A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O LADO NEGRO DO AMOR

Traços de personalidade influenciam as escolhas do parceiro e os ideais românticos

O lado negro do amor

Segundo pesquisadores europeus, o amor tem um lado negro, que está associado a determinados traços de personalidade. Para aqueles que apresentam o traço chamado de maquiavelismo, o uso instrumental do parceiro prepondera sobre os sentimentos verdadeiros, desejo de ter intimidade e confiança. Para essas pessoas, a percepção do quanto podem obter ganhos em posição social, poder, prestígio e dinheiro é mais importante, e estes se tornam os alvos esperados de seus ideais românticos.

O maquiavelismo é um dos três elementos da chamada “dark triad”, ou tríade negra, composta dos traços de narcisismo, psicopatia e maquiavelismo. São as características mais sombrias da natureza humana e causam uma variedade de problemas nas relações e na sociedade, estando frequentemente associadas. O maquiavelismo é um traço de personalidade caracterizado por atitude manipulativa e exploradora frente aos outros, falta de empatia e uma visão cónica da natureza humana. A personalidade maquiavélica é marcada pela insensibilidade, frieza, dominância, e seus interesses são sempre voltados para si mesmo e seus projetos. Uma combinação de atributos que inclui uma busca constante   por poder e dominância social, uso utilitário das pessoas e dissimulação, imprimindo um comportamento pragmático nas relações humanas e também no amor.

Vários estudos já haviam conectado o maquiavelismo com o estilo amoroso denominado amor “pragma”, que envolve baixos níveis de intimidade e comprometimento na relação, baixa inteligência emocional, baixos níveis de empatia, desconfiança quanto ao parceiro, estratégias relacionais destrutivas, estilo de apego ligado a desprezo e intimidação. A sexualidade abrange uma variedade de atitudes promíscuas e hostis, incluindo fingir amor para manipular, divulgar segredos sexuais para terceiras partes, entre outros comportamentos.

Ideais românticos são construtos conceituais e imaginativos que determinam precisamente as características ótimas de um parceiro, e as expectativas frente ao self, ao parceiro e à relação. Sérias pesquisas mostraram que a percepção do self em certo atributo tende a ser acompanhada da concepção do parceiro ideal, ou seja, quanto mais uma pessoa se avalia tendo certo atributo, maior serão suas expectativas perante o parceiro na mesma dimensão.   Portanto, os ideais românticos servem como pontos de ancoragem ou padrões que governam a escolha de parceiro e a avaliação da relação. Durante o relacionamento, são feitas comparações contínuas entre os traços percebidos do parceiro e a imagem ideal armazenada na memória.

No entanto, pessoas maquiavélicas podem exibir escolha de parceiros com traços complementares, como, por exemplo, uma mulher dominante que demanda atenção busca relação com um parceiro submisso e permissivo que ela pode manipular e explorar. Maquiavelismo leva a usar os parceiros como meios para atingir seus objetivos, movidos por foco em seus interesses próprios, mais do que por formar relações emocionalmente significativas.

Em um artigo publicado no Europe’s Journal of Psychology, os autores conduziram a primeira investigação que se voltou para a relação direta entre maquiavelismo e os ideais românticos. Os resultados mostraram que existe uma correlação negativa entre as características do parceiro ideal de calor humano e confiança, e forte correlação positiva entre status social, recursos e poder. Personalidades maquiavélicas não se sentem atraídas por lealdade e calor humano. Os dados mostraram que essas personalidades têm como meta principal achar um parceiro que possua uma grande soma de recursos financeiros e outros recursos materiais e um status proeminente na hierarquia social. Devido a sua atitude pragmática, elas avaliam os outros em termos de utilidade para seu progresso individual na carreira ou planos de vida.

Embora o padrão geral de parceiro ideal valorize inteligência, criatividade, imaginação, curiosidade e orientação emocional positiva, personalidades maquiavélicas não acham essas caraterísticas atraentes. Pelo contrário, sua preferência é por parceiros mais submissos, dependentes e adaptáveis que podem ser mais facilmente influenciados e mais previsíveis.  Assim, podem obter aquilo que mais procuram em uma relação, o controle total.

O papel da atratividade no maquiavelismo é diferente do usual, pois essas personalidades não esperam que seus parceiros sejam atraentes, mas sim que eles mesmos sejam fisicamente atraentes e causem uma impressão favorável. Ter uma apresentação de si   mesmo atraente é mais importante do que a estética do parceiro, como um meio de subir no ranking social e de obter mais, em uma sociedade cada vez mais narcisista. Nossa sociedade está estruturada de forma que essas personalidades frequentemente têm “sucesso” na vida, pelo menos nos seus objetivos, embora as pesquisas mostrem baixos níveis de bem-estar subjetivo, tanto para si e para seus parceiros.

 

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed, 2011).

OUTROS OLHARES

O MUNDO DOS SELOS RAROS

A filatelia enfraqueceu, virou quase uma excentricidade no Brasil, mas a venda na Alemanha do “Erro de impressão Baden” por 1,26 milhão de euros mostra que ela não está morta

O mundo dos selos raros

Selos parecem coisas ultrapassadas e fora de moda. Não embelezam mais as cartas, hoje se preferem carimbos, e nem tantas cartas se usam. Foi-se o tempo em que receber um envelope com um selo bonito era uma alegria e também uma fonte de informação. Certamente há muitas crianças, hoje em dia, que nem sabem o que é um selo. Apesar dessa notável insignificância, na semana passada, num leilão na Alemanha, um deles foi vendido pela incrível soma de 1,26 milhão de euros. Se for considerado pelo seu peso, é um dos objetos mais valiosos que existem. Seu nome é Erro de impressão Baden. Foi impresso num tom verde azulado em vez do padrão rosa lilás de sua série. Está estampado num envelope datado de 26 de agosto de 1851. Só existem dois selos do tipo, de 9 centavos, com o mesmo erro. O outro está na coleção do Museu Postal de Berlim.

Esse não é o preço mais alto já pago por um selo. Na Europa, o Three Skilling Yellow, impresso na Suécia, em 1855, foi vendido nos anos 1990 por 2,2 milhões de dólares. Há também o imbatível Black on Magenta, que mede 2,5 por 3,8 centímetros e foi produzido na Guiana Inglesa em 1856, quando houve uma escassez de selos vindos da Inglaterra que ameaçava as remessas postais. Foi impresso em pequena tiragem na gráfica de um jornal e o único magenta de um penny que sobreviveu foi esse. Leiloado pela Sotheby’s de Nova York, em 2014, foi arrematado por US$ 9,5 milhões. O diretor de projetos especiais da casa de leilões, David Redden, o classificou na ocasião como “um objeto mágico, a definição própria de raridade e valor em um nível extraordinário”. O selo mostra uma imagem de um navio de três mastros e o lema dos colonos britânicos: “Nós damos e esperamos retorno”.

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PEDACINHO DE PAPEL

Alguém pode se perguntar: por que se paga tanto por um pedacinho de papel? Porque eles têm importância histórica e um valor simbólico e cultural. E porque há colecionadores e países que ainda o valorizam. Na Inglaterra, por exemplo, há uma empresa que lastreia seus fundos de investimento em selos e moedas raras, apostando que eles podem dar um bom retorno. A Stanley Gibbons chegou a se instalar no Brasil em 2013, mas logo fechou seu escritório. “O que mais valoriza um selo é a exceção, a falha, o defeito”, diz o filatelista Ygor Chrispin. Não é por acaso que alguns dos selos mais caros do mundo contêm falhas de impressão e mudanças de cor. “De um modo geral, o mercado de selos está diminuindo, há uma tendência de queda de preço por causa do enfraquecimento da demanda, mas as casas de leilões europeias e americanas ainda dedicam bastante atenção a eles e sempre há interessados nas raridades”.

No Brasil, segundo país a lançar selos postais no mundo, depois da Inglaterra, a filatelia anda devagar. Mas ela tem história. A primeira série brasileira foi a do conhecido Olho de Boi, impressa em 1843 nos valores de 30, 60 e 90 réis. É um dos selos mais valiosos que existem. Em 2008, uma peça com três desses selos juntos, um de 30 e dois de 60 réis, foi vendida num leilão nos Estados Unidos por US$ 2,1 milhões. Mesmo assim, os negócios hoje são escassos. Numa pesquisa no Google conta-se nos dedos das mãos o número de lojas filatélicas que existem em São Paulo. Nos anos 1980, havia dezenas dessas lojas no centro da cidade. Chrispin, de 31 anos, cuja coleção soma cerca de 25 mil selos, reconhece o enfraquecimento dos negócios e a diminuição do interesse dos jovens pelo assunto. Ele estima que existam cerca de cinco mil colecionadores no País. Apesar disso, ainda restam filatelistas apaixonados. Uma surpresa pode acontecer e uma raridade altamente valorizada, aparecer.

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GESTÃO E CARREIRA

PAIXÃO PELO QUE FAZ

Infelizmente, muitas pessoas acreditam que seguir com seus sonhos profissionais é ilusão, por isso usam algumas desculpas como muleta para reforçar tal crença limitante

Paixão pelo que faz

“Trabalho é amor tornado visível. Todo trabalho é vazio a não ser que haja amor.” Essa   frase de Khalil Gibran, poeta que trouxe profundas reflexões sobre o sentido da vida, paixão e trabalho, orienta como a profissão pode se tornar um verdadeiro ato de amor para alguém, sendo um instrumento para dar expressão às suas próprias capacidades. A paixão pelo que se exerce é importantíssima para a realização pessoal e para tornar único o seu próprio trabalho. E esse sentimento pode fazer toda a diferença no dia a dia e, principalmente, no crescimento profissional e pessoal.

Mas será que isso é possível nos dias de hoje? É utopia ou realidade seguir uma paixão, um sonho profissional? Ao refletir sobre quanto o trabalho as ocupa em grande parte da vida, é possível perceber que as pessoas passam, em média, oito horas por dia, durante cinco dias por semana, ou até muito mais tempo, dedicando toda a atenção, energia e ideias a determinada função.

Quando essa dedicação se torna obrigação, ela passa a ser um peso. Nesse caso, vale a pena refletir sobre o que se gosta e se deseja realizar, afinal é muito tempo investido no trabalho para que ele seja simplesmente descartado quando acaba o expediente. É fundamental a busca por aquilo que motiva e cativa, mesmo que as coisas não aconteçam no ritmo e da maneira que se deseja.

Com certeza, fazer uma reflexão sobre o tema é um pouco mais complexo e profundo do que parece, já que o desemprego continua sendo um problema. Porém, se for esperar para agir até que todas as condições estejam ideais, você nunca irá atrás dos seus sonhos e daquilo que realmente vai realizá-lo.

O trabalho dos sonhos nem sempre é possível de imediato, mas isso não significa que é preciso desistir deles ou deixar de demonstrar talento em outros trabalhos, pois eles fazem crescer e aperfeiçoar habilidades para chegar cada vez mais próximo da profissão desejada. Podem existir momentos em que é preciso tempo para amadurecer e fortalecer o autoconhecimento, além de sabedoria e humildade para trilhar o caminho e subir cada degrau necessário.

Até a profissão dos nossos sonhos possui aspectos repetitivos, estressantes, muitas vezes chatos e pouco divertidos. Por isso, a reflexão sobre o amor pela carreira vai além do trabalho ideal e perfeito. Algumas atitudes mentais podem ajudar nessa reflexão.

Respeitar as próprias conquistas é fundamental em qualquer área que se esteja inserido. Qualquer emprego pode dar satisfação, aprendizado e promover o crescimento pessoal e profissional, mesmo que não seja aquele que tanto sonhou. O importante é respeitá-lo e identificar de que forma pode ser útil, como ele afeta positivamente a vida, quais são os lados satisfatórios que oferece e compreender que esse aprendizado faz parte do caminho para chegar ao propósito.

Viver com entusiasmo vai garantir a qualidade de vida, mesmo que você ainda não esteja na posição sonhada. Quando se tem por verdade que é necessário viver uma situação ideal e perfeita para ter paixão e entusiasmo, dificilmente se experimentarão tais sensações. É apenas quando se decide viver com entusiasmo e paixão pela vida que se percebem quantas oportunidades existem ao redor.

Gratidão é o que mantém as pessoas satisfeitas, independentemente de onde elas estejam. Quem possui esse sentimento pelo trabalho enfrenta com mais facilidade as responsabilidades que ele comporta e, assim, consegue perceber os pontos positivos dele. A gratidão é um sentimento que desperta emoções positivas nas pessoas, seja na vida pessoal ou profissional. Muitas vezes, acredita-se que os sonhos e desejos são difíceis de serem realizados e que os problemas são tão grandes que somente um milagre ou grandes esforços poderão resolvê-los. Dessa forma, não são percebidos o peso e a influência das próprias atitudes na concretização dos resultados. A gratidão antecipada, isto é, ser grato antes mesmo dos resultados acontecerem, é a verdadeira mudança de mentalidade e de paradigmas.

A magia acontece quando os seus objetivos saem da mente e chegam ao coração. É nesse momento que as pessoas se apaixonam por uma ideia, um projeto, um sonho e eles se tornam reais, mesmo que ainda não tenham se materializado e que precisem de algum tempo e preparação para isso.

É importante entender que a paixão, no seu significado geral, é um sentimento profundo que o impulsiona a definir objetivos desafiadores e a usar a criatividade para atingi-los, determinando as transformações que se deseja, seja no trabalho atual ou na busca da carreira que mais expressa nossas potencialidades e talentos.

 

EDUARDO SHINYASHIKI – é palestrante, consultor organizacional, especialista em Desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. É presidente do Instituto Eduardo Shinyashiki e também escritor e autor de importantes livros como Transforme seus Sonhos em Vida (Editora Gente), sua publicação mais recente. www.edushin.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPITULO 4 – OS MORTOS VEEM A FACE DE DEUS

 

O CAMINHO SECRETO QUE NOS LEVA À SUA PRESENÇA

“Sei que está aqui em algum lugar, estou bem próximo. Deve haver um caminho para chegar até lá. Aqui está. Este caminho não parece muito agradável. É um caminho precário. Deixe-me ver como se chama… Arrependimento. Será que o caminho é este mesmo? Tem certeza de que é assim que poderei desfrutar da presença de Deus e de Sua face? Acho que vou perguntar para outra pessoa. Moisés, você já esteve lá, diga-me!”

“Disse o Senhor a Moisés: Farei também isto que disseste; porque achaste graça aos meus olhos, e eu te conheço pelo teu nome. Então ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória. [Respondeu-lhe]: Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá.” (Êxodo 33.17,18,20)

Quando Moisés pediu que Deus lhe mostrasse Sua glória, o Senhor lhe avisou que nenhum homem poderia vê-Lo e viver. E esta verdade permanece. Somente os que morrem podem ver a Deus. Existe uma estreita relação entre a glória de Deus e a nossa morte. Quando insistiu em seu pedido, dizendo: “Eu quero, preciso ver”, Moisés já tinha em mãos o esboço do tabernáculo. Ele foi o homem escolhido por Deus para receber os detalhes arquitetônicos do modelo de salvação pré-Calvário, que veio antes do plano definitivo para resgate do homem. Provavelmente, Moisés olhou para o tabernáculo, para a lei, e pensou: “Isso deve ser uma espécie de modelo daquilo que Deus ainda vai fazer. E só um protótipo, uma sombra. Ainda não é isto.” Creio que ele sabia que os móveis e utensílios do tabernáculo tinham um significado simbólico. A obra que começou era grande demais para ser concluída em uma geração. Por isso, Moisés queria ver o produto final, e pediu: “Mostre-me Sua glória.” O Senhor respondeu: “Você não pode vê-La, só os que morrem podem ver Minha face.”

É por isso que gosto de ler a respeito de visionários intercessores como Aimee Semple McPherson e William Seymour que costumavam passar noites inteiras com a cabeça sobre uma caixa de maçã intercedendo e orando para que a glória de Deus se manifestasse. Creio que, quando intercessores se levantarem no meio do povo de Deus para clamar por Sua presença, chegará o tempo em que o Senhor finalmente dirá: “É isto. Não vou esperar mais. Já está na hora!”

Foi isto que aconteceu na Argentina em 1950. Um homem chamado Edward Miller escreveu o livro “Cry for me, Argentina” (Chore por mim, Argentina), no qual ele descreve as origens do avivamento argentino – cuja finalidade era abalar a América do Sul e o mundo. O Sr. Miller está na casa dos 90 anos hoje, e, por mais de quatro décadas, foi um dos poucos missionários pentecostais, comprometidos com o evangelho pleno, atuantes na Argentina. Ele conta como 50 alunos do Instituto Bíblico Argentino, à época dirigido por ele, começaram a orar e experimentaram a presença e ação do Senhor. As aulas tiveram que ser suspensas, tamanho o comprometimento daqueles jovens com a intercessão por seu país, a Argentina. Diariamente, durante 49 dias seguidos, eles oraram e intercederam por sua Nação. O país era um deserto espiritual naquele tempo. O Sr. Miller conhecera somente 600 crentes cheios do Espírito, em todo o país, durante os anos de governo de Juan Perón. Ele me disse que nunca vira tantas pessoas chorando e clamando, por tanto tempo, daquela maneira. As origens e propósitos daquele clamor só podiam ser espirituais.

A verdade é que não sabemos muito sobre intercessão nos dias de hoje. Para muitos, interceder significa ficar repreendendo o inimigo, mas não é disso que precisamos: só precisamos que o “Pai” se manifeste.

AQUILO SÓ PODERIA SER DESCRITO COMO UM CHORO SOBRENATURAL

O Sr. Miller me disse que aqueles jovens intercessores choraram e clamaram sem cessar. Ele mencionou um jovem que encostou a cabeça na parede e chorou. Quatro horas depois, suas lágrimas escorriam pela parede. Seis horas se passaram e ele estava sobre uma poça formada por suas próprias lágrimas! Aquele era um clamor sobrenatural, esta era a única explicação. Eles não estavam simplesmente se arrependendo por algo que tinham feito. Foram movidos pelo Espírito a um “arrependimento vicário”, no qual começaram a arrepender-se por causa de coisas que aconteceram entre outras pessoas em sua cidade, sua região e em seu país.

O Sr. Miller conta que, no quinquagésimo dia de intercessão contínua perante o Senhor, veio a eles uma palavra profética: “Não chore mais, pois o Leão da Tribo de Judá prevaleceu contra o príncipe da Argentina.” Dezoito meses mais tarde, argentinos aglomeravam-se em cultos evangelísticos realizados em estádios de futebol com capacidade para 180 mil pessoas e, mesmo os maiores estádios do país não eram grandes o suficiente para abrigar as multidões.

Nunca me esquecerei do que aquele homem me disse:

“Se Deus puder contar com pessoas entre Seu povo, em uma determinada região, que rejeitem o domínio satânico com humildade, quebrantamento, arrependimento e intercessão, então Ele vai entregar uma “ordem de despejo” ao poder demoníaco vigente naquela área. E quando assim Deus o fizer, veremos a manifestação de Sua glória.”

Oro para que os céus se abram sobre nossas cidades e nossa nação, para que a glória de Deus se manifeste; que as fortalezas demoníacas sejam quebradas e que as pessoas ao nosso redor não possam mais resistir. Como isto pode acontecer? Através da manifestação da glória de Deus. Sim, intercessores se levantarão para fechar as portas do inferno e abrir as janelas do céu!

CONTENTAMO-NOS EM DANÇAR AO REDOR DA SARÇA ARDENTE

Quando achamos que o culto foi realmente muito bom, ou quando sentimos o que chamamos de avivamento, logo nos acomodamos, deixamos de lado nossa busca pelo Senhor e dançamos ao redor das “sarças ardentes” que encontramos. Ficamos tão maravilhados com elas que nunca voltamos ao Egito para libertar o povo!

Deus está dizendo à Sua Igreja que ser abençoado não é o suficiente. Receber Sua unção e Seus dons não é o suficiente. Eu não quero mais bênçãos, quero Aquele que abençoa. Não quero mais dons, quero Aquele que os concede. “Por acaso você está dizendo que não crê em dons e que não quer as bênçãos de Deus?” Não! Estou dizendo que, algumas vezes, ficamos tão ansiosos para experimentar algo sobrenatural, que nos desviamos do propósito divino. Não fique empolgado com o que Deus pode dar, empolgue-se com o que Ele é.

Meu ministério exige que eu viaje com frequência e, quando volto para minha família, logo sou bombardeado com perguntas: “O que você trouxe para mim, papai? Comprou alguma coisa?” Compreendo que é normal para as crianças, mas o que realmente quero, aquilo que sonho a cada dia que estou longe, é o momento em que minha filha de seis anos vem, carinhosamente, para meu colo sem pensar nos brinquedos que estão na mala. São momentos como estes que também ficarão na memória de minhas filhas daqui a alguns anos. Creio nisto, pois os brinquedos logo desaparecem ou são esquecidos em algum lugar.

Nosso Pai espera o mesmo. Os caçadores de Deus querem é Deus! As “coisas” que Deus pode dar não são suficientes para aquele que é um homem segundo o coração de Deus (Atos 13.22).

Quando Deus se manifesta, geralmente estamos com os olhos no lugar errado, na “mala”. Queremos Seus “brinquedos” espirituais (O termo “brinquedos” foi usado para descrever nossa atitude diante dos dons e bênçãos de Deus. Não estou, de forma alguma, tentando menosprezar seu verdadeiro valor e significado. Deus não nos deu dons tão preciosos tais como profecia, discernimento ou cura para que impressionemos a carne ou para que possamos influenciar pessoas. Tais dons nos são dados com o propósito de edificar e equipar o Corpo de Cristo para o trabalho na obra de Deus). Dizemos-Lhe: “Toca-me, abençoa-me, Pai!” Temos transformado nossas igrejas em “clubes da bênção”. Em nenhuma passagem bíblica o altar é o “lugar da bênção”. O altar só existe com um propósito, pergunte àquele cordeirinho que era levado até lá. Não é um lugar de bênção, é um lugar de sacrifício, morte. Se admitirmos esta morte, talvez possamos ver a face de Deus.

POR QUE ESTAMOS FALANDO TANTO DE MORTE?

No Novo Testamento, morte equivale a arrependimento, quebrantamento e humildade diante de Deus, é disto que estou falando. Muitas vezes, parece que não passamos de “simpatizantes” da Palavra de Deus. Dizemos que é verdade, mas agimos como se não fosse. E se Deus estiver falando sério? E se somente os mortos puderem ver Sua face? É impressionante como aceitamos aquilo que não é o que deveria. Estou batendo nesta tecla porque a Igreja corre o sério risco de mais uma vez contentar-se com a “sarça ardente”, enquanto Deus se manifesta de forma poderosa.

Existe um propósito por trás das vigílias de oração que estão sendo feitas no mundo inteiro, e não é que simplesmente sejamos abençoados. Deus quer abrir os céus sobre nossas cidades para que os perdidos conheçam Seu Senhorio e amor. Este é o verdadeiro propósito da manifestação de Deus entre os homens. Temos que tirar nossos olhos dos “brinquedos” e fixá-los nos propósitos do Senhor…

Como Moisés, precisamos clamar: “Obrigado, Senhor, mas não é suficiente: queremos mais, queremos ver mais, queremos ver Sua glória. Não queremos somente saber onde o Senhor esteve, mas queremos ver para onde o Senhor está indo!”

É isto que estou buscando. Só quero saber para onde Deus está indo, para que eu possa estar por perto. Ele é soberano em Suas escolhas quanto a lugares. Ninguém risca um fósforo para acender a sarça. Só Deus pode fazer isto. A parte que nos cabe é vagar pelo deserto até encontrarmos o lugar certo e, então, lembrarmos de tirar os sapatos diante da terra santa.

JÁ POSSO SENTIR A FUMAÇA NO AR…

Algumas vezes vou a lugares onde posso sentir o cheiro de fumaça no ar… o cheiro daquelas folhas que ardem e não se queimam. Parece que estamos perto do lugar onde Deus nos mostrará Seu propósito por trás de tudo isto.

Muito do que temos visto até agora é a renovação da Igreja. Talvez avivamento não seja a melhor definição para o que estamos vendo, pois traz a idéia de algo que não tinha vida. Não tenho palavras para conceituar ou descrever o que Deus está prestes a fazer. Como você poderia descrever um maremoto? Como falar do que Deus pode fazer com Sua indizível graça e poder?

A forma como Deus tratou com Nínive é o modelo bíblico com o qual eu sonho. Desejo ver uma onda do poder de Deus varrendo a cidade, arrastando toda arrogância humana e deixando para trás nada menos que uma trilha de arrependimento e quebrantamento. Estou faminto por um avivamento como o descrito em Jonas, quando uma cidade inteira se rendeu em arrependimento e jejum.

Este tipo de avivamento deveria ter acontecido em Nazaré, mas não aconteceu. Nazaré teria sido um excelente lugar porque teve o melhor pregador que já existiu. Jesus levantou-se na sinagoga de Nazaré e declarou: “O Espírito do Senhor está sobre mim…” E leu diante deles o que faria -curar os doentes, abrir os olhos dos cegos, libertar os cativos – mas a incredulidade do povo nazareno se colocou como obstáculo. Precisamos atentar para esta triste história, pois Nazaré era o “cenário bíblico” no tempo de Jesus, era um bom lugar para que o avivamento ocorresse [Não podemos nos deixar levar pela aparência de um lugar ou de um povo.].

Não me importo com aparências: somente Deus conhece Seus planos para o futuro. Muitos cristãos logo descartam metrópoles como Los Angeles, Nova Iorque, Detroit, Chicago ou Houston. Los Angeles é o abrigo de milhares de lugares pornográficos e também da indústria cinematográfica de Hollywood. Nínive talvez fosse o lugar menos provável para um avivamento naqueles dias! Nem precisamos mencionar as cidades de Xangai, Nova Deli, Calcutá, Rio de Janeiro… a lista é enorme! Mas, se alguém puder encontrar o interruptor, a glória de Deus vai inundar estas cidades. É assim que deve ser, pois a Palavra nos diz que a “glória do Senhor encherá toda a terra”! (Números 14.21).

SOU UM DEFUNTO AMBULANTE

Só os que morrem podem ver a face de Deus. Quando você penetrar além do véu, diga: “Não estou vivo, sou um morto ambulante.” Quando um condenado à pena de morte começa sua caminhada final em direção à sala de execução, antes que a porta do corredor se feche, um dos guardas grita: “Defunto ambulante”, para que todos saibam que alguém está em seus últimos instantes de vida na terra – todos ficam imóveis em respeito àquele momento. O homem está vivo, mas por pouco tempo. Quando ele chega à câmara de execução, é o fim. É assim que é o cristão, como descrito em Romanos 12.1: defunto ambulante.

Quando os sacerdotes amarravam uma corda no tornozelo do sumo sacerdote, e este olhava para o espesso véu que o separava do Santo dos Santos, sabia que era um defunto ambulante. Ele sairia com vida, exclusivamente, pela graça e misericórdia de Deus. Aproximar-se da glória de Deus: este é um assunto delicado e mal compreendido nos dias de hoje. Dizemos: “A glória de Deus está neste lugar”, mas, na verdade, não está. A unção está presente, talvez uma porção da luz do Senhor esteja ali. Mas, se a glória de Deus se manifestasse em toda a sua plenitude, estaríamos todos mortos. As montanhas se derretem na presença de Deus: quanto mais a carne do homem!

Falhamos em não compreender a glória de Deus (talvez não tenhamos capacidade para isto). O apóstolo Paulo disse: “…a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1 Coríntios 1.29). Se a carne estiver presente, quando a glória de Deus se manifestar, terá que morrer, pois nada pode sobreviver diante Desta presença. Somente quando sua carne estiver “morta”, poderá a pessoa permanecer na presença de Deus. Apenas os que morrem podem ver Sua face.

“NÃO SEI SE VOLTAREI”

Uma vez por ano, o sumo sacerdote de Israel teria que deixar sua casa e, com o coração apertado, dizer à família: “Não sei se voltarei. Não tenho certeza, mas acho que fiz tudo que deveria fazer. Minha estola sacerdotal está em ordem?” Os judeus eram tão cuidadosos, que não permitiam que o sumo sacerdote dormisse na noite anterior à sua entrada no Santo dos Santos! Os outros sacerdotes o mantinham acordado lendo a lei, para que ele não se contaminasse acidentalmente através de um sonho.

Quando chegava a hora da verdade, o sumo sacerdote, cuidadosamente, molhava seu dedo no sangue do cordeiro e o colocava na ponta das orelhas e nos polegares das mãos e dos pés. Por quê? Simbolicamente, trazendo traços de morte, ele representava um homem morto e, assim, poderia aproximar-se da glória de Deus e sobreviver. Uma vez aplicado o sangue, o sacerdote respirava fundo, dava uma última olhada ao redor, checava a corda no tornozelo e tomava o incensário. Este pequeno recipiente, ligado a uma corrente, tinha brasas quentes em seu interior.

O sacerdote tomava um punhado do santo incenso e o colocava sobre as brasas, criando uma espessa nuvem de fumaça perfumada. Ele introduzia o incensário após o véu, balançando-o de forma que o Santo dos Santos ficasse completamente coberto pela fumaça. Então, com muito cuidado, levantava a orla do véu e engatinhava para dentro do Santíssimo Lugar com temor e tremor, esperando que pudesse retornar com vida. A melhor forma de entrar no Santo dos Santos é de joelhos.

OS SACERDOTES DA LINHAGEM DE ARÃO SABIAM ALGO QUE NÃO SABEMOS

A cobertura de fumaça era o último recurso para proteger a carne do sacerdote de ser consumida pela santidade do Todo-Poderoso. Os sacerdotes da linhagem de Arão sabiam algo a respeito de Deus que precisamos redescobrir hoje. Eles sabiam que Deus é Santo, mas o homem, não. Sabiam que a carne “descoberta” morreria instantaneamente ao entrar em contato com a glória de Deus. Embora eles tivessem seguido todos os procedimentos e exigências, cobrindo a si mesmos com sangue e passado a noite inteira lendo as Escrituras, só penetravam além do véu quando a fumaça encobrisse tudo. A fumaça estaria suficiente quando nada mais pudesse ser visto. E o sacerdote tinha que executar todas as suas tarefas pelo tato e não pela visão. A cobertura de fumaça era sinal de que ele tinha alguma chance de tornar a ver a luz do dia (Levítico 16).

Creio que a nuvem de incenso não estava ali para impedir que o homem visse a glória de Deus, mas o contrário. A Bíblia diz em Apocalipse 8.1:

“Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu cerca de meia hora.”

Por que os anjos do céu permaneceriam “mudos” por 30 minutos? No contexto do capítulo anterior apresenta-se a visão dos santos, com vestes brancas, diante do próprio Deus. Virá um dia em que nossos corpos mortais se revestirão de imortalidade e este corpo corruptível se revestirá da incorruptibilidade. E mesmo assim, resíduo da carne ainda estará lá. Creio que quando colocarmos os pés para dentro dos portais celestiais, os anjos permanecerão em silêncio por meia hora, como se dissessem: “Os remidos estão diante do Santo.” Para eles, é inconcebível que a carne possa estar diante da glória de Deus. É verdade, mas aquele que tiver sido transformado’ pelo processo da morte e ressurreição, através do sangue de Jesus, poderá fitá-Lo. Somente os que morrem podem ver a face de Deus.

A MISERICÓRDIA DE DEUS O MANTÉM AFASTADO DE NÓS

É a misericórdia de Deus que O mantém afastado de nós. Uma geração após outra, os cristãos têm orado: “Venha Senhor, aproxime-se!” Creio que a resposta do Senhor tem sido uma faca de dois gumes. Por um lado, Ele nos chama: “Clamem a mim, quero me aproximar.” Mas, ao mesmo tempo, Ele detém Sua mão e avisa: “Tenham cuidado, tenham cuidado! Se vamos nos aproximar, certifiquem-se de que a carne esteja morta. Se realmente querem Me conhecer, tudo que se relacione ao pecado deve morrer.”

Por que Deus requer esta morte? O que há na fumaça do sacrifício que faz com que Ele nos visite? É como se ela fosse um “convite” ao Senhor. Você pode não compreender, mas a morte esteve presente em cada avivamento na história da Igreja! Esteve presente nas primeiras reuniões de oração na rua Azusa e também no Primeiro e no Segundo Grande Despertamento. Frank Bartleman, o pioneiro pentecostal que tomou parte no Avivamento de Azusa Street, disse: “A profundidade de seu arrependimento vai determinar estatura de seu avivamento.”

QUANTO MAIS ARREPENDIMENTO (MORTE) DIANTE DE DEUS, MAIS PRÓXIMO ELE PODERÁ CHEGAR

É como se o aroma do sacrifício fosse o sinal para que Deus pudesse aproximar-se de Seu povo sem consumi-lo por seus pecados. O objetivo de Deus sempre foi a íntima comunhão com o homem, a coroa de Sua criação. No entanto, o pecado fez com que esta comunhão se tornasse mortífera. Deus não pode aproximar-Se da carne, porque ela exala o cheiro do mundo. Para que Ele chegue perto, a carne tem que morrer. Então, quando clamarmos para que o Senhor se aproxime, Ele o fará, mas nos dirá: “Não posso chegar mais perto, porque sua carne seria destruída. Quero que você compreenda que se sua carne morrer, poderei aproximar-Me mais.”

É por isso que o arrependimento e o quebrantamento -o equivalente a morte no Novo Testamento – traz a presença manifesta de Deus tão perto. Mas queremos evitar o arrependimento, porque não gostamos de sentir o cheiro da morte. Definitivamente, não é um odor agradável. Não atrai os sentidos do homem, mas é agradável a Deus porque é o sinal de que Ele pode aproximar-Se daqueles que ama.

ESQUEÇA O “CULTO-ENTRETENIMENTO”

Aquilo que agrada a Deus é bem diferente daquilo que nos agrada. O Senhor me disse uma vez, enquanto eu estava ministrando: “Filho, o culto que Me agrada e o culto que lhe agrada são bem diferentes.” Comecei a perceber que muitas vezes estruturamos nossos cultos para que sejam agradáveis aos homens. Temos que dizer o que os homens querem ouvir e lhes prover uma boa dose de entretenimento. Infelizmente, estes tipos de reuniões têm pouco daquele amor sacrificial derramado perante o Único que é digno de receber louvor e adoração.

Acho que o Senhor procura aqueles (poucos) que realmente O amam, não aqueles que só querem ser entretidos. É como se preparássemos uma festa para o Senhor e depois O ignorássemos! A morte do eu é algo especial, não é uma ideia atraente para nós, mas sem dúvida, agrada a Deus.

Se, ao pegar este livro, você esperava alguma “comoção” vinda do Espírito Santo, talvez esteja decepcionado. Mas se já sabia, em seu coração, da necessidade de uma revolução na Igreja, em seus procedimentos, então não será desapontado. O Salmo 103.1 diz: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor…” Não está escrito: “Oh, Senhor, bendiga a minha alma.” Deus está farto de ficar só dispensando bênçãos, Ele quer que desfrutemos do que Ele é, de Sua face, mas somente os que estiverem dispostos a morrer poderão aproximar-se d’Ele.

DEUS RECEIA SE APROXIMAR…

Ainda preservamos alguns traços de nossas ambições carnais, enquanto nos agarramos às bordas das vestes de Salvação de Nosso Deus. Podemos manter o resto de nossas vestes antigas e viver dos benefícios que o Senhor nos concede. Permanecemos longe da fome espiritual e Deus não ousa chegar mais perto, pois, assim, a carne, que tanto prezamos, seria destruída. A escolha é nossa.

Deus procura por alguém que esteja disposto a amarrar uma corda no tornozelo e dizer: “Se perecer, pereci… mas verei o Rei. Quero fazer tudo que puder para penetrar além do véu. Vou me arrepender e fazer tudo que for necessário, pois estou cansado de ouvir falar a respeito de Deus e, simplesmente, saber sobre Ele. Quero conhecê-Lo, tenho que ver Sua face”

Não interessa quem você é, o que tenha feito ou quão religioso seja, o único caminho que vai levá-lo para além do véu é a morte de sua carne. Tal morte significa arrependimento e quebrantamento diante de Deus para que Ele possa Se aproximar. O apóstolo Paulo disse:

“Porque agora vemos como em espelho, obscuramente, então veremos face a face; agora conheço em parte, então conhecerei como também sou conhecido.” (1 Coríntios 13.12)

Este é o ponto em que conheceremos Deus em toda a plenitude, a mesma plenitude com a qual somos conhecidos por Ele.

O apóstolo João estava exilado na Ilha de Patmos por causa da fé em Cristo, mas creio que havia uma razão ainda mais profunda. Quando João estava como um “defunto ambulante”, abandonado em uma ilha deserta, foi que ouviu uma voz e viu a face de Deus Filho, Jesus Cristo.

Todos nós pensamos conhecer Deus e sermos parte da Igreja. Mas olhemos João mais de perto: ele era o apóstolo que recostou no peito de Jesus, era o discípulo mais chegado. João estava presente quando Jesus acordou de Seu sono para acalmar a tempestade no Mar da Galileia. Ele viu quando Jesus interrompeu um funeral e tocou no corpo do rapaz morto, devolvendo-o à sua mãe. Foi esse mesmo apóstolo que, na Ilha de Patmos, viu, pela primeira vez, o Senhor em Sua glória. Ele contou que a cabeça e os cabelos do Senhor eram brancos como neve, Seus olhos eram como chamas de fogo e Seus pés, como bronze polido.

A Palavra diz que João caiu aos pés do Senhor como morto (Apocalipse 1.17). Por que lhe sucedera isto? Justamente com ele, que convivera com Jesus por três anos? João experimentou a morte, naquele momento, porque seus olhos contemplaram a Vida. É preciso experimentar morte para vê-Lo, e tudo que posso dizer é que este é um bom momento para fazer isto. Quanto mais morro, mais o Senhor se aproxima.

João Batista também conhecia este segredo. Jesus declarou:

“…Entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista…” (Mateus 11.11a).

Por quê? João compreendeu graciosamente um princípio pouco conhecido e sobre o qual todo ministério, culto e adoração deveriam estar:

“Convém que ele cresça e que eu diminua.” (João 3.30)

Se eu diminuir, Ele poderá crescer. Quanto menos espaço eu ocupar, mais sobrará para Ele. João Batista foi sábio em reconhecer o verdadeiro Provedor de todos os dons e ministérios.

Ele disse:

“…o homem não pode receber cousa alguma se do céu não lhe for dada.” (João 3.27)

Conforme tenho dito, quanto menor eu me tornar, maior poderá ser Deus na minha vida. Quanto mais eu morrer, mais perto o Senhor chegará. Haverá limites para isto? Não sei, mas posso indicar-lhe a quem perguntar… Procure o Sr. Enoque. Ele demonstrou que podemos, literalmente, andar com Deus, mas “morreremos” durante a caminhada.

A Bíblia diz:

“Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram, e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida.” (Apocalipse 12.11)

Será que você está evitando esta morte? Você quer as bênçãos de Deus em sua vida? A maior bênção não vem das mãos do Senhor, mas de Sua face, do íntimo relacionamento com Ele. Quando finalmente, você puder contemplá-Lo e conhecê-Lo, encontrará a fonte de todo poder.

ESTA BÊNÇÃO TEM UM CUSTO

Toda carne deve morrer na presença de Deus, mas tudo que provém do Espírito permanece eternamente diante de Sua glória. Aquilo que é eterno em seu ser, realmente quer e pode viver para sempre. Porém, primeiramente, aquilo que diz respeito à sua carne deve morrer. Sua carne constitui um obstáculo para a manifestação da glória de Deus. É provável que, enquanto lê estas palavras, você esteja em meio a uma intensa luta entre a carne e o espírito. Digo que já é hora de dizer ao Senhor: “Deus, quero contemplar Sua glória.” O Deus de Moisés quer Se revelar a nós, mas esta não vai ser uma bênção sem ônus. É preciso disposição para morrer, para que Ele aproxime-Se cada vez mais.

Esqueça o quê ou quem está em seu redor, abandone as “formalidades”! Deus quer redefinir e reestruturar aquilo que chamamos de “Igreja”. Ele procura pessoas que estejam buscando Seu coração. Ele quer uma Igreja cheia de “Davis”, pessoas que busquem Seu coração (e não somente Suas mãos). Você pode continuar buscando Suas bênçãos e usar os “brinquedos”, ou dizer: “Pai, muito obrigado, mas não quero mais bênçãos, quero o Senhor. Quero Sua presença bem próxima. Quero Seu toque em meus olhos, em meu coração, em meus ouvidos. Mude-me, Senhor! Não quero mais ser o mesmo! Estou cansado, Senhor! Sei que se eu puder ser mudado, então as pessoas em meu redor também poderão ser transformadas.”

Precisamos orar por uma mudança, uma ruptura, mas não podemos fazê-la, a menos que ela comece em nós. As mudanças virão sobre aqueles que não estiverem em busca de suas próprias ambições, mas, sim, buscando os propósitos de Deus. Precisamos chorar sobre nossas cidades como Jesus chorou sobre Jerusalém. Estamos carentes de uma transformação vinda do Senhor.

Quando a mão de Deus tentar moldar seu coração, não resista ao Espírito Santo. O Oleiro de sua alma quer torná-lo maleável. Ele quer conduzi-lo a um ponto em que não seja necessário um furacão vindo dos Céus para que você saiba que Ele está presente. Ele deseja que você esteja tão sensível que uma brisa tranquila e suave possa lhe anunciar a Sua presença.

QUEREMOS VIDA, MAS O SENHOR ESTÁ EM BUSCA DE MORTE.

Precisamos nos arrepender por preparar cultos para agradar aos homens, ao invés de prestar a Deus a adoração que Ele merece. Como a maioria das pessoas, queremos “vida” em nossos cultos, mas Deus está em busca de outra coisa: “morte”! A morte que vem do arrependimento e quebrantamento, que nos conduz à presença de Deus e faz com que nos aproximemos d’Ele e, ainda assim, permaneçamos vivos.

Este é o ponto em que alguns ficam muito incomodados, porque começam a sentir um cheiro de “fumaça” no ar e já conseguem sentir o odor da carne queimada. Pode não cheirar bem para nós, mas para Deus será um sinal de arrependimento. A Bíblia diz:

“… há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.” (Lucas 15.10)

Morte e arrependimento na terra levam alegria e regozijo aos céus.

O avivamento deve começar em sua Igreja antes de alcançar sua comunidade. Se você está faminto por avivamento, tenho uma palavra do Senhor para você: O fogo não cai sobre altares vazios. Para que o fogo caia, é preciso que haja um sacrifício sobre o altar. Se você quer fogo, precisa ser o combustível. Jesus sacrificou-Se para conquistar nossa salvação. E o que Ele diz a cada um que deseja segui-Lo? Ele nos chama a renunciar nossa própria vida tomar nossa cruz e segui-Lo. De acordo com a concordância bíblica Strong’s, a palavra grega para “cruz”, STAUROS, significa “de maneira figurada, exposição à morte, ou seja, auto-renúncia”5. Elias não pediu que o fogo do Senhor caísse até que houvesse combustível e um sacrifício digno sobre o altar. Temos orado para que o fogo caia, mas o altar está vazio!

Se você anseia que o fogo caia sobre sua Igreja, você precisa, então, subir ao altar e dizer: “Senhor, não importa o que custe. Eu me coloco sobre o altar para ser consumido pelo Seu fogo.” Então poderemos fazer como John Wesley. Ele explica como conduziu multidões durante o Primeiro Grande Despertamento:

“Eu me coloquei no meio das chamas, para que as pessoas pudessem me ver queimado.”