A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SATISFAÇÃO DO EU

As ações altruístas veiculadas nas redes sociais exigem uma leitura psicanalítica dessa que é uma questão atual, pois a sociedade contemporânea, cada vez mais, observa a espetacularização das ações cotidianas

Satisfação do eu

Apontar as origens da violência não é tarefa fácil. A genética e a teoria evolucionista indicam que a agressividade é um traço característico do homem, e que a história da vida de cada indivíduo está intimamente ligada a um conjunto de sentimentos bons ou maus, originados na infância e evocados quando nos indagam sobre nossa conduta familiar.

A sociedade contemporânea se vê cada vez mais às voltas com a espetacularização das ações cotidianas. No seu clássico A Sociedade do Espetáculo (La Société du Spetacle, de 1967), o escritor Guy Debord já apontava para essa teatralização da vida (incentivada pelo espírito capitalista), alertando-nos sobre uma realidade intermediada por imagens, na qual o caráter mercantil se espraiava para todos os âmbitos da existência. O que diria então Guy Debord sobre a internet e as redes sociais?

As redes sociais fazem parte do dia a dia de uma grande parcela da população e possibilitam o “com- partilhar” de momentos vividos que consideramos especiais – ou apenas corriqueiros, banais. Se por um lado as redes sociais aproximam-nos daqueles com quem, não fossem elas, talvez não teríamos contato, por outro indicam-nos um fenômeno bastante intrigante: se aquilo que é postado é uma mensagem ao outro, enviesada pela espetacularização, o que dizer do trabalho voluntário e das ações ditas “altruístas” de forma geral, quando essas aparecem vinculadas a um perfil nas redes sociais? Para tentar esclarecer esses questionamentos, um bom caminho é a teoria psicanalítica e os conceitos com os quais ela pode nos auxiliar a pensar sobre esse tema.

As redes sociais e os aplicativos de telefones celulares (atualmente chamados de smartphones) fazem parte da vida comum atual, como dito acima, tratando-se de fenômenos com um caráter próximo ao de instituições sociais, de insistência e de relevância bastante acentuadas. As mensagens e os posts veiculados nessas redes e aplicativos podem levantar uma série de questionamentos, dentre os quais aquele que se refere ao papel exercido por tais redes no viver coletivo moderno, qual seja, o papel de formadoras de imagens pessoais. Ainda a esse respeito, cabe ressaltar o surgimento de identificações (que ali, nos meios “virtuais”, aparecem via likes e “curtidas”), bem como identificar os percalços e os embaraçamentos que as redes sociais podem produzir, revelando algo que, muitas vezes, está além daquilo que as mensagens veiculadas querem (ou quereriam) dizer.

Até que ponto esses instrumentos digitais de compartilhamento da vida localizam as ações no nível narcísico dos sujeitos, em detrimento de atos genuinamente (ou apenas) altruístas? Relembremos o mito grego de Narciso, que inspirou o pai da Psicanálise, Sigmund Freud, a elaborar sua teoria sobre o narcisismo, ou, dito de outro modo, sobre o complexo de Narciso que habita cada um de nós.

O que inspirou Freud foi o enamoramento de Narciso por si mesmo, que metaforiza um tipo especial de investi- mento do aparelho psíquico, no qual ele direciona – ainda que sem saber, como Narciso – energia (libido) em direção ao Eu, via imagem refletida no outro, imagem que parte do próprio Eu.

Em Sobre o Narcisismo: uma Introdução, Freud introduz a ideia de que a energia psíquica serve sempre a dois senhores: aos objetos externos e ao Eu. Mais tarde, em O Eu e o Isso (1923), o autor aprofunda tal questão, postulando a teoria de que a dinâmica do aparelho psíquico é enviesada por ideais, construídos socialmente e interiorizados via identificação. Assim, é possível, por exemplo, que uma criança entenda o tipo de ação que é valorizada socialmente (ideal) e aquela que não é. Dessa forma, essa criança buscará agir (ou demonstrar aos outros que age) de acordo com esse ideal, uma vez que está em jogo o amor do outro, agir como o outro espera (ideal) ou como o outro age (identificação) “garante” de alguma forma que eu seja amado ou no mínimo amável. É com base nesses elementos que Freud postula uma posição do sujeito em que esse investe a si mesmo de libido, ainda que esse “si mesmo” seja apenas uma “imagem de si”.

 VALORAÇÃO SOCIAL

Voltando ao problema inicial, isto é, o ato de postar, de publicar em redes sociais algo a respeito de uma ação altruísta. O engodo e a contradição aqui residem no fato de que, ao mesmo tempo em que tal ação deveria ser indicativa de um investimento libidinal no outro, ela alimenta, também, uma imagem de si. Assim, seria possível imaginar um altruísmo pleno, total (sem ganhos para o Eu) nos termos da Psicanálise? Podemos dizer que, a partir da formulação da “segunda tópica do aparelho psíquico” (que contém os conceitos de “Eu”, de “Isso” e de “Supereu”, bem como suas relações e desdobramentos) – na qual Freud dá lugar ao estudo do narcisismo secundário (ideal do Eu) –, torna-se praticamente improvável a existência de um altruísmo que não tenha lucros para o Eu, que não alimente o Narciso que há em nós.

Ao postar algo em uma rede social a respeito de uma ação voluntária, generosa (altruísta, de uma maneira geral), passo a alimentar também uma imagem do meu Eu nessa mensagem, que faz apelo ao estético como valoração social daquela mesma ação. Desse modo, reiteramos que, no âmbito das redes sociais, ações exclusivamente altruístas seriam muito raras, se levarmos em conta as teses psicanalíticas. Digamos, por meio de uma alegoria, que uma ação altruísta que não visasse (simultaneamente) embelezar a minha própria imagem deveria ser ao mesmo tempo uma ação “escondida”, não somente do outro, mas também de mim mesmo.

Uma ação que desconhecesse a si mesma seria, como afirma o zen-budismo (bastante estudado por Jacques Lacan), uma ação “Não-Eu”; ou, ainda, sob a mesma óptica, uma “Não-ação”. Ao postar algo compartilhado em uma rede social, ao contrário de desconhecer minha própria ação, redobro, isso sim, a atenção que nela é colocada e, dessa forma, transformo aquela ação em alguma forma de ornamento do Eu, em uma formulação da minha autoimagem duas vezes replicada: a mim e ao outro. O ideal de Eu – o narcisismo – é então alimentado.

 QUAL LIMITE?

Chega-se aqui a dois caminhos diversos: o da ação altruísta que culmina em alimento do Eu pelo reconhecimento público, via rede social; e o da ação altruísta que desconhece a si mesma e que não se duplica em favor de minha autoimagem. Diante das armadilhas do amor narcísico, suspendemos a resposta de nossa questão inicial e a elevamos à qualidade de um novo questionamento: qual seria o limite entre, por um lado, me despojar do Narciso que há em mim, em direção ao outro, e (contraditória e simultaneamente), por outro lado, alimentar meu Eu com uma satisfação que pode ser mensurada por likes e por compartilhamentos?

Sem querer tachar o compartilhamento de postagens como algo que contenha em si a essência da ação narcísica, é importante apontar para as possíveis armadilhas que o Eu prepara para ele mesmo quando, por vezes, ao se direcionar a um objeto externo não percebe ser esse objeto uma duplicação de si mesmo (do Eu), que é por si só investido de energia psíquica. Essa é a principal dificuldade que se apresenta quando se tenta pensar o altruísmo psicanaliticamente, porém sem levar em conta o narcisismo. Isso porque, como vimos, de acordo com a Psicanálise, mesmo uma ação aparentemente altruísta traz ganhos psíquicos para quem a pratica (tais como o reconhecimento social, e a valoração que o outro dá à minha ação).

 O OUTRO

Psicanálise convida a uma visita ao Narciso que há em cada um para, quem sabe, poder compreender as dimensões das ações, de tal modo que elas não sejam mais apenas baseadas em imagens, mas que possam, de fato, incluir o outro nessa trama de amor de Eu para Eu. Com isso, é possível e provável que a ação ou a mensagem não se inicie e se encerre em mim, ou no Outro, mas que, em vez disso, ela possa chegar ao outro, ou seja, a outro semelhante.

Segundo Lacan, há uma diferença entre o “dito” (que se refere ao campo dos saberes enquanto enunciados – em nosso caso postados, ou seja, conscientes) e o “dizer” (que é da ordem do inconsciente e da outra cena que esse dizer implica). O dizer é pensar a ação enquanto sendo feita, e não como estando pronta, finalizada; é questionar os desdobramentos dessa ação. Mais do que encerrar (como fazem o dito, o feito, a imagem, o post), o dizer nos impele a questionar aquele a quem se diz, procurando também pelo motor daquilo que se diz, aqui no caso do que se posta.

Pois, como afirma Lacan, “um discurso que não se articula por dizer alguma coisa é um discurso de vaidade”.

Satisfação do eu. 2

A REPRESENTAÇÃO DE SI MESMO

Segundo a mitologia grega, Narciso era filho do deus Cefiso e da ninfa Liríope, e, apesar de ser muito belo e atraente, preferia viver sozinho. Ao ser alvo de mais um dos muitos amores por ele não correspondidos, Narciso acaba sendo amaldiçoado com a seguinte sina: dali em diante, o seu amor (aquele por quem ele se apaixonasse) seria tão intenso quanto impossível de se concretizar. Certo dia, ao se inclinar para beber das águas cristalinas e límpidas do lago de Eco (uma ninfa das montanhas que, anteriormente, também se apaixonara pelo belíssimo protagonista do mito), Narciso se encanta ao ver a sua imagem ali refletida – sem saber ser ela uma simples representação de si mesmo, espelhada na água – e por ela se apaixona, tentando inutilmente alcançar o próprio reflexo. O desfecho da história mostra que Narciso foi tragado pelo rio, nascendo uma flor solitária no local de sua morte, o “narciso”.

Satisfação do eu. 3

CAMPO DA VERDADE

Lacan chama o Outro de “campo da verdade”, isto é, um “lugar em que o discurso do sujeito ganha consistência, e onde ele se coloca para se oferecer e ser ou não refutado”. O conceito de “campo da verdade” não contém necessariamente em si algum efeito de verdade; ele apenas se apresenta como verdade, sem, porém, apontar para a verdade do sujeito, que é inconsciente. Assim, Lacan define o Outro como esse campo que se propõe o campo dos saberes e das verdades, enquanto que o outro (com inicial minúscula) permanece sendo o outro semelhante, a outra pessoa.

 

OUTROS OLHARES

A PLANTA QUE CURA

Anvisa convocará consulta popular sobre a liberação do plantio e da produção de medicamentos à base de maconha. O cultivo individual continuará proibido

A planta que cura

Em breve, crianças que sofrem de epilepsia severa talvez tenham a seu dispor um remédio nacional mais barato e legalizado feito à base de maconha para conter suas crises. Outros doentes de autismo, câncer, esclerose múltipla e dores crônicas também poderão ter medicamentos similares. Tudo depende, no entanto, da aprovação popular que será dada ou não em consulta que será convocada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Se a população disser sim, as empresas poderão fazer o plantio, sempre em lugares fechados e sob condições rigorosas de segurança. As audiências públicas serão feitas ao longo de dois meses e o diretor-presidente da Anvisa, William Dib, espera que haja uma legislação publicada e pronta até o fim do ano. Caso haja a liberação, ocorrerá o barateamento de remédios, produzidos no Brasil, em torno de 30% em comparação com os importados.

Há uma demanda crescente por remédios à base de cannabis por causa de sua reconhecida eficácia no tratamento de algumas doenças. Nos últimos quatro anos, foram concedidas cerca de sete mil autorizações para importação desse tipo de medicamento, especialmente do canabidiol, usado em casos de epilepsia em crianças. As associações que promovem o uso medicinal da cannabis calculam que atualmente existam outros 60 mil brasileiros que usam o produto de forma clandestina, devido aos altos preços dos importados e aos custos jurídicos para viabilizar a importação.

Para as associações pró-cannabis, a decisão da Anvisa representa um pequeno avanço, mas está longe de ser uma solução. “A decisão dessa semana é só o início do debate, mas é muito importante que o tema, sempre tratado como um tabu, seja discutido cientificamente”, afirma Patrick Ferrer, diretor jurídico da Associação Brasileira dos Usuários de Canabidiol (Abuc). O principal problema identificado na medida é que a Anvisa não libera o cultivo individual ou o associativo e privilegia os interesses da indústria farmacêutica e a plantação exclusivamente em lugares fechados – a rigor, tal precaução está correta, porque seria impossível fiscalizar o plantio indiscriminado dessa planta. Tal proposta só é defendida por radicais. “O passo dado pela Anvisa é muito pequeno diante do tamanho da necessidade. O que precisamos é de um acesso realmente democrático”, diz Maria Aparecida de Carvalho, de 51 anos, casada com Fábio e mãe de Clarian, de 16 anos, que sofre da Síndrome de Dravet, uma epilepsia cujas convulsões são persistentes e não cessam com terapias convencionais. Segundo a mãe, com o uso de óleo de canabidiol, as crises de Clarian diminuíram 80% e passaram a ser menos intensas.

A planta que cura. 2 PLANTIO DOMÉSTICO

Na audiência da Anvisa, em Brasília, além da regulamentação para o cultivo com fins medicinais uma outra resolução foi aprovada que estabelece “procedimentos específicos para registro e monitoramento de medicamentos feitos à base de cannabis ou de seus derivados e análogos sintéticos”. O plantio doméstico ainda seguirá proibido no Brasil, embora existam cerca de 40 pessoas que conseguiram a liberação do cultivo próprio por meio de habeas corpus. É o caso de Maria Aparecida e também do designer Gilberto Castro, de 45 anos, que sofre de esclerose múltipla e, desde 2014, mantém um jardim de cannabis na sua casa. Aposentado e sofrendo com as sequelas da doença, Gilberto conseguiu depois de quatro ações judiciais uma autorização, em 2016, para manter o cultivo próprio. “A decisão da Anvisa ajudará algumas pessoas, mas muitas ainda dependerão do cultivo caseiro”, diz. Depois que começou a consumir a planta, Castro não teve mais nenhum surto.

O grande empecilho para o uso legal da maconha no tratamento de saúde, além das limitações legais, é o preço. Medicamentos à base de cannabis custam caro. No Brasil, o único disponível nas farmácias é o Mevatyl, registrado em outros países com o nome de Sativex, desenvolvido para o tratamento da esclerose múltipla. Ele inibe os espasmos causados pela doença. Uma embalagem de Mevatyl, registrado pela Anvisa no início de 2017, não sai por menos de R$ 2,5 mil. Para quem importa canabidiol, dependendo da quantidade que o doente necessita, o custo mensal pode superar R$ 1,5 mil. A proposta da Anvisa tem chances de ser aprovada, mas obstáculos devem aparecer. O principal adversário do uso medicinal é o próprio governo. O ministro da Cidadania, Osmar Terra, já declarou que a considera uma medida “irresponsável” da Anvisa. O governo deve trabalhar para atrasar a liberação da produção local, indicando um membro para uma vaga em aberto na diretoria da agência – o que de fato ele tem direito, assim como gestões anteriores. De todo modo, até na comunidade científica, existe um clima favorável ao uso medicinal da maconha.

A planta que cura. 3

GESTÃO E CARREIRA

PESQUISA: O QUE ELES E ELAS QUEREM

Depois de ouvir mais de 17 mil pessoas, sendo cerca de 10 mil mulheres e 7 mil homens por meio de uma pesquisa on-line, feita no início de março, o Love Mondays, plataforma em que profissionais avaliam as empresas onde trabalham, percebeu o que os brasileiros e as brasileiras mais desejam no ambiente de trabalho

Pesquisa - O que eles e elas querem

De uma forma em geral, as respostas foram bem semelhantes entre os dois grupos. Quando perguntados sobre o que mais valorizam na vida profissional, a maior parte (45,6% das mulheres e 40,3% dos homens) respondeu “superar desafios e me desenvolver”. Em segundo lugar para ambos aparece “trabalhar com um propósito maior”, seguido por “estabilidade no emprego”. Mas homens e mulheres diferem quanto ao quarto e quinto lugares: para elas, ter um bom relacionamento com os colegas vem antes de ter um bom salário; para eles, a ordem se inverte.

Pesquisa - O que eles e elas querem. 2
DESAFIOS PROFISSIONAIS

A pesquisa também perguntou aos respondentes qual seu maior desafio ao pensar na vida profissional como um todo. Os resultados foram bastante semelhantes entre homens e mulheres. O desafio mais citado por ambos os grupos foi “alcançar estabilidade financeira”, seguido por “achar um trabalho com o qual eu me identifique”. “Manter-me motivado” aparece em terceiro lugar, à frente de “conseguir reconhecimento”, “conciliar vida pessoal e trabalho” e “manter-me atualizado”.

“Esses resultados sugerem que os profissionais brasileiros querem se desenvolver e trabalhar com propósito, mas têm dificuldade de aliar isso à estabilidade financeira”, afirma Luciana Caletti, cofundadora e CEO do Love Mondays.

Pesquisa - O que eles e elas querem. 3

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 50 – O SEGREDO DA CONSTANTE PROVISÃO

 

Deus disponibilizou a oportunidade de usufruirmos de uma provisão constante do Espírito Santo. Jamais teremos que ficar esgotados espiritualmente, mas aprenderemos a acessar a provisão constante do Espírito que habita em nós. No lugar secreto aumentamos nossa capacidade de fazer uso da graça de Deus e, então, vivemos nossos dias com base na força dos recursos eternos de Deus.

A imagem da “provisão constante” é retratada mais vividamente em Zacarias 4. Abra a sua Bíblia agora e leia essa passagem antes de continuar este capítulo.

Um candelabro com sete lâmpadas alimentadas com azeite foi mostrado a Zacarias. Na parte superior do candelabro havia um recipiente cheio de azeite com canos que alimentava o recipiente de cada lâmpada. Esse recipiente servia como um reservatório de óleo que era alimentado por duas oliveiras que estavam junto ao recipiente, uma à direita e outra à esquerda.

As oliveiras derramavam óleo constantemente em dois receptáculos que alimentavam o óleo do recipiente. As árvores alimentavam o recipiente; o recipiente alimentava as lâmpadas. A provisão era constante e as chamas das lâmpadas queimavam sem cessar.

O que estou prestes a compartilhar não é a única maneira de ver Zacarias 4. Há muitas interpretações válidas para passagens proféticas como essa, portanto, minha interpretação é apenas uma dentre várias interpretações possíveis. Com essa ressalva, gostaria de sugerir que o candelabro representa você – o servo dedicado do Senhor. No contexto de Zacarias 4, o candelabro é Zorobabel, entretanto, ele apenas tipifica o servo dedicado do Senhor. Os candelabros da Bíblia representam várias coisas, mas em Mateus 5.15 Jesus usou uma candeia para se referir a uma pessoa. Portanto, o candelabro é você, ou seja, cada cristão.

A princípio, eu não via o candelabro representando uma pessoa, por­ que pensava que cada cristão tinha apenas um chama queimando dentro dele. Mas então me deparei com a exortação de Jesus: “Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias” (Lucas 12.35 -ACF).

Jesus colocou “candeias” no plural, dizendo que temos várias dentro de nós. Temos mais de uma candeia queimando dentro de nossos corações – temos sete, para ser mais preciso. Deus planeja que cada um de nós queime com sete chamas sagradas diante da presença de sua glória.

O Espírito Santo é revelado como “sete lâmpadas de fogo” acesas diante do trono (Apocalipse 4.5). Quando você estiver cheio do Espírito Santo, também terá sete lâmpadas de fogo. Não estou preparado para afirmar o que eu acho que são essas sete lâmpadas de fogo, mas acho que a lâmpada principal é o fogo do amor de Deus. É o amor ardente de Deus por Deus e por sua criação.

Quando esse fogo entra em nossas vidas, acende em nós uma paixão fervorosa por Jesus e uma compaixão misericordiosa pelo próximo. E esse é apenas um dos sete fogos. Estou perscrutando os outros seis e talvez escreva mais sobre eles algum dia.

Agora, vamos analisar o contexto histórico da visão de Zacarias. Zorobabel, líder civil israelita, foi incluído na tarefa de construir o templo de Deus. O profeta Zacarias, seu conselheiro, recebeu uma mensagem divina para incentivar Zorobabel em seu projeto de construção. Deus desejava revelar a Zorobabel um paradigma totalmente novo para construir o reino.

A maioria das construções do Reino é feita por líderes visionários que mobilizam um grupo de pessoas para usar sua força e trabalhar com afinco no projeto, empenhou-se ao máximo até terminá-lo. Zacarias teve uma revelação divina, entretanto, para outro tipo de liderança – um estilo de liderança em que o servo do Senhor recebe sua eficiência a partir de uma fonte interna no Espírito. À medida que esse líder é alimentado interna­ mente pela provisão constante do Espírito Santo, é capacitado a conduzir o povo de Deus na construção do Reino. Em vez de buscar um líder sem foco que corre em mil direções ao mesmo tempo, Zacarias viu um líder cujas lâmpadas estão queimando com brilho intenso, porque ele está usando a fonte de vida espiritual de poder e graça. “Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito” (Zacarias 4.6).

É interessante observar que o recipiente de armazenamento, que está cheio de óleo, fica “acima” do candelabro. Isso significa que o óleo desce do recipiente para as sete lâmpadas. Esse recipiente não só continha óleo mais do que suficiente para sustentar as lâmpadas, mas também abastecia cada uma com a pressão gerada pela gravidade.

Com o óleo pressionando avidamente para baixo cada chama, as lâmpadas não ficavam bruxuleando preguiçosamente, mas queimavam com fervor e muito brilho – verdadeiras tochas de zelo divino. Deus está mostrando a Zacarias que é possível acessar esse Buxo dinâmico de vida divina que arde literalmente com zelo santo diante do trono de Deus e diante do povo na terra.

Vamos parar e tornar isso uma coisa prática e pessoal. Enxergue você mesmo como sendo esse candelabro, como um cristão dedicado que é chamado a ter uma liderança compadecida para a construção do Reino de Deus. À medida que se retira para o lugar secreto, você abre os canais de seu coração e permite que o óleo de vida divina flua em cada câmara dele. O lugar secreto é onde suas lâmpadas são mantidas acesas e onde seu zelo pela face de Cristo é reavivado e renovado até você acender com as sete chamas parecidas com uma tocha, com fervor e brilho.

Quem entrar em contato com você será impactado por sua paixão por Jesus e seu amor altruísta pelas pessoas. Será possível perceber que você está liberto de ambições egoístas e agendas pessoais. Seu fogo é incandescente e sua chama é pura. Seu coração foi cativado pela beleza de seu Rei. Seus interesses e afeições são voltados unicamente para o seu noivo celeste.

Quando você ouve um chamado para construir, os santos se juntam a você entusiasticamente, porque sabem que você está funcionando de acordo com o útero da manhã criativo (lugar secreto), onde você recebeu ordens e percepções divinas. Sua produtividade se torna desproporcional em relação a seus recursos.

O que eu quero dizer é que o trabalho é acelerado mais rapidamente do que parece ser possível com os recursos limitados que você dispõe. Por quê? Porque você não está trabalhando somente com a capacidade e o poder dos recursos humanos; você está operando com a sinergia e o fluxo do impulso do Espírito Santo à medida que o próprio Deus opera com e em você. Você encontrou a dimensão de Deus.

Então os recursos financeiros surgirão aparentemente do nada; voluntários surgirão do nada; corporações pagãs começarão a fazer doações; portas se abrirão onde antes existia somente um muro; santos se juntarão para realizar o objetivo do Reino; pecadores sentirão temor em relação à graça de Deus que se derramará na comunhão dos crentes. E tudo isso será liberado porque um líder servo saiu do lugar secreto ardendo com o fogo concedido por Deus!

Agora, voltemos à visão de Zacarias 4. Ele se consumia em dúvida enquanto o anjo estava lhe trazendo aquela revelação. Zacarias faz três perguntas ao anjo: O que significa isso, meu senhor? (veja os versículos 4, 11 e 12).

A resposta do anjo foi: “São os dois homens que foram ungidos para servir ao Soberano de toda a terra!” (Zacarias 4.14). Essa resposta é muito vaga e, por isso, continuamos perguntando: o que essas duas oliveiras representam?

Zacarias desejava saber o que eram as duas oliveiras porque elas eram a fonte do óleo. Quando conhecemos a fonte, passamos a conhecer o segredo de viver com uma constante provisão de vida e graça divinas. Portanto, essa realmente é uma constante pergunta. Qual é a fonte de provisão inesgotável dos recursos infinitos de Deus?

As duas oliveiras, em minha opinião, são a Palavra e o Espírito Santo.

Precisamos tanto da Palavra quanto do Espírito Santo, combinados e fluindo em nossos espíritos, se formos construir o Reino através do poder de Deus. Quando o Espírito de Deus se move em sua Palavra e fala no âmago do nosso ser, somos vivificados com o fogo santo!

Esse é o motivo porque, quando Jesus se revelou para os dois discípulos no caminho de Emaús, expondo as Escrituras relativas a Ele mesmo aos corações deles através do Espírito Santo, aqueles discípulos mais tarde declararam: “Não estava queimando o nosso coração, enquanto ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?” (Lucas 24.32). Quando a Palavra sob o poder Espírito Santo for ministrada ao seu coração, você também queimará por Ele!

O lugar secreto é onde fazemos uso da vida da Palavra e do Espírito Santo. É o lugar onde abrimos nosso Espírito para Ele, por isso, um fluxo maior de seu óleo pode chegar às nossas lâmpadas.

O que realmente desejamos são canos mais largos. Os canos que conduzem o óleo do recipiente das sete lâmpadas são fundamentais para o grau de luz emitido pelo candelabro. Se os canos estiverem abertos e desobstruídos, o óleo fluirá livremente para as chamas de nossos corações. Quando esta combinação de óleo (a Palavra e o Espírito) fluir para nossos corações e nos acender para Ele, o Reino avançará em e através de nossas vidas em proporções descomunais.

A questão não é “trabalhar mais arduamente”! A questão é “obter óleo”! O segredo é: dedique-se a aumentar sua conexão com a fonte de óleo divino. Quanto mais deste óleo fluir para o seu interior, mais brilhantes suas lâmpadas serão diante de Deus e dos homens.

Nada é mais perigoso para o reino das trevas do que um homem ou uma mulher que encontrou a fonte incessante de vida proveniente de Deus. Quando o servo do Senhor é alimentado com este fluxo de óleo e suas sete lâmpadas são verdadeiras tochas de zelo fervoroso por seu Amado, então nenhuma força do inferno poderá apagar esse fogo.

Ainda que o inferno tente apagar essa chama com as inundações da boca do dragão, esse fogo é alimentado por uma fonte interna. Nada que venha de fora poderá apagá-lo.

Que maravilhoso segredo estou tentando descrever! John Wesley disse algo parecido com o seguinte: “Incendeie-se por Deus e deixe as pessoas virem observar você queimar”.

Venha comigo para o próximo capítulo. Desejo enfatizar esta verdade com mais uma imagem bíblica que retrata uma provisão constante de vida divina