ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 37 – O SEGREDO DA CRUZ

 

Salmos 91.1 aponta diretamente para a cruz de Jesus Cristo: “Aquele que habita no abrigo do Altíssimo e descansa à sombra do Todo-poderoso”.

Você não pode estar mais perto da sombra do Deus Todo-poderoso do que quando está crucificado na cruz. A sombra da cruz é o lar do santo.

A cruz é o lugar mais seguro da terra. É onde os ventos mais violentos açoitam sua alma, mas também onde você usufrui da maior imunidade contra os artifícios de Satanás. Ao abraçar a cruz, você está morrendo para cada mecanismo em sua alma que Satanás pode usar contra você. A mais intensa dor produz a mais alta liberdade. Não há estratégia contra santos crucificados, porque eles não amam sua vida mesmo sob o risco de morte.

Precisamos retornar à cruz intencional e continuamente. Sabemos que estamos crucificados com Cristo (Gálatas 2.20), mas o eu tem um caminho misterioso de sair aos poucos da cruz e se firmar. A crucificação da própria vida não é uma conquista, mas um processo: morremos diariamente (1Codíntios 15.31). O jardim de oração do Getsêmani preparou Jesus para abraçar sua cruz. O lugar secreto é onde reiteramos nosso “sim” ao Pai para sofrermos segundo a vontade dele.

Em nossa peregrinação diária ao lugar secreto, abraçamos sua dura cruz, olhamos para suas feridas e mais uma vez morremos para nós mesmos. Aceitamos os cravos em nossas mãos que diminuem nossa liberdade, e nos rendemos aos cravos de nossos pés que nos imobilizam e restringem nossas opções. Permitimos sofrer em nosso corpo para romper com o pecado (l Pedro 4.1). Com dignidade, temos a honra de completar em nosso corpo o que resta das aflições de Cristo (Colossenses 1.24).

Muitas pessoas enxergam a cruz como lugar de dor e restrição, e isso é verdade. Mas ela é muito mais que isso. A cruz é o lugar do amor absoluto. A cruz é o Pai dizendo ao mundo: “Eu os amo de tal maneira!”. A cruz é o Filho dizendo ao Pai: “Isso é o quanto eu o amo!”. E a cruz é a noiva dizendo para o noivo: “Isso é o quanto eu o amo!”.

A cruz é a paixão consumada e derramada. Quando Jesus nos chama para compartilhar sua cruz, nos convida para o mais alto nível de intimidade. O madeiro que prende suas mãos, agora prende as nossas. Os cravos que prendem seus pés, para cumprir a vontade de Deus, cruzam o cravo que prende nossos pés para cumprir aquela mesma vontade. Ali estão penduradas duas pessoas que se amam em lados opostos de uma mesma cruz. Nossos corações quase se tocam, exceto pela madeira que nos separa. Esse é o nosso leito de casamento. “Aqui entrego a ti o meu amor.”

Assim que você se pendura na cruz com Ele, ainda que sua visão esteja nublada e não possa ver seu rosto, se prestar atenção ouvirá a sua voz. Com sete palavras Ele o guiará pela escuridão de sua alma.

Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo. – Lucas 23.34

Jesus começa mostrando o caminho do perdão para aqueles que erraram com você. Este será seu primeiro grande obstáculo que deverá ser superado, pois você foi realmente violado. Você foi ferido na casa de seus amigos (Zacarias 13.6). Porém, o perdão é a única maneira de você avançar em direção aos propósitos de Deus.

Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso. – Lucas 23.43

Enquanto você agoniza, o Senhor garante que seu nome está escrito no céu e somente por isso você pode se regozijar. A certeza de sua companhia eterna o carrega neste momento.

Quando Jesus viu sua mãe ali, e, perto dela, o discípulo a quem ele amava, disse à sua mãe: Aí está o seu filho, e ao discípulo: Aí está a sua mãe. – João 19.26-27

Jesus fala à igreja (representada pela mulher), quando está sofrendo, para olhar para você: “Aí está o seu filho!”. Outros cristãos olharão para você com reprovação, sem compreender, perplexos e carregados de julgamentos internos.

E, então, Ele diz para você: “Aí está a sua mãe, a igreja”. Este é o momento de você olhar para a igreja e vê-la como nunca a viu antes. Você ganhará grande sabedoria nesse período, se aceitá-la sem nenhuma raiz de amargura em seu coração. O que você vê agora ajudará quando for servi-la no futuro.

Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? – Mateus 27.46

Você acabou de suportar três horas de silêncio de Jesus na cruz, na escuridão. Agora, Jesus se dirige a você com esta oração de abandono. Você está clamando a Deus de toda a sua alma. Você pergunta o porquê de tudo. Embora tenha consciência de que Deus está tão perto de você, parece que Ele o abandonou. O mais alto nível de intimidade combinado com o mais profundo abandono. Você não compreende o motivo pelo qual a provação severa parece interminável.

“Tenho sede.” – João 19.28

Em vez de amaldiçoar a Deus em sua escuridão, você tem sede dele e anseia por Ele mais do que nunca! Você sobreviveu à crucificação e ficou até o fim e diz que ainda o deseja, que o Senhor é a sua própria vida!

“Está consumado!” – João 19.30

Este é o momento pelo qual estava ansiando, o momento em que Jesus indicaria que sua provação estava concluída, consumada. A obra que Deus planejara no calvário está concluída.

“Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.” – Lucas 23.46

Jesus gentilmente treina você para entregar-se completamente nas mãos do seu amado Pai. Assim que você entrega sua vida, Ele pega a pro­ funda morte que operou em você e a transforma em ressurreição. Você se une a Cristo em sua morte, seu enterro e em sua ressurreição!

Afeição inigualável está reservada para aqueles que compartilham esta cruz com seu Amado. Este é o lugar secreto. Aqui são trocadas as paixões insondáveis do Eterno Deus com o seu parceiro escolhido. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” João 15.13). Ele compartilha sua vida, sua morte e sua ressurreição. “Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição” (Romanos 6.5).

Eles fazem tudo isso juntos. Nada pode separar os dois – nem a morte nem a vida, nem a altura nem a profundidade. Seus corações estão eternamente entrelaçados (vinculados) na história de paixão do universo. “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu” (Cantares 6.3). Esse é um amor extravagante – inteiro – pois a cruz capacita a entrega total. Cada “sim” deste lugar secreto abastece uma troca renovada de devoção exclusiva. Tudo por amor!

Venha para o monte desolado da crucificação. Diga “sim” mais uma vez. Sinta a câimbra, suspire e gema. Una-se ao seu Salvador sofredor. Beba do seu cálice, todo ele, e descubra o segredo do amor eterno à sombra do Todo-poderoso.

Desejo estar à sombra da cruz do Salvador;

Nenhum fulgor anseio senão o da face do meu Senhor.

Contente em viver longe das ambições e conquistas deste mundo, A não tomar conhecimento nem de ganho nem de perda.

Minha natureza pecaminosa, minha única vergonha; Minha única glória, a cruz.

Elizabeth C Clephane

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.