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BELEZA E TALENTO EM EVIDÊNCIA

Músico e compositor brilhante, Kurt Cobain não resistiu ao uso constante de drogas e à depressão severa que o acompanhou desde a adolescência.

Beleza e talento em evidência

Nascido em Aberdeen, Estados Unidos, em 1967, Kurt Donald Cobain é filho de um mecânico automotivo e uma garçonete. Tinham descendências irlandesa e escocesa, e isso tornava a casa barulhenta, alegre e com bebida farta. Ele era conhecido por ser uma criança feliz, sensível e carinhosa. Com pouca idade já mostrava habilidades artísticas: desenhava seus personagens favoritos e era incentivado pela avó, uma artista profissional. A família Cobain tinha um histórico musical: seu tio fazia parte de uma banda, a tia fazia performances pelo condado, e seu tio-avô teve uma carreira como tenor na Irlanda.

Seu interesse musical se manifestou e foi desenvolvido ainda na infância. Começou a cantar aos 2 anos; aos 4, escreveu uma música sobre uma viagem a um parque e começou a aprender piano. Mas essa tranquilidade mudou, seus pais se divorciaram quando ele tinha 9 anos, fato que marcou sua infância, deixando-o bastante ressentido e triste por anos. Sentiu-se traído pelos pais, e nunca mais conseguiu pertencer a nenhuma organização ou estrutura familiar (nem mesmo quando se casou). Parece que a confiança nas pessoas e em seus vínculos foram danosamente abalados. Foi morar com o pai e visitava a mãe e a irmã nos fins de semana. Seu pai casou-se novamente, e ele não gostava da nova família, principalmente da madrasta, e era recíproco. Um momento importante durante esse tempo de dificuldade emocional foi um presente que recebeu de um tio: uma guitarra. Apesar de bem desgastada, o inspirou a aprender a tocar e o ajudou nos seus momentos de infelicidade. Alienado, irritado e até agressivo em casa, acreditava que seu pai sempre preferiu o lado de sua madrasta e que favorecia os filhos dela e seu meio-irmão, nascido dessa união. Após adquirir guarda total de Kurt, o pai, cansado de seu comportamento rebelde, o colocou sob cuidados de familiares. Em outras palavras, o mandou embora. Ao sair de casa, ele morou com diversos parentes e amigos por vários meses. Nesse período tornou-se um cristão devoto ao viver com a família de um amigo, Jesse Reed. Posteriormente, renunciou ao cristianismo. Acabou, por falta de opção, indo morar com sua mãe, em Aberdeen. Matriculou-se na Aberdeen High School e, durante o ensino médio, impressionou diversos professores com seus dons artísticos; no entanto, semanas antes da graduação, abandonou a escola.

O relacionamento com a mãe não era dos melhores, e ela lhe deu uma escolha: arranjar um emprego ou sair de casa. Ele não levou a sério, continuou tocando sua guitarra e bebendo. Uma semana depois, encontrou todos seus pertences em caixas, fora da casa. A sensação de não ser amado, de ser rejeitado ocupa espaço maior no íntimo de Kurt e sua depressão passa a ser constante. Passou os anos de 1984 e 1985 morando em vários lugares, dormindo na casa de amigos quando podia e em halls e salas de espera de hospitais. Kurt dizia que durante seu tempo sem-teto morava embaixo da ponte do rio Wishkah.

Começou a tocar em lugares para ter algum dinheiro, mas tudo muito inconstante e precário. Ele sempre chamando a atenção pela beleza e talento. Estava continuamente tentando, sem êxito, montar sua banda. Em 1988, as ambições de Kurt começam a se tornar realidade. Ele se uniu a dois amigos e criou o Nirvana. Com o lançamento e o sucesso imediato do disco Nevermind, tornam-se muito conhecidos. Em pouco tempo Cobain era considerado um dos melhores compositores de sua geração. Com o rápido crescimento da banda, colocaram Kurt em uma nova situação de estresse e pressão. Ele, que já bebia e cheirava cocaína demasiadamente, começou a usar heroína.

 

Casou-se em 1992 com Courtney Love (uma pessoa egoísta, interessada no sucesso dele, nem um pouco afetiva e que o usava para se promover), e no mesmo ano nasceu sua filha. Ambos eram usuários de drogas e foram investigados pelo serviço social após Courtney mencionar o uso de heroína enquanto grávida em uma entrevista à Vanity Fair. A relação nociva do casal só confirma sua sensação de ser rejeitado e amplia sua depressão e seu isolamento. Em 1994, em uma manhã, foi encontrado por Love, após uma overdose de Rohypnol e champanhe. Ele permaneceu no hospital durante cinco dias. Em outro episódio, ela ligara para a polícia informando que ele era um suicida e estava trancado num quarto com uma arma. Ao chegar, a polícia confiscou várias armas e remédios de Cobain, que insistia em dizer que só estava fugindo da mulher. Após uma tentativa de intervenção realizada por ela, Kurt foi internado em um centro de recuperação, mas pulou o muro e ficou desaparecido por dias. Durante a maior parte de sua vida, ele sofreu de bronquite e dores estomacais provenientes de uma gastrite devido ao abuso de substâncias. Ele fazia uso regular de Cannabis, LSO, álcool e heroína. Também apresentava depressão severa. O seu fim ocorreu de forma solitária e trágica: suicidou se em sua casa aos 27 anos, com um tiro. Estranhamente o corpo foi encontrado somente dias depois, por um eletricista. A autópsia também revelou altíssima quantidade de heroína no sangue.

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ANDERSOS ZENIDARCI – é mestre em Psicologia pela PUC-SP, supervisor e palestrante. Coordenador e professor do curso de especialização em Transtornos e Patologias Psíquicas pela Facis, professor de pós-graduação no curso de Psicologia de Saúde Hospitalar na PUC-SP. Atua há mais de 30 anos em atendimento clínico em diversos segmentos da Psicologia, com especial dedicação à psicossomática, transtornos e patologias psíquicas.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.