A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O ESCOAR DO TEMPO

O conto “história da sua vida” permite entender o que está por vir e confronta o livre-arbítrio para escolher continuar ou não no caminho que sabemos já estar determinado

O escoar do tempo

Imagine um momento em que você sente o tempo escoar de forma circular, um verdadeiro “eterno retorno” dos domingos que o deixam na expectativa da segunda-feira, enquanto você também experimenta esse tempo se escoar de forma linear de tal modo que, ao olhar para sua vida, lembra-se dos momentos importantes que se passaram e percebe essa progressão medida pelos relógios e calendários até constatar o envelhecimento. Imagine também que, assim como podemos recuar ao passado, também pudéssemos enxergar o futuro. Esse e outros assuntos são discutidos no conto “História da sua vida”.

Esse conto está contido em uma coletânea da obra de Ted Chiang, escritor norte-americano, chamada História da sua Vida e outros Contos.

Trata-se de uma ficção científica que traz importantes conceitos da física, matemática e linguística. Foi adaptado para o cinema e deu origem ao filme A Chegada. O escritor, ao definir sua obra, diz: “Acredito que exista beleza na ciência e na matemática. Conhecer as verdades nesses campos pode criar um sentimento de admiração que é muito parecido com o que a religião inspira”.

A narrativa mostra como o mundo reage ao saber da presença de alienígenas, o que significa que não estamos sozinhos. Dentre os vários profissionais recrutados para tentar uma comunicação está uma linguista chamada Louise Banks. Nessa experiência, ela concebe que o estudo da estrutura de uma língua confirma a hipótese do relativismo linguístico de que as diferentes línguas são resultados de sua cultura e concepção de mundo em universos mentais distintos. Talvez, por isso, nosso mundo criou o mito da Torre de Babel.

Os alienígenas foram chamados de “heptapodes” por terem sete pés. São diferentes não só na anatomia como em tudo que conhecemos. A noção de tempo é circular, do mesmo modo como ocorre em nosso inconsciente. Nesse contato com eles, a dra. Banks aprendeu a usar essa noção de tempo e espaço como eles. Ela então enxerga que vai ter uma f ilha e sabe- rá sobre a história da sua vida, antes mesmo de concordar em concebê-la. Aqui estamos diante de um impasse. Ela já considerava que iria ter uma f ilha que morreria jovem e que seu marido a abandonaria. Se soubéssemos de um futuro nada animador, como conviver com isso e fazer uma escolha que vai determinar o resto da sua vida? O livre-arbítrio seria exercido sem afetar o resultado dos eventos. Ao longo da história, as memórias de sua filha acompanham a dra. Banks, e esta experimenta sensações as quais deseja muito vivê-las. Talvez seja esse o motivo de sua escolha.

Os “heptapodes” vivenciavam todos os acontecimentos ao mesmo tempo e percebiam um propósito essencial em todos eles. Não viviam os acontecimentos, como nós percebemos, em uma relação de causa e efeito. Nossa consciência tem um modo sequencial, enquanto os “heptapodes” desenvolveram um modo simultâneo.

A investigação científica tem se deslocado para além da compreensão humana. Na Psicologia Analítica, damos importância aos sonhos e a sua funcionalidade teleológica. O ex-presidente americano Abraham Lincoln sonhou com seu próprio assassinato uma semana antes de morrer. No dia 25 de maio de 1941, o presidente Roosevelt sonhou que os japoneses estavam bombardeando a cidade de Nova York enquanto ele estava em sua casa. Em 7 de dezembro de 1941, os japoneses atacaram uma base do exército americano em Pearl Harbor, no Havaí. Essas são algumas das muitas histórias de premonições e sonhos prevendo o futuro. O problema dos cientistas é como testar histórias desse tipo em laboratório para quantificar e controlar premonições como a ciência moderna exige.

O inconsciente pode fazer com que cada momento de nossa vida influencie todos os outros, para frente e para trás. Assim, a intenção no futuro poderá modificar as probabilidades de uma enfermidade. Um simples diagnóstico pode influenciar o curso da doença. Dessa forma, a psicoterapia é um método que nos faz voltar no tempo para alterar nosso próprio futuro.

Jung chamou a atenção para um fenômeno que tem uma conexão misteriosa entre a psique pessoal e o mundo material. Tais fenômenos têm um significado importante para a pessoa neles envolvida. A esse acontecimento ele chamou de sincronicidade. É quando um sonho, ideia ou premonição coincidem com um evento do mundo exterior. Uma ideia neurótica pode fazer o sujeito se confundir com premonição, como também o entendimento do sonho influenciado por essa neurose.

O encontro com o que achamos estranho, o diferente de nós, pode ser de total preconceito pela dificuldade em conhecer esse outro. O amor, no entanto, une os estranhos enquanto o poder e o medo desunem. Como conhecer o inconsciente do outro, onde o tempo funciona como nos “heptapodes”, em que todas as leis são diferentes daquela que nossa consciência adota? Essa é uma relação que temos com nós mesmos, até que um analista faça o papel da dra. Banks, ou seja, entenda a linguagem alienígena do nosso inconsciente. A vida é uma espécie de espetáculo cujo roteiro não controlamos. Vivemos envolvidos com gozos que se desmancham com o sofrimento e vice-versa.

 

O escoar do tempo. 3

O escoar do tempo. 2 CARLOS SÃO PAULO – é médico e psicoterapeuta junguiano. É diretor e fundador do Instituto Junguiano da Bahia. carlos@ijba.com.br / http://www.ijba.com.br

OUTROS OLHARES

O BRASIL DESCONECTADO

Um terço dos brasileiros com 10 anos ou mais não têm acesso à internet

O Brasil desconectado

Entendida como um meio capaz de democratizar a informação e disseminar o conhecimento, a internet ainda está longe de ser acessada por todos. No Brasil, cerca de 33% dos brasileiros com 10 anos ou mais não têm acesso à rede mundial de computadores, de acordo com dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação. Esse percentual é constituído, primordialmente, por pessoas das classes C e D e por habitantes das zonas rurais.

O grau de instrução também é fator determinante no mapa da desigualdade digital: os brasileiros que têm apenas o ensino fundamental respondem por 33% dos que assistem a vídeos pela internet e por 23% dos que leem jornais online, segundo um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Considerando o grupo dos que concluíram o ensino médio e o dos que chegaram à faculdade, as proporções alcançam 67% e 77%, respectivamente.

A tendência permanece no consumo de jogos e música online. “A única forma de mudar essa realidade é o governo desenvolver políticas públicas voltadas para a educação digital”, afirma Frederico Barbosa, pesquisador do Ipea e um dos autores do estudo.

O Brasil desconectado. 2

GESTÃO E CARREIRA

PAI, O QUE VOCÊ FAZ?

Conversar com as crianças sobre as dores e as delícias da carreira é um desafio. Mas enfrentá-lo com honestidade pode fazer toda a diferença para os pequenos – no presente e no futuro

Pai, o que você faz

Conciliar trabalho com vida familiar não é tarefa fácil, ainda mais quando há filhos no pacote. E se, nos primeiros meses com crianças, a dificuldade está em equilibrar a dedicação aos pequenos sem abrir mão da carreira, à medida que eles crescem surge outro desafio: como encontrar explicação para a verdadeira importância que o trabalho tem na vida dos pais? E como isso influencia a visão que os filhos terão sobre a carreira no futuro, por exemplo?

De acordo com especialistas, essas questões pintam na cabeça dos rebentos por volta dos 5 anos, quando a criança começa a adquirir noção de tempo e percebe, por exemplo, que há dias em que os pais se ausentam da manhã à noite ou no caso dos que fazem home office, estão em casa mas não disponíveis para brincadeiras e passeios. “É quando descobrem que existe um lugar chamado trabalho do qual eles não fazem parte e querem saber o que é”, diz a psicóloga infantil Daniella Freixo de Faria.

Com tantas mudanças nos modelos de trabalho e na configuração da família, é claro que não há respostas prontas para quando o filho questiona: “Por que você tem de sair para trabalhar? Na maioria das vezes, de supetão que pai e mãe se veem com cobranças desse tipo. Nessa hora, a melhor resposta é a mais verdadeira possível, alinhada ao que de fato tem mais valor para cada um demonstrar a relação do adulto com carreira – se é movido por dinheiro ou felicidade, por exemplo.

 RELAÇÃO DE PARCERIA

Na geração atual, de pais e filhos que compartilham mais proximidade e intimidade do que antigamente a comunicação sobre as demandas, os percalços e as conquistas do mundo profissional ficam mais fluida. Ainda assim, há basicamente duas formas de lidar com essa realidade, incluindo os filhos e conversando abertamente sobre questões do dia a dia; ou isolando-os e evitando levar assuntos do escritório para casa deixando, assim, a curiosidade sobre o que o pai e a mãe fazem.

Qualquer que seja a abordagem vale saber que a postura dos genitores pode influenciar a percepção dos pequenos e até a relação futura que eles estabelecerão com a própria vida profissional. “Crianças absorvem o que veem e ouvem dos adultos. Se percebem que os pais saem de casa desgostosos, voltam estressados e culpam o emprego ou o chefe por isso, vão associar o universo do trabalho a coisas negativas”, destaca Fabiana Mara Esteca, doutora em psicologia clínica pela Universidade de São Paulo e estudiosa de temas de família.

Para a presidente do grupo Hinode, Marília Rocea, de 46 anos, a carreira sempre foi fonte de prazer e realização. Acostumada a atuar em mais de um projeto e a ter uma agenda atribulada, ela conta que não saiu de licença-maternidade e optou por não amamentar nenhuma das duas filhas, hoje com 9 e 13 anos. Quando retomou o trabalho após o segundo parto, ainda tinha os pontos da cesariana. De acordo com a executiva, isso não quer dizer, entretanto, que a carreira esteja em primeiro lugar, mas que há fases em que é preciso dar menos atenção à vida pessoal em nome do trabalho – e vice-versa. “Ser mãe full time nunca foi para mim”, diz. E quem acha que tamanha entrega aos negócios resultou em uma família desagregada e distante se engana. “As meninas me dão conselhos e palpitam em assuntos do trabalho. Faço questão de ser honesta quando estou preocupada com alguma coisa ou arrasada porque cometi um erro. Não quero que achem que sou infalível”, diz Marília. Além de participativas, as garotas são as maiores defensoras da mãe quando a agenda não permite que ela compareça às festas da escola e outros eventos. “Uma vez, quando um amiguinho perguntou à mais velha por que a mãe nunca podia levá-las e busca-las nos lugares, ela respondeu que eu estava ocupada (salvando pessoas de comer besteira e morrer cedo, relembra com orgulho a executiva que, na época, comandava uma empresa de alimentos naturais. Segundo Marília, isso demonstra que ela conseguiu ensinar maturidade, liderança e responsabilidade com o modelo de criação que escolheu. “Sempre quis mostrar a importância do trabalho para sustentar nossa vida e ajudar outros a viver melhor, nunca coloquei como um sacrifício”, afirma.

ESTABELECENDO LIMITES

Quem não se lembra do episódio, em 2017, em que um professor, numa entrevista para a BBC, foi interrompido pelos filhos durante uma transmissão ao vivo? A cena em que as crianças abriam a porta do escritório do pai enquanto ele comentava sobre o impeachment da presidente sul-coreana Park Geun-hye, e eram resgatados por uma mãe desesperada que sa engatinhando, viralizou como algo divertido, mas retrata bem um dilema de quem faz home office com filhos por perto: como controlá-los e deixar claro que você não está à disposição. O ideal, como aponta a psicóloga Fabiana, da USP, é manter um cuidador (que pode ser funcionário ou parente) que substitua o responsável na atenção e faça companhia para a criança, sobretudo as mais novas. Entreter com atividades agradáveis e garantir um espaço acolhedor para os pequenos evita que eles se sintam inseguros e corram em busca dos pais.

 Isso serve também para profissionais que levam os filhos ao escritório vez em quando, seja por desejo de tê-los por perto, seja por falta opção com quem deixá-los. Mas, se os meninos não puderem encostar em nada nem fazer barulho, melhor nem levar. “O bem-estar da criança precisa estar em primeiro lugar e nenhuma situação deve ser imposta e sim conversada. Para o filho, saber que o pai ou a mãe estão na sala ao lado, mas inacessíveis, é pior do que a ausência”, alerta a psicóloga.

O cirurgião craniofacial Pérsio Bianchini Mariani, de 49 anos, divide com a esposa, sexóloga, o espaço da clínica onde atende. Valentina, filha do casal, de 7 anos, passa pelo menos duas tardes da semana ali. Além de ela brincar com massinha e fazer a lição de casa, o pai separou moldes cirúrgicos para que ela se entretenha e até encomendou um avental com nome bordado para a menina. Mesmo assim, o casal conta com uma assistente para fazer companhia e ficar de olho na pequena e, assim, evitar surpresas como a ocorrida com o professor da BBC. “Nunca tivemos nenhum problema’, afirma Pérsio. De acordo com ele, conhecer o dia a dia e participar do ambiente de trabalho dos pais preenche a curiosidade da filha e fortalece a confiança e a intimidade. Mas tem mais: Pérsio vê isso como uma oportunidade de influenciar os interesses da filha quando for a hora de escolher uma ocupação. “É claro que tomo cuidado para não pressionar, mas acho importante incentivá-la desde cedo a pensar no futuro e optar por algo que possibilite um padrão de vida legal, mesmo que não seja o mesmo que eu escolhi”,’ afirma Pérsio.

Para muitos pais e mães, conversar com os filhos desde cedo sobre a carreira é visto como uma chance de ensinar valores como responsabilidade, direcionar as escolhas e garantir que tenham um futuro de sucesso. Só que isso também é uma armadilha, já que pressiona em relação ao caminho profissional a seguir pode abafar o desenvolvimento de habilidades e interesses autênticos e gerar frustração para todos os envolvidos. “É preciso respeitar a personalidade e os desejos dos jovens e ter noção de que, mesmo com o exemplo dos pais, o filho pode fazer tudo diferente”, diz a psicóloga infantil Daniella. Quando se trata de jovens das gerações Z (que têm hoje até 25 anos) e Y (por volta dos 35) é sabido que não querem seguir a trajetória dos pais quando isso não faz sentido para eles. Permanecer em emprego que paga bem, mas não traz satisfação está fora de questão para essa turma. “Querer que o filho “dê certo” na carreira é o primeiro passo para o erro”, afirma Daniella.

QUESTÃO DE GÊNERO

Para as mães que ficam com o coração apertado por deixar os pequenos em casa, há um consolo: um estudo da Harvard Business School revelou que filhos de mulheres que trabalham fora se saem melhor no futuro – na vida pessoal e profissional. De acordo com a pesquisa, as meninas tendem a frequentar a educação formal por mais tempo e conseguir cargos altos. Já os garotos se tornam homens mais colaborativos nas tarefas domésticas. “O contexto de trabalho gera oportunidades para discutir temas como a valorização da mulher, assédio e saúde mental. E mesmo as situações negativas têm muito a ensinar sobre relações humanas, frustração e autoconhecimento, o que é importante para a vida fora do trabalho também”, afirma Flávia Soubihe, coach e sócia-fundadora da Woman To consultoria para mulheres.

Apesar dos movimentos por equidade de gênero, a realidade mostra que são elas que acabam tendo que abrir mão da carreira logo depois de ter filhos. De acordo com um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) praticamente metade das profissionais brasileiras é demitida ou pede demissão no primeiro ano depois de dar à luz. Embora algumas optem por se dedicar integralmente à família, para outras entre os motivos de afastamento estão o preconceito no ambiente corporativo e a falta de uma estrutura de apoio (como creche e babá), o que torna a conciliação da maternidade com a carreira uma tarefa quase impossível.

Por isso, muitas mulheres defendem que todo apoio é bem-vindo e determinante para que evoluam profissionalmente em vez de se tornarem mães em tempo integral contra a vontade. Luciana Antão de Souza, de 35 anos, analista de governança em uma seguradora, sabe bem o valor dessa rede de proteção. Moradora de Itaquera, na zona leste de São Paulo, e trabalhando na região da Avenida Paulista, ela gasta quase 3 horas no transporte diariamente. O marido, designer freelancer, trabalha em casa, mas o casal conta com a mãe de Luciana para ficar com a filha deles, de 5 anos, todos os dias à tarde. “Esse esquema de organização é fundamental para eu ir tranquila para o escritório e oferecer um tempo de qualidade à minha filha quando estamos juntas, afirma.

Aliás, foi pensando em mais flexibilidade que Luciana deixou o emprego em uma agência de comunicação e mudou de área há cerca de três anos. Hoje é raro chegar tarde em casa ou perder eventos por causa de horas extras. Mas, quando acontece, ela afirma que não fala mal do trabalho e justifica dizendo que a profissão é motivo de felicidade. “Quero passar uma mensagem positiva em relação a isso e motivar desde cedo a fazer aquilo que traga prazer e não só dinheiro”, diz. No final, não existe um jeito certo de falar de carreira com os filhos, como não existe uma única maneira de educá-los. Cada pai e cada mãe vivem a parentalidade da forma que faz sentido para eles e o modelo vencedor é o que cabe no bolso – ou na escrivaninha.

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPITULO 3 – SEI QUE HÁ MAIS

 

REDESCOBRINDO A PRESENÇA DE DEUS

Não sei quanto a você, meu amigo, mas existe uma paixão ardente em meu coração que sussurra, dizendo-me que existe muito mais do que sei ou conheço, mais do que tudo que já tenho alcançado. Isso me faz “invejar” João, que escreveu Apocalipse, e todas as pessoas que vislumbraram o que não é deste mundo e viram coisas com as quais somente tenho sonhado. Sei que existe “mais”, sei porque existem aqueles que experimentaram isto e nunca mais foram os mesmos. Caçadores de Deus! Minha oração é: Quero ver-Te assim como João Te viu, Meu Senhor!

Em todas as leituras e estudos bíblicos que já fiz, jamais encontrei uma pessoa que realmente tenha experimentado um encontro com Deus e depois tenha se desviado ou se rebelado contra Ele. Uma vez que você experimente o Senhor em Sua glória, não há como virar as costas ou esquecê-Lo. Isto é muito mais do que simples argumentos, teorias ou doutrinas, é experiência. É por causa disto que o apóstolo Paulo disse: “…sei em quem tenho crido…” (2 Timóteo 1.12b). Infelizmente, muitas pessoas na Igreja diriam: “Eu sei coisas a respeito de quem tenho crido.” Isto significa que nunca encontraram Deus em Sua glória.

As pessoas que vêm às nossas igrejas têm experimentado mais um encontro com homens e seus cerimoniais, que um encontro com Deus e Sua inesquecível majestade e poder. As pessoas precisam ter uma experiência como aquela que Saulo teve na estrada de Damasco, onde encontrou-se com o próprio Deus (Atos 9:3-6).

Tal experiência evidencia a diferença entre a onipresença de Deus e a presença manifesta de Deus. O termo “onipresença” de Deus refere-se ao fato de que Deus está em todos os lugares ao mesmo tempo. Ele é aquela “partícula” do núcleo atômico que os físicos nucleares podem rastrear mas não podem ver. O Evangelho de João aborda esta qualidade divina quando diz: “…e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1.3). Deus está em tudo e em todos os lugares. Ele é essência de tudo que existe, é o vínculo que mantém unidos todos os componentes do Universo e que sustenta a integridade de cada um destes componentes!

Isto explica porque as pessoas podem estar em um bar, embriagadas, e, de repente, sentirem o convencimento vindo do Espírito Santo, sem que haja por ali um pastor, alguma música evangélica ou qualquer outra influência cristã. Deus está ali no bar com aquela pessoa. E ela, com a mente entorpecida pelo álcool, perde suas inibições para com Deus. Infelizmente, não é uma decisão baseada na vontade que move essas pessoas para Deus. Tal atitude é fruto da fome de seus corações. Suas “mentes” estão entorpecidas e seus corações famintos. Tão logo a “mente” se recupere, elas retornam ao estado inicial, não foi um encontro válido, a vontade não foi quebrantada. Eis a receita para a miséria: um coração faminto, uma cabeça (mente) orgulhosa e uma vontade não quebrantada (insubmissa).

Agora, se Deus pode fazer isto em um bar, por que nos surpreendemos com todas as outras coisas que Ele pode fazer “por Si mesmo”? Muitas pessoas que não foram criadas na igreja dizem que, na primeira vez que sentiram o toque do Espírito, não estavam em um culto. Tudo isto ilustra os efeitos da onipresença de Deus, o Seu atributo de estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

A MANIFESTAÇÃO DA PRESENÇA DE DEUS

Embora Deus esteja presente em todos os lugares ao mesmo tempo, há momentos em que Ele concentra a essência de Seu ser em um local específico. É o que muitos chamam de “presença manifesta de Deus”. Quando isto acontece, há uma forte convicção de que o próprio Deus “Se fez presente” em nosso meio. Podemos dizer que, embora Ele esteja em todos os lugares todo o tempo, existem momentos especiais em que Ele está mais “aqui” do que “ali”. Por alguma razão divina, Deus escolhe concentrar-Se ou revelar-Se de uma maneira mais forte em um determinado tempo ou lugar.

Teologicamente falando, talvez este conceito possa perturbá-lo. Talvez você esteja pensando: Espere um momento. Deus está sempre aqui. Ele é onipresente. Sim, é verdade, mas, então, por que Ele disse: “…se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar Minha face..”? (2 Crônicas 7.14). Se eles já eram o povo de Deus, qual outra instância de Sua presença deveriam buscar? A face de Deus! Por quê? Porque o favor do Senhor flui para onde quer que esteja voltada a Sua face. Você pode ser filho de Deus e ainda não ter Seu favor, assim como um filho pode ser desfavorecido, sem ser renegado.

A expressão usada no versículo é muito interessante. Deus disse a Seu povo, que se eles buscassem Sua face e se “convertessem de seus maus caminhos”, então, Ele não só ouviria as suas orações, como também sararia a sua terra. Como podemos ser povo de Deus e ainda permanecermos em maus caminhos? Talvez nossos maus caminhos expliquem o fato de estarmos satisfeitos somente com a proximidade de Deus ao invés de desfrutarmos de Sua presença. Sabe o que vai fazer com o favor de Deus se volte para nós? Nossa fome. Devemos nos arrepender, buscar a face do Senhor, e orar: “Deus, volte os Teus olhos para nós, e nós ficaremos na dependência de Ti.”

GUIADOS PELOS OLHOS DE DEUS

Frequentemente, os cristãos só conseguem se guiar pela Palavra ou pela profecia. A Bíblia diz que Deus quer que superemos isso, e alcancemos uma instância mais elevada, marcada por um maior grau na ternura de coração para com Ele, e por uma maturidade mais profunda, que o permita que Ele venha a nos guiar sob Suas vistas (Salmos 32.8).

No tipo de lar em que fui criado, bastava meu pai ou minha mãe me olhar de certa maneira, que conseguiam o trabalho que queriam de mim. Se eu estivesse “aprontando” alguma, eles não precisavam dizer nada. Os sinais que seu olhar dirigia a mim davam-me as instruções de que eu precisava.

Será que você ainda precisa ouvir alguém trovejar atrás do púlpito? Ainda precisa de alguma enérgica profecia para endireitar seus caminhos? Ou você é capaz de ler a emoção de Deus através de Sua expressão facial? Você é suficientemente sensível para que o olhar de Deus o guie e o convença de seu pecado? O que acontece quando Deus olha para você? Será que imediatamente você diz: “Não posso fazer isso”, “Não posso ir por ali”, “Não posso dizer isto, porque não agradaria a meu Pai”? Pedro foi convencido pelo olhar de Deus, ao ouvir o cantar daquele galo. Por isso, chorou e se arrependeu.

Deus está em todo lugar, mas Sua face e Seu favor não estão voltados para todos os lugares. É por isso que Ele nos diz para buscar Sua face. Sim, Ele está com você e seus irmãos na hora do culto. Mas, qual foi a última vez que, de tanta fome, você tenha subido no colo do Senhor e, como uma criança, tenha voltado a face do Pai em sua direção? Intimidade: É isto que Deus quer. E que a Sua face seja nossa prioridade.

Os israelitas se referiam à presença manifesta de Deus como a glória SHE KIN A H . Quando Davi pensou em trazer de volta a arca da aliança a Jerusalém, ele não estava interessado na caixa de ouro, nem no que havia dentro dela. Ele estava interessado naquela chama azulada que pairava entre os dois querubins sobre o propiciatório. Era isso que ele queria, porque a chama significava a presença de Deus. E para onde quer que a glória ou a presença manifesta de Deus fosse, haveria vitória, poder e bênção. A busca de intimidade traz bênçãos, mas a busca de bênçãos, nem sempre traz intimidade.

Nosso clamor é pela restauração desta presença em nosso meio. Quando Moisés estava exposto à glória de Deus, o reflexo daquela glória fez com que seu rosto brilhasse tanto que, no momento em que desceu do monte, o povo lhe disse: “Moisés, cubra o rosto, porque não conseguimos olhar para você” (Êxodo 34.29-35). Qualquer coisa ou pessoa que esteja exposta à presença manifesta de Deus, começa a absorver Sua essência. Você pode imaginar como era o ambiente na Santo dos Santos? Quanto da glória de Deus foi absorvida por aquelas cortinas, pelo véu e pela própria arca?

O “STATUS” DO LUGAR ONDE DEUS PERMANECE

Quando Deus começa a manifestar-se em um lugar ou entre um povo, algo fora do comum acontece por causa de Sua presença. Se você não acredita, pergunte a Jacó. Veja como ele fugia de seus problemas. Em um determinado momento, Deus mandou que ele voltasse para Betel, que significa “Casa de Deus”. Jacó disse, em suma, à sua família: “Se voltarmos para Betel, edificarei um altar a Deus e estaremos bem” (Gênesis 35.1-3). Ele sabia que a presença do Senhor era contínua em Betel.

É interessante ler o que aconteceu a Jacó e sua família quando chegaram a Betel:

“E, tendo eles partido, o terror de Deus invadiu as cidades que lhe eram circunvizinhas, e não perseguiram aos filhos de Jacó.” (Gênesis 35.5, grifos do autor)

A palavra hebraica para “terror” vem de uma raiz que significa “prostrar-se, ser abatido por violência, confusão ou temor” Se queremos que o “temor do Senhor” seja restaurado no mundo, então a Igreja deve voltar- se para Betel, o lugar da presença manifesta de Deus.

TROMBANDO COM A NUVEM

A presença manifesta de Deus continua em um lugar, mesmo quando não há mais ninguém por perto. Eu me lembro do dia em que um irmão que fazia parte do corpo administrativo de uma igreja, num dia de semana normal, passou pelo altar, a fim de trocar a água do batistério. E desapareceu. Três horas depois, alguém percebeu sua ausência e, a partir daí, começaram a procurá-lo. Quando acenderam as luzes do altar, encontraram o homem estirado no lugar onde ele caíra, após chocar-se com a nuvem da presença de Deus.

Há oportunidades em que uma nuvem da presença de Deus se manifesta de repente, quando o povo santo está adorando-O. Isso causa arrepios. Parece a névoa da glória de Deus começando a se condensar e a se solidificar ante os nossos olhos. Eu não consigo compreender isso, mas estou dizendo o que, de fato, acontece.

Um dos pastores daquela igreja tinha um cunhado ateu. Na verdade, ele não era só ateu, era um “antievangélico”. Era o tipo de pessoa que sempre causava problemas e provocava discussões ferrenhas. Em meio à manifestação de Deus, naquela igreja em particular, o tal cunhado telefonou para a esposa do pastor, que era sua irmã e lhe disse: “Estou embarcando para a casa de vocês. Dá para me apanhar no aeroporto? Quero passar uns dois dias com vocês.”

O pastor sabia que algo estava prestes a acontecer, porque o cunhado nunca fizera isto antes. Quando ele chegou, era óbvio que não sabia bem o que estava fazendo ali. E lá estavam eles, no carro, tentando manter um diálogo, quando, na verdade, não tinham nada em comum. Conversaram um pouco a respeito do tempo e, depois, entraram num longo e embaraçoso período de silêncio. Quando passaram perto da igreja, o pastor disse: “Esta é a igreja. Acabamos de concluir algumas reformas.”

Como o homem nunca tinha visto a igreja e o pastor entendeu que aquela seria uma boa oportunidade para quebrar aquele silêncio incômodo, disse: “Você não gostaria de entrar e dar uma olhada, gostaria?” Para sua surpresa, a resposta foi: “Sim.”

“NÃO ESTOU PRONTO PARA ISTO “

O pastor estacionou e abriu as portas da igreja. O cunhado estava atrás e, logo após, a esposa do pastor. Ele abriu a porta e, no momento em que os pés de seu cunhado tocaram o chão da igreja, o homem rompeu em soluços e começou a chorar e a clamar: “Meu Deus, me ajude! Não estou pronto para isto! O que vou fazer?”

Então, ele se agarrou ao pastor e disse: “Diga-me como ser salvo agora!” Ele se contorcia pelo chão e chorava copiosamente. O pastor conduziu seu cunhado a Cristo ali mesmo. O homem estava no chão, com metade do corpo para dentro e metade para fora da igreja. A esposa do pastor pacientemente segurava a porta aberta! Seu irmão ateu teve um encontro com a presença de Deus que ali continuava, como reflexo da manifestação de Sua glória.

Tão logo ele se recuperou, lhe perguntaram: “O que aconteceu com você?”. Ele respondeu: “Não sei como explicar. Tudo que sei é que, quando estava do lado de fora do prédio, eu era um ateu e não acreditava na existência de Deus. Mas, quando cruzei aquela porta, O encontrei e sabia que era Deus. Sabia que tinha que me reconciliar, me senti muito mal com minha vida.” E completou: “Era como se toda minha força tivesse saído de mim.”

O que poderia acontecer em uma cidade ou região se tal força da presença de Deus se expandisse além da área da igreja?

A UNÇÃO E A GLÓRIA

Quando a unção de Deus se reflete sobre a carne humana, faz com que tudo flua melhor. Uma das imagens bíblicas mais claras a respeito da unção e de seus propósitos está no livro de Ester. Ester estava sendo preparada para sua apresentação ao rei da Pérsia. Foi necessário um ano de purificação, durante o qual ela se banhava repetidamente em óleo perfumado – que curiosamente era feito dos mesmos ingredientes do óleo hebreu usado para unção e como incenso. Um ano de preparação para urna noite com o rei! Uma consequência lógica é que, depois de todos estes banhos com óleo perfumado, os homens que se aproximassem de Ester, pensariam ou diriam: “Como você está perfumada!” E é claro que Ester não gastaria tempo com eles, assim como eu e você não deveríamos nos deixar levar pela aprovação dos homens, sabe por quê?

O PROPÓSITO DA UNÇÃO NÃO É BUSCAR APROVAÇÃO DOS HOMENS, MAS DO REI.

A aprovação do Rei é muito mais importante. Davi foi ungido por Deus, para depois ser coroado pelo povo. Ele buscou a aprovação de Deus mais do que a dos homens. Ele era um caçador de Deus!

Temos desonrado a unção de Deus muitas vezes. Nos preparamos para Ele, nos banhamos em Sua doce, perfumada e preciosa unção, e, depois disto, tudo o que fazemos é desfilar perante os homens! Acabamos sendo entretidos no caminho para a sala do Rei e nunca chegamos lá. Deixamo-nos seduzir por outros amores de pouco valor. Precisamos lembrar que nosso Rei não aceita nada que esteja “manchado ou corrompido”. Somente os puros estão aptos a ser admitidos nos aposentos do Rei. Estou dizendo que corrompemos a unção de Deus quando dizemos: “Aquela foi uma boa pregação!” ou: “Aquele louvor estava realmente muito bom!” e damos ao homem a glória e a atenção devidas a Deus – ou então, buscamos a glória e a atenção vindas de homens. Nós estaríamos buscando, assim, agradar à carne, mas nunca a Deus.

A unção realmente tem maravilhosos efeitos em nossas vidas: ela quebra o jugo da opressão. Mas isto é uma consequência. Por exemplo: quando me perfumo para minha esposa, fico, como consequência, perfumado para todos em redor. Mas o meu propósito é estar perfumado para minha esposa, não para os outros! O problema está em querer impressionar outra pessoa, desviando-se do propósito original da unção, que é encobrir o odor natural de nossa carne.

Enquanto permaneceu na “casa das mulheres”, Ester recebeu óleos, especiarias e perfumes para purificação. Submeteu-se a um processo destinado a transformar uma plebeia em princesa. Mais uma vez, digo: o propósito da unção não é fazer com que fiquemos melhores, mais atraentes ou perfumados para os homens, tudo isto é consequência da unção, cujo objetivo é encontrar favor diante do Rei. Nossa carne não cheira bem perante o Senhor, e a unção nos faz aceitáveis para Ele. Esse é o processo através do qual Deus transforma plebeias em princesas – ou seja, em noivas em potencial!

A unção pode fazer com que louvemos ou preguemos melhor, mas precisamos lembrar que ela – quer venha sobre nós individualmente ou sobre a congregação durante o culto – não é o fim, mas somente o início. Alguns se contentam em passear diante do véu, e, assim, desonram a unção que lhes foi dada. Não compreendem que o propósito da unção em nossa vida é nos preparar para entrar, ir além do véu, atingir o lugar onde a glória de Deus permanece continuamente. A sala do Rei, o Santo dos Santos, espera pelos ungidos. No Santo Lugar, tudo era impregnado com o óleo da unção, até mesmo os trajes dos sacerdotes. Estes, então, tomavam o incenso moído e ungiam o ambiente.

“Tomará também [Arão ou todo que o suceder no sacerdócio] o incensário cheio de brasas de fogo de sobre o altar, diante do Senhor, e dois punhados de incenso aromático bem moído e o trará para dentro do véu. Porá o incenso sobre o fogo perante o Senhor, para que a nuvem do incenso cubra o propiciatório, que está sobre o testemunho, para que não morra. “(Levítico 16.12,13)

Entre as ordenanças do Antigo Testamento, a última coisa que o sumo sacerdote fazia antes de entrar no Santo dos Santos era colocar um punhado de incenso (simbolizando a unção) dentro do incensário, levá-lo através do véu e fazer uma densa nuvem de fumaça. Por quê? Para “…cobrir o propiciatório… para que não morra” (Levítico 16.13b). O sacerdote tinha que fazer fumaça suficiente para encobrir sua carne da presença de Deus.

A unção, assim, relaciona-se à reverência. Era por reverência que se enchia o Santo dos Santos com fumaça. Coberto, o homem demonstrava sua reverência diante de Deus e podia permanecer na Sua presença e viver. Em outras passagens do Antigo Testamento, Deus saía do Santo dos Santos e fazia sua própria nuvem, para que os homens não pudessem vê- Lo e perecer.

Sob a Antiga Aliança, baseada no sangue dos touros e bodes, o sacerdote executava suas tarefas pelo tato e não por vistas. Andamos por “fé”, não por vistas!

Deus, sei que o Senhor está aqui em algum lugar.

CULTUAMOS DIANTE DO VÉU E NOS RECUSAMOS A ENTRAR

A Palavra de Deus nos diz que o véu foi rasgado em dois pedaços quando Jesus Cristo morreu no Calvário. Através de Seu sangue temos livre acesso à presença de Deus, somos reticentes em entrar na presença do Senhor. Vez ou outra, alguém passa para além do véu (por descuido), mas logo retorna a seus “passeios”. Ficamos animados com a possibilidade de entrarmos na intimidade da glória de Deus, mas nunca consumamos o fato. O propósito da unção é nos ajudar a fazer a transição da carne para glória. Gostamos de permanecer na unção, porque nossa carne se sente bem. Por outro lado, quando a glória de Deus se manifesta, nossa carne já não se sente tão confortável.

Quando a glória de Deus se manifesta, ficamos como o profeta Isaías. Nossa carne fica tão frágil na presença de Deus, que não conseguimos fazer mais nada, a não ser contemplá-Lo em Sua glória. Cheguei à conclusão de que, na presença de Deus, sou um homem sem vocação. Quando Deus manifesta Sua glória, não há necessidade de pregar3. As pessoas são convencidas de seu pecado, da necessidade de arrependimento e de ter uma vida santa diante de Deus. Elas tomam consciência de que Ele é digno de receber louvor e adoração e são tomadas por um desejo de ir além e conduzir outros à presença do Senhor!

Jacó orou e, literalmente, lutou por uma bênção, mas recebeu uma “mudança”. Seu nome, seu caminho e seu comportamento foram mudados. Estou convencido de que, algumas vezes, Deus coloca um pequeno sinal de “morte” em nossos corpos (como na coxa de Jacó) para trazer uma mudança divina em nossas vidas. Algo morre dentro de nós cada vez que somos confrontados pela glória de Deus. É um canal que se estabelece em nosso corpo para a santidade. Assim como brasas vivas foram colocadas nos lábios de Isaías, recebemos o pão vivo da presença de Deus e nunca mais somos os mesmos. Quanto mais nossa carne morre, mais nosso espírito vive. Os primeiros seis capítulos da profecia de Isaías são dedicados aos “ais”. Ele diz: “Ai de mim, ai de você, ai de todos.” Depois que o profeta viu o Senhor no alto e sublime trono, começou a falar de coisas que só podem ser entendidas no contexto do Novo Testamento.

Há algo que não mudou: receber a “bênção” e ter a coxa deslocada, ou sentir a brasa viva da glória de Deus em nossos lábios carnais ainda nos incomoda. Os sacerdotes sabiam que não podiam brincar com a glória de Deus: era algo para ser levado a sério. Por isto, uma corda era amarrada no tornozelo do sumo sacerdote antes que ele se movesse para além do véu. Se entrasse na presença de Deus com presunção ou pecado, não voltaria. Então, teriam que puxar seu cadáver para fora do véu e esperar que tudo corresse bem da próxima vez. Deus chama Sua Igreja para experimentar a manifestação de Sua glória. Para obedecermos a este chamado temos que, assim como o sumo sacerdote, estar preparados.

A MANIFESTAÇÃO EXUBERANTE DE DEUS

Certas pessoas ao longo da história da Igreja conheceram a fundo a glória de Deus. Smith Wigglesworth, sem dúvida, fez parte deste grupo. Uma de suas biografias conta a história de um pastor que estava determinado a orar com ele. Não demorou muito para que o pastor engatinhasse para fora da sala, dizendo, atordoado: Para mim, isso é glória demais! Saiba que isto é possível. Você pode chegar a este ponto, pergunte a Enoque. O resultado final da busca é a glória de Deus. E é ela que permanece, não os dons dos homens, a unção, ministérios, opiniões ou habilidades. Estando na presença manifesta de Deus, embora coisas grandes e maravilhosas aconteçam, você e eu precisamos fazer muito pouco. É exatamente quando tentamos “fazer algo”, que os resultados são escassos e desprovidos da glória de Deus. Esta é a diferença.

Outra ilustração para diferenciar a unção e a glória: quando você esfrega seus pés no carpete em um dia frio e toca na ponta do nariz de alguém, leva um choque. Você também leva um choque se segurar um fio de 220 volts. Em ambos os casos, o poder por trás do choque é a eletricidade, ambos partem do mesmo princípio. O primeiro apenas lhe dará um pequeno choque, mas o segundo tem poder para matá-lo instantaneamente ou iluminar uma cidade inteira. Ambos dividem a mesma fonte, mas diferem em poder, propósito e alcance.

Se permitirmos que Deus substitua “nossas programações” com Sua presença manifesta, tão logo as pessoas cruzem as portas de nossa igreja, ou quando andarem conosco pelo shopping, serão convencidas do pecado e correrão para se reconciliarem com Deus, sem que nenhuma palavra seja dita [Entraremos em maiores detalhes quanto a este assunto no Capítulo 8, “O propósito da presença de Deus”].

AINDA NÃO “PEGAMOS” DEUS

Precisamos aprender como atrair, recepcionar e entreter a presença exuberante de Deus em nosso meio. Temos que chegar a um ponto em que o mero reflexo do que houve entre nós conduza os perdidos ao arrependimento e à conversão. Estou faminto por este tipo de expressão de avivamento, mas se não formos cuidadosos deixaremos a chama esvaecer. Não estamos conseguindo “deter” a presença de Deus conosco, porque ainda não nos “casamos” com Ele. Deus procura uma noiva sem ruga e sem mancha: Ele já deixou uma noiva no altar e pode deixar outra.

Creio que, se for preciso, o Senhor vai acabar com a estrutura que conhecemos como “igreja” para poder alcançar os perdidos. O Senhor não está satisfeito com nossas versões malfeitas de Sua Igreja perfeita. Deus reivindicará a casa que Ele mesmo construiu. Se nosso “elefante branco” ficar no caminho daquilo que Deus quer fazer, Ele não hesitará em removê-lo. Seu plano é alcançar os perdidos e, se Ele não poupou Seu único Filho para salvá-los, não nos poupará também.

Devemos nos mover de acordo com o que Deus quer fazer. A mesma Bíblia que eu e você carregamos para os cultos, semana após semana, diz que se nos calarmos, as pedras clamarão5. Se as igrejas não O louvarem e Lhe obedecerem, Ele levantará outras pessoas para fazerem isto. Se não cantarmos a glória de Deus pelas ruas das cidades, então, Ele levantará uma geração de “gentios” e revelará Sua glória a eles. O problema é que sofremos de uma doença espiritual fatal: relutância. Não estamos famintos o suficiente!

SOMENTE O ARREPENDIMENTO PODE NOS CONDUZIR A ALGUM LUGAR

Deus não vai se manifestar ao povo que só busca Seus benefícios. Ele vai se manifestar aos que buscam Sua face. No Antigo Testamento, se alguém se recusasse a mostrar o rosto a você, estaria deliberadamente lhe rejeitando. As antigas ordens da Igreja adotavam práticas similares. Podemos nos gabar de nossas realizações ou ignorar nossas deficiências. Não importa o que façamos: somente o arrependimento vai nos levar a algum lugar com Deus.

Deus só vai tornar a Sua visitação em avivamento permanente se você e eu, com lágrimas e arrependimento, Lhe prepararmos um lugar. O avivamento e a visitação do Senhor não devem ser apenas “momentos”. Assim, Ele não irá mais piscar os olhos diante de nossa ignorância. Ele vai, literalmente, fechar Seus olhos e não olhar em nós para que não aconteça que sejamos consumidos por Seu olhar.

Deus está farto de vociferar instruções à Igreja: Ele quer nos guiar sob Suas vistas. Isto significa que precisamos estar perto d’Ele, perto o suficiente para vermos Sua face. Ele está cansado do vexame de ter de nos corrigir publicamente. Por muito tempo, temos buscado Suas mãos. Queremos o que Ele pode fazer por nós, queremos Suas bênçãos, emoções, arrepios, queremos os peixes e os pães. Todavia, nos retraímos diante do chamado a que busquemos Sua face.

Se buscarmos a face de Deus, obteremos Seu favor. Temos experimentado a onipresença de Deus, mas agora estamos experimentando a manifestação de Sua presença. Isto, sim, faz cada pelo de nosso corpo se arrepiar e põe para correr as forças demoníacas.

Se você é um pastor e está sob a unção de Deus, prega melhor. Mas debaixo da glória de Deus, tropeça, gagueja, não consegue fazer nada. Quando você dirige o louvor e é ungido, canta melhor. Mas sob a glória de Deus, mal pode cantar. Por quê? Porque Deus declarou que carne nenhuma vai se gloriar em Sua presença6. Isto não significa que você seja uma má pessoa ou que viva em pecado. Significa que você é simplesmente carne e sangue diante da presença do Todo-Poderoso. Lembra o que aconteceu na dedicação do templo de Salomão? O sacerdote não pôde ministrar7. Creio que ele não foi impedido de ministrar a bênção, mas caiu com o rosto em terra por causa do temor!

SE EU NUNCA TINHA ESCUTADO DEUS, DESTA VEZ SABIA QUE ERA ELE

Quando a glória do Senhor se manifesta, podemos encontrar pessoas fazendo coisas aparentemente absurdas. Testemunhei isso, noite após noite, durante cultos em lugares que foram marcados por um “surto” de santidade e glória. Uma senhora disse: “Nunca estive nesta igreja antes. Eu estava determinada a deixar meu marido hoje de manhã. Mas, por volta das 19h30 (o culto havia começado há meia hora), eu estava jantando, quando Deus falou comigo. Eu nunca ouvira Deus falar, mas sabia que, naquele momento, era Ele. E Deus me disse: ‘Levante-se agora e vá até a Igreja – aquele prédio com telhado verde.'”

Ela dirigiu-se para o prédio da igreja (com telhado verde) e sentou-se em um dos últimos bancos. Então, prostrou-se com rosto em terra, ali mesmo, entre os bancos de trás, e começou a chorar e a arrepender-se por duas horas. Ninguém teve que dizer a ela o que fazer. Não havia o que dizer, seu casamento estava salvo.

O AVIVAMENTO REAL ACONTECE QUANDO…

Nós não sabemos o que é avivamento. Na verdade, não temos a menor idéia do que seja o avivamento genuíno. O avivamento que pregamos não passa de mensagens em outdoors, faixas que espalhamos pela cidade ou colocamos na entrada de nossas igrejas. Para nós, avivamento é um pastor persuasivo, músicas comoventes e a presença de uns poucos amigos que aceitam o convite para ir à igreja. Não! O avivamento real acontece quando as pessoas estão em um restaurante ou andando pelo shopping e, de repente, começam a chorar, olham para seus amigos e dizem: “Não sei o que está errado comigo, mas sei que tenho que me reconciliar com Deus.”

O verdadeiro avivamento acontece; quando as pessoas mais “difíceis” e “inalcançáveis” que você conhece vêm até Jesus. Tais pessoas ainda não foram alcançadas, porque vêem em nós pouco de Deus e muito de homens. Tentamos lhes empurrar doutrinas goela abaixo. Já imprimimos tantos folhetos que dariam para forrar as paredes de nossas igrejas. Agradeço a Deus pelas pessoas alcançadas através de um folheto evangelístico, mas as pessoas não querem doutrinas, não querem folhetos, nem nossos frágeis argumentos: elas querem Deus!

Quando é que vamos aprender que as pessoas podem ser facilmente persuadidas, mas, com a mesma facilidade, podem também se desviar? As pessoas podem ser atraídas pela nossa música, mas só permanecerão enquanto gostarem da música. Não devemos concorrer com o mundo nas áreas em que ele é muito competente, ou até melhor que nós. Mas existe algo com que o mundo não é capaz de competir: a presença de Deus.

Agora, vou contar-lhe um segredo se você prometer que vai espalhar. Quer saber quando as pessoas começarão a entrar pelas portas de sua igreja? Tão logo saibam que a presença de Deus está ali. Já é tempo de experimentarmos este poder. Deus quer manifestar-se àqueles que estão famintos. E quando Ele vier, não teremos que colocar anúncios no jornal, rádio ou televisão. Tudo que precisamos é da presença de Deus e as pessoas virão de longe e de perto, de todos os lugares, a todo instante! Isto não é teoria ou ficção – já está acontecendo. E tudo começa com o clamor dos famintos:

Sei que existe mais…