ALIMENTO DIÁRIO

A CASA FAVORITA DE DEUS

A Casa Favorita de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 6 – NUNCA CONFIE EM ALGUÉM “QUE NÃO ANDE MANCANDO”

 

LUTANDO COM O DESTINO DIVINO

O povo de Deus precisa de mais do que outra “boa reunião” que cause arrepios de alto abaixo em sua espinha. Precisamos de um encontro com Deus que nos deixe mancos! Somos os Jacós que irão agarrar a manifestação visível de Deus e lutar com nosso destino até que sejamos mudados. Quem vai segurar Deus e dizer, “não o deixarei ir até que Você me abençoe”?

Ficando ele só; e lutava com ele um homem, até ao romper do dia. Vendo este que não podia com ele, tocou-lhe na articulação da coxa; deslocou-se a junta da coxa de Jacó, na luta com o homem. Disse este: Deixa-me ir, pois já rompeu o dia. Respondeu Jacó; Não te deixarei ir se me não abençoares. – (Gênesis 32:24-26).

Muitas pessoas ficam se perguntando como Jacó podia usar linguagem tão imprópria e impertinente com o Deus Altíssimo.

Eu acredito que Jacó, “o segurador de calcanhar”, usou a única terminologia que ele conhecia. Ele pode ter se tomado um patriarca, mas não era um teólogo. O povo apaixonado irá buscar desesperadamente o que os instruídos dizem que não pode ser conseguido. Jacó sabia o que era uma bênção porque se lembrava do que aconteceu quando seu pai colocou a mão sobre sua cabeça: “Tudo que eu sei é que a bênção do meu pai mudou minha vida e tornou as coisas diferentes, e tenho de ter algo como aquilo novamente. A única concepção que tenho para essa mudança é chamá-la de uma ‘bênção’, então me toque. Eu tenho de ter isso. Já tive uma bênção na perspectiva terrena. Agora eu preciso de uma na perspectiva espiritual. Eu não vou deixá-Lo ir até que me abençoe.”

ISTO NÃO É NENHUMA CELESTIAL “LUZ AZUL ESPECIAL ”

Muito frequentemente, nos aproximamos de Deus com uma mentalidade de desconto de loja. Não importa se fomos até Ele por avivamento, cura física ou uma bênção financeira. Esperamos conseguir o que queremos com o preço mais barato no menor tempo possível. Eu não sei quanto a você, mas eu nunca vi Deus fazer coisas desta maneira. Gostamos de fazer fila com nossas listas de orações e petições como se tivéssemos achado alguma “oferta de luz azul” celestial. Então dizemos: “Abençoe-me.” Eu tenho começado a orar para que Deus não responda segundo nossos exatos pedidos, mas de acordo com nossa necessidade. Sabemos o que queremos – mas será que sabemos o que precisamos?

O nome de Jacó literalmente significa “usurpador” ou “enganador.” Ele foi um enganador durante toda a sua vida. Um enganador que roubou a primogenitura do seu irmão mais velho e a bênção do seu pai. Dizer que ele não era confiável seria provavelmente uma subestimação. Ainda mais que Jacó veio de uma boa família. O filho de um dos homens mais famosos da história. Ele cresceu “na igreja” porque Abraão e Isaac tinham passado a seus filhos as histórias de seus encontros com Deus. Jacó tinha um chamado na sua vida e um destino divino a cumprir, mas ele não era confiável em seu presente estado. Tudo aquilo estava para mudar com um encontro.

Perguntou-lhe, pois: Como te chamas? Ele respondeu: Jacó. Então, disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste. Tornou Jacó: Dize, rogo-te, como te chamas? Respondeu ele: Por que perguntas pelo meu nome? E o abençoou ali. Àquele lugar chamou Jacó Peniel, pois disse: Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva. – (Gênesis 32:27-30).

Após uma ou duas horas de luta e esforço para ganhar vantagem, Jacó provavelmente se sentiu bastante confiante que iria receber a bênção. Acredito que ele tenha pensado consigo mesmo: “Bem, em algum momento, este ser angelical com o qual estou lutando, esta manifestação de Deus dirá: ‘Tudo bem, tudo bem, eu o abençoarei. Agora, ajoelhe-se aqui e eu colocarei minhas mãos sobre sua cabeça’.” Havia uma surpresa guardada para ele.

NÃO ABENÇOE MINHA VIDA ATRAPALHADA; DÊ-ME UMA NOVA VIDA

Jacó não precisava de outra bênção em sua vida estragada, mas necessitava de uma vida nova. Por isso, o Senhor não estendeu o braço com uma de Suas mãos aberta de bênção. Em vez disso, Ele dobrou Seu punho e bateu na coxa de Jacó com tanto poder que lhe deslocou a junta da coxa e lesou permanentemente o seu ligamento. Como resultado Jacó mancou o resto de sua vida.

Quando o irmão mais velho de Jacó, Esaú, finalmente avistou Jacó e o viu cocheando, ele provavelmente pensou: Este não é o mesmo Jacó que roubou a minha primogenitura. Ele nem mesmo anda como antes. Há humildade no seu andar; há uma nova ternura nele. Ele está diferente. Eu não posso matá-lo; aquele é o meu irmão. Ele queria matar o velho irmão, mas ele abraçou o novo Jacó. Se “abraçarmos” o ego morto e arrependido, aqueles que antes nos odiavam verão uma nova versão de nós.

Jacó provavelmente queria uma bênção que iria fazer seu enraivecido irmão mais velho submisso a ele, mas Deus o abençoou de uma maneira diferente. Ele o mudou para que seu irmão gostasse dele. É hora de a igreja mudar também.

A Igreja tem vivido pomposamente, arrogante pelas calçadas do mundo, com dedos apontados de incriminação em cada direção dizendo a todos para “consertar”. Ao mesmo tempo, temos uma trave projetando-se para fora do nosso olho com mais de 1 km de tamanho. É hora de dizermos: “Deus, eu não sei se Você vai produzir uma bênção ou uma mudança, mas alguma coisa tem de acontecer. Ensine-nos como construir tronos de misericórdia ao invés de tronos de julgamentos.”

ESTOU CANSADO DE SER TOCADO, MAS NÃO MUDADO

Precisamos ter encontros com Deus que nos deixem mudamos para sempre. Estou cansado de ir para igreja e ser tocado, mas não mudado. Devemos nos trancar na presença de Deus e dizer: “Eu não vou deixar Você ir até que algo aconteça dentro de mim e eu nunca mais seja o mesmo.”

Este é o tipo-de-mudança-de-Deus que permanentemente fere o velho homem e as velhas maneiras de fazer as coisas. Ela causa a morte de algo em nós, que marca uma mudança para melhor. As pessoas deveriam nos ver aproximando com um novo mancar, uma nova ternura nascida do dia que perdemos nossa luta de competição com Deus. Isso deveria fazer as pessoas dizerem: “Eu gosto daquela pessoa. Ela não está falando de uma posição de pomposa arrogância; ela fala como se soubesse como é vir lá de baixo.” E por isso que o meu lema é: “Nunca confie em alguém ‘que não anda mancando’.”

TODOS OS AVIVADORES TÊM LUTADO

Duncan Campbell do Hebrides revival fame (Fama do avivamento Hebrides) sabia como era “lutar com o destino e perder”. Ele disse:

Vou lhes dizer como o avivamento Hebrides começou. Ele, na verdade, não iniciou comigo aparecendo para pregar em alguma enorme convenção. Começou em meu estudo. Anos antes, fui parte do que eles chamavam Movimento Missão de Fé (Faith Mission Movement), na Inglaterra. Antes de eu me casar, pedalei minha bicicleta por toda Inglaterra espalhando o evangelho, pregando e praticando da melhor maneira que eu sabia. E aquele foi o começo dos grandes dias. Aquele foi o leito das sementes de tudo que eu consequentemente me tornei. Naquele processo, decidi voltar para a escola e prosseguir minha educação. Saí no topo da lista do reitor e comecei a ser reconhecido como o Justo Reverendo Duncan Campbell.

Campbell se tornou o pregador mais famoso da Inglaterra naquele tempo. O evento auge do mundo da igreja inglesa era uma conferência nacional anual chamada Keswick Week. Ela ainda acontece hoje, apesar de não ser tão grande como era. Somente os melhores e mais brilhantes eram convidados para falar na Keswick Week, e o Justo Reverendo Duncan Campbell era o pregador-chave desta conferência, ano após ano. Então, um comentário oportuno feito por sua filha adolescente lançou-o em um debate com Deus que mudou seu ministério – e as ilhas Hebrides – para sempre.

POR QUE DEUS NÃO USA MAIS VOCÊ COMO ANTES?

Duncan Campbell tinha em torno de 45 anos e havia entrado no que pensou ser seu auge. Estava trabalhando em seus sermões de estudo preparados para outra Keswick Week, quando sua filha de 15 anos entrou para vê-lo. Filhas são conhecidas pela habilidade de falarem a verdade sem realmente saberem o impacto do que estão dizendo. (A maior parte das coisas que aprendi de Deus, pessoalmente aprendi por intermédio das minhas filhinhas!) À medida que Duncan Campbell e sua filha conversavam, ela lhe fez esta pergunta: “Papai, por que Deus não te usa como Ele costumava usar?”

Campbell disse ao meu amigo inglês Alan: “Isso foi como me jogar um balde de água fria, pois achei que estava no auge. Quando ela me fez aquela pergunta, eu preparava sermões que afetariam toda a Inglaterra, ou assim eu pensava. Então, abaixei minha caneta e perguntei a ela: ‘Minha querida, o que é que você quer dizer?’ Ela respondeu: ‘Papai, você me contou as histórias sobre o que costumava acontecer quando você trabalhava no Movimento Missão de Fé (Faith Mission Movement). Por que Deus não faz mais aquilo com você?’ Elaborei algumas fracas desculpas e tentei falar sobre isso teologicamente para que não perdesse a pose diante da minha filha” – ele disse. “Mantive minha compostura… até que ela deixou a sala. Quando ela saiu, cai sobre o s joelhos e disse: ‘Deus, ela está certa.’ Com o rosto no carpete, chorei lágrimas quentes e disse: ‘Deus, se Você me der de volta o que eu tinha, eu farei o que Você me disser para fazer.’ Três semanas mais tarde, estava assentado no púlpito em uma conferência. Já tinha pregado e estava agendado para falar novamente. Então, Deus falou comigo: ‘Levante-se e vá para as ilhas Hebrides, para a Ilha de Lewis’.”

SE VOCÊ FOR, EU LHE DAREI

Campbell continuou: “Eu disse: ‘Deus, estou agendado para falar.’ E Ele me falou tão claramente como jamais O ouvi dizer outra coisa: ‘Duncan, no chão de sua sala de estudos, você Me prometeu que faria qualquer coisa que Eu lhe pedisse se Eu lhe desse de volta o que você tinha. Se você for, Eu lhe darei.”’

Duncan Campbell deixou o púlpito imediatamente e se inclinou diante dos congressistas para dizer: “Sinto muito, algo ocorreu. Eu tenho de ir.” Em três dias ele estava na Ilha de Lewis. Quando saiu da balsa e perguntou pelo pastor, o povo da cidade respondeu: “Não há pastor. Há somente três igrejas aqui; duas estão fechadas e uma tem reunião de senhoras idosas com o carteiro. Mas se você está procurando um homem religioso, é o carteiro a quem estará procurando.”

O carteiro era um ancião que basicamente mantinha na igreja as coisas juntas e servia como um pastor provisório. Duncan Campbell encontrou a casa do carteiro e bateu na porta, não sabendo o que esperar. O carteiro abriu a porta e imediata’ mente disse: “Oi! Senhor Campbell, você chegou bem na hora. Temos exatamente o tempo suficiente para um chá antes que a reunião comece esta noite.” Durante o chá, ele explicou: “As senhoras e eu temos orado, e Deus nos falou que você estava vindo. Seis semanas atrás, imprimi pôsteres anunciando que as reuniões começariam nesta noite.” Campbell disse ao meu amigo inglês: “Comecei a perceber, então, que Deus na realidade não precisava de mim. Ele já tinha preparado tudo isso, mas, na verdade, Ele me queria.”

Duncan Campbell lutou com Deus sobre o seu destino. Levantou do seu carpete manchado de lágrimas um homem transformado. Somente um homem “coxo” poderia ser confiável naquilo que mais tarde seria chamado “Novo Avivamento de Hebrides”. Esse avivamento nos deu um vislumbre do que poderia acontecer se Deus descesse sobre uma região inteira! Milhares vieram a Cristo sem ouvir sequer um sermão, sem ouvir um único pregador ou colocarem os pés dentro de uma igreja! E isto aconteceu aproximadamente há um século, época de pequena disponibilidade da mídia para alcançar as massas. Este lacônico e quebrantador avivamento espalhou-se por uma região inteira e foi nada menos que puramente milagroso. Ele começou nas orações quebrantadas de adoradores persistentes e lançou-se no coração de Duncan Campbell no dia em que ele lutou com Deus e perdeu.

JACÓ DEIXOU A LUTA COM UM TROFÉU PERMANENTE DE SUA DERROTA

Quando Jacó perdeu sua luta com Deus, ele foi transformado de um homem que estava inapto para levar o número um de qualquer maneira que pudesse, em um príncipe do povo escolhido de Deus. Ele lutou com Deus por seu destino e deixou a luta com um troféu permanente de sua derrota. Era a luta que ele necessitava perder para seu próprio bem. Ele precisava de uma mudança para caminhar continuamente no destino que Deus lhe ordenara. A igreja precisa de uma mudança também.

Se vamos subir para o próximo nível, devemos transferir nossa ênfase das mãos de Deus para Sua face. Eu viajo tanto que, particularmente, valorizo o tempo que passo com meus filhos. Certa vez, quando minha filha mais velha tinha seis anos, cheguei em casa e me assentei na cadeira reclinável. Então, ela veio e subiu no meu colo. Estava cansado, lendo jornal ou assistindo as notícias na televisão, mas ela estava determinada a receber a minha atenção. Então, esticou seus dedinhos gorduchos de seis anos de idade e agarrou meu rosto. Naquele tempo, ela ainda tinha um pouco do cecear22 infantil e, virando meu rosto, disse: “Paizinho, olha pra mim.”

Então ela simplesmente me sufocou em beijos, e eu lhe dei um abraço antes de tentar voltar para o meu jornal. Mais uma vez ela disse: “Paizinho, olha pra mim!”, até finalmente conseguir minha atenção. Após quinze minutos de beijos e incríveis carícias de minha filhinha de seis anos, ela finalmente derreteu meu coração. As crianças geralmente querem algo quando agem assim. Então, eu lhe dei um grande abraço e perguntei:

“Andréa, o que você quer?” Ela disse: “Nada. Eu só quero você, paizinho.” Eu lhe dei um pouco mais do meu amor e, então, ela simplesmente esfregou meu rosto com suas mãozinhas e olhou para mim com aqueles grandes olhos castanhos enquanto virava sua cabecinha para o lado. Ela selou isso tudo sorrindo e dizendo: “Eu te amo, papai.”

“Está bem, o que você quer?” – eu disse pensando que se aquilo durara tanto é porque era algo grande. Por três vezes, eu perguntei: Ό que você quer?” E, a cada vez, ela respondeu: “Nada paizinho, eu só quero você!” Finalmente, eu disse a Andréa: “Está bem, entre na ‘van.” Nós nos dirigimos para a cidade e eu disse: Ό que você quer garotinha?” Mais uma vez, ela respondeu: “Nada paizinho, eu só quero você.” Então, ela desceu na frente de uma loja de brinquedos muito famosa e seus olhos se iluminaram. Naquela hora, meu coração já estava tão derretido que tudo que eu queria era dizer: “Ok, garotinha, diga-me somente qual metade da loja você quer. Você pode ter aquela metade ou a outra, não importa.” Eu disse: “Escolha o que você quiser!”

HÁ ALGUÉM AQUI QUE SIMPLESMENTE ME QUEIRA?

Sabe o que ela escolheu? Uma pequena garrafinha de bolhas de sabão com uma varinha redonda que você sopra através dela para fazer bolha. De repente, ficou claro que ela, de fato, não queria nada. Ela somente me queria! E porque somente me queria, eu teria lhe dado qualquer coisa. Quão frequentemente, vamos aos cultos para apresentar nossas petições, profetizar isto e dizer aquilo, enquanto Deus diz: “Há alguém aqui que simplesmente Me queira?”

O nível mais alto de adoração é quando colocamos as mãos d’Ele de lado e buscamos Sua face! Sua face significa Seu favor. Nos tempos bíblicos, quando o povo não virava o rosto na sua direção, aquilo significava que você era aceito na presença dele, mas não tinha o seu favor. Absalão viveu em Jerusalém por dois anos sem ver seu pai ou estar diante da face do rei. – (Veja Samuel 14:28). Ele podia viver na cidade, mas não, entrar na sala do trono.

É possível viver no Reino e não ver a face d’Ele – usufruir a infraestrutura da cidade, a proteção dos bombeiros, da polícia -, mas não ter o favor do Rei. Por quanto tempo a Igreja tem deixado de buscar o verdadeiro favor de Deus? Temos vivido no Reino, reivindicando o que é nosso, e conseguimos! Como o Pai atendendo ao pedido egoísta do pródigo, Ele lhe deu sua porção, sabendo o que ele ia fazer com isso. É um abuso de bênçãos tirar das mãos do Pai para financiar sua jornada para fora da Face do Pai – colocando a ‘‘bênção’’ acima do “abençoador”!

Devemos amadurecer a ponto de dizer: “Não é Sua mão.” – e colocar as mãos d’Ele de lado para buscar Sua face e dizer: “Eu serei um servo” e “Eu só quero estar onde Você está.” Então, nosso louvor não será mais um autosserviço para conseguir algo; ao invés disso, começaremos a Lhe dar verdadeiramente tudo. Ao invés de “abençoe-me”, se tornará “Bendito seja Ele!” Não mais daremos para receber, mas distribuiremos por paixão.

Há uma mudança chegando, e para aquele tipo de pessoas apaixonadas, Ele dará o anel da autoridade e a veste de bênção. Ele sabe agora que eles não vão desperdiçar o relacionamento deles buscando Sua mão em vez da Sua face. Deus também está determinado a mudar a maneira pela qual “temos igreja”. Presença acima de presentes! Ele anseia pelo adorador que buscará o “Doador” mais do que os “presentes”! Você é essa pessoa? Você v um restaurador da casa favorita de Deus?

PAPAI, VOCÊ PODE SENTAR ONDE QUISER

Certa vez, eu estava fora de casa quando liguei para falar com minha filha mais nova, Andréa. Eu disse: “O que você está fazendo, garotinha?” Ela respondeu: “Estou brincando de festa do chá, papai.” E eu lhe disse: “Prepare um lugar para mim agora e faremos de conta que eu estou aí e tomaremos chá.” “Eu já fiz isso.” – ela replicou. “Bem, onde eu estou sentado?” Eu perguntei e ela respondeu: “Bem, eu não sabia, então preparei cinco lugares para você.” Aquilo derreteu meu coração.

Quanto tempo faz desde que a Igreja era tão desesperada por Ele que simplesmente dizíamos: “Pai, Você pode sentar onde quiser. Aqui, ali, não importa. Somente venha.” Eu respondi à minha filha: “Quando chegar em casa, papai vai brincar de festa do chá com você.”

Tudo isso aconteceu no meio do verão em Lousiana quando a temperatura alcançava 35°C na sombra e 95% de umidade. A casinha de brinquedo de plástico de Andréia estava no quintal, bem no sol quente. No minuto que entrei pela porta com as malas nas mãos, Andréia estava dizendo: “Venha, papai.” Eu ainda nem havia desarrumado as malas, mas precisava cumprir uma promessa. Era hora de o papai ir brincar de festa do chá.

A casinha de brinquedo dela era tão pequena que eu não tenho certeza se havia entrado ou a vestido. Minha cabeça estava sustentando o teto enquanto sentava no chão. Estava mal acomodado na casinha de brinquedo de Andréia, quando ela me deu uma pequena xícara com um comando: “Prove.” Estava com a mesa pronta esperando por mim. Assim, começamos a beber o nosso chá imaginário. Ela pegou uma xícara e disse: “Aqui, papai.” Então ela deu uma volta na mesa: “Aqui, Dolly.

E esta é para mim.” Então, ela se assentou e “bebemos” juntos. Andréa me perguntou: “Está bom?”

“Ahhh sim, está bom.” Mesmo suando no sol quente, bebericando o chá imaginário. Então, Andréa disse: “Aqui, coma alguns biscoitos.” (Eram biscoitos imaginários). Mais uma vez, ela perguntou: “Está divertido?” A verdade do fato é que eu estava em um estado deplorável, mas eu me encontrava com ela. Por isso era divertido. De modo que eu disse: “Sim, meu bebezinho, está divertido.”

Finalmente, Andréia disse: “Papai, está quente e eu sinto sede. Vamos até a casa grande pegar algo para beber.” Eu disse: “Vamos, filhinha.” Eu a levei até a casa grande e a assentei à mesa de verdade. Servi um pouco de chá gelado de verdade e me assentei lá com ela. Então ela me disse: “Agora, esta é uma verdadeira festa do chá.” Temos brincado de festa do chá em nossas casinhas de plástico também, só que chamamos isso de “ter igreja”. Estamos forçando Deus a estar confinado dentro de nossas limitadas estruturas de casas de brinquedo enquanto O alimentamos com louvor e adoração faz- de- conta. Então, olhamos para Ele e perguntamos: “Não estamos nos divertindo?”

PAPAI, ESTAMOS CANSADOS DE JOGAR JOGOS FEITOS POR HOMEM

A resposta dele é “sim”, mas isto somente porque Ele fará qualquer coisa para ter comunhão conosco. Ele até mesmo aprisionará Sua força (Salmos 78:61) para vir Se assentar conosco porque quer desesperadamente que estejamos com Ele. Mas, na verdade, Ele espera que digamos: “Papai, estamos cansados de brincar de jogos de igreja feitos por homem. Você nos levaria à casa grande para termos comunhão verdadeira?”

Estou cansado de chegar da igreja com nada mudado. Eu preferiria voltar mancando de um encontro com Deus ao invés de saltando – somente para meu destino ser diferente.

Você pode não gostar de sentimento de frustração, mas precisa entender que algumas frustrações são santas assim como certas fomes são santas; foram estabelecidas por Deus para produzir algo. Eu não disse isto; Ele disse; “Bem aventurados os que têm fome e sede.” – (Mateus 5:6).

Fome santa e frustrações santas podem produzir uma luta alteradora de destino. Você deveria experimentar perder essa luta… mas não até que esteja marcado pelo toque de Deus. O toque de Deus paralisou permanentemente o tendão da coxa de Jacó – tanto que os judeus não comeriam o tendão “de Jacó” de nenhum animal. O código de dieta hebraica proíbe comer criaturas que morreram. Deus pôs um toque de “morte” na vida de Jacó para assegurar seu futuro. Carne morta frequentemente produz destino futuro. Seu programa deve morrer para que o propósito de Deus viva.

Eu acredito que estamos tão cheios de carreiras, agendas e maquinaria feita pelo homem que temos perdido a simplicidade da presença manifesta de Deus. Precisamos desesperadamente aceitar o lema de João Batista e colocá-lo para funcionar em nossa vida: “É necessário que Ele cresça e eu diminua.” — (João 3:3 0). E tempo de gritar pelos Jacós que têm crescido tão cansados de si mesmos que vão lutar contra o seu destino até serem tocados por Deus – ainda que vão para casa permanentemente mancos e com uma eterna mudança de coração.

Mude meu coração, ó Deus! Mude meu caminho, eu oro! Toque-me com Tua vara…

Para que eu vá pelo Teu caminho.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.