A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

FOTOGRAFIAS DE COMPORTAMENTO – II

Todo criminoso deixa sua marca no crime praticado. É a fotografia de seu comportamento e por ele podemos conhecer seu aspecto psíquico

Fotografias de comportamento

Como prometemos voltar ao assunto, vamos ver hoje delitos praticados por doentes mentais e suas “imagens”.

Quando doentes mentais praticam crimes e há nexo de causa e efeito, invariavelmente são ações bizarras, inusitadas ou semelhante. Assim, uma característica significativa desses atos é o fato de que não podem ser compreendidos psicologicamente, como pode, por exemplo, um indivíduo caluniar alguém por vingança, ser xingado e devolver o xingamento, estar sem dinheiro e assassinar uma pessoa para roubar sua carteira etc. Esses comportamentos, jurídica e moralmente, são condenáveis, mas, por sua vez, psicologicamente compreensíveis.

Já nos crimes dos doentes mentais tal relação não existe. Repetindo, são incompreensíveis psicologicamente.

A bem ver, há dois tipos predominantes de delito praticados por doentes mentais. O primeiro liga-se aos doentes-criminosos que mantêm a inteligência, podem ser sagazes, raciocinam e agem premeditadamente graças a um processo doentio que nasce deformado no conteúdo do pensamento e torna-se delirante, evolui e determina a conduta criminosa. No segundo tipo de crime, são doentes mentais cujos atos são praticados em curto-circuito, em um impulso momentâneo.

Como exemplo do primeiro grupo, cite-se o caso do sextanista de Medicina que, em estado psicótico (ruptura com a realidade), comprou uma metralhadora, entrou no cinema e atirou na plateia, matando pessoas que não conhecia, sem reivindicar ou roubar nada, deixando-se dominar, sem reagir, com a metralhadora carregada.

Por sua vez, um exemplo de delito por explosão momentânea (segundo grupo) — embora os criminosos envolvidos não tenham assumido a autoria do crime — é o caso que envolveu a menor Isabella Nardoni. Recordando, a menina, à época, foi defenestrada pelo pai. Antes disso, a madrasta, em estreitamento epiléptico de consciência, sem reflexão e por impulso, bateu(?), sacudiu(?) a menina, que não morreu de fato, mas parecia morta. Então o pai, em folie à deux (loucura a dois), atirou a criança, ainda viva, pela janela, para se livrar do “cadáver”.

Esses dois casos, sextanista de Medicina e Isabella, somente podem ser compreendidos por meio da psicopatologia. Ou admitimos a existência de transtornos mentais graves ou ambas as condutas delituosas são incompreensíveis psicologicamente.

As “fotografias” dos crimes revelam que os praticantes estavam em estado de alienação mental, de doença mental. Ninguém, em sã consciência, metralha pessoas de maneira aleatória, bem como mata crianças e arremessam filhos pela janela.

Para finalizar, é preciso recordar que doença mental não é psicopatia. O psicopata não é nem louco nem normal, mas uma espécie de chauve-souris (morcego), como dizem os franceses: criatura que tem asas, voa e não é pássaro; tem pelos e não é animal pilífero. Seus crimes também guardam características peculiares, fotografias de comportamento.    

OUTROS OLHARES

ASSIM COMO NÓS

Estudo de brasileiros e britânicos indica algo surpreendente: além de usarem ferramentas, símios são capazes de desenvolvê-las, do mesmo modo que os humanos

Assim como nós

“Temos de redefinir o que são ‘ferramentas’, e redefinir o ‘homem’, ou aceitar chimpanzés como humanos”, disse o paleontólogo queniano Louis Leakey (1903-1972), um dos nomes mais célebres de sua área, após saber de uma fascinante descoberta da colega Jane Goodall, hoje com 85 anos, em 1960. Ela havia observado chimpanzés torcendo galhos para usá-los para fisgar cupins em seus ninhos. Até aquele momento, acreditava-se que humanos seriamos únicos capazes de utilizar ferramentas. Desde então, muito do que se tinha como certo sobre a diferença entre o Homo sapiens e outros animais, especialmente os primatas, foi desmentido. Gorilas, bonobos e outros macacos possuem formas simplificadas de linguagem, capacidade empática, emoções e até mesmo organizações hierárquicas nos territórios em que habitam. “Se olharmos profundamente nos olhos de um chimpanzé, uma personalidade autoconsciente e inteligente nos olhará de volta. Se eles são animais, o que somos nós?”, resumiu, de forma algo poética, o primatólogo e escritor holandês Frans de Waal, no livro Chimpanzee Politics (A Política dos Chimpanzés), publicado em1982. Pois há agora um novo verso, por assim dizer, no imaginário poema que tematiza nossa proximidade de alguns dos demais primatas. Dois cientistas da Universidade de São Paulo, em parceria com três colegas britânicos, acabam de divulgar, em um periódico da inglesa Nature, a comprovação de que existe uma nova e importante semelhança entre os seres humanos e os símios. Depois de um cuidadoso e demorado estudo, os pesquisadores descobriram que aqueles animais não só sabem utilizar ferramentas como também são capazes de desenvolvê-las como passar do tempo.

A conclusão é resultado de observações iniciadas em 2004 no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, a maior e a mais antiga concentração de sítios pré-históricos da América do Sul. Foi lá que os cientistas encontraram 122 amostras de rochas, datadas de 3.000 anos, que guardavam uma surpresa: a análise das pedras revelou que elas tinham sido moldadas pelas mãos de macacos-prego para abrir sementes e nozes, cavar o solo, processar frutas e até mesmo servir como peças de exibição durante preliminares sexuais. Até aí, a novidade não era tremenda; afinal, chimpanzés e bonobos africanos, além dos próprios macacos-prego que ainda hoje habitam o Piauí, fazem o mesmo. A descoberta desconcertante foi outra: no decorrer dos últimos três milênios, as ferramentas evoluíram de acordo com as necessidades da espécie. Quinhentos anos atrás, por exemplo, os macacos só recorriam a pequenas pedras como ferramentas auxiliares na hora de se alimentar. Mais recentemente, há três séculos, passaram a preferir rochas maiores –   ideais, por exemplo, para abrir castanhas de casca dura.

“É o primeiro caso, fora da linhagem humana, de adaptação de uma ferramenta de acordo com seu uso”, afirma o biólogo paulistano Tiago Falótico, um dos autores do estudo – o outro brasileiro é o biólogo e psicólogo também paulistano Eduardo Ottoni. “A criação de ferramentas de pedra é um elemento de extrema importância na evolução humana. Temos de compreender como essa habilidade foi desenvolvida em outras espécies.”

Essa formidável aptidão dos macacos-prego para elaborar uma tecnologia vem se juntar a outras características humanas, demasiado humanas, de outros primatas – como a que fica evidente, por exemplo, quando se assiste a um vídeo que viralizou em 2016 (mais de 10 milhões de visualizações no YouTube). Nele, o primatólogo holandês Jan Van Hooff reencontra a fêmea de chimpanzé Mama no zoológico de Arnhem. Eles não se viam fazia alguns anos, apesar de se conhecerem desde 1972. Nenhuma pessoa estranha conseguiria se aproximar de Mama, que estava doente e poderia responder com agressividade. No entanto, ao avistar Van Hooff, ela o abraçou e acariciou, emocionada, como fariam dois amigos nas mesmas circunstâncias. Duas

GESTÃO E CARREIRA

ELAS GANHAM ESPAÇO

Ranking elaborado pela consultoria GPTW premia as 55 melhores empresas para a mulher trabalhar no brasil. Em sua terceira edição, a pesquisa reforça que a equidade de gênero faz bem aos negócios

Elas ganham espaço

O que você faria para que sua empresa tivesse um aumento na receita seis vezes superior ao da média do mercado? E se, de quebra, os funcionários se engajassem mais no trabalho e a rotatividade de pessoal diminuísse?

Simples: diversifique. Contrate mulheres.

A receita está na terceira e última edição do ranking “As melhores empresas para a mulher trabalhar”, elaborado pelo braço brasileiro da consultoria global GPTW (Great Place to Work). Das 444 inscritas, representando cerca de 1 milhão de funcionários, foram selecionadas 55 empresas – 30 de grande porte, e 25 de médio.

Para participar do GPTW Mulher, a companhia tem de preencher três requisitos. Possuir, no mínimo, cem funcionários; preencher 15% ou mais dos cargos por mulheres; e do total de gestores, 15%, ao menos, deve ser do sexo feminino. Atender a esses quesitos ainda não é fácil, mas, aos poucos, cresce o número de empresas aptas a concorrer a uma vaga no ranking –  e, consequentemente, aumenta a lista de empresas agraciadas. Em 2017, na primeira edição do GPTW Mulher no Brasil, elas foram 30. No ano passado, foram 40. A palavra-chave para conseguir colher os frutos da equidade é consistência. “Esse assunto está pipocando nos últimos cinco a sete anos, mas percebemos que as empresas que estão mais avançadas nas práticas de gestão de pessoas com um olhar voltado à mulher começaram a trabalhar nesse tema há mais de 15 anos”, diz Daniela Diniz, diretora do GPTW Brasil.

A igualdade de gênero deixou de ser um tema exclusivo do setor de recursos humanos e hoje é discussão frequente entre a alta liderança das organizações, São inúmeras as evidências de que ter mais mulheres nas diretorias, criar políticas inclusivas e investir na carreira delas desde a base tem efeito positivo no resultado financeiro das en1- presas. A equação não é complicada.

Na economia 4.0, a equidade tem se revelado essencial. “A diversidade importa não apenas para o bem da sociedade, mas porque melhora o negócio”, diz Karen Greenbaum, CEO da Association of Executive Search and Leadership Consultants (AESC), associação internacional que reúne companhias de recrutamento. A diversidade promove o encontro de pontos de vista, referências e backgrounds distintos. E o encontro dos diferentes promove naturalmente a criatividade e a inovação – consequentemente, a produtividade e a lucratividade. As empresas premiadas pelo GPTW Mulher 2019 tiveram um aumento de faturamento de 12,2%, em média – um crescimento seis vezes maior do que o registrado no mercado em geral.

Tem mais. “Se uma mulher chega em nossa companhia e percebe que é possível fazer carreira e ascender a um posto de liderança, esse ambiente torna-se mais atraente”, diz Guilherme Rhinov, diretor de RH da Johnson & Johnson no Brasil (a número 1 entre as organizações de grande porte).

DE CIMA PARA BAIXO

Para convencer toda a organização de que o tema da igualdade deve ser levado a sério, a discussão precisa estar no dia a dia da empresa, fazer parte da cultura corporativa, diz Fabiana Cymrot, vice-presidente de Recursos Humanos para o Brasil e o Cone Sul da Mastercard (líder entre as empresas médias). Ao que Karen, da AESC, complementa: “A promoção da equidade é também um trabalho da diretoria de marketing, tanto quanto do CFO, do CIO e é claramente um dos trabalhos do CEO. Se a empresa não tem um CEO interessado ou comprometido com a diversidade, é muito mais difícil”.

Entre as 30 empresas de grande porte do GPTW, a IBM segue à risca essa premissa – tanto que o aumento no número de líderes mulheres é uma das métricas para o cálculo do bônus de Ana Paula Assis, presidente da empresa para a América Latina. “Sem alinhamento estratégico, você sempre vai tratar o tema da diversidade como acessório, como algo que pode ser deixado para depois”, defende a executiva. Incentivar a participação feminina pressupõe mudar antigas políticas. “Costumo dizer que o nome do jogo para a mulher no mercado corporativo é a flexibilidade. Ainda cabe às mulheres uma série de responsabilidades nos cuidados da casa e dos filhos”, lembra Ana Paula. “As empresas precisam se adaptar às necessidades delas e não o contrário, como sempre aconteceu.”

Essa preocupação, no entanto, não vale como regra – ainda. É o que mostra o levantamento “Mulheres na Liderança 2018”, fruto da parceria da Will (Women in Leadership in Latin America) com o Valor Econômico, realizado pela Ipsos, entre novembro de 2018 e fevereiro de 2019. Das 165 empresas pesquisadas, apenas 41% têm alguma política formal sobre equidade de gênero, com metas claras e ações planejadas.

ESTRATÉGIA E MÉTRICAS

Se a equidade precisa estar entre as prioridades estratégicas da empresa, é preciso que ela seja tratada como tal. Isso significa criar métricas para acompanhar o avanço nesse setor. “What gets measured gets managed” (O que é medido, é gerenciado), já dizia, em 1954, o professor, escritor e consultor austríaco Peter Drucker (1909-2005), tido como o pai da administração moderna.

Quando o assunto é salários, por exemplo, a análise de dados se mostra importante. “As empresas partem do pressuposto de que não há diferenças salariais entre homens e mulheres, argumentando que não existe uma tabela de rendimentos para o sexo masculino e outra, para o feminino”, conta Ricardo Sales, sócio da consultoria Mais Diversidade e pesquisador na Universidade de São Paulo (USP). “Quando, no entanto, essas empresas fazem um estudo detalhado, percebem que homens e mulheres exercendo a mesma função não recebem a mesma remuneração.” Como frisa Ricardo, um levantamento desse tipo, para ser bem-feito, envolve muita estatística para excluir todas as variáveis que podem impactar o resultado final, com o tempo de casa e experiência. Na Mastercard, todos os anos é feita uma análise dos salários da empresa. “Não adianta fazermos isso neste ano e ficarmos cinco anos sem analisar. É um processo, não podemos deixar de acompanhar essas métricas”, diz a executiva Fabiana.

 PARTICIPAÇÃO MASCULINA

“Antes, quando a gente começava a falar de equidade de gênero, ou mesmo sobre práticas voltadas às mulheres, era sempre o clube da Luluzinha – mulheres falando para mulheres sobre mulheres”, lembra Daniela, do GPTW. “Agora, vejo um envolvimento para incluir os homens nessa discussão, inclusive com treinamentos e workshops sobre viés inconsciente.” Segundo ela, isso indica uma maior maturidade das empresas em relação ao tema da diversidade. “O papel dos homens é fundamental nesse processo, até porque eles hoje ainda são maioria nas posições de liderança”, faz coro Ana Paula, da IBM.

Na 11° posição na lista das grandes, a Accor até mudou o nome do programa de diversidade para incluir os homens na discussão. No ano passado, o Women At Accor Hoteis Generation (WAAG) virou RiiSE – o “ii” simbolizando mulheres e homens. “Mudamos um pouco o foco do programa, passamos a falar mais em igualdade de gênero. A gente entende que é muito difícil levar essas iniciativas adiante sem o envolvimento masculino”, explica Magda de Castro Kiehl, vice-presidente jurídica da Accor na América do Sul e responsável na região pelo RiiSe.

Mesmo entre as empresas premiadas no GPTW Mulher, a presença feminina nos cargos de liderança ainda é menor do que a masculina. Apesar de serem maioria, elas ocupam 45 % das posições de média liderança e 26% das cadeiras na alta liderança. Nos conselhos das organizações, a participação das mulheres é ainda menor – 7,3%, nas companhias listadas no Novo Mercado da B3, segundo a consultoria Enlight. Nesse segmento da bolsa brasileira, encontram se as empresas que, voluntariamente, adotam práticas adicionais de governança corporativa. Das 142, 92 (65%) têm conselhos formados exclusivamente por homens. Em apenas sete, a participação feminina no conselho supera 30%.

 MENTORIA

Como adverte Karen, da AESC, “você não pode achar que por ter uma mulher na diretoria, a lição de casa está feita”. Isso não basta. A ênfase no desenvolvimento da carreira das funcionárias e funcionários é um traço comum, entre as premiadas no GPTW, com mentoria, coaching e incentivo ao desenvolvimento de novas habilidades.

Na Mastercard, desde o início deste ano, há um programa de mentoria para ajudar homens e mulheres a crescerem profissionalmente. “As oportunidades devem ser iguais”, diz Fabiana. Segundo a executiva, a mentoria é um dos fatores que ajudam, a cada ano, 30% dos funcionários a mudar de área dentro da companhia ou receber uma promoção. “É mais uma forma de você trabalhar seu desenvolvimento, entender como se conecta com uma pessoa que tem senioridade maior que a sua, e isso aumenta não só a visibilidade das pessoas dentro da companhia, como a integração entre as áreas.”

Para o consultor Ricardo, iniciativas como essa são especialmente benéficas às mulheres. “É importante acompanhar o desenvolvimento da carreira delas, para que tenham de fato oportunidade de crescer dentro da empresa e ajudá-las na promoção do networking.” Segundo ele, os espaços de networking, “como o futebol”, em geral não são receptivos à presença feminina.

VIÉS INCONSCIENTE

O debate em torno da equidade de gênero tem ganhado impulso também nos processos de seleção. Uma das práticas mais adotadas é o estabelecimento de metas – ter, entre os candidatos entrevistados para qualquer vaga, pelo menos uma mulher, por exemplo. Isso obriga os gestores a olhar para uma amostra mais diversa de profissionais. ”A gente sempre vai contratar o melhor candidato, independente de gênero, idade, raça, religião ou orientação sexual, mas em todos os processos seletivos a orientação é a de que haja mulheres como finalistas”, conta a executiva Fabiana, da Mastercard. Para driblar a escassez feminina na tecnologia, a Accenture (12° lugar no rol das grandes) promove treinamentos específicos para mulheres na área. “O papel do recrutador é entregar ao gestor uma lista diversa de candidatos. A escolha é por mérito, mas se você já começa com uma lista desequilibrada, a probabilidade de contratar mulheres é menor”, diz Beatriz Sairafi, diretora de RH da Accenture.

Além disso, há entre as empresas uma crescente busca por workshops sobre o viés inconsciente. “É um traço cultural no Brasil que as pessoas neguem seu próprio preconceito. É preciso fazer uma capacitação dos gestores para que eles entendam que todo mundo tem algum preconceito”, recomenda o consultor Ricardo, da Mais Diversidade. “Temos de ter consciência de onde mora nosso preconceito. Só assim você diminui o risco de o preconceito se transformar em discriminação.” É um primeiro – e importantíssimo – passo rumo à igualdade (de gênero, raça, idade, orientação sexual…) não apenas no trabalho, mas na vida.

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 10 – MOISÉS: 1500 ANOS DE BUSCA PELA GLÓRIA DE DEUS

 

VOCÊ NÃO PODE BUSCAR A FACE DE DEUS E PRESERVAR A SUA PRÓPRIA “FACE “

Quando Deus nos diz: “Vocês não podem ver Minha face”, muitos, rapidamente, retornam às atividades normais e ficam satisfeitos, pensando já terem cumprido seu dever religioso. Quando descobrimos que os mais valiosos tesouros requerem a morte para si mesmos, para o “eu”, interrompemos nossa “caçada”. Nem mesmo questionamos, ou tentamos descobrir por que Sua presença nos vem sem que paguemos um preço. Talvez, porque tenhamos medo de sermos impertinentes, ou porque tenhamos medo da resposta. Moisés insistiu e aprendeu que “perseguir” a Deus, movido por amor à Sua pessoa, não o incomodava, mas, sim, significava a maior alegria do Seu coração.

O desejo ardente de ver a glória de Deus, de vê-Lo face a face, é uma das chaves mais importantes para o avivamento e para o cumprimento dos propósitos de Deus sobre a terra. Analisemos atentamente a “caçada” de 1500 anos que o antigo patriarca Moisés empreendeu atrás da glória de Deus. Como vimos anteriormente no Capítulo 4, quando Moisés pediu a Deus: “Mostre-me Sua glória”, o Senhor respondeu: “Não, Moisés, você não pode vê-La. Somente os que já morreram podem ver a Minha face.” Felizmente, Moisés não parou por aí. Infelizmente, a Igreja, sim.

Seria mais fácil, para aquele homem, ter-se contentado com a primeira resposta de Deus, mas ele não se deu por satisfeito. Moisés não estava sendo egoísta ou presunçoso. Ele não estava buscando coisas materiais ou fama pessoal. Ele nem mesmo estava buscando milagres ou dons (e olha que Paulo nos exorta a buscarmos os melhores dons em sua Carta aos Coríntios). Tudo que Moisés queria era Deus, e desejá-Lo é a maior alegria que Lhe podemos proporcionar. Mesmo para Moisés, aquele que buscou Deus, as coisas não foram fáceis.

“Então ele [Moisés] disse: Rogo-te que me mostres a tua glória. Respondeu-lhe: Farei passar toda a minha bondade diante de ti, e te proclamarei o nome do Senhor; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer.

E acrescentou: Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá. Disse mais o Senhor: Eis aqui um lugar junto a mim; e tu estarás sobre a penha. Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da penha, e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado.

Depois, em tirando eu a mão, t u me verás pelas costas; mas a minha face não se verá.” (Êxodo 33.18-23.)

Quando Moisés, no Monte Sinai, teve tal conversa com o Senhor, os israelitas já tinham virado as costas para fugir de Deus, após Ele lhes pedir que se aproximassem. Somente Moisés se achegara à nuvem da presença de Deus. Em temor e tremor, Israel, por causa de seus pecados, tinha implorado que Moisés e, depois, os sacerdotes araônicos se colocassem entre eles e o temível Deus. Muitas vezes, Moisés já tinha se achegado à nuvem na tenda da congregação: ainda assim ele ousou desejar mais.

BUSCAREMOS A DEUS OU A APROVAÇÃO DOS HOMENS?

Enquanto Moisés buscava a presença de Deus em favor dos israelitas, no alto do monte, seu irmão Aarão, o sumo sacerdote, constrangido pela pressão da opinião pública, concordou em fazer um bezerro de ouro para ser idolatrado. Enquanto Moisés via os dedos de Deus escreverem a lei nas tábuas de pedra, o povo perseguia seus próprios prazeres no vale. Depois deste episódio, Deus disse a Moisés que ainda permitiria que os israelitas subissem em direção à terra prometida, mas desta vez, um anjo iria à frente deles: “…eu não subirei no meio de ti, porque és povo de dura cerviz, para que te não consuma eu no caminho” (Êxodo 33.3b). E Moisés respondeu:

“… Tu me dizes: Faze subir este povo, porém, não me deste saber a quem hás de enviar comigo; contudo, disseste: Conheço-te pelo teu nome; também achaste graça aos meus olhos.

Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça, e ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é o teu povo. Respondeu-lhe: A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso. Então lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar .” (Êxodo 33.12- 15)

Moisés, juntamente com todos os israelitas, não só viu como também experimentou os milagres e a sobrenatural provisão de Deus. A Igreja moderna também experimentou manifestações semelhantes, só que em escala bem inferior.

Muitos de nós teríamos saltado de alegria ao ouvir a promessa de que Deus iria conosco por onde quer que andássemos. Mas será que ao menos sabemos para onde ir? Moisés foi sábio em responder: “Se o Senhor não nos guiar, não vamos a lugar nenhum.” Moisés compreendeu que era muito “bom” ter Deus por perto, mas o “melhor” mesmo era ir com Ele.

Deus negociou com Moisés: “Eu te darei descanso.” Creio que, no Novo Testamento, o cumprimento do “descanso” de Deus para a Igreja são os dons do Espírito, os quais nos capacitam a treinar e ministrar ao Corpo com um esforço humano mínimo. A Bíblia diz em Isaías 28.11,12a:

“Pelo que por lábios gaguejantes e por língua estranha falará o Senhor a este povo, ao qual ele disse: Este é o descanso…”

Acredito que os dons do Espírito (incluindo línguas) são o “descanso” referido. Metaforicamente, Deus estava dizendo: “Moisés, Eu lhe darei os dons, o ‘descanso’.” E Moisés dizia: “Eu não quero os dons, quero o Senhor.” A Igreja está tão encantada com os dons do Espírito que não conhece o Doador destes dons. Estamos nos “divertindo” tanto com os dons de Deus, que até mesmo nos esquecemos de agradecer-Lhe. O melhor que podemos fazer, como filhos de Deus, é colocá-los de lado e sentarmos no colo do Pai. Não busque os dons, busque Aquele que os concede! Busque Sua face e não Suas mãos!

MOISÉS QUERIA A PERMANÊNCIA DE DEUS, E NÃO SOMENTE UMA VISITA

Raramente os israelitas tiravam um tempo para agradecer a Deus por Seus poderosos feitos. Eles estavam ocupados demais organizando “listas de pedidos” e reclamações referentes às suas necessidades físicas e pessoais. E o que a grande maioria tem feito hoje. Moisés, no entanto, queria algo mais. Ele experimentara os milagres. Ele ouvira a voz de Deus e testemunhara Seu poder de libertação. Mais do que qualquer outra pessoa, naquele tempo, Moisés provara da manifestação da presença de Deus em porções, visitações temporárias.

Mas tudo o que viu ou experimentou indicava que havia ainda mais esperando por ele além da nuvem. Moisés esperava por mais do que uma visitação, sua alma queria a permanência do Senhor. Ele queria mais do que ver o dedo de Deus ou ouvir Sua voz através de uma nuvem ou de uma sarça ardente. Ele ultrapassou a barreira do medo e chegou ao amor. Assim, a presença de Deus, Sua habitação, passou a ser seu maior anseio. Por isso, ele implorou a Deus em Êxodo 33.18:

“Rogo-te que me mostre a tua glória.”

Ele queria ver a face do Senhor! Deus foi rápido em atender ao pedido de Moisés por Israel. Sua presença continuaria a ir adiante deles, mas Ele não atendeu, diretamente, o pedido mais urgente de Moisés. Primeiro, Deus disse que faria toda Sua bondade passar diante de Moisés e afirmou que o conhecia pelo nome. Mas quando o

Senhor explicou:

“Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá.”(Êxodo 33.20)

Tal afirmação parecia encerrar o caso, mas Moisés sentiu que deveria haver alguma maneira. O Senhor disse a ele: “Olhe, você não pode ver Minha face, mas há um lugar junto a Mim onde você pode Me ver, à distância, depois que Eu passar por você” (Êxodo 33.21-23).

Muitas pessoas teriam ficado mais do que contentes com essa resposta, mas Moisés já havia provado da alegria sobrenatural da presença do Senhor e adquiriu um gosto tão apurado por Deus, que não podia se sentir satisfeito à distância. Havia uma fome em seu ser que, para ser satisfeita, o impulsionava a arriscar a própria vida na presença de Deus. Tal fome atravessaria longos 1.500 anos e perpassaria a própria morte para ser satisfeita.

O Senhor disse a Moisés para “apresentar-se” a Ele sobre a pedra, na manhã seguinte, e Ele o esconderia na fenda da pedra, enquanto estivesse passando com Sua glória. Um procedimento interessante. Deus disse: “Antes que Eu passe, vou cobri-lo com Minha mão. Depois que Eu houver passado, retirarei Minha mão para que você olhe em Minha direção. Então você Me verá pelas costas, enquanto desapareço à distância” (Êxodo 33.22,23).

E, então, o Senhor veio na velocidade da luz (ou mais rápido) para proclamar Seu nome divino e passar com Sua glória. Depois que Ele passou, retirou Sua mão da fenda para que Moisés pudesse ver “as costas” de Sua glória desaparecendo à distância. Embora esta revelação tenha sido tão rápida quanto o clarão de um raio, causou tamanho impacto em Moisés que ele foi capaz de ditar, para gerações posteriores, “as costas” ou a história de Deus no Livro de Gênesis, onde foi descrita a criação.

“O PROBLEMA É QUE VOCÊ AINDA ESTÁ VIVO”

Moisés viu o lugar onde Deus esteve. Ele viu as trilhas de Deus, quando inventou e invadiu o tempo. Moisés foi capaz de recuperar a história com um discernimento sobrenatural, após um simples lampejo da glória de Deus diante de seus olhos. Mesmo depois desta experiência, Moisés queria mais. Porém, as palavras de Deus ainda permanecem: “Você está vivo, Moisés: não pode ver Minha face.”

Moisés sabia que havia um propósito maior por trás do tabernáculo e de tudo mais que ele havia recebido da parte Deus, ele sentiu necessidade impulsiva de conhecer Deus e ver o cumprimento de Seu propósito eterno. Moisés sabia que, para isso, precisava contemplar a face de Deus. Tenho que ver Sua glória, tenho que ver o produto final. A fome no coração de Moisés suscitou uma súplica e uma perseverança que desafiou os limites do tempo e espaço.

Se você está tão faminto de Deus a ponto de buscá-Lo, Ele vai fazer por você o que não fará por mais ninguém.

A conclusão desta história não pode ser encontrada no Antigo Testamento. Para encontrar o desfecho da fome que começou na vida de Moisés, no Livro de Êxodo, você tem que saltar 1.500 anos adiante, para uma nova era e uma nova aliança. A fome de Moisés por Deus produziu o que eu chamo de “oração permanente”. A oração de Moisés pedindo a Deus que lhe revelasse Sua Glória, continuou a ecoar nos ouvidos do Todo-Poderoso a cada dia, a cada semana, a cada ano através dos séculos, até alcançar o dia em que Jesus, muitas gerações depois, chamou Seus discípulos para um certo monte em Israel. Aquela oração, nascida divinamente, era algo eterno, que não conhecia limites de tempo. Ela não se extinguiu no dia em que Moisés deu seu último suspiro sobre a terra, mas continuou a ecoar pela sala do trono de Deus até o momento em que foi respondida.

O momento chegou durante o ministério terreno de Jesus, no dia em que Ele separou três de Seus seguidores mais fiéis para acompanhá-Lo ao topo de um monte. Jesus já começara a preparar Seus discípulos com afirmações do tipo: “Porquanto, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa, achá-la-á” (Mateus 16.25). Esta é uma afirmação que ainda hoje nos incomoda, porque fala de morte.

Jesus derramara Sua vida em Seus discípulos, mas eles pareciam ter um sério problema de entendimento a respeito do que Ele estava fazendo e por quê. Eles gostavam de Seus ensinamentos, mas, raramente, pareciam compreendê-los. Eles ficavam maravilhados ao vê-Lo operando milagres, mas não eram capazes de alcançar o propósito maior que havia por detrás. Os discípulos, simplesmente, O seguiam, tentando entender um pouco do que Ele estava fazendo.

QUASE TODOS OS DISCÍPULOS CAEM NO SONO DURANTE REUNIÕES DE ORAÇÃO

Naquele dia, Jesus levou três de Seus discípulos ao monte e começou a orar. Acredito que os discípulos do primeiro século não eram muito diferentes dos discípulos do século vinte, porque todos eles parecem cair no sono durante as reuniões de oração.

“Cerca de oito dias depois de proferidas estas palavras, tomando consigo a Pedro, João e Tiago, subiu ao monte com o propósito de orar. E aconteceu que, enquanto ele orava, a aparência do seu rosto se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura.

Eis que dois varões falavam com ele, Moisés e Elias. Os quais apareceram em glória e falavam da sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém. Pedro e seus companheiros achavam-se premidos de sono; mas, conservando-se acordados, viram a sua glória e os dois varões que com ele estavam.

Ao se retirarem estes de Jesus, disse-lhe Pedro: Mestre, bom é estarmos aqui; então façamos três tendas: uma será Tua, outra de Moisés e outra de Elias, não sabendo, porém, o que dizia.

Enquanto assim falava, veio uma nuvem e os envolveu; e encheram-se de medo ao entrarem na nuvem. ” (Lucas 9.28-34)

Lá estava a nuvem de novo. Era quase como “Oh, oh! Se os discípulos acordarem, vão ver a ‘glória’. Rápido, nuvem, cubra-nos!”

Você percebeu que, somente depois que os discípulos dormiram, Deus abriu o manto que cobria Sua própria glória em Jesus Cristo? Hoje, chamamos aquele monte de “Monte da Transfiguração”, pois a Bíblia diz que as vestes do Senhor “resplandeceram de brancura”. O termo grego original para resplandecer, EXASTRAPTO, significa “reluzir como um raio, brilhar, estar radiante”1. Enquanto os discípulos dormiam, Jesus estava sozinho e Sua glória estava sendo revelada, banhando a terra com Sua luz, a luz da glória de Deus que existe desde sempre!

JÁ É HORA DE ME VER

Naquele momento, era como se Deus tivesse ordenado: “Tudo bem, Miguel, Gabriel (os dois arcanjos), busquem Moisés! Já é hora de ele ver Minha glória.” Então eles baixaram a “escada de Jacó” até a terra e Moisés desceu a um lugar onde nunca estivera antes – a terra prometida de seu povo. Em sua existência mortal, Moisés só pôde contemplar, de longe, a terra prometida para o avivamento, no qual ele jamais tomaria parte. Ele orou para ver a glória de Deus, mas ele nunca pôde vê-La, até que morresse. Naquele dia, 1.500 anos após sua morte, tendo a sua oração ecoado aos ouvidos do Senhor através dos séculos, Moisés, “o morto ambulante”, viu a revelação da glória de Deus.

É preciso que você compreenda que, mesmo após sua morte, suas orações permanecem vivas. Por 1.500 anos a oração de Moisés continuou a dizer: “Mostre-me Sua glória! Mostre-me Sua glória! Mostre-me Sua glória!” Deus teve que marcar um compromisso divino e fixar o dia em que a eternidade invadiria as limitadas esferas do tempo e do espaço. “Moisés, agora que você está morto, tenho uma resposta para aquela oração!”

Por esta razão, fico emocionado ao ler a respeito dos intercessores fiéis e perseverantes que vieram antes de nós. Meu espírito se comove quando vejo, em nossos dias, santos unindo suas fervorosas orações às de cristãos exemplares, como Aimee Semple McPherson e como William Seymour, que, na rua Azusa, frequentemente prostrava sua cabeça sobre caixas de maçã, em oração, para que a glória do Senhor se manifestasse.

Quando as orações do povo de Deus se unirem e, finalmente, com uma intensidade cada vez maior, ressoarem nos ouvidos de Deus, então, o Senhor não vai mais esperar. Ele não vai desprezar as orações dos quebrantados e contritos que buscam Sua face. Vem o dia em que o Senhor, de Seu alto e elevado trono, dirá: “Está na hora.”

Foi o que aconteceu, na Argentina, quando o Sr. Edward Miller e seus 50 alunos lançaram suas intercessões diante do trono. Ele conta que a Argentina era um deserto espiritual, em 1950, e havia cerca de 600 crentes cheios do Espírito em toda Nação. Porém, alguns alunos de um pequeno instituto bíblico começaram a interceder. Eles clamaram, movidos por uma compaixão sobrenatural, em favor de uma nação que nem sequer sabia que eles existiam. Deus trovejou Sua resposta para a Argentina. O mesmo vem acontecendo em muitos lugares, ao redor do mundo, onde o avivamento está irrompendo como um fogo inextinguível. Estamos cansados de fazer tudo segundo métodos humanos. Queremos que o “Pai” Se manifeste, mesmo que, para isso, tenhamos que morrer através do arrependimento e do quebrantamento.

Moisés orou: “Mostre-me Tua glória”, esta oração levou 1.500 anos para ser atendida. Três discípulos sonolentos foram beneficiados da oração permanente de Moisés, mas eles caíram na mesma armadilha que ameaça a Igreja “sonolenta” de hoje. Moisés desceu àquele monte e viu a revelação da glória de Deus. Quando os discípulos acordaram, tudo já estava no final. Mesmo assim, eles ficaram tão extasiados com aquele breve lampejo da glória de Deus, que queriam construir três tendas naquele lugar e permanecer ali! Mas Deus Pai interveio dos céus e disse: “Vocês ainda não viram nada” (Lucas 9.34,35).

ALGUMAS VEZES PARAMOS CEDO DEMAIS

Alguns de nós nos empolgamos com revelações momentâneas da parte de Deus quando, na verdade, Ele quer que nos esforcemos na busca de Seus mistérios. Ele adora honrar orações de “caçadores” persistentes como Moisés, mas não vai permitir que construamos “tendas” para breves revelações de Sua glória – principalmente, se não estivermos com nossas orações no altar do quebrantamento. Apreciamos as coisas práticas, instantâneas e baratas, por isso, buscamos um avivamento de microondas. O Senhor sabe que tais coisas não produzem o caráter divino em nós. Ele diz:

“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa, achá-la-á. Pois, que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? ou que dará o homem em troca da sua alma?” (Mateus 16.24b-26)

Tenho tentado explicar o inexplicável, mas tudo que sei é que “quanto mais morro, mais Deus se aproxima”. Não sei o quanto você tem da presença do Senhor em sua vida ou o quanto O conhece, mas saiba que Ele vai Se revelar cada vez mais, desde que você esteja disposto a morrer para si mesmo.

Na sua Segunda Epístola aos Coríntios, o apóstolo Paulo diz conhecer um homem (ele mesmo) que tinha sido arrebatado ao terceiro céu (2 Co 12.2). Este apóstolo não conhecia Deus “só de ouvir”, mas realmente andava com Ele. Como Paulo chegou a um relacionamento tão íntimo com o Pai? Ele disse: “Diariamente, eu morro” (1 Coríntios 15.31).

Muitos cristãos hoje em dia estão perdendo tempo procurando atalhos para alcançarem a glória de Deus. Queremos o máximo com o mínimo de esforço. Queremos o avivamento em nossas cidades, mas não queremos que ninguém nos diga que ele só virá quando houver fome, quando intercessores forem movidos a um arrependimento vicário, por pecados que nunca cometeram, em favor de pessoas que nunca conheceram. Paulo disse:

“…porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne.” (Romanos 9.3)

Você está lendo este livro por um desígnio divino. Em algum lugar, de alguma forma, uma oração permanente está sendo respondida hoje. Mas pode ser que você esteja se poupando da morte, fugindo do altar do sacrifício que Deus colocou diante de você – Não se aflija: é a realidade de todos nós! A maior bênção não vem das mãos de Deus, e, sim, de Sua face, através de um relacionamento de intimidade. Quando você, finalmente, contemplá-Lo e conhecê-Lo em Sua glória, encontrará a verdadeira fonte de todo poder.

 QUANTO MAIS VOCÊ MORRER, MAIS O SENHOR PODERÁ SE APROXIMAR

Agora, deixe-me contar as boas novas que se encontram além do altar da morte e do quebrantamento. Enquanto a carne morre diante da glória de Deus, tudo que provém do Espírito vive eternamente. Uma parte de seu ser viverá eternamente, mas algo em sua carne terá que morrer. Permita-me expressar nestes termos: A sua carne afasta a glória de Deus. O Deus de Moisés deseja revelar-Se a você hoje, mas lembre-se de que esta bênção tem preço. Você tem que se dispor a morrer, e, quanto mais você morrer, mais o Senhor poderá Se aproximar.

Esqueça as opiniões e expectativas dos que estão em seu redor. Coloque de lado o “protocolo religioso”. Para Deus, só existe um protocolo concernente à carne: a morte. Deus está ávido para transformar a Igreja. De uma forma ou de outra, Ele vai mandar Seu fogo consumir tudo que não provém de Sua vontade, então, você não tem nada a perder… a não ser sua carne. Deus não está procurando pessoas religiosas, mas aqueles que estão dispostos a buscar Seu coração. Ele deseja pessoas que O queiram, que desejem o Abençoador mais que as próprias bênçãos.

Podemos continuar buscando Suas bênçãos e nos divertindo com Seus “brinquedos”, ou simplesmente dizer: “Não, Pai, não queremos mais bênçãos, queremos o Senhor! Queremos que o Senhor venha para perto de nós. Toque nossos olhos, nossos corações e ouvidos! Mude-nos, Senhor! Estamos cansados de ser as mesmas pessoas. Compreendemos que, se nós mudarmos, então, nossa cidade e nossa nação também mudarão.”

VOCÊ VAI PERMITIR QUE ELE SE APROXIME?

Acredito que esta geração está muito próxima de um avivamento, mas não quero ficar assistindo ao Senhor passar pelas ruas em direção aos que, realmente, O querem. “Isto vai acontecer em algum lugar, mas se não conosco, com quem, Senhor? Não queremos nos satisfazer com Seus dons, por mais maravilhosos que sejam. Queremos o Senhor!” A “equação do avivamento” ainda é a mesma:

“…se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar [morrer no altar do arrependimento], orar e me buscar [a Sua face e não um avivamento passageiro ou uma visitação momentânea], e se converter de seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” (2 Crônicas 7.14.)

“PAI, É SUA FACE QUE BUSCAMOS!”

Transformada por Deus, é muito provável que a Igreja que emerge da nuvem de Sua glória será bem diferente daquilo que eu e você pensamos ser seu formato ideal. Isto porque Deus está tomando a Igreja para conduzi-la próxima a Ele.

Será que vamos ter coragem de nos aproximar de Sua glória? Deus queria que os filhos de Israel subissem com Moisés ao monte e recebessem os Dez Mandamentos diretamente de Suas mãos. Mas eles correram da presença de Deus. A Igreja corre o risco de fazer o mesmo hoje. Podemos correr o risco de que algo em nós venha a falecer, quando ousarmos a nos aproximar da Sua glória, ou podemos correr de volta às nossas tradições carnais e à segurança dos cultos legalistas operados por homens.

Vamos proporcionar um ambiente confortável para Deus e incômodo para o homem através do culto de arrependimento. Nossas igrejas, com seus bancos acolchoados, são muito agradáveis para os homens, mas não para Deus que consome a “carne”!

Os israelitas, literalmente, se isolaram e ficaram ilhados da íntima presença de Deus, pois temeram a morte. Moisés, por outro lado, aproximou-se da espessa nuvem da glória de Deus. Já é hora de a Igreja abraçar, de verdade, a cruz de Cristo. Nossa fome deve nos impelir para além da morte da carne à vida na glória de Deus. Este é o destino da Igreja que pertence ao Deus vivo. Mas só vai acontecer no dia em que abrirmos mão da segurança da “lei da nova aliança” que regulamenta nossos cultos e renunciarmos às visitações “sobrenaturais” cuidadosamente controladas, preferindo o “risco” de viver face a face com nosso Deus.

Deus não quer que nos apartemos de Sua glória para construirmos “monumentos” que abriguem a revelação momentânea que não nos custou nada. A salvação é um dom gratuito, mas a glória de Deus nos custará algo. Ele quer que O busquemos e vivamos na eterna habitação de Sua glória. quer que estejamos tão plenos de Sua glória, que levemos Sua presença poEle r onde andarmos. Talvez esta seja a única maneira de a glória de Deus fluir pelos shoppings, salões de beleza, supermercados e lojas de nossa nação.

É desta forma que a glória de Deus vai encher a terra. Há de começar em algum lugar. As “nascentes” da carne precisam ser extintas e as janelas do céu abertas para que a glória comece a fluir como um rio e cubra a terra. Jesus disse: “…do seu interior fluirão rios de água viva” (João 7:38b). Se a glória de Deus vai encher a terra, temos que nos render totalmente a Ele.

A diferença entre a unção e a glória é a diferença entre as mãos de Deus e Sua face. O caminho para a glória de Deus nos leva direto ao altar, que é o lugar devemos colocar tudo de lado e morrer. E, no fim, nos encontraremos face a face com Deus, como uma nação de “mortos ambulantes”, nas possessões de Sua glória. Nada mais é necessário. Uma vez que os filhos de Deus coloquem seus “brinquedos” de lado e subam ao colo do Pai para buscar Sua face, a Casa do Pão vai transbordar de pão e de boas dádivas. Os famintos finalmente serão fartos e encontrarão a satisfação eterna que tanto procuram.

O Senhor não vai nos decepcionar. Ele vai permitir que O capturemos. Assim como um pai permite que filho sorridente e amoroso o capture, quando brinca com ele, o Pai celestial vai permitir que Seus filhos o “apanhem”. Na verdade, justamente, quando você já estiver cansado, Ele Se voltará para pegá-lo. Ele quer ser capturado pelo seu amor. Ele anseia por este encontro. Ele sente falta desses momentos com o homem desde o Jardim do Éden. Os Caçadores de Deus sabem disso, intuitivamente. Eles querem “caçar” o Que ninguém consegue capturar, sabendo que Aquele que é impossível de ser capturado, pode capturá-los. De fato, um famoso caçador de Deus escreveu:

“… mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.” (Filipenses 3.12b)

Paulo conseguiu! Você também pode! Junte-se à companhia dos caçadores de Deus!

A temporada de “caçada” está aberta…

F I M