A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ANONIMATO E CURIOSIDADE: O USO DO SARAHAH

As pessoas postam em redes sociais o que consideram o melhor de si, assim como são capazes de expressar, em perfis falsos ou não, o lado mais preconceituoso e agressivo de seu ser

Anonimato e curiosidade - o uso do SARAHAH

Aplicativos que funcionam como redes sociais anônimas não são novidades. Apesar disso, a cada ciclo de poucos meses, novas propostas são lançadas e milhões de usuários voltam a apostar nesse tipo de reverberação da cibercultura. O objetivo desses recursos tecnológicos é permitir ao usuário receber perguntas e comentários sem que o autor delas seja identificado. Alguns exemplos são o Curious Cat, o Secret e o Ask.fm.

A nova febre é o Sarahah. O quantitativo de downloads deste aplicativo, que significa franqueza, em árabe, já passou o YouTube, Instagram e o WhatsApp. Apesar do objetivo do Sarahah ser positivo (nas palavras do criador), os usuários não estão, mais uma vez, aproveitando essa oportunidade de forma virtuosa. A criação desse recurso não reverberou em manifestações de sujeitos que possam gerar críticas e feedbacks positivos (mesma ideia do Secret, que foi cancelado após a ocorrência frequente de ciber-bullying). Mas por qual motivo?

Kallas menciona que o conceito de intimidade, de espaço público e privado mudou. Antes, segundo a autora, protegidos entre paredes de nosso quarto, líamos, escrevíamos nossos diários, nossos poemas e os trancávamos no espaço mais protegido do olhar alheio, como uma preciosidade que só a nós pertencia. O espaço privado era bem diferenciado do espaço público. Sabe-se que com o uso do Facebook, Instagram e outras redes sociais muitos podem, inclusive, acompanhar ao vivo o que estamos fazendo e onde estamos, isso não é novidade. Kallas revela que hoje escrevemos os diários em blogs, expomos nossa intimidade na internet, exibimos imagens das situações mais banais no Instagram, montamos um espetáculo de nós mesmos e buscamos o olhar do outro e sua aprovação por meio de curtidas. A intimidade tem se deixado infiltrar pelas redes.

A perda dessa intimidade, associada ao uso de aplicativos que permitem o anonimato, infelizmente, gerou críticas negativas. É possível verificar, por exemplo, em diversos endereços eletrônicos, a grande quantidade de comentários ofensivos ou irrelevantes dirigidos ao receptor das mensagens no Sarahah. Kallas comenta que as pessoas postam em redes sociais o que consideram o melhor de si, assim como são capazes de expressar, em perfis falsos ou não, o lado mais preconceituoso e agressivo de seu ser. O ciberespaço, segundo a autora, propicia que pessoas anônimas postem e compartilhem seus pensamentos, suas ideias, músicas, dotes artísticos, vídeos que se tornam virais, dentre outros elementos.

Megale e Teixeira, há quase 20 anos, alertam que os processos de subjetivação são fundamentalmente desconhecidos e descentrados do indivíduo, mas são fabricados no registro social, já que estamos imersos em uma sociedade marcada e constituída pela informática, pela comunicação a distância, pela invasão dos computadores em todos os espaços, desde os públicos até os priva- dos. Os computadores e as redes digitais estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano. Mais ainda, parece estar se delineando um caminho onde praticamente todas as questões e os fazeres da ordem pública poderão ser realizados na esfera do privado, determinando desse modo um certo tipo de relação entre os indivíduos e os objetos. É possível refletir então: com uma quebra tão notável da esfera do privado, o Sarahah pode funcionar como um catalisador do anonimato, ou seja, como uma tentativa de quebrar a exposição pública do usuário por meio da não identificação do mesmo? Ou será que esse tipo de aplicativo aumenta a exposição e torna ainda mais pública a intimidade daquele que recebe os comentários?

Sabe-se que apesar do aparente benefício do anonimato na internet, ele provoca outros tipos de problemas. De acordo com Silva Barbosa, Ferrari, Boery e Filho, há uma frequente divulgação e/ou manipulação de fotos e vídeos cotidianos sem o consentimento de seus proprietários na internet, os casos de bullying virtual, estelionato, pedofilia, as manifestações preconceituosas e depreciativas contra minorias. Embora esses problemas já existissem antes do advento do mundo virtual, na internet podem adquirir maiores proporções, atingir um maior número de pessoas, causar danos mais sérios e difíceis de serem remediados, afetando a esfera das relações humanas em todos os seus âmbitos.

Na soma dos posicionamentos dos autores e das avaliações em relação ao Sarahah verifica-se que a maioria dos usuários ainda não utiliza diversas redes sociais com um caráter positivo, ou seja, ao invés de utilizar essa oportunidade como possibilidade de crescimento pessoal ou do receptor, existe uma série de comentários pejorativos, degradantes e, como dito anteriormente, inócuo. De forma paralela, os usuários que são atingidos pelos ataques de terceiros, seguros pelo anonimato, podem, se vulneráveis mentalmente, desenvolver problemas na autoestima e ansiedade. Em alguns casos, esses ataques são gatilhos para o desenvolvimento de psicopatologias, por isso cabe uma reflexão para que possamos utilizar as novas redes com uma perspectiva madura e virtuosa.

 

IGOR LINS LEMOS – é doutor em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental Avançada pela Universidade de Pernambuco (UPE). É psicoterapeuta cognitivo-comportamental, palestrante e pesquisador das dependências tecnológicas. E-mail: igorlemos87@hotmail.com

OUTROS OLHARES

OS DINOS NÃO ERAM COMO IMAGINÁVAMOS

Réplicas cientificamente precisas mostram que os animais eram muito diferentes do que o cinema fez parecer e destacam espécies pouco conhecidas que se desenvolveram no território brasileiro

Os dinos não eram como imaginávamos

Quase todo mundo tem uma ideia de como é a aparência de um dinossauro. A “dinomania” que tomou conta da cultura pop dos anos 90 ­— muito impulsionada pelo sucesso do filme “Jurassic Park”, lançado em 1993 — popularizou a figura reptiliana desses animais, que assumem contornos monstruosos no caso de predadores como o Tiranossauro Rex e o Velociraptor. A representação estava correta para a época, mas com mais de 25 anos de progressos científicos na paleontologia, a visualização deles na comunidade científica é um pouco diferente. A descoberta em fósseis de penas e estruturas de cerdas, que remetem a plumagens, se tornou cada vez mais corriqueira, permitindo a reprodução de dinos com características comuns às aves.

Foi essa diferença entre a representação popular dos animais e as descobertas da ciência que animou os paleontólogos Tito Aureliano, Aline Ghilardi e Rafael Delcourt, em parceria com o designer Hugo Cafasso, a desenvolverem o projeto Dino Hazard.

Ele consiste na fabricação de bonecos de dinossauros com o selo de “precisão científica”. A iniciativa também é inovadora porque seleciona espécies que viveram no Brasil durante o período Cretáceo — cerca de 100 milhões de anos atrás e que são bem menos conhecidas do que aquelas que viveram no Hemisfério Norte. O projeto foi a evolução de um livro publicado por Tito em 2016, intitulado “Realidade Oculta”, que se apoia num roteiro de ficção científica para divulgar a paleontologia produzida no Brasil. Hugo, fã do livro e aficionado por dinossauros, conheceu Tito e Aline, também responsáveis pelo canal “Colecionadores de Ossos” no YouTube, durante a produção de um trabalho de conclusão de curso em Design Industrial. A partir daí o grupo deu rumo para a fabricação de figuras cientificamente precisas.

 CONSULTORIA CIENTÍFICA

O designer conta que a elaboração dos dinos envolve trabalho artístico, mas sempre amparado em dados científicos e baseado em informações e hipóteses fornecidas pelos paleontólogos. “A direção dos cientistas é essencial para fazer a interpretação mais correta possível. Os bonecos resultam de uma grande compilação de dados e de informações técnicas”, afirma Hugo. O produto de estreia do Dino Hazard será o Charcarodontossauro, apelidado por eles de “Carcaro”, um predador carnívoro e feroz que viveu na versão cretácea do Maranhão e que era ainda maior que o temido Tiranossauro Rex. Media 14 metros de comprimento e pesava cerca de 13 toneladas.

Até a coloração do boneco foi pensada com base em hipóteses científicas. Um predador pesado e lento como o “Carcaro” exigia cores discretas para se camuflar em beiradas de florestas. Há versões com preços mais baixos e cores atraentes como laranja e vinho e há também produtos especiais para colecionadores com pintura ultrarrealista, que serão feitas de forma artesanal com o auxílio de um artista.

Os bonecos serão bancados por uma campanha de financiamento coletivo, que superou as expectativas. Até quarta-feira 19, 315 pessoas tinham contribuído com o projeto, que acumula R$ 47,8 mil em arrecadação. Tito afirma que pelo menos metade dos apoiadores é do exterior — gente interessada em conhecer espécies brasileiras por meio dos brinquedos. A previsão inicial de arrecadação era de R$ 22,2 mil e devido ao sucesso da campanha e ao grande interesse despertado, outro modelo será produzido. É o Irritator Chalengeri, animal que também viveu na região do Brasil no período Cretáceo, descrito por Tito como uma mistura de crocodilo com pelicano, que deve atrair mais interessados a contribuir com a iniciativa de produção de novos bonecos.

O paleontólogo afirma que pretende continuar concentrado em réplicas de dinossauros brasileiros. Ele explica que as espécies mais conhecidas e populares retratadas em filmes, como o Tiranossauro e o Velociraptor, habitavam o hemisfério Norte, enquanto para os animais do Sul o conhecimento ainda é limitado e gera cada vez mais demanda. Sabe-se relativamente pouco sobre os animais que viveram no que hoje é a América do Sul. “As características dos dinossauros do Sul eram completamente diferentes das espécies do Norte. Todo livro recente de paleontologia tem um capitulo de animais do Brasil, por isso vale tanto a pena produzir conteúdos daqui”, diz. Resta saber quando a revisão da aparência dos animais chegará às telas dos cinemas e se os temidos predadores serão finalmente retratados como de fato eram.

Os dinos não eram como imaginávamos. 2

 

GESTÃO E CARREIRA

NOVAS PERSPECTIVAS PARA GESTÃO DE PESSOAS

O counseling organizacional é uma ferramenta que utiliza o conhecimento técnico de uma pessoa para aconselhar de maneira sistemática um profissional a tomar as decisões mais assertivas, e que sejam benéficas para sua vida

Novas perspectivas para gestão de pessoas

Counseling é uma abordagem profissional e pessoal com foco específico no desenvolvimento do ser humano, que visa otimizar suas capacidades. É desenvolvida com atividades estruturadas de acompanhamento, desenvolvimento e resultado. Basicamente, consiste em uma pessoa que, dotada de conhecimento técnico, experiência de vida pessoal e profissional, aconselha de forma sistemática e dedicada o outro a tomar as decisões mais assertivas, e que sejam benéficas para sua vida. Quem aconselha ganha o nome de counselor e quem recebe o aconselhamento é chamado de counselee. Essa atuação pode existir de duas formas: amadora (de maneira informal e aleatória) ou profissional (de modo sistemático e com frequência).

A aplicação do counseling é milenar. É possível perceber ao longo do processo histórico a existência de aconselhamento em todas as sociedades, desde os povos indígenas até as grandes coroas da Idade Média. Todavia, observa-se sua atuação mais fortemente na religião. Alguns teóricos atribuem a origem da técnica de counseling ao cristianismo como uma ação natural dentro das comunidades eclesiásticas. Nesse meio, se destaca a contribuição dada pelo reverendo presbiteriano Jay Edward Adams, professor e conselheiro. Entretanto, sua abordagem foi criticada por seu grau elevadíssimo de subjetividade.

Todos, em algum momento da vida, serviram como conselheiro para alguém, orientando-o a tomar as melhores decisões, ou em outras ocasiões foi aconselhado, direcionado a fazer as melhores escolhas. Entretanto foi com Carl Rogers (8/1/1902-4/2/1987), psicólogo que fundamentou as características que hoje são usadas no desenvolvimento humano. A premissa básica do counseling é colocar o ser humano no centro de toda ação, antes mesmo do problema. A definição de Rogers (1942 para counseling é a seguinte: “Uma série de contatos diretos com o indivíduo com o objetivo de lhe oferecer assistência na modificação de suas atitudes e comportamentos. Consiste em uma relação permissiva que oferece ao indivíduo oportunidade de compreende a si mesmo e a tal ponto que o habilita a tomar decisões em face de suas nova perspectivas”. A partir de leitura de Santos e apresentada por Scorsolini-Comi acerca de Rogers, o aconselhamento pode ser compreendido como um “[… método de assistência psicológica destinada a restaurar no indivíduo suas condições de crescimento e de atualização, habilitando-o a perceber, sem distorções, a realidade que o cerca e a agir nessa realidade, de forma a alcançar ampla satisfação pessoal e social” (p. 7).

Sua atuação organizacional nasceu no início da década de 1940, na Europa e fortemente nos Estados Unidos, onde existe a maior associação de aconselhamento no mundo: a ACA – American Counseling Association.

DEFINIÇÕES

Scorsolini-Comin ainda expõe outras definições sobre aconselhamento: Erickson (1951) – Relação entre duas pessoas na qual um dos participantes assumiu ou foi levado a assumir a responsabilidade de ajudar o outro. O cliente tem possíveis necessidades, problemas, bloqueios ou frustrações que deseja tentar satisfazer ou modificar. O bem-estar do cliente constitui o interesse central da situação. Shostrom e Brammer (1952) – Relação objetiva e recíproca entre duas pessoas, em que uma, com formação específica, auxilia a outra a modificar-se ou a mudar seu ambiente (p. 1). Mac Kinney (1958) – Relação interpessoal na qual o conselheiro assiste o indivíduo na sua totalidade psíquica a se ajudar mais efetivamente a si próprio e ao seu ambiente. Steffire (1976) – Indica um relacionamento profissional entre um orientador preparado e um cliente. Esse relacionamento, geralmente, se verifica apenas entre duas pessoas, embora, às vezes, possa envolver mais de duas, e destina-se a auxiliar o cliente a compreender e ver melhor seu espaço vital, de modo a fazer escolhas significativas, com base em informações, de acordo com sua natureza essencial nas áreas onde haja escolha para ele fazer. Patterson e Eisenberg (1988) – Processo interativo caracterizado por uma relação única entre conselheiro e cliente, que leva este último a mudanças em uma ou mais das seguintes áreas: comportamental; construtos pessoais; capacidade de ser bem-sucedido nas situações de vida, de forma a aumentar ao máximo as oportunidades e reduzir ao mínimo as condições de decisão. O aconselhamento deve resultar em comportamento livre e responsável por parte do cliente, acompanha- do de capacidade para compreender e controlar a ansiedade. Sheeffer (1980) – Relação face a face entre duas pessoas, na qual uma delas é ajudada a resolver dificuldades de ordem educacional, profissional, vital e a utilizar melhor os seus recursos pessoais.

No Brasil sua atuação é pequena, quase inexistente, com pouca literatura especializada e serviços oferecidos. Isso acontece devido ao grande equívoco em se achar que tudo precisa de coaching. A confusão é feita, geralmente, porque pessoas não dotadas de capacidade para diagnosticar a necessidade da ferramenta, levando em consideração a carência do indivíduo, recomendam coaching por ser algo da moda ou com a desculpa de que deu certo na empresa tal. Para tudo indicam o coaching, achando que essa ferramenta é a solução de todos os males. Não é! O coaching é incrível em seus resultados, mas quando aplicado para quem precisa de um processo de coaching. Não é difícil até mesmo os teóricos confundirem o counseling com o coaching e o mentoring. Essas tão poderosas ferramentas têm pontos em comum, mas quando se debruça a compreender cada uma delas, percebe-se que existem diferenças alarmantes, e é justamente essas particularidades que cada uma tem que define seu sucesso no processo de desenvolvimento individual. Não existem melhores ou piores ferramentas, todas elas apresentam resultados e um impacto positivo dentro da organização. Entretanto, cabe sempre ressaltar e reforçar que devem ser sempre aplicadas de maneira prudente e ética com responsabilidade e maturidade organizacional, sem modismos ou conveniências.

No que concerne ao counseling, existem especificações que evidenciam as principais diferenças: Quem pode ser um counselor? Pessoa com experiência profissional e pessoal, que tenha o conhecimento e vivência no campo organizacional. Será necessária também uma preparação para assumir o papel de counselor, um curso de for- mação, para aprender as técnicas que precisam ser usadas nas sessões. Quem pode ser um counselee? Profissionais talentosos que exercem um cargo estratégico dentro das organizações, o tipo de funcionário que vale a pena investir caro para aprimorar suas capacidades. Onde acontecem as sessões? Podem acontecer dentro da organização ou fora (exceto para situações em que o counselor perceba que precisa tirar o counselee de dentro da empresa para uma reflexão mais aprofundada). Qual o foco? No ser humano, muito antes do problema ou gap. Vale salientar que o ser humano é único e que reflete no campo profissional experiências pessoais. Consequentemente, quando o profissional auxilia no crescimento pessoal está sendo proporcionado crescimento profissional. Qual a metodologia? O counselor possui conhecimento técnico na ferramenta para o desenvolvi- mento do colaborador indicado. São realizadas sessões mensais, com duração, em média, de uma hora (para mais ou para menos). Nessas sessões são realizados aconselhamento e atividades de reflexão, além de ações pós-sessão.

DIFERENÇAS

É de extrema importância entender que, quando se fala em counseling organizacional, a referência é uma ferramenta de desenvolvimento humano, com foco na pessoa dentro da organização, pois existe, também, o counseling como ferramenta terapêutica usada em sessões de análise psicológica ou Psicanálise (não é este o caso). Quando uma empresa decide aderir a um programa de counseling, ela precisa ter em mente que é de extrema importância selecionar uma pessoa que seja de referência dentro da organização para ocupar a função de conselheiro. Esse profissional selecionado internamente precisa ter não apenas a vivência, mas também o perfil, um perfil auxiliador que tem foco nas pessoas, com sensibilidade e interesse no desenvolvimento de pessoas (testes de análise comportamental facilitarão nessa busca. Entretanto, é importante ressaltar que os testes não devem ser tomados como verdades absolutas de pessoas, pois o ser humano é muito maior que qualquer teste que possa existir). Além disso, proporcionar uma capacitação (que pode ser interna, com a ajuda de uma consultoria especializada) para que o profissional possa conhecer e ter o domínio das ferramentas usadas em um processo de counseling organizacional. No que diz respeito ao colaborador que receberá as sessões de aconselhamento, é necessário, antes de mais nada, entender se o caso dele requer um profissional que o aconselhe nas escolhas e decisões. Então, o primeiro passo é perceber a real necessidade do uso do counseling (uma consultoria ajudará no diagnóstico), para não correr o risco de usar o counseling quando, na verdade, precisaria de um mentoring ou um coaching. Quando é entendida a necessidade, começa a conscientização do colaborador no sentido de entender o que é a ferramenta, como ela funciona, seu desfecho e seus resultados. Não é aconselhável iniciar um processo onde essas informações não estejam claras para o counselee. Não existe uma data fixa para o fim de um processo, mas existem médias de tempo que podem ser renovadas. A princípio, seis meses é uma média de tempo para uma primeira etapa. Se houver necessidade de estender isso poderá acontecer com tranquilidade, mas é importante ficar atento para não criar uma situação na qual o counselee fique como que estivesse “acorrentado” ao counselor.

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BENEFÍCIOS

Os ganhos de um programa de counseling são inúmeros. É possível enumerar dez benefícios mais evidenciados nos colaboradores que recebem sessões de desenvolvimento com essa ferramenta. São os seguintes: assertividade nas tomadas de decisão; maior alinhamento cultural; maior relacionamento de parceria; baixo investimento em treinamento; qualidade de vida no trabalho; maior planejamento e controle; amadureci- mento organizacional; maior capacidade de criação e inovação; melhoria da carreira profissional; entendimento da real utilidade e contribuição para a organização.

Para a organização, os benefícios também são inúmeros, desde ter um colaborador mais motivado e engajado nos projetos da empresa até um funcionário mais saudável psicologicamente falando. Esses ganhos, por si, já são maravilhosos e atestam a eficácia que um programa bem estruturado proporciona. Também são percebidos ganhos para o counselor, que também vão desde prestígio dentro da corporação até o sentimento de dever cumprido em poder ter ajudado um outro ser humano a se desenvolver.

O counseling, sem dúvida, é uma das melhores ferramentas para o desenvolvimento humano organizacional. Como foi possível observar, sua atuação beneficia a todos: a quem recebe, quem aplica e à organização como um todo. A valorização do ser humano é, certamente, o melhor caminho para se obter uma organização assertiva em seus resultados e sempre gozando de sucesso, e quando aplicado de maneira bem elaborada, estudada e planejada o counseling ajuda a atingir os objetivos. Com isso, é possível desmistificar aquele velho dita- do que diz que “se conselho fosse bom, não se dava, vendia”. Conselho bom é conselho dado com razão.

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ABORDAGEM SEM HIERARQUIA

O psicólogo norte-americano Carl Ransom Rogers (1902-1987) teve atuação marcante na terceira força da Psicologia (corrente humanista), além de ter sido um dos principais nomes da Abordagem Centrada na Pessoa. Dedicou-se à construção de um método científico na Psicologia, que foi reconhecido por meio do prêmio da Associação Americana de Psicologia, entidade da qual foi presidente no final da década de 1950. Também foi um dos pioneiros no estudo sistemático da clínica psicológica. Rogers discordava das posições reducionistas da psicanálise e do Behaviorismo: por isso, criou sua abordagem própria, que recusava identificar a pessoa em terapia como paciente ou doente, característica das duas primeiras correntes à época, e apontou a importância da relação da pessoa e do terapeuta, que, em sua concepção, seriam iguais e não possuíam posição de hierárquica. Ao contrário de outras tendências de pensamento, cuja atenção se concentrava na ideia de que todo ser humano tinha uma neurose básica, Rogers concluiu com suas pesquisas que essa visão era equivocada, passando a defender que, na verdade, o núcleo básico da personalidade humana predispunha à saúde e ao bem-estar. Ficou famoso por elaborar um método psicoterapêutico centrado no próprio paciente. O terapeuta tem de desenvolver uma relação de confiança com a pessoa para que ela encontre sozinha sua própria cura.

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 NA RELIGIÃO

O professor e conselheiro Jay Edward Adams é um reverendo presbiteriano, que exerce ministério há mais de 40 anos na área de aconselhamento bíblico. Obteve seu PhD pela Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, e serviu como professor no Seminário Teológico de Westminster durante vários anos. Entre outras atividades fundou os ministérios Christian Counseling and Education Foundation (CCEF) e National Association of Nouthetic Counselors (NANC).

ALIMENTO DIÁRIO

A CASA FAVORITA DE DEUS

A Casa Favorita de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 2 – FALSAS LINHAS DE CHEGADA E MAÇANETAS PERFUMADAS CHEGANDO PERTO E PERDENDO

 

Alguns podem chamar isto de blasfêmia, mas tenho de lhe dizer que já fui a “bons cultos de igreja” que me valeriam por toda a vida. “Bons”, somente, mas isso não é suficiente. Eu não quero mais ouvir “bons” cânticos nem mesmo mais nenhuma “boa” pregação. Na verdade, estou entediado comigo mesmo. Você estaria interessado em provar algo “bom” quando sabe que o “melhor” está esperando por você na cozinha?

Eu sei que os meus comentários parecem exagerados, mas eles são suaves quando colocados no contexto do que realmente desejo: Eu quero que Deus apareça com Sua Glória Shekinah ou glória real. Comparado a Ele, tudo e todos são reduzidos a um aquecimento para preencher o tempo até que o Ser Real entre na sala. Eu receio que tenhamos criado uma religião e um estilo de vida em torno dos aperitivos, enquanto esquecemos completamente o prato principal! Experimentamos um gostinho ou um sinal passageiro da glória de Deus sempre que nos encontramos em lugares onde dizemos que o avivamento chegou. Já que esta glória é uma “coisa do Espírito”, ela desafia definições científicas e verificações quantificadas. Ao invés disso, há certo sentimento ou uma sensação interior da presença de Deus se aproximando, que nos avisa que algo muito grande e poderoso está chegando perto.

Quando isso acontece, tendemos a segurar a situação durante a maior parte do tempo, como corredores inexperientes em uma corrida de pequena distância. Explodimos na faixa de início, numa busca voraz da presença de Deus e continuamos a passos rápidos, até que comecemos a sentir o desconforto da caçada consumidora pelo troféu desejado por nosso coração.

Alguns de nós sentimos a força acabando e os sentidos se tornando embaçados para as coisas ao nosso redor à medida que começamos a ofegar. Com uma última explosão de energia desesperada, damos o máximo de nós para frente e nos arremetemos em direção à linha… somente para tropeçar e cair a alguns metros bem perto da linha de chegada. Por parar muito cedo, por falhar em apertarmos o passo durante todo o caminho até o final, estamos correndo para falsas linhas de chegada ao alcance do prêmio.

A Bíblia nos diz que no cume do monte, em Israel, três discípulos sonolentos abriram seus olhos somente o suficiente para ver Moisés e Elias, junto com Jesus, numa nuvem de glória. – (Lucas 9:28-32). Os discípulos repentinamente acordaram e Pedro interrompeu o Filho de Deus para sugerir que todos parassem na falsa linha de chegada e construíssem um monumento para o evento. Pedro costumava usar o termo Rabi, ou Mestre, quando ele falava com Jesus, e sugeriu que erguessem três tendas separadas, como se ele, possivelmente, sentisse que Moisés e Elias fossem iguais a Jesus. Talvez não percebesse que o melhor ainda estava por vir.

Moisés havia esperado mais de trinta anos para ver o que estava prestes a acontecer, e eu duvido que ele estivesse interessado na falsa linha de chegada de Pedro. Ele queria nada mais que ver a glória de Deus revelada. Então, o Pai interrompeu Pedro enquanto ele ainda estava falando e corrigiu a perspectiva terrena dos discípulos ao dizer: “Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi.” – (Lucas 9:35). Então tudo e todas as pessoas desapareceram da visão a não ser o exaltado Senhor de todos.

Muito frequentemente, paramos em falsas linhas de chegada porque nossa carne fica empolgada. Queremos interromper a revelação de Deus, d’Ele mesmo, para que possamos consumi castelos de areia em honra ao primeiro pressentimento da sua aparição. Estamos tão ocupados dizendo: “É bom estarmos aqui”, que não ouvimos Deus dizer: “Eu quero me ajuntar a vocês também.”

ESTOU CANSADO DE CORRER RUMO A FALSAS LINHAS DE CHEGADA

Não é mais aceitável ter somente alguns bons cultos, boa música e boa pregação. Devemos encontrar com o próprio Deus. Estou tão cansado de “quase” cultos que, às vezes, digo as pessoas em nossas reuniões: “Se você veio aqui para algumas boas reuniões, achou o padrão errado, o pregador errado, o lugar errado e o dia errado. Venha outro dia. Mas se você está aqui em busca de Deus, então seja bem-vindo à irmandade do colação ardente.”

Foi para a morna igreja de Laodiceia que Jesus disse: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.” – (Apocalipse 3:20). O Espírito Santo está procurando o lugar para o próximo derramamento. Ele está em pé na porta da frente das nossas igrejas, procurando alguém como Davi, que tinha preparado um lugar para Sua importante habitação – um lugar onde adoradores estão querendo escancarar a porta do Céu, com suas mãos levantadas, para que a glória de Deus possa descer e ficar entre eles.

Deus está procurando uma pessoa, uma igreja, uma cidade que irá ouvir Sua gentil batida e Lhe abrir a porta. As Escrituras continuamente ilustram o Senhor batendo nas portas tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Nós O vemos profeticamente batendo na porta de Sua própria casa em Cânticos de Salomão, buscando a atenção de Sua Amada, a Igreja. – (Veja Cantares de Salomão 5:2).

Por que a porta da Sua própria casa estaria trancada? E porque Ele não mais a tinha; Ele já havia Se desfeito da chave. Ele disse a Pedro, o apóstolo: “Eu estou lhe dando a chave. O que você ligar na Terra será ligado no Céu; o que você desligar na Terra será desligado no Céu.” – (Adaptado de Mateus 16:19). O Senhor nos deu a chave para Sua própria aparição quando nos concedeu habilidade para abrir as janelas do Céu e fechar as portas do inferno. O trinco da porta está do nosso lado! (Mas será que as janelas não estão mantidas trancadas com as tradições dos homens?) O Amado das nossas almas tem persistentemente batido nas portas de Sua casa, mas respondemos exatamente como a noiva de Salomão: “Já despi a minha túnica, hei de vesti-la outra vez? Já lavei os pés, tornarei a sujá-los?” – (Cantares de Salomão 5:3).

A Amada prometida e Noiva de Deus se tornou muito confortável. Ela se recusa a abrir a porta porque não é conveniente. O custo da intimidade parece muito alto. O desconforto disto tudo criou uma apatia que nos força a mover muito vagarosamente e casualmente quando nosso Amado bate à nossa porta. Subitamente, cessam-se as batidas – alarmados, nós finalmente nos despertamos como a preguiçosa noiva de Salomão. Quando finalmente corremos à porta para destrancá-la, tudo que restou foi a fragrância passageira de onde Ele estava. “Abri ao meu amado, mas já ele se retirara e tinha ido embora; a minha alma se derreteu quando, antes, ele me falou; busquei-o e não o achei; chamei-o, e não me respondeu.” – (Cantares de Salomão 5:6).

Este é o triste estado da Igreja acomodada de hoje. Podemos encontrar a nós mesmos áridos como a esposa de Davi, Mical. Sugerimos, anteriormente, poderia ser que Davi nunca mais tivesse tido intimidade com ela? A repugnância que ela tinha dele trancou a porta para intimidade, gozo e frutificação. A relutância da Igreja em pagar o aparente alto preço da adoração Intima é a raiz causadora da nossa aridez.

A Igreja de Cristo tem crescido acostumada a viver na casa do Rei em sua ausência. Se ela retornasse à paixão e fome do seu primeiro amor, nunca estaria suficientemente feliz a não ser que o próprio Rei estivesse presente com ela na casa. Em vez disso, a Igreja dos tempos modernos parece se mover somente o suficiente ante as batidas do Mestre. Para queixar-se: “Não, não agora. Você não vê que estou muito confortável para me levantar agora? Isto não pode esperar? Estou com dor de cabeça. Além do mais, já tirei os meus sapatos e levantei os pés! Eu tenho de abrir a porta para Você justo agora?”

QUANDO AS BATIDAS PARAM

A hora mais alarmante não é quando Deus vem para bater na nossa porta. É quando cessam as batidas. A realidade se torna um choque quando caímos em nós e percebemos que nosso Amado não está mais batendo. Instantaneamente, quando as batidas divinas cessam, nos esquecemos da importância do nosso conforto e estilo de vida social.

Levantei-me para abrir ao meu amado; as minhas mãos destilavam mirra, e os meus dedos, mirra preciosa (a qual Ele deixara) sobre a maçaneta do ferrolho. Abri ao meu amado, mas já ele se retirara e tinha ido embora […] (Cantares de Salomão 5:5-6 – parêntese nosso)

A Bíblia Ampliada nos diz que quando a noiva prometida do rei punha os seus dedos na maçaneta da porta, eles ficavam molhados pela mirra líquida deixada pelo rei. Tudo que ela possuía de resto era a fragrância de onde ele costumava estar…

Receio que se nós não abrirmos a porta quando nosso Amado bater, quando a Pomba do Espírito Santo se instalar; se falharmos em abrir as janelas do Céu mediante nossa oração arrependida; se permanecermos não desejosos de criar uma abertura para glória de Deus entrar em nosso mundo, então, em certo ponto, tudo que teremos é a fragrância de onde Ele costumava estar. Alguns estão felizes com isso – eles estão contentes em somente cheirar a fragrância ou sentir o arrepio de onde Ele costumava estar – mas eu não estou mais interessado em visitações passadas – e você? Visitações passadas por intermédio das páginas da história não podem satisfazer mais. Estou cansado de ler sobre o avivamento – eu tenho de me encontrar com o “Avivador”.

Isto me lembra um ressentido marido ou uma esposa que abraça o travesseiro para cheirar a fragrância da esposa ou do marido que se foi. Mesmo quando alguém perde um cônjuge no mundo natural, o processo de ressentimento deve chegar a um fim em tempo apropriado. A Igreja tem memorizado as visitações do passado como se o Esposo tivesse morrido e qualquer futuro encontro (exceto o encontro no céu) estivesse fora de questão. Desculpe-me, mas eu não quero abraçar-me com uma memória passada daquilo que uma vez aconteceu! Eu O quero! Eu quero ver Jesus em todo o Seu poder, Sua vitalidade, beleza e glória, Mostre-me Sua face!

SERÁ QUE DEUS REALMENTE PARARIA DE BATER? (ISSO JÁ ACONTECEU ANTES)

É tempo de despertarmos das nossas poltronas de marfim, do nosso contentamento e responder à gentil batida em nossa porta. Você e eu estamos ouvindo a batida agora, mas o que me incomoda é o medo de que, a qualquer momento, ela possa cessar. Não pense que estou propondo alguma nova doutrina ou interpretação inusitada na Escritura. Isso já aconteceu antes.

Durante a “entrada triunfal” de Cristo em Jerusalém, o povo jogou suas vestes e ramos de palmeira nas ruas para preparar o caminho por onde Jesus, montado numa jumenta, iria passar. Os discípulos cantavam louvores a Deus com novos níveis de paixão e empolgação dizendo: “Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas.” – (Lucas 19:38). Aquilo irritou profundamente os fariseus religiosos na multidão, porque eles rejeitavam a ideia de que Jesus pudesse ser o Messias.

Quando os fariseus ordenaram que Jesus silenciasse Seus discípulos, o Mestre lhes disse que se Ele falasse aos Seus seguidores que se aquietassem, até as pedras clamariam. – (Veja Lucas 19:39-40). Ao contemplar Jerusalém, Suas palavras descreveram como acontecerá no momento em que Ele parar de bater:

Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou e dizia: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz!

Mas isto está agora oculto aos teus olhos. Pois sobre ti virão dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras e, por todos os lados, te apertarão o cerco; e te arrasarão e aos teus filhos dentro de ti; não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste a oportunidade da tua visitação. – (Lucas 19:41-44).

EU BATI, E VOCÊ NÃO RESPONDEU! EU VISITEI, E VOCÊ NÃO ME RECEBEU.

O Evangelho de Lucas diz que Jesus olhou para Jerusalém e chorou. Eu acredito que Ele chorou com a intensidade e a amargura de um marido desprezado, sendo rejeitado por sua amada. Ele disse: “Quantas vezes quis Eu reunir teus filhos, como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes!” – (Lucas 13:34). Não estou dizendo que nossa Salvação está em perigo; estou falando que podemos facilmente perder o momento da nossa visitação pela presença Shekinah de Deus. Corremos o risco de perder a oportunidade de dar a Deus o que Ele mais deseja – nossa comunhão e adoração íntima.

BARTIMEU SOZINHO NÃO PODIA VER JESUS

Francamente, todos precisamos ser “batizados” com o temperamento de Bartimeu. Este é o cego que ignorou a desaprovação da multidão para gritar a Jesus por misericórdia. – (Veja Marcos 10:46-52). Bartimeu não podia ver Jesus por si mesmo. Ele era cego e tinha de crer com uma fé cega sobre o testemunho de alguém que lhe disse: “Jesus está perto.” Devemos confessar: “Eu estou cego e não posso discernir o quanto Ele está perto, mas se alguém ao meu redor me disser que Ele está perto, então eu me recuso a deixá-Lo passar sem me perceber.”

Às vezes, os cuidados do dia e as preocupações da vida podem temporariamente nos cegar ou paralisar tanto nossos sentidos que não podemos perceber a proximidade de Deus. Aquilo não parou Bartimeu. Por que isto deveria nos parar? Quando você não pode ver, sentir ou perceber a presença de Deus, esta é à hora de encontrar alguém em quem você possa confiar, que possa perceber a presença d’Ele. Quando essa testemunha nos diz: “Ele está perto, Ele está aqui”, aceite a palavra dela. Vá em frente! Comece a levantar suas mãos e clamar por Ele pela fé. As vezes, tudo o que você precisa saber é que Ele está perto.

Clamores famintos do seu coração vão atraí-lo para perto. Afinal de contas, a palavra de Deus nos diz: “O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito ó Deus, não desprezarás.” – (Salmos 51:17). Deus não pode resistir ao quebrantamento. As lágrimas abrem a torneira da compaixão de Deus.

Por outro lado, o que acontece quando você sabe que Ele está perto e não faz nada sobre isso? Bartimeu era somente um mendigo cego na beirada da estrada, do lado de fora da cidade de Jerico. Entretanto, ele tocou o coração de Deus com eu apelo faminto, enquanto o povo de Jerico evidentemente perdia Sua visitação. Veja! Jesus estava entusiasmado bem do outro lado, bem longe da cidade, quando Ele encontrou o cego Bartimeu. Ele já havia passado pela cidade inteira e ninguém clamara por Ele, até que passou para fora das portas.

Isto exige esta pergunta: “Quando Ele vier, Ele ficará?” O povo de Jerico perdeu o seu momento! Diferente da vila, em João, capítulo 4, onde Jesus ficou por muitos dias a mais, a visitação de Jerico nunca se transformou em habitação. Um cego “viu” mais do que toda a cidade e atrasou a Divindade o tempo suficiente para um milagre!

SOMENTE ME DIGA – AQUELE É ELE?

À medida que Jesus passava pela porta, o mendigo cego do lado da estrada se voltou para alguém que estava perto e fez esta pergunta:

“E Ele? Somente me diga, é Ele?” “Sim, sim, Bartimeu; aquele é Ele.”

“Então é melhor você sair da minha frente, porque eu estou a ponto de perder a minha dignidade.”

Ouça-me, amigo: Você não pode preservar sua dignidade e buscar a Divindade d’Ele. Você não pode salvar a face e buscar a face d’Ele. De certo modo, você vai ter de perder suas maneiras espirituais. Você terá de deixar o protocolo pentecostal, batista ou presbiteriano para trás. Precisará esquecer o que você deveria fazer; quando, onde e como. Você precisará reduzir isso para o básico: “Aquele é Ele? Eu acho que Ele está no templo! Sinto que Ele está perto.” Eu não sei como você se sente, mas eu me recuso a deixá-Lo chegar tão perto de mim e não me perceber. “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” Será que Jesus passaria por nós sem nos perceber? Absolutamente. Jesus teria passado pelos discípulos, quando eles remavam um barco atravessando o mar da Galileia, na escuridão da noite, mas eles chamaram por Ele. – (Veja João 6:16-21). Ele teria andado perto do cego sem percebê-Lo, mas Bartimeu gritou e continuou gritando até que Jesus Se voltasse para vê-lo. Jesus teria passado pela mulher com um problema incurável também, mas ela estendeu a mão e tocou a orla da Sua veste pela fé. – (Veja Marcos 5:25-34). Enfim, Jesus caminhou por Jerusalém intocáveis vezes durante o curso de Sua vida na Terra, mas as pessoas religiosas daquela cidade antiga perderam o momento e a hora da Sua visitação.

Uma das chaves para tornar a visitação do Espírito em habitação do Espírito é reconhecê-Lo. Será que já passou muito tempo desde que você O “viu”? Você O “reconheceria” se Ele viesse num jumento em vez de em um garanhão? Será que você abraçaria Sua visitação em humildade tanto quanto em poder?

Você acreditaria, se eu lhe dissesse que Alguém está batendo na porta da sua igreja agora? Ele está literalmente batendo na porta de Sua própria casa, porque Ele nos deu a chave. Eu não quero ver a Igreja perder o seu momento ou sua hora da visitação. Se alguém, alguma vez, Lhe abrir a porta, Ele não vai ser deixado falando tristemente sobre qual era o Seu cheiro “na ultima vez que Ele bateu na nossa porta”. Estaremos andando com Ele. Talvez você sinta algo emocionando o seu coração que o faça querer gritar: “Senhor, não passe por mim despercebido! Jesus, tenha misericórdia!”

“Pai, eu oro agora para que o “temperamento” de Bartimeu agarre Seu povo. Que possamos deixar de lado as vestes de orgulho que nos tornam cegos e levantar nossa voz em adoração: ‘Jesus, Filho de Davi!’ Levantamos nossa voz em arrependimento: ‘Tem misericórdia de nós!’ Adoramos, nos arrependemos e clamamos: ‘Não passe por nós e se vá sem nus perceber!”

Por que você não esquece suas maneiras agora mesmo? É hora de deixar de lado os protocolos religiosos, as coisas que ditam o que está para acontecer e quando. Deus sempre preferiu fome espiritual ao ritual espiritual. Você vai perder seu momento? Se você pode senti-Lo se aproximando mais e mais, então, não O deixe passar por você depois de ter chegado tão perto, até mesmo enquanto você lê este livro. Lembre-se de que Deus está visitando vários lugares querendo comprar um para se derramar. Ele está batendo na porta. Eu quase posso ouvi-Lo nos dizer: Você sabe o que acontece quando Eu visito a Igreja. Você ainda não viu o que acontece quando Eu visito uma cidade. Abra a porta e me deixe entrar!

COLOQUE SUA FOME À MOSTRA

Suponhamos que um bebezinho estivesse em um dos nossos cultos e ficasse com fome. Você acha que esse bebê ficaria impressionado ou incomodado pelo fato de Tommy Tenney estar à frente do púlpito pregando? Você acredita que ele iria parar e pensar: “Oh, aquele lá em cima é o pastor, é melhor eu ficar quieto”? Será que ele se preocuparia com quem está olhando, quem está ouvindo ou o que todos os adultos bem vestidos estão fazendo? Não! Se aquele bebê sentisse fome, as coisas ficariam barulhentas. Ele colocaria sua fome à mostra porque tudo que ele sabe é isto: “Se eu não conseguir algum alimento ou alguma ajuda, vou morrer.” Você acha que foi isso que aconteceu no evangelho de Mateus?

Vieram a ele, no templo, cegos e coxos, e ele os curou. Mas, vendo os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que Jesus fazia e os meninos clamando: Hosana ao Filho de Davi!, indignaram-se e perguntaram-lhe: Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor? – (Mateus 21:14-16)

A palavra grega traduzida como “clamavam”, nesta passagem não está se referindo a pequenos clamores de alegria ou suaves soluços. Ele literalmente significa: “gritar, chamar bem alto, bradar, exclamar.”6 Eu acho que muitos de nós estamos somente preocupados demais sobre a aprovação dos homens para buscar a presença de Deus. Nós precisamos nos tornar como crianças famintas chorando por ajuda.

É tempo de você pôr sua fome à mostra, tornar-se como uma Criancinha e dizer: “Eu não me importo com quem está me ouvindo. Eu não me importo com quem está me vendo. Eu tenho de ter a Ti, Senhor! Estou tão faminto!” Mostre sua fome como Bartimeu fez naquele dia milagroso. Atraia a atenção de Deus e ignore a aprovação do homem.

ATÉ MESMO BEBEZINHOS SABEM QUANDO DEUS CHEGA PERTO

Muitas vezes, olho a audiência quando a presença de Deus parece aproximar-se. Vejo algumas criancinhas chorando incontrolavelmente. Eu sei que não falei nada para assustá-las, e nada do que eu disse iria atrair sua inteligência imatura. Mas, mesmo os bebês no auditório sabem quando Ele está Se aproximando. Eles sabem quando Deus Se aproxima da porta e, então, vemos lágrimas rolando no rosto inocente de cada um. Eu geralmente separo um tempo para adquirir a confiança destes pequeninos, porque não quero que eles se amedrontem. Só quero que entendam que estamos nos aproximando da Porta. Estamos a ponto de abrir a porta para Deus entrar, e quando você chega perto dela, quase pode sentir os ventos do Céu batendo em seus cabelos.

É hora de dizer: “Eu me recuso a chegar tão perto e andar para trás. Não estou mais interessado em falsas linhas de chegada.

Não posso viver outro dia somente com a cena desvanecida da ‘presença de ontem’, de Deus. Posso não conseguir Sua atenção, mas não vai ser porque não tentei.”

Eu realmente desejo que todos nós possamos esquecer nossa dignidade e nos lembrarmos da Divindade d’Ele. Alguém precisa orar: “Deus, vou lutar por isso. Quero um encontro com Você do qual eu não possa me restabelecer dele.” Se alguém conseguir abrir as janelas do Céu, todos serão abençoados pela fragrância de Sua presença! Se você sente que precisa estar na igreja e ouvir alguém lhe dizer que o altar está aberto, então talvez não esteja desesperado o suficiente. Bartimeu fez o seu próprio altar do pó da estrada. Ninguém disse à mulher do fluxo de sangue: “Se você tocar a orla da Sua veste…” Não! Ela criou um compromisso desesperado e Deus a honrou.

Você pode construir o seu próprio altar baseado na fome do seu coração agora mesmo. Não me importo se você está sentado no banco da frente de uma igreja, ou na parte de trás de um bar, ou talvez na sala de estar em casa. Não importa. E hora de todos que estão famintos clamarem a Deus:

Não vou deixar que Você passe por mim depois de chegar tão perto. Estou desesperado por Você! Tem misericórdia de mim.