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SOBRE O CONSENTIMENTO

Sobre o consentimento

Logo que as acusações mútuas entre Neymar Júnior e Najila Trindade adentraram a cena pública, qual a conclusão que elas autorizavam? Nenhuma. A suspensão do juízo é a única atitude cognitiva e política responsável nessa hora, até que as investigações avancem, sejam feitas as oitivas, colhidas e analisadas eventuais evidências e se possa reunir um conjunto de informações capaz de fundamentar um juízo mais seguro.

Ou nem isso, já que não existe a prova material definitiva, um vídeo que mostrasse claramente o que houve na noite em que o estupro ou a agressão teria acontecido. E, pode-se ainda acrescentar, em alguns casos, mesmo tal prova material seria incapaz de provar definitivamente um ponto, pois a dúvida retornaria na interpretação do fato.

Contudo, nem toda essa espessa névoa de ceticismo impediu que se cavassem trincheiras. O velho machismo acionou o modo turbo e chafurdou em memes zombando da “piranha”, vídeos pornôs que supostamente provariam que a acusadora era uma “piranha” (e que na verdade eram vídeos de outras “piranhas”), toda uma linguagem reproduzindo o machismo de manual, dos termos às premissas.

Como o preconceito está em alta nos Poderes de Brasília, não faltaram deputados defendendo abertamente o craque da Seleção. Um deles chegou a protocolar na Câmara um projeto de lei com a proposta de agravar a pena de denúncia caluniosa de crime sexual. O PL foi batizado informalmente de Lei Neymar da Penha, num gesto histriônico de falsa simetria (pois nada foi provado a favor de Neymar, ao contrário do que aconteceu com a Maria que viria a dar nome à lei tão fundamental). Last, but not least, o presidente da República não perdeu a chance de reafirmar seu compromisso com o preconceito e saiu em defesa do “garoto” Ney.

Do outro lado, o Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher anunciou a desfiliação da advogada Maíra Fernandes, em razão de ela ter entrado para a defesa de Neyrnar. A premissa em jogo aqui é que uma mulher deve se alinhar, a priori, a outra mulher. Ora, a justiça é incompatível com esse pleito de incondicionalidade. Fazer justiça implica precisamente condicionar determinadas premissas, regras e perspectivas às circunstâncias de um caso particular.

Quem subscreve a máxima “a vítima tem sempre razão” (uma evidente petição de princípio) se filia automaticamente ao partido da justiça feminista. Em nome de um combate estrutural justo – a histórica desqualificação da palavra das mulheres – aceita-se passar por cima de direitos individuais, incorrendo com isso em potenciais injustiças.

O caso Najila versus Neymar deve, portanto, ser posto em suspensão. O mais produtivo é aproveitar sua mobilização para aprofundar o debate público sobre o problema que está em sua origem: o consentimento.

“Não é não” é o imperativo propagado pelo feminismo há décadas. Ele determina que a declaração de não consentimento deve ser incondicionalmente respeitada. Sua estrutura formal tautológica revela na verdade uma falsa platitude, pois ele se dirige a um traço forte do machismo: a ideia de que urna mulher, ao dizer não, está no fundo dizendo talvez, e, ao dizer talvez, está na verdade dizendo sim. Essa ideia é o álibi que autoriza homens a cometerem abusos sexuais. “Não é não” significa, portanto, dar um fim a essa construção ideológica cuja consequência é produzir abordagens de insistência abusiva e justificá-las.

Faz parte da construção tradicional da masculinidade ignorar e até anular completamente o desejo da mulher. Se o desejo da mulher não conta, como pode sua manifestação – consentir ou recusar – ser corretamente compreendida e acatada? Diariamente, a manifestação do desejo das mulheres, de forma verbal ou corporal, é ignorada por homens. Isso se traduz em pequenos ou grandes abusos. Dadas a extensão e profundidade do machismo, no debate sobre consentimento a ênfase deve ser posta na reafirmação do “Não é não”. Não vou me deter mais nesse ponto justamente porque ele é categórico.

Mas a questão do consentimento também abrange zonas cinzentas, e é importante pensá-las. A vida sexual dos sujeitos, de ambos os gêneros, nem sempre é íntegra, orientada por desejos e manifestações claros, unívocos, inequívocos.

Não são incomuns as situações em que homens e mulheres se encontram em interações heterossexuais hesitantes, truncadas, ambíguas.

Situações desse tipo foram objeto da literatura e de conflitos sociais recentes. O conto “Cat Person”, de Kristen Roupenian, que ficou mundialmente conhecido, narra uma relação sexual desencontrada. A mulher consente o sexo, apesar de seu desejo estar dividido, e após sua realização sente que alguma coisa errada aconteceu. A questão que o conto coloca é esta: o consentimento foi legítimo?

A mesma questão foi mobilizada numa acusação de abuso sexual sofrida por Aziz Ansari, conhecido comediante de origem indiana radicado nos Estados Unidos. Assim como no conto de Roupenian, houve uma relação sexual “consentida”, mas interpretada pela mulher como abusiva. Ela em nenhum momento diz não; em nenhum momento Ansari a força a alguma coisa. E, entretanto, sua experiência foi de que tampouco em qualquer momento ela disse sim. O que está em jogo em situações como essas? A meu ver, duas instâncias. Em primeiro lugar, há um traço do papel do gênero feminino em sociedades patriarcais que dificulta que a mulher reconheça e manifeste claramente seu consentimento. Esse traço é certa educação para a aquiescência da mulher ao desejo do homem. Existe uma pressão social de gênero que obscurece o desejo da mulher. Tanto a personagem de “Cat Person” quanto a mulher que acusou Ansari de abuso podem ter se sentido incapacitadas de manifestar explicitamente sua recusa sexual por causa dessa pressão patriarcal de ceder ao movimento do desejo masculino.

Mas há também uma outra dimensão, irredutível ao gênero. Todo sujeito tem o psiquismo dividido. É muito comum que em interações sexuais o id queira seguir adiante e o superego queira interromper o processo. Imaginemos por exemplo um sujeito casado, que vive sob acordo monogâmico, mas está prestes a ter uma relação sexual com outra pessoa. Ou duas pessoas querendo muito transar, mas ninguém tem preservativo. Em situações como essas, às vezes a relação sexual acaba se consumando de forma subjetivamente dividida. O rescaldo é o sentimento de culpa, que pode levar a uma dúvida retrospectiva sobre o consentimento.

Que encaminhamentos teóricos e políticos devem ser retirados das observações acima? A meu ver, em primeiro lugar.

Assim, é importante que todo homem reconheça a pressão de gênero do patriarcado sobre o desejo da mulher, tornando difícil tanto que o homem o compreenda e acate quanto que a mulher o esclareça e explicite. É responsabilidade de todo homem desconstruir as dimensões tóxicas de sua masculinidade e procurar ler os signos de consentimento emitidos por uma mulher. Na dúvida, é recomendável perguntar ou parar.

Por outro lado, não é justo atribuir a um homem particular a culpa por uma pressão social estrutural. Nesse sentido, em meu entender, tanto o personagem de “Cat Person” quanto o ator Aziz Ansari não cometeram abuso sexual. Não foram eles que agiram de modo a incapacitar manifestações de recusa de consentimento. É importante ainda que todo sujeito reconheça sua divisão psíquica e não ceda à tentação de transformar seu sentimento de culpa em uma acusação para livrar-se dele.

Como todo liberal consequente, considero que cada um pode fazer o que bem entender de sua vida, desde que não viole a liberdade alheia. Em matéria sexual, sob consentimento, vale tudo.

Práticas violentas, porém, como desferir tapas, configuram uma zona especialmente delicada. Quando de comum acordo, elas atravessam, subvertendo seu sentido, a cena tradicional da assimetria brutal de gêneros. Mas estar no terreno da violência exige que o consentimento seja absolutamente claro, inequívoco e renovado a cada momento – sob pena de o exercício da liberdade recair no velho, vil e abjeto exercício do poder.

 

FRANCISCO BOSCO – Ensaista, doutor em teoria da literatura e autor de ‘a vítima tem sempre razão?’ (todavia)

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A ATENÇÃO E OS TRAÇOS DA CRIATIVIDADE

Dificuldades de prestar atenção em algo desinteressante pode ser um grande problema em determinados contextos. Pessoas que apresentam TDAH mostram dificuldades para suprimir atividade cerebral vinda da “rede da imaginação”

A atenção e os traços da criatividade

Será que as pessoas com dificuldade de atenção são mais criativas? Primeiro, vamos   procurar entender bem o que é “déficit de atenção”. Existe o TDAH, sigla com as iniciais do chamado “transtorno de déficit de atenção e hiperatividade”, que é um transtorno relacionado a três características principais: a inatentividade, a impulsividade e a hiperatividade.

Essas características nem sempre vêm juntas, podem se apresentar isoladamente. Nem sempre a presença de um desses traços envolve necessariamente o diagnóstico de TDAH. Para complicar, essas características podem surgir em diferentes condições e não fazer parte do TDAH. O diagnóstico de TDAH está relacionado à presença desses traços, ou de alguns deles, desde cedo, como um padrão recorrente na vida escolar, social e familiar. No caso do TDAH, existem estudos com gêmeos idênticos mostrando que é alta a predisposição genética, pois quando um irmão gêmeo recebe o diagnóstico, a chance do outro irmão apresentar essa mesma condição é bem alta, cerca de 90%. Portanto, acredita-se que   existam genes envolvidos na transmissão do DAH. Vários genes influenciando várias características, ou transmissão poligenética.

No entanto, a forte herdabilidade do TDAH e sua alta incidência sugerem que existem alguns traços adaptativos misturados aos negativos, o que pode explicar a perpetuação desses genes nas populações humanas ao longo da evolução. Se essa hipótese estiver correta, seria de esperar encontrar algo de bom nas pessoas que têm essa condição. Talvez a mesma configuração de traços que leve ao déficit de atenção contribua para traços positivos.

O psicólogo Scott Barry Kaufman acredita que existem características positivas que podem   acompanhar o TDAH, em especial a criatividade. O raciocínio criativo envolve a habilidade de inferir relações e perceber padrões novos e complexos. Kaufman cita estudos onde foram identificados 22 traços de personalidade recorrentes em pessoas criativas. Seis traços eram “negativos”, como a impulsividade e a hiperatividade. No entanto, existiam 16 traços “positivos”, como, por exemplo, independência, risco, alto nível de energia, curiosidade, humor, traços artísticos e emocionais.

No TDAH, muitos desses mesmos traços estão presentes, como apresentar níveis mais altos de geração de ideias espontâneas, devaneios, sonhar acordado, busca por sensação, energia e impulsividade. As pesquisas têm apoiado a noção de que as pessoas com características de TDAH têm mais probabilidade de alcançar níveis mais altos de pensamento criativo e realizações do que as pessoas sem essas características.

As realizações na vida estão associadas à habilidade de ampliar a atenção e ter um filtro mental que permite a permeabilidade, algo que as pessoas com TDAH têm abundantemente. Pesquisas recentes sobre Neurociência cognitiva também sugerem uma conexão entre o TDAH e a criatividade. Pensadores criativos e pessoas que apresentam TDAH mostram dificuldades para suprimir atividade cerebral vinda da “rede da imaginação” (rede de modo padrão, ou DMN Default Mode Network).

O vazamento de informações no filtro mental é positivo ou negativo de acordo com o contexto e as demandas existentes. A habilidade de controlar a atenção é importante em muitos contextos, pois a dificuldade em inibir o fluxo mental pode atrapalhar ao focar a atenção em uma aula chata ou se concentrar em um problema desafiador.

Mas como aponta Kaufman, a habilidade de manter a corrente de fantasias internas, a imaginação e o sonhar acordado podem ser imensamente favoráveis para a criatividade.

Alguns estudos sugerem que a rede de modo padrão que as pessoas com TDAH apresentam com maior atividade, embora causem dificuldades para controlar o foco da atenção, é a mesma rede neural que facilita o estado de fluxo criativo e o engajamento entre os músicos, incluindo músicos de jazz e os rappers. As pessoas com TDAH frequentemente são capazes   de focar melhor do que outros quando estão profundamente engajadas em uma atividade que é pessoalmente significativa para elas, o chamado hiperfoco.

Uma abordagem pedagógica interessante para esse perfil é a aprendizagem baseada em problemas (ABP), em que os estudantes usam as informações para criação de diferentes produtos como desenhos, dramatização, blogs, vídeos ou artigos, permite maior envolvimento com o material, e se tornam alunos ativos, em vez de serem submetidos somente à observação passiva.

Um conceito mais amplo sobre o papel positivo de certos traços poderia também fazer com que os estudantes com características de TDAH mostrassem suas forças criativas, incluindo a imaginação, o pensamento divergente e hiperfoco em atividades que despertam o seu interesse. Se tratarmos as características do TDAH somente como deficiências, conforme ocorre com frequência na escola, podemos deixar de reconhecer e estimular muitas crianças criativas e com potencial.

O desafio do sistema educacional é criar um ambiente que enfatize a criatividade como um caminho e ao mesmo tempo um resultado para o processo de aprendizagem. 

 

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed, 2011).

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 34 – O SEGREDO DA SANTIDADE

 

Quem poderá subir o monte do SENHOR? Quem poderá entrar no seu Santo Lugar? Aquele que tem as mãos limpas e o coração puro, que não recorre aos ídolos nem jura por deuses falsos. Salmos 24.3-4

SENHOR, quem habitará no teu santuário? Quem poderá morar no teu santo monte? Aquele que é íntegro em sua conduta e pratica o que é justo, que de coração fala a verdade. Salmos 15.1-2

Nada se compara ao privilégio quintessencial de ficar de pé diante do trono de Deus. Essa é a maior de todas as honras e o maior de todos os deleites. Os demônios invejam o favor que você tem com Deus e os anjos ficam perplexos com seu status na presença dele. Isso tudo porque você atendeu seu chamado para a santidade! Você purificou o seu coração, limpou suas mãos, aspergiu sua consciência com o sangue de Jesus e se aprontou com vestes brancas e ações de justiça.

O Senhor disse: “Somente quem tem vida íntegra me servirá” (Salmos 101.6). Isso não se refere à perfeição sem pecado, mas a um estilo de vida inculpável que não está sujeito à censura ou crítica por aqueles que vivem perto de você. A recompensa desta consagração é a intimidade incrível de ficar de pé continuamente diante da presença de Deus. A busca da santidade não é um fardo, mas um profundo privilégio. A santidade com alegria é um dos segredos silenciosos do Reino – uma pureza do coração que abre caminho para os mais altos níveis de comunicação com Deus.

A santidade não é uma qualidade inerente que carregamos; é uma qualidade derivada do que nos tornamos. A santidade tem somente uma fonte, o Santo. A santidade está associada à proximidade com o trono. Os serafins são chamados de “santos” não por causa de quem são, mas por causa de onde estão. Eles são “santos” porque vivem na presença imediata do Santo! Sou santo somente de acordo com o grau de minha permanência em sua santa presença.

Eu costumava definir santidade mais pelo que nós não fazemos, mas agora defino mais pelo que fazemos. A santidade é encontrada ao nos aproximarmos do fogo santo da Trindade, onde qualquer coisa impura é queimada como restolho, e tudo o que é santo é incendiado e fica ainda mais quente.

“O SENHOR Deus é sol” (Salmos 84.11). Como meu sol, o Senhor é minha luz, meu calor, aquele em torno do qual minha vida gira. Ele é quem produz fruto no jardim de minha vida, seu Espírito a rega, sua Palavra a nutre e sua face é o poder que faz com que o fruto do meu jardim cresça. Como um planeta gira em torno do sol, desejo que minha vida gire em torno de Cristo. Desejo ser um planeta, não um cometa que faz uma breve aparição a cada 300 anos para depois retornar à escuridão. E eu não quero orbitar na extremidade mais distante. Desejo estar próximo – ardendo com o mesmo fogo santo que irradia da face de Deus.

Para compreender a santidade, primeiramente precisamos olhar para Espírito Santo na Bíblia. Bem no início, a terceira pessoa da Trindade era chamada de “o Espírito de Deus” (Genesis 1.2). Ele nunca foi revelado como o Espírito Santo até o mais infeliz incidente na vida de um homem notável. Davi recebeu uma grande unção do Espírito e, como um salmista profético, viveu na dimensão do Espírito. (Ele escreveu o Salmo 24 e o Salmo 15, mencionados no início deste capítulo).

Mas Davi caiu gravemente em pecado. Ele cometeu adultério com a esposa de seu vizinho e, em seguida, o assassinou. Movido pelo medo, ele iniciou uma campanha de acobertamento para ocultar o seu pecado. Mas durante esse período de negação, algo terrível aconteceu com ele – o Espírito de Deus saiu de sua vida. Ele estava acostumado a ter as canções do Espírito fluindo de dentro dele, mas esse fluxo parou. Sua vida de oração se tornou banal e frustrante. Ele sabia que algo estava terrivelmente errado. Então, veio o profeta Natã que lhe falou claramente sobre seu pecado.

Quando Davi se arrependeu, ele reconheceu que tinha perdido a presença do Espírito de Deus que tinha se tornado tão preciosa e tão satisfatória para ele. Ansioso por voltar a ter a antiga intimidade com Deus, Davi implorou: “Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito” (Salmos 51.11).

Esse foi o clamor desesperado de um homem que aprendeu com sua própria experiência que o Espírito de Deus, acima de tudo, é santo. Ele habita somente naqueles cujos corações são voltados para a santidade. Os homens santos vivem na presença do Espírito Santo. Uma vez conhecida essa intimidade, você percebe que não vale perdê-la por nada.

A santidade é muito mais que simplesmente viver com pureza. Santidade é uma vida vivida diante do trono de Deus. As Escrituras dizem de João Batista: “Herodes temia João e o protegia, sabendo que ele era um homem justo e santo” (Marcos 6.20). João não era apenas (puro). Ele era muito mais do que isso, ele também era santo. Ele era separado para Deus, carregava a presença de Deus, um homem de viver celeste na terra. João vivia na presença de Deus – motivo pelo qual Jesus o chamou de “uma candeia que “queimava e irradiava luz” João 5.35). Somente homens santos fazem com que um rei tema. Ele não era apenas puro, mas também ardia a chama que emanava de sua permanência fervorosa ao redor do trono.

A santidade está para a oração como o fogo está para a gasolina. Quando um homem ou mulher santa ora, coisas explosivas acontecem. Não buscamos santidade visando o poder, buscamos a santidade visando o amor. Mas aqueles que buscam santidade por amor a Jesus tornam-se muitos influentes nas cortes do céu.

Tiago 5.16 associa santidade e oração: “A oração de um justo é poderosa e eficaz”. As coisas mudam na terra quando um homem ou uma mulher santa, com uma vida secreta cultivada em Deus, ora com paixão e urgência ao Senhor para que venha a conhecê-lo e amá-lo.

Deus é tão comprometido em nos conduzir à santidade que está disposto a fazer “o que for necessário” para nos levar até ela. A Bíblia ressalta que o objetivo principal da disciplina de Deus em nossas vidas é “que participemos da sua santidade” (Hebreus 12.10).

Se reagirmos devidamente às disciplinas de Deus, elas inevitavelmente nos levarão através do caminho do arrependimento à verdadeira santidade. A princípio, quando recebemos as disciplinas, parece que Deus está querendo nos matar. Porém, se perseverarmos em amor, a crucificação e o enterro serão seguidos pela ressurreição!

Quero concluir este capítulo com esta poderosa verdade: santidade gera ressurreição. Tão certamente quanto a disciplina gera fraqueza e quebrantamento, a santidade gera ressurreição, libertação e cura.

O Senhor Jesus “mediante o Espírito de santidade foi declarado Filho de Deus com poder, pela sua ressurreição dentre os mortos” (Romanos 1.4). Em outras palavras, foi a santidade de Jesus que possibilitou sua ressurreição.

Essa verdade foi profetizada por Davi: “Porque tu não me abandonarás no sepulcro nem permitirás que o teu santo sofra decomposição” (Salmos 16.10). O versículo se aplica inicialmente a Davi, que foi disciplinado por Deus quase a ponto de morrer, mas então foi ressuscitado por causa de sua santidade. Mas isso é, efetivamente, o Espírito Santo falando de Jesus Cristo, que não viu corrupção. O corpo de Jesus experimentou o rigor mortis, mas nunca experimentou corrupção, porque Ele ressuscitou antes de se decompor.

Isso se aplicou a Davi e a Jesus e também se aplica a você! Você não pode manter a santidade enterrada para sempre. Ainda que você se sinta morto e enterrado sob o peso da mão disciplinadora de Deus, dedique-se a estar na sua presença santa. Independentemente de seus sonhos destruí­ dos e esperanças adiadas, more no abrigo (lugar secreto) do Altíssimo. É o segredo de sua redenção. À medida que o ama de sua sepultura, você passa a mover forças espirituais poderosas.

José foi enterrado na prisão, mas por causa de sua santidade não puderam mantê-lo lá para sempre. Quanto mais você mantiver um homem santo enterrado, mais força precisará ser exercida para mantê-lo enterrado, e sua ressurreição ocorrerá no nível mais alto. Mantiveram José enterrado por um período prolongado e ele ressurgiu nos níveis mais altos do palácio.

A sepultura conseguiu manter o Santo somente até o início do terceiro dia. As garras da morte se abriram e a Santidade surgiu no lugar mais alto:

Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. (Filipenses 2.9-11).

Pratique a santidade de estar na presença de Deus, ó santo cansado. É inevitável – a santidade ressurgirá!

GESTÃO E CARREIRA

LIBERDADE DÁ RESULTADO

Para aumentar a produtividade, grandes empresas adotam novos formatos de trabalho flexível — de compartilhamento de cargo a home office 100% do tempo

Libewrdade dá resultado

Uma brincadeira — com certo fundo de verdade — mudou radicalmente a rotina de duas executivas da subsidiária brasileira da Unilever. Numa visita de Liana Fecarotta à colega Carolina Mazziero, em licença-maternidade em novembro, as diretoras de recursos humanos enviaram uma foto do encontro a Luciana Paganato, vice-presidente da mesma área. Junto à imagem, uma provocação despretensiosa: e se as duas dividissem o mesmo cargo? Na ocasião, Carolina cuidava de seu recém-nascido e tinha demandas do filho mais velho. Liana, que também é mãe, desejava mais tempo para estudar alguns temas pelos quais se interessa.

A ideia foi bem recebida pela vice-presidente, mas não sem uma série de questionamentos. “Pesamos o lado pessoal delas, já que o salário também seria compartilhado, além dos impactos que isso teria na empresa”, diz Luciana. Entre os desafios estavam as formas de medir desempenho na função, a definição das atribuições de cada profissional e a gestão do cotidiano de uma equipe comandada por duas pessoas. Após conversas, a cúpula da Unilever decidiu testar a ideia a partir de abril. As duas uniram as diretorias de RH que ocupavam e fizeram uma redistribuição de tarefas dentro da nova configuração. Por enquanto, Liana e Carolina trabalham 60% do tempo que dedicavam à empresa antes, com salário proporcional. Enquanto uma vai à empresa de segunda a quarta-feira, a outra está presente de terça a quinta-feira. Na sexta, nenhuma das duas trabalha. Entre julho e agosto, o piloto poderá sofrer ajustes, e no fim do ano a empresa decidirá se vai dar continuidade ao modelo de trabalho.

Apesar de inédita no país, a configuração já existe em outras operações da Unilever: no Reino Unido desde 2015, além de Holanda e Austrália. Trata-se do exemplo mais radical de uma tendência crescente de flexibilização do trabalho no Brasil e no mundo. Segundo uma pesquisa divulgada em abril pelo International Workplace Group, especializado em locação de escritórios, 85% dos executivos entrevistados em 16 países (entre eles o Brasil) afirmam ter percebido aumento da produtividade depois de oferecer jornadas flexíveis às equipes. Em 2017, o mesmo levantamento mostrava que apenas 60% das empresas tinham essa percepção. De acordo com a pesquisa, 77% dos executivos também confirmam melhora nos índices de atração e retenção de pro- fissionais. “As empresas cada vez mais buscam novas formas de flexibilização, porque perceberam que elas impactam diretamente na qualidade de vida e na produtividade dos funcionários”, diz Maria Elisa Moreira, professora de gestão e liderança da escola de negócios Insper.

Mais produtividade e atração e retenção de profissionais são alguns dos ganhos observados pelo Itaú Unibanco. O banco passou a adotar o home office em alguns setores há dois anos e deverá estender essa possibilidade para 10.000 funcionários nos próximos meses. O benefício vale para as áreas administrativas, concentradas na sede do Itaú, em São Paulo, e abarca todos os níveis hierárquicos. Para a implementação do benefício, alguns cuidados foram tomados, como pesquisas de opinião internas e avaliações elaboradas pelas áreas de risco e jurídica. O processo começou com um grupo pequeno, para testes iniciais. “É preciso fornecer tecnologia e, principalmente, reprogramar os gestores para a relação à distância com os funcionários e evitar casos de isolamento nas equipes”, afirma Valeria Marretto, diretora de recursos humanos do Itaú Unibanco.

À primeira vista, esses benefícios podem sugerir uma atitude condescendente com a dedicação dos empregados. Ao contrário. A lógica é priorizar o que as pessoas podem entregar, e não quanto tempo permanecem no escritório. Algumas das maiores empresas de tecnologia nos Estados Unidos tornaram-se ícones desse modelo. Seus funcionários são conhecidos pela intensa dedicação ao trabalho e, ao mesmo tempo, têm jornadas flexíveis, com direito até a férias ilimitadas, como no caso da empresa de serviço de streaming Netflix e da rede social para profissionais LinkedIn. Uma das maneiras de não perder a conexão entre as equipes é ter clareza na definição e no acompanhamento de metas. O princípio rege o grupo Movile, dono de empresas como o aplicativo de entrega de comida iFood e o de vendas de ingressos Sympla. “Nascemos flexíveis”, diz Luciana Carvalho, diretora de gente da Movile. “Os horários e os locais de trabalho ficam a critério do funcionário.” A cultura da empresa incentiva no profissional o senso de dono do negócio, cobrado por metas coletivas e, em cargos de gestão, individuais. Desenvolvedor há seis anos na Wavy, empresa de plataformas de varejo digital da Movile, Esdras Barreto passou a trabalhar remotamente 100% do tempo em 2015. A ideia era acompanhar sua mulher, que recebeu uma oferta de em- prego em Fortaleza, onde moram agora. “Tive receio ao fazer o pedido, mas o processo foi tranquilo e em dois dias estava liberado”, diz ele. Apesar de sentir falta da convivência com os colegas, Barreto afirma não ter tido problemas no trabalho em decorrência da distância. Além do home office permanente, ele tem flexibilidade para escolher seus horários. Segundo Luciana, essa autonomia tem aumentado a qualidade do trabalho e justifica parte do crescimento anual de 65% da Movile no Brasil.

Arranjos mais radicais, como trabalho 100% remoto, já começam a deixar de ser tabu em empresas como a americana Dell, de tecnologia. A empresa oferece a possibilidade de trabalhar fora do escritório em tempo integral ou de uma a quatro vezes por semana a 80% de seus 4.000 funcionários no Brasil. Um em cada cinco adotou alguma dessas alternativas. “Incentivamos o funcionário a trabalhar pelo menos um dia em outro lugar que não seja a sede da empresa”, diz Fernanda Kessler, diretora de recursos humanos da Dell. A empresa possui a meta global de, até 2020, ter 50% dos funcionários no mundo trabalhando fora do escritório em tempo integral ou em parte da semana.

Criar regras bem definidas é um jeito de fazer com que as práticas sejam aceitas em toda a companhia e não dependam do estilo do gestor de cada área. A fabricante de cosméticos Natura, por exemplo, passou neste ano a liberar os funcionários às 15 horas todas as sextas-feiras, com compensação de horas durante a semana. O benefício foi implementado em 2015, mas era restrito ao verão. Os funcionários também podem iniciar o expediente entre 6 e 10 horas. “Se há cinco anos os candidatos a vagas na empresa tinham receio de falar sobre flexibilidade nas entrevistas, hoje é corriqueiro exigir isso como ponto de partida”, diz Marcos Milazzo, diretor de remuneração, benefícios e relações trabalhistas da Natura. “Ou mudamos, ou não jogamos dentro da nova realidade do trabalho.”

Liberdade dá resultado. 2

O CONCEITO DE FLEXIBILIZAÇÃO É FLEXÍVEL

Existem diversas formas de dar autonomia aos funcionários na gestão de sua jornada de trabalho

DIVISÃO DE CARGO

Quando dois funcionários são aptos à mesma função, desejam jornada reduzida e não se importam em ganhar menos, eles podem dividir o mesmo cargo

QUEM FAZ: neste ano, a fabricante de bens de consumo Unilever passou a testar a prática no Brasil, com duas profissionais na mesma diretoria de RH.

HOME OFFICE PARA TODOS

Há alguns anos, os programas de trabalho em casa em geral eram restritos a áreas específicas. Não mais

QUEM FAZ: neste ano, o Itaú Unibanco passará a oferecer a possibilidade para os 10.000 funcionários da área administrativa da sede

100% REMOTO

Conectados pela tecnologia e com metas rígidas de resultado, os profissionais passam a ter o direito de ficar integralmente isentos de frequentar o escritório

QUEM FAZ: a empresa de tecnologia Dell passou a incentivar 80% de seus 4.000 funcionários no Brasil a trabalhar fora do escritório o tempo todo.