A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DISPAREUNIA MASCULINA

A presença de dor durante as relações sexuais é mais comum nas mulheres, porém, com menor frequência, também é referida por alguns homens

Dispareunia masculina

Dispareunia é o termo técnico utilizado para a dor antes, durante ou após a relação sexual e, em alguns casos, presente na masturbação.

De acordo com a classificação estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 1993 (CID-10), a dispareunia é uma dor intensa durante o intercurso sexual, podendo ocorrer em homens e mulheres, tendo como causa uma condição patológica local ou uma causa emocional.

A dispareunia ocorre, aproximadamente, em 15% a 20% das mulheres e na população masculina não excede 5%; ainda assim, essa não é uma situação que deva ser ignorada pelos homens, uma vez que há tratamento praticamente para todos os casos.

É importante observarmos que as relações sexuais dolorosas não são uma doença, mas sim um sintoma que pode estar associado a alterações anatômicas, psicológicas, infecciosas ou inflamatórias.

Entre as causas anatômicas e/ou mecânicas podemos destacar:

1) FIMOSE:  é a dificuldade e/ou incapacidade de se expor a glande, a parte terminal do pênis, pois a pele que a recobre não apresenta abertura suficiente. Como o prepúcio não pode ser retraído, surge a dor ao tentar a penetração ou também durante a masturbação;

2) LÍNGUA PRESA: o frênulo do pênis é a pequena dobra de tecido que liga o prepúcio à cabeça da glande; em alguns homens essa dobra é menor, de modo que pode ocorrer uma fissura durante a penetração, causando queimação intensa, dor e às vezes sangramento.

3) DOENÇA DE PEYRONIE: é a curvatura anormal do pênis durante a ereção. Esse processo ocorre por formação de cicatrizes no revestimento do corpo cavernoso do pênis.

4) ASSOALHO PÉLVICO ESPÁSTICO: hipertonia da musculatura do assoalho pélvico, prejudicando a função dessa região e levando a uma dificuldade de contrair e relaxar esse grupo de músculos.

Outros fatores que levam à dispareunia em homens s]ao os processos inflamatórios como, por exemplo, a PROSTATITE (inflamação da próstata), URETRITE (inflamação da uretra), EPIDIDIMITE (edema do epidídimo – via pela qual as secreções dos testículos para os canais deferentes e dutos ejaculatórios são despejados), CONDILOMA (infecção viral que causa verrugas na mucosa da glande), HERPES (lesão da mucosa que gera dor intensa), processos alérgicos ocasionadas por produtos de higiene corporal, lubrificantes ou látex, doenças  fúngicas e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Com relação às causas emocionais, essas podem estar relacionadas a causas psicológicas, decorrentes dos conflitos inconscientes que provocam esse tipo de dor. Embora menos comum em homens do que nas mulheres, podemos citar como fonte de certos problemas receber uma educação familiar repressiva, responsável pela transferência de tabus, preconceitos e sentimentos negativos.

Histórico de abuso ou violência sexual, que ocorrem geralmente na infância, também pode     gerar conflito intenso e negação do prazer. É importante investigar e analisar a dinâmica do casal, uma vez que conflitos conjugais podem agravar/despertar a dor durante a relação sexual.

Observa-se que os aspectos psicológicos chegam a representar, como causa, aproximadamente 50% dos casos. Em muitos casos, a dor pode estar presente em homens que tiveram pouca atividade sexual até a terceira década de idade. Não se masturbavam, não têm muitas experiências de namoro e de intimidades físicas. Assim, as primeiras experiências sexuais podem ser dolorosas, produzindo evitação de aproximações sexuais na sequência, e sempre estão associadas a outras condições psicológicas relacionadas à falta de assertividade, dificuldade em expressividade emocional e de relacionamento social, com poucas habilidades sociais e de relacionamento afetivo.

O tratamento da dispareunia masculina depende da causa, uma vez que pode ser física, orgânica ou emocional. Dessa forma, o tratamento poderá ser farmacológico, cirúrgico, psicoterapêutico e fisioterápico e, em alguns casos, uma intervenção interdisciplinar.

Para o sucesso do tratamento é importante que o homem quebre paradigmas, tabus e preconceitos e, quando apresentar dor na relação sexual e/ ou na masturbação, peça ajuda para o seu médico, o qual poderá investigar e direcionar a melhor opção de tratamento, visando sempre a cura e o bem-estar do indivíduo.

Dispareunia masculina. 2

GIANCARLO SPIZZIRRI – é psiquiatra doutor pelo Instituto de Psiquiatria (IPq) da Faculdade de Medicina da USP, médico do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do IPq e professor do curso de especialização em Sexualidade Humana da USP.

CARLA PEREIRA – é fisioterapeuta, doutoranda e mestre pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Especialização em Sexualidade Humana (FMUSP); Fisioterapia em Gerontologia e Oncologia. Fisioterapeuta do Serviço de Fisioterapia Pélvica (Santa Casa de SP).

OUTROS OLHARES

DE ONDE VIEMOS?

A ideia de que temos antepassados comuns é elegante e conveniente, porém não condiz com os dados mais recentes

De onde viemos

A origem dos humanos modernos é um dos tópicos mais populares e debatidos na história da pesquisa sobre a evolução da espécie. Pesquisadores produziram uma extensa literatura, tanto acadêmica quanto geral. Quero discordar de duas declarações contidas na narrativa paleantropológica dominante: primeiro, ela sugere que existe um ponto identificável no tempo e espaço que podemos chamar de origem; e, segundo, insinua que existe uma entidade definível chamada “humanos modernos”. Essas duas afirmações são tidas como premissas e, até recentemente, foram pouco questionadas. Novos estudos e uma nova geração de pesquisadores estão desafiando essas pressuposições no cerne da disciplina, e são muitas as evidências que sugerem que humanos modernos não têm uma origem. Em vez disso, estamos olhando para “fronteiras difusas” e “origens desordenadas”. Esses termos não são tão puros, mas é mais provável que cheguemos, com eles, mais próximos da história real da evolução humana.

Pensamos nos humanos modernos como uma espécie, Homo sapiens. Na biologia moderna, o único nível em taxonomia e classificação biologicamente real é o de espécie; todos os outros níveis, de gênero para cima, de subespécie para baixo, são vistos como conceitos abstratos, criados por cientistas e que residem apenas na mente deles. Membros de uma mesma espécie podem reproduzir crias férteis; membros de espécies diferentes, não. Veja os burros, cavalos e mulas.

Já que somos uma espécie chamada de Homo sapiens, devemos ter um ponto de partida, o momento da especiação, quando nossa linhagem começou sua própria trajetória evolucionária, separada das demais – H. sapiens como uma nova espécie protegida pelas barreiras reprodutivas.

Esse entendimento e limite podem se aplicar a exemplos em livros didáticos, mas não a todas as espécies, e certamente não a humanos modernos.

Uma posição paleantropológica comum até a década de 90 considerava que humanos modernos eram descendentes de populações “arcaicas” que viviam por toda parte do Velho Mundo, os neandertais sendo uma delas. Essa década presenciou uma mudança na narrativa predominante, com geneticistas apoiando a visão alternativa de que os humanos modernos surgiram como uma nova espécie recentemente, cerca de 150 mil anos atrás, na África. Pesquisas mostraram, várias vezes, que os africanos têm a maior diversidade genética, e o nível dessa diversidade estava diretamente ligado à profundidade do tempo. Os africanos, já que eram os mais diversificados, foram considerados os mais velhos; e a África, o lugar de origem dos humanos modernos. Houve esforços para localizar os primeiros desses humanos em algum lugar do continente. Entre os fortes candidatos estavam Jebel Irhoud, Herto Bouri e Orno Kibish.

Pesquisas novas vêm se acumulando na velocidade da luz. Extrair DNA antigo utilizável de fósseis de hominoides já não vira notícia de capa, e mal faz 20 anos da primeira análise bem-sucedida. Um trabalho recente sobre DNA antigo aponta para uma conclusão bem diferente daquela da primeira geração de pesquisas sobre o assunto. Uma publicação inovadora de 2010, de Svante Paabo e seu grupo de pesquisadores, deu início a uma onda de novos estudos que apontam para uma mistura de neandertais e humanos modernos. O campo da paleantropologia incorporou rapidamente essa “nova” descoberta – talvez deixando de lado a literatura substancial que construía exatamente o mesmo raciocínio baseada em dados de fósseis – usando o conceito de introgressão (movimento de um gene de uma espécie para o acervo genético de outra). A disciplina admitiu que havia uma mistura entre populações arcaicas – como os neandertais – e modernas, mas em nível desprezível e insignificante.

Na verdade, pesquisas genéticas confirmaram que a mistura entre o arcaico e o moderno era mais significativa, e os genes trocados e introgredidos eram funcionais, não triviais. Neandertais e denisovanos fortaleceram o sistema imunológico dos humanos modernos. Modernos cruzaram com neandertais, com denisovanos e ainda com uma outra população misteriosa; e todas elas cruzaram umas com as outras. Genes introgredidos foram importantes para a sobrevivência nos ambientes difíceis e desafiadores que caracterizaram o Pleistoceno.

Um cínico pode observar essa mudança de pensamento recente sobre humanos modernos e declarar que o pêndulo balança novamente. O que estamos vendo agora é mais parecido com uma espiral do que com o movimento de um pêndulo.

Humanos modernos surgiram em tempos e lugares diferentes, não como uma espécie separada, mas como uma continuação das populações indígenas. Eles não surgiram como uma espécie separada, e não houve uma origem única em um ponto específico no espaço-tempo; houve traços modernos cuja origem estava espalhada por vários pontos espaçotemporais. Não houve uma nova espécie por causa de um fluxo gênico entre populações através do tempo e do espaço. Perguntar onde e quando humanos modernos se originaram numa escala global não é somente uma pergunta sem resposta – pode calar vozes que precisam ser ouvidas.

Essa ideia, que não é recente, abre espaço para novas maneiras de pensar e dá importância a novos tópicos. Um exemplo são as pesquisas sobre hibridização. Como o conceito de limite de espécies é quase uma santidade, espécies híbridas foram consideradas uma teoria marginal: por definição, espécies não hibridizam. Pesquisas recentes demandam que consideremos a possibilidade de espécies híbridas terem mais chances de ser encontradas na natureza do que achávan1os anteriormente – e humanos modernos podem ser um dos exemplos. Ao longo da história, os humanos se moveram pelo mundo. Fizeram sexo e tiveram bebês. Trocaram ideias e culturas.

A mistura de traços arcaicos e modernos é muito observada em fósseis de hominídeos ao longo do Pleistoceno. Algumas vezes, acreditou-se que esses fósseis eram de Homo erectus ” remanescentes”, implicitamente levados à extinção por causa do clima inóspito ou dos humanos modernos. Novas pesquisas consideram a possibilidade de não serem remanescentes, porém membros dos humanos modernos que cruzaram com várias populações. Inclusive, em vez de esclarecer, a distinção entre “moderno” e “não moderno” pode limitar o argumento e dificultar nosso progresso paleantropológico.

Sabemos há muito tempo que especiação é um processo complicado. Genes de uma espécie podem ter histórias diferentes da espécie em si. Especiação é um processo gradual de solidificação das barreiras reprodutivas. Haverá troca de genes entre duas populações que estão na trajetória de divergência e especiação, principalmente no estágio inicial desta. Esse processo é chamado de classificação incompleta de linhagem.

E se esse tipo de troca de genes não for só um processo temporário que ocorre apenas em populações que estão passando por especiação? E se a troca de genes for, ela própria, um processo que ocorre ao longo da história de uma espécie? A pesquisa parece apontar para esse caminho.

No século XX, estávamos mais interessados em perguntar se neandertais eram os antepassados dos humanos modernos. No final desse século, a resposta parecia óbvia: humanos modernos surgiram como uma espécie separada durante o fim do Pleistoceno Médio, na África, e se dispersaram pelo Velho Mundo. Conforme se moviam para novas regiões, eles encontravam outras populações de hominoides. O resultado desses encontros era a substituição sem cruzamento, porque os dois pertencem a duas espécies distintas. Na virada do século XXI, estávamos nos perguntando se a introgressão de neandertais para humanos modernos era significativa. Partindo do genoma neandertal publicado em 2010, pesquisas genéticas da última década chegaram a conclusões muito contrastantes com as da geração anterior. Elas mostram interação genética entre populações humanas arcaicas; neandertais e humanos modernos de fato cruzaram entre si. No século XX, dados arqueológicos e de fósseis eram confusos e complicados, enquanto dados genéticos eram nítidos e consistentes. Agora, parece que a genética também é complicada.

Estamos agora escrevendo um novo capítulo sobre a pesquisa da evolução humana, e todos os dados apontam para a diversidade. Esse tipo de panorama completo desenhado a pinceladas largas só foi possível devido a dados irregulares. Os neandertais foram extintos? Em algumas regiões, certamente; em outras, não. Neandertais cruzaram com humanos modernos e deixaram um legado genético. A Ásia foi considerada inabitada depois que o H. erectus foi embora ou extinto. Denisovanos e novas descobertas mostram que a Ásia esteve constantemente povoada com uma nova profundidade de antiguidade. Ao fim, a ausência de dados não foi o mesmo que dados de ausência.

Novas pesquisas nos lembram de confrontar nossas tendências racistas e presentistas. Muitas discussões sobre como definir humanos modernos incluem implicitamente europeus modernos e excluem neandertais. Essa definição, quando aplicada a muitos humanos existentes, também exclui proporções de populações indígenas que não podem ser desprezadas. Além disso, hominoides diminutos da Indonésia nos desafiam a expandir aquilo que aceitamos como alcance normal de variação para humanos modernos ou a reconhecer outra espécie do gênero Homo.

Humanos antigos viveram em ambientes diferentes dos nossos, com árvores e rios diferentes, paisagens e litorais diferentes. Não havia fronteiras, apenas massas de terra pelas quais eles se moviam. Algumas populações foram extintas, levando consigo sua assinatura genética. Algumas populações interagiram com novas, trocando genes e culturas.

A ideia de que uma única população foi a antepassada de todos os seres humanos é elegante e conveniente, porém não é compatível com os dados. Já se foram os dias em que uma hipótese podia ser testada com alguns fósseis, alguns genes ou algumas ferramentas de pedra. Já se foram os dias em que um modelo global podia ser aplicado. Num artigo recente, de 2018, (a doutora Eleanor) Scerri e colegas levantam a questão de que humanos modernos não vieram de uma única população na África, um argumento que já foi apresentado inúmeras vezes antes.

Talvez nunca se consiga descobrir se neandertais e humanos modernos são uma mesma espécie ou espécies diferentes. Genes neandertais são encontrados em humanos modernos ou porque eles são da mesma espécie (fluxo gênico), ou porque são de espécies diferentes cuja genética não está completamente separada ainda (classificação incompleta de linhagem), ou porque são de espécies diferentes estabelecidas que trocaram genes (introgressão). Talvez seja hora de dizer adeus à ideia de espécie como “a única entidade com limites naturais”. Talvez seja hora de se interessar por novas perguntas, perguntas que podem ser respondidas com no­ vos dados. Talvez, como foi sugerido por Rosenberg e Wu (em estudo de 2018), seja hora de esquecer a imagem de árvores com galhos como uma metáfora para a evolução humana e considerar, no lugar dela, córregos e rios. 

 

SANG-HEE LEE – é antropóloga especializada em evolução humana e professora na Universidade da Califórnia

GESTÃO E CARREIRA

HABILIDADES COMPORTAMENTAIS EM ALTA

Talvez você já tenha ouvido o termo e basta uma pesquisa rápida para entender que se trata de uma tendência no mundo do RH. As chamadas soft skills são aquelas habilidades muitas vezes difíceis de mensurar, mas que fazem a diferença na busca por colocação profissional. 

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Diferentemente das hard skills – ligadas à profissão, como uma técnica específica ou a facilidade em desenvolvimento de software, por exemplo – as soft skills estão ligadas ao comportamento. E elas estão em falta: um estudo da Capgemini com mais de 1,2 mil executivos revelou que aproximadamente 60% das empresas pesquisadas sofrem com carência destas habilidades.

O consultor empresarial e palestrante Roberto Vilela destaca que são justamente estas características que podem destacar um profissional que esteja em busca de uma boa colocação no mercado de trabalho. “As soft skills estão em alta porque nos últimos anos empresas e profissionais focaram nas habilidades profissionais que até então eram vistas como essenciais. Buscar especialização, saber programar, conhecer o universo das vendas. A questão é que algumas habilidades que eram inerentes à nossa rotina foram suprimidas e hoje são difíceis de encontrar. Poucos desenvolveram, na busca pelo sucesso, senso de empatia, uma boa comunicação, habilidade de liderança. E são estas qualidades que estão sendo consideradas o futuro do mercado de trabalho”, destaca.

Roberto avalia que as soft skills são tão importantes quanto habilidades operacionais e reforça: trabalhar a inteligência emocional é o segredo para quem quer turbinar o currículo. “O avanço tecnológico criou uma geração de profissionais com grande dificuldade de conviver e trabalhar em equipe. E isso tem prejudicado os resultados das empresas, que já atuam em ações de desenvolvimento de habilidades comportamentais”, explica.

CINCO SOFT SKILLS PARA FICAR DE OLHO EM 2019

De acordo com o consultor empresarial, cinco habilidades podem ser destacadas como essenciais. “A primeira delas é a empatia no universo corporativo. Se colocar no lugar do outro garante que você vá entender melhor as necessidades do cliente e, consequentemente, atuar de forma mais assertiva na resolução dos desafios. Outra questão é a comunicação. Em tempos de aplicativos e redes sociais, saber se expressar e entender o timing do seu cliente é um grande diferencial”, comenta.

Criatividade também é essencial, não só na resolução de problemas, mas para tornar o profissional mais engajado. “Pensar fora da caixa nunca foi tão importante. Precisamos inovar de dentro pra fora e entender que essa ação nem sempre está ligada à tecnologia. Por fim, acredito que ter resiliência, se adaptando às dificuldades e desafios do mercado, e ética para atuar com responsabilidade não podem ficar de fora dessa lista”, lista Roberto.

Segundo o consultor, para desenvolver as soft skills, além de estudos e apoio de especialistas, é preciso que o profissional dê um passo atrás. “Reveja seus conceitos e sua atuação, avalie de forma crítica o seu modelo de trabalho, esteja aberto à mudança. Desenvolver estas habilidades depende, especialmente, da proatividade de cada profissional”, conclui.

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 40 – O SEGREDO DE CONTEMPLAR JESUS

 

Algumas pessoas leem a Bíblia para ganhar percepção ou para aprender verdades e princípios. Entretanto, se você ler a Bíblia somente com o intelecto, seu coração pode não ser tocado pela Palavra. Há bem mais a ser ganho nas Escrituras além da verdade sobre Deus. Você pode ganhar o próprio Deus! As verdadeiras riquezas devem ser encontradas ao contemplarmos e conhecermos o Senhor Jesus Cristo.

Os fariseus cometeram um erro fatal quanto à maneira de abordarem as Escrituras. Eles dissecavam as Escrituras cognitivamente, mas não buscavam com o coração o que havia por trás das verdades reveladas. Por isso, conheceram apenas o Livro, mas não o Autor.

Foi exatamente isso que Jesus afirmou, quando lhes disse: “Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito; contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida” (João 5.39-40). Tudo nas Escrituras estava gritando para os fariseus: “Enxerguem Jesus à medida que lerem, enxerguem Jesus!”.

Mas eles não perceberam essa verdade.

As Escrituras sempre tiveram como objetivo direcionar nossos corações a uma Pessoa. Paulo disse que “o objetivo desta instrução é o amor” (1Timóteo 1.5). Isso significa que a intenção do Antigo Testamento era inflamar os corações do povo de Deus para a beleza de seu rosto, entretanto, eles estavam obcecados com dogmas e crenças e deixaram de ter o relacionamento vivo que Deus ansiava ter com eles.

As palavras de Jesus para os fariseus revelou uma possibilidade assustadora: podemos ler a Bíblia avidamente e nunca conseguir conhecer o Senhor. Mesmo que Jesus seja apontado em quase todas as páginas, é possível ler as palavras e nunca desenvolver um relacionamento fervoroso com Ele. Jesus estava dizendo que não devemos ler as Escrituras para ganhar conhecimento sobre um Livro; devemos lê-las para ganhar conhecimento sobre uma Pessoa. A Palavra Viva deseja nos encontrar na Palavra Escrita, se a lermos, mas venha até Ele através da leitura.

Eis o segredo: sua leitura da Palavra pode ser um encontro dinâmico e vivo com a pessoa do Senhor Jesus Cristo! Não venha até a Palavra de qualquer maneira só para ler a cota de capítulos do dia. Não leia apenas para dominar os princípios espirituais ou para obter percepções mais inteligentes. Venha para contemplar a majestade e o mistério do Amado, Àquele que ganhou seu coração!

Ele espera atrás do véu, observando para recompensar aqueles que o desejam como se fosse fonte de água viva. Venha com um clamor em seu coração para vê-lo e conhecê-lo. Com um pequeno sopro de seu Espírito em uma única palavra das Escrituras, Ele pode fazer seu coração acelerar com uma nova revelação de seu poder e glória.

Quando Jesus juntou-se aos dois discípulos no caminho de Emaús, após sua ressurreição, começou a lhes explicar que Ele era o tema central das Escrituras. Imagine a glória deste encontro – Jesus revelando Jesus para o espírito humano a partir da Palavra escrita! Era previsível que aqueles discípulos posteriormente se lembrassem: “Não estava queimando o nosso coração, enquanto ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?” (Lucas 24.32). É a revelação das Escrituras em relação a Cristo para a alma sedenta, através do poder do Espírito Santo, que gera o coração fervoroso. Esta é a grande busca do lugar secreto!

Jesus repreendeu os saduceus com esta acusação: “Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!” (Mateus 22.29). Isso sugere três tristes possibilidades:

*** Podemos conhecer as Escrituras, mas não o poder de Deus.

*** Podemos conhecer o poder de Deus, mas não as Escrituras.

*** Podemos não conhecer as Escrituras nem o poder de Deus.

Meu coração clama: “Desejo conhecê-lo, Senhor! Desejo contemplá-lo em suas Escrituras. Desejo conhecê-lo bem como a plenitude de seu poder! Manifeste-se para mim através de sua Palavra, ó meu Senhor!”. É por causa deste clamor do coração que corro para o lugar secreto. Eu anseio tanto por Deus que estou doente de amor com desejos frustrados. “Oh, quando você virá a mim?”

Minha experiência provou que não consigo conhecer Jesus melhor através da oração. A oração é onde expresso meu amor de acordo com o que conheço dele. A oração é o amor trocado. Mas se eu quiser conhecê-lo melhor, devo me aproximar de sua Palavra e contemplá-lo nela. Conhecer mais de Cristo requer revelação, e a revelação geralmente requer meditação na Palavra. “E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito” (2 Coríntios 3.18).

Oh, como desejamos contemplá-lo! Considero com certa ponta de inveja os seres viventes que não deixam de olhar para frente, não importando para onde se dirigem (Ezequiel 1.12-17). Independentemente de irem para cima ou para baixo, para a esquerda ou para a direita, para frente ou para trás, suas faces estão constantemente olhando para frente – para o trono! Eles têm o glorioso privilégio de contemplar continuamente a beleza do Rei.

Senhor, essa é a forma como também desejo viver minha vida. Não importa aonde eu vá e o quer que eu faça, ajude para que minha face possa estar concentrada no trono e contemplar a irradiação de meu amado Senhor!

Quanto mais eu vejo Jesus em sua Palavra, mais percebo que Ele não é nada parecido comigo. Mas quando eu o vejo em sua unicidade, encontro o principal motivo que me faz aproximar com mais paixão de seu coração. Descobri que sou naturalmente atraído ao que é diferente de mim (como diz o ditado, os opostos se atraem).

Jesus é formidável em sua beleza singular e majestade incomparável. E, oh, que privilégio eu tenho – vir ao lugar secreto e contemplá-lo nas Escrituras, eternamente fascinado com a aventura de crescer no conhecimento daquele que morreu por mim!