A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

FOTOGRAFIAS DE COMPORTAMENTO – I

Como quem determina a ação é a mente, resulta que se olharmos essa fotografia teremos dados do psiquismo do delinquente

Fotografias de comportamento

Todo crime é, sem exceção, uma fotografia exata e em cores do comportamento do criminoso.

Com efeito, os comportamentos elaborados, não instintivos, exigem que antes sejam pensados. Em outas palavras, o ato complexo pressupõe entendimento prévio.

Assim, é correto afirmar que o criminoso comum (em oposição ao doente mental criminoso) entende o caráter delituoso do que está fazendo. Do contrário, se não entendesse e, mesmo assim, delinquisse, não seria criminoso comum, mas portador de distúrbio mental, por desconhecimento do que faz.

Porém, para ser criminoso comum não basta somente entender a natureza ilegal da ação, é necessário, ainda, ser capaz de se determinar de acordo com esse entendimento. Dito de outro modo, se entende o que faz e não age de acordo com tal compreensão é, da mesma forma, portador de transtorno mental, por falta de capacidade de determinação.

Disso resultam duas conclusões básicas:

1- Se o indivíduo é criminoso comum (que entende e se determina), vai delinquir sob certa lógica mental e, consequentemente, a sua ação será compreensível psicologicamente.

2- Se o indivíduo é doente mental (não entende e/ou não se determina), vai delinquir em desordem mental, ou seja, a sua ação será incompreensível em termos psicológicos.

Assim, compreensibilidade na “fotografia” do comportamento criminoso se dá quando podemos inferir ação e reação proporcionais em espécie. Por exemplo, o indivíduo está sem dinheiro, mata e se apodera da carteira da vítima; quer queimar arquivo e elimina a fonte; assassina o cônjuge por motivo de traição etc. Claro que são todas ações condenáveis moral, social e culturalmente, mas compreensíveis.

Por sua vez, incompreensibilidade psicológica ocorre quando não há possibilidade de analisar a ação criminosa sem admitir uma dose grande ou pequena de psicopatologia. Por exemplo, um indivíduo vai ao cinema portando metralhadora e a descarrega em pessoas desconhecidas, ou melhor, nunca as tinha visto, não rouba nada, não reivindica nada, não leva qualquer vantagem, não esboça reação ao ser preso. Nesse sentido, se não admitirmos uma anormalidade mental (psicopatologia), a ação fica incompreensível. Outros casos: o indivíduo violou vários túmulos e manteve relação sexual com os cadáveres; mãe ateou fogo em três filhos informando que estava purificando-os; um homem assassinou algumas mulheres e comeu pedaços de seus corpos etc.

Voltando ao assunto (todos os crimes são fotografias exatas do comportamento do criminoso nas quais podemos ver aspectos do psiquismo de quem os praticou), no próximo número vamos abordar características dos crimes praticados pelos doentes mentais, ou seja, ações incompreensíveis psicologicamente (e compreensíveis psicopatologicamente).

OUTROS OLHARES

OS ALIMENTOS SÃO REMÉDIO?

Ganha força uma nova tendência na nutrição, baseada na ciência: a de considerar a comida como recurso para prevenir e tratar doenças. Mas há exageros que precisam ser evitados

Os alimentos são remédio

 A intuição aguçada do filósofo grego Hipócrates (460 a.C.-375 a.C.) o autorizou, muito antes, evidentemente, dos avanços da medicina, a lançar uma das máximas mais permanentes dos cuidados com a saúde: “Que o seu remédio seja o seu alimento e que o seu alimento seja o seu remédio”. A ideia atravessou séculos, ora ancorada na divulgação da mais milagrosa das dietas, ora debruçada na descoberta dos mágicos poderes terapêuticos de uma fruta, de um legume, de uma semente. A gangorra nunca parou, mas há uma novidade, alheia a modismos: recentes e minuciosos estudos comprovam os reais benefícios dos alimentos no combate e na prevenção de doenças. É ciência pura, em uma das áreas de investigação que mais crescem, no avesso das simpáticas crenças de nossos avós, para quem o leite fechava úlceras e a canja de galinha liquidava gripes. “Hoje, conhecemos melhor os mecanismos de atuação de um alimento no organismo. A comida certa pode melhorar problemas que envolvam excesso de peso, doenças cardiovasculares, fadiga e muitas outras patologias”, disse o cardiologista americano Mehmet Oz, o celebrado doutor Oz, um dos grandes entusiastas do tema, que acaba de lançar no Brasil o livro Fuja da Farmácia.

Antes de tudo, e convém afirmar com ênfase, comida não é medicamento – e, na maioria dos casos, não substitui a ação de um composto químico ou de uma intervenção cirúrgica. Não se combate, por exemplo, a insônia pesada com o consumo diário de bananas, fruta com nutrientes que relaxam o corpo. Não dá também para substituir a quimioterapia contra o câncer por doses diárias de alho, apesar da evidente capacidade da planta cujo bulbo ajuda a fortalecer o sistema imunológico do organismo. O extraordinário, agora, é a certeza sobejamente comprovada de que os alimentos podem, sim, ser aliados poderosos e, muitas vezes, protagonistas no combate de enfermidades que matam. A recomendação médica clássica de que uma “dieta equilibrada”, com porções de carboidratos, verduras e proteínas, é suficiente para garantir a saúde tornou-se extremamente simplista diante das evidências atuais – ainda que seja postura de muito bom-senso. Tome-se como exemplo a obesidade. Muitos especialistas continuam a defender enfaticamente o conceito básico de desequilíbrio energético. Ou seja, ganha peso quem ingere mais calorias do que gasta, e ponto.

O jogo é mais complexo. Não se trata mais apenas de medir calorias, de equilibrar o que sai e o que entra. O tipo de alimento ingerido faz toda a diferença – influi na sensação de recompensa, nos picos de glicemia e na atividade do fígado. “Até pouco tempo atrás, as recomendações das sociedades médicas eram simplistas em relação à dieta”, diz o endocrinologista Rodrigo Moreira, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. “Com as novas pesquisas, os médicos se sentem mais seguros para sugerir uma alimentação específica como parte de um tratamento. “Daí ganham espaço, naturalmente, dietas mais inteligentes que as badaladas tempos atrás, como a low carb (que reduz o consumo de carboidratos) ou a dieta mediterrânea (que favorece a comida natural, não industrializada, com destaque para peixes, azeite, grãos e oleaginosas, produtos afeitos a reduzir o LDL, o colesterol ruim).

O papel da alimentação no tratamento e na prevenção de doenças começou a ter respaldo científico muito recentemente. Em 2002, o governo dos Estados Unidos divulgou os resultados de um estudo que comparou pacientes com pré-diabetes que seguiram dieta e faziam atividade física com aqueles que só fizeram o tratamento medicamentoso. Quem cuidou do cardápio se saiu melhor. Outra pesquisa, publicada em The Lancet, há dois anos, foi além. Mostrou que 86% dos pacientes que tinham diabetes e seguiram uma dieta radical tiveram remissão da doença. Ou seja, todos os sinais do problema desapareceram e os ex-diabéticos já não precisariam mais tomar remédios. Há estudos, embora ainda iniciais, que apontam para o sucesso da alimentação adequada na lida contra males autoimunes, como a artrite reumatoide ou a síndrome do intestino irritável. A teoria por trás é que a flora intestinal impacta diretamente o bem-estar do organismo. Um adequado balanço da comunidade de bactérias do aparelho digestivo tende a aliviar os sintomas inflamatórios tão frequentes nas doenças autoimunes.

Os alimentos não são, pura e simplesmente, remédios, porque pesquisá-los foi sempre um enorme desafio, somente agora parcialmente superado. O impacto que um alimento tem sobre o organismo não é tão simples de entender quanto o de um medicamento. “Há diversas variáveis que desempenham um papel determinante na saúde, como genética, exercício, stress. As decisões sobre comida se misturam a todas elas, amplificando algumas e contrabalançando outras, e todas trabalham em conjunto para determinar o bem-estar geral”, diz Oz. Não existiriam, portanto, os chamados superalimentos. Eles são uma ficção. O suco verde já cumpriu esse papel, depois vieram a cúrcuma e o óleo de coco. Agora é a vez do aipo, que já foi apontado como aliado do emagrecimento, rico em vitaminas, com ação antioxidante. Não fazem mal, mas não representam o cobiçado santo graal. “As pessoas buscam um alimento que cura, que é o melhor. Isso não existe”, diz o nutrólogo Eduardo Rauen.

A boa alimentação deve ser celebrada, as recentes descobertas são um notável impulso, novos avanços virão – mas dificilmente terão a decisiva influência, a título de comparação, da penicilina, o primeiro antibiótico de amplo espectro, descoberto por Alexander Fleming na década de 20 do século passado. Um exemplo do que não deve ser feito, na excessiva valorização dos alimentos, é o que ocorreu com Steve Jobs (1955-2011), o gênio criativo da Apple. Em 2003, ele foi diagnosticado com câncer de pâncreas. Adiou sucessivamente as terapias recomendadas, com quimioterápicos, para tratá-lo à base de suco de frutas, ervas e acupuntura. Não deu certo, numa comprovação da eficácia apenas secundária dos alimentos. É bom conhecê-los, é bom saber o que comprovadamente

Os alimentos são remédio. 2

GESTÃO E CARREIRA

FRANQUIAS DAS ESTRELAS

Celebridades superam a condição de garotos-propaganda, identificam novas oportunidades e investem na prestação de serviços

Franquias das estrelas

Empreender tem sido um caminho cada vez mais frequente das celebridades. E diversos atores, atrizes, apresentadores de TV e famosos em geral descobriram um filão atraente e promissor: as franquias. Para diversificar suas atividades e ter novos ganhos financeiros, eles ultrapassaram a condição de garotos propaganda para se tornarem donos do próprio negócio, contando com a força de sua marca pessoal e o esforço para levar um novo projeto adiante. Ser uma celebridade é uma vantagem ao entrar nesse mercado. A participação de gente estrelada tem um efeito imediato e positivo de marketing na franquia. Mas sem trabalho duro não há garantia de rentabilidade e nem do sucesso da empreitada.

O nome da celebridade é em si um chamariz para a marca. E a franquia pode parecer uma maneira de empreender mais segura, embora apresente riscos, como qualquer negócio. Nos últimos tempos, atrizes como Giovanna Antonelli, apresentadores como Sabrina Sato, Rodrigo Faro e Ana Hickmann e cantores como Rogério Flausino, da banda Jota Quest, abriram suas franquias, seguindo uma tendência iniciada há uma década. “A ideia de investir em estética, bem-estar e saúde surgiu intuitivamente”, diz Giovanna, que criou a marca Giolaser, de depilação e estética, em 2013. “Fui pesquisar sobre o mercado e vi que poderia ser algo interessante”. A atriz participa ativamente dos negócios, em especial dos assuntos de marketing e conta com a ajuda da médica Carla Sarni, que cuida da parte gerencial. Desde 2015, a Giolaser foi incorporada pelo grupo Sorridents, maior holding de saúde do Brasil.

Um aspecto fundamental na adesão a uma franquia é entender da atividade que se pretende executar. O Grupo Kalaes, por exemplo, que reúne franquias de vários setores, tem cinco parcerias com famosos e os apoia na gestão do negócio. Seu último acordo foi com Sabrina Sato, que investiu na marca OdontoSpecial, rede de clínicas odontológicas. Por não ser do ramo, Sabrina entrou no negócio em parceria com seu cunhado, que é dentista. Outra apresentadora que se associou ao grupo Kalaes foi Ana Hickmann. Ela montou o Instituto Ana Hickmann MaisLaser, centro de depilação e estética. Rogério Flausino investiu em educação, na escola Brasil Canadá de Educação Bilingue. Pelo que se vê, não faltam oportunidades de ganhar algum dinheiro com uma franquia

Franquias das estrelas. 2

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 9 – DESPOJE-SE DE SUA GLÓRIA

 

O SEPULTAMENTO DA GLÓRIA DO HOMEM É O NASCIMENTO DA GLÓRIA DE DEUS

Esquecemo-nos da arte de adorar ao Senhor. Nosso louvor está tão cheio de uma interminável torrente de palavras inúteis e vazias, dando a impressão de que tudo o que fazemos é preencher o tempo com um monólogo que, talvez, o próprio Deus ignore.

Alguns se agarram a isso de tal forma, que não conseguem contemplar o Pai ou perceber o quanto Ele nos ama. Precisamos retornar àquela simplicidade de nossa infância.

Todas as noites, quando estou em casa, embalo minha amada filha de seis anos para dormir. Geralmente, ela deita em meus braços e, antes que adormeça, me conta todos os problemas que enfrentou durante o dia: “Papai, aquele menino da escola brigou comigo.” Ou: “Papai, não fui bem na prova hoje.” Sei que, para ela, estes problemas são verdadeiros gigantes. Nestes momentos, sempre tento confortá-la dizendo que ela está comigo, que a amo muito e tudo vai ficar bem. Não importa o que disseram contra ela na escola, nem seus pequenos erros: nada pode atingi-la agora que está em meus braços.

O melhor mesmo é quando consigo caminhar pelo labirinto da mente de minha filha e lhe trazer paz. Então, minha garotinha olha para mim, com seus olhinhos quase se fechando, e sorri. Só posso dizer que, nestes momentos, seu semblante me revela o mais puro amor e confiança. Ela não tem que dizer mais nada: eu compreendo. Assim, em completa paz, ela se ajeita no meu colo para dormir, com um sorriso que reflete plena segurança e confiança estampado no rostinho.

Deus quer que façamos a mesma coisa. Muitas vezes, ao final do nosso dia, vamos até Ele e O “adoramos” com algumas palavras mecânicas que já sabemos de cor. Ficamos tão absorvidos pelos problemas que nos sobrevieram na “escola”, durante o dia, que nos deitamos na presença de Deus somente o tempo suficiente para despejar nossa torrente de palavras e entregar nossa lista de pedidos. Depois, voltamos para a correria de nossas vidas. Parece que não encontramos aquele lugar onde reside a paz perfeita.

VOCÊ VAI TER QUE OLHÁ-LO FACE A FACE

O que Deus quer é simplesmente que olhemos para Ele. Sim, podemos dizer-Lhe aquilo que sentimos, precisamos fazer isto. Mas, o que o Senhor realmente espera é receber nossa mais íntima adoração e louvor, em nível que transcenda meras palavras e ações exteriores. Ele deixou, diante de você, uma porta aberta, mas você tem que olhá-Lo face a face. Não fique parado na porta da eternidade: é preciso que entre. Você tem que parar de ficar olhando e ouvindo outras coisas. Ele está acenando: “Suba até aqui e lhe mostrarei o que dever acontecer…” (Apocalipse 4.1). É isto que deveria trazer paz a um filho cansado.

Não podemos nos deixar levar pelo nosso intelecto matemático para não corrermos o risco de racionalizarmos os propósitos de Deus. Podemos acabar perdendo a hora de nossa visitação, como os fariseus, saduceus e os escribas do tempo de Jesus. Eu, por exemplo, não quero ver isto acontecer. Jesus chorou sobre Jerusalém – que, naquele tempo, simbolizava a habitação da presença de Deus, dizendo essencialmente: “Vocês não reconheceram o tempo certo. Eu vim para vocês e vocês Me ignoraram. Vocês conhecem a Palavra, mas não Me conhecem” (Lucas 19.41-44). ”Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (João 1.11).

Não quero dizer que você e os outros não conheçam a Palavra de Deus. Pelo contrário, escrevo estas coisas porque o Senhor deseja um novo nível de intimidade com Seu povo. Ele não quer que saibamos a Palavra de cor, Ele quer que tenhamos conhecimento da Pessoa d’Ele. Paulo diz que, antes de se converter a Cristo, ele compreendia a lei (Filipenses 3.5,6). Mas depois de sua conversão, ele disse: “Eu sei em quem tenho crido” (2 Timóteo 1.12b). Uma coisa é saber a respeito de Deus, outra, é conhecê-Lo.

Deus está chamando você para Sua intimidade. Se ousar responder a este chamado, terá conhecimento de uma faceta do caráter de Deus que, até então, você desconhecia. O Senhor vai colocá-lo tão perto d’Ele que você poderá respirar o ar puro dos céus. O único caminho para o lugar que Davi chamava de “esconderijo” passa pela porta da adoração. Ao passar por este caminho, você deixa de lado todas as demais distrações e concentra seu corpo, mente e espírito em Deus (Veja Filipenses 3.5,6).

Quando a presença d’Ele se tornar tão forte, que você não mais se importe com nada a seu redor, você vai experimentar um encontro com Deus do qual nunca se “recuperará”. Seu coração ficará permanentemente afetado pelo amor, assim como a perna de Jacó ficou pelo manquejar.

“OS CULTOS QUE ME AGRADAM NÃO SÃO OS MESMOS QUE LHE AGRADAM”

Durante a minha jornada em direção à presença de Deus, Ele me disse: “Filho, os cultos que Me agradam não são os mesmos que lhe agradam.” Então, compreendi que, muitas vezes, vamos à igreja para “obter algo de Deus”, quando, na verdade, a Palavra sempre nos exorta a “ministrar ao Senhor”. Sim, estamos tão ocupados em ministrar às pessoas e suas necessidades que poucas vezes temos oportunidade de ministrar ao Senhor. E, assim, semana após semana, saímos gratificados com nossas parcas necessidades satisfeitas. Quando é que ouviremos a voz do Senhor a dizer:

“Há alguém aqui que tão-somente Me ame?”

Como eu disse antes, o Salmo 103.1 ainda diz: “Bendize, ó minh’alma ao Senhor…”, mas praticamos o “Oh, Senhor, bendiga a minha alma!”.

Qual seria a nossa definição de herói? Provavelmente não é a mesma usada por Deus. Veja o que o Senhor disse sobre a mulher “pecadora” que quebrou um vaso de alabastro para ungi-Lo com óleo. Se o céu tivesse uma “galeria da fama”, posso dizer-lhes um nome que estaria no topo da lista: Maria, a mulher do vaso de alabastro. O mais espantoso é que os discípulos ficaram tão embaraçados e constrangidos com o ato daquela mulher que quiseram mandá-la embora, mas Jesus fez daquele ato um monumento eterno à adoração desinteressada! E não foi por causa do talento ou da beleza de Maria, nem por seu “esforço religioso”, mas pela sua singela adoração. Os discípulos disseram: “Para que este desperdício?” (Mateus 26.8b) e Jesus respondeu: “Isto não é desperdício, é adoração.”

Com frequência, os discípulos se perdiam em meio a discussões sobre quem se assentaria à direita ou à esquerda, enquanto Jesus estava “faminto de adoração”. Sua fome atraiu uma estranha, alguém disposto a quebrar regras, uma lavadora de pés! Esse tipo de adoradores, enquanto ministram ao Senhor, ignoram os olhares e comentários da igreja politicamente correta.

O Senhor deseja nosso louvor e adoração. A “galeria da fama” do céu está cheia de nomes de ilustres desconhecidos, como aquele leproso que voltou para agradecer a Deus (enquanto os outros nove nem se incomodaram). Pessoas que tocaram o coração do Senhor e ficaram em Sua memória, das quais Ele diz: “Sim, Eu me lembro de você. Sei quem você é. Muito bem, servo bom e fiel!”

Enquanto isto, agimos como filhos ingratos, em nossos cultos, reivindicando nossas bênçãos e tudo o que biblicamente nos pertence. Religiosamente, buscamos as mãos de Deus, mas ignoramos o que seja buscar Sua face e dizer: “Eu O quero, Senhor!”.

ACOMODE-SE NO COLO DO ABENÇOADOR

Deus está nos dizendo: “… eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta…” (Apocalipse 3.8). Deus parece estar deixando abertas as portas dos céus e dizendo: “Venham para um novo lugar de intimidade e comunhão Comigo!” Você não precisa se preocupar com as bênçãos se estiver confortável no colo do Abençoador! Diga-Lhe que O ama e as bênçãos virão como consequência. Busque o Abençoador, não as bênçãos! Busque o Avivador, não o avivamento! Busque a face de Deus, não Suas mãos!

Vejo muitas vezes nos corredores das igrejas pessoas que subiram ao colo do Pai. Vejo-as inclinarem suas cabeças nos bancos enquanto buscam a face de Deus. Algo está acontecendo na Igreja hoje, e não tem nada a ver com a manipulação dos homens. Você já não está cansado de tudo isto? Não está faminto por um encontro com o Senhor, um tipo de encontro que não esteja contaminado com as vãs promoções e manipulações dos líderes carnais? Não anseia pela manifestação do Senhor em sua vida? Acredite, você não está sozinho! Existiu uma mulher que marcou o caminho do arrependimento com suas lágrimas e se despojou de sua glória perante o Senhor.

“Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele. Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa.

E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento; e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o unguento.

Ao ver isto, o fariseu que o convidara, disse consigo mesmo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora.

Dirigiu-se Jesus ao fariseu e lhe disse: Simão, uma cousa tenho a dizer-te. Ele respondeu: Dize-a, Mestre.

Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro cinqüenta. Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais?

Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem. E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta com bálsamo ungiu os meus pés.

Por isso te digo: Perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.

Então, disse à mulher: Perdoados são os teus pecados.

Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados?

Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.” (Lucas 7.36-50)

Você pode estar a poucos passos espirituais de um encontro que mudaria sua vida inteira. Se você deseja ver a face de Deus, siga Maria até os pés de Jesus. Derrame o precioso “bálsamo” do louvor e adoração que está em seu vaso de alabastro. Você tem mantido seu tesouro guardado por muito tempo, mas existe Alguém que é merecedor dele. Não o guarde mais!

Os evangelhos de Mateus e Marcos também relatam este fato e dizem que Simão era, ou tinha sido, leproso (Veja Mateus 26.6,7; Marcos 14.3). Muitos estudiosos acreditam que a relato apresentado pelo Dr. Lucas era a história de um evento anterior. Mesmo assim, Simão, o fariseu, ainda era um leproso espiritual, porque padecia do pecado desfigurador da hipocrisia.

Sempre vemos alguns fariseus com a lepra da hipocrisia, mostrando desprezo, quando derramamos o melhor de nós aos pés do Senhor. Mas quem se importa? Quem é que sabe dos problemas que foram tirados de nossos ombros naquele momento? Quem conhece as preocupações, medos e ansiedades que desapareceram, quando O ouvimos dizer: “Eu aceito você.”

Aos olhos de Deus, somos todos leprosos espirituais. Precisamos ser aqueles que se voltam ao Libertador para oferecer ações de graça. Se o Senhor o aceita, você pode ignorar todas as outras vozes que lhe dizem: “Eu o rejeito.” Não quero ser rude, mas quem se importa com todos os outros leprosos que o rejeitam, se você foi aceito e curado pelo Rei?

Na narrativa registrada nos evangelhos de Mateus e Marcos, os piores críticos de Maria não foram os fariseus ou os saduceus. Eram os próprios discípulos de Jesus que estavam prontos para expulsar Maria, quando Jesus interveio rapidamente.

“Mas Jesus disse: Deixai- a; por que a molestais? Ela praticou boa ação para comigo. (…) Ela fez o que pôde: antecipou-se a um ungir-me para a sepultura. Em verdade vos digo: Onde for pregado em todo o mundo o evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.” (Marcos 14:6,8,9)

VOCÊ ESTÁ NA MEMÓRIA DO SENHOR?

Jesus disse que a mulher que quebrara o vaso de alabastro, ungindo- 0 para Seu sepultamento, não seria esquecida onde quer que o evangelho fosse pregado. Em outras palavras, ela estaria sempre na memória de Deus. Você anseia por uma visitação do Senhor? Então, terá que preparar lugar para Ele em sua vida: não importa quão cheia e atribulada ela possa parecer agora. Isto significa que seus tesouros mais preciosos precisam ser quebrados para exalar uma fragrância que fique na lembrança do Senhor.

Seu quebrantamento possui um aroma suave diante de Deus. Ele receberá cada lágrima que se derramar pelo seu rosto. A Bíblia diz que Ele guarda um “odre” de memórias para recolher cada lágrima que você derrama (Veja Salmos 56.8). Deus o ama, então, corra para aquele lugar secreto onde você mantém escondido o seu “vaso de alabastro” com a unção preciosa que reservou para este momento especial. Quebre-o aos pés do Senhor e diga: “Jesus, eu O amo mais que qualquer outra coisa. Abandonarei tudo, irei onde for preciso. Só quero o Senhor.”

Mas não se engane: foi necessário que Maria se humilhasse, enxugando os pés do Senhor com seus cabelos. A Bíblia diz que o cabelo da mulher é a sua glória, Maria usou sua glória para enxugar os pés de Jesus. As mulheres, nos tempos de Jesus, geralmente, usavam seus cabelos presos para cima, e, quando saíam de casa, eles eram enrolados em um turbante ou envoltos em um véu. Maria, provavelmente, teve que desfazer seu turbante para enxugar os pés do Senhor.

Não quero escandalizar ninguém, mas é importante que tenhamos noção do que isto significava para a reputação de Maria. Naquele tempo, eram usadas sandálias, quando os convidados entravam em uma casa: elas eram deixadas à porta. A maior parte dos viajantes, em Israel, compartilhava as estradas com camelos, cavalos e jumentos. Era impossível não ter contato com as fezes destes animais durante o percurso. As sandálias protegiam os pés durante a viagem, mas não eram utilizadas na casa de alguém. Certamente as marcas da viagem (inclusive o cheiro dos animais) ainda permaneciam nos pés descalços. Por esta razão, o trabalho “sujo” de lavar os pés de alguém era reservado aos servos mais insignificantes da casa. Qualquer servo que lavasse os pés dos convidados já era, automaticamente, contado entre os escravos mais desprezíveis, e era, abertamente, tratado com indiferença.

Imagine a humildade da adoração apresentada por Maria. Ela desmanchou sua “glória”, seus cabelos, para enxugar os pés do Senhor. Nossa justiça e glória não passam de trapos: só servem para enxugar os pés do Senhor (Veja Isaías 64.6)!

Naquele tempo, se você realmente quisesse desonrar e humilhar uma pessoa que chegasse à sua casa, bastava fazer com que seus servos não se preocupassem em lavar os pés dela. Principalmente na casa de um fariseu, que tanto valorizava a limpeza exterior. Jesus diz claramente que, ao entrar na casa de Simão, ninguém se preocupou em lavar os pés (Lucas 7.44). Simão queria que Jesus estivesse em sua casa, mas não queria honrá-Lo. Quantas vezes queremos a presença de Deus em nossos cultos, mas nos recusamos a louvá-Lo como deveríamos?

NOSSOS CULTOS SÃO REALIZADOS PARA DEUS OU PARA OS HOMENS?

Por muito tempo, a Igreja tem pedido a presença de Deus, mas nunca O coloca em uma posição de honra. Isto significa que tudo o que queremos são Seus “brinquedos”. Queremos as curas, os dons sobrenaturais e todos os milagres que Ele pode fazer. Mas, na verdade, não queremos honrá-Lo. Como eu posso dizer tal coisa? Pergunte a si mesmo se nossos cultos são feitos para entreter os homens ou para honrar a Deus. O que é mais importante, ouvir alguém dizendo: “O culto foi realmente muito bom, gostei muito!”, ou ouvir a aprovação do Senhor?

No passado, quando Deus se fez presente em nossos cultos, quando foi que paramos tudo que estávamos fazendo, simplesmente, para honrá-Lo? Ou será que consideramos que Sua visitação seja um motivo justo para suspendermos todos nossos compromissos, mas somente até certa medida?

Será que, quando Maria quebrou seu vaso de alabastro com o bálsamo precioso, ela percebeu que suas lágrimas, ao caírem nos pés empoeirados do Senhor, deixavam um rastro de limpeza? Será que ela se deu conta do desrespeito mostrado a Jesus naquela casa, embora Ele fosse o convidado? Creio que sim, e isto deve ter partido seu coração. Seu pesar pareceu aumentar a intensidade de suas lágrimas, até que se tornaram como uma torrente. Havia tantas lágrimas caindo sobre os pés de Jesus, que Maria, literalmente, os lavou, tirando de sobre eles o cheiro dos animais!

Mas o que ela poderia usar para enxugar os pés do Senhor? Ela não tinha honra ou autoridade naquele lugar, não podia pedir uma toalha. Como não houvesse nada à mão e nada fora providenciado pelo dono da casa, Maria usou seus cabelos, sua glória, para enxugar os pés de Jesus. Ela tirou d’Ele toda rejeição, desrespeito e desprezo mostrados naquela casa. E tomou, sobre si mesma, todas as evidências da pública rejeição ao Senhor. Você consegue imaginar o que isto causou ao coração de Deus? Ao repreender abertamente Seu anfitrião, Jesus nos dá pistas do que sentiu naquela hora:

“E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta com bálsamo ungiu os meus pés. Por isso te digo: Perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.” (Lucas 7.44-47)

VOCÊ TEM QUE SE DESPOJAR DE SUA GLÓRIA PARA MINISTRAR AO SENHOR

O Senhor me disse: “Maria despojou-se de sua glória para ministrar a Mim.” Se todos os discípulos estivessem presentes, havia, no mínimo, mais doze pessoas naquela casa, mas ninguém alcançou o mesmo nível de intimidade que aquela mulher. Os discípulos, embora fossem boas pessoas como Pedro, Tiago e João, fracassaram. Ouça meu amigo: Você pode estar tão ocupado sendo um discípulo atuante, que pode estar fracassando na adoração! Você acha que Deus precisa que façamos coisas para Ele? Não é Ele o Criador que deixou os céus para escavar os sete mares com a palma da mão? Não foi Deus que premeu a terra para fazer as montanhas? Então, é óbvio que Ele não precisa que você “faça” nada. O Senhor quer sua adoração.

Jesus disse à mulher junto ao poço:

“…os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. ” (João 4.23)

Assim como muitos pastores, ministros e diáconos nas igrejas de hoje, os discípulos ficaram nervosos ao ver aquele tipo de fome por Deus: “Alguém pare esta mulher”, teriam dito. Mas Jesus interveio: “Não, finalmente alguém está fazendo algo correto. Não ousem parar esta mulher!” As igrejas hoje não têm lugar para “Marias com vasos de alabastros”, porque elas nos constrangem quando começam a desmantelar sua glória, orgulho e ego na frente de todo mundo (o problema é que nossa glória, orgulho e ego se sobrepõem à humildade).

Deus está dizendo ao Seu povo: “Se vocês estiverem dispostos a se despojarem de sua glória, Eu os trarei para perto de Mim.” Posso ouvi-Lo dizer: “Esqueça sua glória, coloque seu ego de lado. Não Me importa quem você seja, o que sinta ou quão importante pense ser. Eu o quero, mas primeiro você tem que ‘esmigalhar’ sua glória.” Por quê? Porque o sepultamento da glória do homem é o nascimento da glória de Deus.

A paixão de Maria atingira tão alto nível, que ela poderia dizer: “Não ‘estou nem aí’ se as pessoas estão me vendo fazer isso!” Talvez você sinta um aperto no peito ao ler estas palavras. Posso quase garantir que você já aprendeu como manter a pose, mesmo que esteja louco para cair aos pés do Senhor clamando por perdão e misericórdia. Deixe que o amor que existe em você quebre aquela casca que encobre aquilo que você realmente é: “Você é aquilo que pensa.” Deus quer que você, espontânea e corajosamente, deixe que o mundo saiba o quanto O ama – mesmo que tenha você que “esmiuçar” sua glória na frente de vários discípulos criticastros. Quebre seu vaso de alabastro, onde está guardado o que você tem de mais precioso, e mostre publicamente sua paixão pelo Senhor.

Deus não precisa de seu culto religioso: Ele quer a sua adoração. E a única adoração aceita por Ele é a que provém da humildade. Se você quiser vê-Lo, terá que se despojar de sua glória e banhar os pés do Senhor com suas lágrimas -sem se importar com o que haja neles. Não é exatamente para isso que serve nossa glória? Nossa justiça é um trapo imundo aos olhos de Deus.

VOCÊ QUER SER UNGIDO OU SER AQUELE QUE UNGE?

Costumamos colocar num “pedestal” as pessoas que foram ungidas por Deus. Mas quem Deus mantém em Sua lembrança? Jesus disse que o ato de Maria seria contado, para memória sua (Mateus 26.13). Gostamos dos ungidos, Deus, no entanto, gosta daqueles “que ungem”! Estes são os que amam mais a Deus do que aquilo que Ele pode oferecer.

Acredito que, na verdade, Maria ungiu Jesus duas vezes, e ainda iria ungi-Lo uma terceira vez. Primeiro, em Lucas, Capítulo 7, ela veio como uma pecadora e ungiu Seus pés, esperando, a todo custo, receber Seu perdão. Depois, em Mateus 26 e Marcos 14, ela ungiu a cabeça de Jesus no final de Seu ministério terreno. O próprio Jesus disse que o que ela fazia era para Seu sepultamento (Mateus 2612). Agora pense: Jesus estava pendurado na cruz, suspenso entre o céu e a terra (e naquele momento não era merecedor nem de um nem de outro), abandonado por todos, agonizando em seus últimos suspiros de vida.

Mas, que cheiro Ele exalava? Que cheiro suplantava a fragrância do sangue vertido pela Sua face moída? Que cheiro era mais forte que o barulho dos soldados disputando Sua capa? Que cheiro encobria até mesmo o escárnio dos sacerdotes judeus? Era o aroma da adoração que permanecera entre Seus cabelos… Ele exalava o odor do óleo que estava no vaso de alabastro! A memória daquela adoração O encorajava na Sua decisão e Ele consumou Sua obra.

A mesma mulher que O ungiu em vida, testemunhou Sua crucificação, e disse: “Não posso deixá-Lo sem unção em Sua morte.” Ela carregou outros óleos preciosos para ungir o corpo do Senhor no túmulo, mas encontrou, para sua surpresa e dor, o túmulo vazio. Então, começou a chorar e clamar. Ah, o amor daqueles que ungem! Estão dispostos a derramar unção até sobre o que já se foi!

Jesus acabara de sair do túmulo e estava a caminho da glória, onde salpicaria com Seu sangue vertido o trono da misericórdia, quando ouviu um choro familiar. Era potencialmente a Sua missão mais importante, porque era a consumação daquilo que nenhum sumo sacerdote, ainda que revestido de santidade e pureza, conseguira realizar. Os sumos sacerdotes de Israel tinham que ser muito cuidadosos e não permitir que fossem contaminados: nenhuma mulher poderia tocá-los. Jesus estava pronto a consumar tal obra e colocar Seu sangue sobre o propiciatório, mas ouviu aquela que se despojou de sua glória para limpar Seus pés e ungi-Lo.

Talvez Ele estivesse no primeiro degrau da “escada de Jacó” que ascendia aos céus, quando parou e disse: “Lá está ela novamente com suas fragrâncias preciosas e os sacrifícios de louvor, e não estou por perto para receber.” Ele parou quando estava a caminho para cumprir Sua tarefa mais importante: “Não posso deixá-la aqui sem que ela saiba o que aconteceu.”

Um adorador pode, literalmente, interromper os planos e propósitos de Deus. Jesus adiou sua principal missão, para ir à pessoa que havia quebrado o vaso mais precioso que possuía para ungi-Lo. Ele viu as lágrimas dela e, colocando-se por detrás, chamou: “Maria, Maria!”

DEUS FOI INTERROMPIDO PELO CLAMOR DE UMA PROSTITUTA

O que levou o Filho de Deus a fazer isso? Por que o Grande Sumo Sacerdote interrompeu Sua caminhada em direção ao propiciatório, ao ouvir o clamor de uma ex-prostituta? Uma coisa eu posso lhe dizer: Ele só faz isto pelos que estão na “galeria dos verdadeiros adoradores”. Num primeiro momento, Maria não O reconheceu, porque Ele havia mudado. Ela perguntou: “Onde você O colocou? Onde você colocou Aquele Cujo rosto me era tão familiar?” Ela pensou que o Cristo glorificado fosse um simples jardineiro (alguns, hoje, parecem não reconhecer a glória de Deus quando ela está bem diante de nós).

Finalmente, o choro de Maria cessou e ela ouviu a voz de Jesus dizendo: “Maria!” Sua aparência mortal havia sido transformada em imortal, e todas as Suas feições já não eram terrenas, mas celestiais. Ele rapidamente a alertou: “Maria, não Me toque. Não quero ter que passar pelo sacrifício da cruz novamente, não toque em Mim. Só queria que você soubesse que estou bem. Vá e conte aos discípulos” ((Veja João 20.7) Três dias depois, Jesus apareceu para os demais discípulos. Eles poderiam tocá-lo desta vez, mas só depois que Ele completou Sua missão junto ao propiciatório). O Senhor te ve que Lhe dizer para não tocá-Lo. Ele disse isso porque sabia que ela poderia fazê-lo! Ele também estava próximo o bastante para ela O tocar, se quisesse. Jesus arriscou ser crucificado de novo para conversar com aquela que O ungira.

Deus vai revelar Seus segredos proféticos, antes mesmo que eles venham a acontecer, para aqueles que quebram “protocolos” da adoração e O ungem com fragrâncias aromáticas. Ele pode colocar de lado Sua glória por aqueles que estão dispostos a se despojarem de seu ego e glória humana.

VOCÊ ESTÁ ESPERANDO POR UMA REVELAÇÃO DA PARTE DE DEUS?

De certa forma, Jesus estava colocando em perigo os propósitos de Deus Pai por causa de uma adoradora que se despojou de sua glória. É por isso que Ele teve que dizer: “Não toque em Mim!” Que confiança Ele tinha nela! Você já percebeu como algumas pessoas parecem ter uma estreita relação com Deus? Por alguma razão, Deus parece estar próximo a elas o tempo todo. E não é porque elas preguem bem, ou porque cantem louvores divinamente. E porque sabem muito bem como se despojar de seu ego e de sua glória. Deixam tudo de lado, para se renderem aos pés do Senhor, em humildade e quebrantamento. É para estes poucos e preciosos adoradores que o próprio Deus interrompe Sua ascensão ao céu para lhes revelar Seus segredos, para falar a seus corações aquilo que está prestes a fazer.

Você percebeu que não foi Deus quem quebrou o vaso de alabastro de Maria? Ela é quem teve que fazê-lo. Se você quer este tipo de encontro com Deus, terá que você mesmo quebrar seu vaso. Não existem atalhos, métodos ou fórmulas para ajudá-lo a chegar ao mais elevado nível de adoração, porque ele só vem do quebrantamento. E ninguém fará isto em seu lugar, pois é algo que só você pode fazer. E quando assim o fizer, Deus vai parar o que estiver fazendo para passar algum tempo com você.

Se Ele ouvir o menor barulho de seu vaso precioso sendo quebrado, se Ele perceber o menor sinal de que você esteja se despojando de sua glória, então, interromperá o que estiver fazendo, e Se voltará para você, pois não desprezará um coração contrito e arrependido (Veja Salmos 51). Ele vai mover céus e terra para visitá-lo.

Quer saber porque algumas igrejas experimentam avivamento ou porque algumas pessoas têm intimidade com Deus? A resposta é: quebrantamento. O quebrantamento do coração delas chama a atenção de Deus. Tudo começa quando o amor que têm por Ele suplanta o medo do que os outros possam pensar. Você não pode buscar a face do Senhor e preservar a sua própria “face”. A “destruição” da sua glória, o despojamento, se assim lhe aprouver, é o começo da glória de Deus.