A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AUTISMO COMO TRANSTORNO DE PREDIÇÃO

Uma nova teoria concebe o autismo como relacionado à dificuldade de prever corretamente a sequência de acontecimentos

Pensamos normalmente na magia de forma poética, imaginando que seria algo desejável viver em um mundo com encantamento. No entanto, para as pessoas com características do espectro autista, a magia pode extrapolar a capacidade de lidar com as situações do cotidiano e se transformar em um pesadelo. Uma nova teoria coloca a magia como um aspecto central da cognição do transtorno autista, apontando o papel da previsibilidade na vida mental das pessoas com essa condição.

Segundo essa teoria, alguns aspectos salientes do fenótipo do autismo podem ser manifestações de um comprometimento nas habilidades de previsão, que leva indivíduos com autismo a enxergar o mundo como um lugar aparentemente mágico, tornando a leitura da realidade esmagadoramente complexa e comprometendo a capacidade de interação.

Um mundo em que os eventos ocorrem inesperadamente e sem casualidade identificável se torna assustador e imprevisível. Com essas condições temos o componente essencial de um fenômeno mágico: a falta de uma causa discernível. Um evento que não podemos prever acontece aparentemente de forma aleatória, como se ocorresse por magia. Se as nossas habilidades preditivas foram de alguma forma prejudicadas, então até ocorrências banais e cotidianas no ambiente podem parecer mágicas. Um mundo mágico envolve falta de controle e implica em perda da capacidade de realizar ações preparatórias

O autismo envolve dificuldades de comunicação social e comportamentos repetitivos que podem estar associados a uma diminuição da capacidade de discernir relações preditivas entre entidades ambientais.

Além disso, a insistência na mesmice é uma característica do autismo, exibida por mais de um terço de todos os indivíduos no espectro autista. Esses pensamentos e ações repetitivos podem incluir rigidez comportamental, apego exagerado as rotinas, resistência à mudanças e adesão obsessiva aos rituais.

Podemos imaginar um link entre as deficiências preditivas e insistência em rituais. A imprevisibilidade do ambiente está firmemente associada com a ansiedade. A previsibilidade é fundamental e uma redução na capacidade de prever eventos, mesmo sem qualquer consequência negativa aumenta a ansiedade.

Estudos com humanos e animais revelam que o ritualismo envolve comportamentos que emergem sob condições de imprevisibilidade como uma resposta calmante a um estressor imposto externamente. Isso sugere que rituais e uma insistência na mesmice podem ser uma consequência e uma forma de reduzir a ansiedade decorrente da imprevisibilidade. Permanecer em um script é o único meio de manter a ansiedade no mínimo, na verdade uma maneira de se adaptar a um ambiente caótico.

O stimming, ou comportamentos auto estimulantes se torna mais saliente em situações estressante sugerindo que esse padrão pode ser uma resposta a um mundo caótico, como uma tentativa de abafar o fluxo de informações ambientais imprevisíveis por estimulação autogerada mais previsível.

Outro aspecto do autismo, já verificado em vários estudos anteriores é sua dificuldade com a “teoria da mente”, a capacidade de imaginar outras mentes que não a sua própria. Uma teoria da mente é inerentemente uma tarefa de previsão. Requer a capacidade de atribuir coisas invisíveis a observações sobre uma pessoa, conectando o histórico passado com o comportamento atual, de forma a deduzir por que uma pessoa agiu de determinada maneira, ou mesmo antecipando como uma pessoa está propensa a agir.

O prejuízo na previsão tornaria um observador com dificuldade preditiva incapaz de situar observações atuais sobre um indivíduo no contexto de seus antecedentes ou estudos futuros prováveis. O observador vai inevitavelmente interpretar as situações humanas como sendo literais e acontecendo no momento, sem influência da história passada e sem conexão com eventos futuros.

Um indivíduo autista, não tendo a sua capacidade preditiva, fica limitado a interpretar se comportamentos das pessoas sem qualquer histórico motivador, o que torna o mundo das relações humanas misterioso e enigmático, sendo potencialmente aversivo.

Finalmente, autistas têm uma apreciação reduzida de senso de humor. Um componente central do humor é a violação da expectativa, ou seja, achamos engraçado quando uma sequência previsível é quebrada com um imprevisto. Podemos exemplificar com a anedota do sádico e a masoquista. A masoquista suplica ao sádico “me bate” e a resposta do sádico é “não”! Existe uma previsão de como uma determinada sequência se desdobra, e ocorre um desvio dessa previsão, o que geralmente implica um resultado humorístico. Com dificuldades ao fazer uma previsão, um indivíduo autista não consegue detectar a quebra de previsibilidade e não acha graça. Portanto, a capacidade para perceber o humor em narrativas ou observações é diminuída no autismo.

Essa noção de dificuldades na previsibilidade como elemento essencial nos fenótipos autistas pode levar a melhoramentos no diagnóstico e mesmo nos tratamentos dessa difícil condição.

MARCO CALLEGARO – Épsicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (CTC), e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed, 2011)

OUTROS OLHARES

BANQUETE SUBAQUÁTICO

A cozinha norueguesa, que anda em alta, ganhou uni atrativo extra com a inauguração, em março, do Under, o primeiro restaurante europeu que funciona debaixo d’água. Fica em Lindesnes, no Atlântico, perto da ponta sul do recortado país nórdico, a 300 quilômetros da capital, Oslo. O salão de refeições, com capacidade para 40 comensais, está a 5,5 metros de profundidade, de onde se pode observar a vida marinha através de grandes janelas de vidro reforçado. A estrutura de concreto, metade acima da linha d’água, a outra metade submersa, lembra uma instalação – o projeto é do escritório Snohetta, que assina a Oslo Opera House. O novo restaurante, que também serve como espaço de pesquisa e faz transmissões ao vivo de sua visão privilegiada do mar, serve um menu de 18 pratos a partir de USS 370, sem vinho. Caro? Todos os lugares estão lotados

GESTÃO E CARREIRA

POR QUE PENSAR EM GESTÃO DE DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS?

A sua empresa pensa em gestão de desenvolvimento de pessoas com o objetivo de extrair o que cada líder tem de melhor e, assim, aumentar a produtividade e faturamento? Aumento de resultados, seja em produtividade, seja faturamento, só pode vir se fizermos coisas diferentes. Fazer o que sempre fizemos não nos levará mais longe.

Fazer diferente tem uma relação direta com o estímulo que a liderança dá para as pessoas utilizarem mais de suas capacidades. Recentemente, uma empresa decidiu aumentar a participação das pessoas na solução de problemas, aumentando o grau de autonomia de cada colaborador na sua atividade. Muito legal, não é? Mas na hora H, as pessoas traziam ideias e não eram acolhidas pelos líderes, que pouco direcionavam para fazer diferente. Ao contrário, moldavam as pessoas para fazer o que sempre fizeram.

-Ah! Você ainda não começou a desenvolver sua liderança? Com certeza está perdendo resultados e produtividade. Há um motivo central para considerar a liderança o seu principal foco de desenvolvimento. Ela é o motor ou a trava para as coisas acontecerem. Ela é fonte de capacidades maiores para se trabalhar colaborativamente na construção de uma cultura de agilidade e melhor desempenho. Não há cultura empresarial melhor sem liderança mais flexível, inovadora e ativa.

Fundamental também é entender que o papel da liderança de mandar e determinar verticalmente para as coisas acontecerem não vale mais. Esta mudança de papel em que o líder deixa de saber tudo e passa a ser um facilitador de conhecimentos vindos das pessoas, dos times e de fora da organização precisa ser desenvolvida. Caso contrário, os líderes continuarão repetindo o que foram ensinados a fazer.

Declarar na alta administração, pelo CEO, pela diretoria, que seremos inovadores, que faremos transformação digital, que teremos uma cultura mais ágil não é suficiente para esses executivos saberem como fazer. Já sabem que têm que fazer, pois está no espírito do tempo e, certamente, se enroscam na hora de executar a política que declararam.

Certa vez, um CEO decidiu que iria entrar na transformação digital, contratou um executivo para este tema e pediu para enquadrar-se em um dress code mais formal. Difícil tarefa, pois a turma mais livre, espontânea e digital tem seu próprio “dress code”. Declarar a transformação digital e investir nela não despertou, no CEO, que deveria rever a forma de lidar com o novo ambiente.

O primeiro nível de liderança, que está mais próximo da operação, também sofre com as novas formas de gestão. Não é tão simples empoderar pessoas. Então dizem: “Você está empoderado, mas faz o que mandei e deixa eu ver tudo que você está fazendo”. Como as transformações são profundas, não se trata de escrever projetos e planos de ação. As transformações são orgânicas e as mudanças mais profundas moram nos detalhes. Por isso, ter uma consultoria profissional ajudando-o pode ser um bom caminho. Ela pode dar agilidade à transformação. Esclareço que agilidade não é chegar lá tão rápido. Uma mudança na cultura organizacional leva de três a sete anos com intervenção externa. E de cinco a doze anos sem intervenção especializada.

De qualquer forma, há empresas cuidando de dentro para fora da transformação cultural e, do ponto de vista interno, é importante explicar o que se deseja e mostrar que é possível ser feito. Assim, a mudança mais refinada depende de expertise e flexibilidade para ajustar os temas. Como a cultura e a empresa não existem sem pessoas, a gestão dessas pessoas é a chave quando se deseja mudar.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 17 – REFLEXOS DO ESCÂNDALO

“Aqueles que ensinam por meio da doutrina precisam ensinar por intermédio de suas vidas, senão eles derrubarão com uma das mãos o que construíram com a outra.” — Matthew Henry

Pensamento-chave: Líderes espirituais precisam entender que suas decisões e ações nunca são “privadas”, pois eles têm o potencial de trazer grande vergonha à causa de Cristo.

O que acontece quando um escândalo atinge a igreja? Qual é a consequência? Todos os crentes, e especialmente aqueles em posição de liderança espiritual e em responsabilidade na igreja, deveriam lembrar-se frequentemente do significado dos seus testemunhos.

O rei Davi criou um mundo de dores e problemas quando cometeu adultério com Bate-Seba (e então assassinou Urias em uma tentativa de encobrir o seu erro). Davi foi perdoado do seu pecado, mas ainda assim houve graves repercussões. O restante da vida de Davi foi marcado por “dores de cabeça” e tragédias, por conta disso o seu reinado foi marcado por um desastre após o outro.

Vamos observar três consequências do pecado de Davi:

1. NATÃ DISSE: “NÃO SE APARTARÁ A ESPADA JAMAIS DA TUA CASA”

(2 Samuel 12:10). Isso é preocupante! É importante entender que o perdão espiritual não erradica imediatamente todas as consequências das nossas ações. Se eu roubar um banco amanhã, eu creio que Deus me perdoará; contudo, os tribunais provavelmente não. Por conseguinte, eu envergonharia a minha família e destruiria a confiança que outros depositam em mim. Confiança é a moeda do ministério, e sem credibilidade nossa habilidade de influenciar a vida de outras pessoas é grandemente comprometida. Sim, Davi recebeu perdão, mas as ramificações das consequências do seu pecado foram experimentadas socialmente, nos relacionamentos e politicamente. Por causa do seu pecado, as consequências foram intensas, horríveis e em longo prazo.

2. DEUS NÃO OLHOU PARA DAVI COMO ALGUÉM QUE MERAMENTE CEDEU À TENTAÇÃO; AOS OLHOS DE DEUS O PECADO DE DAVI FOI MAIS PROFUNDO QUE ISSO.

Em referência ao ato de desobediência de Davi, Deus disse: “… porquanto me desprezaste…” (2 Samuel 12:10). Deus toma nossa obediência (e nossa desobediência) muito seriamente e muito pessoalmente. Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (João 14:15). Deus nunca fica impressionado com as nossas palavras se as nossas ações estiverem erradas. 1 João 2:4 declara: “Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade”. Antes de haver uma “Grande Comissão” havia um “Grande Mandamento”, que envolve amar o Senhor nosso Deus com todo o nosso coração, alma, mente e forças. Amor real a Deus produzirá obediência a Ele.

3. OUTRA SERÍSSIMA AFIRMAÇÃO É:

“Mas, posto que com isto deste motivo a que blasfemassem os inimigos do SENHOR…” (2 Samuel 12:14). Sabemos que o Evangelho é verdadeiro, mesmo que um ministro em particular o esteja vivendo ou não; contudo, a sociedade como um todo tende a julgar a mensagem pelo mensageiro. Quando Paulo falou daqueles que pregavam uma coisa e viviam outra (Romanos 2:21-24), ele encerrou as suas observações com: “… o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa”.

Começando em Mateus 18:6, Jesus falou a respeito de ofensas, e apontou sérias consequências a quem ofender “um destes pequeninos”. As palavras traduzidas por “ofender” e “ofensa” (usadas seis vezes nesses poucos versículos), em grego são skandalizo e scandalon. Essas palavras dão origem à nossa palavra “escândalo” em português.

Comportamentos escandalosos por parte dos cristãos trazem ofensa e levam pessoas a tropeçarem. Isso desanima e confunde crentes novos na fé, alienam aqueles que podem estar considerando a ideia de se unirem ao Cristianismo, e oferece uma grande ocasião para o inimigo do Senhor blasfemá-lo.

O que eu estou escrevendo não intenta projetar condenação a qualquer um que falhou no passado. Somos chamados a sermos participantes da misericórdia e restauração (Gálatas 6:1; Tiago 5:19-20). Estou simplesmente resumindo o que foi um forte lembrete no tocante à seriedade do nosso chamado e do mandato que devemos abraçar relacionado à vida piedosa que devemos ter, caso vivamos para pregar o Evangelho efetivamente. Não é tempo de nos levantarmos em julgamentos contra outros; é tempo de examinarmos os nossos próprios corações no temor piedoso do Senhor.

Advertências contra o pecado existem desde o princípio. Quando Caim estava zangado e enciumado em relação a Abel, Deus disse: “Se tivesse feito o que é certo, você estaria sorrindo; mas você agiu mal, e por isso o pecado está na porta, à sua espera. Ele quer dominá-lo, mas você precisa vencê-lo” (Gênesis 4:7, NTLH).

Até mesmo Paulo, tão espiritualmente maduro como era, não confiava em sua carne. Ele disse: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Coríntios 9:27). As palavras de Spurgeon também continuam ressoando até hoje: “Qualquer ‘chamado’ que um homem finja ter, se ele não foi chamado para a santidade, ele certamente não foi chamado para o ministério”.39

Alguém descreveu o enganador e destrutivo poder do pecado desta maneira: “O pecado levará você além de onde você pretende ir, o manterá mais longe do que você pretende ficar, e lhe custará mais do que você pretende pagar!”

DIZENDO “NÃO”, DIZENDO “SIM”

Creio que os nossos destinos são formados mais pelas escolhas que fazemos do que pelas circunstâncias que enfrentamos. Nosso caráter e o nosso futuro são moldados pelas vezes que dizemos “não”, e às vezes que dizemos “sim”.

•   Abraão disse “não” às riquezas de Sodoma, e “sim” para as promessas de Deus.

•   José disse “não” à esposa de Potifar, e “sim” ao serviço fiel.

•   Moisés disse “não” aos tesouros do Egito, e “sim” às designações celestiais.

•   Eliseu disse “não” à prata de Naamã, e “sim” à integridade altruísta.

•   Daniel disse “não” aos manjares do rei, e “sim” à consagração piedosa.

•   Neemias disse “não” às negociações comprometedoras, e “sim” à persistência inabalável.

•   Paulo disse “não” ao ser pesado para as igrejas, e “sim” ao amor sacrificial.

•   Jesus disse “não” ao conforto, e “sim” à cruz.Jesus Cristo esperava que nós tivéssemos um “sim” forte e um “não” claro. Ele e Tiago disseram: “… que o seu ‘sim’ seja ‘sim,’ e o seu ‘não’, ‘não’”. Se nos sentimos forçados ou tentados quando precisamos fazer a coisa certa, é importante que voltemos para os nossos valores fundamentais e nos lembremos de quem Deus nos chamou para ser. Roy Disney disse: “Não é difícil tomar decisões quando você sabe quais são os seus valores

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O PERIGO DO CYBERBULLYING

A violência psicológica virtual causa impacto real na vida de crianças e adolescentes, gerando sérios prejuízos ao crescimento, autonomia e independência

O cyberbullying é disseminado a uma velocidade imensurável por meio das tecnologias de informação e comunicação.

É um tipo de violência praticado de modo virtual com o uso deliberado de comportamento hostil, com objetivo de provocar, difamar, insultar e humilhar. Ações que afetam psicologicamente crianças e adolescentes, homens e mulheres, causando impacto real no mundo mental de suas vítimas, acarretando sérios prejuízos; e quando se trata de crianças e adolescentes, interfere no crescimento, autonomia e independência.

A princípio não consiste em agressão física e devido a isso tende a ser menos divulgado e valorizado porque pode ser visto como algo menos danoso, o que é um engano, já que as consequências psíquicas podem ser tão ou mais graves que as do bullying tradicional marcado pela agressão física. Além disso, cabe ressaltar que o cyberbullying pode ser uma porta de entrada para outros tipos de violência psicológica, como aquela que induz a criança e o adolescente ao encontro com o agressor.

Uma das principais características que diferenciam o cyberbullying e bullying é a dificuldade de identificação do agressor. Desse modo, no contato virtual, um lugar inóspito em que não se vê corpo nem rosto e onde a informação tem grande velocidade, tornam-se mais demoradas a aproximação e o reconhecimento do agressor.

Esse tipo de violência tende a ser devastador para o mundo psíquico e pode ocorrer de diversas formas: através de mensagens de texto, imagens, perfis falsos, chat on-line, jogos on-line, entre outros. Com toda facilidade que existe com a tecnologia na atualidade, o desafio é manter privado aquilo que pertence à esfera privada. Isto é, tudo pode ser gravado, fotografado, editado e transmitido. A internet tem uma capacidade de disseminar informação de forma muito rápida, e por isso seu alcance passa a ter uma dimensão impensável. O que fica na rede não pode ser apagado, e, pior, pode ser compartilhado.

É importante ressaltar que por detrás dessa agressão pode haver alguma motivação: assustar a vítima, se vingar ou ainda se beneficiar financeiramente ou emocionalmente através desse comportamento sádico e perverso.

Atualmente tem se tornado comum um tipo de violência psicológica através da rede chamado – “revenge pornô” ou “pornografia de vingança”. Esse tipo de agressão psicológica virtual costuma ocorrer após o término de um relacionamento em que um dos envolvidos, motivado por vingança, decide divulgar cenas íntimas do outro, aqueles famosos “nudes”, as fotos nuas. As vítimas nesses casos são do sexo feminino. A ministra do Superior Tribunal de Justiça, Nancy Andrighe, classificou a “pornografia de vingança” ou exposição pornográfica não consentida como violência de gênero.

Tudo isso para dizer o quanto tem sido importante atentar para os cuidados com a privacidade. Em qualquer lugar, ou seja, em momentos em que se pode estar mais descontraído em uma festa, ou reunião de amigos, sua imagem pode ser captada através do aparelho de celular e posteriormente exposta. Essa exposição da imagem não se configura exatamente cyberbullying, mas demonstra toda vulnerabilidade a que a vida íntima está submetida.

Devido à carência de delegacias especializadas nesse tipo de crime, muitos não são denunciados. Quando se sabe uma invasão dessa magnitude é comum a pessoa entrar em desespero, por estar fragilizada psicologicamente, e ter sua capacidade de pensar prejudicada. Mas é preciso manter o discernimento; agora, que já existe a exposição, é necessário denunciar, sendo indispensável a preservação das provas. Para isso é importante não deletar o que foi enviado em forma de ameaças, e sim salvar todas as mensagens, e-mails, endereço de quem enviou, endereço de páginas, se houver, SMS, vídeos, áudios e outras. Além disso, com essas provas em mãos, deve-se registrá-las em cartório para que, se o agressor apagar o perfil ou tentar destruir as provas, se mantenha registrada a materialidade do crime.

O cyberbullying é uma experiência traumática, um tipo de violência psicológica silenciosa e com raízes profundas, pois leva a vítima a se recolher, a se isolar socialmente, a ter dificuldades de concentração, baixo rendimento escolar, introversão, e pode contribuir para o aparecimento de quadro mais grave como a depressão e até mesmo levar ao suicídio.

Uma das características da violência virtual é que o agressor pode ter acesso `a vítima em qualquer lugar, desde que ela esteja com um dispositivo tecnológico. A dificuldade em ser descoberto e a falsa sensação de anonimato contribuem para o crescimento desse tipo de violência. Apesar de ser um assunto ainda novo, a legislação tem avançado e foram criadas leis que protegem o usuário. Isto é, uma vez detectado o cyberbullying, medidas judiciais podem ser tomadas a fim de proteger a vítima do ponto de vista jurídico. Há que se ter proteção e acompanhamento psicológico porque a vítima fica emocionalmente enfraquecida, com autocrítica prejudicada e muitas vezes sente vergonha de denunciar.

É preciso falar a respeito, educar, proteger e supervisionar aa crianças e adolescentes sobre o uso e os limites da tecnologia e do convívio em telas de computador e smartphones.

Todo esse avanço tecnológico ainda é um terreno pouco conhecido que exige cuidado ao pisar; o problema não é a tecnologia e a máquina, e sim o mau uso que pode ser feito com essas ferramentas pelos humanos. Preservar a saúde mental é também estar atento às relações de convívio dentro e fora do mundo virtual.

OUTROS OLHARES

DO PÓ VIESTES

Em um lado, uma pilha de cinzas e entulhos produzidos pelo incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em setembro de 2018. Do outro, pesquisadores que há 20anos vêm desenvolvendo um projeto de criação de réplicas tridimensionais em impressoras 3D. Envolvidos nos esforços de recuperação do acervo consumido pelo fogo, eles lançaram a ideia: por que não tentar reconstituir as peças perdidas com o material resultante do próprio incêndio?  “Logo começamos os testes, até porque o material derivado da destruição era abundante”, conta o paleontólogo Sergio Kugland, diretor do museu entre 2003 e 2010 e integrante da força­ tarefa para reerguer a instituição. Assim, centenas de itens – entre eles o crânio de Luzia, amuletos egípcios, um fóssil de crocodilo, vasos milenares e o caixão de uma múmia – estão sendo montados no tamanho original. O grupo multidisciplinar envolve pesquisadores do museu, da PUC- Rio e do Instituto Nacional de Tecnologia, além da cooperação de órgãos internacionais com experiência em tomografia e impressão 3D, atuando em áreas como paleontologia e medicina. A impressão é só a etapa final, já que boa parte das peças do museu já vinha sendo digitalizada nas últimas duas décadas – o que permitirá ao museu, literalmente, renascer das cinzas.

GESTÃO E CARREIRA

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ERROU…FEIO

O que faz a obra de um artista custar mais do que outra do mesmo autor? Fatores como contexto histórico e pessoal do artista, além do tamanho da obra, podem ser tão ou mais determinantes do que o aspecto visual da obra. Com esseponto de partida, Devin Liu e Doug Woodham, pesquisadores com um pé na arte e outro na inteligência artificial, desenvolveram um algoritmo de rede neural convolucional (CNN, na sigla em inglês) para prever quanto a obra Untitled, 1960, do artista russo naturalizado americano Mark Rothko (1903-1970), atingiria no leilão da Sotheby’s, em 16 de maio último. A dupla analisou 118 telas de Rothko – que estão entre as mais caras do mercado internacional de arte – vendidas em leilões desde 2000 e cravou: o quadro em questão seria arrematado por US$ 42,3 milhões, com margem de erro de 5%. Mas… O chute passou longe. A obra foi vendida por US$ 51,3 milhões – 21,3% superior ao previsto. Na atmosfera competitiva dos leilões, as reações humanas seguem imprevisíveis. Na foto acima, a tela Nº 46, de 1957, na Fundation Louis Vuitton, em Paris.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

ASSASSINOS DE MINISTÉRIO QUE VOCÊ PRECISA VENCER: AS MULHERES

CAPÍTULO 16 – CONSERVANDO A PUREZA MORAL

“Se um homem consegue enganar a sua esposa e filhos, quebrar um voto feito a Deus na presença de testemunhas e intencionalmente trair a confiança daqueles que o amam, qual garantia sua organização terá de que ele será honesto em seus negócios? Pessoas que se provam enganadoras em uma área da vida são igualmente capazes de serem enganadoras em outras áreas.” — Henry e Richard Blackaby

Pensamento-chave: Líderes espirituais reconhecem que seus corpos são o templo do Espírito Santo e se mantêm puros não apenas fisicamente, mas em cada dimensão de seus seres.

Quanto dano tem sido causado ao Corpo de Cristo devido à imoralidade entre os líderes?

• A Igreja Católica Romana tem sido atormentada por um desfile, aparentemente interminável, de alegações de abuso sexual contra os seus sacerdotes.

• Impérios de televangelistas e ministros de alto perfil têm desabado em meio a alegações obscenas de imoralidade.

• Em comunidades por todo o país, igrejas locais têm sido abaladas quando um ministro de jovens se envolve de forma inapropriada com uma adolescente, quando uma criança é molestada por uma funcionária da igreja, ou até mesmo quando um pastor é descoberto com práticas imorais envolvendo uma igreja ou membro da equipe.

Tais incidentes não só endurecem os corações dos incrédulos ao Evangelho e desiludem jovens crentes, mas são altamente perturbadores e desmoralizantes para as igrejas ao passo que estas buscam cumprir a sua missão enquanto igreja. No rastro dessa imoralidade está uma coleção de vidas devastadas: cônjuges traídos, crianças confusas, vítimas devastadas, crentes inocentes cujas confianças têm sido destruídas, e um público compreensivelmente exausto.

A tecnologia moderna tem contribuído para uma nova categoria de problemas morais, como: pornografia na internet, paqueras por mensagens de texto e por redes sociais. Enquanto alguns tentam minimizar a seriedade de algumas dessas atividades, o senso comum nos diz que essas atividades são intrinsecamente problemáticas e podem tornar-se uma ladeira escorregadia que nos levará a resultados cada vez mais tóxicos, ao abrirem a porta para problemas ainda mais sérios.

Alegações de má conduta sexual contra líderes de igrejas e seus funcionários têm se tornado cada vez mais comum nos tribunais da nação. Igrejas normalmente possuem políticas de segurança para proteger a si mesmas contra acusação de má conduta sexual e assédio sexual. Acordos podem ser feitos em centenas de dólares — às vezes até milhares — quando envolvem má conduta sexual por parte do clero.

NADA NOVO

Problemas de moralidade relacionados ao ministério têm permeado o povo de Deus por muito tempo. No Antigo Testamento, os filhos do sumo sacerdote abusaram de seus ofícios e viveram de forma autoindulgente. 1 Samuel 2:12-13 diz que os filhos de Eli: “… não prestavam e não se importavam com Deus, o SENHOR. Eles não obedeciam aos regulamentos a respeito daquilo que os sacerdotes tinham o direito de exigir do povo…” (NTLH). O versículo 22 diz: “Eli estava muito idoso, mas estava ciente do que seus filhos estavam fazendo ao povo de Israel. Ele sabia, por exemplo, que seus filhos estavam seduzindo jovens mulheres que assistiam na entrada do Tabernáculo”. Eli falou com seus filhos, mas não fez nada além disso, de forma que seus comportamentos pecaminosos continuaram.

Na sociedade de hoje, os filhos de Eli se encaixariam na descrição moderna de predadores. “… seus filhos seduziam as jovens mulheres”. Um predador não é alguém que simplesmente cedeu à tentação, pecou e então se arrependeu genuinamente. Em vez disso, predadores são aqueles que deliberada e intencionalmente usam (ou deveria dizer, abusam) da sua posição, com a autoridade incidente e influência, objetivando encontrar indivíduos vulneráveis para o propósito de manipulá-los e usá-los para satisfazer as suas próprias necessidades.

Líderes espirituais precisam entender que o seu exemplo é extremamente importante. Quando alguns líderes caem moralmente, indivíduos que respeitam seus ministérios podem ser inclinados a pensar: Bem, se o reverendo fulano não pode resistir à tentação, então por que eu deveria tentar? Talvez isso seja um dos motivos que levou Geoffrey Chaucer (1342- 1400), muitas vezes considerado o maior poeta inglês depois de Shakespeare, a escrever o seguinte trecho no que diz respeito à necessidade de elevados padrões morais entre pastores: “Andando e carregando em suas mãos uma equipe. Esse foi o bom exemplo que ele deixou: Ele praticou primeiro o que posteriormente iria ensinar. Fora do Evangelho ele tomou esse preceito, e além do mais, ele citaria este ditado também: ‘Se o ouro pode enferrujar, então o que acontecerá com o ferro?’ Porque se um sacerdote pode ser apodrecido, em quem confiaremos? Não é de admirar que leigos também enferrujem”.

ADMOESTAÇÕES A LÍDERES ESPIRITUAIS

Paulo deu algumas orientações muito específicas para os seus filhos espirituais, Timóteo e Tito, concernentes às suas integridades morais e condutas.

Paulo disse a Timóteo, um jovem ministro: “Trate os homens mais jovens como irmãos, as mulheres idosas, como mães e as mulheres jovens, como irmãs, com toda a pureza” (1 Timóteo 5:1-2, NTLH).

Certa vez, recebi uma ligação de um indivíduo, e ao perguntar como as coisas estavam na igreja que ele frequentava, ele indicou que algumas pessoas estavam chateadas com o pastor. O problema? O pastor com frequência encorajava a fraternidade durante um intervalo no culto dizendo: “Porque você não encontra cinco pessoas e lhes dá um abraço”. Então o pastor rotineiramente saía da plataforma e fazia um caminho mais curto para abraçar muitas das moças bonitas da igreja. As pessoas perceberam que o pastor nunca abraçava a seção onde as senhoras mais velhas ou homens estavam sentados. Por conseguinte, o foco e o favoritismo que o pastor oferecia às mulheres mais jovens e atraentes da congregação estavam colocando em questão o seu caráter e suas intenções.

Paulo também disse a Timóteo: “E você, Timóteo, fuja das paixões da mocidade e procure viver uma vida correta, com fé, amor e paz, junto com os que com um coração puro pedem a ajuda do Senhor” (2 Timóteo 2:22, NTLH).

Muitos focarão a primeira parte desse versículo que diz “fuja das paixões da mocidade”, mas negligenciam a segunda parte: “procure viver uma vida correta, com fé”. Tão importante como os padrões bíblicos são, eu tenho compaixão por qualquer crente que vive simplesmente na esfera do “não faça isso”. Se nós concentramos em fazer os “faça isso”, então, não ficaremos sentados por aí nos perguntando sobre os “não faça isso”. Esmere-se em tornar-se uma pessoa piedosa, ungida, efetiva, produtiva e frutífera que Deus o constituiu para ser. Sim, corra de todas as coisas erradas, mas não se esqueça de correr em direção às coisas certas. Não pense apenas nas coisas que você está evitando; fique animado com as coisas de Deus que você está buscando!

Tito, outro dos filhos espirituais de Paulo, também recebeu uma carta do apóstolo mostrando-lhe como se conduzir no ministério pastoral. Em Tito 2:1-10, Paulo admoestou Tito sobre como ministrar para quatro grupos específicos de pessoas: homens mais velhos, mulheres mais velhas, homens jovens, e servos. É fascinante observar que Tito não recebeu instruções sobre o que ele deveria ensinar para mulheres jovens. Em vez disso, Paulo disse a Tito: “Assim, poderão orientar as mulheres mais jovens a amarem seus maridos e seus filhos, a serem prudentes e puras, a estarem ocupadas em casa, e a serem bondosas e sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja difamada” (Tito 2:4-5, NVI).

Não é interessante que Paulo poderia dizer a Tito como ministrar a todos esses grupos de pessoas? Contudo ele diz: “Tito, quando se trata das mulheres jovens, deixe as mais velhas ministrá-las”. Estaria Paulo, como um sábio pai espiritual, esforçando-se para manter Tito fora de situações onde as tentações aumentariam?

Acrescentando às declarações citadas, lembre-se de que Paulo disse quais eram as qualificações dos anciãos em 1 Timóteo 3:2: “É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar”. Observe a frase “esposo de uma só mulher”. Em outras palavras, um líder espiritual não apenas não deve ter casos de adultério, mas ele também não deve ser um paquerador ou um mulherengo. Ele não deve ser o tipo de pessoa que é dada a qualquer tipo de relacionamento ilícito, e isso inclui apegos emocionais inadequados, tipos de comunicação inapropriados, e relações físicas ou sexuais inapropriadas.

AS ORIENTAÇÕES PARA CRENTES TAMBÉM SE APLICAM A LÍDERES ESPIRITUAIS

É importante lembrar que Deus não tem um conjunto de orientações para os crentes que são de alguma forma irrelevantes ou inaplicáveis aos líderes. Em qualquer situação, Deus espera mais dos seus líderes, não menos; Ele espera que estes operem em padrões mais elevados, e não nos mais baixos.

Lembro-me de ouvir um ministro que estava obviamente muito enganado. Ele reconhecia que, falando de modo geral, Deus não queria pessoas cometendo adultério, mas abriu uma exceção para ele. Ele disse que Deus havia lhe revelado que pelo fato do seu ministério ser tão especial e tão ungido, Deus estava permitindo que ele mantivesse um relacionamento extraconjugal, afinal Deus sabia que ele poderia ministrar mais efetivamente se suas

necessidades sexuais fossem supridas. Tal orgulho narcisista traz grande cegueira. A falácia de tamanha presunção e arrogância será finalmente exposta. Não, Deus não estabeleceu um conjunto de regras para alguns e uma exceção especial para outros. Quando se trata de padrões morais, a Palavra de Deus aplica-se a qualquer um. Aqui estão algumas orientações para todos os crentes do Novo Testamento:

Fujam da imoralidade sexual! Qualquer outro pecado que alguém comete não afeta o corpo, mas a pessoa que comete imoralidade sexual peca contra o seu próprio corpo. Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é o templo do Espírito Santo, que vive em vocês e lhes foi dado por Deus? Vocês não pertencem a vocês mesmos, mas a Deus, pois ele os comprou e pagou o preço. Portanto, usem o seu corpo para a glória dele. — 1 Coríntios 6:18-20 (NTLH)

As coisas que a natureza humana produz são bem conhecidas. Elas são: a imoralidade sexual, a impureza, as ações indecentes… As pessoas que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a natureza humana delas, junto com todas as paixões e desejos dessa natureza. — Gálatas 5:19,24 (NTLH)

Entre vocês não deve haver sequer menção de imoralidade sexual como também de nenhuma espécie de impureza e de cobiça; pois essas coisas não são próprias para os santos. Não haja obscenidade, nem conversas tolas, nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, em vez disso, ações de graças. — Efésios 5:3-4 (NVI)

Portanto, matem os desejos deste mundo que agem em vocês, isto é, a imoralidade sexual, a indecência, as paixões más, os maus desejos e a cobiça, porque a cobiça é um tipo de idolatria. — Colossenses 3:5 (NTLH)

Que cada um saiba viver com a sua esposa de um modo que agrade a Deus, com todo o respeito e não com paixões sexuais baixas, como fazem os incrédulos, que não conhecem a Deus. Nesse assunto, que ninguém prejudique o seu irmão, nem desrespeite os seus direitos! Pois, como nós já lhes dissemos e avisamos, o Senhor castigará duramente os que fazem essas coisas. Deus não nos chamou para vivermos na imoralidade, mas para sermos completamente dedicados a ele. Portanto, quem rejeita esse ensinamento não está rejeitando um ser humano, mas a Deus, que dá a vocês o seu Espírito Santo. — 1 Tessalonicenses 4:4-8 (NTLH)

PASSOS PARA MANTER A INTEGRIDADE MORAL NA VIDA

1. TOME UMA DECISÃO DE QUALIDADE

Não espere até você se achar em um lugar de tentação para decidir o seu curso de ação. Faça suas consagrações a Deus agora e a partir de então viva por elas.

Antecipe-se em suas decisões de qualidade para que possa manter-se puro em sua vida moral e ministerial. Se você errou nisso no passado, receba o perdão e a limpeza oferecidos por Deus e se determine agora mesmo a viver o restante da sua vida, com a ajuda dele, com honra e integridade.

2. MANTENHA UM RELACIONAMENTO SÓLIDO COM DEUS E COM A SUA ESPOSA

Gerencie a sua saúde espiritual. Mantenha seu relacionamento com Deus renovado e vibrante. Alimente seu espírito, não sua carnalidade. Evite desgaste espiritual, emocional, e físico. Uma pessoa fadigada pode ser mais suscetível à tentação.

Uma relação forte e próspera com seu cônjuge também é vital. O relacionamento deve estar em crescimento no qual o amor é mantido sempre vivo, conflitos são resolvidos, e no qual ressentimento e raiva não têm permissão de gerar apodrecimento. Abertura, honestidade e prestação de contas mútuas são importantes. Se sua relação conjugal tornar-se tensa, busque ajuda. Homens, se sua mulher lhe avisa sobre alguém que ela sente ter intenções erradas, tome cuidado! Mulheres, se o seu marido chama a atenção sobre a forma de outro homem agir perto de você, preste atenção!

3. RECONHEÇA A SUA VULNERABILIDADE

Um provável candidato para a falha moral é a pessoa que se considera invencível sobre a tentação, que orgulhosa ou ingenuamente pensa: Isso nunca poderia acontecer comigo! Esses dois avisos da Bíblia vêm à minha mente:

Aquele, pois, que pensa estar em pé veja para que não caia. 1 Coríntios 10:12

A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda. Provérbios 16:18

Como um líder espiritual, você é um alvo de “grande valor”, e Satanás amaria levá-lo para longe do seu chamado.

4. LEMBRE-SE DAS CONSEQUÊNCIAS DOLOROSAS DA IMORALIDADE

O adultério é um ato insano, arrasador e autodestrutivo: Sairá cheio de ferimento, detonado, e com a reputação totalmente arruinada. — Provérbios 6:32-33 (A Mensagem)

Segue algo que foi adaptado de uma lista desenvolvida por um ministro. Ele revisava essa lista toda vez que se sentia vulnerável à tentação sexual. Ele a citou como um lembrete das consequências negativas que uma decisão moral errada poderia produzir.

•   Angústia ao Senhor que me redimiu.

•   Arrastar o Seu nome sagrado para a lama.

•   Um dia ter que olhar para Jesus, o Justo Juiz, e face a face prestar contas por minhas ações.

•   Seguir os passos daqueles cuja imoralidade confiscou ou aleijou seus ministérios e me faz tremer: (lista de nomes).

•   Infligir uma mágoa indescritível a minha melhor amiga, minha leal esposa.

•   Perder o respeito e a confiança da minha esposa.

•   Machucar os meus amados filhos.

•   Destruir o meu exemplo e credibilidade com meus filhos e anular meus esforços presentes e futuros de ensiná-los a obedecer a Deus (“Por que ouvir um homem que traiu mamãe e a nós?”)

•   Se minha cegueira continuasse ou minha esposa fosse incapaz de perdoar, talvez eu perca minha esposa e meus filhos para sempre.

•   Trazer vergonha à minha família (“Por que papai não é mais pastor?”)

•   Perder o respeito próprio.

•   Criar uma forma de culpa muito difícil de aplacar. Embora Deus me perdoasse, eu me perdoaria?

•   Formar memórias e flashbacks que poderiam assolar a minha intimidade futura com a minha esposa.

•   Perder anos de treinamento ministerial e experiências de um longo tempo, talvez de forma permanente.

•   Perder o efeito de anos de testemunho para outros membros da família e reforçar a sua desconfiança por ministros, piorando essa imagem com meu exemplo, talvez os tornando ainda mais duros de coração por causa da minha imoralidade.

•   Minar o fiel exemplo e trabalho duro de outros cristãos em nossa comunidade.

•   Trazer grande prazer a Satanás, o inimigo de Deus e de tudo o que é bom.

•   Amontoar julgamentos e dificuldades sem fim sobre a pessoa com quem cometi adultério.

•   Possivelmente colher consequências físicas tais como gonorreia, sífilis, clamídia, herpes e AIDS; talvez infectar minha esposa, ou no caso da AIDS, eventualmente levá-la à morte.

•   Possivelmente causar uma gravidez, com todas as implicações pessoais e financeiras, incluindo um lembrete para a vida toda do meu pecado.

•   Machucar os seguintes pastores e anciãos: (lista de nomes).

•   Causar vergonhar e dor a esses amigos, especialmente àqueles que eu levei a Cristo e discipulei: (lista de nomes).

•   Invocar vergonha e embaraço pela vida toda sobre mim mesmo.

Também beneficiaria a cada pessoa que está em uma liderança espiritual (e dessa forma a todo crente), periodicamente ir ao livro de Provérbios e ler sobre a dinâmica e consequências que estão envolvidas no adultério. Algumas das passagens-chave de alerta para estudo e meditação incluem:

Provérbios 2:16-19 Provérbios 5:1-23
Provérbios 6:20-35 Provérbios 7:1-27
Provérbios 9:13-18 Provérbios 23:27-28
Provérbios 31:1-3

No início de Provérbios, nós aprendemos que esses escritos refletem o conselho de um pai para os seus filhos. Claro, provérbios maternos (conselhos) para a sua filha seriam lidos diferentemente. Jovens precisam de instruções e avisos sobre perigos nos relacionamentos também. Independentemente de quem estiver recebendo a instrução, é importante lembrar que “o pecado levará você além de onde você pretende ir, o manterá mais longe do que você pretende ficar, e lhe custará mais do que você pretende pagar”.

5. RECONHEÇA QUE UMA FALHA MORAL NÃO COMEÇA COM O ATO FÍSICO DO ADULTÉRIO. SEJA CONSCIENTE DISSO E EVITE FATORES PRECIPITANTES

Líderes espirituais muitas vezes proporcionam cuidado e conforto a pessoas machucadas. Às vezes, isso pode criar ligações emocionais e mesmo que as intenções tenham sido inocentes, o que recebe tal intervenção pode nutrir um apego e uma atração emocional para com o cuidador. Além disso, a gratidão e o apreço que é expresso pelo receptor podem começar a alimentar o ego do cuidador e começar a suprir uma possível necessidade emocional em sua vida. Por conseguinte, isso pode desenvolver um relacionamento doentio. “Nenhum pastor pode demorar muito a perceber a discrepância entre a valorização realista de sua esposa a respeito dele como marido e o generoso elogio de membros bajuladores que derramam sobre ele como ‘o ministro piedoso’. Quando isso ocorre, o pastor está vulnerável à tentação de transferir a intimidade de sua esposa para alguém que tão acriticamente alimenta suas necessidades emocionais.”

O adultério não começa com o ato físico. Ele começa com a camaradagem emocional, flerte, desejos não fiscalizados, fantasias, justificativas, violação de limites, etc. Os ministros precisam evitar qualquer tipo de comportamento de flerte, inclusive brincar com as emoções das pessoas. Seja profissional, e acima de tudo seja cristão!

Vocês ouviram o que foi dito: “Não cometa adultério.” Mas eu lhes digo: quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la já cometeu adultério no seu coração. Portanto, se o seu olho direito faz com que você peque, arranque-o e jogue-o fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ser atirado no inferno. Se a sua mão direita faz com que você peque, corte-a e jogue-a fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ir para o inferno. — Mateus 5:27-30 (NTLH)

Você precisa ser brutalmente honesto consigo mesmo se você se encontra:

•  Sentindo uma atração inapropriada por uma pessoa que não é o seu cônjuge.

•  Pensando em uma pessoa, esperando receber telefonemas dessa pessoa, ou tendo fantasias sobre outra pessoa.

•  Fabricando maneiras para legitimar um relacionamento próximo com aquela pessoa (ex.: designando aquela pessoa para uma posição a fim de ter mais interação com ela).

•  Comunicando-se com, ou encontrando aquela pessoa em horários ou lugares inapropriados, ou em lugares fora da rotina.

•  Pensando ou se comunicando com aquela pessoa sem querer que sua esposa saiba a respeito.

6. ESTABELEÇA E MANTENHA LIMITES ADEQUADOS PARA VOCÊ MESMO, EM SUA VIDA E MINISTÉRIO

Isso significa ter orientações que o manterão longe das extremidades. Aqui estão algumas orientações gerais:

•   Não aconselhe membros do sexo oposto sozinho.

•   Não se coloque em uma situação em que, se uma acusação for levantada, será a sua palavra contra a de outra pessoa.

•   Não dê uma passadinha na casa de uma pessoa do sexo oposto a menos que seu cônjuge esteja com você ou o cônjuge da pessoa que você está indo visitar esteja presente.

•   Não use linguagem que poderia significar mais do que você pretende dizer. Uma amizade muito íntima e uma revelação inapropriada vão além da conduta adequada.

•   Não toque as pessoas de maneira que seja inapropriado ou possa ser mal interpretado.

7. PRESTE CONTAS

Tenha alguém para quem possa falar caso esteja sendo tentado. A quem você presta contas? Deve haver alguém (ou mais de uma pessoa) que seja capaz de observá-lo em seu ministério e demonstrar cuidado sobre qualquer problema que possa ver; alguém que você ouvirá e cuja opinião você respeitará. Aqueles que são “Guerreiros Solitários” são mais suscetíveis do que aqueles que têm os nobres princípios de prestar contas do que fazem em suas vidas.

Alguns anos atrás, um amigo pastor me perguntou se eu poderia ser seu parceiro a quem ele prestaria contas no tocante ao seu uso da internet. Eu concordei, entretanto, estabeleci a condição de que ele faria o mesmo por mim. Ambos baixamos um software para controle de acessos e começamos a receber relatórios semanais dos sites de internet que visitávamos. O pecado ama tomar vantagem do sigilo e esse tipo de prestação de contas pode ser um forte impedimento à tentação.

Efésios 5:13 diz: “Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz”. SQwb\ _

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

REFLEXOS DA INFÂNCIA

O ser humano vive de sofrimentos advindos do seu próprio processo humanizatório. muitos distúrbios são gerados no desenvolvimento do sujeito. Assim é com o transtorno de personalidade esquiva

Pesquisas médicas apontam que 1 a 5,2% da população brasileira têm transtorno de personalidade esquiva (TPE), ou também denominado como evitativa, é mais comum nas mulheres e não há muita divulgação nem muitos trabalhos publicados sobre o tema. É que o transtorno citado geralmente vem acompanhado de outros transtornos depreciativos, como ansiedade, pânico, fobia social, que são comorbidades mais comuns.

Ele caracteriza-se principalmente por um sentimento de tensão, apreensão, insegurança e inferioridade. A pessoa que tem esse transtorno apresenta um forte desejo de ser amado e aceito, tem hipersensibilidade à críticas e muito medo da rejeição, e para evitar enfrentar tais situações se isola, fechando-se em seu próprio mundo, tornando-se antissocial e solitária. Esse tipo de comportamento pode afetar a vida social, profissional, familiar, porque o sujeito que é acometido por esse distúrbio pode evitar reuniões sociais, profissionais e familiares. Sofre com isso porque deseja estabelecer laços e não consegue, é insuportável para ele a ideia de não ser aceito, de ser olhado e rejeitado.

Esses sintomas definidos como um transtorno de personalidade foram descritos no final do século XX pelos psiquiatras Breuler e Kretschmer. Ainda é pouco conhecido, e o diagnóstico médico se dá pelos manuais. Seguindo os critérios de diagnóstico médico, o paciente que apresentar quatro ou mais sintomas descritos pelo DSM-5 será portador de transtorno de personalidade esquiva. Sendo estes os principais:

1) esquivar-se de atividades relacionadas ao trabalho que envolvam contato interpessoal, porque teme ser criticado ou rejeitado;

2) falta de vontade de estar com pessoas, mesmo em envolvimentos amorosos, por medo de ser rejeitado; precisa ter a certeza de ser amado;

3) reserva em relacionamentos íntimos;

4) Isolamento e solidão, por medo de relacionar-se com as pessoas;

5) relutância em assumir riscos pessoais ou participar de qualquer nova atividade;

6) ver-se como incompetente, desagradável ou inferior.

O tratamento indicado pela psiquiatria é medicação que inclui inibidores da monoaminaoxidase (IMAOS), ansiolíticos, terapia cognitiva comportamental focada nos aspectos sociais, terapia de suporte (breve); e a psicodinâmica, que trabalha conflitos.

A Psicanálise tem uma outra forma de compreensão e de tratamento. Para começar, não se faz diagnóstico por classificação de sintomas, pois considera-se o sujeito e não a doença. Os sintomas são defesas psíquicas contra representações inconscientes oriundas de vivências danosas na primeira infância (O a 9 anos). A criança é um ser totalmente dependente de cuidados de um adulto, ela é assujeitada ao Outro, não tem condições de sobreviver sozinha. É nesse núcleo primário que se constitui o que Sigmund Freud, criador da Psicanálise chama como psiquismo. O psiquismo, que nos dará uma estrutura, que norteará a nossa vida adulta, se organiza por fases: oral (até 1 ano e meio de idade); anal (entre 1,5 a 3 anos), física (3 a 4,5), genital (5 a 9 anos). Essas fases determinam um tipo de organização que influenciará nossos comportamentos e sentimentos. Esse longo período de vivência entre um infante e um adulto definirá nossos traços de caráter e um tipo de estrutura que apresentarão seus sintomas como uma defesa, ou seja, como a única possibilidade de manter-se vivo.

As vivências infantis que expõem a criança a situações constrangedoras e vergonhosas contribuirão de forma decisiva na organização de defesas contra o mal-estar. No caso específico dessa reflexão, e sem colocar o sujeito em um quadradinho, pode-se inferir que a infância foi caracterizada por relações de desamparo, de negligência, de violência às quais a criança foi provavelmente exposta, envergonhada e amedrontada, e acabou criando um mundo particular onde busca pela proteção e sobrevivência que se deu pelos próprios meios que foi isolar-se das pessoas e do meio ameaçador. O meio familiar é decisivo para a constituição de um sujeito, seja ele mal equilibrado psiquicamente ou não.

O tratamento indicado pela Psicanálise é diferente do proposto pela Medicina. mas deixa-se claro que há sintomas que precisam de tratamento médico especializado para diminuir o sofrimento do paciente. Os tratamentos terapêuticos também têm sua valia, mas a Psicanálise trabalha olhando para os sintomas como uma organização defensiva e que às vezes o paciente precisa do sintoma para viver, mesmo que seja doloroso. O que se faz é trabalhar o sujeito, suas experiências passadas e presentes de uma forma cuidadosa para que ele possa historiocizar-se no tempo e através da técnica analítica entrar em contato com conflitos inconscientes que estão originando os seus sintomas. A técnica analítica se vale de procedimentos clínicos que fazem com que as representações adquiridas na primeira infância venham à tona para serem compreendidos e ressignificados pelo paciente junto com o analista. É necessário que as técnicas terapêuticas que trabalham com os sintomas sejam olhadas com muito cuidado, senão o método pode se tornar perigoso, pois o inconsciente existe. A neurociência hoje admite que o inconsciente freudiano é uma realidade.

Portanto, os sintomas precisam ser considerados como um mal necessário para o sujeito viver até então. E para mudá-lo é preciso primeiro enxergá-lo e posteriormente refletir e compreender. A Psicanálise é um processo eficaz, que permite que o sujeito se conheça e reconheça suas potencialidades. Pela complexidade do sujeito é necessário que os saberes se conversem, que trabalhem juntos na tentativa de ajudar esse sujeito a viver melhor.

ARACELI ALBINO – é doutora em Psicologia pela Universidad del Salvador (Buenos Aires- Argentina). Presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo – Sinpesp. Psicóloga e psicanalista, pós-graduada na PUC. Possui especializações em Psicoterapia/Psicodinâmica de adultos e adolescentes/ Psicopatologia Psicanalítica e Clínica Contemporânea; professora e coordenadora do curso de Formação em Psicanálise do Núcleo Brasileiro de Pesquisas Psicanalíticas.

OUTROS OLHARES

RODINHAS COM AUTONOMIA

Antes que as autoridades de trânsito cheguem a conclusões sobre as regras ideais para o uso de patinete – ou que nós, brasileiros, decidamos se esse brinquedinho pertence ao gênero masculino ou feminino -, a montadora chinesa Nio já inventou um modelo autônomo, o Pai, que deve entrar no mercado em breve. Movido a bateria, o microveículo é leve, com estrutura de grafeno, linhas minimalistas – desenhadas pelo escritório britânico Layer – e não dá a menor pinta do que é capaz de fazer. Basta dar um comando de voz do tipo “me leve para o trabalho”, por meio de um dispositivo bluetooth conectado a um celular ou smartwatch. Graças à tecnologia de machine learning, ele decidirá o melhor trajeto até o destino escolhido pelo usuário.

GESTÃO E CARREIRA

DÊ ESPAÇO PARA AS CRIANÇAS

Em nome da inclusão (e da tranquilidade dos pais), os estabelecimentos têm investido na criação de ambientes acolhedores, divertidos e seguros para a criançada

Quem tem filhos sabe que não é fácil ir a restaurantes com os pequenos. Ainda assim muitas famílias gostam de sair aos finais de semana para almoçar ou jantar fora, e os baixinhos vão junto. Para atender esse público cada vez mais exigente, os empresários estão se adaptando e passaram a transformar partes de seus estabelecimentos em espaços destinados somente a eles.

Restaurantes que são kids friendly não são uma novidade. Esses espaços surgiram lá atrás, em 1819, em Londres. Apenas nove anos depois o conceito chegou aos Estados Unidos. No Brasil, a primeira instalação aconteceu em 1966, no Shopping Iguatemi, em São Paulo. “Observou-se uma necessidade de criar espaços para entreter as crianças para que os pais pudessem utilizar os outros serviços daquele lugar com maior tranquilidade”, conta o especialista em Finanças, coach e consultor de empreendedorismo, Washington Mendes.

Assim, os primeiros espaços voltados à recreação de crianças, inicialmente, eram similares aos “parques de diversões cobertos”. Atualmente, por outro lado, os empreendedores têm observado os hábitos e paixões das crianças, fazendo com que esses estabelecimentos ganhem ares modernos, tecnologia e adaptações – além de empresas especializadas em prestar esse serviço.

COMO MONTAR O ESPAÇO

Especialistas aconselham que futuros donos de espaços kids friendly busquem empresas com experiência nesse setor ou profissionais focados em segurança para dar apoio ao desenvolvimento desses locais. Diretor de soluções do Grupo Bittencourt, Humberto Damas explica a razão para tanto cuidado: “não se trata apenas de ter esse espaço, mas também de garantir a tranquilidade dos pais enquanto as crianças estão sob os cuidados de terceiros”.

Logo, para a escolha da empresa deve-se buscar referências e indicações, além de pesquisar a idoneidade do negócio a ser contratado. “Conheça outros trabalhos feitos por esta empresa e analise o tempo de mercado. O ideal é que o negócio atue no setor ao menos há três anos. Entretanto, isso não impede de dar urna oportunidade à pessoa que tenha brilho nos olhos por amor às crianças”, indica Washington Mendes.

Outro detalhe importante é escolher um espaço mais reservado, pois as crianças fazem mais barulho e podem prejudicar os outros frequentadores do restaurante. “Ao mesmo tempo, deve garantir aos pais um ‘monitoramento’ das atividades enquanto estão aproveitando o espaço”, indica Humberto Damas.

O mais adequado é escolher um lugar que seja de alguma forma seguro para as crianças e também que (preferencialmente) esteja à vista dos pais. Tanto Damas quanto Mendes reforçam que “trabalhar com monitores que vigiem as crianças também é bem importante, pois assim os pais podem aproveitar o espaço com tranquilidade”.

O local também deve funcionar com, pelo menos, dois turnos de, no mínimo, quatro horas e, no máximo, seis horas para cada turno. O espaço deve ser montado fora das áreas de circulação para não atrapalhar a rotina do restaurante. Ainda segundo Damas, é importante identificar as faixas etárias e cuidar para que as crianças “grandes” não ocupem o mesmo espaço que as menores.

Com relação ao mobiliário, ele precisa ser alegre e com cores vibrantes para manter o interesse dos pequenos. Pode-se decorar o local com imagens de personagens, adereços, almofadas, pufes, entre outros objetos.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), esse espaço deve ser seguro, apropriado para a idade-alvo, estimulante, inclusivo e não discriminatório. Visando comportar confortavelmente as crianças, é importante que não ofereça riscos (de queda ou corte). A área deve compreender ainda espaços para colorir, para leitura, com jogos de mesa e jogos eletrônicos.

10 PASSOS PARA TER SUCESSO COM O SEU KIDS FRIENDLY

1. Tenha preocupação em ter recreadores com experiência para olhar o todo. Se for alguém que atue ou tenha atuado na área de educação infantil, será um diferencial.

2. Invista sempre em novos temas com frequência, personagens e objetos de acordo com o momento.

3. Cuidado com a higiene. Muitas crianças têm alergia a poeira e também a tinta (caso ofereça pintura, use tinta antialérgica).

4. Crie uma forma de ter o feedback dos pais por meio das redes sociais, gerando engajamento.

5. Observe seus concorrentes ao redor para ver se eles estão no mesmo nível ou fazendo coisas diferentes.

6. Trate aquela criança com carinho, pois eles serão os novos adultos que levarão seus filhos a seu espaço ou podem até mesmo indicar para os colegas da escola, por exemplo, e fazer com que você ganhe mais uma família como cliente.

7. Observe o cardápio infantil para que ocorra sempre mudanças e atenda a diversas faixas etárias. Por exemplo, um prato diferente para uma criança de 2 e uma de 7. já que e os paladares, assim como a idade, são diferentes.

8. Se possível, dê souvenirs ou lembrancinhas às crianças. Ver que seus filhos são bem tratados cativa os pais.

9. Leve alguns personagens vivos de desenhos da atualidade. Isso mesmo! Aqueles com fantasias. Se possível, promova um evento uma vez com ampla divulgação.

10. Faça valer a pena seu espaço para nunca ser esquecido.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 15 – A ATITUDE DE LÍDERES COM RELAÇÃO AO DINHEIRO — AS INDULGÊNCIAS ESTÃO DE VOLTA?

Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. — 1 Timóteo 6:9-

Pensamento-chave: Explorar pessoas por dinheiro é um mal de longa data. Líderes precisam evitar isso e os crentes devem ser sábios para que não se tire vantagens deles.

Um dos meus filmes favoritos é o que relata as crônicas do ministério de Martinho Lutero, contando a história de sua vida através da Reforma Protestante.30 No filme, a aflição de Lutero a respeito das práticas antibíblicas sobre as indulgências é claramente vista. As indulgências foram “… autorizadas pela autoridade papal em 1411, começaram no século 11 com o ensino de que o serviço piedoso, nas Cruzadas, reduziria a permanência de alguém no purgatório. No século 15, garantias de permanências curtas no purgatório em troca de dinheiro tornaram-se um componente regular de técnicas de arrecadação de fundos para o papado”.

A ideia de “comprar” bênçãos ou favores espirituais não começou, entretanto, na Idade Média. Em Atos 8, um indivíduo conhecido como Simão, o Mágico (o qual crera no Evangelho e fora batizado), fez a Pedro uma oferta que foi severa e duramente rejeitada.

Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito [Santo], ofereceu-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo. Pedro, porém, lhe respondeu: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus. Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, da tua maldade e roga ao Senhor; talvez te seja perdoado o intento do coração; pois vejo que estás em fel de amargura e laço de iniquidade. — Atos 8:18-23

O Novo Testamento, na linguagem moderna, traduz o versículo 20 da seguinte maneira: “para o inferno com você e o seu dinheiro!”. O tradutor J. B. Phillips diz que é exatamente isso que significa no grego. A versão A Mensagem e a tradução Boas Novas trazem ideias similares do mesmo versículo. Até mesmo hoje, o termo simonia do original grego não se refere apenas à compra de cargos eclesiásticos, mas também é usado amplamente para denotar qualquer tipo de tráfico nas coisas sagradas.

MAIS ABUSOS

Voltando um pouco mais na história bíblica, vemos outras distorções, corrupções e abusos acerca de dinheiro e das coisas espirituais. Em 1 Samuel 2:12-17, observamos que os filhos de Eli (o sumo sacerdote daqueles dias), que eram muito corruptos, abusavam do sistema de sacrifícios e exploravam o povo de Deus. O versículo 17 diz: “Era, pois, mui grande o pecado destes moços perante o SENHOR, porquanto eles desprezavam a oferta do SENHOR”. Em vez de tratar as ofertas do povo como santas, dos sagrados oferecidos ao Senhor, os filhos de Eli desdenhosa e forçosamente, intimidavam aqueles que se esforçavam para obedecer a Deus de modo a saciar a sua própria ganância.

O próprio Jesus confrontou outro sistema corrupto que extorquia e maltratava os adoradores. O relato de Jesus expulsando os cambistas do templo é famoso, mas muitos não perceberam o que aconteceu depois que a prática antiética, a cobiça e a ganância foram erradicadas.

Tendo Jesus entrado no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam; também derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores. Vieram a ele, no templo, cegos e coxos, e ele os curou. — Mateus 21:12-14

Você percebeu isso? Quando a corrupção dos homens foi removida, a glória de Deus foi manifesta. É muito vergonhoso tirar vantagem de pessoas vulneráveis, mas ainda mais grave é o fato de que as pessoas deixem de enxergar a glória de Deus por causa das práticas manipuladoras de homens que obscurecem a visão de adoradores sinceros.

O apóstolo Paulo estava dolorosamente ciente dos “autointitulados” ministros cujos motivos e métodos eram conduzidos por ganância. Ele fez questão de se diferenciar daqueles que eram manipuladores, cujas práticas, obscuras e inescrupulosas, trouxeram reprovação às coisas de Deus. O mesmo homem que escreveu a respeito da “graça de dar” teve que falar sobre a “desgraça” de lobos em peles de ovelhas, os quais devoraram os ingênuos, crédulos e impressionáveis santos.

Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a Palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus. — 2 Coríntios 2:17

Mais tarde, Paulo lhes disse: “… pois não vou atrás dos vossos bens, mas procuro a vós outros” (2 Coríntios 12:14). Aos tessalonicenses, Paulo disse: “A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha” (1 Tessalonicenses 2:5). Paulo foi ao extremo para evitar qualquer atitude egoísta, até mesmo recusar uma remuneração apropriada para que ninguém pudesse acusá-lo de estar no ministério apenas por causa do dinheiro (1 Coríntios 9:1-18).

O apóstolo Pedro falou de falsos mestres que fariam com que o caminho da verdade fosse blasfemado (2 Pedro 2:2), e no versículo seguinte disse: “Também, movidos por avareza, farão comércio de vós”. Em outras traduções, 2 Pedro 2:3 diz:

•  “Em sua ambição pelo dinheiro, esses falsos mestres vão explorar vocês, contando histórias inventadas” (NTLH).

•  “Em sua ambição (luxúria, ganância), eles irão explorar você com falsos (astutos) argumentos” (AMP).

•  “E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas” (ACF).

•  “… jamais dirão nada — nada que traga algum benefício.

•  Só querem explorar vocês” (A Mensagem).

É importante entender que os apelos financeiros mais obscuros e escusos conterão certos níveis de verdade. Você pode até ouvir testemunhos de “renúncias” que parecem acrescentar legitimidade à sua mensagem. Por exemplo, eles podem dizer: “Eu não estou tentando lhe dizer que você pode comprar um milagre” ou “isto, de fato, não se trata do seu dinheiro, se trata da sua fé”. Mas em última análise, a impressão geral que o potencial doador recebe é que existe um milagre especial ou bênção que será recebida por dar dinheiro naquela oferta em particular.

Além disso, doações por impulso serão fortemente estimuladas (“Tome uma atitude agora, vá ao telefone agora mesmo, doe enquanto a unção está forte, não deixe que esse milagre passe por você, não deixe que o diabo roube de você essa bênção, etc.”). Recentemente, um ministro declarou que havia uma janela no tempo de dois minutos, durante os quais contribuintes poderiam doar uma oferta de mil dólares e receber resultados miraculosos. Obviamente, as pessoas teriam que agir imediatamente para receber a “bênção” especial que estava conectada apenas com essa oferta.

Poucos anos atrás, ouvi um ministro na televisão exaltando as virtudes do número “sete”, à medida que é utilizado ao longo da Bíblia. Ele concluiu que, como o ano era 2007, seus telespectadores estavam sendo instruídos por Deus a doarem certo montante (relativo ao número 7), de modo a receberem o seu “rompimento milagroso”. Entretanto, não estava sendo recomendado que alguém enviasse uma oferta de 7 dólares (o que seria lógico, se realmente existisse a mais remota conexão com o ano do calendário, relativo a quanto o cristão deveria dar). De qualquer forma, 77 dólares, 777 dólares e 7.777 dólares eram os montantes sugeridos.

É claro, grandes bênçãos eram prometidas àqueles que davam um dos montantes alegadamente inspirados. A linha de pensamento desse homem me fez imaginar se, em 2010, alguma oferta financeira seria dada, já que o ano termina em zero — mas estou certo de que ele teria um tipo diferente de revelação para aquele ano.

Enquanto ouvia essa apresentação enganadora, indaguei-me se Martinho Lutero estaria se perguntando se o que ele pregou a respeito da venda de indulgências (essencialmente a venda de perdão) fora em vão. De uma só vez, foi dito às pessoas que, por meio de dar uma oferta especial para a igreja, elas reduziriam o seu tempo de permanência no purgatório. Elas também tinham a opção de ajudar a providenciar uma libertação antecipada para a partida de seus entes queridos que ainda se encontravam no purgatório. John Tetzel era o cabeça na venda de indulgências, e ele com frequência dizia: “Assim que uma moeda tilinta no cofre, uma alma salta do purgatório”.

Lutero, irado com essa corrupção espiritual e essa forma manipuladora de extorsão, anexou as suas 95 Teses (estas foram pontos para debate) na porta norte da catedral de Wittenberg (as portas da igreja eram muitas vezes utilizadas como quadro de avisos). Enquanto outras questões eram tratadas, muitos de seus 95 pontos lidavam especificamente com a “venda de indulgências”. Aqui estão algumas amostras do que Lutero apresentou:

•  “Aqueles que pregam indulgências erram quando dizem que um homem é absolvido e salvo de toda penalidade pelas indulgências do papa”.

•  “Não há qualquer autoridade divina para pregar que uma alma salta imediatamente do purgatório quando o dinheiro tilinta no fundo do cofre.”

•  “As indulgências, as quais os mercadores exaltam como o maior dos favores, são vistas, de fato, como o meio favorito para obter dinheiro.”

•  “É blasfêmia dizer que a insígnia da cruz com os braços do papa é de igual valor à cruz na qual Cristo morreu.”

Hoje, as pessoas podem não estar tentando reduzir o seu tempo no purgatório; entretanto, ainda é uma questão séria se as pessoas são levadas a acreditar que toda bênção, milagre ou rompimento está, de alguma maneira, conectado ao ato de dar dinheiro. Enquanto eu assistia a esse pregador na televisão, pensei: Ouvi de encorajamento, edificação e exortação, mas isso não passa de extração — extrair dinheiro das carteiras das pessoas! Além disso, perguntei-me por que essas apresentações na televisão sempre terminavam com a convincente frase: “Vá para o seu telefone!” e nunca “Vá para a sua igreja!”

Um ministro disse: “Você pode receber informação de qualquer um, mas você só pode receber revelação de um ministro em quem você semeia”. Pensei: Se é assim, então, nenhum de nós seria capaz de receber revelação de qualquer um dos escritos de Paulo, pois nenhum de nós jamais ofertou para ele. Existe um problema sério quando se dá a impressão de que cada bênção, cada rompimento, cada milagre e cada resposta à oração, está subordinada a uma doação financeira.

É lamentável quando algo tão lindo como a “graça de dar” do Senhor é perdida porque pessoas têm repetidamente exposto substitutos baratos. Quando as pessoas são pressionadas por artifícios manipulativos, excessos ou outras técnicas para coagi-las a ofertar, o verdadeiro plano de Deus é frustrado.

Em um artigo intitulado “Os Piores Artifícios para Levantar Fundos de Todos os Tempos das TVs Cristãs”, J. Lee Grady disse: “Vamos parar o hipnotismo, a manipulação de culpa e os artifícios de alta pressão. É tempo de recuperar nossa credibilidade perdida”. Ele segue dizendo que algumas redes cristãs “… têm vergonhosamente extorquido dinheiro dos telespectadores ao longo dos anos usando manipulação de culpa pesada, controle hipnótico e uma distorção bizarra da Bíblia”. Grady conclui as suas observações com: “Felizmente, líderes emergentes na indústria televisiva religiosa irão restaurar a nossa credibilidade perdida por insistir na integridade, autenticidade e bom gosto”.

Quantos danos realmente têm sido produzidos por tais táticas manipulativas nos púlpitos? Contingentes incontáveis de crentes têm estado fatigados com relação ao Cristianismo, endurecidos quanto ao Evangelho e presumem que os pregadores estão nisso “simplesmente pelo dinheiro”. Isso por si só é trágico. Para acrescentar, alguns cristãos sinceros têm se desapontado e se desiludido quando promessas de milagres de prosperidade não se materializam como esperado. Muitos desses cristãos desmotivados têm se tornado fechados, relutantes e hesitantes em dar qualquer coisa mais.

Compreensivelmente, muitos se sentem explorados, abusados e defraudados. Eles não confiarão em pregadores tão facilmente de novo. Talvez, eles, erroneamente, tenham visto o dar como uma oportunidade de “fique rico rápido”. Alguns afundam em um estado de culpa e condenação porque acreditaram que sua fé não deve ter sido suficiente para trazer a colheita esperada. Outros se tornam endurecidos e desistem completamente de dar. Tudo isso são consequências lamentáveis e graves que resultam quando a exploração “vergonhosa” é substituída pela beleza da graça de dar que Paulo ensinou (2 Coríntios 8:6-7).

Um amigo missionário uma vez compartilhou que, em seu país, jovens missionários assistiam a pregadores norte-americanos na televisão e selecionaram algumas das suas técnicas “habilidosas” em recolher ofertas. As orientações a seguir são compartilhadas, não apenas para ajudar ministros a evitarem alguns desses métodos inapropriados, mas também para ajudar crentes a adquirirem sabedoria e discernimento, de modo a se protegerem de serem manipulados:

INDICADORES DE QUE UMA “EXTORSÃO” ESTÁ PARA ACONTECER

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando se perceber que, como resultado de dar alguma oferta específica, você receberá algum tipo especial de bênção, milagre ou rompimento que, de outra forma, você não teria direito se simplesmente estivesse ofertando para a sua igreja ou apoiando algum ministério. Artifícios muitas vezes usados incluem coisas do tipo: “Todas as suas dívidas serão sobrenaturalmente pagas”, “você receberá a cura de que precisa”, ou “seus filhos ou cônjuge serão salvos” …tudo porque você deu dinheiro. Novamente, atente para o “sinal de desaprovação”. Provavelmente, você ouvirá:

“Você não pode comprar um milagre, isso é uma questão de fé”! Entretanto, o modo específico pelo qual você liberaria a sua fé é por meio de doar essa oferta em particular. Décadas atrás, Gordon Lindsay escreveu: “Talvez, o artifício mais sério para arrecadar dinheiro é aquele promovido por um aventureiro religioso, o qual promete às pessoas que Deus lhe deu o dom de torná-las ricas, se tão-somente elas lhe derem uma boa oferta. Tais afirmações aproximam-se do crime da blasfêmia”.

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando um óleo “especialmente ungido”, ou tecidos consagrados, são usados em conexão com ofertas. Enquanto tecidos (Atos 9:11-12) e unção com óleo (Tiago 5:14-15) são definitivamente mencionados no Novo Testamento, uma cautela deve ser exercitada para assegurar que essas coisas não se tornem artifícios para iniciar um apelo por dinheiro. Em algumas situações, inicialmente, essas coisas são oferecidas de graça por certos ministros, mas logo são seguidas por fortes apelos financeiros.  Do mesmo modo, alguns têm oferecido “profecias” por uma doação e, em alguns casos, a primeira profecia é apenas uma provocação. Imagine o que você vai ter que fazer para obter a “profecia” mais detalhada, a qual irá, realmente, liberar as bênçãos de Deus em sua vida? Isso mesmo: envie mais dinheiro. Ninguém é tão audacioso a ponto de dizer abertamente que está vendendo as bênçãos de Deus, mas quando toda a camada superficial e falatório são removidos, isso é essencialmente o que está acontecendo.

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando qualquer tipo de ministério diminui o seu senso de sacerdócio. Em vez de você ter o seu próprio relacionamento com Deus, por meio do qual você pode exercer fé, usar sabedoria e ser guiado pelo Espírito, você é dependente do ministro com a “unção especial para prosperar”, para conduzi-lo até receber a sua bênção. Ministérios legítimos apoiam e reforçam o seu senso de sacerdócio diante de Deus, eles não criam uma dependência doentia em alguns “superministros” que, em essência, se tornam a sua ligação com Deus e com as Suas bênçãos. A Bíblia diz em 1 Timóteo 2:5: “… há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”. Ministérios legítimos cultivam a sua dependência em Deus, em Sua Palavra e a sua habilidade de seguir a direção do Espírito Santo. Ministérios doentios, por outro lado, desenvolvem uma dependência em alguns ministros, especialmente ungidos, os quais, sozinhos, podem facilitar a chegada das bênçãos de Deus até você (especialmente quando a sua fé é “ativada” e “liberada” por meio de uma semente financeira que você semeou no “servo de Deus”). A intimidação pode até ser usada, dando a ideia ao ouvinte de que ele está sendo desobediente se ele não participa ou está sendo “religioso”, se questiona a suposta infalível palavra do servo ungido de Deus.

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando testemunhos maravilhosos são oferecidos por indivíduos que experimentaram milagres extraordinários, como resultados de ofertar em determinado ministério. A insinuação é de que se você der, então você também experimentará os mesmos tipos de resultados. Observei, em comerciais de TV de produtos para perda de peso, que um testemunho com frequência é dado no qual uma pessoa compartilha a sua história de perda drástica de peso, por fazer uso de uma dieta em particular. Na parte de baixo da tela da TV, em letras miúdas, está a típica frase: “resultados não típicos”. Talvez essa seja uma exigência legal para propagandas seculares, mas seria revigorante ouvir um ministro admitir que muitas das pessoas que doam não encontrarão um cheque de 75 mil dólares na sua caixa de correios nem terão a sua casa milagrosamente paga porque elas doaram aquela oferta “especial”. Também é lamentável que alguns ministérios tenham recorrido a panfletos e “comerciais de TV” que realçam imagens de mansões, piscinas, carros esportivos luxuosos, diamantes, barras de ouro e imensas pilhas de dinheiro. Tais promoções de mau gosto (em nome do Senhor) vergonhosamente apelam à cobiça e me lembram das advertências de Paulo a Timóteo quanto a “… homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro” (1 Timóteo 6:5).

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando um ministro sugere uma doação alicerçada em um versículo específico da Bíblia ou por meio do uso de numerologia. Por exemplo, depois de pregar em cima de Isaías 55:11, um ministro sugere que, se um ouvinte necessita de um milagre, doe uma oferta de 55,11 dólares. É interessante que ministros que usam essas técnicas estão mais propensos a pregar em cima do Salmo 107:20 do que em cima do Salmo 1:1. Afinal, uma oferta de 107,20 dólares é muito melhor do que uma oferta de 1,1 dólares. Ofertas fundamentadas em algumas interpretações numerológicas da Bíblia são quase sempre o resultado de manipulações humanas, e não inspiração divina. Eu não teria problema se, por exemplo, no aniversário de 50 anos de uma igreja, a liderança sugerisse que todos considerassem, em oração, uma oferta extra de 5 dólares, 50 dólares ou 500 dólares para fazer o que eles pudessem direcionados a algum projeto especial. Entretanto, isso deveria ser apenas uma sugestão. Isso se torna problemático quando o “ministro altamente ungido” atua dizendo “o Senhor me disse” e, autoritariamente, proclama que todos que derem 500 dólares ou 5 mil dólares irão receber algum tipo de bênção que só pode ser adquirida por meio de ofertar nesse montante em particular divinamente decretado. É quando isso se torna manipulativo e ameaçador. Tenha sempre cuidado com pessoas que profetizam dinheiro saindo da sua carteira — para dentro da carteira delas!

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando datas de certos festivais judaicos ou outros eventos do Antigo Testamento são usados para promover ofertas especiais na era do Novo Testamento. Considerando que a maioria de nós é crente do Novo Testamento, de origem não judaica, esses dias não devem governar o nosso caminhar com Deus (Gálatas 4:9-11; Colossenses 2:16-17). Ao escrever para uma congregação de origem mista (judeus e gentios), Paulo indicava que deveria haver tolerância e respeito quando se tratava de questões de origem e convicções pessoais (Romanos 14:1-9), mas não há qualquer base neotestamentária para proclamar que Deus irá abençoar, de forma especial, ofertas “fundamentadas no Antigo Testamento”, na era da Igreja.

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando uma mensagem é salpicada com dicas nada sutis de como Deus abençoou pessoas que doaram para o ministro ou para o seu ministério, usando a terminologia de “levantador de fundos” ou “apoiadores”. Ao fazer isso, esses ministros estão psicologicamente condicionando as pessoas a dar. Isso também deveria ser preocupante quando tempo em excesso é gasto por ministros falando a respeito de toda a riqueza e bênçãos materiais que eles receberam. Ministros são chamados para “pregar a Palavra” (2 Timóteo 4:2), não para exibir as suas posses. Paulo disse que o amor “… não é orgulhoso ou vanglorioso, não se mostra altivo” (1 Coríntios 13:4, AMP). Paulo também disse: “… a nossa mensagem não é sobre nós mesmos; estamos anunciando Jesus Cristo, o Mestre. Tudo o que somos é mensageiros, levando recados de Jesus para vocês” (2 Coríntios 4:5, A Mensagem). Deus nunca ordenou que ministros tivessem uma mentalidade de “rock star” ou “celebridade”; somos chamados para sermos servos. Certamente não somos chamados para manipularmos as pessoas para o nosso próprio benefício ou lucro pessoal.

BÊNÇÃOS SEM DINHEIRO

Deveríamos ser grandemente abençoados ao lembrarmos Isaías 55:1-2: “Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares”.

Desde que nós tenhamos o entendimento de que as maiores bênçãos de Deus são dons gratuitos, então nós podemos dar de coração e com a motivação correta, e poderemos evitar sermos pressionados, manipulados ou abusados por vigaristas religiosos.

REIVINDICANDO O PLANO DE DEUS

Precisamos permanecer fortemente comprometidos com a Palavra de Deus e nos conservarmos positivamente focados. Sou totalmente a favor de devolver o dízimo, ofertar e promover a prosperidade bíblica. Se todo crente no Corpo de Cristo simplesmente devolvesse o seu dízimo em sua igreja local (dar 10% da sua receita) e ofertasse como o Senhor os guia a fazer, a obra de Deus estaria maravilhosamente suprida e progrediria tremendamente.

A Bíblia nos ensina que existem bênçãos que estão associadas ao dar, e que Deus “… tem prazer na prosperidade dos servos” (Salmos 35:27). Igrejas, missionários e ministérios precisam de dinheiro para funcionar e para a Grande Comissão.

O Corpo de Cristo precisa ser profundamente grato por todos os pastores, missionários e outros ministros confiáveis (inclusive muitos que estão na televisão) que compartilham o Evangelho e a Palavra de Deus de modo tão objetivo, com simplicidade e sinceridade. Agradeça a Deus por aqueles que estão conservando as águas puras!

O Corpo de Cristo deve ser forte e ver através da desordem e distrações e imperfeições humanas, à medida que seguimos o propósito de Deus para a nossa vida! O fato de alguns operarem por métodos inapropriados e questionáveis jamais deveria nos impedir de acreditarmos em Sua Palavra e fazer a coisa certa.

Deus ainda “… pode fazer-vos abundar em toda graça (todo favor e bênçãos terrestres), a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência [possuindo suficientemente e não precisando requisitar ajuda ou suporte e fornecendo em abundância para todo bom trabalho e doações de caridade], superabundeis em toda boa obra” (2 Coríntios 9:8, AMP). Vamos nos render livremente à graça de dar. Não deveríamos apenas receber da Sua generosidade, mas também deveríamos viver uma vida de generosa doação.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 14 – CONSIDERAÇÕES PRÁTICAS A RESPEITO DE SABEDORIA FINANCEIRA E INTEGRIDADE

“Nós consideramos uma responsabilidade sagrada e uma oportunidade genuína sermos administradores fiéis de tudo o que Deus tem nos confiado; nosso tempo, nosso talento e nossos recursos financeiros. Vemos a vida como um encargo sagrado a ser usado sabiamente.” — Aliança Moraviana para a Vida

Pensamento-chave: Líderes espirituais são conscientes, responsáveis e diligentes em seu trato com o dinheiro.

Na ocasião em que escrevo isto, meu país tem experimentado um longo período de extrema dificuldade financeira. Os valores das casas despencaram e o desemprego permanece em alta. Nos últimos anos, um número sem precedentes de pessoas entrou em falência e muitas delas perderam os seus lares devido às execuções de hipotecas. Como resultado dessa recessão, muitas igrejas e ministérios e bons líderes espirituais cristãos foram adversamente afetados.

Estamos vivendo dias nos quais líderes não devem apenas ter uma grande fé para confiar e crer em Deus, mas também devem ter grande sabedoria para lidar sabiamente com o dinheiro. Nada neste capítulo pretende refletir negativamente ou trazer condenação para pessoas ou igrejas que sofreram reveses financeiros. Entretanto, também é extremamente importante que líderes e crentes atuem nos mais altos níveis de ética e sabedoria, no que diz respeito a questões financeiras.

Quer você esteja lendo isso em um tempo de desafios financeiros ou um período de grande abundância, você tem um antecessor no ministério que pode relacionar-se com a sua situação. Paulo disse: “Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:12-13). A versão NTLH traduz parte do versículo 12 assim: “… sei o que é estar necessitado e sei também o que é ter mais do que é preciso”.

RESPONSABILIDADE

Paulo era muito diligente ao proteger-se de acusações de inconveniência, por meio de uma sólida responsabilidade no que dizia respeito a lidar com finanças. Ele falou de uma oferta que recebera na Grécia, para os crentes em Jerusalém, quando disse: “Queremos evitar que alguém nos critique quanto ao nosso modo de administrar essa generosa oferta, pois estamos tendo o cuidado de fazer o que é correto, não apenas aos olhos do Senhor, mas também aos olhos dos homens” (2 Coríntios 8:20-21, NVI).

Para facilitar seu desejo por responsabilidade, Paulo encorajou cada igreja a ter um representante acompanhando-o e ajudando na distribuição desses fundos. Paulo poderia ter levado o dinheiro sozinho para Jerusalém, e eu acredito que ele teria sido completamente honesto em suas relações. Entretanto, ao fazê-lo, ele poderia ter se exposto à crítica e se colocado em uma posição vulnerável.

CONSELHO SÁBIO

Provérbios 11:14 nos diz: “Não havendo sábia direção, cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança”. Em tempos de leis complexas, é benéfico para pastores, igrejas e ministérios buscarem conselhos e direções de vários profissionais, como contadores, advogados, banqueiros, assessores executivos, agentes de seguros, etc. Alguns desses conselhos custarão dinheiro, mas seria muito mais caro não ter a direção apropriada. Igrejas e ministérios deveriam fixar recursos adequados de modo a receberem tais conselhos e adquirirem serviços profissionais, à medida que forem necessários. Procedimentos e sistemas apropriados deveriam ser estabelecidos e seguidos. Semelhantemente, princípios comerciais saudáveis deveriam ser implementados e todas as leis relevantes observadas.

É sempre bom garantir que se está recebendo conselhos saudáveis de fontes bem conceituadas. Uma vez alguém disse: “Os dois caminhos mais rápidos para o desastre são: não tomar conselho com ninguém e se aconselhar com todos”. Sófocles disse: “Nenhum inimigo é pior do que um conselho ruim”.

CUMPRINDO AS OBRIGAÇÕES RESPONSAVELMENTE

Isto pode parecer elementar, mas pagar as nossas contas e impostos é uma parte de agir em integridade. Deveríamos ser diligentes e rápidos nessas questões. Quando indagado acerca de pagar impostos, Jesus disse: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21).

Paulo reiterou isso quando disse: “Portanto, vivam com responsabilidade — não apenas para evitar a punição, mas por ser a maneira certa de viver. É por isso, também, que vocês pagam impostos — para que a ordem seja mantida. Cumpram suas obrigações como um cidadão. Paguem seus impostos. Paguem suas contas. Respeitem seus superiores” (Romanos 13:5-7, A Mensagem).

No versículo seguinte, Paulo diz: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros…” (Romanos 13:8). Alguns têm interpretado isso querendo dizer que um cristão, sob nenhuma circunstância, deve pedir dinheiro emprestado. Entretanto, acredito que outras versões acrescentam luz adicional e útil ao sentido desse versículo.

Na NVI lemos: “Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros…”. A tradução NTLH traz esse versículo assim: “Não fiquem devendo nada a ninguém. A única dívida que vocês devem ter é a de amar uns aos outros…”.

Entendido desse modo, recebemos a impressão de que devemos, simplesmente, pagar as nossas contas em dia. Entretanto, existe, obviamente, grande sabedoria em ficar livre de débitos e viver livre de débitos. Provérbios 22:7 diz: “…quem toma emprestado é escravo de quem empresta”, e isso é especialmente verdadeiro quando o débito se tornou esmagador e descontrolado. Alguém uma vez disse: “Quando os seus gastos excedem os lucros, a sua manutenção se torna a sua ruína”.

Gastos irresponsáveis e débitos com cartão de crédito tornaram-se um grande problema em nossa nação. O cartão de crédito pode ser uma ferramenta muito boa, mas se não for administrado corretamente, pode se tornar um grande cativeiro. Em minhas viagens, o cartão de crédito é necessário para a locação de carros, pagar hotel, etc. Entretanto, Lisa e eu assumimos, ao longo dos anos, a prática de não colocarmos no nosso cartão mais do que estamos preparados para pagar no final do mês. Isso tem nos salvado e economizado uma quantia significativa de dinheiro em juros.

O crédito fácil e uma sociedade materialista têm contribuído para que muitas pessoas excedam os seus limites financeiros. Alguns têm estado obcecados em querer parecer prósperos, e por isso compraram casas, carros, roupas, joias, etc., que estavam simplesmente além das suas posses.

George Washington Carver, que morreu em 1943, disse: “Temos nos tornado 99% loucos por dinheiro. O método de vivermos, no lar, modestamente e dentro das nossas condições, lançando um pouco sistematicamente para o proverbial dia chuvoso que irá chegar, pode ser quase listado entre as artes perdidas”.

Calvin Coolidge, presidente dos Estados Unidos de 1923 a 1929, afirmou: “Não há dignidade tão impressionante, ou independência tão importante, do que viver dentro das suas posses”.

Uma boa regra de ouro, para aqueles que buscam administrar sabiamente o seu dinheiro, é dar 10% para Deus, colocar 10% na poupança e viver dentro dos 80% dos seus recursos.

EMBARAÇOS A EVITAR

Alguns têm se esforçado para ajudar outros, sendo fiador para eles em um empréstimo. Embora isso soe virtuoso, pode levar a sérios problemas. Primeiro, se a pessoa não pagar as suas contas, você está obrigado a pagar. Segundo, se a pessoa não paga a sua conta e você paga, ela provavelmente ficará desconfortável por estar perto de você e, se você for um pastor ou um líder espiritual, isso significa que ela irá, provavelmente, evitar a igreja (isso também se aplica quando você faz um empréstimo para alguém). Se isso não é razão suficiente para você evitar ser fiador, então considere as seguintes passagens:

Meu filho, se você serviu de fiador do seu próximo, se, com um aperto de mãos, empenhou-se por um estranho e caiu na armadilha das palavras que você mesmo disse, está prisioneiro do que falou. Então, meu filho, uma vez que você caiu nas mãos do seu próximo, vá e humilhe-se; insista, incomode o seu próximo! Não se entregue ao sono, não procure descansar. Livre-se como a gazela se livra do caçador, como a ave do laço que a pode prender. — Provérbios 6:1-5

Quem serve de fiador certamente sofrerá, mas quem se nega a fazê-lo está seguro. — Provérbios 11:15

O homem sem juízo com um aperto de mãos se compromete e se torna fiador do seu próximo. — Provérbios 17:18

Não seja como aqueles que, com um aperto de mãos, empenham-se com outros e se tornam fiadores de dívidas; se você não tem como pagá-las, por que correr o risco de perder até a cama em que dorme? — Provérbios 22:26-27

RECEBENDO DÍZIMOS E OFERTAS

•  Ensine ousadamente e com confiança a respeito de administração, dízimos, ofertas, generosidade, etc. Não seja envergonhado, apologético ou retraído ao ensinar sobre dinheiro ou assuntos relacionados; isso é parte da vontade de Deus que somos responsáveis de ensinar.

•  Seja honesto e objetivo quanto a projetos especiais e necessidades da igreja e assegure-se de que ofertas específicas vão para os projetos para os quais foram designadas.

•  Não pressione as pessoas a dar por meio da culpa, vergonha, condenação, ameaça, etc.

•  Não “engane” ou manipule pessoas a fazerem uma doação compulsiva de maneira que mais tarde elas se arrependerão e ficarão ressentidas quanto a isso. Uma pessoa deve dar “segundo propõe em seu coração” (2 Coríntios 9:7), não em um estado de sentimentalismo frenético.

•  Não faça promessas infundadas e irrealistas para as pessoas. Evite tudo o que possa ser entendido como manipulação espiritual.

•  Evite artifícios.

PASTOR — RELACIONAMENTOS COM MINISTROS CONVIDADOS

Em um artigo intitulado, “Etiqueta para pastores: como honrar ministros convidados em sua igreja”, o pastor Michael Cameneti escreveu:

Acreditamos que qualquer ministro que semeia a Palavra na nossa congregação é alguém que Deus quer abençoar, por isso nos esforçamos para abençoar esse ministro convidado “acima e além”. Consistentemente, busco transmitir à nossa congregação a essência do dar e de ser uma bênção por meio de ministrações sobre finanças, fundamentadas em 1 Timóteo 5:18. Depois, encorajo a todos na nossa igreja a participarem dando uma oferta especial para o ministro convidado. Além disso, acredito que é sempre melhor semear em uma oferta do que o montante inicial recebido, portanto, acrescentamos às ofertas dos convidados apenas para abençoá-los. Em nosso coração sentimos fortemente que não podemos dar mais do que Deus e que Ele irá suprir todas as nossas necessidades à medida que semeamos na vida de outros.

Semelhantemente, os ministros convidados devem ser altamente respeitosos com a igreja local, bem como com o seu pastor. Ao longo dos anos, ouvi pastores compartilharem acerca de experiências negativas com ministros convidados, que pareciam estar muito mais interessados no que eles poderiam obter da igreja, financeiramente, do que o que eles poderiam oferecer à igreja, espiritualmente.

Recentemente, ministrei em uma igreja e, antecipadamente, recebi instruções por escrito. Achei que essas instruções foram muito boas. Era óbvio que, pelos pontos apresentados nessas instruções, o pastor sentia que o seu povo tinha sido “tosquiado” antes. Como um bom pastor, ele estava apenas fazendo o seu melhor para assegurar que esse tipo de coisa não acontecesse novamente. Algumas de suas instruções incluíam:

•  Dependendo do tipo de culto, um pagamento será dado ao ministro convidado, ou o pastor retirará uma oferta para o ministro ao final do culto. Aos ministros convidados não é permitido pedirem a sua própria oferta de púlpito.

•  Os envelopes da igreja apenas serão utilizados se uma oferta for solicitada.

•  Só serão permitidos três minutos para a divulgação de produtos no púlpito, a menos que o pastor autorize antecipadamente.

•  Os membros da igreja não serão inseridos na lista de contatos do ministro, exceto sob seu consentimento claro e pessoal.

•  A igreja irá providenciar, por mesa, até dois voluntários experientes, para ajudar na organização e venda dos produtos e materiais do ministro. Isso será assim porque somos sensíveis com respeito à interatividade com as pessoas da nossa comunidade.

•  Cheques pelos produtos serão feitos nominais à igreja. Todo o dinheiro das vendas de produtos será enviado pelos correios, com a oferta, dentro de três a cinco dias úteis.

Não estou apresentando essas ideias como um absoluto “dever”, mas existe uma grande necessidade de que pastores e ministros convidados trabalhem com respeito mútuo. O ideal será alcançado quando cada parte buscar abençoar, grandemente, a outra parte.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ELEMENTOS DE REAÇÃO

Os temas sobre a relação do homem com a tecnologia vão além da dependência e interação. É necessário fazer uma análise científica acerca do campo energético que liga o ser humano à máquina

Prêmio Nobel de Física de 1946, Wolfgang Pauli era conhecido pelo “efeito Pauli”. Nos laboratórios ocorriam curtos-circuitos em aparelhos, vidros que se quebravam, bastando que estivesse presente. Ele mesmo descreveu que sentia um certo mal-estar, acompanhando por uma espécie de “aura” até alguma coisa quebrar ou desandar e aliviar-se. Muitas vezes proibiam seu ingresso nas salas.

A Universidade de Princeton sediou o polêmico Laboratório de Engenharia e Pesquisa de Eventos Anômalos (Pear). O objetivo era verificar se a intenção do pesquisador poderia afetar o resultado de experimentos mecânicos e eletrônicos. Os resultados caracterizaram-se como estatisticamente significativos, quer dizer, a possibilidade de seus resultados serem alcançados aleatoriamente era muito pequena, embora viável.

Foi utilizado um gerador de eventos randômicos (REG), que é um hardware (blindado) que registra flutuações quânticas traduzidas em uma linha na tela do computador. É como se uma moeda fosse jogada 100 vezes por segundo e o resultado fosse registrado. Como a proporção esperada é de cerca de 50% para cada lado da moeda, a linha na tela flutua, com pequenas variações. Um ou mais voluntários são instruídos a “desejar” que a linha “suba” ou “desça”. Duplas em geral têm mais sucesso. Se estiverem apaixonados, mais marcante o efeito. Alguns relatam uma sensação física peculiar e sabem antecipadamente que nesse dia o resultado será vigoroso. Resultados positivos são obtidos mesmo à distância.

Respire fundo, leitor, calma. Ainda é cedo para qualquer conclusão. Mas pode ser que haja uma dimensão que, como um campo, englobe todos os participantes, já que os responsáveis pela pesquisa não pensavam tratar-se de uma ação do córtex cerebral, embora não tivessem meios de teorizar sobre “o que” estaria em ação.

Blasband, analista reichiano, estruturou seu projeto utilizando uma sala ao lado na qual faz os atendimentos, lá deixando um computador e um REG. Um cronômetro foi utilizado para registro do momento em que, nas sessões, havia uma ab-reação ou uma experiência emocional marcante. Ao final do dia, o computador examinado apresentava uma forte correlação entre as variações agudas nos registros e os momentos anotados. Como se uma “rede” envolvesse os humanos e o computador.

Várias pessoas que amam seus carros dizem que quando alguém gosta do carro, o carro gosta da gente também e não nos deixa na mão. Pode parecer bobagem de início, mas há sinais que indicam que a relação homem-máquina pode incluir elementos ainda obscuros que merecem mais atenção.

NICOLAU JOSÉ MALUF JR, – é psicólogo, analista reichiano, doutor em História das Ciências, Técnicas e Epistemologia (HCTE – UFRJ). Contato: nicolaumalufjr@gmail.com

OUTROS OLHARES

A BUSCA DA BELEZA ETERNA

Maçãs salientes, queixo pontudo, lábios com volume idêntico: como é o tratamento mais adotado por celebridades para atenuar os sinais de envelhecimento

No passado, ter um rosto perfeito exigia um DNA privilegiado ou a ação de um bisturi talentoso. Isso mudou. O código genético ainda tem seu papel, mas agora é o dermatologista que, aos poucos, vem tomando o lugar do cirurgião plástico como realizador de sonhos. A oferta é mais do que tentadora — procedimentos não invasivos que deixam cada cantinho do rosto em perfeito equilíbrio. Em seu conjunto, o cardápio de opções apresenta-se sob uma expressão sedutora: harmonização facial. Esse novo ideal cosmético consiste basicamente no uso da toxina botulínica e do ácido hialurônico para aumentar o volume dos lábios, levantar as sobrancelhas, deixar os maxilares protuberantes, atenuar a perda de volume das maçãs, preencher o bigode chinês e arrebitar o nariz. A promessa é proporcionar uma face mais jovem e, claro, harmônica — embora em casos extremos, como o da celebridade americana Kim Kardashian, cujo rosto já não tem nada original de fábrica, o resultado se afaste (e muito) da harmonia almejada.

Entre as intervenções mais desejadas, o volume nos lábios é o campeão de pedidos nos consultórios dermatológicos. Na casa dos 30, quase 40 anos, beldades como Cléo Pires e Gisele Bündchen já recorreram à técnica. Será que, de fato, era necessário? Por que mulheres tão bonitas acham que precisam de retoques? Uma das explicações, sem dúvida, é a proliferação das redes sociais. A exposição contínua no Facebook, Instagram e afins exige de pessoas que vivem da própria imagem um apuro estético permanente, a necessidade de parecerem sempre belas. Como, na era das selfies, elas são referência para suas seguidoras, tal prática acaba ganhando um impulso ainda maior. “A rede social nos deixa mais expostos. Daí a preocupação em tornar essa imagem melhor”, explica Fábio Saito, diretor de educação médica da Allergan, a maior fabricante de ácido hialurônico e toxina botulínica do mundo. Divulgada no mês passado, uma pesquisa da própria Allergan com entrevistados em dezoito países ajuda a entender a relação entre o desejo de um rosto perfeito e as redes sociais. O levantamento revela que os millennials já não questionam se devem fazer um procedimento estético — a única questão é quando rea­lizar essa intervenção. Outro dado curioso: dos que pensam em aperfeiçoar suas formas, 42% usam apps para modificar a própria imagem. Deve ser por isso que mesmo jovens atrizes como Marina Ruy Barbosa e Luísa Sonza, na casa dos 20 e poucos anos, já adotaram o tratamento.

Evidentemente, o avanço da medicina tem sido fundamental para a expansão da técnica. Há dez anos, os processos de injeções com preenchimentos resultavam em inchaços e duravam menos. O ácido hialurônico, então, era absorvido em seis meses — hoje seus efeitos duram até dois anos. As áreas de atuação também se multiplicaram. Ou, para ficar em um termo dermatológico: avolumaram-se. Para dar projeção aos maxilares, deixando-os marcados à la Taylor Swift, são injetados 4 mililitros de ácido hialurônico em cada lado. Na boca, o recomendado é colocar 1 mililitro na parte superior e outro na inferior (para além disso, corre-se o risco de que a boca se pareça ao bico de um pato). Preço do procedimento: 8.000 reais. Uma harmonização completa em um consultório de alto padrão chega a 30.000 reais.

As novas intervenções coroam uma linha progressiva da medicina cosmética, conquistada com altos investimentos da indústria da beleza. O primeiro preenchedor foi a gordura, utilizada desde os anos 60 na cirurgia plástica para a técnica de lifting. Tinha sérias limitações — irregularidades na pele e aumento de volume se o paciente ganhasse peso depois da cirurgia. O segundo preenchedor foi o colágeno, extraído de animais como o porco e o boi. O resultado durava míseros três meses. Nos anos 90, começa a revolução: o uso do ácido hialurônico como preenchedor de rugas e de vincos (como o chamado bigode chinês). Já neste século, os produtos passaram não só a encher fissuras como também a criar volume — mas com um triste efeito colateral: ao “murcharem”, os preenchedores deixavam as mulheres com cara de buldogue. Hoje, para evitarem esses problemas, os dermatologistas têm injetado versões menos densas e mais maleáveis diretamente no osso, obtendo um contorno firme sem dar volume excessivo à pele. “Em vez de criarmos opulência, causamos uma elevação nos tecidos”, diz o dermatologista Jardis Volpe, que tem pacientes como Luciana Gimenez e Maria Fernanda Cândido.

Essa linha evolutiva, no entanto, teve tropeços e desvios. Talvez o mais notório tenha sido um produto que até recentemente era considerado um rejuvenescedor milagroso: o metacrilato. Fabricado no Brasil, esse derivado de petróleo prometia a chamada “bioplastia”: a transformação do formato do rosto com um material maleável e transparente. Originalmente, o metacrilato era um implante ósseo, mas, em um desvio de finalidade, foi empregado para criar lábios carnudos e maçãs levantadas. Por não ser absorvido pela pele, é possível que o material cause mutações e rejeições de toda sorte. Aplicado em tecidos moles, pode resultar em nódulos, granulações e, o mais grave, infecções. A cantora ­Gret­chen e a ex-primeira-dama do sertanejo Zilu Camargo enfrentaram problemas devido ao uso do metacrilato. Zilu passou por mais de dez cirurgias para remover o material, nem sempre com sucesso, e chegou a ser internada com um quadro de infecção generalizada.

As mulheres são, claro, maioria nos consultórios, mas os homens também estão aderindo à harmonização. Casado com uma dermatologista, o ator Daniel Rocha, 28 anos, repaginou recentemente seu visual. Ele fez o procedimento de preenchimento da boca e tornou seu queixo e maxilares mais protuberantes. O efeito, que deixa o rosto mais masculino, é o grande pedido dos homens nas clínicas de estética.

Embora as fotos de “antes e depois” mostrem evidentes mudanças no rosto das famosas, muitas negam ter se submetido à harmonização. Cléo e Marina Ruy Barbosa juram pela Nossa Senhora do Preenchimento que sua boca é natural. Luísa Sonza admite ter mexido “apenas” nos lábios. Um maquiador que já empetecou todas elas várias vezes, atesta: os traços perfeitos (ops, harmônicos) são milagre do ácido hialurônico. Cada uma faz o que quer do próprio corpo, claro. Só é feio mentir sobre como se chegou à selfie dos sonhos.

CLEO PIRES, 36 ANOS – Cléo tem genes privilegiados: é filha de Gloria Pires e Fábio Jr. Mesmo assim, decidiu fazer diversas mudanças. Apenas 1% da população mundial nasce com lábios de volume idêntico na parte superior e inferior. Cléo preencheu, portanto, a boca para obter o efeito desejado. Maçãs do rosto, maxilares e queixo mostram sinais evidentes de volume. Resultado: bastante visível.

MARINA RUY BARBOSA, 24 ANOS – Uma das atrizes mais lindas do Brasil, Marina Ruy Barbosa detesta falar de procedimentos estéticos. Seus lábios, no entanto, não enganam: foram preenchidos de forma a deixar uniforme o volume das partes inferior e superior. O queixo ficou mais pronunciado. Resultado: efetivo, mas discreto.

BELLA HADID, 22 ANOS – A modelo americana, que faturou 33 milhões de reais em 2018, mudou todo o rosto: afilou o nariz, preencheu a boca e levantou as sobrancelhas. A mudança mais perceptível está no formato do rosto: passou do redondo para o retangular graças às injeções de ácido hialurônico nas maçãs, nos maxilares e no queixo. Resultado: bastante visível.

LUÍSA SONZA, 20 ANOS – A cantora gaúcha reconhece ter colocado somente preenchedor em seus lábios, agora tão carnudos quanto os de Kim Kardashian. Uma análise mais minuciosa, no entanto, mostra outras interferências: nariz levemente arrebitado, maçãs saltadas e queixo afilado e saliente. Resultado: bastante visível.

GESTÃO E CARREIRA

LIDERAR & GERENCIAR: EIS AS PRIORIDADES EM SERVIÇOS

Vamos falar sobre duas funções organizacionais essenciais para obter êxito durante todas as etapas da prestação de serviços: liderar e gerenciar. Hoje as empresas necessitam cada vez mais de práticas, procedimentos e comportamentos de profissionais que estejam alinhados com a missão, a visão e os valores, considerando também fatores internos e externos, oportunidades, ameaças, novas competências e inovações. Nesse contexto, visando atingir os objetivos estabelecidos no planejamento estratégico da empresa, torna-se necessário liderar as equipes de trabalho, bem como gerenciar recursos e processos em consonância com as melhores práticas.

Imagine uma empresa de prestação de serviços que tenha profissionais sem a devida qualificação e capacitação para liderar pessoas e para gerenciar recursos e processos. Por conseguinte, quantas dificuldades poderão surgir? Em relação aos negócios desse setor, cabe ressaltar que, tendo em vista as características específicas de serviços, além de intangibilidade, heterogeneidade e simultaneidade, várias competências são necessárias para os profissionais exercerem as suas funções com sucesso em todas as etapas.

Para liderar pessoas, alguns exemplos de competências são:

1) Estar comprometido com as diretrizes da empresa;

2) Promover as mudanças de paradigmas necessárias juntamente com as pessoas da equipe de trabalho;

3) Identificar e viabilizar a qualificação e a capacitação necessárias das pessoas;

4) Ter uma visão holística do mercado de atuação e das oportunidades;

5) Identificar e atender às necessidades dos stakeholders;

6) Ter flexibilidade e autonomia nas atitudes e nas decisões nos momentos de adversidades e de desafios;

7) Identificar e viabilizar o crescimento profissional dos talentos;

8) Implementar ações inspiradoras para manter a harmonia, a integração, a criatividade e a sinergia positiva das pessoas que compõem a equipe de trabalho;

9) Ter compromisso com a melhoria contínua, com as inovações tecnológicas e com os objetivos a serem atingidos;

10) Ter habilidade na comunicação das informações, orientações, feedbacks e decisões;

Em relação a gerenciar recursos e processos, também menciono algumas competências:

1) Estar comprometido com as diretrizes da empresa;

2) Mapear os processos de prestação de serviços;

3) Elaborar o planejamento;

4) Elaborar o orçamento;

5) Controlar e avaliar os resultados de desempenho de empresas terceirizadas;

6) Controlar as práticas e os recursos financeiros;

 7) Coordenar as atividades de sua área;

8) Elaborar, implementar, controlar e melhorar constantemente os planos de ações;

9) Controlar e avaliar periodicamente os resultados de desempenho da empresa. Também fica evidenciado que o profissional que gerencia as atividades de prestação de serviços tem foco no controle, na eficiência.

Cabe observar que, para o responsável pela equipe de trabalho delegar autoridade e responsabilidade, é fundamental que as pessoas da equipe não só estejam tecnicamente e emocionalmente habilitadas, bem como sejam orientadas adequadamente e recebam os recursos necessários para a realização do serviço. Assim, hoje em dia, devido a vários aspectos relativos ao setor de serviços, o profissional dessa área precisa ter a percepção de que existe momento em que é preciso gerenciar, ou seja, são funções que se complementam perfeitamente e são prioritárias no dia a dia da empresa.

Por fim, considerando o exposto, destaco que o profissional do setor de serviços responsável por um setor ou por uma equipe de trabalho cada vez mais terá de ter as competências para liderar e também para gerenciar. Eis o desafio!

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A ARTE DE QUEBRAR ROTINAS

O hábito de sair de férias com a família vai muito além de um simples tempo de lazer e descanso. Esse ócio pode representar renovação nas relações sociais e de maior produtividade

Um sistema não é, apenas, a soma de partes, é a integração delas. O desequilíbrio em uma parte pode abalar as outras. Uma mudança mexe com um sistema: um elo que se rompe e uma corrente perde sua unidade, se transforma. Reverte-se em sofrimento, cada mudança incerta, visto que seguimos as rotinas como situações acomodadas, alheias à necessidade de esforço, porque naturalmente seguem o modelo conhecido, que se repete. Isso dá tranquilidade, segurança e… Desejo de desafios diferentes!

O ser humano é mesmo contraditório, não é? Precisamos de rotinas… E precisamos de férias! Precisamos de um lugar para chamar de “nosso” e de um lugar “não nosso”, com gosto de “descobertas”. Que sejam boas as duas opções, tão opostas que parece ser uma arte de quebrar rotinas, ao criar ferias que não sejam frustrantes ou mais cansativas que o próprio dia a dia.

Como os desafios não vêm sozinhos, nem sempre as férias da família coincidem. Nesse caso, as férias das crianças representam mais problemas do que soluções: reunir paz e alegria, proximidade familiar, sem alterar o tempo livre disponível dos adultos? Bem, férias merecem reflexão!

Férias são convites a uma quebra no trabalho que convém ser pensada com arte. Às vezes, nas férias, o plano dos adultos é vencer a perturbação que as crianças representam para eles ao ter mais tempo livre em casa e até oferecem presentes para isso, em vez de imaginar, realmente, como aproveitar esse momento tão importante para toda a família.

É a organização e a habilidade conjunta de planejamento que caracterizam o pensamento como fonte de grandes ideias. As estratégias e ações resultam de processos que não ocorrem por acaso: seguem por caminhos desvendados pela neurociência, com conquistas que permitem ir além de uma meta inicial, quando há integração de propostas.

As férias devem seguir os processos de resolver problemas e convém pensar em prevenção, ou seja, é interessante planejar com cuidado e gosto, considerando as idades, as preferências e as possibilidades dos integrantes desse tempo “diferente”, incomum. Não se trata de quantidade, mas de qualidade do tempo despendido em conjunto com seus pares. Aquele lugar divertido pode ser uma praça que nunca dá tempo de todos explorarem juntos, onde se tiram fotos e se brinca até perder o fôlego. Os programas podem até ser diferentes para cada um, desde que haja um momento de real interesse para reunir as experiências e compartilhar os momentos.

O pressuposto adotado pelas organizações de trabalho aponta que organizações saudáveis são construídas para reduzir riscos psicossociais e a família é uma organização onde pessoas trabalham (ou estudam, o que é uma ação correspondente para os mais jovens).

As características dos riscos associados ao estresse no trabalho (dos quais as crianças não estão livres na escola) estão ancoradas em fato­ res que atravessam desde o âmbito individual, microssocial, ao macro­ estrutural. Em um ponto intermediário entre essas instâncias está a família, sujeita a potentes forças que lhe são externas, mas ela, em si, é de suma importância neste processo de adoecimento (o estresse é um fator de risco para adoecimento).

Quando se diz que as interações humanas dão origem a modos de pensar, sentir e agir idiossincráticos, a referência é posta na ideologia que prevalece no grupo. Em suma, podemos argumentar que aproveitar as férias equivale a entender a cultura familiar: história, regras, estrutura, políticas, estratégias, processos operacionais, contexto e assim por diante. Em outras palavras, se for difícil desenvolver a arte de quebrar rotinas, saiba que existem livros com propostas que seguem até a atividade ideal para cada idade, pensadas para tornar proveitoso esse tempo livre. Esse ócio com certeza se torna processo produtivo lá na frente.

Se valores estão no alicerce das relações familiares, das estratégias, das tomadas de decisão, dos planejamentos e das execuções revelados nas práticas ou procedimentos de vivência familiar, uma pergunta se torna forçosa: o que representam a saúde, inclusive a saúde mental, a alegria, a convivência, enquanto valores familiares?

Sem dúvida, é ilusório concluir que é fácil responder tal pergunta, mas podem ser oportunidades de diferentes graus de liberdade de expressão, de novas experiências de empatia (pensar no outro, não em si, apenas), de formas de chegar à concordância. Restrições insensatas, repressões injustificadas ou falta de limites são fortes indicadores de práticas propícias a danos psicossociais que desencadeiam o estresse patológico e transformam momentos de lazer em sacrifício, não importando o custo financeiro que o evento signifique.

O primeiro passo, como é comum cm processos similares, é identificar os estressores e discutir como lidar com eles – regras são sempre bem-vindas para o sucesso de uma arte, uma expressão, sem ser agressiva a ninguém. Não há exagero em afirmar que o relacionamento humano está cada vez mais ameaçado e que as boas práticas começam em casa. É ótimo planejar os rumos para a arte de quebrar rotinas, no contexto democrático de decisões, que servirão para a prática da rotina diária, após as férias de toda a família, em qualquer tempo.

LUIZA ELENA L. RIBEIRO DO VALLE – é psicóloga, doutora em Ciências no Departamento de Psicologia Social {USP/SP). Mestre em Psicologia Escolar e Educacional {PUC-Campinas). MBA Executivo em Psicologia Organizacional (AVM-Brasília), extensão em Gestão de Pessoas (FGV). Formação em Coaching (Lambent), especialização em Psicologia Clínica (CFP) na linha Cognitivo-Comportamental, consultora em Psicopedagogia, autora de livros

OUTROS OLHARES

VIDAS EM EVIDÊNCIA

Com seus carrinhos abarrotados de sucata, 800 mil catadores de material reciclável zanzam pelas ruas brasileiras. Presença constante, um exército de Invisíveis. Para dar voz a essas pessoas, em 2012, então com 26 anos, o grafiteiro e ativista Mundano (ele nunca usa o nome de registro) decidiu levar sua arte para além dos muros da capital paulista. Transferiu-a para as carroças dos catadores. Assim nasceu o movimento Pimp my Carroça. A iniciativa frutificou e, em julho de 2017, Mundano lançou o Cataki, um aplicativo gratuito que conecta catadores a geradores de resíduos – ou seja, todos nós. “Esses profissionais merecem remuneração justa. Pois, além de árduo, o trabalho deles é essencial para o meio ambiente”, diz Mundano. “Além de não reciclar, governo e empresas fingem que o catador não existe.” Praticamente tudo (90%) do pouco (3.7%) que o Brasil recicla passa pelas mãos dos catadores. “O Catakl não só reconhece e valoriza o trabalho dos catadores como pretende aumentar os índices de reciclagem, preservando o meio ambiente·, diz Henrique Ruiz, coordenador do projeto. O pagamento do catador não é obrigatório, mas recomendado. Até agora, o Cataki está com 2.050 catadores e cooperativas, 150 mil downloads e se faz presente em 360 cidades. Vidas já foram transformadas. Vários deles já passaram da carroça para um carro; de um carro para um caminhão, e de um caminhão para dois, três… Entre os prêmios já recebidos pelo Cataki, o mais recente foi o do júri popular do Chivas Venture, premiação global de inovação e impacto social. Dos 20 finalistas, Mundano era o único brasileiro.

GESTÃO E CARREIRA

EMPREENDER COMO PLANO DE CARREIRA

Ao contrário do tradicional pensamento de estudar e estabilizar-se em uma grande empresa, os jovens de hoje veem no empreendedorismo o caminho principal para sua carreira profissional

No ano passado, o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Empreendedorismo e de Startups para a Juventude, que busca, entre outras coisas, incentivar o empreendedorismo para a juventude, gerando oportunidades, renda e garantindo um futuro aos jovens. É uma resposta natural ao cenário mundial de empreendedorismo, no qual cada vez mais os jovens escolhem fazer e desenvolver suas próprias empresas, produtos e serviços. Tanto que, das mais de 12 mil startups mapeadas pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups), 14% dos empreendedores encontram-se na faixa de 20 a 24 anos e 67% deles têm entre 25 e 40 anos. “O perfil geral são jovens criativos e curiosos com acesso à tecnologia, que querem criar soluções para diferentes problemas e ainda ganhar dinheiro no processo”, afirma o presidente da Abstartups, Amure Pinho.

Isso significa que o empreendedorismo está cada vez mais sendo levado em consideração como plano de carreira pelos jovens e adolescentes, inspirados por modelos como Mark Zuckerberg e nas startups de sucesso, substituindo o tradicional sonho de entrar para grandes empresas e conseguir estabilidade financeira e de plano de carreira em longo prazo. É uma tendência forte no Brasil e no mundo que tem revelado grandes talentos para a inovação. No entanto, nem sempre as habilidades criativas caminham ao lado da aptidão para liderança e gestão igualmente desenvolvidas, por isso o Plano governamental incentiva parcerias e iniciativas que buscam ensinar o jovem a pensar e colocar em prática produtos e serviços inovadores e que possam se tornar negócios.

Isso porque, em um cenário de crise, investir nas próprias ideias acaba se tornando a única solução viável em muitos casos. Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2017), com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o percentual de pessoas de 18 a 34 anos que têm negócios em fase inicial atingiu a marca de 57% em 2017, o que representa mais de 15 milhões de jovens. Esse mesmo estudo mostrou que a taxa de empreendedorismo total atingiu a marca de 36,4%, o que representa quase 50 milhões de pessoas.

EVOLUÇÃO ORIENTADA

O perfil do jovem brasileiro mudou. Para o professor de empreendedorismo e coordenador dos cursos Engenharia Elétrica e de Computação da UniCarioca, Marcos Ferreira, o que sempre moveu o homem e hoje é mais latente é a motivação. Empreender, ou seja, pôr em prática ideias com iniciativa, ousadia e criatividade – e ainda, se possível, com alguma inovação – é algo que vem do coração, é muito forte, quando se empreende por vocação. “Concretizar essa vocação latente é uma necessidade de vida, em vista que, nesses casos, só se encontrará felicidade respondendo a esses anseios de construir e realizar o que brota na alma”, diz o docente.

“Já empreender por necessidade é um movimento que se faz na busca por alternativas, para atender às carências de um mercado de trabalho com poucas oportunidades, o que é uma característica forte e muito presente no Brasil de agora. Dessa forma, a necessidade imposta pela falta de oportunidades representa, hoje, a principal motivação das pessoas para se lançarem no mundo dos negócios. Na verdade, empreender por vocação não é o que move a maioria dos brasileiros. Muitos almejam ter um bom emprego, pois isso é algo que dá mais segurança (envolve menos riscos) e a sociedade valoriza mais. Porém, obter sucesso no ato de empreender por vocação ou necessidade é algo que realmente faz a alma transbordar”, reforça Ferreira.

Em geral, todo mundo tem um empreendedor dentro de si, em muitos casos, adormecido, não descoberto. “Minha função e de outros docentes é, em certa medida, funcionar como ‘parteira’ e ajudar os alunos a descobrir esse aspecto, vocação e habilidades. Os grupos de discussão, os trabalhos em sala de aula e as leituras recomendadas servem para despertar essa característica em cada um junto com as técnicas e ferramentas que serão essenciais e os ajudarão a alcançar o sucesso, caso venham empreender algum dia”, pondera.

MOTIVAÇÃO GLOBAL

Não há um consenso quando se trata de características do empreendedor, mas garra, perseverança e automotivação são unânimes entre os bem-sucedidos. Na opinião de Gabriela Gusman, 27 anos, formada em Letras pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), mas que deixou o diploma de lado para empreender na Vênus Estúdio Criativo – agência de comunicação focada em branding e estratégica -, uma boa qualidade desses empreendedores é ter urna visão holística, integrativa do negócio. “Eu já cometi alguns erros nesse sentido e vejo muitos jovens empreendedores também pecando em ter uma visão muito ‘reta’, muito superficial. É necessário conseguir parar para analisar o produto oferecido, o serviço, o que de valor está sendo entregue, para aí ver quais fatores estão desalinhados, por que certas coisas não estão funcionando ou poderiam estar melhor”, pontua a jovem empresária.

Não existe uma receita exata quando se trata do empreendedorismo de sucesso, o importante é enxergar oportunidades e desenvolver habilidades para supri-las. Nesse caminho, segundo o diretor comercial da Sage, Jorge Santos Carneiro, os jovens buscam propósito e soluções para problemas reais do cotidiano das pessoas. “É um movimento que vai mudar totalmente as formas de trabalho no futuro. Na nossa empresa, por exemplo, temos estimulado o ensino aos jovens, aplicando programas de empreendedorismo extracurriculares aos alunos através da Sage Foundation e parcerias com ONGs voltadas para empoderamento de jovens, sendo um caminho interessante para fomentar o empreendedorismo em jovens”, diz.

CARACTERÍSTICAS PESSOAIS

A unanimidade fica por conta de que é um conjunto enorme de fatores que desencadeiam algum desequilíbrio lá na frente. O ideal é conseguir ver esse “todo”, ou seja, enxergar o negócio como um ecossistema, o que ajuda muito a detectar problemas ou possíveis desequilíbrios que mais tarde causariam dor de cabeça. Nesse sentido, a vontade de autoconhecer e autodesenvolver de forma contínua deve estar interligada no indivíduo. Gabriela lembra que empreendedores que acham que já sabem totalmente quem são, dotados de verdades absolutas, podem cometer erros muito graves no negócio.

“Autoconhecimento é poder. Muitas vezes, nosso maior inimigo e concorrente somos nós mesmos. Se não trabalharmos o nosso ego e nossas sombras, a tendência é sermos engolidos uma hora ou outra. Agora, se conhecemos nossos mecanismos de defesa, de autossabotagem, já temos muita vantagem e conseguimos escapar das armadilhas que criamos para nós mesmos”, opina Gabriela.

Vale lembrar que, mesmo no empreendedorismo por necessidade, é preciso estratégia e muito planejamento para a implementação de qualquer negócio. “Empreendedor não é apenas quem tem negócio próprio. É possível e necessário ser empreendedor trabalhando para um terceiro, dentro de empresas dos mais variados setores. Mais do que um modelo de negócios, o empreendedorismo é um estado de espírito”, ressalta Carneiro, da Sage.

ENSINANDO

Na rede de franquias de Ensino Infantil, Fundamental e Médio Maple Bear, empreendedorismo é uma matéria ensinada no dia a dia das próximas gerações. “Acreditamos que a formação sólida, que prioriza o autoconhecimento e autonomia, é decisiva para a conquista de um mundo de possibilidades. Por isso, ser empreendedor é ser visionário, olhando o mundo sob a perspectiva de oportunidades. Nosso programa privilegia a observação, a resolução de problemas e a tomada de decisões. Então, as possibilidades de aprender a empreender são infinitas”, diz o CEO da Maple Bear, Arno Krug.

Para o perito em educação, o estímulo ao aprendizado deve acontecer em todas as esferas e começa sempre na escola. incentivar a experimentação, promover o desafio intelectual, descobertas e a solução de problemas desde os primeiros anos da infância ajudam a formar um cidadão mais consciente e criativo, aberto para visualizar novas oportunidades em todos os momentos da sua vida. “A criatividade é um fator primordial para empreender. Fugindo dos estímulos tradicionais, sem impor algo, mas apresentando de forma criativa e com uma metodologia fundamentada na experimentação, na descoberta e no compartilhamento de informações. Dessa maneira, é possível desenvolver nos alunos a autonomia e uma verdadeira paixão pelo aprendizado”, diz Krug.

Em geral, especialistas apontam que é importante sempre buscar construir o conhecimento e expandir a criatividade ao compartilhar informações, comparar ideias, interpretar linguagens e desenvolver o pensamento crítico. A base de uma educação de qualidade é a descoberta.

Outra iniciativa que tem dado certo, desta vez, público-privada, é da Sage, multinacional britânica líder em softwares de gestão na nuvem, em parceria com a Junior Achievement São Paulo, instituição centenária que promove o empreendedorismo em jovens do mundo todo, que ajuda os alunos da ETEC Polivalente de Americana a desenvolverem aplicativos de celular para solucionar problemas e dificuldades encontrados no cotidiano das pessoas. Com o nome de StartApp, o projeto é um laboratório de criação de aplicativos que tem como objetivo incentivar o voluntariado junto aos seus funcionários como forma de retribuição às comunidades onde atuam. Como resultado, os alunos, divididos em grupos, desenvolveram cinco ideias de apps em diversas áreas, de auxílio na comunicação com crianças que apresentam transtorno do espectro autista até aplicativos para auxiliar estudantes das universidades a procurarem morada em repúblicas, todos viáveis de serem realmente implementados.

“Desenvolver as habilidades de criatividade e espírito de equipe desde a infância é muito importante para qualquer atividade que vá desempenhar ao longo da vida. É preciso pensar que a escola tem um poder incrível de incentivar essas habilidades que contribuirão para o desenvolvimento de um empreendedor. Hoje, o mercado necessita de pessoas que saibam trabalhar em equipe e sejam criativas no dia a dia dos negócios”, conclui o diretor da Sage, Jorge Santos Carneiro.

SEIS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS NO PERFIL DE UM EMPREENDEDOR

PROATIVIDADE – O empreendedor precisa estar antenado com o mercado e pronto para abraçar as oportunidades e para correr riscos calculados, sem ter medo do desconhecido.

EFICIÊNCIA E QUALIDADE – É preciso ser apaixonado pelo que faz, ser comprometido e cumprir o que promete. Acima de tudo, buscar sempre uma forma de melhorar a qualidade do seu produto ou serviço, comparando com a concorrência e sempre pela ótica do cliente.

SER PERSISTENTE – É necessário ser resiliente e saber adaptar-se às mudanças, superar obstáculos e resistir às pressões financeiras ou de expectativa por resultados. Persistência deve ser a sua palavra de ordem, buscando sempre superar o cansaço e o desânimo e, sempre que necessário, colocar a mão na massa.

ATENÇÃO E OPORTUNIDADE – O empreendedor deve ter a internet como uma forte aliada para buscar informações antes de começar um negócio, interagir com os clientes, pesquisar fornecedores e concorrentes. Informação, planejamento e comunicação formam a chave para o sucesso de um negócio.

ORGANIZAÇÃO – Planejar bem deve estar no início da jornada, pois, neste momento, o empreendedor de sucesso descobrirá os caminhos a percorrer e definir as metas do seu negócio. As etapas devem estar desenhadas e o caminho deve ser monitorado por meio de indicadores.

COMUNICAÇÃO E LIDERANÇA – Ser capaz de transmitir confiança e saber se comunicar são fundamentais para o empreendedor, que deve buscar uma comunicação assertiva, além de demonstrar confiança na sua capacidade de produzir resultados.

FONTE: MARCOS FERREIRA, docente da Uni Carioca.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO TREZE – LÍDERES DEVEM CAPACITAR OUTROS E NÃO EXPLORÁ-LOS

“Se uma pessoa alinha sua atitude com relação ao dinheiro, então quase todas as áreas de sua vida estarão alinhadas.” — Billy Graham

Pensamento-chave: Líderes virtuosos permanecem livres de cobiça e operam na maior integridade em todas as questões pertinentes a finanças.

Uma questão fundamental que todos os líderes devem encarar é se eles irão capacitar ou explorar outros. Líderes espirituais que estão livres da cobiça sempre buscarão o bem-estar e o benefício daqueles a quem ministram. Quando Paulo deu orientações a Timóteo, para líderes de igreja, muito do que ele disse tinha a ver com o caráter do líder, com questões relacionadas às suas atitudes quanto a dinheiro e como eles lidariam com ele.

Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?); Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo. — 1 Timóteo 3:1-7 (ACF)

Duas das afirmações citadas acerca das qualificações para líderes espirituais são referências diretas a questões financeiras.

•   Não cobiçoso de torpe ganância (versículo 3).

•   Não avarento (versículo 3).

Diversas afirmações têm, pelo menos, uma aplicação indireta com questões financeiras:

•   Irrepreensível (versículo 2).

•   Vigilante — significa autocontrolado (versículo 2).

•   Sóbrio — significa alguém que vive sabiamente (versículo 2).

•   Honesto — significa que alguém tem boa reputação (versículo 2).

•   Governa (ou gerencia) bem a própria casa (versículos 4, 5).

•   Cuida da igreja de Deus (versículo 5).

•   Tem um bom testemunho dos que estão de fora (versículo 7).

Enquanto a maior parte do serviço cristão é feita por voluntários, é certamente apropriado para pastores e outros que trabalham extensivamente para o Senhor, serem compensados financeiramente e serem compensados generosamente quando possível. Considere as seguintes declarações feitas por Jesus e Paulo:

•   “… porque digno é o trabalhador do seu salário” (Lucas 10:7).

•   “… ordenou também o Senhor aos que pregam o Evangelho que vivam do Evangelho” (1 Coríntios 9:14).

•   “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na Palavra e no ensino. Pois a Bíblia declara:

Não amordaces o boi, quando pisa o trigo. E ainda: o trabalhador é digno do seu salário” (1 Timóteo 5:17-18).

Analistas há muito perceberam que igrejas que cuidam bem dos seus ministros tendem a prosperar e vão muito bem, enquanto aquelas que são “econômicas” nessa área e são fechadas com relação aos salários de seus ministros tendem a não irem tão bem.

Em ocasiões, Paulo voluntariamente se abstinha de receber compensação financeira de certas igrejas. Algumas vezes, isso foi, provavelmente, apenas por uma questão logística: a igreja estava em seu início e não era capaz de oferecer muito auxílio. Outras vezes, Paulo estava demonstrando a pureza dos seus motivos, então ele não seria acusado de ministrar simplesmente por dinheiro. Paulo recebeu auxílio missionário em algumas ocasiões (veja Filipenses 4:15-18), enquanto, em outras, ele era o que chamava de ministro “bivocacional”. Em pelo menos três cidades onde Paulo ministrou, ele exerceu a sua função bivocacionalmente:

•  Corinto — “… posto que eram do mesmo ofício, passou a morar com eles e ali trabalhava, pois a profissão deles era fazer tendas” (Atos 18:3).

•  Éfeso — “De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes; vós mesmos sabeis que estas mãos serviram para o que me era necessário a mim e aos que estavam comigo. Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: mais bem-aventurado é dar que receber” (Atos 20:33-35).

•  Tessalônica — “Nem jamais comemos pão à custa de outrem; pelo contrário, em labor e fadiga, de noite e de dia, trabalhamos, a fim de não sermos pesados a nenhum de vós; não porque não tivéssemos esse direito, mas por termos em vista oferecer-vos exemplo em nós mesmos, para nos imitardes” (2 Tessalonicenses 3:8-9).

É ótimo quando o trabalho dos pastores pode ser plenamente amparado pela igreja. Logisticamente, os pastores são capazes de produzir muito mais na obra do Senhor quando eles podem focar completamente em seus ministérios. Entretanto, jamais deveríamos minimizar as importantes contribuições daqueles que servem bivocacionalmente. Gosto do que Rick Warren escreveu no seu livro “Uma Igreja com Propósito”: “Eu dedico este livro aos pastores bivocacionados ao redor do mundo: pastores que, fiel e amorosamente, servem em igrejas que não são grandes o suficiente para prover um salário integral. Vocês são os verdadeiros heróis da fé em meu ponto de vista”.

Tão apropriado quanto é para ministros serem bem recompensados pelo seu trabalho, existem vezes e ocasiões, quando líderes espirituais conscientes, recusarão certos tipos de verbas, alicerçados em fundamentos éticos ou morais. Por exemplo:

•  Abrão (Abraão) disse “não” ao rei de Sodoma: “E juro que nada tomarei de tudo o que te pertence, nem um fio, nem uma correia de sandália, para que não digas: eu enriqueci a Abrão” (Gênesis 14:23).

•  Um profeta, anônimo, recusou dinheiro do rei Jeroboão, para que não parecesse que uma cura poderia ser paga (1 Reis 13:6-10).

•  Eliseu também recusou prata, ouro e roupas de Naamã para que não parecesse que uma cura poderia ser paga. Quando Geazi, servo de Eliseu, tentou tomar posse desses espólios escondido do profeta, ele foi exposto e a lepra veio sobre ele (2 Reis 6:15-27).

•  Pedro se recusou a aceitar dinheiro de Simão, o Mágico, como pagamento por um dom espiritual (Atos 9:18-23).

•   Como mencionado, Paulo recusou uma compensação que, tecnicamente, ele tinha o direito de receber. Ele disse aos coríntios: “… e, estando entre vós, ao passar privações, não me fiz pesado a ninguém; pois os irmãos, quando vieram da Macedônia, supriram o que me  faltava; e, em tudo, me guardei e me guardarei de vos ser pesado… não me será tirada esta glória nas regiões da Acaia… o que faço e farei é para cortar ocasião àqueles que a buscam com o intuito de serem considerados iguais a nós, naquilo  em  que  se  gloriam”  (2  Coríntios  11:9-10, 12  veja  também  1 Coríntios 9:11-18).

Por que esses homens de Deus, nessas situações únicas, recusariam dinheiro?  Por que líderes espirituais, hoje em dia, em certas situações, recusariam dinheiro?

•   Algumas vezes é uma questão de princípio.

•   Algumas vezes isso daria a impressão errada.

•   Algumas vezes o doador não tem a melhor das intenções.

Cícero, um estadista romano que morreu algumas décadas antes do nascimento de Cristo, disse: “Mas a principal questão em toda administração e serviço público é evitar até a menor suspeita egoísta”. Que percepção fenomenal. Como é importante, hoje, que líderes não se envolvam em qualquer prática que pareça egoísta.

Existem maneiras certas, bem como maneiras erradas, para prosperar. Provérbios 28:20 diz: “O homem fiel será cumulado de bênçãos, mas o que se apressa a enriquecer não passará sem castigo”. Semelhantemente, Provérbios 10:22 nos diz: “A bênção do SENHOR enriquece, e, com ela, ele não traz desgosto”.

Líderes espirituais precisam estar cientes das ciladas e prisões que podem ocorrer quando eles usam sua influência inapropriadamente para promover certos negócios ou investimentos financeiros. Os crentes não deveriam imaginar se o interesse do líder espiritual em suas vidas é de natureza pastoral, ou se o líder espiritual está simplesmente querendo se capitalizar em cima deles como uma potencial fonte de recurso. Como regra geral, é bom manter os assuntos da igreja e os negócios/investimentos pessoais completamente separados.

Ocasionalmente, pastores são procurados por pessoas que querem que eles usem a sua influência espiritual de modo a recrutar outros para participarem em uma transação comercial ou algum tipo de oportunidade de investimento. Na turbulenta economia atual, até mesmo investimentos legítimos podem ir mal. Se os crentes perdem dinheiro porque um líder espiritual, em quem eles confiavam, os incentivou a fazerem um investimento em particular, então esse importante relacionamento pode ser seriamente comprometido. Se as pessoas se ofenderem porque perderam dinheiro em uma transação financeira promovida pela igreja ou por um dos seus líderes, elas provavelmente podem deixar a igreja, ou pelo menos, perder a confiança naquele líder.

EVITANDO O AGUILHÃO DO CRISTÃO VIGARISTA

Jim Guinn é um contador com décadas de experiência em ajudar igrejas e ministérios com suas necessidades contábeis. Jim escreve:

Nos últimos anos, promotores inescrupulosos, afirmando serem cristãos têm, literalmente, tomado milhões de dólares de outros cristãos em acordos de petróleo ilegítimos, esquemas de minas de ouro, pirâmides de marketing multinível e outros esquemas “fique rico rápido”. Que tragédia para ministros e membros de igrejas que trabalharam duro sua vida inteira para economizar para a sua aposentadoria, ou para a educação dos seus filhos, serem enganados em suas economias. Se você for procurado por um promotor de investimentos, considere o seguinte:

•   Se o investimento parece bom demais para ser verdade.

•  Se esse único investimento supostamente irá torná-lo rico, talvez seja um esquema “fique   rico rápido” e, provavelmente, não é um investimento saudável.

•   Se a pessoa que está promovendo o investimento exige dinheiro antes de fornecer todos os detalhes do investimento para você, considere isso uma bandeira vermelha. Jamais efetue sequer um pagamento inicial sem entender completamente os riscos e possibilidades desse investimento.

•  Se o tal promotor não oferece declarações financeiras mostrando os resultados de empreendimentos similares, e declarações financeiras demonstrando a sua estabilidade financeira ou da sua empresa, não invista.

•  Se o tal promotor o desencoraja a não consultar o seu assessor financeiro, o seu contador ou o seu advogado devido à natureza secreta do investimento, suspeite. Isso é uma indicação de que esse investimento não é saudável.

•  Se o tal promotor lhe diz que o investimento irá torná-lo rico, ajudando-o a dar dinheiro para as igrejas e ministérios a fim de espalharem o Evangelho e ganhar o mundo para Deus, não invista. Em certo sentido, ele está pedindo a você para subornar Deus para que abençoe o investimento.

•  Se o tal promotor não oferece referências que se possam verificar de investidores anteriores, não invista.

•  Quando a taxa de retorno prometida em relação ao montante investido é altamente exorbitante, considere isso um sinal de alerta. Esse tipo de investimento é, quase sempre, bom demais para ser verdade.

•  Se o produto ou o plano de marketing a ser financiado pelo seu investimento é tão   complicado que você não consegue entender completamente como o seu dinheiro será  usado, ou como você irá receber o retorno prometido, não se envolva nesse investimento.

•  Quando o promotor tentar apressá-lo a investir porque a oportunidade de investimento é limitada e rápida, não invista. Sempre tome o tempo que for necessário para conferir a oportunidade.

•  Muitos promotores empregam técnicas designadas para usar as suas crenças para tirar vantagem.

Cuidado quando:

•   O promotor cita versículos bíblicos como base para o investimento.

•   A lapela do promotor está coberta com broches de organizações religiosas, implicando que ele apoia as mesmas organizações que você.

•  O promotor faz alarde de seus relacionamentos com várias organizações cristãs, por exemplo, como a posição dele no conselho de um ministério (especialmente um que ensina uma doutrina de prosperidade), para induzi-lo a fazer o investimento.

•  O promotor menciona o seu forte status de relacionamento em uma igreja, como um estímulo para encorajá-lo a investir (por exemplo: “Eu sou um membro do mesmo tipo de  igreja que você e, já que somos irmãos, você deveria me ajudar e ajudar a si mesmo   investindo comigo”).

•  O promotor lhe informa que você é um dos “poucos selecionados” a receberem a oferta   dessa oportunidade de investimento. Se é um promotor, é legítimo que ele irá oferecer o investimento para qualquer investidor qualificado.

Considerações espirituais não são inapropriadas quando se toma decisões financeiras. Acreditamos em pedir a ajuda de Deus. Entretanto, não está certo cristãos serem enganados por promotores que revestem maus investimentos com uma aparência de “religiosidade”. É bom que uma pessoa apoie um ministério, e não há nada de errado em usar broches de lapela. É bom que uma pessoa seja um membro forte de uma igreja e louvável que ela compartilhe com a igreja o dinheiro adquirido de um investimento para promover o Evangelho. Mas a sua decisão de fazer um investimento alicerçado apenas nesses critérios, em vez de critérios econômicos, pode custar muito caro e até mesmo levar à falência. A maioria das riquezas vem do trabalho duro.

Lembre-se, um fazendeiro não pode ter uma colheita a menos que ele tenha trabalhado para semear o grão. Não espere mais do que um retorno honesto para um recurso investido honestamente. Se um investimento em potencial parece bom demais para ser verdade e está sendo promovido essencialmente sem considerações econômicas, afaste-se desse promotor o mais rápido possível. Contente-se com investimentos que oferecem taxas de retorno razoáveis e legítimas. Investimentos seguros raramente oferecem taxas de retorno exorbitantes.

Sem dúvida, alguns cristãos bem-intencionados — inclusive líderes — foram enganados a promover, inocentemente, alguma coisa que eles verdadeiramente pensaram que seria útil. Jamais permita que a alegada cristandade de alguém o embale em um senso de descuido, levando-o a negligenciar práticas e princípios sadios de negócios. Fique alerta contra pessoas que usam a igreja e o seu relacionamento com o pastor para obter investimentos das pessoas ou para promover os seus negócios.

É imperativo que líderes espirituais sejam sábios, que eles conservem os seus corações livres da cobiça e de práticas que sejam egoístas. Nos piores cenários, nos quais um líder está explorando as pessoas, a repreensão dada por Deus, por intermédio de Ezequiel, ainda pode ser aplicada hoje: “Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize-lhes: assim diz o SENHOR Deus: ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas” (Ezequiel 34:2-3).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PREPARO PARA A MORTE

A extrema dificuldade em lidar com a morte por medo do desconhecido varia de acordo com as culturas e o momento histórico

O tema morte suscita, além do medo, um tipo de curiosidade que nunca será satisfeita, pois nos remete a emoções e vivências de estranheza: estamos diante do desconhecido. Segundo a Psicanálise, isso ocorre porque as experiências vivenciadas pelo ser humano, desde a vida intrauterina, deixam traços, marcas profundas que serão reativadas no decorrer do tempo, quando nos depararmos com situações semelhantes àquelas já vividas. Nesses momentos seremos remetidos às mesmas emoções das experiências primordiais, das quais geralmente não conseguimos resgatar lembranças. Para Freud, essa era a razão da vivência de estranheza diante da morte. Uma das maiores dores emocionais do ser humano é a perda de alguém amado, e o processo de metabolização emocional dessa perda é doloroso e longo, durando em torno de dois anos nas estimativas mais otimistas. O pranto pelo ser amado perdido contém inconscientemente as angústias pela perda da própria vida.

A atitude e convivência do ser humano para com a morte varia de acordo com as culturas e o momento histórico. Há cerca de 50 anos, a maioria das pessoas morria em casa, pelos mais variados motivos, como velhice ou doenças. Nesse contexto havia a oportunidade para quem se despedia da vida de poder conviver com seus familiares até os últimos instantes, o que permitia que o afeto pudesse fluir entre todos, as despedidas podiam acontecer, amor e ódio serem elaborados e reparações realizadas. Assim, podíamos dizer que havia um ambiente acolhedor ao processo da morte, às dores das perdas dos que ficavam, mas, principalmente, daquele que vivenciava o processo da despedida. Era uma morte afetiva, acolhida. O morrer era vivenciado por todos como um processo triste, porém natural, como mais um ciclo da vida que se encerrava. Entretanto, esse contexto deixou de existir na atualidade ou pode ser encontrado somente entre algumas civilizações.

Ao traçar uma comparação com a maneira como se lida com a morte no momento atual, observamos que na grande maioria dos casos a morte ocorre em hospitais. Graças ao desenvolvimento cada vez mais acelerado da medicina surgiram condutas muito eficazes para o tratamento de doenças graves, traumas, e muitas situações que eram letais possuem resolução e devolvem o ser humano à vida.

Porém, nosso interesse aqui é refletir sobre o prolongamento da vida, principalmente nas unidades de terapia intensiva, de pessoas muito idosas ou com patologias graves irreversíveis que são mantidas vivas artificialmente, por meio de aparelhos que não deixam que o corpo pare de funcionar, mesmo que a vida esteja suspensa nas demais áreas.

Uma das consequências de a morte ter sido descontextualizada do aconchego do lar e do envolvimento afetivo familiar é ter se tornado “asséptica”. Os familiares são mantidos afastados e privados de terem a oportunidade de realizar uma despedida digna do ser amado que se vai. Afastar quem se vai do aconchego do lar e do contato afetivo com familiares é condenar a pessoa a morrer antes da chegada da morte de fato. Com as práticas recentes para se lidar com a iminência da morte houve praticamente a corroboração dos preconceitos que sempre existiram no imaginário do ser humano a respeito da morte, ao deixar de ser vivenciada como um processo natural, um fato da vida, para se tornar muitas vezes um segredo, ser envolta em desconhecimento, se tornando mais ameaçadora e persecutória. A luta contra a morte traz inserido um preconceito de que a morte é errada, que não deveria acontecer, quando na realidade trata-se de um dos ciclos da vida.

Com muita frequência há adoecimentos súbitos e graves de pessoas ativas, mas que não tiveram oportunidade de conversar com a família sobre atitudes que deveriam ser tomadas, decisões relacionadas a negócios ou mesmo até que ponto gostaria de ser mantido vivo.

No entanto, faz algum tempo começaram a existir intervenções médicas que criam a possibilidade de uma humanização do processo da morte. Por isso é importante compreendermos no que consistem os cuidados paliativos.

DIÁLOGO

Em minha experiência cuidando de pacientes, ajudando-os a tomarem a melhor decisão em cada caso, tenho percebido que, quando inicio o diálogo com o paciente e familiares, eles ficam muito agradecidos pela oportunidade de terem seus questionamentos resolvidos. É gratificante perceber a calma, tranquilidade e harmonia, especialmente nas despedidas, no caso de pacientes que optam por cuidados de conforto e morte natural. Quando a decisão vem do paciente ao invés de um familiar, em realidade ele está ajudando seus sobreviventes a terem um luto saudável. É mais fácil honrar uma decisão do que tomar a decisão por alguém.

Para que decisões sejam tomadas com antecedência, é importante saber mais sobre o assunto e conhecer as opções existentes em termos de cuidados, no final da vida. Há muito que aprender sobre o ciclo da vida. Quanto mais nos interessamos, melhor podemos ajudar nossos semelhantes.

CONFORTO AOS DOENTES TERMINAIS

Hospice são os cuidados de apoio às pessoas na fase final de uma doença terminal e concentra-se no conforto e qualidade de vida, ao invés de curar. Então, o objetivo principal é controlar a dor para que os pacientes possam viver cada dia da melhor maneira possível. Esse cuidado pode ser oferecido em casa, em clínicas ou até mesmo em hospitais. A filosofia do hospice é oferecer apoio para as necessidades emocionais, sociais e espirituais do paciente, bem como o controle dos sintomas físicos. Tratamos o doente e não a doença. Geralmente, esse tipo de cuidado é oferecido para as pessoas que têm uma expectativa de vida de seis meses ou menos. O hospice geralmente usa uma abordagem de equipe multidisciplinar, incluindo os serviços de um enfermeiro, médico, psicólogo e apoio espiritual prestado de acordo com a preferência de cada um. Esse apoio é extensivo à família.

NECESSIDADE HUMANITÁRIA

Durante minha vida profissional tenho visto muito sofrimento, especialmente em algumas especialidades. Como enfermeira em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por 25 anos, presenciei mortes horríveis, que poderiam ter sido evitadas. Pacientes recebem tratamentos agressivos quando viver naturalmente já não era mais uma opção. Muitas vezes o próprio paciente já não tinha mais condições de tomar decisão alguma, e essa responsabilidade era delegada aos seus entes queridos. Na grande maioria dos casos eles não estavam preparados para aceitar cuidados paliativos ou cuidados de conforto (hospice). Por quê? Falta de conhecimento. Falta de oportunidade de conversar sobre o assunto.

Os cuidados paliativos são essencialmente um plano de cuidado que visa controlar os sintomas, oferecer apoio físico, psicossocial e espiritual ao paciente, melhorando assim a

qualidade de vida durante o período em que ele se encontra com problemas de saúde e recebe tratamento através da medicina tradicional – a que busca curar a doença.

Os cuidados paliativos podem ser associados a tratamentos curativos. Existem vários equívocos comuns sobre esse cuidado. Muitos confundem “cuidados paliativos” e “cuidados de conforto ou hospice”.

Nos cuidados paliativos, os pacientes simplesmente têm mais controle sobre os tratamentos curativos recebidos. Os pacientes devem ser capazes de escolher a proporção de cuidados curativos e de alívio de sintomas que recebem.

A equipe de cuidados paliativos é multidisciplinar, incluindo os serviços de um enfermeiro, médico, psicólogo e apoio espiritual prestado de acordo com a preferência de cada um.

Como os profissionais de saúde, principalmente enfermeiros e médicos, não receberam educação nessa área enquanto estavam na faculdade, os médicos não se sentem à vontade para recomendar cuidados paliativos para seus pacientes. Da mesma forma, o público em geral precisa ser educado sobre a existência desses cuidados e saber que, dessa forma, terá qualidade de vida e dignidade até o fim. Isso é um direito humano que está em nossa Constituição Federal.

OUTROS OLHARES

ELA ATÉ FALA

Projeto em Montreal propõe a humanização dos centros urbanos

Durante uma caminhada à noite por Montreal, no Canadá, o smartphone toca. Quem quer falar? A cidade. Após um toque na tela para aceitar a chamada, a parede lateral de um edifício antigo se transforma numa colossal tela de cinema, enquanto sons chegam pelo fone de ouvido. São as vozes dos personagens anônimos que contam a história de cada lugar: o trabalho dos colonos franceses, a vida noturna, revoltas populares, o protesto deitado de John Lennon e Yoko Ono num quarto de hotel ou mesmo o tempo em que tudo aquilo era mar. Trata-se do projeto Cité Memoire, inaugurado em 2016 como a maior instalação do mundo, hoje presente em 25 pontos.

As paredes sempre tiveram ouvidos e olhos, mas, para falar, precisaram de tecnologia. Mais de cem quilômetros de cabos de fibra óptica foram enterrados, a fim de permitir a comunicação entre a cidade e os smartphones. Para transformar prédios, ruas e árvores em telas de cinema, foram embutidos no mobiliário urbano 89 projetores por raio laser. Mais de 600 profissionais – entre cenógrafos, coreógrafos, atores, malabaristas e engenheiros – se envolveram na gravação das imagens. Ao todo, foram cinco anos de trabalho.

A instalação funciona como uma simbiose: os filmes de curta metragem só passam na presença do público, e o público não pode assistir de casa, pois o sistema está atrelado ao GPS do telefone. O interessado precisa ir para a rua, caminhar. A iniciativa atraiu moradores – e novos turistas – ao centro antigo, que andava ocioso. Aumentou a autoestima da cidade e aproximou gerações. ”Você mostra um livro para esses jovens, e eles acham chato”, diz o artista multimídia canadense Michel Lemieux, coautor da instalação. “Mas um dia um garoto de 14 anos engatou comigo uma conversa animada sobre a era medieval. ‘Como você entende tanto desse assunto?’, perguntei, e ele respondeu que jogava um game de batalhas. A gente precisa encontrar formas de contar histórias. “Além de acionar a projeção de vídeos pela cidade, à noite, durante o dia o aplicativo usa realidade aumentada para acrescentar informações a 13 pontos turísticos. Ao transformar o smartphone em aliado, Michel conseguiu atenção para o material didático, complementar, que foi distribuído às escolas. “Acho que a smart city não deve parecer uma cidade computadorizada”, diz. “A tecnologia deve aproximar as pessoas, e não afastar.”

GESTÃO E CARREIRA

EM EXCESSO

A Síndrome de Burnout acaba de ser reconhecida pelo Ministério da Saúde como doença associada ao esgotamento pelo trabalho. Saiba como lidar com o problema na sua empresa!

Chorar no banheiro do escritório. Dores fortes na cabeça. Cansaço maior que o normal. Não, não é frescura – muito menos preguiça. O excesso de atividades pode causar esgotamento e um transtorno mental chamado Síndrome de Burnout, que acaba de ser oficializado como doença ligada ao trabalho pela Organização Mundial da Saúde (CID-11). A nova classificação entrará em vigor em 2022. O distúrbio vinculado ao estresse crônico no trabalho já estava na edição anterior do catálogo (1990), porém incluso em um item vago – problemas relacionados com dificuldades no controle da vida.

A mudança merece destaque porque dá visibilidade a um assunto sério, ficando mais fácil gerenciar afastamentos e incapacidades. “A Síndrome de Burnout envolve nervosismo, sofrimentos psicológicos e problemas físicos, como dores de barriga, cansaço excessivo e tonturas.

O estresse e a falta de vontade de sair da cama ou de casa, quando constantes, podem indicar o início da doença. Outros sintomas que podem indicar a Síndrome de Burnout são: cansaço excessivo, físico e mental; dores de cabeça frequentes; alterações no apetite, insônia, dificuldades de concentração, sentimentos de fracasso e insegurança, negatividade constante, sentimentos de derrota, desesperança, fadiga, dores musculares, entre outros”, conta o médico do trabalho e diretor médico da Med Worker, especializada nessa área, Ignácio Garcia.

Obviamente, eles não aparecem de uma só vez, mas de forma leve, e muitas pessoas acabam pensando que é passageiro, não buscando auxílio profissional. “Na verdade, a síndrome é um distúrbio psíquico caracterizado pelo estado de tensão emocional e estresse provocados por condições de trabalho desgastantes. Por isso, são recomendadas atividades de entretenimento e lazer durante as pausas, ouvir as queixas do funcionário, valorizar datas comemorativas e incentivar a prática de atividades físicas, ou seja, criar uma maior aproximação que possibilite tornar o ambiente o mais salutar possível”, completa o dr. Garcia.

Tudo começa com pequenas alterações de comportamento e humor. O profissional vai ficando mais quieto, evita contatos sociais ou ainda pode se tornar mais agressivo e intolerante. Apesar dos sinais, o diagnóstico deve ser realizado por um psicólogo ou psiquiatra, que vai considerar os sintomas apresentados, história pessoal e contexto. O tratamento envolve psicoterapia e pode ou não ter medicamentos associados.

“Mas não adianta investir nessas propostas se não evitar desgastes corriqueiros, como ambientes com falta de transparência, pressões desnecessárias, situações de assédio, humilhação ou relacionamentos desgastados. O fato de o indivíduo estar preocupado com fatores externos também deve ser respeitado e levado em conta. Levar preocupações para o ambiente de trabalho, como problemas de saúde na família, necessidades de filhos ou mortes de parentes pode reduzir o desempenho do funcionário, comprometendo todo o ambiente. Talvez se a pessoa estivesse em casa, cuidando e amparando o filho, fosse mais saudável para ela e para a própria empresa. Exigir que o profissional trabalhe em situações-limite não é saudável para ninguém”, adverte o médico.

NO RADAR

Depressão, síndrome do pânico, estresse… Esqueça a máxima “de médico e louco todo mundo tem um pouco”. Determinar o problema é complexo e, para além disso, os transtornos podem vir de maneira associada. Por isso, é importante sempre lembrar que não cabe ao empreendedor fazer o diagnóstico, mas sim observar os sintomas e encaminhar para uma ajuda médica. “A pessoa sente uma exaustão emocional, a redução do senso de realização pessoal e desenvolve atitudes e sentimentos negativos em relação às pessoas com as quais trabalha”, conta a professora da Escola de Negócios da PUC-Rio, Flávia Cavazotte.

Ela destaca ainda que gestores têm um papel crucial nesse processo, mas precisam ter informações sobre a doença e uma boa comunicação com suas equipes. Dessa forma, educar os gestores do seu negócio é fundamental, bem como orientá-los sobre como atuar diante de colaboradores que precisam de ajuda. ”As áreas de recursos humanos e saúde e bem-estar no trabalho devem ter uma postura proativa para orientar gestores e aconselhar funcionários que busquem ajuda”, lembra.

A consultora de gestão, que atua no desenvolvimento de líderes e em trabalhos de coaching e mentoring, Valerya Carvalho, acredita que a maioria das ferramentas de gestão e práticas organizacionais que todas as empresas usam é ineficaz ou prejudicial. “O guru de gestão Peter Drucker escreveu: ‘90% das práticas que chamamos de gestão fazem mais nada do que impedir que as pessoas realizem seu trabalho’. Se a empresa acreditar que é preciso criar normas e procedimentos para todas as tarefas das pessoas, como metas individuais, meritocracia, remuneração variável, avaliação de desempenho/360°, planos de carreiras e outros, esse é o maior sintoma de que ela está indo para o lugar errado. Copiar modelos de sucesso de outras empresas também é sinal de lugar errado”, ressalta.

DIREITOS E DEVERES

Se você está se perguntando o que fazer quando detectar sinais da doença em um colaborador, o médico Ignácio Garcia explica que cada regime de trabalho tem suas próprias regras, mas, no geral, uma boa forma de iniciar o cuidado é por meio do diálogo aberto, sem margem a interpretações enviesadas, de forma a realmente entender quão preocupante é a enfermidade. Para Garcia, “a empatia tem que existir de ambos os lados, planos para compensar a falta do profissional devem ser pensados para o caso de uma folga ou um dia ausente ser necessário. Soluções pontuais que ajudam a minimizar o impacto da falta. E isso deve ser combinado pelas partes envolvidas. Contar com a ajuda do grupo é fundamental”.

O mais importante é sugerir um médico ao colaborador. Após o reconhecimento da doença e o diagnóstico sendo realizado por profissional da área, o colaborador terá seu tratamento garantido por lei, com suporte integral e gratuito do Sistema Único de Saúde (SUS). Basta procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e o caso será encaminhado aos centros especializados. Em situações de afastamento prolongado, a situação será analisada por um médico perito do INSS, com acesso aos direitos previdenciários. A legislação previdenciária dispõe que, em caso de doença, o empregado poderá se afastar do emprego, sem prejuízo quanto aos salários, por até 15 dias consecutivos – o empregador é obrigado a remunerar o empregado como se ele estivesse trabalhando (§ 3°do art. 60 da Lei 8.213/91). Após esse período, os encargos trabalhistas ficam com o INSS.

“Dado que o Burnout é caracterizado como uma doença ocupacional, cabe às empresas desenvolver políticas que ajudem na sua prevenção. Não é infrequente que práticas abusivas e o desequilíbrio nas cargas e demandas de trabalho sejam associadas ao Burnout. Empreender esforços para mitigar os fatores situacionais e ocupacionais que podem provocar o problema, evitando assim danos à saúde, é uma forma de assegurar a rigidez do corpo funcional de uma empresa, mas também de prevenir a exposição do empreendimento a possíveis ações trabalhistas e seus desdobramentos”, alerta o médico.

Além de estar atento ao que se passa, é importante entender junto ao colaborador quais são os gatilhos geradores do problema, como explica a gerente de RH da Feegow Clinic, Carolina Brito. Ela destaca que, a partir daí, é essencial respeitar os movimentos da equipe e promover o necessário para a melhoria do indivíduo e da equipe. “Resultado é essencial, mas sem pessoas, que são o motor da energia, motivação e realização, é impossível alcançá-lo. Propicie uma cultura de feedback, de reconhecimento de resultados e ofereça oportunidades para o seu time. Não tenha um olhar frontal, mas de 360°. Observe e conheça! Importe-se com os sonhos do seu colaborador e o ouça”, aconselha.

Valerya concorda com Carolina e ressalta que a obsessão por resultados pessoais dentro das organizações acaba por desconsiderar a interação entre os indivíduos. Às vezes, concentrar-se em ações individuais pode gerar efeito contrário, de desânimo e desmotivação. Assim, o indicado é descentralizar ao invés de delegar. ”A descentralização vai além da delegação. Enquanto a delegação ocorre em um nível individual, em que um superior decide passar um poder ou tarefa para um subordinado, a descentralização ocorre quando uma diretoria (ou equivalente) decide instituir como princípio transferir o poder de decisão para as equipes, como um todo. A descentralização tipicamente envolve a descentralização de atividades, para providenciar maior autonomia às equipes. A questão é como equipes que interagem são conectadas entre si”, explica.

O MELHOR É EVITAR

De acordo com Flávia Cavazotte, o Burnout tende a ocorrer mais em atividades que envolvem contato e demandas de terceiros, como nas áreas da saúde, educação e no atendimento ao público em geral. Levando isso em consideração, é importante saber detectar em que funções ou atividade da empresa as pessoas estão mais sujeitas ao problema, como áreas com excesso de demandas de trabalho em relação ao tempo disponível para realizá-lo, quando há demandas conflitantes ou ausência de informações suficientes sobre o trabalho. “Há também algumas características pessoais que fazem com que alguns indivíduos estejam mais ou menos propensos ao Burnout. Pessoas mais autoconfiantes, otimistas e resilientes estão mais protegidas. Então, conhecer bem o perfil das pessoas que atuam nas equipes é importante”, lembra.

“Hoje, as empresas pensam muito no perfil do cliente: como conquistar o cliente, agradar o cliente, mas, por outro lado, pensam muito pouco no perfil do seu funcionário: como ter um ambiente correto, amigável e saudável para seus colaboradores. Além disso, também pensam muito pouco no comportamento dos funcionários, em como a mente deles está. Esse resultado a qualquer custo faz com que as pessoas fiquem doentes e não produzam o que devem produzir, ou seja, é um círculo vicioso que adoece as pessoas e torna as empresas menos produtivas”, completa a mentora especializada em acelerar pessoas e negócios e fundadora da empresa B-Have, Erika Linhares.

PREVINA-SE!

As áreas de recursos humanos e saúde e bem-estar no trabalho devem iniciar o trabalho com campanhas de conscientização. O suporte social de líderes e colegas ajuda muito e pode facilitar o enfrentamento de crises e a adaptação em situações de estresse. Redes e comunidades internas também podem ser de grande auxílio para apoiar tanto quem vivencia o problema como os líderes que precisam lidar com tal situação em suas equipes.

CUIDE-SE!

O autocuidado é fundamental. Fazer exercícios, atividades relaxantes e garantir as horas necessárias de sono são medidas essenciais. A autoconsciência é outro ponto – o automonitoramento é uma medida básica para saber se está chegando ao seu limite ou precisa de ajuda.

Discutir o assunto com sua chefia é muito importante para buscar soluções e entrar em um acordo sobre medidas temporárias que possam contribuir. Buscar o apoio de colegas de trabalho, amigos ou entes queridos ajuda a lidar com o problema. Se você tiver acesso a um programa de assistência ao funcionário na empresa, use!

VALE A LEITURA!

O neurologista Leandro Teles aborda em seu novo livro, Depressão não é fraqueza, a depressão e suas variações, considerando que o transtorno já afeta mais de 11 milhões de brasileiros, segundo a Organização Mundial da Saúde. Ao longo dos capítulos, o autor demonstra a diferença entre tristeza e depressão e ensina o leitor a reconhecer em si e nas pessoas que estão ao seu redor os sintomas da doença.

ALIMENTO DIÁRIO

CAPÍTULO DOZE – ARMADILHAS PARA IMPEDIR A BUSCA DA EXCELÊNCIA

“O homem é o único tipo de animal que arma sua própria armadilha, coloca a isca e então pisa sobre ela.” — John Steinbeck

Pensamento-chave: Há substitutos e falsificações para a excelência. Conheça-os e evite-os.

Existem alguns que jamais encontrarão certas armadilhas que estão associadas à busca pela excelência, simplesmente porque eles nunca aspiram reconhecer a alta qualidade que Deus deseja. Eles não estão correndo para ganhar, como Paulo descreveu em 1 Coríntios 9:24, nem tampouco “lutam para serem coroados”, como descritos em 2 Timóteo 2:5. Eles podem servir a Deus, mas apenas parcialmente e no final da carreira, eles estão mais dispostos a ouvir “Bem, você está fazendo algo”, do que “Muito bem”.

A ARMADILHA DA MEDIOCRIDADE

Em vez de buscar a excelência, alguns estão contentes apenas em fazer o suficiente para sobreviver. A palavra medíocre vem de duas palavras em latim, significando: “a meio caminho da montanha”. Em outras palavras, indivíduos que funcionam com uma mentalidade de mediocridade estão satisfeitos em fazer o mínimo, viver a partir de baixos padrões e não se importam em alcançar resultados máximos.

Quais traços você percebe quando a mediocridade prevalece?

•   Uma atitude de apatia.

•   Falta de interesse quanto à qualidade e resultados.

•   Contentamento com a condição em que as coisas estão; sem qualquer desejo por melhoria.

•   Ausência de objetivos desafiadores.

•   Atraso e falta de pontualidade — e os prazos não são cumpridos.

•   Ausência de conscientização e diligência.

•   Desleixo, descuido e uma falta de continuidade.

•   Falta de foco.

•   Facilmente sucumbe a distrações e diversões.

•   Baixos níveis de energia.

•   O trabalho é visto como mundano; aqueles envolvidos estão apenas seguindo o movimento.

A ARMADILHA DA COMPULSÃO

Você não extrai boa música das cordas de um violão que estão muito soltas; do mesmo modo, você não extrai boa música das cordas de um violão que estão muito apertadas. Aqueles que são governados pela mediocridade não têm motivação para a excelência (cordas muito soltas), mas aqueles que são compulsivos são conduzidos de forma doentia (cordas muito apertadas).

Indivíduos compulsivos com frequência falam de empenhar-se pela excelência, mas eles podem estar confundindo o elevado conceito de qualidade com hiperperfeccionismo. Desfrutar de altos conceitos e resultados de qualidade é ótimo, mas quando uma pessoa está continuamente inquieta, ansiosa e com medo de fracassar, isso não é bom. Um hiperperfeccionista nunca sente como se algo estivesse bom o suficiente e está sempre à procura de falhas. Em resumo, não há qualquer alegria na jornada ou no destino.

Lembro-me de conversar com um homem que tinha uma lista de 45 coisas (tipos de orações, confissões, coisas para ler, etc.), que ele sentia que tinha que fazer toda manhã antes que o seu dia pudesse começar. Apesar de algumas dessas coisas serem boas em si mesmas, a maneira como ele as conduzia era muito rígida e legalista. Era óbvio que ele não tinha alegria ao exercitar essas disciplinas espirituais; elas eram muito árduas para ele.

Uma pessoa que serve com compulsão provavelmente desenha Deus como sendo o capataz rigoroso do Egito, que estava sempre exigindo mais (veja Êxodo 1:7-14; 5:5-14). Em vez de vê-lo como o Gentil Pastor, eles veem Deus como irado, desapontado e sempre lhes dizendo: “Vocês não estão orando o suficiente. Vocês não estão lendo a Bíblia o suficiente. Vocês não estão servindo o suficiente, etc.”. É importante manter em mente que o Bom Pastor guia as Suas ovelhas; Ele não as conduz. Deus nos guia com um senso de paz, ao passo que o inimigo (esforçando-se para imitar o Espírito Santo) tenta nos conduzir com um senso de pânico.

É importante lembrar que foi Jesus quem disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo é leve” (Mateus 11:28-30).

A ARMADILHA DA COMPARAÇÃO

Comparação é tipicamente fundamentada em insegurança e tende a produzir orgulho ou inferioridade. Charles Swindoll sabiamente afirmou: “Coelhos não voam. Águias não nadam. Patos parecem engraçados tentando escalar. Esquilos não têm penas. Pare de comparar. Aprecie ser você! Existe muito espaço na floresta”.

Quando minha esposa e eu terminamos o nosso primeiro ano de seminário, em 1980, viajamos para a Austrália, durante o verão, para pregar em diversas igrejas. Começamos na igreja do nosso primeiro anfitrião, o qual era um mestre da Bíblia muito produtivo. Alguns dos seus assistentes me mostraram um fichário que estava cheio de suas anotações. Eu fiquei impressionado e intimidado pelo volume de esboços de ensinos.

Eu era muito inexperiente e senti que precisava vir com um sermão que impressionaria a congregação. Então, peguei três horas de anotações de aulas, combinei em uma mensagem e pensei ter uma verdadeira obra-prima. Entretanto, quando me levantei para falar, eu esgotei as minhas anotações em quinze minutos e eles estavam esperando uma mensagem de cinquenta minutos! Sequer estou certo se o que eu disse fez muito sentido. Eu era inexperiente e não tinha um “fichário”, então eu simplesmente parei. Eu estava muito envergonhado, mas aprendi algumas lições valiosas:

•   Abençoe as pessoas; não queira impressioná-las.

•   Não procure ser outra pessoa.

•   Não tente se medir a partir dos dons, habilidades ou nível de experiência de outra pessoa.

•   Simplesmente dê às pessoas o que você tem para lhes dar e faça isso com o seu coração.

Davi se recusou a usar a armadura de Saul; ela não cabia nele. Davi conquistou Golias não por tentar se parecer com Saul, mas por usar as ferramentas com as quais estava confortável — uma funda e algumas pedras. Quando você copia alguém, você está agindo em imitação. Em vez disso, aprenda a agir por inspiração. Sempre haverá inspiração ao fazer o que Deus o chamou para fazer — e não em imitar alguém.

Paulo deliberadamente ficou longe de fazer comparação de si mesmo com outros. Ele disse: “Não que nós [tenhamos a audácia para] nos ousemos nos classificar ou [até mesmo] comparar-nos com alguém que exalta e fornece testemunhos para si mesmos! Entretanto, quando eles medem a si mesmos, consigo mesmos, e comparam-se uns com os outros, eles estão sem entendimento e se conduzem imprudentemente. Nós, por outro lado, não nos gloriaremos sem medida, mas nos conservaremos dentro dos nossos limites [de nossa comissão] que Deus atribuiu como nossa linha de medida e que se estende e inclui até vocês” (2 Coríntios 10:12-13, AMP).

Deus jamais irá julgá-lo com base no chamado ou resultados de outra pessoa. Ele não o chamou para ser um clone de quem quer que seja ou para fazer o que outra pessoa foi designada para fazer. O seu único objetivo deveria ser fazer o melhor que você puder fazer. Aqueles que caem na armadilha da comparação com frequência terminam também em competição com outros. A nossa única competição deveria ser com o nosso próprio potencial — para maximizarmos totalmente o nosso próprio dom para a glória de Deus. Outros crentes e outras igrejas são nossos parceiros e não nossos competidores.

Os discípulos tinham uma forte questão “comparação-competição” em disputa entre eles, e isso continuou mesmo após a ressurreição. Mesmo quando Jesus disse a Pedro: “Segue-me”, Pedro não pôde deixar de imaginar como o ministério e destino de João se compararia ao seu.

Então, Pedro, voltando-se, viu que também o ia seguindo o discípulo a quem Jesus amava, o qual na ceia se reclinara sobre o peito de Jesus e perguntara: Senhor, quem é o traidor? Vendo-o, pois, Pedro perguntou a Jesus: E quanto a este? Respondeu-lhe Jesus: Se Eu quero que ele permaneça até que Eu venha, que te importa? Quanto a ti, segue-Me. — João 21:20-22

Precisamos focar nossa atenção em seguir Jesus, em vez de olhar em volta, observando os outros e perguntando: “E quanto a este, Senhor?” Se ficarmos excessivamente focados nos outros, especialmente com uma atitude crítica e comparativa, então estaremos mais propensos a começarmos a eliminar os outros e sentir como se estivéssemos em uma competição com outros membros do Corpo de Cristo. Estamos todos no mesmo time e precisamos respeitar as atribuições uns dos outros, e apoiá-los, à medida que buscamos servir a Deus de modo eficaz.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

JOIA DILAPIDADA

A Esposa é aparentemente despretensioso, mas evidencia as batalhas das mulheres para afirmarem seus diferentes talentos em um mundo ainda comandado pelos homens

Dirigido pelo sueco Bjorn Runge e baseado na obra homônima de Meg Wolitzer, o filme em tempos de discussões acaloradas sobre salários equivalentes na glamourosa Hollywood é uma verdadeira e sutil bofetada com luvas de pelica. Glenn Close mereceu o prêmio Globo de Ouro por essa atuação que lhe exigiu uma contenção que talvez lhe tenha sido bastante difícil se pensarmos na trajetória dessa atriz. Fez lembrar sua magnífica interpretação em Albert Nobbs (2011), quando assim como por esse desempenho foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz, mereceria o prêmio pelas duas atuações.

QUESTÕES DA HUMANIDADE

O espectador é apresentado aos poucos a Joan Castleman (Glenn Close) e seu marido, o escritor Joe Castleman (Jonathan Pryce), que fica sabendo que ganhou o Nobel de Literatura por seu comovente conjunto de obras que tocam a humanidade em questões fundamentais, isso dito por seu anfitrião na cerimônia de entrega do prêmio. O filme acompanhará justamente todo o período que cobre o comunicado da vitória e a ida à cerimônia de entrega na Suécia.

Para ajudar a pensar sobre a escolha que Joan Castleman supostamente encaminha para sua vida, talvez seja bom ter em mente que em 114 premiações do Nobel de Literatura, apenas 14 foram dados para escritoras. “A necessidade é de ser lida”, diz uma outra escritora personagem do filme, Elaine Mozell, interpretada pela nossa conhecida Lady Crawley de Downton Abbey, Elizabeth McGovern. O filme encaminha com muita competência a questão central, capturando o espectador com a trama na qual se apoia, bem envolvente mesmo. Para colaborar ainda mais um pouco para pensar no debate que ele propõe, poderemos sugerir a busca de dados sobre as inúmeras mulheres escritoras que para terem suas obras publicadas, ou mesmo para que não fossem declaradas loucas, adotaram nomes masculinos, porque praticamente até o início do século XX não era bem recebido pela sociedade que uma mulher desejasse escrever outra coisa que não cartas de amor e de amizade. Há um filme excelente para abordar isso, Ópio: Diário de uma Louca / Opium:Egy Elmebeteg no Naplója [2007], de János Szász.

Há muitas escritoras que só tiveram seus nomes femininos levados a público depois de falecidas, como, por exemplo, Amantine Dupin, que escrevia como George Sand e foi amiga de muitos escritores influentes de sua época, como Balzac, Flaubert, amante de Chopin e do poeta Alfred de Musset. Embora tivesse apoio de todos, permaneceu publicando com o seu pseudônimo masculino. Muitas outras, como a hoje muito famosa Jane Austen, recorriam a publicações anônimas, que foi o caso da sua consagrada obra Orgulho e Preconceito, onde na autoria no original lia-se: “Escrito por uma dama”. Muitas recorreram a esse artificio como temos aqui no Brasil como exemplo o caso de Maria Firmina dos Reis, autora do romance Úrsula (1859), considerado por alguns historiadores como o primeiro romance abolicionista da literatura brasileira, o qual assina como “uma maranhense”. As irmãs Bronte, que publicaram com nomes masculinos Currer (Charlote), Ellis (Emily) e Acton Bell (Anne). Esses são apenas alguns casos dos mais conhecidos. Após ver o filme, resta inevitável pensarmos em quantos casos não conhecidos poderão ainda se ocultar por detrás de autores reconhecidos. Vale a curiosidade, já há sites e pesquisas publicadas buscando dar sustentação à descoberta dos nomes de muitas dessas escritoras.

A personagem Joan era uma tímida aluna universitária (Annie Starke) do já reconhecido professor Joe Castleman, ao escrever um conto para a matéria dele que frequentava, acabará por chamar sua atenção. Ali ele já percebe nela um grande talento natural para a escrita. Aos poucos eles se aproximarão amorosamente e ele deixará seu casamento para ficar com ela. Ele finaliza seu primeiro livro e Joan o criticará pedindo para editá­lo, no que ele após uma crise acabará consentindo. Ele fará muito sucesso a partir dessa obra e sua carreira brilhará. Joan se apresentando socialmente sempre ao lado de Joe e fornecendo a ele toda a sustentação funcional que se costuma exigir de uma boa esposa. Eles têm dois filhos, uma filha grávida prestes a dar à luz, Susannah (Alix Wilton Regan), e David (Max Irons), que também é escritor e busca angustiadamente a aprovação de seu pai. Durante a estadia de Joan e Joe em Estocolmo para a cerimônia do Nobel, o jornalista Nathanial Bone (Christian Slater) se aproximará de Joan dizendo a ela que está escrevendo uma biografia sobre Joe Castleman e lhe fala sobre suas desconfianças sobre a verdadeira autoria da obra dele. Oficialmente está posto que Joan deixara de escrever após seu casamento com Joe, sendo ele o escritor da família. O jornalista tem como pista o único conto assinado por Joan que fora publicado em um jornal da universidade.

EXTRAVAGÂNCIAS

A perspectiva de Joan pode ser abordada de pelo menos duas maneiras, uma a vitimiza e a outra a coloca como uma mulher que resolveu se adequar passivamente aos ditames de lugar social, tirando disso sua gratificação. O enredo mostra o quanto a premiação do Nobel pela obra de seu marido desarrumará um acordo até então vivido como se fosse algo assentado e tranquilo. Joan viveu até então voltada para a organização de sua família, enfrentando ao longo das décadas de sua união com Joe inúmeras vivências de infidelidade do marido que mantinha casos extraconjugais com colegas e alunas. Em determinado trecho, Nathanial Bone dirá a ela que tomava isso apenas como extravagância muito comum em homens geniais, fica como ironia diante do que o filme revelará. O discurso de poder é sempre abordado a partir de uma ordem falocêntrica, ao comportamento masculino tudo ganhará contornos de enaltecimento e não de crítica ou questionamento. A Joan que Glenn Close construiu é absurdamente convincente, faz pensar em tantas mulheres cuja inteligência ficou guardada como segredo de família. Toda opressão a qual ela é submetida é como uma “doce prisão” que tantos romances escritos por homens quiseram convencer as mulheres a “ser” o lugar que lhes cabia, abnegadas e amorosas servindo ao bem maior da família e em primeiro lugar ao marido. O dote, hábito adotado até o século XX, que entregava a herança das filhas para administração e gasto de seus maridos, assume no longa um entendimento amplo e metafórico.

As mulheres não pertencentes à classe operária ganharam o mundo do trabalho mais fortemente a partir da Segunda Grande Guerra, e de lá em diante não quiseram retornar passivamente ao lugar que lhes era destinado antes disso. Com a chegada da pílula anticoncepcional, a liberdade sexual marcou bastante da nova subjetividade que ela podia construir, dona de seu corpo e prazer, trazia como correlato a isso uma exigência em ser mais amplamente reconhecida. Foram aos poucos deixando de passar adiante a assinatura por suas obras, descobertas, invenções, produções etc. Na história do cinema temos a polêmica em torno do nascimento do filme ficcional, não mais documental fotográfico. É comum atribuir a Geórges Mélies o surgimento dessa forma de fazer filmes, porém hoje sabemos que a diretora francesa Alice Guy Blaché já fazia filmes dessa maneira ao que se tem notícia em 1896 (La Fée aux Choux/A Fada do Repolho) muito antes de Mélies, que mereceu até urna belíssima e merecida homenagem feita por Martin Scorsese em seu Hugo (2011), embora talvez sua posição na história possa ser revisitada.

Todos os anos as grandes premiações do cinema voltam a ter que enfrentar o questionamento não somente sobre equiparação salarial entre atores e atrizes, mas também pela baixa presença feminina em postos de comando, assim como no recebimento de prêmios que marcadamente têm sido dados aos seus colegas homens. O talento feminino ainda mais incomoda do que é objeto de admiração, a linguagem propriamente feminilizada ainda é bastante estranha a todo um entendimento construído a partir de premissas bem condizentes ao poder másculo predominante; nesse sentido, a personagem de Joan Castleman, em todo seu vigor discreto e aparentemente bem combinado com o dito de que “por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher”, é um convite a profundas reflexões, contém um tremendo toque de ironia. Nossa anti-heroína ensina mais que produções de um protótipo de Mulher Maravilha. Revela o que se oculta ainda como uma resistência a entender a igual possibilidade de sujeitos, independentemente da marcação de gênero produzir o que há de melhor na humanidade.

Joe Castleman surge como a própria denúncia do ilusionismo alimentado sobre a superioridade masculina, mais aparência que essência, mais jogo de cena do que visceralidade, mais virtualidade do que honesta exposição, o rasgar-se que toda boa escrita necessariamente inclui.

MERCADO FEMININO

Toda pena é feminina, não importa o gênero que a sustenta. Desnudar-se nas letras que compõem o que nos forma nas palavras, ou como diria Dider Anzieu em sua obra O Eu Pele: “A palavra do outro, se oportuna, viva e verdadeira, permite ao destinatário reconstituir seu envelope psíquico (…]. Isto assim funciona na amizade, na cura psicanalítica, na leitura literária”. O que Joan introduz nas histórias criadas por Joe é essa coisa viva e verdadeira. Um casamento que poderia ser perfeito, mas que se perde justamente na capacidade masculina de oprimir e se apropriar de tudo que lhe confere poder. O ouro da pena.

Os filhos do casal talvez representem a tensão que sustenta essa trama familiar, filhos que foram afastados do convívio da mãe, que passava horas trancada no escritório produzindo as joias da família. Joan, a certa altura, quando enfim explode o não dito desse grupo, falará sobre isso com muita dor. O filho, David, estupefato, perguntará ao pai como pôde fazer isso à sua mãe, dilapidá-la de tal forma…Joe sofre quando tem que enfrentar a provável ausência de sua sustentação, da farsa que seria enfim denunciada, seu coração não resiste e assina o derradeiro acordo. O espectador atento poderá se perguntar ao final se Joan será capaz de silenciar-se, já que entende que quem escreve o faz como necessidade quase igual a alimentar-se, ter algo a dizer ao mundo não é uma coisa da qual se possa abrir mão. A continuação da história se dará após os créditos na imaginação de cada um que for tocado por essa bela e potente produção.

OUTROS OLHARES

GRAÇAS A DEUS EXISTEM ANTIDEPRESSIVOS

A ideia de que basta ser um bom cristão e ter fé para vencer a depressão é um tabu perigoso que as igrejas e seus líderes precisam superar

Historicamente, as igrejas cristãs são conduzidas por movi­ mentos e doutrinas, que diferem entre si e se baseiam em interpretações bíblicas. Algumas são demasiadamente delicadas: em vez de ajudarem as pessoas, elas podem ferir. É muito difundida hoje nos Estados Unidos, por exemplo, a teologia da prosperidade, um movimento segundo o qual, se você amar a Deus e fizer por merecer, Ele dará tudo o que você pedir. Para mim, isso é uma leitura errônea da Bíblia – que afirma, em Lucas 12:48: “A quem muito é dado, muito será cobrado”. Diversos outros trechos do livro sagrado ressaltam a necessidade de o cristão trabalhar em favor dos imigrantes, pobres, órfãos e viúvas, em vez de acumular bens para si.

Nesse mesmo caminho, existe uma cobrança exagerada, em variadas igrejas, para que seus membros sejam perfeitos, exalando prosperidade e, de preferência, uma perfeita saúde mental – que estaria diretamente atrelada a uma adequada vida espiritual. Por muitos anos acreditei nisso e tentei ser perfeita para ter o amor de Deus. Até o dia em que me vi internada em um hospital psiquiátrico.

Cresci em uma família cristã na Escócia, onde nasci. Meio sem querer, eu me envolvi com a música e acabei me tornando uma cantora de certo prestígio na Inglaterra e nos Estados Unidos. Durante cinco anos, entre 1987 e 1992, fui apresentadora de um programa matinal diário chamado The700 Club, produzido pela Christian Broadcasting Network (CBN). Na época, enquanto eu fingia ter a tal vida cristã invejável, escondia sintomas de depressão. Não dormia, não comia. Eu me sentia contínua e profundamente triste. Minha memória começou a esvair-se, mal lembrava a senha do banco. Até que um dia, durante o programa, dei início a uma entrevista e meu convidado me questionou: “Sheila, você sempre pergunta como estamos, mas e você? Como você está?”. Eu congelei. Não consegui responder. Senti tontura. Após longos segundos de absoluto silêncio no ar, ao vivo, chamaram os comerciais. Corri para meu camarim. Tranquei-me e comecei a tremer e a chorar compulsivamente. Liguei para um amigo que é psiquiatra e pedi ajuda. Foi quando me internei numa clínica para pessoas com distúrbios mentais. Fui diagnosticada com depressão severa e transtorno de stress pós-traumático, motivados pelo suicídio do meu pai, que morreu aos 34 anos, a mesma idade em que tive o ataque na televisão.

Meu pai sofreu uma forte hemorragia cerebral que alterou a vida da minha família. Na época, eu tinha 5 anos. Sua personalidade mudou, e eram comuns os episódios de raiva. Eu, que era muito próxima dele, me tornei alvo de pequenas violências. Um dia eu estava brincando no chão da sala e ele tentou me acertar com a bengala. Não lembro como me livrei, mas ele caiu no chão. Minha mãe chamou a polícia, e meu pai foi internado em um hospital psiquiátrico – na época, na Escócia, o nome dado a instituições do tipo era asilo para lunáticos. Pouco tempo depois, ele conseguiu escapar durante a noite e foi encontrado na manhã seguinte, afogado num riacho ao fundo do hospital, onde tirou a própria vida.

Corria a década de 60, e os estigmas dos distúrbios mentais e do suicídio eram ainda maiores do que hoje. Os membros da nossa igreja se afastaram da minha família. Tivemos de nos mudar de cidade. Falar sobre a morte do meu pai era um grande tabu na minha casa, então nos calamos. Interiorizei meus sentimentos e fingi o máximo possível para mostrar que estava sempre bem. Tudo isso culminou na minha internação.

Fiquei no hospital por um mês. Na primeira noite, achei que iria morrer. Na minha mente, meu pai não sobreviveu à mesma experiência. Fui medicada e comecei afazer psicoterapia individual e em grupo. Como era uma unidade hospitalar de cunho cristão, conheci outras pessoas com a fé e a psique abaladas. Em determinado ponto do tratamento, percebi que eu não era perfeita, e que meu relacionamento com Deus não exigia que eu o fosse. Depois desse episódio, quando voltei à ativa, muitas pessoas me disseram: “Você não pode contar sobre isso a ninguém, pois nunca mais vão confiar em você para falar em igrejas ou em um programa na TV para cristãos”. Mas lembrei que manter em segredo o que tinha acontecido na minha família foi o que me levou ao limite das minhas emoções e agravou minha doença. Optei pela verdade.

Atualmente, existe uma vertente de cristãos que entende a importância do tratamento clínico da saúde mental. Mas há quem diga: “Se você tiver mais fé, se acreditar mais em Deus, a depressão irá embora”. Isso e ridículo. É o mesmo que dizer para alguém que quebrou a perna: “Tenha mais fé, levante-se e ande”. Acredito que todos os mecanismos que temos para tratar transtornos mentais são bênçãos de Deus. Agradeço a Deus, todos os dias, por meus antidepressivos. Não espero ser curada, pois entendo a depressão como uma doença de tratamento contínuo. Já tive vergonha disso, mas não tenho mais. Comecei a falar abertamente sobre depressão nas igrejas por onde passo, e encontro muitas pessoas, especialmente mulheres, que me dizem que sofrem de sintomas parecidos, ou que, envergonhadas, tomam remédios controlados.

Líderes religiosos pegam trechos bíblicos fora de contexto e afirmam coisas como: “Você não deve tomar remédios, pois Deus é quem dá forças, afinal, “tudo posso naquele que me fortalece” – famoso versículo que consta em Filipenses 4:13. Ao longo das minhas viagens, já passei por igrejas do Brasil, da Austrália, da África, e sinto que os dilemas são parecidos ao redor do mundo: somos muito duros conosco. Especialmente as mulheres, tão cobradas no ambiente religioso, como se pudessem ser a própria Mulher-Maravilha, do tipo que faz tudo: cuida da casa, da família, do trabalho, da igreja, da beleza. Mas é impossível.

Espero que cheguem ao fim a vergonha e o estigma de quem sofre com a saúde mental. Por esse motivo passei a escrever livros sobre o tema, como Tudo Bem Não Estar Bem (Thomas Nelson). É a frase que tem me guiado: nem sempre estamos bem, e tudo bem. Se você luta com transtornos mentais, saiba que não está sozinho, e que não é um cristão inferior. Não é um problema com sua espiritualidade. É a química do seu cérebro, e existe ajuda para isso.

SHEILA WALSH, 63 anos, cantora e autora cristã, é publicada no Brasil pela editora Thomas Nelson

GESTÃO E CARREIRA

DESPRAZERES DA CARNE

A anunciada fusão entre BRF e Marfrig não animou o mercado e acabou sendo enterrada por conta de discordâncias em relação ao comando dos negócios

No dia 30 de maio, depois do fechamento do mercado, as brasileiras BRF e Marfrig anunciaram a assinatura de um memorando para estudar a fusão entre as empresas. Com potencial de criar a quarta maior companhia de carne do mundo, faturamento anual de R$ 80 bilhões e valor de mercado de R$ 26,5 bilhões, o negócio seria analisado por até 90 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 30 dias. Não precisou de todo esse tempo. No dia 11 de julho, menos de um mês e meio depois, a fusão foi descartada. No comunicado oficial, a BRF informou “não ter sido atingido acordo quanto aos termos e condições relacionados à governança da companhia combinada”

Segundo fonte que acompanhou as negociações, cinco frentes de estudos foram abertas para debater a integração: sinergias operacionais, tributárias, financeiras, estrutura societária e modelo de negócios combinados. “Já de cara houve divergências na estrutura societária”, diz a fonte. “Tivemos muitas dificuldades de avançar nesse tema.” A BRF tinha como objetivo inegociável replicar todo o seu modelo de governança. A empresa está listada no Novo Mercado da B3 e tem ADR nível três, o mais exigente para ações negociadas em Nova York. Isso demanda atender aos requisitos da lei Sarbanes-Oxley americana, aos quais a Marfig não tem aderência. Essa decisão dos acionistas e executivos da BRF desagradou Marcos Molina, o controlador da Marfrig, que desejava ter mais voz na nova empresa.

O perfil societário das duas companhias é bastante diferente. A BRF possui controle disperso, tendo como principais acionistas os fundos de previdência Petros e Previ. A gestão é comandada por executivos de mercado como Pedro Parente, presidente do conselho, e Lorival Luz, presidente da empresa desde junho. Já a Marfrig é uma típica empresa com dono. Molina dá as cartas e toma todas as decisões mais importantes. A proposta de fusão considerava que os acionistas da BRF deteriam 84,98% das ações e os da Marfrig, 15,05%. Dessa forma, Molina seria o maior acionista da nova empresa, mas com apenas 5% do controle. Não era suficiente para definir as estratégias da nova companhia.

O fracasso das negociações não surpreendeu o mercado. Além de notícias de que Petros e Previ não se animavam com o plano, os analistas do setor não acreditavam em ganhos operacionais com fusão. “Elas não são muito complementares”, diz Oscar Malvessi, coordenador do curso de fusões e aquisições da Fundação Getúlio Vargas. “No mundo todo, as empresas estão dando foco total em seu principal negócio. Por que a BRF e a Marfrig iriam querer mudar de negócio?” A Marfrig é uma grande força mundial da venda de carne bovina. Em especial para os EUA, que representa 70% dos seus negócios. Já a BRF se destaca em aves e suínos, com produtos processados das marcas Sadia e Perdigão, consumidas em três grandes mercados: Brasil, países árabes e Ásia.

DOIS MAIS DOIS 

O negócio parecia fazer sentido do ponto de vista financeiro, mas não no operacional. O nível de endividamento da BRF diminuiria com o negócio. A empresa opera com uma alavancagem de 4,6 vezes, considerando a sua dívida líquida em relação ao Ebitda. Já a Marfrig tem índice de 2,1 vezes. “Elas somariam dívidas”, diz Malvessi. “A lógica para uma fusão é buscar uma sinergia em que, quando se soma um mais um, o resultado é mais de dois. Mas, no caso, a soma daria menos de dois.” Na BRF, no entanto, a percepção é que haveria ganhos adicionais. Além de uma presença global e diminuição do endividamento, a transação traria acesso a crédito mais barato, devido à força da Marfrig nos EUA.

O fim dos planos de fusão não vai, porém, afetar a relação comercial entre as empresas na distribuição de produtos para supermercados e quiosques. “Apesar do término das tratativas, o relacionamento entre a companhia e a Marfrig permanecerá inalterado e não haverá quaisquer modificações nas práticas, condições e termos previstos em contratos por elas celebrados”, disse a BRF em comunicado assinado por Lorival Luz. Isso significa que a Marfrig continuará fornecendo carne para BRF que é usada, por exemplo, nos hambúrgueres da Sadia. O casamento não saiu, mas a amizade continua.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO ONZE – CULTIVANDO A COMPETÊNCIA

“Onde quer que você esteja, seja bom.” — Abraham Lincoln

Pensamento-chave: Se vale a pena fazer, vale a pena fazer direito.

Jamais podemos superestimar a importância da integridade e caráter, e também não deveríamos minimizar a significância de sermos habilidosos e competentes.

Você se lembra do que o Salmo 78:72 diz acerca de Davi? Diz que Deus “… os dirigiu com mãos precavidas”.

Se eu tenho um problema com o meu veículo, não quero simplesmente um mecânico que ama Jesus trabalhando no meu carro; eu quero um mecânico que seja realmente habilidoso para consertar carros. Do mesmo modo, se busco socorro médico, eu não quero ver apenas um médico que seja legal e honesto; eu quero um que seja altamente competente para diagnosticar precisamente e tratar a enfermidade.

Quando se trata de servir a Deus, nosso desejo deveria ser de dar a Ele absolutamente o nosso melhor. Apesar de reconhecermos que a nossa habilidade vem Dele, deveríamos nos esforçar para seguirmos o exemplo do Senhor Jesus Cristo. Marcos 7:37 (AMP) diz: “Eles estavam esmagadoramente atônitos, dizendo: Ele fez tudo com excelência (com louvor e nobreza)”.

JESUS ERA UM CARPINTEIRO DESLEIXADO?

Eu não acredito que Jesus começou a ser comprometido com qualidade e excelência quando se tornou um pregador. Acredito que a Sua atitude e determinação era fazer todas as coisas para a glória e honra de Seu Pai Celestial, quer envolvesse construir uma mesa como um carpinteiro, ou pregar um sermão como um ministro.

Não consigo simplesmente imaginar Jesus voltando para a Sua terra natal para pregar e as pessoas não estando interessadas em ouvi-lo porque ele tinha sido um carpinteiro terrível. Acredito que Jesus fez tudo o que fez para a glória e honra de Deus. Eu simplesmente não consigo imaginá-lo como um trabalhador desleixado, apático e descuidado, produzindo artigos inferiores.

Ao longo de todo o Antigo Testamento, a apreciação de Deus por qualidade é claramente evidente:

•  Os trajes que foram feitos para o uso no tabernáculo do Antigo Testamento foram “habilidosamente tecidos” (Êxodo 28:4,39).

•  Aqueles designados para ajudar na edificação do tabernáculo foram citados como homem hábil” (Êxodo 36:1).

•  Davi, antes mesmo de ser ungido para ser rei, foi descrito como: “… sabe tocar e é forte e valente, homem de guerra, sisudo em palavras e de boa aparência; e o SENHOR é com ele” (1 Samuel 16:18).

•  Em 2 Crônicas 2, Salomão está se preparando para edificar o Templo. Nesse capítulo, palavras relacionadas à habilidade aparecem várias vezes.

•  Esdras foi descrito como “escriba versado” (Esdras 7:6).

•  “Então, o mesmo Daniel se distinguiu destes presidentes e sátrapas, porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava em estabelecê-lo sobre todo o reino” (Daniel 6:3).

•  Salmos 33:3 diz: “Entoai-lhe novo cântico, tangei com arte e com júbilo”.

•  E, para finalizar a ideia a respeito de qualidade: Qual é a única coisa que todos queremos ouvir quando nos colocarmos diante de Jesus? “Muito bem, servo bom e fiel” (Mateus 25:21).

RETRATOS DE EXCELÊNCIA

Martin Luther King, Jr. capturou o espírito de excelência quando disse: “Se um homem foi chamado para ser um gari, ele deve varrer as ruas do mesmo modo como Michelangelo pintou, ou Beethoven compôs músicas, ou Shakespeare escreveu poesias. Ele deve varrer as ruas tão bem que todas as hostes dos céus e da terra pararão para dizer: ‘aqui viveu um grande gari que fez o seu trabalho muito bem’”.

Aristóteles disse: “Excelência é uma arte conquistada por treino e hábito. Não agimos corretamente porque temos virtude ou excelência, mas ao contrário, nós as temos porque agimos corretamente. Nós somos o que fazemos repetidamente. Excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito”.

O general H. Norman Shwarzkopf compartilhou a seguinte observação: “Conheci muitos líderes no exército que eram muito competentes — mas eles não tinham caráter… também encontrei muitos líderes que tinham um caráter magnífico, mas que necessitavam de competência… Para liderar no século 21, será exigido de você ambos: caráter e competência”.

Muitos ouviram a respeito de John Wooden, antigo treinador de basquete da Universidade da Califórnia. Talvez muitas das suas realizações foram devidas, pelo menos em parte, ao fato de que seu pai lhe ensinara, quando era jovem: “Faça de cada dia a sua obra-prima”.

Vejamos algumas áreas nas quais podemos desenvolver competência.

COMPETÊNCIA AO TRABALHAR COM PESSOAS

Ministério é, em sua grande extensão, um “negócio de pessoas”. É ótimo amar a Deus, adorá-lo, orar, mas também precisamos ser capazes de trabalhar bem com as pessoas, se iremos ser eficazes no ministério. Roboão é um exemplo clássico de um líder que sabotou a sua própria eficiência e potencial porque ele não sabia como estabelecer e manter bons relacionamentos com as pessoas. Quando as pessoas buscaram um pouco de alívio da fadiga que experimentaram sob o reinado de Salomão, Roboão respondeu duramente ou asperamente. Um pouco de gentileza e diplomacia teria operado maravilhas, mas Roboão perdeu dez das doze tribos, sobre as quais ele poderia ter governado (2 Crônicas 10:1-17).

“O mais importante ingrediente na fórmula do sucesso é saber conviver com as pessoas.” — Theodore Roosevelt

Existem três dimensões de relacionamentos com as quais precisamos aprender a trabalhar:

•   Devemos aprender a trabalhar bem com aqueles que estão em autoridade sobre nós — a palavra-chave aqui é submissão.

•   Devemos aprender a trabalhar bem com aqueles que são nossos iguais e cooperadores — a palavra-chave aqui é trabalho em equipe. O grande jogador Mia Hamm disse: “Sou membro de um time e eu dependo do time, submeto-me ao time e me sacrifico por ele, porque o time, e não o indivíduo, é o campeão final”.

•   Devemos aprender a trabalhar bem com aqueles que estão sob a nossa supervisão — a palavra-chave aqui é diplomacia.

A Bíblia não nos garante sucesso automático em cada relacionamento, ou que seremos capazes de conviver com todas as pessoas na terra; entretanto, devemos dar o nosso melhor. Existem livros à disposição que podem nos ajudar a desenvolvermos as nossas habilidades com as pessoas e nos ensinam a conviver com pessoas difíceis. Nós também podemos aprender a extrair o melhor dos outros, de modo a cultivarmos os melhores resultados possíveis nos diversos relacionamentos que temos.

COMPETÊNCIA AO MANUSEAR A PALAVRA DE DEUS

Paulo disse a Timóteo: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15). Paulo disse que um bispo deveria ser “… um mestre qualificado e capaz” (2 Timóteo 3:2, AMP) e que alguém em tal posição de liderança deve ser “apegado à Palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino, como para convencer os que o contradizem” (Tito 1:9).

A capacidade à qual estamos nos referindo não é meramente ter uma compreensão mental a respeito das verdades da Bíblia, mas também se aplica a ser espiritualmente sensível ao Espírito Santo e às necessidades das pessoas. Isaías disse: “O SENHOR Deus me deu língua de eruditos, para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado. Ele me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que eu ouça como os eruditos” (Isaías 50:4). Não buscamos habilidade ao manusear os textos bíblicos apenas para que possamos ganhar argumentos, mas para que sejamos capazes de ministrar eficazmente àqueles que estão sofrendo e desencorajados.

O apóstolo Paulo reconheceu que havia mais habilidade em ministrar a Palavra de Deus do que estar “tecnicamente” correto acerca de alguma coisa, especialmente se temos uma atitude legalista. Ele disse que Deus “… nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Coríntios 3:6). É importante que não ministremos apenas a verdade de Deus, mas também o coração de Deus.

COMPETÊNCIA EM SUA ÁREA DESIGNADA DE RESPONSABILIDADE

A questão deveria ser evidente para todos. Se você escreve cartas, então, escreva-as bem. Se você trabalha com som, então seja bom nisso. Se você é alguém que recepciona, então faça as pessoas realmente se sentirem bem-vindas. O que quer que você faça, faça com o mesmo nível de entusiasmo e qualidade que você demonstraria se estivesse fazendo para o próprio Jesus.

Dan Reiland disse: “Demasiadas vezes, no ambiente de trabalho da igreja, aplicamos a graça incorretamente. Alguém comete um erro ou fica aquém do padrão de excelência e nós dizemos: ‘Ah, está TUDO BEM’. Ah, não está TUDO BEM. Jesus não morreu na cruz para TUDO BEM. Ele merece o nosso melhor. Você pode ser gentil em sua comunicação e ser paciente em seu treinamento, mas não reduza as suas expectativas. A causa de Cristo é digna do melhor de cada um”.

Em muitas igrejas, voluntários (e, às vezes, funcionários) são escolhidos para trabalhar em uma área na qual eles não são altamente qualificados ou competentes. Eles deveriam se recusar a trabalhar se eles não têm um doutorado nessa área? Certamente que não! Mas deveriam aprender tudo o que podem acerca dessa área específica e adquirir toda a proficiência e competência que puderem, de modo a realizarem um bom trabalho.

Durante o meu primeiro ano de seminário, eu trabalhei como um zelador em uma igreja local. Eu sabia como manusear um aspirador de pó, e era isso o que eu fazia. Você deve estar imaginando quantos erros um zelador pode cometer se ele não for habilidoso! Bem, eu quero que você saiba que eu descobri pelo menos alguns deles!

Uma das minhas atribuições era aspirar a área da plataforma no santuário. Enquanto eu aplicava a cera e removia a poeira, sentia como se estivesse realizando um ótimo trabalho. Entretanto, jamais me ocorreu que aplicar a cera sobre o teclado do piano não era uma boa ideia. Como eu não era um músico, eu não compreendia que os pianistas não apreciam teclas escorregadias! Eu fui “gentilmente ensinado” e não cometi o mesmo erro novamente.

Empregadores e supervisores reconhecem que indivíduos necessitam de algum treinamento e instrução, e eles também admitem que um erro honesto será cometido de tempos em tempos. Entretanto, eles certamente não esperam que as pessoas cometam os mesmos erros, repetidamente.

Para que sejamos competentes e permaneçamos efetivos em nossas habilidades, é imperativo que sejamos ensináveis — sempre aprendendo — e sempre buscando nos aperfeiçoar. Às vezes, as pessoas estão em certa posição, mas elas não se mantêm por dentro das novas informações ou as mais recentes tecnologias acerca daquela posição e logo o seu trabalho as “ultrapassa”. Alguém disse: “Não seja o mesmo. Seja superior àquele que era ontem”. John Wesley foi grande ao ser um constante aprendiz. Considere estas declarações feitas por Wesley:

“Cristãos que leem são cristãos que crescem. Quando os cristãos param de ler, eles param de crescer.”

“Aquele que não lê mais deveria largar o ministério.”

“Uma vez a cada sete anos, eu queimo os meus sermões; pois é uma vergonha se eu não puder escrever melhores sermões agora do que há sete anos.”

SE VALE A PENA FAZER…

Todos ouvimos a frase: Se vale a pena fazer, vale a pena fazer direito. Oswald Chambers engrandeceu essa que já era uma grande ideia, por meio do título do seu livro clássico, Tudo Para Ele. Que belo e poderoso pensamento. Eclesiastes 9:10 também expressou esse princípio com estas palavras: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças”. Vamos aplicar isso a todas as áreas das nossas vidas, especialmente em nosso serviço a Deus, à medida que continuamente cultivamos a competência.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A IMPORTÂNCIA DOS ABRAÇOS

Afeto e carinho dos pais no bebê ajudam a formatar o sistema nervoso de forma saudável

Ao observar a interação entre os pais e seu bebê, uma das coisas que mais chamam atenção são os beijos e amassos que são aplicados a todo instante, quase que instintivamente. Esse tipo de interação é universal, está presente em todas as culturas humanas e possui forte base instintiva, tendo como impulsionador a oxitocina.

A oxitocina é um hormônio e neurotransmissor que o hipotálamo produz e a glândula pituitária secreta, e foi inicialmente identificada como essencial no processo de parto em mamíferos, pois estimula as contrações uterinas e a lactação. Com os estudos que foram feitos em sequência, logo ficou claro que seu papel é muito mais profundo e abrangente, uma vez que afeta a interação social e o vínculo entre as pessoas. Por essa razão, os neurocientistas chamaram a oxitocina de “hormônio do amor”.

Esse hormônio atua facilitando o vínculo entre aqueles que compartilham características semelhantes, promovendo distinções entre membros internos e externos de um grupo, estimulando o favoritismo em relação aos membros internos e o preconceito contra aqueles que são percebidos como pertencentes a grupos externos. A oxitocina está presente em ambos os sexos e estimula tudo o que está relacionado ao processo reprodutivo, como o estabelecimento da confiança e da excitação sexual. A oxitocina nos recompensa por viver com os outros, estimulando os centros de prazer e recompensa, sendo um dos suportes neurobiológicos da ligação social.

Nós, humanos, somos por natureza extremamente sociais, e a inclusão e a interação interpessoal são necessárias para nossa sobrevivência. O isolamento pode facilmente levar à depressão e a outros quadros psicopatológicos. Nesse sentido, a oxitocina promove a atração e a ligação entre os casais. Além disso, a oxitocina é essencial para o desenvolvimento cerebral embrionário, desempenhando um papel importante na formação de vasos sanguíneos na glândula pituitária, que controla vários processos fisiológicos, como estresse, crescimento e reprodução.

O processo de criar ligações seguras entre as pessoas exige a confiança promovida pela ação da oxitocina, e esse processo começa com o vínculo entre pais e filhos. Já durante a gravidez, o cérebro produz alto nível de oxitocina para estimular o trabalho de parto. Após o nascimento, a oxitocina é ainda maior em bebês do que nas mães, e combinada com outro hormônio chamado prolactina estimula a produção de leite para a amamentação. Enquanto o bebê estiver mamando, os níveis de oxitocina ficam altos para a mãe e o bebê.

É importante perceber que a oxitocina é a regente de uma cascata de reações que influencia a liberação de outras substâncias sinalizadoras, como opioides, serotonina, dopamina e noradrenalina. Através dessa cascata, diferentes eleitos comportamentais e fisiológicos são coordenados em padrões adaptativos, dependendo do tipo de estímulo e fatores ambientais.

A oxitocina pode ser liberada pela ativação de vários tipos de nervos sensoriais da pele. A pressão, o calor e o acariciamento contribuem para a liberação de oxitocina causada pela

estimulação sensorial da pele. Os recém-nascidos usam as mãos, além da boca, para estimular o fluxo de leite, o que promove a produção de oxitocina na mãe para a liberação do leite. Um estudo que focou nas interações dos pais com seus bebês descobriu que os níveis de oxitocina aumentaram onde havia interação positiva com seus bebês. Esse aumento de oxitocina foi verificado em pais que desfrutaram de relações próximas positivas com seus parceiros e com seus próprios pais, o que indica que transmitimos o hormônio do amor por meio da interação social positiva. Já na urina de mães estressadas e com interação negativa com seus bebês foram verificados níveis reduzidos de oxitocina.

Portanto, os abraços que instintivamente aplicamos nos bebês são extremamente importantes, pois o toque estimula o cérebro a produzir oxitocina. As interações pessoais saudáveis estimulam a liberação de hormônios, que se relacionam diretamente com a capacidade de confiar e formar relacionamentos significativos. Ou seja, os abraços e o afeto na infância são algo instintivo e promovem uma sólida base emocional, que permite desenvolver confiança e fortes laços com os outros mais tarde. Portanto, baseado nos mais recentes estudos em neurociências, abrace e beije muito seu bebê, pois esse é um dos mais belos presentes para seu futuro.

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC)e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed.2011)

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ESPÍRITO INOVADOR EM ETERNO MOVIMENTO

Pouco conhecida do público, Marinella Pirelli (1925-2009) é tida como uma das artistas inovadoras e inquietas de sua geração. Fascinada pela imagem em movimento, nos anos 60 ela deu às investigações que acabariam por definir seu trabalho – o cinema experimental e a projeção de luz. Sobre aquele período, certa vez, Marinella contou: “Eu sempre tinha uma câmera comigo. Como o pintor faz do lápis e o papel, eu usava minha câmera para fazer anotações. Assim desenvolvi meu trabalho”. E assim Marinella se transformou em um dos principais nomes da arte cinética na Itália. Sua produção nesse período é tema de exposição no Museo del Novecento, até 25 de agosto, em Milão. A mostra ocupa dez salas e, no centro está Film Ambiente, uma instalação de “cinema móvel”, de 1969, apresentada no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2004. Film Ambiente reforça a influência da artista no Cinema Expandido – movimento dos anos 70 que busca revolucionar o modo tradicional de cinema, ao propor o diálogo entre o espectador, o filme a que assiste eo ambiente onde ele é exibido.