A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

BORDANDO MEMÓRIAS

O ato de produzir, quando se refere à população feminina, apresenta um significado peculiar, colocando em discussão o movimento que leva à busca das próprias raízes e a importância das práticas manuais

Bordando memórias

O principal objetivo deste trabalho é estimular uma reflexão a partir dos dois indicadores de saúde mental assinalados por Freud: a capacidade de amar e a de produzir (Freud, 1930). É oportuno se debruçar, em primeira instância, sobre o significado de produzir na atualidade no que tange à população feminina. A atenção surge em virtude do crescente interesse que as atividades manuais têm instigado, decorrendo na criação de inúmeros espaços destinados ao seu ensino.

Nas últimas décadas tem sido expressivo o movimento em busca das próprias raízes e a ressignificação das práticas manuais, que contribuem para um agrupamento humano afetivo. Essas artes tornaram-se objeto de pesquisa e tema de várias publicações, dissertações de mestrado, exposições etc. Em 2014, a Unicamp, atenta a essa nova tendência, abriu suas portas para acolher artistas e pesquisadores de todo o país no 1º Seminário Nacional de Bordado.

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UMA DELICADA TEXTURA

O mundo cada vez mais dominado pela tecnologia, onde as pessoas se tornam invisíveis e o contato humano escasseia e no qual se contemplam valores fundamentais como ética, respeito e solidariedade serem desconsiderados, foram importantes estímulos para a elaboração deste texto. Hoje, preponderam a pressa, a superficialidade, as relações epidérmicas; os indivíduos são tratados como objetos que, após serem utilizados, não têm mais serventia e são descartados. Basta mencionar o tratamento concedido aos idosos, marginalizados em sua maioria, sem interlocutores com os quais estabelecerem diálogo nem ouvintes para acolher suas histórias. Situação análoga à vivida pelas mulheres que, ao longo dos séculos, travaram árduas lutas para obter o direito à livre expressão de seus desejos, anseios e sonhos.

No passado as feminices eram guardadas a sete chaves, apenas segredadas entre amigas. Um vasto universo glorificado por uns e menosprezado por outros, mas que exerce fascínio inegável na imaginação de poetas e pesquisa- dores. Até mesmo Freud, hábil investigador das almas, se perguntou estarrecido, na obra Vida e Obra de Sigmund Freud: afinal, o que quer uma mulher?

A partir da Revolução Industrial, as mulheres, convocadas a ingressar num mercado sobejamente masculino, passaram a ocupar posições de destaque em diversos campos, tanto do conhecimento como em profissões antes desempenhadas apenas pelos homens. Diferente deles, contudo, à jornada diária de trabalho acresciam-se as atividades de âmbito doméstico. Grandes conquistas foram obtidas, sem dúvida. Entretanto, o acúmulo de responsabilidades ocasionou o abandono e a depreciação das habilidades manuais, executadas com maestria pelas gerações anteriores. Com isso, perdeu-se um importante espaço de convívio, quando as conversas fluíam entre fios de cumplicidade e as cores de amorosos diálogos. A casa, hoje, como bem diz Rachel Jardim (2005): “…virou um lugar de passagem. As próprias tarefas chamadas femininas não existem mais. A comida é industrializada, congelada, as roupas de cama e mesa são sintéticas. A mulher foi expulsa pela sociedade de consumo do seu próprio universo, como Eva do Paraíso” (O Penhoar Chinês, p. 252-253).

Em decorrência da hipervalorização do desempenho profissional, observou-se curioso fenômeno: as mulheres que optavam por se afastar temporariamente do mercado de trabalho para cuidar de seus filhos passaram a ser vistas quase como uma aberração e a se deparar com inúmeras dificuldades ao reingressarem num mercado altamente competitivo. Aquelas poucas que ousaram desafiar o conceito vigente e privilegiaram esse espaço sagrado da casa, cultivando o silêncio e a troca informal de conhecimento, foram estigmatizadas e vistas como alienadas.

No último decênio, gradualmente instalou-se uma interessante modificação proveniente – sob essa óptica – da necessidade de constituir locais mais humanos de convivência. O bordado, como outras práticas manuais, alcançou um lugar destacado em virtude de favorecer uma lenta e gradual inserção num universo onde a pressa cede lugar ao tempo das memórias, espaço favorável à expressão da criatividade.

A indagação de Freud foi o fio condutor dessa reflexão, motivando algumas considerações sobre o que instigaria, hoje, a busca de tantas mulheres por esses ambientes de compartilhamento de experiências.

Atualmente, as mãos que gerenciam empresas, governam o país ou discutem os rumos da economia são as mesmas que fiam, tricotam, pintam e bordam, levando à indagação: o que produzem essas modernas Penélopes quando se dedicam, em suas horas de lazer, a elaborar delicadas produções artesanais? Qual o conteúdo subjacente às cores e texturas com os quais matizam os tecidos?

A nosso ver, o que elas transpõem para o pano é um resumo da própria história, recortes de lembranças essenciais, recuperação das raízes, registro da ancestralidade. Nessa teia subjetiva, as linhas são o veículo com o qual fixam sua narrativa.

 O SER E O FAZER

Essa indagação parece a chave para se esboçarem algumas considerações. Em primeiro lugar, o sistema vigente é o maior responsável por essa busca, uma vez que o processo produtivo gera uma dissociação no sujeito: a repetição mecânica das tarefas requer um distanciamento de si mesmo para preservação da saúde. Tal ruptura embrutece e pode ocasionar graves enfermidades psíquicas.

Vale ressaltar que a óptica do sistema capitalista recai numa relação quantitativa visando à obtenção do lucro. A atividade recorrente de uma produção em massa destitui o indivíduo de sua subjetividade, tal como representado na célebre cena do filme Tempos Modernos, onde o ator aperta parafusos numa linha de produção até o momento em que, sem parafuso algum, ele repete o gesto como um robô. A cena condensa exemplarmente, em termos de adoecimento, o que uma ação sem sentido pode originar, uma vez que, segundo José Bleger: “Toda conduta refere-se sempre a outro. A relação com as coisas é sempre um derivado da relação com as pessoas, das relações interpessoais; os objetos são sempre mediadores que se carregam das relações humanas” (A Psicologia da Conduta, p. 80).

Portanto, é possível trabalhar com a suposição de que um vínculo exploratório dessa natureza impossibilita os laços interpessoais e a relação com as coisas são unicamente moduladas em função da renda a ser aferida para os detentores do poder. Bleger enfatiza aqui a importância da conexão entre a coisa e o sujeito, a relevância dos relacionamentos interpessoais que valorizam as tarefas desempenhadas, ao passo que, no sistema capitalista, prepondera uma proposta inversa.

Num nível mais sofisticado, essa cisão também pode ser verificada, pois nos altos escalões das empresas a pressão pelo desempenho e a competitividade são de tal ordem que exigem o abandono da vida pessoal. O indivíduo, por mais especializado que seja, não pode vacilar, sob o risco de ser imediatamente substituído pelo descumprimento das metas estabelecidas.

Sob essa égide, todas as demais produções humanas que não se enquadrem nesse parâmetro são tidas como inúteis ou sequer são reconhecidas como tal – o ser e o fazer permanecem dissociados ou, em outras palavras, os indivíduos são avaliados por aquilo que produzem e gera lucro. E aqui retornamos à questão a respeito de qual seria o agente mobilizador das atividades manuais, uma vez que, em sua grande maioria, as produções são criadas apenas para o próprio deleite, estendendo-se, quando muito, para o ambiente familiar.

Surge o questionamento acerca da importância que o olhar do outro representa em termos de reconhecimento subjetivo da verdadeira essência. Winnicott ressalta, em seus postulados, a relevância de uma companhia viva e real responsável pelo desenvolvimento saudável do sujeito. O olhar do outro legitima e endossa a potencialidade ali existente e cria condições favoráveis para a expressão do verdadeiro self.

Nesse momento, porém, é imprescindível distinguir dois tipos de espaço: aqueles que se destinam unicamente ao ensino e os outros que, orientados por um profissional qualificado, visam acolher e dar sentido às experiências ali vivenciadas.

 ATIVIDADE CRIATIVA

No primeiro caso, pode-se facilmente resvalar para um aprendizado destituído de criatividade, no qual o aluno apenas reproduz os pontos ensinados. Esse tipo de produção em muito se assemelha ao que foi mencionado anteriormente. Embora não esteja subordinada ao capital, evidencia-se, de todo modo, uma sujeição análoga.

De acordo com Winnicott, a atividade criativa que se dá no contexto da submissão torna-se “doentia para a vida”. Nesse enfoque, nem sempre uma obra de arte é expressão genuína de criatividade, ao contrário, pode ser resultante de uma profunda dissociação.

Na segunda proposta, contudo, de acordo com as formulações de Benjamim (1936/1996), trata-se de favorecer a instauração de um espaço adequado a um precioso compartilhamento de experiências. O analista procura fornecer uma ambiência suficientemente boa equivalente à ofertada pela mãe nos primórdios do desenvolvimento emocional, consoante a formulação de Winnicott de que “…o ser humano se encontra em processo de contínuo amadurecimento…” (1945). A apresentação de todo o material – tecidos, linhas e até mesmo dos pontos – visa facilitar a expressão de aspectos significativos do self do indivíduo. Cabe ao especialista o acompanhamento do processo pautado pela compreensão de que “qualquer criação, seja ela uma escultura, um poema ou um trabalho científico, relaciona-se ao sentimento de estar vivo e sentir-se real”.

O traço distintivo dessa conduta profissional é o oferecimento de materialidades mediadoras, conjugado a um modo peculiar do terapeuta presentificar-se, fundamentado no manejo do setting. Esse procedimento é norteado por um uso não interpretativo do método psicanalítico.

O analista baseia-se fundamentalmente nessa modalidade na concepção genial winnicottiana de apresentação de objeto ao bebê pela mãe. A apresentação de objetos mediadores transposta para um encontro humano num enquadre diferenciado responde às necessidades subjetivas mais expressivas e favorece o surgimento de efeitos terapêuticos. Essa linha investigativa conduziu à elaboração de alguns trabalhos nos quais procuramos abordar, à luz da psicanálise winnicottiana, as várias falhas do suprimento ambiental entremeadas a relatos de acontecimentos clínicos. É bom lembrar a compreensão de Politzer acerca do método psicanalítico como método clínico interpretativo, desde que assentado no pressuposto de que toda conduta humana tem sentido – associando-se, todavia, nessa abordagem, à busca do sentido emocional do fenômeno humano. Distingue-se, portanto, do preceito positivista, experimentalista etc. Nesse enfoque, o enquadre diferenciado é uma das alternativas de concretização do método psicanalítico. O terapeuta, segundo essa concepção, é aquele que permanece ao lado, acompanhando, mas verdadeiramente presente, respeitando os ensinamentos de Winnicott de que nem mesmo a mais douta técnica materna substitui a presença viva da mãe. Isso implica em poder tolerar até mesmo o caos, sem a necessidade de organizá-lo rapidamente. Privilegia-se, aqui, o próprio acontecer, tal como preconizado por Winnicott quando afirmava: “Seja o que for que aconteça, é o acontecer que é importante”.

O resultado estético, sem dúvida, tem relevância, mas não deve jamais, nesse caso, ocupar o primeiro plano.

À luz das formulações de Safra (1996), as criações de cada aluna, derivadas de autênticas expressões emocionais, podem ser configuradas como produção cultural que, de acordo com o autor, adquirem o contorno de objetos de self, presentificando expressivos aspectos do ser, a forma singular de sentir ou existir. Sob essa óptica, todo o processo é compreendido como experiência estética, pois descreve um denso sentimento de comunhão evocado por um objeto que a religa a aspectos fundamentais do próprio self. Embora o sentido global dessa experiência seja inapreensível, constituindo tarefa para toda uma existência, pode-se certamente apreender fragmentos relevantes nesse tipo de produção, como demonstram os relatos a seguir, demonstrativos de reencontro tanto com a linhagem biográfica como com o resgate de expressões inéditas da criatividade de duas alunas.

No quadro Estudos de casos é possível conhecer alguns trabalhos realizados durante meses que resultaram nos bordados apresentados. Esperamos que eles possam corroborar nossa hipótese de como o uso de materialidades mediadoras, conjugado a uma ambiência adequada, favorece a expressão de aspectos genuínos de self e possibilita a integração de aspectos dissociados da personalidade.

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OUTROS OLHARES

A PRAGA DA DENGUE

Apesar da chegada do inverno, o vírus, agora do tipo 2, segue se alastrando principalmente pelos estados do Sudeste e Centro-Oeste, provando que a infecção se tornou uma tragédia nacional

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Na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro de Jardim Peri, na região norte de São Paulo, a dona de casa Luzia dos Santos Moraes, de 42 anos, escora o corpo onde pode. Ela está enfraquecida e cansada. As dores são muitos fortes e ficar em pé se torna um desafio. Suas filhas, Flávia e Fagna Santos de Moraes, de 21 e 22 anos, respectivamente, conversam com a reportagem de ISTOÉ enquanto a mãe espera ser atendida. Vindas de Belém do Pará há dois anos, tentam a “sorte” na capital paulista. Além das duas, Luzia tem outra filha, que recebeu, na primeira semana de julho, o diagnóstico de dengue. No bairro em que elas moram atualmente, Lauzane Paulista, há inúmeras pessoas infectadas. Depois de esperar pouco mais de duas horas e já dentro do ambulatório, Luzia recebe a notificação de suspeita de dengue. Dali, segue para fazer a “prova do laço” para saber a urgência do caso. O enfermeiro amarra uma faixa em seu braço e o deixa apertado por cinco minutos. Se pintas vermelhas aparecem, a doença pode trazer mais riscos e se tornar mais grave, causando hemorragias, uma vez que se revela alteração na coagulação sanguínea. Para a sorte de Luzia, nada apareceu. De acordo com a gerência da UBS, cerca de 90% dos casos que chegam são suspeitas posteriormente descartadas, devido à semelhança dos sintomas a outros quadros, como o de forte gripe.

O Brasil enfrenta hoje uma das piores epidemias de dengue de sua história, com 597 mil casos confirmados, e apesar da chegada do inverno, a enfermidade não dá sinais de arrefecimento. O problema é a dengue tipo 2, que ainda não havia sido detectada no País e atingiu principalmente os estados de São Paulo e Minas Gerais, que reúnem 60% dos casos. Desde 2015 não se via uma epidemia tão severa e prolongada, com tantos casos constatados e tantas mortes. Filas nos hospitais, pessoas com suspeitas de contaminação, mutirões de combate ao mosquito e campanhas de prevenção viraram rotina nas cidades paulistas e mineiras. Somente no primeiro semestre de 2019, os casos de morte por dengue aumentaram 163% no País, em relação ao mesmo período do ano passado. Em números absolutos, isso significa um salto de 139 para 366 óbitos. É a porcentagem mais expressiva desde 2015, quando foram registradas 752 mortes — a metade é de pessoas idosas, com mais de 60 anos. São Paulo lidera o ranking de falecimentos, 157, seguido por Minas Gerais, 98. Juntos, os dois estados somam 255 casos. O estado mineiro ainda investiga 137 óbitos, o que pode elevar a incidência letal da dengue. Em São Paulo, os casos prováveis bateram 267.602. Em Minas Gerais, o número foi mais assustador; 423.317, o que faz da atual epidemia a segunda pior de sua história, atrás apenas de 2016, quando houve 517.830 notificações. Tocantins teve a maior elevação, crescendo 1369% (de 210 para 3085, em relação a 2018)

Os números são mais assustadores quando se fala em casos prováveis de dengue, o que inclui os suspeitos de terem contraído a doença: um aumento de 561%. Isso equivale a um salto de 170.628 para 1.127.244 em todo o País, segundo o último boletim do Ministério da Saúde sobre doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, com informações até o dia 8 de junho. Além dos quatro tipos de dengue — 1, 2, 3 e 4, o mosquito também transmite a zika e chikungunya. “Enquanto não houver um controle rigoroso dos criadouros do Aedes enfrentaremos epidemias todos os anos”, diz a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo, Regiane de Paula. “Além dos esforços do governo, os cidadãos também precisam fazer a sua parte, retirando lixo do jardim, dispensando recipientes que acumulam água e limpando calhas e ralos”. Dezenas de cidades paulistas estão realizando mutirões permanentes de combate à doença. São Caetano do Sul tem feito mutirões todos os fins de semana, assim como Ribeirão Preto e Birigui, que, por sinal, são a sexta e a sétima cidades com mais casos no estado de São Paulo. Em Ribeirão Preto, entre os 700 mil habitantes, foram confirmados 7.236 episódios e em Birigui, com uma população de 105 mil pessoas, houve o registro até agora de 6.636 doentes. A família da empregada doméstica René Faustina, de 48 anos, teve quatro pessoas infectadas pelo vírus: ela, a irmã, o sobrinho e o cunhado. O marido de uma prima e o filho deles também pegaram a doença. Faustina acredita que foi infectada em Birigui, a 20 quilômetros de Bilac, onde vive. Todos os dias, Birigui recebe um contingente grande de trabalhadores, entre os quais Faustina, que passa pouco mais de vinte minutos no transporte para fazer faxinas. Com ela, os sintomas seguiram o diagnóstico padrão da doença: dor de cabeça, febre e moleza no corpo, e perduraram por cerca de 15 dias. “Depois começaram a sair aquelas pintas que aparecem quando a gente está sarando. Não deixei de trabalhar nesse período e com dor no corpo fui fazer as minhas faxinas. Como é em casa de parentes é mais fácil, a gente pode sentar um pouco e descansar”, diz ela.

Para além dos primeiros sintomas, a irmã de Faustina, Ângela (nome fictício), aposentada e com 63 anos, também sentiu tonturas, disenteria e coceira pelo corpo. “É horrível, parecia que eu ia morrer. Muita gente foi infectada. Na minha rua, quase todos os vizinhos, e mesmo com o tempo seco”, conta ela. Seu filho, Guilherme, passou mal por sete dias. Durante esse período, não conseguiu trabalhar: “Nem levantava da cama, fiquei bem fraco, tamanha a desidratação”, afirma o jovem de 27 anos, analista de tecnologia da informação. Em janeiro, Maria Denice Lima e sua filha também adoeceram. “Fiquei mal por uns 30 dias, apresentei muitos sintomas e perdi 5 quilos. Dos moradores de Bilac, quase todos foram infectados pelo mosquito”, afirma Denice.

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MAIOR GRAVIDADE

“Desde a década de 1990 enfrenta-se a dengue. A gente convive com a doença o ano todo, numa situação endêmica”, afirma Luzia Passos, diretora do departamento de Vigilância e Planejamento da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto. “Em 2019, só identificamos o sorotipo 2, que predomina em todos os estados, e encontramos pessoas muito vulneráveis”. Na cidade, em anos anteriores, houve contaminação dos sorotipos 1, 3 e 4. Quem já contraiu algum deles no passado tem mais chances de adquirir a versão mais grave da doença, que era chamada de hemorrágica. Além dos sintomas básicos, ela envolve também sangramentos, palidez, sudorese, dificuldade de respirar e comprometimento de alguns órgãos. Esse quadro pode evoluir para óbito.

Entre outros agravantes que levaram à atual situação, para além das políticas adotadas pelo poder público e da chegada do novo sorotipo, estão a alta infestação do vetor, um movimento migratório intenso, as chuvas e o longo período de calor que passou pelo outono e se estendeu, até recentemente, pelo inverno. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o verão de 2019 foi o quinto mais quente da história no estado de São Paulo. Com esse cenário, a epidemia começou mais cedo e deve terminar tardiamente. Outro fator é a falta de planejamento urbano que leva à formação de água parada, fonte para a reprodução do vírus da doença. Para piorar, em alguns lugares do País, falta inseticidas para combater o mosquito. No começo de junho, o Ministério Público Federal cobrou o Ministério da Saúde sobre a falta do produto, que é fornecido pelo governo federal e combate o mosquito na fase alada. No Congresso Nacional, a dengue chamou a atenção de alguns deputados. Em um pronunciamento no plenário do Senado, a parlamentar Zenaide Maia (Pros-RN) lamentou que o governo federal não tenha feito ainda uma campanha de prevenção em nível nacional. “Não é possível que a gente continue vendo pessoas morrerem de morte evitável. Nós sabemos quem é o inimigo, onde mora e o que o faz se reproduzir. Só existe uma maneira de evitar que pessoas morram por dengue: é fazendo uma campanha educativa nas escolas e junto à toda população”, alertou. Enquanto isso não acontece, a doença se prolifera e mata e só resta à população esperar o inverno chegar para que os mosquitos sucumbam. No próximo verão, porém, é bom se preparar porque eles estarão de volta.

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GESTÃO E CARREIRA

RELAÇÕES PRODUTIVAS

Um processo institucional possui um significado maior do que simplesmente o número apresentado na planilha de vendas. Quando esse valor atribuído é compreendido e relacionado à negociação, o atendimento é eficaz

Relações produtivas

As relações institucionais estão cheias de valorações que, na maioria das vezes, é mais de ordem subjetiva do que realmente material. Toda instituição mantém uma relação de troca com seus clientes, seja no próprio mercado interno (corpo laboral e fornecedores principalmente) e no mercado externo (clientes e concorrentes principalmente), e os resultados positivos só são alcançados quando essa relação de valores está adequada aos interesses das partes envolvidas no processo.

Dessa forma, sempre que ocorre a aquisição de um produto ou serviço, existe um valor simbólico que é agregado ao financeiro. Uma pessoa, por exemplo, pode comprar uma roupa para se sentir mais bonita, para ficar mais autoconfiante em busca de uma promoção no trabalho, ou para um encontro com uma pessoa especial.

Esse valor não está na roupa em si, ele pertence ao consumidor que possui fluências emocionais relacionadas ao universo em que vive. Um casal pode ir a um restaurante não pela comida ou pelo menor preço, mas porque aquele foi o restaurante onde se encontraram pela primeira vez e, para eles, isso tem um significado muito especial. Um funcionário pode obedecer uma ordem dada por um gestor sem sequer analisar seu conteúdo e resultados apenas porque esse gestor criou laços de comprometimento que geram segurança à equipe de trabalho.

Pensando assim, todo elemento na instituição se transforma em profissional de atendimento, pois sempre que se comunica está na posição de uma pessoa que atende outra pessoa, buscando acolher uma determinada necessidade e solucionando uma demanda. O atendimento, portanto, torna-se sinônimo de comunicação clarificada que dá valor ao que está sendo negociado.

São algumas características básicas que devem receber investimento para que essa valoração dos processos possa ocorrer de forma natural entre o elemento que apresenta a situação (comunicação, produto ou serviço) e o cliente (qualquer pessoa dentro ou fora da empresa). São elas:

1) DESENVOLVER UM BOM RELACIONAMENTO E CONFIANÇA: com o tempo, o outro passa a dar respostas mais rápidas por saber com quem está lidando;

2) ATENDER AS NECESSIDADES DOS CLIENTES: solucionar demandas existentes, finalizando   os processos abertos; 

3)  SUPERAR AS EXPECTATIVAS: ir além do esperado sempre ofertando algo que surpreende positivamente o outro;

4) SER EMPÁTICO: ser capaz de prever as necessidades que o outro pode ter dificuldade de apresentar;  

5) SER SIMPÁTICO: a atenção dedicada ao outro está mais ligada à linguagem não verbal;

6) SER ASSERTIVO: buscar ser objetivo nas colocações sem aprofundamentos e detalhes desnecessários; 

7)  SER ORGANIZADO:  administração do tempo e informações relevantes são os elementos-chave de qualquer pessoa que deseje passar uma imagem de organização ao outro;

8) TRANSMITIR SEGURANÇA SOBRE A INFORMAÇÃO PASSADA: o conhecimento do tema é imprescindível. Se não tem domínio sobre o assunto, delegue a quem tem para a condução do processo comunicacional da negociação;

9) SER CONFIÁVEL: nunca prometa o que não tem certeza de poder cumprir no futuro. Não há espaço para possibilidades e, se essa for a única opção de comprometimento, deixe isso claro para o outro;

10) DEMONSTRAR SENSIBILIDADE E RESPEITO: entender claramente as questões que os clientes apresentam. Saiba ouvir e no caso de dúvida pergunte para que o entendimento seja pleno; 

11)  SABER LIDAR COM DIFERENTES TIPOS DE PESSOAS: ninguém é menos importante. Nosso país guarda muitos preconceitos que estão enraizados na cultura e passam, muitas vezes, ocultos ou aceitáveis pela maior parte da população. Faça diferente sendo ético e correto com todos, independentemente do perfil que apresente, sendo prestativo e proativo;

12) GERENCIAR AS EMOÇÕES E TER INTELIGÊNCIA EMOCIONAL: se for o caso de sentir dificuldade nesse aspecto, procure um profissional terapeuta ou coach que possa auxiliá-lo no processo de alinhamento emocional;

13) SER COMPROMETIDO COM A EMPRESA, COM SEU TRABALHO E COM A SATISFAÇÃO DO OUTRO: um bom caminho para a futura valoração positiva é o início do caminho. O básico jamais deve ser esquecido;

14) SABER SEPARAR O PESSOAL DO PROFISSIONAL, MANTENDO O PROFISSIONALISMO: provavelmente o detalhe mais difícil de todas as dicas aqui apresentadas.

Muitos acreditam que seremos na vida profissional um espelho do que somos na vida pessoal. Por outro lado, outros confundem os processos e misturam a vida pessoal com a profissional, gerando problemas de ordem emocional ao invés de ter um bom relacionamento interpessoal com todos à sua volta;

15) VESTIR-SE DE MODO CONDIZENTE COM O LOCAL DE TRABALHO: por último, mas não menos importante, afinal a embalagem diz muito sobre o produto. Estar adequadamente vestida com o padrão da instituição coloca a pessoa mais próxima de adquirir uma boa credibilidade com o outro.

Portanto, para ter relações produtivas é necessário um investimento constante em vários e pequenos detalhes que, com o tempo, podem fazer uma grande diferença no resultado das ações de uma pessoa ou instituição.

 

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPITULO 7 – O QUE DEUS FEZ UMA VEZ PODE FAZER DE NOVO

 

FAÇA CHOVER, SENHOR!

Queremos que Deus transforme o mundo. No entanto, Ele não vai transformar o mundo, antes que consiga nos transformar. Pois, em nosso estado atual, não estamos em condições de abalar nada. Porém, se nos submetermos ao Oleiro, Ele fará de nós aquilo que Ele quer. Ele nos moldará ao que precisamos ser. Se nos submetermos ao toque do Oleiro, Ele poderá refazer nosso vaso quantas vezes forem necessárias. Ele fará de nós vasos de honra, poder e vida.

Afinal, não foi Ele que transformou pescadores analfabetos em revolucionários, e cobradores de impostos mal-afamados em avivalistas destemidos? Se Ele fez isto uma vez, pode fazer de novo!

Quero romper com o padrão de escrever “regras” para livros evangélicos e pedir que você ore comigo agora, enquanto lê a primeira página deste capítulo. Este livro foi escrito para ajudá-lo a introduzir a presença de Deus em sua vida e em sua Igreja. Pode parecer tolice, mas quero que você coloque a mão sobre seu coração e ore comigo agora, a “oração do vaso de barro”:

“Pai, agradecemos por Sua presença! Sentimos no ar a possibilidade de estarmos próximos do Senhor. Sentimos que está por perto. Mas, não estamos perto o suficiente. Venha, Espírito Santo! Se não for agora, quando será? Se não vier a nós, sobre quem virá? Se não for aqui, diga-nos, onde? Instrua-nos, Senhor, e Lhe seguiremos. Buscaremos Sua presença, pois queremos o Senhor. Não estamos buscando nada menos do que a Sua presença.”

Algo está acontecendo no Corpo de Cristo. Muitos de nós (e cada vez mais irmãos) já não suportamos “brincar” de religião. Está se levantando, em nosso meio, um espírito de batalha, uma ânsia de conquistar territórios, em nome do Deus Eterno. Sei que recebi do Senhor a missão de colocar minha vida em cidades chaves, pontos estratégicos, onde sinto que Deus está prestes a derramar Seu Espírito.

Estou buscando lugares onde Deus está se manifestando. Já descrevi como Deus se manifestou na cidade de Houston (fiz menção deste acontecimento porque tive o privilégio de presenciá-lo). Fui conduzido, por mais de um ano, a participar de reuniões constantes de oração em algumas cidades, coisas incríveis estão acontecendo. Ainda temos um longo caminho a percorrer. Mas, em cada uma destas cidades, tem acontecido algo de grande significado para este mover de Deus. Meu desejo é ver uma explosão contagiante da presença de Deus, como aquela experimentada por Finney, Edwards, Roberts e outros, em que muitas regiões foram alcançadas pelo Reino.

ESTOU EM BUSCA DE CIDADES INTEIRAS

Estou em busca de cidades, não estou mais interessado em só pregar para os crentes nas igrejas. Estou em busca de cidades inteiras, onde há pessoas que não conhecem Jesus.

Certa vez, quando estava em uma conferência com Frank Damazio na cidade de Portland, Oregon, eu o ouvi dizer algo que imediatamente me chamou a atenção. Ele disse que alguns pastores em Portland haviam se unido para fincar estacas em lugares estratégicos no perímetro daquela região e nas principais fronteiras. Foi um trabalho demorado, porque eles oravam sobre cada estaca colocada, como se elas simbolizassem uma demarcação espiritual.

Impelido pelo Espírito Santo, disse ao Frank: “Se você providenciar estacas, irei às cidades aonde Deus me enviar e ajudarei os pastores a demarcar o território para o Senhor.” Então comecei a orar: “Deus, mostre-me um precedente para que eu possa compreender o que o Senhor está fazendo aqui. Assim, saberei porque colocou este desejo em meu coração.”

Tal compreensão me sobreveio mais tarde, justamente na Califórnia, exatamente no lugar onde “a corrida do ouro” teve início. Quando os garimpeiros encontravam uma terra onde pudesse haver ouro, fincavam uma estaca e assim reivindicavam o território. Alguns terrenos eram mais valiosos que outros por causa do que havia sob eles. Para reivindicar um terreno naquela época, era preciso fincar uma estaca no chão. A estaca deveria levar o nome da pessoa e uma breve descrição da área que estava sendo reivindicada. O terreno seria avaliado formalmente mais tarde.

Enquanto isso, a estaca era um “documento” tão importante quanto uma escritura. Se ninguém reclamasse a terra, outra pessoa poderia remover a estaca antiga, fincar sua própria estaca com seu nome e as dimensões da terra, e dizer: “De acordo com a lei, reivindico esta terra. Estou em processo de possessão e ocupação e esta estaca é a prova de que, por lei, este terreno é meu.”

Os pastores e congregações que desenvolveram raízes em uma cidade ou região têm “direitos legais”, sob orientação de Deus, para reivindicar suas cidades para o Rei fincando suas estacas no território.

Mantivemos nossa fé cercada pelas quatro paredes de nossas igrejas. Agora, Deus nos chama a estendermos a fé além das fronteiras de nossas cidades e nação. Ao demarcamos o território de nossas cidades, estaremos expandindo as “paredes” de nossas igrejas. E isto nos obriga a encararmos o fato de sermos “a Igreja” na cidade, um povo sob Senhorio de Deus, composto de muitas congregações de acordo com o modelo “Igreja- cidade” do primeiro século.

Fizemos estacas de madeira e escrevemos as palavras “Renovação, Avivamento, Reconciliação”, juntamente com versículos bíblicos. Fizemos um furo no meio da estaca e uma proclamação, enrolada como um pergaminho, foi inserida nele. Havia cerca de vinte versículos nas estacas e na proclamação, um deles se encontra em Isaías 62, e diz:

“Eis que o Senhor fez ouvir até às extremidades da terra estas palavras: Dizei à filha de Sião: Eis que vem o teu Salvador; vem com ele a sua recompensa, e diante dele, o seu galardão. Chamar-vos-ão: Povo Santo, remidos do Senhor; e tu, Sião, serás chamada a Procurada, Cidade não deserta.” (Isaías 62.11,12.)

ARREPENDIMENTO, REIVINDICAÇÃO E RESISTÊNCIA

Na proclamação contida em cada estaca fincada no solo das cidades, havia esta declaração feita pelos “representantes legais” de Deus naquela cidade:

“Baseado na Palavra de Deus, manifestando apoio aos líderes desta cidade, me coloco como representante dos outros pastores que desejam: arrepender, reivindicar e resistir.

Arrependemo-nos, pedimos ao Senhor que nos perdoe pelos pecados deste Estado e desta região, especialmente, desta cidade. Pedimos perdão pelos pecados de corrupção política, preconceito racial, perversão moral, feitiçaria, ocultismo e idolatria. Clamamos que o sangue de Jesus purifique nossas mãos do derramamento de sangue inocente. Pedimos perdão pelas divisões na Igreja, perdão pelo orgulho, perdão pelos pecados da língua e qualquer outro pecado que tenha ferido a causa de Cristo. Nós nos arrependemos e nos humilhamos, clamamos misericórdia sobre nossa terra, nossa comunidade e nossas igrejas.

Reivindicamos, clamamos pela vinda do Reino de Deus, para que Sua vontade seja feita nesta cidade. Pedimos, em Nome de Jesus, o derramamento da graça, misericórdia e fogo para que haja um avivamento espiritual que cubra a comunidade, a fim de que as pessoas se voltem para Deus, se purifiquem, sejam quebrantadas e se humilhem. Clamamos que o destino desta cidade não seja frustrado. Clamamos que o Senhor visite esta cidade, nossas igrejas e lares. Que esta cidade não seja esquecida. Clamamos por uma restauração baseada na justiça. Também resistimos, em submissão a Deus, pela fé, ao inimigo e suas obras, a todas as forças e poderes demoníacos que têm escravizado esta cidade. Resistimos ao espírito de maldade que estabeleceu fortalezas nesta cidade. Resistimos aos lugares obscuros, às obras das trevas, aos lugares onde o inimigo esteja acampado. Clamamos o Nome do Senhor para que tais fortalezas espirituais sejam destruídas e proclamamos, neste dia, que esta cidade, especialmente esta região, está agora sob o poder e senhorio do Espírito Santo.

Por meio desta proclamação, avisamos a todos os outros espíritos, que desde já eles estão banidos desta terra pelo poder do Nome de Jesus. Hoje, nos colocamos na brecha e edificamos uma cerca de proteção ao redor desta cidade.”

Antes de adquirir uma propriedade, ela tem que ser avaliada. Então, é preciso que você determine se está disposto a pagar o preço pela possessão da terra. Quando demarcarmos nossas cidades, como povo de Deus, estaremos declarando guerra ao reinado satânico, através de uma ofensiva direta, destemida, sem desculpas ou hesitação. Estaremos dizendo ao inimigo: “Declaramos, diante de Deus, e queremos proclamar: Vamos tomar a cidade!” (Me senti tão compelido a isto que, juntamente com um grupo de intercessores, fui à Rua Bonnie Brae, em Los Angeles, Califórnia, local onde tudo começou e que cresceu tanto, a ponto de ser mudado para a Rua Azusa. Enquanto intercedíamos ali, naquele terreno, fincamos uma estaca! Algo parecia romper em meu coração (espero que, também, nas regiões celestiais). Senti como se tivéssemos esbarrado em um poço antigo! O entulho começava a ser removido. Que as águas da rua Azusa fluam novamente!).

Veio a mim uma palavra do Senhor a respeito de “poços antigos”, que se aplica diretamente às cidades, bem como às mais antigas denominações e igrejas. Antes que novos poços artesianos sejam perfurados, Deus vai reabrir ou desobstruir os poços antigos. Gênesis capítulo 26 nos diz que Isaque fez com que seus servos reabrissem os poços que seu pai Abraão cavara muitos anos antes no Vale de Gerar. Embora os filisteus os tivessem entulhado depois da morte de Abraão, Isaque ainda os chamou por seus nomes de origem. Ele encontrou tanta água, que teve que pelejar constantemente contra assaltantes filisteus e, finalmente, mudar-se para Berseba, ou “poço do juramento”. Foi ali que Jacó teve o encontro com o Deus vivo e descobriu seu verdadeiro direito de primogenitura no plano de Deus (Veja Gênesis 28:10-16).

O Senhor está desobstruindo poços antigos do avivamento nestes dias. Existem lugares onde a glória de Deus permanece como uma poça de água parada, um charco. As pessoas têm que vir ao poço para serem satisfeitas, mas nos padrões que Deus estabelecer.

Deus vai reabrir os poços antigos antes de trazer à tona novos poços. Um ano antes de começar a trabalhar neste livro, o Senhor falou ao meu espírito: “Vou visitar novamente os lugares de avivamentos históricos para dar outra chance ao Meu povo. Vou convocá-los a remover o entulho dos poços antigos, para que o novo avivamento seja firmado sobre as fundações do avivamento antigo.”

Em outras palavras: antes que o verdadeiro avivamento possa irromper, nos shoppings ou outros lugares, terá que começar nos altares de nossas igrejas e fluir dali pelos corredores até atingir o limiar da porta e alcançar as ruas, como cumprimento da profecia em Ezequiel 47:

“Depois disto, o homem me fez voltar à entrada do templo, e eis que saíam águas debaixo do li miar do templo, para o Oriente; porque a face da casa dava para o Oriente, e as águas vinham debaixo, da banda direita da casa, da banda do sul do altar. Ele me levou pela porta do norte e me fez dar uma volta por fora, até à porta exterior, que olha para o oriente; e eis que corriam as águas ao lado direito.

Saiu aquele homem para o Oriente, tendo na mão um cordel de medir; mediu mil côvados, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos tornozelos. Mediu mais mil e me fez passar pelas águas, águas que me dava m pelos artelhos; mediu mais mil, e me fez passar pelas águas que me davam pelos lombos. Mediu ainda outros mil, e era já um rio que eu não podia atravessar, porque as águas tinham crescido, águas que se deviam passar a nado, rio pelo qual não se podia passar. (…)

Toda criatura vivente que vive em enxames, viverá por onde quer que passe este rio, e haverá muitíssimo peixe, e aonde chegarem estas águas tornarão saudáveis as do mar, e tudo viverá por onde quer que passe este rio. (…) Junto ao rio, às ribanceiras, de uma e de outra banda, nascerá toda sorte de árvore, que dá fruto para se comer; não fenecerá a sua folha, nem faltará o seu fruto; nos seus meses produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário; o seu fruto servirá de alimento e a sua folha de remédio.” (Ezequiel 47.1-5,9,12)

Não é curioso que o rio da presença de Deus, que fluía de seu santuário, tornava-se mais profundo à medida que o profeta andava? Por fim, Ezequiel já não podia mais tocar o fundo do rio, as águas o cobriam, estavam fora de seu controle. Busco um avivamento que não possamos conter! E, sua parte mais rasa será o “templo”!

A PRÓXIMA ONDA DA GLÓRIA DE DEUS

Acredito que algumas cidades são antigos poços da unção de Deus – são lugares de avivamentos históricos – e Deus está convocando pastores e congregações nestas cidades para reabri-los.

Remover entulhos de poços antigos não é uma tarefa das mais agradáveis. Quando um pastor, amigo meu, comprou um terreno na Índia, disseram-lhe que havia um velho poço naquela propriedade. E não era um poço comum “vertical”: era inclinado horizontalmente ao lado de uma montanha.

Quando os homens daquele ministério começaram a trabalhar para remover o entulho, encontraram um amontoado de móveis e maquinário velhos e abandonados em meio ao mato que crescera por ali. Centenas de cobras também tiveram que ser removidas daquele lugar. Meu amigo me disse: “Limpamos todo o local e fomos dormir. Quando acordamos, na manhã seguinte, esperávamos encontrar uma poça de água estagnada. Mas vimos que a água começara a brotar e a fluir com tanta força que, da noite para o dia, formou-se uma torrente!”

A próxima onda de avivamento virá quando Deus desobstruir os poços artesianos de Sua glória! Muitos poços localizados nos desertos do meio- oeste dos Estados Unidos são verdadeiros lagos. Existe água suficiente, vertendo dos reservatórios naturais da terra, para mantê-los cheios quase todo o tempo, mesmo no calor do deserto. A maioria dos seres viventes do ecossistema desértico se dirige a estes oásis em busca da água de que necessitam para viver.

Nos últimos anos, Deus tem desobstruído lugares onde Sua presença permanece perenemente e, assim, Ele tem trazido vida a milhares de perdidos e crentes sedentos. Mas eles têm que ir em direção ao poço. Existe um poder na peregrinação que foi esquecido.

Agora, Deus está prestes a liberar a próxima “onda” de Sua unção. Em vez dos velhos lagos, haverá novíssimos poços artesianos cujas torrentes vão explodir com uma força imensa. De acordo com o dicionário Webster’s Ninth New Collegiate, um “poço artesiano é aquele que resulta da perfuração da terra até que água seja encontrada, e esta, por efeito da pressão interna, ascende à superfície como uma fonte; poço artesiano é o que geralmente resulta de uma perfuração em profundidade.”

Esta nova “onda” da glória de Deus será produto da perfuração do poço de Sua presença pelo Seu povo e explodirá, em nosso mundo, com tamanha força, que a presença restauradora de Deus vai ultrapassar cada barreira ou obstáculo, a fim de fluir pelas ruas áridas de nossa cidade e de nossa nação. É assim que a glória de Deus vai encher toda terra (Isaías 6.3 e Habacuque 2.14). Fontes de água da vida transbordarão!

Você não terá que ir às águas do poço artesiano, elas virão até você! Considerando que as águas, em seu percurso, sempre procuram os níveis mais baixos e os pontos que apresentam menos resistência, não é difícil entender porque Jesus, o “resplendor da glória [do Pai] e a expressão exata de Seu ser” (Hebreus 1.3a), disse: “… e aos pobres está sendo pregado o evangelho” (Mateus 11.5). A glória de Deus sempre buscou preencher o vazio na vida dos homens. Em dias vindouros, a glória de Deus vai emanar de onde menos se espera e começará a fluir e encher os que oferecerem menos resistência. E, somente ao Senhor, será tributada a glória.

O Senhor me falou, claramente, a respeito de Sua glória durante um aguaceiro incomum no sul da Califórnia. Nasci e fui criado em Louisiana, um lugar onde estamos acostumados às chuvas. Algumas vezes, chovia dias e noites sem cessar e ninguém se incomodava com isso. Mas na Califórnia é diferente: quando há chuvas prolongadas, a população sente. Naquele dia, em particular, algo estranho estava acontecendo. Era como se a Califórnia estivesse sendo tomada por uma tempestade, bem ao estilo de Louisiana. Era quase uma tempestade tropical. Em minha terra natal, as pessoas estão preparadas para as chuvas, já estão acostumadas: valas, bueiros e locais de escoamento foram construídos.

A cidade de Los Angeles, no entanto, não estava acostumada àquela quantidade de chuva. Eu estava em uma lanchonete quando o aguaceiro começou. Vinte minutos depois, percebi que a chuva não passaria e corri para o meu carro que estava estacionado na rua. A água já ultrapassara o meio fio e estava quase na altura de meus joelhos! Enquanto eu dirigia, dizia a mim mesmo: “Com certeza, eles não têm locais de escoamento ou algo assim por aqui. Não sei até onde a água chega quando chove em Louisiana, mas, certamente, nunca atinge tal nível tão depressa.”

Enquanto me encaminhava, debaixo da chuva, ao hotel, senti a presença de Deus e comecei a chorar. Minhas lágrimas se misturavam com a chuva e senti o Senhor falar ao meu coração: “Eles estão tão despreparados para a chuva natural, quanto para o desaguar do Meu Espírito. Eu também virei de repente.”

Enquanto me preparava para o culto daquela noite, ouvindo as notícias locais, o repórter que informava a previsão do tempo disse algo que me caiu como uma profecia. Ele disse: “Esta não será a última tempestade. Na verdade, elas estão acumuladas no Pacífico, como se fossem ondas, e virão uma após outra.” Ele explicou que a fonte destas ondas de chuva era o fenômeno chamado El Niño. El Niño, em espanhol, significa “O Menino” e é um termo usado para se referir ao Menino de Belém! Aquele repórter não percebeu a profundidade daquelas palavras proféticas: ele estava falando do “Menino Jesus”, a Fonte de todas as ondas de glória que estão prestes a inundar este planeta.

Naquele momento, algo me dizia: “Sim, Senhor! Mande ondas após ondas de Sua glória até que, literalmente, tudo seja inundado! Que seja removido tudo aquilo que não provém de Ti.” Faça chover, Jesus, reine sobre nós!

Geralmente, a “lei dos precedentes” se aplica a eventos que ocorrem paralelamente no mundo natural e espiritual. Minha fome pelo desencadeamento da manifestação da glória de Deus é tamanha, que mal posso expressar sua intensidade ou urgência. Minha oração é:

“Senhor, deixe que a chuva caia! Desta vez o inimigo não terá “bueiros” suficientes para escoar as águas. Sua chuva se elevará de tal forma que todos serão tomados pela poderosa onda de Sua glória. Deixe que chova, Senhor!”

Que as fontes sejam rompidas e os poços desobstruídos! Reivindique sua herança! Finque estacas pela cidade! A terra é do Senhor!

Ele já fez isto antes, Ele poderá fazê-lo novamente! Mande chuva, Senhor!