A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

RELAÇÃO ROBÓTICA

A ligação entre tecnologia, internet e atividade erótica é mais do que conhecida, porém nessa era moderna atinge patamares de solidão extrema

Relação tobótica

Poderia ser como no início de uma história para crianças: “Era uma vez…” e seguiria o texto relatando em tempo passado um evento, uma aventura. Então: era uma vez o sexo virtual.  Por telefone ou pela internet, com mensagens de texto ou ligações com vídeo. Hoje é o tempo das “bonecas” do tamanho de humanos, incrementadas com inteligência artificial para uso sexual ou companhia apenas. Embora seja fenômeno recente, na Ásia em particular várias pessoas já foram vistas levando suas bonecas para o shopping, onde escolhem roupas para elas. Há também notícias de bordéis que oferecem exclusivamente réplicas destas.

Em 2016, na Universidade Goldsmiths, em Londres, algumas das questões levantadas na segunda edição da conferência “Amor e Sexo com Robôs” foram: Você faria sexo com um robô ou casaria com um? O robô teria direito a rejeitar esse tipo de união?

Uma outra vertente é o uso de brinquedos sexuais e realidade virtual, que permitiriam intimidade entre parceiros a distância. Você toca uma superfície aqui, ele sente lá. Há quem goste. Nada mais óbvio, poderíamos pensar.

Nessa temática, o filme A Garota Ideal 2 serve como apoio. Um personagem, Lars, tem como sua mulher Bianca, uma réplica feita de silicone. Lars é tímido, introspectivo, sem iniciativa alguma na vida. Tem o perfil típico do que seria hoje um nerd, com dificuldades de relacionamento e para quem a internet costuma ser forma protegida de conexão com o mundo.

Novamente, e para além da obviedade: Lars acredita realmente que Bianca é uma mulher de verdade. Nada de psicose ou alucinação, como apressadamente se poderia pensar.

Em algum lugar, tempos atrás, li a matéria sobre a relação entre um homem e uma réplica. Para ele, ela era “muito mais que uma boneca”, era compreensiva e carinhosa, era sua companhia para as noites.

Tanto o filme quanto o descrito no depoimento angustiam, mesmo quando tomamos o cuidado de não cair no engodo de que seria a tecnologia a causa das solidões e desencontros.

Se muitos vislumbram nessas réplicas fontes inesgotáveis e ilimitadas de satisfação de todo e qualquer desejo (o ideal narcísico), o personagem Lars faz pensar num contraponto: muitas vezes, subjacente às compulsões, mesmo as sexuais, o que se busca inconscientemente é eliminar ansiedade e obter carinho. A erotização avassaladora pode ser apenas defesa contra o sentimento doloroso de solidão.

 

NCOLAU JOSÉ MALUF JR.  é psicólogo, analista reichiano, doutor em História das Ciências, Técnicas e Epistemologia (HCTE/ UFRJ). Contato: nicolaumalufjr@g.mail.com

OUTROS OLHARES

O “LADO B” DO K-POP

Jovens ídolos musicais coreanos, que fazem sucesso no papel de bons mocinhos, enfrentam denúncias em série por crimes como assédio, estupro e uso de drogas

O lado B do K-Pop

Adolescentes sul-coreanos com roupas bem cortadas e coloridas, cabelo de corte assimétrico e pele de boneco de cera conquistaram o coração, o bolso e o Spotify de fãs ao redor do mundo. A febre do k-pop, como é conhecido o movimento, começou a alastrar-se pelo planeta em 2012, com o hit Gangnam Style, do rapper Psy. Parecia um universo perfeito. Nos últimos meses, no entanto, a imagem de bons mocinhos ostentada pelas estrelas asiáticas caiu por terra. Vários ídolos estão envolvidos em um roteiro cabeludo que inclui crimes como estupro, consumo de drogas e compartilhamento de imagens pornográficas.

Em março, o cantor Jung Joon­ Young acabou preso por ter filmado mulheres durante a relação sexual, sem que elas soubessem. Depois, enviou o conteúdo a amigos pelo aplicativo Kakao Talk, equivalente ao WhatsApp. A descoberta do crime aconteceu por acaso, quando Young mandou o celular para o conserto. O artista confessou os malfeitos. “Não vou contestar as acusações apresentadas pela agência de investigação e aceitarei a decisão do Tribunal”, disse, em depoimento prestado em março. Hoje, ele busca fechar um acordo com as mais de dez vítimas para tentar reduzir a pena.

O rapaz, que já faturou 262 milhões de dólares com sua gravadora, não está envolvido apenas nessa encrenca. Young integra um grupo de artistas investigados por drogar e estuprar modelos. Depois da farra, eles ainda compartilhavam o conteúdo criminoso entre amigos no Kakao Talk. Chamado de “sex chat” pelos coreanos, o escândalo vem afetando a imagem de outros ídolos do movimento. Entre eles, Seungri, um dos queridinhos das fãs, o guitarrista Lee Jong-hyun, da banda CN Blue (que esteve no Brasil em 2014), e Yong Jun-hyung, do Highlight (este veio ao Brasil em 2011).

Só em 2018, o K-pop faturou 5 bilhões de dólares com shows, séries e outros produtos. A febre se repete no Brasil, que tem uma população de 50.000 descendentes de coreanos. Mas os fãs de K-pop vão muito além da colônia. A banda BTS fez dois shows em São Paulo em maio. Fãs acamparam durante três meses em busca de um bom lugar. Os sete garotos da banda não estão envolvidos em nenhum escândalo.

Tal qual o movimento #MeToo, que liquidou a carreira de atores e diretores de Hollywood devido às denúncias em série de assédio sexual, a força das redes sociais só fez crescer a pressão. Há duas semanas, o diretor-fundador da gravadora YG Entertainment, Yang Hyun -suk, afastou-se com receio de todo o catálogo de artistas de sua empresa sofrer retaliação. Ele é acusado de sonegar imposto, acobertar uso de drogas e promover prostituição. Hanbin, líder da banda iKon, da mesma gravadora, também deixou os palcos após a descoberta de suas tentativas de compra de substâncias ilícitas. “Os coreanos são conservadores. Não toleram desvios”, diz Carol Akioka, diretora do portal Korea Line especialista em K-pop. Nas engrenagens do rock, rebeldia e excessos fazem parte do show. Já para aqueles que precisam vender a imagem de mocinhos românticos e comportados, o lado B do K-pop representa uma desafinada que pode ser fatal para os negócios.

O lado B do K-Pop. 2

GESTÃO E CARREIRA

O CRACHÁ DEPOIS DOS 50

As empresas só têm a perder ao desprezar o talento dos profissionais mais maduros – mas uma melhor diversidade etária também pressupõe a adaptação desses trabalhadores

O crachá depois dos 50

Em 2017, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo IBGE, mostrou que o Brasil chegou a 30,2 milhões de “idosos”. A Organização Mundial da Saúde estimava até então que o país fosse alcançar esse número somente em 2025. Em cinco anos aumentou em 18% a parcela de pessoas com 60 anos ou mais, e pelo ritmo atual o Brasil ganhará 1 milhão de “idosos” anualmente daqui em diante.

Escrevi a palavra idosos entre aspas porque não conheço ninguém com idade entre 60 e 70 anos que se considere idoso. Esse termo carrega o estereótipo daquele símbolo de vaga para idosos em que há uma pessoa com bengala – o que está longe da realidade da maioria dos que estão nessa faixa etária. Na década de 80, quando eu nasci, quem tinha 60anos era considerado um velhinho. Hoje em dia a coisa é bem diferente. Dizem que os 60 são os novos 40. E a pessoa com 50, então? É e se sente (e normalmente está mesmo) jovem, cheia de energia e de planos.

O fato é que muita gente simplesmente parou de ter filhos. Também é fato que, com o avanço da medicina e das demais ciências, hoje conseguimos viver mais e melhor. A idade biológica do ser humano se estende cada vez mais. Assim, boa parte dos nossos filhos atuais será centenária amanhã. Na contramão disso, há quem não tenha se dado conta dessa nova realidade, como é o caso de um grande número de empresas, principalmente no que diz respeito à contratação de talentos 50+.

O cenário macroeconômico de crise, a necessidade de cortar custos e despesas e o avanço da tecnologia no mercado de trabalho potencializam a chamada “juniorização” dos talentos nas empresas. Tal efeito se contrapõe à realidade e à tendência de envelhecimento da população – e da força de trabalho – no Brasil e no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nosso país é um dos que envelhecem mais rápido hoje e será o sexto com maior número de idosos em 2025.

Outra pesquisa, realizada pela FGV e pela Price waterhouse Coopers em 2013, mostrou que, muito embora se reconheça que os profissionais 50+ sejam bem qualificados, as empresas no Brasil não os contratam. Nesse mesmo sentido, conforme os dados mais recentes sobre o assunto, não chega a 3% a média de funcionários com mais de 50 anos nas 150 melhores empresas para trabalhar no país.

Há quatro anos pesquisando sobre preconceito etário na MaturiJobs, percebi que, especialmente nos cargos mais baixos, fora das posições de gerência ou direção, já se torna difícil conseguir um emprego no Brasil (sobretudo para as mulheres) após os 40 anos. Quando se avança nos 50, fica praticamente impossível. Por isso focamos nosso trabalho a partir dessa faixa etária – que ainda não é “idosa” mas já é considerada velha e desinteressante para o mercado. Para se ter uma ideia, já ultrapassamos a marca de 90.000 profissionais de 50 anos ou mais que se cadastraram em nossa plataforma e conseguimos empregar somente 1% desse total até hoje. Por outro lado, por sorte muitas dessas pessoas começam a se reinventar profissionalmente de diversas maneiras.

O que as empresas estão perdendo com isso? Estão perdendo o que é cada vez mais valorizado em tempos de automatização e de inteligência artificial. Ou seja, perdendo parte significativa dos soft skills (predicados comportamentais). As habilidades ligadas às relações intra e interpessoais – que têm muito a ver com autoconhecimento e trato com pessoas – são esferas intangíveis potencializadas com os anos e com a experiência de vida dos profissionais.

Mas não só isso: atualmente as empresas têm sofrido bastante com a alta rotatividade dos jovens, que pedem demissão para procurar diferentes contextos, propósitos, empreendedorismo etc. – e, muitas vezes, falham ao deixar de buscar o comprometimento, a resiliência e a postura dos mais maduros. Alguém viu of time Um Senhor Estagiário, com Robert De Niro e Anne Hathaway? Além de ser zeloso e dedicado, o personagem de De Niro apresentava uma flexibilidade incomum ante novas situações. No filme ele aprendia com os mais novos, e os mais novos com ele.

Assim, integrar as gerações é o caminho para fundir as aspirações e os olhares de modo a proporcionar equilíbrio ao ambiente de trabalho e trazer à mesa a diversidade etária, assunto ainda raramente discutido nas organizações.

Os 50+ – atualmente mais de 25% da população brasileira -, que enfrentam tanta dificuldade em se recolocar, devem por sua vez buscar continuamente atualização (já ouviu falar do Lifelong learning, o aprendizado pela vida toda?). As capacitações técnica e comportamental são essenciais, assim como o autoconhecimento, o networking, a integração com os mais jovens e a procura por novos caminhos profissionais como o empreendedorismo, além da manutenção da autoestima, para aproveitar o conhecimento e não temer processos seletivos com jovens nem ter receio de lidar com um chefe mais novo.

Hoje em dia há vários caminhos a ser percorridos e é preciso pensar “fora da caixa” para ir além daquele formato tradicional de trabalho que se aprendeu vinte ou trinta anos atrás. O próprio setor voltado para os 50+, em seus mais diversos segmentos, carece de muitos serviços e melhor atendimento, e essa é uma grande oportunidade para os maduros – que “sentem na pele” essa realidade – perceberem e criarem oportunidades de negócio.

Conto aqui sobre minha experiência pessoal. Criamos recentemente um programa em que startups estão recebendo alguns 50+ para trabalhar por um curto período para que possam se conhecer e a partir daí estabelecer um modelo de trabalho como empregado, sócio, investidor, estagiário, mentor ou consultor.

Aliás, um estudo recente do MIT Sloan School of Management mostrou que a idade média para o sucesso de um empreendedor nos Estados Unidos é de 45 anos, desfazendo o mito de que startup é coisa só de jovem. A experiência dos “longevos” faz toda a diferença – Google e Airbnb são cases conhecidos de empresas que viram seu negócio crescer exponencialmente após trazerem CEOs mais maduros.

É hora de repensar não apenas o que significa trabalhar, mas a própria natureza do trabalho. A longevidade é um fato que está aí e estará cada vez mais presente, portanto se faz urgente enxergar além dos desafios.

Há muitas oportunidades que os trabalhadores que passaram dos 50 anos e as empresas poderão desfrutar, a partir do momento em que começarmos a entender que a soma da idade não subtrai, só multiplica, e criarmos uma consciência social em torno disso, como diz a espanhola Raquel Roca, pesquisadora desse tema.

Que tal então revermos nossos conceitos a respeito da idade, já que todos nós seremos “idosos”?

 

MORRIS LITVAK, de 36 anos, é engenheiro de software e criador da plataforma digital MaturiJobs

ALIMENTO DIÁRIO

A CASA FAVORITA DE DEUS

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CAPÍTULO 3 – ABRINDO O CÉU E FECHANDO AS PORTAS DO INFERNO

 

O sinal do Senhor veio sem aviso em um sábado, durante minha pregação no culto de uma igreja no Texas. Em certo momento, eu só “sabia” que deveria ir a uma cidade, em outro estado, domingo à noite. O problema era que eu teria de pregar no Texas no mesmo dia. Eu nunca havia cancelado um compromisso como aquele, mas precisava, de qualquer maneira, realizar o que Deus queria que eu fizesse.

Quando disse ao pastor anfitrião da igreja onde eu estava que não poderia ficar para o culto de domingo à tarde, porque algo mais tinha aparecido, ele foi muito benévolo. No final do culto tia manhã de domingo, meus anfitriões me levaram diretamente ao aeroporto. (Senti tanta urgência que nem mesmo almocei.)

O voo mais próximo estava cheio, mas comprei uma passagem mesmo assim e esperei como passageiro reserva. Não fiquei surpreso quando Deus interveio e me deram um assento no avião.

Quando o avião decolou, aluguei um carro às minhas próprias custas para dirigir até a igreja de mais ou menos três mil pessoas onde já havia ministrado. Pelo caminho, Deus confirmou a decisão sussurrando: “Você está no caminho certo.”

Cheguei ao estacionamento da igreja uma hora antes do culto de domingo à tarde começar, esperando encontrar-me bem cedo com o pastor para que pudéssemos conversar. Pensei que ele poderia me ajudar a entender por que Deus me dissera para vir tão de última hora e sem convite.

Quando tranquei o carro e olhei para as vagas do estacionamento, notei que um grande número já estava ocupado. Bem, talvez algo esteja acontecendo – pensei. Isso foi confirmado quando andei até o templo e percebi os porteiros posicionados às portas do santuário. Eles sorriram quando me aproximei, mas disseram: “Não podemos deixá-lo entrar.”

NOSSO PASTOR FICOU REALMENTE DESESPERADO POR DEUS

Em minha mente, não me importava por que ou de quão longe eu tinha vindo, porque acreditava estar sob autoridade. Então eu disse: “Entendo que vocês não possam me deixar entrar, mas o que está acontecendo aí dentro?” Eles responderam:

“O nosso pastor acordou realmente desesperado por Deus nesta manhã. Ele convocou uma reunião de oração para as quatro horas desta tarde e nos disse para fecharmos as portas do templo depois deste horário. A reunião deve durar até as seis horas, aí estarão abertas as portas para o público geral. Agora são cinco horas, então não podemos deixá-lo entrar.”

“Entendo” – eu disse. “Vou ficar no saguão.” Encontrei um assento perto da porta e comecei a orar com as pessoas no santuário de onde eu estava assentado. Em questão de minutos, os porteiros olharam para mim novamente e disseram: “Você parece um pregador.” Quando lhes contei quem eu era, eles disseram: “Bem, nós discutimos e achamos que devemos deixá-lo entrar. Sabemos que o pastor disse para não abrirmos a porta, mas realmente acreditamos que devemos abrir para você.”

Tudo que eu disse naquele momento foi: “Provavelmente sim.” Quando eles abriram a porta, eu entrei e vi, aproximadamente, quatrocentas pessoas prostradas diante de Deus. Calmamente, me uni a elas e, quando o culto começou certo tempo depois, assentei-me em um lugar imperceptível, próximo às laterais das dependências. Quando o pastor finalmente levantou o rosto, ele me notou e pareceu assustado. Muitas lágrimas escorriam por seu rosto, e sua gravata estava posta de lado. (Sua conduta e vestimenta são sempre impecáveis).

Quando o culto começou, o pastor e o grupo de louvor pareciam sufocados, porque a presença de Deus estava muito intensa no auditório. Um preletor nacionalmente conhecido fora convidado para falar naquela reunião, e quando o pastor se levantou para introduzi-lo, disse: “Temos, aqui, um convidado tão digno quanto o nosso preletor agendado. Vejo o meu amigo Tommy Tenney.” E continuou: Tive um sonho nesta semana. Sonhei que Tommy Tenney aparecia aqui sem se anunciar e sem ser convidado. Ele está neste lugar. Não sei o que Deus quer fazer, mas só quero que Tommy venha compartilhar algo conosco.

LÁ ESTAVA UMA BOA CHANCE PARA QUE DEUS MUDASSE A AGENDA

Eu não sabia o que Deus queria, mas tinha convicção de que aquela era uma chance para que Ele mudasse a agenda de reuniões. À medida que passamos um pelo outro nos degraus da plataforma, parei tempo suficiente para dizer ao pastor: “Não sei o que vai acontecer quando eu chegar lá.” Ele olhou para mim com uma expressão extremamente séria para o momento, sem se preocupar em dizer: “Oi, como vai você?” ou “É bom te ver.” O clima espiritual estava sério demais para aquilo. Tudo que ele me disse naqueles degraus foi: “Eu não me importo.” Pude entender que aquilo significava que ele queria ver Deus Se manifestar.

Inicialmente, eu apenas falaria à congregação por aproximadamente dez minutos. Mas quinze segundos depois que pisei no púlpito, as janelas do Céu se abriram sobre aquele lugar. A presença de Deus estava incrivelmente forte, mas aquilo não tinha nada a ver comigo. Era como se Deus tivesse me pedido para encontrá-Lo naquele lugar e naquela hora. E fui feliz o suficiente para aparecer no encontro marcado. Naquele momento, estávamos na “casa que a obediência construiu’. O pastor tinha sido obediente a clamar a Deus e chamar a sua congregação para a oração. O preletor convidado estava presente e pronto, e eu havia sido obediente para vir também. Deus, de certa forma, nos preparou e nos moveu para lugar e posição certos naquela noite.

Em dez minutos, as pessoas estavam literalmente correndo para o altar. (Quando Deus realmente Se manifesta, não me importa qual seja o seu título ou por quanto tempo você O conhece. De repente, você se torna consciente da necessidade de cobrir- se em arrependimento. Isso se deve à poderosa influência da aproximação da Sua glória). Foi como se Deus simplesmente desprendesse um pedaço do Céu e deixasse um raio da Sua glória atingir aquele lugar.

COMO DUNCAN CAMPBELL DISSE: “DEUS DESCEU·’

A primeira pessoa a chegar ao altar foi o pregador nacionalmente conhecido, e o pastor local logo após ele. Assisti a pessoas correndo naquela direção enquanto, literalmente, mergulhavam no chão, gemendo e chorando diante de Deus. Enprestando uma frase da descrição de Duncan Campbell, do grande avivamento de Hebrides: Deus desceu. Ele realmente abriu as janelas do Céu e Se manifestou entre nós.

Toda vez que isso aconteceu em minha experiência e na história da Igreja, Deus desceu como resultado do arrependimento e desespero na atmosfera da adoração. Eu posso lhe assegurar que os programas da igreja nunca vão alcançar isso. O verdadeiro avivamento acontece quando o Avivador vem para os habitantes da cidade!

O verdadeiro avivamento é mais como uma enchente do que um rio. E uma explosão sobrenatural da presença de Deus na Terra além da Sua onipresença contínua. A Escritura nos diz: “A terra se encherá com o conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.” – (Habacuque 2:14). Quão profundamente a água cobre o leito do mar? A “grande enchente” dos dias de Noé foi enchente de julgamento, mas pode nos oferecer pistas sobre como o conhecimento da glória de Deus vai cobrir a Terra. A Bíblia diz que pouco antes da grande enchente no livro de Gênesis: […] “naquele mesmo dia se romperam todas as fontes de grande abismo, e as janelas do céu se abriram.” – (Gênesis 7:11). A Nova Versão Internacional diz: “Todas as fontes do grande abismo se romperam e os portões da enchente nos céus se abriram.”

Uma maneira de liberar a enchente na Terra é liberar as torrentes vindas de duas direções de uma vez – é como adicionar chuva a um rio. No reino de oração e avivamento, uma maneira de abrir as janelas do Céu é quebrar vasos e liberar torrentes de arrependimento e adoração entre o povo de Deus na Terra. Tem de haver profundo quebrantamento entre nós se quisermos romper e ver uma janela aberta no Céu. Quebrantamento na Terra gera quebrantamento no Céu!

O QUE É UM CÉU ABERTO?

O que eu quero dizer quando falo sobre um Céu aberto? Um “Céu aberto” na terra é um lugar de fácil acesso a Deus. Sabemos, pelas cartas de Paulo, que há pelo menos três “céus”. Ele disse à igreja de Corinto que certa vez foi “arrebatado ao terceiro céu.” – (Veja 2 Coríntios 12:2-4). Se há um terceiro céu, necessariamente deve haver um segundo e um primeiro céu. O terceiro céu só pode ser o domínio de Deus e Seus santos anjos. Este é o reino e “residência” de Deus. Seu domínio do terceiro céu afeta os outros céus abaixo deste.

Já que a Bíblia descreve satanás como “o príncipe da potestade do ar”, o segundo céu é o domínio demoníaco. – (Veja Efésios 2:2). O primeiro céu se refere ao “firmamento” sobre nossa cabeça e o domínio geral do homem, ou, tudo que está ao alcance do homem. O capítulo 10, do livro de Daniel, nos dá uma clara figura de todos os três céus em conflito dinâmico. Quando Daniel orou a Deus, estando no primeiro céu, um conflito eclodiu no segundo céu entre o arcanjo Miguel e o anjo caído dominador, chamado príncipe da Pérsia. A resposta de Deus à oração de Daniel veio independente de todo o esforço no reino das trevas para retardá-la ou atrasá-la. Lembre-se, atraso não é uma recusa. A persistência tem um poderoso papel em abrir o Céu.

E se Daniel tivesse parado de orar após dezoito ou vinte dias? Você não pode deixar que “céus conturbados” o desanimem!

Quando usamos o termo “céus conturbados”, não estamos querendo dizer que Deus não está ouvindo nossas orações. -(Veja Deuteronômio 28:23). Ele ouviu a oração de Daniel e, instantaneamente, enviou um anjo com Sua resposta. O problema é que este anjo passou pelo segundo céu, onde satanás enviou seus anjos caídos para atrapalhar a comunicação. O adversário vai tentar impedir que sua oração suba a Deus, e vai tentar retardar a entrega da resposta de Deus para você, porque o segundo céu é o seu domínio – por enquanto.

Em Efésios 2:2, Paulo descreve satanás como o “príncipe da potestade do ar”. O adversário não tem domínio completo sobre o segundo céu; seu domínio é limitado. Ele é apenas um ser criado e um príncipe angélico caído; não pode sequer ser comparado ao eterno Deus e Altíssimo Rei. Um príncipe somente tem poder delegado a ele pelo rei. Nosso Deus tem todo o poder. Satanás, o príncipe caído, só tem autoridade liberada a ele pelo Rei. Virá um dia em que mesmo essa autoridade lhe será tirada. Jesus já tirou de satanás as chaves do inferno e da morte. – (Veja Apocalipse 1:18). Satanás não tem nem mesmo as chaves da sua própria “casa”. Mas ele ainda tem a “casa”. Naquele grande dia, Deus virá e promoverá o “reempossamento da casa”.

Você quer ver as janelas do Céu abertas? Além dos personagens bíblicos e suas experiências, figuras heroicas da história da Igreja também deixaram pistas sobre como abrir o Céu. John Bunyan é um deles. Sua clássica parábola, A jornada do Peregrino, deve ser o melhor livro cristão conhecido escrito. Mesmo assim, Bunyan não considerou como sendo seu melhor livro. Sua escolha foi um pequeno livro intitulado: O sacrifício aceitável, o qual ele escreveu no fim de sua vida. Ele é um livro sobre quebrantamento baseado na exegese ungida do Salmo 51. Bunyan morreu enquanto o livro estava sendo impresso, mas ele disse que o livro era “o cume do trabalho da minha vida.” Foi no Salmo 51 que Davi declarou: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus.” – (Salmos 51:17). Esta é a chave preciosa que destranca as riquezas da presença de Deus. Esta é a fragrância que Deus não pode ignorar.

Ele responderá. Os céus de ferro estarão quebrados!

A CAMINHADA LONGA E SUADA DE DAVI VERSUS AVIVAMENTO SEM SUOR

Cristãos em todo mundo estão dizendo: “Queremos avivamento. Queremos o mover de Deus.” Infelizmente, não aprendemos com os erros de Davi. Frequentemente, tentamos fazer a mesma coisa que ele fez na primeira vez que tentou trazer a presença de Deus para Jerusalém. Entulhamos as coisas santas de Deus numa carroça feita pelo homem, pensando que Deus vai Se agradar. Então, ficamos chocados quando descobrimos que Ele despreza! Ele não permitirá que bois puxem as carroças carregando Sua glória! Esperamos que alguém, ou alguma coisa, ou algo mais faça o esforço e “sue” a parte difícil do avivamento. Tudo que queremos fazer é cantar e dançar na procissão. – (Salmos 42:4). Estas celebrações imaturas, antropocêntricas de avivamento são tão suaves quanto a primeira “festa da arca” de Davi – até que recebamos uma sacudida de Deus na eira de Nacom.8

Essas sacudidas rápidas na estrada para o avivamento podem ser a mão de Deus dizendo:

“Chega disto! Eu não deixarei vocês lidarem Comigo casual e desrespeitosamente por muito tempo! Somente até certo ponto permitirei que vocês lidem comigo sem suar. No entanto, se realmente quiserem Me mover “do Céu para a terra”, vocês terão de “suar” muito. Não tentem transportar Minha glória nos seus frágeis programas, agendas e métodos humanos. Vocês podem ter suas carroças ou Minha arca – não ambos.”

Davi se retratou e fez pesquisas depois que Uzá caiu morto na eira de Nacom. Uzá morreu depois de tentar estabilizar o que Deus tinha balançado. Nós ainda insistimos em suavizar as sacudidas e completar os mandamentos de Deus. Estamos, futilmente, tentando criar um ambiente “amigo de Uzá” quando valorizamos o conforto do homem acima do conforto de Deus. Eu sempre coloco desta forma: Ser agradável aos amigos é muito bom, mas ser amigo do Espírito é fogo!

Davi descobriu que Deus tinha dito a Moisés para que a arca fosse transportada somente nos ombros de levitas santificados. Deus estava cansado das maneiras do homem e sacudiu a carroça para mostrar isso à tripulação de Davi. O Senhor não queria ninguém sustentando o que Ele estava derrubando.

Em primeiro lugar, por que Deus iria pôr a arca numa carroça? Para a mente do homem era lógico colocar a arca pesada em uma carroça para uma viagem tão longa. Além disso, foi assim que os filisteus o fizeram. A arca da Aliança era uma caixa construída de madeira de acácia e banhada a ouro por dentro e por fora. Ela media aproximadamente 1,30 m de comprimento, 0,78 m cm de largura e 0,78 m de profundidade. A arca também tinha uma tampa de ouro com dois querubins de ouro maciço montados sobre ela e era carregada com varas banhadas a ouro, encaixadas em anéis de ouro maciço localizados nos lados. O ouro é um dos materiais mais densos e pesados que existem na Terra. Você pode imaginar quanto a arca pesava? Sem dúvida, eles fizeram a viagem em uma carroça! Davi aprendeu, de maneira dura, que Deus não pensa como os homens. Seus caminhos — o caminho para um avivamento santo – são mais altos e “mais suados”.

HOMENS DE VERDADE TÊM DE SUAR

Quando Davi fez sua segunda tentativa de trazer a arca para Jerusalém, ele cuidadosamente seguiu as instruções de Deus. O Senhor não queria uma carroça de madeira ou um boi carregando Sua presença – Ele queria homens reais. De fato, a cada seis passos, eles sacrificavam um boi para deixar tanto Deus como o homem saberem: “Chega de gado”. O boi é um símbolo de força, riqueza e poder. Deus não será manipulado pela sua riqueza terrena ou força física. A fraqueza do homem é que vai carregar a arca da presença de Deus. Os levitas tinham de carregar a arca pesada em seus ombros por uma viagem estimada de 16 quilômetros. Aqueles homens devem ter suado!

Este processo de trazer a glória de Deus para dentro de Jerusalém é uma figura simbólica de como devemos trazer a Sua glória manifestada para dentro da igreja. (É essencial que nos lembremos da distinção entre a glória Shekinah de Deus e Sua onipresença).

A casa de Obede-Edom ficava em torno de 11 a 22 quilômetros distantes de Jerusalém, de acordo com vários teólogos. Estabelecendo arbitrariamente a distância de 16 quilômetros, podemos fazer uma ilustração deste processo de sacrifício e viajar para Jerusalém. Os levitas iam matar um boi e um novilho gordo, mover adiante seis passos e passar pelo processo de sacrifício novamente. – (Veja 2 Samuel 6:13). Estudiosos da Bíblia estão divididos neste assunto, mas se Davi e sua procissão paravam a cada seis passos para fazer sacrifício, então eles colocaram um pesado trabalho no caminho para o avivamento.

Aqueles levitas não colocaram aquelas pesadas caixas no ombro e casualmente andaram por 16 quilômetros como se estivessem fazendo um pequeno passeio de domingo no parque. Não andavam pelos portões de Jerusalém parecendo refrescados e impecáveis em suas roupas “de igreja” gritando: “Ei! Olhem para nós, estamos tendo um avivamento!”

QUANDO VOCÊ BUSCA A GLÓRIA DE DEUS, AS COISAS FICAM MAIS DIFÍCEIS E NÃO MAIS FÁCEIS

Davi e sua procissão de levitas, sacerdotes e adoradores pagaram um preço para introduzir a glória de Deus em sua cidade naquele dia. Não há dúvida de que quando aquela equipe finalmente chegou ao portão de Jerusalém, Davi se transformou em um bobo dançando e girando! Por quê? Eles estavam felizes por sobreviverem à viagem! Eu acho que todos na procissão estavam gritando: “Conseguimos!” De qualquer maneira que você olhar, este foi um processo sangrento e fumegante.

Acredito que será o mesmo para nós hoje. Ouça-me amigo: quando você sai de um nível de unção para clamar para que a glória de Deus venha, as coisas não se tornam mais fáceis. Elas se tornam mais difíceis.

A maioria das pessoas vai pelo método da carroça nova, porque ele representa um método de adoração de baixo custo e sem suor. Deus advertiu Adão e Eva no início da vida que teriam fora dos portões do Paraíso: “Vocês irão viver do suor do próprio rosto.” – (Veja Gênesis 3:19).

“Suor” tem um significado particular para Deus. É a maneira pela qual o valor é transferido na terra. Em termos modernos, se você quer transferir dinheiro da conta do patrão para o seu bolso, você terá de suar ou trabalhar de alguma forma. Da mesma maneira, fazendeiros têm de suar se eles quiserem transferir o valor do solo para a conta bancária e alimentar suas famílias.

Pode ser que você “sue” em um escritório com ar condicionado. Ou você poderia encharcar-se com suor, literalmente, pregando pregos numa construção. Davi entendeu isto e se recusou a oferecer a Deus coisas que lhe chegaram sem nenhum custo. – (Veja 2 Samuel 24:24). Ele gastaria o dinheiro que ganhou, suando com os problemas do reino, para comprar o solo e animais para sacrificar. Ele também oferecia adoração suada na dança.

Suor transfere valor. É necessário “suor” para adorar! Adoração é, na verdade, um “DOC”; a transferência de valor, de nós para Deus. Essa é a razão pela qual dar dízimos e ofertas é uma parte da adoração. Transferimos suadas horas em dinheiro em

um ato de adoração. Esta é apenas uma maneira de transferir o nosso “tempo” para Ele. Quer você sue figurada ou literalmente, vai suar se quiser sobreviver. Você vai suar se realmente quiser adorar.

Quando a carne de nossa humanidade se torna preguiçosa, tentamos importar ou carregar as coisas de Deus usando métodos sem suor para que possamos passar por elas e ficar muito entusiasmados sobre “transportar a glória”. A verdade é que não queremos dar o nosso suor.

VOCÊ ESTÁ DISPOSTO A PAGAR UM PREÇO PELA PRESENÇA DE DEUS?

Jesus mesmo nos ensinou a fazer exatamente o oposto. Ele veio à Terra como servo que esvaziou-Se a Si mesmo. – (Veja Filipenses 2:7). Se você não acredita que o suor tem valor, imagine Jesus dando Seu suor no jardim do Getsêmani. Jesus moveu Sua carne até o último nível de obediência sacrificial à vontade de Seu Pai quando Ele “deu o Seu suor”. As coisas acontecem quando você derrama o suor da carne em sua fome pelo Pai. O valor eterno é movido daqui (seu coração) para lá (coração de Deus).

Preocupo-me com o fato de que a maioria dos cristãos não está interessada em pagar nenhum preço pela presença de Deus. Esperam que ela seja trazida numa bandeja de prata. Somos como espectadores assistindo atores pagos, ou gado tentando arrastar à força a presença de Deus para a igreja. É tempo de abandonar os cultos em que você é espectador. Torne-se um participante! Às vezes, fazemos ainda pior. Fazemos o papel de Mical, filha de Saul. Olhamos fixamente de nossos palácios religiosos como expectadores reais, escarnecendo daqueles que se tornam sujos, ensanguentados e suados, em sua pressão sacrificial para a glória de Deus. Infertilidade sempre será o resultado de falta de intimidade!

Estou falando de Salvação por obras? Absolutamente não. Estou falando sobre a apaixonada busca por Deus, o tema central que domina a narrativa da Bíblia de Gênesis a Apocalipse. Estou falando sobre retornar ao nosso primeiro Amor, à nossa primeira Paixão! (Paixão se tornou uma palavra suja em muitas de nossas igrejas centradas no intelecto). Uma vez que fomos salvos, nos tornamos “Seu povo” pela graça; temos de buscá-Lo primeiro, seguir Seus mandamentos e viver nossa vida para Ele e não para nós mesmos. É aí que o suor da obediência em adoração arrependida aparece.

AS VESTES DO APAIXONADO SÃO MANCHADAS COM AS MARCAS DO SACRIFÍCIO SANGRENTO

Os adoradores triunfantes que entraram pelas portas de Jerusalém carregando a arca da glória de Deus romperam as marcas da sua luta para adquirir o fogo azul da Sua presença. Aqueles que trabalham para restaurar a presença e o favor de Deus são facilmente distinguidos de adoradores inférteis que ficam no conforto da cidade esperando ver o que vai acontecer. As vestes do apaixonado são marcadas com as marcas do sacrifício sangrento. A lama e o suor nas suas vestes sacerdotais são lembranças visíveis de sua cara jornada para trazer a presença de Deus da eira da preparação para sua cidade.

Isto significa que sob a nova aliança de Cristo temos de pular, saltar e ficar literalmente suados para que a presença de Deus entre em nossas reuniões? Não, mas precisamente estar dispostos a isso. Deus, que é Espírito, deve ser adorado em espírito e em verdade. – (Veja João 4:24). O alto sacrifício de Jesus na cruz aboliu o sacrifício de animais para sempre, mas Deus nunca aboliu o conceito de sacrifício em adoração.

Como notamos anteriormente, Davi disse que os sacrifícios para Deus são “um coração quebrantado e contrito.” Você faz sacrifícios a Ele sempre que canta hinos e põe a virtude da sua vida neles. Como afirmei, outra maneira pela qual você “transfere suor” para o Reino é mediante sua doação. Quando você “sua” ou trabalha para ganhar dinheiro no reino natural, você transfere parte de si mesmo para Deus ao colocar essa oferta voluntária para o Reino. Você está transferindo valor.

NÃO OFEREÇA A DEUS UM “SACRIFÍCIO” QUE NÃO LHE CUSTA NADA

Novamente, acredito que necessitamos aprender o que Davi descobriu sobre o conceito de valor do sacrifício. Lembre-se, ele disse: “[…] não oferecerei ao Senhor, meu Deus, holocaustos que não me custem nada […]” – (2 Samuel 24:24 – itálico do autor). Ele sabia que a única maneira de restaurar a presença e o favor de Deus ao Seu povo era derramar suor em adoração sacrificial e arrependida. Se a glória de Deus virá pelas portas da cidade, alguém tem de carregá-la!

Todos que estão buscando avivamento hoje vão dizer: “Esta coisa de avivamento é trabalho duro.” Pergunte aos introdutores, membros do grupo de louvor e pastores, que têm de lidar com a pressão da humanidade faminta dia após dia, e semana após semana, em seus templos superlotados de adoradores. Ou pergunte aos intercessores que oram e entram nas brechas do céu de bronze. Um homem não pode carregar a arca da glória de Deus por todo caminho, sozinho, nesta geração. Outros têm de pôr seus ombros santificados sob o peso da jornada para Jerusalém e dizer: “Aqui, deixe-me ajudar.”

DEUS NÃO É OBRIGADO A ALIMENTAR BELISCADORES CASUAIS

A maneira de abrir os céus sobre você é buscar a revelação nova de onde Deus está. Na maioria das vezes, vivemos com menos do que o melhor de Deus porque temos a tendência para nos focarmos na verdade de onde Deus esteve. Esta revelação nova deve ser buscada porque Deus não alimenta beliscadores casuais, Ele alimenta o faminto. Quando Ele se revela a você e a mim, essa revelação nunca é tirada de verdades passadas. Apenas adicionadas àquelas.

Deixe-me ilustrar a diferença entre concentrar em verdades passadas e buscar nova revelação. Se você fosse um habilidoso caçador de tigre na índia, poderia me contar muito sobre a sua proeza apenas por examinar os rastros. Você provavelmente seria capaz de me dizer o tamanho do tigre, o sexo, a idade aproximada e há quanto tempo ele deixou as pegadas. Na verdade, você até poderia ficar entusiasmado sobre aquelas pegadas por causa do significado que elas têm para você. No entanto, há uma grande diferença entre estudar os rastros do tigre e olhar nos olhos daquele tigre.

Na maior parte do tempo, os cristãos se tornam tão enamorados com as verdades de onde Deus esteve que eles falham em perceber que Ele está nos visitando bem agora. Como eu mencionei em Os caçadores de Deus, os fariseus da época de Jesus estavam dentro do templo orando para que o Messias viesse, e se encontravam totalmente inconscientes do fato de que Ele estava lá fora, passando por eles em Sua entrada triunfante em Jerusalém! Então, eles perderam Sua visitação porque estavam tão trancados nas “pegadas impressas do passado” profético que se recusavam a reconhecer o momento do Messias à frente dos próprios olhos.

Todos necessitamos ler e estudar a Palavra de Deus diariamente, mas não precisamos adorar revelações passadas excluindo as novas revelações. Lutero teve uma maravilhosa revelação da graça de Deus e compartilhou esta “pegada de Deus” com o mundo. Uma vez que a verdade da “Salvação pela fé” foi estabelecida como uma doutrina, os homens sentiram compelidos a construir um santuário em torno desta verdade como se aquela fosse tudo o que houve e jamais será.

Eu creio que Deus está constantemente dando novas revelações de Sua pessoa. Isso é, em parte, porque o nosso imutável Deus se move continuamente e trabalha no meio do Seu sempre mutável povo. A parte maligna entra quando o povo começa a dizer: “a nossa pegada é o único rastro da floresta” ou “nossa revelação é a revelação final”.

AS VERDADES DE QEUS DEVERIAM GUIÁ-LO AO DEUS DA VERDADE

Sempre se lembre que as verdades de Deus devem guiá-lo ao Deus da verdade, à Pessoa que Ele é. Deus quer que você siga estas pegadas da verdade até que chegue à revelação de quem Ele é. Trinta segundos contemplando a glória de Jesus por uma abertura nos céus transformou o homicida Saulo no mártir chamado Paulo. Este é o poder de um Céu aberto!

Ele começou seguindo as pegadas dos fariseus, mas depois, subitamente, O viu! Saulo estava fielmente seguindo as velhas e as empoeiradas pegadas da lei que se transformaram em legalismo. Aquele legalismo vazio, sem revelação, fez com que Saulo perseguisse os cristãos que estavam seguindo as novas pegadas de revelação. Saulo pensou que estava fazendo o certo – até que viu o Cristo ressurreto. Então, o próprio Saulo disse: “eu estava fazendo tudo errado.”

Eu me pergunto: quantos mais como Saulo-Paulo estão lá fora somente esperando a igreja “abrir o Céu” para que eles também possam ter um encontro transformador mediante a glória de Deus?

Honestamente, se você tiver uma visitação real da presença manifesta de Deus em sua igreja, isso provavelmente vai bagunçar sua teologia, destruir sua estrutura e mudar tudo o que tem feito! Por quê? Porque desta vez você vai experimentar a glória de Deus em vez de simplesmente estudar onde ela estava. Verdadeiramente, este é o meu objetivo. Eu estou em busca da glória de Deus e quero abrir as janelas do Céu.

FAZENDO FUMAÇA

Ao longo da Bíblia, quando os céus se abriam e a glória de Deus aparecia, uma nuvem estava frequentemente envolvida. Quando Deus escolhe visitar a humanidade, Ele traz Sua nuvem para nossa proteção. A nuvem nos protege de ver demais para que não vejamos Sua face e morramos. – (Veja Êxodo 33:20). Estamos perto, mas cobertos. Quando você escolhe visitar a Deus, tem de fazer sua própria nuvem. Considere o Antigo Testamento, em Levítico 16, precedente para qualquer sumo sacerdote que fosse escolhido para chegar perto da presença de Deus “atrás do véu”:

Tomará também, de sobre o altar, o incensário cheio de brasas de fogo, diante do Senhor, e dois punhados de incenso aromático bem moído e o trará para dentro do véu. Porá o incenso sobre o fogo, perante o Senhor, para que a nuvem do incenso cubra o propiciatório, que está sobre o Testemunho, para que não morra. – (Levítico 16:12-13)

Um incensário frequentemente, é um pequeno recipiente feito de metal ou ouro, que está sempre suspenso numa corrente. É designado para fazer fumaça quando o incenso queimável é colocado no recipiente junto com uma brasa quente. A oração salpicada com paixão faz fumaça. Antes que o sumo sacerdote fosse para trás do véu, ele colocava incenso no incensário e empurrava-o através do véu com sua mão. Tinha de fazer fumaça suficiente para encher o Santo dos santos e cobrir o propiciatório antes de desafiar o risco atrás do véu. A atmosfera cheia de fumaça também o forçava a fazer seus deveres sacerdotais pelo toque ou tato. Ele não conseguia ver nada! Este é o cumprimento de uma verdade do Antigo Testamento expressada pelo profeta Habacuque e em três citações do Novo Testamento: O justo viverá pela fé (E não por vista). – (Veja Habacuque 2:4; Romanos 1:17; Gálatas 3:11; Hebreus 10:38).

O SANGUE DÁ ACESSO A DEUS; ADORAÇÃO ARREPENDIDA ATRAI DEUS

A nuvem de fumaça era literalmente a última camada de proteção do sacerdote, escondendo sua carne da glória de Deus e morte certa. E o sangue de Jesus Cristo que nos dá acesso à sala do trono de Deus hoje, mas é a nossa adoração sacrificial e arrependida que O atrai e permite que Ele se mova para perto de nós. Da mesma maneira, adoração verdadeira faz fumaça suficiente para permitir que você chegue perto d’Ele. Adoração é o componente-chave para a manifesta presença de Deus descer entre nós.

 Quando você adora, está “fazendo fumaça” com um incenso suave, uma fragrância favorita para atrair a presença de Deus. Se você fizer fumaça suficiente, a misericórdia de Deus o cobrirá e Ele poderá vir ainda mais perto; então você poderá aproximar-se d’Ele. A “nuvem de adoração” libera Sua cobertura de misericórdia para que você possa ter comunhão com Ele em uma intimidade e proximidade que não pode ser criada em nenhuma outra hora.

MARQUE AS MEMÓRIAS QUE SE DESTACAM SOBRE DEUS

Faça um retrocesso da sua vida em Cristo e marque as memórias do toque de Deus que se destacam. Você pode se lembrar sobre o que o pregador ministrou quando teve o seu encontro mais próximo com Deus? Você pode recordar o que os cantores cantaram? Poucos de nós podemos recordar esses detalhes, mas todos nós conseguimos claramente lembrar como sentimos a presença de Deus naquele momento. E como um encontro com a eletricidade. Se você já tomou um choque nunca se esquece como se sentiu. Se Ele já chegou perto… você nunca se esquece! Eu anseio por aqueles momentos. Eu vivo para aqueles momentos.

O princípio é este: quanto mais fumaça você faz, mais perto você chega. Novamente, a chave é a adoração. O valor da adoração não é medido em termos de quantidade, mas de intensidade. Nós sabemos mais sobre louvor do que sabemos sobre adoração. Ações de graça o levam aos portões, louvor, ao átrio, mas a adoração o leva à presença de Deus. Frequentemente, ficamos paralisados no átrio e nunca chegamos à sala do trono. Talvez a inclinação mínima requerida, quando entramos na sala do trono e primeiramente vemos o Rei, é um pouco humilhante para nós. O arrependimento nunca foi familiar com a carne.

A Palavra de Deus nos diz que há cinco coisas distintas e definitivas que abrem as janelas do Céu. Não é uma fórmula; é um estilo de vida de adoração e dedicação a Deus em todas as coisas. Todos os seguintes são vários elementos de adoração.

1. DIZIMAR é uma chave antiga para os céus que até mesmo veio antes da lei dada a Abraão. – (Veja Gênesis 14:18-20). O princípio de dar a Deus as “primícias” da nossa renda ou lucro é claramente descrita no livro de Malaquias 3:10.

Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança.

2. PERSEGUIÇÃO também abre os céus, como demonstrado no livro de Atos quando Estêvão foi martirizado:

Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus. Eles, porém, clamando em alta voz, taparam os ouvidos e, unânimes, arremeteram contra ele. E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. – (Atos 7:55-58)

3. PERSISTÊNCIA é uma arma efetiva para “manter abertos” os portões do Céu. Elias orou sete vezes e continuou mandando seu servo voltar e pesquisar os céus até que, na sétima vez, o servo viu uma nuvem do tamanho da mão de um homem se erguer do mar. Aquela pequenina nuvem vinda de Deus cresceu a ponto de provocar uma poderosa tempestade que os céus se tornaram pretos com chuva e vento. – (Veja 1 Reis 18:42-45). Jesus disse aos Seus discípulos que a porta estaria aberta para aqueles que persistentemente pedirem, buscarem e baterem na porta de Deus. – (Veja Mateus 1:1-8).

4. UNIDADE abrirá as janelas do Céu: ela convida a presença de Deus onde dois ou três concordarem “acerca de alguma coisa que pedirem”. Jesus literalmente disse: Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles. O lado oposto deste princípio é ilustrado na advertência de Pedro onde maridos e esposas devem permanecer unidos “para que não se interrompam as vossas orações.” – (1 Pedro 3:7).

5. ADORAÇÃO é a quinta chave para o terceiro céu. Davi, o salmista, profetizou: “Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória.” – (Salmos 24:7). Você já viu uma “cabeça” numa porta? É óbvio que Davi estava se referindo a pessoas como “portas” e “entradas eternas” através das quais o Rei da Glória pode vir à terra. Esta é uma chamada para a adoração.

Goste disto ou não, a única maneira pela qual podemos começar a abrir os céus sobre nossas igrejas e cidades é nos tornarmos doadores, persistentes e unidos adoradores que não têm medo de sacrificar tudo por Cristo.