A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SINCRONICIDADE

O conceito se refere aos fenômenos que definem acontecimentos não casuais com uma relação de significado que permite perceber inúmeros eventos aleatórios que se interconectam

Sincronicidade

O conceito junguiano de sincronicidade, amadurecido durante muitos anos pelo seu criador antes de ser publicado em 1954, descreve fenômenos que não podem ser explicados dentro de uma causalidade linear. Se as pessoas observarem abertamente, além da visão reducionista/linear de causa e efeito, será possível perceber um mundo de eventos aleatórios, que se interconectam de forma surpreendente. Carl Gustav Jung levou mais de 20 anos para escrever sobre esse conceito, tamanha sua complexidade. Jung, na tentativa de apresentar a sincronicidade como um conceito baseado em pressupostos científicos, valeu-se de estudos como teoria Quântica, teoria da Relatividade, leis da Termodinâmica e de estudos de Probabilidade. A teoria da Complexidade foi posterior aos escritos de Jung sobre o tema e é possível encontrar bases para pensar sobre o fenômeno da sincronicidade.

Jung agrupou os eventos sincronísticos em três categorias: coincidência de um estado psíquico do indivíduo com uma ocorrência externa simultânea, considerando o espaço-tempo não apresentar nenhuma evidência de conexão de causa e efeito; coincidência de um estado psíquico do indivíduo com um acontecimento exterior simultâneo, que ocorre fora do campo de percepção do observador; coincidência de um estado psíquico do indivíduo com fatos que ocorrem em um futuro próximo e que só podem ser verificados posteriormente.

Um dos aspectos básicos da teoria junguiana é o conceito dos arquétipos existentes no inconsciente coletivo do indivíduo. Os conteúdos arquetípicos e seus símbolos são acessados pelo indivíduo através dos sonhos, eventos de sincronicidade e insights. Jung coloca que o arquétipo ativado/constelado apresenta uma probabilidade psíquica para a manifestação do símbolo.

A sincronicidade não pode ser controlada, prevista ou evitada, já que se trata de uma ocorrência espontânea. O que faz a sincronicidade ter uma importância tão grande é sua ocorrência em todas as áreas da vida humana. Ela pode ser notada e foi descrita em grandes fatos históricos, científicos e religiosos.

 SENSIBILIDADE

É possível desenvolver no indivíduo maior sensibilidade para os eventos sincronísticos. Observar a sincronicidade, os símbolos subjacentes e os arquétipos envolvidos pode ser de enorme ajuda no progresso do processo psicoterapêutico. O aproveitamento dos símbolos que surgem para os indivíduos, quer seja através de sonhos, visualizações criativas ou eventos sincronísticos, deve ser devidamente considerado e explorado em seus significados para o indivíduo em análise.

A questão é que não se dá muita atenção aos fenômenos de sincronicidade que acontecem na vida, pelo simples fato de não ser possível explicá-los de forma racional. Alguns fenômenos podem estar relacionados com pessoas do convívio próximo, que também podem vivenciar junto a ocorrência de eventos sincrônicos e compartilhar seu significado . O fato de os fenômenos sincrônicos apresentarem uma significância simbólica própria ao indivíduo que o presencia faz dele quase um segredo. A grande questão é como o indivíduo vai compartilhar esse fenômeno, que possui um universo de significados próprios, com alguém ao qual ele não pertence? É tão particular que não faria sentido contar os eventos de sincronicidade a qualquer pessoa, pois são eventos únicos, irreproduzíveis e subjetivos. Seria como contar a alguém aquele sonho que se teve na infância, que foi tão marcante que ainda não se pode esquecê-lo. Isso faz a sincronicidade ser um fenômeno solitário, que pode ser compartilhado geralmente no setting terapêutico, onde existem ressonância e confiança para dividir o universo simbólico do paciente, tão rico e particular, para que ele possa ser desvendado e validado.

Sincronicidade. 2

SINCRONICIDADE

O conceito de sincronicidade poderia ser definido como eventos que se sucedem de uma forma acausal que apresentam alguma correlação e que tem um significado para o indivíduo. Como descreve Joseph Cambray: “Elementos díspares, sem conexão aparente são juntados ou justapostos de uma tal maneira que tendem a chocar ou surpreender a mente, abrindo-a a novas possibilidades por um alargamento da visão do mundo, permitindo entrever a fábrica interconectada do universo.

OUTROS OLHARES

PRECISAMOS FALAR SOBRE A MACONHA

A proposta aprovada pela Anvisa de legalizar o cultivo de Cannabis sativa para fins medicinais precisa estar embasada em uma ampla discussão sobre os efeitos reais da planta para a saúde

Precisamos falar sobre a maconha

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente duas propostas que podem legalizar o cultivo de Cannabis sativa para fins medicinais. Ainda haverá consultas públicas para a medida entrar ou não em vigor. Mas é urgente a discussão ampla sobre o assunto. Desde Hipócrates, os médicos juram primeiro não fazer mal (“Primumnon nocere”’). Após a tragédia da talidomida, nos anos 1960, órgãos reguladores (FDA, European Medicines Agency e seus congêneres, como a própria Anvisa) priorizam a proteção das populações contra os efeitos danosos dos medicamentos. É missão dos profissionais de saúde prevenir e tratar doenças, identificar riscos dos tratamentos e informar se podem reverter seus efeitos adversos. Cabe a eles saber se um novo tratamento tem eficácia igual ou superior à dos já existentes e se seus efeitos nocivos são toleráveis e reversíveis. No fim, o registro de novos medicamentos depende de decisões políticas, sujeitas a interesses diversos. Em vez de nos preocuparmos com a prevenção de danos, estamos expostos à mais ampla promoção do uso de substâncias psicoativas da história. O caso da Cannabis é exemplar: ao contrário do que se ouve, ela pode fazer mais mal do que o álcool ou o tabaco, embora de forma diferente. A identificação de alguns princípios ativos, como o tetraidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD) , e a descoberta do “sistema endocanabinoide”, cujas funções são pouco conhecidas, despertaram o interesse médico-científico e provocaram uma corrida por grandes ganhos financeiros. A planta tem sido modificada e suas formas de administração não correspondem aos modos utilizados desde a Antiguidade. O consumo da “supermaconha” (o skunk, com alto teor de THC) na Europa, América do Norte, Oceania e Uruguai o uso do THC puro e de canabinoi­ dessintéticos por meio de dispositivos eletrônicos, vaporizadores e alimentos têm levado a uma toxicidade cada vez maior. Ainda sabemos pouco sobre os efeitos da Cannabis no neurodesenvolvimento. Pesquisa publicada em abril de 2018 no Translational Psychiatry indicou efeitos do THC em neurônios derivados de células-tronco, com a alteração de funções relacionadas à biologia do RNA (ácido ribonucleico, na sigla em inglês) e à regulação da cromatina, semelhantes aos encontrados no autismo e na esquizofrenia. Em relação ao intelecto, trabalho publicado em 2012 no Proceedings of the National Academy of Sciences mostrou que o uso de Cannabis resulta em redução de 8 pontos no Q.I. de usuários entreos18 e os38anos. Diversas outras pesquisas revelaram alterações cognitivas, com prejuízos para a memória e as funções executivas, e fica a dúvida se isso é reversível. Resta a esperança de que a pronta interrupção do uso impeça danos de longo prazo, mas há claros indícios de menor rendimento escolar e na carreira profissional dos usuários persistentes de Cannabis.

Mesmo depois da remissão de episódios agudos, algumas psicoses crônicas, como a esquizofrenia, são irreversíveis, pois deixam sequelas. Somente a Cannabis e a metanfetamina têm associação demonstrada com psicoses crônicas. Afirmar que elas ocorrem porque há pessoas com vulnerabilidade a psicoses e que a Cannabis não participa de forma relevante nesse processo esbarra no fato de que outras drogas, incluindo álcool, tabaco, LSD, heroína e crack, por exemplo, apesar de nocivas para a saúde, não parecem atuar como componentes causais para psicoses crônicas. Isso torna a Cannabis particularmente perigosa, desencadeando, antecipando o primeiro episódio, agravando, dificultando o tratamento e piorando o prognóstico das psicoses, conforme documentado nos últimos cinquenta anos. Além disso, a vulnerabilidade a psicoses é multifatorial e complexa, não sendo possível dizer, com segurança, quem pode usar Cannabis.

A relação entre o uso de Cannabis e doenças mentais foi objeto de estudo no acompanhamento de 50.000 suecos desde seu alistamento militar, em 1969. Catorze anos depois, os que haviam fumado maconha 52 vezes ou mais aos 18 anos tiveram um risco 2,3 vezes maior de internação psiquiátrica devido a um episódio psicótico. Reavaliações feitas depois de 27 e 35 anos confirmaram que aquele grupo apresentou risco 2,2 vezes maior para psicoses em geral e 3,7 vezes maior risco para esquizofrenia. Sete outros estudos de seguimento examinando a associação entre o uso de Cannabis e psicose em jovens da Austrália, Alemanha, Holanda, Inglaterra, Israel e Nova Zelândia, publicados entre 2002 e 2010, relataram aumentos de até onze vezes no risco para usuários em relação a grupos de controle sem o uso de Cannabis. Em 2016, uma extensa investigação, que reuniu resultados de dez estudos, com mais de 66.000 indivíduos, calculou que o risco para psicoses crônicas é 3,9 vezes maior em usuários frequentes de Cannabis com alto teor de THC, o que confirmou que o efeito é “dose-dependente “e, portanto, compatível com relação causal.

Há poucos estudos de incidência de psicoses crônicas (quantos novos casos surgem em uma população em um dado intervalo de tempo). Aumentos significativos na incidência de doenças raras tendem a não ser percebidos, por seu pequeno acréscimo em termos absolutos. A incidência de esquizofrenia é, geralmente, estimada em torno de1% da população. No entanto, em 2003, artigo do British Journal of Psychiatry apontou aumento na ocorrência de casos de esquizofrenia em jovens de até 35 anos em Camberwell (Londres), entre 1965 e 1997, coincidindo com o aumento no uso de Cannabis de alta potência. Em março de 2019, estudo divulgado pelo Lancet Psychiatry, feito em dez cidades da Inglaterra, Holanda, França, Espanha, Itália e Brasil, com 901 pacientes em primeiro episódio de psicose entre maio de 2010 e abril de 2015, mostrou correlação significativa entre a incidência de psicose e as taxas de uso de Cannabis na população geral, sobretudo quando esse uso era diário. O risco foi diretamente relacionado a teores elevados de THC, mais uma vez indicando relação causal. Logo, o argumento de que, “se fosse verdade que a Cannabis causa psicose, o aumento no consumo nas últimas décadas teria resultado em aumento na incidência das psicoses, mas isso não ocorreu” não se sustenta. Ocorreu, sim.

Outros efeitos da Cannabis, muito mais frequentes, incluem a “síndrome amotivacional” (apatia, desinteresse, falta de motivação), quadros depressivos e ansiosos, alterações emocionais e nas relações interpessoais, “pseudocriatividade” e também o “transtorno esquizotípico da personalidade”.

Nesse contexto de risco de danos irreversíveis, seria adequada maior cautela no exame dos pleitos para a legalização do uso da Cannabis. Para fins medicinais, é melhor aguar­ dar respostas a questões fundamentais de segurança e eficácia da droga comparada a outros tratamentos. Para isso, não é preciso autorizar empresas ou usuários a plantar Cannabis, pois não poderão ser registrados medicamentos sem essas informações. Muito menos justificável, e até mesmo inaceitável, seria legalizar o “uso recreativo”.

O contrário dessa postura, com a liberação do consumo medicamentoso e recreativo, ainda que debaixo de severo controle legal, poderia parecer humanitário, mas configuraria apenas uma atitude irresponsável, principalmente com relação aos jovens e às futuras gerações.

GESTÃO E CARREIRA

VOE ALTO!

Desde a concepção da vida e em todas as suas fases superamos inúmeras barreiras, sendo necessário entender que contratempos e dificuldades sempre existirão

Voe alto!

Desde a Pré-história os seres humanos enfrentam problemas, superam obstáculos e lidam com as adversidades diariamente, mesmo que sejam de formas diversas. Porém, é possível notar que muitas pessoas não conseguem enfrentar essas situações de modo natural. Já outras tiram de letra.

Quase sempre as pessoas que têm mais resistência em atravessar situações difíceis estão presas apenas ao lado negativo do problema e não conseguem visualizar outros prismas de uma mesma questão, se diminuindo perante as adversidades, deixando aquele obstáculo ditar suas ações e, muitas vezes, sua própria vida. Nesse momento, elas se tornam vítimas desses problemas e assumem o compromisso de impotência perante os fatos. Mas observe a contradição: ao mesmo tempo em que elas esperam e pedem por uma solução, continuam olhando somente para um lado do problema, ou seja, para o lado oposto da solução desejada.

Se não soubermos lidar com as adversidades que aparecem em nosso caminho acabamos dando força aos sentimentos negativos e eles ficam sempre presentes na nossa vida. Mesmo que eles sejam deixados de lado, se não forem resolvidos voltarão com frequência no nosso dia a dia, muitas vezes com padrões repetitivos ou disfarçados com outras questões. Dessa forma, alimentamos a ansiedade, a raiva, a tristeza, a falta de confiança em nós, nos outros e na vida, a insatisfação, o estresse, a desmotivação, a baixa autoestima, a falta de controle da nossa própria vida, entre muitos outros sentimentos e crenças limitantes.

Quando refletimos sobre uma situação conflitante já vivenciada podemos perceber que dificilmente conseguimos olhar para as adversidades sob uma segunda óptica, mas focamos somente nos aspectos ruins, sem ao menos tentar enxergar o lado positivo delas. Por exemplo, ao receber uma advertência do líder por queda de resultados (situação adversa), você provavelmente irá buscar novas estratégias para alavancar os números, além de ficar mais atento ao atingimento de metas (lado bom). Quantas vezes, após algum problema ser resolvido, você já pensou: “Ainda bem que isso aconteceu, assim pude ter a oportunidade de conhecer tal coisa ou pessoa”, e por aí vai. Sempre haverá um lado bom, seja em circunstâncias mais simples ou complexas.

Os problemas estarão sempre presentes em nossa vida, porém a forma de perceber e lidar com eles poderá fazer toda a diferença. Parafraseando Fernando Pessoa, “ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É saber falar de si mesmo. É não ter medo dos próprios sentimentos”. O primeiro passo para se livrar de uma adversidade é aceitar e entender qual é a mensagem de mudança que ela nos passa.

Não podemos permitir que um obstáculo nos coloque como vítima ou que façamos autoquestionamentos do tipo “por que eu?”, “por que isso só acontece comi- go?”, entre muitos outros pensamentos que nos paralisam. Reconheça as oportunidades de crescimento, sabedoria e de evolução que existem em nossa trajetória. Experimente ter uma visão ampla, que abranja todo o contexto. Muitas vezes, achamos que para quem está de fora da situação é muito mais fácil achar uma solução, e estamos certos em relação a isso, pois o outro tem uma visão do todo, facilitando o seu entendimento. Portanto, permita-se contemplar por algum instante aquilo que o aflige, conheça e compreenda a mensagem que aquele problema lhe passa. Quando mudamos o ponto de vista, vemos o mesmo problema com outra perspectiva. Se mesmo assim sentir dificuldade em enxergar o lado positivo de tal questão, se coloque na posição de observador e imagine alguém que você admira muito no seu lugar e, assim, conseguirá visualizar qual é a ação que essa pessoa teria. Dessa forma, é possível obter uma visão mais clara e ajustar o foco para encontrar soluções criativas, que nos levarão ao sucesso desejado.

Cada desafio e cada dificuldade que se enfrenta na vida servem para fortalecer a força de vontade, confiança e capacidade de vencer os obstáculos futuros com êxito, assertividade, prosperidade e muita felicidade. Esses impedimentos que surgem no decorrer da estrada serão sempre sinônimos de superação, portanto fazem parte da trajetória e do crescimento pessoal e profissional.

Ter a coragem de olhar o mundo e a sua própria realidade de outros pontos de vista é maravilhoso e libertador.

Voe alto, enxergue novos horizontes! assim você perceberá que o mundo é um espaço de infinitas possibilidades e um cenário onde você mesmo pode criar o roteiro que quiser, com o final feliz que desejar!

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPITULO 2 – NÃO HÁ PÃO NA CASA DO PÃO

 

MIGALHAS NO CHÃO E PRATELEIRAS VAZIAS

A presença de Deus tem deixado de ser prioridade na Igreja moderna. Estamos como padarias abertas, mas que não têm pão. Além disto, não estamos, realmente, interessados em vender pão. Apenas gostamos do bate-papo ao redor dos fornos frios e prateleiras vazias. Na verdade, fico imaginando, será que ao menos sabemos se o Senhor está aqui ou não. E se está, o que Ele está fazendo? Onde Ele está indo? Ou será que estamos preocupados demais em varrer as migalhas imaginárias das padarias sem pão?

SERÁ QUE SABEMOS, PELO MENOS, QUANDO ELE ESTÁ NA CIDADE?

No dia em que Jesus realizou o que chamamos de Entrada triunfal em Jerusalém, montado em um jumento, Seu trajeto através da cidade, provavelmente, o fez passar perto da porta do templo de Herodes. Acredito que o que deixou os fariseus indignados, na passagem registrada em João 12, foi a perturbação de seu culto religioso dentro do templo.

Posso ouvi-los reclamando: “O que está acontecendo? Vocês estão perturbando o sumo sacerdote! Não sabem o que estamos fazendo? Estamos tendo um importante culto de oração aqui dentro. Sabe por que estamos orando? Estamos orando pela vinda do Messias! E vocês têm a audácia de fazer este desfile barulhento e nos perturbar?! E quem é o responsável por todo esse tumulto?”

ESTÁ VENDO AQUELE MOÇO MONTADO NO JUMENTINHO?

Eles perderam a hora de sua visitação. O Messias já estava na cidade e eles não sabiam. O Messias passou em sua porta, enquanto estavam lá dentro orando para que Ele viesse. O problema era que Ele não veio da forma esperada. Eles não O reconheceram. Se Jesus estivesse em um cavalo branco, ou em uma carruagem real, com soldados à sua frente, os fariseus e os sacerdotes teriam dito:’ “Deve ser Ele.” Infelizmente eles estavam mais interessados em ver o Messias derrubar o jugo do Império Romano do que o jugo espiritual que se transformara em uma praga entre seu povo.

Deus está pronto para Se manifestar, mesmo que precise Se desviar de nossas igrejas para manifestar-Se em bares! Seríamos sábios em lembrar que Ele já fez isto antes, ao se desviar da elite religiosa para jantar com os pobres, os profanos e as prostitutas. A Igreja do Ocidente e a Igreja Americana, em particular, têm exportado seus programas sobre Deus para o mundo inteiro, mas é hora de aprender que tais programas não significam avanço espiritual. O que precisamos é da presença de Deus. Precisamos tê-la, não importa o que aconteça, de onde venha ou o quanto custe. E o Senhor quer vir, mas do Seu jeito, não do nosso. Até que Ele venha, a ausência de “maravilhas” vai assombrar a Igreja.

Podemos estar aqui dentro orando para que o Senhor venha enquanto Ele passa lá fora. Pior que isto, os que estão aqui O perdem enquanto os que estão do lado de fora marcham com Ele!

O PÃO É ESCASSO EM TEMPOS DE FOME.

“Nos dias em que julgavam os juízes, houve fome na terra; e um homem de Belém de Judá saiu a habitar na terra de Moabe, com sua mulher e seus dois filhos.

Este homem se chamava Elimeleque, e sua mulher, Noemi; os filhos se chamavam Malom e Quiliom, efrateus, de Belém de Judá; vieram à terra de Moabe e ficaram ali.

Morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com seus dois filhos, os quais casaram com mulheres moabitas; era o nome duma Orfa e o nome da outra, Rute; e ficaram ali quase dez anos.

Morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando, assim, a mulher desamparada de seus dois filhos e de seu marido.

Então, se dispôs ela com suas noras e voltou da terra de Moabe, porquanto, nesta, ouviu que o Senhor se lembrara do seu povo, dando-lhe pão.”  (Rute 1.1-6.)

HÁ UMA RAZÃO PARA QUE AS PESSOAS DEIXEM A CASA DO PÃO

Noemi, seu marido e seus dois filhos saíram de casa e foram para Moabe, porque havia fome em Belém. O significado literal do nome hebraico de sua cidade natal, Belém, é “casa do pão”. A razão pela qual eles deixaram a casa do pão era que não havia pão na casa. É uma constatação muito simples: Por que as pessoas deixam as igrejas? Porque não há pão. O pão era parte das práticas do templo também, era prova da presença do Senhor: o pão da proposição, o pão da Presença. O pão era o que, historicamente, indicava a presença de Deus. No Antigo Testamento, o pão da proposição estava no Santo Lugar. Era chamado “o pão da Presença” (Números 4.7). A melhor tradução para pão da proposição seria “pão da manifestação”, ou, em termos hebraicos, “pão da revelação”. Era um símbolo celestial do próprio Deus.

Noemi e sua família têm alguma coisa em comum com as pessoas que deixam ou evitam nossas igrejas hoje – eles deixaram o lugar onde estavam e procuraram outro onde pudessem encontrar pão. Posso dizer-lhe porque as pessoas estão se dirigindo aos bares, clubes e aos médiuns caríssimos. Estão tentando se arranjar e sobreviver porque a Igreja as têm frustrado. Elas procuraram, seus pais e amigos procuraram e comunicaram que o armário espiritual está vazio. Não há nada na despensa, nada além de prateleiras vazias, gavetas cheias de receitas para pão, fornos frios e empoeirados.

Temos, falsamente, anunciado que há pão em nossa casa. Mas quando vem a fome, tudo que fazemos é sair em busca das poucas migalhas dos avivamentos passados. Falamos sobre o que Deus fez e onde Ele esteve, mas podemos dizer muito pouco sobre o que Ele está fazendo entre nós hoje. E a culpa não é de Deus, é nossa. Temos somente os vestígios do que já se foi – um resíduo da glória em extinção. E, infelizmente, conservamos o véu do sigilo sobre este fato, da mesma forma que Moisés manteve o véu sobre sua face depois que o brilho da glória se extinguiu. Camuflamos nosso vazio assim como fazia o clero nos dias de Jesus, mantendo o véu no lugar tradicional, mesmo não estando mais a arca da aliança por detrás dele.

Deus também precisa rasgar o véu de nossa carne para revelar nosso vazio interior. E uma questão de orgulho – apontamos orgulhosamente para onde Deus esteve (preservando a tradição do templo), ao mesmo tempo em que negamos a irrefutável e manifesta glória do Filho de Deus. Os religiosos do tempo de Jesus não queriam que o povo percebesse que não havia glória atrás de seu véu. A presença de Jesus representava problemas. Os religiosos pragmáticos se acham no dever de preservar o local onde Deus esteve, ainda que isto implique a sua privação do local onde, de fato, Deus está!

O homem que tem uma experiência nunca ficará à mercê daquele que só tem argumentos, “… uma cousa eu sei: Eu era cego, e agora vejo!” (João 9.25b). Se pudermos conduzir as pessoas à presença manifesta de Deus, todos os aparentes “edifícios” teológicos construídos de papelão vão se desmoronar.

Por que as pessoas dificilmente curvam suas cabeças quando vêm a nossas reuniões e lugares de adoração? “Para onde foi o temor de Deus?”, clamamos como o avivalista A.W. Tozer. As pessoas não sentem a presença de Deus em nossas reuniões, porque ela não está lá em nível suficiente para estimular os nossos “sensores espirituais”. E isto, por sua vez, cria outro problema. Quando as pessoas captam um pouco de Deus, misturado com muito daquilo que não é Deus, acabam se tornando resistentes ao que é verdadeiro. Então, quando dizemos: “Deus está, realmente, aqui”, elas dizem: “Não, eu estive aí, até comprei esta camiseta, e não O encontrei. Realmente, não funcionou para mim.” O problema é que Deus estava lá, mas não havia o suficiente d’Ele! Não havia a experiência da estrada de Damasco. Não havia o sentimento inegável e irresistível de Sua presença.

As pessoas têm vindo à Casa do Pão, frequentemente, apenas para descobrir que aqui existe muito de homens e pouco de Deus. O Todo-Poderoso quer restaurar a sensibilidade de Sua magnífica presença em nossas vidas e em nossas igrejas. Cada vez mais, falamos sobre a glória de Deus cobrindo a Terra, mas como ela vai fluir pelas ruas de nossas cidades, se não pode nem mesmo fluir pelos corredores de nossas igrejas? É preciso começar por algum lugar, e não será pelo lado de fora! É preciso começar aqui, “no templo”. Como Ezequiel escreveu: “Depois disto me fez voltar à entrada do templo, e eis que saíam águas debaixo do limiar do templo, para o oriente” (Ezequiel 47.1a).

Se a glória de Deus não pode fluir pelos corredores do templo, por causa da manipulação humana, Deus terá que se voltar para outro lugar, assim como fez no dia em que Jesus passou pela “Casa do Pão”, que era o templo em Jerusalém. Se não há pão na casa, eu não culpo os famintos por não irem até lá! Eu mesmo não iria!

UM RUMOR CHEGA ATÉ MOABE

Quando Belém, a Casa do Pão, ficou vazia, as pessoas se viram obrigadas a procurar o pão da vida em outro lugar. O dilema que elas enfrentaram é que as alternativas do mundo podem ser mortais. Como Noemi estava prestes a descobrir, Moabe é um lugar cruel. Moabe furtará seus filhos e os sepultará antes do tempo. Moabe separará você de seu cônjuge. Moabe roubará toda a vitalidade que há em você. Por fim, tudo que restara a Noemi eram as duas noras apenas. Com nada além de um futuro sombrio e desastroso fitando a sua face, ela disse: “Vocês não devem permanecer comigo também. Eu não tenho mais filhos para dar a vocês.” Mas, então, ela disse: “Ouvi um rumor…”.

Existe um murmúrio que percorre cada comunidade, aldeia e cidade do mundo. Desce pelas encostas, pelas montanhas e lugares onde os homens habitam. É o murmúrio dos famintos. Se somente um deles ouvisse um boato de que o Pão está de volta à Casa do Pão, a notícia logo se espalharia como uma onda de eletricidade, na velocidade da luz. As novidades sobre o Pão correriam de casa em casa, de um lugar para outro instantaneamente. E você não teria que se preocupar em anunciar na TV ou usar outros meios de comunicação. Os famintos simplesmente ouviriam a notícia:

“Não, não é uma farsa! É difícil de acreditar, mas desta vez não é uma propaganda enganosa. E não são migalhas no chão.

Realmente existe Pão na Casa do Pão! Deus está na Igreja!”

Quando isto acontecesse, seriam tantos os que viriam, que não conseguiríamos comportá-los todos em nossos templos, não importa quantos cultos tivéssemos a cada dia. Por quê? Como? Tudo o que se tem a fazer é trazer o Pão de volta!

SATISFEITOS COM MIGALHAS NO CHÃO

Podemos desfrutar da presença de Deus muito mais do que temos capacidade de imaginar, mas ficamos tão “satisfeitos” com o lugar onde estamos e com o que temos, que não reivindicamos o que há de melhor da parte de Deus. Sim, Ele está se movendo entre nós e trabalhando em nossas vidas, mas temos nos contentado em varrer o chão à procura de migalhas, ao invés de ter as abundantes fornadas de pão quente que Deus preparou para nós nos fornos dos céus! Ele preparou uma grande mesa cheia de Sua presença nestes dias, e está chamando a Igreja: “Venha e coma!”.

Ignoramos a chamada de Deus, enquanto, cuidadosamente, contamos nossas migalhas de pão dormido. Enquanto isso, milhares de pessoas, fora das quatro paredes de nossas igrejas, estão famintas por vida. Elas estão doentes e saturadas da exibição dos programas feitos por homens. Estão famintas de Deus, não de histórias sobre Deus. Elas querem comida, mas tudo que temos para lhes oferecer são migalhas que sobraram do banquete que um dia esteve nas mãos de famintos desesperados, protegidas em vitrines de vidro.

É por isso que vemos homens e mulheres bem-posicionados socialmente, usando cristais em seus pescoços na esperança de entrar em contato com algo que esteja além de si mesmos e de sua triste existência. Ricos e pobres se atropelando em filas para grandes seminários sobre iluminação espiritual e paz interior, engolindo, passivamente, todo o lixo que lhes está sendo passado como se fosse a última revelação do outro mundo.

Como pode ser? Isto deveria envergonhar a Igreja! Tantas pessoas machucadas e carentes voltando-se para médiuns, astrólogos e espíritas para obter orientação e esperança em suas vidas! As pessoas, de tão famintas que estão, chegam a gastar milhões de dólares na indústria do ocultismo que surge da noite para o dia, manipuladas por falsos adivinhos, que não passam de exploradores oportunistas – até mesmo os verdadeiros médiuns ou guias, que tradicionalmente exploram o mundo de espíritos satânicos, são raros neste grupo. O desespero é tanto que elas aceitam as orientações desses negociantes como se fossem uma visão espiritual. Ah, as profundezas da fome espiritual no mundo! Só existe uma razão para que as pessoas estejam tão ansiosas por um contato com algo misterioso, oculto, aceitando até falsificações: elas não sabem onde encontrar O que é verdadeiro. A culpa disto só pode recair sobre um lugar. Esta é a hora perfeita para que a Igreja do Senhor prevaleça.

Quero repetir uma das chocantes frases que continuo ouvindo Deus dizer em meu espírito:

Existe mais de Deus na maior parte dos bares do que na maior parte das igrejas.

Nem crentes nem incrédulos sentem necessidade de se prostrarem quando estão em um culto de adoração, e isto não é imaginação. Eles não sentem a presença de nada nem de ninguém digno de louvor em nosso meio.

Por outro lado, se a Igreja se transformasse naquilo que poderia e deveria ser, então teríamos dificuldades para atender à demanda de “pão” na casa. E quando as pessoas entrassem em nossas igrejas, ninguém teria que lhes dizer para “curvarem suas frontes em oração”. Elas se prostrariam perante Nosso Santo Deus, sem que qualquer palavra fosse dita. Mesmo os perdidos saberiam, instintivamente, que o próprio Deus havia entrado na casa (1 Coríntios 14:25).

Perguntaríamos uns aos outros: “Quem ficará responsável pelos telefones amanhã?” sabendo que as linhas estariam ocupadas com pessoas ligando para dizer: “Tenho que ouvir a respeito de Deus!” Por que digo isto? Porque, quando pagam quantias exorbitantes aos médiuns, as pessoas estão realmente tentando tocar em Deus e encontrar alívio para a dor em suas vidas. Elas só não sabem mais aonde ir. O Rei Saul nos deu o exemplo do errante desesperado que foi cortado da presença de Deus. Quando ele não pôde mais alcançar ou “pegar” Deus, ele disse: “Então, deixe-me achar uma bruxa. Qualquer pessoa! Tenho que ter uma palavra, mesmo que eu tenha que me disfarçar e penetrar sorrateiramente pela porta do fundo. Preciso ter acesso ao reino espiritual.” (1 Samuel 28:7).

Existe outro problema com o qual Deus está preocupado e Jesus o revelou quando repreendeu os líderes religiosos de seu tempo:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois, vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando.” (Mateus 23.13).

Já é terrível quando você mesmo se recusa a ir, mas Deus fica incomodado quando você para na porta e impede que outros entrem! Através de nossa ignorância espiritual e nossa falta de apetite, estamos parados na porta barrando os que estão realmente famintos e perdidos. Temos falado que há pão quando, na verdade, só existem migalhas de pão dormido. Isto tem deixado gerações famintas, desabrigadas e sem outra alternativa, a não ser partir para Moabe. E o preço cobrado em Moabe é muito caro: lá as pessoas pagam com seus casamentos, seus filhos, suas vidas.

Agora, existem rumores de que há pão novamente na Casa de Deus. Esta geração, assim como Rute (que retrata os perdidos), está prestes a acompanhar Noemi, (um retrato dos pródigos), dizendo: “Se você ouviu que realmente há pão lá, então irei com você. Onde quer que vá, eu irei. Seu povo será meu povo, e o seu Deus será o meu Deus” (Rute 1.16). Se… realmente existe pão. A reputação de Belém (a Casa do Pão) estava tão prejudicada que Orfa não foi. Quantos, como ela, “não vão” porque a propaganda da Igreja esgota suas energias?

Sabe quando é que as pessoas se integrarão rapidamente à Igreja local? No momento em que provarem o pão da presença de Deus. Quando Rute ouviu que o pão estava de volta em Belém, ela se levantou de sua tristeza para ir à Casa do Pão.

O QUE ACONTECEU COM O PÃO?

A placa ainda está lá. Ainda levamos as pessoas às nossas igrejas e mostramos a elas os fornos onde costumávamos assar o pão. Os fornos ainda estão no lugar e tudo mais, mas o que encontramos são migalhas da última visitação e da última grande onda de avivamento, sobre a qual os nossos antecessores nos contaram. Agora nos limitamos a ser meros pesquisadores daquilo que esperamos experimentar um dia. Estou, constantemente, lendo sobre avivamento. Um dia desses, Deus me assegurou: “Filho, você está lendo sobre isto porque não teve ainda uma experiência para escrever”.

Estou cansado de ler sobre as últimas visitações de Deus. Quero que Deus se manifeste em algum lugar da minha existência para que, no futuro, meus filhos possam dizer: “Estivemos lá. Nós sabemos: é verdade!” Deus não tem netos. Cada geração deve experimentar Sua presença. O conhecimento não deveria tomar o lugar da experiência.

OS EFEITOS DO PÃO DE VOLTA AO SEU LUGAR

Duas coisas acontecem quando o Pão da presença de Deus é restaurado na Igreja. Noemi foi a pródiga que deixou a Casa do Pão quando a mesa ficou vazia. Entretanto, quando ouviu que Deus havia restaurado o Pão em Belém, a Casa do Pão, rapidamente retornou. Os pródigos voltarão de Moabe, quando souberem que o Pão está de volta em casa e não virão sozinhos. Noemi voltou à Casa do Pão acompanhada de Rute, que nunca havia estado lá antes. Aqueles que nunca vieram, virão. Como resultado, Rute tornou-se integrante da linhagem messiânica de Jesus, quando ela se casou com Boaz e lhe deu um filho chamado Obed, que foi o pai de Jessé, o pai de Davi. A futura realeza conta com as nossas ações que serão desencadeadas por causa da fome de pão.

O avivamento, tal como o conhecemos agora, é simplesmente a “reciclagem” dos salvos para que permaneçam “acesos”. Mas a próxima onda de avivamento verdadeiro trará os perdidos para a Casa do Pão. Pessoas que nunca adentraram as portas de uma igreja na vida, quando ouvirem que realmente há Pão na casa, virão correndo atrás do cheiro de pão quente dos fornos dos Céus!

Estamos, frequentemente, tão saciados e satisfeitos com outras coisas, que insistimos em nos contentar com migalhas de pão dormido. Estamos felizes com nossa música do jeito que é. Estamos felizes com nossas reuniões de “restauração”. Já é hora de termos o que costumo chamar de “insatisfação divina”.

Não estou feliz. Será que posso dizer isto e não ser julgado? Quero dizer com isto que, embora tenha participado do que alguns chamariam de avivamento, ainda não estou feliz. Por quê? Porque sei o que mais pode acontecer. Posso pegar Deus. Sei que existe muito mais do que temos visto ou esperado e isto tem se transformado em uma santa obsessão para mim. Eu quero Deus. Eu quero mais d’Ele.

A SOLUÇÃO PARECE SER QUE HAJA MENOS DE MIM

O plano satânico consiste em nos manter tão cheios de lixo, que não tenhamos fome de Deus, e isto tem funcionado muito bem por séculos. O inimigo tem nos feito acostumar a sobreviver em uma prosperidade terrena, porém, em uma mendicância espiritual. Dessa forma, basta uma migalha da presença de Deus para que nos demos por satisfeitos. Mas existem aqueles que não se contentam mais com migalhas. Querem Deus e nada mais. Falsificações não lhes satisfazem ou interessam; querem o pão verdadeiro. A maior parte, entretanto, mantém suas vidas tão tomadas de “sobras” para a alma e banquetes para a carne, que não sabem o que é estar realmente faminto.

Você já viu pessoas famintas? Quero dizer, pessoas realmente famintas? Se pudesse vir comigo em uma viagem à Etiópia ou a outra localidade assolada pela fome, veria o que acontece quando sacos de arroz são colocados no meio de pessoas realmente famintas. Elas aparecem de todos os lugares em questão de segundos. Muitos de nós comemos antes de irmos para o culto, por isso, quando vemos o pão sobre o altar, não nos sentimos estimulados. Mas, quando Deus me disse, certa manhã, para pregar sobre o pão, Ele disse também: “Filho, se eles estivessem fisicamente famintos, não agiriam da mesma forma” (Curiosamente, naquela manhã, um intercessor sentiu-se constrangido a assar pão e o pastor foi divinamente compelido a colocá-lo sobre o altar!). Nasceu, naquele dia, uma fome pelo pão da presença de Deus, estimulada pelos céus. Este é o pão que tem operado cura, restauração e fome de avivamento por todo o mundo.

A Bíblia diz:

“Desde os tempos de João Batista até agora o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele.” (Mateus 11.12)

Isso não soa, de alguma maneira, como uma descrição nossa? Tornamo-nos tão inertes na igreja, que temos nosso próprio manual de ações “politicamente corretas” e de regras de etiqueta. Porque não queremos nos parecer radicais demais, alinhamos as cadeiras em fileiras muito bem arranjadas e esperamos que nossos cultos sejam igualmente lineares e previsíveis. Precisamos ficar desesperadamente famintos por Deus e, literalmente, nos esquecermos das “boas maneiras”! A aparente diferença entre um louvor litúrgico e um louvor “carismático” é que o programa de um é impresso e o outro memorizado. Geralmente já sabem quando “Deus” vai falar!

Todas as pessoas do Novo Testamento que “esqueceram suas boas maneiras” receberam algo de Deus. Não estou falando da indelicadeza propriamente dita, mas da indelicadeza que brota do desespero! Você se lembra daquela mulher atormentada por uma hemorragia incurável, que, com dificuldade, abriu caminho em meio à multidão para tocar a orla das vestes do Senhor? (Mateus 9:20-22). E quanto à impertinente mulher cananeia que não parava de implorar que Jesus libertasse sua filha endemoninhada em Mateus 15.22-28? Embora Jesus a tenha humilhado, dizendo: “Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” (Mateus 15.26b), ela persistiu. E foi tão indelicada, tão incômoda (ou simplesmente tão desesperadamente faminta por pão), que replicou:

“… Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos.” (Mateus 15.27).

Muitos de nós, por outro lado, vamos a nossos pastores e dizemos: “Oh, pastor, será que poderia, por favor, orar por mim e me abençoar?” Se nada, realmente, acontece, simplesmente damos de ombros e dizemos: “Bem, acho que vou comer ou então relaxar”, ou: “Vou para casa e aplacar a minha fome interior com comida carnal e entretenimento.”

Para ser honesto, espero que Deus incomode homens e mulheres em Sua Igreja e os torne tão obcecados com o pão da Sua presença, de forma que não parem mais. E, quando isto acontecer, não vão querer somente o “por favor, me abençoe”. Vão querer a manifestação da presença de Deus, não importa o que custe ou quão insólitos possam parecer. Poderão parecer rudes ou indelicados, mas não se importarão mais com a opinião de homens, somente com a vontade de Deus. Podemos dizer que a Igreja, de modo geral, não tem dado lugar a pessoas assim.

Um dos primeiros passos para o avivamento real é reconhecer que você está em estado de decadência. Esta não é uma tarefa fácil em face da nossa aparente prosperidade, mas precisamos dizer: “Estamos em decadência. Não estamos mais vivendo nossos melhores momentos.” Ironicamente, nos encontramos na clássica situação descrita no livro A Tale of Two Cities (Uma história de duas cidades), de Charles Dickens: “Foram os melhores momentos, foram os piores momentos”.

Em termos econômicos, talvez, sejam estes os melhores momentos, mas, como um todo, a Igreja não está se movendo sobre uma onda de prosperidade espiritual. Qual foi a última vez que sua sombra curou alguém? Qual foi a última vez que sua presença, em algum lugar, tenha levado as pessoas a dizerem: “Tenho que me reconciliar com Deus”? Onde estão os futuros Finneys e Wigglesworths, homens que incendiaram sua geração através do poder do Espírito Santo? Maravilhas provenientes de Deus faziam parte do cotidiano deles.

Conheço um pastor na Etiópia que certa feita estava ministrando um culto, quando homens do Governo Comunista o interromperam, dizendo: “Estamos aqui para acabar com esta igreja.” Eles já tinham tentado de tudo sem sucesso. Então, naquele dia, agarraram a filha de três anos do pastor e a arremessaram pela janela do templo à vista de todos que ali estavam presentes. Os comunistas pensaram que esta violência acabaria com aquela igreja, mas a esposa do pastor desceu, colocou seu bebê morto nos braços, retornou ao seu lugar na primeira fila, e a adoração continuou. Como conseqüência da fidelidade deste humilde pastor, quatrocentos mil crentes fiéis destemidamente compareceram em suas conferências bíblicas na Etiópia.

Certa vez, meu pai, líder nacional de uma denominação pentecostal nos Estados Unidos, estava conversando com este pastor. Meu pai sabia que ele morava em meio a uma horrível miséria na Etiópia e cometeu o erro de tentar mostrar um pouco do que ele pensava ser consideração. Ele disse ao pastor etíope: “Irmão, temos orado por vocês, por causa de sua pobreza.”

Este humilde homem voltou-se para meu pai e disse: “Não, você não compreende. Nós é que temos orado por vocês, por causa de sua prosperidade.” Meu pai ficou confuso, mas o pastor etíope explicou: “Nós oramos pelos americanos, porque é muito mais difícil para vocês estarem onde Deus quer, em meio à prosperidade, do que para nós em meio à pobreza.”

A maior artimanha que o inimigo tem usado para roubar a vitalidade da Igreja é acenar-lhe com a bandeirinha da prosperidade. Não sou contra a prosperidade. Seja tão próspero quanto você deseja, mas busque Deus ao invés de buscar a prosperidade. Veja bem, é muito fácil começar buscando a Deus e se desviar para outra coisa. Não seja assim! Seja um caçador de Deus e ponto final!

(Nota do autor: Ao utilizar a expressão “caçando Deus”, quero me referir à nossa busca por Deus como Senhor e razão principal da nossa existência – pós-salvação. Não quero dizer que somos salvos pelas nossas obras. A salvação é a graça obtida através do sacrifício de Jesus na cruz e Sua ressurreição. Embora possa parecer óbvio para alguns leitores, considerei importante incluir este esclarecimento. Para aqueles que queiram maior aprofundamento quanto ao assunto, recomendo o livro The Pursuit of God, (A busca de Deus) de A. W. Tozer).

E SE DEUS REALMENTE SE REVELASSE EM SUA IGREJA?

Se Deus realmente se revelasse em sua Igreja, posso assegurar que aqueles “rumores dos famintos”, em sua cidade ou região, espalhariam a notícia rapidamente! Antes que você pudesse abrir as portas no dia seguinte, os famintos já estariam em fila por pão fresco. Por que não vemos este tipo de reação agora? Os famintos têm sido frustrados. Tão logo a menor gota da presença de Deus flui em nossos cultos, dizemos ao mundo inteiro: “Há um rio da unção de Deus fluindo aqui”.

Infelizmente, sempre gritamos: “Deus está aqui! E os famintos vêm somente para descobrir que super-dimensionamos a realidade e que tudo não passou de propaganda enganosa. Temos falsamente apresentado as gotas da unção de Deus como se fossem um rio poderoso, mas o único rio que as pessoas encontram entre nós é um rio de palavras. Algumas vezes, até mesmo construímos maravilhosas pontes sobre leitos secos!

Não podemos esperar que os perdidos e feridos venham correndo para nosso “rio” apenas para descobrir que mal existe o suficiente para aliviar um pouco da sua sede, não chega a ser nem um gole da taça de Deus. Dizemos: “Deus está realmente aqui: há comida na mesa”, mas toda vez que acreditam, veem-se obrigados a procurar pelo chão meras migalhas do banquete prometido. Nosso passado fala mais alto que nosso presente.

NADA TENDES PORQUE…

Em comparação ao que Deus quer fazer, estamos catando farelos, enquanto Ele tem, para nós, um crocante pão quentinho, que acabou de sair dos fornos dos céus! Ele não é Deus de migalhas e de escassez. Ele está esperando que O busquemos para dispensar porções infinitas de Sua presença. Mas nosso problema foi descrito há muito tempo pelo apóstolo Tiago, “Nada tendes, porque não pedis” (Tiago 4.2c). Não obstante, o salmista Davi canta, através dos tempos, que “sua semente” nunca iria “mendigar o pão” (Salmos 37.25).

Precisamos compreender que o que nós temos, onde estamos e o que estamos fazendo é muito pequeno em comparação ao que Deus quer fazer entre nós e através de nós. O jovem Samuel foi profeta numa geração em transição como a nossa. A Bíblia nos diz que cedo, na vida de Samuel, “…a palavra do Senhor era mui rara; as visões não eram frequentes” (I Samuel 3.1b).

Certa noite, o sumo sacerdote Eli foi dormir, ele estava tão avançado em dias, que mal podia enxergar. Parte do problema na Igreja histórica é que nossa visão tem ficado embaçada e não podemos ver como deveríamos. Estamos satisfeitos em ver a Igreja prosseguindo da mesma forma como sempre foi. Enquanto isso, continuamos na nossa rotina, tateando de um lugar para outro, como se Deus estivesse ainda falando conosco. Mas, quando Ele realmente fala, pensamos que as pessoas estão sonhando. Quando Ele realmente aparece, os olhos embaçados não podem vê-Lo. Quando Ele realmente se move, relutamos em acreditar por medo de “esbarrarmos” em algo que não seja peculiar à penumbra em que vivemos. É frustrante quando o Senhor muda de lugar alguma mobília dentro de nós. Dizemos ao jovem Samuel entre nós: “Volte a dormir! Continue fazendo tudo da maneira que lhe ensinei, Samuel! Não há nada de errado. Tudo sempre foi assim.”

Não, nem sempre tudo foi desta forma! E eu não estou satisfeito com tudo deste jeito, quero mais! Não sei quanto a você, mas cada banco vazio que vejo na igreja parece clamar: “Eu poderia ser preenchido com alguns cidadãos de Moabe! Você não pode colocar alguém aqui?” Não sei quanto a você, mas isso alimenta minha santa frustração, minha insatisfação da parte de Deus.

“…e tendo-se deitado também Samuel, no templo do Senhor, em que estava a arca, antes que a lâmpada de Deus se apagasse, o Senhor chamou o menino: Samuel, Samuel. Este respondeu: Eis-me aqui.” (1 Samuel 3.3-4.)

A lâmpada de Deus estava fraca e prestes a se apagar, mas isto não chamou a atenção de Eli: ele já vivia em um permanente estado de penumbra. O jovem Samuel, entretanto, disse: “Ouço algo.” Já é tempo de admitir que a lâmpada de Deus está se apagando. Sim, ainda está queimando, mas as coisas não estão como deveriam estar. Olhamos para esta pequena chama lançando uma luz fraca, aqui e ali, e dizemos: “Oh, é o avivamento!” Pode até ser, para alguns que conseguem chegar bem perto para ver, mas e quanto àqueles que estão distantes? E aqueles que estão perdidos e que nunca leram nossas revistas, assistiram a nossos programas de televisão ou ouviram as nossas fitas de estudo? Precisamos que a luz da glória de Deus brilhe o bastante para que possa ser vista à distância. Em outras palavras, é tempo de a glória de Deus, a luz de Deus, extrapolar os limites da Igreja e iluminar nossas cidades! (Veja Mateus 5:15).

Creio que o Senhor está prestes a manifestar “aquele que abrirá caminhos” (Miquéias 2.13) e que, literalmente, irá fender os céus, para que todos possam comer na mesa de Deus. Antes que isto aconteça, as fontes do grande abismo (Veja Gênesis 1:8; 7:11) devem ser rompidas. Já é tempo de alguma igreja, em algum lugar, parar de tentar ser “politicamente correta” e abrir os céus, para que o maná possa cair e alimentar a fome espiritual da cidade! Já é hora de fendermos os céus e aliviar a agonia dos que estão famintos, para que a glória de Deus comece a brilhar em nossa cidade. Mas a verdade é que não podemos ver nem mesmo uma simples gota fluir pelos corredores, muito menos a glória de Deus fluir pelas ruas, e isto porque não estamos realmente famintos. Estamos como os crentes da Igreja de Laodiceia (Apocalipse 3.17), satisfeitos e contentes.

Pai, eu oro para que o Espírito incomode nossos corações e nos transforme em guerreiros da adoração.

Oro para que não paremos até que vejamos uma rachadura nos céus e eles se abram. Nossas cidades e nações precisam do Senhor. Nós precisamos do Senhor. Estamos cansados de procurar migalhas no chão. Mande-nos pão quente dos céus, mande-nos o maná de Tua presença…

Não importa o que você precise ou o que falte em sua vida – o que você realmente precisa é de Deus. E para tê-Lo, precisa estar faminto. Oro para que Deus lhe faça sentir fome, para, assim, qualificar você à promessa de abastança. Jesus disse:

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão saciados.”

(Mateus 5.6)

Se pudermos ficar famintos, então Ele poderá nos santificar. Ele colocará os pedaços de nossa vida no lugar. Mas a nossa fome é a chave de tudo.

Então quando você se encontrar procurando migalhas no chão da Casa do Pão, ore:

“Senhor, desperte em mim uma fome incontrolável!”