A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EMPATIA OU COMPAIXÃO?

A empatia envolve a experiência de sentir o que pensamos que a outra pessoa está sentindo e tem sido apontada como crucial para mover o comportamento moral

Empatia ou compaixão

Em 2006, em uma fala muito citada, o então senador Barack Obama afirmou que temos um déficit em empatia, reivindicando um senso de empatia para inspirar a política e a sociedade. Segundo esse movimento, quanto mais empatia, melhor será o mundo, e o foco é promover intervenções voltadas para aumentar a empatia em indivíduos e comunidades.  Também existe preocupação com pessoas que têm falta de empatia e com situações que podem enfraquecê-la.

Embora seja um grande avanço considerar a importância da empatia, é necessário entender   em mais detalhes a relação que existe entre comportamento moral e empatia, pois não é algo tão simples como parece. Considere as recentes pesquisas mostrando que a empatia pode mover a agressão. Se empatizamos com uma pessoa ou grupo, o comportamento agressivo frente a outras pessoas ou grupos por ser turbinado quando “tomamos as dores” dos outros. Ao influenciar nossas emoções, a experiência empática pode nos levar a vieses morais e comportamento cruel para aqueles que supostamente merecem ser punidos. Podemos ponderar também que a empatia pode acarretar exaustão emocional e estresse, e os profissionais que trabalham com sofrimento humano como médicos, psicólogos e enfermeiros frequentemente desenvolvem a síndrome de Burnout em seu trabalho devido à empatia.

Como existem várias definições de empatia, torna-se necessário um breve exame de seus principais significados. Uma das definições se refere à empatia cognitiva, a capacidade de imaginar o que se passa na mente do outro, a “teoria da mente” como se designa em Psicologia cognitiva. Esse tipo de empatia pode levar um psicopata a planejar suas manipulações e crueldades com grande eficácia, portanto não é exatamente aquilo que mais precisamos na sociedade. Outro sentido da palavra empatia é o que podemos chamar de empatia “afetiva”, quando sentimos o que a outra pessoa está sentindo, ou, pelo menos, aquilo que inferimos que a pessoa sente. Finalmente, temos um conceito de empatia que se funde com o significado de compaixão, ternura ou gentileza. Nesse caso, a empatia envolve sentimentos positivos frente aos outros. Nesse sentido, desejo que um amigo ansioso fique melhor e calmo, mas não me sinto. Reservarei o termo “compaixão” para descrever essa atitude, enquanto mantemos a designação de “empatia” para a ressonância emocional com o outro.

A empatia afetiva ou emocional está ligada à ativação dos circuitos cerebrais da dor na pessoa que empatiza com quem está sofrendo. Um experimento com neuroimagem examinou os circuitos cerebrais do córtex anterior cingulado, região que se ativa com a experiência de dor. Os participantes foram expostos a vídeos exibindo pessoas sofrendo com Aids, e verificou-se que sentiam mais empatia e apresentavam maior ativação no córtex cingulado anterior quando se descrevia que as pessoas tinham contraído a síndrome por meio de transfusão de sangue, bem mais do que quando a narrativa era de contágio pelo uso de injeções intravenosas com drogas.

A empatia está sujeita a vieses morais, como foi demonstrado no estudo europeu em que torcedores de um time de futebol recebiam um choque na mão e assistiam a outro homem receber o mesmo choque. Quando o outro homem era descrito como sendo do mesmo time, acontecia muito mais resposta neural empática de dor do que quando era do time concorrente. Não é difícil imaginar que a empatia com aqueles que são de nosso grupo pode mover a crueldade e até o genocídio com aqueles que são de outro grupo. Esse ponto tem importantes implicações no mundo atual, onde aumentam a migração e o número de refugiados, levando à necessidade de inclusão de grupos de estrangeiros na sociedade.

Podemos pensar que a falta de empatia leva à agressão, e que se estimularmos a empatia reduziremos os problemas em um mundo violento. No entanto, uma análise dos estudos que relacionam agressão e falta de empatia descobriu que somente 1% da variação em agressividade poderia ser atribuída à falta de empatia. Resultado surpreendente, em um estudo que considerou agressão verbal, sexual e física, concluindo que outras emoções e fatores eram mais importantes. Outra pista vem dos autistas, que sabemos ter fortes déficits em empatia. Os portadores de síndrome de Asperger, uma espécie de autismo leve, não apresentam nenhuma propensão para agressão ou exploração, e são conhecidos por seguirem princípios morais rígidos.

A empatia envolve emoções, e estas podem nos desviar de julgamentos morais ponderados, levando a decisões imorais. Uma alternativa mais razoável para a empatia é a compaixão, que pode nos mover a fazer o bem e auxiliar as pessoas sem as desvantagens da empatia.

Mesmo a compaixão não substitui a reflexão consciente e deliberada sobre os direitos e deveres envolvidos na situação, e a aplicação de uma escala de valores no julgamento moral, bem como princípios de moralidade. Não podemos delegar decisões morais que afetam a vida das pessoas unicamente aos sentimentos empáticos. Uma ponderação que use princípios morais pode ser mais justa e equilibrada como guia para nossas ações, ainda mais se endossada pela compaixão.

 

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed, 2011).

OUTROS OLHARES

ELES VIGIAM O SEU FACEBOOK

Visitamos um dos QGs do gigante das redes sociais onde um exército de funcionários trabalha para frear posts que incitem o ódio e a violência – e possam arruinar sua reputação

Eles vigiam o seu Facebook

O Facebook está em guerra. Uma guerra sem trégua, diga-se desde logo. Seria um exagero afirmar que a própria rede – fundada em 2004 com a modestíssima intenção de conectar estudantes universitários americanos – inventou seus inimigos. Mas não se pode negar que a empresa comandada por Mark Zuckerberg tenha contribuído para a difusão de discriminações, crimes sexuais e terrorismo, entre outros conteúdos indesejáveis – no movimento que se volta furiosamente contra ela.

A ONU já definiu o Facebook como “um instrumento útil para aqueles que procuram espalhar o ódio” – algo difícil de contestar diante de uma transmissão ao vivo como a feita em março por um terrorista mostrando os ataques a duas mesquitas na Nova Zelândia, que resultaram em 51 mortos. Contudo, para reverter a situação o Facebook depende principalmente de seus recursos. O futuro do gigante das redes sociais, por onde circulam 2 bilhões de pessoas de todas as nacionalidades, será tão mais vigoroso quanto maior for sua capacidade de criar ferramentas para rastrear, controlar e combater os problemas que ele criou. Em certa medida, o Facebook está em guerra consigo mesmo.

Na última semana de maio, visitamos uma das trincheiras desse conflito, espalhada por seis andares de um prédio fincado no coração de Barcelona, na Espanha. Lá estão 800 dos 15.000 soldados arregimentados pela companhia para atuar como “revisores de conteúdo” –  são funcionários terceirizados que, após um treinamento de duas semanas, passam a monitorar se os usuários, infringindo as regras que orientam a publicação de posts, estão colocando no ar, por exemplo, mensagens de afronta a minorias ou de incitação à violência.

No caso dos escritórios da cidade catalã, o trabalho concentra-se nos perfis do Brasil e demais países da América Latina e de parte da Europa. Como a vigilância sobre os 130 milhões de brasileiros que estão no Facebook implica monitorar falantes da língua portuguesa, a ação da tropa nacional baseada em Barcelona também se estende a outros territórios lusófonos. Além do QG espanhol, há mais nove, concentrados em outros países europeus, na América do Norte e na Ásia. No total, o exército cobre contas em meia centena de idiomas.

Os soldados de carne e osso entram no front quando uma tropa virtual – formada por algoritmos de inteligência artificial (IA) desenvolvidos para fiscalizar automaticamente a rede – não consegue decidir por si só o que fazer com uma postagem suspeita.

Quando isso acontece, a IA apresenta o problema aos humanos por meio de um programa desenvolvido pelo Facebook que detalha o post em xeque e exibe uma coluna repleta de opções para que o funcionário assinale o motivo pelo qual o conteúdo deve ou não ser removido. Quando as dúvidas permanecem, existe uma, digamos assim, terceira via: o revisor pode marcar, por exemplo, alguns tipos de foto e vídeo de teor violento com o aviso “Explícito”, de modo a advertir os incautos – antes que seja tarde demais.

Em um número expressivo de situações, o combate é efetivamente vencido pela rede social. O Facebook consegue detectar, à frente de qualquer usuário, mais de 96% de tudo o que é irregular em áreas que define como “atividade sexual entre adultos” (com 96,8% de assertividade), “conteúdo violento” (98,9%),”pedofilia e exploração sexual” (99,2%), “propaganda terrorista” (99,3%)”, perfil falso” (99,8%) e “spam” (99,9%). Por outro lado, a rede não é tão eficiente na batalha contra “comércio de armas de fogo” (69,9%),” discurso de ódio” (65,4%) e “ameaças e bullying” (14,1%). “É bem mais duro detectar falas de ódio do que imagens de ereção masculina”, explicou, com ares de piadista, o engenheiro britânico Simon Cross, gerente de produto do Facebook.

Enquanto explanava de que modo a rede social se auto monitora, Cross repetia a todo momento que os métodos de controle de posts indesejados “ainda estão em evolução”. O Facebook começou a se preocupar com a questão – um tormento também para outras empresas, como o YouTube, que na quarta-feira anunciou planos para a remoção de milhares de postagens com conteúdo neonazista e similares – em 2009, cinco anos após sua criação. O início foi singelo. Até 2015 a IA da rede detectava apenas spams e perfis falsos. Entre aquele ano e 2017, o Facebook passou a monitorar também imagens de nudez e de violência. De lá para cá, especialmente depois de escândalos como o que envolveu a consultoria política inglesa Cambridge Analytica – acusada não só de coletar informações indevidas de usuários, mas também de usá-las para influenciar na campanha de Donald Trump à Presidência dos EUA, o que obrigou Zuckerberg a depor no Congresso no ano passado – , o zelo da companhia em relação a tudo o que nela trafega aumentou. Desenvolveram-se, então, formas para identificar mensagens que contenham discurso de ódio ou remetam a agressões a crianças, por exemplo. O trabalho de IA foi aprimorado. “Até 2015 nosso sistema era guiado por palavras-chave. Podia-se postar a foto de uma folha de maconha e não saberíamos se seria maconha”, relata o engenheiro Cross. “Hoje conseguimos rastrear expressões e imagens tipicamente usadas por traficantes como senha para a venda da droga”, garantiu ele.

O avanço é inegável. Sim, 99,2% de textos, fotos e vídeos de cunho pedófilo são automaticamente rastreados; quer dizer: escapa do filtro 0,8% das postagens. No entanto, basta lembrar que só de fotografias são mais de 1 bilhão a circular diariamente pelo Facebook para chegar à conclusão de que o mecanismo de controle artificial está sujeito a deixar passar muita, muita coisa. “Adoraria ter um algoritmo que flagrasse tudo”, reconhece Simon Cross. Seria melhor. Afinal, manter um exército humano para a revisão de conteúdo tal como o que o Facebook montou significa ter uma legião de soldados expostos a toda sorte de pressão psicológica – o que pode trazer como consequência quadros de depressão, ansiedade e pânico, para citar apenas três transtornos comuns. Os seis brasileiros ouvidos na trincheira do Facebook em Barcelona – que, por motivo de segurança, tiveram de se manter obrigatoriamente no anonimato – dizem não lembrar-se de histórias de revisores de conteúdo traumatizados pela pressão do trabalho naquele prédio. Todavia, nos Estados Unidos há registros de casos de deprimidos e de paranoicos, como um funcionário que ia armado para o escritório. Seja como for, um dos brasileiros instalados no QG catalão admitiu: “O que vejo aqui de expressões de violência está me fazendo perder a fé na humanidade. Na verdade, já perdi”. Às vezes, no meio do expediente, surge um sentimento dilacerante. “Assisti a um vídeo de uma criança que tinha perdido a visão num conflito de guerra. E descobria isso no hospital”, contou, emocionado, outro integrante da equipe.

Os revisores de conteúdo vão para o batente em turnos, a fim de permitir que a rede social conte com checagem permanente. Todos têm de falar inglês e ser fluentes também em outro idioma. Nunca se evidenciou ser necessário ter graduação superior para a tarefa, entretanto todos os funcionários vindos do Brasil entrevistados cursaram faculdade. Aliás, havia no grupo uma doutora em sociologia. “Viemos de diferentes lugares do país e temos pensamentos distintos”, afirmou um dos “soldados”, formado em arquitetura. “Uns votariam em Bolsonaro, outros jamais”, revelou a doutora.

Para preservar a privacidade dos usuários da rede, os revisores são impedidos de entrar no escritório com celular, câmera fotográfica, smartwatch e até mesmo bloco de anotações. Cada um deles avalia, em média, 130 posts por dia, ou cerca de um a cada quatro minutos. “Há pressão para mantermos um mínimo de 98% de eficiência de acerto em nossas avaliações”, compartilha uma das revisoras. Em Barcelona, o salário desses funcionários é de 25.000 euros ao ano (cerca de110.000 reais.) Um valor bem abaixo do que recebe, em média, um empregado do próprio Facebook (os revisores, repita-se, são terceirizados): 240.000 dólares anuais (935.000 reais). É essa tropa que tem o monumental encargo de combater os conteúdos indesejáveis que podem levar o Facebook, senão a sucumbir, a sofrer ao menos perdas seríssimas (não bastassem tormentas como a da segunda feira 3,quando a rede social viu despencar suas ações na bolsa, junto às de outras empresas de tecnologia, diante da ameaça de investigações nos EUA, sobre concorrência desleal). Isso para não falar de uma possibilidade tida como bastante consistente: a de que o Facebook venha a ser submetido a uma regulamentação rigorosa por parte dos governos, com punições cada vez maiores (e mais caras) para as falhas. Por ora, a guerra continua.

Eles vigiam o seu Facebook. 2

BATALHA DIGITAL

Uma radiografia da atuação dos milhares de funcionários encarregados de detectar e resolver problemas levantados em postagens feitas no Facebook e no Instagram

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GESTÃO E CARREIRA

MENTIRAS E PROCESSOS DE SELEÇÃO NÃO COMBINAM

No Dia da Mentira, celebrado todo 1º de abril, é comum pregar peças, mas quando se trata de mentiras na vida profissional, as consequências podem ser mais sérias

Mentiras e processos de seleção não combinam

Segundo a 7ª. Edição do Índice de Confiança da Robert Half, 33% dos recrutadores eliminariam candidatos por conta de mentiras no currículo. Os equívocos mais comuns envolvem supervalorização de experiência, cargos e salários, fluência em idiomas, formação acadêmica e motivos da demissão.

Pensando em tudo isso, listo abaixo cinco motivos para você não mentir diante de um recrutador:

AS EMPRESAS CHECAM REFERÊNCIAS

Ao falarem com antigos pares e gestores para saber mais sobre o seu perfil, em geral, os recrutadores não se limitam à lista que você indicou. Eles buscam completar a relação com profissionais que julgam fazer sentido para a checagem.


FLUÊNCIA EM IDIOMAS SÃO TESTADAS

Se a vaga pede fluência no idioma inglês, tenha certeza de que, em algum momento da conversa, a habilidade será testada. Então, seja honesto quanto ao seu nível de proficiência.


OS RECRUTADORES ESTÃO CADA VEZ MAIS TREINADOS

Diante de possíveis inconsistências, é possível que os recrutadores experientes façam perguntas mais detalhadas e confrontem dados para ter certeza da informação que estão recebendo.


CERTIFICADOS SÃO IMPORTANTES

Ao mencionar no currículo certificações que possua, seja com relação à graduação, pós, extensão ou outra qualificação, esteja preparado para apresentar os devidos certificados, caso eles sejam solicitados. Isso acontece com frequência.


SUA CREDIBILIDADE SERÁ ABALADA

Quando uma mentira é descoberta no seu currículo ou na conversa com o recrutador, ela tente a colocar em dúvida todas as verdades que você disse. Dependendo da gravidade da mentira, você pode ser excluído do processo seletivo sem justificativa ou demitido, caso já tenha sido contratado.

 

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 39 – O SEGREDO DE BUSCAR AS VERDADEIRAS RIQUEZAS

 

PARTE IV

BUSCANDO UM RELACIONAMENTO PROFUNDO

Na Parte III vimos os segredos que nos capacitam a perseverar até o fim da corrida. E agora chegamos à melhor parte deste livro! Nesta seção final, exploraremos as valiosas verdades que têm o potencial de nos despertar para novas dimensões de intimidade com Jesus Cristo.

 

O espírito de sabedoria nos deu o melhor conselho, escondido silenciosamente no livro de Provérbios:

Procure obter sabedoria e entendimento… Procure obter sabedoria; use tudo o que você possui para adquirir entendimento. – Provérbios 4.5,7

O lugar secreto é buscado por aqueles que visam o tesouro espiritual. O tempo gasto em qualquer outro lugar pode nos capacitar a ganhar riquezas no plano terreno, mas a partir de uma perspectiva eterna há coisas que valorizamos muito mais, como sabedoria, entendimento e conhecimento de Cristo. Pessoas sábias buscam a Deus!

Quando buscamos “ter sabedoria” estamos buscando o próprio Jesus, porque a sabedoria é uma Pessoa (I Coríntios 1.30). Também estamos buscando a plenitude do Espírito Santo, pois a sabedoria é um Espírito (Isaias 11.2).

José e Daniel são bons exemplos de homens que, através de sua busca pelo Espírito Santo, demonstraram essa notável sabedoria que fez com que os maiores reis da terra os escolhessem para seus conselheiros (Genesis 41.38; Daniel 5.11). Eles descobriram que a verdadeira sabedoria é valorizada acima do ouro e da prata.

Mas o que significa ser uma pessoa de sabedoria e entendimento? A resposta está em Salmos 14.2: “O SENHOR olha dos céus para os filhos dos homens, para ver se há alguém que tenha entendimento, alguém que busque a Deus”. As últimas duas frases deste versículo são um “paralelismo hebraico”. Em outras palavras, as duas frases significam exatamente a mesma coisa.

“Alguém que tenha entendimento” significa a mesma coisa que “alguém que busque a Deus”. Portanto, “entender” significa “buscar a Deus”. As pessoas de entendimento buscam a Deus. Até mesmo as pessoas com pouca inteligência se dedicarão a uma busca intensa de Deus. As pessoas que não buscam a Deus, simplesmente não conseguem obter sabedoria. Elas são obtusas, passando-se por tolas (Salmos 14.1).

As pessoas com entendimento – aquelas que buscam a Deus – têm compreensão sobre a natureza do verdadeiro tesouro espiritual. O sábio sabe onde o “dinheiro real” está! Ao examinar o que Jesus quis dizer por “verdadeiras riquezas”, espero que eu consiga impulsionar seu coração a buscar as maiores riquezas do Reino.

Jesus fala sobre essas “verdadeiras riquezas” quando diz: “Assim, se vocês não forem dignos de confiança em lidar com as riquezas deste mundo ímpio, quem lhes confiará as verdadeiras riquezas?” (u as16.11). Nos versículos adjacentes, Jesus está chamando seus seguidores de responsáveis pela administração dos recursos financeiros. Ele está dizendo que se não formos encontrados fiéis ao lidar com nosso dinheiro terreno, então Deus não nos confiará as verdadeiras riquezas.

Portanto, a questão é: quais são estas “verdadeiras riquezas”? São posições de influência e eficiência ministerial? Estão encarregadas de supervisionar as almas humanas eternamente preciosas? Essas respostas detêm porções de verdade, mas não são as respostas mais acertadas.

A resposta correta é encontrada posteriormente no Novo Testamento, quando Paulo escreveu sob inspiração divina: “Pois Deus, que disse: ‘Das trevas resplandeça a luz’, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós” (2 Coríntios 4.6-7).

Então, qual é o “tesouro” a que Paulo se refere? É a “iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo”. Colocando de uma forma simples, “o tesouro é o conhecimento de Cristo”. Isso é afirmado em Colossenses 2.3 quando Paulo, falando de Cristo, escreveu: “Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento”. Então, as “verdadeiras riquezas” de Lucas 16.11 são a sabedoria e o entendimento de Cristo.

Jesus despreza as riquezas terrenas, mas exalta as verdadeiras riquezas eternas de conhecer a Deus. Quando somos fiéis com o dinheiro terreno, nos qualificamos para a revelação da beleza do glorioso Filho de Deus, o Homem Jesus Cristo.

As verdadeiras riquezas são a sabedoria, o conhecimento e o entendimento de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Se tivermos ao menos um mínimo de senso dentro de nós, buscaremos o conhecimento de Deus com intensidade.

E é exatamente aqui que o lugar secreto entra! É aqui – com a Palavra aberta diante de nós, com os corações enternecidos pelo Espírito e com um apetite espiritual que anseia pelo alimento do céu – que perscrutamos as belezas de santidade para ver a Deus mais claramente e conhecer seus propósitos. Nossas almas ecoam o antigo clamor de Moisés: “Se me vês com agrado, revela-me os teus propósitos, para que eu te conheça e continue sendo aceito por ti” (Êxodo 33.13).

A bondade do Senhor me prometeu: “Darei a você os tesouros das trevas, riquezas armazenadas em locais secretos, para que você saiba que eu sou o SENHOR, o Deus de Israel, que o convoca pelo nome” (Isaias 45.3).

Originalmente essa foi uma promessa para Ciro. Ele descobriria os tesouros escondidos que estavam enterrados nas pirâmides do Egito. Mas também aplica-se a nós hoje, e é a garantia do Senhor de que existem grandes riquezas a serem escavadas nos lugares secretos do Altíssimo. Descubra as pepitas escondidas nos recessos escuros da Palavra de Deus carregada de riquezas.

Senhor, ajude-nos a valorizar as riquezas que estão escondidas em você e dê-nos apetite para buscá-lo devidamente. Dê-nos o espírito de sabedoria e revelação, e que os olhos de nosso entendimento possam ser iluminados para que possamos conhecê-lo!

Por essa razão… não deixo de dar graças por vocês, mencionando-os em minhas orações. Peço que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o glorioso Pai, lhes dê espírito de sabedoria e de revelação, no pleno conhecimento dele. Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da sua poderosa força. – Efésios 1.15-19