A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O LADO NEGRO DO AMOR

Traços de personalidade influenciam as escolhas do parceiro e os ideais românticos

O lado negro do amor

Segundo pesquisadores europeus, o amor tem um lado negro, que está associado a determinados traços de personalidade. Para aqueles que apresentam o traço chamado de maquiavelismo, o uso instrumental do parceiro prepondera sobre os sentimentos verdadeiros, desejo de ter intimidade e confiança. Para essas pessoas, a percepção do quanto podem obter ganhos em posição social, poder, prestígio e dinheiro é mais importante, e estes se tornam os alvos esperados de seus ideais românticos.

O maquiavelismo é um dos três elementos da chamada “dark triad”, ou tríade negra, composta dos traços de narcisismo, psicopatia e maquiavelismo. São as características mais sombrias da natureza humana e causam uma variedade de problemas nas relações e na sociedade, estando frequentemente associadas. O maquiavelismo é um traço de personalidade caracterizado por atitude manipulativa e exploradora frente aos outros, falta de empatia e uma visão cónica da natureza humana. A personalidade maquiavélica é marcada pela insensibilidade, frieza, dominância, e seus interesses são sempre voltados para si mesmo e seus projetos. Uma combinação de atributos que inclui uma busca constante   por poder e dominância social, uso utilitário das pessoas e dissimulação, imprimindo um comportamento pragmático nas relações humanas e também no amor.

Vários estudos já haviam conectado o maquiavelismo com o estilo amoroso denominado amor “pragma”, que envolve baixos níveis de intimidade e comprometimento na relação, baixa inteligência emocional, baixos níveis de empatia, desconfiança quanto ao parceiro, estratégias relacionais destrutivas, estilo de apego ligado a desprezo e intimidação. A sexualidade abrange uma variedade de atitudes promíscuas e hostis, incluindo fingir amor para manipular, divulgar segredos sexuais para terceiras partes, entre outros comportamentos.

Ideais românticos são construtos conceituais e imaginativos que determinam precisamente as características ótimas de um parceiro, e as expectativas frente ao self, ao parceiro e à relação. Sérias pesquisas mostraram que a percepção do self em certo atributo tende a ser acompanhada da concepção do parceiro ideal, ou seja, quanto mais uma pessoa se avalia tendo certo atributo, maior serão suas expectativas perante o parceiro na mesma dimensão.   Portanto, os ideais românticos servem como pontos de ancoragem ou padrões que governam a escolha de parceiro e a avaliação da relação. Durante o relacionamento, são feitas comparações contínuas entre os traços percebidos do parceiro e a imagem ideal armazenada na memória.

No entanto, pessoas maquiavélicas podem exibir escolha de parceiros com traços complementares, como, por exemplo, uma mulher dominante que demanda atenção busca relação com um parceiro submisso e permissivo que ela pode manipular e explorar. Maquiavelismo leva a usar os parceiros como meios para atingir seus objetivos, movidos por foco em seus interesses próprios, mais do que por formar relações emocionalmente significativas.

Em um artigo publicado no Europe’s Journal of Psychology, os autores conduziram a primeira investigação que se voltou para a relação direta entre maquiavelismo e os ideais românticos. Os resultados mostraram que existe uma correlação negativa entre as características do parceiro ideal de calor humano e confiança, e forte correlação positiva entre status social, recursos e poder. Personalidades maquiavélicas não se sentem atraídas por lealdade e calor humano. Os dados mostraram que essas personalidades têm como meta principal achar um parceiro que possua uma grande soma de recursos financeiros e outros recursos materiais e um status proeminente na hierarquia social. Devido a sua atitude pragmática, elas avaliam os outros em termos de utilidade para seu progresso individual na carreira ou planos de vida.

Embora o padrão geral de parceiro ideal valorize inteligência, criatividade, imaginação, curiosidade e orientação emocional positiva, personalidades maquiavélicas não acham essas caraterísticas atraentes. Pelo contrário, sua preferência é por parceiros mais submissos, dependentes e adaptáveis que podem ser mais facilmente influenciados e mais previsíveis.  Assim, podem obter aquilo que mais procuram em uma relação, o controle total.

O papel da atratividade no maquiavelismo é diferente do usual, pois essas personalidades não esperam que seus parceiros sejam atraentes, mas sim que eles mesmos sejam fisicamente atraentes e causem uma impressão favorável. Ter uma apresentação de si   mesmo atraente é mais importante do que a estética do parceiro, como um meio de subir no ranking social e de obter mais, em uma sociedade cada vez mais narcisista. Nossa sociedade está estruturada de forma que essas personalidades frequentemente têm “sucesso” na vida, pelo menos nos seus objetivos, embora as pesquisas mostrem baixos níveis de bem-estar subjetivo, tanto para si e para seus parceiros.

 

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed, 2011).

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

Uma consideração sobre “A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS”

Os comentários estão encerrados.