A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ANGÚSTIA: A PATOLOGIA DA VIDA PÓS-MODERNA

A sociedade contemporânea mudou o perfil do homem, e a Psicanálise é um caminho no qual o sujeito busca alternativas para aliviar suas dores e criar uma responsabilidade por si e também pelos outros

Angústia - a patologia da vida pós-moderna

A sociedade pós-moderna vem se transformando de uma forma galopante. O homem que a opera é um ser tomado pela sua própria ânsia de sempre se superar e está sentindo na pele os reflexos de sua criação. De um lado tem-se o avanço científico e tecnológico, que facilita a vida do homem, e de outro lado tem o dilema de ter que enfrentar os efeitos colaterais de sua própria criação.

Hoje, as pessoas se deparam com uma sociedade narcísica, onipotente, onipresente, onisciente, centrada no modelo do capitalismo selvagem, que está deixando o sujeito suspenso no estado de desamparo, pois acabou por centrar-se apenas em si mesmo, esquecendo de que existe um outro que é essencial em uma relação entre humanos. As mudanças contínuas que acontecem no mundo estão definindo o modo de ser do homem pós-moderno.

Freud, criador da Psicanálise, em sua obra memorável de 1930, coloca que o homem tem sua própria natureza de lidar com o “mal-estar da civilização”, e a forma de amenizar esse estado está centrada no estabelecimento de relações saudáveis entre os seres, que começam com as relações parentais.

Para que haja uma constituição psíquica saudável é preciso um modelo familiar equilibrado, pautado no afeto amoroso, no amparo e na lei que interdita a demanda de gozo infindável do infante. A criança nasce totalmente dependente de um adulto, este que mantém sua sobrevivência, e daí surge a constituição psíquica que se dá na primeira infância (0 a 9 anos). Isso significa que a criança precisa de uma relação afetiva que a ampare, proteja e signifique o mundo interno e externo. E nesse processo é necessário que o adulto imponha limites que protejam a criança, garantindo sua evolução física e psíquica. É o sujeito adulto que faz isso, nenhuma outra coisa substitui essa relação. Mesmo havendo o estabelecimento desses laços, as pessoas estão fadadas a lidar com as frustrações, com a dor, com a incompletude; nas relações humanas, algo sempre escapa, pois todos são seres culturais.

A cultura impõe suas condições, ninguém fica fora dela. Pode-se observar esse movimento ao longo da história da humanidade. Por exemplo, pode-se citar o modelo da sociedade vitoriana, que predominou até o início do século XX, que era um modelo de sociedade repressora, impunha valores morais rígidos, fundados no poder patriarcal. A sociedade era organizada de uma forma vertical, pois a lei maior era do “pai”, e não podia ser questionada. Essa organização social deixou seus rastros registrados nas neuroses (histeria, neurose obsessiva e fobias).

Hoje, houve uma ruptura com o modelo vitoriano. As mudanças vêm ocorrendo desde os anos 1960, abrindo novos vértices para a constituição da sociedade pós-moderna, que se pauta na liberalidade sexual, social, política e cultural da vida moderna. A modernidade impõe suas condições ao sujeito, cuja principal característica foi o individualismo. Nesse modelo o outro foi perdendo espaço e consistência, a relação interpessoal ficou diluída, liquidificada. O homem modelo é o da consciência, herdeiro do cartesianismo e do discurso das ciências. Ele se empodera do conhecimento e traz a tecnologia como instrumento de transformação.

Freud surge nessa época, anunciando que o ser não é o da consciência, é determinado por uma “coisa”, denominada inconsciente, que imputa suas ações. Ele diz que o homem é um ser de desejo e não da consciência. É uma mudança de paradigma na concepção do entendimento humano. A ideia do homem soberano, racional e detentor de todo saber é abalada. Freud anuncia que o comportamento do homem está atrelado a uma representação inconsciente que ele não domina. O movimento pulsional ultrapassa os limites da consciência, o que pode ser constatado pelos sintomas que trazem sofrimento, e este, se não consegue evitar. Esse movimento desejante é dinâmico e incessante e vai definir as características da vida pós-moderna.

O homem moderno empoderado do seu narcisismo traça o psiquismo da geração pós-moderna. Hoje, há uma busca infindável de realização de desejo. Desejo, para a Psicanálise, é diferente de vontade, é um impulso inconsciente que atende o princípio do prazer. Este, por sua vez, é insaciável, insólito, inefável. Não há limite para o gozo, tornando-o um processo mortífero que aprisiona. Essa é a característica da modernidade.

A sociedade pós-moderna se organizou horizontalmente. O poder do “pai” foi quebrado, a lei enfraquecida. Agora, os desdobramentos disso se dão pela falta de limite, incapacidade de lidar com as frustrações, desamparo, violência, empobrecimento da subjetividade e o esvaziamento interno pela falta de simbolização. É a sociedade robótica.

RELAÇÕES PARENTAIS

Psicanálise mostra que o sujeito é constituído a partir das relações parentais. Para tal é necessário que haja um adulto com afeto amoroso e uma lei que ampare e proteja esse infante. Freud denomina como uma lei primária de castração, que é primordial para que haja a organização subjetiva de um ser humano. Para que se tenha desejo é necessário que haja uma falta, e isso é o que a sociedade pós-moderna quer eliminar totalmente. Essa cultura prega que se pode ter todos os prazeres possíveis, ela fornece todos os objetos para o sujeito gozar, estão disponíveis no mercado, estão à mostra nas vitrines, nas esquinas, nas ruas; quem tem dinheiro compra, quem não tem tira de quem tem e compra. Se adoecer, também tem como comprar a cura, pois a doença está mercantilizada pelos laboratórios, que fabricam as pílulas mágicas. O consumo desenfreado, a flexibilidade das ideias e dos costumes, o pensamento fragmentado e automatizado, a falta de ideais políticos e sociais, a vulnerabilidade e o despreparo emocional abrem caminho para o desapontamento amoroso e criam uma onda de medo, dúvida e desamparo.

Esse modus operandi da pós-modernidade desfavorece a formação de laços saudáveis, instalando vínculos patológicos. Diante desse cenário, o homem depende cada vez menos do outro e instala a lei do vale-tudo. O afeto amoroso está cedendo lugar para o agressivo. Trata-se de uma sociedade que valoriza os meios e não os fins e, em consequência, os valores morais e éticos estão fragilizados e superficiais. As ofertas são infinitas para que o sujeito possa tapar os buracos deixados pelo esvaziamento da subjetividade.

A sociedade esvaziada de linguagem simbólica convoca o ato, e a objetivação ocupa o lugar da subjetivação – é o que se tem observado como sintoma da atualidade. O discurso está cedendo lugar para a imagem, para o imaginário, criando um terror sem nome que faz com que o sujeito vá para o ato para se aliviar do alto grau de angústia.

NO DIVÃ

A clínica psicanalítica está repleta de queixas referentes a mutilações, atitudes passionais, dependências químicas, consumismo, síndrome de pânico, explosões violentas, alto grau de somatizações físicas e mentais, podendo chegar no ponto máximo do ato, que é o suicídio. Recentemente, a mídia vem divulgando o jogo da Baleia Azul, no qual jovens entram em um jogo de morte, pois o máximo é tirar a própria vida. É, sem dúvida, algo preocupante, mas é preciso pensar que isso é apenas o reflexo da loucura social que está sendo produzida. Esse modelo convoca atos violentos, como morte, assassinatos e suicídios, pois acaba sendo a forma que se encontra para aliviar a dor da angústia, provocada pela impotência, da fissura, aniquilamento e falta de completude fusional dos amantes.

A sociedade está doente por falta de simbolização, de discurso de ética. É fundamental pensar novos vértices, que possam conduzir a vida humana a voltar-se para o processo de humanização. Para tanto, precisa-se de esforços interdisciplinares, pois o sujeito está acometido por comorbidades múltiplas, que favorecem a prevalência da pulsão de morte.

 RELAÇÃO SEGURA

Psicanálise é um processo terapêutico especifico, que tem como pilar o estabelecimento de uma relação segura e de confiança entre paciente e analista. Traduz-se pela transferência, pautada pela ética e conduzida pela técnica. Esse processo permite que o paciente tenha uma experiência singular e, no processo transferencial com o analista, vai encontrar um campo para se reinventar.

A transferência é um termo técnico que Freud utiliza para definir a relação paciente-analista. Nesse campo o paciente direciona para o analista as vivências de protótipos infantis experienciados com as figuras parentais. Como o inconsciente não tem tempo, espaço, limite, contradição, o analista pode trabalhar em tempo real os afetos ligados às figuras parentais, possibilitando que o sujeito faça uma reorganização psíquica.

A Psicanálise é um caminho que o sujeito pode buscar para aliviar sua dor e criar uma responsabilidade por si e pelos outros, além de novos segmentos da sociedade, como saúde, família, sociais, políticos etc. É preciso que as pessoas se movimentem no sentido de refletir sobre os danos causados ao homem, e buscar uma nova maneira de preservá-lo, porque sem o homem não se tem sociedade, não se tem nada. A sociedade está doente, sangrando, e é imprescindível união para curá-la.

OUTROS OLHARES

E ÀS CINZAS VOLTARÁS

A cremação deixou de ser tabu e é cada vez mais aceita no Brasil e em todo o mundo ocidental. Aqui, só no ano passado, houve aumento de 35%. Nos EUA, ela já é adotada pela maioria

E as cinzas voltarás

O que era impensável, cinquenta anos atrás tornou-se realidade sem que a maior parte da sociedade se desse conta: a cremação, procedimento que as pessoas viam com horror e a maioria das religiões condenava, é cada vez mais aceita no Ocidente. No Brasil, o número de crematórios aumentou 1000% nos últimos vinte anos; em apenas doze meses, entre 2017 e 2018, houve 35% mais cremações no país. “Não queria pensar no meu marido em lugar tão triste quanto um cemitério”, justifica a dona de casa Clinedora Montenegro, de Guaratinguetá – cidade do interior de São Paulo colada ao santuário católico de Aparecida -, explicando porque decidiu cremar José Sena, morto em decorrência de um câncer.

Um dos fatores da popularização no mundo ocidental de um procedimento comum no Oriente é justamente a mudança na maneira de encará-lo. O que antes era visto como crueldade, imagem reforçada pela revelação de que a Alemanha nazista sacrificou milhões de judeus em fornos crematórios, foi aos poucos sendo aceito como um método funerário digno e mais simples que o sepultamento tradicional No Brasil, contribuiu muito para isso o fato de a Igreja Católica deixar claro que cremar não é pecado, posição seguida pela maior parte das religiões (veja o quadro abaixo), Também sai mais barato. Os dois métodos partem de 3.000 reais em instituições particulares, no orçamento mais básico. Mas, enquanto cremar em alto estilo custa por volta de 9.000 reais, um enterro com tudo do bom e do melhor pode passar de 20.000 reais.

Contam ainda a favor da cremação a escassez de espaço nas metrópoles e até a correria da vida moderna. “Neste mundo acelerado, não há tempo de ficar remoendo a dor da perda”, diz José Carlos Rodrigues, antropólogo e professor da PUC-Rio. De acordo com o Sincep, o sindicato dos cemitérios e crematórios do Brasil, Porto Alegre é a capital onde a cremação é mais aceita – alcança 25% dos óbitos -, seguida de São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo estudo da Associação de Crematórios da Grã-Bretanha, entre 2017 e 2018 o número de crematórios subiu 22% no país, 55% no Canadá e impressionantes 45% na Alemanha, que superou um tabu de décadas. Nos Estados Unidos, crema-se (50,2%) mais do que se enterra desde 2016, e a previsão é chegar a 56% no ano que vem e a quase 80% em 2035.

Responsável pelo maior crematório da América Latina e o primeiro do Brasil, o da Vila Alpina, em São Paulo, Claudio Beluna explica que a cremação requer a assinatura de dois médicos-legistas (o sepultamento só exige um) e um intervalo de 48 horas depois da morte. Removidos todos os metais, a urna é transferida para dentro de um forno à temperatura média de 1.000 graus, suficiente para fazer evaporar as células do corpo e a madeira. “A ação dura cerca de duas horas. Componentes dos ossos que resistem ao calor são colocados em outro compartimento para ser triturados”, explica Alberto Benner Júnior, superintendente do Crematório do Cemitério da Previdência, no Rio de Janeiro. Os crematórios costumam oferecer uma sala para cerimônias com o caixão presente, projeção de vídeo e trilha sonora personalizada. Ao fim, a urna é removida por elevador ou esteira, com maior ou menor pompa.

O Crematório da Penitência, no Rio de Janeiro, dispõe de columbário, um ambiente climatizado com nichos individuais para as cinzas, que podem ser decorados com flores e objetos pessoais – uma espécie de túmulo sem corpo. Pode- se inclusive acessar o espaço pela internet a qualquer momento. No Estado de Washington, na Costa Oeste americana, uma lei recém-aprovada permite que, a partir do ano que vem, os mortos sejam encaminhados para “decomposição na superfície”, em espaços preparados para transformar corpos em material de compostagem (um processo que leva, em média, quatro semanas). É a morte, ela também, adaptando-se aos ditames da tecnologia e da proteção do meio ambiente.

E as cinzas voltarás. 2

GESTÃO E CARREIRA

AS OPORTUNIDADES NA CARREIRA

Uma graduação já não é certificação especial na trajetória profissional. O investimento no processo pessoal de administração emocional pode ser um tempero mais relevante nos dias atuais

As oportunidades na carreira

Quando ouvimos a palavra oportunidade associamos naturalmente a outra que, de fato, pouco tem a ver: sorte. Esse é um pensamento muito comum entre profissionais que observam outros em plena ascensão sem se dar conta dos fatores envolvidos no processo de crescimento no ambiente institucional e como isso pode ser possível se todos ao mesmo tempo só falam de crise em diversos setores.

Alguns pontos devem ser observados, e o primeiro deles é o preparo do profissional que deseja alçar voos mais altos. O investimento deve ser apenas na direção de aquisição dos conhecimentos técnicos necessários para uma determinada posição. Lógico que isso faz parte do processo, mas, nos dias atuais, uma graduação, apenas, não é certificação que garanta um brilho especial no currículo.

Dessa forma, o profissional precisa se especializar cada vez mais. A busca por cursos livres, pós-graduações e especializações diferenciadas pode fazer toda diferença na hora da escolha de um novo gestor na organização. No entanto, o investimento no processo pessoal de administração emocional provavelmente é o tempero mais relevante quando a oportunidade sai em busca de preparo.

Sabemos que o gestor eficiente não é necessariamente um expert em todos os perfis profissionais que gere. De fato, o gestor é o elemento que consegue navegar bem entre pessoas cuidando de aspectos gerais e individuais, mantendo a equipe focada no objetivo principal. Por isso, ele é, antes de mais nada, um gestor de emoções. Cabe então ressaltar que não se pode aplicar fora o que não se tem dentro e, nesse caso, a administração emocional é um forte elemento diferenciador de um bom ou mau gestor.

As oportunidades estão sempre nas mãos das pessoas que decidem quem deve subir ou descer na empresa. Por isso, agir com ética e respeito a todos é o mínimo que se espera de alguém que deseja ser notado como preparado pela linha de comando. Deixar claro que possui ambição de crescer e que está se preparando para isso deve ser parte dos temas de conversas entre os companheiros de trabalho. Nem sempre as pessoas são concorrentes diretos, pois algumas não querem as- sumir responsabilidades, mesmo que isso possa trazer maior valor financeiro em seus contracheques.

O ambiente sempre é favorável ao crescimento. Se ocorre uma crise é necessário um novo plano de intervenções, e se o mercado está em amplo crescimento, é preciso mais profissionais de talento para gerirem a demanda. Ou seja, as oportunidades sempre estão diante de nós, que podemos ou não percebê-las como tal.

Um exemplo de aproveitamento de uma boa chance de mercado ocorreu no Rio de Janeiro, cidade sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Com a questão da acessibilidade em alta, o comércio teve de se adaptar rapidamente para prover rampas para cadeirantes. Alguns pequenos empresários criaram rampas metálicas de fácil encaixe que podem ser colocadas e tiradas das entradas das lojas todos os dias, eliminando assim o custo e a confusão causada por obras de adaptação. O resultado pode ser visto por toda a cidade com pequenas rampas de alumínio facilitando o acesso em cumprimento a uma determinação legal.

Estar atento às informações de forma ampla faz parte do empreendimento quando o objetivo é aproveitar oportunidades que nem sempre estão visíveis para todos. Pensar além do trivial pode apresentar uma rede de possibilidades, antes imperceptíveis, por ter um foco direcionado aos elementos do dia a dia. Quando não se consegue ir além do que o próprio caminho oferece, é melhor buscar um novo destino com probabilidades de sucesso.

Por isso, o trabalho emocional é provavelmente o mais importante de todos: estar bem consigo mesmo e com a autoestima no lugar é imprescindível. O investimento do preparo só irá obter resultado se houver coragem de se lançar como possível candidato à próxima promoção ou a uma nova realidade de atuação profissional que pode ser em outra instituição ou mesmo como empreendedor de sua própria ideia de negócios.

Só há destino finalizado para quem nisso acredita. Alguns aspectos são sempre importantes destacar, como manter o networking em constante crescimento, observe outras atividades fora de seu eixo principal. Muitas vezes, a oportunidade pode estar em outro modelo profissional próximo ao seu perfil de atuação. Converse mais, ouça mais, leia mais. As boas informações já existem: é somente necessário acessá-las.

Hoje, um profissional que está estagnado numa mesma posição por muitos anos pode ser considerado obsoleto se não agregar novas habilidades às suas capacidades já existentes. Procurar o crescimento não é somente uma busca por mais altas remunerações, é também uma apresentação de dinamismo e proatividade. Toda instituição, mesmo em momentos de severa crise, preserva aqueles que agregam mais valor. São esses que podem possuir a chave de ignição para o sucesso esperado por todos.

ALIMENTO DIÁRIO

A CASA FAVORITA DE DEUS

A Casa Favorita de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 4 – CONSTRUINDO UM TRONO DE MISERICÓRDIA, NÃO UM TRONO DE JULGAMENTO

 

Alguns têm sido abençoados com uma visitação da presença de Deus, outros não. Mas todos nós queremos mais d’Ele. Damos boas-vindas à visitação de Deus, mas nosso real desejo é pela habitação, onde sua presença persiste e vive conosco todo o dia. O que podemos fazer para que Ele se sinta bem-vindo todo o tempo ao invés de parte do tempo? Sabemos que Sua vontade é pela Sua permanente presença, para abençoar nossas cidades e nações; mas como conseguiremos fazê-Lo ficar?

Deus falou comigo sobre isso, através de um grande amigo meu, que tem uma visível desordem genética. Essa desordem faz com que ele seja grotescamente obeso. Ele não tem mais de 1 metro e 70 centímetros de altura, mas parece ser tão grande para os lados quanto ele é para cima. Disseram-me que quando tinha 12 anos de idade pesava 135 Kg. Ele lutou contra o seu peso toda a vida.

Lembro-me de tempos quando assentávamos juntos e ele começava a choramingar dizendo: “Eu sei que as pessoas riem de mim.” Esse homem tem uma forte unção em sua vida e é um dos verdadeiros apóstolos do Corpo de Cristo. Deus me ensinou algo sobre uma reflexão que esse meu amigo compartilhou comigo. Eu quero compartilhá-la com você. Ele é tão pesado que isso o inibe socialmente. Ele me disse: “Eu tenho muitos bons amigos que iriam amar que eu os visitasse. Regularmente, passamos tempo juntos em restaurantes, mas eu adoraria somente sentar na intimidade de suas casas e ter comunhão com eles. Mas não posso.” Ele começou a chorar e muitas lágrimas começaram a rolar de suas bochechas gorduchas. A próxima coisa que o meu querido amigo disse, iria mudar a minha visão de igreja para sempre.

“Tommy, quando eu chego à casa deles” – ele disse – “fico em pé na varanda vestido com meu chapéu e casaco o tempo todo (é sempre frio na região nordeste onde meu amigo vive). Eu nunca os tiro até que esquadrinho a sala. Eu já estive lá antes.” Então, ele olhou para mim de novo e disse: “Eu já decidi. Quebrei minha última cadeira. Eu me recuso a assentar num assento que parece que não vai suportar meu peso. Não vou ficar constrangido mais. Simplesmente não visito se tiver de fazer isso. Então, esquadrinho a sala pelo vão da porta.”

“Eu ouço meus amigos me dizendo com toda a seriedade e sinceridade: ”Entre, sente-se conosco, tome um café” – ele disse. “O tempo todo que estou falando com eles, sondo sua sala de jantar e cozinha para ver se adicionaram algum móvel desta vez que suportará meu peso. Eu sabia que não havia nada lá durante a minha visita anterior.”

NADA NA SUA CASA PODE SUPORTAR MEU PESO

Com um suspiro, meu amigo disse: “Aquelas visitas frequentemente terminavam em tristeza porque eu tinha de inventar uma desculpa: ‘Eu tenho de ir, não posso ficar’. A verdade é que eu só me retirava porque não havia móvel na casa deles que pudesse me suportar.” Ele me disse com lágrimas nos olhos: “Geralmente, chego ao meu carro e somente choro. Volto novamente algum tempo mais tarde esperando que encontre alguma coisa em que me assentar.” – ele disse. Era de se esperar que as pessoas olhassem para mim e percebessem que eu não posso simplesmente sentar em qualquer lugar.

No Antigo Testamento, a palavra hebraica traduzida como “glória” é kabod. Ela, literalmente, significa peso ou esplendor pesado. De certa forma, Deus tem o mesmo problema como meu amigo. Eu penso comigo mesmo sobre quantas vezes a “glória pesada” de Deus nos visitou, mas não entrou! Com que frequência Ele fica em pé nas portas dos fundos, em nossas assembleias com Sua glória ainda escondida por Seu “chapéu e casaco” enquanto Ele esquadrinha a sala.

Paramos para contar nosso arrepiado espiritual porque sentimos uma brisa fria entrar na sala quando as portas do Céu se abrem. Dizemos um ao outro: “Oh, Deus está aqui. Ele está nos visitando novamente!” Nossos cantores regozijam e a banda sobe o compasso, mas muito rapidamente tudo escapa porque não temos o que Ele está procurando. A maioria dos que já experimentaram visitações fazem esta pergunta: “Por que é que Ele não fica? Nós O imploramos para ficar. Por que não podemos manter esses momentos?”

A resposta é muito simples: Nós não construímos um trono de misericórdia para conter a glória de Deus. Não há lugar para Ele se assentar! O que é confortável para você e para mim, não é confortável para a kabod, o peso de Deus. Estamos felizes em assentar em nossas confortáveis reclináveis cadeiras espirituais todos os dias, mas o assento de Deus, o trono de misericórdia, é um pouco diferente. Ele é o único assento na Terra que pode suportar o peso de Sua glória e convencê-Lo a entrar e ficar.

Deus está procurando uma igreja que aprendeu a construir um assento de misericórdia para Sua glória. Quando Ele encontrar uma casa que pagou o preço para Lhe construir um lugar de repouso, Ele virá e ficará. E então veremos o avivamento que é diferente de qualquer outro que jamais vimos antes. Estou convencido de que nem mesmo temos uma palavra para isso. Esse tipo de avivamento só pode vir quando Deus vem com Sua intensa glória e toma Seu assento de honra em Sua casa – para ficar.

SE VOCÊ CONSTRUIR, ELE VAI…

Quando o Senhor me lembrou da história do meu amigo, minha mente começou a fazer várias conexões. Outro importante pedaço do quebra-cabeça tinha aparecido. Devemos aprender como construir um trono de misericórdia, pensei comigo mesmo. Então, lembrei-me da mensagem de uma imagem em movimento que vi durante um voo transoceânico e que me afetou grandemente a primeira vez que a vi. A figura em movimento era O campo dos sonhos, e o pensamento que me veio à mente naquele instante foi: “Se você construí-la, Ele virá…” – uma lição que Davi aprendeu.

A região Sul dos Estados Unidos é geralmente reconhecida por sua “hospitalidade sulina”. Como sou um garoto do Sul, pensei que entendia alguns princípios básicos de hospitalidade. Eu me senti daquela maneira até que Deus me enviou, sem perguntar, em uma viagem que me levou a investir em torno de trinta por cento do meu ministério entre os chineses naquele ano. (Eu ainda ministro bastante no continente da China e Taiwan). Ele disse: “Eu vou lhe ensinar algo sobre honra que a maioria dos orientais não sabe.”

Aprendi que o povo oriental tem a habilidade de honrar que supera tudo que jamais testemunhei em qualquer outro lugar. Praticamos hospitalidade no ocidente, mas somos de certa forma descuidados nisso: “Oi. Entre. Se quiser, pode se assentar.” Não é dessa maneira com os chineses. Eles são muito cuidadosos em focar toda a atenção e a energia em seus hóspedes. Eles colocam o bem-estar dos seus hóspedes em primeiro lugar e trabalham incansavelmente para priorizar o conforto, a paz e a alegria deles em detrimento dos seus próprios. A maneira prévia com que os chineses cuidadosamente preparam para a chegada dos seus hóspedes é uma evidente declaração afirmando que eles, hóspedes, são valorizados e respeitados. Eles até mesmo, atentamente, reservam o assento de honra… a cadeira mais afastada e voltada para a porta.

DEUS, NÓS SABEMOS COMO CONTINUAR SEM VOCÊ

Francamente, acho que perdemos a nossa habilidade de honrar a Deus em nossas igrejas. Cantamos nossas músicas de louvor com entusiasmo por um tempo, mas assim que algumas pessoas mais radicais da congregação começam a pressionar para entrar em adoração genuína, começamos a olhar para os nossos relógios. Talvez também falemos o que está em nosso coração: “Tudo bem, Deus. Com certeza, gostaríamos que Você viesse, mas se não fizer isto rapidamente, sabemos como continuar sem Você. Temos um programa a cumprir, Você sabe. Não podemos deixar a Igreja Primitiva nos privar do Banquete do Primeiro Eu.” Acredito que não percebemos que Sua resposta é: “Continue. Tudo bem. Talvez Eu o pegue outro dia.” Minha Bíblia diz que Jesus chorou sobre Jerusalém e Seu povo quando eles perderam a hora de Sua visitação. Penso comigo mesmo, se Deus chora por nossa causa quando magoamos Seu espírito por nos apegarmos em nossas agendas, nossos programas e garfos do jantar, em vez de persistimos, buscarmos e O atrairmos com nossa adoração e nosso louvor! (Quem se responsabilizará por nossas cidades se também perderem a visitação d’Ele?)

Esse triste cenário continua culto após culto. Submetemo-nos a propósitos e trabalhos religiosos semana após semana e ano após ano pensando havermos “chegado”. A verdade é que o maquinário da rotina da prática religiosa vai repicar durante muito tempo, depois que o óleo e a unção de Deus tiverem enfraquecido. E inevitável, fricção surge quando os homens tentam funcionar sem o óleo da alegria que vem somente de Sua presença. Consequentemente, tudo irá se desgastar e até parar quando a máquina religiosa do homem começar a enguiçar.

Quando Deus Se revelou ao jovem Davi nos campos de ovelha, o desejo de ter a presença de Deus perto de si, dia e noite, nasceu em seu coração. A mesma coisa está acontecendo em todo o globo em nossa geração. Deus está criando milhões de caçadores de Deus que estão sendo consumidos pelo desejo da presença de Deus. Todos necessitamos aprender com as experiências do rei Davi, como um caçador de Deus. Sabemos que foi um desastre sua primeira tentativa de trazer a arca de volta a Jerusalém, mas ele foi bem-sucedido na segunda vez. Foi capaz de abrir os céus sobre Jerusalém por intermédio de uma busca sacrificial e suada da glória Shekinah de Deus. Agora é nossa vez – e das nossas cidades!

ALGUÉM TEM DE CUIDAR DO FOGO!

Davi fez duas coisas para ter certeza de que a presença de Deus permanecesse em Jerusalém. Primeiro, ele preparou um lugar para a presença de Deus construindo um tabernáculo sem paredes e sem véu. Segundo, ele fez algo especial quando os levitas chegaram ao tabernáculo e colocaram a arca da Aliança no lugar. Ele criou um trono de misericórdia “vivo” para que Deus sentisse prazer de Se assentar e permanecer naquele santuário humilde.

Davi aprendeu um segredo vital em algum lugar no processo de trazer a presença de Deus para Jerusalém. Ele entendeu que se você quiser manter a chama azul lá, alguém tem de cuidar do fogo! “Quer dizer que temos de jogar gravetos no fogo?” Não, você não abastece Aquela chama azul da presença da Shekinah de Deus com combustível terreno. Você o abastece mediante a adoração sacrificial. Nós não temos direito de requerer o fogo de Deus a não ser que estejamos dispostos a ser o combustível de Deus.

Davi estava simplesmente seguindo o padrão celestial que Moises tinha recebido para o propiciatório (trono de misericórdia):

Farás dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório; um querubim, na extremidade de uma parte, e o outro, na extremidade da outra parte; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele. Os querubins estenderão as asas por cima, cobrindo com elas o propiciatório; estarão eles de faces voltadas uma para a outra, olhando para o propiciatório. – (Êxodo 25:18-20).

As asas dos querubins que Moisés construiu tocavam umas às outras à medida que circulavam e cobriam o propiciatório onde a presença de Deus assentaria logo acima da tampa ou cobertura. Se você ler esta passagem cuidadosamente, vai notar que os dois querubins de ouro não eram lançados ou despejados em moldes. Deus disse que o ouro usado para formar a cobertura do querubim tinha de ser “moldado” nas formas e posições apropriadas.

A maneira pela qual podemos construir um propiciatório é tomar nossa posição como adoradores purificados e “molda’ dos”. Um problema é que Deus ainda requer que adoradores-propiciatório sejam formados de ouro provado no fogo (purificados), moldados (fundidos) até atingirem a imagem da perfeição e movidos à posição apropriada de unidade para adoração. – (Veja Apocalipse 3:18; Romanos 8:29). Isso fala de pureza, quebrantamento e unidade: os três componentes da verdadeira adoração sob a nova Aliança do Sangue de Jesus. Quebrantamento na Terra gera abertura nos céus.

Acho interessante que ao refinar o ouro em temperatura extrema, as primeiras coisas a virem à tona e serem destruídas são os “refugos”, as impurezas evidentes e o material estranho. A última coisa a ser separada do ouro é a prata, um metal menos precioso que frequentemente se mistura com o minério de ouro bruto. Muitas vezes temos dificuldade em separar o “bom” do “melhor’’.

AS PANCADAS DA VIDA VÃO NOS INCLINAR PARA DEUS SE…

Muitos de nós só queremos ser pré-formados ou pré-moldados em uma rápida e fácil “fórmula um-dois-três de avivamento”. Eu não posso lhe dar isso. No entanto, posso lhe dizer que suas asas de adoração podem ser formadas somente desta maneira: elas devem ser batidas para tomar a posição e a imagem apropriadas. As pancadas da vida vão nos inclinar para Deus se nossas respostas aos desafios da vida forem corretas. Às vezes, respondemos erroneamente para o que a vida nos entrega; e, então, a adversidade nos joga para fora da posição. Ao invés de nos tomarmos melhores, nos tomamos amargos. Isso significa que nossas asas de adoração não estão onde deveriam estar. Elas estariam no lugar apropriado, mas na posição errada; na igreja, mas com uma atitude errada.

Deus pretendia que as pancadas da vida movessem suas asas de adoração para uma posição a fim de criar alguém que “em todas as coisas dá graça”. – (Veja 1 Tessalonicenses 5:18). O apóstolo Paulo sabia disso. Ele escreveu: “Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro.” – (Veja Filipenses 1:21). Ele escreveu essas palavras enquanto estava na prisão da casa romana, esperando o veredicto de César. Paulo poderia declarar: “Todas as vezes que você me bate, tudo que isso faz é me ensinar como adorar.” Sua visita ao terceiro céu aconteceu enquanto estava sendo apedrejado em Listra! Alguém quer ir lá agora?

Quando os adoradores em volta do propiciatório tomam suas posições, Deus pode mover para Sua posição e ocupar o centro no meio deles

Os querubins de ouro batido da arca da Aliança eram apenas uma pobre representação terrena da realidade celestial. Moisés viu o modelo no monte quando espreitou o Céu e viu a sala do trono em uma visão. Ele foi instruído a recriar aquela visão celestial, mas isso é como se o mais próximo que ele poderia obter na Terra era criar querubins de ouro maciço que só tinham duas asas. Os serafins que circundam o verdadeiro trono celestial de Deus têm seis asas.

O propiciatório na arca era apenas uma representação do verdadeiro trono de Deus no terceiro céu. O trono nas regiões celestiais não está situado num plano bidimensional para que possa ser descrito unicamente com largura e altura. A arca da Aliança destacava dois querubins montados na tampa reta da arca. Em contraste, as escrituras descrevem o trono de Deus como multidimensional e cercado por adoradores de todos os lados, quase como uma pérola suspensa em vidro ou o Sol no meio de nosso sistema solar. A Bíblia diz que há serafins com seis asas em ambos os lados do trono, e mais acima e abaixo também. Esses serafins adoradores cobrem suas faces com duas asas, enquanto cobrem seus pés com duas outras asas e voam com o outro par. – (Veja Isaías 6:2).

Mesmo que o querubim na arca equivalesse a uma “imitação terrena barata” da realidade celestial, ainda há tanto mistério em torno da arca que produtores de Hollywood gastaram milhões de dólares simplesmente falando sobre a “arca perdida” em um filme de aventura.

Quando será que a Igreja vai perceber que Deus não está procurando pela arca perdida? Ele sabe onde ela está. Deus está procurando pelos “adoradores perdidos” para que Ele possa repor a glória perdida na Terra.

O PESO REPENTINO DE SUA CHEGADA SACUDIU A TERRA

O “trono de misericórdia” (propiciatório) raramente ou nunca aparece no meio de desfiles e circunstâncias religiosas. Sob a aliança do Sangue de Cristo, ele só vem entre dois ou mais sacrifícios vivos. Paulo e Silas estavam longe dos templos ornamentados e das sinagogas de Jerusalém e Israel; eles se encontravam ensanguentados e surrados, com os pés presos em um tronco, bem no fundo de uma cela na prisão de Filipos.

Mesmo nesta hora mais sombria, esses homens começaram a cantar ao Senhor em louvor e adoração. Tudo que eles fizeram foi trazer juntos suas surradas asas de adoração, e a glória de Deus desceu do Céu para se unir a eles. A adoração deles criou o “trono de misericórdia” para Deus vir e assentar-se entre eles – mesmo na prisão.

Você pode estar “na prisão” mesmo à medida que lê estas palavras. Talvez as circunstâncias da vida o tenham trancado e jogado a chave fora. Há uma maneira de escape. “Adore” uma abertura nas regiões celestiais. Deus irá descer. Ele prometeu. O que Ele fez por Paulo e Silas, Ele fará por você.

O peso repentino de Sua chegada sacudiu a Terra e balançou os fundamentos da prisão. O peso da presença de Deus não apenas libertou Seus adoradores, mas também abriu todas as portas e libertou todos os prisioneiros da vizinhança. Nossa adoração pode libertar cativos. A visitação de Deus em poder levou a Salvação a um carcereiro que tinha colocado as algemas nos pés de Paulo e Silas.

Não temas a adversidade! Os querubins foram formados de ouro batido. E adoradores formados de ouro provado no fogo e batidos pelas adversidades e provas em nossos dias refletem a luz da glória de Deus em casa muito melhor que apressadas versões pré-moldadas. Cada recuo do martelo, cada marca da picareta e da furadeira, e cada dobra de transformação sob pressão do moedor é outro refletor para a multifacetada glória de Deus.

Quando adorarmos em espírito e em verdade a glória de Deus virá! O que experimentaremos naquele momento é simplesmente um precursor do que vai acontecer naquele grande dia, quando o Rei da Glória pessoalmente voltar à Terra pela segunda vez. Na primeira vez que Ele veio, carregou Sua glória levemente porque andava em humildade. Ele andou nas pontas dos pés em nosso mundo para que não incomodasse a Sua criação, assim como um adulto anda nas pontas dos pés no quarto de brinquedo de uma criança para evitar quebrar os brinquedos. Na próxima vez que Jesus aparecer, Ele estará montado em um cavalo e virá em poder e autoridade ilimitados para Se reapossar da casa inteira. Quando Seus pés tocarem o topo do monte das Oliveiras, Sua Kabod, Sua intensa glória, será tão grande que o monte das Oliveiras vai, literalmente, se partir em dois. O portão do Ocidente vai repentinamente se abrir para permitir a “real” entrada triunfante do Senhor. A primeira vez foi somente um ensaio. Na próxima vez, Ele estará em Seu traje! Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor. – (Veja Filipenses 2:10-11).

TODAS AS COISAS IMPURAS SERÃO ARRASADAS SOB O PESO DE SUA GLÓRIA

Você sabe o que vai escancarar os portões da cidade? Sabe como dividir as montanhas que bloqueiam o seu caminho para o avivamento? Apenas faça o que Paulo e Silas fizeram na prisão. Se você pode cantar à meia-noite com as costas machucadas, os pés algemados e a porta da sua cela trancada, então pode entrar nas manifestas glória e presença de Deus mediante sua adoração. Todas as coisas impuras serão arrasadas e cada cadeia cairá sob o peso de Sua glória: “De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos.” – (Atos 16:26).

Tudo isso acontece quando as asas batidas dos adoradores se chocam, criando o trono de misericórdia de Deus. A Nova Versão Americana do Salmo 22:3 diz que “Deus está entronizado sobre os louvores de Israel”. Disseram-me que a tradução japonesa do texto original hebraico para este verso diz, de modo literal, que o nosso louvor “constrói uma grande cadeira para Deus Se assentar”. Jesus também nos disse: “Porque, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.” – (Mateus 18:20). Isso significa que Deus vem habitar no “meio” de nós quando começamos a adorá-Lo juntos.

O que aconteceria se Deus literalmente se movesse do Seu trono no Céu para Se assentar na “grande cadeira” que temos construído para Ele? Acredito que Ele provavelmente diria: “Miguel, Gabriel, vejo vocês depois. Os filhos de Adão construíram para Mim uma cadeira. Eles construíram um trono de misericórdia vivo somente para Mim para que Eu, mais uma vez, possa habitar no meio dos homens.”

DAVI ABASTECEU A CHAMA DA PRESENÇA DE DEUS COM ADORAÇÃO DE VINTE Έ QUATRO HORAS

Como podemos recriar ou competir com o tipo de adoração que Deus recebe no Céu? Davi instruiu levitas santificados para continuarem abastecendo a chama da presença de Deus, com adoração vinte e quatro horas todos os dias. Não entre em legalismo e pense: “Eu tenho de ajudar minha igreja a levantar uma vigília de oração vinte e quatro horas.” Se Deus falou isso com você e a liderança da sua igreja quiser fazê-lo, então faça. Se não, pergunte a Ele o que quer que você faça, e faça-o.

Lembre-se que você pode implorar o quanto quiser para Deus vir, mas até que prepare um lugar onde Sua intensa glória possa seguramente habitar, Ele pode visitá-lo, mas não pode ficar. Eu não sei quanto a você, mas estou cansado de visitas. De algum modo, temos de reclamar a habilidade de hospedar o Espírito Santo. Davi sabia como fazer isso.

Davi cercou a arca com adoradores para que a glória de Deus continuasse reluzente. Pela primeira vez na história israelense, pagãos podiam chegar perto do monte Sião em Jerusalém e, literalmente, ver a chama azul da glória de Deus tremulando entre os braços erguidos e os pés dançantes dos adoradores no tabernáculo de Davi! Como isso foi possível? Foi porque o tabernáculo de Davi era um lugar marcado por adoração de véu aberto e sem regras controladoras.

Frequentemente, ilustro este conceito de cercar a Deus com adoração em reuniões públicas chamando três a quatro voluntários para se juntarem a mim em frente ao auditório ou congregação. Quase sempre, um dos voluntários vai dar um passo na posição de frente para público, porque esta é a maneira como temos sido condicionados. Eu direi ao voluntário (para ajudar os ouvintes): “Não filho, não se volte para congregação ou coral. Fique em pé aqui, levante suas mãos em uma postura de adoração em direção Aquele que está no trono.”

Talvez esta seja a explicação por que o mundo não pode ver a Deus quando Ele olha para a Igreja – a Igreja só olha para si mesma. Este é, provavelmente, o motivo de não ficarmos na brecha e preferirmos encarar o mundo ao invés de Deus, enquanto desempenhamos nossos deveres religiosos. Há coisas demais do homem na igreja e poucas de Deus. Encarar o homem pode apenas nos induzir a corresponder à aprovação do homem. Para adoração “trono de misericórdia”, temos de virar as costas para o homem. Buscar a face de Deus. Perder o medo do homem – e ganhar o temor de Deus.

ESTE É O MILAGRE DA CASA FAVORITA DE DEUS

Davi fez mais do que cercar a arca de Deus com adoradores santificados. Ele se assegurou de que o seu foco primordial era ministrar a Deus por intermédio do louvor e da adoração. Os levitas, ministros de louvor e adoração do Antigo Testamento, se posicionavam entre o mundo, do lado de fora, e a glória de Deus sem véu, descoberta, no lado de dentro.

Pela primeira vez desde a Sua caminhada final com Adão e Eva no jardim do Éden, Deus encontrou uma casa onde não havia véu ou paredes divisórias entre Sua glória e a frágil carne dos homens. Isso não era necessário, porque os adoradores se tornaram o véu e as paredes protetoras à medida que eles rodeavam a glória de Deus com a cobertura da nuvem do arrependimento, da adoração e do louvor sacrificiais. Por falta de um termo melhor, eu chamo este precário lugar entre a varanda do homem e o altar de Deus de a “zona do choro”. Este é o milagre que fez a humilde tenda de Davi se tornar a casa favorita de Deus.

Duas passagens-chave das Escrituras podem ajudá-lo a entender por que Davi planejou construir um tabernáculo sem um véu ou paredes, sem ver pessoas morrendo às centenas ou milhares. Na primeira, Deus disse: “Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei.” – (Ezequiel 22:30). Na segunda, João parece descrever os dois componentes da glória de Deus quando escreveu: “Vimos a Sua glória […] cheio de graça e de verdade.” – (João 1:14 – RC).

ESQUEÇA O QUE AS PESSOAS DIZEM. SOMENTE UMA OPINIÃO IMPORTA

Se você realmente quer uma explosão da glória de Deus em sua igreja e cidade, terá de esquecer o que qualquer um, exceto Deus, pensa. O avivamento real acontece somente quando verdadeiros adoradores esquecem o homem e voltam sua total atenção e adoração a Deus. Devemos esquecer as opiniões, a aprovação ou a desaprovação do povo. Precisamos não nos lembrar o que eles parecem, deixar de lado o que estão dizendo e não nos preocuparmos com o que estão pensando. Somente uma opinião importa.

Eu desejo que o povo de Deus ignore tudo, exceto o que Deus quer. É hora de a centralidade de Cristo Jesus nos dominar e conquistar tanto, que nos tornaremos totalmente separados das distrações do reino do homem. Não estou falando de nos tornarmos religiosos a ponto de sermos absolutamente desagradáveis para Deus ou o homem. Algumas pessoas dizem que você pode se tornar tão espiritualmente propenso que deixa de se adaptar aqui na Terra. Mas eu não sei se isso é possível. Na verdade, essa frase é uma boa descrição da “zona do choro”; aquele lugar entre a varanda do homem e o altar de Deus. Posso lhe dizer o que você faz nessa posição? A zona do choro é o lugar de intercessão diante do trono de Deus onde você entra na brecha para interceder por outros.

TOME UMA POSIÇÃO ENTRE A GLÓRIA E OS HOMENS PECAMINOSOS

Uma praga do pecado e da morte está varrendo toda a nossa nação e o mundo atual. Esta não é a hora de correr ou esconder. Esta é a hora para você e eu entrarmos na zona do choro com nossos incensários de adoração e tomarmos nossa posição entre os vivos e os mortos, entre a intensa glória de Deus e a carne desprotegida dos homens pecaminosos. No momento em que Arão transportava o carvão do fogo do altar e misturou no incenso de adoração e louvor, ele se tomou uma ponte entre dois mundos.

Deus tem um coração que deseja ver todos os homens salvos, mas Ele depende de você e de mim para cumprir nosso ministério de reconciliação na zona do choro. Ele nos tem chamado para nos tornarmos pontes entre o reino da luz e o reino das trevas. A melhor Ponte de todas é Jesus Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote, que vive sempre para interceder por nós diante de Deus. – (Veja Hebreus 7:25). Quando você e eu entramos na “zona do choro”, chegamos ao lado do Grande Intercessor e contemplamos o trono, estendendo uma das mãos para Deus e outra para o homem. Somos chamados para interceder em adoração até que Deus e o homem tenham se encontrado.

Quando você se põe na brecha, está literalmente parando o julgamento de Deus e removendo os obstáculos do inimigo no segundo céu. Como vimos anteriormente, João disse: “Vimos a sua glória… cheio de graça e de verdade.” – (João 1:14 – RC).

Se os dois componentes da glória de Deus são graça e verdade, então isso explica por que sempre houve um véu separando o homem da glória de Deus. O mundo precisa da graça de Deus, mas Sua verdade está ligada a ela. A verdade é: Todos pecamos e carecemos da glória de Deus. – (Veja Romanos 3:23). Precisamos de Sua graça – mas não podemos suportar a “verdade”. Sua verdade é equivalente ao Seu julgamento, mas, separados da graça de Deus, nenhum de nós tem qualquer chance. Isto significa que se a presença manifesta de Deus – aquilo pelo que estamos orando – se apressar e encontrar carne não arrependida, então a verdade ou o julgamento de Deus vai instantaneamente destruí-la assim como a luz remove as trevas.

SIGA-O À “ZONA DO CHORO” PARA OS PERDIDOS

Jesus Cristo fez um trabalho completo na cruz e Ele estende o dom gratuito da vida a todos. Nosso “ministério da reconciliação” envolve tomarmos Sua cruz diariamente e segui-Lo até a “zona do choro” para os perdidos. Quando adoradores sacrificiais arrependidos, com mãos ensanguentadas, tomam o lugar entre os não-redimidos e a consumidora glória de Deus, algo interessante acontece.

Sabemos pelas Escrituras que o julgamento começa e termina na casa de Deus. – (1 Pedro 4:17). Quando o povo de Deus se torna adoradores e se posicionam na brecha, eles “filtram” a verdade e o componente julgamento da glória. Isto significa que o único componente da glória de Deus que vai junto com eles para fluir nas ruas da cidade é graça e misericórdia. Isso é uma lembrança dos dias de Davi, quando todos, qualquer um, podia olhar para a glória Shekinah de Deus e viver, porque eles estavam fitando o trono da misericórdia através do filtro que os revestia, que eram os braços levantados dos adoradores.

Nossas cidades não precisam de melhores sermões ou melhores músicas. Elas precisam de “pessoas na brecha” que possam alcançar Deus com uma das mãos e o mundo com a outra. Você é chamado para tomar posição na “zona do choro”? Você pode esquecer o que o homem diz enquanto você busca Deus com uma das mãos em arrependimento, adoração quebrantada e alcança os homens não redimidos com a outra? Com aquela mão estendida, você declara: “Eu vou abrir os céus e mantê-los bem abertos até que o avivamento se espalhe por minha cidade!” Como os intercessores da antiguidade, devemos clamar: “Se Você vai matá-los, então me mate. Se Você não mandar o avivamento para minha nação, então me mate. Dê-me filhos espirituais, senão eu morro.” – (Veja Êxodo 32; Gênesis 30:1).

Você realmente quer avivamento? Construa um propiciatório (trono de misericórdia) para Deus. Prepare algo que seja tão desejável e atraente a Deus que Ele não possa resistir em se juntar a você e aos adoradores. Permita que Ele construa novamente o tabernáculo de Davi em seu meio. Cerque-O com louvor e adoração se você quer atraí-Lo a vir e ficar com você. Construa um trono de misericórdia!

DEUS HABITA NO MEIO DA ADORAÇÃO

Você consegue imaginar o que aconteceria se Ele deixasse Seu trono no Céu para vir e Se assentasse conosco no propiciatório (trono da misericórdia) composto de nosso louvor e nossa adoração? Há uma razão pela qual o mundo não pode vê-Lo como Ele é. Nunca construímos um lugar para Ele Se assentar. As raposas têm seus covis, e os pássaros, os seus ninhos, mas a glória de Deus não tem lugar para se assentar – nenhum trono de misericórdia terreno! E claro que nossos móveis são simples comparando-os aos padrões do Céu, e nunca poderia ser comparado a serafins de seis asas. Como poderia adoração terrena equivaler à adoração celestial? Eu não sei, mas sei que não é preciso muito! Jesus disse: “Se eu apenas puder ter dois ou três de vocês para concordar, Eu entrarei – não pelos lados, mas estarei no meio de vocês.” – (Veja Mateus 18:20). Por quê? Porque Deus habita no meio da adoração.

Se você quer que a glória de Deus se manifeste em sua igreja e cidade, então se lembre que Ele provavelmente não virá a mim nem a você sozinho. Sua primeira escolha e Sua promessa é que Ele virá no meio de nós, à medida que O adoramos de acordo com o padrão celestial.

Se você construí-la, Ele virá!

Pai, Você disse que dos lábios das crianças tiraste perfeito louvor. Admitimos que nosso melhor é um louvor miserável, que não pode se igualar à visão celestial, e não pode atingir as alturas da perfeição que entendemos ser no Céu.

No entanto, de acordo com o padrão celestial, nos deleitamos em cercá-Lo com nossa adoração arrependida. Reconstrua Seu amado tabernáculo de Davi em nosso coração, querido Senhor. Sim, nós O adoraremos com todo o nosso coração. Sim, com regozijo nos prostraremos diante de Ti como nosso Senhor e Rei.

Todos clamamos por Sua presença manifesta para encher este lugar, Pai. Pedimos que o Senhor encha esta cidade, esta nação, este mundo até que toda a Terra esteja coberta com Sua glória, ó Deus, como as águas cobrem o mar. Venha Se assentar em nosso meio no Seu trono de misericórdia!