A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O PERIGO DA GAIOLA DOURADA

Ao contrário do que muitos pensam, nem sempre o conforto é um aliado. Às vezes ele pode ser nosso pior inimigo

O perigo da gaiola dourada

Apesar do desejo, já na infância, de ser psicóloga, demorei um pouco para me dar esse presente, de forma que a Psicologia foi minha segunda (e não primeira, como haveria de se esperar) graduação. Quando entrei no curso já era mãe de dois filhos, com aluguel e mensalidade da faculdade para pagar, vivendo a realidade de muitos brasileiros que, após um longo dia de trabalho, frequentam os cursos noturnos. Chocolate, roupa, tupperware…   fazia de tudo para conseguir uma renda extra que me ajudasse a viabilizar meu sonho. Foi com sacrifício que terminei a graduação e já no ano seguinte estava matriculada numa pós, envolvida com produção científica, congressos etc.

Foi quando conheci a Ana. Bem nascida, elegante, família rica… em suma, o oposto de mim. Ficamos amigas logo de cara. Embora fosse mais reservada nas aulas do que eu, percebi que Ana era inteligente, que tinha algo a dizer e por isso não me conformava com sua resistência em acompanhar meu ritmo de escrever artigos, fazer resenhas para a revista da faculdade, apresentar trabalhos na sessão de pôster dos congressos. Incentivava-a a participar e, cada vez mais frustrada, observava suas reticências, seu pouco entusiasmo.

Um dia, após ouvir mais um dos meus sermões de engajamento, ela me disse que o fato de sermos ambas inteligentes não era suficiente para suplantar a profunda diferença que havia entre nós: escolhas. “Você é uma aluna brilhante porque não tem escolha”, disse-me Ana com uma dureza quase elegante. “Nunca lhe ocorreu que o conforto pode também ser uma maldição? Uma gaiola dourada que nos impede de alçar voos?” Não. Tendo crescido em uma família de recursos limitados, eu nunca havia pensado no conforto nesses termos, de forma que aquela frase me trouxe uma nova perspectiva. Continuamos amigas até o final do curso, e depois disso nossas vidas tomaram rumos diferentes. Nunca mais soube da Ana. Porém, dia desses, ao refletir sobre o cenário de crise econômica que temos enfrentado, algo me fez resgatar essa história de mais de vinte anos. E isso tem a ver com a gaiola dourada. Estabilidade econômica gera gaiolas douradas. Que fique claro que não se trata de fazermos, aqui, a apologia da crise. Todos os esforços para a promoção do crescimento econômico podem e devem ser empreendidos. Mas às vezes, a despeito dos esforços, a crise nos pega de jeito: menos clientes, menos trabalho, desemprego. Tempos sombrios que trazem tristeza, medo, ansiedade, e tantas outras legítimas emoções desagradáveis de sentir, sobre as quais não pretendo me deter neste texto. O perigo é que o sofrimento nos paralise e nos torne cegos para as oportunidades que a crise é capaz de trazer.

Consideremos a questão do tempo. Vivemos reclamando não ter tempo para fazer o que gostaríamos: escrever um livro, fazer jardinagem ou um trabalho voluntário. De repente os clientes rareiam, o volume de trabalho diminui ou, por causa de uma demissão, vai a zero. E então o que fazemos? Passamos parte do tempo tentando resgatar os clientes e o trabalho, é claro! Mas ainda assim, enquanto eles não vêm, nos sobra tempo. E o que fazemos com ele? Nada.

Mas felizmente há aqueles que, compulsoriamente expulsos da gaiola dourada, ousam o voo.

De acordo com o levantamento da Associação Brasileira de Startups, o número de startups no Brasil teve um crescimento de 40% no período de junho de 2015 a junho de 2016 e, de acordo com a mesma entidade, esse número não para de crescer. Isso porque, felizmente, existem aqueles que, diante da perda de um emprego, preferem, ao invés de se jogar pela janela (sim, há aqueles que, literalmente, o fazem), se jogar no mercado, aproveitando o que minha amiga Ana talvez chamasse de “falta de escolhas” para ir atrás de seus sonhos. Sim, até mesmo a crise tem seu lado positivo e percebê-lo pode ser, mais do que uma questão de sobrevivência, uma oportunidade para a realização.

 

LILIAN GRAZIANO – é psicóloga e doutora em Psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, onde oferece atendimento clínico, consultoria empresarial e cursos na área. graziano@psicologiapositiva.com.br

OUTROS OLHARES

PADRES SEM BATINA

A Igreja Católica se ressente da falta de missionários dedicados a pregar a palavra de Deus em regiões remotas e cogita liberar na Amazônia a ordenação de homens casados e de comprovada fé

Padres sem batina

Não é de hoje que a Igreja Católica perde espaço para outras religiões por falta de padres que levem a palavra de Deus até os lugares mais longínquos. Há uma espécie de carência de trabalho árduo propagando a fé. Para tentar sanar esse problema, um documento preparatório para o Sínodo da Amazônia, assembleia de bispos, que será realizada em outubro em Roma, recomenda que se permita na região a ordenação de laicos casados, sobretudo de indígenas que comprovem a sua fé. São os chamados “viri probati”, homens não celibatários que podem exercer atividades eclesiais e celebrar a eucaristia. A decisão final sobre esse tipo de ordenação ainda não tem prazo para ser tomada, mas conta com a simpatia de bispos progressistas e moderados. Embora o documento ressalte que “o celibato é um presente para a Igreja”, há a recomendação de que “nas zonas mais remotas da região se estude a possibilidade de ordenação sacerdotal de idosos respeitados e aceitos por sua comunidade, ainda que já tenham uma família constituída e estável”. Considera-se também a hipótese de que mulheres missionárias tenham permissão para fazer a catequese.

 “Essa questão da ordenação de padres casados é um horizonte, não uma decisão, mas um debate que está se iniciando”, afirma dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). “Ninguém é contra o celibato, mas não podemos ignorar nossas dificuldades locais”. A diocese de Porto Velho é um bom exemplo da escassez de sacerdotes na região amazônica. Ela reúne cerca de 950 mil habitantes, se expande por uma área de 87 mil quilômetros quadrados e conta com apenas 42 padres. A diocese abrange 26 paróquias e quatro áreas missionárias que não estão sendo devidamente atendidas. “Nós temos uma situação de poucos sacerdotes para a região e precisamos superar a tendência de uma igreja que seja apenas de visitação, que passem pelos lugares, para uma igreja presente, encarnada, que permanece”, diz dom Roque Paloschi. Uma das maiores circunscrições eclesiásticas do País, o Xingu, com 365 mil quilômetros quadrados, conta com somente 27 padres.

Padres sem batina. 2

CONCÍLIO DE LATRÃO

A Igreja da Amazônia enfrenta um dilema grave. Os poucos sacerdotes que ali atuam têm dificuldade para circular pela região, onde as comunidades estão separadas por longas distâncias. Precisam de barcos, carros, animais para fazer seu trabalho. Há comunidades que passam meses sem receber padres para celebrar missas e ouvir confissões. O que se defende é que haja um novo tipo de sacerdote ao lado do tradicional que possa dar atenção ao seu rebanho. Uma das consequências dessa baixa presença de católicos é o aumento do número de seguidores de religiões evangélicas. No começo do século, 19,8% da população amazônica era evangélica seguiam tal credo e o percentual subiu para 28,5% em 2010. Das 340 etnias indígenas presentes na região, 182 contam hoje com missionários evangélicos e representantes da população local.

Na prática, o encontro de bispos irá alimentar a velha discussão sobre o fim do celibato. A decisão em relação à Amazônia pode abrir a possibilidade de ordenação de homens casados em outras partes do mundo. Não é a primeira vez que isso acontecerá. Em 2009, o papa Bento XVI autorizou a ordenação de sacerdotes anglicanos conservadores que abandonaram a Igreja Inglesa e decidiram se converter ao catolicismo. Na ocasião, foi permitida a conversão sem que houvesse a obrigação de se adotar o celibato. Em 2017, o papa Francisco já havia considerado a possibilidade de ordenar homens casados em regiões remotas para suprir a falta de missionários. A sugestão de ordenar “viri probati” teria vindo do cardeal emérito de São Paulo dom Cláudio Hummes, que será o relator geral do Sínodo da Amazônia.

O celibato foi imposto pela igreja no século 12. No primeiro e no segundo Concílio de Trento, realizados, respectivamente, em 1123 e 1139, foram condenados e tornados inválidos tanto o concubinato quanto o casamento de clérigos. O celibato era defendido para que os padres pudessem se dedicar totalmente à Igreja, sem qualquer entrave familiar e ficassem mais livres e disponíveis para propagarem sua fé. Outra razão do impedimento de casamento de padres era evitar problemas de herança e garantir preservação e o aumento do patrimônio da Igreja. Em 1563, o Concílio de Latrão impôs o celibato para o clero da América Latina. Agora, poderão ser abertas exceções. O celibato não é um dogma e, portanto, trata-se de uma prática que pode ser alterada.

Padres sem batina. 3

GESTÃO E CARREIRA

O OLHO DO FURACÃO

O momento atual no ambiente corporativo nos apresenta muitos desafios que vão além de qualquer preparo técnico desenvolvido nos últimos anos

O olho do furacão

Provavelmente, os gestores e seus líderes de equipe podem estar diante de situações jamais   previstas na economia de mercado que surge como subproduto do momento político nacional. A impossibilidade de prever as rápidas mudanças causa turbulências que resultam em perdas substanciais muitas vezes impossíveis de serem recuperadas.

Como fazer previsões, dentro de uma realidade como essa? É impraticável. Em um primeiro   momento, talvez a avaliação que se faça é que a melhor forma de minimizar as possíveis perdas em uma política interna de recessão, que também pode ter impactos negativos de forma direta e acabar prejudicando essa mesma estrutura interna e refletindo, negativamente, na produtividade e/ou serviços. Caso não existam intervenções assertivas o momento pode destruir toda história de conquistas na construção do estado de ânimo do corpo laboral. Um forte aparato de ferramentas deve ser colocado em serviço pelo departamento de RH.

Procurar manter elevado auto- conceito realmente envolve grande esforço dos gestores e líderes, mas é o investimento que pode manter uma força coesa em prol da manutenção de   um estado de ânimo positivo. Lembrando apenas que esforço não significa custo financeiro e sim criatividade e atitude.

Elementos simples podem ser incorporados ou, caso já existam na organização, devem ser   valorizados com uma incrementação de valores. Começando pelo Briefing e Debriefing, processos simples e fáceis de serem efetuados que, necessariamente, nem precisam ser realizados pelos líderes de fato. Pode existir uma rotatividade nessas ações.

O briefing – que ocorre no início da jornada – trata-se do momento em que a Missão é declarada e os Valores da empresa ressaltados, direcionando o sentimento de pertencimento para um objetivo comum. O time se une para enfrentar mais um dia que pode fazer toda diferença.

O Debriefing – momento final do período de trabalho -, um retrospecto de toda a jornada que deve ser cuidadosamente relatado. Erros e acertos! O que ficou para amanhã?  Como podemos fazer melhor? Esse é o instante em que a equipe recupera a agenda produtiva e se programa para a jornada seguinte.  Os erros devem ser destacados de forma impessoal, não se trata da pessoa e sim do problema. A busca por soluções é conjunta e a prospecção de resultados deve ser discutida de forma ampla.

Outro hábito que deve ser implantado é o Job Rotation Senior. Já conhecido de todos, no momento da entrada do profissional na empresa, a troca de funções pode ser uma boa alternativa para criar elevação de moral. Maximizar o aproveitamento das habilidades ou   competências precisa ser o fator destacado do gestor em qualquer período de crise. Aqui, a escolha pode ser do próprio colaborador, realizada por meio de um simples instrumento de avaliação. Basta um questionário com poucas perguntas avaliando se ele está satisfeito com o seu posto e em qual outra posição na instituição ele se sentiria mais produtivo.

Talentos podem estar escondidos abafados pelos ruídos das preocupações com o futuro.  Permitir a realização de um sonho, que necessariamente não significa realização profissional, é o mesmo que declarar confiança e respeito pelo trabalhador. Ao fim do período programado, uma nova e rápida avaliação deve ser efetuada para aferir os resultados obtidos. Se o caminho apontado é a troca de função, uma nova programação pode ser elaborada, e um plano de realocação, colocado em prática.

Fato é que, no instante em que o gestor percebe a primeira parede de vento da tormenta ele deve se preparar para o momento seguinte: o “olho do furacão”.  Ao contrário do dito popular, estar no olho do furacão não é igual a um momento cheio de turbulência, trata-se de uma calmaria vigilante, pois o círculo de vento ronda os 360 graus do campo de visão. O bom gestor deve aproveitar o silêncio dos ventos e montar suas barricadas compostas de tudo de melhor que seus colaboradores podem possuir.

Como duplo pesquisador, o gestor (e também o líder de equipe) deve ter um olho no telescópio, enxergando longe as movimentações externas, e outro no microscópio, descobrindo talentos em sua própria equipe e permitindo a extração de toda a capacidade desses elementos. A visão do jardineiro, que cuida carinhosamente de suas flores, deve ser   imediatamente substituída pela do mineiro, que cava em profundidade para extrair ouro do centro da terra.

Focando no potencial interno, criando possibilidades para a manutenção de uma elevada   autoestima corporativa junto ao investimento para o surgimento de habilidades inertes, a   instituição pode transpor terrenos minados criando pontes ao invés de passos letárgicos. A diferença está na credibilidade do organismo institucional em suas capacidades de automotivação e renovação de talentos dentro do mesmo grupo.

Bernardino Ramazzini, célebre médico italiano, em 1700 efetuou a primeira classificação e    sistematização de doenças do trabalho com a publicação de seu livro De Morbis Artificum   Diatriba, considerada um verdadeiro marco na análise das doenças que podem surgir com a atividade laboral. Dessa época até os tempos atuais, poucos foram os pesquisadores que investiram na possibilidade da atuação, no ambiente de trabalho, de servir como componente na construção de uma saúde física e mental.  O contrário parece mais fácil de ser alcançado.

 

JOÃO OLIVEIRA – é publicitário e psicólogo. Atua como palestrante e facilitador de cursos/treinamentos em todo o Brasil. Diretor de Cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (www.isec.psc.br). Entre seus livros, estão: Jogos para Gestão de Pessoas: Maratona para o Desenvolvimento Organizacional, Mente Humana: Entenda Melhor a Psicologia da Vida e Saiba Quem Está à sua Frente – Análise Comportamental pelas Expressões Faciais e Corporais (WAK Editora).

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPITULO 5 – VAMOS FUGIR OU ENTRAR?

 

UMA CHANCE PARA ENCONTRAR AQUELE QUE VOCÊ SEMPRE SOUBE QUE ESTAVA LÁ

Quando vejo pela noite, nas festas ou em bares, pessoas bebendo e agindo como verdadeiros ímpios não posso evitar, mas, de certa forma, eu gosto delas! Geralmente, não estão fingindo: sabem muito bem quem são e o que estão fazendo. (Os que realmente me irritam são aqueles que fingem ser algo que não são!) Quando passo por um barzinho ou boate, quase sempre me vem à mente um pensamento inusitado: Senhor, por que não aqui? Por que não manifesta Sua presença neste lugar?

Para mim, o avivamento ocorre quando a glória de Deus rompe as quatro paredes de nossa igreja e flui pelas ruas. O avivamento que tomaria proporções históricas em nossos tempos seria aquele em que a glória de Deus se manifestasse em shoppings às sextas-feiras à noite. Eu adoraria ver as administrações destes shoppings sendo obrigadas a contratar capelães que trabalhassem em tempo integral, para atender às pessoas que fossem encontradas chorando e se arrependendo pelos corredores. E seriam muitas!

Eu quero ver as linhas telefônicas ficarem congestionadas, tamanho o número de chamadas por ministros voluntários para lidarem com o fluxo de pessoas que seriam convencidas de seu pecado ao atravessar as cidades. (Os seguranças sabem como lidar com os “trombadinhas”, mas o que fariam com as pessoas que viessem até eles angustiadas e arrependidas?) Que venha esse dia!

Creio que Deus tem suscitado uma tal fome pela Sua presença que, no “dia do Senhor” (se Seu povo buscá-Lo), as igrejas existentes não serão capazes de lidar com a explosão de almas perdidas buscando salvação. A Igreja moderna é, na melhor das hipóteses, uma assistente social, ou, na pior das hipóteses, um museu onde está exposto tudo aquilo que já foi um dia. Nossas prateleiras estão abarrotadas, mas com o “produto” errado. Estão repletas de rituais religiosos concebidos por homens e ninguém, em sã consciência, está faminto por isto! Celebrações religiosas, cerimônias e ritos vazios não despertam o apetite de ninguém. Se oferecêssemos Jesus, as massas famintas viriam. Talvez não haja o “produto” certo em nossos cultos, porque, como já vimos, tem um custo.

A Igreja, hoje, está na metade do caminho em sua jornada pelo deserto. Estamos acampados ao pé do Monte Sinai, como os filhos de Israel no livro de Êxodo. Chegamos ao ponto decisivo. E agora? Vamos fugir ou entrar?

“Subiu Moisés a Deus, e do monte o Senhor o chamou e lhe disse: Assim falarás à casa de Jacó, e anunciarás aos filhos de Israel: Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos cheguei a mim. Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel. ” (Êxodo 19.3-6).

Estamos diante de uma linguagem neotestamentária nas páginas do Antigo Testamento. Ao povo foi dada a opção de saltar a um nível mais elevado de intimidade (Veja 1 Pedro 2:9).

 CHEGAMOS A UM MONTE DA DECISÃO

Podemos nos alegrar com as “sarças ardentes”, com nossos primeiros encontros com Deus e com tudo que Ele pode nos fazer ou proporcionar. Mas, agora chegamos ao momento da decisão: estamos diante de uma bifurcação no caminho. Deus nos tirou do pecado e do mundo e fez de nós um povo. Durante a jornada pelo deserto, Deus estava constituindo um povo daquele que não era povo.

Pedro escreveu:

“… vós, sim, que antes, não éreis povo, mas agora sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora, alcançastes misericórdia “. (1 Pedro 2.10)

Deus tomou escravos, analfabetos e sem auto- estima, plantou neles Seu caráter e colocou sobre eles Seu nome. Deus os tirou do Egito e disse: ‘Agora, farei de vocês um povo.” Ele estava, literalmente, constituindo uma Noiva.

Não foi fácil, mas o Senhor conduziu os descendentes de Abraão ao pé do Monte Sinai. Quando aquela multidão teve fome, Deus queria que eles O buscassem, Ele queria saciá-los, mas eles censuraram Moisés e declararam como seria bom voltar ao Egito, o lugar de sua escravidão. Todavia, Moisés orou e Deus proveu maná e codornizes. O mesmo aconteceu quando não havia água. Ao invés de clamar a Deus e confiar em Sua abundante providência, eles imediatamente murmuraram contra Moisés, fazendo menção dos “bons tempos” no Egito. Deus tinha algo melhor para os filhos de Israel: Se passarmos deste monte, posso ter esperança em conduzi-los pelo resto do caminho.

CHAMADOS PARA O CORAÇÃO DE DEUS

A triste verdade do livro de Êxodo é que o grupo que Deus levou ao Monte Sinai não foi o mesmo que Ele conduziu através do Rio Jordão em direção à terra prometida. Algo aconteceu naquele monte. O Senhor os chamou, e fez deles uma nação pela primeira vez na história de suas vidas. Ele os chamou a um lugar – um lugar de bênção e de transformação – e eles se recusaram. Este “lugar” não era um simples ponto no mapa.

Embora Deus lhes tivesse prometido uma terra, a bênção não era um pedaço de chão. Deus os chamou para Ele, um lugar prometido n’Ele, em Seu coração. Ele os chamou para o lugar da Aliança, um lugar de intimidade com o Criador, um lugar que não havia sido oferecido a nenhum outro povo da terra naquele tempo. Eis o segredo da terra prometida: pensamos que a ideia de um “reino de sacerdotes” é exclusivamente neotestamentária, mas este era o plano original de Deus para Israel!

“Disse também o Senhor a Moisés: Vai ao povo, e purifica-o hoje e amanhã. Lavem eles as suas vestes, e estejam prontos para o terceiro dia: porque no terceiro dia o Senhor à vista de todo o povo, descerá sobre o monte Sinai. (…) Quando soar longamente a buzina, então, subirão ao monte.” (Êxodo 19.10,11,13b)

A primeira geração de israelitas não alcançou a terra prometida, a verdadeira causa de seu fracasso pode ser encontrada ali ao pé do Monte Sinai. Deus pretendia que todos os israelitas se achegassem a Ele no monte, mas eles não se sentiram bem com a ideia.

“Todo o povo presenciou os trovões e os relâmpagos, e o clangor da trombeta, e o monte fumegante: e o povo, observando, se estremeceu e ficou de longe. Disseram a Moisés: Fala-nos tu, e te ouviremos; porém não fale Deus conosco, para que não morramos. Respondeu Moisés ao povo: Não temais; Deus veio para vos provar, e para que o seu temor esteja diante de vós, afim de que não pequeis. O povo estava de longe e m pé; Moisés, porém, se chegou à nuvem escura onde Deus estava.” (Êxodo 20.18-21.)

Eles viram os relâmpagos, ouviram os trovões e recuaram atemorizados. Eles fugiram da presença de Deus, ao invés de buscá-La, como Moisés fez. O estilo de liderança escolhido por Deus não os agradou: o Todo-Poderoso não “amenizou” a manifestação de Seu poder para agradá-los, nem tampouco fará isto hoje.

Eles fugiram da intimidade com o Senhor e, como consequência, não entraram na terra prometida. Vagaram pelo deserto, até que fosse exterminada aquela geração. Preferiram um respeito à distância a um relacionamento íntimo.

A morte da primeira geração de israelitas no deserto não estava no plano original de Deus. Ele queria conduzir o mesmo povo que tirou da terra da escravidão até a terra prometida. Ele queria que Sua nova nação se apossasse de sua própria terra e herança, mas isto não foi possível por causa do medo e da incredulidade deles. Já estavam sentenciados quando atravessaram o Jordão, e tudo começou quando se afastaram da presença de Deus no Monte Sinai. Foi ali que fugiram de Deus e pediram que Moisés intermediasse este relacionamento. A Igreja tem padecido do mesmo mal. Geralmente, preferimos que um homem se coloque entre nós e Deus. As raízes deste medo percorrem o caminho de volta ao Jardim do Éden. Adão e Eva se esconderam, temerosos e envergonhados, enquanto Deus esperava por uma doce comunhão.

VAMOS FUGIR OU ENTRAR?

Agora, observe sua Igreja. Posso garantir com certa segurança que alguns na congregação estão aí “desde o começo”. Outros vieram poucos meses depois ou muitos anos mais tarde, e alguns são novos convertidos. Não importa, hoje Deus conduz todos vocês ao monte. Vocês, que “não eram povo”, foram feitos povo. Deus os tirou da escravidão do pecado. Alguns foram tirados de relações impróprias, outros foram arrancados do jugo do alcoolismo ou das drogas, outros foram libertados da miséria, depressão crônica e outras escravidões infernais. Mas aqui estamos, ao pé do monte do Senhor, ouvindo Seu chamado para que nos acheguemos. Agora, enfrentamos o mesmo desafio dos filhos de Israel há milhares de anos atrás: Vamos fugir ou entrar? Entrar aonde? Na presença de Deus.

Há uma ansiedade e uma expectativa na Igreja hoje. E provável que você, assim como eu, possa sentir que “não estamos muito longe”. Alguns estudiosos dizem que, passado o Monte Sinai, bastava uma marcha de poucos dias para alcançar a terra prometida. O que os fez demorar tanto? Sua resistência em se achegar a Deus. O medo da intimidade semeou o medo do inimigo. Posso dizer o mesmo a respeito de muitas igrejas hoje e sinto que estamos em uma encruzilhada.

Acreditamos estar longe demais para voltar ou muito cansados para prosseguir viagem. A questão é: O que Deus diz? Creio que a vontade do Senhor é que tomemos consciência de onde estamos, busquemos Sua face e recebamos o que Ele tem para nossa vida hoje.

Você e eu vamos fazer duas coisas daqui para frente:

1. Vamos crescer no relacionamento com Deus, custe o que custar,

ou

2. Vamos voltar para o lugar de onde viemos e continuarmos a ser aqueles crentes viciados em programações, reuniões e sessões, fazendo tudo que pessoas de bem, como nós, devem fazer?

Se decidirmos equivocadamente, um dia vamos lamentar: “Aquele era o tempo.”

Não sei quanto a você, mas quanto a mim, não quero envelhecer e olhar com arrependimento para o passado, dizendo: “Bons tempos aqueles…” E por que eu faria isto, quando posso viver o agora com Deus? Posso experimentar o que Ele tem para mim a cada instante. Se ousarmos seguir Deus hoje, ao olharmos para trás diremos: “Oh, sim, eu me lembro daqueles anos, foram antes do avivamento…”.

NOSSO FUTURO DEPENDE DE NOSSA VISÃO

Nosso futuro vai depender de nossa visão agora, este é o tempo da decisão. Se nossa visão for: “Estamos satisfeitos com nosso trabalho até aqui”, então continuaremos fazendo as mesmas coisas de hoje. Mas, se ousarmos dizer: “Obrigado Senhor… mas onde está o resto? Tem que haver mais! Mostre-nos Sua glória!”, nosso futuro será totalmente diferente.

Satanás tem obtido “bons resultados” ao fazer os crentes cruzarem falsas linhas de chegada. Ele trabalha incansavelmente para isto. Corremos poucos quilômetros e dizemos: “Conseguimos!” Ele se delicia ao nos ver sentados no acostamento. E, então, percebemos, no último momento, que a linha de chegada está mais adiante. O apóstolo Paulo sabia do que estava falando:

“…esquecendo-me das cousas que para trás ficam e avançando para as que adiante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Filipenses 3.13b,14)

Precisamos tirar lições do que aconteceu no Monte Sinai. Foi ali que os israelitas construíram um tabernáculo de acordo com as instruções que Deus deu a Moisés. Foi no Monte Sinai que Deus revelou a Moisés Sua lei e os Dez Mandamentos. Porém, outros fatos, igualmente importantes, aconteceram: foi naquele lugar que um bezerro de ouro, destinado à idolatria, foi criado.

Em primeiro lugar, Deus revelou Sua intenção de lidar com o povo de forma direta e pessoal. Até então, era Moisés quem relatava ao povo tudo que Deus dizia.

Aquele era, pois, um tempo de transição, um período em que Deus estava dizendo: “Tudo bem, é hora de crescer. De agora em diante, quero tratar com vocês diretamente, como uma nação de sacerdotes. Não quero intermediários. Amo Moisés, mas não quero ficar falando com vocês através dele. Quero falar diretamente com vocês, como Minha nação, Meu povo”.

AINDA EXISTEM MUITOS “BEBÊS DE COLO” NOS BANCOS DAS IGREJAS

Infelizmente, o problema dos israelitas repete-se hoje em dia. Os cristãos estão tão acostumados a unção, boas pregações e bom ensino, que muitos se comportam como crianças de peito. Querem sentar-se em bancos acolchoados, em templo com ar-condicionado, onde alguém possa mastigar o que Deus tem a dizer e colocar em suas boquinhas. Têm medo de se engasgarem com aquelas mensagens “duras demais”. Seu aparelho digestivo é muito frágil e não está acostumado à dura verdade!

Quando estivermos realmente famintos e desesperados, não precisaremos de “intermediários”. Temos que orar:

“Deus, estou cansado de assistir à experiência dos outros com o Senhor! Onde está a chave do meu quarto de oração? Vou ficar trancado ali até que, eu mesmo, possa experimentá-Lo!”

Fazemos bem em ler a Palavra, sem dúvida, é muito importante. Mas precisamos lembrar que a Igreja Primitiva não teve acesso, por muitos anos, ao que chamamos de Novo Testamento. E nem mesmo possuía as Escrituras do Antigo Testamento, porque os pergaminhos ficavam trancados nas sinagogas. Partes da Lei, dos Salmos e dos Profetas, transmitidos oralmente por seus avós (se fossem judeus), eram as únicas Escrituras de que dispunham. O que eles tinham, afinal? Intimidade com Deus em um nível tão enriquecedor, que não havia necessidade de se debruçarem sobre antigas epístolas. As cartas de amor de Deus estavam sendo impressas em seus próprios corações: eles se tornaram “cartas vivas” (Minhas afirmações, aqui, não significam que eu pense que a Bíblia seja desnecessária ou irrelevante. Não penso que Ela seja nada menos que a ungida e infalível Palavra de Deus. Meu propósito é alertar os cristãos contra a prática de ler a Bíblia sempre sob uma perspectiva passada: “Veja o que Deus fez antigamente, com aquele povo! Pena que Ele não aja assim hoje.” A Palavra de Deus nos conduz a algo muito maior – ao Deus da Palavra. Algumas vezes penso que quase caímos em uma espécie de idolatria, quando tendemos a louvar a Palavra de Deus mais do que o Deus da Palavra.).

O Espírito Santo está dizendo: “Ser resgatado do pecado foi uma experiência grandiosa em sua vida. Você está vivendo no tempo da graça e pode contar sempre com a Minha presença. Sei que você está sob uma boa liderança, mas o que realmente quero é fazê-lo crescer, levá-lo a um novo nível de intimidade.”

A busca pelo avivamento, em si, nunca fez com que ele acontecesse. O avivamento só nasceu quando o povo buscou a Deus. E muita pretensão acharmos que podemos controlar um avivamento, não podemos determinar “quando, como e onde”. Isso seria tão irracional quanto tentar controlar um furacão!

Se você puder mantê-lo sob controle, então, não será avivamento. Será o que estamos habituados a ver: uma série de boas conferências, repletas de excelentes pregações, salpicadas por obras de homens! Pode ser muito bom para nós, podemos “curtir” cada minuto, mas isto não é avivamento. Temos que encarar o fato de que nos tornamos viciados nas programações que acompanham a Igreja. Mas não era este o propósito original de Deus, não é isto que Ele chama de “Igreja”.

Tenho uma forte impressão de que Deus está prestes a colocar tudo isto de lado e nos perguntar: “E, então, quem Me ama? Quem, realmente, Me quer?”. É hora de buscar o Avivador ao invés do avivamento!

Deus está cansado de relacionamentos à distância com Seu povo. Ele já estava cansado disto há milhares de anos, já no tempo de Moisés. Ele quer um relacionamento íntimo e próximo, com você e comigo. Ele quer invadir nossas casas com Sua presença de uma forma tão poderosa, que aqueles que vierem nos visitar sejam convencidos do pecado ao entrarem pela porta.

FUGIR OU ENTRAR

“Todo o povo presenciou os trovões e os relâmpagos, e o clangor da trombeta, e o monte fumegante: e o povo, observando, se estremeceu e ficou de longe. (…) O povo estava de longe, em pé; Moisés, porém, se chegou à nuvem escura onde Deus estava”. (Êxodo 20.18,21)

Que dicotomia divina! Um correu para dentro, o outro fugiu desesperado!

Deus estava chamando o povo para Sua intimidade, mas ele correu para o lado oposto! Disseram a Moisés:

“… não fale Deus conosco, para que não morramos” (Êxodo 20.19). Eles entenderam que somente quem se enquadrasse no padrão de Deus, descrito nos Dez Mandamentos, poderia sobreviver em Sua presença. Ao fugir, estavam dizendo: “Não queremos nos submeter a isto! Não deixe que Deus fale conosco agora!”

O que o Senhor queria, quando os Dez Mandamentos foram entregues a Moisés, era purificar o comportamento de Seu povo para que pudesse tê-lo mais perto.

Deus queria, mais uma vez, andar com o homem no frescor do dia. Ele queria sentar-Se com Seu povo e compartilhar com ele o Seu coração em doce e terna comunhão.

Nada mudou, meu amigo! Ele ainda busca o mesmo relacionamento com você e comigo. A reação mais adequada do povo naquela situação seria responder: “Sim, Senhor, fale conosco mesmo se tivermos que morrer!”

A triste realidade é que a maior parte dos cristãos não tem noção do que seja viver na presença constante de Deus, porque se recusam a retirar as impurezas de suas vidas. E, os que tentam retirá-las, se detêm diante do legalismo.

OUÇA OS PASSOS DO PAI

Os israelitas expressaram seu medo a Moisés, que lhes explicou:

“Não temais; Deus veio para vos provar, e para que seu temor esteja diante de vós, a fim de que não pequeis.” (Êxodo 20.20)

Você já reparou como os passos de nossos pais pareciam mais fortes quando vinham em nossa direção, principalmente se estivéssemos fazendo algo errado? Era isto que os israelitas estavam ouvindo, os passos do Pai.

A Bíblia diz que “o povo ficou de longe”, enquanto “Moisés se chegou à nuvem escura onde Deus estava” (Êxodo 20.21). Que imagem! O povo corria para um lado e Moisés corria para outro, dizendo: “Venham! É o Senhor que está aqui! Ele só quer que nos aproximemos. Ele nunca fez isto antes. Eu já havia me aproximado antes, mas agora Ele quer que façamos isto juntos.”

Deus sempre começa pela liderança: Moisés já havia se achegado àquela nuvem. Mas, naquele dia, Deus queria que os israelitas se juntassem a Moisés, e eles fugiram. Parece que a história do povo judeu declinou a partir do momento em que Deus disse: “Venham!”, e o povo disse: “Nem pensar!” Este problema não era exclusivo do povo de Deus no tempo de Moisés: ele está bem presente na Igreja hoje.

AS PESSOAS NÃO QUEREM COMPROMISSO SÉRIO COM DEUS

Algo nos faz temer o compromisso que nasce da intimidade com Deus. Talvez porque intimidade requeira pureza. A intimidade requer o fim dos dias de diversão e entretenimento na Igreja. O que quero dizer com “diversão e entretenimento”? Bem, se para você isto significa “muita emoção e pouco compromisso”, então, você não tem feito mais do que “flertar” com Deus. Preciso entrar em detalhes?

Alguns só querem as emoções e os arrepios, mas sem usar a aliança de compromisso. São como “garimpeiros religiosos” em busca de unção, dons e bênçãos, felizes com bombons, flores e joias. Deus está cansado disto! O Senhor busca uma noiva, não uma namorada, alguém que vá se envolver em intimidade e em comprometimento com Ele.

Temo que muitas pessoas na Igreja se aproximem de Deus para obter o que desejam, sem, na verdade, estarem comprometidas. Deus está dizendo à Sua Igreja: “Não é isto que Eu quero.” Se a Igreja quer o Noivo, temos que nos comprometer. Temos buscado “amor sem compromisso”, mas Deus está dizendo: “Intimidade”. O avivamento nasce da intimidade. O fruto do avivamento vem do compromisso com o Noivo. Os filhos são frutos da intimidade. É hora de nos aproximarmos.

Geralmente, colocamos os carros na frente dos bois. “Queremos o avivamento!” dizemos, mas não mencionamos nada sobre intimidade. Procuramos o avivamento sem procurarmos por Deus. É como se alguém do sexo oposto chegasse para você, dizendo: “Quero filhos! Não lhe conheço bem, nem sei se gosto de você. Não quero casamento nem compromisso, mas quero filhos. Que tal?”

Líderes têm escrito uma infinidade de livros do tipo “como fazer as igrejas crescerem”, mas parece que a mensagem que está por trás é: “Veja como fazer a Igreja crescer, sem maiores compromissos com o Senhor.” Temos nos esforçado muito em procurar atalhos, lugares que não passem pela intimidade. Por quê? Porque tudo o que queremos é uma “penca de filhos” sentados nos bancos da igreja para que possamos comparar com as de outras famílias (igrejas). Os filhos, por si mesmos, não formam um lar! Eles devem ser frutos de um relacionamento de amor e intimidade. Francamente, muitas de nossas igrejas parecem fazer “produções independentes”. Onde está o “Pai”?

O que devemos, realmente, buscar é um relacionamento real com Deus. Quando o marido e sua esposa se amam, não é difícil imaginar que terão filhos. É uma conseqüência natural do processo de intimidade.

Por que os maiores avivamentos do último século não aconteceram em solo americano? Acho que a escassez das manifestações de Deus a uma Nação é proporcional ao declínio da moralidade e do nível de compromisso do seu povo com o Senhor. Penso que a busca do povo americano por um crescimento profundo em intimidade com Deus implicaria quedas nas taxas de divórcio e casamentos desfeitos. Em outras palavras: temos esquecido a nossa arte tão louvável de nos comprometermos com Deus. Como fizemos a escolha de fugirmos da presença d’Ele no monte, todos os outros compromissos em nossas vidas começaram a se deteriorar e desmoronar da mesma forma.

 “CRENTES DE INCUBADORA” NÃO CRIAM RAÍZES

A maioria dos cristãos, hoje em dia, vive em “incubadoras”: só se desenvolvem em um ambiente acolhedor, longe do medo, angústia ou perseguição. “Ser perseguido em nome de Jesus? Deus me livre.”

Se forem retirados de seu ambiente confortável e colocados no mundo real, onde sopra o vento da adversidade e cai a chuva amarga das perseguições, ou tiverem que encarar sol forte e a estiagem prolongada, eles descobrirão que nunca desenvolveram raízes na incubadora. Logo, murcharão, dizendo: “Não fui feito para isto!”

Deus tratou comigo de tal forma, que tive que redefinir alguns de meus critérios quanto ao que significa ser “salvo”. Se a presença de Deus só se manifesta em nossas vidas em “ambientes perfeitos”, o que dizer dos cristãos que padeceram (e padecem) perseguições? Deus não estava em suas vidas? Em sua época não havia seminários, corais, nem os últimos hits evangélicos. Não havia templos com ar-condicionado, introdutores, conselheiros, enfermarias, sistemas computadorizados ou santuários carpetados. Seu ambiente não era dos mais agradáveis. Se fossem pegos cultuando ao Senhor, pagavam caro.

Li o relato de um grupo de cristãos chineses que foram pegos durante um culto. Os oficiais colocaram um cocho no meio da cidade e obrigaram todos a urinarem dentro dele. Então, mergulharam ali o pastor, bem diante de seus olhos! Sabe o que aconteceu? A congregação dobrou de tamanho em duas semanas e não foi por causa de seu belo santuário ou da equipe de louvor. O verdadeiro crescimento da Igreja, sob qualquer situação, quer de liberdade ou perseguição, só pode vir de um íntimo conhecimento do Deus Vivo.

A CONFISSÃO DAQUELES QUE O AMAM

Os que amam o Senhor não avaliam seu relacionamento com Ele pela situação de sua vida financeira, emocional ou pelo “aproveitamento do culto”. Antes, fazem suas as palavras de Paulo:

“Porém, em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus.” (Atos 20.24)

Esta é a confissão daqueles que amam o Senhor, daqueles que estão em íntima comunhão com seu Criador.

Deus está chamando. A primeira vez que Ele me revelou isto, tremi e chorei diante do povo: “Hoje, vocês estão no Monte Sinai e Deus está chamando para um relacionamento pessoal com Ele. Se você ousar responder a este chamado, tudo que tem feito até hoje será mudado.” E o mesmo que lhe digo agora: sua decisão hoje irá determinar avanço ou retrocesso na sua caminhada com Cristo.

A intimidade com o Senhor requer um certo nível de quebrantamento, pois é do quebrantamento que nasce a pureza. O “culto-entretenimento” acabou, meu amigo… Deus está lhe chamando!

Será que não queremos subir ao Monte, porque Deus vai olhar dentro de nossos corações (e sabemos muito bem o que Ele vai encontrar)? Temos que tratar não só de nossas ações exteriores, mas de nossas motivações internas. Temos que estar limpos, porque Deus não pode revelar Sua face a uma Igreja “mais ou menos” pura, pois ela seria consumida em questão de segundos.

O Senhor chama à purificação todos aqueles que clamam por avivamento. É por você que Ele está procurando. Deus quer que você se aproxime. Mas, para isto, Ele terá que tratá-lo. Isto significa que você terá que morrer. O mesmo Deus que disse a Moisés “Nenhum homem viu a Minha face e viveu”, hoje, lhe chama. Então, lembre-se de passar pelo altar do perdão e do sacrifício no seu caminho para o Santo dos Santos. Está na hora de deixar nosso ego na cruz, crucificar nossa vontade e deixar de lado nossos compromissos carnais.

Deus convida você para um nível mais elevado de comprometimento. Esqueça os planos que já estão traçados: deixe-os no altar de Deus e morra para si mesmo. Ore: “Deus, o que o Senhor quer que eu faça?” É hora de deixar tudo de lado e cobrir-se com o sangue. Nada pode sobreviver na presença de Deus. Mas se você estiver morto, Ele fará com que viva. Se você quiser desfrutar da presença de Deus, tudo o que tem a fazer é morrer.

Quando o apóstolo Paulo escreveu: “Dia após dia morro!”, ele estava dizendo: “Dia após dia, entro na presença de Deus” (1 Coríntios 15.31b). Não fuja, entre!