamento com Deus. Este é o único canal apropriado, através do qual devemos obter intimidade pessoal com Deus. O Senhor não quer que sejamos apaixonados por Suas mãos c as bênçãos que elas trazem ao espírito, à alma e ao corpo. Ele quer que nos rendamos em amor por Ele!

Estamos essencialmente dizendo: “Eu não vou entrar na íntima presença de Deus por mim mesmo. Vou conseguir uma emoção barata compartilhando do encontro com Deus de alguém. Se eles forem descritivos e dinâmicos, conseguirei arrepios suficientes para manter minha unção fixa.” Quando ministros expõem a unção na própria vida, descaradamente, sem considerar a busca de intimidade com o próprio Deus ou se preocuparem em levar o povo de Deus a uma intimidade pessoal com Ele, eles se tornam exibicionistas espirituais. Estão mais preocupados com o prazer que vem da sua exibição pessoal da unção do que em buscar a face de Deus e ministrar a Ele. Aqueles que “assistem” sem buscar Deus para si mesmos se tornam meros “voyeurs”23 espirituais, cujas vidas não possuem o genuíno relacionamento que Deus deseja para eles.

Ficamos viciados na unção da mesma maneira que os filhos de Israel ficaram. – (Veja Êxodo 19). O ministério de Moisés e os milagres que ele fez depois de falar com Deus claramente representaram unção divina, mas Deus queria dar mais aos israelitas. Em Êxodo, capítulo 19, Ele convidou a todos do grupo para subir e ouvi-Lo falar. Esta foi uma oportunidade de ir acima da unção e experimentar Sua glória pessoalmente. Os filhos de Israel disseram: “Moisés, você vai falar com Deus e descubra o que Ele diz. Você tem intimidade – somente pegue algumas descrições interessantes e traga a unção de volta para nós.” – (Êxodo 20:19, paráfrase). Eles não queriam ter o seu próprio encontro com Deus porque isso requeria um relacionamento que envolvia responsabilidade e morte ao ego.

Quando você pessoalmente paga o preço para encontrar a glória de Deus para bem perto, não pode voltar atrás naquilo que Ele lhe fala, porque naquele ponto você está “casado” com Ele. Quando você pega tudo de segunda mão pode dizer: “Isso pode ou não ser Deus, não sei dizer, porque isso é apenas uma ‘descrição’.”

Eu tentei mandar uma mensagem para meus filhos pedindo a um deles que dissesse aos outros: “Papai disse”. Isso não funciona. Se eu disser: “Vá dizer à sua irmã que eu falei que ela precisa arrumar o quarto dela e varrer o quintal” – o “mensageiro” do momento gosta de entregar estes tipos de mensagem porque eles se sentem poderosos, mas essas mensagens nunca têm o mesmo impacto do que a coisa verdadeira. Eu ainda consigo ouvir minhas filhas dizendo umas às outras depois da entrega de uma “mensagem de segunda mão”: “Você não manda em mim!” Nós dizemos isso (ou equivalente adulto) para nossos pastores, líderes espirituais e patrões constantemente, mesmo sendo adultos. Tudo isso é interrompido quando o Pai Celestial aparece pessoalmente e manifesta a Sua glória.

OS VICIADOS SÃO CONSUMIDOS COM SUA PRÓXIMA “FIXAÇÃO” DE UNÇÃO

Se não vigiarem, os pregadores podem se tornar um grande obstáculo para “Deus descer” em suas igrejas porque estão viciados na unção. Eles prefeririam pregar a adorá- Lo até que Sua glória entre. A verdade é que nossos melhores sermões nunca poderão ser igualados a sequer uma palavra falada por Deus diretamente a nós. As congregações podem se tornar da mesma forma viciadas na unção que flui de seus líderes bem- dotados ou dos dons residentes na congregação. Os viciados estão todos muito esgotados a fim de conseguir fixar sua unção para se preocupar em buscar a face de Deus.

“Por que Deus simplesmente não toma de volta os dons ungidos que Ele dá a tais pregadores viciados?” Ele não trabalha dessa forma. Uma vez que Ele abre esta porta de unção na vida de uma pessoa, Seus dons e chamados são sem arrependimento. – (Veja Romanos 11:29). Quando um pregador ultrapassa a linha na direção de puro vício pela unção, Deus não vai “retê-lo” removendo Seu dom. Ele simplesmente Se afasta dele pessoalmente porque Ele está mais compromissado com o caráter do que com o talento.

Quando o caráter se esgota e o talento ou dom continua, a pessoa está patinando em gelo fino e, finalmente, ele ou ela afundará. Qualquer dom de Deus que esteja separado da Sua permanente presença vai deteriorar com o tempo (isso talvez seja uma boa descrição do que aconteceu com muitas das denominações de igrejas que foram fundadas sobre sólidas verdades e experiências genuínas com Deus em certo tempo.). Por que esses ministros espiritualmente falidos simplesmente não voltam ao seu primeiro amor? Eles querem manter a pose diante do povo, mesmo quando sabem que o testemunho particular deles não combina com a unção pública que demonstram ter.

TEMOS PROSTITUÍDO MUITOS PROCESSOS DE DEUS

Deixe-me assegurar a você que há uma grande diferença entre uma representação unidirecional e a coisa real. Temos prostituído muitos processos de Deus buscando o que vem do homem como uma completa representação de Deus. Algumas pessoas falam sobre coisas do Espírito como se estivessem lá, mas estão simplesmente falando sobre o que ouviram. Elas não tiveram um encontro legítimo próprio, então a descrição que fornecem de Deus encontra-se em uma dimensão plana e única. Essa é a diferença entre olhar para o retrato do seu filho, ou filha, ou acariciar o cabelo dessa criancinha que começa a andar, a quem você ama.

A Igreja tem pervertido e prostituído sua unção por perseguir a aprovação do homem quando este não é o propósito real da unção. Quando Deus primeiramente apresentou a Moisés o óleo da unção ele disse:

Disto farás o óleo sagrado para a unção, o perfume composto segundo a arte do perfumista; este será o óleo sagrado da unção. Com ele ungirás a tenda da congregação, e a arca do Testemunho, e a mesa com todos os seus utensílios, e o candelabro com os seus utensílios, e o altar do incenso, e o altar do holocausto com todos os utensílios, e a bacia com o seu suporte. Assim consagrarás estas coisas, para que sejam santíssimas; tudo o que tocar nelas será santo. Também ungirás Arão e seus filhos e os consagrarás para que me oficiem como sacerdotes. Dirás aos filhos de Israel: Este me será o óleo sagrado da unção nas vossas gerações. Não se ungirá com ele o corpo do homem que não seja sacerdote, nem fareis outro semelhante, da mesma composição; é santo e será santo para vós outros. – (Êxodo 30:25-32).

Parece impróprio que a Escritura diga, “ungirás” e “não… a carne do homem” na mesma passagem. Não na carne não consagrada! A carne dedicada e ”morta para si mesma” está pronta para ser ungida.

O Salmo 133, no verso 2, nos mostra como este óleo da unção foi usado: “É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.” – (Salmos 133:2). Os israelitas fizeram óleo da unção em um litro porque quando era tempo de ungir algo, eles despejavam, ungiam, encharcavam e na ocasião borrifavam excessivamente. Agora pense em Arão, o sumo sacerdote.

VOCÊ ESTÁ PREPARADO PARA DEUS ARRUINAR SEU CARPETE?

Quanto óleo você teria de despejar sobre a cabeça de um homem adulto (talvez um homem que não cuidou em cortar o cabelo) para que esse óleo descesse pela barba dele (uma barba inteira) e, então, descesse por toda a altura de suas vestes de linho sacerdotal tão generosamente a ponto de gotejar para fora da bainha até a planta dos pés? Eu não posso dizer o quanto gastaria, mas posso lhe garantir que se Deus recriasse aquele evento em nossa igreja, isso arruinaria o seu carpete (e quem quer que estivesse no lugar de Arão necessitaria de um novo penteado).

Eu quero o tipo de culto desarrumado que tem “intervenção divina” estampada em todos eles. Quando os homens ungem outros para aprovação do homem, eles usam só o suficiente para ganhar aplausos e levantar arrepios. Quando Deus unge o homem, Ele praticamente nos afoga com Sua fragrância. Somente assim Ele possa suportar chegar perto.

Essa é a maneira como “o primeiro culto de igreja” aconteceu. Leia o segundo capítulo de Atos e me explique por que os discípulos tropeçavam e cambaleavam fora do cenáculo de tal modo embriagados do Espírito que o povo os acusava de estarem caindo bêbados. Quão simpático foi isso? Pedro teve de refutar as acusações com a lógica de um advogado e poder do Alto para dizer-lhes: “Olhem, é muito cedo. Os bares não estão nem mesmo abertos. E cheirem o nosso hálito.” Simpático ou não, a primeira Igreja de cento e vinte “bêbados embriagados” do Espírito realizou um chamado no altar, e três mil pessoas vieram a Cristo.

Temos de ver isso acontecer em alguns de nossos cultos. Eu amaria ver a unção de Deus nos arrasar e à igreja. Eu amaria ver as pessoas cambaleando no templo simplesmente transbordando de óleo. Eu posso lhe dizer isto: nós não pareceríamos sãos, não pareceríamos normais e certamente não seriamos considerados “atraidores do público”, mas um culto como aquele só pôde acontecer porque Deus apareceu. O que você escolheria – limpar o carpete ou limpar o coração; um penteado bonito ou uma oleosa, mas perfumada bagunçai

MANTEMOS NOSSA COMPOSTURA A CUSTO DE NOSSAS CONVICÇÕES

Será que você fica chocado quando eu digo que o mundo está cansado da “igreja normal”? Ela pode ser tudo o que temos, mas não tem feito o seu trabalho. Não estou dizendo que precisamos nos tornar um bando de fanáticos insensatos, mas a verdade é que nossa maior tentação é o desejo de manter nossa compostura a custo de nossas convicções.

Nós não somos o que deveríamos ser, e não estamos fazendo o que deveríamos fazer. Por quê? Porque achamos que temos uma reputação a manter. As reputações não significam nada para Deus. Estou pensando em um Rei que esvaziou-Se a Si mesmo e tomou a forma de servo para que pudesse fazer o que precisava fazer. – (Veja Filipenses 2:7). Você não pode buscar a face d’Ele e salvar a sua. Você deve perder sua dignidade na busca pela divindade d’Ele.

Francamente, tenho notado que precisamos destes cultos imprevisíveis que nos forçam a perder nossa compostura, porque esta é frequentemente a única maneira pela qual permitiremos que Deus rompa algo.

Novamente, você deve perder sua dignidade em busca da dignidade d’Ele. Quando o povo de Deus se compromete a ver os céus abertos em sua igreja e cidade, eles se tornam grávidos com os propósitos de Deus. Essas pessoas irão, inevitavelmente, terminar numa “sala de parto” quando a matriz divina do Céu se abrir para liberar a glória de Deus.

Se você já esteve lá, deixe-me assegurá-lo de que a típica sala de parto não é um lugar de compostura. Eu estive lá de verdade como um espectador (minha esposa era quem ia dar à luz). Aprendi em primeira mão que uma mulher vai à porta da morte para trazer de volta a vida. Da mesma maneira, o Calvário não era um lugar de compostura. Foi um solo sangrento de parto no qual o Filho de Deus desceu à sepultura e voltou para nos trazer nova vida.

TEMOS EVITADO A CRUZ E REDUZIDO O CUSTO DO COMPROMISSO

A “igreja com uma reputação” tem tentado formular “Salvação num pacote” onde convertidos simplesmente andam até a frente e apertam a mão de alguém num evento organizado e arrumado. Às vezes, as igrejas até mesmo providenciam lenços para secarem as lágrimas que podem ou não se formar 110 olho de alguém. Entendo o pensamento atrás de tudo isso, mas tenho uma imagem persistente de como nossa Salvação foi originalmente entregue. Continuo vendo o Cristo esbofeteado despojado em vestes ensanguentadas, e penso comigo mesmo se temos exageradamente evitado a cruz e reduzido o custo do compromisso. Ele morreu despido, indicando uma perda total de dignidade. Mesmo prestes a morrer! Ele perdeu Sua dignidade e nós buscamos preservar a nossa.

Deus está ativamente cortejando nosso amor, mas pensamos que as coisas se tornam bagunçadas demais da maneira que ocorre. Queremos reduzir o avivamento até que ele possa ser oferecido às pessoas num pacote simples, embalado a vácuo e produzido em massa e que seja agradável e arrumado. Infelizmente, para o orgulho do homem, algumas das coisas que fazem Deus se sentir confortável, tendem a fazer os homens incrivelmente desconfortáveis.

Quando é que alguém vai arcar com a responsabilidade e dizer: “Derrame o óleo em mim até atrapalhar o meu cabelo e escorrer em tudo que eu tocar. Encharque-me em Sua presença até que tudo que estiver em minha volta se torne uma bagunça ungida e eu nem mesmo pareça ou aja da mesma maneira. Desabilite-me com o Seu toque até que eu manqueje. Isso vai mudar a maneira que meu irmão olha para mim. Despeje sobre mim”? Deixe-me tropeçar da sala mais alta até as mais baixas ruas. A “sala de parto”, chamada de sala superior, produzia discípulos descompostos para mudar o mundo para sempre.

ESQUEÇA ATALHOS: MANTENHA A COISA PRINCIPAL COMO PRINCIPAL

Não se preocupe em procurar atalhos para o avivamento ou para a revelação da glória de Deus. Se você quer dedicar-se a Deus, então terá que fazê-lo da maneira que eles O atraíram e venceram, e O perseguiram e O buscaram no passado. Não há nenhum novo método ou caminho para o avivamento. Nós só temos de redescobrir a receita original de Deus e parar de fazer coisas sem fundamento. Temos priorizado a coisas de menor importância por tanto tempo que perdemos a dedicação ao próprio Deus. Deixe-me compartilhar com você um sábio conselho que meu pai me deu: O principal é manter a coisa principal como principal. O principal é Ele. A centralidade de Cristo!

Cantares de Salomão revela o real propósito da unção. O Noivo chama Sua Noiva e diz: “Quanto melhor é o teu amor do que o vinho, e o aroma dos teus unguentos do que toda sorte de especiarias!” – (Cantares de Salomão 4:10). A verdadeira unção deveria fazer Deus dizer à Sua Noiva, à Igreja: “O seu cheiro conquistou meu coração.” Há algo sobre a unção perfumada na oração, no louvor e na adoração dos santos que fascina Deus.

Se pudermos direcionar a doce fragrância da nossa unção e do nosso sacrifício de louvor para cima em direção ao Céu, ao invés de horizontalmente na direção um do outro, deveremos ver os céus abertos. Há pelo menos 131 referências para “ungido, ungindo ou ungir” no Antigo Testamento:

1. A maior parte das referências do Novo Testamento indica a unção de Jesus para Seu ministério, morte e sepultamento como o Cordeiro de Deus, o Sacrifício Divino. – (Veja Marcos 14:8; 16:1; Lucas 7:46).

2. Às vezes, ela significa a autorização para o homem fazer trabalhos divinos entre os homens (ou de reis para governar sob a autoridade de Deus). – (Veja Lucas 4:18; Atos 10:38).

3. Às vezes ela significa o selo de Deus sobre os homens. – (Veja 2 Coríntios 1:21).

4. Ela revela o poder de Deus para curar ou libertar – representando uma medida da virtude de Deus emprestada para trazer glória a Ele e a Ele somente. – (Veja Marcos 6:13; João 9:6; Tiago 5:14-15).

5. Em raras ocasiões, é a maneira de Deus separar e abençoar pessoas ungidas (como Jesus) para devoção total à justiça e às coisas de Deus. – (Veja Hebreus 1:9).

6. Na epístola de João, é um dom que recebemos de Jesus que habita em nós e nos ensina todas as coisas. – (Veja 1 João 2:27).

NÓS PROSTITUÍMOS A UNÇÃO PORQUE QUEREMOS CHEIRAR BEM

O principal propósito da unção tanto no Antigo quanto no Novo Testamento era separar as coisas e o povo, e fazê-los aceitáveis a Deus (e ocasionalmente para reis). Infelizmente, tendemos a prostituir a unção porque queremos cheirar bem para todos os demais.

De acordo com o capítulo 2 do livro de Ester, depois que a esposa do rei Assuero da Pérsia se recusou a mostrar-se aos convidados do banquete dele, cheio de bêbados, ele iniciou uma busca em todo o reino por uma nova rainha. Certa moça judia, cujo nome era Ester, foi selecionada para ser uma das candidatas para o harém do rei. Como eu disse em Os caçadores de Deus, Ester e as outras candidatas passaram “um ano em preparação para uma noite com o rei.” – (Tommy Tenney, Os Caçadores de Deus, Editora Dynamus, p.62).

Ester passou seis meses impregnando-se em óleo de mirra, e seis outros meses embebendo-se em outros aromas suaves somados para se purificar e preparar para uma noite com o rei. Apenas uma das candidatas veria o rei uma vez e raramente ou nunca o veria novamente. A Bíblia diz: “O rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e ela alcançou perante ele favor e benevolência mais do que todas as virgens; o rei pôs-lhe na cabeça a coroa real e a fez rainha em lugar de Vasti.” – (Ester 2:17).

Ester também “alcançava graça aos olhos de todos quantos a viam.” – (Ester 2:15). Você pode imaginar como Ester estava perfumada após passar um ano embebendo-se em óleo ungido? Ele estava em suas vestes e impregnado em sua pele e cabelo. Ela deixava uma nuvem de incenso por onde andava. O cheiro da preciosa mirra estava nela. Quando percorria o palácio, todo homem por perto levantava suas sobrancelhas para ela e dizia: “Oh, olhe! Olhe para Ester.”

ESTER ESTAVA BUSCANDO A APROVAÇÃO DO PRÓPRIO REI

Eu não acho que Ester retornou um único ou piscadela de flerte. Ela não quis desperdiçar todo o tempo que havia gasto na unção somente para ganhar a aprovação dos homens. Ela estava buscando a aprovação do próprio rei. Será que podemos dizer o mesmo da Igreja, a Noiva de Cristo? Temos crescido acostumados a vestir a unção de Deus para ganhar a aprovação da corte do Rei em vez do próprio Rei. Nos dias de Moisés, a unção era reservada para as coisas de Deus e carne santificada ou separada. Ungir qualquer outra coisa era pecado. Muitas pessoas desperdiçam a unção em carne não santificada e não arrependida para ganhar a aprovação do homem. Se a raiz for um coração orgulhoso, corrupto e não arrependido, a unção poderá fazer a carne apodrecida cheirar melhor somente por algum tempo.

Se você é um pregador, um professor, um líder de adoração, ou ocupar qualquer cargo de responsabilidade no corpo local, não desperdice a preciosa unção de Deus para buscar a aprovação do homem. Use-a para preparar a Noiva para o Rei.

O propósito da unção é unir Deus e o homem em santa comunhão. Moisés sabia a diferença entre a unção e a glória. Ele teve a unção de Deus. Ele conhecia a emoção de operar milagres, sinais e maravilhas por intermédio da unção. Moisés tinha uma boa coisa, mas pediu a Deus a melhor coisa. Ele disse: “Por favor, mostre-me Sua glória.” – (Êxodo 33:18).

Tenho de admitir, eu me sinto da mesma maneira que Moisés sentiu – apesar de nem se comparar o meu ministério com o dele. As evidências do poder de Deus na unção não mais são suficientes. Os dons, as bênçãos e provisões de Suas mãos são apreciáveis, mas eu quero mais. Eu O quero. Eu desejo ver Sua glória e habitar em Sua presença manifesta mais do que eu desejo as bênçãos de Suas mãos.

Como Moisés, temos a oportunidade de ir além da onipresença e da unção de Deus para ver a glória de Deus. Nosso espírito foi instantaneamente transformado em nova criatura pela Salvação, mas ainda precisamos fazer algo sobre nosso corpo manchado- de-pecado e nossa alma suja, antes que Deus possa nos expor a Sua glória resplandecente. O sangue de Jesus cobre nosso pecado e nos preserva da morte, mas isso não significa que somos particularmente atraentes para Deus, sem a cobertura da nuvem perfumada da adoração arrependida e quebrantada.

A GLÓRIA DE DEUS PAIRA POR TRÁS DA PORTA DE ENTRADA ENCHARCADA DE SANGUE DO ARREPENDIMENTO

Não era permitido a Moisés ver a glória de Deus até que sua carne tivesse morrido. Como mencionei repetidamente em Os caçadores de Deus, meu primeiro livro, o equivalente da morte no Novo Testamento é arrependimento. Podemos não gostar disso, mas a glória de Deus paira por trás da porta de entrada encharcada de sangue do arrependimento. Se quisermos entrar na glória manifesta da presença de Deus, teremos de passar através da porta chamada arrependimento. Gostamos de evitar o arrependimento dizendo que tudo foi resolvido no dia em que recebemos Jesus. Sim, o Senhor fez a parte d’Ele na cruz, mas você e eu ainda não terminamos. O arrependimento é uma necessidade diária e contínua na vida de todo discípulo de Cristo. Esta é a razão pela qual Jesus disse: “Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz (morra para si mesmo pelo arrependimento diário) e siga-Me.” – (Lucas 9:23). (Parênteses e maiúsculas acrescentados pelo autor). Gostamos de ocupar posições pomposas atrás de nossos púlpitos, apontar para o mundo sufocado com o pecado e ordenar que eles se arrependam. Será que um dia vamos aprender que nunca seremos capazes de forçar o mundo ao arrependimento – especialmente quando os mesmos problemas que existem dentro da igreja são os que existem no mundo? Estamos em pé numa falsa plataforma de hipocrisia que brevemente irá desmoronar. A Igreja não deve mais apontar na direção do arrependimento; devemos ir à frente do caminho com estilo de vida de arrependimento. Devemos abraçar o arrependimento como um corpo.

Deus usa Sua unção para nos treinar, limpar, curar e preparar para Sua presença manifesta de maneira semelhante à que os empregados do rei prepararam Ester para o rei da Pérsia. Finalmente, a unção nos leva de volta ao altar de Deus e ao lugar de arrependimento. O arrependimento, por sua vez, pode introduzir a própria glória de Deus.

A UNÇÃO É SOBRE NÓS; A GLÓRIA É SOBRE ELE

Se você é ungido, vai pregar melhor, orar melhor, ministrar melhor e adorar melhor e com maior liberdade, mas este não é o maior propósito de Deus. A unção é totalmente sobre nós, mas a glória é totalmente sobre Ele. A unção se refere ao que Ele derrama, unge ou coloca sobre nós para nos ajudar a fazer Sua vontade. Às vezes, ela age como um “perfume” para nos preparar para a intimidade, como no caso de Ester. Quando a unção de Deus repousa sobre você, ela faz com que tudo que você faça seja melhor. Não importa se você prega, canta, testemunha, profetiza, ora ou ministra aos bebês. Quando a unção vem sobre você, ela habilita seus dons, talentos e chamados com o poder de Deus. No entanto, isto ainda é a unção e ela repousa sobre a carne.

A glória é diferente. Quando a glória de Deus vem, você repentina e claramente entende por que Deus disse: “a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.” – (1 Coríntios 1:29). Uma tradução mais literal dessa passagem pode ser: “Nenhuma carne se glorie ante a face de Deus.” Eu posso testemunhar por experiência pessoal e provar pelas Escrituras que no momento em que a glória vem, sua carne não consegue fazer nada. Você já percebeu que sempre que as pessoas têm um “encontro com Deus” na Bíblia, elas geralmente terminam com o rosto em terra? Isto é porque eles não tiveram realmente uma escolha. A diferença entre a unção de Deus e a glória de Deus é como a diferença entre uma pequenina faísca azul de eletricidade estática e a força bruta de uma linha aérea de 440 volts de força ou uma descarga de raio sobre sua cabeça. Estamos tão ocupados esfregando nossos pés no carpete das promessas de Deus e dando uns aos outros pequeninas chamas azuis de unção que não percebemos que Deus quer nos sacudir com Sua linha de glória de 440 volts do Céu. O primeiro pode emocioná-lo um pouco, mas você sente que o último pode matá-lo ou mudar sua vida para sempre.

A UNÇÃO POR SI MESMA NÃO FARÁ O SERVIÇO

Eu amo a unção de Deus e me sinto grato por todo dom bendito que Ele nos deu. Ainda assim, estou convencido de que a primeira escolha de Deus é que busquemos por Sua face generosa em vez de Sua mão de unção. Tenho passado a maior parte da minha vida na igreja (múltiplos cultos, até cinco dias por semana, desde a infância). Pessoalmente, já tive pregações e cânticos ungidos o suficiente para durar por duas vidas. É bom e emocionante, mas eu tenho de lhe dizer que a unção por si mesma não fará o serviço. Devemos ter a presença manifesta do próprio Deus à mostra para o mundo.

DEUS QUER UMA IGREJA QUE TENHA OLHOS SOMENTE PARA ELE

A falha em discernir entre o bom e o melhor pode nos levar a realizar negócios desiguais. Ester se recusou a negociar a aprovação de piscadinhas dos homens na corte do rei em troca do favor do próprio rei. Como resultado, o rei disse a Ester bem na frente do seu (de Ester) inimigo (A.D. da revisora): “Qual é a tua petição? E se te dará. Que desejas? Cumprir-se-á, ainda que seja metade do reino.” – (Ester 5:6). Deus está procurando por uma Igreja-Noiva que tenha olhos somente para Ele. Então, Ele Se regozijará em lhe dar a chave da cidade e a vida da nação.

Não cometa o erro de prostituir a unção para atrair o homem para que sua igreja possa crescer. Apenas diga: “Eu me importo mais com a presença d’Ele do que com Seus presentes. Eu dou mais valor à ‘glória’ do que ao crescimento.” Não, isto não é uma heresia. Minha Bíblia não tem sequer um único exemplo de Deus agindo preocupado com o tamanho de Sua Igreja. Se as coisas forem certas, você não tem de se preocupar sobre o crescimento da igreja. Apenas seja sério em buscá-Lo. Esteja perfumado com a unção e adore-O tão intensamente que você não se importe com quem esteja ou não no lugar.

Concentre-se no objetivo de escancarar os céus para contemplar Sua glória sobre sua cidade e nação. É fácil distinguir as igrejas que têm aprendido como enfocar a unção verticalmente para o favor de Deus ao invés de horizontalmente na direção dos homens. Basta olhar as pegadas cheias da glória de Deus direcionando para as suas portas.

Estas tiveram uma visitação.

 

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.