A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A GLAMOURIZAÇÃO DA CHATICE

Questionador, crítico e com vocabulário elaborado. Um sujeito inteligente? Não. Trata-se apenas de um chato mesmo!

A glanourização da chatice

A Psicologia é múltipla por natureza. Engana-se quem atribui tal característica apenas em função de suas centenas de linhas teóricas. Nossa ciência também dispõe de várias teorias sobre motivação, liderança e até mesmo sobre personalidade, o que pode ser difícil de compreender para alguém não acostumado com as características das ciências humanas. Por exemplo, poucos temas foram mais controvertidos na Psicologia do que o da inteligência. Por décadas considerada como o exato sinônimo do raciocínio lógico-matemático (leia-se QI), a inteligência passou a ser explicada, a partir dos anos 80, por meio de capacidades distintas (inteligências múltiplas) que variavam da chamada inteligência linguística à (pasmem!) naturalística, na qual inteligente seria o indivíduo capaz de reconhecer e valorizar a flora e a fauna. Já nos anos 90, com a teoria da inteligência emocional (IE), a conciliação entre razão e emoção passa a ser vista como uma valiosa maneira de tornar o indivíduo um ser competente do ponto de vista social, sendo reconhecida como a “verdadeira e mais importante” das inteligências, uma vez que, de acordo com as pesquisas de Salovey e Mayer, pais do conceito de IE, tal inteligência seria capaz de sobrepujar até mesmo o tradicional QI quando o assunto era a previsão do sucesso profissional das pessoas.

Mas se, como vimos, até mesmo no meio científico a inteligência pode ser vista de maneiras diferentes, pode-se imaginar a confusão que o tema desperta junto ao chamado senso comum. Em outras palavras, a “inteligência” das ruas talvez não seja tão “inteligente” quanto se poderia supor. Talvez seja por isso que proliferam os tipos que costumo chamar de “pseudointeligentes”. A variedade de pseudointeligentes é quase ilimitada. Não há como distingui-los dos verdadeiramente inteligentes por suas cores, formas ou mesmo idades. O habitat do pseudointeligente também é variado. E o que é pior, paradoxalmente, eles abundam até mesmo nos meios acadêmicos (onde estranhamente podem se tornar contagiosos). Não há também determinada época do ano em que os pseudointeligentes proliferam, embora seja comprovado que em tempos de politicamente correto eles se multipliquem com espantosa rapidez.

As características acima mencionadas podem tornar bastante desafiadora a tarefa de identificarmos um pseudointeligente. Porém, há de se considerar que o maior desafio dessa tarefa consiste justamente no fato de haver certas semelhanças entre tal espécime e as pessoas de inteligência genuína.

Além de um discurso elaborado, na medida em que muitas vezes a capacidade de fazer perguntas descreve melhor a inteligência do que a prontidão para respondê-las, é compreensível que algumas características humanas, como a capacidade crítica e o chamado espírito questionador, sejam vistas como sinônimos de inteligência, o que até certo ponto faz todo sentido. Mas apenas até certo ponto. A supervalorização da crítica e do espírito questionador pode levar a nada mais do que a glamourização não da inteligência, mas de algo bem menos sofisticado que isso: a mais prosaica das chatices. Isso, ao lado do que já discuti nesta coluna e a que chamo de glamourização da tristeza (que explico como herança byroniana), estaria por reforçar o comportamento de hordas de sujeitos chatos e depressivos, exatamente aqueles a quem chamo de pseudointeligentes, que continuarão a existir enquanto houver pessoas que acreditam que a felicidade é uma bênção dos mansos, daqueles que pensam menos, que criticam menos e que, portanto, teriam menos a contribuir com a sociedade. Como se o mau humor fosse uma vantagem evolutiva, como se o otimismo não fosse também resultado de uma profunda análise crítica acerca das possibilidades de êxito. Como se o mundo fosse ou branco ou preto, e não uma coleção de possibilidades quase infinitas de cinzas… e de azuis, é claro!

 

LILIAN GRAZIANO – é psicóloga e doutora em Psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, onde oferece atendimento clínico, consultoria empresarial e cursos na área. graziano@psicologiapositiva.com.br

OUTROS OLHARES

A FESTA DAS BALEIAS

Avistamentos da espécie jubarte se tornam rotineiros e indicam que a população do mamífero cresce e que ele percorre novas rotas em busca de alimento

A festa das baleias

Nunca se viram tantas baleias jubarte circulando pelo litoral brasileiro. Todos os anos, durante o inverno, elas migram da região das ilhas Geórgia do Sul, na Antártida, em direção ao arquipélago de Abrolhos, no litoral da Bahia, para se acasalar e procriar, em uma viagem que chega a 18 mil quilômetros. Neste ano, porém, elas têm se comportado de maneira diferente. Continuam em busca do mesmo destino, mas estão circulando em regiões mais próximas da costa, provavelmente em busca de alimentos. Parecem também ter viajado mais cedo — se costumavam ser vistas entre junho e agosto, nesta temporada elas começaram a aparecer em maio. Em São Paulo, passaram a entrar nos canais de Santos e São Sebastião, algo raro, e no Rio de Janeiro uma canoísta fotografou uma jubarte saltando a cerca de dez metros de distância em torno das Ilhas Tijucas, em frente ao Quebra-mar da Barra da Tijuca.

A jubarte é uma baleia sem dentes, que se alimenta de pequenos crustáceos, como o krill e chega a atingir 16 metros de comprimento e a pesar 30 toneladas. Trata-se de um bicho pacífico e inteligente que se orienta pelo som e só se incomoda quando há muito barulho e confusão ao seu redor. Conta com um par de barbatanas que parecem asas e que impulsionam seus saltos. “Há uma quantidade absurda de baleias passando pelo litoral de São Paulo neste ano, muito mais do que nos anos anteriores”, afirma Júlio Cardoso, fundador da ONG Baleia À Vista, que concentra suas observações no litoral Norte, em torno de Ilhabela. Cardoso se dedica à observação de baleias e golfinhos desde 2004, mas até 2015 só viu cinco jubartes em ação na região. Em 2017, seus avistamentos de barco começaram a crescer e ele contabilizou 18 espécimes. No ano passado, o número passou para 42 em toda a temporada. E, em 2019, até agora, já foram 54. Se forem incluídas baleias avistadas a partir de um ponto fixo de observação instalado num morro de cerca de 60 metros de altura, na praia de Borrifos, o número chega a 192.

A festa das baleias. 2

CAÇA PROIBIDA

No século passado, dezenas de milhares de jubartes foram mortas impiedosamente em torno das ilhas Geórgia do Sul por baleeiros. A população da espécie chegou a ser reduzida a três mil baleias. Até que a caça fosse proibida, em 1987, ficaram perto da extinção. De lá para cá, porém, a população voltou a crescer e hoje é estimada em 20 a 30 mil espécimes. As jubartes vistas bem próximas da costa, segundo Cardoso, são animais jovens e curiosos que estão criando suas próprias rotas migratórias para deleite dos observadores da fauna. A boa notícia é que essa festa das baleias só deve se intensificar daqui para frente.

GESTÃO E CARREIRA

EMPRESAS DEVEM SE PREPARAR PARA UM NOVO MODELO DE CARREIRA

A expectativa de vida está aumentando em todo o mundo e, como resultado, as carreiras das pessoas estão definidas para durar mais tempo. “As empresas precisam se adaptar para reter o colaborador qualificado em todas as fases de sua carreira”, diz Alistair Cox, CEO da Hays.

Empresas devem se-preparar para um novo modelo de carreira

A ideia de um “trabalho para a vida” e a trajetória típica, em que as pessoas são educadas, e começam a trabalhar antes de se aposentar, já está se tornando uma coisa do passado, pois viver mais significa trabalhar além das idades atuais de aposentadoria. Como consequência, os trabalhadores estão cada vez mais procurando um novo tipo de estrutura de carreira, que permita flexibilidade para explorar outras áreas de interesse profissional e múltiplas atividades ao longo de sua vida.

“Os profissionais, mais jovens ou mais velhos, trabalharão por mais tempo do que qualquer geração anterior e é natural que busquem cada vez mais variedade em seu trabalho, como a mudança de ocupação. Isso se tornará mais comum conforme o tempo avança, o que significa que as empresas devem começar a se preparar agora, já que a estrutura tradicional das empresas está mudando”, afirmou o CEO.

As mudanças exigirão que os profissionais atualizem ou melhorem a qualificação, de modo que a educação continuada se tornará uma parte vital em vários estágios profissionais. Em vez de fazer apenas ensino superior no início da carreira, os trabalhadores precisarão garantir que eles realizem aprendizado ao longo da vida profissional. Atualização será cada vez mais recorrente.

Especialistas preveem que a carreira em múltiplos estágios deve se tornar a regra no futuro, portanto, as empresas precisam se proteger para garantir que possam acessar e reter as habilidades necessárias para obter sucesso. Com este cenário, a Hays preparou algumas dicas de como as empresas podem apoiar e até encorajar essas novas formas de trabalho.

Flexibilidade no ambiente de trabalho
Muitos contratos de trabalho não oferecem flexibilidade aos funcionários que desejam trabalhar em horários alternativos, ou que buscam outros interesses profissionais fora do trabalho. Proporcionar ao colaborador mais flexibilidade ajudará as empresas a reter colaboradores mais talentosos, que podem colaborar no desenvolvimento da companhia.

Ajude os funcionários a adotarem a mudança e o novo local de trabalho
As empresas precisam educar sua equipe sobre as opções abertas a elas e apoiá-las nessa nova estrutura de carreira. Se conseguirem nutrir o desejo de um funcionário de aprender novas habilidades ou explorar outras áreas de interesse, é mais provável que mantenham sua experiência e conhecimento por mais tempo.

Invista nas habilidades dos funcionários incentivando o aprendizado
As empresas podem incentivar os profissionais a se capacitarem ou até mesmo a tentar satisfazer seu desejo de aprender novas habilidades ou assumir um papel diferente. Fazer isso fornecerá às organizações mais habilidades à sua disposição, ajudando a combater a escassez de talentos, mas também proporcionando aos trabalhadores a liberdade de se mudar para outros cargos.

As organizações também devem procurar outros meios de apoio aos funcionários
As organizações podem oferecer retornos a profissionais que deixaram o mundo do trabalho para criar uma família, por exemplo. Isso garantirá que habilidades valiosas sejam trazidas de volta à força de trabalho. As empresas também podem criar funções de aprendizagem dirigidas a pessoas mais velhas – à medida que a idade de aposentadoria é aumentada, eles devem procurar novas carreiras. As organizações também podem oferecer trabalho remoto aos funcionários que têm compromissos em casa e que são menos capazes de fazê-lo em um escritório.

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 6 – COMO LIDAR COM O QUE É SANTO: DA UNÇÃO À GLÓRIA

 

Você calmamente inclina sua fronte em reverência quando entra em uma igreja? Eu ficaria surpreso se sua resposta fosse sim.” W. Tozer

Minha vida mudou para sempre naquele fim-de-semana de outubro, em Houston, Texas. A presença de Deus invadiu a atmosfera como um raio, rompendo o púlpito no culto dominical. Nunca me esquecerei do que disse ao pastor, meu amigo: “Deus poderia ter matado você.” Eu não estava brincando. Era como se Deus tivesse dito: “Estou aqui e quero que Minha presença seja respeitada.” A imagem do túmulo de Uzá veio à minha mente.

Quando dizemos: “Queremos Deus”, não sabemos o que estamos pedindo. Eu mesmo descobri que não sabia. Quando Deus se manifestou, nenhum de nós estava preparado para a realidade de Sua presença. Conforme mencionei antes, houve pouca pregação, não tivemos escolha. Deus tomou Sua Igreja e não permitiu que nada do que não estivesse em Seus planos acontecesse naquele culto.

A presença de Deus era tão “densa” que entendi clara e literalmente a palavra que diz:

“Tendo os sacerdotes saído do santuário, uma nuvem encheu a Casa do Senhor, de tal sorte que os sacerdotes não puderam permanecer ali, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor enchera a Casa do Senhor.” (1 Reis 8.10,11)

Deus veio tão repentina e poderosamente naquela igreja, que temíamos fazer algo que não estivesse em Seus planos. É claro que a presença de Deus sempre estivera ali, mas não da forma como a experimentamos. Tudo que podíamos fazer, naquela hora, era ficar lá sentados, tremendo. Temíamos, até mesmo, dedicar ofertas ao Senhor sem Sua permissão específica. Ficávamos nos perguntando: “O que você acha de dedicar nossas ofertas agora? Será que podemos fazer isto? E aquilo?”

REVERÊNCIA AO SENHOR

Por que hesitávamos diante de coisas tão simples e corriqueiras? Não sabíamos como lidar com a Santa Presença em nosso meio: éramos amadores nesta matéria (e ainda somos!). Percebi que as primeiras manifestações da presença de Deus aconteceram de repente e sem aviso. Mas nas visitações seguintes, Ele só veio mediante convite, e o convite era a fome por Sua presença. A questão é: Você realmente quer que Ele venha? Você está disposto a pagar o preço de ser um caçador de Deus? Então, terá que aprender como reverenciar e lidar adequadamente com a santidade de Deus. Mordomia, meu amigo!

A.W. Tozer preocupava-se com a falta de santidade na igreja. Ele percebeu que os cristãos, em geral, estavam perdendo a noção do que é Santo em seus cultos e na adoração. Para ele, tal irreverência mostrava que o povo não tinha consciência da presença de Deus no meio deles, era como se Ele não estivesse ali. Tozer observou que o anseio por uma vida espiritual estava perdendo espaço para o mundanismo. E em ambiente mundano não se produz o avivamento. Ele sentia que se a Igreja não se voltasse para Deus e buscasse um relacionamento com Ele, O Senhor procuraria outro lugar.

Agora sei porque o sumo sacerdote do Antigo Testamento pedia a seus companheiros: “Amarrem uma corda em meu tornozelo, pois estou prestes a entrar onde a glória de Deus habita. Fiz tudo o que deveria para estar pronto, mas nosso Deus é temível.”

Não tenho medo de Deus, eu O amo. Mas tenho agora um respeito por Sua glória e santidade que não tinha antes.

Costumava ser fácil lidar com a unção vinda do Senhor, mas agora sei que é algo santo. Cuido em fazer duas orações antes de ministrar: primeiramente dou graças “Obrigado, Senhor, por vir estar conosco!” E, então, suplico: “Por favor, permaneça aqui, Senhor.”

Você se lembra da sunamita estéril que preparou um quarto para o profeta Elias, em 2 Reis, Capítulo 4? Ela foi recompensada com um filho. Quando, ainda na infância, Satanás o levou, Deus mandou o profeta ressuscitá-lo. Satanás não pode roubar o que Deus traz à vida, mas esta é uma graça reservada aos que, pela fé, preparam um aposento aO que pode realizar milagres. É por isto que, com reverência, agradeço ao Senhor por ter vindo, e, então, digo-Lhe que estaremos preparando provisões para Sua volta. “Senhor, estaremos aqui para louvá-Lo na quarta, quinta e sexta-feira. Nosso único propósito é engrandecer o Seu nome e buscar a Sua face adorável.” Pela fé, creio que Ele nos visitará novamente.

A Palavra de Deus me assegura que, quando o Senhor nos visita, nada permanece como antes: sempre nasce algo novo e precioso. E, mesmo que o inimigo tente impedir, Deus move céus e terra para recuperar o que Ele mesmo criou!

É preciso ter cuidado e sensibilidade no trato com a Santidade de nosso Deus! Devemos lembrar que aquilo que é bom pode ser o pior inimigo daquilo que é melhor. Se você quer o melhor de Deus, terá que sacrificar aquilo que você pensa ser bom e aceitável. Se eu e você pudermos descobrir o que é o melhor e aceitável a Deus, então a promessa de visitação se cumprirá.

O que presenciei, em Houston, foi uma parcela daquilo que Deus está fazendo. E Ele está se movendo em preparação para mais.

MOVENDO-SE PARA O LUGAR AO QUAL PERTENCE A GLÓRIA DE DEUS

O capítulo 13 de 1 Crônicas nos diz que, após a coroação de Davi como rei e a derrota dos filisteus, o jovem soberano decidiu trazer a arca da aliança de volta a Jerusalém. Deus estava de mudança, no sentido de que Seu domicílio velho-testamentário estava se mudando do seu lugar interino de descanso para o lugar ao qual Sua glória pertencia de fato. Deus quer retornar a Seu lugar devido. Jerusalém é apresentada como a representação da Igreja. O apóstolo Paulo fez esta analogia quando falou de Jerusalém “lá de cima” como “nossa mãe” (Gálatas 4.26). Esta é a cidade espiritual ou habitação de Deus. O Senhor quer que Sua glória esteja na Igreja e que seja visível ao mundo.

Houve um tempo em que, pelo pecado ou indiferença do homem, a glória de Deus, Seu cabode (ou “Sua presença substancial”) foi removida de seu lugar. O neto do velho sacerdote Eli permanece como ícone perpétuo da ausência de Deus nos planos da humanidade profana. O pequeno recém-nascido recebeu de sua mãe o nome de Icabode, que significa “a glória se foi”. Ela entrara em trabalho de parto tão logo soube da tomada da arca, pelos filisteus, da morte de seu marido Finéias e de seu sogro.

Os filhos de Eli, Finéias e Hofni, pecaram contra o Senhor em pleno exercício de suas tarefas sacerdotais! (Será que este é o caso de incontáveis ministérios ainda hoje? Talvez se lhes reserve a mesma sorte dos filhos de Eli e sua herança será lembrada sob a insígnia: “Icabode, a glória se foi.”)

Nos 20 anos seguintes à perda da arca, o rei Saul nunca demonstrou interesse em trazê-la de volta a Jerusalém, mas Davi pensou diferente. Ele desejava, ardentemente, ver a presença de Deus restaurada no lugar de origem, em Jerusalém. Ele queria viver sob a sombra da glória de Deus.

É hora de alguém se levantar na Igreja e dizer: “A era de Saul acabou!”. Saul foi um rei segundo a carne, Davi foi um rei segundo o Espírito. Saul foi escolhido porque “desde os ombros para cima, sobressaía a todo povo” (1 Samuel 9.2). Por sua estatura e beleza, ele “pareceu” ser o mais indicado. Deus tinha o melhor para o povo, mas em Seu devido tempo. O povo insistiu e quis algo menos do que “o melhor” e Saul foi nomeado rei.

Saul perdeu, rapidamente, seu mandato dado por Deus, pois seu governo pretendia agradar aos homens e não a Deus. Não há lugar para “políticos” na obra de Deus. Enquanto filhos de Deus, o nosso “público” é composto de um só: nossa platéia é Aquele que nos criou para o louvor de Sua glória.

Davi, por outro lado, foi o rei escolhido por Deus, um homem que tinha sido equipado e treinado através de um íntimo relacionamento com seu Senhor. Quando Deus tirou o reinado das mãos de Saul e o colocou nas mãos de Davi (Veja 1 Samuel 28.17), este disse, através de suas ações: “Não usaremos caminhos humanos para buscar a Deus.”

A Igreja nunca mais será a mesma, quando pessoas como eu e você se levantarem e declararem suas intenções como Caçadores de Deus.

A APARÊNCIA NÃO IMPORTA MAIS

Existem templos belíssimos nos Estados Unidos e em qualquer país que vamos, mas não importa o que seus magníficos letreiros dizem, Deus é “persona non grata” nestes lugares. Por quê? Porque suas programações, sua dignidade e seu prestígio entre os homens são mais importantes do que a presença do Criador. Todavia, Deus está começando a dispensar Sua graça e misericórdia, e aqueles que estão realmente sedentos têm mudado. Não se importam mais com a aparência ou com o profissionalismo dos programas feitos pelos homens – estão procurando é Deus. Querem a arca da presença de Deus de volta à Igreja.

Talvez você esteja no mesmo ponto em que hoje me encontro. Já estive em tantos cultos, onde não havia a presença da “arca”. Já suportei tantas canções vazias. Estou cansado até mesmo de meu próprio ministério! Já preguei tantos sermões, sei que foram ungidos, mas não conduziram à presença d’Aquele pelo qual todos esperamos. Talvez eu tenha feito tudo que podia, mas tudo que fiz foi dar ao povo uma pista de algo imensuravelmente melhor e mais poderoso.

Só fiz fumaça do lado de fora do véu, quando, na verdade, meu desejo era ir além dele e contemplar a glória do Senhor. Sou grato pela unção, mas agora sei que Deus tem muito mais para nós – Ele mesmo. Lutei e trabalhei no ministério durante décadas, mas agora descobri que, em meio à presença de Deus, tudo que faço perde a importância. Quando a presença de Deus entra em cena, todos – crentes e ímpios, ricos e pobres, sábios e tolos, jovens e velhos –todos se prostram diante de Sua temível glória. Ao invés de ficar buscando a unção, devíamos buscar a manifestação da presença e da glória de Deus. A unção capacita a carne – cantamos ou pregamos melhor. Mas a “Glória” a consome! Que seja esta a sua busca: a glória de Deus!

Davi lembrou-se do relacionamento íntimo que tinha com Deus nos campos de seu pai. Lembrou-se do pequeno e frágil pastor de ovelhas que encarou leões, ursos e até mesmo o guerreiro mais poderoso dos filisteus. E, muitos anos depois, assim que foi coroado rei de Israel e Judá, Davi deu o primeiro passo para concretizar seu sonho:

“E disse [Davi] a toda a congregação de Israel: Se bem vos parece, e se vem isso do Senhor, nosso Deus, enviemos depressa mensageiros a todos os nossos outros irmãos, em todas as terras de Israel, e aos sacerdotes, e aos levitas com eles nas cidades e nos seus arredores, para que se reúnam conosco; tornemos a trazer para nós a arca do nosso Deus;porque nos dias de Saul não nos valemos dela.” (1 Crônicas 13.2-3, Revised English Bible).

Os “Sauls” e a carne não têm se valido da arca. Agradeço a Deus por aqueles pastores e igrejas que, famintos pela presença do Senhor, deixam tudo de lado e dizem: “Podemos ter um belo templo, um tabernáculo, mas precisamos de Deus!”

Israel possuía todos os cerimoniais, ornamentos e prescrições de Deus, mas não O tinham. Os judeus da época de Jesus tinham o tabernáculo, realizavam todo ritual de sacrifício com perfeição, “cumpriam” com as obrigações da lei, mantinham o sacerdócio levítico funcionando precisamente – mas a arca da aliança não estava lá. Creio que o véu, ao ser rasgado, também expôs o vazio da religião. Aquele rompimento revelava que o Santo dos Santos estava vazio (eles não poderiam nem suspeitar que o véu do “Santo dos Santos” acabara de ser rasgado por um soldado romano, pois o lugar estava absolutamente vazio).

Todas as tarefas eram executadas do lado de fora do véu, por detrás dele só havia o silêncio do vazio. Algumas vezes, você precisa admitir que algo está faltando e, então, empreender a viagem para recuperar a “arca”. Os fariseus não reconheciam falhas, imperfeições ou que algo estivesse faltando.

“(Reuniu, pois, Davi a todo Israel (…) para trazer a arca de Deus de Quiriate-Jearim. Então, Davi, com todo Israel, subiu (…) para fazer subir dali a arca de Deus, diante da qual é invocado o nome do Senhor, que se assenta acima dos querubins.” (1 Crônicas 13.5-6.)

Nos tempos de Davi, a arca da aliança era sinal da glória de Deus. E ela ainda se encontrava na casa de Abinadabe, em Quiriate-Jearim, onde fora deixada pelos israelitas de Bete-Semes, depois do grande morticínio que houve entre eles. Foram mortos porque se atreveram a abrir e olhar dentro da arca da presença de Deus, como se ela não passasse de uma caixa, muito bonita, porém comum. Vinte anos depois, Davi empreendeu uma peregrinação de vinte e quatro quilômetros, aproximadamente, para recuperar a glória do Senhor:

“Puseram a arca de Deus num carro novo, e a levaram da casa de Abinadabe, que estava no outeiro; e Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, guiavam o carro novo. Levaram-no com a arca de Deus, da casa de Abinadabe, que estava no outeiro; e Aiô ia adiante da arca.

Davi e toda a casa de Israel alegravam-se perante o Senhor, com toda sorte de instrumentos de pau de faia, com harpas, com saltérios, com tamborins, com pandeiros e com címbalos.

Quando chegaram à eira de Nacom, estendeu Uzá a mão à arca de Deus, e a segurou, porque os bois tropeçaram.

Então, a ira do Senhor se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu ali por esta irreverência; e morreu ali junto à arca de Deus.

Desgostou-se Davi, porque o Senhor irrompera contra Uzá; e chamou aquele lugar Perez-Uzá, até ao dia de hoje. Temeu Davi ao Senhor, naquele dia, e disse: Como virá a mim a arca do Senhor? Não quis Davi retirar para junto de si a arca do Senhor, para a cidade de Davi; mas a fez levar à casa de Obede-Edom, o geteu.” (2 Samuel 6.3-10).

Davi e seus auxiliares estavam tentando lidar com a presença santa e gloriosa de Deus, usando mãos humanas. Como você lida com a santidade e a glória de Deus? Até hoje, tudo tem sido feito do “nosso” jeito, e Deus não vai permitir isto mais. Ouvi alguém dizer que havia uma “pedra no meio do caminho” por onde deveria passar a caravana de Davi. Quem a colocou no caminho? O próprio Deus! As pedras no caminho nos forçam a diminuir o passo e perguntar: “É assim mesmo que se faz?”

A PEDRA NO MEIO DO CAMINHO

Os problemas de Davi começaram quando ele e seus auxiliares tentaram prosseguir após toparem com a “pedra”. O Senhor nunca pretendeu que Sua glória fosse carregada nas costas de instrumentos, veículos ou programas criados pelo homem. Ele sempre ordenou que Sua glória fosse transportada por “vasos humanos” santificados, separados, vasos que reverenciassem e respeitassem Sua santidade.

Os filhos de Abinadabe passaram vinte anos junto à arca. Para eles, ela era uma caixa muito bem feita, bonita, mas comum, como qualquer outra. Provavelmente se sentiram honrados em serem escolhidos para guiar o carro que levava a arca, mas nenhum daqueles jovens estava preparado e eles não conheciam as antigas prescrições concernentes à santidade de Deus. A caravana de Davi encontrou a pedra no meio do caminho, os bois tropeçaram e Uzá segurou a arca para que não caísse. O nome Uzá significa “força, coragem, majestade, segurança”. A presença de Deus nunca precisou da assistência ou orientação da força humana. E Deus nunca permitiu (nem permitirá) que o braço da carne se glorie em Sua presença, sem que experimente a morte. A glória de Deus abateu a carne que se aproximou “viva” de Sua presença, e Uzá foi morto instantaneamente.

Somente os mortos podem ver a face de Deus, e somente a carne que passou pelo arrependimento pode tocar Sua glória.

Alguém já viu alguma igreja funcionar como aquela de Jerusalém descrita no Livro de Atos? Creio que não. A morte de Ananias e Safira, por terem mentido a Deus (Atos 5.1-11), deveria ser reexaminada pela Igreja hoje. O mesmo Espírito visita a Igreja hoje e Seus padrões de santidade não mudaram. Quando a glória de Deus veio sobre aquela jovem igreja, houve temor entre o povo, e também trouxe consigo sinais e maravilhas, fazendo com que muitos fossem acrescentados àquela comunidade santa (Atos 5.11-16). Por quê? Os líderes, que eram submissos a Deus, agiam no poder e autoridade do Senhor: Se você não fez nada de errado, enquanto o “Pai” esteve fora, não precisa temê-Lo!

Tão logo a presença do Senhor nos sobrevenha, começaremos a fazer as mesmas perguntas que passaram pelo íntimo de Davi, quando ele viu quão sério era lidar com a presença manifesta de Deus. Com frequência, me pego fazendo a mesma pergunta: “Por que eu, Senhor?” Davi, o salmista e guerreiro de Deus, descobriu, de repente, uma faceta do caráter divino até então desconhecida por ele e pelos filhos de Israel. Infelizmente, é algo que a Igreja hoje também desconhece.

Davi decidiu cancelar a viagem para Jerusalém e deixar a Presença, que ele agora temia, na casa de Obede-Edom, próximo a Gate (uma antiga fortaleza filistéia). A arca permaneceu ali por três meses e o Senhor abençoou Obede-Edom juntamente com sua família e suas posses.

Por que Davi tropeçou assim como os bois que puxavam o carro? Ele estava em estado de choque. Ele havia feito tudo que sabia, da maneira mais respeitável possível. (Na verdade, os métodos de Davi foram semelhantes aos usados pelos filisteus, anos antes, para transportar a arca dentro do território israelita, de acordo com 1 Samuel 6.7). Ele, alegremente, dançava à frente do cortejo, ao redor do carro e, junto com o resto do povo, cantava e tocava instrumentos. Ele cria que Deus estava satisfeito com os esforços daquele dia.

Eles eram uma pequena e feliz “Igreja” levando a presença de Deus de volta a Seu lugar. Então, toparam com uma “pedra” na eira de Nacon, uma palavra hebraica que, curiosamente, significa “preparado”. E, obviamente, eles não estavam preparados. Quando Uzá, acidentalmente, segurou a “caixa de Deus” para que ela não caísse do carro, era como se Deus dissesse: “Basta! Até agora permiti que vocês fizessem tudo do seu jeito. Se vocês querem a Minha presença de volta a Jerusalém, terão que agir do Meu jeito.” Então, Deus feriu Uzá ali mesmo e interrompeu o cortejo de Davi. Deus saiu de Sua caixa e acabou com as programações humanas naquele dia. Chega de tentar conter Deus em programações vazias! Davi levou três meses para se recuperar, se arrepender e buscar a glória de Deus.

O mesmo acontece quando experimentamos a manifestação da glória de Deus hoje. Muitas vezes, temos a pretensão de impedir que o Deus, que cuidadosamente guardamos em uma caixa, “caia” de nossos frágeis programas. Não deveríamos ficar surpresos quando a glória de Deus rompesse nossas caixas. Algo sempre morre, quando a glória de Deus entra em contato com a carne.

Davi mudou seus planos e métodos, porque o peso da presença de Deus, subitamente, rompeu sobre ele. O rei Davi pensou: Este é um assunto sério. O que estamos fazendo? Sou a pessoa indicada para isto?

VOCÊ ESTÁ DISPOSTO A PAGAR O PREÇO?

Este é exatamente o lugar onde a Igreja está neste momento crucial: chegamos ao ponto mais importante nesta mudança de Deus onde estamos tentando transportar a glória de Deus de volta a seu devido lugar. Alcançamos o trecho onde o chão é irregular e o nosso carro novo está trepidando. É hora de nos perguntarmos: “Será que somos as pessoas mais indicadas para essa tarefa? Será que isto é o que realmente queremos? Estamos dispostos a pagar o preço e obedecer à voz de Deus a todo custo? Estaremos dispostos a aprender como lidar com a santidade de Deus?”

Devo avisar-lhe que a glória de Deus, a manifestação de Sua presença, pode “ferir” o corpo da igreja local, como fez a Uzá. Um pastor ungido se aproximaria de sua congregação com muita bondade e diplomacia para dizer:

“Se vocês não estão dispostos a buscar a face de Deus, com seriedade, então procurem outro lugar. Se não se agradam em servir ao Senhor, ou estão incomodados com a manifestação de Sua presença, é melhor procurarem outro lugar onde haja menos fome de Deus, para que possam ali permanecer. Por muito tempo, fizemos tudo do nosso jeito. Se quiserem permanecer como ‘Saul’, se estão satisfeitos em colocar Deus numa caixa, limitando-O a seus programas e procedimentos, por favor, procurem outro lugar. Devo adverti-los que ‘a pedra no meio do caminho’ está agora a nos dizer que não será possível continuarmos assim.”

Quando você topar com tal pedra, compreenderá: “Isto não funciona mais, não é assim que se faz.” É provável que, até este momento, tudo estivesse muito agradável: danças, pequenas harpas (que nem fazem tanto barulho), pessoas cantando e até alguns números tradicionais de vez em quando. Mas, quando a glória de Deus for restaurada ao Seu lugar de origem, a carne e toda pretensão humana será consumida diante de todos, e isso não será algo fácil de se ver. O arrependimento genuíno é algo que muita gente não consegue suportar.

O dia em que confidenciei ao meu amigo pastor: “Deus poderia ter matado você”, ambos sabíamos que havíamos “tropeçado no caminho”. Deus disse: “Vocês estão falando sério? Querem que Eu Me aproxime? Querem Minha presença? Então, vamos fazer do Meu jeito.”

Só Deus sabe como os israelitas manejaram a arca, quando ela foi colocada pela primeira vez na casa de Abinadabe, mas sabemos que tudo foi bem diferente depois da morte de Uzá. Uma coisa é certa: Ninguém tocou nela. O respeito pela glória de Deus marcou aquelas vidas. Provavelmente desejaram sorte a Obede-Edom, dizendo:

“Tivemos que enterrar um homem hoje! Ele foi fulminado ao tocar na arca, quando os ‘bois’ tropeçaram no caminho. Por isto, seja cuidadoso!”

Davi pensou: “Não sei se realmente quero que a arca volte a Jerusalém. Ela pode nos matar a todos.” Mas, nos três meses seguintes, ele recebeu notícias de como Deus estava abençoando Obede-Edom. De acordo com a Palavra, a bênção estava sobre a casa de Obede-Edom e tudo que ele tocava era igualmente abençoado! Incluindo suas posses, toda sua família e os animais. Havia prosperidade e saúde. Creio que Davi foi checar tais notícias com Obede-Edom:

“Sim, é verdade mesmo o que você ouviu.” “O que você fez?”

“Com certeza, não a tocamos: não deixei que as crianças chegassem perto dela. Mas desde que você a deixou em minha casa, ela parece emanar riqueza, poder e autoridade. Estas coisas simplesmente aconteceram, não tenho nada a ver com isto.”

Davi, rapidamente, repensou sua posição a respeito da arca. Ele percebeu que, se a presença e a glória de Deus trouxe bênçãos sobre uma família, o que isto poderia significar para toda uma nação? Então disse: “Tenho que levar a arca de volta ao seu devido lugar, em Jerusalém.”

Quando Davi colocou a arca no carro, pela primeira vez, ele e “todo Israel” pensaram: Deus ficará contente com isto. Veja todas estas pessoas dançando e tocando ao redor da arca.

Já que ninguém se preocupou em perguntar a Deus Sua opinião, Ele teve que acabar com a festa. “Basta, nem mais um passo. Vocês notaram este tropeço no meio do caminho?

Vamos parar por aqui! Se realmente querem que Minha presença retorne ao seu lugar, de agora em diante será do Meu jeito.”

Na segunda vez, Davi fez o que deveria ter feito desde o começo. Ele estudou nas Escrituras como Deus se moveu anteriormente. Como a arca foi transportada de um lugar para outro nos tempos de Moisés? Ele descobriu o verdadeiro propósito e função dos levitas e dos sacerdotes araônicos. E percebeu, pela primeira vez, os paus para serem colocados nas misteriosas argolas nos quatro cantos da arca. “Ah, é para isto que servem as argolas! É intrigante que o nosso majestoso Deus tenha ficado satisfeito com sua arca envergada sobre dois paus!”

NUNCA DESPREZE A GLÓRIA DE DEUS

Muitos líderes nas igrejas, que estão famintos pela presença de Deus, lêem tudo que podem a respeito do mover de Deus no passado. Por quê? Porque já topamos com a “pedra santa” no meio do caminho.

Sinto que, se realmente queremos que a santidade de Deus e a plenitude de Sua glória habitem em nosso meio, precisamos descobrir como lidar com ela de forma adequada. Sabemos que é neste ponto que a carne cai fora, mas qual é a forma mais adequada? O que De us quer que façamos? Nossa fome é grande demais para ser satisfeita com uma refeição. Queremos mais do que Sua visitação. Queremos que Ele permaneça. Queremos Seu cabode, não o “Icabode”. Queremos que Sua presença se manifeste e fique entre nós.

Estamos na mesma situação em que se encontrava o Rei Davi. O maior perigo, neste momento, é considerarmos comum aquilo que é santo. A arca da aliança permaneceu na casa de Abinadabe por um bom tempo, mas a presença de Deus não estava ali em plenitude. Alguns escritores acreditam que Uzá esteve junto à arca quando criança. Talvez ele tenha brincado com ela ou sentado nela. Se isto for verdade, é exatamente esse o motivo pelo qual a presença de Deus não estava ali em plenitude.

Quando você coloca a glória de Deus no lugar devido, a manifestação de Sua presença e poder começam a ser restaurados em cada passo dado em direção à Sua ordem original. (Poderia aquele tropeço ter vindo do peso adicional da glória, o cabode, restaurando o poder de Deus na arca?) Se não formos cuidadosos, permitiremos que as coisas santas se tornem tão comuns, que começaremos a pensar como Uzá: Veja, posso tocá-la. Cresci junto dela, é inofensiva. Vamos tocar a glória de Deus, mas será só uma vez…

Nunca tome a santa presença de Deus por algo comum. Não pense que Deus não está operando somente porque não há ninguém chorando, tremendo ou profetizando. Pense duas vezes antes de bocejar entediado. Muitos dos grandes nomes, na história da Igreja, sabiam que Deus nem sempre manifesta Sua glória de forma que os olhos da carne possam ver. Se pudessem nos aconselhar, diriam: “Não busquem sensacionalismo. Busquem Deus e O encontrarão.”

Temos que honrar a presença constante de Deus. Cuido para que ela não se torne algo tão comum para mim, que eu comece a pensar que posso, casualmente, tocar Sua santidade com minha carne. Quero o Senhor, custe o que custar, e não vou permitir que as coisas santas se tornem comuns para mim. Se você está empenhado em buscar a manifestação da glória de Deus, então ore comigo:

“Senhor Deus, estou aqui para encontrá-Lo, estou aprendendo como lidar com a santidade de Sua presença. Tenha misericórdia de mim, Senhor Jesus!”

Uma das primeiras coisas que Deus faz, quando manifesta Seu poder na Igreja, é trazer de volta o respeito por este poder. Qualquer eletricista poderá lhe dizer que antes de mexer na parte elétrica de uma casa sempre se desliga a energia: é a primeira providência a ser tomada. Por quê? Muitos admitem que já experimentaram um choque antes! E o que aprenderam com tal experiência? Adquiriram um respeito profundo e pessoal pelo poder que há na eletricidade e seus efeitos sobre a carne desprotegida.

Antes que Deus traga Seu poder sobre a terra, em Sua misericórdia, Ele primeiramente restaura nosso temor pela Sua glória e santidade. Precisamos adquirir um respeito profundo e pessoal pelo poder da glória de Deus e seus efeitos sobre a carne que não foi consumida pelo arrependimento. Isto não quer dizer que não devemos nos aproximar dela, “usá-la” ou habitar nela.

Assim como um eletricista é capaz de trabalhar junto a fios de 220 volts com segurança, uma vez que ele aprendeu a respeitar o poder da eletricidade, Davi e os israelitas aprenderam como honrar e lidar com a glória de Deus manifesta na arca da aliança. Eles até levaram consigo a arca na batalha mais tarde. Deus está nos chamando para levar Sua presença à “batalha” todos os dias como “arcas vivas” ou tabernáculos do Altíssimo. O Senhor quer que habitemos com Ele em uma comunhão íntima, mas, para isto, a carne deve morrer.

A unção e o poder de Deus virão sobre nós tão fortemente que Sua presença irá adiante de nós em nosso escritório, nas prisões, nos shoppings e onde quer que formos. Tal avivamento é baseado na presença da glória de Deus, não na obra dos homens, e, por isto, não pode ser contido pelas quatro paredes das igrejas. A glória de Deus tem que fluir pelo mundo.

Vejamos outro ponto: na segunda tentativa de Davi em restituir a glória de Deus ao devido lugar, quando convocou os levitas e os descendentes de Arão para levarem a arca, ele deu um aviso solene que se aplica a todo sumo sacerdote do Reino de Deus hoje:

“E lhes disse: Vós sois os cabeças das famílias dos levitas; santificai-vos, vós e vossos irmãos, para que façais subir a arca do Senhor, Deus de Israel, ao lugar que lhe preparei.

Pois visto que não a levastes na primeira vez, o Senhor nosso Deus irrompeu contra nós, porque então não o buscamos, segundo nos fora ordenado. (1 Crônicas 15.12,13).

A palavra hebraica traduzida como “santificar” é QADASH, e significa “separar” ou “tornar santo”. Em outras palavras, temos que nos tornar santos assim como Deus é Santo. Você sabe o quanto Davi enfatizou a importância da santificação para aqueles homens? Penso que ele disse: “Quero mostrar a vocês o túmulo daquele que não estava santificado. Vocês estão prestes a carregar a mesma arca que fez isto a ele. Então é melhor realizarem uma cerimônia de purificação agora mesmo.” Imagino que os primeiros homens a colocarem os varais nas argolas, se deram como mortos.

Somente “mortos ambulantes” podem lidar com a santidade de Deus.

VALE MAIS QUE UMA COCA-COLA

O mover do Senhor pela terra é marcado, com freqüência, por noites e noites de purificação através do arrependimento. Se permitirmos que Deus nos conduza pelo processo de arrependimento e quebrantamento, sem impedir, resistir ou apagar Seu Espírito, então, quando o cabode, a presença substancial de Deus, vier sobre nós, teremos condições de suportá-la sem medo, pois estaremos andando na pureza de Jesus e nossa carne estará morta, coberta pelo sangue do Cordeiro.

Os primeiros avivalistas do movimento pentecostal costumavam fazer algumas coisas das quais eu zombava quando jovem. Tenho uma tia que “parou de beber Coca-Cola”, enquanto estava buscando a presença de Deus em sua vida. Ela gostava muito de Coca-Cola, mas orou: “Deus, se o Senhor se manifestar a mim, nunca mais beberei outra.” Deus levou em consideração o seu pedido.

Eu costumava rir disto quando era criança e ficava balançando uma Coca-Cola na frente dela. “Olhe, você não quer?” Ela simplesmente sorria, e dizia: “Não, eu não quero.” Aquele sorriso, me fazia sentir que ela sabia algo que eu desconhecia. Agora, desde o dia em que Deus manifestou Sua presença em Houston, posso dizer: “Agora, eu a entendo, tia. Agora posso entender.” Deus vale mais que todas as outras coisas com as quais nos apegamos.