A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DESVENDANDO MITOS SOBRE DISLEXIA

Existem muitos equívocos a respeito desse distúrbio, mas os mais comuns são questões relacionadas à hereditariedade, à troca de letras e à possível maior incidência em meninos, em função do excesso de testosterona da mãe

Desvendando mitos sobre dislexia

Há anos tem sido divulgada uma série de equívocos sobre dislexia e isso torna não só o entendimento falho como confunde os leigos e até os profissionais que tratam o distúrbio. São três os principais mitos, que precisam ser explicados a respeito do transtorno: hereditariedade, troca de letras e a questão da testosterona. Há alguns meses um programa de TV entrevistou supostos especialistas abordando dislexia. Na sequência, muitos outros veículos de comunicação passaram a abordar o tema e os vídeos na internet viralizaram. Isso continua repercutindo de forma negativa pelos diversos erros que foram veiculados. Daí a necessidade de esclarecimento.

A questão da hereditariedade/genética tem sido amplamente difundida. Não se pode negar que exista um tipo de dislexia possivelmente hereditária/genética, que faz com que algumas famílias sejam propensas ao distúrbio, ou seja, se o pai ou a mãe tem dislexia, os filhos têm mais probabilidade de apresentarem o problema. Mas é preciso frisar que este é apenas um dos tipos de dislexia. Há outras classificações que dependem, inclusive, da linha de pesquisa adotada pela Neuropsicologia, pela psicopedagogia, pela multiterapia e outras linhas de pesquisa que classificam os diversos tipos de dislexia.

De todos os tipos, o que gera mais confusão tem sido o causado por trauma, ou seja, a dislexia adquirida. Essa dislexia quase sempre é renegada e, quando citada, geralmente é de forma equivocada. Em certo debate televisivo, um médico citou fatores que podem causar dislexia adquirida, mas omitiu o principal que é anoxia perinatal/hipoxia neonatal. Em 1998, diversos sites de Saúde e/ou Educação e também meu portal publicaram essa pesquisa na íntegra, tanto no Brasil quanto na Europa, onde se comprova a aquisição de distúrbios, especificamente dislexia e disgrafia, por anoxia. Inúmeras pesquisas fizeram com que a dislexia adquirida fosse oficialmente reconhecida pela Ciência da Saúde, a partir de 2011/2012. Lamentável que esse tipo de desconhecimento ou omissão ainda exista.

Já em relação à troca de letras, trata-se de outro equívoco que tem sido amplamente difundido, classificando o problema como sendo supostamente característica da dislexia. Baseado em pesquisas, posso afirmar que o distúrbio não provoca troca de letras. O que ocorre com o cérebro do disléxico é uma dificuldade de entender os sinais das letras, ele não identifica o que é letra, ele apenas não distingue uma letra de outra e acaba não conseguindo ser alfabetizado ou perdendo a capacidade de leitura, no caso da dislexia adquirida.

Isso é muito diferente de trocar “p” por “b” ou “d” por “q”, ou seja lá qual for a troca. Quando uma criança faz essas trocas de letras, o mais provável é que tenha uma dificuldade auditiva e, ao passar por ditado, escute errado e, na sequência, escreva errado. Pode também ser uma dificuldade visual, que a faz inverter letras ou enxergá-las de forma espelhada. Nessa forma de escrita espelhada, deve-se citar também que é comum a quase todas as crianças em fase de alfabetização inverterem letras e, com a continuidade dos estudos, passarem a escrever de forma normal. Portanto, trocar letras não pode ser classificado como “dislexia”.

MAIS POLÊMICA

Outro ponto polêmico é no que se refere à possível maior incidência em meninos, em função do excesso de testosterona da mãe durante a gestação, o que já há tempos se descartou. Essa linha de raciocínio iniciou-se em 1982, com a publicação de The Testosterone Hypothesis: Assessment since Geschwind and Behan, de Albert M. Galaburda. O resumo dessa publicação é o seguinte: “A hipótese de Geschwind propõe uma interação causal entre imparcialidade não direita, doenças imunológicas e deficiência, inclusive dislexia, através da ação intrauterina do hormônio masculino (testosterona). Alguns estudos epidemiológicos têm apoiado, pelo menos, uma associação estatística entre os três traços; outros não têm. As associações entre distúrbios de aprendizagem e doença imune e entre os transtornos de aprendizagem e lateralidade direita não parecem ser mais bem apoiadas do que entre doenças imunológicas e imparcialidade não direita. No entanto, nenhum dos dados acumulados até o momento é conclusivo, porque não é claro que as amostras estudadas foram verdadeiramente representativas. A evidência neuropatológica, tanto em estudos de autópsia em disléxicos humanos e em modelos animais de anormalidades corticais de desenvolvimento, é coerente, mas não um diagnóstico de patologia imunológica. Mecanismos são discutidos porque um sistema imunitário anormal poderia, assim, ferir o cérebro em desenvolvimento, com ênfase nas interações materno-fetais anormais, incluindo doença autoimune materno e incompatibilidade materno-fetal. Uma origem genética também possível em que o papel materno é menos significativo”.

O que precisa ser frisado e entendido é que, além do próprio autor citar que não havia nenhum dado conclusivo e considerar o fator genético isentando as características da mãe, esses estudos americanos foram feitos em autópsias de humanos disléxicos e em animais e, além da crueldade a que se expunham animais que sequer têm o mesmo organismo e reações humanas, as pesquisas “mais avançadas” nessa época (1982) eram feitas em cérebros de disléxicos mortos. Enquanto isso, países como a Alemanha já estudavam casos de pacientes.

A teoria do excesso de testosterona seguiu até que, em 2007, outro estudo – “No relation between 2D : 4D fetal testosterone marker and dyslexia – Boets, Barta b”, de Smedt, Berta; Wouters, Janb; Lemay, Katriena; Ghesquière, Pola (Neuroreport, v. 18, n. 14, p. 1487-1491, 17 September, 2007) – publicou o seguinte: “Tem sido sugerido que os níveis elevados de exposição pré-natal à testosterona estão implicados na etiologia da dislexia e seus frequentes problemas sensoriais. Este estudo examinou 2D: 4D relação dígitos (um marcador de exposição à testosterona fetal) em crianças disléxicas e normais de leitura. Foram observadas 4D: há diferenças entre os grupos em 2D. Mas não mostraram a relação postulada com leitura, escrita, habilidade fonológica, a percepção da fala, processamento auditivo e processamento visual. Esses resultados desafiam a validade das teorias que atribuem um papel proeminente à exposição à testosterona fetal na etiologia da dislexia e suas deficiências sensoriais.

 ORIGEM

A identificação da dislexia ocorreu pela primeira vez em 1881, pelo médico alemão Oswald Berkhn. O termo dislexia foi oficialmente utilizado por um oftalmologista, também alemão, Rudolf Berlin, em 1887. Apesar da descoberta e do termo ser citado na Alemanha desde 1881, demorou a ser usado em outros países, especialmente no Brasil, onde, até algumas décadas atrás, ainda se intitulava “cegueira verbal” e até hoje há quem defenda apenas a causa hereditária/genética, negando-se a aceitar a evolução das pesquisas de diversos profissionais e pesquisadores de dislexias no mundo todo.

O termo “cegueira verbal” surgiu em 1896, com W. Pringle Morgan, que descreveu a “cegueira de palavra congenital”, publicado em British Medical Journal. De 1890 a 1900, James Hinshelwood publicou vários artigos sobre dislexia e sugeriu que o maior problema no distúrbio era a deficiência na memória visual de palavras e letras. Lesão cerebral era outra causa muito estudada, mas, em 1925, Samuel T. Orton escreveu que a dislexia não dependia de lesão ou dano cerebral. Orton, em parceria com a psicóloga Anna Gillingham, desenvolveu as intervenções educacionais que formaram a base do ensino multissensorial, que, até hoje, são usadas para ensinar crianças disléxicas.

Já em 1951, G. Mahec fez experimentos em que percebeu que crianças sem dislexia leram da esquerda para a direita mais facilmente e crianças disléxicas leram na mesma velocidade, independentemente do sentido, e 10% dos disléxicos leram melhor da direita para a esquerda. Isso deu início à ideia do hemisfério direito ser maior nos portadores de dislexia. Essa ideia seguiria por muitos anos, mas, na verdade, após muitos anos de pesquisas teóricas e práticas, consegui comprovar que o que ocorria com o cérebro dos disléxicos (assim como de outros distúrbios) era uma maior excitação no hemisfério direito e maior inibição no hemisfério esquerdo. E isso nada tinha a ver com o tamanho dos hemisférios.

Nos anos 70, enfim, entendeu-se a importância da consciência fonológica na dislexia. Como portadora de dislexia adquirida, a partir de um afogamento, eu mesma defendia a tese do surgimento do distúrbio por meio de um acidente em que ocorra diminuição ou ausência de oxigênio no cérebro, o que inclui AVC, anoxia por afogamento, por enforcamento, entre outros.

 PARECE, MAS NÃO É

São diversos os distúrbios que se assemelham, mas não são dislexia. Os mais confundidos são: disgrafia – desordem de integração visual-motora. De origem grega, dys = dificuldade; difícil, e graphos = grafia, entende-se que é a dificuldade ou ausência na aquisição da escrita. Geralmente, o portador de disgrafia é desatento, pode tornar-se hiperativo e o principal é que a dificuldade se estende a todas as formas de escrita (letras, sinais e até desenhos). Por essas características, é comum diagnosticar crianças como disléxicas, sendo que seu distúrbio é, na verdade, disgrafia.

As crianças que reproduzem letras, sinais e desenhos, mas não reconhecem ou conseguem ler o que escreveram, podem ser consideradas disléxicas. Já as que não conseguem nem ler nem escrever devem ser consideradas disléxicas e disgráficas.

Outro caso passível de confusão é a disortografia – dificuldade na expressão da linguagem escrita. A ortografia é a parte da gramática que ensina a escrever palavras corretamente, portanto a disortografia é o escrever incorretamente. Esse é um distúrbio específico na aquisição e reprodução de letras (escrita de um idioma) e diferencia-se da disgrafia, que é generalizada.

 LUZ PREJUDICIAL

A síndrome de Irlen (S.I.), por sua vez, é uma alteração visuoperceptual, causada por um desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz, que produz alterações no córtex visual e déficits na leitura. A síndrome tem caráter hereditário e se manifesta sob maior demanda de atenção visual.

Descrita em 1983 pela psicóloga Helen Irlen, a síndrome tem como manifestações, além da fotofobia, problemas na resolução visiospacial, dificuldades na manutenção do foco, estresse visual, alteração na percepção de profundidade e cefaleias.

Durante a leitura, segundo pacientes, o brilho ou reflexo do papel branco contra o texto causam irritabilidade, assim como a luz natural ou fluorescente. Eles possuem ainda sensação de movimentação das letras que “pulsam, tremem, vibram, confluem ou desaparecem”, e a leitura passa a ser fragmentada. Além disso, queixam de insegurança ao dirigir, estacionar, com esportes com bola ou em outros movimentos, como descer e subir escadas rolantes.

A questão da dislexia necessita urgentemente de uma nova abordagem. Os profissionais tanto pesquisadores quanto clínicos devem ter mais atenção ao que se publica. Em especial, os pesquisadores devem perceber a importância da informação minuciosamente verificada, devem entender que, de suas publicações, surgem republicações, fundamento de teses, dissertações, TCCs e tudo isso pode perpetuar um equívoco, como tem sido por tantos anos a troca de letras e outros nessa linha. Cabe também aos profissionais clínicos buscarem boas informações, livros e palestras de qualidade, sempre questionando as informações que chegam, de forma a entender em profundidade os distúrbios e suas características. Aos pais e professores cabe a responsabilidade de conversar com seus filhos/alunos, percebendo alterações no comportamento e/ou na aprendizagem, reconhecendo o momento de encaminhar o indivíduo a um tratamento adequado às suas necessidades.

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CONCEITO

Como o termo já diz, dislexia: dificuldade ou ausência da aquisição do conjunto de palavras de um determinado idioma. De forma simplista pode-se dizer que seja dificuldade na aquisição da leitura. Ou a perda da capacidade de leitura, em casos de acidentes que causem dislexia adquirida. Entre tantos dicionários e livros que pretendem definir a dislexia, a definição mais precisa e simples é a de Gutenberg: “dificuldade de ler e compreender a escrita”.

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COMORBIDADES

Quando dois ou mais distúrbios se manifestam no mesmo indivíduo chama-se de comorbidade. Geralmente, há um distúrbio principal e outro(s) que se desenvolve(m) em paralelo. É preciso prestar atenção, pois muitas das comorbidades acabam se manifestando após algum tempo de trata- mento, o que pode representar um procedimento errado ou ineficaz.

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COMO AGIR

Existem algumas indicações de como se deve agir em relação às pessoas disléxicas: não  forçar a alfabetização; encaminhar a pessoa ao psicopedagogo; incentivar sua criatividade; o acompanhamento neurológico também é fundamental; e havendo comorbidades, outros profissionais devem fazer parte da equipe de atendimento, como psiquiatra, psicólogo, fonoaudiólogo etc.

OUTROS OLHARES

NÃO TEM FOGO, MAS VICIA

Os jovens brasileiros já compram em sites de venda virtual a nova versão do cigarro eletrônico, que é fenômeno nos EUA e preocupa as autoridades de saúde

Não tem fogo, mas vicia

São incontáveis as evidências científicas acumuladas nas últimas décadas contra o cigarro. Graças a isso, o glamour do passado, celebrizado pelos atores de Hollywood do século XX, ficou lá atrás. O hábito de fumar hoje é visto como nocivo à saúde e, não há dúvida, soa como cafonice. Atualmente, no Brasil, apenas 9,3% da população afirma ser fumante, de acordo com o Ministério da Saúde. Em 1970, o índice era três vezes maior. Há agora, porém, uma ameaça capaz de jogar por terra a espetacular mudança comportamental.

O perigo à espreita é a nova geração de cigarros eletrônicos, os “vapers”. O protagonista desse grupo atende pelo nome de Juul (pronuncia-se djul). Desde seu lançamento, em 2015, o Juul transformou-se no produto de maior ascensão entre os cigarros eletrônicos, e já responde por 70% desse mercado nos Estados Unidos. A venda de dispositivos desse tipo foi proibida no Brasil em 2009. O uso pessoal não é vetado, de modo que o consumidor pode trazê-lo do exterior e consumi-lo aqui.

Embora desautorizados pela agência de vigilância sanitária brasileira, a Anvisa, os cigarros eletrônicos são anunciados ilegalmente em sites brasileiros e trazidos sem dificuldade por quem viaja ao exterior – o Juul inclusive. O preço da unidade: 400 reais pela internet, o dobro em relação ao valor dos dispositivos eletrônicos mais antigos. Veem-se, com alguma frequência, jovens da classe média alta (muitos ainda adolescentes) vaporizando Juul em festas e até em shoppings de luxo de São Paulo. A liberação oficial no país não está totalmente descartada, porém. Em nota, a Anvisa afirmou que vem ”conduzindo discussões técnicas com parcimônia sobre essa temática e reunindo evidências científicas para estudar os impactos individuais e coletivos à saúde relacionados a esses produtos”. Para a cardiologista Jaqueline Scholz lssa, do Instituto do Coração em São Paulo, a melhor estratégia é não autorizar a comercialização deles no Brasil. “Esse seria o maior retrocesso para o país em anos de políticas antitabagistas”, diz.

Mas, afinal de contas, qual é o risco do cigarro de design moderno e minimalista, pequeno e leve, vendido nos Estados Unidos como se fosse um iPhone de última geração? A fumaça dos eletrônicos pode não ter todas as substâncias tóxicas produzidas na combustão do cigarro comum, como o alcatrão, o composto que causa câncer. Mas os dispositivos eletrônicos que estão saindo das linhas de montagem são mais viciantes – cada cartucho possui concentração de 5% de nicotina, o triplo da quantidade de nicotina encontrada em outros cigarros eletrônicos e equivalente à contida em um maço com vinte cigarros convencionais. O tipo de nicotina utilizado, ainda por cima, é diferente daquele presente nos outros cigarros eletrônicos.

Mais concentrados nesse novo dispositivo, os sais de nicotina tornam o trago mais potente, mas com efeitos suaves na garganta. Ou seja, fica mais fácil tragar e chegar ao pico de nicotina que gera a satisfação – a nicotina estimula a produção de dopamina, substância que age na porção do cérebro responsável pelo prazer.

Entre os jovens, o sucesso é maior (e mais preocupante) em virtude das promessas do aparelhinho. Há uma vantagem em relação aos cigarros convencionais: a fumaça não tem aquele cheiro forte e característico que acompanha os fumantes como uma nuvem – algo que, hoje, é muito malvisto. Também não deixa cheiro nas mãos nem mau hálito. Diz Jaqueline Scholz lssa: É uma triste porta de entrada para o vício, porque tem o apelo da tecnologia e não provoca a desagradável sensação de amargor na boca”. Um recente levantamento da mais respeitada entidade americana antitabaco mostrou que meninas e meninos de 15 a 17 anos são dezesseis vezes mais propensos a aderir ao Juul que a turma um pouco mais velha, de 25 a 34 anos. Um usuário adolescente comparou as versões anteriores com o produto moderno: a diferença seria como a que há entre um expresso forte e uma xicara de café coado.

O sucesso da recente família de cigarros eletrônicos fez com que a FDA, a agência americana que regula medicamentos, desse, em setembro do ano passado, um ultimato à empresa que produzo Juul e a fabricantes de cigarros eletrônicos similares. Eles tiveram sessenta dias para provar que eram capazes de impedir o acesso de adolescentes a seus produtos. Se não o fizessem os cigarros eletrônicos poderiam ser retirados do mercado. Como resposta, em novembro, o Juul decidiu encerrar sua participação nas redes sociais, como Facebook e Instagram, já que grande parte de suas campanhas de publicidade usava modelos jovens com o produto. Hoje, no site oficial, restaram apenas fotos de pessoas comuns e adultas, com o mesmo relato: teriam abandonado o velho cigarro de papel, prenhe de alcatrão e outras substâncias cancerígenas, por causa do Juul. A empresa também decidiu vender os sabores mais doces (que agradam aos mais moços) apenas pela internet – e não mais nas lojas de rua. São oito opções, entre elas creme brulé e manga. Os perfumes com toque de tabaco convencional podem ser encontrados em supermercados e farmácias.

Paira uma pergunta ainda sem resposta: os efeitos a longo prazo dos produtos químicos do aparelho e dos pequenos metais presentes nos líquidos vaporizados. Não só porque as formulações não são completamente conhecidas, mas também porque os cigarros eletrônicos não existem há tempo suficiente, e as pesquisas sobre eles são escassas. Entretanto, apesar da sombra de incertezas, esses produtos não param de se espalhar. Entre os americanos de 14 a 18 anos, o uso de vapers cresceu de 11,7%, em 2017, para 20,8%, em 2018. Foi o maior aumento no consumo de cigarros em tão pouco tempo já registrado nos levantamentos do Instituto Nacional de Saúde, órgão ligado ao governo americano. O Juul soa elegante e aparentemente menos arriscado – mas não é isso que informa a boa ciência. Os danos existem, sim.

 O RISCO CONCENTRADO

A nova geração de cigarros eletrônicos é mais viciante que os modelos anteriores e até mais que os cigarros comuns

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GESTÃO E CARREIRA

CONCILIANDO INTERESSES COM A GERAÇÃO Y

Transparência: abrir o jogo desde a seleção do jovem, de maneira a se obter união de interesse e sinergia de valores

Conciliando interesses com a geração Y

Existe grande expectativa e movimentação por parte das empresas sobre a forma adequada de extrair o melhor que os jovens podem dar, sem que ocorra o desencontro entre gerações.

A chave para essa fusão acontecer com sucesso trata-se de uma equação com dois coeficientes conhecidos (instrumentos disponíveis e valores) e de uma incógnita (como será utilizado pelas novas gerações o conhecimento que está adquirindo).

Utilizando desta equação, a empresa pode alcançar também, consequentemente, uma outra chave de sucesso para os negócios: manter este talento dentro do time de funcionários, uma vez que, no meio destas transformações que o mundo transita, encontrar e manter um funcionário de talento têm sido um grande desafio no recrutamento e gestão.

E, neste sentido está um grande desafio: se a empresa passar fortes instrumentos e consistentes valores éticos, sociais e ambientais, a partir de seus experientes profissionais, o novo jovem terá estrutura e melhores condições para utilizar seus conhecimentos e, assim, elevar paredes sustentáveis, olhando a necessidade de todos.

Uma rota que preserva os interesses e conhecimentos das partes é apresentada por Ruy Leal, superintendente do Instituto Via de Acesso.

TRANSPARÊNCIA: abrir o jogo desde a seleção do jovem, de maneira a se obter união de interesse e sinergia de valores;


DEFINIÇÃO CLARA DOS LIMITES: considerar que não existem jovens super-heróis, como não existem empresas perfeitas;


RESPEITO E CONFIANÇA NA RELAÇÃO: obtêm-se com critérios, diretrizes e planos claros, aceitos pelas partes;


CONSIDERAR, com interesse, as ideias e iniciativas;


FOCAR A REPUTAÇÃO: carreira se constrói com lisura e clareza;


NÃO DESEJAR O LUGAR DO PRÓXIMO DE FORMA ILÍCITA;
Jovem não é bibelô, mas também não é capacho;


SABER CONVIVER COM PENSAMENTOS E CRENÇAS DIFERENTES: não basta não concordar só porque é mais experiente ou convicto. É preciso saber debater e convencer;


NÃO COBIÇAR OS RESULTADOS E CONQUISTAS ALHEIAS: utilizá-los como benchmarking e para estabelecer novas metas pessoais.

Estamos vivendo um processo de transição de perfis e comportamentos. Os novos profissionais detêm de novas competências, habilidades e perspectivas – principalmente quando se fala em carreira.

Cabe às empresas uma preparação para saber lidar com este novo jovem. Com base nos apontamentos acima, Ruy Leal garante: “Com vontade genuína e com suas virtudes e defeitos, as partes se entenderão e construirão um futuro melhor”.

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 46 – O SEGREDO DA IDENTIDADE NOVA

 

Um dia, quando estava dirigindo na rodovia a cerca de 80 km por hora, percebi duas rolinhas na estrada a minha frente. fu rolinhas normalmente são vistas em pares, porque permanecem juntas por toda a vida. Então, pensei comigo: “É melhor que esses pássaros saiam da estrada ou acabarei atingindo-os”. Com certeza, no momento em que eles decidiram sair já era tarde demais. Voaram penas para todos os lados. Atingi os dois em cheio. Pensei então comigo mesmo: “Pássaros estúpidos. Eles deveriam ter saído antes”. Só mais tarde aprendi algo sobre as rolinhas: elas não têm visão periférica e só conseguem enxergar para frente. Aqueles pássaros não conseguiram me ver aproximando! No momento em que viram, já era tarde demais.

O noivo celestial nos compara com uma pomba quando diz: “Seus olhos são pombas” (Cantares 1.5). Para Ele, somos como uma rolinha que não tem visão periférica. Então, eis o que o seu Senhor diz para você, a noiva dele: “Seus olhos são pombas. Você tem uma visão afunilada somente para mim. Você não se distrai com outras afeições e desejos nem para a esquerda nem para a direita. Você apenas me contempla e eu amo isso!”. Você é a noiva dele e tem olhos somente para Ele, seu amado.

Veja, a seguir, duas das muitas passagens bíblicas que se referem ao povo de Deus como sua noiva:

Vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia dos céus, da parte de Deus, preparada como uma noiva adornada para o seu marido. – Apocalipse 2.12

Um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas aproximou-se e me disse: “Venha, eu lhe mostrarei a noiva, a esposa do Cordeiro”. – Apocalipse 21.9

A imagem nupcial de um casamento cósmico aparece frequentemente em toda a Bíblia, começando com Adão e Eva e terminando com o último capítulo da Bíblia. A mensagem é muito clara e consistente: somos a noiva de Cristo, sendo preparada para uma grande celebração de casamento que ocorrerá quando nos unirmos para sempre em grande afeição ao nosso noivo, o Senhor Jesus Cristo. Os cristãos desempenham o papel feminino no relacionamento quando entramos em comunhão com o nosso Senhor. Ele inicia, nós respondemos; Ele dá, nós recebemos; Ele fecunda, nós damos a luz; Ele lidera, nós seguimos; Ele ama, nós correspondemos; Ele governa, nós reinamos com Ele. Homens que têm dificuldade em se verem como noiva devem se lembrar que as irmãs entre nós também devem se ver como filhos de Deus. A Bíblia nos chama de noiva e filhos, porque as duas imagens apontam de um modo incompleto para a beleza da perfeição para a qual fomos chamados. Nós nos relacionamos como o Pai como filhos; nós nos relacionamos com o Senhor Jesus como uma noiva.

Geralmente, as irmãs têm uma facilidade maior para entender o segredo deste capítulo – aprender a se relacionar com Jesus como sua noiva apaixonada. Mas os irmãos também podem aceitar esse segredo. Novas dimensões de intimidade e responsividade se abrem para nós quando adotamos nossa identidade de noiva e nos relacionamos com Jesus como nosso noivo.

Quando Jesus nos olha, trajando vestes brancas de justiça, cheios de boas obras, maduros em nossos sentimentos, prontos para o dia de nosso casamento, o seu coração enlevado voa com deleite e deseja sua esposa virgem, sua noiva. Ele mal pode esperar até aquele dia – e nós também! Nesse meio tempo, nos cortejamos com amor, atenção, palavras de carinho, honra e deleite.

O lugar secreto é a câmara do rei (Cantares 1.4), o lugar onde desenvolvemos nosso crescente relacionamento de amor.

Esse é o lugar onde Ele fala conosco, declarando quão belos e justos somos aos seus olhos. Respondemos abrindo nossos corações para Ele com maior entrega, louvando os gloriosos atributos de sua beleza e caráter e recebendo as generosas afeições de seu coração. Oh, a troca de amor no lugar secreto é gloriosa! Ele com certeza sabe conquistar um coração!

Jesus  não  morreu  para se casar  com  uma “mulher  amazona”,  uma noiva agressiva que é tão rude que intimida com sua força desmedida e conduta imponente. Nem morreu para se casar com um burro de carga que trabalhará incansavelmente para cumprir suas tarefas domésticas e colher seus campos. Ele morreu por amor. Ele morreu para se casar com uma bela noiva que andará com Ele, conversará com Ele, sonhará com Ele, rirá com Ele, planejará estratégias com Ele e governará com Ele.

Quando minha noiva veio caminhando pelo corredor da igreja em minha direção, muitos anos atrás, toda vestida de branco, com um brilho no rosto, eu não estava pensando: “Ela tem belos dentes. Ela assa tortas. Ela cozinha muito bem. Ela lavará minhas roupas. Ela trocará as fraldas de meus filhos. Ela limpará minha casa”. Eis no que eu estava pensando: “Lá vem o meu amor”. Sim, quando nos casamos, Marci sabia que administraria a casa, cuidaria de nossos filhos, prepararia as refeições e lavaria as roupas. Mas não nos casamos por nenhum desses motivos. Nós nos casamos por amor.

É verdade que somos soldados, estamos envolvidos em uma batalha de alto nível estratégico e o Senhor depende de nós para combater o bom combate da fé. E também é verdade que somos trabalhadores de seu vinhedo, labutando arduamente nos campos de colheita para trazermos todo o trigo para o seu celeiro.

Mas Jesus não morreu para conquistar um exército ou uma equipe de trabalho; Ele morreu por uma noiva. Não vamos ao lugar secreto como um soldado procurando planos de batalha, ainda que Ele revele seus planos para nós enquanto estivermos lá. Não vamos como trabalhadores procurando ganhar força para a lida do dia, ainda que Ele nos fortaleça para as tarefas que temos que desempenhar. Vamos ao lugar secreto como uma noiva, para apreciar seu abraço e derramar nele o nosso amor. O lugar secreto é uma celebração para nossa identidade superior – sua noiva! Lá é onde ocorre a troca de amor com intimidade.

O apóstolo João viu o clamor dos crentes nos últimos dias: “O Espírito e a noiva dizem: ‘Vem!’ E todo aquele que ouvir diga: ‘Vem!’ Quem tiver sede, venha; e quem quiser, beba de graça da água da vida” (Apocalipse 22.17). Embora muitas metáforas sejam usadas para o povo de Deus- por exemplo, somos o seu corpo, seu templo, um exército, etc. – a última metáfora que a Bíblia usa para revelar nossa identidade é a de “noiva”.

Acredito que essa seja uma declaração profética de que nos últimos dias o povo de Deus se apropriará mais plenamente de sua identidade como noiva de Cristo. Embora toda imagem tenha suas limitações, a metáfora mais completa de nossa identidade é a de noiva. Jesus está voltando para uma noiva consumida por sentimentos nupciais por seu amado noivo!

Sabendo que uma noiva e um noivo amam ficar juntos, deixe-me fazer uma pergunta: Você já passou tempo com o Senhor? Quando faço essa pergunta, estou pensando em Maria de Betânia, que derramou sua herança (um frasco de alabastro contendo um perfume muito caro) sobre o Senhor e foi repreendida pelos discípulos com as seguintes palavras: “Por que este desperdício?” (Mateus 26.8). Eles consideraram sua efusiva demonstração de amor como um desperdício. Mas Jesus validou seu amor, estabelecendo a verdade de que é correto, às vezes, sermos pródigos ao nos derramarmos extravagantemente sobre Ele.

Então, novamente, pergunto: você já passou tempo com o Senhor? O que eu quero dizer é: depois de você ter feito sua leitura bíblica e de ter louvado e adorado, depois de você ter apresentado seus pedidos e intercedido, depois de ter sido cheio e renovado pelo Espírito Santo, você ficou ainda mais um pouco com Ele somente por amor?

Você não “precisa” ficar mais tempo no lugar secreto por causa de seus objetivos, mas deve decidir permanecer lá apenas para “passar” mais algum tempo na presença de Deus por amá-lo – porque você é uma noiva apaixonada e apenas anseia ficar com Ele. Que dignidade e honra o Senhor Jesus atribuiu àqueles que escolhem amá-lo e gastar suas vidas com Ele!

Muitos de nós vivem com sentimentos de culpa em relação ao lugar secreto, porque perderam o foco de suas identidades como noiva de Cristo. Passar tempo com Ele não é uma obrigação nem uma tarefa; é a empolgação e anseio de nossa alma. Quando conseguimos ficar com Ele, ficamos enlevados; quando afazeres nos impedem a comunhão, ficamos com a sensação de perda e frustração e com uma antecipação entusiástica de nossa próxima comunhão com Ele. O lugar secreto não é onde desempenhamos nossa tarefa sagrada como cristãos, mas onde nos deleitamos em estar com Aquele que amamos.

Veja como a noiva de Cristo é descrita em sua plenitude:

O anjo que falava comigo tinha como medida uma vara feita de ouro, para medir a cidade, suas portas e seus muros. A cidade era quadrangular, de comprimento e largura iguais. Ele mediu a cidade com a vara; tinha dois mil e duzentos quilômetros de comprimento; a largura e a altura eram iguais ao comprimento. – Apocalipse 21.15-16

Esta passagem está associada a Efésios 3.17-19, onde Paulo fala sobre o comprimento, a largura e a altura do amor de Cristo. João vê a esposa do Cordeiro tendo as mesmas dimensões de amor que o noivo – um amor que é igualmente pleno e completo em comprimento, largura e altura.

COMPRIMENTO

Exatamente como o amor de Cristo mergulha nas profundezas do pecado humano, o amor da noiva alcança os mais profundos recessos da humanidade para elevá-los para a glória. Nenhum comprimento é suficiente para expressar a intensidade deste amor parecido com o de Cristo. Ela não amará sua própria vida, ainda que corra o risco de morrer, por amor ao evangelho.

LARGURA

Exatamente como o amor de Cristo atravessa cada camada e divisão da raça humana para abranger pessoas de todas as línguas, cores e níveis de escolaridade, da mesma forma este amor de Cristo através da noiva alcança todos os povos. Seu coração é tão inflamado que adota todas as pessoas por quem Cristo morreu.

ALTURA

Aqui estão as alturas gloriosas de seu perfeito amor – os sentimentos imaculados de uma deslumbrante noiva por seu amado que é exaltado acima de qualquer nome. A pureza e a glória de suas paixões se elevam como uma montanha majestosa de régio esplendor.

Nossa! Eles não formam um par incrível?! Juntos, vestidos com formidável perfeição, plenamente compatíveis e igualmente unidos em todos os caminhos eles são a história de amor do céu. Para sempre