A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AUTISMO COMO TRANSTORNO DE PREDIÇÃO

Uma nova teoria concebe o autismo como relacionado à dificuldade de prever corretamente a sequência de acontecimentos

Pensamos normalmente na magia de forma poética, imaginando que seria algo desejável viver em um mundo com encantamento. No entanto, para as pessoas com características do espectro autista, a magia pode extrapolar a capacidade de lidar com as situações do cotidiano e se transformar em um pesadelo. Uma nova teoria coloca a magia como um aspecto central da cognição do transtorno autista, apontando o papel da previsibilidade na vida mental das pessoas com essa condição.

Segundo essa teoria, alguns aspectos salientes do fenótipo do autismo podem ser manifestações de um comprometimento nas habilidades de previsão, que leva indivíduos com autismo a enxergar o mundo como um lugar aparentemente mágico, tornando a leitura da realidade esmagadoramente complexa e comprometendo a capacidade de interação.

Um mundo em que os eventos ocorrem inesperadamente e sem casualidade identificável se torna assustador e imprevisível. Com essas condições temos o componente essencial de um fenômeno mágico: a falta de uma causa discernível. Um evento que não podemos prever acontece aparentemente de forma aleatória, como se ocorresse por magia. Se as nossas habilidades preditivas foram de alguma forma prejudicadas, então até ocorrências banais e cotidianas no ambiente podem parecer mágicas. Um mundo mágico envolve falta de controle e implica em perda da capacidade de realizar ações preparatórias

O autismo envolve dificuldades de comunicação social e comportamentos repetitivos que podem estar associados a uma diminuição da capacidade de discernir relações preditivas entre entidades ambientais.

Além disso, a insistência na mesmice é uma característica do autismo, exibida por mais de um terço de todos os indivíduos no espectro autista. Esses pensamentos e ações repetitivos podem incluir rigidez comportamental, apego exagerado as rotinas, resistência à mudanças e adesão obsessiva aos rituais.

Podemos imaginar um link entre as deficiências preditivas e insistência em rituais. A imprevisibilidade do ambiente está firmemente associada com a ansiedade. A previsibilidade é fundamental e uma redução na capacidade de prever eventos, mesmo sem qualquer consequência negativa aumenta a ansiedade.

Estudos com humanos e animais revelam que o ritualismo envolve comportamentos que emergem sob condições de imprevisibilidade como uma resposta calmante a um estressor imposto externamente. Isso sugere que rituais e uma insistência na mesmice podem ser uma consequência e uma forma de reduzir a ansiedade decorrente da imprevisibilidade. Permanecer em um script é o único meio de manter a ansiedade no mínimo, na verdade uma maneira de se adaptar a um ambiente caótico.

O stimming, ou comportamentos auto estimulantes se torna mais saliente em situações estressante sugerindo que esse padrão pode ser uma resposta a um mundo caótico, como uma tentativa de abafar o fluxo de informações ambientais imprevisíveis por estimulação autogerada mais previsível.

Outro aspecto do autismo, já verificado em vários estudos anteriores é sua dificuldade com a “teoria da mente”, a capacidade de imaginar outras mentes que não a sua própria. Uma teoria da mente é inerentemente uma tarefa de previsão. Requer a capacidade de atribuir coisas invisíveis a observações sobre uma pessoa, conectando o histórico passado com o comportamento atual, de forma a deduzir por que uma pessoa agiu de determinada maneira, ou mesmo antecipando como uma pessoa está propensa a agir.

O prejuízo na previsão tornaria um observador com dificuldade preditiva incapaz de situar observações atuais sobre um indivíduo no contexto de seus antecedentes ou estudos futuros prováveis. O observador vai inevitavelmente interpretar as situações humanas como sendo literais e acontecendo no momento, sem influência da história passada e sem conexão com eventos futuros.

Um indivíduo autista, não tendo a sua capacidade preditiva, fica limitado a interpretar se comportamentos das pessoas sem qualquer histórico motivador, o que torna o mundo das relações humanas misterioso e enigmático, sendo potencialmente aversivo.

Finalmente, autistas têm uma apreciação reduzida de senso de humor. Um componente central do humor é a violação da expectativa, ou seja, achamos engraçado quando uma sequência previsível é quebrada com um imprevisto. Podemos exemplificar com a anedota do sádico e a masoquista. A masoquista suplica ao sádico “me bate” e a resposta do sádico é “não”! Existe uma previsão de como uma determinada sequência se desdobra, e ocorre um desvio dessa previsão, o que geralmente implica um resultado humorístico. Com dificuldades ao fazer uma previsão, um indivíduo autista não consegue detectar a quebra de previsibilidade e não acha graça. Portanto, a capacidade para perceber o humor em narrativas ou observações é diminuída no autismo.

Essa noção de dificuldades na previsibilidade como elemento essencial nos fenótipos autistas pode levar a melhoramentos no diagnóstico e mesmo nos tratamentos dessa difícil condição.

MARCO CALLEGARO – Épsicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (CTC), e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed, 2011)

OUTROS OLHARES

BANQUETE SUBAQUÁTICO

A cozinha norueguesa, que anda em alta, ganhou uni atrativo extra com a inauguração, em março, do Under, o primeiro restaurante europeu que funciona debaixo d’água. Fica em Lindesnes, no Atlântico, perto da ponta sul do recortado país nórdico, a 300 quilômetros da capital, Oslo. O salão de refeições, com capacidade para 40 comensais, está a 5,5 metros de profundidade, de onde se pode observar a vida marinha através de grandes janelas de vidro reforçado. A estrutura de concreto, metade acima da linha d’água, a outra metade submersa, lembra uma instalação – o projeto é do escritório Snohetta, que assina a Oslo Opera House. O novo restaurante, que também serve como espaço de pesquisa e faz transmissões ao vivo de sua visão privilegiada do mar, serve um menu de 18 pratos a partir de USS 370, sem vinho. Caro? Todos os lugares estão lotados

GESTÃO E CARREIRA

POR QUE PENSAR EM GESTÃO DE DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS?

A sua empresa pensa em gestão de desenvolvimento de pessoas com o objetivo de extrair o que cada líder tem de melhor e, assim, aumentar a produtividade e faturamento? Aumento de resultados, seja em produtividade, seja faturamento, só pode vir se fizermos coisas diferentes. Fazer o que sempre fizemos não nos levará mais longe.

Fazer diferente tem uma relação direta com o estímulo que a liderança dá para as pessoas utilizarem mais de suas capacidades. Recentemente, uma empresa decidiu aumentar a participação das pessoas na solução de problemas, aumentando o grau de autonomia de cada colaborador na sua atividade. Muito legal, não é? Mas na hora H, as pessoas traziam ideias e não eram acolhidas pelos líderes, que pouco direcionavam para fazer diferente. Ao contrário, moldavam as pessoas para fazer o que sempre fizeram.

-Ah! Você ainda não começou a desenvolver sua liderança? Com certeza está perdendo resultados e produtividade. Há um motivo central para considerar a liderança o seu principal foco de desenvolvimento. Ela é o motor ou a trava para as coisas acontecerem. Ela é fonte de capacidades maiores para se trabalhar colaborativamente na construção de uma cultura de agilidade e melhor desempenho. Não há cultura empresarial melhor sem liderança mais flexível, inovadora e ativa.

Fundamental também é entender que o papel da liderança de mandar e determinar verticalmente para as coisas acontecerem não vale mais. Esta mudança de papel em que o líder deixa de saber tudo e passa a ser um facilitador de conhecimentos vindos das pessoas, dos times e de fora da organização precisa ser desenvolvida. Caso contrário, os líderes continuarão repetindo o que foram ensinados a fazer.

Declarar na alta administração, pelo CEO, pela diretoria, que seremos inovadores, que faremos transformação digital, que teremos uma cultura mais ágil não é suficiente para esses executivos saberem como fazer. Já sabem que têm que fazer, pois está no espírito do tempo e, certamente, se enroscam na hora de executar a política que declararam.

Certa vez, um CEO decidiu que iria entrar na transformação digital, contratou um executivo para este tema e pediu para enquadrar-se em um dress code mais formal. Difícil tarefa, pois a turma mais livre, espontânea e digital tem seu próprio “dress code”. Declarar a transformação digital e investir nela não despertou, no CEO, que deveria rever a forma de lidar com o novo ambiente.

O primeiro nível de liderança, que está mais próximo da operação, também sofre com as novas formas de gestão. Não é tão simples empoderar pessoas. Então dizem: “Você está empoderado, mas faz o que mandei e deixa eu ver tudo que você está fazendo”. Como as transformações são profundas, não se trata de escrever projetos e planos de ação. As transformações são orgânicas e as mudanças mais profundas moram nos detalhes. Por isso, ter uma consultoria profissional ajudando-o pode ser um bom caminho. Ela pode dar agilidade à transformação. Esclareço que agilidade não é chegar lá tão rápido. Uma mudança na cultura organizacional leva de três a sete anos com intervenção externa. E de cinco a doze anos sem intervenção especializada.

De qualquer forma, há empresas cuidando de dentro para fora da transformação cultural e, do ponto de vista interno, é importante explicar o que se deseja e mostrar que é possível ser feito. Assim, a mudança mais refinada depende de expertise e flexibilidade para ajustar os temas. Como a cultura e a empresa não existem sem pessoas, a gestão dessas pessoas é a chave quando se deseja mudar.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 17 – REFLEXOS DO ESCÂNDALO

“Aqueles que ensinam por meio da doutrina precisam ensinar por intermédio de suas vidas, senão eles derrubarão com uma das mãos o que construíram com a outra.” — Matthew Henry

Pensamento-chave: Líderes espirituais precisam entender que suas decisões e ações nunca são “privadas”, pois eles têm o potencial de trazer grande vergonha à causa de Cristo.

O que acontece quando um escândalo atinge a igreja? Qual é a consequência? Todos os crentes, e especialmente aqueles em posição de liderança espiritual e em responsabilidade na igreja, deveriam lembrar-se frequentemente do significado dos seus testemunhos.

O rei Davi criou um mundo de dores e problemas quando cometeu adultério com Bate-Seba (e então assassinou Urias em uma tentativa de encobrir o seu erro). Davi foi perdoado do seu pecado, mas ainda assim houve graves repercussões. O restante da vida de Davi foi marcado por “dores de cabeça” e tragédias, por conta disso o seu reinado foi marcado por um desastre após o outro.

Vamos observar três consequências do pecado de Davi:

1. NATÃ DISSE: “NÃO SE APARTARÁ A ESPADA JAMAIS DA TUA CASA”

(2 Samuel 12:10). Isso é preocupante! É importante entender que o perdão espiritual não erradica imediatamente todas as consequências das nossas ações. Se eu roubar um banco amanhã, eu creio que Deus me perdoará; contudo, os tribunais provavelmente não. Por conseguinte, eu envergonharia a minha família e destruiria a confiança que outros depositam em mim. Confiança é a moeda do ministério, e sem credibilidade nossa habilidade de influenciar a vida de outras pessoas é grandemente comprometida. Sim, Davi recebeu perdão, mas as ramificações das consequências do seu pecado foram experimentadas socialmente, nos relacionamentos e politicamente. Por causa do seu pecado, as consequências foram intensas, horríveis e em longo prazo.

2. DEUS NÃO OLHOU PARA DAVI COMO ALGUÉM QUE MERAMENTE CEDEU À TENTAÇÃO; AOS OLHOS DE DEUS O PECADO DE DAVI FOI MAIS PROFUNDO QUE ISSO.

Em referência ao ato de desobediência de Davi, Deus disse: “… porquanto me desprezaste…” (2 Samuel 12:10). Deus toma nossa obediência (e nossa desobediência) muito seriamente e muito pessoalmente. Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (João 14:15). Deus nunca fica impressionado com as nossas palavras se as nossas ações estiverem erradas. 1 João 2:4 declara: “Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade”. Antes de haver uma “Grande Comissão” havia um “Grande Mandamento”, que envolve amar o Senhor nosso Deus com todo o nosso coração, alma, mente e forças. Amor real a Deus produzirá obediência a Ele.

3. OUTRA SERÍSSIMA AFIRMAÇÃO É:

“Mas, posto que com isto deste motivo a que blasfemassem os inimigos do SENHOR…” (2 Samuel 12:14). Sabemos que o Evangelho é verdadeiro, mesmo que um ministro em particular o esteja vivendo ou não; contudo, a sociedade como um todo tende a julgar a mensagem pelo mensageiro. Quando Paulo falou daqueles que pregavam uma coisa e viviam outra (Romanos 2:21-24), ele encerrou as suas observações com: “… o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa”.

Começando em Mateus 18:6, Jesus falou a respeito de ofensas, e apontou sérias consequências a quem ofender “um destes pequeninos”. As palavras traduzidas por “ofender” e “ofensa” (usadas seis vezes nesses poucos versículos), em grego são skandalizo e scandalon. Essas palavras dão origem à nossa palavra “escândalo” em português.

Comportamentos escandalosos por parte dos cristãos trazem ofensa e levam pessoas a tropeçarem. Isso desanima e confunde crentes novos na fé, alienam aqueles que podem estar considerando a ideia de se unirem ao Cristianismo, e oferece uma grande ocasião para o inimigo do Senhor blasfemá-lo.

O que eu estou escrevendo não intenta projetar condenação a qualquer um que falhou no passado. Somos chamados a sermos participantes da misericórdia e restauração (Gálatas 6:1; Tiago 5:19-20). Estou simplesmente resumindo o que foi um forte lembrete no tocante à seriedade do nosso chamado e do mandato que devemos abraçar relacionado à vida piedosa que devemos ter, caso vivamos para pregar o Evangelho efetivamente. Não é tempo de nos levantarmos em julgamentos contra outros; é tempo de examinarmos os nossos próprios corações no temor piedoso do Senhor.

Advertências contra o pecado existem desde o princípio. Quando Caim estava zangado e enciumado em relação a Abel, Deus disse: “Se tivesse feito o que é certo, você estaria sorrindo; mas você agiu mal, e por isso o pecado está na porta, à sua espera. Ele quer dominá-lo, mas você precisa vencê-lo” (Gênesis 4:7, NTLH).

Até mesmo Paulo, tão espiritualmente maduro como era, não confiava em sua carne. Ele disse: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Coríntios 9:27). As palavras de Spurgeon também continuam ressoando até hoje: “Qualquer ‘chamado’ que um homem finja ter, se ele não foi chamado para a santidade, ele certamente não foi chamado para o ministério”.39

Alguém descreveu o enganador e destrutivo poder do pecado desta maneira: “O pecado levará você além de onde você pretende ir, o manterá mais longe do que você pretende ficar, e lhe custará mais do que você pretende pagar!”

DIZENDO “NÃO”, DIZENDO “SIM”

Creio que os nossos destinos são formados mais pelas escolhas que fazemos do que pelas circunstâncias que enfrentamos. Nosso caráter e o nosso futuro são moldados pelas vezes que dizemos “não”, e às vezes que dizemos “sim”.

•   Abraão disse “não” às riquezas de Sodoma, e “sim” para as promessas de Deus.

•   José disse “não” à esposa de Potifar, e “sim” ao serviço fiel.

•   Moisés disse “não” aos tesouros do Egito, e “sim” às designações celestiais.

•   Eliseu disse “não” à prata de Naamã, e “sim” à integridade altruísta.

•   Daniel disse “não” aos manjares do rei, e “sim” à consagração piedosa.

•   Neemias disse “não” às negociações comprometedoras, e “sim” à persistência inabalável.

•   Paulo disse “não” ao ser pesado para as igrejas, e “sim” ao amor sacrificial.

•   Jesus disse “não” ao conforto, e “sim” à cruz.Jesus Cristo esperava que nós tivéssemos um “sim” forte e um “não” claro. Ele e Tiago disseram: “… que o seu ‘sim’ seja ‘sim,’ e o seu ‘não’, ‘não’”. Se nos sentimos forçados ou tentados quando precisamos fazer a coisa certa, é importante que voltemos para os nossos valores fundamentais e nos lembremos de quem Deus nos chamou para ser. Roy Disney disse: “Não é difícil tomar decisões quando você sabe quais são os seus valores

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O PERIGO DO CYBERBULLYING

A violência psicológica virtual causa impacto real na vida de crianças e adolescentes, gerando sérios prejuízos ao crescimento, autonomia e independência

O cyberbullying é disseminado a uma velocidade imensurável por meio das tecnologias de informação e comunicação.

É um tipo de violência praticado de modo virtual com o uso deliberado de comportamento hostil, com objetivo de provocar, difamar, insultar e humilhar. Ações que afetam psicologicamente crianças e adolescentes, homens e mulheres, causando impacto real no mundo mental de suas vítimas, acarretando sérios prejuízos; e quando se trata de crianças e adolescentes, interfere no crescimento, autonomia e independência.

A princípio não consiste em agressão física e devido a isso tende a ser menos divulgado e valorizado porque pode ser visto como algo menos danoso, o que é um engano, já que as consequências psíquicas podem ser tão ou mais graves que as do bullying tradicional marcado pela agressão física. Além disso, cabe ressaltar que o cyberbullying pode ser uma porta de entrada para outros tipos de violência psicológica, como aquela que induz a criança e o adolescente ao encontro com o agressor.

Uma das principais características que diferenciam o cyberbullying e bullying é a dificuldade de identificação do agressor. Desse modo, no contato virtual, um lugar inóspito em que não se vê corpo nem rosto e onde a informação tem grande velocidade, tornam-se mais demoradas a aproximação e o reconhecimento do agressor.

Esse tipo de violência tende a ser devastador para o mundo psíquico e pode ocorrer de diversas formas: através de mensagens de texto, imagens, perfis falsos, chat on-line, jogos on-line, entre outros. Com toda facilidade que existe com a tecnologia na atualidade, o desafio é manter privado aquilo que pertence à esfera privada. Isto é, tudo pode ser gravado, fotografado, editado e transmitido. A internet tem uma capacidade de disseminar informação de forma muito rápida, e por isso seu alcance passa a ter uma dimensão impensável. O que fica na rede não pode ser apagado, e, pior, pode ser compartilhado.

É importante ressaltar que por detrás dessa agressão pode haver alguma motivação: assustar a vítima, se vingar ou ainda se beneficiar financeiramente ou emocionalmente através desse comportamento sádico e perverso.

Atualmente tem se tornado comum um tipo de violência psicológica através da rede chamado – “revenge pornô” ou “pornografia de vingança”. Esse tipo de agressão psicológica virtual costuma ocorrer após o término de um relacionamento em que um dos envolvidos, motivado por vingança, decide divulgar cenas íntimas do outro, aqueles famosos “nudes”, as fotos nuas. As vítimas nesses casos são do sexo feminino. A ministra do Superior Tribunal de Justiça, Nancy Andrighe, classificou a “pornografia de vingança” ou exposição pornográfica não consentida como violência de gênero.

Tudo isso para dizer o quanto tem sido importante atentar para os cuidados com a privacidade. Em qualquer lugar, ou seja, em momentos em que se pode estar mais descontraído em uma festa, ou reunião de amigos, sua imagem pode ser captada através do aparelho de celular e posteriormente exposta. Essa exposição da imagem não se configura exatamente cyberbullying, mas demonstra toda vulnerabilidade a que a vida íntima está submetida.

Devido à carência de delegacias especializadas nesse tipo de crime, muitos não são denunciados. Quando se sabe uma invasão dessa magnitude é comum a pessoa entrar em desespero, por estar fragilizada psicologicamente, e ter sua capacidade de pensar prejudicada. Mas é preciso manter o discernimento; agora, que já existe a exposição, é necessário denunciar, sendo indispensável a preservação das provas. Para isso é importante não deletar o que foi enviado em forma de ameaças, e sim salvar todas as mensagens, e-mails, endereço de quem enviou, endereço de páginas, se houver, SMS, vídeos, áudios e outras. Além disso, com essas provas em mãos, deve-se registrá-las em cartório para que, se o agressor apagar o perfil ou tentar destruir as provas, se mantenha registrada a materialidade do crime.

O cyberbullying é uma experiência traumática, um tipo de violência psicológica silenciosa e com raízes profundas, pois leva a vítima a se recolher, a se isolar socialmente, a ter dificuldades de concentração, baixo rendimento escolar, introversão, e pode contribuir para o aparecimento de quadro mais grave como a depressão e até mesmo levar ao suicídio.

Uma das características da violência virtual é que o agressor pode ter acesso `a vítima em qualquer lugar, desde que ela esteja com um dispositivo tecnológico. A dificuldade em ser descoberto e a falsa sensação de anonimato contribuem para o crescimento desse tipo de violência. Apesar de ser um assunto ainda novo, a legislação tem avançado e foram criadas leis que protegem o usuário. Isto é, uma vez detectado o cyberbullying, medidas judiciais podem ser tomadas a fim de proteger a vítima do ponto de vista jurídico. Há que se ter proteção e acompanhamento psicológico porque a vítima fica emocionalmente enfraquecida, com autocrítica prejudicada e muitas vezes sente vergonha de denunciar.

É preciso falar a respeito, educar, proteger e supervisionar aa crianças e adolescentes sobre o uso e os limites da tecnologia e do convívio em telas de computador e smartphones.

Todo esse avanço tecnológico ainda é um terreno pouco conhecido que exige cuidado ao pisar; o problema não é a tecnologia e a máquina, e sim o mau uso que pode ser feito com essas ferramentas pelos humanos. Preservar a saúde mental é também estar atento às relações de convívio dentro e fora do mundo virtual.

OUTROS OLHARES

DO PÓ VIESTES

Em um lado, uma pilha de cinzas e entulhos produzidos pelo incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em setembro de 2018. Do outro, pesquisadores que há 20anos vêm desenvolvendo um projeto de criação de réplicas tridimensionais em impressoras 3D. Envolvidos nos esforços de recuperação do acervo consumido pelo fogo, eles lançaram a ideia: por que não tentar reconstituir as peças perdidas com o material resultante do próprio incêndio?  “Logo começamos os testes, até porque o material derivado da destruição era abundante”, conta o paleontólogo Sergio Kugland, diretor do museu entre 2003 e 2010 e integrante da força­ tarefa para reerguer a instituição. Assim, centenas de itens – entre eles o crânio de Luzia, amuletos egípcios, um fóssil de crocodilo, vasos milenares e o caixão de uma múmia – estão sendo montados no tamanho original. O grupo multidisciplinar envolve pesquisadores do museu, da PUC- Rio e do Instituto Nacional de Tecnologia, além da cooperação de órgãos internacionais com experiência em tomografia e impressão 3D, atuando em áreas como paleontologia e medicina. A impressão é só a etapa final, já que boa parte das peças do museu já vinha sendo digitalizada nas últimas duas décadas – o que permitirá ao museu, literalmente, renascer das cinzas.

GESTÃO E CARREIRA

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ERROU…FEIO

O que faz a obra de um artista custar mais do que outra do mesmo autor? Fatores como contexto histórico e pessoal do artista, além do tamanho da obra, podem ser tão ou mais determinantes do que o aspecto visual da obra. Com esseponto de partida, Devin Liu e Doug Woodham, pesquisadores com um pé na arte e outro na inteligência artificial, desenvolveram um algoritmo de rede neural convolucional (CNN, na sigla em inglês) para prever quanto a obra Untitled, 1960, do artista russo naturalizado americano Mark Rothko (1903-1970), atingiria no leilão da Sotheby’s, em 16 de maio último. A dupla analisou 118 telas de Rothko – que estão entre as mais caras do mercado internacional de arte – vendidas em leilões desde 2000 e cravou: o quadro em questão seria arrematado por US$ 42,3 milhões, com margem de erro de 5%. Mas… O chute passou longe. A obra foi vendida por US$ 51,3 milhões – 21,3% superior ao previsto. Na atmosfera competitiva dos leilões, as reações humanas seguem imprevisíveis. Na foto acima, a tela Nº 46, de 1957, na Fundation Louis Vuitton, em Paris.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

ASSASSINOS DE MINISTÉRIO QUE VOCÊ PRECISA VENCER: AS MULHERES

CAPÍTULO 16 – CONSERVANDO A PUREZA MORAL

“Se um homem consegue enganar a sua esposa e filhos, quebrar um voto feito a Deus na presença de testemunhas e intencionalmente trair a confiança daqueles que o amam, qual garantia sua organização terá de que ele será honesto em seus negócios? Pessoas que se provam enganadoras em uma área da vida são igualmente capazes de serem enganadoras em outras áreas.” — Henry e Richard Blackaby

Pensamento-chave: Líderes espirituais reconhecem que seus corpos são o templo do Espírito Santo e se mantêm puros não apenas fisicamente, mas em cada dimensão de seus seres.

Quanto dano tem sido causado ao Corpo de Cristo devido à imoralidade entre os líderes?

• A Igreja Católica Romana tem sido atormentada por um desfile, aparentemente interminável, de alegações de abuso sexual contra os seus sacerdotes.

• Impérios de televangelistas e ministros de alto perfil têm desabado em meio a alegações obscenas de imoralidade.

• Em comunidades por todo o país, igrejas locais têm sido abaladas quando um ministro de jovens se envolve de forma inapropriada com uma adolescente, quando uma criança é molestada por uma funcionária da igreja, ou até mesmo quando um pastor é descoberto com práticas imorais envolvendo uma igreja ou membro da equipe.

Tais incidentes não só endurecem os corações dos incrédulos ao Evangelho e desiludem jovens crentes, mas são altamente perturbadores e desmoralizantes para as igrejas ao passo que estas buscam cumprir a sua missão enquanto igreja. No rastro dessa imoralidade está uma coleção de vidas devastadas: cônjuges traídos, crianças confusas, vítimas devastadas, crentes inocentes cujas confianças têm sido destruídas, e um público compreensivelmente exausto.

A tecnologia moderna tem contribuído para uma nova categoria de problemas morais, como: pornografia na internet, paqueras por mensagens de texto e por redes sociais. Enquanto alguns tentam minimizar a seriedade de algumas dessas atividades, o senso comum nos diz que essas atividades são intrinsecamente problemáticas e podem tornar-se uma ladeira escorregadia que nos levará a resultados cada vez mais tóxicos, ao abrirem a porta para problemas ainda mais sérios.

Alegações de má conduta sexual contra líderes de igrejas e seus funcionários têm se tornado cada vez mais comum nos tribunais da nação. Igrejas normalmente possuem políticas de segurança para proteger a si mesmas contra acusação de má conduta sexual e assédio sexual. Acordos podem ser feitos em centenas de dólares — às vezes até milhares — quando envolvem má conduta sexual por parte do clero.

NADA NOVO

Problemas de moralidade relacionados ao ministério têm permeado o povo de Deus por muito tempo. No Antigo Testamento, os filhos do sumo sacerdote abusaram de seus ofícios e viveram de forma autoindulgente. 1 Samuel 2:12-13 diz que os filhos de Eli: “… não prestavam e não se importavam com Deus, o SENHOR. Eles não obedeciam aos regulamentos a respeito daquilo que os sacerdotes tinham o direito de exigir do povo…” (NTLH). O versículo 22 diz: “Eli estava muito idoso, mas estava ciente do que seus filhos estavam fazendo ao povo de Israel. Ele sabia, por exemplo, que seus filhos estavam seduzindo jovens mulheres que assistiam na entrada do Tabernáculo”. Eli falou com seus filhos, mas não fez nada além disso, de forma que seus comportamentos pecaminosos continuaram.

Na sociedade de hoje, os filhos de Eli se encaixariam na descrição moderna de predadores. “… seus filhos seduziam as jovens mulheres”. Um predador não é alguém que simplesmente cedeu à tentação, pecou e então se arrependeu genuinamente. Em vez disso, predadores são aqueles que deliberada e intencionalmente usam (ou deveria dizer, abusam) da sua posição, com a autoridade incidente e influência, objetivando encontrar indivíduos vulneráveis para o propósito de manipulá-los e usá-los para satisfazer as suas próprias necessidades.

Líderes espirituais precisam entender que o seu exemplo é extremamente importante. Quando alguns líderes caem moralmente, indivíduos que respeitam seus ministérios podem ser inclinados a pensar: Bem, se o reverendo fulano não pode resistir à tentação, então por que eu deveria tentar? Talvez isso seja um dos motivos que levou Geoffrey Chaucer (1342- 1400), muitas vezes considerado o maior poeta inglês depois de Shakespeare, a escrever o seguinte trecho no que diz respeito à necessidade de elevados padrões morais entre pastores: “Andando e carregando em suas mãos uma equipe. Esse foi o bom exemplo que ele deixou: Ele praticou primeiro o que posteriormente iria ensinar. Fora do Evangelho ele tomou esse preceito, e além do mais, ele citaria este ditado também: ‘Se o ouro pode enferrujar, então o que acontecerá com o ferro?’ Porque se um sacerdote pode ser apodrecido, em quem confiaremos? Não é de admirar que leigos também enferrujem”.

ADMOESTAÇÕES A LÍDERES ESPIRITUAIS

Paulo deu algumas orientações muito específicas para os seus filhos espirituais, Timóteo e Tito, concernentes às suas integridades morais e condutas.

Paulo disse a Timóteo, um jovem ministro: “Trate os homens mais jovens como irmãos, as mulheres idosas, como mães e as mulheres jovens, como irmãs, com toda a pureza” (1 Timóteo 5:1-2, NTLH).

Certa vez, recebi uma ligação de um indivíduo, e ao perguntar como as coisas estavam na igreja que ele frequentava, ele indicou que algumas pessoas estavam chateadas com o pastor. O problema? O pastor com frequência encorajava a fraternidade durante um intervalo no culto dizendo: “Porque você não encontra cinco pessoas e lhes dá um abraço”. Então o pastor rotineiramente saía da plataforma e fazia um caminho mais curto para abraçar muitas das moças bonitas da igreja. As pessoas perceberam que o pastor nunca abraçava a seção onde as senhoras mais velhas ou homens estavam sentados. Por conseguinte, o foco e o favoritismo que o pastor oferecia às mulheres mais jovens e atraentes da congregação estavam colocando em questão o seu caráter e suas intenções.

Paulo também disse a Timóteo: “E você, Timóteo, fuja das paixões da mocidade e procure viver uma vida correta, com fé, amor e paz, junto com os que com um coração puro pedem a ajuda do Senhor” (2 Timóteo 2:22, NTLH).

Muitos focarão a primeira parte desse versículo que diz “fuja das paixões da mocidade”, mas negligenciam a segunda parte: “procure viver uma vida correta, com fé”. Tão importante como os padrões bíblicos são, eu tenho compaixão por qualquer crente que vive simplesmente na esfera do “não faça isso”. Se nós concentramos em fazer os “faça isso”, então, não ficaremos sentados por aí nos perguntando sobre os “não faça isso”. Esmere-se em tornar-se uma pessoa piedosa, ungida, efetiva, produtiva e frutífera que Deus o constituiu para ser. Sim, corra de todas as coisas erradas, mas não se esqueça de correr em direção às coisas certas. Não pense apenas nas coisas que você está evitando; fique animado com as coisas de Deus que você está buscando!

Tito, outro dos filhos espirituais de Paulo, também recebeu uma carta do apóstolo mostrando-lhe como se conduzir no ministério pastoral. Em Tito 2:1-10, Paulo admoestou Tito sobre como ministrar para quatro grupos específicos de pessoas: homens mais velhos, mulheres mais velhas, homens jovens, e servos. É fascinante observar que Tito não recebeu instruções sobre o que ele deveria ensinar para mulheres jovens. Em vez disso, Paulo disse a Tito: “Assim, poderão orientar as mulheres mais jovens a amarem seus maridos e seus filhos, a serem prudentes e puras, a estarem ocupadas em casa, e a serem bondosas e sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja difamada” (Tito 2:4-5, NVI).

Não é interessante que Paulo poderia dizer a Tito como ministrar a todos esses grupos de pessoas? Contudo ele diz: “Tito, quando se trata das mulheres jovens, deixe as mais velhas ministrá-las”. Estaria Paulo, como um sábio pai espiritual, esforçando-se para manter Tito fora de situações onde as tentações aumentariam?

Acrescentando às declarações citadas, lembre-se de que Paulo disse quais eram as qualificações dos anciãos em 1 Timóteo 3:2: “É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar”. Observe a frase “esposo de uma só mulher”. Em outras palavras, um líder espiritual não apenas não deve ter casos de adultério, mas ele também não deve ser um paquerador ou um mulherengo. Ele não deve ser o tipo de pessoa que é dada a qualquer tipo de relacionamento ilícito, e isso inclui apegos emocionais inadequados, tipos de comunicação inapropriados, e relações físicas ou sexuais inapropriadas.

AS ORIENTAÇÕES PARA CRENTES TAMBÉM SE APLICAM A LÍDERES ESPIRITUAIS

É importante lembrar que Deus não tem um conjunto de orientações para os crentes que são de alguma forma irrelevantes ou inaplicáveis aos líderes. Em qualquer situação, Deus espera mais dos seus líderes, não menos; Ele espera que estes operem em padrões mais elevados, e não nos mais baixos.

Lembro-me de ouvir um ministro que estava obviamente muito enganado. Ele reconhecia que, falando de modo geral, Deus não queria pessoas cometendo adultério, mas abriu uma exceção para ele. Ele disse que Deus havia lhe revelado que pelo fato do seu ministério ser tão especial e tão ungido, Deus estava permitindo que ele mantivesse um relacionamento extraconjugal, afinal Deus sabia que ele poderia ministrar mais efetivamente se suas

necessidades sexuais fossem supridas. Tal orgulho narcisista traz grande cegueira. A falácia de tamanha presunção e arrogância será finalmente exposta. Não, Deus não estabeleceu um conjunto de regras para alguns e uma exceção especial para outros. Quando se trata de padrões morais, a Palavra de Deus aplica-se a qualquer um. Aqui estão algumas orientações para todos os crentes do Novo Testamento:

Fujam da imoralidade sexual! Qualquer outro pecado que alguém comete não afeta o corpo, mas a pessoa que comete imoralidade sexual peca contra o seu próprio corpo. Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é o templo do Espírito Santo, que vive em vocês e lhes foi dado por Deus? Vocês não pertencem a vocês mesmos, mas a Deus, pois ele os comprou e pagou o preço. Portanto, usem o seu corpo para a glória dele. — 1 Coríntios 6:18-20 (NTLH)

As coisas que a natureza humana produz são bem conhecidas. Elas são: a imoralidade sexual, a impureza, as ações indecentes… As pessoas que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a natureza humana delas, junto com todas as paixões e desejos dessa natureza. — Gálatas 5:19,24 (NTLH)

Entre vocês não deve haver sequer menção de imoralidade sexual como também de nenhuma espécie de impureza e de cobiça; pois essas coisas não são próprias para os santos. Não haja obscenidade, nem conversas tolas, nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, em vez disso, ações de graças. — Efésios 5:3-4 (NVI)

Portanto, matem os desejos deste mundo que agem em vocês, isto é, a imoralidade sexual, a indecência, as paixões más, os maus desejos e a cobiça, porque a cobiça é um tipo de idolatria. — Colossenses 3:5 (NTLH)

Que cada um saiba viver com a sua esposa de um modo que agrade a Deus, com todo o respeito e não com paixões sexuais baixas, como fazem os incrédulos, que não conhecem a Deus. Nesse assunto, que ninguém prejudique o seu irmão, nem desrespeite os seus direitos! Pois, como nós já lhes dissemos e avisamos, o Senhor castigará duramente os que fazem essas coisas. Deus não nos chamou para vivermos na imoralidade, mas para sermos completamente dedicados a ele. Portanto, quem rejeita esse ensinamento não está rejeitando um ser humano, mas a Deus, que dá a vocês o seu Espírito Santo. — 1 Tessalonicenses 4:4-8 (NTLH)

PASSOS PARA MANTER A INTEGRIDADE MORAL NA VIDA

1. TOME UMA DECISÃO DE QUALIDADE

Não espere até você se achar em um lugar de tentação para decidir o seu curso de ação. Faça suas consagrações a Deus agora e a partir de então viva por elas.

Antecipe-se em suas decisões de qualidade para que possa manter-se puro em sua vida moral e ministerial. Se você errou nisso no passado, receba o perdão e a limpeza oferecidos por Deus e se determine agora mesmo a viver o restante da sua vida, com a ajuda dele, com honra e integridade.

2. MANTENHA UM RELACIONAMENTO SÓLIDO COM DEUS E COM A SUA ESPOSA

Gerencie a sua saúde espiritual. Mantenha seu relacionamento com Deus renovado e vibrante. Alimente seu espírito, não sua carnalidade. Evite desgaste espiritual, emocional, e físico. Uma pessoa fadigada pode ser mais suscetível à tentação.

Uma relação forte e próspera com seu cônjuge também é vital. O relacionamento deve estar em crescimento no qual o amor é mantido sempre vivo, conflitos são resolvidos, e no qual ressentimento e raiva não têm permissão de gerar apodrecimento. Abertura, honestidade e prestação de contas mútuas são importantes. Se sua relação conjugal tornar-se tensa, busque ajuda. Homens, se sua mulher lhe avisa sobre alguém que ela sente ter intenções erradas, tome cuidado! Mulheres, se o seu marido chama a atenção sobre a forma de outro homem agir perto de você, preste atenção!

3. RECONHEÇA A SUA VULNERABILIDADE

Um provável candidato para a falha moral é a pessoa que se considera invencível sobre a tentação, que orgulhosa ou ingenuamente pensa: Isso nunca poderia acontecer comigo! Esses dois avisos da Bíblia vêm à minha mente:

Aquele, pois, que pensa estar em pé veja para que não caia. 1 Coríntios 10:12

A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda. Provérbios 16:18

Como um líder espiritual, você é um alvo de “grande valor”, e Satanás amaria levá-lo para longe do seu chamado.

4. LEMBRE-SE DAS CONSEQUÊNCIAS DOLOROSAS DA IMORALIDADE

O adultério é um ato insano, arrasador e autodestrutivo: Sairá cheio de ferimento, detonado, e com a reputação totalmente arruinada. — Provérbios 6:32-33 (A Mensagem)

Segue algo que foi adaptado de uma lista desenvolvida por um ministro. Ele revisava essa lista toda vez que se sentia vulnerável à tentação sexual. Ele a citou como um lembrete das consequências negativas que uma decisão moral errada poderia produzir.

•   Angústia ao Senhor que me redimiu.

•   Arrastar o Seu nome sagrado para a lama.

•   Um dia ter que olhar para Jesus, o Justo Juiz, e face a face prestar contas por minhas ações.

•   Seguir os passos daqueles cuja imoralidade confiscou ou aleijou seus ministérios e me faz tremer: (lista de nomes).

•   Infligir uma mágoa indescritível a minha melhor amiga, minha leal esposa.

•   Perder o respeito e a confiança da minha esposa.

•   Machucar os meus amados filhos.

•   Destruir o meu exemplo e credibilidade com meus filhos e anular meus esforços presentes e futuros de ensiná-los a obedecer a Deus (“Por que ouvir um homem que traiu mamãe e a nós?”)

•   Se minha cegueira continuasse ou minha esposa fosse incapaz de perdoar, talvez eu perca minha esposa e meus filhos para sempre.

•   Trazer vergonha à minha família (“Por que papai não é mais pastor?”)

•   Perder o respeito próprio.

•   Criar uma forma de culpa muito difícil de aplacar. Embora Deus me perdoasse, eu me perdoaria?

•   Formar memórias e flashbacks que poderiam assolar a minha intimidade futura com a minha esposa.

•   Perder anos de treinamento ministerial e experiências de um longo tempo, talvez de forma permanente.

•   Perder o efeito de anos de testemunho para outros membros da família e reforçar a sua desconfiança por ministros, piorando essa imagem com meu exemplo, talvez os tornando ainda mais duros de coração por causa da minha imoralidade.

•   Minar o fiel exemplo e trabalho duro de outros cristãos em nossa comunidade.

•   Trazer grande prazer a Satanás, o inimigo de Deus e de tudo o que é bom.

•   Amontoar julgamentos e dificuldades sem fim sobre a pessoa com quem cometi adultério.

•   Possivelmente colher consequências físicas tais como gonorreia, sífilis, clamídia, herpes e AIDS; talvez infectar minha esposa, ou no caso da AIDS, eventualmente levá-la à morte.

•   Possivelmente causar uma gravidez, com todas as implicações pessoais e financeiras, incluindo um lembrete para a vida toda do meu pecado.

•   Machucar os seguintes pastores e anciãos: (lista de nomes).

•   Causar vergonhar e dor a esses amigos, especialmente àqueles que eu levei a Cristo e discipulei: (lista de nomes).

•   Invocar vergonha e embaraço pela vida toda sobre mim mesmo.

Também beneficiaria a cada pessoa que está em uma liderança espiritual (e dessa forma a todo crente), periodicamente ir ao livro de Provérbios e ler sobre a dinâmica e consequências que estão envolvidas no adultério. Algumas das passagens-chave de alerta para estudo e meditação incluem:

Provérbios 2:16-19 Provérbios 5:1-23
Provérbios 6:20-35 Provérbios 7:1-27
Provérbios 9:13-18 Provérbios 23:27-28
Provérbios 31:1-3

No início de Provérbios, nós aprendemos que esses escritos refletem o conselho de um pai para os seus filhos. Claro, provérbios maternos (conselhos) para a sua filha seriam lidos diferentemente. Jovens precisam de instruções e avisos sobre perigos nos relacionamentos também. Independentemente de quem estiver recebendo a instrução, é importante lembrar que “o pecado levará você além de onde você pretende ir, o manterá mais longe do que você pretende ficar, e lhe custará mais do que você pretende pagar”.

5. RECONHEÇA QUE UMA FALHA MORAL NÃO COMEÇA COM O ATO FÍSICO DO ADULTÉRIO. SEJA CONSCIENTE DISSO E EVITE FATORES PRECIPITANTES

Líderes espirituais muitas vezes proporcionam cuidado e conforto a pessoas machucadas. Às vezes, isso pode criar ligações emocionais e mesmo que as intenções tenham sido inocentes, o que recebe tal intervenção pode nutrir um apego e uma atração emocional para com o cuidador. Além disso, a gratidão e o apreço que é expresso pelo receptor podem começar a alimentar o ego do cuidador e começar a suprir uma possível necessidade emocional em sua vida. Por conseguinte, isso pode desenvolver um relacionamento doentio. “Nenhum pastor pode demorar muito a perceber a discrepância entre a valorização realista de sua esposa a respeito dele como marido e o generoso elogio de membros bajuladores que derramam sobre ele como ‘o ministro piedoso’. Quando isso ocorre, o pastor está vulnerável à tentação de transferir a intimidade de sua esposa para alguém que tão acriticamente alimenta suas necessidades emocionais.”

O adultério não começa com o ato físico. Ele começa com a camaradagem emocional, flerte, desejos não fiscalizados, fantasias, justificativas, violação de limites, etc. Os ministros precisam evitar qualquer tipo de comportamento de flerte, inclusive brincar com as emoções das pessoas. Seja profissional, e acima de tudo seja cristão!

Vocês ouviram o que foi dito: “Não cometa adultério.” Mas eu lhes digo: quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la já cometeu adultério no seu coração. Portanto, se o seu olho direito faz com que você peque, arranque-o e jogue-o fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ser atirado no inferno. Se a sua mão direita faz com que você peque, corte-a e jogue-a fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ir para o inferno. — Mateus 5:27-30 (NTLH)

Você precisa ser brutalmente honesto consigo mesmo se você se encontra:

•  Sentindo uma atração inapropriada por uma pessoa que não é o seu cônjuge.

•  Pensando em uma pessoa, esperando receber telefonemas dessa pessoa, ou tendo fantasias sobre outra pessoa.

•  Fabricando maneiras para legitimar um relacionamento próximo com aquela pessoa (ex.: designando aquela pessoa para uma posição a fim de ter mais interação com ela).

•  Comunicando-se com, ou encontrando aquela pessoa em horários ou lugares inapropriados, ou em lugares fora da rotina.

•  Pensando ou se comunicando com aquela pessoa sem querer que sua esposa saiba a respeito.

6. ESTABELEÇA E MANTENHA LIMITES ADEQUADOS PARA VOCÊ MESMO, EM SUA VIDA E MINISTÉRIO

Isso significa ter orientações que o manterão longe das extremidades. Aqui estão algumas orientações gerais:

•   Não aconselhe membros do sexo oposto sozinho.

•   Não se coloque em uma situação em que, se uma acusação for levantada, será a sua palavra contra a de outra pessoa.

•   Não dê uma passadinha na casa de uma pessoa do sexo oposto a menos que seu cônjuge esteja com você ou o cônjuge da pessoa que você está indo visitar esteja presente.

•   Não use linguagem que poderia significar mais do que você pretende dizer. Uma amizade muito íntima e uma revelação inapropriada vão além da conduta adequada.

•   Não toque as pessoas de maneira que seja inapropriado ou possa ser mal interpretado.

7. PRESTE CONTAS

Tenha alguém para quem possa falar caso esteja sendo tentado. A quem você presta contas? Deve haver alguém (ou mais de uma pessoa) que seja capaz de observá-lo em seu ministério e demonstrar cuidado sobre qualquer problema que possa ver; alguém que você ouvirá e cuja opinião você respeitará. Aqueles que são “Guerreiros Solitários” são mais suscetíveis do que aqueles que têm os nobres princípios de prestar contas do que fazem em suas vidas.

Alguns anos atrás, um amigo pastor me perguntou se eu poderia ser seu parceiro a quem ele prestaria contas no tocante ao seu uso da internet. Eu concordei, entretanto, estabeleci a condição de que ele faria o mesmo por mim. Ambos baixamos um software para controle de acessos e começamos a receber relatórios semanais dos sites de internet que visitávamos. O pecado ama tomar vantagem do sigilo e esse tipo de prestação de contas pode ser um forte impedimento à tentação.

Efésios 5:13 diz: “Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz”. SQwb\ _

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

REFLEXOS DA INFÂNCIA

O ser humano vive de sofrimentos advindos do seu próprio processo humanizatório. muitos distúrbios são gerados no desenvolvimento do sujeito. Assim é com o transtorno de personalidade esquiva

Pesquisas médicas apontam que 1 a 5,2% da população brasileira têm transtorno de personalidade esquiva (TPE), ou também denominado como evitativa, é mais comum nas mulheres e não há muita divulgação nem muitos trabalhos publicados sobre o tema. É que o transtorno citado geralmente vem acompanhado de outros transtornos depreciativos, como ansiedade, pânico, fobia social, que são comorbidades mais comuns.

Ele caracteriza-se principalmente por um sentimento de tensão, apreensão, insegurança e inferioridade. A pessoa que tem esse transtorno apresenta um forte desejo de ser amado e aceito, tem hipersensibilidade à críticas e muito medo da rejeição, e para evitar enfrentar tais situações se isola, fechando-se em seu próprio mundo, tornando-se antissocial e solitária. Esse tipo de comportamento pode afetar a vida social, profissional, familiar, porque o sujeito que é acometido por esse distúrbio pode evitar reuniões sociais, profissionais e familiares. Sofre com isso porque deseja estabelecer laços e não consegue, é insuportável para ele a ideia de não ser aceito, de ser olhado e rejeitado.

Esses sintomas definidos como um transtorno de personalidade foram descritos no final do século XX pelos psiquiatras Breuler e Kretschmer. Ainda é pouco conhecido, e o diagnóstico médico se dá pelos manuais. Seguindo os critérios de diagnóstico médico, o paciente que apresentar quatro ou mais sintomas descritos pelo DSM-5 será portador de transtorno de personalidade esquiva. Sendo estes os principais:

1) esquivar-se de atividades relacionadas ao trabalho que envolvam contato interpessoal, porque teme ser criticado ou rejeitado;

2) falta de vontade de estar com pessoas, mesmo em envolvimentos amorosos, por medo de ser rejeitado; precisa ter a certeza de ser amado;

3) reserva em relacionamentos íntimos;

4) Isolamento e solidão, por medo de relacionar-se com as pessoas;

5) relutância em assumir riscos pessoais ou participar de qualquer nova atividade;

6) ver-se como incompetente, desagradável ou inferior.

O tratamento indicado pela psiquiatria é medicação que inclui inibidores da monoaminaoxidase (IMAOS), ansiolíticos, terapia cognitiva comportamental focada nos aspectos sociais, terapia de suporte (breve); e a psicodinâmica, que trabalha conflitos.

A Psicanálise tem uma outra forma de compreensão e de tratamento. Para começar, não se faz diagnóstico por classificação de sintomas, pois considera-se o sujeito e não a doença. Os sintomas são defesas psíquicas contra representações inconscientes oriundas de vivências danosas na primeira infância (O a 9 anos). A criança é um ser totalmente dependente de cuidados de um adulto, ela é assujeitada ao Outro, não tem condições de sobreviver sozinha. É nesse núcleo primário que se constitui o que Sigmund Freud, criador da Psicanálise chama como psiquismo. O psiquismo, que nos dará uma estrutura, que norteará a nossa vida adulta, se organiza por fases: oral (até 1 ano e meio de idade); anal (entre 1,5 a 3 anos), física (3 a 4,5), genital (5 a 9 anos). Essas fases determinam um tipo de organização que influenciará nossos comportamentos e sentimentos. Esse longo período de vivência entre um infante e um adulto definirá nossos traços de caráter e um tipo de estrutura que apresentarão seus sintomas como uma defesa, ou seja, como a única possibilidade de manter-se vivo.

As vivências infantis que expõem a criança a situações constrangedoras e vergonhosas contribuirão de forma decisiva na organização de defesas contra o mal-estar. No caso específico dessa reflexão, e sem colocar o sujeito em um quadradinho, pode-se inferir que a infância foi caracterizada por relações de desamparo, de negligência, de violência às quais a criança foi provavelmente exposta, envergonhada e amedrontada, e acabou criando um mundo particular onde busca pela proteção e sobrevivência que se deu pelos próprios meios que foi isolar-se das pessoas e do meio ameaçador. O meio familiar é decisivo para a constituição de um sujeito, seja ele mal equilibrado psiquicamente ou não.

O tratamento indicado pela Psicanálise é diferente do proposto pela Medicina. mas deixa-se claro que há sintomas que precisam de tratamento médico especializado para diminuir o sofrimento do paciente. Os tratamentos terapêuticos também têm sua valia, mas a Psicanálise trabalha olhando para os sintomas como uma organização defensiva e que às vezes o paciente precisa do sintoma para viver, mesmo que seja doloroso. O que se faz é trabalhar o sujeito, suas experiências passadas e presentes de uma forma cuidadosa para que ele possa historiocizar-se no tempo e através da técnica analítica entrar em contato com conflitos inconscientes que estão originando os seus sintomas. A técnica analítica se vale de procedimentos clínicos que fazem com que as representações adquiridas na primeira infância venham à tona para serem compreendidos e ressignificados pelo paciente junto com o analista. É necessário que as técnicas terapêuticas que trabalham com os sintomas sejam olhadas com muito cuidado, senão o método pode se tornar perigoso, pois o inconsciente existe. A neurociência hoje admite que o inconsciente freudiano é uma realidade.

Portanto, os sintomas precisam ser considerados como um mal necessário para o sujeito viver até então. E para mudá-lo é preciso primeiro enxergá-lo e posteriormente refletir e compreender. A Psicanálise é um processo eficaz, que permite que o sujeito se conheça e reconheça suas potencialidades. Pela complexidade do sujeito é necessário que os saberes se conversem, que trabalhem juntos na tentativa de ajudar esse sujeito a viver melhor.

ARACELI ALBINO – é doutora em Psicologia pela Universidad del Salvador (Buenos Aires- Argentina). Presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo – Sinpesp. Psicóloga e psicanalista, pós-graduada na PUC. Possui especializações em Psicoterapia/Psicodinâmica de adultos e adolescentes/ Psicopatologia Psicanalítica e Clínica Contemporânea; professora e coordenadora do curso de Formação em Psicanálise do Núcleo Brasileiro de Pesquisas Psicanalíticas.

OUTROS OLHARES

RODINHAS COM AUTONOMIA

Antes que as autoridades de trânsito cheguem a conclusões sobre as regras ideais para o uso de patinete – ou que nós, brasileiros, decidamos se esse brinquedinho pertence ao gênero masculino ou feminino -, a montadora chinesa Nio já inventou um modelo autônomo, o Pai, que deve entrar no mercado em breve. Movido a bateria, o microveículo é leve, com estrutura de grafeno, linhas minimalistas – desenhadas pelo escritório britânico Layer – e não dá a menor pinta do que é capaz de fazer. Basta dar um comando de voz do tipo “me leve para o trabalho”, por meio de um dispositivo bluetooth conectado a um celular ou smartwatch. Graças à tecnologia de machine learning, ele decidirá o melhor trajeto até o destino escolhido pelo usuário.

GESTÃO E CARREIRA

DÊ ESPAÇO PARA AS CRIANÇAS

Em nome da inclusão (e da tranquilidade dos pais), os estabelecimentos têm investido na criação de ambientes acolhedores, divertidos e seguros para a criançada

Quem tem filhos sabe que não é fácil ir a restaurantes com os pequenos. Ainda assim muitas famílias gostam de sair aos finais de semana para almoçar ou jantar fora, e os baixinhos vão junto. Para atender esse público cada vez mais exigente, os empresários estão se adaptando e passaram a transformar partes de seus estabelecimentos em espaços destinados somente a eles.

Restaurantes que são kids friendly não são uma novidade. Esses espaços surgiram lá atrás, em 1819, em Londres. Apenas nove anos depois o conceito chegou aos Estados Unidos. No Brasil, a primeira instalação aconteceu em 1966, no Shopping Iguatemi, em São Paulo. “Observou-se uma necessidade de criar espaços para entreter as crianças para que os pais pudessem utilizar os outros serviços daquele lugar com maior tranquilidade”, conta o especialista em Finanças, coach e consultor de empreendedorismo, Washington Mendes.

Assim, os primeiros espaços voltados à recreação de crianças, inicialmente, eram similares aos “parques de diversões cobertos”. Atualmente, por outro lado, os empreendedores têm observado os hábitos e paixões das crianças, fazendo com que esses estabelecimentos ganhem ares modernos, tecnologia e adaptações – além de empresas especializadas em prestar esse serviço.

COMO MONTAR O ESPAÇO

Especialistas aconselham que futuros donos de espaços kids friendly busquem empresas com experiência nesse setor ou profissionais focados em segurança para dar apoio ao desenvolvimento desses locais. Diretor de soluções do Grupo Bittencourt, Humberto Damas explica a razão para tanto cuidado: “não se trata apenas de ter esse espaço, mas também de garantir a tranquilidade dos pais enquanto as crianças estão sob os cuidados de terceiros”.

Logo, para a escolha da empresa deve-se buscar referências e indicações, além de pesquisar a idoneidade do negócio a ser contratado. “Conheça outros trabalhos feitos por esta empresa e analise o tempo de mercado. O ideal é que o negócio atue no setor ao menos há três anos. Entretanto, isso não impede de dar urna oportunidade à pessoa que tenha brilho nos olhos por amor às crianças”, indica Washington Mendes.

Outro detalhe importante é escolher um espaço mais reservado, pois as crianças fazem mais barulho e podem prejudicar os outros frequentadores do restaurante. “Ao mesmo tempo, deve garantir aos pais um ‘monitoramento’ das atividades enquanto estão aproveitando o espaço”, indica Humberto Damas.

O mais adequado é escolher um lugar que seja de alguma forma seguro para as crianças e também que (preferencialmente) esteja à vista dos pais. Tanto Damas quanto Mendes reforçam que “trabalhar com monitores que vigiem as crianças também é bem importante, pois assim os pais podem aproveitar o espaço com tranquilidade”.

O local também deve funcionar com, pelo menos, dois turnos de, no mínimo, quatro horas e, no máximo, seis horas para cada turno. O espaço deve ser montado fora das áreas de circulação para não atrapalhar a rotina do restaurante. Ainda segundo Damas, é importante identificar as faixas etárias e cuidar para que as crianças “grandes” não ocupem o mesmo espaço que as menores.

Com relação ao mobiliário, ele precisa ser alegre e com cores vibrantes para manter o interesse dos pequenos. Pode-se decorar o local com imagens de personagens, adereços, almofadas, pufes, entre outros objetos.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), esse espaço deve ser seguro, apropriado para a idade-alvo, estimulante, inclusivo e não discriminatório. Visando comportar confortavelmente as crianças, é importante que não ofereça riscos (de queda ou corte). A área deve compreender ainda espaços para colorir, para leitura, com jogos de mesa e jogos eletrônicos.

10 PASSOS PARA TER SUCESSO COM O SEU KIDS FRIENDLY

1. Tenha preocupação em ter recreadores com experiência para olhar o todo. Se for alguém que atue ou tenha atuado na área de educação infantil, será um diferencial.

2. Invista sempre em novos temas com frequência, personagens e objetos de acordo com o momento.

3. Cuidado com a higiene. Muitas crianças têm alergia a poeira e também a tinta (caso ofereça pintura, use tinta antialérgica).

4. Crie uma forma de ter o feedback dos pais por meio das redes sociais, gerando engajamento.

5. Observe seus concorrentes ao redor para ver se eles estão no mesmo nível ou fazendo coisas diferentes.

6. Trate aquela criança com carinho, pois eles serão os novos adultos que levarão seus filhos a seu espaço ou podem até mesmo indicar para os colegas da escola, por exemplo, e fazer com que você ganhe mais uma família como cliente.

7. Observe o cardápio infantil para que ocorra sempre mudanças e atenda a diversas faixas etárias. Por exemplo, um prato diferente para uma criança de 2 e uma de 7. já que e os paladares, assim como a idade, são diferentes.

8. Se possível, dê souvenirs ou lembrancinhas às crianças. Ver que seus filhos são bem tratados cativa os pais.

9. Leve alguns personagens vivos de desenhos da atualidade. Isso mesmo! Aqueles com fantasias. Se possível, promova um evento uma vez com ampla divulgação.

10. Faça valer a pena seu espaço para nunca ser esquecido.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 15 – A ATITUDE DE LÍDERES COM RELAÇÃO AO DINHEIRO — AS INDULGÊNCIAS ESTÃO DE VOLTA?

Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. — 1 Timóteo 6:9-

Pensamento-chave: Explorar pessoas por dinheiro é um mal de longa data. Líderes precisam evitar isso e os crentes devem ser sábios para que não se tire vantagens deles.

Um dos meus filmes favoritos é o que relata as crônicas do ministério de Martinho Lutero, contando a história de sua vida através da Reforma Protestante.30 No filme, a aflição de Lutero a respeito das práticas antibíblicas sobre as indulgências é claramente vista. As indulgências foram “… autorizadas pela autoridade papal em 1411, começaram no século 11 com o ensino de que o serviço piedoso, nas Cruzadas, reduziria a permanência de alguém no purgatório. No século 15, garantias de permanências curtas no purgatório em troca de dinheiro tornaram-se um componente regular de técnicas de arrecadação de fundos para o papado”.

A ideia de “comprar” bênçãos ou favores espirituais não começou, entretanto, na Idade Média. Em Atos 8, um indivíduo conhecido como Simão, o Mágico (o qual crera no Evangelho e fora batizado), fez a Pedro uma oferta que foi severa e duramente rejeitada.

Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito [Santo], ofereceu-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo. Pedro, porém, lhe respondeu: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus. Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, da tua maldade e roga ao Senhor; talvez te seja perdoado o intento do coração; pois vejo que estás em fel de amargura e laço de iniquidade. — Atos 8:18-23

O Novo Testamento, na linguagem moderna, traduz o versículo 20 da seguinte maneira: “para o inferno com você e o seu dinheiro!”. O tradutor J. B. Phillips diz que é exatamente isso que significa no grego. A versão A Mensagem e a tradução Boas Novas trazem ideias similares do mesmo versículo. Até mesmo hoje, o termo simonia do original grego não se refere apenas à compra de cargos eclesiásticos, mas também é usado amplamente para denotar qualquer tipo de tráfico nas coisas sagradas.

MAIS ABUSOS

Voltando um pouco mais na história bíblica, vemos outras distorções, corrupções e abusos acerca de dinheiro e das coisas espirituais. Em 1 Samuel 2:12-17, observamos que os filhos de Eli (o sumo sacerdote daqueles dias), que eram muito corruptos, abusavam do sistema de sacrifícios e exploravam o povo de Deus. O versículo 17 diz: “Era, pois, mui grande o pecado destes moços perante o SENHOR, porquanto eles desprezavam a oferta do SENHOR”. Em vez de tratar as ofertas do povo como santas, dos sagrados oferecidos ao Senhor, os filhos de Eli desdenhosa e forçosamente, intimidavam aqueles que se esforçavam para obedecer a Deus de modo a saciar a sua própria ganância.

O próprio Jesus confrontou outro sistema corrupto que extorquia e maltratava os adoradores. O relato de Jesus expulsando os cambistas do templo é famoso, mas muitos não perceberam o que aconteceu depois que a prática antiética, a cobiça e a ganância foram erradicadas.

Tendo Jesus entrado no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam; também derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores. Vieram a ele, no templo, cegos e coxos, e ele os curou. — Mateus 21:12-14

Você percebeu isso? Quando a corrupção dos homens foi removida, a glória de Deus foi manifesta. É muito vergonhoso tirar vantagem de pessoas vulneráveis, mas ainda mais grave é o fato de que as pessoas deixem de enxergar a glória de Deus por causa das práticas manipuladoras de homens que obscurecem a visão de adoradores sinceros.

O apóstolo Paulo estava dolorosamente ciente dos “autointitulados” ministros cujos motivos e métodos eram conduzidos por ganância. Ele fez questão de se diferenciar daqueles que eram manipuladores, cujas práticas, obscuras e inescrupulosas, trouxeram reprovação às coisas de Deus. O mesmo homem que escreveu a respeito da “graça de dar” teve que falar sobre a “desgraça” de lobos em peles de ovelhas, os quais devoraram os ingênuos, crédulos e impressionáveis santos.

Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a Palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus. — 2 Coríntios 2:17

Mais tarde, Paulo lhes disse: “… pois não vou atrás dos vossos bens, mas procuro a vós outros” (2 Coríntios 12:14). Aos tessalonicenses, Paulo disse: “A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha” (1 Tessalonicenses 2:5). Paulo foi ao extremo para evitar qualquer atitude egoísta, até mesmo recusar uma remuneração apropriada para que ninguém pudesse acusá-lo de estar no ministério apenas por causa do dinheiro (1 Coríntios 9:1-18).

O apóstolo Pedro falou de falsos mestres que fariam com que o caminho da verdade fosse blasfemado (2 Pedro 2:2), e no versículo seguinte disse: “Também, movidos por avareza, farão comércio de vós”. Em outras traduções, 2 Pedro 2:3 diz:

•  “Em sua ambição pelo dinheiro, esses falsos mestres vão explorar vocês, contando histórias inventadas” (NTLH).

•  “Em sua ambição (luxúria, ganância), eles irão explorar você com falsos (astutos) argumentos” (AMP).

•  “E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas” (ACF).

•  “… jamais dirão nada — nada que traga algum benefício.

•  Só querem explorar vocês” (A Mensagem).

É importante entender que os apelos financeiros mais obscuros e escusos conterão certos níveis de verdade. Você pode até ouvir testemunhos de “renúncias” que parecem acrescentar legitimidade à sua mensagem. Por exemplo, eles podem dizer: “Eu não estou tentando lhe dizer que você pode comprar um milagre” ou “isto, de fato, não se trata do seu dinheiro, se trata da sua fé”. Mas em última análise, a impressão geral que o potencial doador recebe é que existe um milagre especial ou bênção que será recebida por dar dinheiro naquela oferta em particular.

Além disso, doações por impulso serão fortemente estimuladas (“Tome uma atitude agora, vá ao telefone agora mesmo, doe enquanto a unção está forte, não deixe que esse milagre passe por você, não deixe que o diabo roube de você essa bênção, etc.”). Recentemente, um ministro declarou que havia uma janela no tempo de dois minutos, durante os quais contribuintes poderiam doar uma oferta de mil dólares e receber resultados miraculosos. Obviamente, as pessoas teriam que agir imediatamente para receber a “bênção” especial que estava conectada apenas com essa oferta.

Poucos anos atrás, ouvi um ministro na televisão exaltando as virtudes do número “sete”, à medida que é utilizado ao longo da Bíblia. Ele concluiu que, como o ano era 2007, seus telespectadores estavam sendo instruídos por Deus a doarem certo montante (relativo ao número 7), de modo a receberem o seu “rompimento milagroso”. Entretanto, não estava sendo recomendado que alguém enviasse uma oferta de 7 dólares (o que seria lógico, se realmente existisse a mais remota conexão com o ano do calendário, relativo a quanto o cristão deveria dar). De qualquer forma, 77 dólares, 777 dólares e 7.777 dólares eram os montantes sugeridos.

É claro, grandes bênçãos eram prometidas àqueles que davam um dos montantes alegadamente inspirados. A linha de pensamento desse homem me fez imaginar se, em 2010, alguma oferta financeira seria dada, já que o ano termina em zero — mas estou certo de que ele teria um tipo diferente de revelação para aquele ano.

Enquanto ouvia essa apresentação enganadora, indaguei-me se Martinho Lutero estaria se perguntando se o que ele pregou a respeito da venda de indulgências (essencialmente a venda de perdão) fora em vão. De uma só vez, foi dito às pessoas que, por meio de dar uma oferta especial para a igreja, elas reduziriam o seu tempo de permanência no purgatório. Elas também tinham a opção de ajudar a providenciar uma libertação antecipada para a partida de seus entes queridos que ainda se encontravam no purgatório. John Tetzel era o cabeça na venda de indulgências, e ele com frequência dizia: “Assim que uma moeda tilinta no cofre, uma alma salta do purgatório”.

Lutero, irado com essa corrupção espiritual e essa forma manipuladora de extorsão, anexou as suas 95 Teses (estas foram pontos para debate) na porta norte da catedral de Wittenberg (as portas da igreja eram muitas vezes utilizadas como quadro de avisos). Enquanto outras questões eram tratadas, muitos de seus 95 pontos lidavam especificamente com a “venda de indulgências”. Aqui estão algumas amostras do que Lutero apresentou:

•  “Aqueles que pregam indulgências erram quando dizem que um homem é absolvido e salvo de toda penalidade pelas indulgências do papa”.

•  “Não há qualquer autoridade divina para pregar que uma alma salta imediatamente do purgatório quando o dinheiro tilinta no fundo do cofre.”

•  “As indulgências, as quais os mercadores exaltam como o maior dos favores, são vistas, de fato, como o meio favorito para obter dinheiro.”

•  “É blasfêmia dizer que a insígnia da cruz com os braços do papa é de igual valor à cruz na qual Cristo morreu.”

Hoje, as pessoas podem não estar tentando reduzir o seu tempo no purgatório; entretanto, ainda é uma questão séria se as pessoas são levadas a acreditar que toda bênção, milagre ou rompimento está, de alguma maneira, conectado ao ato de dar dinheiro. Enquanto eu assistia a esse pregador na televisão, pensei: Ouvi de encorajamento, edificação e exortação, mas isso não passa de extração — extrair dinheiro das carteiras das pessoas! Além disso, perguntei-me por que essas apresentações na televisão sempre terminavam com a convincente frase: “Vá para o seu telefone!” e nunca “Vá para a sua igreja!”

Um ministro disse: “Você pode receber informação de qualquer um, mas você só pode receber revelação de um ministro em quem você semeia”. Pensei: Se é assim, então, nenhum de nós seria capaz de receber revelação de qualquer um dos escritos de Paulo, pois nenhum de nós jamais ofertou para ele. Existe um problema sério quando se dá a impressão de que cada bênção, cada rompimento, cada milagre e cada resposta à oração, está subordinada a uma doação financeira.

É lamentável quando algo tão lindo como a “graça de dar” do Senhor é perdida porque pessoas têm repetidamente exposto substitutos baratos. Quando as pessoas são pressionadas por artifícios manipulativos, excessos ou outras técnicas para coagi-las a ofertar, o verdadeiro plano de Deus é frustrado.

Em um artigo intitulado “Os Piores Artifícios para Levantar Fundos de Todos os Tempos das TVs Cristãs”, J. Lee Grady disse: “Vamos parar o hipnotismo, a manipulação de culpa e os artifícios de alta pressão. É tempo de recuperar nossa credibilidade perdida”. Ele segue dizendo que algumas redes cristãs “… têm vergonhosamente extorquido dinheiro dos telespectadores ao longo dos anos usando manipulação de culpa pesada, controle hipnótico e uma distorção bizarra da Bíblia”. Grady conclui as suas observações com: “Felizmente, líderes emergentes na indústria televisiva religiosa irão restaurar a nossa credibilidade perdida por insistir na integridade, autenticidade e bom gosto”.

Quantos danos realmente têm sido produzidos por tais táticas manipulativas nos púlpitos? Contingentes incontáveis de crentes têm estado fatigados com relação ao Cristianismo, endurecidos quanto ao Evangelho e presumem que os pregadores estão nisso “simplesmente pelo dinheiro”. Isso por si só é trágico. Para acrescentar, alguns cristãos sinceros têm se desapontado e se desiludido quando promessas de milagres de prosperidade não se materializam como esperado. Muitos desses cristãos desmotivados têm se tornado fechados, relutantes e hesitantes em dar qualquer coisa mais.

Compreensivelmente, muitos se sentem explorados, abusados e defraudados. Eles não confiarão em pregadores tão facilmente de novo. Talvez, eles, erroneamente, tenham visto o dar como uma oportunidade de “fique rico rápido”. Alguns afundam em um estado de culpa e condenação porque acreditaram que sua fé não deve ter sido suficiente para trazer a colheita esperada. Outros se tornam endurecidos e desistem completamente de dar. Tudo isso são consequências lamentáveis e graves que resultam quando a exploração “vergonhosa” é substituída pela beleza da graça de dar que Paulo ensinou (2 Coríntios 8:6-7).

Um amigo missionário uma vez compartilhou que, em seu país, jovens missionários assistiam a pregadores norte-americanos na televisão e selecionaram algumas das suas técnicas “habilidosas” em recolher ofertas. As orientações a seguir são compartilhadas, não apenas para ajudar ministros a evitarem alguns desses métodos inapropriados, mas também para ajudar crentes a adquirirem sabedoria e discernimento, de modo a se protegerem de serem manipulados:

INDICADORES DE QUE UMA “EXTORSÃO” ESTÁ PARA ACONTECER

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando se perceber que, como resultado de dar alguma oferta específica, você receberá algum tipo especial de bênção, milagre ou rompimento que, de outra forma, você não teria direito se simplesmente estivesse ofertando para a sua igreja ou apoiando algum ministério. Artifícios muitas vezes usados incluem coisas do tipo: “Todas as suas dívidas serão sobrenaturalmente pagas”, “você receberá a cura de que precisa”, ou “seus filhos ou cônjuge serão salvos” …tudo porque você deu dinheiro. Novamente, atente para o “sinal de desaprovação”. Provavelmente, você ouvirá:

“Você não pode comprar um milagre, isso é uma questão de fé”! Entretanto, o modo específico pelo qual você liberaria a sua fé é por meio de doar essa oferta em particular. Décadas atrás, Gordon Lindsay escreveu: “Talvez, o artifício mais sério para arrecadar dinheiro é aquele promovido por um aventureiro religioso, o qual promete às pessoas que Deus lhe deu o dom de torná-las ricas, se tão-somente elas lhe derem uma boa oferta. Tais afirmações aproximam-se do crime da blasfêmia”.

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando um óleo “especialmente ungido”, ou tecidos consagrados, são usados em conexão com ofertas. Enquanto tecidos (Atos 9:11-12) e unção com óleo (Tiago 5:14-15) são definitivamente mencionados no Novo Testamento, uma cautela deve ser exercitada para assegurar que essas coisas não se tornem artifícios para iniciar um apelo por dinheiro. Em algumas situações, inicialmente, essas coisas são oferecidas de graça por certos ministros, mas logo são seguidas por fortes apelos financeiros.  Do mesmo modo, alguns têm oferecido “profecias” por uma doação e, em alguns casos, a primeira profecia é apenas uma provocação. Imagine o que você vai ter que fazer para obter a “profecia” mais detalhada, a qual irá, realmente, liberar as bênçãos de Deus em sua vida? Isso mesmo: envie mais dinheiro. Ninguém é tão audacioso a ponto de dizer abertamente que está vendendo as bênçãos de Deus, mas quando toda a camada superficial e falatório são removidos, isso é essencialmente o que está acontecendo.

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando qualquer tipo de ministério diminui o seu senso de sacerdócio. Em vez de você ter o seu próprio relacionamento com Deus, por meio do qual você pode exercer fé, usar sabedoria e ser guiado pelo Espírito, você é dependente do ministro com a “unção especial para prosperar”, para conduzi-lo até receber a sua bênção. Ministérios legítimos apoiam e reforçam o seu senso de sacerdócio diante de Deus, eles não criam uma dependência doentia em alguns “superministros” que, em essência, se tornam a sua ligação com Deus e com as Suas bênçãos. A Bíblia diz em 1 Timóteo 2:5: “… há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”. Ministérios legítimos cultivam a sua dependência em Deus, em Sua Palavra e a sua habilidade de seguir a direção do Espírito Santo. Ministérios doentios, por outro lado, desenvolvem uma dependência em alguns ministros, especialmente ungidos, os quais, sozinhos, podem facilitar a chegada das bênçãos de Deus até você (especialmente quando a sua fé é “ativada” e “liberada” por meio de uma semente financeira que você semeou no “servo de Deus”). A intimidação pode até ser usada, dando a ideia ao ouvinte de que ele está sendo desobediente se ele não participa ou está sendo “religioso”, se questiona a suposta infalível palavra do servo ungido de Deus.

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando testemunhos maravilhosos são oferecidos por indivíduos que experimentaram milagres extraordinários, como resultados de ofertar em determinado ministério. A insinuação é de que se você der, então você também experimentará os mesmos tipos de resultados. Observei, em comerciais de TV de produtos para perda de peso, que um testemunho com frequência é dado no qual uma pessoa compartilha a sua história de perda drástica de peso, por fazer uso de uma dieta em particular. Na parte de baixo da tela da TV, em letras miúdas, está a típica frase: “resultados não típicos”. Talvez essa seja uma exigência legal para propagandas seculares, mas seria revigorante ouvir um ministro admitir que muitas das pessoas que doam não encontrarão um cheque de 75 mil dólares na sua caixa de correios nem terão a sua casa milagrosamente paga porque elas doaram aquela oferta “especial”. Também é lamentável que alguns ministérios tenham recorrido a panfletos e “comerciais de TV” que realçam imagens de mansões, piscinas, carros esportivos luxuosos, diamantes, barras de ouro e imensas pilhas de dinheiro. Tais promoções de mau gosto (em nome do Senhor) vergonhosamente apelam à cobiça e me lembram das advertências de Paulo a Timóteo quanto a “… homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro” (1 Timóteo 6:5).

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando um ministro sugere uma doação alicerçada em um versículo específico da Bíblia ou por meio do uso de numerologia. Por exemplo, depois de pregar em cima de Isaías 55:11, um ministro sugere que, se um ouvinte necessita de um milagre, doe uma oferta de 55,11 dólares. É interessante que ministros que usam essas técnicas estão mais propensos a pregar em cima do Salmo 107:20 do que em cima do Salmo 1:1. Afinal, uma oferta de 107,20 dólares é muito melhor do que uma oferta de 1,1 dólares. Ofertas fundamentadas em algumas interpretações numerológicas da Bíblia são quase sempre o resultado de manipulações humanas, e não inspiração divina. Eu não teria problema se, por exemplo, no aniversário de 50 anos de uma igreja, a liderança sugerisse que todos considerassem, em oração, uma oferta extra de 5 dólares, 50 dólares ou 500 dólares para fazer o que eles pudessem direcionados a algum projeto especial. Entretanto, isso deveria ser apenas uma sugestão. Isso se torna problemático quando o “ministro altamente ungido” atua dizendo “o Senhor me disse” e, autoritariamente, proclama que todos que derem 500 dólares ou 5 mil dólares irão receber algum tipo de bênção que só pode ser adquirida por meio de ofertar nesse montante em particular divinamente decretado. É quando isso se torna manipulativo e ameaçador. Tenha sempre cuidado com pessoas que profetizam dinheiro saindo da sua carteira — para dentro da carteira delas!

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando datas de certos festivais judaicos ou outros eventos do Antigo Testamento são usados para promover ofertas especiais na era do Novo Testamento. Considerando que a maioria de nós é crente do Novo Testamento, de origem não judaica, esses dias não devem governar o nosso caminhar com Deus (Gálatas 4:9-11; Colossenses 2:16-17). Ao escrever para uma congregação de origem mista (judeus e gentios), Paulo indicava que deveria haver tolerância e respeito quando se tratava de questões de origem e convicções pessoais (Romanos 14:1-9), mas não há qualquer base neotestamentária para proclamar que Deus irá abençoar, de forma especial, ofertas “fundamentadas no Antigo Testamento”, na era da Igreja.

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando uma mensagem é salpicada com dicas nada sutis de como Deus abençoou pessoas que doaram para o ministro ou para o seu ministério, usando a terminologia de “levantador de fundos” ou “apoiadores”. Ao fazer isso, esses ministros estão psicologicamente condicionando as pessoas a dar. Isso também deveria ser preocupante quando tempo em excesso é gasto por ministros falando a respeito de toda a riqueza e bênçãos materiais que eles receberam. Ministros são chamados para “pregar a Palavra” (2 Timóteo 4:2), não para exibir as suas posses. Paulo disse que o amor “… não é orgulhoso ou vanglorioso, não se mostra altivo” (1 Coríntios 13:4, AMP). Paulo também disse: “… a nossa mensagem não é sobre nós mesmos; estamos anunciando Jesus Cristo, o Mestre. Tudo o que somos é mensageiros, levando recados de Jesus para vocês” (2 Coríntios 4:5, A Mensagem). Deus nunca ordenou que ministros tivessem uma mentalidade de “rock star” ou “celebridade”; somos chamados para sermos servos. Certamente não somos chamados para manipularmos as pessoas para o nosso próprio benefício ou lucro pessoal.

BÊNÇÃOS SEM DINHEIRO

Deveríamos ser grandemente abençoados ao lembrarmos Isaías 55:1-2: “Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares”.

Desde que nós tenhamos o entendimento de que as maiores bênçãos de Deus são dons gratuitos, então nós podemos dar de coração e com a motivação correta, e poderemos evitar sermos pressionados, manipulados ou abusados por vigaristas religiosos.

REIVINDICANDO O PLANO DE DEUS

Precisamos permanecer fortemente comprometidos com a Palavra de Deus e nos conservarmos positivamente focados. Sou totalmente a favor de devolver o dízimo, ofertar e promover a prosperidade bíblica. Se todo crente no Corpo de Cristo simplesmente devolvesse o seu dízimo em sua igreja local (dar 10% da sua receita) e ofertasse como o Senhor os guia a fazer, a obra de Deus estaria maravilhosamente suprida e progrediria tremendamente.

A Bíblia nos ensina que existem bênçãos que estão associadas ao dar, e que Deus “… tem prazer na prosperidade dos servos” (Salmos 35:27). Igrejas, missionários e ministérios precisam de dinheiro para funcionar e para a Grande Comissão.

O Corpo de Cristo precisa ser profundamente grato por todos os pastores, missionários e outros ministros confiáveis (inclusive muitos que estão na televisão) que compartilham o Evangelho e a Palavra de Deus de modo tão objetivo, com simplicidade e sinceridade. Agradeça a Deus por aqueles que estão conservando as águas puras!

O Corpo de Cristo deve ser forte e ver através da desordem e distrações e imperfeições humanas, à medida que seguimos o propósito de Deus para a nossa vida! O fato de alguns operarem por métodos inapropriados e questionáveis jamais deveria nos impedir de acreditarmos em Sua Palavra e fazer a coisa certa.

Deus ainda “… pode fazer-vos abundar em toda graça (todo favor e bênçãos terrestres), a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência [possuindo suficientemente e não precisando requisitar ajuda ou suporte e fornecendo em abundância para todo bom trabalho e doações de caridade], superabundeis em toda boa obra” (2 Coríntios 9:8, AMP). Vamos nos render livremente à graça de dar. Não deveríamos apenas receber da Sua generosidade, mas também deveríamos viver uma vida de generosa doação.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 14 – CONSIDERAÇÕES PRÁTICAS A RESPEITO DE SABEDORIA FINANCEIRA E INTEGRIDADE

“Nós consideramos uma responsabilidade sagrada e uma oportunidade genuína sermos administradores fiéis de tudo o que Deus tem nos confiado; nosso tempo, nosso talento e nossos recursos financeiros. Vemos a vida como um encargo sagrado a ser usado sabiamente.” — Aliança Moraviana para a Vida

Pensamento-chave: Líderes espirituais são conscientes, responsáveis e diligentes em seu trato com o dinheiro.

Na ocasião em que escrevo isto, meu país tem experimentado um longo período de extrema dificuldade financeira. Os valores das casas despencaram e o desemprego permanece em alta. Nos últimos anos, um número sem precedentes de pessoas entrou em falência e muitas delas perderam os seus lares devido às execuções de hipotecas. Como resultado dessa recessão, muitas igrejas e ministérios e bons líderes espirituais cristãos foram adversamente afetados.

Estamos vivendo dias nos quais líderes não devem apenas ter uma grande fé para confiar e crer em Deus, mas também devem ter grande sabedoria para lidar sabiamente com o dinheiro. Nada neste capítulo pretende refletir negativamente ou trazer condenação para pessoas ou igrejas que sofreram reveses financeiros. Entretanto, também é extremamente importante que líderes e crentes atuem nos mais altos níveis de ética e sabedoria, no que diz respeito a questões financeiras.

Quer você esteja lendo isso em um tempo de desafios financeiros ou um período de grande abundância, você tem um antecessor no ministério que pode relacionar-se com a sua situação. Paulo disse: “Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:12-13). A versão NTLH traduz parte do versículo 12 assim: “… sei o que é estar necessitado e sei também o que é ter mais do que é preciso”.

RESPONSABILIDADE

Paulo era muito diligente ao proteger-se de acusações de inconveniência, por meio de uma sólida responsabilidade no que dizia respeito a lidar com finanças. Ele falou de uma oferta que recebera na Grécia, para os crentes em Jerusalém, quando disse: “Queremos evitar que alguém nos critique quanto ao nosso modo de administrar essa generosa oferta, pois estamos tendo o cuidado de fazer o que é correto, não apenas aos olhos do Senhor, mas também aos olhos dos homens” (2 Coríntios 8:20-21, NVI).

Para facilitar seu desejo por responsabilidade, Paulo encorajou cada igreja a ter um representante acompanhando-o e ajudando na distribuição desses fundos. Paulo poderia ter levado o dinheiro sozinho para Jerusalém, e eu acredito que ele teria sido completamente honesto em suas relações. Entretanto, ao fazê-lo, ele poderia ter se exposto à crítica e se colocado em uma posição vulnerável.

CONSELHO SÁBIO

Provérbios 11:14 nos diz: “Não havendo sábia direção, cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança”. Em tempos de leis complexas, é benéfico para pastores, igrejas e ministérios buscarem conselhos e direções de vários profissionais, como contadores, advogados, banqueiros, assessores executivos, agentes de seguros, etc. Alguns desses conselhos custarão dinheiro, mas seria muito mais caro não ter a direção apropriada. Igrejas e ministérios deveriam fixar recursos adequados de modo a receberem tais conselhos e adquirirem serviços profissionais, à medida que forem necessários. Procedimentos e sistemas apropriados deveriam ser estabelecidos e seguidos. Semelhantemente, princípios comerciais saudáveis deveriam ser implementados e todas as leis relevantes observadas.

É sempre bom garantir que se está recebendo conselhos saudáveis de fontes bem conceituadas. Uma vez alguém disse: “Os dois caminhos mais rápidos para o desastre são: não tomar conselho com ninguém e se aconselhar com todos”. Sófocles disse: “Nenhum inimigo é pior do que um conselho ruim”.

CUMPRINDO AS OBRIGAÇÕES RESPONSAVELMENTE

Isto pode parecer elementar, mas pagar as nossas contas e impostos é uma parte de agir em integridade. Deveríamos ser diligentes e rápidos nessas questões. Quando indagado acerca de pagar impostos, Jesus disse: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21).

Paulo reiterou isso quando disse: “Portanto, vivam com responsabilidade — não apenas para evitar a punição, mas por ser a maneira certa de viver. É por isso, também, que vocês pagam impostos — para que a ordem seja mantida. Cumpram suas obrigações como um cidadão. Paguem seus impostos. Paguem suas contas. Respeitem seus superiores” (Romanos 13:5-7, A Mensagem).

No versículo seguinte, Paulo diz: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros…” (Romanos 13:8). Alguns têm interpretado isso querendo dizer que um cristão, sob nenhuma circunstância, deve pedir dinheiro emprestado. Entretanto, acredito que outras versões acrescentam luz adicional e útil ao sentido desse versículo.

Na NVI lemos: “Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros…”. A tradução NTLH traz esse versículo assim: “Não fiquem devendo nada a ninguém. A única dívida que vocês devem ter é a de amar uns aos outros…”.

Entendido desse modo, recebemos a impressão de que devemos, simplesmente, pagar as nossas contas em dia. Entretanto, existe, obviamente, grande sabedoria em ficar livre de débitos e viver livre de débitos. Provérbios 22:7 diz: “…quem toma emprestado é escravo de quem empresta”, e isso é especialmente verdadeiro quando o débito se tornou esmagador e descontrolado. Alguém uma vez disse: “Quando os seus gastos excedem os lucros, a sua manutenção se torna a sua ruína”.

Gastos irresponsáveis e débitos com cartão de crédito tornaram-se um grande problema em nossa nação. O cartão de crédito pode ser uma ferramenta muito boa, mas se não for administrado corretamente, pode se tornar um grande cativeiro. Em minhas viagens, o cartão de crédito é necessário para a locação de carros, pagar hotel, etc. Entretanto, Lisa e eu assumimos, ao longo dos anos, a prática de não colocarmos no nosso cartão mais do que estamos preparados para pagar no final do mês. Isso tem nos salvado e economizado uma quantia significativa de dinheiro em juros.

O crédito fácil e uma sociedade materialista têm contribuído para que muitas pessoas excedam os seus limites financeiros. Alguns têm estado obcecados em querer parecer prósperos, e por isso compraram casas, carros, roupas, joias, etc., que estavam simplesmente além das suas posses.

George Washington Carver, que morreu em 1943, disse: “Temos nos tornado 99% loucos por dinheiro. O método de vivermos, no lar, modestamente e dentro das nossas condições, lançando um pouco sistematicamente para o proverbial dia chuvoso que irá chegar, pode ser quase listado entre as artes perdidas”.

Calvin Coolidge, presidente dos Estados Unidos de 1923 a 1929, afirmou: “Não há dignidade tão impressionante, ou independência tão importante, do que viver dentro das suas posses”.

Uma boa regra de ouro, para aqueles que buscam administrar sabiamente o seu dinheiro, é dar 10% para Deus, colocar 10% na poupança e viver dentro dos 80% dos seus recursos.

EMBARAÇOS A EVITAR

Alguns têm se esforçado para ajudar outros, sendo fiador para eles em um empréstimo. Embora isso soe virtuoso, pode levar a sérios problemas. Primeiro, se a pessoa não pagar as suas contas, você está obrigado a pagar. Segundo, se a pessoa não paga a sua conta e você paga, ela provavelmente ficará desconfortável por estar perto de você e, se você for um pastor ou um líder espiritual, isso significa que ela irá, provavelmente, evitar a igreja (isso também se aplica quando você faz um empréstimo para alguém). Se isso não é razão suficiente para você evitar ser fiador, então considere as seguintes passagens:

Meu filho, se você serviu de fiador do seu próximo, se, com um aperto de mãos, empenhou-se por um estranho e caiu na armadilha das palavras que você mesmo disse, está prisioneiro do que falou. Então, meu filho, uma vez que você caiu nas mãos do seu próximo, vá e humilhe-se; insista, incomode o seu próximo! Não se entregue ao sono, não procure descansar. Livre-se como a gazela se livra do caçador, como a ave do laço que a pode prender. — Provérbios 6:1-5

Quem serve de fiador certamente sofrerá, mas quem se nega a fazê-lo está seguro. — Provérbios 11:15

O homem sem juízo com um aperto de mãos se compromete e se torna fiador do seu próximo. — Provérbios 17:18

Não seja como aqueles que, com um aperto de mãos, empenham-se com outros e se tornam fiadores de dívidas; se você não tem como pagá-las, por que correr o risco de perder até a cama em que dorme? — Provérbios 22:26-27

RECEBENDO DÍZIMOS E OFERTAS

•  Ensine ousadamente e com confiança a respeito de administração, dízimos, ofertas, generosidade, etc. Não seja envergonhado, apologético ou retraído ao ensinar sobre dinheiro ou assuntos relacionados; isso é parte da vontade de Deus que somos responsáveis de ensinar.

•  Seja honesto e objetivo quanto a projetos especiais e necessidades da igreja e assegure-se de que ofertas específicas vão para os projetos para os quais foram designadas.

•  Não pressione as pessoas a dar por meio da culpa, vergonha, condenação, ameaça, etc.

•  Não “engane” ou manipule pessoas a fazerem uma doação compulsiva de maneira que mais tarde elas se arrependerão e ficarão ressentidas quanto a isso. Uma pessoa deve dar “segundo propõe em seu coração” (2 Coríntios 9:7), não em um estado de sentimentalismo frenético.

•  Não faça promessas infundadas e irrealistas para as pessoas. Evite tudo o que possa ser entendido como manipulação espiritual.

•  Evite artifícios.

PASTOR — RELACIONAMENTOS COM MINISTROS CONVIDADOS

Em um artigo intitulado, “Etiqueta para pastores: como honrar ministros convidados em sua igreja”, o pastor Michael Cameneti escreveu:

Acreditamos que qualquer ministro que semeia a Palavra na nossa congregação é alguém que Deus quer abençoar, por isso nos esforçamos para abençoar esse ministro convidado “acima e além”. Consistentemente, busco transmitir à nossa congregação a essência do dar e de ser uma bênção por meio de ministrações sobre finanças, fundamentadas em 1 Timóteo 5:18. Depois, encorajo a todos na nossa igreja a participarem dando uma oferta especial para o ministro convidado. Além disso, acredito que é sempre melhor semear em uma oferta do que o montante inicial recebido, portanto, acrescentamos às ofertas dos convidados apenas para abençoá-los. Em nosso coração sentimos fortemente que não podemos dar mais do que Deus e que Ele irá suprir todas as nossas necessidades à medida que semeamos na vida de outros.

Semelhantemente, os ministros convidados devem ser altamente respeitosos com a igreja local, bem como com o seu pastor. Ao longo dos anos, ouvi pastores compartilharem acerca de experiências negativas com ministros convidados, que pareciam estar muito mais interessados no que eles poderiam obter da igreja, financeiramente, do que o que eles poderiam oferecer à igreja, espiritualmente.

Recentemente, ministrei em uma igreja e, antecipadamente, recebi instruções por escrito. Achei que essas instruções foram muito boas. Era óbvio que, pelos pontos apresentados nessas instruções, o pastor sentia que o seu povo tinha sido “tosquiado” antes. Como um bom pastor, ele estava apenas fazendo o seu melhor para assegurar que esse tipo de coisa não acontecesse novamente. Algumas de suas instruções incluíam:

•  Dependendo do tipo de culto, um pagamento será dado ao ministro convidado, ou o pastor retirará uma oferta para o ministro ao final do culto. Aos ministros convidados não é permitido pedirem a sua própria oferta de púlpito.

•  Os envelopes da igreja apenas serão utilizados se uma oferta for solicitada.

•  Só serão permitidos três minutos para a divulgação de produtos no púlpito, a menos que o pastor autorize antecipadamente.

•  Os membros da igreja não serão inseridos na lista de contatos do ministro, exceto sob seu consentimento claro e pessoal.

•  A igreja irá providenciar, por mesa, até dois voluntários experientes, para ajudar na organização e venda dos produtos e materiais do ministro. Isso será assim porque somos sensíveis com respeito à interatividade com as pessoas da nossa comunidade.

•  Cheques pelos produtos serão feitos nominais à igreja. Todo o dinheiro das vendas de produtos será enviado pelos correios, com a oferta, dentro de três a cinco dias úteis.

Não estou apresentando essas ideias como um absoluto “dever”, mas existe uma grande necessidade de que pastores e ministros convidados trabalhem com respeito mútuo. O ideal será alcançado quando cada parte buscar abençoar, grandemente, a outra parte.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ELEMENTOS DE REAÇÃO

Os temas sobre a relação do homem com a tecnologia vão além da dependência e interação. É necessário fazer uma análise científica acerca do campo energético que liga o ser humano à máquina

Prêmio Nobel de Física de 1946, Wolfgang Pauli era conhecido pelo “efeito Pauli”. Nos laboratórios ocorriam curtos-circuitos em aparelhos, vidros que se quebravam, bastando que estivesse presente. Ele mesmo descreveu que sentia um certo mal-estar, acompanhando por uma espécie de “aura” até alguma coisa quebrar ou desandar e aliviar-se. Muitas vezes proibiam seu ingresso nas salas.

A Universidade de Princeton sediou o polêmico Laboratório de Engenharia e Pesquisa de Eventos Anômalos (Pear). O objetivo era verificar se a intenção do pesquisador poderia afetar o resultado de experimentos mecânicos e eletrônicos. Os resultados caracterizaram-se como estatisticamente significativos, quer dizer, a possibilidade de seus resultados serem alcançados aleatoriamente era muito pequena, embora viável.

Foi utilizado um gerador de eventos randômicos (REG), que é um hardware (blindado) que registra flutuações quânticas traduzidas em uma linha na tela do computador. É como se uma moeda fosse jogada 100 vezes por segundo e o resultado fosse registrado. Como a proporção esperada é de cerca de 50% para cada lado da moeda, a linha na tela flutua, com pequenas variações. Um ou mais voluntários são instruídos a “desejar” que a linha “suba” ou “desça”. Duplas em geral têm mais sucesso. Se estiverem apaixonados, mais marcante o efeito. Alguns relatam uma sensação física peculiar e sabem antecipadamente que nesse dia o resultado será vigoroso. Resultados positivos são obtidos mesmo à distância.

Respire fundo, leitor, calma. Ainda é cedo para qualquer conclusão. Mas pode ser que haja uma dimensão que, como um campo, englobe todos os participantes, já que os responsáveis pela pesquisa não pensavam tratar-se de uma ação do córtex cerebral, embora não tivessem meios de teorizar sobre “o que” estaria em ação.

Blasband, analista reichiano, estruturou seu projeto utilizando uma sala ao lado na qual faz os atendimentos, lá deixando um computador e um REG. Um cronômetro foi utilizado para registro do momento em que, nas sessões, havia uma ab-reação ou uma experiência emocional marcante. Ao final do dia, o computador examinado apresentava uma forte correlação entre as variações agudas nos registros e os momentos anotados. Como se uma “rede” envolvesse os humanos e o computador.

Várias pessoas que amam seus carros dizem que quando alguém gosta do carro, o carro gosta da gente também e não nos deixa na mão. Pode parecer bobagem de início, mas há sinais que indicam que a relação homem-máquina pode incluir elementos ainda obscuros que merecem mais atenção.

NICOLAU JOSÉ MALUF JR, – é psicólogo, analista reichiano, doutor em História das Ciências, Técnicas e Epistemologia (HCTE – UFRJ). Contato: nicolaumalufjr@gmail.com

OUTROS OLHARES

A BUSCA DA BELEZA ETERNA

Maçãs salientes, queixo pontudo, lábios com volume idêntico: como é o tratamento mais adotado por celebridades para atenuar os sinais de envelhecimento

No passado, ter um rosto perfeito exigia um DNA privilegiado ou a ação de um bisturi talentoso. Isso mudou. O código genético ainda tem seu papel, mas agora é o dermatologista que, aos poucos, vem tomando o lugar do cirurgião plástico como realizador de sonhos. A oferta é mais do que tentadora — procedimentos não invasivos que deixam cada cantinho do rosto em perfeito equilíbrio. Em seu conjunto, o cardápio de opções apresenta-se sob uma expressão sedutora: harmonização facial. Esse novo ideal cosmético consiste basicamente no uso da toxina botulínica e do ácido hialurônico para aumentar o volume dos lábios, levantar as sobrancelhas, deixar os maxilares protuberantes, atenuar a perda de volume das maçãs, preencher o bigode chinês e arrebitar o nariz. A promessa é proporcionar uma face mais jovem e, claro, harmônica — embora em casos extremos, como o da celebridade americana Kim Kardashian, cujo rosto já não tem nada original de fábrica, o resultado se afaste (e muito) da harmonia almejada.

Entre as intervenções mais desejadas, o volume nos lábios é o campeão de pedidos nos consultórios dermatológicos. Na casa dos 30, quase 40 anos, beldades como Cléo Pires e Gisele Bündchen já recorreram à técnica. Será que, de fato, era necessário? Por que mulheres tão bonitas acham que precisam de retoques? Uma das explicações, sem dúvida, é a proliferação das redes sociais. A exposição contínua no Facebook, Instagram e afins exige de pessoas que vivem da própria imagem um apuro estético permanente, a necessidade de parecerem sempre belas. Como, na era das selfies, elas são referência para suas seguidoras, tal prática acaba ganhando um impulso ainda maior. “A rede social nos deixa mais expostos. Daí a preocupação em tornar essa imagem melhor”, explica Fábio Saito, diretor de educação médica da Allergan, a maior fabricante de ácido hialurônico e toxina botulínica do mundo. Divulgada no mês passado, uma pesquisa da própria Allergan com entrevistados em dezoito países ajuda a entender a relação entre o desejo de um rosto perfeito e as redes sociais. O levantamento revela que os millennials já não questionam se devem fazer um procedimento estético — a única questão é quando rea­lizar essa intervenção. Outro dado curioso: dos que pensam em aperfeiçoar suas formas, 42% usam apps para modificar a própria imagem. Deve ser por isso que mesmo jovens atrizes como Marina Ruy Barbosa e Luísa Sonza, na casa dos 20 e poucos anos, já adotaram o tratamento.

Evidentemente, o avanço da medicina tem sido fundamental para a expansão da técnica. Há dez anos, os processos de injeções com preenchimentos resultavam em inchaços e duravam menos. O ácido hialurônico, então, era absorvido em seis meses — hoje seus efeitos duram até dois anos. As áreas de atuação também se multiplicaram. Ou, para ficar em um termo dermatológico: avolumaram-se. Para dar projeção aos maxilares, deixando-os marcados à la Taylor Swift, são injetados 4 mililitros de ácido hialurônico em cada lado. Na boca, o recomendado é colocar 1 mililitro na parte superior e outro na inferior (para além disso, corre-se o risco de que a boca se pareça ao bico de um pato). Preço do procedimento: 8.000 reais. Uma harmonização completa em um consultório de alto padrão chega a 30.000 reais.

As novas intervenções coroam uma linha progressiva da medicina cosmética, conquistada com altos investimentos da indústria da beleza. O primeiro preenchedor foi a gordura, utilizada desde os anos 60 na cirurgia plástica para a técnica de lifting. Tinha sérias limitações — irregularidades na pele e aumento de volume se o paciente ganhasse peso depois da cirurgia. O segundo preenchedor foi o colágeno, extraído de animais como o porco e o boi. O resultado durava míseros três meses. Nos anos 90, começa a revolução: o uso do ácido hialurônico como preenchedor de rugas e de vincos (como o chamado bigode chinês). Já neste século, os produtos passaram não só a encher fissuras como também a criar volume — mas com um triste efeito colateral: ao “murcharem”, os preenchedores deixavam as mulheres com cara de buldogue. Hoje, para evitarem esses problemas, os dermatologistas têm injetado versões menos densas e mais maleáveis diretamente no osso, obtendo um contorno firme sem dar volume excessivo à pele. “Em vez de criarmos opulência, causamos uma elevação nos tecidos”, diz o dermatologista Jardis Volpe, que tem pacientes como Luciana Gimenez e Maria Fernanda Cândido.

Essa linha evolutiva, no entanto, teve tropeços e desvios. Talvez o mais notório tenha sido um produto que até recentemente era considerado um rejuvenescedor milagroso: o metacrilato. Fabricado no Brasil, esse derivado de petróleo prometia a chamada “bioplastia”: a transformação do formato do rosto com um material maleável e transparente. Originalmente, o metacrilato era um implante ósseo, mas, em um desvio de finalidade, foi empregado para criar lábios carnudos e maçãs levantadas. Por não ser absorvido pela pele, é possível que o material cause mutações e rejeições de toda sorte. Aplicado em tecidos moles, pode resultar em nódulos, granulações e, o mais grave, infecções. A cantora ­Gret­chen e a ex-primeira-dama do sertanejo Zilu Camargo enfrentaram problemas devido ao uso do metacrilato. Zilu passou por mais de dez cirurgias para remover o material, nem sempre com sucesso, e chegou a ser internada com um quadro de infecção generalizada.

As mulheres são, claro, maioria nos consultórios, mas os homens também estão aderindo à harmonização. Casado com uma dermatologista, o ator Daniel Rocha, 28 anos, repaginou recentemente seu visual. Ele fez o procedimento de preenchimento da boca e tornou seu queixo e maxilares mais protuberantes. O efeito, que deixa o rosto mais masculino, é o grande pedido dos homens nas clínicas de estética.

Embora as fotos de “antes e depois” mostrem evidentes mudanças no rosto das famosas, muitas negam ter se submetido à harmonização. Cléo e Marina Ruy Barbosa juram pela Nossa Senhora do Preenchimento que sua boca é natural. Luísa Sonza admite ter mexido “apenas” nos lábios. Um maquiador que já empetecou todas elas várias vezes, atesta: os traços perfeitos (ops, harmônicos) são milagre do ácido hialurônico. Cada uma faz o que quer do próprio corpo, claro. Só é feio mentir sobre como se chegou à selfie dos sonhos.

CLEO PIRES, 36 ANOS – Cléo tem genes privilegiados: é filha de Gloria Pires e Fábio Jr. Mesmo assim, decidiu fazer diversas mudanças. Apenas 1% da população mundial nasce com lábios de volume idêntico na parte superior e inferior. Cléo preencheu, portanto, a boca para obter o efeito desejado. Maçãs do rosto, maxilares e queixo mostram sinais evidentes de volume. Resultado: bastante visível.

MARINA RUY BARBOSA, 24 ANOS – Uma das atrizes mais lindas do Brasil, Marina Ruy Barbosa detesta falar de procedimentos estéticos. Seus lábios, no entanto, não enganam: foram preenchidos de forma a deixar uniforme o volume das partes inferior e superior. O queixo ficou mais pronunciado. Resultado: efetivo, mas discreto.

BELLA HADID, 22 ANOS – A modelo americana, que faturou 33 milhões de reais em 2018, mudou todo o rosto: afilou o nariz, preencheu a boca e levantou as sobrancelhas. A mudança mais perceptível está no formato do rosto: passou do redondo para o retangular graças às injeções de ácido hialurônico nas maçãs, nos maxilares e no queixo. Resultado: bastante visível.

LUÍSA SONZA, 20 ANOS – A cantora gaúcha reconhece ter colocado somente preenchedor em seus lábios, agora tão carnudos quanto os de Kim Kardashian. Uma análise mais minuciosa, no entanto, mostra outras interferências: nariz levemente arrebitado, maçãs saltadas e queixo afilado e saliente. Resultado: bastante visível.

GESTÃO E CARREIRA

LIDERAR & GERENCIAR: EIS AS PRIORIDADES EM SERVIÇOS

Vamos falar sobre duas funções organizacionais essenciais para obter êxito durante todas as etapas da prestação de serviços: liderar e gerenciar. Hoje as empresas necessitam cada vez mais de práticas, procedimentos e comportamentos de profissionais que estejam alinhados com a missão, a visão e os valores, considerando também fatores internos e externos, oportunidades, ameaças, novas competências e inovações. Nesse contexto, visando atingir os objetivos estabelecidos no planejamento estratégico da empresa, torna-se necessário liderar as equipes de trabalho, bem como gerenciar recursos e processos em consonância com as melhores práticas.

Imagine uma empresa de prestação de serviços que tenha profissionais sem a devida qualificação e capacitação para liderar pessoas e para gerenciar recursos e processos. Por conseguinte, quantas dificuldades poderão surgir? Em relação aos negócios desse setor, cabe ressaltar que, tendo em vista as características específicas de serviços, além de intangibilidade, heterogeneidade e simultaneidade, várias competências são necessárias para os profissionais exercerem as suas funções com sucesso em todas as etapas.

Para liderar pessoas, alguns exemplos de competências são:

1) Estar comprometido com as diretrizes da empresa;

2) Promover as mudanças de paradigmas necessárias juntamente com as pessoas da equipe de trabalho;

3) Identificar e viabilizar a qualificação e a capacitação necessárias das pessoas;

4) Ter uma visão holística do mercado de atuação e das oportunidades;

5) Identificar e atender às necessidades dos stakeholders;

6) Ter flexibilidade e autonomia nas atitudes e nas decisões nos momentos de adversidades e de desafios;

7) Identificar e viabilizar o crescimento profissional dos talentos;

8) Implementar ações inspiradoras para manter a harmonia, a integração, a criatividade e a sinergia positiva das pessoas que compõem a equipe de trabalho;

9) Ter compromisso com a melhoria contínua, com as inovações tecnológicas e com os objetivos a serem atingidos;

10) Ter habilidade na comunicação das informações, orientações, feedbacks e decisões;

Em relação a gerenciar recursos e processos, também menciono algumas competências:

1) Estar comprometido com as diretrizes da empresa;

2) Mapear os processos de prestação de serviços;

3) Elaborar o planejamento;

4) Elaborar o orçamento;

5) Controlar e avaliar os resultados de desempenho de empresas terceirizadas;

6) Controlar as práticas e os recursos financeiros;

 7) Coordenar as atividades de sua área;

8) Elaborar, implementar, controlar e melhorar constantemente os planos de ações;

9) Controlar e avaliar periodicamente os resultados de desempenho da empresa. Também fica evidenciado que o profissional que gerencia as atividades de prestação de serviços tem foco no controle, na eficiência.

Cabe observar que, para o responsável pela equipe de trabalho delegar autoridade e responsabilidade, é fundamental que as pessoas da equipe não só estejam tecnicamente e emocionalmente habilitadas, bem como sejam orientadas adequadamente e recebam os recursos necessários para a realização do serviço. Assim, hoje em dia, devido a vários aspectos relativos ao setor de serviços, o profissional dessa área precisa ter a percepção de que existe momento em que é preciso gerenciar, ou seja, são funções que se complementam perfeitamente e são prioritárias no dia a dia da empresa.

Por fim, considerando o exposto, destaco que o profissional do setor de serviços responsável por um setor ou por uma equipe de trabalho cada vez mais terá de ter as competências para liderar e também para gerenciar. Eis o desafio!

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A ARTE DE QUEBRAR ROTINAS

O hábito de sair de férias com a família vai muito além de um simples tempo de lazer e descanso. Esse ócio pode representar renovação nas relações sociais e de maior produtividade

Um sistema não é, apenas, a soma de partes, é a integração delas. O desequilíbrio em uma parte pode abalar as outras. Uma mudança mexe com um sistema: um elo que se rompe e uma corrente perde sua unidade, se transforma. Reverte-se em sofrimento, cada mudança incerta, visto que seguimos as rotinas como situações acomodadas, alheias à necessidade de esforço, porque naturalmente seguem o modelo conhecido, que se repete. Isso dá tranquilidade, segurança e… Desejo de desafios diferentes!

O ser humano é mesmo contraditório, não é? Precisamos de rotinas… E precisamos de férias! Precisamos de um lugar para chamar de “nosso” e de um lugar “não nosso”, com gosto de “descobertas”. Que sejam boas as duas opções, tão opostas que parece ser uma arte de quebrar rotinas, ao criar ferias que não sejam frustrantes ou mais cansativas que o próprio dia a dia.

Como os desafios não vêm sozinhos, nem sempre as férias da família coincidem. Nesse caso, as férias das crianças representam mais problemas do que soluções: reunir paz e alegria, proximidade familiar, sem alterar o tempo livre disponível dos adultos? Bem, férias merecem reflexão!

Férias são convites a uma quebra no trabalho que convém ser pensada com arte. Às vezes, nas férias, o plano dos adultos é vencer a perturbação que as crianças representam para eles ao ter mais tempo livre em casa e até oferecem presentes para isso, em vez de imaginar, realmente, como aproveitar esse momento tão importante para toda a família.

É a organização e a habilidade conjunta de planejamento que caracterizam o pensamento como fonte de grandes ideias. As estratégias e ações resultam de processos que não ocorrem por acaso: seguem por caminhos desvendados pela neurociência, com conquistas que permitem ir além de uma meta inicial, quando há integração de propostas.

As férias devem seguir os processos de resolver problemas e convém pensar em prevenção, ou seja, é interessante planejar com cuidado e gosto, considerando as idades, as preferências e as possibilidades dos integrantes desse tempo “diferente”, incomum. Não se trata de quantidade, mas de qualidade do tempo despendido em conjunto com seus pares. Aquele lugar divertido pode ser uma praça que nunca dá tempo de todos explorarem juntos, onde se tiram fotos e se brinca até perder o fôlego. Os programas podem até ser diferentes para cada um, desde que haja um momento de real interesse para reunir as experiências e compartilhar os momentos.

O pressuposto adotado pelas organizações de trabalho aponta que organizações saudáveis são construídas para reduzir riscos psicossociais e a família é uma organização onde pessoas trabalham (ou estudam, o que é uma ação correspondente para os mais jovens).

As características dos riscos associados ao estresse no trabalho (dos quais as crianças não estão livres na escola) estão ancoradas em fato­ res que atravessam desde o âmbito individual, microssocial, ao macro­ estrutural. Em um ponto intermediário entre essas instâncias está a família, sujeita a potentes forças que lhe são externas, mas ela, em si, é de suma importância neste processo de adoecimento (o estresse é um fator de risco para adoecimento).

Quando se diz que as interações humanas dão origem a modos de pensar, sentir e agir idiossincráticos, a referência é posta na ideologia que prevalece no grupo. Em suma, podemos argumentar que aproveitar as férias equivale a entender a cultura familiar: história, regras, estrutura, políticas, estratégias, processos operacionais, contexto e assim por diante. Em outras palavras, se for difícil desenvolver a arte de quebrar rotinas, saiba que existem livros com propostas que seguem até a atividade ideal para cada idade, pensadas para tornar proveitoso esse tempo livre. Esse ócio com certeza se torna processo produtivo lá na frente.

Se valores estão no alicerce das relações familiares, das estratégias, das tomadas de decisão, dos planejamentos e das execuções revelados nas práticas ou procedimentos de vivência familiar, uma pergunta se torna forçosa: o que representam a saúde, inclusive a saúde mental, a alegria, a convivência, enquanto valores familiares?

Sem dúvida, é ilusório concluir que é fácil responder tal pergunta, mas podem ser oportunidades de diferentes graus de liberdade de expressão, de novas experiências de empatia (pensar no outro, não em si, apenas), de formas de chegar à concordância. Restrições insensatas, repressões injustificadas ou falta de limites são fortes indicadores de práticas propícias a danos psicossociais que desencadeiam o estresse patológico e transformam momentos de lazer em sacrifício, não importando o custo financeiro que o evento signifique.

O primeiro passo, como é comum cm processos similares, é identificar os estressores e discutir como lidar com eles – regras são sempre bem-vindas para o sucesso de uma arte, uma expressão, sem ser agressiva a ninguém. Não há exagero em afirmar que o relacionamento humano está cada vez mais ameaçado e que as boas práticas começam em casa. É ótimo planejar os rumos para a arte de quebrar rotinas, no contexto democrático de decisões, que servirão para a prática da rotina diária, após as férias de toda a família, em qualquer tempo.

LUIZA ELENA L. RIBEIRO DO VALLE – é psicóloga, doutora em Ciências no Departamento de Psicologia Social {USP/SP). Mestre em Psicologia Escolar e Educacional {PUC-Campinas). MBA Executivo em Psicologia Organizacional (AVM-Brasília), extensão em Gestão de Pessoas (FGV). Formação em Coaching (Lambent), especialização em Psicologia Clínica (CFP) na linha Cognitivo-Comportamental, consultora em Psicopedagogia, autora de livros

OUTROS OLHARES

VIDAS EM EVIDÊNCIA

Com seus carrinhos abarrotados de sucata, 800 mil catadores de material reciclável zanzam pelas ruas brasileiras. Presença constante, um exército de Invisíveis. Para dar voz a essas pessoas, em 2012, então com 26 anos, o grafiteiro e ativista Mundano (ele nunca usa o nome de registro) decidiu levar sua arte para além dos muros da capital paulista. Transferiu-a para as carroças dos catadores. Assim nasceu o movimento Pimp my Carroça. A iniciativa frutificou e, em julho de 2017, Mundano lançou o Cataki, um aplicativo gratuito que conecta catadores a geradores de resíduos – ou seja, todos nós. “Esses profissionais merecem remuneração justa. Pois, além de árduo, o trabalho deles é essencial para o meio ambiente”, diz Mundano. “Além de não reciclar, governo e empresas fingem que o catador não existe.” Praticamente tudo (90%) do pouco (3.7%) que o Brasil recicla passa pelas mãos dos catadores. “O Catakl não só reconhece e valoriza o trabalho dos catadores como pretende aumentar os índices de reciclagem, preservando o meio ambiente·, diz Henrique Ruiz, coordenador do projeto. O pagamento do catador não é obrigatório, mas recomendado. Até agora, o Cataki está com 2.050 catadores e cooperativas, 150 mil downloads e se faz presente em 360 cidades. Vidas já foram transformadas. Vários deles já passaram da carroça para um carro; de um carro para um caminhão, e de um caminhão para dois, três… Entre os prêmios já recebidos pelo Cataki, o mais recente foi o do júri popular do Chivas Venture, premiação global de inovação e impacto social. Dos 20 finalistas, Mundano era o único brasileiro.

GESTÃO E CARREIRA

EMPREENDER COMO PLANO DE CARREIRA

Ao contrário do tradicional pensamento de estudar e estabilizar-se em uma grande empresa, os jovens de hoje veem no empreendedorismo o caminho principal para sua carreira profissional

No ano passado, o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Empreendedorismo e de Startups para a Juventude, que busca, entre outras coisas, incentivar o empreendedorismo para a juventude, gerando oportunidades, renda e garantindo um futuro aos jovens. É uma resposta natural ao cenário mundial de empreendedorismo, no qual cada vez mais os jovens escolhem fazer e desenvolver suas próprias empresas, produtos e serviços. Tanto que, das mais de 12 mil startups mapeadas pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups), 14% dos empreendedores encontram-se na faixa de 20 a 24 anos e 67% deles têm entre 25 e 40 anos. “O perfil geral são jovens criativos e curiosos com acesso à tecnologia, que querem criar soluções para diferentes problemas e ainda ganhar dinheiro no processo”, afirma o presidente da Abstartups, Amure Pinho.

Isso significa que o empreendedorismo está cada vez mais sendo levado em consideração como plano de carreira pelos jovens e adolescentes, inspirados por modelos como Mark Zuckerberg e nas startups de sucesso, substituindo o tradicional sonho de entrar para grandes empresas e conseguir estabilidade financeira e de plano de carreira em longo prazo. É uma tendência forte no Brasil e no mundo que tem revelado grandes talentos para a inovação. No entanto, nem sempre as habilidades criativas caminham ao lado da aptidão para liderança e gestão igualmente desenvolvidas, por isso o Plano governamental incentiva parcerias e iniciativas que buscam ensinar o jovem a pensar e colocar em prática produtos e serviços inovadores e que possam se tornar negócios.

Isso porque, em um cenário de crise, investir nas próprias ideias acaba se tornando a única solução viável em muitos casos. Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2017), com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o percentual de pessoas de 18 a 34 anos que têm negócios em fase inicial atingiu a marca de 57% em 2017, o que representa mais de 15 milhões de jovens. Esse mesmo estudo mostrou que a taxa de empreendedorismo total atingiu a marca de 36,4%, o que representa quase 50 milhões de pessoas.

EVOLUÇÃO ORIENTADA

O perfil do jovem brasileiro mudou. Para o professor de empreendedorismo e coordenador dos cursos Engenharia Elétrica e de Computação da UniCarioca, Marcos Ferreira, o que sempre moveu o homem e hoje é mais latente é a motivação. Empreender, ou seja, pôr em prática ideias com iniciativa, ousadia e criatividade – e ainda, se possível, com alguma inovação – é algo que vem do coração, é muito forte, quando se empreende por vocação. “Concretizar essa vocação latente é uma necessidade de vida, em vista que, nesses casos, só se encontrará felicidade respondendo a esses anseios de construir e realizar o que brota na alma”, diz o docente.

“Já empreender por necessidade é um movimento que se faz na busca por alternativas, para atender às carências de um mercado de trabalho com poucas oportunidades, o que é uma característica forte e muito presente no Brasil de agora. Dessa forma, a necessidade imposta pela falta de oportunidades representa, hoje, a principal motivação das pessoas para se lançarem no mundo dos negócios. Na verdade, empreender por vocação não é o que move a maioria dos brasileiros. Muitos almejam ter um bom emprego, pois isso é algo que dá mais segurança (envolve menos riscos) e a sociedade valoriza mais. Porém, obter sucesso no ato de empreender por vocação ou necessidade é algo que realmente faz a alma transbordar”, reforça Ferreira.

Em geral, todo mundo tem um empreendedor dentro de si, em muitos casos, adormecido, não descoberto. “Minha função e de outros docentes é, em certa medida, funcionar como ‘parteira’ e ajudar os alunos a descobrir esse aspecto, vocação e habilidades. Os grupos de discussão, os trabalhos em sala de aula e as leituras recomendadas servem para despertar essa característica em cada um junto com as técnicas e ferramentas que serão essenciais e os ajudarão a alcançar o sucesso, caso venham empreender algum dia”, pondera.

MOTIVAÇÃO GLOBAL

Não há um consenso quando se trata de características do empreendedor, mas garra, perseverança e automotivação são unânimes entre os bem-sucedidos. Na opinião de Gabriela Gusman, 27 anos, formada em Letras pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), mas que deixou o diploma de lado para empreender na Vênus Estúdio Criativo – agência de comunicação focada em branding e estratégica -, uma boa qualidade desses empreendedores é ter urna visão holística, integrativa do negócio. “Eu já cometi alguns erros nesse sentido e vejo muitos jovens empreendedores também pecando em ter uma visão muito ‘reta’, muito superficial. É necessário conseguir parar para analisar o produto oferecido, o serviço, o que de valor está sendo entregue, para aí ver quais fatores estão desalinhados, por que certas coisas não estão funcionando ou poderiam estar melhor”, pontua a jovem empresária.

Não existe uma receita exata quando se trata do empreendedorismo de sucesso, o importante é enxergar oportunidades e desenvolver habilidades para supri-las. Nesse caminho, segundo o diretor comercial da Sage, Jorge Santos Carneiro, os jovens buscam propósito e soluções para problemas reais do cotidiano das pessoas. “É um movimento que vai mudar totalmente as formas de trabalho no futuro. Na nossa empresa, por exemplo, temos estimulado o ensino aos jovens, aplicando programas de empreendedorismo extracurriculares aos alunos através da Sage Foundation e parcerias com ONGs voltadas para empoderamento de jovens, sendo um caminho interessante para fomentar o empreendedorismo em jovens”, diz.

CARACTERÍSTICAS PESSOAIS

A unanimidade fica por conta de que é um conjunto enorme de fatores que desencadeiam algum desequilíbrio lá na frente. O ideal é conseguir ver esse “todo”, ou seja, enxergar o negócio como um ecossistema, o que ajuda muito a detectar problemas ou possíveis desequilíbrios que mais tarde causariam dor de cabeça. Nesse sentido, a vontade de autoconhecer e autodesenvolver de forma contínua deve estar interligada no indivíduo. Gabriela lembra que empreendedores que acham que já sabem totalmente quem são, dotados de verdades absolutas, podem cometer erros muito graves no negócio.

“Autoconhecimento é poder. Muitas vezes, nosso maior inimigo e concorrente somos nós mesmos. Se não trabalharmos o nosso ego e nossas sombras, a tendência é sermos engolidos uma hora ou outra. Agora, se conhecemos nossos mecanismos de defesa, de autossabotagem, já temos muita vantagem e conseguimos escapar das armadilhas que criamos para nós mesmos”, opina Gabriela.

Vale lembrar que, mesmo no empreendedorismo por necessidade, é preciso estratégia e muito planejamento para a implementação de qualquer negócio. “Empreendedor não é apenas quem tem negócio próprio. É possível e necessário ser empreendedor trabalhando para um terceiro, dentro de empresas dos mais variados setores. Mais do que um modelo de negócios, o empreendedorismo é um estado de espírito”, ressalta Carneiro, da Sage.

ENSINANDO

Na rede de franquias de Ensino Infantil, Fundamental e Médio Maple Bear, empreendedorismo é uma matéria ensinada no dia a dia das próximas gerações. “Acreditamos que a formação sólida, que prioriza o autoconhecimento e autonomia, é decisiva para a conquista de um mundo de possibilidades. Por isso, ser empreendedor é ser visionário, olhando o mundo sob a perspectiva de oportunidades. Nosso programa privilegia a observação, a resolução de problemas e a tomada de decisões. Então, as possibilidades de aprender a empreender são infinitas”, diz o CEO da Maple Bear, Arno Krug.

Para o perito em educação, o estímulo ao aprendizado deve acontecer em todas as esferas e começa sempre na escola. incentivar a experimentação, promover o desafio intelectual, descobertas e a solução de problemas desde os primeiros anos da infância ajudam a formar um cidadão mais consciente e criativo, aberto para visualizar novas oportunidades em todos os momentos da sua vida. “A criatividade é um fator primordial para empreender. Fugindo dos estímulos tradicionais, sem impor algo, mas apresentando de forma criativa e com uma metodologia fundamentada na experimentação, na descoberta e no compartilhamento de informações. Dessa maneira, é possível desenvolver nos alunos a autonomia e uma verdadeira paixão pelo aprendizado”, diz Krug.

Em geral, especialistas apontam que é importante sempre buscar construir o conhecimento e expandir a criatividade ao compartilhar informações, comparar ideias, interpretar linguagens e desenvolver o pensamento crítico. A base de uma educação de qualidade é a descoberta.

Outra iniciativa que tem dado certo, desta vez, público-privada, é da Sage, multinacional britânica líder em softwares de gestão na nuvem, em parceria com a Junior Achievement São Paulo, instituição centenária que promove o empreendedorismo em jovens do mundo todo, que ajuda os alunos da ETEC Polivalente de Americana a desenvolverem aplicativos de celular para solucionar problemas e dificuldades encontrados no cotidiano das pessoas. Com o nome de StartApp, o projeto é um laboratório de criação de aplicativos que tem como objetivo incentivar o voluntariado junto aos seus funcionários como forma de retribuição às comunidades onde atuam. Como resultado, os alunos, divididos em grupos, desenvolveram cinco ideias de apps em diversas áreas, de auxílio na comunicação com crianças que apresentam transtorno do espectro autista até aplicativos para auxiliar estudantes das universidades a procurarem morada em repúblicas, todos viáveis de serem realmente implementados.

“Desenvolver as habilidades de criatividade e espírito de equipe desde a infância é muito importante para qualquer atividade que vá desempenhar ao longo da vida. É preciso pensar que a escola tem um poder incrível de incentivar essas habilidades que contribuirão para o desenvolvimento de um empreendedor. Hoje, o mercado necessita de pessoas que saibam trabalhar em equipe e sejam criativas no dia a dia dos negócios”, conclui o diretor da Sage, Jorge Santos Carneiro.

SEIS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS NO PERFIL DE UM EMPREENDEDOR

PROATIVIDADE – O empreendedor precisa estar antenado com o mercado e pronto para abraçar as oportunidades e para correr riscos calculados, sem ter medo do desconhecido.

EFICIÊNCIA E QUALIDADE – É preciso ser apaixonado pelo que faz, ser comprometido e cumprir o que promete. Acima de tudo, buscar sempre uma forma de melhorar a qualidade do seu produto ou serviço, comparando com a concorrência e sempre pela ótica do cliente.

SER PERSISTENTE – É necessário ser resiliente e saber adaptar-se às mudanças, superar obstáculos e resistir às pressões financeiras ou de expectativa por resultados. Persistência deve ser a sua palavra de ordem, buscando sempre superar o cansaço e o desânimo e, sempre que necessário, colocar a mão na massa.

ATENÇÃO E OPORTUNIDADE – O empreendedor deve ter a internet como uma forte aliada para buscar informações antes de começar um negócio, interagir com os clientes, pesquisar fornecedores e concorrentes. Informação, planejamento e comunicação formam a chave para o sucesso de um negócio.

ORGANIZAÇÃO – Planejar bem deve estar no início da jornada, pois, neste momento, o empreendedor de sucesso descobrirá os caminhos a percorrer e definir as metas do seu negócio. As etapas devem estar desenhadas e o caminho deve ser monitorado por meio de indicadores.

COMUNICAÇÃO E LIDERANÇA – Ser capaz de transmitir confiança e saber se comunicar são fundamentais para o empreendedor, que deve buscar uma comunicação assertiva, além de demonstrar confiança na sua capacidade de produzir resultados.

FONTE: MARCOS FERREIRA, docente da Uni Carioca.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO TREZE – LÍDERES DEVEM CAPACITAR OUTROS E NÃO EXPLORÁ-LOS

“Se uma pessoa alinha sua atitude com relação ao dinheiro, então quase todas as áreas de sua vida estarão alinhadas.” — Billy Graham

Pensamento-chave: Líderes virtuosos permanecem livres de cobiça e operam na maior integridade em todas as questões pertinentes a finanças.

Uma questão fundamental que todos os líderes devem encarar é se eles irão capacitar ou explorar outros. Líderes espirituais que estão livres da cobiça sempre buscarão o bem-estar e o benefício daqueles a quem ministram. Quando Paulo deu orientações a Timóteo, para líderes de igreja, muito do que ele disse tinha a ver com o caráter do líder, com questões relacionadas às suas atitudes quanto a dinheiro e como eles lidariam com ele.

Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?); Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo. — 1 Timóteo 3:1-7 (ACF)

Duas das afirmações citadas acerca das qualificações para líderes espirituais são referências diretas a questões financeiras.

•   Não cobiçoso de torpe ganância (versículo 3).

•   Não avarento (versículo 3).

Diversas afirmações têm, pelo menos, uma aplicação indireta com questões financeiras:

•   Irrepreensível (versículo 2).

•   Vigilante — significa autocontrolado (versículo 2).

•   Sóbrio — significa alguém que vive sabiamente (versículo 2).

•   Honesto — significa que alguém tem boa reputação (versículo 2).

•   Governa (ou gerencia) bem a própria casa (versículos 4, 5).

•   Cuida da igreja de Deus (versículo 5).

•   Tem um bom testemunho dos que estão de fora (versículo 7).

Enquanto a maior parte do serviço cristão é feita por voluntários, é certamente apropriado para pastores e outros que trabalham extensivamente para o Senhor, serem compensados financeiramente e serem compensados generosamente quando possível. Considere as seguintes declarações feitas por Jesus e Paulo:

•   “… porque digno é o trabalhador do seu salário” (Lucas 10:7).

•   “… ordenou também o Senhor aos que pregam o Evangelho que vivam do Evangelho” (1 Coríntios 9:14).

•   “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na Palavra e no ensino. Pois a Bíblia declara:

Não amordaces o boi, quando pisa o trigo. E ainda: o trabalhador é digno do seu salário” (1 Timóteo 5:17-18).

Analistas há muito perceberam que igrejas que cuidam bem dos seus ministros tendem a prosperar e vão muito bem, enquanto aquelas que são “econômicas” nessa área e são fechadas com relação aos salários de seus ministros tendem a não irem tão bem.

Em ocasiões, Paulo voluntariamente se abstinha de receber compensação financeira de certas igrejas. Algumas vezes, isso foi, provavelmente, apenas por uma questão logística: a igreja estava em seu início e não era capaz de oferecer muito auxílio. Outras vezes, Paulo estava demonstrando a pureza dos seus motivos, então ele não seria acusado de ministrar simplesmente por dinheiro. Paulo recebeu auxílio missionário em algumas ocasiões (veja Filipenses 4:15-18), enquanto, em outras, ele era o que chamava de ministro “bivocacional”. Em pelo menos três cidades onde Paulo ministrou, ele exerceu a sua função bivocacionalmente:

•  Corinto — “… posto que eram do mesmo ofício, passou a morar com eles e ali trabalhava, pois a profissão deles era fazer tendas” (Atos 18:3).

•  Éfeso — “De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes; vós mesmos sabeis que estas mãos serviram para o que me era necessário a mim e aos que estavam comigo. Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: mais bem-aventurado é dar que receber” (Atos 20:33-35).

•  Tessalônica — “Nem jamais comemos pão à custa de outrem; pelo contrário, em labor e fadiga, de noite e de dia, trabalhamos, a fim de não sermos pesados a nenhum de vós; não porque não tivéssemos esse direito, mas por termos em vista oferecer-vos exemplo em nós mesmos, para nos imitardes” (2 Tessalonicenses 3:8-9).

É ótimo quando o trabalho dos pastores pode ser plenamente amparado pela igreja. Logisticamente, os pastores são capazes de produzir muito mais na obra do Senhor quando eles podem focar completamente em seus ministérios. Entretanto, jamais deveríamos minimizar as importantes contribuições daqueles que servem bivocacionalmente. Gosto do que Rick Warren escreveu no seu livro “Uma Igreja com Propósito”: “Eu dedico este livro aos pastores bivocacionados ao redor do mundo: pastores que, fiel e amorosamente, servem em igrejas que não são grandes o suficiente para prover um salário integral. Vocês são os verdadeiros heróis da fé em meu ponto de vista”.

Tão apropriado quanto é para ministros serem bem recompensados pelo seu trabalho, existem vezes e ocasiões, quando líderes espirituais conscientes, recusarão certos tipos de verbas, alicerçados em fundamentos éticos ou morais. Por exemplo:

•  Abrão (Abraão) disse “não” ao rei de Sodoma: “E juro que nada tomarei de tudo o que te pertence, nem um fio, nem uma correia de sandália, para que não digas: eu enriqueci a Abrão” (Gênesis 14:23).

•  Um profeta, anônimo, recusou dinheiro do rei Jeroboão, para que não parecesse que uma cura poderia ser paga (1 Reis 13:6-10).

•  Eliseu também recusou prata, ouro e roupas de Naamã para que não parecesse que uma cura poderia ser paga. Quando Geazi, servo de Eliseu, tentou tomar posse desses espólios escondido do profeta, ele foi exposto e a lepra veio sobre ele (2 Reis 6:15-27).

•  Pedro se recusou a aceitar dinheiro de Simão, o Mágico, como pagamento por um dom espiritual (Atos 9:18-23).

•   Como mencionado, Paulo recusou uma compensação que, tecnicamente, ele tinha o direito de receber. Ele disse aos coríntios: “… e, estando entre vós, ao passar privações, não me fiz pesado a ninguém; pois os irmãos, quando vieram da Macedônia, supriram o que me  faltava; e, em tudo, me guardei e me guardarei de vos ser pesado… não me será tirada esta glória nas regiões da Acaia… o que faço e farei é para cortar ocasião àqueles que a buscam com o intuito de serem considerados iguais a nós, naquilo  em  que  se  gloriam”  (2  Coríntios  11:9-10, 12  veja  também  1 Coríntios 9:11-18).

Por que esses homens de Deus, nessas situações únicas, recusariam dinheiro?  Por que líderes espirituais, hoje em dia, em certas situações, recusariam dinheiro?

•   Algumas vezes é uma questão de princípio.

•   Algumas vezes isso daria a impressão errada.

•   Algumas vezes o doador não tem a melhor das intenções.

Cícero, um estadista romano que morreu algumas décadas antes do nascimento de Cristo, disse: “Mas a principal questão em toda administração e serviço público é evitar até a menor suspeita egoísta”. Que percepção fenomenal. Como é importante, hoje, que líderes não se envolvam em qualquer prática que pareça egoísta.

Existem maneiras certas, bem como maneiras erradas, para prosperar. Provérbios 28:20 diz: “O homem fiel será cumulado de bênçãos, mas o que se apressa a enriquecer não passará sem castigo”. Semelhantemente, Provérbios 10:22 nos diz: “A bênção do SENHOR enriquece, e, com ela, ele não traz desgosto”.

Líderes espirituais precisam estar cientes das ciladas e prisões que podem ocorrer quando eles usam sua influência inapropriadamente para promover certos negócios ou investimentos financeiros. Os crentes não deveriam imaginar se o interesse do líder espiritual em suas vidas é de natureza pastoral, ou se o líder espiritual está simplesmente querendo se capitalizar em cima deles como uma potencial fonte de recurso. Como regra geral, é bom manter os assuntos da igreja e os negócios/investimentos pessoais completamente separados.

Ocasionalmente, pastores são procurados por pessoas que querem que eles usem a sua influência espiritual de modo a recrutar outros para participarem em uma transação comercial ou algum tipo de oportunidade de investimento. Na turbulenta economia atual, até mesmo investimentos legítimos podem ir mal. Se os crentes perdem dinheiro porque um líder espiritual, em quem eles confiavam, os incentivou a fazerem um investimento em particular, então esse importante relacionamento pode ser seriamente comprometido. Se as pessoas se ofenderem porque perderam dinheiro em uma transação financeira promovida pela igreja ou por um dos seus líderes, elas provavelmente podem deixar a igreja, ou pelo menos, perder a confiança naquele líder.

EVITANDO O AGUILHÃO DO CRISTÃO VIGARISTA

Jim Guinn é um contador com décadas de experiência em ajudar igrejas e ministérios com suas necessidades contábeis. Jim escreve:

Nos últimos anos, promotores inescrupulosos, afirmando serem cristãos têm, literalmente, tomado milhões de dólares de outros cristãos em acordos de petróleo ilegítimos, esquemas de minas de ouro, pirâmides de marketing multinível e outros esquemas “fique rico rápido”. Que tragédia para ministros e membros de igrejas que trabalharam duro sua vida inteira para economizar para a sua aposentadoria, ou para a educação dos seus filhos, serem enganados em suas economias. Se você for procurado por um promotor de investimentos, considere o seguinte:

•   Se o investimento parece bom demais para ser verdade.

•  Se esse único investimento supostamente irá torná-lo rico, talvez seja um esquema “fique   rico rápido” e, provavelmente, não é um investimento saudável.

•   Se a pessoa que está promovendo o investimento exige dinheiro antes de fornecer todos os detalhes do investimento para você, considere isso uma bandeira vermelha. Jamais efetue sequer um pagamento inicial sem entender completamente os riscos e possibilidades desse investimento.

•  Se o tal promotor não oferece declarações financeiras mostrando os resultados de empreendimentos similares, e declarações financeiras demonstrando a sua estabilidade financeira ou da sua empresa, não invista.

•  Se o tal promotor o desencoraja a não consultar o seu assessor financeiro, o seu contador ou o seu advogado devido à natureza secreta do investimento, suspeite. Isso é uma indicação de que esse investimento não é saudável.

•  Se o tal promotor lhe diz que o investimento irá torná-lo rico, ajudando-o a dar dinheiro para as igrejas e ministérios a fim de espalharem o Evangelho e ganhar o mundo para Deus, não invista. Em certo sentido, ele está pedindo a você para subornar Deus para que abençoe o investimento.

•  Se o tal promotor não oferece referências que se possam verificar de investidores anteriores, não invista.

•  Quando a taxa de retorno prometida em relação ao montante investido é altamente exorbitante, considere isso um sinal de alerta. Esse tipo de investimento é, quase sempre, bom demais para ser verdade.

•  Se o produto ou o plano de marketing a ser financiado pelo seu investimento é tão   complicado que você não consegue entender completamente como o seu dinheiro será  usado, ou como você irá receber o retorno prometido, não se envolva nesse investimento.

•  Quando o promotor tentar apressá-lo a investir porque a oportunidade de investimento é limitada e rápida, não invista. Sempre tome o tempo que for necessário para conferir a oportunidade.

•  Muitos promotores empregam técnicas designadas para usar as suas crenças para tirar vantagem.

Cuidado quando:

•   O promotor cita versículos bíblicos como base para o investimento.

•   A lapela do promotor está coberta com broches de organizações religiosas, implicando que ele apoia as mesmas organizações que você.

•  O promotor faz alarde de seus relacionamentos com várias organizações cristãs, por exemplo, como a posição dele no conselho de um ministério (especialmente um que ensina uma doutrina de prosperidade), para induzi-lo a fazer o investimento.

•  O promotor menciona o seu forte status de relacionamento em uma igreja, como um estímulo para encorajá-lo a investir (por exemplo: “Eu sou um membro do mesmo tipo de  igreja que você e, já que somos irmãos, você deveria me ajudar e ajudar a si mesmo   investindo comigo”).

•  O promotor lhe informa que você é um dos “poucos selecionados” a receberem a oferta   dessa oportunidade de investimento. Se é um promotor, é legítimo que ele irá oferecer o investimento para qualquer investidor qualificado.

Considerações espirituais não são inapropriadas quando se toma decisões financeiras. Acreditamos em pedir a ajuda de Deus. Entretanto, não está certo cristãos serem enganados por promotores que revestem maus investimentos com uma aparência de “religiosidade”. É bom que uma pessoa apoie um ministério, e não há nada de errado em usar broches de lapela. É bom que uma pessoa seja um membro forte de uma igreja e louvável que ela compartilhe com a igreja o dinheiro adquirido de um investimento para promover o Evangelho. Mas a sua decisão de fazer um investimento alicerçado apenas nesses critérios, em vez de critérios econômicos, pode custar muito caro e até mesmo levar à falência. A maioria das riquezas vem do trabalho duro.

Lembre-se, um fazendeiro não pode ter uma colheita a menos que ele tenha trabalhado para semear o grão. Não espere mais do que um retorno honesto para um recurso investido honestamente. Se um investimento em potencial parece bom demais para ser verdade e está sendo promovido essencialmente sem considerações econômicas, afaste-se desse promotor o mais rápido possível. Contente-se com investimentos que oferecem taxas de retorno razoáveis e legítimas. Investimentos seguros raramente oferecem taxas de retorno exorbitantes.

Sem dúvida, alguns cristãos bem-intencionados — inclusive líderes — foram enganados a promover, inocentemente, alguma coisa que eles verdadeiramente pensaram que seria útil. Jamais permita que a alegada cristandade de alguém o embale em um senso de descuido, levando-o a negligenciar práticas e princípios sadios de negócios. Fique alerta contra pessoas que usam a igreja e o seu relacionamento com o pastor para obter investimentos das pessoas ou para promover os seus negócios.

É imperativo que líderes espirituais sejam sábios, que eles conservem os seus corações livres da cobiça e de práticas que sejam egoístas. Nos piores cenários, nos quais um líder está explorando as pessoas, a repreensão dada por Deus, por intermédio de Ezequiel, ainda pode ser aplicada hoje: “Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize-lhes: assim diz o SENHOR Deus: ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas” (Ezequiel 34:2-3).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PREPARO PARA A MORTE

A extrema dificuldade em lidar com a morte por medo do desconhecido varia de acordo com as culturas e o momento histórico

O tema morte suscita, além do medo, um tipo de curiosidade que nunca será satisfeita, pois nos remete a emoções e vivências de estranheza: estamos diante do desconhecido. Segundo a Psicanálise, isso ocorre porque as experiências vivenciadas pelo ser humano, desde a vida intrauterina, deixam traços, marcas profundas que serão reativadas no decorrer do tempo, quando nos depararmos com situações semelhantes àquelas já vividas. Nesses momentos seremos remetidos às mesmas emoções das experiências primordiais, das quais geralmente não conseguimos resgatar lembranças. Para Freud, essa era a razão da vivência de estranheza diante da morte. Uma das maiores dores emocionais do ser humano é a perda de alguém amado, e o processo de metabolização emocional dessa perda é doloroso e longo, durando em torno de dois anos nas estimativas mais otimistas. O pranto pelo ser amado perdido contém inconscientemente as angústias pela perda da própria vida.

A atitude e convivência do ser humano para com a morte varia de acordo com as culturas e o momento histórico. Há cerca de 50 anos, a maioria das pessoas morria em casa, pelos mais variados motivos, como velhice ou doenças. Nesse contexto havia a oportunidade para quem se despedia da vida de poder conviver com seus familiares até os últimos instantes, o que permitia que o afeto pudesse fluir entre todos, as despedidas podiam acontecer, amor e ódio serem elaborados e reparações realizadas. Assim, podíamos dizer que havia um ambiente acolhedor ao processo da morte, às dores das perdas dos que ficavam, mas, principalmente, daquele que vivenciava o processo da despedida. Era uma morte afetiva, acolhida. O morrer era vivenciado por todos como um processo triste, porém natural, como mais um ciclo da vida que se encerrava. Entretanto, esse contexto deixou de existir na atualidade ou pode ser encontrado somente entre algumas civilizações.

Ao traçar uma comparação com a maneira como se lida com a morte no momento atual, observamos que na grande maioria dos casos a morte ocorre em hospitais. Graças ao desenvolvimento cada vez mais acelerado da medicina surgiram condutas muito eficazes para o tratamento de doenças graves, traumas, e muitas situações que eram letais possuem resolução e devolvem o ser humano à vida.

Porém, nosso interesse aqui é refletir sobre o prolongamento da vida, principalmente nas unidades de terapia intensiva, de pessoas muito idosas ou com patologias graves irreversíveis que são mantidas vivas artificialmente, por meio de aparelhos que não deixam que o corpo pare de funcionar, mesmo que a vida esteja suspensa nas demais áreas.

Uma das consequências de a morte ter sido descontextualizada do aconchego do lar e do envolvimento afetivo familiar é ter se tornado “asséptica”. Os familiares são mantidos afastados e privados de terem a oportunidade de realizar uma despedida digna do ser amado que se vai. Afastar quem se vai do aconchego do lar e do contato afetivo com familiares é condenar a pessoa a morrer antes da chegada da morte de fato. Com as práticas recentes para se lidar com a iminência da morte houve praticamente a corroboração dos preconceitos que sempre existiram no imaginário do ser humano a respeito da morte, ao deixar de ser vivenciada como um processo natural, um fato da vida, para se tornar muitas vezes um segredo, ser envolta em desconhecimento, se tornando mais ameaçadora e persecutória. A luta contra a morte traz inserido um preconceito de que a morte é errada, que não deveria acontecer, quando na realidade trata-se de um dos ciclos da vida.

Com muita frequência há adoecimentos súbitos e graves de pessoas ativas, mas que não tiveram oportunidade de conversar com a família sobre atitudes que deveriam ser tomadas, decisões relacionadas a negócios ou mesmo até que ponto gostaria de ser mantido vivo.

No entanto, faz algum tempo começaram a existir intervenções médicas que criam a possibilidade de uma humanização do processo da morte. Por isso é importante compreendermos no que consistem os cuidados paliativos.

DIÁLOGO

Em minha experiência cuidando de pacientes, ajudando-os a tomarem a melhor decisão em cada caso, tenho percebido que, quando inicio o diálogo com o paciente e familiares, eles ficam muito agradecidos pela oportunidade de terem seus questionamentos resolvidos. É gratificante perceber a calma, tranquilidade e harmonia, especialmente nas despedidas, no caso de pacientes que optam por cuidados de conforto e morte natural. Quando a decisão vem do paciente ao invés de um familiar, em realidade ele está ajudando seus sobreviventes a terem um luto saudável. É mais fácil honrar uma decisão do que tomar a decisão por alguém.

Para que decisões sejam tomadas com antecedência, é importante saber mais sobre o assunto e conhecer as opções existentes em termos de cuidados, no final da vida. Há muito que aprender sobre o ciclo da vida. Quanto mais nos interessamos, melhor podemos ajudar nossos semelhantes.

CONFORTO AOS DOENTES TERMINAIS

Hospice são os cuidados de apoio às pessoas na fase final de uma doença terminal e concentra-se no conforto e qualidade de vida, ao invés de curar. Então, o objetivo principal é controlar a dor para que os pacientes possam viver cada dia da melhor maneira possível. Esse cuidado pode ser oferecido em casa, em clínicas ou até mesmo em hospitais. A filosofia do hospice é oferecer apoio para as necessidades emocionais, sociais e espirituais do paciente, bem como o controle dos sintomas físicos. Tratamos o doente e não a doença. Geralmente, esse tipo de cuidado é oferecido para as pessoas que têm uma expectativa de vida de seis meses ou menos. O hospice geralmente usa uma abordagem de equipe multidisciplinar, incluindo os serviços de um enfermeiro, médico, psicólogo e apoio espiritual prestado de acordo com a preferência de cada um. Esse apoio é extensivo à família.

NECESSIDADE HUMANITÁRIA

Durante minha vida profissional tenho visto muito sofrimento, especialmente em algumas especialidades. Como enfermeira em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por 25 anos, presenciei mortes horríveis, que poderiam ter sido evitadas. Pacientes recebem tratamentos agressivos quando viver naturalmente já não era mais uma opção. Muitas vezes o próprio paciente já não tinha mais condições de tomar decisão alguma, e essa responsabilidade era delegada aos seus entes queridos. Na grande maioria dos casos eles não estavam preparados para aceitar cuidados paliativos ou cuidados de conforto (hospice). Por quê? Falta de conhecimento. Falta de oportunidade de conversar sobre o assunto.

Os cuidados paliativos são essencialmente um plano de cuidado que visa controlar os sintomas, oferecer apoio físico, psicossocial e espiritual ao paciente, melhorando assim a

qualidade de vida durante o período em que ele se encontra com problemas de saúde e recebe tratamento através da medicina tradicional – a que busca curar a doença.

Os cuidados paliativos podem ser associados a tratamentos curativos. Existem vários equívocos comuns sobre esse cuidado. Muitos confundem “cuidados paliativos” e “cuidados de conforto ou hospice”.

Nos cuidados paliativos, os pacientes simplesmente têm mais controle sobre os tratamentos curativos recebidos. Os pacientes devem ser capazes de escolher a proporção de cuidados curativos e de alívio de sintomas que recebem.

A equipe de cuidados paliativos é multidisciplinar, incluindo os serviços de um enfermeiro, médico, psicólogo e apoio espiritual prestado de acordo com a preferência de cada um.

Como os profissionais de saúde, principalmente enfermeiros e médicos, não receberam educação nessa área enquanto estavam na faculdade, os médicos não se sentem à vontade para recomendar cuidados paliativos para seus pacientes. Da mesma forma, o público em geral precisa ser educado sobre a existência desses cuidados e saber que, dessa forma, terá qualidade de vida e dignidade até o fim. Isso é um direito humano que está em nossa Constituição Federal.

OUTROS OLHARES

ELA ATÉ FALA

Projeto em Montreal propõe a humanização dos centros urbanos

Durante uma caminhada à noite por Montreal, no Canadá, o smartphone toca. Quem quer falar? A cidade. Após um toque na tela para aceitar a chamada, a parede lateral de um edifício antigo se transforma numa colossal tela de cinema, enquanto sons chegam pelo fone de ouvido. São as vozes dos personagens anônimos que contam a história de cada lugar: o trabalho dos colonos franceses, a vida noturna, revoltas populares, o protesto deitado de John Lennon e Yoko Ono num quarto de hotel ou mesmo o tempo em que tudo aquilo era mar. Trata-se do projeto Cité Memoire, inaugurado em 2016 como a maior instalação do mundo, hoje presente em 25 pontos.

As paredes sempre tiveram ouvidos e olhos, mas, para falar, precisaram de tecnologia. Mais de cem quilômetros de cabos de fibra óptica foram enterrados, a fim de permitir a comunicação entre a cidade e os smartphones. Para transformar prédios, ruas e árvores em telas de cinema, foram embutidos no mobiliário urbano 89 projetores por raio laser. Mais de 600 profissionais – entre cenógrafos, coreógrafos, atores, malabaristas e engenheiros – se envolveram na gravação das imagens. Ao todo, foram cinco anos de trabalho.

A instalação funciona como uma simbiose: os filmes de curta metragem só passam na presença do público, e o público não pode assistir de casa, pois o sistema está atrelado ao GPS do telefone. O interessado precisa ir para a rua, caminhar. A iniciativa atraiu moradores – e novos turistas – ao centro antigo, que andava ocioso. Aumentou a autoestima da cidade e aproximou gerações. ”Você mostra um livro para esses jovens, e eles acham chato”, diz o artista multimídia canadense Michel Lemieux, coautor da instalação. “Mas um dia um garoto de 14 anos engatou comigo uma conversa animada sobre a era medieval. ‘Como você entende tanto desse assunto?’, perguntei, e ele respondeu que jogava um game de batalhas. A gente precisa encontrar formas de contar histórias. “Além de acionar a projeção de vídeos pela cidade, à noite, durante o dia o aplicativo usa realidade aumentada para acrescentar informações a 13 pontos turísticos. Ao transformar o smartphone em aliado, Michel conseguiu atenção para o material didático, complementar, que foi distribuído às escolas. “Acho que a smart city não deve parecer uma cidade computadorizada”, diz. “A tecnologia deve aproximar as pessoas, e não afastar.”

GESTÃO E CARREIRA

EM EXCESSO

A Síndrome de Burnout acaba de ser reconhecida pelo Ministério da Saúde como doença associada ao esgotamento pelo trabalho. Saiba como lidar com o problema na sua empresa!

Chorar no banheiro do escritório. Dores fortes na cabeça. Cansaço maior que o normal. Não, não é frescura – muito menos preguiça. O excesso de atividades pode causar esgotamento e um transtorno mental chamado Síndrome de Burnout, que acaba de ser oficializado como doença ligada ao trabalho pela Organização Mundial da Saúde (CID-11). A nova classificação entrará em vigor em 2022. O distúrbio vinculado ao estresse crônico no trabalho já estava na edição anterior do catálogo (1990), porém incluso em um item vago – problemas relacionados com dificuldades no controle da vida.

A mudança merece destaque porque dá visibilidade a um assunto sério, ficando mais fácil gerenciar afastamentos e incapacidades. “A Síndrome de Burnout envolve nervosismo, sofrimentos psicológicos e problemas físicos, como dores de barriga, cansaço excessivo e tonturas.

O estresse e a falta de vontade de sair da cama ou de casa, quando constantes, podem indicar o início da doença. Outros sintomas que podem indicar a Síndrome de Burnout são: cansaço excessivo, físico e mental; dores de cabeça frequentes; alterações no apetite, insônia, dificuldades de concentração, sentimentos de fracasso e insegurança, negatividade constante, sentimentos de derrota, desesperança, fadiga, dores musculares, entre outros”, conta o médico do trabalho e diretor médico da Med Worker, especializada nessa área, Ignácio Garcia.

Obviamente, eles não aparecem de uma só vez, mas de forma leve, e muitas pessoas acabam pensando que é passageiro, não buscando auxílio profissional. “Na verdade, a síndrome é um distúrbio psíquico caracterizado pelo estado de tensão emocional e estresse provocados por condições de trabalho desgastantes. Por isso, são recomendadas atividades de entretenimento e lazer durante as pausas, ouvir as queixas do funcionário, valorizar datas comemorativas e incentivar a prática de atividades físicas, ou seja, criar uma maior aproximação que possibilite tornar o ambiente o mais salutar possível”, completa o dr. Garcia.

Tudo começa com pequenas alterações de comportamento e humor. O profissional vai ficando mais quieto, evita contatos sociais ou ainda pode se tornar mais agressivo e intolerante. Apesar dos sinais, o diagnóstico deve ser realizado por um psicólogo ou psiquiatra, que vai considerar os sintomas apresentados, história pessoal e contexto. O tratamento envolve psicoterapia e pode ou não ter medicamentos associados.

“Mas não adianta investir nessas propostas se não evitar desgastes corriqueiros, como ambientes com falta de transparência, pressões desnecessárias, situações de assédio, humilhação ou relacionamentos desgastados. O fato de o indivíduo estar preocupado com fatores externos também deve ser respeitado e levado em conta. Levar preocupações para o ambiente de trabalho, como problemas de saúde na família, necessidades de filhos ou mortes de parentes pode reduzir o desempenho do funcionário, comprometendo todo o ambiente. Talvez se a pessoa estivesse em casa, cuidando e amparando o filho, fosse mais saudável para ela e para a própria empresa. Exigir que o profissional trabalhe em situações-limite não é saudável para ninguém”, adverte o médico.

NO RADAR

Depressão, síndrome do pânico, estresse… Esqueça a máxima “de médico e louco todo mundo tem um pouco”. Determinar o problema é complexo e, para além disso, os transtornos podem vir de maneira associada. Por isso, é importante sempre lembrar que não cabe ao empreendedor fazer o diagnóstico, mas sim observar os sintomas e encaminhar para uma ajuda médica. “A pessoa sente uma exaustão emocional, a redução do senso de realização pessoal e desenvolve atitudes e sentimentos negativos em relação às pessoas com as quais trabalha”, conta a professora da Escola de Negócios da PUC-Rio, Flávia Cavazotte.

Ela destaca ainda que gestores têm um papel crucial nesse processo, mas precisam ter informações sobre a doença e uma boa comunicação com suas equipes. Dessa forma, educar os gestores do seu negócio é fundamental, bem como orientá-los sobre como atuar diante de colaboradores que precisam de ajuda. ”As áreas de recursos humanos e saúde e bem-estar no trabalho devem ter uma postura proativa para orientar gestores e aconselhar funcionários que busquem ajuda”, lembra.

A consultora de gestão, que atua no desenvolvimento de líderes e em trabalhos de coaching e mentoring, Valerya Carvalho, acredita que a maioria das ferramentas de gestão e práticas organizacionais que todas as empresas usam é ineficaz ou prejudicial. “O guru de gestão Peter Drucker escreveu: ‘90% das práticas que chamamos de gestão fazem mais nada do que impedir que as pessoas realizem seu trabalho’. Se a empresa acreditar que é preciso criar normas e procedimentos para todas as tarefas das pessoas, como metas individuais, meritocracia, remuneração variável, avaliação de desempenho/360°, planos de carreiras e outros, esse é o maior sintoma de que ela está indo para o lugar errado. Copiar modelos de sucesso de outras empresas também é sinal de lugar errado”, ressalta.

DIREITOS E DEVERES

Se você está se perguntando o que fazer quando detectar sinais da doença em um colaborador, o médico Ignácio Garcia explica que cada regime de trabalho tem suas próprias regras, mas, no geral, uma boa forma de iniciar o cuidado é por meio do diálogo aberto, sem margem a interpretações enviesadas, de forma a realmente entender quão preocupante é a enfermidade. Para Garcia, “a empatia tem que existir de ambos os lados, planos para compensar a falta do profissional devem ser pensados para o caso de uma folga ou um dia ausente ser necessário. Soluções pontuais que ajudam a minimizar o impacto da falta. E isso deve ser combinado pelas partes envolvidas. Contar com a ajuda do grupo é fundamental”.

O mais importante é sugerir um médico ao colaborador. Após o reconhecimento da doença e o diagnóstico sendo realizado por profissional da área, o colaborador terá seu tratamento garantido por lei, com suporte integral e gratuito do Sistema Único de Saúde (SUS). Basta procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e o caso será encaminhado aos centros especializados. Em situações de afastamento prolongado, a situação será analisada por um médico perito do INSS, com acesso aos direitos previdenciários. A legislação previdenciária dispõe que, em caso de doença, o empregado poderá se afastar do emprego, sem prejuízo quanto aos salários, por até 15 dias consecutivos – o empregador é obrigado a remunerar o empregado como se ele estivesse trabalhando (§ 3°do art. 60 da Lei 8.213/91). Após esse período, os encargos trabalhistas ficam com o INSS.

“Dado que o Burnout é caracterizado como uma doença ocupacional, cabe às empresas desenvolver políticas que ajudem na sua prevenção. Não é infrequente que práticas abusivas e o desequilíbrio nas cargas e demandas de trabalho sejam associadas ao Burnout. Empreender esforços para mitigar os fatores situacionais e ocupacionais que podem provocar o problema, evitando assim danos à saúde, é uma forma de assegurar a rigidez do corpo funcional de uma empresa, mas também de prevenir a exposição do empreendimento a possíveis ações trabalhistas e seus desdobramentos”, alerta o médico.

Além de estar atento ao que se passa, é importante entender junto ao colaborador quais são os gatilhos geradores do problema, como explica a gerente de RH da Feegow Clinic, Carolina Brito. Ela destaca que, a partir daí, é essencial respeitar os movimentos da equipe e promover o necessário para a melhoria do indivíduo e da equipe. “Resultado é essencial, mas sem pessoas, que são o motor da energia, motivação e realização, é impossível alcançá-lo. Propicie uma cultura de feedback, de reconhecimento de resultados e ofereça oportunidades para o seu time. Não tenha um olhar frontal, mas de 360°. Observe e conheça! Importe-se com os sonhos do seu colaborador e o ouça”, aconselha.

Valerya concorda com Carolina e ressalta que a obsessão por resultados pessoais dentro das organizações acaba por desconsiderar a interação entre os indivíduos. Às vezes, concentrar-se em ações individuais pode gerar efeito contrário, de desânimo e desmotivação. Assim, o indicado é descentralizar ao invés de delegar. ”A descentralização vai além da delegação. Enquanto a delegação ocorre em um nível individual, em que um superior decide passar um poder ou tarefa para um subordinado, a descentralização ocorre quando uma diretoria (ou equivalente) decide instituir como princípio transferir o poder de decisão para as equipes, como um todo. A descentralização tipicamente envolve a descentralização de atividades, para providenciar maior autonomia às equipes. A questão é como equipes que interagem são conectadas entre si”, explica.

O MELHOR É EVITAR

De acordo com Flávia Cavazotte, o Burnout tende a ocorrer mais em atividades que envolvem contato e demandas de terceiros, como nas áreas da saúde, educação e no atendimento ao público em geral. Levando isso em consideração, é importante saber detectar em que funções ou atividade da empresa as pessoas estão mais sujeitas ao problema, como áreas com excesso de demandas de trabalho em relação ao tempo disponível para realizá-lo, quando há demandas conflitantes ou ausência de informações suficientes sobre o trabalho. “Há também algumas características pessoais que fazem com que alguns indivíduos estejam mais ou menos propensos ao Burnout. Pessoas mais autoconfiantes, otimistas e resilientes estão mais protegidas. Então, conhecer bem o perfil das pessoas que atuam nas equipes é importante”, lembra.

“Hoje, as empresas pensam muito no perfil do cliente: como conquistar o cliente, agradar o cliente, mas, por outro lado, pensam muito pouco no perfil do seu funcionário: como ter um ambiente correto, amigável e saudável para seus colaboradores. Além disso, também pensam muito pouco no comportamento dos funcionários, em como a mente deles está. Esse resultado a qualquer custo faz com que as pessoas fiquem doentes e não produzam o que devem produzir, ou seja, é um círculo vicioso que adoece as pessoas e torna as empresas menos produtivas”, completa a mentora especializada em acelerar pessoas e negócios e fundadora da empresa B-Have, Erika Linhares.

PREVINA-SE!

As áreas de recursos humanos e saúde e bem-estar no trabalho devem iniciar o trabalho com campanhas de conscientização. O suporte social de líderes e colegas ajuda muito e pode facilitar o enfrentamento de crises e a adaptação em situações de estresse. Redes e comunidades internas também podem ser de grande auxílio para apoiar tanto quem vivencia o problema como os líderes que precisam lidar com tal situação em suas equipes.

CUIDE-SE!

O autocuidado é fundamental. Fazer exercícios, atividades relaxantes e garantir as horas necessárias de sono são medidas essenciais. A autoconsciência é outro ponto – o automonitoramento é uma medida básica para saber se está chegando ao seu limite ou precisa de ajuda.

Discutir o assunto com sua chefia é muito importante para buscar soluções e entrar em um acordo sobre medidas temporárias que possam contribuir. Buscar o apoio de colegas de trabalho, amigos ou entes queridos ajuda a lidar com o problema. Se você tiver acesso a um programa de assistência ao funcionário na empresa, use!

VALE A LEITURA!

O neurologista Leandro Teles aborda em seu novo livro, Depressão não é fraqueza, a depressão e suas variações, considerando que o transtorno já afeta mais de 11 milhões de brasileiros, segundo a Organização Mundial da Saúde. Ao longo dos capítulos, o autor demonstra a diferença entre tristeza e depressão e ensina o leitor a reconhecer em si e nas pessoas que estão ao seu redor os sintomas da doença.

ALIMENTO DIÁRIO

CAPÍTULO DOZE – ARMADILHAS PARA IMPEDIR A BUSCA DA EXCELÊNCIA

“O homem é o único tipo de animal que arma sua própria armadilha, coloca a isca e então pisa sobre ela.” — John Steinbeck

Pensamento-chave: Há substitutos e falsificações para a excelência. Conheça-os e evite-os.

Existem alguns que jamais encontrarão certas armadilhas que estão associadas à busca pela excelência, simplesmente porque eles nunca aspiram reconhecer a alta qualidade que Deus deseja. Eles não estão correndo para ganhar, como Paulo descreveu em 1 Coríntios 9:24, nem tampouco “lutam para serem coroados”, como descritos em 2 Timóteo 2:5. Eles podem servir a Deus, mas apenas parcialmente e no final da carreira, eles estão mais dispostos a ouvir “Bem, você está fazendo algo”, do que “Muito bem”.

A ARMADILHA DA MEDIOCRIDADE

Em vez de buscar a excelência, alguns estão contentes apenas em fazer o suficiente para sobreviver. A palavra medíocre vem de duas palavras em latim, significando: “a meio caminho da montanha”. Em outras palavras, indivíduos que funcionam com uma mentalidade de mediocridade estão satisfeitos em fazer o mínimo, viver a partir de baixos padrões e não se importam em alcançar resultados máximos.

Quais traços você percebe quando a mediocridade prevalece?

•   Uma atitude de apatia.

•   Falta de interesse quanto à qualidade e resultados.

•   Contentamento com a condição em que as coisas estão; sem qualquer desejo por melhoria.

•   Ausência de objetivos desafiadores.

•   Atraso e falta de pontualidade — e os prazos não são cumpridos.

•   Ausência de conscientização e diligência.

•   Desleixo, descuido e uma falta de continuidade.

•   Falta de foco.

•   Facilmente sucumbe a distrações e diversões.

•   Baixos níveis de energia.

•   O trabalho é visto como mundano; aqueles envolvidos estão apenas seguindo o movimento.

A ARMADILHA DA COMPULSÃO

Você não extrai boa música das cordas de um violão que estão muito soltas; do mesmo modo, você não extrai boa música das cordas de um violão que estão muito apertadas. Aqueles que são governados pela mediocridade não têm motivação para a excelência (cordas muito soltas), mas aqueles que são compulsivos são conduzidos de forma doentia (cordas muito apertadas).

Indivíduos compulsivos com frequência falam de empenhar-se pela excelência, mas eles podem estar confundindo o elevado conceito de qualidade com hiperperfeccionismo. Desfrutar de altos conceitos e resultados de qualidade é ótimo, mas quando uma pessoa está continuamente inquieta, ansiosa e com medo de fracassar, isso não é bom. Um hiperperfeccionista nunca sente como se algo estivesse bom o suficiente e está sempre à procura de falhas. Em resumo, não há qualquer alegria na jornada ou no destino.

Lembro-me de conversar com um homem que tinha uma lista de 45 coisas (tipos de orações, confissões, coisas para ler, etc.), que ele sentia que tinha que fazer toda manhã antes que o seu dia pudesse começar. Apesar de algumas dessas coisas serem boas em si mesmas, a maneira como ele as conduzia era muito rígida e legalista. Era óbvio que ele não tinha alegria ao exercitar essas disciplinas espirituais; elas eram muito árduas para ele.

Uma pessoa que serve com compulsão provavelmente desenha Deus como sendo o capataz rigoroso do Egito, que estava sempre exigindo mais (veja Êxodo 1:7-14; 5:5-14). Em vez de vê-lo como o Gentil Pastor, eles veem Deus como irado, desapontado e sempre lhes dizendo: “Vocês não estão orando o suficiente. Vocês não estão lendo a Bíblia o suficiente. Vocês não estão servindo o suficiente, etc.”. É importante manter em mente que o Bom Pastor guia as Suas ovelhas; Ele não as conduz. Deus nos guia com um senso de paz, ao passo que o inimigo (esforçando-se para imitar o Espírito Santo) tenta nos conduzir com um senso de pânico.

É importante lembrar que foi Jesus quem disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo é leve” (Mateus 11:28-30).

A ARMADILHA DA COMPARAÇÃO

Comparação é tipicamente fundamentada em insegurança e tende a produzir orgulho ou inferioridade. Charles Swindoll sabiamente afirmou: “Coelhos não voam. Águias não nadam. Patos parecem engraçados tentando escalar. Esquilos não têm penas. Pare de comparar. Aprecie ser você! Existe muito espaço na floresta”.

Quando minha esposa e eu terminamos o nosso primeiro ano de seminário, em 1980, viajamos para a Austrália, durante o verão, para pregar em diversas igrejas. Começamos na igreja do nosso primeiro anfitrião, o qual era um mestre da Bíblia muito produtivo. Alguns dos seus assistentes me mostraram um fichário que estava cheio de suas anotações. Eu fiquei impressionado e intimidado pelo volume de esboços de ensinos.

Eu era muito inexperiente e senti que precisava vir com um sermão que impressionaria a congregação. Então, peguei três horas de anotações de aulas, combinei em uma mensagem e pensei ter uma verdadeira obra-prima. Entretanto, quando me levantei para falar, eu esgotei as minhas anotações em quinze minutos e eles estavam esperando uma mensagem de cinquenta minutos! Sequer estou certo se o que eu disse fez muito sentido. Eu era inexperiente e não tinha um “fichário”, então eu simplesmente parei. Eu estava muito envergonhado, mas aprendi algumas lições valiosas:

•   Abençoe as pessoas; não queira impressioná-las.

•   Não procure ser outra pessoa.

•   Não tente se medir a partir dos dons, habilidades ou nível de experiência de outra pessoa.

•   Simplesmente dê às pessoas o que você tem para lhes dar e faça isso com o seu coração.

Davi se recusou a usar a armadura de Saul; ela não cabia nele. Davi conquistou Golias não por tentar se parecer com Saul, mas por usar as ferramentas com as quais estava confortável — uma funda e algumas pedras. Quando você copia alguém, você está agindo em imitação. Em vez disso, aprenda a agir por inspiração. Sempre haverá inspiração ao fazer o que Deus o chamou para fazer — e não em imitar alguém.

Paulo deliberadamente ficou longe de fazer comparação de si mesmo com outros. Ele disse: “Não que nós [tenhamos a audácia para] nos ousemos nos classificar ou [até mesmo] comparar-nos com alguém que exalta e fornece testemunhos para si mesmos! Entretanto, quando eles medem a si mesmos, consigo mesmos, e comparam-se uns com os outros, eles estão sem entendimento e se conduzem imprudentemente. Nós, por outro lado, não nos gloriaremos sem medida, mas nos conservaremos dentro dos nossos limites [de nossa comissão] que Deus atribuiu como nossa linha de medida e que se estende e inclui até vocês” (2 Coríntios 10:12-13, AMP).

Deus jamais irá julgá-lo com base no chamado ou resultados de outra pessoa. Ele não o chamou para ser um clone de quem quer que seja ou para fazer o que outra pessoa foi designada para fazer. O seu único objetivo deveria ser fazer o melhor que você puder fazer. Aqueles que caem na armadilha da comparação com frequência terminam também em competição com outros. A nossa única competição deveria ser com o nosso próprio potencial — para maximizarmos totalmente o nosso próprio dom para a glória de Deus. Outros crentes e outras igrejas são nossos parceiros e não nossos competidores.

Os discípulos tinham uma forte questão “comparação-competição” em disputa entre eles, e isso continuou mesmo após a ressurreição. Mesmo quando Jesus disse a Pedro: “Segue-me”, Pedro não pôde deixar de imaginar como o ministério e destino de João se compararia ao seu.

Então, Pedro, voltando-se, viu que também o ia seguindo o discípulo a quem Jesus amava, o qual na ceia se reclinara sobre o peito de Jesus e perguntara: Senhor, quem é o traidor? Vendo-o, pois, Pedro perguntou a Jesus: E quanto a este? Respondeu-lhe Jesus: Se Eu quero que ele permaneça até que Eu venha, que te importa? Quanto a ti, segue-Me. — João 21:20-22

Precisamos focar nossa atenção em seguir Jesus, em vez de olhar em volta, observando os outros e perguntando: “E quanto a este, Senhor?” Se ficarmos excessivamente focados nos outros, especialmente com uma atitude crítica e comparativa, então estaremos mais propensos a começarmos a eliminar os outros e sentir como se estivéssemos em uma competição com outros membros do Corpo de Cristo. Estamos todos no mesmo time e precisamos respeitar as atribuições uns dos outros, e apoiá-los, à medida que buscamos servir a Deus de modo eficaz.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

JOIA DILAPIDADA

A Esposa é aparentemente despretensioso, mas evidencia as batalhas das mulheres para afirmarem seus diferentes talentos em um mundo ainda comandado pelos homens

Dirigido pelo sueco Bjorn Runge e baseado na obra homônima de Meg Wolitzer, o filme em tempos de discussões acaloradas sobre salários equivalentes na glamourosa Hollywood é uma verdadeira e sutil bofetada com luvas de pelica. Glenn Close mereceu o prêmio Globo de Ouro por essa atuação que lhe exigiu uma contenção que talvez lhe tenha sido bastante difícil se pensarmos na trajetória dessa atriz. Fez lembrar sua magnífica interpretação em Albert Nobbs (2011), quando assim como por esse desempenho foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz, mereceria o prêmio pelas duas atuações.

QUESTÕES DA HUMANIDADE

O espectador é apresentado aos poucos a Joan Castleman (Glenn Close) e seu marido, o escritor Joe Castleman (Jonathan Pryce), que fica sabendo que ganhou o Nobel de Literatura por seu comovente conjunto de obras que tocam a humanidade em questões fundamentais, isso dito por seu anfitrião na cerimônia de entrega do prêmio. O filme acompanhará justamente todo o período que cobre o comunicado da vitória e a ida à cerimônia de entrega na Suécia.

Para ajudar a pensar sobre a escolha que Joan Castleman supostamente encaminha para sua vida, talvez seja bom ter em mente que em 114 premiações do Nobel de Literatura, apenas 14 foram dados para escritoras. “A necessidade é de ser lida”, diz uma outra escritora personagem do filme, Elaine Mozell, interpretada pela nossa conhecida Lady Crawley de Downton Abbey, Elizabeth McGovern. O filme encaminha com muita competência a questão central, capturando o espectador com a trama na qual se apoia, bem envolvente mesmo. Para colaborar ainda mais um pouco para pensar no debate que ele propõe, poderemos sugerir a busca de dados sobre as inúmeras mulheres escritoras que para terem suas obras publicadas, ou mesmo para que não fossem declaradas loucas, adotaram nomes masculinos, porque praticamente até o início do século XX não era bem recebido pela sociedade que uma mulher desejasse escrever outra coisa que não cartas de amor e de amizade. Há um filme excelente para abordar isso, Ópio: Diário de uma Louca / Opium:Egy Elmebeteg no Naplója [2007], de János Szász.

Há muitas escritoras que só tiveram seus nomes femininos levados a público depois de falecidas, como, por exemplo, Amantine Dupin, que escrevia como George Sand e foi amiga de muitos escritores influentes de sua época, como Balzac, Flaubert, amante de Chopin e do poeta Alfred de Musset. Embora tivesse apoio de todos, permaneceu publicando com o seu pseudônimo masculino. Muitas outras, como a hoje muito famosa Jane Austen, recorriam a publicações anônimas, que foi o caso da sua consagrada obra Orgulho e Preconceito, onde na autoria no original lia-se: “Escrito por uma dama”. Muitas recorreram a esse artificio como temos aqui no Brasil como exemplo o caso de Maria Firmina dos Reis, autora do romance Úrsula (1859), considerado por alguns historiadores como o primeiro romance abolicionista da literatura brasileira, o qual assina como “uma maranhense”. As irmãs Bronte, que publicaram com nomes masculinos Currer (Charlote), Ellis (Emily) e Acton Bell (Anne). Esses são apenas alguns casos dos mais conhecidos. Após ver o filme, resta inevitável pensarmos em quantos casos não conhecidos poderão ainda se ocultar por detrás de autores reconhecidos. Vale a curiosidade, já há sites e pesquisas publicadas buscando dar sustentação à descoberta dos nomes de muitas dessas escritoras.

A personagem Joan era uma tímida aluna universitária (Annie Starke) do já reconhecido professor Joe Castleman, ao escrever um conto para a matéria dele que frequentava, acabará por chamar sua atenção. Ali ele já percebe nela um grande talento natural para a escrita. Aos poucos eles se aproximarão amorosamente e ele deixará seu casamento para ficar com ela. Ele finaliza seu primeiro livro e Joan o criticará pedindo para editá­lo, no que ele após uma crise acabará consentindo. Ele fará muito sucesso a partir dessa obra e sua carreira brilhará. Joan se apresentando socialmente sempre ao lado de Joe e fornecendo a ele toda a sustentação funcional que se costuma exigir de uma boa esposa. Eles têm dois filhos, uma filha grávida prestes a dar à luz, Susannah (Alix Wilton Regan), e David (Max Irons), que também é escritor e busca angustiadamente a aprovação de seu pai. Durante a estadia de Joan e Joe em Estocolmo para a cerimônia do Nobel, o jornalista Nathanial Bone (Christian Slater) se aproximará de Joan dizendo a ela que está escrevendo uma biografia sobre Joe Castleman e lhe fala sobre suas desconfianças sobre a verdadeira autoria da obra dele. Oficialmente está posto que Joan deixara de escrever após seu casamento com Joe, sendo ele o escritor da família. O jornalista tem como pista o único conto assinado por Joan que fora publicado em um jornal da universidade.

EXTRAVAGÂNCIAS

A perspectiva de Joan pode ser abordada de pelo menos duas maneiras, uma a vitimiza e a outra a coloca como uma mulher que resolveu se adequar passivamente aos ditames de lugar social, tirando disso sua gratificação. O enredo mostra o quanto a premiação do Nobel pela obra de seu marido desarrumará um acordo até então vivido como se fosse algo assentado e tranquilo. Joan viveu até então voltada para a organização de sua família, enfrentando ao longo das décadas de sua união com Joe inúmeras vivências de infidelidade do marido que mantinha casos extraconjugais com colegas e alunas. Em determinado trecho, Nathanial Bone dirá a ela que tomava isso apenas como extravagância muito comum em homens geniais, fica como ironia diante do que o filme revelará. O discurso de poder é sempre abordado a partir de uma ordem falocêntrica, ao comportamento masculino tudo ganhará contornos de enaltecimento e não de crítica ou questionamento. A Joan que Glenn Close construiu é absurdamente convincente, faz pensar em tantas mulheres cuja inteligência ficou guardada como segredo de família. Toda opressão a qual ela é submetida é como uma “doce prisão” que tantos romances escritos por homens quiseram convencer as mulheres a “ser” o lugar que lhes cabia, abnegadas e amorosas servindo ao bem maior da família e em primeiro lugar ao marido. O dote, hábito adotado até o século XX, que entregava a herança das filhas para administração e gasto de seus maridos, assume no longa um entendimento amplo e metafórico.

As mulheres não pertencentes à classe operária ganharam o mundo do trabalho mais fortemente a partir da Segunda Grande Guerra, e de lá em diante não quiseram retornar passivamente ao lugar que lhes era destinado antes disso. Com a chegada da pílula anticoncepcional, a liberdade sexual marcou bastante da nova subjetividade que ela podia construir, dona de seu corpo e prazer, trazia como correlato a isso uma exigência em ser mais amplamente reconhecida. Foram aos poucos deixando de passar adiante a assinatura por suas obras, descobertas, invenções, produções etc. Na história do cinema temos a polêmica em torno do nascimento do filme ficcional, não mais documental fotográfico. É comum atribuir a Geórges Mélies o surgimento dessa forma de fazer filmes, porém hoje sabemos que a diretora francesa Alice Guy Blaché já fazia filmes dessa maneira ao que se tem notícia em 1896 (La Fée aux Choux/A Fada do Repolho) muito antes de Mélies, que mereceu até urna belíssima e merecida homenagem feita por Martin Scorsese em seu Hugo (2011), embora talvez sua posição na história possa ser revisitada.

Todos os anos as grandes premiações do cinema voltam a ter que enfrentar o questionamento não somente sobre equiparação salarial entre atores e atrizes, mas também pela baixa presença feminina em postos de comando, assim como no recebimento de prêmios que marcadamente têm sido dados aos seus colegas homens. O talento feminino ainda mais incomoda do que é objeto de admiração, a linguagem propriamente feminilizada ainda é bastante estranha a todo um entendimento construído a partir de premissas bem condizentes ao poder másculo predominante; nesse sentido, a personagem de Joan Castleman, em todo seu vigor discreto e aparentemente bem combinado com o dito de que “por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher”, é um convite a profundas reflexões, contém um tremendo toque de ironia. Nossa anti-heroína ensina mais que produções de um protótipo de Mulher Maravilha. Revela o que se oculta ainda como uma resistência a entender a igual possibilidade de sujeitos, independentemente da marcação de gênero produzir o que há de melhor na humanidade.

Joe Castleman surge como a própria denúncia do ilusionismo alimentado sobre a superioridade masculina, mais aparência que essência, mais jogo de cena do que visceralidade, mais virtualidade do que honesta exposição, o rasgar-se que toda boa escrita necessariamente inclui.

MERCADO FEMININO

Toda pena é feminina, não importa o gênero que a sustenta. Desnudar-se nas letras que compõem o que nos forma nas palavras, ou como diria Dider Anzieu em sua obra O Eu Pele: “A palavra do outro, se oportuna, viva e verdadeira, permite ao destinatário reconstituir seu envelope psíquico (…]. Isto assim funciona na amizade, na cura psicanalítica, na leitura literária”. O que Joan introduz nas histórias criadas por Joe é essa coisa viva e verdadeira. Um casamento que poderia ser perfeito, mas que se perde justamente na capacidade masculina de oprimir e se apropriar de tudo que lhe confere poder. O ouro da pena.

Os filhos do casal talvez representem a tensão que sustenta essa trama familiar, filhos que foram afastados do convívio da mãe, que passava horas trancada no escritório produzindo as joias da família. Joan, a certa altura, quando enfim explode o não dito desse grupo, falará sobre isso com muita dor. O filho, David, estupefato, perguntará ao pai como pôde fazer isso à sua mãe, dilapidá-la de tal forma…Joe sofre quando tem que enfrentar a provável ausência de sua sustentação, da farsa que seria enfim denunciada, seu coração não resiste e assina o derradeiro acordo. O espectador atento poderá se perguntar ao final se Joan será capaz de silenciar-se, já que entende que quem escreve o faz como necessidade quase igual a alimentar-se, ter algo a dizer ao mundo não é uma coisa da qual se possa abrir mão. A continuação da história se dará após os créditos na imaginação de cada um que for tocado por essa bela e potente produção.

OUTROS OLHARES

GRAÇAS A DEUS EXISTEM ANTIDEPRESSIVOS

A ideia de que basta ser um bom cristão e ter fé para vencer a depressão é um tabu perigoso que as igrejas e seus líderes precisam superar

Historicamente, as igrejas cristãs são conduzidas por movi­ mentos e doutrinas, que diferem entre si e se baseiam em interpretações bíblicas. Algumas são demasiadamente delicadas: em vez de ajudarem as pessoas, elas podem ferir. É muito difundida hoje nos Estados Unidos, por exemplo, a teologia da prosperidade, um movimento segundo o qual, se você amar a Deus e fizer por merecer, Ele dará tudo o que você pedir. Para mim, isso é uma leitura errônea da Bíblia – que afirma, em Lucas 12:48: “A quem muito é dado, muito será cobrado”. Diversos outros trechos do livro sagrado ressaltam a necessidade de o cristão trabalhar em favor dos imigrantes, pobres, órfãos e viúvas, em vez de acumular bens para si.

Nesse mesmo caminho, existe uma cobrança exagerada, em variadas igrejas, para que seus membros sejam perfeitos, exalando prosperidade e, de preferência, uma perfeita saúde mental – que estaria diretamente atrelada a uma adequada vida espiritual. Por muitos anos acreditei nisso e tentei ser perfeita para ter o amor de Deus. Até o dia em que me vi internada em um hospital psiquiátrico.

Cresci em uma família cristã na Escócia, onde nasci. Meio sem querer, eu me envolvi com a música e acabei me tornando uma cantora de certo prestígio na Inglaterra e nos Estados Unidos. Durante cinco anos, entre 1987 e 1992, fui apresentadora de um programa matinal diário chamado The700 Club, produzido pela Christian Broadcasting Network (CBN). Na época, enquanto eu fingia ter a tal vida cristã invejável, escondia sintomas de depressão. Não dormia, não comia. Eu me sentia contínua e profundamente triste. Minha memória começou a esvair-se, mal lembrava a senha do banco. Até que um dia, durante o programa, dei início a uma entrevista e meu convidado me questionou: “Sheila, você sempre pergunta como estamos, mas e você? Como você está?”. Eu congelei. Não consegui responder. Senti tontura. Após longos segundos de absoluto silêncio no ar, ao vivo, chamaram os comerciais. Corri para meu camarim. Tranquei-me e comecei a tremer e a chorar compulsivamente. Liguei para um amigo que é psiquiatra e pedi ajuda. Foi quando me internei numa clínica para pessoas com distúrbios mentais. Fui diagnosticada com depressão severa e transtorno de stress pós-traumático, motivados pelo suicídio do meu pai, que morreu aos 34 anos, a mesma idade em que tive o ataque na televisão.

Meu pai sofreu uma forte hemorragia cerebral que alterou a vida da minha família. Na época, eu tinha 5 anos. Sua personalidade mudou, e eram comuns os episódios de raiva. Eu, que era muito próxima dele, me tornei alvo de pequenas violências. Um dia eu estava brincando no chão da sala e ele tentou me acertar com a bengala. Não lembro como me livrei, mas ele caiu no chão. Minha mãe chamou a polícia, e meu pai foi internado em um hospital psiquiátrico – na época, na Escócia, o nome dado a instituições do tipo era asilo para lunáticos. Pouco tempo depois, ele conseguiu escapar durante a noite e foi encontrado na manhã seguinte, afogado num riacho ao fundo do hospital, onde tirou a própria vida.

Corria a década de 60, e os estigmas dos distúrbios mentais e do suicídio eram ainda maiores do que hoje. Os membros da nossa igreja se afastaram da minha família. Tivemos de nos mudar de cidade. Falar sobre a morte do meu pai era um grande tabu na minha casa, então nos calamos. Interiorizei meus sentimentos e fingi o máximo possível para mostrar que estava sempre bem. Tudo isso culminou na minha internação.

Fiquei no hospital por um mês. Na primeira noite, achei que iria morrer. Na minha mente, meu pai não sobreviveu à mesma experiência. Fui medicada e comecei afazer psicoterapia individual e em grupo. Como era uma unidade hospitalar de cunho cristão, conheci outras pessoas com a fé e a psique abaladas. Em determinado ponto do tratamento, percebi que eu não era perfeita, e que meu relacionamento com Deus não exigia que eu o fosse. Depois desse episódio, quando voltei à ativa, muitas pessoas me disseram: “Você não pode contar sobre isso a ninguém, pois nunca mais vão confiar em você para falar em igrejas ou em um programa na TV para cristãos”. Mas lembrei que manter em segredo o que tinha acontecido na minha família foi o que me levou ao limite das minhas emoções e agravou minha doença. Optei pela verdade.

Atualmente, existe uma vertente de cristãos que entende a importância do tratamento clínico da saúde mental. Mas há quem diga: “Se você tiver mais fé, se acreditar mais em Deus, a depressão irá embora”. Isso e ridículo. É o mesmo que dizer para alguém que quebrou a perna: “Tenha mais fé, levante-se e ande”. Acredito que todos os mecanismos que temos para tratar transtornos mentais são bênçãos de Deus. Agradeço a Deus, todos os dias, por meus antidepressivos. Não espero ser curada, pois entendo a depressão como uma doença de tratamento contínuo. Já tive vergonha disso, mas não tenho mais. Comecei a falar abertamente sobre depressão nas igrejas por onde passo, e encontro muitas pessoas, especialmente mulheres, que me dizem que sofrem de sintomas parecidos, ou que, envergonhadas, tomam remédios controlados.

Líderes religiosos pegam trechos bíblicos fora de contexto e afirmam coisas como: “Você não deve tomar remédios, pois Deus é quem dá forças, afinal, “tudo posso naquele que me fortalece” – famoso versículo que consta em Filipenses 4:13. Ao longo das minhas viagens, já passei por igrejas do Brasil, da Austrália, da África, e sinto que os dilemas são parecidos ao redor do mundo: somos muito duros conosco. Especialmente as mulheres, tão cobradas no ambiente religioso, como se pudessem ser a própria Mulher-Maravilha, do tipo que faz tudo: cuida da casa, da família, do trabalho, da igreja, da beleza. Mas é impossível.

Espero que cheguem ao fim a vergonha e o estigma de quem sofre com a saúde mental. Por esse motivo passei a escrever livros sobre o tema, como Tudo Bem Não Estar Bem (Thomas Nelson). É a frase que tem me guiado: nem sempre estamos bem, e tudo bem. Se você luta com transtornos mentais, saiba que não está sozinho, e que não é um cristão inferior. Não é um problema com sua espiritualidade. É a química do seu cérebro, e existe ajuda para isso.

SHEILA WALSH, 63 anos, cantora e autora cristã, é publicada no Brasil pela editora Thomas Nelson

GESTÃO E CARREIRA

DESPRAZERES DA CARNE

A anunciada fusão entre BRF e Marfrig não animou o mercado e acabou sendo enterrada por conta de discordâncias em relação ao comando dos negócios

No dia 30 de maio, depois do fechamento do mercado, as brasileiras BRF e Marfrig anunciaram a assinatura de um memorando para estudar a fusão entre as empresas. Com potencial de criar a quarta maior companhia de carne do mundo, faturamento anual de R$ 80 bilhões e valor de mercado de R$ 26,5 bilhões, o negócio seria analisado por até 90 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 30 dias. Não precisou de todo esse tempo. No dia 11 de julho, menos de um mês e meio depois, a fusão foi descartada. No comunicado oficial, a BRF informou “não ter sido atingido acordo quanto aos termos e condições relacionados à governança da companhia combinada”

Segundo fonte que acompanhou as negociações, cinco frentes de estudos foram abertas para debater a integração: sinergias operacionais, tributárias, financeiras, estrutura societária e modelo de negócios combinados. “Já de cara houve divergências na estrutura societária”, diz a fonte. “Tivemos muitas dificuldades de avançar nesse tema.” A BRF tinha como objetivo inegociável replicar todo o seu modelo de governança. A empresa está listada no Novo Mercado da B3 e tem ADR nível três, o mais exigente para ações negociadas em Nova York. Isso demanda atender aos requisitos da lei Sarbanes-Oxley americana, aos quais a Marfig não tem aderência. Essa decisão dos acionistas e executivos da BRF desagradou Marcos Molina, o controlador da Marfrig, que desejava ter mais voz na nova empresa.

O perfil societário das duas companhias é bastante diferente. A BRF possui controle disperso, tendo como principais acionistas os fundos de previdência Petros e Previ. A gestão é comandada por executivos de mercado como Pedro Parente, presidente do conselho, e Lorival Luz, presidente da empresa desde junho. Já a Marfrig é uma típica empresa com dono. Molina dá as cartas e toma todas as decisões mais importantes. A proposta de fusão considerava que os acionistas da BRF deteriam 84,98% das ações e os da Marfrig, 15,05%. Dessa forma, Molina seria o maior acionista da nova empresa, mas com apenas 5% do controle. Não era suficiente para definir as estratégias da nova companhia.

O fracasso das negociações não surpreendeu o mercado. Além de notícias de que Petros e Previ não se animavam com o plano, os analistas do setor não acreditavam em ganhos operacionais com fusão. “Elas não são muito complementares”, diz Oscar Malvessi, coordenador do curso de fusões e aquisições da Fundação Getúlio Vargas. “No mundo todo, as empresas estão dando foco total em seu principal negócio. Por que a BRF e a Marfrig iriam querer mudar de negócio?” A Marfrig é uma grande força mundial da venda de carne bovina. Em especial para os EUA, que representa 70% dos seus negócios. Já a BRF se destaca em aves e suínos, com produtos processados das marcas Sadia e Perdigão, consumidas em três grandes mercados: Brasil, países árabes e Ásia.

DOIS MAIS DOIS 

O negócio parecia fazer sentido do ponto de vista financeiro, mas não no operacional. O nível de endividamento da BRF diminuiria com o negócio. A empresa opera com uma alavancagem de 4,6 vezes, considerando a sua dívida líquida em relação ao Ebitda. Já a Marfrig tem índice de 2,1 vezes. “Elas somariam dívidas”, diz Malvessi. “A lógica para uma fusão é buscar uma sinergia em que, quando se soma um mais um, o resultado é mais de dois. Mas, no caso, a soma daria menos de dois.” Na BRF, no entanto, a percepção é que haveria ganhos adicionais. Além de uma presença global e diminuição do endividamento, a transação traria acesso a crédito mais barato, devido à força da Marfrig nos EUA.

O fim dos planos de fusão não vai, porém, afetar a relação comercial entre as empresas na distribuição de produtos para supermercados e quiosques. “Apesar do término das tratativas, o relacionamento entre a companhia e a Marfrig permanecerá inalterado e não haverá quaisquer modificações nas práticas, condições e termos previstos em contratos por elas celebrados”, disse a BRF em comunicado assinado por Lorival Luz. Isso significa que a Marfrig continuará fornecendo carne para BRF que é usada, por exemplo, nos hambúrgueres da Sadia. O casamento não saiu, mas a amizade continua.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO ONZE – CULTIVANDO A COMPETÊNCIA

“Onde quer que você esteja, seja bom.” — Abraham Lincoln

Pensamento-chave: Se vale a pena fazer, vale a pena fazer direito.

Jamais podemos superestimar a importância da integridade e caráter, e também não deveríamos minimizar a significância de sermos habilidosos e competentes.

Você se lembra do que o Salmo 78:72 diz acerca de Davi? Diz que Deus “… os dirigiu com mãos precavidas”.

Se eu tenho um problema com o meu veículo, não quero simplesmente um mecânico que ama Jesus trabalhando no meu carro; eu quero um mecânico que seja realmente habilidoso para consertar carros. Do mesmo modo, se busco socorro médico, eu não quero ver apenas um médico que seja legal e honesto; eu quero um que seja altamente competente para diagnosticar precisamente e tratar a enfermidade.

Quando se trata de servir a Deus, nosso desejo deveria ser de dar a Ele absolutamente o nosso melhor. Apesar de reconhecermos que a nossa habilidade vem Dele, deveríamos nos esforçar para seguirmos o exemplo do Senhor Jesus Cristo. Marcos 7:37 (AMP) diz: “Eles estavam esmagadoramente atônitos, dizendo: Ele fez tudo com excelência (com louvor e nobreza)”.

JESUS ERA UM CARPINTEIRO DESLEIXADO?

Eu não acredito que Jesus começou a ser comprometido com qualidade e excelência quando se tornou um pregador. Acredito que a Sua atitude e determinação era fazer todas as coisas para a glória e honra de Seu Pai Celestial, quer envolvesse construir uma mesa como um carpinteiro, ou pregar um sermão como um ministro.

Não consigo simplesmente imaginar Jesus voltando para a Sua terra natal para pregar e as pessoas não estando interessadas em ouvi-lo porque ele tinha sido um carpinteiro terrível. Acredito que Jesus fez tudo o que fez para a glória e honra de Deus. Eu simplesmente não consigo imaginá-lo como um trabalhador desleixado, apático e descuidado, produzindo artigos inferiores.

Ao longo de todo o Antigo Testamento, a apreciação de Deus por qualidade é claramente evidente:

•  Os trajes que foram feitos para o uso no tabernáculo do Antigo Testamento foram “habilidosamente tecidos” (Êxodo 28:4,39).

•  Aqueles designados para ajudar na edificação do tabernáculo foram citados como homem hábil” (Êxodo 36:1).

•  Davi, antes mesmo de ser ungido para ser rei, foi descrito como: “… sabe tocar e é forte e valente, homem de guerra, sisudo em palavras e de boa aparência; e o SENHOR é com ele” (1 Samuel 16:18).

•  Em 2 Crônicas 2, Salomão está se preparando para edificar o Templo. Nesse capítulo, palavras relacionadas à habilidade aparecem várias vezes.

•  Esdras foi descrito como “escriba versado” (Esdras 7:6).

•  “Então, o mesmo Daniel se distinguiu destes presidentes e sátrapas, porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava em estabelecê-lo sobre todo o reino” (Daniel 6:3).

•  Salmos 33:3 diz: “Entoai-lhe novo cântico, tangei com arte e com júbilo”.

•  E, para finalizar a ideia a respeito de qualidade: Qual é a única coisa que todos queremos ouvir quando nos colocarmos diante de Jesus? “Muito bem, servo bom e fiel” (Mateus 25:21).

RETRATOS DE EXCELÊNCIA

Martin Luther King, Jr. capturou o espírito de excelência quando disse: “Se um homem foi chamado para ser um gari, ele deve varrer as ruas do mesmo modo como Michelangelo pintou, ou Beethoven compôs músicas, ou Shakespeare escreveu poesias. Ele deve varrer as ruas tão bem que todas as hostes dos céus e da terra pararão para dizer: ‘aqui viveu um grande gari que fez o seu trabalho muito bem’”.

Aristóteles disse: “Excelência é uma arte conquistada por treino e hábito. Não agimos corretamente porque temos virtude ou excelência, mas ao contrário, nós as temos porque agimos corretamente. Nós somos o que fazemos repetidamente. Excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito”.

O general H. Norman Shwarzkopf compartilhou a seguinte observação: “Conheci muitos líderes no exército que eram muito competentes — mas eles não tinham caráter… também encontrei muitos líderes que tinham um caráter magnífico, mas que necessitavam de competência… Para liderar no século 21, será exigido de você ambos: caráter e competência”.

Muitos ouviram a respeito de John Wooden, antigo treinador de basquete da Universidade da Califórnia. Talvez muitas das suas realizações foram devidas, pelo menos em parte, ao fato de que seu pai lhe ensinara, quando era jovem: “Faça de cada dia a sua obra-prima”.

Vejamos algumas áreas nas quais podemos desenvolver competência.

COMPETÊNCIA AO TRABALHAR COM PESSOAS

Ministério é, em sua grande extensão, um “negócio de pessoas”. É ótimo amar a Deus, adorá-lo, orar, mas também precisamos ser capazes de trabalhar bem com as pessoas, se iremos ser eficazes no ministério. Roboão é um exemplo clássico de um líder que sabotou a sua própria eficiência e potencial porque ele não sabia como estabelecer e manter bons relacionamentos com as pessoas. Quando as pessoas buscaram um pouco de alívio da fadiga que experimentaram sob o reinado de Salomão, Roboão respondeu duramente ou asperamente. Um pouco de gentileza e diplomacia teria operado maravilhas, mas Roboão perdeu dez das doze tribos, sobre as quais ele poderia ter governado (2 Crônicas 10:1-17).

“O mais importante ingrediente na fórmula do sucesso é saber conviver com as pessoas.” — Theodore Roosevelt

Existem três dimensões de relacionamentos com as quais precisamos aprender a trabalhar:

•   Devemos aprender a trabalhar bem com aqueles que estão em autoridade sobre nós — a palavra-chave aqui é submissão.

•   Devemos aprender a trabalhar bem com aqueles que são nossos iguais e cooperadores — a palavra-chave aqui é trabalho em equipe. O grande jogador Mia Hamm disse: “Sou membro de um time e eu dependo do time, submeto-me ao time e me sacrifico por ele, porque o time, e não o indivíduo, é o campeão final”.

•   Devemos aprender a trabalhar bem com aqueles que estão sob a nossa supervisão — a palavra-chave aqui é diplomacia.

A Bíblia não nos garante sucesso automático em cada relacionamento, ou que seremos capazes de conviver com todas as pessoas na terra; entretanto, devemos dar o nosso melhor. Existem livros à disposição que podem nos ajudar a desenvolvermos as nossas habilidades com as pessoas e nos ensinam a conviver com pessoas difíceis. Nós também podemos aprender a extrair o melhor dos outros, de modo a cultivarmos os melhores resultados possíveis nos diversos relacionamentos que temos.

COMPETÊNCIA AO MANUSEAR A PALAVRA DE DEUS

Paulo disse a Timóteo: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15). Paulo disse que um bispo deveria ser “… um mestre qualificado e capaz” (2 Timóteo 3:2, AMP) e que alguém em tal posição de liderança deve ser “apegado à Palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino, como para convencer os que o contradizem” (Tito 1:9).

A capacidade à qual estamos nos referindo não é meramente ter uma compreensão mental a respeito das verdades da Bíblia, mas também se aplica a ser espiritualmente sensível ao Espírito Santo e às necessidades das pessoas. Isaías disse: “O SENHOR Deus me deu língua de eruditos, para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado. Ele me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que eu ouça como os eruditos” (Isaías 50:4). Não buscamos habilidade ao manusear os textos bíblicos apenas para que possamos ganhar argumentos, mas para que sejamos capazes de ministrar eficazmente àqueles que estão sofrendo e desencorajados.

O apóstolo Paulo reconheceu que havia mais habilidade em ministrar a Palavra de Deus do que estar “tecnicamente” correto acerca de alguma coisa, especialmente se temos uma atitude legalista. Ele disse que Deus “… nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Coríntios 3:6). É importante que não ministremos apenas a verdade de Deus, mas também o coração de Deus.

COMPETÊNCIA EM SUA ÁREA DESIGNADA DE RESPONSABILIDADE

A questão deveria ser evidente para todos. Se você escreve cartas, então, escreva-as bem. Se você trabalha com som, então seja bom nisso. Se você é alguém que recepciona, então faça as pessoas realmente se sentirem bem-vindas. O que quer que você faça, faça com o mesmo nível de entusiasmo e qualidade que você demonstraria se estivesse fazendo para o próprio Jesus.

Dan Reiland disse: “Demasiadas vezes, no ambiente de trabalho da igreja, aplicamos a graça incorretamente. Alguém comete um erro ou fica aquém do padrão de excelência e nós dizemos: ‘Ah, está TUDO BEM’. Ah, não está TUDO BEM. Jesus não morreu na cruz para TUDO BEM. Ele merece o nosso melhor. Você pode ser gentil em sua comunicação e ser paciente em seu treinamento, mas não reduza as suas expectativas. A causa de Cristo é digna do melhor de cada um”.

Em muitas igrejas, voluntários (e, às vezes, funcionários) são escolhidos para trabalhar em uma área na qual eles não são altamente qualificados ou competentes. Eles deveriam se recusar a trabalhar se eles não têm um doutorado nessa área? Certamente que não! Mas deveriam aprender tudo o que podem acerca dessa área específica e adquirir toda a proficiência e competência que puderem, de modo a realizarem um bom trabalho.

Durante o meu primeiro ano de seminário, eu trabalhei como um zelador em uma igreja local. Eu sabia como manusear um aspirador de pó, e era isso o que eu fazia. Você deve estar imaginando quantos erros um zelador pode cometer se ele não for habilidoso! Bem, eu quero que você saiba que eu descobri pelo menos alguns deles!

Uma das minhas atribuições era aspirar a área da plataforma no santuário. Enquanto eu aplicava a cera e removia a poeira, sentia como se estivesse realizando um ótimo trabalho. Entretanto, jamais me ocorreu que aplicar a cera sobre o teclado do piano não era uma boa ideia. Como eu não era um músico, eu não compreendia que os pianistas não apreciam teclas escorregadias! Eu fui “gentilmente ensinado” e não cometi o mesmo erro novamente.

Empregadores e supervisores reconhecem que indivíduos necessitam de algum treinamento e instrução, e eles também admitem que um erro honesto será cometido de tempos em tempos. Entretanto, eles certamente não esperam que as pessoas cometam os mesmos erros, repetidamente.

Para que sejamos competentes e permaneçamos efetivos em nossas habilidades, é imperativo que sejamos ensináveis — sempre aprendendo — e sempre buscando nos aperfeiçoar. Às vezes, as pessoas estão em certa posição, mas elas não se mantêm por dentro das novas informações ou as mais recentes tecnologias acerca daquela posição e logo o seu trabalho as “ultrapassa”. Alguém disse: “Não seja o mesmo. Seja superior àquele que era ontem”. John Wesley foi grande ao ser um constante aprendiz. Considere estas declarações feitas por Wesley:

“Cristãos que leem são cristãos que crescem. Quando os cristãos param de ler, eles param de crescer.”

“Aquele que não lê mais deveria largar o ministério.”

“Uma vez a cada sete anos, eu queimo os meus sermões; pois é uma vergonha se eu não puder escrever melhores sermões agora do que há sete anos.”

SE VALE A PENA FAZER…

Todos ouvimos a frase: Se vale a pena fazer, vale a pena fazer direito. Oswald Chambers engrandeceu essa que já era uma grande ideia, por meio do título do seu livro clássico, Tudo Para Ele. Que belo e poderoso pensamento. Eclesiastes 9:10 também expressou esse princípio com estas palavras: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças”. Vamos aplicar isso a todas as áreas das nossas vidas, especialmente em nosso serviço a Deus, à medida que continuamente cultivamos a competência.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A IMPORTÂNCIA DOS ABRAÇOS

Afeto e carinho dos pais no bebê ajudam a formatar o sistema nervoso de forma saudável

Ao observar a interação entre os pais e seu bebê, uma das coisas que mais chamam atenção são os beijos e amassos que são aplicados a todo instante, quase que instintivamente. Esse tipo de interação é universal, está presente em todas as culturas humanas e possui forte base instintiva, tendo como impulsionador a oxitocina.

A oxitocina é um hormônio e neurotransmissor que o hipotálamo produz e a glândula pituitária secreta, e foi inicialmente identificada como essencial no processo de parto em mamíferos, pois estimula as contrações uterinas e a lactação. Com os estudos que foram feitos em sequência, logo ficou claro que seu papel é muito mais profundo e abrangente, uma vez que afeta a interação social e o vínculo entre as pessoas. Por essa razão, os neurocientistas chamaram a oxitocina de “hormônio do amor”.

Esse hormônio atua facilitando o vínculo entre aqueles que compartilham características semelhantes, promovendo distinções entre membros internos e externos de um grupo, estimulando o favoritismo em relação aos membros internos e o preconceito contra aqueles que são percebidos como pertencentes a grupos externos. A oxitocina está presente em ambos os sexos e estimula tudo o que está relacionado ao processo reprodutivo, como o estabelecimento da confiança e da excitação sexual. A oxitocina nos recompensa por viver com os outros, estimulando os centros de prazer e recompensa, sendo um dos suportes neurobiológicos da ligação social.

Nós, humanos, somos por natureza extremamente sociais, e a inclusão e a interação interpessoal são necessárias para nossa sobrevivência. O isolamento pode facilmente levar à depressão e a outros quadros psicopatológicos. Nesse sentido, a oxitocina promove a atração e a ligação entre os casais. Além disso, a oxitocina é essencial para o desenvolvimento cerebral embrionário, desempenhando um papel importante na formação de vasos sanguíneos na glândula pituitária, que controla vários processos fisiológicos, como estresse, crescimento e reprodução.

O processo de criar ligações seguras entre as pessoas exige a confiança promovida pela ação da oxitocina, e esse processo começa com o vínculo entre pais e filhos. Já durante a gravidez, o cérebro produz alto nível de oxitocina para estimular o trabalho de parto. Após o nascimento, a oxitocina é ainda maior em bebês do que nas mães, e combinada com outro hormônio chamado prolactina estimula a produção de leite para a amamentação. Enquanto o bebê estiver mamando, os níveis de oxitocina ficam altos para a mãe e o bebê.

É importante perceber que a oxitocina é a regente de uma cascata de reações que influencia a liberação de outras substâncias sinalizadoras, como opioides, serotonina, dopamina e noradrenalina. Através dessa cascata, diferentes eleitos comportamentais e fisiológicos são coordenados em padrões adaptativos, dependendo do tipo de estímulo e fatores ambientais.

A oxitocina pode ser liberada pela ativação de vários tipos de nervos sensoriais da pele. A pressão, o calor e o acariciamento contribuem para a liberação de oxitocina causada pela

estimulação sensorial da pele. Os recém-nascidos usam as mãos, além da boca, para estimular o fluxo de leite, o que promove a produção de oxitocina na mãe para a liberação do leite. Um estudo que focou nas interações dos pais com seus bebês descobriu que os níveis de oxitocina aumentaram onde havia interação positiva com seus bebês. Esse aumento de oxitocina foi verificado em pais que desfrutaram de relações próximas positivas com seus parceiros e com seus próprios pais, o que indica que transmitimos o hormônio do amor por meio da interação social positiva. Já na urina de mães estressadas e com interação negativa com seus bebês foram verificados níveis reduzidos de oxitocina.

Portanto, os abraços que instintivamente aplicamos nos bebês são extremamente importantes, pois o toque estimula o cérebro a produzir oxitocina. As interações pessoais saudáveis estimulam a liberação de hormônios, que se relacionam diretamente com a capacidade de confiar e formar relacionamentos significativos. Ou seja, os abraços e o afeto na infância são algo instintivo e promovem uma sólida base emocional, que permite desenvolver confiança e fortes laços com os outros mais tarde. Portanto, baseado nos mais recentes estudos em neurociências, abrace e beije muito seu bebê, pois esse é um dos mais belos presentes para seu futuro.

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC)e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed.2011)

OUTROS OLHARES

ESPÍRITO INOVADOR EM ETERNO MOVIMENTO

Pouco conhecida do público, Marinella Pirelli (1925-2009) é tida como uma das artistas inovadoras e inquietas de sua geração. Fascinada pela imagem em movimento, nos anos 60 ela deu às investigações que acabariam por definir seu trabalho – o cinema experimental e a projeção de luz. Sobre aquele período, certa vez, Marinella contou: “Eu sempre tinha uma câmera comigo. Como o pintor faz do lápis e o papel, eu usava minha câmera para fazer anotações. Assim desenvolvi meu trabalho”. E assim Marinella se transformou em um dos principais nomes da arte cinética na Itália. Sua produção nesse período é tema de exposição no Museo del Novecento, até 25 de agosto, em Milão. A mostra ocupa dez salas e, no centro está Film Ambiente, uma instalação de “cinema móvel”, de 1969, apresentada no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2004. Film Ambiente reforça a influência da artista no Cinema Expandido – movimento dos anos 70 que busca revolucionar o modo tradicional de cinema, ao propor o diálogo entre o espectador, o filme a que assiste eo ambiente onde ele é exibido.

GESTÃO E CARREIRA

EMPRESA BLINDADA

Conheça os riscos em diferentes áreas e processos que podem acometer seu negócio e saiba como atuar antes mesmo de o problema surgir, assegurando seu sucesso e sustentabilidade

Empreender é um exercício de paciência e cuidado com os detalhes. Você já leu por aqui algumas vezes sobre a importância de só começar um negócio com algo que se identifique e, principalmente, com muita organização e planejamento. Mas é possível se blindar completamente de quaisquer problemas que venham a surgir? Talvez você não possa prever todas instabilidades e desafios futuros, mas consegue ao menos estar bem protegido.

O primeiro passo é ter sempre um Plano de Negócios bem feito. Apesar de não ser a parte mais divertida do trabalho, é durante a criação desse plano que você vai entender exatamente o que quer, quando, como, onde, por que e para quem. Em seguida, é importante destrinchar esse plano, compreender os pontos fortes e mais sensíveis do trabalho, para então conseguir prever o máximo de circunstâncias sobre o que está por vir.

O diretor comercial do Grupo Bittencourt, João Brito, separou os principais focos de atenção quando você começa a sua empresa. Mas ele também ressalta um erro crucial e comum a uma grande parte dos novos empreendedores: acreditar que só um produto ou serviço de qualidade vão garantir o sucesso do negócio.

“Isso é o mínimo para se iniciar um empreendimento. Qualquer negócio que se deseje abrir precisa ter algum diferencial competitivo em face da concorrência, senão corre o risco de ser ‘só mais um’. Outro problema frequente é não deixar reservados recursos para o capital de giro. Às vezes, o empreendedor investe tudo que tem para abrir o negócio, esquecendo-se de que ele não vai faturar de imediato e que levaum certo tempo até a empresa chegar a seu ponto de equilíbrio. Sem esses recursos, ele está fadado a começar endividado e com problemas”, explica.

Adriana Ruiz Alcazar é sócia da Seteco Consultoria Contábil e lembra ainda a importância de avaliar o mercado, os concorrentes, o local onde a empresa será instalada e sua atividade – principalmente se for unia atividade varejista. É preciso ter uma previsão de investimento inicial dos sócios (capital social da empresa), avaliar a participação societária e responsabilidade dos sócios, além de licenças específicas que estão atreladas à atividade da empresa.

No quesito financeiro, ela ainda esclarece outros tópicos. “Hoje, com a nossa instabilidade econômica, é importante ter bons controles, de forma que o negócio, mesmo que pequeno, seja avaliado constantemente quanto aos seus resultados, para que os rumos tomados a partir daí possam ser corrigidos e melhorados. Importante contar com a ajuda de um profissional contábil que possa direcionar todos os trâmites e dúvidas iniciais, como também executar a contabilidade independentemente da tributação que a empresa tenha, pois ele auxiliará na avaliação dos resultados da empresa. Outro fator importante é distinguir a Pessoa Física do sócio da Pessoa Jurídica que se forma, e estas devem ser independentes”, completa Adriana.

A verdade é que, no momento da contabilidade, não avaliar corretamente o negócio, perder o controle dos números e não atentar para a desorganização dos fluxos de caixa são uma receita certa ao fracasso. A sócia da Seteco Consultoria Contábil destaca que é importante entender muito bem o tipo de negócio e escolher com cuidado o local do empreendimento pensando nisso. Afinal, um bom local pode ser um salto para alavancar vendas, assim como um ponto ruim pode ser um tiro no pé. Para atividades como serviços, ela lembra que sempre será levada em consideração a equipe qualificada para que o empreendimento seja realmente eficiente e ágil.

SOB O OLHAR DA JUSTIÇA

Não basta que as contas fechem no fim do mês e que o trabalho entregue seja de qualidade. É preciso estar respaldado juridicamente em relação a diferentes pontos, desde o nome da marca até possíveis desafios que possam vir a surgir. No quesito digital e de concorrência, a advogada e sócia do Kasznar Leonardos, Flávia Tremura, dá dicas importantes.

“No que diz respeito a direitos relacionados à propriedade intelectual e propriedade digital, de forma geral, é importante que o empresário planeje com antecedência sua estratégia, escolhendo marcas fortes, distintivas, que não violem direitos de terceiros e que tenham o nome de domínio disponível. Registrar o nome de domínio o quanto antes é muito importante. Também deve estar preparado para o lançamento da marca após ter se resguardado de que não está violando direitos de terceiros”, aconselha Flávia.

No Brasil, quem cuida dos domínios.com.br é o Nic.br, por meio do braço Registro. br. Mesmo assim, o domínio estar disponível não significa que você não esteja violando uma propriedade intelectual. Se você registra, por exemplo, o domínio http://www.ascasasbahia.com.br., pode estar violando a propriedade da marca Casas Bahia e o fato de ter a palavra “as” antes do nome pode não ser o suficiente. Por isso, sempre se informe antes com seu setor jurídico.

Quando houver questões relativas a esse tema, certifique-se de que seus bens de propriedade intelectual não violam direitos anteriores de terceiros, adote práticas de boa concorrência, crie termos de uso e política de privacidade de seu website efetue o registro de seu software – inclusive para aplicativos – eprovidencie os respectivos registros nos órgãos competentes.

É essencial o empresário tomar o cuidado de declarar seus bens de propriedade intelectual como ativos intangíveis, bem como as operações de pagamento e recebimento de royalties decorrentes da exploração de seus bens intelectuais.

Já no âmbito da proteção de dados, Flávia Tremura explica que sempre que a empresa prestar serviços de tratamento de dados de terceiros, deve se preocupar com a conformidade à legislação em vigor – o Marco Civil da Internet – e com a que entrará em vigor no próximo ano – a Lei Geral de Proteção de Dados.

“Os dados de terceiros devem ser solicitados sempre dentro do escopo da prestação de serviços, devendo ser dada a respectiva confidencialidade, tomando cuidado com vazamento de tais informações. Se o compartilhamento desses dados for inerente à prestação do serviço, é imprescindível obter o consentimento da pessoa a quem o dado se refere e se assegurar de que a empresa ou pessoa com quem o dado for compartilhado adote práticas semelhantes”, adverte. Além disso, nesse sentido é importante resguardar-se contratualmente com os próprios empregados e com terceiros que tenham acesso aos dados.

Quanto ao conceito de concorrência desleal, ele é amplo e subjetivo. Assim, para evitar que isso ocorra, o empresário deve se inteirar sobre as melhores práticas de mercado dentro do seu setor de atuação, ter política de conformidade (compliance) e reprimir condutas que firam as práticas da empresa. Além disso, jamais deve praticar atos em relação à concorrência. “Em todos esses aspectos, a assessoria jurídica é importante para que essas questões sejam analisadas sempre em relação à situação da empresa”, finaliza a advogada.

NEGÓCIO EM FAMÍLIA

A GoNext é uma companhia especializada em sucessão de empresas familiares e traz algumas dicas nesse sentido. Um fato de destaque é que, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), do estudo sobre Governança em Empresas Familiares de 2019, apenas 27,6% das empresas têm plano de sucessão para cargos-chave. Quando considerado o plano para o presidente do conselho de administração, o percentual é ainda menor, de 19,6%.

O líder Eduardo Valério explica que há vários aspectos importantes a serem considerados no tema sucessão. Entretanto, três pontos são primordiais:

1. Correlacionar a sucessão com a estratégia da Companhia. Esse aspecto contribui decisivamente para a determinação de quais são as competências essenciais que a administração da companhia deve ter e, então, avaliar e preparar os sucessores.

2. Preparação do sucedido. “Costumo dizer que o empreendedor fundador da empresa sempre será empreendedor. Portanto, no processo sucessório deve constar o projeto para o sucedido”, afirma Valério.

3. Preparar a família e a companhia: “estamos lidando com um novo processo que transformará a cultura da empresa, além das próprias relações familiares, portanto também deverão estar previstas no projeto sucessório essas dimensões”.

Os erros mais comuns são ignorar a definição das competências essenciais, não realizar o plano conforme desenhado e não haver um fórum apropriado para mediar as divergências. “O empreendedor deve estar focado no seu projeto de forma mais ampla. A governança do seu negócio deverá respeitar o tamanho e a complexidade do seu negócio. Desenhar o seu planejamento estratégico e a forma rigorosa de acompanhamento dos resultados é fundamental”, completa Valério.

Ele ainda pede uma reflexão geral: sua empresa está preparada para o rápido avanço das tecnologias que estão no entorno do seu negócio? Quais são as competências que realmente diferem você dos concorrentes? Quais são os seus mecanismos para identificar oportunidades e ameaças do negócio? Responda a essas perguntas e você já terá o caminho de blindagem de boa parte do seu empreendimento.

MUNDO AFORA

Acaba de ser aprovado no Senado o PDL 98/2019, que formaliza a adesão do Brasil ao Protocolo de Madrid para deixar o registro internacional de marcas menos burocrático. O acordo já tem 97 países signatários, que são responsáveis por mais de 80% do comércio mundial. O protocolo permite que empresas e pessoas físicas de países-membros solicitem, pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual- OMPI (ligada à ONU), o registro de urna marca já habilitada no país de origem, garantindo assim prioridade da marca e simplificando o registro em todas as nações que fazem parte do acordo.

“Em princípio, nenhum pedido ou registro de marca já existente será afetado. O Protocolo de Madrid não cria ou modifica direitos das empresas, ele apenas altera procedimentos que facilitam a obtenção de registros internacionais, simplificando-os e tornando-os menos custosos às empresas”, explica Flávia Tremura. Ela conta ainda que o custo­ benefício do pedido e do registro internacionais é bem melhor, sendo desnecessária, em um primeiro momento, a contratação de agentes locais em cada um dos países de interesse para a execução do serviço. Por fim, como urna única linguagem é adotada para todos os pedidos (inglês ou espanhol para os brasileiros), dependendo dos países a serem designados, haverá uma economia com custos de tradução

Portanto, se você está começando um negócio e busca a sua internacionalização, saiba que o processo ficou mais fácil e ágil. Mesmo assim, o planejamento estratégico durante o processo da empresa é muitoimportante, inclusive quanto à definição de possíveis mercados no exterior, para que se investigue a possibilidade de obtenção do registro desde logo.

“Dentre os erros mais comuns, que também são pontos de atenção, pode-se citar a escolha da marca sem a prévia busca de anterioridade em todos os mercados de interesse e o uso da marca sem o seu registro, seja no INPI brasileiro, seja em outros países”, ressalta a advogada do Kasznar Leonardos.

Levando em consideração que cada país tem uma legislação específica e diferente dos demais, é imprescindível que o empreendedor tenha assessoria jurídica no país de interesse. No campo da propriedade intelectual, de acordo com Flávia, se a marca ou outro bem (patente, desenho industrial, direito autoral) for explorado naquele país, deve tomar o cuidado de obter as respectivas licenças e, caso haja remessa ou recebimento de royalties, verificar a necessidade de registro desses contratos junto aos órgãos competentes.

Por fim, mas não menos importante, ela lembra de manter-se informado sobre os impostos incidentes em cada uma dessas operações, efeturu1do os respectivos recolhimentos.

EDUCAÇÃO EM PRIMEIRO LUGAR

Bernardo de Pádua, CEO da Quero Educação, fala um pouco sobre os desafios do setor. Alguns acabam sendo inerentes a quase todo tipo de empreendimento. Os pontos de maior atenção na hora de abrir um negócio são muitos, entre eles, saber selecionar bem as pessoas que serão suas sócias e ter muita determinação na hora de tocar a empresa: temos que escolher empreender em algo que faça sentido para nós, com propósito, e não somente pelo dinheiro. O grande diferencial da Quero Educação é ser uma empresa de tecnologia que dá ao aluno um papel protagonista, valor que se reflete tanto no relacionamento quanto na usabilidade da plataforma”, explica.

Pensando que qualquer trabalho relacionado à área precisa de alunos para funcionar, ele destaca que um erro comum é não começar as vendas o mais cedo possível, antes mesmo de ter o produto pronto. Para ele, é preciso ter cuidado para não ficar estagnado nos códigos e planilhas de Excel, sem prospectar o usuário final de verdade.

“Tem que se educar, aprender com o erro de outros empreendedores, tentar trazer um time que se complemente e que possa gerar inovação ao negócio. Deve-se contratar pessoas com expertise no nicho que escolheu empreender. A característica mais importante para os empreendedores é a resiliência, acrescida da determinação. Qualquer empreendedor que deseja fazer algo novo deve ter muita certeza do que quer e tem que estar disposto a passar bastante ‘perrengue’. Precisa ser flexível e determinado para não desistir na primeira vez. Tivemos que pivotar três vezes antes de chegar ao produto que temos hoje. Existem dois tipos de empreendedores: aqueles que desistem e aqueles que ficam ricos. Se não desistir, certamente uma hora dará certo”, finaliza.

Para ele, tem dado realmente certo. A plataforma recém-lançada Inteligência Educacional é uma ferramenta B2B inédita no Brasil e focada em inteligência de mercado e gestão educacional. Ela aproveita o grande volume de dados gerados pelas outras frentes de negócios da empresa, como o Quero Bolsa e Quero Pago, e transforma todos em insights valiosos para a gestão comercial e operacional da IES.

O projeto Quero Educação é uma edtech que oferece uma gama de soluções educacionais para os alunos e instituições de ensino. Fundada em 2012, já matriculou mais de 500 mil estudantes por meio do portal Quero Bolsa e conta com mais de 1.300 instituições de ensino parceiras em todo o território nacional. Foi a primeira startup de educação brasileira acelerada pela Y Combinator, por onde já passaram empresas como Airbnb, Reddit e Dropbox.

DO ADMINISTRATIVO AO MARKETING

“Quando uma pessoa vai abrir o seu negócio, por menor que ele seja, algumas ferramentas são essenciais para garantir a credibilidade da empresa, as quais têm ligação direta com as vendas. Afinal, o consumidor só compra quando se sente seguro”, diz o gerente de Marketing da Locaweb, Luís Carlos dos Anjos. Ele destaca que, para começar a empresa, é preciso entender a imagem que ela quer transmitir e, para transmitir essa imagem, ele vai precisar estar na internet – pode ser com site, redes sociais e e-mail corporativo.

Se o foco ainda for venda de produtos on-line, é importante ter uma ferramenta adequada para o seu tamanho e objetivo. “Parece detalhe, mas se o consumidor recebe um e-mail de uma empresa que utiliza um provedor gratuito (Gmail, Hotmail, outros), ele vai ficar inseguro sobre a sua credibilidade e isso pode interferir na compra. Se alguém fala de uma loja e ela não possui um site, outra bandeira vermelha é levantada. Além disso, as pessoas estão cada vez mais comprando on-line. Então, é de extrema importância estar nesse meio”, explica.

Hoje, a Locaweb Serviços de Internet possui um portfólio de 21 produtos que ajudam na construção e desenvolvimento de todos os tipos e tamanhos de negócios, como hospedagem, criador de sites, e-mail marketing, lojas virtuais, e-mails corporativos, domínio e muitosoutros. Em relação à perspectiva do empreendedor, ele precisa contar com suporte no começo dessa jornada para garantir a estabilidade do negócio. Por isso, um diferencial da marca é um atendimento persona­ lizado em português, 24 horas e sete dias por semana. Se houver qualquer problema ou surgir dúvidas sobre as ferramentas, ele pode contar com um parceiro para ajudá-lo a qualquer hora do dia, evitando também uma diminuição nas vendas devido a uma dificuldade técnica.

“Escolher o parceiro certo é fundamental. Ter a sua empresa on-line é de extrema importância, pois vai ampliar as possibilidades de negócios. Muitas vezes, ao colocar um negócio on-line, você deixaráem um servidor ou na nuvem todos os dados do seu negócio – como a base de dados de clientes, por exemplo. Escolher um provedor que vai garantir a segurança desses dados e a estabilidade são itens fundamentais”, completa.

Além de ter todos os cuidados jurídicos em relação ao domínio do seu site, é preciso uma boa presença em redes sociais. Ele também alerta para escolher um parceiro que cobre em reais, para que não haja surpresas na hora de pagar impostos e variações cambiais.

“Outro ponto importante, principalmente no caso de pequenas e médias empresas, é contratar um serviço que você tenha previsibilidade e controle de quanto vai gastar. Algumas ferramentas oferecem pagamento sob demanda e podem trazer surpresas desagradáveis na fatura. Ter esse tipo de serviço não é ruim, mas requer um controle e acompanhamento maior”, define Luís Carlos dos Anjos.

COMECE DA FORMA CERTA!

  • Pesquisar o mercado e avaliar atratividade do negócio e a concorrência.
  • Escolher um bom ponto comercial.
  • Ter investimento disponível para o capital de giro. Isso vai garantir que a operação continue até que o estabelecimento comece a dar lucro.
  • Investir em treinamento da equipe e contratar as pessoas certas. Uma boa experiência no começo é o que vai fazer o negócio ser recomendado e a compra ser recorrente.
  • Garantir excelência na experiência do cliente no ponto de venda.
  • Investir em marketing – quem não é visto não é lembrado. Então, quando se está iniciando do zero, é importante fazer o negócio ser conhecido pelo público e com isso ir construindo a imagem da marca.

TODO CUIDADO É POUCO

A propriedade intelectual não diz respeito apenas a um nome de empresa. Ela pode estar ligada a conceitos, termos e ideias intangíveis. Um meme, por exemplo, é propriedade intelectual de quem o criou, e uma marca que utiliza o conceito para criar sua própria publicidade sem autorização do idealizador do meme pode estar violando essa propriedade e ter problemas por isso.

MARCO CIVIL DA INTERNET

A Lei nº 12.965/2014, que surgiu em 2009 e foi aprovada em 2014, regula o uso da internet no Brasil a partir de direitos e deveres que garantem neutralidade, privacidade e questões relacionadas à retenção de dados.

PONTO DE VIRADA

“Sempre me considerei empreendedor, mesmo atuando para outros proprietários. A criação da minha empresa foi consequência desse caminho, bem como o fundamental incentivo dos meus clientes.”

Eduardo Valério, líder na GoNext

“O maior ponto de virada na minha vida como empreendedor foi quando chegamos ao break-even: ponto a partir do qual a empresa deixa de perder dinheiro e passa a ganhar e equilibrar o capital investido. Isso aconteceu no começo de 2013 – a partir daí a gente não dependia mais de investimento externo e controlávamos o nosso próprio destino. Conseguimos chegar a este momento fazendo um produto que as pessoas precisavam e cobrá-los por isso – execução é a palavra-chave. Além disso, fomos a primeira empresa brasileira acelerada duas vezes pela Y Combinator, por onde já passaram empresas como Airbnb, Stripe e Dropbox. De 2018 até aqui, dobramos de tamanho em número de funcionários e prevemos fechar 2019 com mais de 700 colaboradores.”

Bernardo de Pádua, CEO da Quero Educação

DICAS INFALÍVEIS

  • A marca é a representação da empresa, de um produto ou serviço que oferece. É o nome que será fixado na mente do consumidor-, do mercado em geral e mesmo dos concorrentes. Ela possui uma reputação que acaba sendo associada à reputação da própria empresa. Reservar uma parte do orçamento anual para investimento em sua marca é uma estratégia inteligente.
  • No momento da sua criação, mesmo que o empresário contrate uma agência de publicidade para auxiliá-lo, é importante que também consulte um escritório especializado em propriedade intelectual.
  • As buscas de anterioridades feitas por escritórios especializados – em todos os países de interesse – são de grande importância para saber se aquela marca poderá ser apropriada com exclusividade ou se o empresário terá que tolerar o uso da mesma marca (com logo distinto) por concorrentes, além de apontar os riscos de a marca escolhida violar direitos de terceiros.
  • Após a escolha e divulgação da marca, é importante vigiar o mercado e a concorrência, atacando terceiros que decidam usar marca idêntica ou semelhante.
  •  O empresário não deve ver a proteção da marca como um custo, mas sim como um   investimento, evitando que, em casos mais extremos, acabe perdendo a marca ou mesmo tendo que pagar indenizações por uso indevido.

FONTE: FLÁVIA TREMURA, ADVOGADA E SÓCIA DO KASZNAR LEONARDOS.

PRESTE ATENÇAO!

  • Uso de dados dos clientes. É preciso se preocupar com as regras da Lei Geral de Proteção de Dados.
  • Uso de informações não verdadeiras
  • Renovação do domínio. Apesar de ser o menor custo envolvido para transformar a sua empresa em digital, muitas pessoas esquecem de pagar a renovação do domínio e acabam perdendo o nome.
  • Cuidado na escolha do parceiro que vai desenvolver o seu site, aplicação etc. É preciso alinhar muito bem com ele as responsabilidades, entregas, entre outros. Sempre tenha os cadastros em provedores e no registro do domínio em seu nome. Coloque esse parceiro que vai desenvolver o projeto para você apenas como responsável técnico.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO DEZ – INTEGRIDADE INTENCIONAL

“Um princípio — particularmente o princípio moral — jamais pode ser como um cata-vento, girando em torno disto ou daquilo segundo os ventos inconstantes da conveniência. O princípio moral é um compasso para sempre fixado e para sempre verdadeiro.” — Edward R. Lyman

Pensamento-chave: Integridade não acontece por acidente. Um caráter temente a Deus é estabelecido deliberada e intencionalmente.

Nos Salmos 37 e 73, o escritor expressa frustração ao ver pessoas antiéticas e desonestas “avançarem”, embora elas tenham tomado atalhos e transgredido, enquanto o justo parece não alcançar muito progresso. O Salmo 73:13 diz: “Perdi tempo jogando conforme as regras: o que ganhei com isso? Um vendaval de má sorte, foi isso — um tapa na cara toda vez que eu saía pela porta” (A Mensagem). Depois de uma explosão de aborrecimentos iniciais, o salmista alcança o bom senso e reconhece que a integridade irá permanecer sólida no final, quando todo caminho enganoso tiver sido abalado.

Benjamim Disraeli disse: “Princípio é sempre o meu lema, não conveniência”. Conveniência significa procurar tudo o que é imediatamente vantajoso ou pessoalmente desejável, sem uma visão voltada para a ética, moralidade ou princípios envolvidos na questão. Em contraste, uma pessoa de princípios — que vive com uma integridade intencional — é aquela que assume um alto código de valores e, consistentemente, vive de acordo com eles.

Henry Ward Beecher disse: “Conveniências são para o momento, mas princípios são para a eternidade. Só porque as chuvas caem e os ventos sopram, não podemos permitir edificar sobre areias movediças”. Quando você observa pessoas tomando atalhos ou transgredindo para obterem resultados imediatos ou gratificações instantâneas, não pense que a sua integridade é vã. Reconheça que você está construindo sobre um fundamento sólido — que irá permanecer e resistir ao longo do tempo.

A ideia de pragmatismo está intimamente relacionada à conveniência. Pragmatismo envolve uma aproximação muito prática da vida, “qualquer coisa que funcione”. Em outras palavras, a consistência ou o valor de uma ideia é determinada pelos resultados que ela produz. Enquanto isso, pode parecer bom (e com frequência é em questões práticas), mas não é um procedimento bíblico no que se refere à moral, ética e “verdade final”, como visto na Bíblia. Pragmatismo sem moralidade fará com que as pessoas pensem:

•   Está tudo bem em omitir a verdade, se isso fizer com que eu fique fora de problemas e alcance meus objetivos.

•   Está tudo bem em mostrar favoritismo, se com isso obtiver vantagens.

•   Não há problema em ter um relacionamento extraconjugal, se isso me fizer mais feliz.

•   Está tudo bem em não pregar toda a verdade da Palavra de Deus, se isso me fizer mais popular ou trouxer mais pessoas para a minha igreja.

O temor a Deus é inconsistente com a mentalidade “os fins justificam os meios”. À medida que uma pessoa começa a descer a ladeira da transigência, desonestidade e duplicidade, ela se tornará mais cauterizada à verdade e começará a justificar e racionalizar todo tipo de comportamento, até mesmo aqueles que, anteriormente, seriam considerados completamente inaceitáveis.

Oswald Sanders descreve magistralmente o compromisso resoluto de Paulo com o princípio: “Onde o princípio estava claramente em jogo, Paulo era inflexível e não cederia por um momento, mesmo que a pessoa envolvida fosse o prestigiado apóstolo Pedro. Porque a imensamente importante causa da liberdade cristã estava em debate, Paulo disse aos gálatas, ‘… aos quais nem ainda por uma hora nos submetemos, para que a verdade do Evangelho permanecesse entre vós’ (Gálatas 2:5). Porém, quando apenas uma preferência e não um princípio estava envolvido, ele estava pronto a fazer largas concessões”.

Outro indivíduo que estabeleceu limites entre os “não negociáveis” (questões de princípio e valores centrais) e “negociáveis” foi Thomas Jefferson. Ele disse: “Em questões de estilo, nade com a maré. Em questões de princípios, fique firme como uma rocha”.

Ao examinar as vidas de homens e mulheres de honra, ao longo da história da Igreja, percebemos que eles possuíam fortes valores e convicções. Essas não eram aspirações vagas e inconstantes, mas eles tinham conscientemente identificado os seus valores e, com frequência, também os expressaram.

Um líder espiritual que claramente expressou os seus valores foi Jonathan Edwards. O seu palavreado reflete a sua época, mas ele certamente abraçou e expressou grandes comprometimentos e princípios, tais como:

•   Fica resolvido que jamais farei alguma coisa por vingança.

•   Fica resolvido que viverei da maneira como eu desejaria ter feito quando minha vida chegar ao fim.

•   Toda vez que ouvir alguma coisa dita em conversa de alguma pessoa, se eu considerar que isso seria louvável em mim, fica resolvido esforçar-me para imitar.

•   Fica resolvido jamais me entregar, nem ao menos afrouxar a minha luta contra as minhas corrupções, por mais malsucedido que eu possa ser.

John G. Lake escreveu o que ele chamou de “Minha Consagração como um Cristão”. Um de seus valores foi expresso deste modo: “Sempre me empenharei para ser um pacificador. Primeiro, sendo eu mesmo pacífico e evitando todo tipo de controvérsia infrutífera e tratando todos com justiça e com respeito aos seus direitos e seu livre-arbítrio, jamais querendo forçar quaisquer dos meus pontos de vista. Se eu ofender alguém intencionalmente, de imediato me desculparei. Não espalharei maus rumores sobre qualquer pessoa a fim de tentar difamar o seu caráter, ou repetir coisas sobre as quais não tenho certeza de serem verdadeiras. Eu me empenharei em remover a maldição da contenda entre os irmãos, agindo como um pacificador”.

Homens e mulheres não se tornam grandes por acidente. Eles são conduzidos para a grandeza por grandes valores, grandes decisões, grandes convicções, grandes princípios e grandes ações. Uma pessoa disse: “Faça as suas escolhas e as suas escolhas farão você”.

•   Faça disto o seu esforço: não crescer frouxo ou desleixado em suas convicções, valores e moralidade, ainda que outros ao seu redor pareçam agir assim.

•   Não se permita simplesmente “ir com a multidão”, quando os valores ou a moralidade deles são deficientes.

•   Agarre o que Deus tem de melhor e mais elevado para você.

•   Não permita que a Palavra de Deus seja um livro de ideais pelo qual você pode seletiva e ocasionalmente viver, mas deixe que ela seja os seus mandamentos — ordens dadas por Alguém em autoridade, sobre as quais não há escolha e das quais não há como fugir!

Daniel não viveu com integridade por acaso; a excelência do seu caráter foi deliberada e intencional. Daniel 1:8 diz: “… resolveu Daniel, firmemente, não contaminar- se”.

De modo igual, Paulo estava determinado a andar em integridade. Ele disse: “… por isso, também me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens” (Atos 24:16). A versão Amplified Bible traz esse texto assim: “… eu sempre me exercito e me disciplino [mortificando o meu corpo, amortecendo meus prazeres carnais, apetites corporais e desejos mundanos, esforçando-me em todos os aspectos] para ter uma consciência limpa [inabalada, inculpável], livre de ofensa para com Deus e para com os homens”. Paulo aconselhou os crentes: “… esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens” (Romanos 12:17).

Em novembro de 1948, pouco antes que o seu ministério fosse projetado para o âmbito da proeminência nacional, Billy Graham encontrou-se com três dos seus principais associados (Cliff Barrows, George Beverly Shea e Grady Wilson) para discutirem maneiras de conduzirem o seu ministério com integridade e evitar escândalos, práticas vergonhosas, as quais trouxeram reprovação para muitos em ministérios evangelísticos. No que se tornou conhecido como o “Modesto Manifesto”, Graham e sua equipe identificaram quatro áreas de preocupação e resolveram conduzir-se com a mais alta integridade nessas questões.

As quatro áreas que foram identificadas incluíam:

•   A manipulação obscura de dinheiro

•   Imoralidade sexual

•   Maldizer outros fazendo obras similares

•   Realizações exageradas

Billy Graham falou dessas diretrizes, dizendo: “Na realidade, isso não marcou uma mudança radical para nós; sempre mantivemos esses princípios. O que fez, entretanto, foi colocar em nossos corações e mentes, de uma vez por todas, a determinação de que a integridade seria o selo em ambos, nossas vidas e ministério”.

Aqui estão algumas decisões que líderes íntegros têm feito:

•   Ser totalmente honesto em todas as suas relações.

•   Permanecer completamente submisso aos princípios de honra e integridade, contidos na Palavra de Deus.

•   Ser um bom administrador do seu corpo, mente, finanças e dons.

•   Se o mal está feito, corrija-o.

•   Ser completamente fiel ao seu cônjuge e conservar a pureza moral de todas as formas.

•   Tomar a “via principal” em todas as questões da vida.

•   Tratar todas as pessoas com integridade e respeito.

•   Jamais tentar chegar à frente ou fazer se parecer bom, derrubando outros.

•   Ser o melhor exemplo possível de semelhança com Cristo.

•   Jamais explorar ou tirar vantagem de alguém, especialmente os que estão fracos e vulneráveis.

•   Ser uma pessoa autêntica, jamais colocando uma máscara ou fachada.

•   Sempre fazer o que é do melhor interesse de outros; buscar a sua edificação e evitar o que trará danos para outros.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUANDO SURGE O PÂNICO

O cenário atual de uma vida com grande exposição ao estresse impede que as pessoas consigam relaxar adequadamente da tensão cotidiana, o que aumenta o número de pacientes com problemas de ansiedade

Atualmente, existe uma exposição enorme dos indivíduos ao estresse, havendo raras oportunidades de relaxar toda a tensão e desgastes do dia a dia. Nesse panorama, também se dá um aumento no número de pessoas com queixas de ansiedade, a qual pode ser passageira ou pode significar que existe uma doença que precisa de um tratamento específico, sem o qual será mais difícil que seja obtida uma melhora.

Os transtornos de ansiedade abarcam várias síndromes caracterizadas pela presença de sintomas ansiosos, entre as quais: transtorno do pânico, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de ansiedade social, transtorno do estresse pós-traumático, fobias específicas e, apesar de mudanças na classificação do DSM-5 (American Psychiatric Association – APA, 2014), o transtorno obsessivo-compulsivo (Organização Mundial da Saúde – OMS, 1993).

O número total estimado de pessoas vivendo com transtornos de ansiedade no mundo é de 264 milhões, sendo 21 % delas provenientes dos países das Américas. Esse total teve um aumento entre 2005 e 2015 de 14,9% como resultado do crescimento e envelhecimento populacional (OPAS, 2018).

O transtorno do pânico é uma doença que faz parte dos transtornos de ansiedade e que está sendo, nos últimos tempos, cada vez mais divulgada nos meios de comunicação e que se caracteriza por crises inesperadas de medo e desespero. O indivíduo pensa que vai morrer de um ataque cardíaco, porque o coração dispara, ele sente falta de ar, sudorese etc. Devido a isso, fica em estado de alerta e com medo de ter novas crises, comprometendo a sua qualidade de vida.

A prevalência do transtorno do pânico é de 1,5% a 3% da população geral e, embora possa ocorrer em qualquer faixa etária, é mais frequente entre adultos jovens. As mulheres, é preciso salientar, têm de duas a três vezes mais propensão a ter este transtorno se comparadas aos homens.

Pânico vem do grego panikós, cujo significado é susto ou pavor, aludindo ao deus Pã, metade humano, metade carneiro, com chifres e patas que, com sua aparição, provocava medo intenso nos pastores e camponeses.

Muitos têm conhecidos que ouviram falar de alguém que, sem motivo aparente, ficou extrema­ mente ansioso, seu coração disparou, começou a suar, ter tremores, sentir como se não reconhecesse a si próprio ou a realidade vivida naquele momento e, o mais marcante, acreditou que o que sentia era um ataque cardíaco que o levaria à morte. Essa pessoa talvez tenha ido a diversos médicos e feito inúmeros exames que não detectaram absolutamente nada. Pois é, esse sujeito provavelmente teve o que denominamos ataque de pânico. Em outras palavras, podemos entender que esse ataque é a manifestação mais intensa da ansiedade. Porém, ter um único ataque de pânico não significa que o sujeito venha a ter um transtorno do pânico, pois em função do primeiro ataque ocorre uma preocupação em ter novos episódios semelhantes, ocasionando uma possível evitação das situações supostamente perigosas, levando a um prejuízo em sua qualidade de vida. Como as crises podem ocorrer em qualquer lugar (por exemplo, em casa ou dormindo), essa evitação é muito mais difícil de ser realizada.

SINTOMAS

Segundo os critérios diagnósticos para ataque de pânico para a Associação Psiquiátrica Americana, na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-5), um ataque de pânico é um surto de medo intenso ou desconforto intenso que alcança um pico em minutos e durante o qual ocorrem quatro (ou mais) dos seguintes sintomas:

(1) palpitações, coração acelerado, taquicardia;

(2) sudorese;

(3) tremores ou abalos;

(4) sensações de falta de ar ou sufocamento;

(5) sensações de asfixia;

(6) dor ou desconforto torácico;

(7) náusea ou desconforto abdominal;

(8) sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio;

(9) calafrios ou ondas de calor;

(10) parestesias (anestesia ou sensações de formigamento);

(11) desrealização (sensações de irrealidade) ou despersonalização (estar distanciado de si mesmo);

(12) medo de perder o controle ou enlouquecer;

(13) medo de morrer.

É fundamental descobrirmos qual o tipo dos ataques de pânico de uma pessoa para avaliar o que ela tem. Quem só tem ataques de pânico quando vê uma cobra tem provavelmente uma fobia específica de cobra; quem apresenta o ataque apenas em situações sociais deve ter o diagnóstico de fobia social; aqueles que têm ataque de pânico quando são confrontados com lembranças de uma situação traumática que tenham sofrido podem ter transtorno de estresse pós-traumático; e quem tem as crises após ter ficado muito preocupado com alguma situação (financeira, saúde, segurança etc.) deve ter um transtorno de ansiedade generalizada. Por outro lado, para apresentar o transtorno do pânico, os ataques devem ser abruptos, inesperados e o indivíduo deve ter medo de ter novos ataques.

O transtorno do pânico pode vir acompanhado de um outro transtorno denominado agorafobia, termo que foi elaborado em função de um templo, construído em Atenas, na Grécia Antiga, o qual era dedicado ao deus Pã. Esse templo estava localizado ao lado de Ágora, que era a praça onde se reunia a assembleia popular, de onde surgiu o nome “agorafobia”. Em Psiquiatria, o termo pode ser mais bem definido como “medo de locais amplos”.

COMORBIDADES

Comorbidade é quando duas ou mais patologias estão presentes em uma mesma pessoa, o que é muito comum em indivíduos com transtorno do pânico. No que diz respeito à comorbidade com depressão, ela ocorre em 10% – 65% e, no caso do uso de álcool e/ou outras drogas, em uma taxa entre 20% e 40 %. Um sub­grupo desses últimos sujeitos pode ter desenvolvido problemas com o uso dessas substâncias como consequência da “automedicação” que faziam para a ansiedade, mas outros podem ter desencadeado um primeiro ataque de pânico durante um quadro de intoxicação, pois algumas drogas (como a maconha e a cocaína) favorecem o aparecimento de sintomas de ansiedade.

Todos sentimos ansiedade em determinadas situações, como ter de enfrentar um desafio, fazer uma prova, realizar uma entrevista de emprego. Nesses momentos, nosso coração acelera e percebemos que devemos nos esforçar ao máximo para que tenhamos sucesso. Assim, podemos entender que a ansiedade é o combustível que faz com que nos movamos. Nesses exemplos, na maioria das vezes, a ansiedade não é tão intensa, porém, mesmo quando ela é muito forte e parece vir somente para atrapalhar, seu objetivo é ajudar o indivíduo a lidar melhor com aquela situação potencialmente “perigosa” na qual ele está envolvido.

Imagine que você está andando em uma rua escura, vazia e perigosa e vem, em sua direção, um rapaz com as mãos nos bolsos e um capuz. Imediatamente, você se sente ansioso(a), seu coração dispara, você respira de forma ofegante, ou seja, sente algo um pouco mais intenso. O objetivo do seu organismo, ao se comportar assim, é prepará-lo para lutar, fugir ou congelar, assim aumentando sua chance de sobrevivência. Os termos luta, fuga e congelamento são as traduções dos termos em inglês fight, fly e freeze.

Para sobrevivermos ao perigo não precisamos usar recursos mentais superiores, tais como o raciocínio lógico ou uma memória elaborada. O que precisamos é de uma reação primitiva e instintiva: atacar a fonte de ameaça (luta),”dar no pé” (fuga) ou ficar parado “como uma pedra” para não ser notado (congelamento).

O perigo é percebido e o cérebro manda uma mensagem ao nosso sistema nervoso autônomo, o qual é dividido em duas subseções: sistema nervoso simpático (parte que prepara o corpo para ação, o que inclui lutar, fugir ou congelar) e sistema nervoso parassimpático (parte que restaura o corpo ao seu estado normal). Em outras palavras, o sistema nervoso autônomo tem duas partes: uma que liga os sintomas de ansiedade (sistema nervoso simpático) e outra que desliga a ansiedade (sistema nervoso parassimpático). Vamos entender agora esses dois processos de “ligar” e “desligar” a ansiedade (e o pânico).

1) LIGAR: Na situação de perigo é ativado o sistema nervoso simpático, que vai liberar duas substâncias químicas no organismo, a adrenalina e a noradrenalina, as quais são produzidas pelas glândulas suprarrenais.

Imagine que essas duas substâncias são como dois comandantes que dão ordens ao corpo para que este fique ativo e que, ao começarem a agir, frequentemente continuam “dando ordens” e agindo por um certo tempo. É preciso explicar ainda que o sistema nervoso simpático é um sistema “exagerado”, que funciona na base do tudo ou nada, ou todas as partes do corpo reagem, ou nenhuma, e em função disso os sintomas da ansiedade vêm em bloco, sendo muito difícil alguém ter apenas um dos sintomas (como, por exemplo, o disparo do coração).

2) DESLIGAR: A atividade do sistema nervoso simpático é interrompida de duas formas:

a) a adrenalina e a noradrenalina são destruídas por alguma outra substância do corpo ou

b) o sistema nervoso parassimpático (que tem efeito contrário ao simpático) é ativado e relaxa novamente o organismo. Esse botão de “desliga” do parassimpático é ativado pelo próprio organismo quando este cansar de “lutar ou fugir”.

CUIDADOS

No caso do transtorno do pânico, a situação “perigosa” são as próprias sensações corporais, pois não sendo encontrado nada externo que seja ameaçador, o sujeito pode desconfiar que sua ansiedade significa que há algo de errado consigo mesmo, com sua saúde física e mental, e, frente a isso, seu sistema nervoso simpático vai prepará-lo para lutar, fugir ou congelar. Mas, no caso do pânico, nem sempre é claro o que desencadeou a primeira reação de ansiedade. Assim como ela pode ter ocorrido após usar uma droga, como a maconha, pode não haver um motivo aparente para que o sujeito tivesse medo. Existem várias causas para esse primeiro ataque sem uma causa óbvia, como: estresse, hiperventilação sutil (sem se dar conta, ele respira de uma forma mais rápida, havendo um desequilíbrio entre a entrada de oxigênio e a saída de gás carbônico), e mudanças naturais no corpo, nas quais ele presta atenção, reparando mais em sensações corporais.

O tratamento para o transtorno do pânico consiste em duas abordagens combinadas: uma é a utilização de psicofármacos para diminuir os ataques e a outra é a psicoterapia, sendo a mais indicada a terapia cognitivo-comportamental (TCC).

Apesar de termos explicado neste artigo, simplificadamente, o que é o tratamento para pacientes com transtorno do pânico, o melhor é consultar um terapeuta que possa avaliar cada caso, pois podem existir comorbidades psiquiátricas, ou algum outro problema de ordem física, que podem interferir no diagnóstico e, consequentemente, na prescrição de um plano terapêutico. Não foi o objetivo do artigo, mas existem condições fisiológicas e psiquiátricas que podem ser confundidas com o transtorno do pânico e somente um profissional capacitado terá condições de indicar o melhor tratamento.

FASES DO TRATAMENTO

Em termos farmacológicos, as medicações mais indicadas para o transtorno do pânico são os antidepressivos que atuam no equilíbrio dos neurotransmissores serotonina e noradrenalina, como os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS). os tricíclicos. os inibidores da monoaminoxidase (lmao) e os duais.

PSICOEDUCAÇAO: O terapeuta deve ensinar para o paciente o que é o transtorno do pânico. Indicamos o livro de Araújo (2019) para essa etapa, mas podem ser utilizados outros livros ou sites da internet que ofereçam informações corretas e embasadas cientificamente. Sugere-se um breve vídeo do YouTube. que sintetiza importantes informações psicoeducativas: https://www.youtube.com/watch?v=AaLtT4b7Fbc&t=21s

RESTRUTURAÇAO COGNITIVA: Fase na qual os pensamentos automáticos do paciente são questionados em termos de suas evidências, sendo buscada a mudança na forma como o paciente vê a si (demonstrando que ele não é vulnerável como crê), ao mundo (provando que o mundo não é perigoso como pensa) e ao futuro (ao demonstrar que este não é incerto, como teme). Essas maneiras de ver a si, ao mundo e ao futuro são chamadas, na terapia cognitivo-comportamental, de crenças centrais.

ENSINO DE TÉCNICAS DE RELAXAMENTO E DISTRAÇÃO: O terapeuta ensina a técnica, desenvolvida por Araújo (2019), chama o dr., para controlar os ataques de pânico.

TERAPIA DE EXPOSIÇÃO: Seu objetivo é a dessensibilização, pois o paciente vai ficar “menos sensível” às sensações do pânico, em função da capacidade do ser humano habituar-se ao estresse. Assim, o terapeuta fará exercícios físicos, durante a sessão, como respirar rápido, rodar em uma cadeira giratória, prender a respiração etc. Em um primeiro momento, vai fazer a exposição usando o “chama o dr.” e, quando a ansiedade estiver controlada, após algumas consultas, deve “mandar o dr. Embora” e controlar os sintomas sozinho após cada exercício.

EXPOSIÇÕES PARA A AGORAFOBIA (PARA AQUELES QUE TÊM): É elaborada uma lista dos lugares que o paciente tem medo de ir, avaliando o grau de ansiedade de enfrentá-los. A partir daí, são feitas exposições dos locais que geram menos ansiedade aos que geram mais, até que não haja mais locais temidos e evitações.

OUTROS OLHARES

DELIVERY? CHAME O ROBÔ

A sensação entre os alunos da Universidade Berkeley Califórnia, é um robozinho simpático, do tamanho de uma mesa de cabeceira, chamado Kiwibot. Programado para fazer entregas dentro do campus, ele é mais rápido do que os serviços oferecidos pelos deliveries tradicionais – e não esperam gorjetas. Por meio de um aplicativo, o cliente foz o pedido, indica o local de entrega e acompanha o trajeto em tempo real pelas imagens da câmera instalada no pequeno entregador eletrônico. Criado pela Kiwi, uma startup de estudantes colombianos da universidade, o sistema de delivery automatizado já atendeu a cerca de 30 mil pedidos e começa a ser expandido para outros 12 campi americanos. O Kiwibot trabalha sobretudo com comida, mas também aceita encomenda de artigos escolares e produtos de supermercado – dentro da sua capacidade de carga, naturalmente.

GESTÃO E CARREIRA

VENDEDORES 2.0

O segredo de empresas que crescem na economia lenta

Uma tendência tornou-se comum entre as empresas brasileiras que apresentam números de crescimento acima da média de mercado em meio a uma economia cambaleante. Elas contam com uma equipe comercial dinâmica, jovem eguiada por tecnologia edados, os chamados vendedores 2.0. Com grande influência digital, esses profissionais quebram o paradigma da figura do vendedor tradicional, conhecido por empregar argumentos de venda decorados e empurrar compras aos clientes.

Cientes desse comportamento, que na maioria das vezes irrita os potenciais clientes, muitas empresas investem na qualificação da sua equipe comercial e buscam novos talentos para atender às novas exigências de mercado. A procura das companhias concentra-se majoritariamente em profissionais com mindset digital que optam por atuar no setor comercial atraídos principalmente pelas oportunidades de carreira e possibilidade de engordar o salário com bonificações.

Aquele vendedor que cai de paraquedas no mercado, por falta de opção ou necessidade financeira, perde cada vez mais espaço. Dados da última pesquisa “Mapa de Benefícios e Expectativas do Profissional Técnico e de Suporte à Gestão”, realizada pela consultoria em recrutamento Page Personnel, com 2.500 profissionais de diversos setores de mercado em quase todos os estados brasileiros, revelam que atualmente 94,3% dos profissionais de vendas possuem ensino superior, 38% possuem pós-graduação, 27,2% possuem um MBA e 5,7% possuem título de mestrado.

O crescente aumento de vendedores 2.0 no mercado de trabalho, porém, traz um novo desafio para o mercado. Líderes e gestores precisam atentar em alocar os profissionais somente para o momento humano do processo, ou seja, entendimento das necessidades do cliente, construção da solução em conjunto, negociação e fechamento de vendas. Com o passar do tempo, atividades operacionais como atualização de sistemas e planilhas, envio de e-mails de prospecção e follow-ups e principalmente as ligações para listas de contatos frios tendem a desmotivar os vendedores.

Além disso, é sabido que os executivos de vendas com dedicação integral ao estudo e estruturação de propostas focadas nas necessidades do cliente apresentam índices de produtividade superiores àqueles que também fazem os processos burocráticos anteriores a esse momento. Em alguns casos, 60% do tempo dos vendedores é gasto nas tarefas braçais que citamos. É importante que os empresários tenham em mente que as atividades de baixo valor agregado são mais produtivas quando executadas por ferramentas de automatização, algumas delas já disponíveis para o mercado local para que o vendedor tenha então um papel muito mais estratégico na organização.

A abordagem atual dos especialistas, e que nós corroboramos, aponta que a área de vendas está entre as carreiras de sucesso do futuro. Afinal, para gerar qualquer negócio, é preciso vender, e cada vez mais o setor comercial torna-se o epicentro estratégico de qualquer

empresa. É por meio dele que novos negócios são gerados, permitindo o crescimento em um mercado cada vez mais acirrado.

Porém, para garantir funcionários motivados e dispostos a seguir carreira, e ao mesmo tempo evitar custos extras com rotatividade de equipe, é preciso que as empresas valorizem os vendedores 2.0, oferecendo salários e bonificações competitivas, treinamentos contínuos e o mais importante: liberá-los do trabalho braçal e repetitivo para torná-lo peça-chave da organização.

RICARDO CORRÊA – é cofundador e CEO da Ramper, startup criadora de uma plataforma de prospecção digital de vendas com pouco mais de dois anos de atuação no mercado e quase mil empresas como clientes.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO NOVE – VOCÊ É UMA CARTA

“Um em cada cem homens lerá a Bíblia, os outros 99 lerão o cristão.” — D. L. Moody

Pensamento-chave: Nossas vidas são uma carta que outros leem.

Paulo disse aos Coríntios: “A vida de vocês é uma carta que qualquer um pode ler simplesmente olhando para vocês. O próprio Cristo a escreveu — não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo. Essa carta não é inscrita na pedra, mas entalhada em vidas humanas — e nós a publicamos” (2 Coríntios 3:2-3, A Mensagem).

Além da mensagem que enviamos ao mundo por meio da nossa conduta e estilo de vida, precisamos estar cientes do quão, supostamente, cristãos maduros e líderes espirituais influenciam cristãos mais jovens e aqueles que podem estar fracos na fé.

Paulo dedicou uma quantidade substancial de tempo (veja 1 Coríntios 8 e Romanos 14) persuadindo aqueles que se consideravam maduros, para que jamais permitissem que a sua liberdade em Cristo se tornasse uma pedra de tropeço para aqueles que eram menos maduros ou tinham uma consciência fraca.

“E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo” (1 Coríntios 8:13). De modo semelhante, Paulo disse: “Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. Por causa da tua comida, não faças perecer aquele a favor de quem Cristo morreu”, e “é bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar” (Romanos 14:15,21).

Embora esse contexto de comer alimentos consagrados a ídolos possa estar muito distante de nós historicamente, o princípio permanece claro. Se alguma coisa que fazemos impede a fé de outros, precisamos evitar isso.

Se as ações de cristãos podem ofender aqueles que são imaturos na fé, isso também pode ser uma razão para que as nossas ações possam influenciar — positiva ou negativamente — aqueles que estão “fora da fé”. Tim Tebow, um cristão e jogador de basquete da NFL, foi indagado se ele consumia álcool. Sua resposta foi: “a principal razão por que eu não consumo álcool é porque, se eu tomar uma taça de vinho, eu não quero ser responsável pelo garoto que me vê e diz: ‘Ei, o Tebow está fazendo isso, então eu vou fazer também’. E, depois, ele toma uma decisão ruim. Porque, goste disso ou não, é sério”, ele diz.16

Com isso em mente, vejamos três verdades essenciais para o entendimento do nosso testemunho no mundo.

1. O MUNDO NÃO JULGA LÍDERES ESPIRITUAIS POR VERDADES “POSICIONAIS”.

Um dos momentos mais alegres e libertadores na vida dos crentes é quando eles percebem o que Deus fez e declarou sobre eles. Por causa da obra redentora do Senhor Jesus Cristo, Deus declarou que todo cristão é:

•   Um filho de Deus (Romanos 8:16).

•   Uma nova criatura (2 Coríntios 5:17).

•   A justiça de Deus em Cristo (2 Coríntios 5:21).

•   Abençoado com toda sorte de bênçãos nas regiões celestiais, em Cristo (Efésios 1:3).

•   Aceito no Amado (Efésios 1:6).

•   Sentado com Cristo nos lugares celestiais (Efésios 2:6).

Essas verdades são maravilhosas para o crente esclarecido, mas o incrédulo não tem qualquer noção de tais verdades. O mundo não pode enxergar a nossa posição em Cristo; tudo o que eles podem observar é o que nós praticamos. Eles não podem perceber a nossa “vida eterna” em Cristo; tudo o que eles podem ver é o nosso estilo de vida.

2. O MUNDO JULGA LÍDERES ESPIRITUAIS COM PADRÕES MAIS RIGOROSOS DO QUE OUTROS.

Tiago 3:1 diz: “Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo”.

É simplesmente um fato de que as pessoas tendem a esperar mais daqueles em posições de liderança espiritual. Em alguns aspectos, isso pode parecer injusto e, alguns, no ministério, ficam sob pressão por estarem sempre preocupados acerca do que as outras pessoas irão pensar de tudo o que eles fizerem e disserem. Por exemplo, alguns ministros colocam uma pressão enorme sobre os seus filhos, para que sejam “perfeitos” o tempo todo e, ao fazer isso, permitem que o medo de outras pessoas, e suas opiniões, penetrem de forma doentia em suas vidas.

No entanto, esta é uma ótima oportunidade para lembrar aos membros de igreja que pastores e suas famílias são 100% humanos. É verdade, olhamos para o pastor como um líder e exemplo, mas tenha em mente que eles mesmos estão crescendo e, sem dúvida, existem algumas áreas em que as suas imperfeições aparecem de tempos em tempos.

Como um jovem pastor assistente no início da década de 1980, o meu pastor sênior tinha uma placa na parede de seu escritório com um poema que me impressionou. O poema era intitulado “Eu Sou o Seu Pastor”, e era isso que dizia:

Memorando para: Minha Congregação

De: Seu Pastor

Quando você se ergue para as alturas e para o seu melhor, eu sou o seu pastor.

Quando você cede à tentação e cai ao nível mais baixo, eu sou o seu pastor.

Quando você vive no Espírito e manifesta a atitude de um cristão, eu sou o seu pastor.

Quando, por um tempo, você afunda ao nível da carne, eu sou o seu pastor.

Quando você anda no caminho do dever e faz a vontade de Deus, eu sou o seu pastor.

Quando você entra no caminho da desobediência, eu sou o seu pastor.

Quando alegrias chegam a você e intensificam as notas de louvor em seu coração, eu sou o seu pastor.

E, quando as trevas vêm como uma blindagem escura sobre a sua vida, eu sou o seu pastor.

Quando você faz o seu melhor e merece a aprovação de outros, eu sou o seu pastor.

Quando você faz o seu melhor e o seu bem é tido como perverso, eu sou o seu pastor.

Quando você tem tudo o que precisa e mais do que é necessário para a vida, eu sou o seu pastor.

Quando você sente o aperto da pobreza e a sua capacidade de adquirir diminui, eu sou o seu pastor.

Quando você se mantém doce e gracioso, como um cristão maduro deve se manter, eu sou o seu pastor.

Quando você age com infantilidade sobre erros reais ou imaginários, eu sou o seu pastor.

Quando tudo vai bem e você não tem qualquer cuidado no mundo, eu sou o seu pastor.

Quando nada parece direito e os fardos se multiplicam, eu sou o seu pastor.

Quando você me agrada pelo posicionamento que assume e pelo espírito maravilhoso que manifesta, eu sou o seu pastor.

Quando você me desaponta e me causa noites sem dormir, eu sou o seu pastor.

Quando você está vivendo a vida em sua plenitude máxima, eu sou o seu pastor.

Quando a sua saúde se fragiliza e o fim da vida mortal parece próximo, eu sou o seu pastor.

Quando revelo que sou humano e tenho as minhas próprias fraquezas e enfermidades, e você é caridoso e compreensivo, eu considero um privilégio ser o seu pastor.

Líderes espirituais irão encontrar pessoas muito mais compreensivas se eles têm sido compassivos com relação a outros quando eles falham, não se comportando com uma atitude arrogante do tipo “sou mais santo do que você”.

Sem ser exageradamente depreciativo, isso pode ajudar congregações se os seus pastores puderem, humilde e honestamente, reconhecer como o apóstolo Paulo: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão” (Filipenses 3:12-13).

Uma coisa é, humildemente e no temor do Senhor, convidar outros: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1 Coríntios 11:1). Isso é uma coisa boa. Outra coisa é apresentar a si mesmo, de forma arrogante, como “o padrão de perfeição para os outros”. Isso não é uma coisa boa.

Jamais deveríamos nos levar tão a sério a ponto de sermos devastados pela crítica. George Whitfield uma vez recebeu uma carta de duras críticas. Ele respondeu: “De coração eu lhe agradeço pela carta. Quanto ao que você e meus outros inimigos estão dizendo contra mim, sei de coisas muito piores a meu respeito que vocês jamais saberão. Com amor em Cristo, George Whitfield”.

Tendo dito tudo isso, aqueles em posição de liderança espiritual deveriam estar cientes de que as pessoas estão observando o seu exemplo; se as suas vidas são genuínas e salutares. Eles também deveriam reconhecer — como Tiago disse há aproximadamente dois mil anos — que os mestres sofrerão juízo muito maior do que outros.

3. O MUNDO FORMARÁ A SUA OPINIÃO A RESPEITO DE JESUS, A BÍBLIA E A IGREJA, NÃO TANTO PELA NOSSA PREGAÇÃO, MAS PELA NOSSA ÉTICA, MORALIDADE E CONDUTA.

Como tem sido dito: “Você é o único Jesus que algumas pessoas verão; você é a única Bíblia que as pessoas lerão”.

Ambedkar (1891-1956) nasceu em uma família “intocável”, no antigo sistema de castas na Índia. A despeito da intensa discriminação que ele enfrentou, obteve um excelente grau de instrução e se tornou um influente líder na Índia, a ponto de servir como presidente do Comitê de Elaboração da Constituição Indiana.

“Quando eu leio os evangelhos, Atos dos Apóstolos e certas passagens das epístolas de Paulo, sinto que eu e o meu povo devemos todos nos tornar cristãos, pois neles eu encontro um antídoto perfeito para o veneno que o hinduísmo tem injetado em nossas almas e uma dinâmica forte o suficiente para nos levantar da nossa atual posição de degradação; mas quando olho para as igrejas produzidas por missões cristãs, nos distritos em torno de Bombaim, eu tenho um sentimento completamente diferente. Muitos membros da minha própria casta tornaram-se cristãos e a maioria deles não recomenda o cristianismo para o restante de nós. Muitos foram para internatos e usufruem de altos privilégios. Nós os imaginamos como produtos acabados dos seus esforços missionários, e que tipo de pessoas eles são?

Egoístas e autocentrados. Eles não se importam com o que acontece com os seus antigos parceiros de casta, contanto que eles e suas famílias, ou eles e seu pequeno grupo que se tornou cristão sigam em frente. Na verdade, o seu principal cuidado é ocultar o fato de que eles já pertenceram à mesma comunidade. Eu não quero ser acrescentado ao número de tais cristãos.”

Semelhantemente, Mahatma Ghandi disse: “Eu gosto do seu Cristo, eu não gosto dos seus cristãos. Os seus cristãos são muito diferentes do seu Cristo”. Ele também destacou: “Se os cristãos realmente vivessem de acordo com os ensinamentos de Cristo, como descritos na Bíblia, toda a Índia seria cristã hoje”.

Não precisamos estar debaixo de condenação acerca de observações que outros fazem a respeito das nossas vidas no passado, mas deveríamos estar desafiados a ser o tipo de carta que se expressa com clareza e torna conhecidas as maravilhas do nosso Deus e as virtudes do Seu glorioso Evangelho. Que assim seja!

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O MISTÉRIO DOS ENCONTROS

Depositamos, inconscientemente, no outro, conteúdos próprios que permeiam o alívio de nossas lacunas. Mas, a relação só acontece quando entende-se que ninguém supre tais exigências s mamas�ξ+0%]

Quando conhecemos alguém é natural criarmos expectativas. Esperamos encontrar na outra. Pessoa, um “algo especial” que nos complete. Essa completude é projetada a partir de desejos e fantasias criadas das experiências que tivemos ao longo de toda a nossa vida. Somos o produto resultante de todos os encontros desde o nosso nascimento, durante o nosso crescimento e desenvolvimento. Somos fruto de nossas alegrias e dores, decepções e traumas. Na maioria das vezes a repercussão dessas experiências no indivíduo está inconsciente e o leva por caminhos que ele pouco pode controlar. Percebemos, assim, que muitas pessoas gostariam de estar em um relacionamento amoroso, mas na verdade não estão prontos para tal.

Para Jung, psiquiatra suíço e fundador da Psicologia Analítica, sempre que tratamos do relacionamento psíquico, pressupomos a consciência. Não existe nenhum relacionamento psíquico entre dois seres humanos, se ambos se encontrarem em estado inconsciente. No entanto, as escolhas do parceiro podem ter graus variados de projeção. Por projeção entende-se: depositar inconscientemente no outro conteúdos próprios. Espera-se que o outro seja o alívio para nossas dores pregressas. Que o outro seja capaz de preencher as lacunas de tudo que nos foi insuficiente, desde o nascimento. É uma tarefa para heróis montados em seus cavalos brancos esplêndidos ou princesas encantadoras e perfeitas. O tempo revela as humanidades e vai exigir de ambos certo grau de tolerância, frustrações e, consequentemente as dores da desidealização. Requer também negociações de vários tipos: limites, estilo de vida, ritmos pessoais, crenças sobre o que é permitido, planos futuros, e a parte de cada um nas responsabilidades afetivas e cotidianas.

Em relação aos encontros, é importante também ficarmos atentos que, além das expectativas iniciais sobre as características pessoais do outro, temos que levar em conta as intenções subjacentes. Ocorre com alguma frequência que os objetivos do outro não coincidam com os nossos. E mesmo quando duas pessoas se sentem atraídas e com as mesmas intenções, ainda assim isso não garante a formação de um vínculo mais profundo. É possível dizer que esse encontro é sempre imprevisível. Geralmente há algum propósito desde o início a partir de um contato virtual ou pessoal. A conversa pode ser interessante e agradável, as pessoas podem ser legais e possuidoras de qualidades desejáveis, mas para que o sentimento e o vínculo se desenvolvam muitas questões ainda entrarão nesse caldeirão.

Hoje em dia, na maior parte das vezes, devido a popularização das redes sociais e aplicativos de relacionamentos, o primeiro encontro se dá pela escolha de uma imagem. Sai na frente quem capricha na produção e autopromoção. O desenvolvimento de uma conversa bacana é mais um ponto a ser considerado, o que pode não ser tão fácil para as pessoas tímidas e introspectivas. No primeiro contato, quando parte da realidade se apresenta, pode-se ter uma ideia se existem vontade e curiosidade para continuar o processo de descoberta do outro.

Quanto maior o grau de diferenciação e individuação, menor o risco de o sujeito em projetar seus conteúdos. Em grande parte das vezes, quando um relacionamento termina, as pessoas só querem esquecer suas respectivas dores e não estão dispostas a refletir o suficiente para que aquela vivência se transforme em aprendizado e autoconhecimento. Entender o que aconteceu, responsabilizar-se e assumir sua parte em tudo que viveu aumentariam muito a chance de fazer escolhas mais conscientes no futuro e agir mais assertivamente. Responsabilizar-se pela parte que lhe cabe no que impossibilitou a manutenção do vínculo, é uma das formas mais importantes do crescimento pessoal. Ganham todos: o indivíduo, os parceiros futuros e a sociedade que se beneficiará de indivíduos mais conscientes e inteiros.

Possuímos o desejo legitimo de encontrar o amor e viver uma completude, mas é importante ressaltar que ao mesmo tempo isso significa enfrentar o processo de compartilhamento em oposição a individualidade. Em muitos casos se quer o impossível: uma relação estável sem abrir mão da liberdade. O equilíbrio entre o individual e o conjugal não tem uma receita pronta e será passo a passo construído pelo casal que está se formando. Podemos pensar que quanto mais o indivíduo caminhou na senda do amadurecimento, maiores chances terá de viver uma relação exitosa.

Não é exagero dizer que na contemporaneidade, com tantos fatores em jogo, quando um encontro se dá, e acontece a paixão, é uma sorte. Se após um tempo a relação evolui e permanece, pode acontecer o amor verdadeiro. Esse estado, onde ambos estão despidos em sua alma e conscientes das fragilidades e limitações de si e do outro, é realmente uma das coisas belas que a vida pode proporcionar.

ELAINE CRISTINA SIERVO – é psicóloga, Pós-graduada na área Sistêmica – Psicoterapia de Família e Casal pela PUC-SP. Participa do núcleo de Psicodinâmica e Estudos Transdisciplinares da SBPA (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica) Atuou na área de dependência de álcool e drogas com indivíduos, grupos e famílias.

OUTROS OLHARES

FUNCIONAL, COMPLEXO E DELICADO

Combinação entre as belas técnicas de tecelagem do século 16 e a impressão 3Drendeu à designer americana Lisa Marks o grande prêmio Lexus Design Award 2019. O sutiã Algorithmic Lace é feito sob medida para mulheres vítimas de câncer de mama submetidas à mastectomia. Apesar dos avanços da medicina, que possibilitaram o desenvolvimento de cirurgias mais conservadoras, a extirpação total ou parcial das mamas tende a ter impacto negativo na autoestima da paciente. Toda iniciativa para minorar esse sofrimento é bem-vinda. Além de funcional, o sutiã é bonito. O padrão da renda desenhado pelo algoritmo é complexo, mas, ao mesmo tempo, delicado. O Lexus Design Award é uma competição anual de incentivo às ideias com potencial de “moldar um futuro melhor”. Para a última edição, foram inscritos 1.548 projetos, de 65 países.

GESTÃO E CARREIRA

CRIATIVIDADE EM EQUIPE: QUEM É O PAI DA CRIANÇA?

”Um time criativo aprende com os erros. O processo de criação em grupo pode acabar esbarrando em questões que fazem todo sentido para você e estão cristalizadas em sua zona de conforto” !

Vamos continuar falando sobre os bastidores da empatia e desta vez conversando sobre algo que é bastante polêmico: trabalhar em equipe. Há quem diga “eu prefiro trabalhar sozinho!”. Claro, trabalhar em equipe quase sempre é mais desafiante, pois traz à tona um dos exercícios mais difíceis na evolução humana: o convívio. E quando se fala em criatividade, então, se este convívio não for edificador, a possibilidade de a criatividade ser travada é altíssima.

Potencial criativo é individual, porém uma equipe criativa, com o mindset da inovação incorporado na veia, é uma equipe que talvez precise passar por diversos momentos de ajuste, equilíbrio, conflito; alguns podem precisar ceder, outros, exceder. Mas ter uma equipe que cria, continua criando e desenvolve o comportamento de time é tarefa desafiante que envolve amadure­ cimento pessoal e persistência grupal.

Criar em equipe é conflitar. Isso é fato. E o conflito se transforma ou em confronto – quando se insiste em convencer o outro – ou do se desiste de agregar com seu ponto de vista. Eu nunca imaginei concluir que o confronto é menos prejudicial para a criatividade do que a mágoa, mas é. Quem se magoa desiste de se edificar e edificar o time. Quem confronta precisa ter coragem para falar, mas está lutando pelo time; quem é confrontado precisa ter humildade para ouvir, por ser confrontado em suas crenças.

Para criar em equipe é crucial definir metas claras. Ter para onde voltar, caso a equipe se perca, tem o mesmo efeito das marcas nas trilhas que os aventureiros fazem em matas e florestas, na marca tem sinal de telefone, tem como pedir ajuda. Quando se está perdido, o lugar para onde voltar é a marca. Ei, opa! Para tudo! Volta. Qual era mesmo o objetivo? O time se organiza, vê o que atrapalhou e retoma o caminho. E, veja bem, retomar é diferente de voltar ao início. Uma equipe precisa ter papéis, e não níveis. Se tem algo que prejudica, que todos se sintam donos da ideia, é o ego: quanto maior for a quantidade de pais e mães da ideia, melhor! Por isso, permitir autonomia catalisa a criatividade. E veja bem quantas variáveis temos aqui: papéis, níveis e autonomia. Para tirar o melhor extrato possível desses elementos, após definir o objetivo do grupo, é fundamental definir as funções e papéis de cada membro, para que todos se sintam dentro do processo. Ah, sim, e é importante manter no time apenas quem de fato esteja engajado com o objetivo. Ter alguém não engajado pode gerar uma série de fatores prejudiciais: pode gerar o efeito “gaiato no navio”, ou gerar o efeito “colheu louros sem merecer”.

Um time criativo aprende com os erros. O processo de criação em grupo pode acabar esbarrando em questões que fazem todo sentido para você e estão cristalizadas em sua zona de conforto. Mas pode ser que, em prol do objetivo do grupo, você veja suas crenças confrontadas e algum indivíduo que vai incomodá-lo, pois você vai precisar no mínimo ouvir para avaliar. E esse processo incomoda, além de poder ser frustrante e dolorido. Isso acontece não porque você é inflexível! Nosso sistema de armazenamento de crenças é tão “detalhadinho” e funciona como um castelo de pecinhas sobrepostas ao longo de anos em que vai adicionando coisas dignas de serem respeitadas – os famosos paradigmas. Mudar de crença é quebrar paradigma, é trocar a pecinha do castelo. E esta é mais uma dessas tarefas árduas para a evolução.

Qualquer um que se sinta mais pai que o outro prejudica a confiança criativa, e aí é só começar a ler este artigo do começo, mais uma vez.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO OITO – A COISA ERRADA

“É inútil, para qualquer um de vocês, querer ser ganhador de almas se vocês não estão produzindo frutos em suas próprias vidas. Como vocês podem servir ao Senhor com os seus lábios se não lhe servem com as suas vidas? Como vocês podem pregar o Seu Evangelho com os seus lábios quando com as mãos, pés e coração vocês estão pregando o evangelho do diabo e exaltando a um anticristo com suas práticas ímpias?” — Charles H. Spurgeon

Pensamento-chave: Um caráter falho distrai e enfraquece uma grande mensagem.

Não tão longe de Samuel estava outro líder, de nome Saul. Chamado por Deus para ser rei, ele tropeçava com inconsistência e instabilidade. Ele não vivia por princípios, era irregular e arbitrário em sua liderança e, diferente de Samuel, o legado de Saul é de desobediência, inveja, violência e vergonha.

O que faz com que um líder complete a sua carreira com honra, ao passo que outro complete a sua com desonra? Isso será abordado nas páginas seguintes.

Muitos anos atrás, passei um tempo com um pastor que se envolvera em um caso amoroso prolongado. Como resultado da sua imoralidade, a sua esposa e os seus filhos estavam sofrendo, e a sua igreja se aproximava do fim. Uma publicidade significativa na comunidade fez do seu adultério um escândalo que se espalhou. Ele se mostrava um pouco confuso, pois as pessoas simplesmente não o perdoavam e não se esqueciam. Afinal de contas, ele explicou os motivos, ele havia se desculpado, então por que as coisas não poderiam simplesmente voltar a ser como antes?

Infelizmente, esse ministro estava confundindo a questão do perdão com confiança. Certamente, o perdão pode ser estendido, contudo, a confiança é adquirida. Uma traição flagrante da confiança ocorreu, e confiança é a moeda do ministério. É por isso que Paulo disse que o líder da igreja deve ser “… irrepreensível, marido de uma só mulher, moderado, sensato, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar… Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do Diabo” (1 Timóteo 3:2,7, NVI).

Compartilhei com ele que verdadeiramente Deus perdoa, mas, em algumas situações, a habilidade de ministrar efetivamente de alguém é severamente comprometida e diminuída. Eu também expliquei (bem cuidadosamente) que ele havia se desqualificado de ser apto a ministrar durante aquela estação de sua vida, naquela localidade em particular. Em vez de focar no ministério público, ele realmente precisava focar em estabelecer a sua inteireza pessoal, enquanto reestabelecia o seu equilíbrio espiritual. Esse processo de restauração incluía buscar cura e restauração para o seu relacionamento com sua esposa e família.

Em outra situação, não correlacionada, eu falei com uma jovem estressada, cujo pai era pastor. Seu pai se envolveu com outra mulher e ela disse: “Meu pai tem duas caras — ele é uma pessoa no púlpito, mas é uma pessoa totalmente diferente em casa”. Tais indivíduos podem ser um sucesso público (pelo menos por enquanto), mas falham na vida privada.

Esses problemas não se aplicam somente a pregadores; eles aplicam-se a todos que Deus chamou para exercerem uma influência positiva sobre outros. Por exemplo, vamos dizer que Joe é um cristão professo e é ativo na igreja. Todos os domingos, seus vizinhos o veem com sua Bíblia na mão, levando sua família à igreja no seu carro (com adesivos de Jesus colado no vidro). Eles também ouvem suas ocasionais referências da sua fé em Jesus. O plano de Deus para a vida de Joe — não só suas palavras — é que ele seja um testemunho do amor de Deus e de Sua bondade.

Contudo, se o vizinho de Joe o vê em um excesso de mau humor, maldizendo o cortador de grama, gritando com os seus filhos, chutando o seu cachorro, então essa influência não irá atraí-los a Deus, mas irá repeli-los. Nosso exemplo importa! Ralph Waldo Emerson disse: “O que você faz grita tão alto nos meus ouvidos que eu não posso ouvir o que você diz”.

Se Joe tivesse exibido um caráter temente a Deus, então o Espírito Santo poderia usá-lo para influenciar os seus vizinhos positivamente, mas a sua exibição de raiva incontrolada o desqualificou de ter um impacto positivo naqueles ao seu redor. E se Joe percebesse quão danoso o seu comportamento foi para o seu testemunho? Se ele oferecesse um pedido de desculpas sincero para aqueles que ele ofendeu e então começasse a mostrar o fruto do espírito? Ele poderia “se requalificar” e se tornar uma boa testemunha? Muito provavelmente. De fato, sua consciência, humildade e desejo de mudar podem causar uma boa impressão real a eles.

Nosso exemplo tem o poder de atrair ou repelir pessoas. Paulo tinha pouca apreciação por indivíduos que se regozijavam com o próprio bem, que sentiam que eram espiritualmente superiores a outros. Suas atitudes arrogantes e estilos de vida contrários eram um grande impedimento para aqueles que ainda estavam fora da fé.

Se, porém, tu, que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; que conheces a Sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído na lei; que estás persuadido de que és guia dos cegos, luz dos que se encontram em trevas, instrutor de ignorantes, mestre de crianças, tendo na lei a forma da sabedoria e da verdade; tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Dizes que não se deve cometer adultério e o cometes? Abominas os ídolos e lhes roubas os templos? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Pois, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa. — Romanos 2:17-24

Trata-se de uma realidade séria e que nos faz refletir. Precisamos reconhecer que o nosso testemunho no mundo e a nossa influência sobre outros é vital. Como cristãos e líderes espirituais, se as nossas vidas saem da linha, nós podemos receber perdão e seguir em frente. Mas o que dizer do efeito que o nosso comportamento exerce sobre outros? Nós podemos nos recuperar e endireitar as coisas, mas e quanto às “partículas” que respingam nas vidas de outros devido à nossa conduta? Eles irão se recuperar da influência negativa do nosso mau exemplo? A seriedade dessa questão e destacada pelo que Jesus disse:

Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo! — Mateus 18:6-7

Reconhecendo a significância e a responsabilidade que vêm com a influência, C.S. Lewis disse: “Importa muitíssimo se eu alieno alguém da verdade”.

O ESTRANHO CASO DO REV. JEKYLL E O SR. HYDE

Provavelmente, você nunca ouviu falar do “Reverendo” Jekyll antes. Utilizei certa licença poética e fiz um leve ajuste ao romance de Robert Louis Stevenson, O Médico e o Monstro, de 1886.

No livro de Stevenson, o Dr. Henry Jekyll é um homem aparentemente bom, educado, decente e respeitável. Uma poção experimental para purificar o seu lado bom tem o infeliz efeito de magnificar o seu lado obscuro, o que resulta no aparecimento do seu alter ego, Edward Hyde. Hyde é perverso, monstruoso, odioso e assassino. Ele é a encarnação do mal. Mais de 125 anos depois, quando as pessoas ouvem a expressão, “Jekyll e Hyde”, elas ainda pensam em uma pessoa que é radicalmente diferente em seu caráter moral e comportamento de um momento para o outro.

A razão por que eu mudei “Dr. Jekyll” para “Rev. Jekyll” é porque eu quero analisar dinâmicas semelhantes quando se trata de líderes espirituais.

Jesus expôs alguns Rev. Jekylls quando disse para muitas pessoas religiosas de Sua época: “… porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança! Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! Assim, também, vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade” (Mateus 23:25, 27-28).

Paulo tinha muitos confrontos com mais de um Rev. Jekyll. Ele disse: “… em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos” (2 Coríntios 11:26). Na versão A Mensagem, em 2 Tessalonicenses 3:2, Paulo diz: “Orem para que estejamos protegidos dos malfeitores, que querem nos prejudicar. Penso que nem todos os ‘cristãos’ são, de fato, cristãos”. E quanto a você? Você já encontrou “crentes” que não eram de fato crentes? Ou se eles eram, certamente não se comportavam como tal.

A duplicidade entre os pseudolíderes espirituais é algo que tem sido observado ao longo da história da Igreja.

•  Agostinho disse de certos pregadores: “Com a sua doutrina eles constroem, e com as suas vidas eles destroem”.

•  John Bunyan disse: “Santo na rua, um demônio em casa”.

•  Charles Spurgeon, conhecido como o príncipe dos pregadores disse: “É terrivelmente fácil ser um ministro do Evangelho e um vil hipócrita ao mesmo tempo”.

•  Em Palestras para Meus Alunos, Spurgeon disse: “Todos ouvimos a história do homem que pregava tão bem e vivia tão mal que quando ele estava no púlpito, todos diziam que ele jamais deveria sair novamente e, quando ele estava fora, todos declaravam que ele jamais deveria entrar novamente”.

•  C. S. Lewis disse: “De todos os homens maus, os maus religiosos são os piores”.

Como líderes cristãos, nossa responsabilidade primária é não termos uma boa fachada; é ser verdadeiramente transformado. O cristianismo genuíno é alicerçado em substância e não em imagem. É por isso que o apóstolo João disse: “Aquele que diz que permanece Nele, esse deve também andar assim como Ele andou” (1 João 2:6). Jesus disse: “… todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre” (Lucas 6:40).

No tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, negam-no por suas obras; é por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra. — Tito 1:16

SEGREDOS

Nos últimos anos, temos visto exemplos vívidos de líderes seculares, figuras esportivas de alto nível e até mesmo ministros que viram seu mundo implodir por causa de uma vida secreta (ou vida dupla). Tais revelações não apenas fornecem um bom material para os jornais sensacionalistas, mas também deixam um legado de confiança destruída, e pessoas que confiavam neles cambaleando em estado de choque, dor e desilusão. O que faz com que pessoas inteligentes pensem que os seus segredos tóxicos jamais terão consequências ou serão expostos?

A primeira decepção que a humanidade perpetrou foi a heresia: “Nós podemos manter isso em segredo”. Adão e Eva se uniram na primeira tentativa de encobrir: “… coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si” (Gênesis 3:7). Ao ouvir Deus chamando-os, eles ainda sentiram culpa e vergonha e tentaram esconder-se atrás das árvores do jardim (Gênesis 3:8).

Até Moisés pensou que poderia se esconder do assassinato, posto que ninguém o vira cometer o crime. Êxodo 2:12 diz: “Olhou de um e de outro lado, e vendo que não havia ali ninguém, matou o egípcio, e o escondeu na areia”. Este é um bom ponto a ser considerado  em nossas vidas: existe alguma coisa que só faríamos se achássemos que ninguém está observando, ou se achássemos que ninguém jamais descobriria?

Outros relatos bíblicos nos lembram de que tais segredos têm um jeito de não permanecerem tão secretos:

•   Acã (Josué 7:10-25)

•   Davi (2 Samuel 12:12)

•   Geazi (2 Reis 5:25-27)

•   Ananias e Safira (Atos 5:1-11)

JESUS E PAULO ACERCA DE COISAS SECRETAS (BOAS E MÁS) VINDO À TONA

Você perceberá que os textos a seguir não apenas lidam com coisas negativas (tais como

 “pecados secretos” vindo à tona), mas também com coisas boas que, mais tarde, serão reveladas e galardoadas.

…pois nada há encoberto, que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a ser conhecido. — Mateus 10:26

Pois nada está oculto, senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser revelado. — Marcos 4:22

…e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. — Mateus 6:4

…no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu Evangelho. — Romanos 2:16

Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus. — 1 Coríntios 4:5

…pelo contrário, rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam… — 2 Coríntios 4:2

Os pecados de alguns homens são notórios e levam a juízo, ao passo que os de outros só mais tarde se manifestam. Da mesma sorte também as boas obras, antecipadamente, se evidenciam e, quando assim não seja, não podem ocultar-se. — 1 Timóteo 5:24-25

Porque a Palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas. — Hebreus 4:12-13

O QUE NÓS FAZEMOS DESSAS PASSAGENS?

Isso significa que aqueles nossos pecados passados — os quais foram confessados, arrependidos e abandonados — serão trazidos por Deus e usados contra nós? De forma alguma! Provérbios 28:13 diz: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”. Não nos esqueçamos da misericórdia e, principalmente, não nos esqueçamos do sangue de Jesus que nos purifica de todo pecado!

Não falo de um pecado que é reconhecido e renunciado, mas de atitudes e comportamentos que são nutridos, cultivados e perpetuados — levando a uma vida dupla ou “secreta”. Um dos maiores desafios e tentações que crentes (e especialmente ministros) enfrentam é o de se tornar focado na sua aparência externa, enquanto negligenciam o cuidado e a saúde da sua “vida interior”. Finalmente, nossas vidas e ministérios devem ser alicerçados em substância e caráter, e não meramente em imagem e reputação. John Maxwell disse: “Imagem é o que as pessoas pensam que somos. Integridade é o que realmente somos”.15

Quando a vida e os relacionamentos de um líder — o seu mundo verdadeiro — tornam-se dolorosos, cheios de pressões, sem realizações etc., ele pode ser tragado pelo que pensa ser o seu mundo privado, de maneira a escapar da realidade. Nessa realidade alternativa (falsa), ele alivia a si mesmo por meio de relacionamentos ilícitos, pornografia, drogas, álcool, etc. Um processo enganoso tipicamente ocorre, no qual o líder começa a acreditar que Deus está, de alguma maneira, tolerando ou permitindo esse comportamento porque, afinal, as pessoas continuam sendo salvas e abençoadas por intermédio da sua pregação, e a igreja pode até continuar a crescer. Ao desvirtuar a graça de Deus e transformá-la como algo do tipo “permissão divina”, eles falharão em reconhecer que Deus está simplesmente dando-lhes espaço para se arrependerem (veja Apocalipse 2:21).

Em um artigo de jornal falando de sexo na propaganda, um representante da agência de publicidade disse: “Todos estão em busca de fantasia, pois a realidade é muito cruel”.9 Ainda que haja certa precisão nessa declaração, devemos fazer a pergunta: Os planos de Deus estão se tornando fantasia para os Seus filhos? Também é verdade que, quando pessoas lutam com a realidade, algumas se voltam para as drogas e o álcool. Os cristãos são ensinados a se voltarem para Deus e para a Sua graça para lidarem com os desafios da realidade.

O QUE PRECISAMOS FAZER?

Inicialmente, ser brutalmente honestos conosco mesmos. Se estivermos nos envolvendo com algum tipo de comportamento que não gostaríamos que o nosso cônjuge, amigos, outros crentes ou o público soubesse a respeito, então precisamos tratar seriamente com Deus e conosco mesmos acerca do assunto. Estamos nos enganando se pensamos que estamos realmente escondendo alguma coisa de Deus.

Davi disse:

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno. — Salmos 139:23-24

A única “vida secreta” que somos chamados a ter é uma com Deus, e não longe Dele. O Salmo 31:20 se refere a “… no recôndito da tua presença”.

O Salmo 91:1 nos diz que a pessoa que “… habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente”. Que estejamos sempre conscientes da verdade penetrante de Hebreus 4:13 (AMP): “E não existe criatura que esteja escondida da Sua visão, mas todas as coisas estão descobertas e expostas, nuas e desprotegias aos olhos Daquele a quem haveremos de prestar contas”.

Em alguns casos, a prestação de contas para uma pessoa de confiança pode ser muito útil. Paul Tournier disse: “Nada nos faz tão solitários quanto os nossos segredos”. Tiago defendeu a ideia de se estabelecer uma parceria com base no temor de Deus no intuito de superar certas questões, quando disse: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados” (Tiago 5:16).

Como representantes do Senhor Jesus Cristo, que jamais seja dito de nós o que Pedro falou dos falsos mestres em sua época: “Prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido, fica escravo do vencedor” (2 Pedro 2:19).

Lembre-se de que Deus é por nós e não contra nós, e que Ele quer nos ajudar a nos tornarmos tudo o que Ele pretende que sejamos. Ele não cuida apenas do nosso desempenho exterior, mas cuida profundamente da saúde e bem-estar da nossa alma.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ANSIEDADE INCONTROLÁVEL

Agorafobia e transtorno de personalidade esquiva são apenas dois dos distúrbios que provocam inúmeros desconfortos, mas que, identificados de forma correta, podem ser tratados para minimizar seus efeitos

Ansiedade incopntrolável

Nunca estivemos tão ansiosos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país mais ansioso do mundo e o quinto colocado em geração de depressão e transtornos decorrentes da ansiedade. Os dados revelam que 9,3% da nossa população sofrem de transtorno de ansiedade, quase o triplo da média mundial. A mente humana é, definitivamente, um mistério que, a cada dia, desafia os profissionais e especialistas da área. Existe uma infinidade de distúrbios e transtornos que podem surgir a partir da exposição do estresse e ansiedade e, sem uma avaliação criteriosa, podem se confundir e dificultar o diagnóstico, sem uma avaliação criteriosa, podem inclusive se confundir.

No caso do transtorno de personalidade esquiva, por exemplo, o indivíduo tem um padrão extremamente tímido e inibido do ponto de vista social. Percebe-se deslocado em acontecimentos sociais e comporta-se bastante melindroso a comentários e apreciações pejorativas a seu respeito, podendo ficar intensamente melancólico nessas ocorrências. Forma ideia de inferioridade, considera-se incapaz e que não possui qualificação própria (vamos abordar detalhadamente mais à frente).

A agorafobia, por sua vez, vem do termo grego ágora = praça pública, multidão; e fobia = medo. Ou seja, medo de lugares com muitas pessoas. A agorafobia tem como característica principal forte ansiedade que eclode no momento em que o indivíduo se encontra em lugares ou situações em que a fuga é dificultosa, iniciando, assim, uma crise semelhante ao ataque de pânico. Pode acontecer em ambientes públicos ou lugares com grande aglomeração de pessoas, como em praças públicas, shopping centers, dentro de bancos, shows musicais abertos ou fechados, elevadores etc.

Os leigos costumam confundir a agorafobia com o transtorno do pânico pela proximidade dos sintomas. É bom que saibamos que o transtorno do pânico pode ocorrer sem agorafobia. Porém, a agorafobia sem pânico é incomum, embora existam casos raros relatados na área psiquiátrica, pois a agorafobia é uma condição exclusiva, na qual as pessoas parecem ter medo de frequentar lugares abertos ou fechados desacompanhadas.

O medo e a clausura encontram-se sempre presentes entre as evidências e os sintomas mais habituais. O indivíduo com esse transtorno faz o possível para não se expor a determinadas localidades ou circunstâncias que possam manifestar outros episódios de crises de pânico, ou, então, percepções de reclusão ou dificuldade de se retirar do local.

São demasiadamente incômodas as crises de transtorno do pânico quando ocorrem. Todavia, não comprometem o estilo de vida como acontece com a agorafobia, quando os portadores são diretamente dependentes de terceiros, no sentido de executar tarefas primordiais, como sair de casa para ir ao supermercado ou ir ao médico.

Esse transtorno também dificulta que o indivíduo aceite convites para festas, que saia de casa para trabalhar ou que compareça a quaisquer eventos onde aconteçam alvoroços, envolvendo aglomerações de pessoas, mesmo que esses eventos sejam para cumprimentos de protocolos ou formalidades. A agorafobia costuma se manifestar de duas formas, dependendo das ocorrências vinculadas ao transtorno: simples ou patológica.

SIMPLES – Quando a situação ameaçadora é superada e tudo volta ao normal após psicoterapia.

PATOLÓGICA – Quando a situação ameaçadora não é superada e o indivíduo necessita de medicação para amenizar os sintomas.

“A agorafobia ‘leve’ pode ser exemplificada pela pessoa que hesita em dirigir sozinha por longas distâncias, mas consegue ir e voltar de carro para o trabalho; que prefere se sentar no corredor nos cinemas, mas segue indo ao cinema; que evita lugares lotados”.

Fatos considerados naturais podem ser perturbadores para uma pessoa portadora da agorafobia. Exemplos: voar em aviões, atravessar pontes, túneis, passarelas, adentrar elevadores, trafegar em ônibus, trens, metrôs, eventos musicais etc. O mais interessante de tudo isso é que esses tipos de bloqueios se tornam amenos e vencíveis se o agorafóbico estiver acompanhado. Até mesmo a companhia de uma criança pode trazer mais conforto às suas inquietações.

O comportamento de evitação dos locais e das situações citadas acima é um fator determinante para a concretização do diagnóstico. Na maioria dos casos, os lugares sempre coincidem por tratar-se de registros mentais fixados no inconsciente da pessoa afetada e, pela mesma razão, o agorafóbico desencadeia mal-estares vinculados ao receio de percorrer tais trajetos, manifestando, assim, crises de pânico ou sensações dos sintomas recorrentes. Por vezes, sua imaginação se torna tão fértil que o leva a ter crises mesmo que nada de concreto tenha ocorrido.

As crises de pânico na agorafobia, mesmo que se manifestem intensas e prolongadas, não devem ser confundidas com eventos traumáticos (no caso do transtorno do estresse pós-traumático – TEPT), sobremodo que nem todo ataque de pânico deve ser rotulado de agorafobia. Um indivíduo pode apresentar os mesmos sintomas somente imaginando que futuramente terá de atravessar uma ponte ou passarela, fazendo com que a possibilidade da eclosão dos sintomas venha à tona mesmo sem sair de casa.

“A agorafobia ‘moderada’ é exemplificada pela pessoa que só dirige em um raio de 15 km de casa e somente se estiver acompanhada; que compra em horário fora do pico e evita grandes supermercados; que evita aviões ou trens. Já a agorafobia ‘grave’ está relacionada à mobilidade muito limitada, às vezes, até mesmo a ponto de não sair de casa”.

DURAÇÃO E SINTOMAS

A fobia e o afastamento das situações de pânico geralmente duram seis meses ou mais.

Os sintomas psicológicos provocados pela agorafobia são receio de morrer; medo de lugares repletos de gente; pavor de ficar só ou sair sozinho; ansiedade; baixa autoestima; insegurança.

Os sintomas físicos provocados pela agorafobia são disparo da frequência cardíaca; falta de ar; dor ou compressão no peito; vertigens; dormência pelo corpo; suor em demasia; calafrios; vômitos; diarreia; desmaios.

A agorafobia apresenta fatores de risco, como sintomas de precedentes dos transtornos de ansiedade, fobias ou pânico; convívio em um meio propício para o estresse elevado; manifestações de crises de pânico e medo irracional exagerado; mau uso de substâncias – a utilização abusiva de ansiolíticos e antidistônicos, como os benzodiazepínicos; gestos ansiosos, inquietos e nervosos; lembranças de eventos traumáticos; infância violenta; fatos históricos de doença na família.

Um dos principais fatores da agorafobia é o biológico – compreendendo os caracteres de saúde e genética: índole, temperamento, estresse ambiental e experiências de aprendizagem podem desempenhar um papel no desenvolvimento da agorafobia.

“Aqui não há mistério, pois a alma bastarda e impura pela desorientação mental sofre por ansiedade. A mente é como um bando de andorinhas sem ter onde pousar, desprendendo-se o voo pelo vão dos ares sem destino. Assim é a nossa mente procurando encontrar-se nesse mundo tumultuado em que vivemos. Dessa forma, a ansiedade é fato constante que possibilita interpretações equivocadas de nós mesmos (…). Naquele instante em que vacilamos, a mente estimula a ansiedade e a nossa insegurança. Nesse momento, fogem a inteligência e a racionalidade, e o medo torna-se nosso inimigo mortal. (…). Ao adormecermos, as trevas do nosso labirinto do sono surgem como eterna visão ansiosa e assentam-se junto à nossa mente. Mas esse mar de problemas tem solução! Precisamos nos conectar à nossa essência, ao nosso mundo interior, onde também há um mar de tranquilidade que nos espera, às luzes da consciência mais profunda”.

Ela desperta quando o sujeito que apresentou repetidos ataques de ansiedade adquire um medo terrível de que eles se desencadeiem em circunstâncias reais. Esse medo incontrolável é fundamentado pelo pensamento de que essa crise possa se repetir mais vezes e de que será mais complicado obter ajuda de alguém.

O tratamento prático para a agorafobia, de modo geral, envolve a psicoterapia e a medicação. A Psicanálise, a terapia cognitivo-comportamental, a terapia de exposição (psicoterapia com auxílio de realidade virtual) estão entre os procedimentos que produzem mais efeitos sobre o transtorno.

Ainda não existe uma forma segura para a profilaxia da agorafobia. E, por isso, a ansiedade tende a disparar seu gatilho quanto mais evitar situações que desencadeiam o medo. Se o portador da agorafobia principiar a sentir medos insignificantes sobre locais não confiáveis, seria aconselhável frequentar esses lugares uma vez ou outra antes que esse medo se torne incontrolável. É evidente que essa tarefa não é fácil, mas, se não for possível soluciona r por conta própria, vá em busca de um profissional habilitado, solicitando que um familiar ou amigo possa estar presente nesse momento.

Mas se você (portador da agorafobia) perceber algum sintoma ansioso em lugares que possam desencadear ataques de pânico, procure tratamento médico e psicoterápico com rapidez. Evite que o quadro sintomático se agrave. A ansiedade na agorafobia, como em muitas outras categorias de transtornos ansiosos, pode ser mais difícil de cuidar se você prolongar essa ajuda.

“Na complexa vida moderna, a ansiedade e os ataques de pânico estão se tornando mais comuns. Mas a boa notícia é que a compreensão sobre esses distúrbios aumentou e as formas de tratamento estão mais eficientes”.

MÉTODOS ALTERNATIVOS

Existem, também, métodos alternativos para acalmar as crises de pânico na agorafobia:

RESPIRE PROFUNDAMENTE – Se você estiver em meio a um ataque de pânico, é provável que comece a hiperventilar. Mesmo que não haja hiperventilação, a respiração profunda pode auxiliar na redução do estresse e facilitar no fornecimento de mais oxigênio ao cérebro para compensar o equilíbrio neuronal. Ao notar que uma crise queira se manifestar, pare e abrevie a cadência respiratória. Sus­ tente a respiração. Assim, reduz-se a sensação de supressão, a circulação do sangue e a incapacidade de res­ pirar. Depois da respiração segura, comece a respirar lentamente, exercitando o diafragma. Ponha uma das mãos sobre o tórax e a outra no abdômen. Você vai sentir o ventre subir e descer durante o exercício. Em seguida, aspire o ar pelo nariz em um intervalo de 5 segundos. Prenda a respiração por dois segundos. Depois expire pausadamente pela boca em um tempo também de 5 segundos. Prossiga a respiração diafragmática por mais alguns minutos até observar um alívio no relaxamento muscular e limpidez de concentração.

CONCENTRE-SE NO RELAXAMENTO – Em uma crise de pânico, os reflexos cerebrais podem ficar desordenados. É provável que você perceba diversos sintomas nesse mesmo instante, o que contribui para a tensão nervosa. Esse processo vem à tona porque o corpo impulsiona o gatilho do mecanismo de “luta ou fuga” do sistema nervoso simpático, dispersando a cadência cardíaca e respiratória, contraindo os músculos e os canais de vasos e artérias sanguíneos. Relaxe por um instante no intuito de abreviar o ritmo cardíaco e pulmonar, para ganhar harmonia com as experiências sensoriais. Esse processo também pode auxiliar na manipulação da reação automática de reagir a agentes estressantes. Logo após, tente elaborar uma listagem sobre o que está ocorrendo, sem julgar ou criticar os acontecimentos túrbidos. Exemplo: “Meu coração está batendo descompassadamente…Minhas mãos estão transpirando… Acho que eu vou desmaiar”.

Logo após, fortaleça a ideia em sua mente de que essas manifestações são mero fruto da ansiedade. Evite fiscalizar essas sensações. Isso pode ativar o gatilho da ansiedade. Fique certo de que são sintomas transitórios. Fique imóvel enquanto faz a listagem dos sintomas. Essa postura, com o passar do tempo, manipula o cérebro, ajudando-o a reconhecer que a circunstância não é tão nociva quanto parece. O exercício empregado pode induzir o cérebro a compartilhar com mais veemência o quadro sintomático de pânico.

CONFUSÃO

É importante não confundir o transtorno de personalidade esquiva com fobia social, apesar de haver muita semelhança. Na fobia social as pessoas fazem o possível para evitar certos acontecimentos sociais. No entanto, não perdem as ligações afetivas. Já no transtorno da personalidade esquiva, o sujeito contrapõe-se a qual quer caráter de convivência pessoal. Nesse caso, há o impulso de aproximar-se das pessoas, porém o temor de não ser aceito é mais forte, contribuindo, assim, para a resistência.

Na maior parte dos casos os sintomas são experimentados pelo indivíduo como normais (eu- sintônico), de modo que o diagnóstico só poderá ser ordenado a partir de um panorama externo.

“A psicoterapia deve ser ajustada à capacidade do paciente à medida que ele se demonstra disposto a enfrentar situações que geram sua ansiedade. Mesmo na Psicanálise, chega um momento em que o paciente deve enfrentar seus medos. O psicólogo ou psicanalista terá um papel fundamental no acolhimento e posterior encorajamento do paciente”.

No Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais – DSM-5, ficaram assim outorgados os indicadores diagnósticos para o transtorno de personalidade esquiva:

“Um padrão difuso de inibição social, sentimentos de inadequação e hipersensibilidade à avaliação negativa que surge no início da vida adulta e está presente em vários contextos, conforme indicado por quatro (ou mais) dos seguintes:

  1. Evita atividades profissionais que envolvam contato interpessoal significativo por medo de crítica, desaprovação ou rejeição.
  2. Não se dispõe a se envolver com pessoas, a menos que tenha certeza de que será recebido de forma positiva.
  3. Mostra-se reservado em relacionamentos íntimos devido ao medo de passar vergonha ou de ser ridicularizado.
  4. Preocupa-se com críticas ou rejeição em situações sociais.
  5. Inibe-se em situações interpessoais novas em razão de sentimentos de inadequação.
  6. Vê a si mesmo como socialmente incapaz, sem atrativos pessoais ou inferior aos outros.
  7. Reluta de forma incomum em assumir riscos pessoais ou se envolver em quaisquer novas atividades, pois estas podem ser constrangedoras”.

Como prestar auxílio a um portador do transtorno? Jamais o critique, se ele optar por não comparecer a um evento social por receio de ser rejeitado. Também não o julgue nem o deprecie. Esses episódios, excentricamente, sobrecarregarão seus pensamentos negativos e a pessoa experimentará sensações de rejeição, fato este que o fará se sentir mais inferiorizado. Ao contrário disso, estimule-o a sair de casa, buscando o lazer como fonte de preenchimento mental, mesmo que sua resposta seja negativa. Proponha também projetos que despertem seus desejos, demonstrando que ele poderá contar sempre com você nos momentos de aflição. Incentive-o a não se deixar levar pelo medo de repulsa de outrem, pois o importante é estar confiante para desatar-se dos laços fóbico-ansiosos.

Em uma perspectiva freudiana, esse transtorno de personalidade se constitui a partir das vivências e pelo desenvolvimento em fases da libido (energia vital/sexual), pelo modo como se estrutura o desejo inconsciente e as formas como o ego lida com os conflitos e frustrações libidinais.

“As pulsões sexuais dos transtornos de personalidade percorrem um caminho sinuoso de desenvolvimento para então alcançar o ‘primado da zona genital’. Antes de este ser alcançado, a pulsão pode ficar fixada em alguma organização pré-genital, como a oral e a anal, às quais retornará quando ocorrer uma repressão, o que caracterizaria uma regressão” (Sigmund Freud).

Em relação aos tratamentos, a terapia cognitivo-comportamental – TCC pode ser de bom préstimo. Essa modalidade de terapia psicológica oferece o respaldo de que o raciocínio flutuante do paciente estaria provocando o referido transtorno, e que, de certa forma, centraliza-se na transformação de paradigmas cognitivos distorcidos por ponderar a legitimidade das suposições por trás do problema. Outra excelente técnica para tratamento é a análise da transferência, que é um dos focos principais da Psicanálise. Ela é direcionada a pacientes com graves distúrbios de personalidade por considerar qualquer interpretação transferencial no contexto do que está ocorrendo na vida atual do paciente. As transferências negativas ou positivas desses pacientes devem ser trabalhadas restritamente no “aqui e agora”, sem que se tente atingir reconstruções genéticas, pois a falta de diferenciação e individualização dos objetos interfere na capacidade para diferenciar os relaciona mentos objetais presentes e passados.

OUTROS OLHARES

UM ELOGIO À MELANINA

Um elogio à melanina

Chamada a ”cor da vida”, a melanina é o pigmento natural encontrado tanto na nossa pele, olhos e cabelos quanto nas penas das aves, nas asas das borboletas, na tinta das lulas e polvos… Se vive e tem cor, produz melanina. Encontrada em fósseis de 160 milhões de anos, da Era Mesozoica, a substância tem como principal função proteger os genes contra a radiação ultravioleta. Em uma espécie de elogio à melanina, sob a coordenação da arquiteta e designer israelense Neri Oxman, pesquisadores do The Mediated Matter Group, MlT Media Lab, criaram o projeto Totems. Da intersecção entre a biologia e a computação surgiram objetos de vidro infundidos com melanina líquida. A substância responde ao ambiente. Crente à maior ou menor incidên dos raios solares. Uma das propostas mais espetaculares do Totems é a construção em escala arquitetônica, uma espécie de janela com o pigmento (foto acima). ”Minha equipe e eu procuramos materiais e substâncias que possam proteger a biodiversidade”, diz Neri. “E a melanina é uma delas.”

GESTÃO E CARREIRA

EMPRESAS COM CAUSA

Por que resolver problemas socioambientais é a melhor estratégia para atrair talentos e consumidores, promover a inovação e contribuir para uma sociedade mais justa

Empresas com causa

“Os empresários acreditam que estão defendendo a livre-iniciativa quando asseguram que as empresas não estão preocupadas ‘apenas’ com o lucro, mas também em promover fins ‘sociais’ desejáveis; que as empresas têm uma ‘consciência social’ e levam a suas responsabilidades de oferecer empregos, eliminas a discriminação, evitar a poluição e quaisquer outras frases prontas da safra de reformistas contemporâneos (…) Empresários que falam dessa forma são marionetes involuntárias das forças intelectuais que, nas últimas décadas, vêm minando a base de uma sociedade livre”.

Esse é apenas o começo do artigo The Social Responsability of Business is to Increase its Profits, publicado em 13 de setembro de 1970 na revista dominical do jornal The New York Times. No texto de quase 3 mil palavras o economista Milton Friedman (1912-2006) atacava duramente as companhias que ensaiavam as primeiras políticas de responsabilidade socioambiental.

Para o vencedor do Nobel de 1976, a defesa corporativa de valores éticos não passava de “fachada hipócrita”, estado de “miopia” e ”impulso suicida” de alguns empresários. Em resumo, uma ameaça à sobrevivência dos negócios. A missão de uma empresa, defendia veementemente, seria apenas e tão somente gerar lucro. E sua única responsabilidade era para com seus acionistas.

Época intensa aquela. Anos de revolução de costumes e ideias. Do movimento hippie da década de 60 e do ativismo político da década de 70. Do “flower power” e “peace and love” dos jovens cabeludos com roupas coloridas. Do grito pela paz. Do “não” à violência. Da defesa do amor livre e vida em comunidade. Do “eu tenho um sonho”, de Martin Luther King (1929-1968), que, em agosto de 1963, levou 250 mil pessoas ao Lincoln Memorial, em Washington, por uma sociedade mais igualitária. Do “é proibido proibir” dos estudantes franceses que, em maio de 1968, tomaram as ruas de Paris, insatisfeitos com o sistema educacional. Do “o privado é político”, da feminista americana Car Hanisch, hoje com 77 anos. Dos sutiãs queimados em praça pública, em 7 de setembro daquele 1968, em Atlantic City durante o protesto de 400 ativistas do Womens’s Liberation Movement contra o concurso de beleza Miss América.

No campo da ciência, em 1972, a bióloga americana Lynn Margulis (1938-2011) e o ambientalista inglês Jam Lovelock, 99 anos, formularam a Teoria de Gaia, segundo qual a Terra é um organismo vivo, inteligente, consciente e integrado. Pela primeira vez, a ONU falou em mudança climática, efeito estufa, resíduos sólidos, recursos renováveis…O Brasil de então lutava contra a ditadura e assistia ao recrudescimento do movimento sindical – com as greves históricas do ABC paulista.

À exceção das raríssimas empresas nascidas com DNA do ativismo, como as americanas Patagonia, de roupas esportivas, e a Ben&Jerry’s, de sorvete, ou a inglesa Body Shop, de cosméticos e produtos de beleza, o mundo dos negócios manteve-se alheio à efervescência daqueles anos. Seguiu a ferro e fogo os preceitos de Friedman. Lucro, lucro e lucro – “the business of business is business”.

Empresas com causa. 3

FRIEDMAN X FREEMAN

Nos anos 80, no entanto, alguns empresários e teóricos da economia começam a defender uma nova narrativa do Autor do best-seller Strategic Management: A Stakehold Approach, de 1984, o filósofo Robert Edward Freeman, anos, tornou-se a principal voz do movimento ao defender que os empreendedores não têm do que se envergonhar desde que seus negócios sejam acompanhados por senso de propósito e de moralidade… Em geral, somente 20 das pessoas ao redor do mundo confiam que homens mulheres de negócios estejam fazendo a coisa certa, ou seja, 80% das pessoas não confiam nos executivos”, disse Freeman, em entrevista, em novembro de 2018, “Como chegamos até aqui? Ao ponto de os negócios ocuparem um lugar tão baixo na sociedade em termos morais?”

Capitalismo consciente, capitalismo inclusivo, investimento de impacto, investimento socialmente responsável, empreendedorismo social… Não importa o termo, a filosofia corporativa está em processo de transformação profunda. De mudança de paradigmas. Como costuma dizer Bethlem, diretor-geral do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, atualmente, “o negócio de todos os negócios está nas pessoas”. E os sinais dos novos tempos são evidentes.

Na última edição da Parada Gay de São Paulo, em junho passado, várias empresas participaram da festa de 3 milhões de pessoas na avenida Paulista. Estiveram presentes companhias da nova economia, como Salesforce e Google, quanto as seculares Basf e Boyer. Tânia Cosentino, presidente da Microsoft no Brasil, e Alessandra Del Debbio, vice-presidente jurídica da gigante de tecnologia, desfilaram no carro oficial do evento, o trio elétrico da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Bissexuais e Intersexos (ABGLT). Por intermédio do grupo Respeito, de defesa da diversidade, a Barilla caminhou ao lado do coletivo “Mães da Diversidade”.

Outro indício? Ganham espaço as consultorias especializadas em estratégias de posicionamento. Uma das proeminentes é a Cause – imperativo do verbo “causar”. Criada em 2013 por quatro ex- executivos de grandes empresas, entre 2017e 2018 registrou um crescimento de estrondosos 78% na receita bruta e 36% de aumento no número de projetos realizados. “Nós não fabricamos causas”, diz o antropólogo Rodolfo Guttilb, 57 anos, um dos fundadores da consultoria. “Elas surgem do encontro entre o propósito da organização e as demandas da sociedade.” É natural as empresas mais jovens, como as startups, tenham desde sua fundação um propósito claro, bem definido.

Ex- executivo da Natura, uma das primeiras empresas brasileiras de fato engajadas em questões socioambientais. Rodolfo conta que muito se avançou nos últimos anos, ainda há um longo caminho a ser percorrido. “Algumas organizações estão fazendo ‘marketing de oportunidade’ define ele. “Excessivamente pragmáticas, querem saber o que devem fazer para aparecer no Jornal Nacional.”

Se o propósito não for genuíno, não se sustenta. Fácil entender, portanto, por que 29% dos consumidores brasileiros definem as empresas que se posicionam como oportunistas. O dado é de uma pesquisa com 1,2 mil consumidores, realizada pelo lpsos Global Reputation Center e fruto de uma parceria entre a Cause, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e o Instituto Ayrton Senna. Por outro lado, o mesmo trabalho indica que a maioria de nós espera que as empresas abracem mais causas e contribuam efetivamente para o bem-estar da sociedade – muito mais do que faziam no passado; se é que faziam alguma coisa no passado.

Empresas com causa. 2

MAIS CONSCIENTES E MAIS EXIGENTES

Analisadas as faixas etárias, os que mais defendem o engajamento das companhias são os Millennials, os nativos digitais. No mundo do tudo ao mesmo tempo e agora, das redes sociais, do encurtamento de distâncias e da aproximação de realidades e experiências, os consumidores são naturalmente mais conscientes – e exigentes. Ultra conectados, querem informação. E para já. De onde veio? foi feito? Por quê? Não compramos mais apenas serviços. Consumimos causas. Pela inclusão e equidade de gênero, raça, orientação sexual, religião… Por um mundo sustentável. Por respeito, liberdade e transparência, de cada cem Millennials, 95 não titubeariam em mudar de marca em nome de uma causa na qual eles acreditam. E essa turma não é fraca, não. Estima-se que eles tenham um poder de gasto anual de US$ 2,5 trilhões.

Recentemente, a festejada Prose, startup que utiliza inteligência artificial para desenvolver produtos personalizados para os cabelos, foi interpelada por um consumidor no Twitter:

– O que nós realmente queremos saber é se os ingredientes usados por vocês foram testados em animais.

Ao que a empresa, com escritórios em Paris, Manhattan e no Brooklyn, respondeu:

– Nós somos certificados pela PETA (People for the Ethical Treatment of Animais).

O selo PETA – Approved Vegan and Cruelty Free, nos dias de hoje, vale ouro. Segundo a agência de pesquisas Grand View Research, o mercado global de cosméticos veganos deve chegar a US$ 20,8 bilhões, em 2025. “A maioria dos consumidores considera a crueldade contra os animais antiética e está espalhando alertas para essa tomada consciência”, lê-se no documento do instituto.

Fazer o bem para a sociedade e para o mundo no qual vivemos, definitivamente, faz bem aos negócios. Segundo o relatório Ali In Inclusion & Diversity Drive Shopp Habit”, sobre o impacto da inclusão e da diversidade nas escolhas dos consumidores, elaborado pelo Accentur multinacional de consultoria, 42% dos compradores estão dispostos a pagar um adicional de 5% ou mais para comprar de empresas comprometidas com a inclusão e a diversidade. Foram ouvidos 4.662 consumidores dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, entre novembro e dezembro 2018. “0 silêncio não é uma estratégia aceitável”, conclui o estudo da Accenture.

Em artigo exclusivo, o antropólogo Caio Magri, 64 anos, diretor-presidente do Instituto Ethos, escreve: “Em escala global, temas como diversidade, direitos humanos, integridade e meio ambiente são questionados por movimentos que flertam com o retrocesso (É chegada a hora do protagonismo destas lideranças empresariais] revelar sua vital importância para a sociedade, Ir além de seu papel tradicional nas pautas corporativas puramente econômicas e setoriais”.

O levantamento anual da Edelman, líder global e relações públicas, mostra que, em 2018, 64% dos 40 mil entrevistados, ao escolher uma marca, se guiaram por crenças – um aumento de 13% em relação ao ano anterior. Realizado em oito países (Alemanha, Brasil, China, Estados Unidos, França, índia, Japão e Reino Unido, o estudo vai além. Para a maioria dos consumidores, as empresas são poderosas para promover transformações sociais do que os governos de seus próprios países. Par uma ideia, segundo Michael 72 anos, professor da Harvard Business School, em 2013, enquanto os recursos do governo americano somavam USS 3,1 trilhões, os das empresas eram de USS 20,1 trilhões – e o das ONGs, USS 1,2 trilhão. “É uma nova relação entre em consumidor, onde a compra é baseada no movimento da marca em viver seus valores, agir com propósito e, se necessário, dar o salto para o ativismo”, disse Richard Ed, 65anos, CEO da agência. Independentemente do grau de engajamento da companhia, é um caminho sem volta. A questão, segundo os especialistas, não é se uma empresa deve ou não assumir uma posição e sim, como fazê-lo – os chamados investimentos éticos totalizam verbalmente USS 114 bilhões.

Nos negócios 4.0, como na vida cotidiana, a ofensa pode ser devastadora. Em 2013, o presidente da Barilla, Guido Barilla, então com 55 anos, sem nenhum constrangimento, disse que casais gays jamais apareceriam em anúncio empresa, líder global do setor de massas. A uma rádio, ele garantiu que preferiria associar a imagem da companhia à da “família tradicional”. O estrago estava feito. Ao redor do mundo, consumidores convocaram um boicote à marca. A empresa tomou um susto. Cuidou de ir a público duas vezes para se retratar. Internamente, a Barilla se mobilizou. Criou um comitê de inclusão e diversidade. E, no ano seguinte, conquistou um lugar na lista da americana Human Rights Campaign (HRC), poderoso grupo de defesa dos direitos civis LGBTQ+, Guido fez o mea-culpa: “Todos nós aprendemos muito sobre a real definição e significado de família”.

Mais recentemente, no final de junho passado, um funcionário da Votorantim Cimentos publicou uma página da fintech Nubank, no LinkedIn: “Líder é líder, independente escolha sexual. Ter um líder LGBT é de uma idiotice sem tamanho”. Cretinice é escancarar o preconceito e achar que sexualidade se esconde. Obviamente, a grita foi geral. O rapaz foi demitido e a Votorantim, em nota, explicou que aquele comportamento fere o código de conduta da empresa.

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MARKETING DE CAUSA

Há basicamente duas formas (excludentes, diga-se) de conduta dos negócios rumo ao engajamento. A mais comum é pelo chamado marketing de causa. Ou seja, a companhia defende um posicionamento que, sabidamente, tem a ver não só com seu propósito, mas com o de seus clientes também. Um exemplo clássico no Brasil de marketing de causa é o da Visa. “O propósito da marca é conectar pessoas”, define Fernanda Teles, 52 anos, CEO da empresa de cartões no Brasil. São 3,5 bilhões de consumidores no mundo. 55 milhões de estabelecimentos e 16 mil instituições de pagamento. Como impactar a sociedade por intermédio do eco sistema dos meios de pagamento.

Dessa provocação surgiu, há cerca de um ano e meio, o Visa Causas. “Depois de várias pesquisas, de olhar para as necessidades do país e avaliar os oito objetivos da ONU para 2030, nós optamos por cinco causas”, diz Fernando. “Crianças e adolescentes, idosos, animais e educação e capacitação, representadas por 17 instituições.” Quem decide a causa da Visa é o cliente. Para a transação ser feita por meio dos cartões de crédito, débito ou pré-pago, a empresa destina um centavo para a entidade da preferência do cliente. “A empresa conecta a pessoa com a causa que ela julga relevante”, explica o CEO. E o que a Visa ganha com isso?

Ao apelar para as crenças de seus clientes, ao incentivá-los a fazer o bem, a empresa espera que eles usem mais e mais o pagamento eletrônico. “Eu quero que as pessoas paguem o cafezinho, o pão, o metrô com o plástico”, resume o executivo. Nesse momento, ganhar mercado é essencial. Com previsão de movimentar RS 1,8 trilhão até o 2019, a indústria de meios de pagamento no Brasil passa por transformações profundas. O setor assiste à chegada de fintechs, gigantes de hardware e software e empresas de telefonia. As companhias financeiras tradicionais têm de se mexer para não perder mais espaço. E, como prega a cartilha da economia 4.0, engajar-se em uma ou várias causas pode ser uma ótima estratégia.

O Visa Causas conta atualmente com 150 mil associados. Ainda que a empresa não divulgue a base de clientes no país, é evidentemente um contingente baixo.” Nosso grande desafio é vencer a barreira do cadastramento”, reclama Fernando. A empresa estuda formas mais diretas, simples de o consumidor se inscrever no programa. “0 potencial de doação anual é da ordem de R$ 60/65 milhões”, aposta o executivo. Até meados de junho, o número de doações estava em torno de 76 milhões.

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ATIVISMO CORPORATIVO

Entre as empresas militantes, a métrica é outra. Tomemos a Ben&Jerry’s como exemplo. No Brasil, a causa da fabricante cante de sorvetes é a criminalização da LGBT fobia e a educação para a diversidade. Nas eleições do ano passado, em parceria com a plataforma Me Representa, a companhia apresentou à população os candidatos simpáticos das causas. “Ao final, o que nos interessava era sabe quantas dessas pessoas foram eleitas no Legislativo brasileiro”, comenta Rodrigo Santini, 39 anos, líder da marca. “O palco não é para mim nem para a empresa. É para a causa”, resume. Em 13 de junho passado, o Supremo Tribunal Federa determinou que a discriminação por orientação sobre identidade de gênero passe a ser considerada crime, pela Lei do Racismo.

As empresas militantes não estão preocupadas se as pessoas aceitam ou não sua militância. “Nós não somos misóginos, racistas ou LGBTfóbicos”. Neste espaço, é assim que funciona – e tudo bem se alguém não quiser”, diz Rodrigo. “Todo mundo tem a opção de sair daqui e buscar outra coisa. O consumidor não é a causa de decisão para a empresa pensar suas ações.” Sem dúvida, o ativismo corporativo é uma estratégia de negócios mais arriscada. Vira e mexe, a Ben&Jerry’s sofre ataques nas redes sociais:

– Me desculpem, mas vocês deveriam se limitar a vender sorvete e não ficar falando desses assuntos. Não vou mais comprar o sorvete de vocês.

Ao que a empresa costuma responder:

– Está desculpado.

Na década de 70, os amigos de infância Ben Cohen Jerry Greeafield, ambos com 68 anos hoje, como todos os hippies, queriam mudar o mundo. Mas precisavam de dinheiro para sobreviver. Encontraram uma máquina de sorvete bem baratinha, fizeram um curso por correspondência de apenas US$ 5, juntaram USS 12 mil e assim nasceu a Ben&Jerry’s – em um posto de gasolina na cidade de Burlington, em Vermont. “Ninguém precisa de sorvete. Sorvete é legal, é bom, mas não é necessário”, costuma dizer Jerry. “O mundo precisa de mais compaixão”. Se no Brasil, a causa é a do movimento LGBTQ+, nos dos Unidos, com o slogan “Black lives matter”, critica a violência policial contra a população negra. E na Europa coloca-se ao lado dos imigrantes. Comprada em 2000 Unilever, a Ben&Jerry’s está em 27 países, com cerca de 600 pontos de venda. Seu faturamento global gira em torno de US$ 1 bilhão.

Recentemente, a indústria de sorvetes foi sacudida nos Estados Unidos pela chegada ao mercado da Top. Fundada em 2011, tem um apelo irresistível nos dias atuais. Com o slogan “Cuilt-free zone”, a Halo Top vende a ideia de que é possível ser saudável sem se abster dos prazeres à mesa. Com dificuldades para controlar as taxas de açúcar no sangue, Justin Woolverton, 39 anos, advogado e especialista em marketing digital, desenvolveu na cozinha de sua casa, em Los Angeles um sorvete de baixíssimas calorias, com quantidades reduzidas de açúcar e gordura, se comparadas às marcas tradicionais. Em apenas oito anos, os americanos levaram a Halo Top à sexta posição entre os sorvetes mais consumidos, o que equivale a 3,7% do mercado, segundo o Euromonitor, superando inclusive a Hangen Dazs e Ben&Jerry’s.

Poucas marcas superam a Patagônia em militância corporativa. Fundada na virada das décadas de 60, 70, pelo ambientalista Yvon Chouinard, hoje com 80 anos, a empresa sugere aos consumidores que evitem o consumo exagerado – mesmo o de seus produtos. Um clássico foi do Black Friday americano de 2011. Naquela tradicional sexta-feira de novembro, em que as pessoas saem de casa enlouquecidas para comprar, a Patagônia em um anúncio de página inteira no The New York Times estampou a foto de uma de suas jaquetas, acima da qual se lia: “Não compre essa jaqueta”. Em suas etiquetas a empresa costuma provocar: “Você realmente precisa disso?”.  A Patagônia se propõe a consertar roupa para que as pessoas não comprem novas. Faz a intermediação na doação e troca de peças usadas. E se o produto realmente estiver sem condições de uso, a empresa dispõe a buscá-lo e reciclá-lo.

INOVAÇÃO E RETENÇÃO DE TALENTOS

Ao abraçar uma causa, uma empresa também ganha (e muito) da porta para dentro. Na imensa maioria dos casos, funcionários se sentem bem trabalhando onde trabalham. Sentem orgulho. Em todas as organizações, não importa a indústria, sentimentos positivos como esse reduzem o turnover e atraem novos talentos.

Um fato interessante aconteceu na consultoria de software ThoughtWorks. Por meio do programa Enegrecer a Tecnologia, a empresa busca aumentar a participação de desenvolvedores negros em seu quadro de funcionários. O projeto é resultado de um trabalho intenso de conscientização dentro da ThoughtWorks. Dos 600 funcionários da empresa, em 2017, 13% se declaravam negros. No ano seguinte, 18%. Esse aumento, porém, não se deveu somente as políticas de equidade racial. ”Algumas pessoas, entram na ThoughtWorks, não se enxergam como negras”, conta Renata Gusmão, 30 anos, diretora de Justiça Social e consultora sênior da empresa. “A partir dos programas de conscientização, compartilhamento de histórias pela representatividade, elas começaram a se identificar, se reconhecer como pessoas negras, com maior compreensão da importância de sua presença nesse ambiente”.

Uma empresa onde os funcionários estão livres para ser quem são é, naturalmente uma empresa mais produtiva e inovadora. Não se trata, portanto, de assistencialismo, tampouco caridade. É incentivar as pessoas para que elas cheguem a seu potencial máximo. Nesse sentido, uma iniciativa interessante é a da fabricante de computadores Dell.

Em parceria com a Universidade Estadual do Ceará, foi criada o Le@d, centro de pesquisa e inovação dedicado a desenvolver sistemas para aumentar a empregabilidade e a produtividade de pessoas com deficiência. “Nós queremos que as pessoas prosperem por meio da tecnologia”, diz Eder Soares, 36 anos, gerente de projetos de inovação da Dell e líder do Le@d. Por enquanto, as criações do laboratório ficam na Deli, mas a ideia, no futuro, é que elas sejam oferecidas no mercado. Da sede em Fortaleza, por exemplo, já saiu um programa que permite aos surdos testar a caixa de som dos computadores. Uma outra linha de pesquisa investiu na criação de um dicionário que traduza para a linguagem dos sinais palavras do universo tech. Como se representa ”algoritmo” em libras? E “Java”? Um dos projetos que mais entusiasmam os pesquisadores atualmente é o desenvolvimento de um exoesqueleto que permita aos cadeirantes trabalhar de pé, na linha de montagem dos computadores.

Como diz Rosi Teixeira, 42 anos, consultora de desenvolvimento principal da ThoughtWorks: “Não tem como o mundo ser bacana apenas para mim. Ou a gente vive em uma sociedade bacana para todos ou estaremos fadados a violências cada vez maiores”. Que nos sirva de inspiração.

 

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

Qualificados - Tony Cooke

CAPÍTULO SETE – A COISA CERTA

“Integridade significa que se a nossa vida privada for subitamente exposta, não teremos qualquer razão para ficarmos envergonhados ou embaraçados. Integridade significa que a nossa vida pública é consistente com as nossas convicções interiores.” — Billy Graham

 

Pensamento-chave: Integridade e fidelidade são essenciais para a fundação da verdadeira liderança espiritual.

Ali estava ele, um profeta idoso e grisalho. Seu semblante refletia uma vida inteira de serviço marcado por honestidade e integridade.

Lágrimas podem ter umedecido os seus olhos enquanto refletia acerca de sua jornada ao longo de décadas e falou àqueles a quem havia servido (1 Samuel 12:2-5):

Agora, pois, eis que tendes o rei à vossa frente. Já envelheci e estou cheio de cãs, e meus filhos estão convosco; o meu procedimento esteve diante de vós desde a minha mocidade até ao dia de hoje. Eis-me aqui, testemunhai contra mim perante o SENHOR e perante o Seu ungido: de quem tomei o boi? De quem tomei o jumento? A quem defraudei? A quem oprimi? E das mãos de quem aceitei suborno para encobrir com ele os meus olhos? E vo-lo restituirei. Então, responderam: Em nada nos defraudaste, nem nos oprimiste, nem tomaste coisa alguma das mãos de ninguém. E ele lhes disse: O SENHOR é testemunha contra vós outros, e o Seu ungido é, hoje, testemunha de que nada tendes achado nas minhas mãos. E o povo confirmou: Deus é testemunha.

Samuel tinha completado a sua carreira com as mãos e o coração limpos. Ele resistiu às tentações que todo líder enfrenta e se recusou a perder a sua integridade ou ceder à atração de explorar o povo ou abusar do seu poder.

 INTEGRIDADE E MATEMÁTICA

A palavra “integridade” está realmente relacionada a um termo matemático, “número inteiro”. Um “número inteiro” é um número que não é dividido ou que não contém uma fração. Por exemplo, 2 e 7 são “inteiros”. Já 2/3 ou 5,7 não são. Uma pessoa com integridade, portanto, é uma pessoa que não está dividida; ela é uma pessoa “inteira”. Ela não está vivendo 92% para Deus e 8% no prazer do pecado. Ela não fala a verdade 96% do tempo ou exagera e fala mentira nos outros 4%. Estou ciente de que nenhum ser humano nesta terra é impecavelmente perfeito ou incapaz ou errante, mas uma pessoa de integridade não vive uma vida dupla. Se ela erra em uma área, ela se arrepende, recebe perdão, se corrige e segue em frente. Ela não leva um estilo de vida que é parcialmente comprometida com a santidade e parcialmente não.

Ecoando o legado de integridade de Samuel, Paulo disse:

  • “Acolhei-nos em vosso coração; a ninguém tratamos com injustiça, a ninguém corrompemos, a ninguém exploramos” (2 Coríntios 7:2).
  • “… me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens” (Atos 24:16).
  •  “Vós e  Deus  sois  testemunhas  do  modo  por  que  piedosa,  justa  e irrepreensivelmente procedemos em relação a vós outros, que credes” (1 Tessalonicenses 2:10).

 INTEGRIDADE INFLUENCIA OUTROS

Paulo ensinou que não importa quão alta ou baixa seja a nossa posição na sociedade, todo seguidor do Senhor Jesus Cristo pode ser qualificado ou desqualificado — eficaz ou ineficaz — quando se trata de ser uma boa influência para outros. Vivendo em uma sociedade na qual a escravidão era comum, Paulo instruiu os cristãos escravos a como serem uma testemunha positiva:

Quanto aos servos, que sejam, em tudo, obedientes ao seu senhor, dando-lhe motivo de satisfação; não sejam respondões, não furtem; pelo contrário, deem prova de toda a fidelidade, a fim de ornarem, em todas as coisas, a doutrina de Deus, nosso Salvador. — Tito 2:9-10

A partir desse versículo, concluímos que uma pessoa não precisa ter um alto status na vida ou uma posição ministerial imponente para ter uma influência positiva sobre outros. Não tem nada a ver com o nosso status ou posição; definitivamente, tem a ver com o nosso caráter e conduta.

José é um grande exemplo bíblico de um indivíduo que teve o favor de Deus em sua vida, quando ele era um escravo e um prisioneiro (e, com o tempo, o primeiro-ministro do Egito).  Ele deliberada e intencionalmente manteve a sua integridade diante de Deus, mesmo quando tentado pela esposa de Potifar. José não aproveitou a situação, mas em vez disso, agarrou-se tenazmente ao plano e a vontade de Deus para a sua vida. Ele disse: “… como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?” (Gênesis 39:9).

Daniel é outro exemplo marcante de um homem cuja vida refletia um caráter temente a Deus. Muito antes de ele ser um profeta, era um estudante com convicções santas e fortes. Depois disso, ele serviu como primeiro-ministro de dois impérios diferentes. Suas posições, contudo, não o definiam; seu caráter, sim.

Então, o mesmo Daniel se distinguiu destes presidentes e sátrapas, porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava em estabelecê-lo sobre todo o reino. Então, os presidentes e os sátrapas procuravam ocasião para acusar Daniel a respeito do reino; mas não puderam achá-la, nem culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa. — Daniel 6:3-4

Uma história de origem desconhecida tem circulado em livros de ilustrações para pregações, e agora ela está amplamente difundida pela Internet. Seja essa história verídica ou fictícia, o fato é que ela tem um grande impacto:

Muitos anos atrás, um pregador de fora do Estado aceitou um chamado para uma igreja em Houston, Texas.

Algumas semanas após a sua chegada, ele precisou tomar um ônibus da sua casa para o centro da cidade. Quando ele se sentou, descobriu que o motorista, acidentalmente, lhe dera 25 centavos a mais de troco.

Enquanto considerava o que fazer, pensou: Você deveria devolver os 25 centavos. Seria errado ficar com ele. Então ele pensou: são só 25 centavos! Quem iria se preocupar com esse valor? De qualquer maneira, a companhia de ônibus já arrecada muito dinheiro; jamais sentirão falta disso. Aceite isso como um presente de Deus e fique quieto.

Quando chegou ao seu ponto de descida, ele parou momentaneamente na porta e disse: “Aqui, você me deu troco a mais”.

O motorista, com um sorriso, respondeu: “Você não é o novo pregador na cidade?” “Sim”, ele replicou.

“Bem, ultimamente tenho pensado muito a respeito de ir a algum lugar para adorar. Eu só queria ver o que você iria fazer se eu lhe desse troco a mais. Eu o verei na igreja no domingo.”

Quando o pregador desceu do ônibus, ele literalmente agarrou-se ao poste mais próximo e disse: “Ó, meu Deus, eu quase vendi o Seu Filho por 25 centavos”.

Ao comentar acerca da influência de David Livingstone em sua vida, Henry M. Stanley disse: “Quando eu vi a paciência incansável e o zelo incansável daqueles filhos iluminados da África, eu me tornei um cristão ao seu lado, embora ele jamais tenha falado uma só palavra para mim”.

Revelando o poder do exemplo, Francisco de Assis supostamente disse: “Pregue o Evangelho em todo o tempo e, se for necessário, use palavras”.

Como embaixadores de Deus na terra, não somos chamados apenas para pregar uma mensagem, mas para conduzirmos vidas exemplares a fim de que, segundo Tito 2:10: “… fazer o ensino sobre Deus nosso Salvador atrativo de todas as formas”.

Seríamos tolos, todavia, em pensarmos que somos aqueles que fazemos as pessoas virem a Deus. Paulo também disse: “Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus” (2 Coríntios 4:5). Ele entendia totalmente que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação (Romanos 1:16). Entretanto, as nossas vidas deveriam expressar a bondade do Evangelho para outros, e não distraí-los dele.

INTEGRIDADE ESTÁ CONECTADA À FIDELIDADE

Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim, que, noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade. — 1 Timóteo 1:12-13

Sabemos que o ministério de Paulo teve a sua origem no chamado e na misericórdia de Deus, mas houve uma resposta na parte de Paulo a qual foi essencial para a sua iniciação e promoção no ministério. Qual foi? Deus considerou Paulo fiel.

Fidelidade é tão importante que Paulo disse: “… é [essencialmente] exigido dos mordomos que um homem seja achado fiel [provando-se digno de confiança]” (1 Coríntios 4:2, AMP). Um mordomo é alguém que gerencia os assuntos de outro, e é exatamente isso que fazemos quando servimos a Deus. Deveríamos vigiar e executar fielmente a obra (Sua obra) que Ele nos atribuiu para fazermos.

Alguns dos sinônimos e palavras atribuídas para “fidelidade” incluem: constante, dedicado, devotado, bom, leal, firme, resistente, fidedigno, confiável, responsável, sólido, experimentado, digno, decidido, determinado, resoluto, entusiasta, fervoroso e impetuoso. Essas são todas boas palavras para descrever o que Deus deseja ver em nossas vidas, à medida que respondemos ao Seu chamado e à Sua Palavra.

Jesus descreveu a natureza essencial da fidelidade em Lucas 16:10-12:

Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. Se, pois, não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta, quem vos confiará a verdadeira riqueza? Se não vos tornastes fiéis na aplicação do alheio, quem vos dará o que é vosso?

Existem três áreas distintas em nossas vidas onde Deus procura por fidelidade:

1. NAS PEQUENAS COISAS (“se for fiel no pouco, você será fiel no muito”). Algumas pessoas acreditam que não há problema em se tornarem fiéis apenas quando Deus lhes der uma tarefa realmente grande e importante. Com base nesse raciocínio, elas acreditam que está tudo bem dispensar um esforço mínimo ou ser pouco dedicado a uma tarefa caso ela não pareça assim tão grande ou interessante. Contudo, muito ao contrário, Jesus disse que é vital, para nós, sermos fiéis mesmo nas pequenas coisas e que a nossa fidelidade nas coisas pequenas indica que seremos fiéis nas responsabilidades maiores. Alguém disse: “Deus não tem um campo maior para o homem que não é fiel fazendo a obra onde ele está”.

2. NAS COISAS PRÁTICAS OU NATURAIS (“… se você é desonesto nas riquezas naturais, quem irá confiar a você as riquezas do céu?”).

Fidelidade se aplica muito mais do que simplesmente a coisas consideradas espirituais ou religiosas. Jesus se refere especificamente a riquezas materiais e firmemente implica que exercer boa administração no que tange a coisas naturais é um pré-requisito para que alguém seja encarregado de coisas espirituais. Se as pessoas são descuidadas e imprudentes ao lidar com o seu dinheiro, então isso é um indicativo de como elas lidariam com as riquezas espirituais.

3. NAS COISAS QUE NÃO SÃO SUAS (“… se você não é fiel com as coisas das outras pessoas, por que você seria confiável com as suas próprias coisas?”). Algumas pessoas expressam um desejo pelo seu “próprio” ministério, mas como elas têm se comportado ao ajudar outra pessoa a cumprir a tarefa que Deus lhe tem confiado? O que realmente importa não é se eu estou no comando, mas que a vontade de Deus seja realizada. Se isso significa assumir um papel de apoio, então deveríamos estar tão entusiasmados e comprometidos como estaríamos se fôssemos os líderes “principais”.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CREPÚSCULO DA VIDA

Hermann Hesse contemplou a melhor idade transformando suas observações sobre o processo de envelhecer em poesia. É o que acontece na obra Com a Maturidade fica-se mais jovem

Crepúsculo da vida

O que poderá dar sentido ao envelhecer? Uma parte da psique faz-nos ater aos médicos e as máquinas, que fazem diagnósticos para determinar as possibilidades biológicas do ainda viver; a outra faz-nos olhar para as estrelas e projetar nelas nossa essência transcendente. É a ideia de totalidade, objeto de revelações místicas. Que parte será útil para nos conduzir à maturidade?

Desde os 43 anos, o Nobel de Literatura Hermann Hesse produziu textos sobre o crepúsculo da vida. Seus escritos foram reunidos em uma obra lançada no Brasil, intitulada Com a Maturidade Fica-se mais Jovem. Ele faleceu aos 85 anos, enquanto dormia, e seu último trabalho foi um poema dedicado a uma velha árvore, que não sabia se chegaria a ver a próxima estação. A escolha de Hesse foi a de contemplar as estrelas, o que foz das suas observações sobre o envelhecer uma poesia.

A época da Primeira Guerra, Hesse faz um processo psicoterapêutico com J. B. Lang, que aplicava o método junguiano. Tempos depois, tornou-se cliente do próprio C. G. Jung. Daí utilizar-se em sua obra dos conceitos dessa psicologia. Ele definiu para o escritor chileno Miguel Serrano que “Morrer talvez seja ir para o Inconsciente Coletivo, perder­ se, para dali retornar um dia à forma, às formas…”.

Inconsciente são atividades mentais, que estão conduzindo nossos atos, sem que tenhamos consciência dessas ações. No entanto, para a psicologia de C. G. Jung, há uma camada de inconsciência mais profunda, que é uma condição inata, em que todo ser humano se predispõe a realizar tudo o que é próprio da espécie. Ele denominou esse conceito de Inconsciente Coletivo.

É no Inconsciente Coletivo que encontramos a sabedoria dos nossos antepassados e a dos antepassados do mundo; talvez, do universo. Em todas as gerações, os temas se repetem coloridos, de acordo com as experiências do espírito do tempo. A essas unidades temáticas que compõem o Inconsciente Coletivo, Jung chamou de Arquétipos. Desses, ele destacou o Self; o arquétipo da totalidade, que faz o homem ter necessidade de criar uma imagem que possa compor a ideia de Deus. Esse “EU” é como um centro divino, um círculo imaginário, que transcende o que é circunscrito. É o ilimitado que se relaciona com o limitado, uma analogia com o Deus que se relaciona com o homem. É como uma voz interior, que nos indica o que deve ser vivido. Amadurecer é saber dialogar com esse Self e segui-lo em suas mensagens – só quem puder ler o silêncio e entregar-se aos enigmas das figuras da imaginação poderá entender seus desígnios.

O Self, ao se fazer carne, ter um corpo, cria a consciência de um “Eu” para que ele possa atuar. Esse “Eu” é o limitado, que pode se relacionar com as experiências desse corpo, guardadas em uma estrutura imaginária, que Jung chamou de Inconsciente Pessoal.

Enclausurado nesse corpo, que segue as leis da biologia, o “Eu” se relaciona com o Self por meio de rituais e imagens, que chamamos de Símbolos, aquilo que une o desconhecido ao conhecido, o ilimitado ao limitado. Então, uma parte da psique é literal (o “Eu”, o circunscrito) e a outra (a relação desse “Eu” com o Self) manifesta-se de forma simbólica. É dessa maneira simbólica que Hesse pode dizer: “Amanhã ou depois, em breve, serei folha, terra e raiz, não mais escreverei palavras em folhas de papel, não terei mais no bolso a conta do dentista…” É como se dissesse que o “Eu” irá se dissolver no Self: como uma gota d’água no oceano. Ele deixará de existir apenas em sua individualidade, mas continuará o Self na condução de outros humanos.

O “Eu” se manifesta dividindo o mundo em bem e mal, claro e escuro, bom e ruim, enquanto o Self tem a unidade do seu centro. O amadurecer saudável é também romper com esse modo unilateral de enxergar o mundo. Brincar de casinha e falar com pedras, como fez Jung, são a coragem de deixar virem as fantasias para seguir e criar com a segurança de um “Eu” forte que, em lugar de ser invadido pelo inconsciente e se dissolver na loucura, permite ao indivíduo uma saudável adaptação ao mundo. Uma semente desempenha seu papel, de chegar ao cumprimento das leis biológicas – e, talvez, deixar outras sementes para continuarem a sua criação -, quando não é pisoteada por um animal. Assim, o Self carnal e cósmico tem a potencialidade de construir nossa personalidade, o que nos leva a ser íntegros. Enquanto o “Eu” quer entender se o universo se foz por necessidade ou por acaso – ou o que há depois da morte -, o Self já tem em si todos os segredos do universo e não precisa dessas respostas. As silhuetas das pessoas que existiram continuam vivas para nós, congeladas naquela imagem que vimos pela última vez, muitas vezes aparecendo em nossos sonhos sem rosto ou em nossas lembranças como quem foge de ser retratada. Sua voz ficou longe, suas maneiras não se mostram e tudo ficará envolvido em saudades. Porém, como diz Hesse, por meio do pensamento, da exata lembrança e da reconstrução do ente querido em nosso íntimo, poderemos fazer o morto permanecer ao nosso lado e sua imagem, preservada, nos ajudará a sublimar a dor.

Olhar a vida apenas com o “Eu” é assombrar-se com a decadência biológica no cumprimento de uma sina, enquanto a visão do “Eu”, na relação com o Self ou o modo simbólico de perceber a vida, é ser contemplativo e, como aquela folha que amareleceu balança suavemente, até flutuar aos cuidados de uma corrente de vento, que delicadamente a pousa ao chão.

Crepúsculo da vida. 2

OUTROS OLHARES

SOM INTELIGENTE

Máquinas assumem funções criativas na música e anunciam os novos tempos

Som inteligente

Em 2017, a cantora e youtuber Taryn Southern, que fizera parte do programa American idol, ganhou enfim seu bom quinhão de celebridade ao anunciar que tinha gravado o primeiro álbum musical feito inteiramente com inteligência artificial (IA): IAM AI. De lá para cá, o que pertencia ao território da ficção científica entranhou-se ainda mais no cotidiano, e o que se vê em 2019 é uma enxurrada de exemplos de como as máquinas podem assumir tarefas criativas que desafiam os limites até mesmo dos mais talentosos e – capacitados músicos de carne e osso – e não só no pop.

Com a ajuda de um programa de IA que roda em seu telefone celular chinês Huawei, o compositor de trilhas para cinema Lucas Cantor, radicado em Los Angeles, conseguiu terminar e mostrar em maio a Sinfonia nº 8 que o compositor austríaco Franz Schubert (1797- 1828,) um gênio da música, havia abandonado em 1822, após escrever apenas seus dois primeiros movimentos. O aparelho “estudou” toda a obra de Schubert para “entender” seu pensamento e prever melodias que ele poderia usar. Por outro lado, o projeto Magenta,  do Google – uma das iniciativas de ponta no uso de IA para fazer música, ao lado do Flow Machines da Sony e da startup britânica Jukedeck -, apresentou em março um artifício visual e musical muito especial para celebrar o aniversário de um dos pais da música ocidental,  Johann Sebastian Bach (1685- 1750): quem tocasse uma melodia no teclado virtual da  página de abertura do Google no dia 21 daquele mês poderia ouvi-la harmonizada como um  coral bachiano. A máquina foi alimentada com mais de 300 obras do compositor para poder realizar com êxito a sofisticada e encantadora brincadeira.

“Nos últimos dois ou três anos, vimos numerosas conquistas sobre música e inteligência artificial sendo reivindicadas, como ‘a primeira música pop composta com IA’ e ‘a primeira obra de orquestra sinfônica escrita com IA’. Espero que já estejamos passando dessa fase, porque no fim não se trata de ser o primeiro, e sim de construir uma tecnologia duradoura”, defendeu, em entrevista, Douglas Eck, pesquisador de computação da equipe do Google Brain, que coordena o Magenta. “Estamos vendo essa experimentação acontecendo agora, com artistas como a banda pop de Los Angeles YACHT. Eles passaram muito tempo trabalhando com ferramentas do projeto Magenta e descreveram quanto gostaram de passar da etapa ‘novidade’ – ‘Isso é estranho e legal’ – para a fase de ‘domínio’ – ‘Essa é uma ótima ferramenta para fazer música’.”

Enquanto o Google ia por um lado, o professor de computação da Goldsmiths University of London Mick Grierson trabalhava na criação de um sistema com o qual pudesse treinar uma inteligência artificial a fim de que ela gerasse novas gravações a partir de coleções de gravações existentes.

Um dos interessados no projeto foi o grupo inglês Massive Attack, um dos grandes nomes mundiais da música eletrônica, que confiou a Grierson um de seus álbuns mais famosos, Mezzanine, de 1998. O resultado, gestado pelo pesquisador e por Robert dei Naja, integrante do grupo, está em exposição até o dia 26 de agosto no Barbican, centro de artes em Londres: é o Mimic, programa que usa IA para criar remix do disco. “Nos primeiros dias de desenvolvimento, tudo que saía soava como ruído branco”, contou Grierson. “Muito esforço foi feito para projetar uma IA que pudesse gerar um sinal de áudio em qualidade de CD – essa era uma ideia totalmente nova na época. Nossos primeiros experimentos eram muito barulhentos, semelhantes aos criados pelo Google e por outros. No entanto, trabalhando de uma maneira um pouco diferente, conseguimos melhorar muito a qualidade. Se você colocar Jimi Hendrix no gerador, vai sair algo como Mezzanine’. Isso é bem legal, já que você pode, teoricamente, criar sua própria música e reconstruí-la por meio do som do Massive Attack.”

Idealizador, com o parceiro Oded Ben-Tal, do Folk-RNN – um gerador de música folclórica de uma rede neural recorrente (RNN) -, o estudioso Ben Strum contou que há quase 60 anos a inteligência artificial tem sido aplicada de várias maneiras à música. “Um dos primeiros exemplos é o concerto de cordas (criado em 1957 por um supercomputador de uma universidade de Illinois e considerado a primeira composição de uma máquina eletrônica)”, ilustrou Strum.

“Como ferramenta, a IA traz diferentes possibilidades de expressão. Ela pode ser vista como um aspecto da prática mais ampla da ‘composição algorítmica’, em que a música é criada por meio da aplicação de procedimentos ou instruções computacionais.

Que o diga a americana Holly Herndon, produtora de renome no pop experimental que chamou a atenção do mundo em maio deste ano ao lançar o álbum Proto, o primeiro no qual trabalhou com inteligência artificial. Artista que já abriu shows do Radiohead e que tem ph.D. em composição na Universidade de Stanford, ela construiu, com o especialista em computação Jules LaPlace, um sistema de IA chamado Spawn. Ele pode imitar, interpretar e desenvolver ideias musicais, muitas vezes revelando elementos em suas composições que ela mesma desconhecia.

“Trabalhar com IA me fez apreciar o corpo humano; nós somos sensores incríveis. Nossos olhos e ouvidos e todas essas coisas que você não pode incluir em um arquivo de mídia… realmente fazem você apreciar seu próprio saco de carne”, comentou a artista em entrevista ao jornal inglês The Guardian. “Eu não quero recriar música, quero é encontrar um novo som e uma nova estética. A principal diferença é que vemos o Spawn como um membro do grupo, em vez de um compositor.”

Holly Herndon é muito crítica em relação às iniciativas comerciais voltadas para o uso de IA na música, como a alemã Endel, que neste ano se tornou o primeiro aplicativo a ser contratado por uma gravadora, a Warner Music. Ele cria paisagens sonoras personalizadas para os usuários, dependendo de suas necessidades, seja para relaxar ou se concentrar, usando dados como a hora do dia e o clima para direcionar os sons. “Aquilo é tipo: como faço para o sistema compor uma partitura de Hans Zimmer para mim, sem que eu precise pagar a um artista?”, disse Herndon ao Guardian.

Para Oded Ben-Tal, do Folk-RNN, a evolução da tecnologia fez com que hoje, pela primeira vez, as empresas possam ver oportunidades comerciais no uso da IA para produzir música. Mas, segundo ele, nem tudo o que sai dali é muito musical. “O que quero dizer é que, quando as pessoas veem o potencial, às vezes ignoram problemas significativos. Nem tudo que parece ou soa superficialmente como outras músicas é valioso”, advertiu Ben-Tal.

Há, porém, quem consiga dar a esse resultado pouco valioso de uma pesquisa séria um sentido bem-humorado. No YouTube, un1a das sensações roqueiras deste ano é o Relentless Doppelganger, uma rede neural programada para gerar uma trilha de death metal 24 horas por dia, sete dias por semana. É o trabalho dos especialistas em tecnologia musical CJ Carr e Zack Zukowski, do projeto Dadabots, que vêm experimentando há anos como fazer com que uma IA produza música que soe consistente aos ouvidos. “Gêneros musicais como o metal e o punk parecem funcionar melhor com o gerador, talvez porque os estranhos resultados da síntese neural (ruído, caos, mutações grotescas da voz) são esteticamente agradáveis nesses estilos”, escreveram eles na tese Generating albums with Sample RNN to imitate metal rock, and punk bands (Gerando álbuns com Sample RNN para imitar bandas de metal, rock e punk). No último dia 13, os Dadabots lançaram Outerhelios, gerador de rede neural mais avançado, que produz uma trilha interminável de free jazz, a partir de Interstellar space, disco que o saxofonista John Coltrane gravou em 1967, ano de sua morte. “Alguns dos resultados soam como um massacre de bebês elefantes. Alguns são melodias próximas do álbum original. Alguns são longos solos de bateria. Alguns soam como gansos raivosos. Mas a variedade com curadoria faz com que ele seja melhor que o de death metal”, disseram CJ e Zack.

E, nesse ponto da evolução tecnológico­ musical, surge uma questão importante, levantada em abril pela revista The Verge: Se a IA é capaz de fazer música, isso faz dela um artista também? Ou então: deveria o artista original, cujo estilo está sendo usado para treinar a máquina, ter direitos de propriedade intelectual sobre a gravação resultante?

Mick Grierson opinou: “Existe habilidade em treinar uma máquina, mas se você o faz usando o material de outra pessoa sem permissão, ela pode e deve reclamar seus direitos de propriedade sobre seu modelo”. E Oded Ben-Tal vai adiante: “Talvez a lei precise ser atualizada para refletir as mudanças tecnológicas. Mas vale a pena considerar qual é o propósito dos direitos autorais. Atribuir propriedade destina-se a permitir que o artista produza um trabalho de forma independente. Assim, não faz sentido conceder royalties à máquina! Os programadores certamente merecem ser pagos, mas não sei se os direitos autorais são o mecanismo correto para isso.

Muito do que pode acontecer no futuro nas relações entre música e inteligência artificial ainda é um mistério. “Mas não acredito que as máquinas vão pensar ou tocar como músicos, pelo menos não em um futuro próximo”, arriscou Douglas Eck. “E por quê? Porque a música é uma forma de arte completa e, portanto, um reflexo de toda a profundidade e amplitude do conhecimento e da criatividade humana. Nosso objetivo principal é inventar maneiras interessantes de expandir nossa criatividade. Isso faz parte de uma longa história da tecnologia que permite a criação de música Acho que em paralelo também veremos novas ferramentas para aprender a escrever e tocar música. Nós mal arranhamos a superfície do potencial da IA para ajudar novos músicos a aprender seu ofício.”

GESTÃO E CARREIRA

O PEQUENO GRANDE MEI

Cresce o número de redes de franquias que investem no formato de microempreendedor individual, levando menos burocracia e mais praticidade aos empresários

O pequeno grande MEI

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego atinge, atualmente, mais de 13 milhões de brasileiros, parcela da população que busca alternativas de fonte de renda que sejam acessíveis e que as atendam em relação a faturamento, fazendo com que cresça o número de microempreendedores individuais (MEls). O programa, que em 2019 completa dez anos, foi lançado para incentivar a formalização de pequenos negócios e trabalhadores autônomos, fechando o primeiro trimestre de 2019 com mais de 8 milhões de cadastros, segundo dados do Portal Empreendedor do Governo Federal. Somente nos últimos cinco anos, o período pré-recessão, o número de MEis no País cresceu mais de 120%, sendo 379 mil novos cadastros na modalidade somente nos três primeiros meses deste ano.

Vislumbrando a oportunidade e a necessidade do mercado, o franchising enxergou no modelo microfranquia, ou modelos de baixo investimento, a possibilidade de permitir que seus franqueados ou novos entrantes operem unidades como microempreendedor individual, buscando reduzir ao máximo o custo operacional dos franqueados, favorecendo assim uma lucratividade maior.

É o caso da Aloha Viagens, agência e operadora de turismo, que opera como franquia desde 2015 e possui mais de 200 franqueados – a modalidade, cuja principal função é diminuir a formalidade, dá incentivos fiscais a empresas que faturam até R$81 mil por ano. “O número de pessoas que desejam empreender vem de uma crescente orgânica; quando um franqueado começa como MEI, ele possui maior segurança e ajuda na expansão da rede”, afirma a diretora da Aloha Viagens, Claudia DelValle.

A principal vantagem de ser MEI é que o franqueado pode emitir sua nota fiscal, receber seu comissionamento e ficar isento de imposto até um teto delimitado pelo governo – onde se enquadram 99% dos franqueados da rede. “Resolvemos ingressar nessa modalidade, pois fomos sentindo a necessidade de novos franqueados emitirem as notas (nossos franqueados só recebem o comissionamento na Aloha após emissão de nota fiscal). E o MEI nos ajuda a regulamentar a situação de quem não possui empresa, mas quer empreender”, comenta Claudia.

Para ela, a única dificuldade em relação ao MEI fica nas legislações locais de prefeituras e municípios, em vista que cada lugar possui um processo de adesão e nem sempre há clareza nisso. “E agora há a questão da certificação on-line, onde somente o franqueado pode tirar seu registro. Antigamente nosso escritório de contabilidade fazia a assessoria e até mesmo a solicitação. Hoje, apenas o solicitante consegue fazer esse processo”, lembra a diretora da Aloha Viagens.

 FONTE DE RENDA

Também na área de turismo, a agência de viagens Vai Voando tem 60% dos franqueados da rede como MEIs, entre eles, empresários que estão montando pela primeira vez o seu próprio negócio. “O empresário começa um negócio formalizado – se ele não tem CNPJ, o processo de abertura pode ser feito pela internet, é gratuito e ele sai com a inscrição jurídica na hora, sem precisar pagar taxas de registro. Além da facilidade e custo, o processo é mais ágil e menos burocrático”, pontua Luiz Andreaza, diretor da Vai Voando. ”A única desvantagem é que existe a limitação de um funcionário e tem expansão limitada, ou seja, se ele atingir o limite de faturamento, deverá se enquadrar em um novo regime empresarial”, explica.

Na Vai Voando, o modelo de negócio e os produtos são voltados a consumidores das classes C, D e E, com foco de serem abertos em comunidades e periferias, ofertando aos clientes acesso a transporte aéreo (nacional), rodoviário e hoteleiro com benefícios do sistema de compra pré-paga, sem burocracia e sem comprovação de renda. “Pode ser mais uma fonte de renda e também pode ser vista como um respiro nos tempos atuais, em que números de desempregados do País crescem”, diz Andreaza.

INÍCIO PROMISSOR

Para Willian Tâmara, sócio-fundador da rede especializada em impermeabilização de estofados Doutor Sofá, o sistema MEI é um dos principais requisitos procurados pelos novos franqueados e uma grande solução para empreendedores que estão iniciando. “Com essa tributação, o franqueado tem uma série de vantagens em relação à abertura de outros tipos de empresas, por exemplo, o pagamento de um único imposto mensal fixo, que hoje fica em média de R$52,00. Além disso, o franqueado não precisa contratar um contador para cuidar das suas obrigações mais comuns – tudo pode ser resolvido pela internet:”, explica.

E, por atender, na grande maioria, clientes residenciais (pessoa física), o processo fica ainda mais simplificado e de menor custo. “Com a maturação de cada unidade franqueada, existe a necessidade de ampliar a equipe de atendimento, e quando o faturamento da unidade franqueada cresce, automaticamente a empresa passa a se enquadrar na alíquota do Simples Nacional. Por isso, vemos o MEI como uma grande solução para empreendedores que estão iniciando”, diz Tâmara, cuja rede está presente em mais de 120 cidades, com planos para expandir para Uberlândia, Uberaba, Patos de Minas, Araguari, Ituiutaba, Araxá e Patrocínio, em Minas Gerais.

BENEFÍCIOS

A rede de alimentação saudável Mr. Fit criou o modelo de freezer Mr. Fit Home, há dois anos, como opção além dos modelos de loja e quiosque, no qual o microfranqueado recebe um freezer e todas as refeições prontas para a venda, além de banners e cardápios, acesso facilitado a créditos em bancos – no estado de São Paulo, o Mr. Fit fechou parceria recentemente com o Banco do Povo para crédito aos microfranqueados, com o parcelamento de 100% da microfranquia – e a isenção de royalties.

Hoje, cerca de 12% dos franqueados de toda a rede são MEI, uma opção de negócio mais enxuto, que pode ser até utilizado como segunda fonte de renda, atendendo a uma demanda crescente de pessoas que buscam por uma alimentação saudável. “Nessa faixa de tributação, o microfranqueado tem acesso a vários benefícios da previdência social (INSS), como auxílio-doença, aposentadoria por idade e salário-maternidade, tudo isso a um custo  menor do que outros tipos de negócios: enquanto o MEI tem esses benefícios pagando  apenas 5% de um salário mínimo mensalmente, qualquer outro franqueado precisa pagar 11% de um salário para ter acesso aos mesmos direitos. É mais que o dobro!”, destaca a fundadora e CEO da rede Mr. Fit, Camila Miglhorini.

No caso de contratação de funcionário, que deve ser restrito a uma pessoa, Camila Miglhorini explica que o microfranqueado deve pagar até um salário mínimo por mês, e só vai precisar pagar 11% sobre o salário em impostos: 3% para a Previdência e 8% para o FGTS.

No caso de microfranquias, vale lembrar que nesses modelos não é necessário ter ponto comercial – o microfranqueado pode trabalhar no sistema Homebased ou ainda colocar o freezer em comércios parceiros como academias, clínicas, salões e afins. Ainda pode vender através de aplicativos de delívery, com os quais a franqueadora já possui parceria.

INVESTIMENTO MENOR

O modelo tem potencial e demandam ainda mais em tempos de crise econômica e baixa de emprego. Em resposta, a The Kids Club, de terceirização de ensino de inglês para crianças de até 12 anos, viu o microempreendedor como o caminho principal para sua rede. Para a sócia-fundadora e CEO, Sylvia de Moraes Barros, os planos sempre foram de se iniciar como microempresa, enquadrados, inclusive, na Associação Brasileira de Franchising (ABF) como microfranquia através do modelo que permite o início de um negócio com investimento total a partir de R$23 mil, em cidades menores, tanto no interior como no litoral, que hoje apresentam grande defasagem no ensino de inglês para crianças.

“Ofertam os essa proposta com investimento inicial mais acessível e compatível com o mercado local, voltados para implantação em municípios brasileiros com cerca de 50 mil habitantes. Mas, dependendo do potencial da cidade, ele pode ter um número de alunos relevante de maneira que precise contratar mais de um professor”, explica Sylvia.

Como a maioria dos franqueados tem na The Kids Club a oportunidade de iniciar no empreendedorismo através da microfranquia, a rede oferece um treinamento completo nas áreas administrativa, financeira, de marketing e de negociação, para que o microempreendedor entenda seu papel como empresário, conheça suas responsabilidades e possa lidar com os desafios do dia a dia.

O pequeno grande MEI. 2

ALOHA VIAGENS

Fundação: 2014 • Início no franchising: 2015 • Números de unidades (próprias e franqueadas): 200 • Investimento inicial: a partir de R$3.320 mil • Taxa de franquia: a partir de R$3.320 mil • Capital de giro: não informado • Royalties: R$100 • Taxa de publicidade: não é cobrada • Faturamento bruto: não divulgado • Faturamento médio mensal: R$30 mil  • Prazo de retorno do investimento: de 3 a 12 meses • Contato: www. alohaviagens.com.br

VAI VOANDO VIAGENS

Fundação: 2009 • Início no franchising: 2019 • Números de unidades (próprias e franqueadas): 48 franquias  (29 são MEI) • Investimento inicial: a partir de R$3 mil • Taxa de  franquia: R$2 mil • Capital de giro: R$10 mil • Royalties : R$500 para faturamento inferior a R$1 mil  e zero para faturamento superior a R$1mil • Taxa de publicidade: não é cobrada      • Faturamento bruto: R$327 milhões (em 2018) • Faturamento médio mensal: não divulgado • Prazo de retorno do investimento: a partir do 8º mês • Contato: http://www.vaivoando.com.br

DOUTOR SOFÁ

Fundação: 2013 • Início no franchising: 2015 • Números de unidades (próprias e franqueadas): 45 • Investimento Inicial: a partir de R$28 mil (com taxa de franquia) • Taxa de franquia: variável a partir da população da área de atuação, com opções a partir de R$24 mil  • Capital de giro: não divulgado • Royalties: taxa a partir de R$500 • Taxa de publicidade: isenção temporária • Faturamento bruto: não divulgado • Faturamento médio mensal: variável • Prazo de retorno do investimento: de 6 a 12 meses • Contato: http://www.doutorsofa.com.br

 MR. FIT

Fundação: 2013 • Início no franchising: 20J4 • Números de unidades (próprias e franqueadas): 17 • Investimento Inicial: a partir de R$12 mil • Taxa da franquia: não há           • Capital de giro: não divulgado • Royalties: não há • Taxa de publicidade: não há                    • Faturamento bruto: não divulgado • Faturamento médio mensal: de R$1 mil a R$6 mil         • Prazo de retorno do investimento: de 6 a 24 meses • Contato: http://www.redemrfit.com.br

THE KIDS CLUB

Fundação: 1986 (Inglaterra); 1994 (Brasil) • Início no franchising: 1990 • Números de unidades (próprias e franqueadas): não divulgado • Investimento inicial: R$23,5 mil • Taxa de franquia: R$12,5 mil • Capital de giro: não divulgado • Royalties: 12,5% • Taxa de Publicidade: não há • Faturamento bruto: não divulgado • Faturamento médio mensal: de R$10 mil a R$12 mil • Prazo de retorno do investimento: de 18 a 24 meses •Contato: www.thekidsclub.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

Qualificados - Tony Cooke

CAPÍTULO SEIS – É AO VIVO OU É MEMOREX?

“Para mim não foi a verdade que você ensinou, para você tão clara e para mim tão obscura. Mas, quando você veio para mim, você trouxe uma percepção Dele.” — Beatrice Clelland, “Retrato de um Cristão”

Pensamento-chave: Nós somos chamados para refletir o caráter de Cristo, mas jamais deveríamos evitar as nossas responsabilidades por esperar que Deus faça todas as coisas que Ele nos disse para fazer.

 

Lembro-me de um comercial de televisão da Memorex, uma companhia que criou as fitas cassetes de áudio. Um copo de vidro era mostrado sobre uma mesa, enquanto se ouvia a voz de Ella Fitzgerald cantando. Quando certa nota era atingida, o copo se estilhaçava e o telespectador era indagado: “É ao vivo ou é Memorex?” O ponto principal da questão é que a qualidade dos seus produtos era tão elevada que as gravações nas fitas eram essencialmente indistinguíveis da voz ao vivo.

Isso me fez considerar qual a “qualidade de reprodução” que está havendo em nossas vidas. É possível, para nós, estarmos tão cheios e transformados pelo Espírito de Deus que o que sai de nós, extraordinariamente reflita a própria natureza de Deus?

Se você parar e pensar a respeito disso, nossa vida deveria ser uma duplicação do Senhor Jesus Cristo.

  • Lucas 6:40 diz: “O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre”.
  • Efésios 5:1, na versão AMP, diz: “Portanto, sejam imitadores de Deus [copiem Ele e sigam o Seu exemplo] como filhos amados [imitadores do seu pai]”.
  • “Aquele que diz que permanece Nele, esse deve também andar assim como Ele andou” (1 João 2:6).

Quando Jesus convocou os Seus discípulos, a Sua prioridade inicial não foi para que eles saíssem e pregassem, mas para que eles estivessem com Ele (ver Marcos 3:13-15). Jesus sabia que a transformação pessoal que eles receberiam, através da comunhão e relacionamento com Ele, seria fundamental para a sua obra futura no ministério. Em outras palavras, Jesus colocou a ênfase primária em quem eles se tornariam, e não simplesmente no que eles finalmente fariam.

Foi por meio do tempo deles com Jesus que os discípulos aprenderam as Suas atitudes, valores e prioridades. Aqui estão apenas alguns dos valores que eles receberam a partir da sua associação com Jesus:

  • Eles aprenderam que não deveriam competir e lutar uns com os outros (Mateus 20:20-26).
  • Eles aprenderam que não deveriam ter atitudes que fossem territoriais e exclusivas com respeito ao ministério (Marcos 9:38-39).
  • Eles aprenderam que Jesus não vê filhos como um incômodo a ser evitado, mas como membros honrosos da família de Deus (Marcos 10:13-16).
  • Eles aprenderam que vingança não era uma resposta apropriada àquele que não recebeu o ministério de Jesus (Lucas 9:51-55).
  • Eles aprenderam que era correto cumprir com as suas obrigações civis (Mateus 17:24-26; 22:17-22).

O Espírito de Deus trabalhou tão profundamente e tão intimamente na vida do apóstolo Paulo que, às vezes, ele parecia lutar contra a seguinte questão: “Sou eu, ou é Deus em mim?”

Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim… — Gálatas 2:20

…trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo. — 1 Coríntios 15:10

Que dilema agradável! A obra interior do Espírito de Deus dentro do espírito humano de Paulo foi tamanha que ele disse: “Eu vivo” ou “Eu trabalhei”, mas aí ele tinha que esclarecer e dizer: “… mas realmente não era eu… pelo menos, certamente não era apenas eu; era  Cristo vivendo e operando através de mim”.

Paulo não acreditava que Cristo habitando dentro dele significasse que ele tinha sido   colocado em um estado de passividade, inatividade ou de irresponsabilidade. Certamente, ele descansava na obra acabada de Cristo, reconhecendo que Deus era a fonte de toda a vida e do poder dentro dele, mas ele também reconhecia que era um participante ativo com Deus. Ele admitia a sua completa dependência de Deus, mas reconhecia que Deus desejava a sua cooperação e envolvimento ativos no servir, obedecer e cumprir os planos Celestiais para a sua vida.

Por exemplo, Paulo disse em Colossenses 1:29: “Para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim”. Portanto, voltemos a uma questão anterior — era Paulo, ou era Deus? Eu não acho que podemos responder a essa questão com um “também/ou”, eu acho que é claramente um “ambos/e”. Era Deus trabalhando em/e através de Paulo, e era Paulo se rendendo e cooperando com Deus.

NÃO ESPERE QUE DEUS FAÇA O QUE ELE DISSE PARA VOCÊ FAZER

Precisamos discernir, cuidadosamente, qual é o papel de Deus em nossa vida e qual é o nosso; quais são as Suas responsabilidades e quais são as nossas. Se as pessoas simplesmente acharem que Deus irá fazer tudo, elas podem cair em um sentimento de irresponsabilidade e passividade. No entanto, se as pessoas acharem que irão fazer tudo (sem o poder e a capacitação de Deus) elas irão acabar esgotadas, frustradas e exaustas.

Paulo não disse: “Eu não vivo, afinal; é tudo Cristo”. Nem tampouco disse: “Eu não realizei obra alguma de qualquer natureza, era apenas a graça de Deus fazendo tudo”. Paulo disse: “Não obstante, eu vivo” e “Eu trabalhei mais do que todos eles”. Todavia, ele qualificou o seu papel por reconhecer que Deus era a fonte de toda a sua vida e de todo o seu trabalho.

Um cidadão leu Romanos 8:26 (“… o próprio Espírito intercede por nós…”) e disse que tinha desistido de orar e estava simplesmente deixando o Espírito Santo realizar esse trabalho por ele. Não, não podemos esperar que Deus faça o que Ele claramente nos disse para fazer, mas podemos confiar que Ele irá nos ajudar e fortalecer à medida que Lhe obedecemos.

E QUANTO ÀS OBRAS?

Efésios 2:9 e Tito 3:5 declaram enfaticamente que a nossa salvação NÃO é fundamentada em nossas obras! O dom da salvação é um presente de Deus; é a parte Dele. Ele nos oferece isso gratuitamente, com base na obra acabada de Cristo, e nós recebemos o Seu dom maravilhoso pela fé. Entretanto, se você ler um pouco mais adiante, Efésios 2:10 e Tito 3:8 dizem que somos salvos para as boas obras e também que devemos manter essas boas obras. Essa é a nossa parte!

Juntos, salvação pela graça por meio da fé, e boas obras que resultam de seguir essa salvação, nos conduzem à vontade completa de Deus. Isso não apresenta contradição; ao contrário, uma progressão. Salvação, é claro, começa com Deus nos salvando quando éramos completamente incapazes de salvar a nós mesmos. Entretanto, uma vez que Ele nos salvou e nos fez Seus filhos, por intermédio da fé, Ele opera em nós a fim de aquilo que observamos em Filipenses 2:13 tornar-se uma realidade em nossas vidas: “Não na sua própria força, pois é Deus quem está em todo o tempo operando eficazmente em vocês [energizando e criando em vocês o poder e o desejo], ambos, o querer e o efetuar o Seu bom prazer, satisfação e deleite” (AMP).

É você, ou é Deus? Não é nem você nem Deus, exclusivamente. É Deus “operando” em você e você se “rendendo” em submissão e obediência a Deus. O versículo que precede essa declaração fala aos crentes para “desenvolverem a sua salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12). Perceba que Paulo não disse para trabalhar para a sua salvação, mas ao contrário, para desenvolvê-la. A versão diz do versículo 12: “… opere (cultive, execute para o propósito e complete totalmente) a sua própria salvação com reverência e temor e tremor”.

Estamos sentados com Cristo nos lugares celestiais (Efésios 2:6), mas também temos que andar neste mundo (Efésios 4:1) e resistir contra as forças espirituais do mal (Efésios 6:10). Estar “sentado” significa que devemos descansar na obra acabada de Cristo. “Andar” e “resistir” significa que devemos agir de acordo com a obra acabada de Cristo.

E QUANTO À PURIFICAÇÃO?

Deus nos purifica ou purificamos a nós mesmos? Cada cristão que conheço se regozijaria de coração no fato de que Deus, através do sangue do Senhor Jesus Cristo, nos purificou de todo pecado! Na verdade, lemos essa verdade grandiosa em Hebreus 9:14: “Muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!”

Enquanto em Hebreus 9:14 o autor acentua a parte de Deus em nossa purificação, enfatiza a nossa responsabilidade em cooperar com Deus e obedecer a Ele no processo total de viver em santidade aqui na terra, a segunda carta aos Coríntios 7:1, diz: “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus”.

Alguém poderia dizer: “Espere um minuto! Se Deus nos purifica, então como purificamos a nós mesmos? Isso não seria desnecessário?” Essa é uma pergunta muito lógica, mas precisamos entender que esses tipos de versículos não são contraditórios; eles são complementares. Existe o “lado de Deus” da nossa redenção (o que Ele fez por nós) e o “lado do homem” (como nós respondemos e agimos a respeito do que Ele fez).

A carta aos Efésios ilustra isso perfeitamente. Os capítulos 1 a 3 podem ser resumidos em uma única palavra: “Feito”. Aqueles três primeiros capítulos de Efésios enfatizam o que Cristo fez por nós. Nesses capítulos, encontramos que fomos “abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais nas regiões celestiais” (1:3), fomos “aceitos no Amado” (1:6) e que estamos assentados com Cristo nos lugares celestiais. Tudo isso fala do que Ele já fez por nós e em nós.

Mas Paulo não para com “Feito”. Em Efésios 4 a 6, ele segue instruindo os crentes acerca de “Fazer”. Ele fala do que nós devemos fazer e como devemos viver à luz do que Cristo fez por nós. A Bíblia não apenas ensina sobre a vida espiritual que recebemos de Cristo, mas também nos ensina a respeito do estilo de vida prático que devemos levar por causa de Cristo. Efésios 4:1 dá o tom para o restante da epístola: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados”.

É Deus ou somos nós? A verdade é que somos ambos participantes nos feitos Dele. Deus faz a Sua parte e nós fazemos a nossa. Judas 24 diz que Deus: “… é poderoso para vos guardar de tropeços” e 1 Pedro 1:5 diz que nós somos “guardados pelo poder de Deus”. A parte de Deus é claramente declarada, mas à medida que lemos outras passagens, observamos que também temos uma parte a cumprir. João disse: “Aquele que é nascido de Deus não vive em pecado” (1 João 5:18) e também: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1 João 5:21). Judas também instruiu os crentes: “Guardai-vos no amor de Deus” (Judas 21). Tiago até mesmo disse que um componente da pura religião é “a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tiago 1:27).

Paulo disse que Cristo entregou a Si mesmo por nós para que Ele pudesse “purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu” (Tito 2:14). Depois disse a Timóteo: “Conserva-te a ti mesmo puro” (1 Timóteo 5:22). O apóstolo João disse: “… a si mesmo se purifica todo o que Nele tem esta esperança, assim como Ele é puro” (1 João 3:3). Portanto, Deus nos purifica, e nos purificamos a nós mesmos? A resposta é um retumbante “sim”! Jamais deveríamos pensar que podemos fazer alguma coisa de significância eterna ou espiritual à parte da Sua capacitação, assistência e qualificação, mas também não deveríamos pensar que o verdadeiro discipulado envolve um estado desengajado, passivo ou inativo da nossa parte. A maravilhosa obra de Cristo não anula a nossa responsabilidade de sermos “praticantes da Palavra” (Tiago 1:22). À medida que confiamos e seguimos o Senhor Jesus Cristo, nós ativamente nos rendemos, obedecemos e cooperamos com o Seu plano e propósito que está sendo executado em nossas vidas.

E QUANTO A SER QUALIFICADO?

Exatamente como a ilustração citada, existe uma “parte de Deus” e uma “parte do homem” no processo da nossa qualificação. Deus providencia toda a matéria-prima: Seu chamado, Seu Espírito, Seus dons e Sua orientação. Recebemos esses dons e permitimos que eles influenciem as nossas vidas. Ele nos qualifica e nós andamos nessa esfera de qualificação. Ele faz isso, mas nós participamos com Ele.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A CONSTRUÇÃO DAS EMOÇÕES

Há um grande corpo de estudos que sugere que emoções são construções sociais, contradizendo a visão de que são universais e pré-programadas

A construção das emoções

Apesar de não haver consenso entre os pensadores – Descartes entre eles – que refletiram sobre quantas e quais emoções são consideradas básicas, o senso comum sempre nos fez acreditar que são universais e que todos os seres humanos são pré-programados a senti-las. Rostos felizes, tristes e preocupados são facilmente identificados em qualquer cultura, o que foi comprovado em pesquisas, sendo as conduzidas por Paul Ekman na década de 1970 a mais difundida. Então a neurociência passou a investigar o assunto de forma mais objetiva, a partir de imagens do cérebro e outras informações.

Foi o que fez a neurocientista canadense Lisa Barrett durante duas décadas. Após centenas de pesquisas com neuroimagens e análises de estudos das emoções, concluiu que nossa intuição está essencialmente errada: as emoções não são necessariamente universais e a interpretação das expressões evocadas por elas pode ser considerada pouco confiável. Inúmeras investigações lideradas por Barrett mostram que uma mesma expressão facial pode representar emoções distintas e, portanto, é extremamente dependente do contexto e até mesmo da cultura para ser identificada.

Em seu livro How Emotions Are Made, ela defende que não existe um circuito neural pré-programado para processar as emoções complexas. Elas seriam construções do cérebro baseadas em predições, assim como acontece com toda a aprendizagem e interpretação do mundo.

Para que possa interpretar um estímulo, bem como um sentimento, o cérebro recorre a experiências anteriores e prediz o que está acontecendo. Trancado na caixa escura do crânio, para que possa dar sentido de forma ágil às informações que recebe e integra, ele preenche lacunas e fabrica os detalhes a partir do que já vivenciou. Qualquer novo conhecimento interfere na construção de sentido feita pelas predições. Assim, quando olhamos a face de alguém, predizemos o que está acontecendo ou o que vai acontecer, o que o outro sente ou a emoção que determinado estímulo irá provocar com base nas nossas experiências anteriores. Essas previsões são aprendidas de acordo com o ambiente e nas interações sociais.

Isso não significa que não existe uma base emocional inata comum a todos os seres humanos. Mas é preciso distinguir os fenômenos psicológicos mais complexos daqueles que são reguladores dos processos biológicos essenciais para a manutenção da vida, como conforto e desconforto, o prazer e o desprazer – motivadores da busca de oportunidades e prevenção contra ameaças que dividimos com todas criaturas com sistema nervoso.

Na visão de Barrett, esses conceitos são sentimentos simples que acompanham os processos fisiológicos e atuam como um reflexo do que está acontecendo no corpo. Mas não dizem muito sobre o que está acontecendo no mundo de fora. Tais detalhes são aprendidos socialmente para que o cérebro construa sentimentos complexos, como ansiedade, frustrações, alívio, remorso, encantamento, fascínio e até felicidade.

A ideia de que a emotividade não é um processo fixo, e sim fluido e adquirido, é também defendida pelo neurocientista português Antônio Damásio em seu mais recente livro, A Estranha Ordem das Coisas: “Ao que parece, a maquinaria dos nossos afetos é educável, até certo ponto, e boa parte daquilo a que chamamos de civilização ocorre através da educação dessa maquinaria no ambiente da nossa infância, em casa, na escola, e no ambiente cultural”.

Essas conclusões podem significar mais que uma mudança na forma como as emoções são compreendidas e explicadas. A ideia de que são construídas indica, segundo Barrett, que também podem ser desconstruídas e modificadas a partir da autoconsciência. Podemos ser o que ela chama de “arquitetos das próprias emoções” ao perceber o que nos provoca determinadas respostas emocionais negativas.

Não significa que isso seja simples, pois não temos acesso consciente às circunstâncias e situações que formaram o enorme arsenal emotivo que guia nosso comportamento. Esse ganho de controle é um exercício diário, que envolve a identificação da emoção e o reconhecimento de que é fluida, está relacionada a situações sociais inconstantes e, muitas vezes, a necessidade e fisiológicas também impermanentes.

Barrett lembra em seu livro que o corpo não pode ser esquecido quando falamos em processos mentais. Assim como envolvem o contexto social, as emoções envolvem também movimentos fisiológicos nos quais não damos atenção e que podem explicar grande parte das mudanças de humor. Fazemos isso quando cuidamos de crianças pequenas e com o tempo passamos a nos considerar “seres racionais” e a tratar corpo e mente de forma separada -uma separação que nunca acontece.

Prestar atenção em necessidades como sono, cansaço, incômodo físico, fome, alterações hormonais é uma das atitudes que nos ajudam a entender determinadas reações e a mudar as circunstâncias que promovem emoções negativas. Nomear as emoções, como veremos em uma próxima oportunidade, é outra forma de trabalhar a inteligência emocional.

Não precisamos ser reféns dessas emoções e agir sempre de acordo com elas: é possível, como já disse o filósofo Viktor Frankl, aproveitar o espaço entre estímulo e reação – um espaço que representa nossa liberdade e crescimento – para reconhecer a possibilidade de escolhas e assumir o controle sobre as ações.

 

MICHELE MULLER – é jornalista pesquisadora, especialista em Neurociências, Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da Linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no Site:  www.michelemuller.com.br

OUTROS OLHARES

A RODOVIÁRIA DO FUTURO

A rodoviária do futuro

A 311 quilômetros de Amsterdã, Tilburgo é uma cidade de 200 mil habitantes. Foi o local da morte do rei Willem II (1792 -1849), que, vítima de problemas respiratórios, costumava dizer que somente lá conseguia respirar livremente e ser feliz. No século 19, a cidade era um dos principais centros têxteis da Holanda, capital da lã. Hoje, é famosa por uma animada feira. que, todos os anos, se estende por dez dias ao longo de julho. Agora, Tilburgo faz novamente história ao chegar no futuro, com sua rodoviária inteligente. Projetada pelo escritório de arquitetura cepezed, a belíssima (e minimalista) estação é composta por uma série de colunas finas e um toldo que, de tão leve, parece flutuar. À base de tecnologia fotovoltaica, a cobertura dispõe de 250 metros quadrados de painéis solares capazes de iluminar toda a rodoviária – das áreas de embarque e desembarque às placas digitais de sinalização. Sensores de movimento, colocados a cada 14 metros na borda de aço do toldo respondem à presença de pessoas e ônibus.

GESTÃO E CARREIRA

A GUERRA DAS CANCELAS

A chegada de novas concorrentes acirra a competição no mercado de pagamento automático de pedágios. E a disputa muito vai além das rodovias

A guerra das cancelas

Fundada no ano 2000, a Sem Parar foi a pioneira no mercado local de etiquetas de pagamento automático de pedágios, mais conhecidas como tags. E, assim como os carros que passaram a adotar o seu sistema, a empresa teve, durante mais de uma década, pista livre para desenvolver e expandir esse modelo pelas estradas — e, mais tarde, pelos estacionamentos do País. A primeira rival, de fato, surgiu apenas em 2013, com o lançamento da ConectCar, criada pela Ipiranga em parceria com a Odebrecht Transport. Quatro anos depois, foi a vez da MoveMais, com foco no segmento corporativo. No ano passado, a Veloe, da Alelo, engrossou essa lista. Agora, a Sem Parar começa a enxergar no retrovisor a chegada de novas concorrentes, em um cenário que promete redesenhar a competição no setor. Ao mesmo tempo, essa disputa tem tudo para alcançar outras cancelas além daquelas nas rodovias brasileiras.

O nome mais recente a ingressar nesse mercado é o C6 Bank. O banco digital recebeu sinal verde do Banco Central para operar em janeiro. Ainda em fase de estruturação, a empresa acaba de lançar o C6 Taggy, serviço de pedágio automático. Depois de uma etapa de testes com seus próprios funcionários, as tags estão sendo distribuídas
a sua base de clientes e já são aceitas em 61 concessionárias. Na contramão das rivais, não haverá cobrança de taxas de adesão e nem de mensalidade. O valor de cada transação será debitado diretamente da conta do correntista. “É como se fosse um cartão de débito do carro”, diz Maxnaun Gutierrez, líder de produtos e pessoa física do C6 Bank. Com a previsão de chegar também aos estacionamentos até o fim do ano, o C6 Taggy vai integrar um pacote de ofertas que inclui cartões múltiplos isentos de anuidade e transferências ilimitadas e gratuitas, entre outros recursos.

As novidades não se restringem ao C6 Bank. Outras empresas estão prontas para colocar seus pés — e etiquetas — nessa estrada. “Temos mais dois bancos e quatro meios de pagamento em fase de integração, além de negociações com mais de trinta empresas”, afirma João Cumerlato, CEO e cofundador da Greenpass. O empreendedor criou a startup no fim de 2017, ao lado de Carlo Andrey. Dois anos antes, a dupla havia deixado a ConectCar, serviço que ambos ajudaram a estruturar e cuja fatia de 50%, da Odebrecht, acabara de ser vendida ao Itaú Unibanco, por R$ 170 milhões. O acordo foi seguido pela movimentação de outras cifras no setor. Em 2016, a americana Fleetcor pagou R$ 4 bilhões para assumir o controle da Sem Parar.

Na sequência, o lançamento da Veloe concentrou um aporte de R$ 110 milhões, que contou com a participação do Bradesco e do Banco do Brasil, acionistas da Alelo. “Começamos a perceber que esse mercado ficaria restrito a uma briga de cachorros grandes”, diz Cumerlat. A Greenpass entrou nessa briga ao criar uma plataforma “bandeira branca” para que bancos e empresas de qualquer porte possam atuar no mercado de pagamentos automáticos de pedágios e estacionamentos. A startup responde pela tecnologia e a operação junto às concessionárias. Frentes como marketing e vendas ficam sob a alçada de seus clientes, como é o caso do C6 Bank, o primeiro projeto desenvolvido pela novata. “Nossa plano é permitir que essas tags custem muito pouco para o usuário na ponta”, afirma.

O preço ainda é uma das barreiras para que esse mercado ganhe mais escala. Em 2018, o segmento de pedágios movimentou R$ 19 bilhões, com 1,75 bilhão de transações. A participação das tags, no entanto, vem apresentando uma tendência de estagnação nos últimos anos, com um patamar que gira em torno de 47% do total de pagamentos. De uma frota de 48 milhões de carros no País, estima-se que cerca de 6 milhões possuam esses sistemas automáticos. “Esses são os ‘heavy users’, para quem faz todo sentido pagar uma mensalidade de R$ 25. Queremos ganhar escala ao tornar o acesso a esses serviços mais democrático”, explica Cumerlato. A meta da empresa é chegar, via parceiros, a uma base de 2 milhões de usuários no prazo de dois anos

DESCONTOS 

O fator preço e a competição mais acirrada já estão influenciando as estratégias das empresas que atuam há mais tempo nesse mercado. A ConectCar, por exemplo, está oferecendo a adesão com a isenção de cobrança de mensalidades nos primeiros três meses, além de um desconto de 20% durante toda a vigência do plano contratado. Quem também está recorrendo a esses expedientes é a Veloe, cuja oferta exclui a cobrança de mensalidade por um período de 12 meses. “É uma forma de mudar a visão de parte dos usuários”, diz Cesario Nakamura, CEO da Alelo. “Hoje, o pagamento via tags é uma comodidade disponível não apenas nos pedágios, mas também nos centros urbanos.” Presente em 64 rodovias e mais de 200 estacionamentos, a operação já concentrou um investimento de R$ 160 milhões desde o seu lançamento, em maio de 2018. Até 2020, a previsão é chegar a um aporte total de R$ 310 milhões e a uma base de 1,5 milhão de usuários.

Para alcançar esse número, a Veloe trabalha em duas pontas: usuários finais e mercado corporativo. Nessa frente, as sinergias com outras ofertas da Alelo, como as plataformas de gestão de frotas, são a aposta para ganhar terreno. A utilização dos canais de relacionamento de Bradesco e Banco do Brasil (os dois acionistas da operação) para a oferta do serviço aos correntistas são mais um componente. E a empresa vem criando parcerias. No início do mês, fechou acordo com a Zul Digital, responsável por um aplicativo de Zona Azul disponível em São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza. Em junho, a companhia já havia se associado com a Unidas para que a frota de mais de 140 mil veículos da locadora seja equipada com suas tags. O mesmo caminho foi adotado recentemente pela ConectCar e pela Sem Parar, que firmaram parcerias com a Localiza e a Movida, respectivamente.

Responsável por desbravar o segmento, a Sem Parar não está de braços cruzados com a perspectiva de aumento da concorrência. Embora não revele o valor consolidado dos investimentos para este ano, a empresa informa que está ampliando em 30% o volume dos aportes na comparação com 2018. “Internamente, esse cenário aumenta nosso senso de urgência para acelerar as inovações. Temos de estar sempre três passos à frente”, afirma Fernando Yunes, CEO da companhia, que responde por cerca de 20% da operação global da Fleetcor, grupo que faturou US$ 2,4 bilhões em 2018. “De uma operação de pedágios eletrônicos, estamos nos transformando em uma empresa que elimina filas e paradas na vida das pessoas.”

DRIVE THRU DO MCDONALD’S 

Hoje, os pedágios representam apenas 12% de utilização na rede da companhia, que possui 5,5 milhões de usuários ativos. Os 88% restantes estão divididos em diversos segmentos. Nos estacionamentos, que incluem shoppings, aeroportos, hospitais, condomínios e mesmo de rua, já são 1,2 mil pontos, além de 650 postos de combustíveis. Os lava rápidos, uma aposta recente, somam 20 estabelecimentos e o plano nesse segmento é chegar a 150 nos próximos meses. No fim de 2018, a empresa também fechou um acordo com o McDonald’s. Mais de 300 drive thrus da marca já contam com a opção de pagamento via tag da Sem Parar. A empresa negocia ainda com outras duas redes de fast food que planejam seguir a mesma trilha.

Toda essa movimentação não significa, no entanto, que a empresa deixou os pedágios em segundo plano. Nessa área, a Sem Parar acaba de desenvolver uma tecnologia intermediária para ser aplicada em cabines manuais. No lugar de tags, a solução será baseada nos celulares dos usuários e permitirá a abertura das cancelas com a desaceleração do carro ou da moto. A previsão é de que dois pilotos comecem a ser testados neste semestre. “Nosso primeiro passo foi concentrar a atuação ao redor do carro”, diz Yunes. “A próxima etapa é levar isso ao entorno do indivíduo. Sempre que houver fila e pagamentos, estaremos presentes.”

A guerra das cancelas. 2

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

Qualificados - Tony Cooke

CAPÍTULO CINCO – O PERIGO DA DESQUALIFICAÇÃO

 Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra. — 2 Timóteo 2:21

Pensamento-chave: Paulo não estava apenas cauteloso quanto a liderar e influenciar outros, mas ele também via a grande necessidade de assegurar que ele mesmo permanecesse no caminho. Se você está jogando para ganhar, você tem que jogar pelas regras.

 

O apóstolo Paulo entendia que a jornada de liderança espiritual é desafiadora e que grande diligência é exigida para terminar bem.

Comparando a jornada cristã a uma corrida, ele disse:

Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado. — 1 Coríntios 9:24-27

Em minha experiência cristã inicial, achei a declaração de Paulo alarmante: “… tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado”. O que significaria tornar-se “desqualificado”? Quando eu comecei a ler a Bíblia, esse versículo me parecia ainda mais inquietante, ao perceber que Paulo expressava um desejo de não terminar como um “inútil”. Mais tarde, como um estudante de escola bíblica e como um jovem pastor ambicioso, ouvi advertências moderadas de ministros que terminaram no provérbio “monturo espiritual” devido à flagrante desobediência e persistente infidelidade. Lamentavelmente, eu tenho visto alguns terminarem dessa maneira.

Entretanto, nessa declaração, Paulo não está falando de filiação; ele está falando de ministério eficaz e duradouro, o qual é executado sem implosões autoinfligidas. Ele está se referindo a ser um atleta espiritual que está exercendo grande esforço, não para a glória pessoal, mas para o avanço do Reino. Paulo usa terminologias esportivas para introduzir a ideia da possível desqualificação. Ele fala do rigor atlético e da disciplina necessária para ser competente no ministério.

Observe que Paulo não estava apenas preocupado em “pregar a outros”. Ele era diligente em disciplinar o seu próprio corpo e reduzi-lo “à escravidão”. Paulo reconhecia que antes que ele pudesse liderar outros, primeiramente ele teria que liderar a si mesmo. Antes que ele pudesse efetivamente influenciar outros, primeiramente, ele teria que influenciar a si mesmo para permanecer “no curso”. É terrivelmente infeliz quando ministros buscam exceder em seu desempenho público, mas se deterioram em seu caráter e integridade. Patsy Cameneti uma vez disse: “No processo de se tornarem grandes pregadores, alguns se tornam cristãos repugnantes”.

A coisa mais fácil que você irá fazer no ministério é permanecer atrás de um púlpito e dizer aos outros como eles supostamente devem viver e o que eles supostamente devem fazer. O nosso desafio não é apenas ser um proclamador da Palavra, mas um praticante da Palavra. “Praticar” confere grande autenticidade para o nosso ensino.

George Whitefield, certa vez, foi indagado se certo indivíduo era um bom homem. Ele sabiamente respondeu: “Como eu poderia saber disso? Nunca vivi com ele”. Deus não julga a nossa espiritualidade e temor a Ele com base em como pregamos ou em como nos comportamos quando pessoas que queremos impressionar estão observando. Não é que a maneira como nos comportamos em público ou na igreja não seja importante, mas acredito que o teste definitivo para a nossa espiritualidade é como nos comportamos em casa com o nosso cônjuge e nossos filhos, e como nos comportamos quando ninguém está observando.

No primeiro capítulo, falamos sobre a seleção de Davi, quando ele foi escolhido para ser o novo rei de Israel. Esse trecho da Bíblia também fala da rejeição de Saul como o rei “autodesqualificado” de Israel.

Então, disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente em não guardar o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te ordenou; pois teria, agora, o SENHOR confirmado o teu reino sobre Israel para sempre. Já agora não subsistirá o teu reino. O SENHOR buscou para si um homem que lhe agrada e já lhe ordenou que seja príncipe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou. — 1 Samuel 13:13-14

Mais tarde, em 1 Samuel 15:23, Samuel disse a Saul: “Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, Ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei”.

O nome hebraico do apóstolo Paulo também era Saulo e ele era da mesma tribo (Benjamim) que o rei Saul, do Antigo Testamento. Ele recebeu esse nome em homenagem ao seu rei desobediente, o qual desqualificara a si mesmo para a liderança do Reino. Paulo estava determinado a não seguir nas mesmas pisadas de desobediência e desqualificação do seu homônimo. Em vez disso, ele resolveu completar a sua carreira com alegria (Atos 20:24).

Considerando que Paulo resolveu usar um evento esportivo (atletismo) para ilustrar a sua ideia, talvez possamos extrair mais revelação ao explorar esse tópico também. No atletismo, um corredor que “queima a largada” ou sai da sua faixa, pode ser desqualificado naquele evento. Entretanto, isso não significa que ele será banido do atletismo para sempre. Para essa corrida em particular, sim, todavia, ele terá que sair do caminho e deixar os outros corredores seguirem sem ele.

Diego Mesa é um amigo meu que pastoreia uma igreja no sul da Califórnia. Ele costumava correr maratonas e participar de triatlo. No início dos anos 80, ele se sentiu ótimo ao terminar em terceiro lugar em um evento muito competitivo. Ele foi bem na corrida, no ciclismo e na natação, portanto, ele alegremente recebeu o seu prêmio de 250 dólares (isso era muito dinheiro para ele na ocasião). Entretanto, em vez disso, ele recebeu um cheque de 175 dólares e foi informado de que ele negligenciara o uso do capacete durante a parte de ciclismo do evento. Como resultado, 75 dólares foram deduzidos da sua premiação. Imagino quantos crentes, e até mesmo pregadores, estarão diante do Senhor, pensando que fizeram coisas maravilhosas para Ele, apenas para descobrir que o seu prêmio foi afetado por motivos, atitudes e métodos errados.

Paulo avisou a Timóteo, um jovem pastor: “… o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas” (2 Timóteo 2:5). Ao querer evitar o legalismo, muitos têm minimizado a ideia de “normas”, entretanto, existem diretrizes definidas e princípios envolvidos ao executar um serviço ministerial frutífero e eficaz. Semelhantemente, ignorar ou violar tais ensinamentos e preceitos pode diminuir consideravelmente a produtividade de alguém e, finalmente, afetar o seu prêmio.

Jesus falou abertamente acerca da influência espiritual de uma pessoa ser diminuída ou destruída completamente: “Permitam-me dizer por que vocês estão aqui. Vocês estão aqui para ser o sal que traz o sabor divino à terra. Se perderem a capacidade de salgar, como as pessoas poderão sentir o tempero da vida dedicada a Deus? Vocês não terão mais utilidade e acabarão no lixo” (Mateus 5:13, A Mensagem).

Foi na mesma veia de pensamento que Paulo expressou o cuidado de que, se ele não conduzisse sua vida de modo temente a Deus, ele poderia perder a sua utilidade e se tornar desqualificado. Ao falar para um grupo de crentes, Paulo disse: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados. Mas espero reconheçais que não somos reprovados” (2 Coríntios 13:5-6).

De maneira a desqualificar-se, parece-me que uma pessoa teria que se tornar qualificada em primeiro lugar. Ao falar do seu próprio ministério, Paulo disse: “Deus nos testou duramente para que houvesse certeza de que estávamos qualificados para receber a Mensagem” (1 Tessalonicenses 2:3, A Mensagem).

O QUE FAREMOS, ENTÃO?

O nosso dever é buscar, de todo o coração, aquelas características que nos qualificam para o serviço eficaz e erradicam da nossa vida aqueles traços que nos desqualificariam. A analogia e a admoestação de Paulo em 2 Timóteo reforçam isso inteiramente:

Ora, numa grande casa não há somente utensílios de ouro e de prata; há também de madeira e de barro. Alguns, para honra; outros, porém, para desonra. Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra. — 2 Timóteo 2:20-21

 

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MATÉRIA-PRIMA DO PENSAMENTO

A linguagem vai além do campo cognitivo. ela auxilia na identificação de sensações e na construção da inteligência emocional

Matéria-prima do pensamento

Quando você ensina conceitos emocionais às crianças, você ensina mais que comunicar: cria a realidade dessas crianças – uma realidade social”, destaca a neurocientista Lisa Barrett, autora de How Emotions Are Made, baseado em suas pesquisas sobre a construção das emoções. Conforme foi destacado, estudos neurocientíficos apontam uma nova perspectiva na compreensão dos sentimentos, não como respostas pré-programadas, mas como construções sociais – o que leva a uma visão mais flexível sobre a forma como podemos lidar com elas, saindo do papel de reféns da s emoções para ganhar o poder de desconstruí-las.

A linguagem tem um papel fundamental no desenvolvimento da inteligência emocional. Sua função, portanto, não se limita à expressão das nossas experiências e emoções, com a finalidade de influenciar de incontáveis maneiras aqueles com os quais interagimos. É a matéria-prima do pensamento, o conjunto de peças que molda a forma como percebemos o ambiente, como interpretamos o outro e como compreendemos as próprias emoções.

Diferentemente de palavras que representam elementos concretos, os conceitos abstratos geralmente dependem do contexto para serem definidos e explicados. E é nessa maleabilidade que está a riqueza de uma língua – e também, de acordo com Barrett, do repertório emocional que cada um carrega. Por isso, com o ensino de conceitos, damos às crianças e adolescentes “ferramentas que irão ajudar a regular seu equilíbrio fisiológico, a encontrar significado nas suas sensações e a influenciar os outros de forma mais eficaz. São habilidades que elas usarão a vida inteira”.

A linguagem abstrata permite enxergarmos coisas que antes se encontravam em um ponto cego da percepção. Como se fossem lanternas da mente, as palavras expandem os limites do nosso mundo interno, como defendeu o filósofo alemão Wittgenstein. Um mundo que é inteiramente guiado pelas emoções e sentimentos – das grandes conquistas às piores decisões. Para conseguir identificá-los é necessário nomeá-los. Com a consciência dos ingredientes que os compõem, a partir da clareza trazida pelas palavras certas damos ao cérebro a capacidade de categorizar, perceber e predizer as emoções – ferramentas fundamentais para que possamos lidar melhor com eles e responder aos estímulos de forma mais flexível e funcional. Quanto maior o vocabulário, portanto, maior o que Barrett chama de “granularidade emocional”. Um repertório que possibilita expressar da forma mais acurada possível o leque de nuances emocionais que as diversas situações e estímulos podem evocar está relacionado à capacidade de construir experiências emocionais mais refinadas, levando a melhores predições e instâncias de emoções que são modeladas de acordo com cada situação.

O desenvolvimento da inteligência emocional a partir da identificação das emoções por meio de linguagem é o que chamam os de processo top-bottom: do cognitivo para o emocional, ou das regiões corticais para as subcorticais. Como muitos processos mentais, a relação cognição/emoção ocorre por um a via de mão dupla: os estímulos que envolvem o pensamento, ou seja, que operam no modo cognitivo, agem sobre as emoções, da mesma forma como o contrário também é verdade.

Dentro dessa mesma perspectiva, o neurocientista e psiquiatra Daniel Siegel defende que o vocabulário relacionado às inúmeras experiências internas seja ensinado a crianças e adolescentes como forma de educação emocional – uma técnica que ele chama de name it to tame it (uma rima em inglês que significa nomeie para amansar, ou domar). Não saber o que sente, ele explica, pode ser confuso e até aterrorizante. “Dividir a sua experiência com outros pode muitas vezes fazer com que momentos terríveis sejam compreendidos e não se transformem em trauma. Tanto seu mundo interno quanto relações interpessoais irão se beneficiar da identificação do que está acontecendo, trazendo mais integração à sua vida”, explica Siegel, no livro Cérebro do Adolescente (Editora Versos, 2016).

Há muitos estudos que confirmam esse raciocínio. Em uma investigação conduzida pelo Centro de Inteligência Emocional de Yale, foram trabalhados conceitos emocionais em 62 classes de crianças em sessões de meia hora por semana, durante dois anos, e avaliados seus desempenhos acadêmico e social. Em ambos domínios, aquelas que participaram do programa apresentaram melhores resultados que alunos que não tiveram a instrução.

Outra pesquisa indicando que o aprendizado de palavras relacionadas aos diversos estados emocionais leva a um refinamento dos sentimentos envolveu pessoas com aracnofobia: foram avaliadas três abordagens distintas, e aquela que utiliza o repertório mais rico de sensações mostrou-se mais eficaz e duradoura que as outras.

Os resultados do ensino e da evocação de conceitos abstratos, portanto, não se restringem a um enriquecimento cognitivo, mas expandem-se ao universo social e emocional, afetando profundamente essas experiências. No próximo post veremos como o cérebro constrói sentido na linguagem abstrata, um conhecimento que nos fornece meios e formas mais eficazes de ensinar esses conceitos.

 

MICHELE MÜLLER – é jornalista, pesquisadora, especialista em Neurociências. Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no site www.michelemuller.com.br

OUTROS OLHARES

O FUTURO DA MENTE

Como a inteligência artificial pode melhorar o cérebro humano e ajudar na criação de máquinas conscientes

O futuro da mente

Penso na natureza fundamental da mente e na natureza do “eu”. Ultimamente, tenho refletido sobre essas questões tendo em vista tecnologias emergentes. Tenho pensado sobre o futuro da mente e, mais especificamente, sobre como a tecnologia de inteligência artificial (IA) pode remodelar a mente humana e criar mentes sintéticas. À medida que a IA fica mais sofisticada, uma coisa que me interessa bastante é saber se os seres que talvez consigamos criar poderão ter experiências conscientes.

A experiência consciente é o aspecto sensorial de sua vida mental. Quando você vê os exuberantes tons de um pôr do sol ou sente o aroma de café pela manhã, você está tendo uma experiência consciente. Ela lhe é bastante familiar. Inclusive, não há um momento de sua vida em que você não seja um ser consciente.

O que quero saber é, se tivermos uma inteligência artificial geral — capaz de conectar ideias de maneira flexível através de diferentes domínios e de talvez ter algo similar a uma experiência sensorial —, seria ela consciente ou tudo estaria sendo computado no escuro — envolvendo coisas como tarefas de reconhecimento visual de uma perspectiva computacional e pensamentos sofisticados, mas sem ser verdadeiramente conscientes?

Ao contrário de muitos filósofos, especialmente aqueles na mídia e transumanistas, costumo ter uma abordagem de “esperar para ver” em relação à consciência das máquinas. Primeiro porque rejeito a linha totalmente cética. Existiram filósofos muito conhecidos no passado que não acreditavam na possibilidade de consciência das máquinas — notoriamente John Searle —, mas creio que seja cedo demais para falar. Haverá muitas variáveis que determinarão se má- quinas conscientes existirão.

Em segundo lugar, temos de nos perguntar se a criação de máquinas conscientes é ao menos compatível com as leis da natureza. Não sabemos se a consciência pode ser implementada em outros substratos. Não sabemos qual será o microchip mais rápido, portanto não sabemos de que material uma inteligência artificial geral será feita. Então, até este momento, é muito difícil dizer que algo altamente inteligente será consciente.

Seria provavelmente mais seguro agora colocar uma barreira conceitual entre a ideia de inteligência sofisticada, de um lado, e a consciência, de outro. O que devemos fazer é manter a mente aberta e suspeitar que, talvez, com tudo que sabemos no momento, a mais sofisticada das inteligências não será consciente. Há muitas questões, e não apenas as que envolvem substratos, que determinarão se má- quinas conscientes serão possíveis. Imagine, por um minuto, que é concebível, ao menos em tese, construir uma inteligência artificial consciente. Quem ia querer fazer isso? Pense nas discussões que estão ocorrendo agora sobre os direitos dos androides, por exemplo.

Imagine que todos esses androides japoneses, criados para cuidar dos mais velhos e da casa das pessoas, acabem se tornando conscientes. Não haveria preocupações quanto a forçar criaturas a trabalhar para outras sendo elas seres conscientes? Não seria parecido com escravidão? Não creio que produzir esses seres seja uma vantagem para as companhias de IA. Na verdade, elas podem decidir retirar-lhes a consciência. Claro, não somos capazes de dizer se a consciência pode ser incluída ou retirada de uma máquina. Até onde sabemos, poderia ser uma consequência inevitável de um cálculo sofistica- do, e então teríamos de nos preocupar com os direitos de androides e de outras IAs.

Caso as máquinas se mostrem conscientes, não vamos apenas aprender sobre suas mentes, mas também sobre as nossas. Poderíamos descobrir mais sobre a natureza da experiência consciente, o que nos levaria a refletir, como cultura, sobre o que é ser um ser consciente. Humanos deixariam de ser especiais, no que tange a sua capacidade de ter pensamentos intelectuais. Estaríamos compartilhando essa posição com seres sintéticos que não são feitos das mesmas coisas que nós. Essa seria uma lição de humildade para os humanos.

Conforme as civilizações ficam mais inteligentes, elas podem se tornar pós-biológicas. Então, a inteligência sintética acabaria sendo um resultado natural de civilizações tecnológicas bem-sucedidas. Num espaço de tempo relativamente curto, conseguimos criar inteligências artificiais interessantes e sofisticadas. Agora estamos direcionando essa inteligência para dentro, em termos de construção de próteses neurais para melhorar o cérebro humano. Já vemos gurus da tecnologia, como Ray Kurzweil e Elon Musk, falando sobre aperfeiçoar a inteligência humana com chips cerebrais — não apenas para auxiliar quem tem distúrbios neurológicos, mas para ajudar as pessoas a viver mais e de maneira mais inteligente. Pode ser que civilizações ao longo do universo tenham se tornado pós-biológicas e melhorado sua inteligência para se transformar, elas próprias, em seres sintéticos. De certa maneira, a IA poderia ser um resultado natural de uma civilização tecnológica bem-sucedida. Claro, não estamos dizendo que o Universo tenha uma abundância de vida. Talvez não tenha. Esse é um questiona- mento empírico, embora muitos de meus colegas na Nasa estejam otimistas. E não estamos sugerindo que, mesmo que outros planetas tenham vida, essa vida seria tecnológica. Ainda não sabemos quão provável é que a própria vida continue a progredir e existir além de sua maturidade tecnológica.

Comecei minha vida acadêmica como economista e em seguida topei com uma aula de Donald Davidson, o eminente filósofo. Descobri que gostava de filosofia anglo-americana e trabalhei com Jerry Fodor, famoso filósofo da mente e crítico das ideias que deram origem à aprendizagem profunda (modelo de aprendizado de computadores a partir de algoritmos que simulam redes neurais do cérebro).

Fodor e eu passávamos horas discutindo sobre o escopo e os limites da inteligência artificial. Eu discordava dele quanto a essas visões iniciais sobre a aprendizagem profunda. Não achava que eram tão impossíveis como ele sugeria. Naquela época, elas eram chamadas de “visões conexionistas”. Ele alegava que o cérebro não é computacional e que a inteligência artificial provavelmente não prosperaria quando chegasse ao nível de inteligência artificial de domínio geral por- que havia uma característica especial no cérebro humano não computacional. A saber, ele estava se referindo ao que chamava de “sistemas centrais”, áreas do cérebro que podemos classificar como sendo de domínio geral, indo além de funções mentais altamente compartimentalizadas — aquele material de primeira que dá origem à criatividade humana e à cognição.

Argumentei que o cérebro era computacional de cabo a rabo. Por exemplo, havia teorias bem-sucedidas de memória de trabalho e atenção que envolviam funções de domínio geral. Enquanto eu estava trabalhando com Fodor, li bastante sobre neurociência computacional. Insisti que o cérebro talvez seja um sistema híbrido que possa ser descrito nos termos da abordagem da rede neural discutida em neurociência computacional, mas no qual essas descrições de alto nível tratadas na psicologia cognitiva fazem referência à forma de pensar a que pessoas como Jerry Fodor recorrem — a linguagem do pensamento, que afirma que o cérebro é um dispositivo de processamento de símbolos que os manipula de acordo com regras.

Teria sido divertido conversar com Fodor sobre sistemas de aprendizagem profunda. Imagino que ele ainda estaria um tanto cético quanto à possibilidade de esses sistemas se desenvolverem ainda mais, tornando-se o que algumas pessoas chamariam de inteligência artificial geral. De forma alguma estou sugerindo que os recursos atuais poderiam originar algo tão sofisticado. Entretanto, acho que, com todo dinheiro que vem sendo investido em inteligência artificial, com todo sucesso com que a velocidade dos cálculos vem aumentando ano após ano, sempre encontrando microchips mais rápidos e melhores, com a possibilidade de computação quântica sendo desenvolvida de maneira séria — todas essas coisas militam fortemente pela inteligência artificial, que progressivamente se torna cada dia melhor. Enquanto isso, podemos observar recursos em diferentes áreas da neurociência, como a neurociência computacional, e aprender com o funcionamento do cérebro. Podemos fazer uma engenharia reversa de IA a partir do cérebro quando precisarmos.

À medida que comecei a pensar sobre as histórias de sucesso da Deep Mind — com sistemas de domínio específico, por exemplo —, passei a acreditar que, com toda ênfase em tecnologia de IA e tecnologias aperfeiçoadas disponíveis, mais IAs sofisticadas seriam criadas. Não apenas criaremos robôs inteligentes; também colocaremos a IA em nossa cabeça e mudaremos o molde da mente humana. Então comecei a me preocupar com a maneira como isso poderia transformar a sociedade.

Vejo muitos mal-entendidos nas discussões atuais sobre a natureza da mente, como a suposição de que, se criarmos IAs sofisticadas, elas inevitavelmente criarão uma consciência. Também existe essa ideia de que deveríamos “nos fundir com a IA” — que, para que humanos possam acompanhar os desenvolvimentos nesse campo e não sucumbira IAs superinteligentes ou ao desemprego tecnológico causado por elas, precisamos melhorar nosso próprio cérebro com essa tecnologia.

Uma coisa que me preocupa nisso tudo é que eu não acho que empresas de IA deveriam estar resolvendo problemas referentes ao molde da mente. O futuro da mente deveria ser uma decisão cultural e uma decisão individual. Muitas das questões em jogo aqui envolvem problemas clássicos de filosofia que não têm soluções fáceis. Estou pensando, por exemplo, nas teorias metafísicas sobre a natureza de uma pessoa. Digamos que você implante, em si, um microchip para se integrar à internet e continue colocando melhorias após melhorias. Até que ponto você ainda vai ser você? Quando pensamos em aperfeiçoar o cérebro, a ideia é melhorar a vida — ficar mais inteligente ou mais feliz, talvez até viver mais ou ter um cérebro mais afiado à medida que envelhece —, mas e se todas essas melhorias nos alterassem de formas tão drásticas que já não fôssemos mais a mesma pessoa?

Há questões apresentadas por filósofos como Hume, Locke, Nietzsche e Parfit que vêm sendo pensadas há anos no contexto de debates sobre a natureza humana. Agora que temos a oportunidade de, possivelmente, esculpir nossa própria mente, acredito que precisamos dialogar com essas posições filosóficas clássicas sobre a natureza do “eu”. Preocupo-me profundamente com a obsessão com a tecnologia. Eu me considero uma tecnoprogressista, no sentido de que quero ver a tecnologia ser usada para melhorar a vida humana, mas precisamos ter cuidado com a aceitação inabalável dessa ideia de fundir-se com IAs ou até de ter uma internet das coisas a nosso redor o tempo todo.

O que precisamos fazer agora, conforme essas tecnologias de aprimoramento neurais estão sendo desenvolvidas, é ter um diálogo público sobre isso. Todas as partes interessadas precisam se envolver, dos pesquisadores dessas tecnologias aos legisladores e até pessoas comuns, especialmente os jovens, contanto que, à medida que tomem essas decisões quanto ao aperfeiçoamento do cérebro, eles sejam capazes de fazer isso com mais escrutínio. Aqui, as questões filosóficas clássicas sobre a natureza do “eu” e a natureza da consciência dão as caras.

Conselhos de ética de IA em grandes empresas são importantes, mas, de certa forma, é a raposa cuidando do galinheiro. A única maneira de termos um futuro positivo quando se trata do uso de tecnologias de IA para criar mentes sintéticas e melhorar a mente humana é trazer essas questões diretamente para o público, e é por isso que eu me importo bastante com o engajamento popular e com a garantia de que todas as partes interessadas estejam envolvidas.

Em um mês, serei a ilustre acadêmica da Livraria do Congresso para o próximo ano, então poderei levar essas questões à capital americana. Espero que, embora muitos líderes de tecnologia estejam ocupados demais para pensar seriamente sobre algumas das questões filosóficas subjacentes, o próprio público se dedique a esse tópico.

Como saberíamos se uma máquina é consciente? Eu sugeri que não podemos presumir que uma IA sofisticada será consciente. Além disso, pode ser que a consciência seja desenvolvida apenas em certos programas de IA ou com certos substratos, certos tipos de microchips e não em outros. Até onde sabemos, talvez sistemas de base de silicone possam ser conscientes, mas sistemas que usem nanotubos de carbono não. Não sabemos. É um questionamento empírico. Então, seria útil fazer alguns testes.

A parte complicada é que, mesmo hoje em dia, não podemos dizer com exatidão o que sistemas de aprendizagem profunda es- tão fazendo. O problema da caixa-preta da IA questiona como podemos saber quais cálculos estão nos sistemas de aprendizagem profunda, inclusive no nível inicial de sofisticação em que se encontram hoje.

Em vez de olhar por baixo do capô da arquitetura da IA, a maneira mais eficaz de determinar a consciência em máquinas é fazer uma abordagem em duas partes. A primeira coisa a se fazer é um teste com base em comportamento, que desenvolvi no Instituto de Estudos Avançados com o astrofísico e prodígio dos exoplanetas Edwin Turner. É um teste simples. Uma das coisas que mais chamam a atenção na consciência humana é o fato de que temos a capacidade de compreender situações imaginárias que envolvam a mente. Quando você era criança, talvez tenha visto o filme “Sexta-feira muito louca”, em que mãe e filha trocam de corpo. Por que isso fez sentido para nós? Fez sentido porque conseguimos imaginar a mente deixando o corpo. Não estou dizendo que a mente de fato saia do corpo, mas conseguimos imaginar situações, pelo menos em linhas gerais, que envolvam uma vida após a morte, reencarnação, experimentos de pensamentos filosóficos.

O que precisamos fazer, então, é promover IAs capazes de imaginar esses tipos de situações. Há, porém, uma boa objeção a isso, que é o fato de podermos programar uma IA para agir como se fosse consciente. Hoje em dia, já existem IAs que conversam e agem como se tivessem vidas mentais. Pense em Sophia, da Hanson Robotics. Ela fala com você, e a imprensa até conversa com ela como se fosse um ser consciente. Creio que tenha sido oferecida a ela cidadania na Arábia Saudita, o que é interessante.

O que precisamos fazer para determinar se uma IA é consciente é confiná-la. Essa é uma estratégia usada na pesquisa de segurança de IAs para evitar que ganhem conhecimento sobre o mundo ou ajam nele durante o estágio de pesquisa e desenvolvimento, em que se aprende sobre as capacidades de um sistema. Nesse momento, se você não fornece à inteligência artificial conhecimento sobre neurociência e consciência humana e percebe comportamentos anômalos quando a examina à procura de experiência consciente, faça experimentos de pensamento e veja como ela reage. Pergunte, simplesmente: “Você consegue se imaginar existindo após a destruição de suas partes?”.

Turner e eu escrevemos várias perguntas, uma espécie de teste de Turing para consciência de máquinas, projetado para despertar comportamentos contanto que elas estejam confinadas apropriadamente, e isso serve para garantir que não tenhamos falsos positivos. Dito isso, não acho que o teste seja a única maneira de abordar essa questão. É o que filósofos chamam de “condição suficiente” para a consciência de máquinas. Então, se uma má- quina passar no teste, temos motivo para acreditar que ela é consciente. Mas, se for reprovada, outros testes podem ainda assim de- terminar que ela é consciente. Talvez não seja devidamente linguística, talvez não tenha noção do “eu”, e por aí em diante.

Como mencionei, ofereço uma abordagem de duas partes. Deixe-me falar sobre a segunda maneira de determinar se máquinas podem ser conscientes, porque esse é um caminho sensível devido aos desenvolvimentos recentes em chips cerebrais. Conforme usamos neuropróteses ou chips em partes do cérebro que fundamentam a experiência consciente em humanos, se esses chips forem bem-sucedidos e se não notarmos déficit de consciência, então temos motivo para crer que aquele microchip feito de um substrato em particular — digamos, silicone — possa proporcionar consciência quando está no ambiente arquitetônico certo.

Isso seria importante se determinássemos que outro substrato, quando inserido no cérebro humano, não muda a qualidade de nossa experiência consciente quando está em áreas do cérebro que acreditamos ser responsáveis pela consciência. Isso significaria que, em tese, poderíamos desenvolver uma consciência sintética. Talvez façamos isso simplesmente ao substituir de forma gradual o cérebro humano por componentes artificiais até que, no fim, tenhamos um ser que seja uma IA plena.

Eu amo a interseção entre filosofia e ciência ou a parte em que a ciência fica turva e precisa pensar sobre suas implicações. Exemplos disso seriam as teorias da emergência do espaço- tempo na física, nas quais é necessário observar teorias matemáticas e então tirar conclusões a partir delas sobre a natureza do tempo. Questões como essa envolvem um equilíbrio delicado entre considerações matemáticas ou empíricas e questões filosóficas. Este é o momento em que eu gosto de intervir e me envolver.

Estou bastante interessada no escopo e no limite do que podemos saber enquanto humanos. Somos seres humildes e talvez, conforme aperfeiçoemos nossos cérebros, encontraremos respostas para alguns dos clássicos problemas filosóficos. Quem sabe? Por enquanto, se desenvolvermos tecnologia de inteligência artificial sem ter o cuidado de pensar sobre questões envolvendo a natureza da consciência ou a natureza do “eu”, veremos que essas tecnologias talvez não façam aquilo que as pessoas que as desenvolveram queriam que fizessem: melhorar as nossas vidas e pro- mover a prosperidade dos humanos.

Precisamos ter cuidado para nos assegurar de que saberemos se estamos criando seres conscientes e de que saberemos se melhorias radicais em nossos cérebros serão compatíveis com a sobrevivência da pessoa, se- não essas tecnologias levarão à exploração e ao sofrimento de seres conscientes, em vez de melhorar as nossas vidas.

Gosto daquele lugar de humildade em que deparamos com uma parede epistemológica, porque isso nos ensina o escopo e os limites do que conseguimos compreender. Às vezes é importante lembrar, nos dias atuais, com as abundantes inovações tecnológicas, que sempre existirão questões para as quais não temos respostas definitivas. Um bom exemplo é o questionamento sobre cérebros em tonéis — se estamos ou não vivendo dentro de simulações de computador. Essas são questões epistemológicas, sobre a natureza do conhecimento, e que não apresentam respostas fáceis. 

O futuro da mente. 2

GESTÃO E CARREIRA

ESQUEÇA O QUE APRENDEU SOBRE MILLENNIALS E XERS

Quem tem filhos pequenos já notou: o cenário muda muito em dois anos com a I.A., vamos lidar não com gerações, e sim com indivíduos

Esqueça o que aprendeu sobre Millenials e XERs

O conceito de gerações, como o usamos hoje, vem de uma série de estudos de sociólogos e filósofos que escreveram sobre o tema nas primeiras décadas do século 20. Em especial Karl Mannheim, com um artigo intitulado O Problema das Gerações, publicado em 1928.

Embora na época se considerasse que uma geração tinha um ciclo de 30 anos, Mannheim deixa claro que o determinante do período não é a questão cronológica, mas sim a homogeneidade das influências externas no indivíduo. Segundo ele, mais importante do que nascer num mesmo período é a possibilidade de presenciar os mesmos acontecimentos e processar as experiências de forma semelhante.

Naquela época, os períodos entre grandes transformações eram bem mais longos do que hoje. Enquanto o telefone levou 70 anos para atingir 90% da população, a TV colorida levou 20 anos e o celular, menos de dez. Enquanto a internet levou quatro anos para atingir milhões de usuários, o Facebook levou dois anos, o YouTube, dez meses e o Pokémon Go, 19 dias. As curvas de adoção de novas tecnologias se tornam cada vez agressivas, e isso significa que as influências externas estão mudando o tempo todo.

Se as influências mudam com velocidade crescente, isso significa que uma criança de 10 anos hoje está exposta a um ambiente muito diferente do que outra criança estará daqui a dois ou três anos, ao chegar à mesma idade. Tem sentido falarmos em uma geração a cada 20 ou 30 anos?

Quem tem filhos pequenos sabe bem o que estou afirmando. Até as escolas se transformam e precisam se atar a um mundo que evolui muito rapidamente. Vive uma era em que as experiências se tornam mais personalizadas. Com o uso cada vez mais imenso de inteligência artificial, isso vai aumentar. Com a computação quântica vai dar outro salto.

A inteligência artificial vai permitir que as difere pessoais. de personalidade, background, gostos e preferências sejam valorizadas numa dimensão nunca a vista. Os aplicativos serão únicos, e cada usuário vai viver experiências especificas. Isso estará em constante mutação, numa evolução ditada pelo consumidor. Imagine entrar numa loja de roupas, identificar-se na tela do espelho e imediatamente começar a se ver vestido com uma série de roupas sugeridas pelo algoritmo do varejista, que leva em consideração seu histórico de compras, suas curtidas nas redes sociais, as pessoas que você segue, seus influenciadores e amigos. Essa tecnologia já existe hoje, num centro de inovação da varejista japonesa de roupas Uniqlo, em Tóquio. É muito diference da experiência a que estamos acostumados. Mas é muito provável que em pouco tempo se dissemine por todo o varejo. O que vai mudar o layout das lojas, o perfil e a quantidade dos seus funcionários, o tempo que passamos dentro das lojas, além de outras consequências desconhecidas que só veremos na prática. O espaço de tempo paro a adoção de uma tecnologia como essa será muito curto comparado ao conceito de uma geração. E uma tecnologia como essa muda o comportamento das pessoas de forma significativa. É provável que período de, digamos, cinco anos após sua implementação, outras inovações causem outros impactos no comportamento do consumidor. Pessoas com pequenas diferenças de idade terão sofrido influências externas muito diferentes. Ainda serão da mesma geração?

As crianças de até 10 anos hoje já têm uma dificuldade muito grande de entender o conceito de televisão como seus pais a concebem. Mas ainda poderão compreender como era usado esse dispositivo, com muita explicação. Uma criança que hoje tem 5 anos, entretanto, quando chegar aos 10, terá uma capacidade de compreensão mais limitada do mesmo conceito. O esforço de abstração precisará ser imenso. Porque, em cinco anos, muita coisa tem mudado no entretenimento.

Se você estava pensando que o ambiente de negócios ganhou uma complexidade adicional por dar voz a mais gerações no ambiente de trabalho ao mesmo tempo com comportamentos muito diferentes, dou-lhe uma boa e uma má notícia: a boa é que, ao esquecer o conceito de gerações, você deixa de se preocupar com os estereótipos (aplicados às gerações X, Y. Z…) e de pensar pela ótica de tribos ao definir políticas de atração e estímulo de talentos, e de melhoria do ambiente de trabalho. A má notícia é que a complexidade leva à granularidade. Não estamos falando de quatro ou cinco grupos, e sim de diversidade real. Vamos lidar não com gerações, e sim com indivíduos.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

Qualificados - Tony Cooke

CAPÍTULO QUATRO – CARACTERÍSTICAS DOS QUALIFICADOS

“O nosso Senhor deixou claro para Tiago e João que, no Reino de Deus, a alta posição está reservada para aqueles cujos corações — até mesmo nos lugares secretos onde ninguém mais sonda — são qualificados.”  Oswald Sanders

Pensamento-chave: Todos os líderes espirituais deveriam empenhar-se diligentemente para se tornarem e permanecerem qualificados.

Se chamássemos a nós mesmos para o serviço — se nos “autodesignássemos” — então, teríamos o direito de determinarmos os nossos próprios padrões. Mas se Deus nos chama para o serviço, então iremos prestar contas a Ele, e Ele tem o direito de estabelecer o que nos qualifica para servi-Lo de modo eficaz.

Moisés estava em um ponto de total sobrecarga. Ele estava tentando ser sozinho os poderes executivo, legislativo e judiciário do governo de Israel. Seu sogro, Jetro, o aconselhou a respeito dos ajudantes que ele deveria escolher (Êxodo 18:21): “Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza”. A versão da Bíblia A Mensagem traduz esses traços de qualidade como “homens competentes, que temam a Deus e sejam íntegros, incorruptíveis”.

Por acaso alguém foi qualificado por Moisés para servir como juiz sob a sua liderança? Não, mas as seguintes características comuns foram identificadas:

  • Eles tinham que ser capazes e competentes.
  • Eles tinham que ser tementes a Deus.
  • Eles tinham que ser pessoas de integridade e honestidade.
  • Eles tinham que ser incorruptíveis, odiando a avareza e imunes ao suborno.

Aqueles que foram selecionados para servir em posição de alta responsabilidade tinham que personificar credibilidade e integridade, para que a corrupção e a injustiça não alcançassem o povo da aliança de Deus. Muitos anos depois, o rei Davi disse: “Aquele que domina com justiça sobre os homens, que domina no temor de Deus” (2 Samuel 23:3).

Em Atos 6, os apóstolos reconheceram a necessidade de trabalhadores que auxiliariam na distribuição diária de comida (tinha havido acusações de parcialidade e negligência nessa área). Os apóstolos também listaram certas qualificações que foram necessárias quando eles deram a seguinte orientação (Atos 6:3): “… escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço”.

Os apóstolos não estavam simplesmente procurando “descarregar” trabalho em alguém, mas era imperativo que aqueles que executariam a tarefa de distribuição tivessem certas qualificações e pudessem lidar com essa responsabilidade.

  • Eles tinham que ser bem respeitados, confiáveis e ter uma boa reputação.
  • Eles tinham que ser cheios do Espírito Santo.
  • Eles tinham que ser cheios de sabedoria.

Além disso, como o Evangelho espalhou-se e igrejas foram estabelecidas em outras nações, Paulo providenciou certas diretrizes para aqueles que serviriam como diáconos.

Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância, conservando o mistério da fé com a consciência limpa. Também sejam estes primeiramente experimentados; e, caso se mostrem irrepreensíveis, exerçam o diaconato. Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo. O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa. — 1 Timóteo 3:8-12

Ao ler essa vasta lista de qualificações, você percebeu que a maioria das exigências tinha a ver com caráter? Em todas essas situações, o serviço oferecido a Deus deveria ser executado por pessoas tementes a Deus. Os traços que são mencionados nessa lista (temente a Deus, integridade, bem respeitado, inocente, temperado, etc.) são, na realidade, simplesmente as características da maturidade daquele que busca ser como Cristo. Elas não são “emblemas de distinção” inalcançáveis que estão disponíveis apenas para alguns indivíduos especialmente chamados. Na verdade, todo cristão, a despeito de qualquer atribuição ministerial específica, é chamado para crescer em temor a Deus e à semelhança de Cristo.

O apóstolo Pedro disse:

…reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor.

Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele a quem estas coisas não estão presentes é cego, vendo só o que está perto, esquecido da purificação dos seus pecados de outrora.

Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. — 2 Pedro 1:5-11

Como você está nas seguintes áreas?

  • Excelência moral
  • Conhecimento
  • Domínio próprio
  • Perseverança
  • Temor a Deus
  • Fraternidade
  • Amor para com todos

Se o desenvolvimento em todas essas áreas fosse automático para os cristãos, Pedro não teria destacado a necessidade de crescermos nesses pontos, nem teria mencionado a   

possibilidade de algumas pessoas fracassarem em desenvolvê-las.

A última coisa que eu desejo para qualquer um que leia este livro é decidir que não é perfeito o suficiente e desista da ideia de servir a Deus. Precisamos entender que Deus é por nós! Ele não é um Deus crítico em busca de falhas e que está à procura de meios para impedir de nos engajarmos no serviço cristão. Ele está procurando nos ajudar a nos tornarmos tudo o que Ele nos chamou para ser, para que possamos ter credibilidade diante dos outros e trazer glória para Ele.

Mesmo cristãos jovens, que acabaram de entregar os seus corações a Deus, podem procurar por oportunidades para amar e servir a outros. Certamente, existem qualificações que se aplicam especialmente a ofícios ministeriais mais elevados e a serviços de maior expressividade, mas não significa que jovens cristãos não possam ser usados por Deus enquanto ainda estão crescendo.

QUANDO SE TRATA DE POSIÇÕES MAIS ELEVADAS…

Quando se trata de funções de maior visibilidade e influência na igreja, certo crescimento e desenvolvimento são exigidos. Paulo falou dos diáconos e disse: “Também sejam estes primeiramente experimentados; e, caso se mostrem irrepreensíveis, exerçam o diaconato” (1 Timóteo 3:10). Indicando a necessidade de liderança espiritual, Paulo também ensinou: “Não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo” (1 Timóteo 3:6). A palavra “neófito”, no grego, literalmente significa “recentemente plantado” e se refere a um recém ou novo convertido.

A Bíblia nos ensina que “àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão” (Lucas 12:48). É bom convocar jovens para   servir a Deus de alguma forma “apropriada à sua idade”, assim como é bom para uma criança aprender a ter responsabilidade guardando os seus brinquedos. À medida que uma criança amadurece, ela se torna capaz de fazer mais e mais. 

Cristãos “bebês” não devem sentir que não podem fazer alguma coisa para Deus; ao contrário, eles precisam entender que, ao crescerem em maturidade e fidelidade, serão capazes de serem chamados para executar níveis mais altos de responsabilidade.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DOAR PARA GANHAR

É importante ensinar às crianças quais suas necessidades reais de consumo, aprender a olhar a necessidade do outro e ter em mente que esse é um processo de amadurecimento

Doar para ganhar

No começo de uma nova estação do ano, ou antes de datas festivas, quando novas roupas, brinquedos e coisas serão adquiridos, é comum as famílias separarem peças de vestuário, objetos e jogos usados para doar a instituições e, assim, conseguir criar um espaço destinado a guardar as coisas novas e deixar tudo em ordem para o novo período.

Sobre vários aspectos, essa é uma ação importante e louvável. Constitui ato de cidadania que deveria fazer parte da rotina de todas as famílias. Além disso, é uma forma de ensinar às crianças e jovens que objetos que eles já não usam nem precisam podem ser de grande valia para outras pessoas. Um aprendizado de valores e convívio em sociedade.

Tomar consciência de possuir peças repetidas, roupas sem uso, livros que nem foram lidos, brinquedos na caixa que ninguém nem lembra de ter ganhado, ao serem vistos, traz à razão o quanto podemos ser perdulários, consumistas.

É uma boa hora para se refletir sobre um outro lado da questão: podem os pais, sem risco de desrespeitar os filhos como pessoas, dispor das coisas que lhes pertencem, sem os comunicar? Até que ponto essa decisão é dos pais e até onde os filhos devem ser ouvidos? Qual a idade certa para a criança opinar?

Todos lemos objetos, roupas e livros que consideramos especiais, quer porque nos agradam muito, nos foram oferecidos por alguém muito querido, em uma data memorável, ou porque têm um valor simbólico e sentimental inestimável. Por que não pode ser assim para as crianças? Elas devem participar dessa seleção e ter oportunidade para manifestar sua opinião!

É conveniente, antes de tudo, explicar por exemplo que se precisa do espaço para guardar os no vos materiais escolares no lugar dos antigos e até trocar com outras crianças alguns jogos que se tornaram desinteressantes porque elas estão mais amadurecidas. No caso de resistência exagerada, os pais devem ser mais persuasivos e até firmes, pois sempre há aquelas crianças que não se desprendem de nada, não conseguem abrir mão mesmo de coisas pelas quais nunca mostraram interesse. E esse é um aprendizado necessário e formativo para todos, embora possa demorar algum tempo para se tornar uma rotina familiar tranquila.

Mas deixar de atender todos os pedidos dos filhos em favor da manutenção de um brinquedo especial, ou qualquer outro bem de valor sentimental, é uma medida que vai consolidar a ideia de que as coisas estão sendo “roubadas” deles, sem respeito algum pelos seus sentimentos pessoais. E isso vai torná-los mais egoístas, diminuindo ou mesmo fazendo desaparecer o espírito de colaboração social e de desprendimento que se objetivava ensinar.

Talvez algumas estratégias precisem ser adotadas pelos familiares encarregados dessa tarefa em relação aos pequenos. Em primeiro lugar, fazer disso um hábito periódico, para que a criança desde cedo se acostume. Segundo, a arrumação deve começar pelos armários dos próprios adultos e as crianças podem acompanhar a tarefa, ajudando a empacotar e etiquetar, por exemplo. Assim também começam a compreender o que significa doar, o que vai acontecer com as coisas depois que forem separadas e as razões para fazer essa doação. A postura dos adultos nesse momento é decisiva para o sucesso do aprendizado: contar como foi levar as coisas para este ou aquele local, como foi recebido e para que foi utilizado.

Terceiro, antes de retirar as coisas dos armários das crianças é aconselhável explicar o critério que será usado na seleção das coisas dela: brinquedos já muito usados, que perderam o interesse para sua idade, roupas justas, pequenas, livros que não serão mais usados etc. Podem ser colocadas caixas ou sacolas para cada fim.

Ao separar o material, mostrar à criança peça por peça e perguntar o que ela acha que deve ser doado. E estar atento para a sua atitude para poder intervir com sensibilidade e serenidade, antes que os problemas comecem. A doação deve ser pensada e espontânea.

Dar à criança a oportunidade de pensar o que deseja ou precisa guardar é respeitar sua maneira de lidar com perdas e seu grau de maturidade. Por muitas vezes a própria criança acaba por entregar para doação e com grande desprendimento algo que horas antes tanto queria guardar.

A maior lição, entretanto, está justamente no ensinar aos mais jovens que o respeito pelo outro independe de hierarquia, de poder ou de força. O respeito é um exercício de deferência ao direito do próximo e enobrece a imagem de quem, podendo simplesmente dar ordens por ser o mais velho ou ter maior poder, se preocupa verdadeiramente com o outro.

Aliás, a doação não precisa ser apenas de objetos, pode ser de tempo, de atenção aos outros: escrever um bilhete ao amigo doente, doar uma tarde de domingo para ajudar em um mutirão, participar em um bazar beneficente. Tudo depende da idade e interesse da criança: se aos 3 anos já pode opinar sobre os brinquedos e roupas que deseja doar, antes dos 10 anos visitar creches e asilos pode não ser para todas uma boa ideia.

De toda forma, doar tempo, atenção ou objetos faz muito bem a quem doa, pois estimula a empatia e a solidariedade, aumenta a autoestima por ter aprendido a ser generoso e menos consumista.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos e publicações nacionais e internacionais. Coordena cursos de especialização em Neuroaprendizagem. irenemaluf@uol.com.br