A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

POSITIVO E SEMPRE AVANTE

Há evidências de que uma vida social e psicológica feliz, comprometida e satisfatória não é apenas fruto da boa saúde, mas o que leva à longevidade

Positivo e sempre avante

Todos nós provavelmente já experimentamos ter um dia agradável e produtivo e, ao retornar para casa, ser acometidos por uma sensação de vitalidade e bem-estar. Agora, imagine uma sequência de dias assim, durante toda uma vida, marcados por diversas emoções positivas. O resultado? Provavelmente você viverá melhor e por mais tempo. Longevidade é a longa duração de uma vida significativa e vigorosa, segundo a definição adotada por cientistas, médicos e pesquisadores. Ela pode estar relacionada a uma variedade de fatores, incluindo hereditariedade, gênero, status socioeconómico, nutrição, apoio social, assistência médica e características de personalidade e comportamento. Esses fatores podem operar ao longo ou em fases específicas da vida. Por isso, atualmente os especialistas dizem que acabou o tempo em que envelhecer significava “murchar” para a vida. Hoje, a perspectiva de os adultos chegarem aos 100 anos é a maior em toda a história.

Qual será, então, o segredo? Inúmeros cientistas estão tentando descobri-lo e já chegaram a algumas conclusões importantes. Um estudo clínico publicado nos anos 2000 pelo periódico Mayo Clinic Procedings com 839 pacientes mostrou que as pessoas otimistas tiveram uma expectativa de vida 19% maior. Já um estudo holandês realizado com quase 1.000 pessoas entre 65 e 85 anos mostrou que a maioria das cansas de mortalidade foi reduzida entre os otimistas. Uma possível explicação, segundo os pesquisadores, é que as pessoas otimistas talvez sejam mais capazes de enfrentar adversidades e talvez sejam mais capazes de cuidar de si próprias quando ficam doentes.

Contudo, só o otimismo não explica tudo: um estudo de Ohio com 660 pessoas com mais de 50 anos mostrou que, após 23 anos, aqueles que encaravam o envelhecimento como uma experiência positiva viveram em média 7,5 anos a mais. Por fim, em um estudo dinamarquês com 3.966 gêmeos de 70 anos ou mais, o bem­ estar subjetivo, avaliado em uma escala afetiva de três pontos, previu aumento da longevidade. Avaliar a própria vida positivamente é um motivador potente para uma vida longa e de qualidade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade. Será que estamos, então, buscando apenas viver sem doenças ou perseverando para termos bem-estar de forma plena e constante?

Para que seja possível alcançar uma vida longeva, portanto, não basta simplesmente não estar enfermo, mas também possuir um alto nível de bem-estar subjetivo (subjetive well-being). Ele tem a ver com o modo como as pessoas avaliam suas vidas, com base em julgamentos relacionados à satisfação pessoal e avaliações baseadas na qualidade de sentimentos e emoções. Quando as pessoas sentem um humor triste ou uma emoção alegre é porque percebem que suas vidas estão indo mal ou bem. Evidências indicam que um alto bem-estar subjetivo (pontuado por índices como satisfação com a vida, ausência de emoções negativas e presença de emoções positivas) causa melhor saúde e, adivinhe: longevidade.

Assim, se um alto bem-estar subjetivo é capaz de propiciar a adição de 4 a 10 anos de vida em comparação a um baixo bem-estar subjetivo, no mínimo esse é um resultado digno de atenção. Quando se considera que os anos vividos por uma pessoa feliz são mais agradáveis e experimentados com uma saúde melhor, a importância dos achados do bem-estar subjetivo e da saúde positiva torna-se ainda mais relevante.

Nesse sentido, entre os estudos de longo prazo mais conhecidos que mostraram a possível ligação entre ativos psicológicos positivos e resultados de saúde está o famoso “estudo das freiras”. De acordo com essa pesquisa longitudinal, publicada no periódico Journal of Personality and Social Psychology, um grupo de freiras católicas que eram parte das Irmãs da Escola de Notre Dame, nos Estados Unidos, escreveu ensaios autobiográficos quando tinham uma média de 22 anos de idade e se juntaram à Irmandade. Seis décadas depois, os pesquisadores que acessaram o arquivo do convento analisaram o conteúdo emocional de 180 ensaios em termos de positividade e investigaram se isso tinha alguma ligação com a mortalidade das religiosas, quando as mesmas respondentes atingiram idades entre 75 e 95 anos.

De fato, o conteúdo emocional positivo foi significativamente relacionado à longevidade. As freiras que expressaram mais emoções positivas em seus ensaios, surpreendentemente, viveram em média 10 anos a mais do que aquelas que expressaram menos emoções positivas. Em outras palavras, as freiras mais felizes viviam mais que as freiras menos felizes (mas não deprimidas). Isso aponta para a necessidade de repensarmos a forma como encaramos o conceito de “saúde” se quisermos estar preparados para viver longamente e com qualidade de vida. No Brasil, o processo do envelhecimento é um dos mais rápidos do mundo. Em 2000, a proporção de pessoas com mais de 60 anos era de 9% da população. Em 2050, deverá ultrapassar 29%. O que significa que daqui a três décadas nossa população estará mais envelhecida do que a de qualquer outro país, com exceção do Japão. O envelhecimento é um tema de imensa importância não só para o indivíduo, mas também para toda a sociedade, inclusive para a economia. Não se trata apenas de viver mais. Trata-se, principalmente, de viver mais e melhor. A longevidade, portanto, não é uma utopia. Seja qual for a sua idade, você pode começar a construir agora mesmo os pilares para uma vida mais positiva, longa e saudável.

 

FLORA VICTÓRIA – é presidente da SBCoachng Training, mestre em Psicologia Positiva Aplicada pela Universidade da Pensilvânia, especialista em Psicologia Positiva aplicada ao coachng. Autora de obras acadêmicas de referência. Ganhou o título de embaixadora oficial da Felicidade no Brasil por Martin Seigman. É fundadora da SBCoachng Social

 

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.