A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

BORDANDO MEMÓRIAS

O ato de produzir, quando se refere à população feminina, apresenta um significado peculiar, colocando em discussão o movimento que leva à busca das próprias raízes e a importância das práticas manuais

Bordando memórias

O principal objetivo deste trabalho é estimular uma reflexão a partir dos dois indicadores de saúde mental assinalados por Freud: a capacidade de amar e a de produzir (Freud, 1930). É oportuno se debruçar, em primeira instância, sobre o significado de produzir na atualidade no que tange à população feminina. A atenção surge em virtude do crescente interesse que as atividades manuais têm instigado, decorrendo na criação de inúmeros espaços destinados ao seu ensino.

Nas últimas décadas tem sido expressivo o movimento em busca das próprias raízes e a ressignificação das práticas manuais, que contribuem para um agrupamento humano afetivo. Essas artes tornaram-se objeto de pesquisa e tema de várias publicações, dissertações de mestrado, exposições etc. Em 2014, a Unicamp, atenta a essa nova tendência, abriu suas portas para acolher artistas e pesquisadores de todo o país no 1º Seminário Nacional de Bordado.

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UMA DELICADA TEXTURA

O mundo cada vez mais dominado pela tecnologia, onde as pessoas se tornam invisíveis e o contato humano escasseia e no qual se contemplam valores fundamentais como ética, respeito e solidariedade serem desconsiderados, foram importantes estímulos para a elaboração deste texto. Hoje, preponderam a pressa, a superficialidade, as relações epidérmicas; os indivíduos são tratados como objetos que, após serem utilizados, não têm mais serventia e são descartados. Basta mencionar o tratamento concedido aos idosos, marginalizados em sua maioria, sem interlocutores com os quais estabelecerem diálogo nem ouvintes para acolher suas histórias. Situação análoga à vivida pelas mulheres que, ao longo dos séculos, travaram árduas lutas para obter o direito à livre expressão de seus desejos, anseios e sonhos.

No passado as feminices eram guardadas a sete chaves, apenas segredadas entre amigas. Um vasto universo glorificado por uns e menosprezado por outros, mas que exerce fascínio inegável na imaginação de poetas e pesquisa- dores. Até mesmo Freud, hábil investigador das almas, se perguntou estarrecido, na obra Vida e Obra de Sigmund Freud: afinal, o que quer uma mulher?

A partir da Revolução Industrial, as mulheres, convocadas a ingressar num mercado sobejamente masculino, passaram a ocupar posições de destaque em diversos campos, tanto do conhecimento como em profissões antes desempenhadas apenas pelos homens. Diferente deles, contudo, à jornada diária de trabalho acresciam-se as atividades de âmbito doméstico. Grandes conquistas foram obtidas, sem dúvida. Entretanto, o acúmulo de responsabilidades ocasionou o abandono e a depreciação das habilidades manuais, executadas com maestria pelas gerações anteriores. Com isso, perdeu-se um importante espaço de convívio, quando as conversas fluíam entre fios de cumplicidade e as cores de amorosos diálogos. A casa, hoje, como bem diz Rachel Jardim (2005): “…virou um lugar de passagem. As próprias tarefas chamadas femininas não existem mais. A comida é industrializada, congelada, as roupas de cama e mesa são sintéticas. A mulher foi expulsa pela sociedade de consumo do seu próprio universo, como Eva do Paraíso” (O Penhoar Chinês, p. 252-253).

Em decorrência da hipervalorização do desempenho profissional, observou-se curioso fenômeno: as mulheres que optavam por se afastar temporariamente do mercado de trabalho para cuidar de seus filhos passaram a ser vistas quase como uma aberração e a se deparar com inúmeras dificuldades ao reingressarem num mercado altamente competitivo. Aquelas poucas que ousaram desafiar o conceito vigente e privilegiaram esse espaço sagrado da casa, cultivando o silêncio e a troca informal de conhecimento, foram estigmatizadas e vistas como alienadas.

No último decênio, gradualmente instalou-se uma interessante modificação proveniente – sob essa óptica – da necessidade de constituir locais mais humanos de convivência. O bordado, como outras práticas manuais, alcançou um lugar destacado em virtude de favorecer uma lenta e gradual inserção num universo onde a pressa cede lugar ao tempo das memórias, espaço favorável à expressão da criatividade.

A indagação de Freud foi o fio condutor dessa reflexão, motivando algumas considerações sobre o que instigaria, hoje, a busca de tantas mulheres por esses ambientes de compartilhamento de experiências.

Atualmente, as mãos que gerenciam empresas, governam o país ou discutem os rumos da economia são as mesmas que fiam, tricotam, pintam e bordam, levando à indagação: o que produzem essas modernas Penélopes quando se dedicam, em suas horas de lazer, a elaborar delicadas produções artesanais? Qual o conteúdo subjacente às cores e texturas com os quais matizam os tecidos?

A nosso ver, o que elas transpõem para o pano é um resumo da própria história, recortes de lembranças essenciais, recuperação das raízes, registro da ancestralidade. Nessa teia subjetiva, as linhas são o veículo com o qual fixam sua narrativa.

 O SER E O FAZER

Essa indagação parece a chave para se esboçarem algumas considerações. Em primeiro lugar, o sistema vigente é o maior responsável por essa busca, uma vez que o processo produtivo gera uma dissociação no sujeito: a repetição mecânica das tarefas requer um distanciamento de si mesmo para preservação da saúde. Tal ruptura embrutece e pode ocasionar graves enfermidades psíquicas.

Vale ressaltar que a óptica do sistema capitalista recai numa relação quantitativa visando à obtenção do lucro. A atividade recorrente de uma produção em massa destitui o indivíduo de sua subjetividade, tal como representado na célebre cena do filme Tempos Modernos, onde o ator aperta parafusos numa linha de produção até o momento em que, sem parafuso algum, ele repete o gesto como um robô. A cena condensa exemplarmente, em termos de adoecimento, o que uma ação sem sentido pode originar, uma vez que, segundo José Bleger: “Toda conduta refere-se sempre a outro. A relação com as coisas é sempre um derivado da relação com as pessoas, das relações interpessoais; os objetos são sempre mediadores que se carregam das relações humanas” (A Psicologia da Conduta, p. 80).

Portanto, é possível trabalhar com a suposição de que um vínculo exploratório dessa natureza impossibilita os laços interpessoais e a relação com as coisas são unicamente moduladas em função da renda a ser aferida para os detentores do poder. Bleger enfatiza aqui a importância da conexão entre a coisa e o sujeito, a relevância dos relacionamentos interpessoais que valorizam as tarefas desempenhadas, ao passo que, no sistema capitalista, prepondera uma proposta inversa.

Num nível mais sofisticado, essa cisão também pode ser verificada, pois nos altos escalões das empresas a pressão pelo desempenho e a competitividade são de tal ordem que exigem o abandono da vida pessoal. O indivíduo, por mais especializado que seja, não pode vacilar, sob o risco de ser imediatamente substituído pelo descumprimento das metas estabelecidas.

Sob essa égide, todas as demais produções humanas que não se enquadrem nesse parâmetro são tidas como inúteis ou sequer são reconhecidas como tal – o ser e o fazer permanecem dissociados ou, em outras palavras, os indivíduos são avaliados por aquilo que produzem e gera lucro. E aqui retornamos à questão a respeito de qual seria o agente mobilizador das atividades manuais, uma vez que, em sua grande maioria, as produções são criadas apenas para o próprio deleite, estendendo-se, quando muito, para o ambiente familiar.

Surge o questionamento acerca da importância que o olhar do outro representa em termos de reconhecimento subjetivo da verdadeira essência. Winnicott ressalta, em seus postulados, a relevância de uma companhia viva e real responsável pelo desenvolvimento saudável do sujeito. O olhar do outro legitima e endossa a potencialidade ali existente e cria condições favoráveis para a expressão do verdadeiro self.

Nesse momento, porém, é imprescindível distinguir dois tipos de espaço: aqueles que se destinam unicamente ao ensino e os outros que, orientados por um profissional qualificado, visam acolher e dar sentido às experiências ali vivenciadas.

 ATIVIDADE CRIATIVA

No primeiro caso, pode-se facilmente resvalar para um aprendizado destituído de criatividade, no qual o aluno apenas reproduz os pontos ensinados. Esse tipo de produção em muito se assemelha ao que foi mencionado anteriormente. Embora não esteja subordinada ao capital, evidencia-se, de todo modo, uma sujeição análoga.

De acordo com Winnicott, a atividade criativa que se dá no contexto da submissão torna-se “doentia para a vida”. Nesse enfoque, nem sempre uma obra de arte é expressão genuína de criatividade, ao contrário, pode ser resultante de uma profunda dissociação.

Na segunda proposta, contudo, de acordo com as formulações de Benjamim (1936/1996), trata-se de favorecer a instauração de um espaço adequado a um precioso compartilhamento de experiências. O analista procura fornecer uma ambiência suficientemente boa equivalente à ofertada pela mãe nos primórdios do desenvolvimento emocional, consoante a formulação de Winnicott de que “…o ser humano se encontra em processo de contínuo amadurecimento…” (1945). A apresentação de todo o material – tecidos, linhas e até mesmo dos pontos – visa facilitar a expressão de aspectos significativos do self do indivíduo. Cabe ao especialista o acompanhamento do processo pautado pela compreensão de que “qualquer criação, seja ela uma escultura, um poema ou um trabalho científico, relaciona-se ao sentimento de estar vivo e sentir-se real”.

O traço distintivo dessa conduta profissional é o oferecimento de materialidades mediadoras, conjugado a um modo peculiar do terapeuta presentificar-se, fundamentado no manejo do setting. Esse procedimento é norteado por um uso não interpretativo do método psicanalítico.

O analista baseia-se fundamentalmente nessa modalidade na concepção genial winnicottiana de apresentação de objeto ao bebê pela mãe. A apresentação de objetos mediadores transposta para um encontro humano num enquadre diferenciado responde às necessidades subjetivas mais expressivas e favorece o surgimento de efeitos terapêuticos. Essa linha investigativa conduziu à elaboração de alguns trabalhos nos quais procuramos abordar, à luz da psicanálise winnicottiana, as várias falhas do suprimento ambiental entremeadas a relatos de acontecimentos clínicos. É bom lembrar a compreensão de Politzer acerca do método psicanalítico como método clínico interpretativo, desde que assentado no pressuposto de que toda conduta humana tem sentido – associando-se, todavia, nessa abordagem, à busca do sentido emocional do fenômeno humano. Distingue-se, portanto, do preceito positivista, experimentalista etc. Nesse enfoque, o enquadre diferenciado é uma das alternativas de concretização do método psicanalítico. O terapeuta, segundo essa concepção, é aquele que permanece ao lado, acompanhando, mas verdadeiramente presente, respeitando os ensinamentos de Winnicott de que nem mesmo a mais douta técnica materna substitui a presença viva da mãe. Isso implica em poder tolerar até mesmo o caos, sem a necessidade de organizá-lo rapidamente. Privilegia-se, aqui, o próprio acontecer, tal como preconizado por Winnicott quando afirmava: “Seja o que for que aconteça, é o acontecer que é importante”.

O resultado estético, sem dúvida, tem relevância, mas não deve jamais, nesse caso, ocupar o primeiro plano.

À luz das formulações de Safra (1996), as criações de cada aluna, derivadas de autênticas expressões emocionais, podem ser configuradas como produção cultural que, de acordo com o autor, adquirem o contorno de objetos de self, presentificando expressivos aspectos do ser, a forma singular de sentir ou existir. Sob essa óptica, todo o processo é compreendido como experiência estética, pois descreve um denso sentimento de comunhão evocado por um objeto que a religa a aspectos fundamentais do próprio self. Embora o sentido global dessa experiência seja inapreensível, constituindo tarefa para toda uma existência, pode-se certamente apreender fragmentos relevantes nesse tipo de produção, como demonstram os relatos a seguir, demonstrativos de reencontro tanto com a linhagem biográfica como com o resgate de expressões inéditas da criatividade de duas alunas.

No quadro Estudos de casos é possível conhecer alguns trabalhos realizados durante meses que resultaram nos bordados apresentados. Esperamos que eles possam corroborar nossa hipótese de como o uso de materialidades mediadoras, conjugado a uma ambiência adequada, favorece a expressão de aspectos genuínos de self e possibilita a integração de aspectos dissociados da personalidade.

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OUTROS OLHARES

A PRAGA DA DENGUE

Apesar da chegada do inverno, o vírus, agora do tipo 2, segue se alastrando principalmente pelos estados do Sudeste e Centro-Oeste, provando que a infecção se tornou uma tragédia nacional

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Na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro de Jardim Peri, na região norte de São Paulo, a dona de casa Luzia dos Santos Moraes, de 42 anos, escora o corpo onde pode. Ela está enfraquecida e cansada. As dores são muitos fortes e ficar em pé se torna um desafio. Suas filhas, Flávia e Fagna Santos de Moraes, de 21 e 22 anos, respectivamente, conversam com a reportagem de ISTOÉ enquanto a mãe espera ser atendida. Vindas de Belém do Pará há dois anos, tentam a “sorte” na capital paulista. Além das duas, Luzia tem outra filha, que recebeu, na primeira semana de julho, o diagnóstico de dengue. No bairro em que elas moram atualmente, Lauzane Paulista, há inúmeras pessoas infectadas. Depois de esperar pouco mais de duas horas e já dentro do ambulatório, Luzia recebe a notificação de suspeita de dengue. Dali, segue para fazer a “prova do laço” para saber a urgência do caso. O enfermeiro amarra uma faixa em seu braço e o deixa apertado por cinco minutos. Se pintas vermelhas aparecem, a doença pode trazer mais riscos e se tornar mais grave, causando hemorragias, uma vez que se revela alteração na coagulação sanguínea. Para a sorte de Luzia, nada apareceu. De acordo com a gerência da UBS, cerca de 90% dos casos que chegam são suspeitas posteriormente descartadas, devido à semelhança dos sintomas a outros quadros, como o de forte gripe.

O Brasil enfrenta hoje uma das piores epidemias de dengue de sua história, com 597 mil casos confirmados, e apesar da chegada do inverno, a enfermidade não dá sinais de arrefecimento. O problema é a dengue tipo 2, que ainda não havia sido detectada no País e atingiu principalmente os estados de São Paulo e Minas Gerais, que reúnem 60% dos casos. Desde 2015 não se via uma epidemia tão severa e prolongada, com tantos casos constatados e tantas mortes. Filas nos hospitais, pessoas com suspeitas de contaminação, mutirões de combate ao mosquito e campanhas de prevenção viraram rotina nas cidades paulistas e mineiras. Somente no primeiro semestre de 2019, os casos de morte por dengue aumentaram 163% no País, em relação ao mesmo período do ano passado. Em números absolutos, isso significa um salto de 139 para 366 óbitos. É a porcentagem mais expressiva desde 2015, quando foram registradas 752 mortes — a metade é de pessoas idosas, com mais de 60 anos. São Paulo lidera o ranking de falecimentos, 157, seguido por Minas Gerais, 98. Juntos, os dois estados somam 255 casos. O estado mineiro ainda investiga 137 óbitos, o que pode elevar a incidência letal da dengue. Em São Paulo, os casos prováveis bateram 267.602. Em Minas Gerais, o número foi mais assustador; 423.317, o que faz da atual epidemia a segunda pior de sua história, atrás apenas de 2016, quando houve 517.830 notificações. Tocantins teve a maior elevação, crescendo 1369% (de 210 para 3085, em relação a 2018)

Os números são mais assustadores quando se fala em casos prováveis de dengue, o que inclui os suspeitos de terem contraído a doença: um aumento de 561%. Isso equivale a um salto de 170.628 para 1.127.244 em todo o País, segundo o último boletim do Ministério da Saúde sobre doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, com informações até o dia 8 de junho. Além dos quatro tipos de dengue — 1, 2, 3 e 4, o mosquito também transmite a zika e chikungunya. “Enquanto não houver um controle rigoroso dos criadouros do Aedes enfrentaremos epidemias todos os anos”, diz a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo, Regiane de Paula. “Além dos esforços do governo, os cidadãos também precisam fazer a sua parte, retirando lixo do jardim, dispensando recipientes que acumulam água e limpando calhas e ralos”. Dezenas de cidades paulistas estão realizando mutirões permanentes de combate à doença. São Caetano do Sul tem feito mutirões todos os fins de semana, assim como Ribeirão Preto e Birigui, que, por sinal, são a sexta e a sétima cidades com mais casos no estado de São Paulo. Em Ribeirão Preto, entre os 700 mil habitantes, foram confirmados 7.236 episódios e em Birigui, com uma população de 105 mil pessoas, houve o registro até agora de 6.636 doentes. A família da empregada doméstica René Faustina, de 48 anos, teve quatro pessoas infectadas pelo vírus: ela, a irmã, o sobrinho e o cunhado. O marido de uma prima e o filho deles também pegaram a doença. Faustina acredita que foi infectada em Birigui, a 20 quilômetros de Bilac, onde vive. Todos os dias, Birigui recebe um contingente grande de trabalhadores, entre os quais Faustina, que passa pouco mais de vinte minutos no transporte para fazer faxinas. Com ela, os sintomas seguiram o diagnóstico padrão da doença: dor de cabeça, febre e moleza no corpo, e perduraram por cerca de 15 dias. “Depois começaram a sair aquelas pintas que aparecem quando a gente está sarando. Não deixei de trabalhar nesse período e com dor no corpo fui fazer as minhas faxinas. Como é em casa de parentes é mais fácil, a gente pode sentar um pouco e descansar”, diz ela.

Para além dos primeiros sintomas, a irmã de Faustina, Ângela (nome fictício), aposentada e com 63 anos, também sentiu tonturas, disenteria e coceira pelo corpo. “É horrível, parecia que eu ia morrer. Muita gente foi infectada. Na minha rua, quase todos os vizinhos, e mesmo com o tempo seco”, conta ela. Seu filho, Guilherme, passou mal por sete dias. Durante esse período, não conseguiu trabalhar: “Nem levantava da cama, fiquei bem fraco, tamanha a desidratação”, afirma o jovem de 27 anos, analista de tecnologia da informação. Em janeiro, Maria Denice Lima e sua filha também adoeceram. “Fiquei mal por uns 30 dias, apresentei muitos sintomas e perdi 5 quilos. Dos moradores de Bilac, quase todos foram infectados pelo mosquito”, afirma Denice.

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MAIOR GRAVIDADE

“Desde a década de 1990 enfrenta-se a dengue. A gente convive com a doença o ano todo, numa situação endêmica”, afirma Luzia Passos, diretora do departamento de Vigilância e Planejamento da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto. “Em 2019, só identificamos o sorotipo 2, que predomina em todos os estados, e encontramos pessoas muito vulneráveis”. Na cidade, em anos anteriores, houve contaminação dos sorotipos 1, 3 e 4. Quem já contraiu algum deles no passado tem mais chances de adquirir a versão mais grave da doença, que era chamada de hemorrágica. Além dos sintomas básicos, ela envolve também sangramentos, palidez, sudorese, dificuldade de respirar e comprometimento de alguns órgãos. Esse quadro pode evoluir para óbito.

Entre outros agravantes que levaram à atual situação, para além das políticas adotadas pelo poder público e da chegada do novo sorotipo, estão a alta infestação do vetor, um movimento migratório intenso, as chuvas e o longo período de calor que passou pelo outono e se estendeu, até recentemente, pelo inverno. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o verão de 2019 foi o quinto mais quente da história no estado de São Paulo. Com esse cenário, a epidemia começou mais cedo e deve terminar tardiamente. Outro fator é a falta de planejamento urbano que leva à formação de água parada, fonte para a reprodução do vírus da doença. Para piorar, em alguns lugares do País, falta inseticidas para combater o mosquito. No começo de junho, o Ministério Público Federal cobrou o Ministério da Saúde sobre a falta do produto, que é fornecido pelo governo federal e combate o mosquito na fase alada. No Congresso Nacional, a dengue chamou a atenção de alguns deputados. Em um pronunciamento no plenário do Senado, a parlamentar Zenaide Maia (Pros-RN) lamentou que o governo federal não tenha feito ainda uma campanha de prevenção em nível nacional. “Não é possível que a gente continue vendo pessoas morrerem de morte evitável. Nós sabemos quem é o inimigo, onde mora e o que o faz se reproduzir. Só existe uma maneira de evitar que pessoas morram por dengue: é fazendo uma campanha educativa nas escolas e junto à toda população”, alertou. Enquanto isso não acontece, a doença se prolifera e mata e só resta à população esperar o inverno chegar para que os mosquitos sucumbam. No próximo verão, porém, é bom se preparar porque eles estarão de volta.

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GESTÃO E CARREIRA

RELAÇÕES PRODUTIVAS

Um processo institucional possui um significado maior do que simplesmente o número apresentado na planilha de vendas. Quando esse valor atribuído é compreendido e relacionado à negociação, o atendimento é eficaz

Relações produtivas

As relações institucionais estão cheias de valorações que, na maioria das vezes, é mais de ordem subjetiva do que realmente material. Toda instituição mantém uma relação de troca com seus clientes, seja no próprio mercado interno (corpo laboral e fornecedores principalmente) e no mercado externo (clientes e concorrentes principalmente), e os resultados positivos só são alcançados quando essa relação de valores está adequada aos interesses das partes envolvidas no processo.

Dessa forma, sempre que ocorre a aquisição de um produto ou serviço, existe um valor simbólico que é agregado ao financeiro. Uma pessoa, por exemplo, pode comprar uma roupa para se sentir mais bonita, para ficar mais autoconfiante em busca de uma promoção no trabalho, ou para um encontro com uma pessoa especial.

Esse valor não está na roupa em si, ele pertence ao consumidor que possui fluências emocionais relacionadas ao universo em que vive. Um casal pode ir a um restaurante não pela comida ou pelo menor preço, mas porque aquele foi o restaurante onde se encontraram pela primeira vez e, para eles, isso tem um significado muito especial. Um funcionário pode obedecer uma ordem dada por um gestor sem sequer analisar seu conteúdo e resultados apenas porque esse gestor criou laços de comprometimento que geram segurança à equipe de trabalho.

Pensando assim, todo elemento na instituição se transforma em profissional de atendimento, pois sempre que se comunica está na posição de uma pessoa que atende outra pessoa, buscando acolher uma determinada necessidade e solucionando uma demanda. O atendimento, portanto, torna-se sinônimo de comunicação clarificada que dá valor ao que está sendo negociado.

São algumas características básicas que devem receber investimento para que essa valoração dos processos possa ocorrer de forma natural entre o elemento que apresenta a situação (comunicação, produto ou serviço) e o cliente (qualquer pessoa dentro ou fora da empresa). São elas:

1) DESENVOLVER UM BOM RELACIONAMENTO E CONFIANÇA: com o tempo, o outro passa a dar respostas mais rápidas por saber com quem está lidando;

2) ATENDER AS NECESSIDADES DOS CLIENTES: solucionar demandas existentes, finalizando   os processos abertos; 

3)  SUPERAR AS EXPECTATIVAS: ir além do esperado sempre ofertando algo que surpreende positivamente o outro;

4) SER EMPÁTICO: ser capaz de prever as necessidades que o outro pode ter dificuldade de apresentar;  

5) SER SIMPÁTICO: a atenção dedicada ao outro está mais ligada à linguagem não verbal;

6) SER ASSERTIVO: buscar ser objetivo nas colocações sem aprofundamentos e detalhes desnecessários; 

7)  SER ORGANIZADO:  administração do tempo e informações relevantes são os elementos-chave de qualquer pessoa que deseje passar uma imagem de organização ao outro;

8) TRANSMITIR SEGURANÇA SOBRE A INFORMAÇÃO PASSADA: o conhecimento do tema é imprescindível. Se não tem domínio sobre o assunto, delegue a quem tem para a condução do processo comunicacional da negociação;

9) SER CONFIÁVEL: nunca prometa o que não tem certeza de poder cumprir no futuro. Não há espaço para possibilidades e, se essa for a única opção de comprometimento, deixe isso claro para o outro;

10) DEMONSTRAR SENSIBILIDADE E RESPEITO: entender claramente as questões que os clientes apresentam. Saiba ouvir e no caso de dúvida pergunte para que o entendimento seja pleno; 

11)  SABER LIDAR COM DIFERENTES TIPOS DE PESSOAS: ninguém é menos importante. Nosso país guarda muitos preconceitos que estão enraizados na cultura e passam, muitas vezes, ocultos ou aceitáveis pela maior parte da população. Faça diferente sendo ético e correto com todos, independentemente do perfil que apresente, sendo prestativo e proativo;

12) GERENCIAR AS EMOÇÕES E TER INTELIGÊNCIA EMOCIONAL: se for o caso de sentir dificuldade nesse aspecto, procure um profissional terapeuta ou coach que possa auxiliá-lo no processo de alinhamento emocional;

13) SER COMPROMETIDO COM A EMPRESA, COM SEU TRABALHO E COM A SATISFAÇÃO DO OUTRO: um bom caminho para a futura valoração positiva é o início do caminho. O básico jamais deve ser esquecido;

14) SABER SEPARAR O PESSOAL DO PROFISSIONAL, MANTENDO O PROFISSIONALISMO: provavelmente o detalhe mais difícil de todas as dicas aqui apresentadas.

Muitos acreditam que seremos na vida profissional um espelho do que somos na vida pessoal. Por outro lado, outros confundem os processos e misturam a vida pessoal com a profissional, gerando problemas de ordem emocional ao invés de ter um bom relacionamento interpessoal com todos à sua volta;

15) VESTIR-SE DE MODO CONDIZENTE COM O LOCAL DE TRABALHO: por último, mas não menos importante, afinal a embalagem diz muito sobre o produto. Estar adequadamente vestida com o padrão da instituição coloca a pessoa mais próxima de adquirir uma boa credibilidade com o outro.

Portanto, para ter relações produtivas é necessário um investimento constante em vários e pequenos detalhes que, com o tempo, podem fazer uma grande diferença no resultado das ações de uma pessoa ou instituição.

 

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPITULO 7 – O QUE DEUS FEZ UMA VEZ PODE FAZER DE NOVO

 

FAÇA CHOVER, SENHOR!

Queremos que Deus transforme o mundo. No entanto, Ele não vai transformar o mundo, antes que consiga nos transformar. Pois, em nosso estado atual, não estamos em condições de abalar nada. Porém, se nos submetermos ao Oleiro, Ele fará de nós aquilo que Ele quer. Ele nos moldará ao que precisamos ser. Se nos submetermos ao toque do Oleiro, Ele poderá refazer nosso vaso quantas vezes forem necessárias. Ele fará de nós vasos de honra, poder e vida.

Afinal, não foi Ele que transformou pescadores analfabetos em revolucionários, e cobradores de impostos mal-afamados em avivalistas destemidos? Se Ele fez isto uma vez, pode fazer de novo!

Quero romper com o padrão de escrever “regras” para livros evangélicos e pedir que você ore comigo agora, enquanto lê a primeira página deste capítulo. Este livro foi escrito para ajudá-lo a introduzir a presença de Deus em sua vida e em sua Igreja. Pode parecer tolice, mas quero que você coloque a mão sobre seu coração e ore comigo agora, a “oração do vaso de barro”:

“Pai, agradecemos por Sua presença! Sentimos no ar a possibilidade de estarmos próximos do Senhor. Sentimos que está por perto. Mas, não estamos perto o suficiente. Venha, Espírito Santo! Se não for agora, quando será? Se não vier a nós, sobre quem virá? Se não for aqui, diga-nos, onde? Instrua-nos, Senhor, e Lhe seguiremos. Buscaremos Sua presença, pois queremos o Senhor. Não estamos buscando nada menos do que a Sua presença.”

Algo está acontecendo no Corpo de Cristo. Muitos de nós (e cada vez mais irmãos) já não suportamos “brincar” de religião. Está se levantando, em nosso meio, um espírito de batalha, uma ânsia de conquistar territórios, em nome do Deus Eterno. Sei que recebi do Senhor a missão de colocar minha vida em cidades chaves, pontos estratégicos, onde sinto que Deus está prestes a derramar Seu Espírito.

Estou buscando lugares onde Deus está se manifestando. Já descrevi como Deus se manifestou na cidade de Houston (fiz menção deste acontecimento porque tive o privilégio de presenciá-lo). Fui conduzido, por mais de um ano, a participar de reuniões constantes de oração em algumas cidades, coisas incríveis estão acontecendo. Ainda temos um longo caminho a percorrer. Mas, em cada uma destas cidades, tem acontecido algo de grande significado para este mover de Deus. Meu desejo é ver uma explosão contagiante da presença de Deus, como aquela experimentada por Finney, Edwards, Roberts e outros, em que muitas regiões foram alcançadas pelo Reino.

ESTOU EM BUSCA DE CIDADES INTEIRAS

Estou em busca de cidades, não estou mais interessado em só pregar para os crentes nas igrejas. Estou em busca de cidades inteiras, onde há pessoas que não conhecem Jesus.

Certa vez, quando estava em uma conferência com Frank Damazio na cidade de Portland, Oregon, eu o ouvi dizer algo que imediatamente me chamou a atenção. Ele disse que alguns pastores em Portland haviam se unido para fincar estacas em lugares estratégicos no perímetro daquela região e nas principais fronteiras. Foi um trabalho demorado, porque eles oravam sobre cada estaca colocada, como se elas simbolizassem uma demarcação espiritual.

Impelido pelo Espírito Santo, disse ao Frank: “Se você providenciar estacas, irei às cidades aonde Deus me enviar e ajudarei os pastores a demarcar o território para o Senhor.” Então comecei a orar: “Deus, mostre-me um precedente para que eu possa compreender o que o Senhor está fazendo aqui. Assim, saberei porque colocou este desejo em meu coração.”

Tal compreensão me sobreveio mais tarde, justamente na Califórnia, exatamente no lugar onde “a corrida do ouro” teve início. Quando os garimpeiros encontravam uma terra onde pudesse haver ouro, fincavam uma estaca e assim reivindicavam o território. Alguns terrenos eram mais valiosos que outros por causa do que havia sob eles. Para reivindicar um terreno naquela época, era preciso fincar uma estaca no chão. A estaca deveria levar o nome da pessoa e uma breve descrição da área que estava sendo reivindicada. O terreno seria avaliado formalmente mais tarde.

Enquanto isso, a estaca era um “documento” tão importante quanto uma escritura. Se ninguém reclamasse a terra, outra pessoa poderia remover a estaca antiga, fincar sua própria estaca com seu nome e as dimensões da terra, e dizer: “De acordo com a lei, reivindico esta terra. Estou em processo de possessão e ocupação e esta estaca é a prova de que, por lei, este terreno é meu.”

Os pastores e congregações que desenvolveram raízes em uma cidade ou região têm “direitos legais”, sob orientação de Deus, para reivindicar suas cidades para o Rei fincando suas estacas no território.

Mantivemos nossa fé cercada pelas quatro paredes de nossas igrejas. Agora, Deus nos chama a estendermos a fé além das fronteiras de nossas cidades e nação. Ao demarcamos o território de nossas cidades, estaremos expandindo as “paredes” de nossas igrejas. E isto nos obriga a encararmos o fato de sermos “a Igreja” na cidade, um povo sob Senhorio de Deus, composto de muitas congregações de acordo com o modelo “Igreja- cidade” do primeiro século.

Fizemos estacas de madeira e escrevemos as palavras “Renovação, Avivamento, Reconciliação”, juntamente com versículos bíblicos. Fizemos um furo no meio da estaca e uma proclamação, enrolada como um pergaminho, foi inserida nele. Havia cerca de vinte versículos nas estacas e na proclamação, um deles se encontra em Isaías 62, e diz:

“Eis que o Senhor fez ouvir até às extremidades da terra estas palavras: Dizei à filha de Sião: Eis que vem o teu Salvador; vem com ele a sua recompensa, e diante dele, o seu galardão. Chamar-vos-ão: Povo Santo, remidos do Senhor; e tu, Sião, serás chamada a Procurada, Cidade não deserta.” (Isaías 62.11,12.)

ARREPENDIMENTO, REIVINDICAÇÃO E RESISTÊNCIA

Na proclamação contida em cada estaca fincada no solo das cidades, havia esta declaração feita pelos “representantes legais” de Deus naquela cidade:

“Baseado na Palavra de Deus, manifestando apoio aos líderes desta cidade, me coloco como representante dos outros pastores que desejam: arrepender, reivindicar e resistir.

Arrependemo-nos, pedimos ao Senhor que nos perdoe pelos pecados deste Estado e desta região, especialmente, desta cidade. Pedimos perdão pelos pecados de corrupção política, preconceito racial, perversão moral, feitiçaria, ocultismo e idolatria. Clamamos que o sangue de Jesus purifique nossas mãos do derramamento de sangue inocente. Pedimos perdão pelas divisões na Igreja, perdão pelo orgulho, perdão pelos pecados da língua e qualquer outro pecado que tenha ferido a causa de Cristo. Nós nos arrependemos e nos humilhamos, clamamos misericórdia sobre nossa terra, nossa comunidade e nossas igrejas.

Reivindicamos, clamamos pela vinda do Reino de Deus, para que Sua vontade seja feita nesta cidade. Pedimos, em Nome de Jesus, o derramamento da graça, misericórdia e fogo para que haja um avivamento espiritual que cubra a comunidade, a fim de que as pessoas se voltem para Deus, se purifiquem, sejam quebrantadas e se humilhem. Clamamos que o destino desta cidade não seja frustrado. Clamamos que o Senhor visite esta cidade, nossas igrejas e lares. Que esta cidade não seja esquecida. Clamamos por uma restauração baseada na justiça. Também resistimos, em submissão a Deus, pela fé, ao inimigo e suas obras, a todas as forças e poderes demoníacos que têm escravizado esta cidade. Resistimos ao espírito de maldade que estabeleceu fortalezas nesta cidade. Resistimos aos lugares obscuros, às obras das trevas, aos lugares onde o inimigo esteja acampado. Clamamos o Nome do Senhor para que tais fortalezas espirituais sejam destruídas e proclamamos, neste dia, que esta cidade, especialmente esta região, está agora sob o poder e senhorio do Espírito Santo.

Por meio desta proclamação, avisamos a todos os outros espíritos, que desde já eles estão banidos desta terra pelo poder do Nome de Jesus. Hoje, nos colocamos na brecha e edificamos uma cerca de proteção ao redor desta cidade.”

Antes de adquirir uma propriedade, ela tem que ser avaliada. Então, é preciso que você determine se está disposto a pagar o preço pela possessão da terra. Quando demarcarmos nossas cidades, como povo de Deus, estaremos declarando guerra ao reinado satânico, através de uma ofensiva direta, destemida, sem desculpas ou hesitação. Estaremos dizendo ao inimigo: “Declaramos, diante de Deus, e queremos proclamar: Vamos tomar a cidade!” (Me senti tão compelido a isto que, juntamente com um grupo de intercessores, fui à Rua Bonnie Brae, em Los Angeles, Califórnia, local onde tudo começou e que cresceu tanto, a ponto de ser mudado para a Rua Azusa. Enquanto intercedíamos ali, naquele terreno, fincamos uma estaca! Algo parecia romper em meu coração (espero que, também, nas regiões celestiais). Senti como se tivéssemos esbarrado em um poço antigo! O entulho começava a ser removido. Que as águas da rua Azusa fluam novamente!).

Veio a mim uma palavra do Senhor a respeito de “poços antigos”, que se aplica diretamente às cidades, bem como às mais antigas denominações e igrejas. Antes que novos poços artesianos sejam perfurados, Deus vai reabrir ou desobstruir os poços antigos. Gênesis capítulo 26 nos diz que Isaque fez com que seus servos reabrissem os poços que seu pai Abraão cavara muitos anos antes no Vale de Gerar. Embora os filisteus os tivessem entulhado depois da morte de Abraão, Isaque ainda os chamou por seus nomes de origem. Ele encontrou tanta água, que teve que pelejar constantemente contra assaltantes filisteus e, finalmente, mudar-se para Berseba, ou “poço do juramento”. Foi ali que Jacó teve o encontro com o Deus vivo e descobriu seu verdadeiro direito de primogenitura no plano de Deus (Veja Gênesis 28:10-16).

O Senhor está desobstruindo poços antigos do avivamento nestes dias. Existem lugares onde a glória de Deus permanece como uma poça de água parada, um charco. As pessoas têm que vir ao poço para serem satisfeitas, mas nos padrões que Deus estabelecer.

Deus vai reabrir os poços antigos antes de trazer à tona novos poços. Um ano antes de começar a trabalhar neste livro, o Senhor falou ao meu espírito: “Vou visitar novamente os lugares de avivamentos históricos para dar outra chance ao Meu povo. Vou convocá-los a remover o entulho dos poços antigos, para que o novo avivamento seja firmado sobre as fundações do avivamento antigo.”

Em outras palavras: antes que o verdadeiro avivamento possa irromper, nos shoppings ou outros lugares, terá que começar nos altares de nossas igrejas e fluir dali pelos corredores até atingir o limiar da porta e alcançar as ruas, como cumprimento da profecia em Ezequiel 47:

“Depois disto, o homem me fez voltar à entrada do templo, e eis que saíam águas debaixo do li miar do templo, para o Oriente; porque a face da casa dava para o Oriente, e as águas vinham debaixo, da banda direita da casa, da banda do sul do altar. Ele me levou pela porta do norte e me fez dar uma volta por fora, até à porta exterior, que olha para o oriente; e eis que corriam as águas ao lado direito.

Saiu aquele homem para o Oriente, tendo na mão um cordel de medir; mediu mil côvados, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos tornozelos. Mediu mais mil e me fez passar pelas águas, águas que me dava m pelos artelhos; mediu mais mil, e me fez passar pelas águas que me davam pelos lombos. Mediu ainda outros mil, e era já um rio que eu não podia atravessar, porque as águas tinham crescido, águas que se deviam passar a nado, rio pelo qual não se podia passar. (…)

Toda criatura vivente que vive em enxames, viverá por onde quer que passe este rio, e haverá muitíssimo peixe, e aonde chegarem estas águas tornarão saudáveis as do mar, e tudo viverá por onde quer que passe este rio. (…) Junto ao rio, às ribanceiras, de uma e de outra banda, nascerá toda sorte de árvore, que dá fruto para se comer; não fenecerá a sua folha, nem faltará o seu fruto; nos seus meses produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário; o seu fruto servirá de alimento e a sua folha de remédio.” (Ezequiel 47.1-5,9,12)

Não é curioso que o rio da presença de Deus, que fluía de seu santuário, tornava-se mais profundo à medida que o profeta andava? Por fim, Ezequiel já não podia mais tocar o fundo do rio, as águas o cobriam, estavam fora de seu controle. Busco um avivamento que não possamos conter! E, sua parte mais rasa será o “templo”!

A PRÓXIMA ONDA DA GLÓRIA DE DEUS

Acredito que algumas cidades são antigos poços da unção de Deus – são lugares de avivamentos históricos – e Deus está convocando pastores e congregações nestas cidades para reabri-los.

Remover entulhos de poços antigos não é uma tarefa das mais agradáveis. Quando um pastor, amigo meu, comprou um terreno na Índia, disseram-lhe que havia um velho poço naquela propriedade. E não era um poço comum “vertical”: era inclinado horizontalmente ao lado de uma montanha.

Quando os homens daquele ministério começaram a trabalhar para remover o entulho, encontraram um amontoado de móveis e maquinário velhos e abandonados em meio ao mato que crescera por ali. Centenas de cobras também tiveram que ser removidas daquele lugar. Meu amigo me disse: “Limpamos todo o local e fomos dormir. Quando acordamos, na manhã seguinte, esperávamos encontrar uma poça de água estagnada. Mas vimos que a água começara a brotar e a fluir com tanta força que, da noite para o dia, formou-se uma torrente!”

A próxima onda de avivamento virá quando Deus desobstruir os poços artesianos de Sua glória! Muitos poços localizados nos desertos do meio- oeste dos Estados Unidos são verdadeiros lagos. Existe água suficiente, vertendo dos reservatórios naturais da terra, para mantê-los cheios quase todo o tempo, mesmo no calor do deserto. A maioria dos seres viventes do ecossistema desértico se dirige a estes oásis em busca da água de que necessitam para viver.

Nos últimos anos, Deus tem desobstruído lugares onde Sua presença permanece perenemente e, assim, Ele tem trazido vida a milhares de perdidos e crentes sedentos. Mas eles têm que ir em direção ao poço. Existe um poder na peregrinação que foi esquecido.

Agora, Deus está prestes a liberar a próxima “onda” de Sua unção. Em vez dos velhos lagos, haverá novíssimos poços artesianos cujas torrentes vão explodir com uma força imensa. De acordo com o dicionário Webster’s Ninth New Collegiate, um “poço artesiano é aquele que resulta da perfuração da terra até que água seja encontrada, e esta, por efeito da pressão interna, ascende à superfície como uma fonte; poço artesiano é o que geralmente resulta de uma perfuração em profundidade.”

Esta nova “onda” da glória de Deus será produto da perfuração do poço de Sua presença pelo Seu povo e explodirá, em nosso mundo, com tamanha força, que a presença restauradora de Deus vai ultrapassar cada barreira ou obstáculo, a fim de fluir pelas ruas áridas de nossa cidade e de nossa nação. É assim que a glória de Deus vai encher toda terra (Isaías 6.3 e Habacuque 2.14). Fontes de água da vida transbordarão!

Você não terá que ir às águas do poço artesiano, elas virão até você! Considerando que as águas, em seu percurso, sempre procuram os níveis mais baixos e os pontos que apresentam menos resistência, não é difícil entender porque Jesus, o “resplendor da glória [do Pai] e a expressão exata de Seu ser” (Hebreus 1.3a), disse: “… e aos pobres está sendo pregado o evangelho” (Mateus 11.5). A glória de Deus sempre buscou preencher o vazio na vida dos homens. Em dias vindouros, a glória de Deus vai emanar de onde menos se espera e começará a fluir e encher os que oferecerem menos resistência. E, somente ao Senhor, será tributada a glória.

O Senhor me falou, claramente, a respeito de Sua glória durante um aguaceiro incomum no sul da Califórnia. Nasci e fui criado em Louisiana, um lugar onde estamos acostumados às chuvas. Algumas vezes, chovia dias e noites sem cessar e ninguém se incomodava com isso. Mas na Califórnia é diferente: quando há chuvas prolongadas, a população sente. Naquele dia, em particular, algo estranho estava acontecendo. Era como se a Califórnia estivesse sendo tomada por uma tempestade, bem ao estilo de Louisiana. Era quase uma tempestade tropical. Em minha terra natal, as pessoas estão preparadas para as chuvas, já estão acostumadas: valas, bueiros e locais de escoamento foram construídos.

A cidade de Los Angeles, no entanto, não estava acostumada àquela quantidade de chuva. Eu estava em uma lanchonete quando o aguaceiro começou. Vinte minutos depois, percebi que a chuva não passaria e corri para o meu carro que estava estacionado na rua. A água já ultrapassara o meio fio e estava quase na altura de meus joelhos! Enquanto eu dirigia, dizia a mim mesmo: “Com certeza, eles não têm locais de escoamento ou algo assim por aqui. Não sei até onde a água chega quando chove em Louisiana, mas, certamente, nunca atinge tal nível tão depressa.”

Enquanto me encaminhava, debaixo da chuva, ao hotel, senti a presença de Deus e comecei a chorar. Minhas lágrimas se misturavam com a chuva e senti o Senhor falar ao meu coração: “Eles estão tão despreparados para a chuva natural, quanto para o desaguar do Meu Espírito. Eu também virei de repente.”

Enquanto me preparava para o culto daquela noite, ouvindo as notícias locais, o repórter que informava a previsão do tempo disse algo que me caiu como uma profecia. Ele disse: “Esta não será a última tempestade. Na verdade, elas estão acumuladas no Pacífico, como se fossem ondas, e virão uma após outra.” Ele explicou que a fonte destas ondas de chuva era o fenômeno chamado El Niño. El Niño, em espanhol, significa “O Menino” e é um termo usado para se referir ao Menino de Belém! Aquele repórter não percebeu a profundidade daquelas palavras proféticas: ele estava falando do “Menino Jesus”, a Fonte de todas as ondas de glória que estão prestes a inundar este planeta.

Naquele momento, algo me dizia: “Sim, Senhor! Mande ondas após ondas de Sua glória até que, literalmente, tudo seja inundado! Que seja removido tudo aquilo que não provém de Ti.” Faça chover, Jesus, reine sobre nós!

Geralmente, a “lei dos precedentes” se aplica a eventos que ocorrem paralelamente no mundo natural e espiritual. Minha fome pelo desencadeamento da manifestação da glória de Deus é tamanha, que mal posso expressar sua intensidade ou urgência. Minha oração é:

“Senhor, deixe que a chuva caia! Desta vez o inimigo não terá “bueiros” suficientes para escoar as águas. Sua chuva se elevará de tal forma que todos serão tomados pela poderosa onda de Sua glória. Deixe que chova, Senhor!”

Que as fontes sejam rompidas e os poços desobstruídos! Reivindique sua herança! Finque estacas pela cidade! A terra é do Senhor!

Ele já fez isto antes, Ele poderá fazê-lo novamente! Mande chuva, Senhor!

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A GLAMOURIZAÇÃO DA CHATICE

Questionador, crítico e com vocabulário elaborado. Um sujeito inteligente? Não. Trata-se apenas de um chato mesmo!

A glanourização da chatice

A Psicologia é múltipla por natureza. Engana-se quem atribui tal característica apenas em função de suas centenas de linhas teóricas. Nossa ciência também dispõe de várias teorias sobre motivação, liderança e até mesmo sobre personalidade, o que pode ser difícil de compreender para alguém não acostumado com as características das ciências humanas. Por exemplo, poucos temas foram mais controvertidos na Psicologia do que o da inteligência. Por décadas considerada como o exato sinônimo do raciocínio lógico-matemático (leia-se QI), a inteligência passou a ser explicada, a partir dos anos 80, por meio de capacidades distintas (inteligências múltiplas) que variavam da chamada inteligência linguística à (pasmem!) naturalística, na qual inteligente seria o indivíduo capaz de reconhecer e valorizar a flora e a fauna. Já nos anos 90, com a teoria da inteligência emocional (IE), a conciliação entre razão e emoção passa a ser vista como uma valiosa maneira de tornar o indivíduo um ser competente do ponto de vista social, sendo reconhecida como a “verdadeira e mais importante” das inteligências, uma vez que, de acordo com as pesquisas de Salovey e Mayer, pais do conceito de IE, tal inteligência seria capaz de sobrepujar até mesmo o tradicional QI quando o assunto era a previsão do sucesso profissional das pessoas.

Mas se, como vimos, até mesmo no meio científico a inteligência pode ser vista de maneiras diferentes, pode-se imaginar a confusão que o tema desperta junto ao chamado senso comum. Em outras palavras, a “inteligência” das ruas talvez não seja tão “inteligente” quanto se poderia supor. Talvez seja por isso que proliferam os tipos que costumo chamar de “pseudointeligentes”. A variedade de pseudointeligentes é quase ilimitada. Não há como distingui-los dos verdadeiramente inteligentes por suas cores, formas ou mesmo idades. O habitat do pseudointeligente também é variado. E o que é pior, paradoxalmente, eles abundam até mesmo nos meios acadêmicos (onde estranhamente podem se tornar contagiosos). Não há também determinada época do ano em que os pseudointeligentes proliferam, embora seja comprovado que em tempos de politicamente correto eles se multipliquem com espantosa rapidez.

As características acima mencionadas podem tornar bastante desafiadora a tarefa de identificarmos um pseudointeligente. Porém, há de se considerar que o maior desafio dessa tarefa consiste justamente no fato de haver certas semelhanças entre tal espécime e as pessoas de inteligência genuína.

Além de um discurso elaborado, na medida em que muitas vezes a capacidade de fazer perguntas descreve melhor a inteligência do que a prontidão para respondê-las, é compreensível que algumas características humanas, como a capacidade crítica e o chamado espírito questionador, sejam vistas como sinônimos de inteligência, o que até certo ponto faz todo sentido. Mas apenas até certo ponto. A supervalorização da crítica e do espírito questionador pode levar a nada mais do que a glamourização não da inteligência, mas de algo bem menos sofisticado que isso: a mais prosaica das chatices. Isso, ao lado do que já discuti nesta coluna e a que chamo de glamourização da tristeza (que explico como herança byroniana), estaria por reforçar o comportamento de hordas de sujeitos chatos e depressivos, exatamente aqueles a quem chamo de pseudointeligentes, que continuarão a existir enquanto houver pessoas que acreditam que a felicidade é uma bênção dos mansos, daqueles que pensam menos, que criticam menos e que, portanto, teriam menos a contribuir com a sociedade. Como se o mau humor fosse uma vantagem evolutiva, como se o otimismo não fosse também resultado de uma profunda análise crítica acerca das possibilidades de êxito. Como se o mundo fosse ou branco ou preto, e não uma coleção de possibilidades quase infinitas de cinzas… e de azuis, é claro!

 

LILIAN GRAZIANO – é psicóloga e doutora em Psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, onde oferece atendimento clínico, consultoria empresarial e cursos na área. graziano@psicologiapositiva.com.br

OUTROS OLHARES

A FESTA DAS BALEIAS

Avistamentos da espécie jubarte se tornam rotineiros e indicam que a população do mamífero cresce e que ele percorre novas rotas em busca de alimento

A festa das baleias

Nunca se viram tantas baleias jubarte circulando pelo litoral brasileiro. Todos os anos, durante o inverno, elas migram da região das ilhas Geórgia do Sul, na Antártida, em direção ao arquipélago de Abrolhos, no litoral da Bahia, para se acasalar e procriar, em uma viagem que chega a 18 mil quilômetros. Neste ano, porém, elas têm se comportado de maneira diferente. Continuam em busca do mesmo destino, mas estão circulando em regiões mais próximas da costa, provavelmente em busca de alimentos. Parecem também ter viajado mais cedo — se costumavam ser vistas entre junho e agosto, nesta temporada elas começaram a aparecer em maio. Em São Paulo, passaram a entrar nos canais de Santos e São Sebastião, algo raro, e no Rio de Janeiro uma canoísta fotografou uma jubarte saltando a cerca de dez metros de distância em torno das Ilhas Tijucas, em frente ao Quebra-mar da Barra da Tijuca.

A jubarte é uma baleia sem dentes, que se alimenta de pequenos crustáceos, como o krill e chega a atingir 16 metros de comprimento e a pesar 30 toneladas. Trata-se de um bicho pacífico e inteligente que se orienta pelo som e só se incomoda quando há muito barulho e confusão ao seu redor. Conta com um par de barbatanas que parecem asas e que impulsionam seus saltos. “Há uma quantidade absurda de baleias passando pelo litoral de São Paulo neste ano, muito mais do que nos anos anteriores”, afirma Júlio Cardoso, fundador da ONG Baleia À Vista, que concentra suas observações no litoral Norte, em torno de Ilhabela. Cardoso se dedica à observação de baleias e golfinhos desde 2004, mas até 2015 só viu cinco jubartes em ação na região. Em 2017, seus avistamentos de barco começaram a crescer e ele contabilizou 18 espécimes. No ano passado, o número passou para 42 em toda a temporada. E, em 2019, até agora, já foram 54. Se forem incluídas baleias avistadas a partir de um ponto fixo de observação instalado num morro de cerca de 60 metros de altura, na praia de Borrifos, o número chega a 192.

A festa das baleias. 2

CAÇA PROIBIDA

No século passado, dezenas de milhares de jubartes foram mortas impiedosamente em torno das ilhas Geórgia do Sul por baleeiros. A população da espécie chegou a ser reduzida a três mil baleias. Até que a caça fosse proibida, em 1987, ficaram perto da extinção. De lá para cá, porém, a população voltou a crescer e hoje é estimada em 20 a 30 mil espécimes. As jubartes vistas bem próximas da costa, segundo Cardoso, são animais jovens e curiosos que estão criando suas próprias rotas migratórias para deleite dos observadores da fauna. A boa notícia é que essa festa das baleias só deve se intensificar daqui para frente.

GESTÃO E CARREIRA

EMPRESAS DEVEM SE PREPARAR PARA UM NOVO MODELO DE CARREIRA

A expectativa de vida está aumentando em todo o mundo e, como resultado, as carreiras das pessoas estão definidas para durar mais tempo. “As empresas precisam se adaptar para reter o colaborador qualificado em todas as fases de sua carreira”, diz Alistair Cox, CEO da Hays.

Empresas devem se-preparar para um novo modelo de carreira

A ideia de um “trabalho para a vida” e a trajetória típica, em que as pessoas são educadas, e começam a trabalhar antes de se aposentar, já está se tornando uma coisa do passado, pois viver mais significa trabalhar além das idades atuais de aposentadoria. Como consequência, os trabalhadores estão cada vez mais procurando um novo tipo de estrutura de carreira, que permita flexibilidade para explorar outras áreas de interesse profissional e múltiplas atividades ao longo de sua vida.

“Os profissionais, mais jovens ou mais velhos, trabalharão por mais tempo do que qualquer geração anterior e é natural que busquem cada vez mais variedade em seu trabalho, como a mudança de ocupação. Isso se tornará mais comum conforme o tempo avança, o que significa que as empresas devem começar a se preparar agora, já que a estrutura tradicional das empresas está mudando”, afirmou o CEO.

As mudanças exigirão que os profissionais atualizem ou melhorem a qualificação, de modo que a educação continuada se tornará uma parte vital em vários estágios profissionais. Em vez de fazer apenas ensino superior no início da carreira, os trabalhadores precisarão garantir que eles realizem aprendizado ao longo da vida profissional. Atualização será cada vez mais recorrente.

Especialistas preveem que a carreira em múltiplos estágios deve se tornar a regra no futuro, portanto, as empresas precisam se proteger para garantir que possam acessar e reter as habilidades necessárias para obter sucesso. Com este cenário, a Hays preparou algumas dicas de como as empresas podem apoiar e até encorajar essas novas formas de trabalho.

Flexibilidade no ambiente de trabalho
Muitos contratos de trabalho não oferecem flexibilidade aos funcionários que desejam trabalhar em horários alternativos, ou que buscam outros interesses profissionais fora do trabalho. Proporcionar ao colaborador mais flexibilidade ajudará as empresas a reter colaboradores mais talentosos, que podem colaborar no desenvolvimento da companhia.

Ajude os funcionários a adotarem a mudança e o novo local de trabalho
As empresas precisam educar sua equipe sobre as opções abertas a elas e apoiá-las nessa nova estrutura de carreira. Se conseguirem nutrir o desejo de um funcionário de aprender novas habilidades ou explorar outras áreas de interesse, é mais provável que mantenham sua experiência e conhecimento por mais tempo.

Invista nas habilidades dos funcionários incentivando o aprendizado
As empresas podem incentivar os profissionais a se capacitarem ou até mesmo a tentar satisfazer seu desejo de aprender novas habilidades ou assumir um papel diferente. Fazer isso fornecerá às organizações mais habilidades à sua disposição, ajudando a combater a escassez de talentos, mas também proporcionando aos trabalhadores a liberdade de se mudar para outros cargos.

As organizações também devem procurar outros meios de apoio aos funcionários
As organizações podem oferecer retornos a profissionais que deixaram o mundo do trabalho para criar uma família, por exemplo. Isso garantirá que habilidades valiosas sejam trazidas de volta à força de trabalho. As empresas também podem criar funções de aprendizagem dirigidas a pessoas mais velhas – à medida que a idade de aposentadoria é aumentada, eles devem procurar novas carreiras. As organizações também podem oferecer trabalho remoto aos funcionários que têm compromissos em casa e que são menos capazes de fazê-lo em um escritório.

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 6 – COMO LIDAR COM O QUE É SANTO: DA UNÇÃO À GLÓRIA

 

Você calmamente inclina sua fronte em reverência quando entra em uma igreja? Eu ficaria surpreso se sua resposta fosse sim.” W. Tozer

Minha vida mudou para sempre naquele fim-de-semana de outubro, em Houston, Texas. A presença de Deus invadiu a atmosfera como um raio, rompendo o púlpito no culto dominical. Nunca me esquecerei do que disse ao pastor, meu amigo: “Deus poderia ter matado você.” Eu não estava brincando. Era como se Deus tivesse dito: “Estou aqui e quero que Minha presença seja respeitada.” A imagem do túmulo de Uzá veio à minha mente.

Quando dizemos: “Queremos Deus”, não sabemos o que estamos pedindo. Eu mesmo descobri que não sabia. Quando Deus se manifestou, nenhum de nós estava preparado para a realidade de Sua presença. Conforme mencionei antes, houve pouca pregação, não tivemos escolha. Deus tomou Sua Igreja e não permitiu que nada do que não estivesse em Seus planos acontecesse naquele culto.

A presença de Deus era tão “densa” que entendi clara e literalmente a palavra que diz:

“Tendo os sacerdotes saído do santuário, uma nuvem encheu a Casa do Senhor, de tal sorte que os sacerdotes não puderam permanecer ali, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor enchera a Casa do Senhor.” (1 Reis 8.10,11)

Deus veio tão repentina e poderosamente naquela igreja, que temíamos fazer algo que não estivesse em Seus planos. É claro que a presença de Deus sempre estivera ali, mas não da forma como a experimentamos. Tudo que podíamos fazer, naquela hora, era ficar lá sentados, tremendo. Temíamos, até mesmo, dedicar ofertas ao Senhor sem Sua permissão específica. Ficávamos nos perguntando: “O que você acha de dedicar nossas ofertas agora? Será que podemos fazer isto? E aquilo?”

REVERÊNCIA AO SENHOR

Por que hesitávamos diante de coisas tão simples e corriqueiras? Não sabíamos como lidar com a Santa Presença em nosso meio: éramos amadores nesta matéria (e ainda somos!). Percebi que as primeiras manifestações da presença de Deus aconteceram de repente e sem aviso. Mas nas visitações seguintes, Ele só veio mediante convite, e o convite era a fome por Sua presença. A questão é: Você realmente quer que Ele venha? Você está disposto a pagar o preço de ser um caçador de Deus? Então, terá que aprender como reverenciar e lidar adequadamente com a santidade de Deus. Mordomia, meu amigo!

A.W. Tozer preocupava-se com a falta de santidade na igreja. Ele percebeu que os cristãos, em geral, estavam perdendo a noção do que é Santo em seus cultos e na adoração. Para ele, tal irreverência mostrava que o povo não tinha consciência da presença de Deus no meio deles, era como se Ele não estivesse ali. Tozer observou que o anseio por uma vida espiritual estava perdendo espaço para o mundanismo. E em ambiente mundano não se produz o avivamento. Ele sentia que se a Igreja não se voltasse para Deus e buscasse um relacionamento com Ele, O Senhor procuraria outro lugar.

Agora sei porque o sumo sacerdote do Antigo Testamento pedia a seus companheiros: “Amarrem uma corda em meu tornozelo, pois estou prestes a entrar onde a glória de Deus habita. Fiz tudo o que deveria para estar pronto, mas nosso Deus é temível.”

Não tenho medo de Deus, eu O amo. Mas tenho agora um respeito por Sua glória e santidade que não tinha antes.

Costumava ser fácil lidar com a unção vinda do Senhor, mas agora sei que é algo santo. Cuido em fazer duas orações antes de ministrar: primeiramente dou graças “Obrigado, Senhor, por vir estar conosco!” E, então, suplico: “Por favor, permaneça aqui, Senhor.”

Você se lembra da sunamita estéril que preparou um quarto para o profeta Elias, em 2 Reis, Capítulo 4? Ela foi recompensada com um filho. Quando, ainda na infância, Satanás o levou, Deus mandou o profeta ressuscitá-lo. Satanás não pode roubar o que Deus traz à vida, mas esta é uma graça reservada aos que, pela fé, preparam um aposento aO que pode realizar milagres. É por isto que, com reverência, agradeço ao Senhor por ter vindo, e, então, digo-Lhe que estaremos preparando provisões para Sua volta. “Senhor, estaremos aqui para louvá-Lo na quarta, quinta e sexta-feira. Nosso único propósito é engrandecer o Seu nome e buscar a Sua face adorável.” Pela fé, creio que Ele nos visitará novamente.

A Palavra de Deus me assegura que, quando o Senhor nos visita, nada permanece como antes: sempre nasce algo novo e precioso. E, mesmo que o inimigo tente impedir, Deus move céus e terra para recuperar o que Ele mesmo criou!

É preciso ter cuidado e sensibilidade no trato com a Santidade de nosso Deus! Devemos lembrar que aquilo que é bom pode ser o pior inimigo daquilo que é melhor. Se você quer o melhor de Deus, terá que sacrificar aquilo que você pensa ser bom e aceitável. Se eu e você pudermos descobrir o que é o melhor e aceitável a Deus, então a promessa de visitação se cumprirá.

O que presenciei, em Houston, foi uma parcela daquilo que Deus está fazendo. E Ele está se movendo em preparação para mais.

MOVENDO-SE PARA O LUGAR AO QUAL PERTENCE A GLÓRIA DE DEUS

O capítulo 13 de 1 Crônicas nos diz que, após a coroação de Davi como rei e a derrota dos filisteus, o jovem soberano decidiu trazer a arca da aliança de volta a Jerusalém. Deus estava de mudança, no sentido de que Seu domicílio velho-testamentário estava se mudando do seu lugar interino de descanso para o lugar ao qual Sua glória pertencia de fato. Deus quer retornar a Seu lugar devido. Jerusalém é apresentada como a representação da Igreja. O apóstolo Paulo fez esta analogia quando falou de Jerusalém “lá de cima” como “nossa mãe” (Gálatas 4.26). Esta é a cidade espiritual ou habitação de Deus. O Senhor quer que Sua glória esteja na Igreja e que seja visível ao mundo.

Houve um tempo em que, pelo pecado ou indiferença do homem, a glória de Deus, Seu cabode (ou “Sua presença substancial”) foi removida de seu lugar. O neto do velho sacerdote Eli permanece como ícone perpétuo da ausência de Deus nos planos da humanidade profana. O pequeno recém-nascido recebeu de sua mãe o nome de Icabode, que significa “a glória se foi”. Ela entrara em trabalho de parto tão logo soube da tomada da arca, pelos filisteus, da morte de seu marido Finéias e de seu sogro.

Os filhos de Eli, Finéias e Hofni, pecaram contra o Senhor em pleno exercício de suas tarefas sacerdotais! (Será que este é o caso de incontáveis ministérios ainda hoje? Talvez se lhes reserve a mesma sorte dos filhos de Eli e sua herança será lembrada sob a insígnia: “Icabode, a glória se foi.”)

Nos 20 anos seguintes à perda da arca, o rei Saul nunca demonstrou interesse em trazê-la de volta a Jerusalém, mas Davi pensou diferente. Ele desejava, ardentemente, ver a presença de Deus restaurada no lugar de origem, em Jerusalém. Ele queria viver sob a sombra da glória de Deus.

É hora de alguém se levantar na Igreja e dizer: “A era de Saul acabou!”. Saul foi um rei segundo a carne, Davi foi um rei segundo o Espírito. Saul foi escolhido porque “desde os ombros para cima, sobressaía a todo povo” (1 Samuel 9.2). Por sua estatura e beleza, ele “pareceu” ser o mais indicado. Deus tinha o melhor para o povo, mas em Seu devido tempo. O povo insistiu e quis algo menos do que “o melhor” e Saul foi nomeado rei.

Saul perdeu, rapidamente, seu mandato dado por Deus, pois seu governo pretendia agradar aos homens e não a Deus. Não há lugar para “políticos” na obra de Deus. Enquanto filhos de Deus, o nosso “público” é composto de um só: nossa platéia é Aquele que nos criou para o louvor de Sua glória.

Davi, por outro lado, foi o rei escolhido por Deus, um homem que tinha sido equipado e treinado através de um íntimo relacionamento com seu Senhor. Quando Deus tirou o reinado das mãos de Saul e o colocou nas mãos de Davi (Veja 1 Samuel 28.17), este disse, através de suas ações: “Não usaremos caminhos humanos para buscar a Deus.”

A Igreja nunca mais será a mesma, quando pessoas como eu e você se levantarem e declararem suas intenções como Caçadores de Deus.

A APARÊNCIA NÃO IMPORTA MAIS

Existem templos belíssimos nos Estados Unidos e em qualquer país que vamos, mas não importa o que seus magníficos letreiros dizem, Deus é “persona non grata” nestes lugares. Por quê? Porque suas programações, sua dignidade e seu prestígio entre os homens são mais importantes do que a presença do Criador. Todavia, Deus está começando a dispensar Sua graça e misericórdia, e aqueles que estão realmente sedentos têm mudado. Não se importam mais com a aparência ou com o profissionalismo dos programas feitos pelos homens – estão procurando é Deus. Querem a arca da presença de Deus de volta à Igreja.

Talvez você esteja no mesmo ponto em que hoje me encontro. Já estive em tantos cultos, onde não havia a presença da “arca”. Já suportei tantas canções vazias. Estou cansado até mesmo de meu próprio ministério! Já preguei tantos sermões, sei que foram ungidos, mas não conduziram à presença d’Aquele pelo qual todos esperamos. Talvez eu tenha feito tudo que podia, mas tudo que fiz foi dar ao povo uma pista de algo imensuravelmente melhor e mais poderoso.

Só fiz fumaça do lado de fora do véu, quando, na verdade, meu desejo era ir além dele e contemplar a glória do Senhor. Sou grato pela unção, mas agora sei que Deus tem muito mais para nós – Ele mesmo. Lutei e trabalhei no ministério durante décadas, mas agora descobri que, em meio à presença de Deus, tudo que faço perde a importância. Quando a presença de Deus entra em cena, todos – crentes e ímpios, ricos e pobres, sábios e tolos, jovens e velhos –todos se prostram diante de Sua temível glória. Ao invés de ficar buscando a unção, devíamos buscar a manifestação da presença e da glória de Deus. A unção capacita a carne – cantamos ou pregamos melhor. Mas a “Glória” a consome! Que seja esta a sua busca: a glória de Deus!

Davi lembrou-se do relacionamento íntimo que tinha com Deus nos campos de seu pai. Lembrou-se do pequeno e frágil pastor de ovelhas que encarou leões, ursos e até mesmo o guerreiro mais poderoso dos filisteus. E, muitos anos depois, assim que foi coroado rei de Israel e Judá, Davi deu o primeiro passo para concretizar seu sonho:

“E disse [Davi] a toda a congregação de Israel: Se bem vos parece, e se vem isso do Senhor, nosso Deus, enviemos depressa mensageiros a todos os nossos outros irmãos, em todas as terras de Israel, e aos sacerdotes, e aos levitas com eles nas cidades e nos seus arredores, para que se reúnam conosco; tornemos a trazer para nós a arca do nosso Deus;porque nos dias de Saul não nos valemos dela.” (1 Crônicas 13.2-3, Revised English Bible).

Os “Sauls” e a carne não têm se valido da arca. Agradeço a Deus por aqueles pastores e igrejas que, famintos pela presença do Senhor, deixam tudo de lado e dizem: “Podemos ter um belo templo, um tabernáculo, mas precisamos de Deus!”

Israel possuía todos os cerimoniais, ornamentos e prescrições de Deus, mas não O tinham. Os judeus da época de Jesus tinham o tabernáculo, realizavam todo ritual de sacrifício com perfeição, “cumpriam” com as obrigações da lei, mantinham o sacerdócio levítico funcionando precisamente – mas a arca da aliança não estava lá. Creio que o véu, ao ser rasgado, também expôs o vazio da religião. Aquele rompimento revelava que o Santo dos Santos estava vazio (eles não poderiam nem suspeitar que o véu do “Santo dos Santos” acabara de ser rasgado por um soldado romano, pois o lugar estava absolutamente vazio).

Todas as tarefas eram executadas do lado de fora do véu, por detrás dele só havia o silêncio do vazio. Algumas vezes, você precisa admitir que algo está faltando e, então, empreender a viagem para recuperar a “arca”. Os fariseus não reconheciam falhas, imperfeições ou que algo estivesse faltando.

“(Reuniu, pois, Davi a todo Israel (…) para trazer a arca de Deus de Quiriate-Jearim. Então, Davi, com todo Israel, subiu (…) para fazer subir dali a arca de Deus, diante da qual é invocado o nome do Senhor, que se assenta acima dos querubins.” (1 Crônicas 13.5-6.)

Nos tempos de Davi, a arca da aliança era sinal da glória de Deus. E ela ainda se encontrava na casa de Abinadabe, em Quiriate-Jearim, onde fora deixada pelos israelitas de Bete-Semes, depois do grande morticínio que houve entre eles. Foram mortos porque se atreveram a abrir e olhar dentro da arca da presença de Deus, como se ela não passasse de uma caixa, muito bonita, porém comum. Vinte anos depois, Davi empreendeu uma peregrinação de vinte e quatro quilômetros, aproximadamente, para recuperar a glória do Senhor:

“Puseram a arca de Deus num carro novo, e a levaram da casa de Abinadabe, que estava no outeiro; e Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, guiavam o carro novo. Levaram-no com a arca de Deus, da casa de Abinadabe, que estava no outeiro; e Aiô ia adiante da arca.

Davi e toda a casa de Israel alegravam-se perante o Senhor, com toda sorte de instrumentos de pau de faia, com harpas, com saltérios, com tamborins, com pandeiros e com címbalos.

Quando chegaram à eira de Nacom, estendeu Uzá a mão à arca de Deus, e a segurou, porque os bois tropeçaram.

Então, a ira do Senhor se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu ali por esta irreverência; e morreu ali junto à arca de Deus.

Desgostou-se Davi, porque o Senhor irrompera contra Uzá; e chamou aquele lugar Perez-Uzá, até ao dia de hoje. Temeu Davi ao Senhor, naquele dia, e disse: Como virá a mim a arca do Senhor? Não quis Davi retirar para junto de si a arca do Senhor, para a cidade de Davi; mas a fez levar à casa de Obede-Edom, o geteu.” (2 Samuel 6.3-10).

Davi e seus auxiliares estavam tentando lidar com a presença santa e gloriosa de Deus, usando mãos humanas. Como você lida com a santidade e a glória de Deus? Até hoje, tudo tem sido feito do “nosso” jeito, e Deus não vai permitir isto mais. Ouvi alguém dizer que havia uma “pedra no meio do caminho” por onde deveria passar a caravana de Davi. Quem a colocou no caminho? O próprio Deus! As pedras no caminho nos forçam a diminuir o passo e perguntar: “É assim mesmo que se faz?”

A PEDRA NO MEIO DO CAMINHO

Os problemas de Davi começaram quando ele e seus auxiliares tentaram prosseguir após toparem com a “pedra”. O Senhor nunca pretendeu que Sua glória fosse carregada nas costas de instrumentos, veículos ou programas criados pelo homem. Ele sempre ordenou que Sua glória fosse transportada por “vasos humanos” santificados, separados, vasos que reverenciassem e respeitassem Sua santidade.

Os filhos de Abinadabe passaram vinte anos junto à arca. Para eles, ela era uma caixa muito bem feita, bonita, mas comum, como qualquer outra. Provavelmente se sentiram honrados em serem escolhidos para guiar o carro que levava a arca, mas nenhum daqueles jovens estava preparado e eles não conheciam as antigas prescrições concernentes à santidade de Deus. A caravana de Davi encontrou a pedra no meio do caminho, os bois tropeçaram e Uzá segurou a arca para que não caísse. O nome Uzá significa “força, coragem, majestade, segurança”. A presença de Deus nunca precisou da assistência ou orientação da força humana. E Deus nunca permitiu (nem permitirá) que o braço da carne se glorie em Sua presença, sem que experimente a morte. A glória de Deus abateu a carne que se aproximou “viva” de Sua presença, e Uzá foi morto instantaneamente.

Somente os mortos podem ver a face de Deus, e somente a carne que passou pelo arrependimento pode tocar Sua glória.

Alguém já viu alguma igreja funcionar como aquela de Jerusalém descrita no Livro de Atos? Creio que não. A morte de Ananias e Safira, por terem mentido a Deus (Atos 5.1-11), deveria ser reexaminada pela Igreja hoje. O mesmo Espírito visita a Igreja hoje e Seus padrões de santidade não mudaram. Quando a glória de Deus veio sobre aquela jovem igreja, houve temor entre o povo, e também trouxe consigo sinais e maravilhas, fazendo com que muitos fossem acrescentados àquela comunidade santa (Atos 5.11-16). Por quê? Os líderes, que eram submissos a Deus, agiam no poder e autoridade do Senhor: Se você não fez nada de errado, enquanto o “Pai” esteve fora, não precisa temê-Lo!

Tão logo a presença do Senhor nos sobrevenha, começaremos a fazer as mesmas perguntas que passaram pelo íntimo de Davi, quando ele viu quão sério era lidar com a presença manifesta de Deus. Com frequência, me pego fazendo a mesma pergunta: “Por que eu, Senhor?” Davi, o salmista e guerreiro de Deus, descobriu, de repente, uma faceta do caráter divino até então desconhecida por ele e pelos filhos de Israel. Infelizmente, é algo que a Igreja hoje também desconhece.

Davi decidiu cancelar a viagem para Jerusalém e deixar a Presença, que ele agora temia, na casa de Obede-Edom, próximo a Gate (uma antiga fortaleza filistéia). A arca permaneceu ali por três meses e o Senhor abençoou Obede-Edom juntamente com sua família e suas posses.

Por que Davi tropeçou assim como os bois que puxavam o carro? Ele estava em estado de choque. Ele havia feito tudo que sabia, da maneira mais respeitável possível. (Na verdade, os métodos de Davi foram semelhantes aos usados pelos filisteus, anos antes, para transportar a arca dentro do território israelita, de acordo com 1 Samuel 6.7). Ele, alegremente, dançava à frente do cortejo, ao redor do carro e, junto com o resto do povo, cantava e tocava instrumentos. Ele cria que Deus estava satisfeito com os esforços daquele dia.

Eles eram uma pequena e feliz “Igreja” levando a presença de Deus de volta a Seu lugar. Então, toparam com uma “pedra” na eira de Nacon, uma palavra hebraica que, curiosamente, significa “preparado”. E, obviamente, eles não estavam preparados. Quando Uzá, acidentalmente, segurou a “caixa de Deus” para que ela não caísse do carro, era como se Deus dissesse: “Basta! Até agora permiti que vocês fizessem tudo do seu jeito. Se vocês querem a Minha presença de volta a Jerusalém, terão que agir do Meu jeito.” Então, Deus feriu Uzá ali mesmo e interrompeu o cortejo de Davi. Deus saiu de Sua caixa e acabou com as programações humanas naquele dia. Chega de tentar conter Deus em programações vazias! Davi levou três meses para se recuperar, se arrepender e buscar a glória de Deus.

O mesmo acontece quando experimentamos a manifestação da glória de Deus hoje. Muitas vezes, temos a pretensão de impedir que o Deus, que cuidadosamente guardamos em uma caixa, “caia” de nossos frágeis programas. Não deveríamos ficar surpresos quando a glória de Deus rompesse nossas caixas. Algo sempre morre, quando a glória de Deus entra em contato com a carne.

Davi mudou seus planos e métodos, porque o peso da presença de Deus, subitamente, rompeu sobre ele. O rei Davi pensou: Este é um assunto sério. O que estamos fazendo? Sou a pessoa indicada para isto?

VOCÊ ESTÁ DISPOSTO A PAGAR O PREÇO?

Este é exatamente o lugar onde a Igreja está neste momento crucial: chegamos ao ponto mais importante nesta mudança de Deus onde estamos tentando transportar a glória de Deus de volta a seu devido lugar. Alcançamos o trecho onde o chão é irregular e o nosso carro novo está trepidando. É hora de nos perguntarmos: “Será que somos as pessoas mais indicadas para essa tarefa? Será que isto é o que realmente queremos? Estamos dispostos a pagar o preço e obedecer à voz de Deus a todo custo? Estaremos dispostos a aprender como lidar com a santidade de Deus?”

Devo avisar-lhe que a glória de Deus, a manifestação de Sua presença, pode “ferir” o corpo da igreja local, como fez a Uzá. Um pastor ungido se aproximaria de sua congregação com muita bondade e diplomacia para dizer:

“Se vocês não estão dispostos a buscar a face de Deus, com seriedade, então procurem outro lugar. Se não se agradam em servir ao Senhor, ou estão incomodados com a manifestação de Sua presença, é melhor procurarem outro lugar onde haja menos fome de Deus, para que possam ali permanecer. Por muito tempo, fizemos tudo do nosso jeito. Se quiserem permanecer como ‘Saul’, se estão satisfeitos em colocar Deus numa caixa, limitando-O a seus programas e procedimentos, por favor, procurem outro lugar. Devo adverti-los que ‘a pedra no meio do caminho’ está agora a nos dizer que não será possível continuarmos assim.”

Quando você topar com tal pedra, compreenderá: “Isto não funciona mais, não é assim que se faz.” É provável que, até este momento, tudo estivesse muito agradável: danças, pequenas harpas (que nem fazem tanto barulho), pessoas cantando e até alguns números tradicionais de vez em quando. Mas, quando a glória de Deus for restaurada ao Seu lugar de origem, a carne e toda pretensão humana será consumida diante de todos, e isso não será algo fácil de se ver. O arrependimento genuíno é algo que muita gente não consegue suportar.

O dia em que confidenciei ao meu amigo pastor: “Deus poderia ter matado você”, ambos sabíamos que havíamos “tropeçado no caminho”. Deus disse: “Vocês estão falando sério? Querem que Eu Me aproxime? Querem Minha presença? Então, vamos fazer do Meu jeito.”

Só Deus sabe como os israelitas manejaram a arca, quando ela foi colocada pela primeira vez na casa de Abinadabe, mas sabemos que tudo foi bem diferente depois da morte de Uzá. Uma coisa é certa: Ninguém tocou nela. O respeito pela glória de Deus marcou aquelas vidas. Provavelmente desejaram sorte a Obede-Edom, dizendo:

“Tivemos que enterrar um homem hoje! Ele foi fulminado ao tocar na arca, quando os ‘bois’ tropeçaram no caminho. Por isto, seja cuidadoso!”

Davi pensou: “Não sei se realmente quero que a arca volte a Jerusalém. Ela pode nos matar a todos.” Mas, nos três meses seguintes, ele recebeu notícias de como Deus estava abençoando Obede-Edom. De acordo com a Palavra, a bênção estava sobre a casa de Obede-Edom e tudo que ele tocava era igualmente abençoado! Incluindo suas posses, toda sua família e os animais. Havia prosperidade e saúde. Creio que Davi foi checar tais notícias com Obede-Edom:

“Sim, é verdade mesmo o que você ouviu.” “O que você fez?”

“Com certeza, não a tocamos: não deixei que as crianças chegassem perto dela. Mas desde que você a deixou em minha casa, ela parece emanar riqueza, poder e autoridade. Estas coisas simplesmente aconteceram, não tenho nada a ver com isto.”

Davi, rapidamente, repensou sua posição a respeito da arca. Ele percebeu que, se a presença e a glória de Deus trouxe bênçãos sobre uma família, o que isto poderia significar para toda uma nação? Então disse: “Tenho que levar a arca de volta ao seu devido lugar, em Jerusalém.”

Quando Davi colocou a arca no carro, pela primeira vez, ele e “todo Israel” pensaram: Deus ficará contente com isto. Veja todas estas pessoas dançando e tocando ao redor da arca.

Já que ninguém se preocupou em perguntar a Deus Sua opinião, Ele teve que acabar com a festa. “Basta, nem mais um passo. Vocês notaram este tropeço no meio do caminho?

Vamos parar por aqui! Se realmente querem que Minha presença retorne ao seu lugar, de agora em diante será do Meu jeito.”

Na segunda vez, Davi fez o que deveria ter feito desde o começo. Ele estudou nas Escrituras como Deus se moveu anteriormente. Como a arca foi transportada de um lugar para outro nos tempos de Moisés? Ele descobriu o verdadeiro propósito e função dos levitas e dos sacerdotes araônicos. E percebeu, pela primeira vez, os paus para serem colocados nas misteriosas argolas nos quatro cantos da arca. “Ah, é para isto que servem as argolas! É intrigante que o nosso majestoso Deus tenha ficado satisfeito com sua arca envergada sobre dois paus!”

NUNCA DESPREZE A GLÓRIA DE DEUS

Muitos líderes nas igrejas, que estão famintos pela presença de Deus, lêem tudo que podem a respeito do mover de Deus no passado. Por quê? Porque já topamos com a “pedra santa” no meio do caminho.

Sinto que, se realmente queremos que a santidade de Deus e a plenitude de Sua glória habitem em nosso meio, precisamos descobrir como lidar com ela de forma adequada. Sabemos que é neste ponto que a carne cai fora, mas qual é a forma mais adequada? O que De us quer que façamos? Nossa fome é grande demais para ser satisfeita com uma refeição. Queremos mais do que Sua visitação. Queremos que Ele permaneça. Queremos Seu cabode, não o “Icabode”. Queremos que Sua presença se manifeste e fique entre nós.

Estamos na mesma situação em que se encontrava o Rei Davi. O maior perigo, neste momento, é considerarmos comum aquilo que é santo. A arca da aliança permaneceu na casa de Abinadabe por um bom tempo, mas a presença de Deus não estava ali em plenitude. Alguns escritores acreditam que Uzá esteve junto à arca quando criança. Talvez ele tenha brincado com ela ou sentado nela. Se isto for verdade, é exatamente esse o motivo pelo qual a presença de Deus não estava ali em plenitude.

Quando você coloca a glória de Deus no lugar devido, a manifestação de Sua presença e poder começam a ser restaurados em cada passo dado em direção à Sua ordem original. (Poderia aquele tropeço ter vindo do peso adicional da glória, o cabode, restaurando o poder de Deus na arca?) Se não formos cuidadosos, permitiremos que as coisas santas se tornem tão comuns, que começaremos a pensar como Uzá: Veja, posso tocá-la. Cresci junto dela, é inofensiva. Vamos tocar a glória de Deus, mas será só uma vez…

Nunca tome a santa presença de Deus por algo comum. Não pense que Deus não está operando somente porque não há ninguém chorando, tremendo ou profetizando. Pense duas vezes antes de bocejar entediado. Muitos dos grandes nomes, na história da Igreja, sabiam que Deus nem sempre manifesta Sua glória de forma que os olhos da carne possam ver. Se pudessem nos aconselhar, diriam: “Não busquem sensacionalismo. Busquem Deus e O encontrarão.”

Temos que honrar a presença constante de Deus. Cuido para que ela não se torne algo tão comum para mim, que eu comece a pensar que posso, casualmente, tocar Sua santidade com minha carne. Quero o Senhor, custe o que custar, e não vou permitir que as coisas santas se tornem comuns para mim. Se você está empenhado em buscar a manifestação da glória de Deus, então ore comigo:

“Senhor Deus, estou aqui para encontrá-Lo, estou aprendendo como lidar com a santidade de Sua presença. Tenha misericórdia de mim, Senhor Jesus!”

Uma das primeiras coisas que Deus faz, quando manifesta Seu poder na Igreja, é trazer de volta o respeito por este poder. Qualquer eletricista poderá lhe dizer que antes de mexer na parte elétrica de uma casa sempre se desliga a energia: é a primeira providência a ser tomada. Por quê? Muitos admitem que já experimentaram um choque antes! E o que aprenderam com tal experiência? Adquiriram um respeito profundo e pessoal pelo poder que há na eletricidade e seus efeitos sobre a carne desprotegida.

Antes que Deus traga Seu poder sobre a terra, em Sua misericórdia, Ele primeiramente restaura nosso temor pela Sua glória e santidade. Precisamos adquirir um respeito profundo e pessoal pelo poder da glória de Deus e seus efeitos sobre a carne que não foi consumida pelo arrependimento. Isto não quer dizer que não devemos nos aproximar dela, “usá-la” ou habitar nela.

Assim como um eletricista é capaz de trabalhar junto a fios de 220 volts com segurança, uma vez que ele aprendeu a respeitar o poder da eletricidade, Davi e os israelitas aprenderam como honrar e lidar com a glória de Deus manifesta na arca da aliança. Eles até levaram consigo a arca na batalha mais tarde. Deus está nos chamando para levar Sua presença à “batalha” todos os dias como “arcas vivas” ou tabernáculos do Altíssimo. O Senhor quer que habitemos com Ele em uma comunhão íntima, mas, para isto, a carne deve morrer.

A unção e o poder de Deus virão sobre nós tão fortemente que Sua presença irá adiante de nós em nosso escritório, nas prisões, nos shoppings e onde quer que formos. Tal avivamento é baseado na presença da glória de Deus, não na obra dos homens, e, por isto, não pode ser contido pelas quatro paredes das igrejas. A glória de Deus tem que fluir pelo mundo.

Vejamos outro ponto: na segunda tentativa de Davi em restituir a glória de Deus ao devido lugar, quando convocou os levitas e os descendentes de Arão para levarem a arca, ele deu um aviso solene que se aplica a todo sumo sacerdote do Reino de Deus hoje:

“E lhes disse: Vós sois os cabeças das famílias dos levitas; santificai-vos, vós e vossos irmãos, para que façais subir a arca do Senhor, Deus de Israel, ao lugar que lhe preparei.

Pois visto que não a levastes na primeira vez, o Senhor nosso Deus irrompeu contra nós, porque então não o buscamos, segundo nos fora ordenado. (1 Crônicas 15.12,13).

A palavra hebraica traduzida como “santificar” é QADASH, e significa “separar” ou “tornar santo”. Em outras palavras, temos que nos tornar santos assim como Deus é Santo. Você sabe o quanto Davi enfatizou a importância da santificação para aqueles homens? Penso que ele disse: “Quero mostrar a vocês o túmulo daquele que não estava santificado. Vocês estão prestes a carregar a mesma arca que fez isto a ele. Então é melhor realizarem uma cerimônia de purificação agora mesmo.” Imagino que os primeiros homens a colocarem os varais nas argolas, se deram como mortos.

Somente “mortos ambulantes” podem lidar com a santidade de Deus.

VALE MAIS QUE UMA COCA-COLA

O mover do Senhor pela terra é marcado, com freqüência, por noites e noites de purificação através do arrependimento. Se permitirmos que Deus nos conduza pelo processo de arrependimento e quebrantamento, sem impedir, resistir ou apagar Seu Espírito, então, quando o cabode, a presença substancial de Deus, vier sobre nós, teremos condições de suportá-la sem medo, pois estaremos andando na pureza de Jesus e nossa carne estará morta, coberta pelo sangue do Cordeiro.

Os primeiros avivalistas do movimento pentecostal costumavam fazer algumas coisas das quais eu zombava quando jovem. Tenho uma tia que “parou de beber Coca-Cola”, enquanto estava buscando a presença de Deus em sua vida. Ela gostava muito de Coca-Cola, mas orou: “Deus, se o Senhor se manifestar a mim, nunca mais beberei outra.” Deus levou em consideração o seu pedido.

Eu costumava rir disto quando era criança e ficava balançando uma Coca-Cola na frente dela. “Olhe, você não quer?” Ela simplesmente sorria, e dizia: “Não, eu não quero.” Aquele sorriso, me fazia sentir que ela sabia algo que eu desconhecia. Agora, desde o dia em que Deus manifestou Sua presença em Houston, posso dizer: “Agora, eu a entendo, tia. Agora posso entender.” Deus vale mais que todas as outras coisas com as quais nos apegamos.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O PERIGO DA GAIOLA DOURADA

Ao contrário do que muitos pensam, nem sempre o conforto é um aliado. Às vezes ele pode ser nosso pior inimigo

O perigo da gaiola dourada

Apesar do desejo, já na infância, de ser psicóloga, demorei um pouco para me dar esse presente, de forma que a Psicologia foi minha segunda (e não primeira, como haveria de se esperar) graduação. Quando entrei no curso já era mãe de dois filhos, com aluguel e mensalidade da faculdade para pagar, vivendo a realidade de muitos brasileiros que, após um longo dia de trabalho, frequentam os cursos noturnos. Chocolate, roupa, tupperware…   fazia de tudo para conseguir uma renda extra que me ajudasse a viabilizar meu sonho. Foi com sacrifício que terminei a graduação e já no ano seguinte estava matriculada numa pós, envolvida com produção científica, congressos etc.

Foi quando conheci a Ana. Bem nascida, elegante, família rica… em suma, o oposto de mim. Ficamos amigas logo de cara. Embora fosse mais reservada nas aulas do que eu, percebi que Ana era inteligente, que tinha algo a dizer e por isso não me conformava com sua resistência em acompanhar meu ritmo de escrever artigos, fazer resenhas para a revista da faculdade, apresentar trabalhos na sessão de pôster dos congressos. Incentivava-a a participar e, cada vez mais frustrada, observava suas reticências, seu pouco entusiasmo.

Um dia, após ouvir mais um dos meus sermões de engajamento, ela me disse que o fato de sermos ambas inteligentes não era suficiente para suplantar a profunda diferença que havia entre nós: escolhas. “Você é uma aluna brilhante porque não tem escolha”, disse-me Ana com uma dureza quase elegante. “Nunca lhe ocorreu que o conforto pode também ser uma maldição? Uma gaiola dourada que nos impede de alçar voos?” Não. Tendo crescido em uma família de recursos limitados, eu nunca havia pensado no conforto nesses termos, de forma que aquela frase me trouxe uma nova perspectiva. Continuamos amigas até o final do curso, e depois disso nossas vidas tomaram rumos diferentes. Nunca mais soube da Ana. Porém, dia desses, ao refletir sobre o cenário de crise econômica que temos enfrentado, algo me fez resgatar essa história de mais de vinte anos. E isso tem a ver com a gaiola dourada. Estabilidade econômica gera gaiolas douradas. Que fique claro que não se trata de fazermos, aqui, a apologia da crise. Todos os esforços para a promoção do crescimento econômico podem e devem ser empreendidos. Mas às vezes, a despeito dos esforços, a crise nos pega de jeito: menos clientes, menos trabalho, desemprego. Tempos sombrios que trazem tristeza, medo, ansiedade, e tantas outras legítimas emoções desagradáveis de sentir, sobre as quais não pretendo me deter neste texto. O perigo é que o sofrimento nos paralise e nos torne cegos para as oportunidades que a crise é capaz de trazer.

Consideremos a questão do tempo. Vivemos reclamando não ter tempo para fazer o que gostaríamos: escrever um livro, fazer jardinagem ou um trabalho voluntário. De repente os clientes rareiam, o volume de trabalho diminui ou, por causa de uma demissão, vai a zero. E então o que fazemos? Passamos parte do tempo tentando resgatar os clientes e o trabalho, é claro! Mas ainda assim, enquanto eles não vêm, nos sobra tempo. E o que fazemos com ele? Nada.

Mas felizmente há aqueles que, compulsoriamente expulsos da gaiola dourada, ousam o voo.

De acordo com o levantamento da Associação Brasileira de Startups, o número de startups no Brasil teve um crescimento de 40% no período de junho de 2015 a junho de 2016 e, de acordo com a mesma entidade, esse número não para de crescer. Isso porque, felizmente, existem aqueles que, diante da perda de um emprego, preferem, ao invés de se jogar pela janela (sim, há aqueles que, literalmente, o fazem), se jogar no mercado, aproveitando o que minha amiga Ana talvez chamasse de “falta de escolhas” para ir atrás de seus sonhos. Sim, até mesmo a crise tem seu lado positivo e percebê-lo pode ser, mais do que uma questão de sobrevivência, uma oportunidade para a realização.

 

LILIAN GRAZIANO – é psicóloga e doutora em Psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, onde oferece atendimento clínico, consultoria empresarial e cursos na área. graziano@psicologiapositiva.com.br

OUTROS OLHARES

PADRES SEM BATINA

A Igreja Católica se ressente da falta de missionários dedicados a pregar a palavra de Deus em regiões remotas e cogita liberar na Amazônia a ordenação de homens casados e de comprovada fé

Padres sem batina

Não é de hoje que a Igreja Católica perde espaço para outras religiões por falta de padres que levem a palavra de Deus até os lugares mais longínquos. Há uma espécie de carência de trabalho árduo propagando a fé. Para tentar sanar esse problema, um documento preparatório para o Sínodo da Amazônia, assembleia de bispos, que será realizada em outubro em Roma, recomenda que se permita na região a ordenação de laicos casados, sobretudo de indígenas que comprovem a sua fé. São os chamados “viri probati”, homens não celibatários que podem exercer atividades eclesiais e celebrar a eucaristia. A decisão final sobre esse tipo de ordenação ainda não tem prazo para ser tomada, mas conta com a simpatia de bispos progressistas e moderados. Embora o documento ressalte que “o celibato é um presente para a Igreja”, há a recomendação de que “nas zonas mais remotas da região se estude a possibilidade de ordenação sacerdotal de idosos respeitados e aceitos por sua comunidade, ainda que já tenham uma família constituída e estável”. Considera-se também a hipótese de que mulheres missionárias tenham permissão para fazer a catequese.

 “Essa questão da ordenação de padres casados é um horizonte, não uma decisão, mas um debate que está se iniciando”, afirma dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). “Ninguém é contra o celibato, mas não podemos ignorar nossas dificuldades locais”. A diocese de Porto Velho é um bom exemplo da escassez de sacerdotes na região amazônica. Ela reúne cerca de 950 mil habitantes, se expande por uma área de 87 mil quilômetros quadrados e conta com apenas 42 padres. A diocese abrange 26 paróquias e quatro áreas missionárias que não estão sendo devidamente atendidas. “Nós temos uma situação de poucos sacerdotes para a região e precisamos superar a tendência de uma igreja que seja apenas de visitação, que passem pelos lugares, para uma igreja presente, encarnada, que permanece”, diz dom Roque Paloschi. Uma das maiores circunscrições eclesiásticas do País, o Xingu, com 365 mil quilômetros quadrados, conta com somente 27 padres.

Padres sem batina. 2

CONCÍLIO DE LATRÃO

A Igreja da Amazônia enfrenta um dilema grave. Os poucos sacerdotes que ali atuam têm dificuldade para circular pela região, onde as comunidades estão separadas por longas distâncias. Precisam de barcos, carros, animais para fazer seu trabalho. Há comunidades que passam meses sem receber padres para celebrar missas e ouvir confissões. O que se defende é que haja um novo tipo de sacerdote ao lado do tradicional que possa dar atenção ao seu rebanho. Uma das consequências dessa baixa presença de católicos é o aumento do número de seguidores de religiões evangélicas. No começo do século, 19,8% da população amazônica era evangélica seguiam tal credo e o percentual subiu para 28,5% em 2010. Das 340 etnias indígenas presentes na região, 182 contam hoje com missionários evangélicos e representantes da população local.

Na prática, o encontro de bispos irá alimentar a velha discussão sobre o fim do celibato. A decisão em relação à Amazônia pode abrir a possibilidade de ordenação de homens casados em outras partes do mundo. Não é a primeira vez que isso acontecerá. Em 2009, o papa Bento XVI autorizou a ordenação de sacerdotes anglicanos conservadores que abandonaram a Igreja Inglesa e decidiram se converter ao catolicismo. Na ocasião, foi permitida a conversão sem que houvesse a obrigação de se adotar o celibato. Em 2017, o papa Francisco já havia considerado a possibilidade de ordenar homens casados em regiões remotas para suprir a falta de missionários. A sugestão de ordenar “viri probati” teria vindo do cardeal emérito de São Paulo dom Cláudio Hummes, que será o relator geral do Sínodo da Amazônia.

O celibato foi imposto pela igreja no século 12. No primeiro e no segundo Concílio de Trento, realizados, respectivamente, em 1123 e 1139, foram condenados e tornados inválidos tanto o concubinato quanto o casamento de clérigos. O celibato era defendido para que os padres pudessem se dedicar totalmente à Igreja, sem qualquer entrave familiar e ficassem mais livres e disponíveis para propagarem sua fé. Outra razão do impedimento de casamento de padres era evitar problemas de herança e garantir preservação e o aumento do patrimônio da Igreja. Em 1563, o Concílio de Latrão impôs o celibato para o clero da América Latina. Agora, poderão ser abertas exceções. O celibato não é um dogma e, portanto, trata-se de uma prática que pode ser alterada.

Padres sem batina. 3

GESTÃO E CARREIRA

O OLHO DO FURACÃO

O momento atual no ambiente corporativo nos apresenta muitos desafios que vão além de qualquer preparo técnico desenvolvido nos últimos anos

O olho do furacão

Provavelmente, os gestores e seus líderes de equipe podem estar diante de situações jamais   previstas na economia de mercado que surge como subproduto do momento político nacional. A impossibilidade de prever as rápidas mudanças causa turbulências que resultam em perdas substanciais muitas vezes impossíveis de serem recuperadas.

Como fazer previsões, dentro de uma realidade como essa? É impraticável. Em um primeiro   momento, talvez a avaliação que se faça é que a melhor forma de minimizar as possíveis perdas em uma política interna de recessão, que também pode ter impactos negativos de forma direta e acabar prejudicando essa mesma estrutura interna e refletindo, negativamente, na produtividade e/ou serviços. Caso não existam intervenções assertivas o momento pode destruir toda história de conquistas na construção do estado de ânimo do corpo laboral. Um forte aparato de ferramentas deve ser colocado em serviço pelo departamento de RH.

Procurar manter elevado auto- conceito realmente envolve grande esforço dos gestores e líderes, mas é o investimento que pode manter uma força coesa em prol da manutenção de   um estado de ânimo positivo. Lembrando apenas que esforço não significa custo financeiro e sim criatividade e atitude.

Elementos simples podem ser incorporados ou, caso já existam na organização, devem ser   valorizados com uma incrementação de valores. Começando pelo Briefing e Debriefing, processos simples e fáceis de serem efetuados que, necessariamente, nem precisam ser realizados pelos líderes de fato. Pode existir uma rotatividade nessas ações.

O briefing – que ocorre no início da jornada – trata-se do momento em que a Missão é declarada e os Valores da empresa ressaltados, direcionando o sentimento de pertencimento para um objetivo comum. O time se une para enfrentar mais um dia que pode fazer toda diferença.

O Debriefing – momento final do período de trabalho -, um retrospecto de toda a jornada que deve ser cuidadosamente relatado. Erros e acertos! O que ficou para amanhã?  Como podemos fazer melhor? Esse é o instante em que a equipe recupera a agenda produtiva e se programa para a jornada seguinte.  Os erros devem ser destacados de forma impessoal, não se trata da pessoa e sim do problema. A busca por soluções é conjunta e a prospecção de resultados deve ser discutida de forma ampla.

Outro hábito que deve ser implantado é o Job Rotation Senior. Já conhecido de todos, no momento da entrada do profissional na empresa, a troca de funções pode ser uma boa alternativa para criar elevação de moral. Maximizar o aproveitamento das habilidades ou   competências precisa ser o fator destacado do gestor em qualquer período de crise. Aqui, a escolha pode ser do próprio colaborador, realizada por meio de um simples instrumento de avaliação. Basta um questionário com poucas perguntas avaliando se ele está satisfeito com o seu posto e em qual outra posição na instituição ele se sentiria mais produtivo.

Talentos podem estar escondidos abafados pelos ruídos das preocupações com o futuro.  Permitir a realização de um sonho, que necessariamente não significa realização profissional, é o mesmo que declarar confiança e respeito pelo trabalhador. Ao fim do período programado, uma nova e rápida avaliação deve ser efetuada para aferir os resultados obtidos. Se o caminho apontado é a troca de função, uma nova programação pode ser elaborada, e um plano de realocação, colocado em prática.

Fato é que, no instante em que o gestor percebe a primeira parede de vento da tormenta ele deve se preparar para o momento seguinte: o “olho do furacão”.  Ao contrário do dito popular, estar no olho do furacão não é igual a um momento cheio de turbulência, trata-se de uma calmaria vigilante, pois o círculo de vento ronda os 360 graus do campo de visão. O bom gestor deve aproveitar o silêncio dos ventos e montar suas barricadas compostas de tudo de melhor que seus colaboradores podem possuir.

Como duplo pesquisador, o gestor (e também o líder de equipe) deve ter um olho no telescópio, enxergando longe as movimentações externas, e outro no microscópio, descobrindo talentos em sua própria equipe e permitindo a extração de toda a capacidade desses elementos. A visão do jardineiro, que cuida carinhosamente de suas flores, deve ser   imediatamente substituída pela do mineiro, que cava em profundidade para extrair ouro do centro da terra.

Focando no potencial interno, criando possibilidades para a manutenção de uma elevada   autoestima corporativa junto ao investimento para o surgimento de habilidades inertes, a   instituição pode transpor terrenos minados criando pontes ao invés de passos letárgicos. A diferença está na credibilidade do organismo institucional em suas capacidades de automotivação e renovação de talentos dentro do mesmo grupo.

Bernardino Ramazzini, célebre médico italiano, em 1700 efetuou a primeira classificação e    sistematização de doenças do trabalho com a publicação de seu livro De Morbis Artificum   Diatriba, considerada um verdadeiro marco na análise das doenças que podem surgir com a atividade laboral. Dessa época até os tempos atuais, poucos foram os pesquisadores que investiram na possibilidade da atuação, no ambiente de trabalho, de servir como componente na construção de uma saúde física e mental.  O contrário parece mais fácil de ser alcançado.

 

JOÃO OLIVEIRA – é publicitário e psicólogo. Atua como palestrante e facilitador de cursos/treinamentos em todo o Brasil. Diretor de Cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (www.isec.psc.br). Entre seus livros, estão: Jogos para Gestão de Pessoas: Maratona para o Desenvolvimento Organizacional, Mente Humana: Entenda Melhor a Psicologia da Vida e Saiba Quem Está à sua Frente – Análise Comportamental pelas Expressões Faciais e Corporais (WAK Editora).

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPITULO 5 – VAMOS FUGIR OU ENTRAR?

 

UMA CHANCE PARA ENCONTRAR AQUELE QUE VOCÊ SEMPRE SOUBE QUE ESTAVA LÁ

Quando vejo pela noite, nas festas ou em bares, pessoas bebendo e agindo como verdadeiros ímpios não posso evitar, mas, de certa forma, eu gosto delas! Geralmente, não estão fingindo: sabem muito bem quem são e o que estão fazendo. (Os que realmente me irritam são aqueles que fingem ser algo que não são!) Quando passo por um barzinho ou boate, quase sempre me vem à mente um pensamento inusitado: Senhor, por que não aqui? Por que não manifesta Sua presença neste lugar?

Para mim, o avivamento ocorre quando a glória de Deus rompe as quatro paredes de nossa igreja e flui pelas ruas. O avivamento que tomaria proporções históricas em nossos tempos seria aquele em que a glória de Deus se manifestasse em shoppings às sextas-feiras à noite. Eu adoraria ver as administrações destes shoppings sendo obrigadas a contratar capelães que trabalhassem em tempo integral, para atender às pessoas que fossem encontradas chorando e se arrependendo pelos corredores. E seriam muitas!

Eu quero ver as linhas telefônicas ficarem congestionadas, tamanho o número de chamadas por ministros voluntários para lidarem com o fluxo de pessoas que seriam convencidas de seu pecado ao atravessar as cidades. (Os seguranças sabem como lidar com os “trombadinhas”, mas o que fariam com as pessoas que viessem até eles angustiadas e arrependidas?) Que venha esse dia!

Creio que Deus tem suscitado uma tal fome pela Sua presença que, no “dia do Senhor” (se Seu povo buscá-Lo), as igrejas existentes não serão capazes de lidar com a explosão de almas perdidas buscando salvação. A Igreja moderna é, na melhor das hipóteses, uma assistente social, ou, na pior das hipóteses, um museu onde está exposto tudo aquilo que já foi um dia. Nossas prateleiras estão abarrotadas, mas com o “produto” errado. Estão repletas de rituais religiosos concebidos por homens e ninguém, em sã consciência, está faminto por isto! Celebrações religiosas, cerimônias e ritos vazios não despertam o apetite de ninguém. Se oferecêssemos Jesus, as massas famintas viriam. Talvez não haja o “produto” certo em nossos cultos, porque, como já vimos, tem um custo.

A Igreja, hoje, está na metade do caminho em sua jornada pelo deserto. Estamos acampados ao pé do Monte Sinai, como os filhos de Israel no livro de Êxodo. Chegamos ao ponto decisivo. E agora? Vamos fugir ou entrar?

“Subiu Moisés a Deus, e do monte o Senhor o chamou e lhe disse: Assim falarás à casa de Jacó, e anunciarás aos filhos de Israel: Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos cheguei a mim. Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel. ” (Êxodo 19.3-6).

Estamos diante de uma linguagem neotestamentária nas páginas do Antigo Testamento. Ao povo foi dada a opção de saltar a um nível mais elevado de intimidade (Veja 1 Pedro 2:9).

 CHEGAMOS A UM MONTE DA DECISÃO

Podemos nos alegrar com as “sarças ardentes”, com nossos primeiros encontros com Deus e com tudo que Ele pode nos fazer ou proporcionar. Mas, agora chegamos ao momento da decisão: estamos diante de uma bifurcação no caminho. Deus nos tirou do pecado e do mundo e fez de nós um povo. Durante a jornada pelo deserto, Deus estava constituindo um povo daquele que não era povo.

Pedro escreveu:

“… vós, sim, que antes, não éreis povo, mas agora sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora, alcançastes misericórdia “. (1 Pedro 2.10)

Deus tomou escravos, analfabetos e sem auto- estima, plantou neles Seu caráter e colocou sobre eles Seu nome. Deus os tirou do Egito e disse: ‘Agora, farei de vocês um povo.” Ele estava, literalmente, constituindo uma Noiva.

Não foi fácil, mas o Senhor conduziu os descendentes de Abraão ao pé do Monte Sinai. Quando aquela multidão teve fome, Deus queria que eles O buscassem, Ele queria saciá-los, mas eles censuraram Moisés e declararam como seria bom voltar ao Egito, o lugar de sua escravidão. Todavia, Moisés orou e Deus proveu maná e codornizes. O mesmo aconteceu quando não havia água. Ao invés de clamar a Deus e confiar em Sua abundante providência, eles imediatamente murmuraram contra Moisés, fazendo menção dos “bons tempos” no Egito. Deus tinha algo melhor para os filhos de Israel: Se passarmos deste monte, posso ter esperança em conduzi-los pelo resto do caminho.

CHAMADOS PARA O CORAÇÃO DE DEUS

A triste verdade do livro de Êxodo é que o grupo que Deus levou ao Monte Sinai não foi o mesmo que Ele conduziu através do Rio Jordão em direção à terra prometida. Algo aconteceu naquele monte. O Senhor os chamou, e fez deles uma nação pela primeira vez na história de suas vidas. Ele os chamou a um lugar – um lugar de bênção e de transformação – e eles se recusaram. Este “lugar” não era um simples ponto no mapa.

Embora Deus lhes tivesse prometido uma terra, a bênção não era um pedaço de chão. Deus os chamou para Ele, um lugar prometido n’Ele, em Seu coração. Ele os chamou para o lugar da Aliança, um lugar de intimidade com o Criador, um lugar que não havia sido oferecido a nenhum outro povo da terra naquele tempo. Eis o segredo da terra prometida: pensamos que a ideia de um “reino de sacerdotes” é exclusivamente neotestamentária, mas este era o plano original de Deus para Israel!

“Disse também o Senhor a Moisés: Vai ao povo, e purifica-o hoje e amanhã. Lavem eles as suas vestes, e estejam prontos para o terceiro dia: porque no terceiro dia o Senhor à vista de todo o povo, descerá sobre o monte Sinai. (…) Quando soar longamente a buzina, então, subirão ao monte.” (Êxodo 19.10,11,13b)

A primeira geração de israelitas não alcançou a terra prometida, a verdadeira causa de seu fracasso pode ser encontrada ali ao pé do Monte Sinai. Deus pretendia que todos os israelitas se achegassem a Ele no monte, mas eles não se sentiram bem com a ideia.

“Todo o povo presenciou os trovões e os relâmpagos, e o clangor da trombeta, e o monte fumegante: e o povo, observando, se estremeceu e ficou de longe. Disseram a Moisés: Fala-nos tu, e te ouviremos; porém não fale Deus conosco, para que não morramos. Respondeu Moisés ao povo: Não temais; Deus veio para vos provar, e para que o seu temor esteja diante de vós, afim de que não pequeis. O povo estava de longe e m pé; Moisés, porém, se chegou à nuvem escura onde Deus estava.” (Êxodo 20.18-21.)

Eles viram os relâmpagos, ouviram os trovões e recuaram atemorizados. Eles fugiram da presença de Deus, ao invés de buscá-La, como Moisés fez. O estilo de liderança escolhido por Deus não os agradou: o Todo-Poderoso não “amenizou” a manifestação de Seu poder para agradá-los, nem tampouco fará isto hoje.

Eles fugiram da intimidade com o Senhor e, como consequência, não entraram na terra prometida. Vagaram pelo deserto, até que fosse exterminada aquela geração. Preferiram um respeito à distância a um relacionamento íntimo.

A morte da primeira geração de israelitas no deserto não estava no plano original de Deus. Ele queria conduzir o mesmo povo que tirou da terra da escravidão até a terra prometida. Ele queria que Sua nova nação se apossasse de sua própria terra e herança, mas isto não foi possível por causa do medo e da incredulidade deles. Já estavam sentenciados quando atravessaram o Jordão, e tudo começou quando se afastaram da presença de Deus no Monte Sinai. Foi ali que fugiram de Deus e pediram que Moisés intermediasse este relacionamento. A Igreja tem padecido do mesmo mal. Geralmente, preferimos que um homem se coloque entre nós e Deus. As raízes deste medo percorrem o caminho de volta ao Jardim do Éden. Adão e Eva se esconderam, temerosos e envergonhados, enquanto Deus esperava por uma doce comunhão.

VAMOS FUGIR OU ENTRAR?

Agora, observe sua Igreja. Posso garantir com certa segurança que alguns na congregação estão aí “desde o começo”. Outros vieram poucos meses depois ou muitos anos mais tarde, e alguns são novos convertidos. Não importa, hoje Deus conduz todos vocês ao monte. Vocês, que “não eram povo”, foram feitos povo. Deus os tirou da escravidão do pecado. Alguns foram tirados de relações impróprias, outros foram arrancados do jugo do alcoolismo ou das drogas, outros foram libertados da miséria, depressão crônica e outras escravidões infernais. Mas aqui estamos, ao pé do monte do Senhor, ouvindo Seu chamado para que nos acheguemos. Agora, enfrentamos o mesmo desafio dos filhos de Israel há milhares de anos atrás: Vamos fugir ou entrar? Entrar aonde? Na presença de Deus.

Há uma ansiedade e uma expectativa na Igreja hoje. E provável que você, assim como eu, possa sentir que “não estamos muito longe”. Alguns estudiosos dizem que, passado o Monte Sinai, bastava uma marcha de poucos dias para alcançar a terra prometida. O que os fez demorar tanto? Sua resistência em se achegar a Deus. O medo da intimidade semeou o medo do inimigo. Posso dizer o mesmo a respeito de muitas igrejas hoje e sinto que estamos em uma encruzilhada.

Acreditamos estar longe demais para voltar ou muito cansados para prosseguir viagem. A questão é: O que Deus diz? Creio que a vontade do Senhor é que tomemos consciência de onde estamos, busquemos Sua face e recebamos o que Ele tem para nossa vida hoje.

Você e eu vamos fazer duas coisas daqui para frente:

1. Vamos crescer no relacionamento com Deus, custe o que custar,

ou

2. Vamos voltar para o lugar de onde viemos e continuarmos a ser aqueles crentes viciados em programações, reuniões e sessões, fazendo tudo que pessoas de bem, como nós, devem fazer?

Se decidirmos equivocadamente, um dia vamos lamentar: “Aquele era o tempo.”

Não sei quanto a você, mas quanto a mim, não quero envelhecer e olhar com arrependimento para o passado, dizendo: “Bons tempos aqueles…” E por que eu faria isto, quando posso viver o agora com Deus? Posso experimentar o que Ele tem para mim a cada instante. Se ousarmos seguir Deus hoje, ao olharmos para trás diremos: “Oh, sim, eu me lembro daqueles anos, foram antes do avivamento…”.

NOSSO FUTURO DEPENDE DE NOSSA VISÃO

Nosso futuro vai depender de nossa visão agora, este é o tempo da decisão. Se nossa visão for: “Estamos satisfeitos com nosso trabalho até aqui”, então continuaremos fazendo as mesmas coisas de hoje. Mas, se ousarmos dizer: “Obrigado Senhor… mas onde está o resto? Tem que haver mais! Mostre-nos Sua glória!”, nosso futuro será totalmente diferente.

Satanás tem obtido “bons resultados” ao fazer os crentes cruzarem falsas linhas de chegada. Ele trabalha incansavelmente para isto. Corremos poucos quilômetros e dizemos: “Conseguimos!” Ele se delicia ao nos ver sentados no acostamento. E, então, percebemos, no último momento, que a linha de chegada está mais adiante. O apóstolo Paulo sabia do que estava falando:

“…esquecendo-me das cousas que para trás ficam e avançando para as que adiante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Filipenses 3.13b,14)

Precisamos tirar lições do que aconteceu no Monte Sinai. Foi ali que os israelitas construíram um tabernáculo de acordo com as instruções que Deus deu a Moisés. Foi no Monte Sinai que Deus revelou a Moisés Sua lei e os Dez Mandamentos. Porém, outros fatos, igualmente importantes, aconteceram: foi naquele lugar que um bezerro de ouro, destinado à idolatria, foi criado.

Em primeiro lugar, Deus revelou Sua intenção de lidar com o povo de forma direta e pessoal. Até então, era Moisés quem relatava ao povo tudo que Deus dizia.

Aquele era, pois, um tempo de transição, um período em que Deus estava dizendo: “Tudo bem, é hora de crescer. De agora em diante, quero tratar com vocês diretamente, como uma nação de sacerdotes. Não quero intermediários. Amo Moisés, mas não quero ficar falando com vocês através dele. Quero falar diretamente com vocês, como Minha nação, Meu povo”.

AINDA EXISTEM MUITOS “BEBÊS DE COLO” NOS BANCOS DAS IGREJAS

Infelizmente, o problema dos israelitas repete-se hoje em dia. Os cristãos estão tão acostumados a unção, boas pregações e bom ensino, que muitos se comportam como crianças de peito. Querem sentar-se em bancos acolchoados, em templo com ar-condicionado, onde alguém possa mastigar o que Deus tem a dizer e colocar em suas boquinhas. Têm medo de se engasgarem com aquelas mensagens “duras demais”. Seu aparelho digestivo é muito frágil e não está acostumado à dura verdade!

Quando estivermos realmente famintos e desesperados, não precisaremos de “intermediários”. Temos que orar:

“Deus, estou cansado de assistir à experiência dos outros com o Senhor! Onde está a chave do meu quarto de oração? Vou ficar trancado ali até que, eu mesmo, possa experimentá-Lo!”

Fazemos bem em ler a Palavra, sem dúvida, é muito importante. Mas precisamos lembrar que a Igreja Primitiva não teve acesso, por muitos anos, ao que chamamos de Novo Testamento. E nem mesmo possuía as Escrituras do Antigo Testamento, porque os pergaminhos ficavam trancados nas sinagogas. Partes da Lei, dos Salmos e dos Profetas, transmitidos oralmente por seus avós (se fossem judeus), eram as únicas Escrituras de que dispunham. O que eles tinham, afinal? Intimidade com Deus em um nível tão enriquecedor, que não havia necessidade de se debruçarem sobre antigas epístolas. As cartas de amor de Deus estavam sendo impressas em seus próprios corações: eles se tornaram “cartas vivas” (Minhas afirmações, aqui, não significam que eu pense que a Bíblia seja desnecessária ou irrelevante. Não penso que Ela seja nada menos que a ungida e infalível Palavra de Deus. Meu propósito é alertar os cristãos contra a prática de ler a Bíblia sempre sob uma perspectiva passada: “Veja o que Deus fez antigamente, com aquele povo! Pena que Ele não aja assim hoje.” A Palavra de Deus nos conduz a algo muito maior – ao Deus da Palavra. Algumas vezes penso que quase caímos em uma espécie de idolatria, quando tendemos a louvar a Palavra de Deus mais do que o Deus da Palavra.).

O Espírito Santo está dizendo: “Ser resgatado do pecado foi uma experiência grandiosa em sua vida. Você está vivendo no tempo da graça e pode contar sempre com a Minha presença. Sei que você está sob uma boa liderança, mas o que realmente quero é fazê-lo crescer, levá-lo a um novo nível de intimidade.”

A busca pelo avivamento, em si, nunca fez com que ele acontecesse. O avivamento só nasceu quando o povo buscou a Deus. E muita pretensão acharmos que podemos controlar um avivamento, não podemos determinar “quando, como e onde”. Isso seria tão irracional quanto tentar controlar um furacão!

Se você puder mantê-lo sob controle, então, não será avivamento. Será o que estamos habituados a ver: uma série de boas conferências, repletas de excelentes pregações, salpicadas por obras de homens! Pode ser muito bom para nós, podemos “curtir” cada minuto, mas isto não é avivamento. Temos que encarar o fato de que nos tornamos viciados nas programações que acompanham a Igreja. Mas não era este o propósito original de Deus, não é isto que Ele chama de “Igreja”.

Tenho uma forte impressão de que Deus está prestes a colocar tudo isto de lado e nos perguntar: “E, então, quem Me ama? Quem, realmente, Me quer?”. É hora de buscar o Avivador ao invés do avivamento!

Deus está cansado de relacionamentos à distância com Seu povo. Ele já estava cansado disto há milhares de anos, já no tempo de Moisés. Ele quer um relacionamento íntimo e próximo, com você e comigo. Ele quer invadir nossas casas com Sua presença de uma forma tão poderosa, que aqueles que vierem nos visitar sejam convencidos do pecado ao entrarem pela porta.

FUGIR OU ENTRAR

“Todo o povo presenciou os trovões e os relâmpagos, e o clangor da trombeta, e o monte fumegante: e o povo, observando, se estremeceu e ficou de longe. (…) O povo estava de longe, em pé; Moisés, porém, se chegou à nuvem escura onde Deus estava”. (Êxodo 20.18,21)

Que dicotomia divina! Um correu para dentro, o outro fugiu desesperado!

Deus estava chamando o povo para Sua intimidade, mas ele correu para o lado oposto! Disseram a Moisés:

“… não fale Deus conosco, para que não morramos” (Êxodo 20.19). Eles entenderam que somente quem se enquadrasse no padrão de Deus, descrito nos Dez Mandamentos, poderia sobreviver em Sua presença. Ao fugir, estavam dizendo: “Não queremos nos submeter a isto! Não deixe que Deus fale conosco agora!”

O que o Senhor queria, quando os Dez Mandamentos foram entregues a Moisés, era purificar o comportamento de Seu povo para que pudesse tê-lo mais perto.

Deus queria, mais uma vez, andar com o homem no frescor do dia. Ele queria sentar-Se com Seu povo e compartilhar com ele o Seu coração em doce e terna comunhão.

Nada mudou, meu amigo! Ele ainda busca o mesmo relacionamento com você e comigo. A reação mais adequada do povo naquela situação seria responder: “Sim, Senhor, fale conosco mesmo se tivermos que morrer!”

A triste realidade é que a maior parte dos cristãos não tem noção do que seja viver na presença constante de Deus, porque se recusam a retirar as impurezas de suas vidas. E, os que tentam retirá-las, se detêm diante do legalismo.

OUÇA OS PASSOS DO PAI

Os israelitas expressaram seu medo a Moisés, que lhes explicou:

“Não temais; Deus veio para vos provar, e para que seu temor esteja diante de vós, a fim de que não pequeis.” (Êxodo 20.20)

Você já reparou como os passos de nossos pais pareciam mais fortes quando vinham em nossa direção, principalmente se estivéssemos fazendo algo errado? Era isto que os israelitas estavam ouvindo, os passos do Pai.

A Bíblia diz que “o povo ficou de longe”, enquanto “Moisés se chegou à nuvem escura onde Deus estava” (Êxodo 20.21). Que imagem! O povo corria para um lado e Moisés corria para outro, dizendo: “Venham! É o Senhor que está aqui! Ele só quer que nos aproximemos. Ele nunca fez isto antes. Eu já havia me aproximado antes, mas agora Ele quer que façamos isto juntos.”

Deus sempre começa pela liderança: Moisés já havia se achegado àquela nuvem. Mas, naquele dia, Deus queria que os israelitas se juntassem a Moisés, e eles fugiram. Parece que a história do povo judeu declinou a partir do momento em que Deus disse: “Venham!”, e o povo disse: “Nem pensar!” Este problema não era exclusivo do povo de Deus no tempo de Moisés: ele está bem presente na Igreja hoje.

AS PESSOAS NÃO QUEREM COMPROMISSO SÉRIO COM DEUS

Algo nos faz temer o compromisso que nasce da intimidade com Deus. Talvez porque intimidade requeira pureza. A intimidade requer o fim dos dias de diversão e entretenimento na Igreja. O que quero dizer com “diversão e entretenimento”? Bem, se para você isto significa “muita emoção e pouco compromisso”, então, você não tem feito mais do que “flertar” com Deus. Preciso entrar em detalhes?

Alguns só querem as emoções e os arrepios, mas sem usar a aliança de compromisso. São como “garimpeiros religiosos” em busca de unção, dons e bênçãos, felizes com bombons, flores e joias. Deus está cansado disto! O Senhor busca uma noiva, não uma namorada, alguém que vá se envolver em intimidade e em comprometimento com Ele.

Temo que muitas pessoas na Igreja se aproximem de Deus para obter o que desejam, sem, na verdade, estarem comprometidas. Deus está dizendo à Sua Igreja: “Não é isto que Eu quero.” Se a Igreja quer o Noivo, temos que nos comprometer. Temos buscado “amor sem compromisso”, mas Deus está dizendo: “Intimidade”. O avivamento nasce da intimidade. O fruto do avivamento vem do compromisso com o Noivo. Os filhos são frutos da intimidade. É hora de nos aproximarmos.

Geralmente, colocamos os carros na frente dos bois. “Queremos o avivamento!” dizemos, mas não mencionamos nada sobre intimidade. Procuramos o avivamento sem procurarmos por Deus. É como se alguém do sexo oposto chegasse para você, dizendo: “Quero filhos! Não lhe conheço bem, nem sei se gosto de você. Não quero casamento nem compromisso, mas quero filhos. Que tal?”

Líderes têm escrito uma infinidade de livros do tipo “como fazer as igrejas crescerem”, mas parece que a mensagem que está por trás é: “Veja como fazer a Igreja crescer, sem maiores compromissos com o Senhor.” Temos nos esforçado muito em procurar atalhos, lugares que não passem pela intimidade. Por quê? Porque tudo o que queremos é uma “penca de filhos” sentados nos bancos da igreja para que possamos comparar com as de outras famílias (igrejas). Os filhos, por si mesmos, não formam um lar! Eles devem ser frutos de um relacionamento de amor e intimidade. Francamente, muitas de nossas igrejas parecem fazer “produções independentes”. Onde está o “Pai”?

O que devemos, realmente, buscar é um relacionamento real com Deus. Quando o marido e sua esposa se amam, não é difícil imaginar que terão filhos. É uma conseqüência natural do processo de intimidade.

Por que os maiores avivamentos do último século não aconteceram em solo americano? Acho que a escassez das manifestações de Deus a uma Nação é proporcional ao declínio da moralidade e do nível de compromisso do seu povo com o Senhor. Penso que a busca do povo americano por um crescimento profundo em intimidade com Deus implicaria quedas nas taxas de divórcio e casamentos desfeitos. Em outras palavras: temos esquecido a nossa arte tão louvável de nos comprometermos com Deus. Como fizemos a escolha de fugirmos da presença d’Ele no monte, todos os outros compromissos em nossas vidas começaram a se deteriorar e desmoronar da mesma forma.

 “CRENTES DE INCUBADORA” NÃO CRIAM RAÍZES

A maioria dos cristãos, hoje em dia, vive em “incubadoras”: só se desenvolvem em um ambiente acolhedor, longe do medo, angústia ou perseguição. “Ser perseguido em nome de Jesus? Deus me livre.”

Se forem retirados de seu ambiente confortável e colocados no mundo real, onde sopra o vento da adversidade e cai a chuva amarga das perseguições, ou tiverem que encarar sol forte e a estiagem prolongada, eles descobrirão que nunca desenvolveram raízes na incubadora. Logo, murcharão, dizendo: “Não fui feito para isto!”

Deus tratou comigo de tal forma, que tive que redefinir alguns de meus critérios quanto ao que significa ser “salvo”. Se a presença de Deus só se manifesta em nossas vidas em “ambientes perfeitos”, o que dizer dos cristãos que padeceram (e padecem) perseguições? Deus não estava em suas vidas? Em sua época não havia seminários, corais, nem os últimos hits evangélicos. Não havia templos com ar-condicionado, introdutores, conselheiros, enfermarias, sistemas computadorizados ou santuários carpetados. Seu ambiente não era dos mais agradáveis. Se fossem pegos cultuando ao Senhor, pagavam caro.

Li o relato de um grupo de cristãos chineses que foram pegos durante um culto. Os oficiais colocaram um cocho no meio da cidade e obrigaram todos a urinarem dentro dele. Então, mergulharam ali o pastor, bem diante de seus olhos! Sabe o que aconteceu? A congregação dobrou de tamanho em duas semanas e não foi por causa de seu belo santuário ou da equipe de louvor. O verdadeiro crescimento da Igreja, sob qualquer situação, quer de liberdade ou perseguição, só pode vir de um íntimo conhecimento do Deus Vivo.

A CONFISSÃO DAQUELES QUE O AMAM

Os que amam o Senhor não avaliam seu relacionamento com Ele pela situação de sua vida financeira, emocional ou pelo “aproveitamento do culto”. Antes, fazem suas as palavras de Paulo:

“Porém, em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus.” (Atos 20.24)

Esta é a confissão daqueles que amam o Senhor, daqueles que estão em íntima comunhão com seu Criador.

Deus está chamando. A primeira vez que Ele me revelou isto, tremi e chorei diante do povo: “Hoje, vocês estão no Monte Sinai e Deus está chamando para um relacionamento pessoal com Ele. Se você ousar responder a este chamado, tudo que tem feito até hoje será mudado.” E o mesmo que lhe digo agora: sua decisão hoje irá determinar avanço ou retrocesso na sua caminhada com Cristo.

A intimidade com o Senhor requer um certo nível de quebrantamento, pois é do quebrantamento que nasce a pureza. O “culto-entretenimento” acabou, meu amigo… Deus está lhe chamando!

Será que não queremos subir ao Monte, porque Deus vai olhar dentro de nossos corações (e sabemos muito bem o que Ele vai encontrar)? Temos que tratar não só de nossas ações exteriores, mas de nossas motivações internas. Temos que estar limpos, porque Deus não pode revelar Sua face a uma Igreja “mais ou menos” pura, pois ela seria consumida em questão de segundos.

O Senhor chama à purificação todos aqueles que clamam por avivamento. É por você que Ele está procurando. Deus quer que você se aproxime. Mas, para isto, Ele terá que tratá-lo. Isto significa que você terá que morrer. O mesmo Deus que disse a Moisés “Nenhum homem viu a Minha face e viveu”, hoje, lhe chama. Então, lembre-se de passar pelo altar do perdão e do sacrifício no seu caminho para o Santo dos Santos. Está na hora de deixar nosso ego na cruz, crucificar nossa vontade e deixar de lado nossos compromissos carnais.

Deus convida você para um nível mais elevado de comprometimento. Esqueça os planos que já estão traçados: deixe-os no altar de Deus e morra para si mesmo. Ore: “Deus, o que o Senhor quer que eu faça?” É hora de deixar tudo de lado e cobrir-se com o sangue. Nada pode sobreviver na presença de Deus. Mas se você estiver morto, Ele fará com que viva. Se você quiser desfrutar da presença de Deus, tudo o que tem a fazer é morrer.

Quando o apóstolo Paulo escreveu: “Dia após dia morro!”, ele estava dizendo: “Dia após dia, entro na presença de Deus” (1 Coríntios 15.31b). Não fuja, entre!

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O LADO NEGRO DO AMOR

Traços de personalidade influenciam as escolhas do parceiro e os ideais românticos

O lado negro do amor

Segundo pesquisadores europeus, o amor tem um lado negro, que está associado a determinados traços de personalidade. Para aqueles que apresentam o traço chamado de maquiavelismo, o uso instrumental do parceiro prepondera sobre os sentimentos verdadeiros, desejo de ter intimidade e confiança. Para essas pessoas, a percepção do quanto podem obter ganhos em posição social, poder, prestígio e dinheiro é mais importante, e estes se tornam os alvos esperados de seus ideais românticos.

O maquiavelismo é um dos três elementos da chamada “dark triad”, ou tríade negra, composta dos traços de narcisismo, psicopatia e maquiavelismo. São as características mais sombrias da natureza humana e causam uma variedade de problemas nas relações e na sociedade, estando frequentemente associadas. O maquiavelismo é um traço de personalidade caracterizado por atitude manipulativa e exploradora frente aos outros, falta de empatia e uma visão cónica da natureza humana. A personalidade maquiavélica é marcada pela insensibilidade, frieza, dominância, e seus interesses são sempre voltados para si mesmo e seus projetos. Uma combinação de atributos que inclui uma busca constante   por poder e dominância social, uso utilitário das pessoas e dissimulação, imprimindo um comportamento pragmático nas relações humanas e também no amor.

Vários estudos já haviam conectado o maquiavelismo com o estilo amoroso denominado amor “pragma”, que envolve baixos níveis de intimidade e comprometimento na relação, baixa inteligência emocional, baixos níveis de empatia, desconfiança quanto ao parceiro, estratégias relacionais destrutivas, estilo de apego ligado a desprezo e intimidação. A sexualidade abrange uma variedade de atitudes promíscuas e hostis, incluindo fingir amor para manipular, divulgar segredos sexuais para terceiras partes, entre outros comportamentos.

Ideais românticos são construtos conceituais e imaginativos que determinam precisamente as características ótimas de um parceiro, e as expectativas frente ao self, ao parceiro e à relação. Sérias pesquisas mostraram que a percepção do self em certo atributo tende a ser acompanhada da concepção do parceiro ideal, ou seja, quanto mais uma pessoa se avalia tendo certo atributo, maior serão suas expectativas perante o parceiro na mesma dimensão.   Portanto, os ideais românticos servem como pontos de ancoragem ou padrões que governam a escolha de parceiro e a avaliação da relação. Durante o relacionamento, são feitas comparações contínuas entre os traços percebidos do parceiro e a imagem ideal armazenada na memória.

No entanto, pessoas maquiavélicas podem exibir escolha de parceiros com traços complementares, como, por exemplo, uma mulher dominante que demanda atenção busca relação com um parceiro submisso e permissivo que ela pode manipular e explorar. Maquiavelismo leva a usar os parceiros como meios para atingir seus objetivos, movidos por foco em seus interesses próprios, mais do que por formar relações emocionalmente significativas.

Em um artigo publicado no Europe’s Journal of Psychology, os autores conduziram a primeira investigação que se voltou para a relação direta entre maquiavelismo e os ideais românticos. Os resultados mostraram que existe uma correlação negativa entre as características do parceiro ideal de calor humano e confiança, e forte correlação positiva entre status social, recursos e poder. Personalidades maquiavélicas não se sentem atraídas por lealdade e calor humano. Os dados mostraram que essas personalidades têm como meta principal achar um parceiro que possua uma grande soma de recursos financeiros e outros recursos materiais e um status proeminente na hierarquia social. Devido a sua atitude pragmática, elas avaliam os outros em termos de utilidade para seu progresso individual na carreira ou planos de vida.

Embora o padrão geral de parceiro ideal valorize inteligência, criatividade, imaginação, curiosidade e orientação emocional positiva, personalidades maquiavélicas não acham essas caraterísticas atraentes. Pelo contrário, sua preferência é por parceiros mais submissos, dependentes e adaptáveis que podem ser mais facilmente influenciados e mais previsíveis.  Assim, podem obter aquilo que mais procuram em uma relação, o controle total.

O papel da atratividade no maquiavelismo é diferente do usual, pois essas personalidades não esperam que seus parceiros sejam atraentes, mas sim que eles mesmos sejam fisicamente atraentes e causem uma impressão favorável. Ter uma apresentação de si   mesmo atraente é mais importante do que a estética do parceiro, como um meio de subir no ranking social e de obter mais, em uma sociedade cada vez mais narcisista. Nossa sociedade está estruturada de forma que essas personalidades frequentemente têm “sucesso” na vida, pelo menos nos seus objetivos, embora as pesquisas mostrem baixos níveis de bem-estar subjetivo, tanto para si e para seus parceiros.

 

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed, 2011).

OUTROS OLHARES

O MUNDO DOS SELOS RAROS

A filatelia enfraqueceu, virou quase uma excentricidade no Brasil, mas a venda na Alemanha do “Erro de impressão Baden” por 1,26 milhão de euros mostra que ela não está morta

O mundo dos selos raros

Selos parecem coisas ultrapassadas e fora de moda. Não embelezam mais as cartas, hoje se preferem carimbos, e nem tantas cartas se usam. Foi-se o tempo em que receber um envelope com um selo bonito era uma alegria e também uma fonte de informação. Certamente há muitas crianças, hoje em dia, que nem sabem o que é um selo. Apesar dessa notável insignificância, na semana passada, num leilão na Alemanha, um deles foi vendido pela incrível soma de 1,26 milhão de euros. Se for considerado pelo seu peso, é um dos objetos mais valiosos que existem. Seu nome é Erro de impressão Baden. Foi impresso num tom verde azulado em vez do padrão rosa lilás de sua série. Está estampado num envelope datado de 26 de agosto de 1851. Só existem dois selos do tipo, de 9 centavos, com o mesmo erro. O outro está na coleção do Museu Postal de Berlim.

Esse não é o preço mais alto já pago por um selo. Na Europa, o Three Skilling Yellow, impresso na Suécia, em 1855, foi vendido nos anos 1990 por 2,2 milhões de dólares. Há também o imbatível Black on Magenta, que mede 2,5 por 3,8 centímetros e foi produzido na Guiana Inglesa em 1856, quando houve uma escassez de selos vindos da Inglaterra que ameaçava as remessas postais. Foi impresso em pequena tiragem na gráfica de um jornal e o único magenta de um penny que sobreviveu foi esse. Leiloado pela Sotheby’s de Nova York, em 2014, foi arrematado por US$ 9,5 milhões. O diretor de projetos especiais da casa de leilões, David Redden, o classificou na ocasião como “um objeto mágico, a definição própria de raridade e valor em um nível extraordinário”. O selo mostra uma imagem de um navio de três mastros e o lema dos colonos britânicos: “Nós damos e esperamos retorno”.

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PEDACINHO DE PAPEL

Alguém pode se perguntar: por que se paga tanto por um pedacinho de papel? Porque eles têm importância histórica e um valor simbólico e cultural. E porque há colecionadores e países que ainda o valorizam. Na Inglaterra, por exemplo, há uma empresa que lastreia seus fundos de investimento em selos e moedas raras, apostando que eles podem dar um bom retorno. A Stanley Gibbons chegou a se instalar no Brasil em 2013, mas logo fechou seu escritório. “O que mais valoriza um selo é a exceção, a falha, o defeito”, diz o filatelista Ygor Chrispin. Não é por acaso que alguns dos selos mais caros do mundo contêm falhas de impressão e mudanças de cor. “De um modo geral, o mercado de selos está diminuindo, há uma tendência de queda de preço por causa do enfraquecimento da demanda, mas as casas de leilões europeias e americanas ainda dedicam bastante atenção a eles e sempre há interessados nas raridades”.

No Brasil, segundo país a lançar selos postais no mundo, depois da Inglaterra, a filatelia anda devagar. Mas ela tem história. A primeira série brasileira foi a do conhecido Olho de Boi, impressa em 1843 nos valores de 30, 60 e 90 réis. É um dos selos mais valiosos que existem. Em 2008, uma peça com três desses selos juntos, um de 30 e dois de 60 réis, foi vendida num leilão nos Estados Unidos por US$ 2,1 milhões. Mesmo assim, os negócios hoje são escassos. Numa pesquisa no Google conta-se nos dedos das mãos o número de lojas filatélicas que existem em São Paulo. Nos anos 1980, havia dezenas dessas lojas no centro da cidade. Chrispin, de 31 anos, cuja coleção soma cerca de 25 mil selos, reconhece o enfraquecimento dos negócios e a diminuição do interesse dos jovens pelo assunto. Ele estima que existam cerca de cinco mil colecionadores no País. Apesar disso, ainda restam filatelistas apaixonados. Uma surpresa pode acontecer e uma raridade altamente valorizada, aparecer.

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GESTÃO E CARREIRA

PAIXÃO PELO QUE FAZ

Infelizmente, muitas pessoas acreditam que seguir com seus sonhos profissionais é ilusão, por isso usam algumas desculpas como muleta para reforçar tal crença limitante

Paixão pelo que faz

“Trabalho é amor tornado visível. Todo trabalho é vazio a não ser que haja amor.” Essa   frase de Khalil Gibran, poeta que trouxe profundas reflexões sobre o sentido da vida, paixão e trabalho, orienta como a profissão pode se tornar um verdadeiro ato de amor para alguém, sendo um instrumento para dar expressão às suas próprias capacidades. A paixão pelo que se exerce é importantíssima para a realização pessoal e para tornar único o seu próprio trabalho. E esse sentimento pode fazer toda a diferença no dia a dia e, principalmente, no crescimento profissional e pessoal.

Mas será que isso é possível nos dias de hoje? É utopia ou realidade seguir uma paixão, um sonho profissional? Ao refletir sobre quanto o trabalho as ocupa em grande parte da vida, é possível perceber que as pessoas passam, em média, oito horas por dia, durante cinco dias por semana, ou até muito mais tempo, dedicando toda a atenção, energia e ideias a determinada função.

Quando essa dedicação se torna obrigação, ela passa a ser um peso. Nesse caso, vale a pena refletir sobre o que se gosta e se deseja realizar, afinal é muito tempo investido no trabalho para que ele seja simplesmente descartado quando acaba o expediente. É fundamental a busca por aquilo que motiva e cativa, mesmo que as coisas não aconteçam no ritmo e da maneira que se deseja.

Com certeza, fazer uma reflexão sobre o tema é um pouco mais complexo e profundo do que parece, já que o desemprego continua sendo um problema. Porém, se for esperar para agir até que todas as condições estejam ideais, você nunca irá atrás dos seus sonhos e daquilo que realmente vai realizá-lo.

O trabalho dos sonhos nem sempre é possível de imediato, mas isso não significa que é preciso desistir deles ou deixar de demonstrar talento em outros trabalhos, pois eles fazem crescer e aperfeiçoar habilidades para chegar cada vez mais próximo da profissão desejada. Podem existir momentos em que é preciso tempo para amadurecer e fortalecer o autoconhecimento, além de sabedoria e humildade para trilhar o caminho e subir cada degrau necessário.

Até a profissão dos nossos sonhos possui aspectos repetitivos, estressantes, muitas vezes chatos e pouco divertidos. Por isso, a reflexão sobre o amor pela carreira vai além do trabalho ideal e perfeito. Algumas atitudes mentais podem ajudar nessa reflexão.

Respeitar as próprias conquistas é fundamental em qualquer área que se esteja inserido. Qualquer emprego pode dar satisfação, aprendizado e promover o crescimento pessoal e profissional, mesmo que não seja aquele que tanto sonhou. O importante é respeitá-lo e identificar de que forma pode ser útil, como ele afeta positivamente a vida, quais são os lados satisfatórios que oferece e compreender que esse aprendizado faz parte do caminho para chegar ao propósito.

Viver com entusiasmo vai garantir a qualidade de vida, mesmo que você ainda não esteja na posição sonhada. Quando se tem por verdade que é necessário viver uma situação ideal e perfeita para ter paixão e entusiasmo, dificilmente se experimentarão tais sensações. É apenas quando se decide viver com entusiasmo e paixão pela vida que se percebem quantas oportunidades existem ao redor.

Gratidão é o que mantém as pessoas satisfeitas, independentemente de onde elas estejam. Quem possui esse sentimento pelo trabalho enfrenta com mais facilidade as responsabilidades que ele comporta e, assim, consegue perceber os pontos positivos dele. A gratidão é um sentimento que desperta emoções positivas nas pessoas, seja na vida pessoal ou profissional. Muitas vezes, acredita-se que os sonhos e desejos são difíceis de serem realizados e que os problemas são tão grandes que somente um milagre ou grandes esforços poderão resolvê-los. Dessa forma, não são percebidos o peso e a influência das próprias atitudes na concretização dos resultados. A gratidão antecipada, isto é, ser grato antes mesmo dos resultados acontecerem, é a verdadeira mudança de mentalidade e de paradigmas.

A magia acontece quando os seus objetivos saem da mente e chegam ao coração. É nesse momento que as pessoas se apaixonam por uma ideia, um projeto, um sonho e eles se tornam reais, mesmo que ainda não tenham se materializado e que precisem de algum tempo e preparação para isso.

É importante entender que a paixão, no seu significado geral, é um sentimento profundo que o impulsiona a definir objetivos desafiadores e a usar a criatividade para atingi-los, determinando as transformações que se deseja, seja no trabalho atual ou na busca da carreira que mais expressa nossas potencialidades e talentos.

 

EDUARDO SHINYASHIKI – é palestrante, consultor organizacional, especialista em Desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. É presidente do Instituto Eduardo Shinyashiki e também escritor e autor de importantes livros como Transforme seus Sonhos em Vida (Editora Gente), sua publicação mais recente. www.edushin.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPITULO 4 – OS MORTOS VEEM A FACE DE DEUS

 

O CAMINHO SECRETO QUE NOS LEVA À SUA PRESENÇA

“Sei que está aqui em algum lugar, estou bem próximo. Deve haver um caminho para chegar até lá. Aqui está. Este caminho não parece muito agradável. É um caminho precário. Deixe-me ver como se chama… Arrependimento. Será que o caminho é este mesmo? Tem certeza de que é assim que poderei desfrutar da presença de Deus e de Sua face? Acho que vou perguntar para outra pessoa. Moisés, você já esteve lá, diga-me!”

“Disse o Senhor a Moisés: Farei também isto que disseste; porque achaste graça aos meus olhos, e eu te conheço pelo teu nome. Então ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória. [Respondeu-lhe]: Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá.” (Êxodo 33.17,18,20)

Quando Moisés pediu que Deus lhe mostrasse Sua glória, o Senhor lhe avisou que nenhum homem poderia vê-Lo e viver. E esta verdade permanece. Somente os que morrem podem ver a Deus. Existe uma estreita relação entre a glória de Deus e a nossa morte. Quando insistiu em seu pedido, dizendo: “Eu quero, preciso ver”, Moisés já tinha em mãos o esboço do tabernáculo. Ele foi o homem escolhido por Deus para receber os detalhes arquitetônicos do modelo de salvação pré-Calvário, que veio antes do plano definitivo para resgate do homem. Provavelmente, Moisés olhou para o tabernáculo, para a lei, e pensou: “Isso deve ser uma espécie de modelo daquilo que Deus ainda vai fazer. E só um protótipo, uma sombra. Ainda não é isto.” Creio que ele sabia que os móveis e utensílios do tabernáculo tinham um significado simbólico. A obra que começou era grande demais para ser concluída em uma geração. Por isso, Moisés queria ver o produto final, e pediu: “Mostre-me Sua glória.” O Senhor respondeu: “Você não pode vê-La, só os que morrem podem ver Minha face.”

É por isso que gosto de ler a respeito de visionários intercessores como Aimee Semple McPherson e William Seymour que costumavam passar noites inteiras com a cabeça sobre uma caixa de maçã intercedendo e orando para que a glória de Deus se manifestasse. Creio que, quando intercessores se levantarem no meio do povo de Deus para clamar por Sua presença, chegará o tempo em que o Senhor finalmente dirá: “É isto. Não vou esperar mais. Já está na hora!”

Foi isto que aconteceu na Argentina em 1950. Um homem chamado Edward Miller escreveu o livro “Cry for me, Argentina” (Chore por mim, Argentina), no qual ele descreve as origens do avivamento argentino – cuja finalidade era abalar a América do Sul e o mundo. O Sr. Miller está na casa dos 90 anos hoje, e, por mais de quatro décadas, foi um dos poucos missionários pentecostais, comprometidos com o evangelho pleno, atuantes na Argentina. Ele conta como 50 alunos do Instituto Bíblico Argentino, à época dirigido por ele, começaram a orar e experimentaram a presença e ação do Senhor. As aulas tiveram que ser suspensas, tamanho o comprometimento daqueles jovens com a intercessão por seu país, a Argentina. Diariamente, durante 49 dias seguidos, eles oraram e intercederam por sua Nação. O país era um deserto espiritual naquele tempo. O Sr. Miller conhecera somente 600 crentes cheios do Espírito, em todo o país, durante os anos de governo de Juan Perón. Ele me disse que nunca vira tantas pessoas chorando e clamando, por tanto tempo, daquela maneira. As origens e propósitos daquele clamor só podiam ser espirituais.

A verdade é que não sabemos muito sobre intercessão nos dias de hoje. Para muitos, interceder significa ficar repreendendo o inimigo, mas não é disso que precisamos: só precisamos que o “Pai” se manifeste.

AQUILO SÓ PODERIA SER DESCRITO COMO UM CHORO SOBRENATURAL

O Sr. Miller me disse que aqueles jovens intercessores choraram e clamaram sem cessar. Ele mencionou um jovem que encostou a cabeça na parede e chorou. Quatro horas depois, suas lágrimas escorriam pela parede. Seis horas se passaram e ele estava sobre uma poça formada por suas próprias lágrimas! Aquele era um clamor sobrenatural, esta era a única explicação. Eles não estavam simplesmente se arrependendo por algo que tinham feito. Foram movidos pelo Espírito a um “arrependimento vicário”, no qual começaram a arrepender-se por causa de coisas que aconteceram entre outras pessoas em sua cidade, sua região e em seu país.

O Sr. Miller conta que, no quinquagésimo dia de intercessão contínua perante o Senhor, veio a eles uma palavra profética: “Não chore mais, pois o Leão da Tribo de Judá prevaleceu contra o príncipe da Argentina.” Dezoito meses mais tarde, argentinos aglomeravam-se em cultos evangelísticos realizados em estádios de futebol com capacidade para 180 mil pessoas e, mesmo os maiores estádios do país não eram grandes o suficiente para abrigar as multidões.

Nunca me esquecerei do que aquele homem me disse:

“Se Deus puder contar com pessoas entre Seu povo, em uma determinada região, que rejeitem o domínio satânico com humildade, quebrantamento, arrependimento e intercessão, então Ele vai entregar uma “ordem de despejo” ao poder demoníaco vigente naquela área. E quando assim Deus o fizer, veremos a manifestação de Sua glória.”

Oro para que os céus se abram sobre nossas cidades e nossa nação, para que a glória de Deus se manifeste; que as fortalezas demoníacas sejam quebradas e que as pessoas ao nosso redor não possam mais resistir. Como isto pode acontecer? Através da manifestação da glória de Deus. Sim, intercessores se levantarão para fechar as portas do inferno e abrir as janelas do céu!

CONTENTAMO-NOS EM DANÇAR AO REDOR DA SARÇA ARDENTE

Quando achamos que o culto foi realmente muito bom, ou quando sentimos o que chamamos de avivamento, logo nos acomodamos, deixamos de lado nossa busca pelo Senhor e dançamos ao redor das “sarças ardentes” que encontramos. Ficamos tão maravilhados com elas que nunca voltamos ao Egito para libertar o povo!

Deus está dizendo à Sua Igreja que ser abençoado não é o suficiente. Receber Sua unção e Seus dons não é o suficiente. Eu não quero mais bênçãos, quero Aquele que abençoa. Não quero mais dons, quero Aquele que os concede. “Por acaso você está dizendo que não crê em dons e que não quer as bênçãos de Deus?” Não! Estou dizendo que, algumas vezes, ficamos tão ansiosos para experimentar algo sobrenatural, que nos desviamos do propósito divino. Não fique empolgado com o que Deus pode dar, empolgue-se com o que Ele é.

Meu ministério exige que eu viaje com frequência e, quando volto para minha família, logo sou bombardeado com perguntas: “O que você trouxe para mim, papai? Comprou alguma coisa?” Compreendo que é normal para as crianças, mas o que realmente quero, aquilo que sonho a cada dia que estou longe, é o momento em que minha filha de seis anos vem, carinhosamente, para meu colo sem pensar nos brinquedos que estão na mala. São momentos como estes que também ficarão na memória de minhas filhas daqui a alguns anos. Creio nisto, pois os brinquedos logo desaparecem ou são esquecidos em algum lugar.

Nosso Pai espera o mesmo. Os caçadores de Deus querem é Deus! As “coisas” que Deus pode dar não são suficientes para aquele que é um homem segundo o coração de Deus (Atos 13.22).

Quando Deus se manifesta, geralmente estamos com os olhos no lugar errado, na “mala”. Queremos Seus “brinquedos” espirituais (O termo “brinquedos” foi usado para descrever nossa atitude diante dos dons e bênçãos de Deus. Não estou, de forma alguma, tentando menosprezar seu verdadeiro valor e significado. Deus não nos deu dons tão preciosos tais como profecia, discernimento ou cura para que impressionemos a carne ou para que possamos influenciar pessoas. Tais dons nos são dados com o propósito de edificar e equipar o Corpo de Cristo para o trabalho na obra de Deus). Dizemos-Lhe: “Toca-me, abençoa-me, Pai!” Temos transformado nossas igrejas em “clubes da bênção”. Em nenhuma passagem bíblica o altar é o “lugar da bênção”. O altar só existe com um propósito, pergunte àquele cordeirinho que era levado até lá. Não é um lugar de bênção, é um lugar de sacrifício, morte. Se admitirmos esta morte, talvez possamos ver a face de Deus.

POR QUE ESTAMOS FALANDO TANTO DE MORTE?

No Novo Testamento, morte equivale a arrependimento, quebrantamento e humildade diante de Deus, é disto que estou falando. Muitas vezes, parece que não passamos de “simpatizantes” da Palavra de Deus. Dizemos que é verdade, mas agimos como se não fosse. E se Deus estiver falando sério? E se somente os mortos puderem ver Sua face? É impressionante como aceitamos aquilo que não é o que deveria. Estou batendo nesta tecla porque a Igreja corre o sério risco de mais uma vez contentar-se com a “sarça ardente”, enquanto Deus se manifesta de forma poderosa.

Existe um propósito por trás das vigílias de oração que estão sendo feitas no mundo inteiro, e não é que simplesmente sejamos abençoados. Deus quer abrir os céus sobre nossas cidades para que os perdidos conheçam Seu Senhorio e amor. Este é o verdadeiro propósito da manifestação de Deus entre os homens. Temos que tirar nossos olhos dos “brinquedos” e fixá-los nos propósitos do Senhor…

Como Moisés, precisamos clamar: “Obrigado, Senhor, mas não é suficiente: queremos mais, queremos ver mais, queremos ver Sua glória. Não queremos somente saber onde o Senhor esteve, mas queremos ver para onde o Senhor está indo!”

É isto que estou buscando. Só quero saber para onde Deus está indo, para que eu possa estar por perto. Ele é soberano em Suas escolhas quanto a lugares. Ninguém risca um fósforo para acender a sarça. Só Deus pode fazer isto. A parte que nos cabe é vagar pelo deserto até encontrarmos o lugar certo e, então, lembrarmos de tirar os sapatos diante da terra santa.

JÁ POSSO SENTIR A FUMAÇA NO AR…

Algumas vezes vou a lugares onde posso sentir o cheiro de fumaça no ar… o cheiro daquelas folhas que ardem e não se queimam. Parece que estamos perto do lugar onde Deus nos mostrará Seu propósito por trás de tudo isto.

Muito do que temos visto até agora é a renovação da Igreja. Talvez avivamento não seja a melhor definição para o que estamos vendo, pois traz a idéia de algo que não tinha vida. Não tenho palavras para conceituar ou descrever o que Deus está prestes a fazer. Como você poderia descrever um maremoto? Como falar do que Deus pode fazer com Sua indizível graça e poder?

A forma como Deus tratou com Nínive é o modelo bíblico com o qual eu sonho. Desejo ver uma onda do poder de Deus varrendo a cidade, arrastando toda arrogância humana e deixando para trás nada menos que uma trilha de arrependimento e quebrantamento. Estou faminto por um avivamento como o descrito em Jonas, quando uma cidade inteira se rendeu em arrependimento e jejum.

Este tipo de avivamento deveria ter acontecido em Nazaré, mas não aconteceu. Nazaré teria sido um excelente lugar porque teve o melhor pregador que já existiu. Jesus levantou-se na sinagoga de Nazaré e declarou: “O Espírito do Senhor está sobre mim…” E leu diante deles o que faria -curar os doentes, abrir os olhos dos cegos, libertar os cativos – mas a incredulidade do povo nazareno se colocou como obstáculo. Precisamos atentar para esta triste história, pois Nazaré era o “cenário bíblico” no tempo de Jesus, era um bom lugar para que o avivamento ocorresse [Não podemos nos deixar levar pela aparência de um lugar ou de um povo.].

Não me importo com aparências: somente Deus conhece Seus planos para o futuro. Muitos cristãos logo descartam metrópoles como Los Angeles, Nova Iorque, Detroit, Chicago ou Houston. Los Angeles é o abrigo de milhares de lugares pornográficos e também da indústria cinematográfica de Hollywood. Nínive talvez fosse o lugar menos provável para um avivamento naqueles dias! Nem precisamos mencionar as cidades de Xangai, Nova Deli, Calcutá, Rio de Janeiro… a lista é enorme! Mas, se alguém puder encontrar o interruptor, a glória de Deus vai inundar estas cidades. É assim que deve ser, pois a Palavra nos diz que a “glória do Senhor encherá toda a terra”! (Números 14.21).

SOU UM DEFUNTO AMBULANTE

Só os que morrem podem ver a face de Deus. Quando você penetrar além do véu, diga: “Não estou vivo, sou um morto ambulante.” Quando um condenado à pena de morte começa sua caminhada final em direção à sala de execução, antes que a porta do corredor se feche, um dos guardas grita: “Defunto ambulante”, para que todos saibam que alguém está em seus últimos instantes de vida na terra – todos ficam imóveis em respeito àquele momento. O homem está vivo, mas por pouco tempo. Quando ele chega à câmara de execução, é o fim. É assim que é o cristão, como descrito em Romanos 12.1: defunto ambulante.

Quando os sacerdotes amarravam uma corda no tornozelo do sumo sacerdote, e este olhava para o espesso véu que o separava do Santo dos Santos, sabia que era um defunto ambulante. Ele sairia com vida, exclusivamente, pela graça e misericórdia de Deus. Aproximar-se da glória de Deus: este é um assunto delicado e mal compreendido nos dias de hoje. Dizemos: “A glória de Deus está neste lugar”, mas, na verdade, não está. A unção está presente, talvez uma porção da luz do Senhor esteja ali. Mas, se a glória de Deus se manifestasse em toda a sua plenitude, estaríamos todos mortos. As montanhas se derretem na presença de Deus: quanto mais a carne do homem!

Falhamos em não compreender a glória de Deus (talvez não tenhamos capacidade para isto). O apóstolo Paulo disse: “…a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1 Coríntios 1.29). Se a carne estiver presente, quando a glória de Deus se manifestar, terá que morrer, pois nada pode sobreviver diante Desta presença. Somente quando sua carne estiver “morta”, poderá a pessoa permanecer na presença de Deus. Apenas os que morrem podem ver Sua face.

“NÃO SEI SE VOLTAREI”

Uma vez por ano, o sumo sacerdote de Israel teria que deixar sua casa e, com o coração apertado, dizer à família: “Não sei se voltarei. Não tenho certeza, mas acho que fiz tudo que deveria fazer. Minha estola sacerdotal está em ordem?” Os judeus eram tão cuidadosos, que não permitiam que o sumo sacerdote dormisse na noite anterior à sua entrada no Santo dos Santos! Os outros sacerdotes o mantinham acordado lendo a lei, para que ele não se contaminasse acidentalmente através de um sonho.

Quando chegava a hora da verdade, o sumo sacerdote, cuidadosamente, molhava seu dedo no sangue do cordeiro e o colocava na ponta das orelhas e nos polegares das mãos e dos pés. Por quê? Simbolicamente, trazendo traços de morte, ele representava um homem morto e, assim, poderia aproximar-se da glória de Deus e sobreviver. Uma vez aplicado o sangue, o sacerdote respirava fundo, dava uma última olhada ao redor, checava a corda no tornozelo e tomava o incensário. Este pequeno recipiente, ligado a uma corrente, tinha brasas quentes em seu interior.

O sacerdote tomava um punhado do santo incenso e o colocava sobre as brasas, criando uma espessa nuvem de fumaça perfumada. Ele introduzia o incensário após o véu, balançando-o de forma que o Santo dos Santos ficasse completamente coberto pela fumaça. Então, com muito cuidado, levantava a orla do véu e engatinhava para dentro do Santíssimo Lugar com temor e tremor, esperando que pudesse retornar com vida. A melhor forma de entrar no Santo dos Santos é de joelhos.

OS SACERDOTES DA LINHAGEM DE ARÃO SABIAM ALGO QUE NÃO SABEMOS

A cobertura de fumaça era o último recurso para proteger a carne do sacerdote de ser consumida pela santidade do Todo-Poderoso. Os sacerdotes da linhagem de Arão sabiam algo a respeito de Deus que precisamos redescobrir hoje. Eles sabiam que Deus é Santo, mas o homem, não. Sabiam que a carne “descoberta” morreria instantaneamente ao entrar em contato com a glória de Deus. Embora eles tivessem seguido todos os procedimentos e exigências, cobrindo a si mesmos com sangue e passado a noite inteira lendo as Escrituras, só penetravam além do véu quando a fumaça encobrisse tudo. A fumaça estaria suficiente quando nada mais pudesse ser visto. E o sacerdote tinha que executar todas as suas tarefas pelo tato e não pela visão. A cobertura de fumaça era sinal de que ele tinha alguma chance de tornar a ver a luz do dia (Levítico 16).

Creio que a nuvem de incenso não estava ali para impedir que o homem visse a glória de Deus, mas o contrário. A Bíblia diz em Apocalipse 8.1:

“Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu cerca de meia hora.”

Por que os anjos do céu permaneceriam “mudos” por 30 minutos? No contexto do capítulo anterior apresenta-se a visão dos santos, com vestes brancas, diante do próprio Deus. Virá um dia em que nossos corpos mortais se revestirão de imortalidade e este corpo corruptível se revestirá da incorruptibilidade. E mesmo assim, resíduo da carne ainda estará lá. Creio que quando colocarmos os pés para dentro dos portais celestiais, os anjos permanecerão em silêncio por meia hora, como se dissessem: “Os remidos estão diante do Santo.” Para eles, é inconcebível que a carne possa estar diante da glória de Deus. É verdade, mas aquele que tiver sido transformado’ pelo processo da morte e ressurreição, através do sangue de Jesus, poderá fitá-Lo. Somente os que morrem podem ver a face de Deus.

A MISERICÓRDIA DE DEUS O MANTÉM AFASTADO DE NÓS

É a misericórdia de Deus que O mantém afastado de nós. Uma geração após outra, os cristãos têm orado: “Venha Senhor, aproxime-se!” Creio que a resposta do Senhor tem sido uma faca de dois gumes. Por um lado, Ele nos chama: “Clamem a mim, quero me aproximar.” Mas, ao mesmo tempo, Ele detém Sua mão e avisa: “Tenham cuidado, tenham cuidado! Se vamos nos aproximar, certifiquem-se de que a carne esteja morta. Se realmente querem Me conhecer, tudo que se relacione ao pecado deve morrer.”

Por que Deus requer esta morte? O que há na fumaça do sacrifício que faz com que Ele nos visite? É como se ela fosse um “convite” ao Senhor. Você pode não compreender, mas a morte esteve presente em cada avivamento na história da Igreja! Esteve presente nas primeiras reuniões de oração na rua Azusa e também no Primeiro e no Segundo Grande Despertamento. Frank Bartleman, o pioneiro pentecostal que tomou parte no Avivamento de Azusa Street, disse: “A profundidade de seu arrependimento vai determinar estatura de seu avivamento.”

QUANTO MAIS ARREPENDIMENTO (MORTE) DIANTE DE DEUS, MAIS PRÓXIMO ELE PODERÁ CHEGAR

É como se o aroma do sacrifício fosse o sinal para que Deus pudesse aproximar-se de Seu povo sem consumi-lo por seus pecados. O objetivo de Deus sempre foi a íntima comunhão com o homem, a coroa de Sua criação. No entanto, o pecado fez com que esta comunhão se tornasse mortífera. Deus não pode aproximar-Se da carne, porque ela exala o cheiro do mundo. Para que Ele chegue perto, a carne tem que morrer. Então, quando clamarmos para que o Senhor se aproxime, Ele o fará, mas nos dirá: “Não posso chegar mais perto, porque sua carne seria destruída. Quero que você compreenda que se sua carne morrer, poderei aproximar-Me mais.”

É por isso que o arrependimento e o quebrantamento -o equivalente a morte no Novo Testamento – traz a presença manifesta de Deus tão perto. Mas queremos evitar o arrependimento, porque não gostamos de sentir o cheiro da morte. Definitivamente, não é um odor agradável. Não atrai os sentidos do homem, mas é agradável a Deus porque é o sinal de que Ele pode aproximar-Se daqueles que ama.

ESQUEÇA O “CULTO-ENTRETENIMENTO”

Aquilo que agrada a Deus é bem diferente daquilo que nos agrada. O Senhor me disse uma vez, enquanto eu estava ministrando: “Filho, o culto que Me agrada e o culto que lhe agrada são bem diferentes.” Comecei a perceber que muitas vezes estruturamos nossos cultos para que sejam agradáveis aos homens. Temos que dizer o que os homens querem ouvir e lhes prover uma boa dose de entretenimento. Infelizmente, estes tipos de reuniões têm pouco daquele amor sacrificial derramado perante o Único que é digno de receber louvor e adoração.

Acho que o Senhor procura aqueles (poucos) que realmente O amam, não aqueles que só querem ser entretidos. É como se preparássemos uma festa para o Senhor e depois O ignorássemos! A morte do eu é algo especial, não é uma ideia atraente para nós, mas sem dúvida, agrada a Deus.

Se, ao pegar este livro, você esperava alguma “comoção” vinda do Espírito Santo, talvez esteja decepcionado. Mas se já sabia, em seu coração, da necessidade de uma revolução na Igreja, em seus procedimentos, então não será desapontado. O Salmo 103.1 diz: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor…” Não está escrito: “Oh, Senhor, bendiga a minha alma.” Deus está farto de ficar só dispensando bênçãos, Ele quer que desfrutemos do que Ele é, de Sua face, mas somente os que estiverem dispostos a morrer poderão aproximar-se d’Ele.

DEUS RECEIA SE APROXIMAR…

Ainda preservamos alguns traços de nossas ambições carnais, enquanto nos agarramos às bordas das vestes de Salvação de Nosso Deus. Podemos manter o resto de nossas vestes antigas e viver dos benefícios que o Senhor nos concede. Permanecemos longe da fome espiritual e Deus não ousa chegar mais perto, pois, assim, a carne, que tanto prezamos, seria destruída. A escolha é nossa.

Deus procura por alguém que esteja disposto a amarrar uma corda no tornozelo e dizer: “Se perecer, pereci… mas verei o Rei. Quero fazer tudo que puder para penetrar além do véu. Vou me arrepender e fazer tudo que for necessário, pois estou cansado de ouvir falar a respeito de Deus e, simplesmente, saber sobre Ele. Quero conhecê-Lo, tenho que ver Sua face”

Não interessa quem você é, o que tenha feito ou quão religioso seja, o único caminho que vai levá-lo para além do véu é a morte de sua carne. Tal morte significa arrependimento e quebrantamento diante de Deus para que Ele possa Se aproximar. O apóstolo Paulo disse:

“Porque agora vemos como em espelho, obscuramente, então veremos face a face; agora conheço em parte, então conhecerei como também sou conhecido.” (1 Coríntios 13.12)

Este é o ponto em que conheceremos Deus em toda a plenitude, a mesma plenitude com a qual somos conhecidos por Ele.

O apóstolo João estava exilado na Ilha de Patmos por causa da fé em Cristo, mas creio que havia uma razão ainda mais profunda. Quando João estava como um “defunto ambulante”, abandonado em uma ilha deserta, foi que ouviu uma voz e viu a face de Deus Filho, Jesus Cristo.

Todos nós pensamos conhecer Deus e sermos parte da Igreja. Mas olhemos João mais de perto: ele era o apóstolo que recostou no peito de Jesus, era o discípulo mais chegado. João estava presente quando Jesus acordou de Seu sono para acalmar a tempestade no Mar da Galileia. Ele viu quando Jesus interrompeu um funeral e tocou no corpo do rapaz morto, devolvendo-o à sua mãe. Foi esse mesmo apóstolo que, na Ilha de Patmos, viu, pela primeira vez, o Senhor em Sua glória. Ele contou que a cabeça e os cabelos do Senhor eram brancos como neve, Seus olhos eram como chamas de fogo e Seus pés, como bronze polido.

A Palavra diz que João caiu aos pés do Senhor como morto (Apocalipse 1.17). Por que lhe sucedera isto? Justamente com ele, que convivera com Jesus por três anos? João experimentou a morte, naquele momento, porque seus olhos contemplaram a Vida. É preciso experimentar morte para vê-Lo, e tudo que posso dizer é que este é um bom momento para fazer isto. Quanto mais morro, mais o Senhor se aproxima.

João Batista também conhecia este segredo. Jesus declarou:

“…Entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista…” (Mateus 11.11a).

Por quê? João compreendeu graciosamente um princípio pouco conhecido e sobre o qual todo ministério, culto e adoração deveriam estar:

“Convém que ele cresça e que eu diminua.” (João 3.30)

Se eu diminuir, Ele poderá crescer. Quanto menos espaço eu ocupar, mais sobrará para Ele. João Batista foi sábio em reconhecer o verdadeiro Provedor de todos os dons e ministérios.

Ele disse:

“…o homem não pode receber cousa alguma se do céu não lhe for dada.” (João 3.27)

Conforme tenho dito, quanto menor eu me tornar, maior poderá ser Deus na minha vida. Quanto mais eu morrer, mais perto o Senhor chegará. Haverá limites para isto? Não sei, mas posso indicar-lhe a quem perguntar… Procure o Sr. Enoque. Ele demonstrou que podemos, literalmente, andar com Deus, mas “morreremos” durante a caminhada.

A Bíblia diz:

“Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram, e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida.” (Apocalipse 12.11)

Será que você está evitando esta morte? Você quer as bênçãos de Deus em sua vida? A maior bênção não vem das mãos do Senhor, mas de Sua face, do íntimo relacionamento com Ele. Quando finalmente, você puder contemplá-Lo e conhecê-Lo, encontrará a fonte de todo poder.

ESTA BÊNÇÃO TEM UM CUSTO

Toda carne deve morrer na presença de Deus, mas tudo que provém do Espírito permanece eternamente diante de Sua glória. Aquilo que é eterno em seu ser, realmente quer e pode viver para sempre. Porém, primeiramente, aquilo que diz respeito à sua carne deve morrer. Sua carne constitui um obstáculo para a manifestação da glória de Deus. É provável que, enquanto lê estas palavras, você esteja em meio a uma intensa luta entre a carne e o espírito. Digo que já é hora de dizer ao Senhor: “Deus, quero contemplar Sua glória.” O Deus de Moisés quer Se revelar a nós, mas esta não vai ser uma bênção sem ônus. É preciso disposição para morrer, para que Ele aproxime-Se cada vez mais.

Esqueça o quê ou quem está em seu redor, abandone as “formalidades”! Deus quer redefinir e reestruturar aquilo que chamamos de “Igreja”. Ele procura pessoas que estejam buscando Seu coração. Ele quer uma Igreja cheia de “Davis”, pessoas que busquem Seu coração (e não somente Suas mãos). Você pode continuar buscando Suas bênçãos e usar os “brinquedos”, ou dizer: “Pai, muito obrigado, mas não quero mais bênçãos, quero o Senhor. Quero Sua presença bem próxima. Quero Seu toque em meus olhos, em meu coração, em meus ouvidos. Mude-me, Senhor! Não quero mais ser o mesmo! Estou cansado, Senhor! Sei que se eu puder ser mudado, então as pessoas em meu redor também poderão ser transformadas.”

Precisamos orar por uma mudança, uma ruptura, mas não podemos fazê-la, a menos que ela comece em nós. As mudanças virão sobre aqueles que não estiverem em busca de suas próprias ambições, mas, sim, buscando os propósitos de Deus. Precisamos chorar sobre nossas cidades como Jesus chorou sobre Jerusalém. Estamos carentes de uma transformação vinda do Senhor.

Quando a mão de Deus tentar moldar seu coração, não resista ao Espírito Santo. O Oleiro de sua alma quer torná-lo maleável. Ele quer conduzi-lo a um ponto em que não seja necessário um furacão vindo dos Céus para que você saiba que Ele está presente. Ele deseja que você esteja tão sensível que uma brisa tranquila e suave possa lhe anunciar a Sua presença.

QUEREMOS VIDA, MAS O SENHOR ESTÁ EM BUSCA DE MORTE.

Precisamos nos arrepender por preparar cultos para agradar aos homens, ao invés de prestar a Deus a adoração que Ele merece. Como a maioria das pessoas, queremos “vida” em nossos cultos, mas Deus está em busca de outra coisa: “morte”! A morte que vem do arrependimento e quebrantamento, que nos conduz à presença de Deus e faz com que nos aproximemos d’Ele e, ainda assim, permaneçamos vivos.

Este é o ponto em que alguns ficam muito incomodados, porque começam a sentir um cheiro de “fumaça” no ar e já conseguem sentir o odor da carne queimada. Pode não cheirar bem para nós, mas para Deus será um sinal de arrependimento. A Bíblia diz:

“… há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.” (Lucas 15.10)

Morte e arrependimento na terra levam alegria e regozijo aos céus.

O avivamento deve começar em sua Igreja antes de alcançar sua comunidade. Se você está faminto por avivamento, tenho uma palavra do Senhor para você: O fogo não cai sobre altares vazios. Para que o fogo caia, é preciso que haja um sacrifício sobre o altar. Se você quer fogo, precisa ser o combustível. Jesus sacrificou-Se para conquistar nossa salvação. E o que Ele diz a cada um que deseja segui-Lo? Ele nos chama a renunciar nossa própria vida tomar nossa cruz e segui-Lo. De acordo com a concordância bíblica Strong’s, a palavra grega para “cruz”, STAUROS, significa “de maneira figurada, exposição à morte, ou seja, auto-renúncia”5. Elias não pediu que o fogo do Senhor caísse até que houvesse combustível e um sacrifício digno sobre o altar. Temos orado para que o fogo caia, mas o altar está vazio!

Se você anseia que o fogo caia sobre sua Igreja, você precisa, então, subir ao altar e dizer: “Senhor, não importa o que custe. Eu me coloco sobre o altar para ser consumido pelo Seu fogo.” Então poderemos fazer como John Wesley. Ele explica como conduziu multidões durante o Primeiro Grande Despertamento:

“Eu me coloquei no meio das chamas, para que as pessoas pudessem me ver queimado.”

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O ESCOAR DO TEMPO

O conto “história da sua vida” permite entender o que está por vir e confronta o livre-arbítrio para escolher continuar ou não no caminho que sabemos já estar determinado

O escoar do tempo

Imagine um momento em que você sente o tempo escoar de forma circular, um verdadeiro “eterno retorno” dos domingos que o deixam na expectativa da segunda-feira, enquanto você também experimenta esse tempo se escoar de forma linear de tal modo que, ao olhar para sua vida, lembra-se dos momentos importantes que se passaram e percebe essa progressão medida pelos relógios e calendários até constatar o envelhecimento. Imagine também que, assim como podemos recuar ao passado, também pudéssemos enxergar o futuro. Esse e outros assuntos são discutidos no conto “História da sua vida”.

Esse conto está contido em uma coletânea da obra de Ted Chiang, escritor norte-americano, chamada História da sua Vida e outros Contos.

Trata-se de uma ficção científica que traz importantes conceitos da física, matemática e linguística. Foi adaptado para o cinema e deu origem ao filme A Chegada. O escritor, ao definir sua obra, diz: “Acredito que exista beleza na ciência e na matemática. Conhecer as verdades nesses campos pode criar um sentimento de admiração que é muito parecido com o que a religião inspira”.

A narrativa mostra como o mundo reage ao saber da presença de alienígenas, o que significa que não estamos sozinhos. Dentre os vários profissionais recrutados para tentar uma comunicação está uma linguista chamada Louise Banks. Nessa experiência, ela concebe que o estudo da estrutura de uma língua confirma a hipótese do relativismo linguístico de que as diferentes línguas são resultados de sua cultura e concepção de mundo em universos mentais distintos. Talvez, por isso, nosso mundo criou o mito da Torre de Babel.

Os alienígenas foram chamados de “heptapodes” por terem sete pés. São diferentes não só na anatomia como em tudo que conhecemos. A noção de tempo é circular, do mesmo modo como ocorre em nosso inconsciente. Nesse contato com eles, a dra. Banks aprendeu a usar essa noção de tempo e espaço como eles. Ela então enxerga que vai ter uma f ilha e sabe- rá sobre a história da sua vida, antes mesmo de concordar em concebê-la. Aqui estamos diante de um impasse. Ela já considerava que iria ter uma f ilha que morreria jovem e que seu marido a abandonaria. Se soubéssemos de um futuro nada animador, como conviver com isso e fazer uma escolha que vai determinar o resto da sua vida? O livre-arbítrio seria exercido sem afetar o resultado dos eventos. Ao longo da história, as memórias de sua filha acompanham a dra. Banks, e esta experimenta sensações as quais deseja muito vivê-las. Talvez seja esse o motivo de sua escolha.

Os “heptapodes” vivenciavam todos os acontecimentos ao mesmo tempo e percebiam um propósito essencial em todos eles. Não viviam os acontecimentos, como nós percebemos, em uma relação de causa e efeito. Nossa consciência tem um modo sequencial, enquanto os “heptapodes” desenvolveram um modo simultâneo.

A investigação científica tem se deslocado para além da compreensão humana. Na Psicologia Analítica, damos importância aos sonhos e a sua funcionalidade teleológica. O ex-presidente americano Abraham Lincoln sonhou com seu próprio assassinato uma semana antes de morrer. No dia 25 de maio de 1941, o presidente Roosevelt sonhou que os japoneses estavam bombardeando a cidade de Nova York enquanto ele estava em sua casa. Em 7 de dezembro de 1941, os japoneses atacaram uma base do exército americano em Pearl Harbor, no Havaí. Essas são algumas das muitas histórias de premonições e sonhos prevendo o futuro. O problema dos cientistas é como testar histórias desse tipo em laboratório para quantificar e controlar premonições como a ciência moderna exige.

O inconsciente pode fazer com que cada momento de nossa vida influencie todos os outros, para frente e para trás. Assim, a intenção no futuro poderá modificar as probabilidades de uma enfermidade. Um simples diagnóstico pode influenciar o curso da doença. Dessa forma, a psicoterapia é um método que nos faz voltar no tempo para alterar nosso próprio futuro.

Jung chamou a atenção para um fenômeno que tem uma conexão misteriosa entre a psique pessoal e o mundo material. Tais fenômenos têm um significado importante para a pessoa neles envolvida. A esse acontecimento ele chamou de sincronicidade. É quando um sonho, ideia ou premonição coincidem com um evento do mundo exterior. Uma ideia neurótica pode fazer o sujeito se confundir com premonição, como também o entendimento do sonho influenciado por essa neurose.

O encontro com o que achamos estranho, o diferente de nós, pode ser de total preconceito pela dificuldade em conhecer esse outro. O amor, no entanto, une os estranhos enquanto o poder e o medo desunem. Como conhecer o inconsciente do outro, onde o tempo funciona como nos “heptapodes”, em que todas as leis são diferentes daquela que nossa consciência adota? Essa é uma relação que temos com nós mesmos, até que um analista faça o papel da dra. Banks, ou seja, entenda a linguagem alienígena do nosso inconsciente. A vida é uma espécie de espetáculo cujo roteiro não controlamos. Vivemos envolvidos com gozos que se desmancham com o sofrimento e vice-versa.

 

O escoar do tempo. 3

O escoar do tempo. 2 CARLOS SÃO PAULO – é médico e psicoterapeuta junguiano. É diretor e fundador do Instituto Junguiano da Bahia. carlos@ijba.com.br / http://www.ijba.com.br

OUTROS OLHARES

O BRASIL DESCONECTADO

Um terço dos brasileiros com 10 anos ou mais não têm acesso à internet

O Brasil desconectado

Entendida como um meio capaz de democratizar a informação e disseminar o conhecimento, a internet ainda está longe de ser acessada por todos. No Brasil, cerca de 33% dos brasileiros com 10 anos ou mais não têm acesso à rede mundial de computadores, de acordo com dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação. Esse percentual é constituído, primordialmente, por pessoas das classes C e D e por habitantes das zonas rurais.

O grau de instrução também é fator determinante no mapa da desigualdade digital: os brasileiros que têm apenas o ensino fundamental respondem por 33% dos que assistem a vídeos pela internet e por 23% dos que leem jornais online, segundo um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Considerando o grupo dos que concluíram o ensino médio e o dos que chegaram à faculdade, as proporções alcançam 67% e 77%, respectivamente.

A tendência permanece no consumo de jogos e música online. “A única forma de mudar essa realidade é o governo desenvolver políticas públicas voltadas para a educação digital”, afirma Frederico Barbosa, pesquisador do Ipea e um dos autores do estudo.

O Brasil desconectado. 2

GESTÃO E CARREIRA

PAI, O QUE VOCÊ FAZ?

Conversar com as crianças sobre as dores e as delícias da carreira é um desafio. Mas enfrentá-lo com honestidade pode fazer toda a diferença para os pequenos – no presente e no futuro

Pai, o que você faz

Conciliar trabalho com vida familiar não é tarefa fácil, ainda mais quando há filhos no pacote. E se, nos primeiros meses com crianças, a dificuldade está em equilibrar a dedicação aos pequenos sem abrir mão da carreira, à medida que eles crescem surge outro desafio: como encontrar explicação para a verdadeira importância que o trabalho tem na vida dos pais? E como isso influencia a visão que os filhos terão sobre a carreira no futuro, por exemplo?

De acordo com especialistas, essas questões pintam na cabeça dos rebentos por volta dos 5 anos, quando a criança começa a adquirir noção de tempo e percebe, por exemplo, que há dias em que os pais se ausentam da manhã à noite ou no caso dos que fazem home office, estão em casa mas não disponíveis para brincadeiras e passeios. “É quando descobrem que existe um lugar chamado trabalho do qual eles não fazem parte e querem saber o que é”, diz a psicóloga infantil Daniella Freixo de Faria.

Com tantas mudanças nos modelos de trabalho e na configuração da família, é claro que não há respostas prontas para quando o filho questiona: “Por que você tem de sair para trabalhar? Na maioria das vezes, de supetão que pai e mãe se veem com cobranças desse tipo. Nessa hora, a melhor resposta é a mais verdadeira possível, alinhada ao que de fato tem mais valor para cada um demonstrar a relação do adulto com carreira – se é movido por dinheiro ou felicidade, por exemplo.

 RELAÇÃO DE PARCERIA

Na geração atual, de pais e filhos que compartilham mais proximidade e intimidade do que antigamente a comunicação sobre as demandas, os percalços e as conquistas do mundo profissional ficam mais fluida. Ainda assim, há basicamente duas formas de lidar com essa realidade, incluindo os filhos e conversando abertamente sobre questões do dia a dia; ou isolando-os e evitando levar assuntos do escritório para casa deixando, assim, a curiosidade sobre o que o pai e a mãe fazem.

Qualquer que seja a abordagem vale saber que a postura dos genitores pode influenciar a percepção dos pequenos e até a relação futura que eles estabelecerão com a própria vida profissional. “Crianças absorvem o que veem e ouvem dos adultos. Se percebem que os pais saem de casa desgostosos, voltam estressados e culpam o emprego ou o chefe por isso, vão associar o universo do trabalho a coisas negativas”, destaca Fabiana Mara Esteca, doutora em psicologia clínica pela Universidade de São Paulo e estudiosa de temas de família.

Para a presidente do grupo Hinode, Marília Rocea, de 46 anos, a carreira sempre foi fonte de prazer e realização. Acostumada a atuar em mais de um projeto e a ter uma agenda atribulada, ela conta que não saiu de licença-maternidade e optou por não amamentar nenhuma das duas filhas, hoje com 9 e 13 anos. Quando retomou o trabalho após o segundo parto, ainda tinha os pontos da cesariana. De acordo com a executiva, isso não quer dizer, entretanto, que a carreira esteja em primeiro lugar, mas que há fases em que é preciso dar menos atenção à vida pessoal em nome do trabalho – e vice-versa. “Ser mãe full time nunca foi para mim”, diz. E quem acha que tamanha entrega aos negócios resultou em uma família desagregada e distante se engana. “As meninas me dão conselhos e palpitam em assuntos do trabalho. Faço questão de ser honesta quando estou preocupada com alguma coisa ou arrasada porque cometi um erro. Não quero que achem que sou infalível”, diz Marília. Além de participativas, as garotas são as maiores defensoras da mãe quando a agenda não permite que ela compareça às festas da escola e outros eventos. “Uma vez, quando um amiguinho perguntou à mais velha por que a mãe nunca podia levá-las e busca-las nos lugares, ela respondeu que eu estava ocupada (salvando pessoas de comer besteira e morrer cedo, relembra com orgulho a executiva que, na época, comandava uma empresa de alimentos naturais. Segundo Marília, isso demonstra que ela conseguiu ensinar maturidade, liderança e responsabilidade com o modelo de criação que escolheu. “Sempre quis mostrar a importância do trabalho para sustentar nossa vida e ajudar outros a viver melhor, nunca coloquei como um sacrifício”, afirma.

ESTABELECENDO LIMITES

Quem não se lembra do episódio, em 2017, em que um professor, numa entrevista para a BBC, foi interrompido pelos filhos durante uma transmissão ao vivo? A cena em que as crianças abriam a porta do escritório do pai enquanto ele comentava sobre o impeachment da presidente sul-coreana Park Geun-hye, e eram resgatados por uma mãe desesperada que sa engatinhando, viralizou como algo divertido, mas retrata bem um dilema de quem faz home office com filhos por perto: como controlá-los e deixar claro que você não está à disposição. O ideal, como aponta a psicóloga Fabiana, da USP, é manter um cuidador (que pode ser funcionário ou parente) que substitua o responsável na atenção e faça companhia para a criança, sobretudo as mais novas. Entreter com atividades agradáveis e garantir um espaço acolhedor para os pequenos evita que eles se sintam inseguros e corram em busca dos pais.

 Isso serve também para profissionais que levam os filhos ao escritório vez em quando, seja por desejo de tê-los por perto, seja por falta opção com quem deixá-los. Mas, se os meninos não puderem encostar em nada nem fazer barulho, melhor nem levar. “O bem-estar da criança precisa estar em primeiro lugar e nenhuma situação deve ser imposta e sim conversada. Para o filho, saber que o pai ou a mãe estão na sala ao lado, mas inacessíveis, é pior do que a ausência”, alerta a psicóloga.

O cirurgião craniofacial Pérsio Bianchini Mariani, de 49 anos, divide com a esposa, sexóloga, o espaço da clínica onde atende. Valentina, filha do casal, de 7 anos, passa pelo menos duas tardes da semana ali. Além de ela brincar com massinha e fazer a lição de casa, o pai separou moldes cirúrgicos para que ela se entretenha e até encomendou um avental com nome bordado para a menina. Mesmo assim, o casal conta com uma assistente para fazer companhia e ficar de olho na pequena e, assim, evitar surpresas como a ocorrida com o professor da BBC. “Nunca tivemos nenhum problema’, afirma Pérsio. De acordo com ele, conhecer o dia a dia e participar do ambiente de trabalho dos pais preenche a curiosidade da filha e fortalece a confiança e a intimidade. Mas tem mais: Pérsio vê isso como uma oportunidade de influenciar os interesses da filha quando for a hora de escolher uma ocupação. “É claro que tomo cuidado para não pressionar, mas acho importante incentivá-la desde cedo a pensar no futuro e optar por algo que possibilite um padrão de vida legal, mesmo que não seja o mesmo que eu escolhi”,’ afirma Pérsio.

Para muitos pais e mães, conversar com os filhos desde cedo sobre a carreira é visto como uma chance de ensinar valores como responsabilidade, direcionar as escolhas e garantir que tenham um futuro de sucesso. Só que isso também é uma armadilha, já que pressiona em relação ao caminho profissional a seguir pode abafar o desenvolvimento de habilidades e interesses autênticos e gerar frustração para todos os envolvidos. “É preciso respeitar a personalidade e os desejos dos jovens e ter noção de que, mesmo com o exemplo dos pais, o filho pode fazer tudo diferente”, diz a psicóloga infantil Daniella. Quando se trata de jovens das gerações Z (que têm hoje até 25 anos) e Y (por volta dos 35) é sabido que não querem seguir a trajetória dos pais quando isso não faz sentido para eles. Permanecer em emprego que paga bem, mas não traz satisfação está fora de questão para essa turma. “Querer que o filho “dê certo” na carreira é o primeiro passo para o erro”, afirma Daniella.

QUESTÃO DE GÊNERO

Para as mães que ficam com o coração apertado por deixar os pequenos em casa, há um consolo: um estudo da Harvard Business School revelou que filhos de mulheres que trabalham fora se saem melhor no futuro – na vida pessoal e profissional. De acordo com a pesquisa, as meninas tendem a frequentar a educação formal por mais tempo e conseguir cargos altos. Já os garotos se tornam homens mais colaborativos nas tarefas domésticas. “O contexto de trabalho gera oportunidades para discutir temas como a valorização da mulher, assédio e saúde mental. E mesmo as situações negativas têm muito a ensinar sobre relações humanas, frustração e autoconhecimento, o que é importante para a vida fora do trabalho também”, afirma Flávia Soubihe, coach e sócia-fundadora da Woman To consultoria para mulheres.

Apesar dos movimentos por equidade de gênero, a realidade mostra que são elas que acabam tendo que abrir mão da carreira logo depois de ter filhos. De acordo com um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) praticamente metade das profissionais brasileiras é demitida ou pede demissão no primeiro ano depois de dar à luz. Embora algumas optem por se dedicar integralmente à família, para outras entre os motivos de afastamento estão o preconceito no ambiente corporativo e a falta de uma estrutura de apoio (como creche e babá), o que torna a conciliação da maternidade com a carreira uma tarefa quase impossível.

Por isso, muitas mulheres defendem que todo apoio é bem-vindo e determinante para que evoluam profissionalmente em vez de se tornarem mães em tempo integral contra a vontade. Luciana Antão de Souza, de 35 anos, analista de governança em uma seguradora, sabe bem o valor dessa rede de proteção. Moradora de Itaquera, na zona leste de São Paulo, e trabalhando na região da Avenida Paulista, ela gasta quase 3 horas no transporte diariamente. O marido, designer freelancer, trabalha em casa, mas o casal conta com a mãe de Luciana para ficar com a filha deles, de 5 anos, todos os dias à tarde. “Esse esquema de organização é fundamental para eu ir tranquila para o escritório e oferecer um tempo de qualidade à minha filha quando estamos juntas, afirma.

Aliás, foi pensando em mais flexibilidade que Luciana deixou o emprego em uma agência de comunicação e mudou de área há cerca de três anos. Hoje é raro chegar tarde em casa ou perder eventos por causa de horas extras. Mas, quando acontece, ela afirma que não fala mal do trabalho e justifica dizendo que a profissão é motivo de felicidade. “Quero passar uma mensagem positiva em relação a isso e motivar desde cedo a fazer aquilo que traga prazer e não só dinheiro”, diz. No final, não existe um jeito certo de falar de carreira com os filhos, como não existe uma única maneira de educá-los. Cada pai e cada mãe vivem a parentalidade da forma que faz sentido para eles e o modelo vencedor é o que cabe no bolso – ou na escrivaninha.

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPITULO 3 – SEI QUE HÁ MAIS

 

REDESCOBRINDO A PRESENÇA DE DEUS

Não sei quanto a você, meu amigo, mas existe uma paixão ardente em meu coração que sussurra, dizendo-me que existe muito mais do que sei ou conheço, mais do que tudo que já tenho alcançado. Isso me faz “invejar” João, que escreveu Apocalipse, e todas as pessoas que vislumbraram o que não é deste mundo e viram coisas com as quais somente tenho sonhado. Sei que existe “mais”, sei porque existem aqueles que experimentaram isto e nunca mais foram os mesmos. Caçadores de Deus! Minha oração é: Quero ver-Te assim como João Te viu, Meu Senhor!

Em todas as leituras e estudos bíblicos que já fiz, jamais encontrei uma pessoa que realmente tenha experimentado um encontro com Deus e depois tenha se desviado ou se rebelado contra Ele. Uma vez que você experimente o Senhor em Sua glória, não há como virar as costas ou esquecê-Lo. Isto é muito mais do que simples argumentos, teorias ou doutrinas, é experiência. É por causa disto que o apóstolo Paulo disse: “…sei em quem tenho crido…” (2 Timóteo 1.12b). Infelizmente, muitas pessoas na Igreja diriam: “Eu sei coisas a respeito de quem tenho crido.” Isto significa que nunca encontraram Deus em Sua glória.

As pessoas que vêm às nossas igrejas têm experimentado mais um encontro com homens e seus cerimoniais, que um encontro com Deus e Sua inesquecível majestade e poder. As pessoas precisam ter uma experiência como aquela que Saulo teve na estrada de Damasco, onde encontrou-se com o próprio Deus (Atos 9:3-6).

Tal experiência evidencia a diferença entre a onipresença de Deus e a presença manifesta de Deus. O termo “onipresença” de Deus refere-se ao fato de que Deus está em todos os lugares ao mesmo tempo. Ele é aquela “partícula” do núcleo atômico que os físicos nucleares podem rastrear mas não podem ver. O Evangelho de João aborda esta qualidade divina quando diz: “…e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1.3). Deus está em tudo e em todos os lugares. Ele é essência de tudo que existe, é o vínculo que mantém unidos todos os componentes do Universo e que sustenta a integridade de cada um destes componentes!

Isto explica porque as pessoas podem estar em um bar, embriagadas, e, de repente, sentirem o convencimento vindo do Espírito Santo, sem que haja por ali um pastor, alguma música evangélica ou qualquer outra influência cristã. Deus está ali no bar com aquela pessoa. E ela, com a mente entorpecida pelo álcool, perde suas inibições para com Deus. Infelizmente, não é uma decisão baseada na vontade que move essas pessoas para Deus. Tal atitude é fruto da fome de seus corações. Suas “mentes” estão entorpecidas e seus corações famintos. Tão logo a “mente” se recupere, elas retornam ao estado inicial, não foi um encontro válido, a vontade não foi quebrantada. Eis a receita para a miséria: um coração faminto, uma cabeça (mente) orgulhosa e uma vontade não quebrantada (insubmissa).

Agora, se Deus pode fazer isto em um bar, por que nos surpreendemos com todas as outras coisas que Ele pode fazer “por Si mesmo”? Muitas pessoas que não foram criadas na igreja dizem que, na primeira vez que sentiram o toque do Espírito, não estavam em um culto. Tudo isto ilustra os efeitos da onipresença de Deus, o Seu atributo de estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

A MANIFESTAÇÃO DA PRESENÇA DE DEUS

Embora Deus esteja presente em todos os lugares ao mesmo tempo, há momentos em que Ele concentra a essência de Seu ser em um local específico. É o que muitos chamam de “presença manifesta de Deus”. Quando isto acontece, há uma forte convicção de que o próprio Deus “Se fez presente” em nosso meio. Podemos dizer que, embora Ele esteja em todos os lugares todo o tempo, existem momentos especiais em que Ele está mais “aqui” do que “ali”. Por alguma razão divina, Deus escolhe concentrar-Se ou revelar-Se de uma maneira mais forte em um determinado tempo ou lugar.

Teologicamente falando, talvez este conceito possa perturbá-lo. Talvez você esteja pensando: Espere um momento. Deus está sempre aqui. Ele é onipresente. Sim, é verdade, mas, então, por que Ele disse: “…se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar Minha face..”? (2 Crônicas 7.14). Se eles já eram o povo de Deus, qual outra instância de Sua presença deveriam buscar? A face de Deus! Por quê? Porque o favor do Senhor flui para onde quer que esteja voltada a Sua face. Você pode ser filho de Deus e ainda não ter Seu favor, assim como um filho pode ser desfavorecido, sem ser renegado.

A expressão usada no versículo é muito interessante. Deus disse a Seu povo, que se eles buscassem Sua face e se “convertessem de seus maus caminhos”, então, Ele não só ouviria as suas orações, como também sararia a sua terra. Como podemos ser povo de Deus e ainda permanecermos em maus caminhos? Talvez nossos maus caminhos expliquem o fato de estarmos satisfeitos somente com a proximidade de Deus ao invés de desfrutarmos de Sua presença. Sabe o que vai fazer com o favor de Deus se volte para nós? Nossa fome. Devemos nos arrepender, buscar a face do Senhor, e orar: “Deus, volte os Teus olhos para nós, e nós ficaremos na dependência de Ti.”

GUIADOS PELOS OLHOS DE DEUS

Frequentemente, os cristãos só conseguem se guiar pela Palavra ou pela profecia. A Bíblia diz que Deus quer que superemos isso, e alcancemos uma instância mais elevada, marcada por um maior grau na ternura de coração para com Ele, e por uma maturidade mais profunda, que o permita que Ele venha a nos guiar sob Suas vistas (Salmos 32.8).

No tipo de lar em que fui criado, bastava meu pai ou minha mãe me olhar de certa maneira, que conseguiam o trabalho que queriam de mim. Se eu estivesse “aprontando” alguma, eles não precisavam dizer nada. Os sinais que seu olhar dirigia a mim davam-me as instruções de que eu precisava.

Será que você ainda precisa ouvir alguém trovejar atrás do púlpito? Ainda precisa de alguma enérgica profecia para endireitar seus caminhos? Ou você é capaz de ler a emoção de Deus através de Sua expressão facial? Você é suficientemente sensível para que o olhar de Deus o guie e o convença de seu pecado? O que acontece quando Deus olha para você? Será que imediatamente você diz: “Não posso fazer isso”, “Não posso ir por ali”, “Não posso dizer isto, porque não agradaria a meu Pai”? Pedro foi convencido pelo olhar de Deus, ao ouvir o cantar daquele galo. Por isso, chorou e se arrependeu.

Deus está em todo lugar, mas Sua face e Seu favor não estão voltados para todos os lugares. É por isso que Ele nos diz para buscar Sua face. Sim, Ele está com você e seus irmãos na hora do culto. Mas, qual foi a última vez que, de tanta fome, você tenha subido no colo do Senhor e, como uma criança, tenha voltado a face do Pai em sua direção? Intimidade: É isto que Deus quer. E que a Sua face seja nossa prioridade.

Os israelitas se referiam à presença manifesta de Deus como a glória SHE KIN A H . Quando Davi pensou em trazer de volta a arca da aliança a Jerusalém, ele não estava interessado na caixa de ouro, nem no que havia dentro dela. Ele estava interessado naquela chama azulada que pairava entre os dois querubins sobre o propiciatório. Era isso que ele queria, porque a chama significava a presença de Deus. E para onde quer que a glória ou a presença manifesta de Deus fosse, haveria vitória, poder e bênção. A busca de intimidade traz bênçãos, mas a busca de bênçãos, nem sempre traz intimidade.

Nosso clamor é pela restauração desta presença em nosso meio. Quando Moisés estava exposto à glória de Deus, o reflexo daquela glória fez com que seu rosto brilhasse tanto que, no momento em que desceu do monte, o povo lhe disse: “Moisés, cubra o rosto, porque não conseguimos olhar para você” (Êxodo 34.29-35). Qualquer coisa ou pessoa que esteja exposta à presença manifesta de Deus, começa a absorver Sua essência. Você pode imaginar como era o ambiente na Santo dos Santos? Quanto da glória de Deus foi absorvida por aquelas cortinas, pelo véu e pela própria arca?

O “STATUS” DO LUGAR ONDE DEUS PERMANECE

Quando Deus começa a manifestar-se em um lugar ou entre um povo, algo fora do comum acontece por causa de Sua presença. Se você não acredita, pergunte a Jacó. Veja como ele fugia de seus problemas. Em um determinado momento, Deus mandou que ele voltasse para Betel, que significa “Casa de Deus”. Jacó disse, em suma, à sua família: “Se voltarmos para Betel, edificarei um altar a Deus e estaremos bem” (Gênesis 35.1-3). Ele sabia que a presença do Senhor era contínua em Betel.

É interessante ler o que aconteceu a Jacó e sua família quando chegaram a Betel:

“E, tendo eles partido, o terror de Deus invadiu as cidades que lhe eram circunvizinhas, e não perseguiram aos filhos de Jacó.” (Gênesis 35.5, grifos do autor)

A palavra hebraica para “terror” vem de uma raiz que significa “prostrar-se, ser abatido por violência, confusão ou temor” Se queremos que o “temor do Senhor” seja restaurado no mundo, então a Igreja deve voltar- se para Betel, o lugar da presença manifesta de Deus.

TROMBANDO COM A NUVEM

A presença manifesta de Deus continua em um lugar, mesmo quando não há mais ninguém por perto. Eu me lembro do dia em que um irmão que fazia parte do corpo administrativo de uma igreja, num dia de semana normal, passou pelo altar, a fim de trocar a água do batistério. E desapareceu. Três horas depois, alguém percebeu sua ausência e, a partir daí, começaram a procurá-lo. Quando acenderam as luzes do altar, encontraram o homem estirado no lugar onde ele caíra, após chocar-se com a nuvem da presença de Deus.

Há oportunidades em que uma nuvem da presença de Deus se manifesta de repente, quando o povo santo está adorando-O. Isso causa arrepios. Parece a névoa da glória de Deus começando a se condensar e a se solidificar ante os nossos olhos. Eu não consigo compreender isso, mas estou dizendo o que, de fato, acontece.

Um dos pastores daquela igreja tinha um cunhado ateu. Na verdade, ele não era só ateu, era um “antievangélico”. Era o tipo de pessoa que sempre causava problemas e provocava discussões ferrenhas. Em meio à manifestação de Deus, naquela igreja em particular, o tal cunhado telefonou para a esposa do pastor, que era sua irmã e lhe disse: “Estou embarcando para a casa de vocês. Dá para me apanhar no aeroporto? Quero passar uns dois dias com vocês.”

O pastor sabia que algo estava prestes a acontecer, porque o cunhado nunca fizera isto antes. Quando ele chegou, era óbvio que não sabia bem o que estava fazendo ali. E lá estavam eles, no carro, tentando manter um diálogo, quando, na verdade, não tinham nada em comum. Conversaram um pouco a respeito do tempo e, depois, entraram num longo e embaraçoso período de silêncio. Quando passaram perto da igreja, o pastor disse: “Esta é a igreja. Acabamos de concluir algumas reformas.”

Como o homem nunca tinha visto a igreja e o pastor entendeu que aquela seria uma boa oportunidade para quebrar aquele silêncio incômodo, disse: “Você não gostaria de entrar e dar uma olhada, gostaria?” Para sua surpresa, a resposta foi: “Sim.”

“NÃO ESTOU PRONTO PARA ISTO “

O pastor estacionou e abriu as portas da igreja. O cunhado estava atrás e, logo após, a esposa do pastor. Ele abriu a porta e, no momento em que os pés de seu cunhado tocaram o chão da igreja, o homem rompeu em soluços e começou a chorar e a clamar: “Meu Deus, me ajude! Não estou pronto para isto! O que vou fazer?”

Então, ele se agarrou ao pastor e disse: “Diga-me como ser salvo agora!” Ele se contorcia pelo chão e chorava copiosamente. O pastor conduziu seu cunhado a Cristo ali mesmo. O homem estava no chão, com metade do corpo para dentro e metade para fora da igreja. A esposa do pastor pacientemente segurava a porta aberta! Seu irmão ateu teve um encontro com a presença de Deus que ali continuava, como reflexo da manifestação de Sua glória.

Tão logo ele se recuperou, lhe perguntaram: “O que aconteceu com você?”. Ele respondeu: “Não sei como explicar. Tudo que sei é que, quando estava do lado de fora do prédio, eu era um ateu e não acreditava na existência de Deus. Mas, quando cruzei aquela porta, O encontrei e sabia que era Deus. Sabia que tinha que me reconciliar, me senti muito mal com minha vida.” E completou: “Era como se toda minha força tivesse saído de mim.”

O que poderia acontecer em uma cidade ou região se tal força da presença de Deus se expandisse além da área da igreja?

A UNÇÃO E A GLÓRIA

Quando a unção de Deus se reflete sobre a carne humana, faz com que tudo flua melhor. Uma das imagens bíblicas mais claras a respeito da unção e de seus propósitos está no livro de Ester. Ester estava sendo preparada para sua apresentação ao rei da Pérsia. Foi necessário um ano de purificação, durante o qual ela se banhava repetidamente em óleo perfumado – que curiosamente era feito dos mesmos ingredientes do óleo hebreu usado para unção e como incenso. Um ano de preparação para urna noite com o rei! Uma consequência lógica é que, depois de todos estes banhos com óleo perfumado, os homens que se aproximassem de Ester, pensariam ou diriam: “Como você está perfumada!” E é claro que Ester não gastaria tempo com eles, assim como eu e você não deveríamos nos deixar levar pela aprovação dos homens, sabe por quê?

O PROPÓSITO DA UNÇÃO NÃO É BUSCAR APROVAÇÃO DOS HOMENS, MAS DO REI.

A aprovação do Rei é muito mais importante. Davi foi ungido por Deus, para depois ser coroado pelo povo. Ele buscou a aprovação de Deus mais do que a dos homens. Ele era um caçador de Deus!

Temos desonrado a unção de Deus muitas vezes. Nos preparamos para Ele, nos banhamos em Sua doce, perfumada e preciosa unção, e, depois disto, tudo o que fazemos é desfilar perante os homens! Acabamos sendo entretidos no caminho para a sala do Rei e nunca chegamos lá. Deixamo-nos seduzir por outros amores de pouco valor. Precisamos lembrar que nosso Rei não aceita nada que esteja “manchado ou corrompido”. Somente os puros estão aptos a ser admitidos nos aposentos do Rei. Estou dizendo que corrompemos a unção de Deus quando dizemos: “Aquela foi uma boa pregação!” ou: “Aquele louvor estava realmente muito bom!” e damos ao homem a glória e a atenção devidas a Deus – ou então, buscamos a glória e a atenção vindas de homens. Nós estaríamos buscando, assim, agradar à carne, mas nunca a Deus.

A unção realmente tem maravilhosos efeitos em nossas vidas: ela quebra o jugo da opressão. Mas isto é uma consequência. Por exemplo: quando me perfumo para minha esposa, fico, como consequência, perfumado para todos em redor. Mas o meu propósito é estar perfumado para minha esposa, não para os outros! O problema está em querer impressionar outra pessoa, desviando-se do propósito original da unção, que é encobrir o odor natural de nossa carne.

Enquanto permaneceu na “casa das mulheres”, Ester recebeu óleos, especiarias e perfumes para purificação. Submeteu-se a um processo destinado a transformar uma plebeia em princesa. Mais uma vez, digo: o propósito da unção não é fazer com que fiquemos melhores, mais atraentes ou perfumados para os homens, tudo isto é consequência da unção, cujo objetivo é encontrar favor diante do Rei. Nossa carne não cheira bem perante o Senhor, e a unção nos faz aceitáveis para Ele. Esse é o processo através do qual Deus transforma plebeias em princesas – ou seja, em noivas em potencial!

A unção pode fazer com que louvemos ou preguemos melhor, mas precisamos lembrar que ela – quer venha sobre nós individualmente ou sobre a congregação durante o culto – não é o fim, mas somente o início. Alguns se contentam em passear diante do véu, e, assim, desonram a unção que lhes foi dada. Não compreendem que o propósito da unção em nossa vida é nos preparar para entrar, ir além do véu, atingir o lugar onde a glória de Deus permanece continuamente. A sala do Rei, o Santo dos Santos, espera pelos ungidos. No Santo Lugar, tudo era impregnado com o óleo da unção, até mesmo os trajes dos sacerdotes. Estes, então, tomavam o incenso moído e ungiam o ambiente.

“Tomará também [Arão ou todo que o suceder no sacerdócio] o incensário cheio de brasas de fogo de sobre o altar, diante do Senhor, e dois punhados de incenso aromático bem moído e o trará para dentro do véu. Porá o incenso sobre o fogo perante o Senhor, para que a nuvem do incenso cubra o propiciatório, que está sobre o testemunho, para que não morra. “(Levítico 16.12,13)

Entre as ordenanças do Antigo Testamento, a última coisa que o sumo sacerdote fazia antes de entrar no Santo dos Santos era colocar um punhado de incenso (simbolizando a unção) dentro do incensário, levá-lo através do véu e fazer uma densa nuvem de fumaça. Por quê? Para “…cobrir o propiciatório… para que não morra” (Levítico 16.13b). O sacerdote tinha que fazer fumaça suficiente para encobrir sua carne da presença de Deus.

A unção, assim, relaciona-se à reverência. Era por reverência que se enchia o Santo dos Santos com fumaça. Coberto, o homem demonstrava sua reverência diante de Deus e podia permanecer na Sua presença e viver. Em outras passagens do Antigo Testamento, Deus saía do Santo dos Santos e fazia sua própria nuvem, para que os homens não pudessem vê- Lo e perecer.

Sob a Antiga Aliança, baseada no sangue dos touros e bodes, o sacerdote executava suas tarefas pelo tato e não por vistas. Andamos por “fé”, não por vistas!

Deus, sei que o Senhor está aqui em algum lugar.

CULTUAMOS DIANTE DO VÉU E NOS RECUSAMOS A ENTRAR

A Palavra de Deus nos diz que o véu foi rasgado em dois pedaços quando Jesus Cristo morreu no Calvário. Através de Seu sangue temos livre acesso à presença de Deus, somos reticentes em entrar na presença do Senhor. Vez ou outra, alguém passa para além do véu (por descuido), mas logo retorna a seus “passeios”. Ficamos animados com a possibilidade de entrarmos na intimidade da glória de Deus, mas nunca consumamos o fato. O propósito da unção é nos ajudar a fazer a transição da carne para glória. Gostamos de permanecer na unção, porque nossa carne se sente bem. Por outro lado, quando a glória de Deus se manifesta, nossa carne já não se sente tão confortável.

Quando a glória de Deus se manifesta, ficamos como o profeta Isaías. Nossa carne fica tão frágil na presença de Deus, que não conseguimos fazer mais nada, a não ser contemplá-Lo em Sua glória. Cheguei à conclusão de que, na presença de Deus, sou um homem sem vocação. Quando Deus manifesta Sua glória, não há necessidade de pregar3. As pessoas são convencidas de seu pecado, da necessidade de arrependimento e de ter uma vida santa diante de Deus. Elas tomam consciência de que Ele é digno de receber louvor e adoração e são tomadas por um desejo de ir além e conduzir outros à presença do Senhor!

Jacó orou e, literalmente, lutou por uma bênção, mas recebeu uma “mudança”. Seu nome, seu caminho e seu comportamento foram mudados. Estou convencido de que, algumas vezes, Deus coloca um pequeno sinal de “morte” em nossos corpos (como na coxa de Jacó) para trazer uma mudança divina em nossas vidas. Algo morre dentro de nós cada vez que somos confrontados pela glória de Deus. É um canal que se estabelece em nosso corpo para a santidade. Assim como brasas vivas foram colocadas nos lábios de Isaías, recebemos o pão vivo da presença de Deus e nunca mais somos os mesmos. Quanto mais nossa carne morre, mais nosso espírito vive. Os primeiros seis capítulos da profecia de Isaías são dedicados aos “ais”. Ele diz: “Ai de mim, ai de você, ai de todos.” Depois que o profeta viu o Senhor no alto e sublime trono, começou a falar de coisas que só podem ser entendidas no contexto do Novo Testamento.

Há algo que não mudou: receber a “bênção” e ter a coxa deslocada, ou sentir a brasa viva da glória de Deus em nossos lábios carnais ainda nos incomoda. Os sacerdotes sabiam que não podiam brincar com a glória de Deus: era algo para ser levado a sério. Por isto, uma corda era amarrada no tornozelo do sumo sacerdote antes que ele se movesse para além do véu. Se entrasse na presença de Deus com presunção ou pecado, não voltaria. Então, teriam que puxar seu cadáver para fora do véu e esperar que tudo corresse bem da próxima vez. Deus chama Sua Igreja para experimentar a manifestação de Sua glória. Para obedecermos a este chamado temos que, assim como o sumo sacerdote, estar preparados.

A MANIFESTAÇÃO EXUBERANTE DE DEUS

Certas pessoas ao longo da história da Igreja conheceram a fundo a glória de Deus. Smith Wigglesworth, sem dúvida, fez parte deste grupo. Uma de suas biografias conta a história de um pastor que estava determinado a orar com ele. Não demorou muito para que o pastor engatinhasse para fora da sala, dizendo, atordoado: Para mim, isso é glória demais! Saiba que isto é possível. Você pode chegar a este ponto, pergunte a Enoque. O resultado final da busca é a glória de Deus. E é ela que permanece, não os dons dos homens, a unção, ministérios, opiniões ou habilidades. Estando na presença manifesta de Deus, embora coisas grandes e maravilhosas aconteçam, você e eu precisamos fazer muito pouco. É exatamente quando tentamos “fazer algo”, que os resultados são escassos e desprovidos da glória de Deus. Esta é a diferença.

Outra ilustração para diferenciar a unção e a glória: quando você esfrega seus pés no carpete em um dia frio e toca na ponta do nariz de alguém, leva um choque. Você também leva um choque se segurar um fio de 220 volts. Em ambos os casos, o poder por trás do choque é a eletricidade, ambos partem do mesmo princípio. O primeiro apenas lhe dará um pequeno choque, mas o segundo tem poder para matá-lo instantaneamente ou iluminar uma cidade inteira. Ambos dividem a mesma fonte, mas diferem em poder, propósito e alcance.

Se permitirmos que Deus substitua “nossas programações” com Sua presença manifesta, tão logo as pessoas cruzem as portas de nossa igreja, ou quando andarem conosco pelo shopping, serão convencidas do pecado e correrão para se reconciliarem com Deus, sem que nenhuma palavra seja dita [Entraremos em maiores detalhes quanto a este assunto no Capítulo 8, “O propósito da presença de Deus”].

AINDA NÃO “PEGAMOS” DEUS

Precisamos aprender como atrair, recepcionar e entreter a presença exuberante de Deus em nosso meio. Temos que chegar a um ponto em que o mero reflexo do que houve entre nós conduza os perdidos ao arrependimento e à conversão. Estou faminto por este tipo de expressão de avivamento, mas se não formos cuidadosos deixaremos a chama esvaecer. Não estamos conseguindo “deter” a presença de Deus conosco, porque ainda não nos “casamos” com Ele. Deus procura uma noiva sem ruga e sem mancha: Ele já deixou uma noiva no altar e pode deixar outra.

Creio que, se for preciso, o Senhor vai acabar com a estrutura que conhecemos como “igreja” para poder alcançar os perdidos. O Senhor não está satisfeito com nossas versões malfeitas de Sua Igreja perfeita. Deus reivindicará a casa que Ele mesmo construiu. Se nosso “elefante branco” ficar no caminho daquilo que Deus quer fazer, Ele não hesitará em removê-lo. Seu plano é alcançar os perdidos e, se Ele não poupou Seu único Filho para salvá-los, não nos poupará também.

Devemos nos mover de acordo com o que Deus quer fazer. A mesma Bíblia que eu e você carregamos para os cultos, semana após semana, diz que se nos calarmos, as pedras clamarão5. Se as igrejas não O louvarem e Lhe obedecerem, Ele levantará outras pessoas para fazerem isto. Se não cantarmos a glória de Deus pelas ruas das cidades, então, Ele levantará uma geração de “gentios” e revelará Sua glória a eles. O problema é que sofremos de uma doença espiritual fatal: relutância. Não estamos famintos o suficiente!

SOMENTE O ARREPENDIMENTO PODE NOS CONDUZIR A ALGUM LUGAR

Deus não vai se manifestar ao povo que só busca Seus benefícios. Ele vai se manifestar aos que buscam Sua face. No Antigo Testamento, se alguém se recusasse a mostrar o rosto a você, estaria deliberadamente lhe rejeitando. As antigas ordens da Igreja adotavam práticas similares. Podemos nos gabar de nossas realizações ou ignorar nossas deficiências. Não importa o que façamos: somente o arrependimento vai nos levar a algum lugar com Deus.

Deus só vai tornar a Sua visitação em avivamento permanente se você e eu, com lágrimas e arrependimento, Lhe prepararmos um lugar. O avivamento e a visitação do Senhor não devem ser apenas “momentos”. Assim, Ele não irá mais piscar os olhos diante de nossa ignorância. Ele vai, literalmente, fechar Seus olhos e não olhar em nós para que não aconteça que sejamos consumidos por Seu olhar.

Deus está farto de vociferar instruções à Igreja: Ele quer nos guiar sob Suas vistas. Isto significa que precisamos estar perto d’Ele, perto o suficiente para vermos Sua face. Ele está cansado do vexame de ter de nos corrigir publicamente. Por muito tempo, temos buscado Suas mãos. Queremos o que Ele pode fazer por nós, queremos Suas bênçãos, emoções, arrepios, queremos os peixes e os pães. Todavia, nos retraímos diante do chamado a que busquemos Sua face.

Se buscarmos a face de Deus, obteremos Seu favor. Temos experimentado a onipresença de Deus, mas agora estamos experimentando a manifestação de Sua presença. Isto, sim, faz cada pelo de nosso corpo se arrepiar e põe para correr as forças demoníacas.

Se você é um pastor e está sob a unção de Deus, prega melhor. Mas debaixo da glória de Deus, tropeça, gagueja, não consegue fazer nada. Quando você dirige o louvor e é ungido, canta melhor. Mas sob a glória de Deus, mal pode cantar. Por quê? Porque Deus declarou que carne nenhuma vai se gloriar em Sua presença6. Isto não significa que você seja uma má pessoa ou que viva em pecado. Significa que você é simplesmente carne e sangue diante da presença do Todo-Poderoso. Lembra o que aconteceu na dedicação do templo de Salomão? O sacerdote não pôde ministrar7. Creio que ele não foi impedido de ministrar a bênção, mas caiu com o rosto em terra por causa do temor!

SE EU NUNCA TINHA ESCUTADO DEUS, DESTA VEZ SABIA QUE ERA ELE

Quando a glória do Senhor se manifesta, podemos encontrar pessoas fazendo coisas aparentemente absurdas. Testemunhei isso, noite após noite, durante cultos em lugares que foram marcados por um “surto” de santidade e glória. Uma senhora disse: “Nunca estive nesta igreja antes. Eu estava determinada a deixar meu marido hoje de manhã. Mas, por volta das 19h30 (o culto havia começado há meia hora), eu estava jantando, quando Deus falou comigo. Eu nunca ouvira Deus falar, mas sabia que, naquele momento, era Ele. E Deus me disse: ‘Levante-se agora e vá até a Igreja – aquele prédio com telhado verde.'”

Ela dirigiu-se para o prédio da igreja (com telhado verde) e sentou-se em um dos últimos bancos. Então, prostrou-se com rosto em terra, ali mesmo, entre os bancos de trás, e começou a chorar e a arrepender-se por duas horas. Ninguém teve que dizer a ela o que fazer. Não havia o que dizer, seu casamento estava salvo.

O AVIVAMENTO REAL ACONTECE QUANDO…

Nós não sabemos o que é avivamento. Na verdade, não temos a menor idéia do que seja o avivamento genuíno. O avivamento que pregamos não passa de mensagens em outdoors, faixas que espalhamos pela cidade ou colocamos na entrada de nossas igrejas. Para nós, avivamento é um pastor persuasivo, músicas comoventes e a presença de uns poucos amigos que aceitam o convite para ir à igreja. Não! O avivamento real acontece quando as pessoas estão em um restaurante ou andando pelo shopping e, de repente, começam a chorar, olham para seus amigos e dizem: “Não sei o que está errado comigo, mas sei que tenho que me reconciliar com Deus.”

O verdadeiro avivamento acontece; quando as pessoas mais “difíceis” e “inalcançáveis” que você conhece vêm até Jesus. Tais pessoas ainda não foram alcançadas, porque vêem em nós pouco de Deus e muito de homens. Tentamos lhes empurrar doutrinas goela abaixo. Já imprimimos tantos folhetos que dariam para forrar as paredes de nossas igrejas. Agradeço a Deus pelas pessoas alcançadas através de um folheto evangelístico, mas as pessoas não querem doutrinas, não querem folhetos, nem nossos frágeis argumentos: elas querem Deus!

Quando é que vamos aprender que as pessoas podem ser facilmente persuadidas, mas, com a mesma facilidade, podem também se desviar? As pessoas podem ser atraídas pela nossa música, mas só permanecerão enquanto gostarem da música. Não devemos concorrer com o mundo nas áreas em que ele é muito competente, ou até melhor que nós. Mas existe algo com que o mundo não é capaz de competir: a presença de Deus.

Agora, vou contar-lhe um segredo se você prometer que vai espalhar. Quer saber quando as pessoas começarão a entrar pelas portas de sua igreja? Tão logo saibam que a presença de Deus está ali. Já é tempo de experimentarmos este poder. Deus quer manifestar-se àqueles que estão famintos. E quando Ele vier, não teremos que colocar anúncios no jornal, rádio ou televisão. Tudo que precisamos é da presença de Deus e as pessoas virão de longe e de perto, de todos os lugares, a todo instante! Isto não é teoria ou ficção – já está acontecendo. E tudo começa com o clamor dos famintos:

Sei que existe mais…

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SINCRONICIDADE

O conceito se refere aos fenômenos que definem acontecimentos não casuais com uma relação de significado que permite perceber inúmeros eventos aleatórios que se interconectam

Sincronicidade

O conceito junguiano de sincronicidade, amadurecido durante muitos anos pelo seu criador antes de ser publicado em 1954, descreve fenômenos que não podem ser explicados dentro de uma causalidade linear. Se as pessoas observarem abertamente, além da visão reducionista/linear de causa e efeito, será possível perceber um mundo de eventos aleatórios, que se interconectam de forma surpreendente. Carl Gustav Jung levou mais de 20 anos para escrever sobre esse conceito, tamanha sua complexidade. Jung, na tentativa de apresentar a sincronicidade como um conceito baseado em pressupostos científicos, valeu-se de estudos como teoria Quântica, teoria da Relatividade, leis da Termodinâmica e de estudos de Probabilidade. A teoria da Complexidade foi posterior aos escritos de Jung sobre o tema e é possível encontrar bases para pensar sobre o fenômeno da sincronicidade.

Jung agrupou os eventos sincronísticos em três categorias: coincidência de um estado psíquico do indivíduo com uma ocorrência externa simultânea, considerando o espaço-tempo não apresentar nenhuma evidência de conexão de causa e efeito; coincidência de um estado psíquico do indivíduo com um acontecimento exterior simultâneo, que ocorre fora do campo de percepção do observador; coincidência de um estado psíquico do indivíduo com fatos que ocorrem em um futuro próximo e que só podem ser verificados posteriormente.

Um dos aspectos básicos da teoria junguiana é o conceito dos arquétipos existentes no inconsciente coletivo do indivíduo. Os conteúdos arquetípicos e seus símbolos são acessados pelo indivíduo através dos sonhos, eventos de sincronicidade e insights. Jung coloca que o arquétipo ativado/constelado apresenta uma probabilidade psíquica para a manifestação do símbolo.

A sincronicidade não pode ser controlada, prevista ou evitada, já que se trata de uma ocorrência espontânea. O que faz a sincronicidade ter uma importância tão grande é sua ocorrência em todas as áreas da vida humana. Ela pode ser notada e foi descrita em grandes fatos históricos, científicos e religiosos.

 SENSIBILIDADE

É possível desenvolver no indivíduo maior sensibilidade para os eventos sincronísticos. Observar a sincronicidade, os símbolos subjacentes e os arquétipos envolvidos pode ser de enorme ajuda no progresso do processo psicoterapêutico. O aproveitamento dos símbolos que surgem para os indivíduos, quer seja através de sonhos, visualizações criativas ou eventos sincronísticos, deve ser devidamente considerado e explorado em seus significados para o indivíduo em análise.

A questão é que não se dá muita atenção aos fenômenos de sincronicidade que acontecem na vida, pelo simples fato de não ser possível explicá-los de forma racional. Alguns fenômenos podem estar relacionados com pessoas do convívio próximo, que também podem vivenciar junto a ocorrência de eventos sincrônicos e compartilhar seu significado . O fato de os fenômenos sincrônicos apresentarem uma significância simbólica própria ao indivíduo que o presencia faz dele quase um segredo. A grande questão é como o indivíduo vai compartilhar esse fenômeno, que possui um universo de significados próprios, com alguém ao qual ele não pertence? É tão particular que não faria sentido contar os eventos de sincronicidade a qualquer pessoa, pois são eventos únicos, irreproduzíveis e subjetivos. Seria como contar a alguém aquele sonho que se teve na infância, que foi tão marcante que ainda não se pode esquecê-lo. Isso faz a sincronicidade ser um fenômeno solitário, que pode ser compartilhado geralmente no setting terapêutico, onde existem ressonância e confiança para dividir o universo simbólico do paciente, tão rico e particular, para que ele possa ser desvendado e validado.

Sincronicidade. 2

SINCRONICIDADE

O conceito de sincronicidade poderia ser definido como eventos que se sucedem de uma forma acausal que apresentam alguma correlação e que tem um significado para o indivíduo. Como descreve Joseph Cambray: “Elementos díspares, sem conexão aparente são juntados ou justapostos de uma tal maneira que tendem a chocar ou surpreender a mente, abrindo-a a novas possibilidades por um alargamento da visão do mundo, permitindo entrever a fábrica interconectada do universo.

OUTROS OLHARES

PRECISAMOS FALAR SOBRE A MACONHA

A proposta aprovada pela Anvisa de legalizar o cultivo de Cannabis sativa para fins medicinais precisa estar embasada em uma ampla discussão sobre os efeitos reais da planta para a saúde

Precisamos falar sobre a maconha

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente duas propostas que podem legalizar o cultivo de Cannabis sativa para fins medicinais. Ainda haverá consultas públicas para a medida entrar ou não em vigor. Mas é urgente a discussão ampla sobre o assunto. Desde Hipócrates, os médicos juram primeiro não fazer mal (“Primumnon nocere”’). Após a tragédia da talidomida, nos anos 1960, órgãos reguladores (FDA, European Medicines Agency e seus congêneres, como a própria Anvisa) priorizam a proteção das populações contra os efeitos danosos dos medicamentos. É missão dos profissionais de saúde prevenir e tratar doenças, identificar riscos dos tratamentos e informar se podem reverter seus efeitos adversos. Cabe a eles saber se um novo tratamento tem eficácia igual ou superior à dos já existentes e se seus efeitos nocivos são toleráveis e reversíveis. No fim, o registro de novos medicamentos depende de decisões políticas, sujeitas a interesses diversos. Em vez de nos preocuparmos com a prevenção de danos, estamos expostos à mais ampla promoção do uso de substâncias psicoativas da história. O caso da Cannabis é exemplar: ao contrário do que se ouve, ela pode fazer mais mal do que o álcool ou o tabaco, embora de forma diferente. A identificação de alguns princípios ativos, como o tetraidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD) , e a descoberta do “sistema endocanabinoide”, cujas funções são pouco conhecidas, despertaram o interesse médico-científico e provocaram uma corrida por grandes ganhos financeiros. A planta tem sido modificada e suas formas de administração não correspondem aos modos utilizados desde a Antiguidade. O consumo da “supermaconha” (o skunk, com alto teor de THC) na Europa, América do Norte, Oceania e Uruguai o uso do THC puro e de canabinoi­ dessintéticos por meio de dispositivos eletrônicos, vaporizadores e alimentos têm levado a uma toxicidade cada vez maior. Ainda sabemos pouco sobre os efeitos da Cannabis no neurodesenvolvimento. Pesquisa publicada em abril de 2018 no Translational Psychiatry indicou efeitos do THC em neurônios derivados de células-tronco, com a alteração de funções relacionadas à biologia do RNA (ácido ribonucleico, na sigla em inglês) e à regulação da cromatina, semelhantes aos encontrados no autismo e na esquizofrenia. Em relação ao intelecto, trabalho publicado em 2012 no Proceedings of the National Academy of Sciences mostrou que o uso de Cannabis resulta em redução de 8 pontos no Q.I. de usuários entreos18 e os38anos. Diversas outras pesquisas revelaram alterações cognitivas, com prejuízos para a memória e as funções executivas, e fica a dúvida se isso é reversível. Resta a esperança de que a pronta interrupção do uso impeça danos de longo prazo, mas há claros indícios de menor rendimento escolar e na carreira profissional dos usuários persistentes de Cannabis.

Mesmo depois da remissão de episódios agudos, algumas psicoses crônicas, como a esquizofrenia, são irreversíveis, pois deixam sequelas. Somente a Cannabis e a metanfetamina têm associação demonstrada com psicoses crônicas. Afirmar que elas ocorrem porque há pessoas com vulnerabilidade a psicoses e que a Cannabis não participa de forma relevante nesse processo esbarra no fato de que outras drogas, incluindo álcool, tabaco, LSD, heroína e crack, por exemplo, apesar de nocivas para a saúde, não parecem atuar como componentes causais para psicoses crônicas. Isso torna a Cannabis particularmente perigosa, desencadeando, antecipando o primeiro episódio, agravando, dificultando o tratamento e piorando o prognóstico das psicoses, conforme documentado nos últimos cinquenta anos. Além disso, a vulnerabilidade a psicoses é multifatorial e complexa, não sendo possível dizer, com segurança, quem pode usar Cannabis.

A relação entre o uso de Cannabis e doenças mentais foi objeto de estudo no acompanhamento de 50.000 suecos desde seu alistamento militar, em 1969. Catorze anos depois, os que haviam fumado maconha 52 vezes ou mais aos 18 anos tiveram um risco 2,3 vezes maior de internação psiquiátrica devido a um episódio psicótico. Reavaliações feitas depois de 27 e 35 anos confirmaram que aquele grupo apresentou risco 2,2 vezes maior para psicoses em geral e 3,7 vezes maior risco para esquizofrenia. Sete outros estudos de seguimento examinando a associação entre o uso de Cannabis e psicose em jovens da Austrália, Alemanha, Holanda, Inglaterra, Israel e Nova Zelândia, publicados entre 2002 e 2010, relataram aumentos de até onze vezes no risco para usuários em relação a grupos de controle sem o uso de Cannabis. Em 2016, uma extensa investigação, que reuniu resultados de dez estudos, com mais de 66.000 indivíduos, calculou que o risco para psicoses crônicas é 3,9 vezes maior em usuários frequentes de Cannabis com alto teor de THC, o que confirmou que o efeito é “dose-dependente “e, portanto, compatível com relação causal.

Há poucos estudos de incidência de psicoses crônicas (quantos novos casos surgem em uma população em um dado intervalo de tempo). Aumentos significativos na incidência de doenças raras tendem a não ser percebidos, por seu pequeno acréscimo em termos absolutos. A incidência de esquizofrenia é, geralmente, estimada em torno de1% da população. No entanto, em 2003, artigo do British Journal of Psychiatry apontou aumento na ocorrência de casos de esquizofrenia em jovens de até 35 anos em Camberwell (Londres), entre 1965 e 1997, coincidindo com o aumento no uso de Cannabis de alta potência. Em março de 2019, estudo divulgado pelo Lancet Psychiatry, feito em dez cidades da Inglaterra, Holanda, França, Espanha, Itália e Brasil, com 901 pacientes em primeiro episódio de psicose entre maio de 2010 e abril de 2015, mostrou correlação significativa entre a incidência de psicose e as taxas de uso de Cannabis na população geral, sobretudo quando esse uso era diário. O risco foi diretamente relacionado a teores elevados de THC, mais uma vez indicando relação causal. Logo, o argumento de que, “se fosse verdade que a Cannabis causa psicose, o aumento no consumo nas últimas décadas teria resultado em aumento na incidência das psicoses, mas isso não ocorreu” não se sustenta. Ocorreu, sim.

Outros efeitos da Cannabis, muito mais frequentes, incluem a “síndrome amotivacional” (apatia, desinteresse, falta de motivação), quadros depressivos e ansiosos, alterações emocionais e nas relações interpessoais, “pseudocriatividade” e também o “transtorno esquizotípico da personalidade”.

Nesse contexto de risco de danos irreversíveis, seria adequada maior cautela no exame dos pleitos para a legalização do uso da Cannabis. Para fins medicinais, é melhor aguar­ dar respostas a questões fundamentais de segurança e eficácia da droga comparada a outros tratamentos. Para isso, não é preciso autorizar empresas ou usuários a plantar Cannabis, pois não poderão ser registrados medicamentos sem essas informações. Muito menos justificável, e até mesmo inaceitável, seria legalizar o “uso recreativo”.

O contrário dessa postura, com a liberação do consumo medicamentoso e recreativo, ainda que debaixo de severo controle legal, poderia parecer humanitário, mas configuraria apenas uma atitude irresponsável, principalmente com relação aos jovens e às futuras gerações.

GESTÃO E CARREIRA

VOE ALTO!

Desde a concepção da vida e em todas as suas fases superamos inúmeras barreiras, sendo necessário entender que contratempos e dificuldades sempre existirão

Voe alto!

Desde a Pré-história os seres humanos enfrentam problemas, superam obstáculos e lidam com as adversidades diariamente, mesmo que sejam de formas diversas. Porém, é possível notar que muitas pessoas não conseguem enfrentar essas situações de modo natural. Já outras tiram de letra.

Quase sempre as pessoas que têm mais resistência em atravessar situações difíceis estão presas apenas ao lado negativo do problema e não conseguem visualizar outros prismas de uma mesma questão, se diminuindo perante as adversidades, deixando aquele obstáculo ditar suas ações e, muitas vezes, sua própria vida. Nesse momento, elas se tornam vítimas desses problemas e assumem o compromisso de impotência perante os fatos. Mas observe a contradição: ao mesmo tempo em que elas esperam e pedem por uma solução, continuam olhando somente para um lado do problema, ou seja, para o lado oposto da solução desejada.

Se não soubermos lidar com as adversidades que aparecem em nosso caminho acabamos dando força aos sentimentos negativos e eles ficam sempre presentes na nossa vida. Mesmo que eles sejam deixados de lado, se não forem resolvidos voltarão com frequência no nosso dia a dia, muitas vezes com padrões repetitivos ou disfarçados com outras questões. Dessa forma, alimentamos a ansiedade, a raiva, a tristeza, a falta de confiança em nós, nos outros e na vida, a insatisfação, o estresse, a desmotivação, a baixa autoestima, a falta de controle da nossa própria vida, entre muitos outros sentimentos e crenças limitantes.

Quando refletimos sobre uma situação conflitante já vivenciada podemos perceber que dificilmente conseguimos olhar para as adversidades sob uma segunda óptica, mas focamos somente nos aspectos ruins, sem ao menos tentar enxergar o lado positivo delas. Por exemplo, ao receber uma advertência do líder por queda de resultados (situação adversa), você provavelmente irá buscar novas estratégias para alavancar os números, além de ficar mais atento ao atingimento de metas (lado bom). Quantas vezes, após algum problema ser resolvido, você já pensou: “Ainda bem que isso aconteceu, assim pude ter a oportunidade de conhecer tal coisa ou pessoa”, e por aí vai. Sempre haverá um lado bom, seja em circunstâncias mais simples ou complexas.

Os problemas estarão sempre presentes em nossa vida, porém a forma de perceber e lidar com eles poderá fazer toda a diferença. Parafraseando Fernando Pessoa, “ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É saber falar de si mesmo. É não ter medo dos próprios sentimentos”. O primeiro passo para se livrar de uma adversidade é aceitar e entender qual é a mensagem de mudança que ela nos passa.

Não podemos permitir que um obstáculo nos coloque como vítima ou que façamos autoquestionamentos do tipo “por que eu?”, “por que isso só acontece comi- go?”, entre muitos outros pensamentos que nos paralisam. Reconheça as oportunidades de crescimento, sabedoria e de evolução que existem em nossa trajetória. Experimente ter uma visão ampla, que abranja todo o contexto. Muitas vezes, achamos que para quem está de fora da situação é muito mais fácil achar uma solução, e estamos certos em relação a isso, pois o outro tem uma visão do todo, facilitando o seu entendimento. Portanto, permita-se contemplar por algum instante aquilo que o aflige, conheça e compreenda a mensagem que aquele problema lhe passa. Quando mudamos o ponto de vista, vemos o mesmo problema com outra perspectiva. Se mesmo assim sentir dificuldade em enxergar o lado positivo de tal questão, se coloque na posição de observador e imagine alguém que você admira muito no seu lugar e, assim, conseguirá visualizar qual é a ação que essa pessoa teria. Dessa forma, é possível obter uma visão mais clara e ajustar o foco para encontrar soluções criativas, que nos levarão ao sucesso desejado.

Cada desafio e cada dificuldade que se enfrenta na vida servem para fortalecer a força de vontade, confiança e capacidade de vencer os obstáculos futuros com êxito, assertividade, prosperidade e muita felicidade. Esses impedimentos que surgem no decorrer da estrada serão sempre sinônimos de superação, portanto fazem parte da trajetória e do crescimento pessoal e profissional.

Ter a coragem de olhar o mundo e a sua própria realidade de outros pontos de vista é maravilhoso e libertador.

Voe alto, enxergue novos horizontes! assim você perceberá que o mundo é um espaço de infinitas possibilidades e um cenário onde você mesmo pode criar o roteiro que quiser, com o final feliz que desejar!

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPITULO 2 – NÃO HÁ PÃO NA CASA DO PÃO

 

MIGALHAS NO CHÃO E PRATELEIRAS VAZIAS

A presença de Deus tem deixado de ser prioridade na Igreja moderna. Estamos como padarias abertas, mas que não têm pão. Além disto, não estamos, realmente, interessados em vender pão. Apenas gostamos do bate-papo ao redor dos fornos frios e prateleiras vazias. Na verdade, fico imaginando, será que ao menos sabemos se o Senhor está aqui ou não. E se está, o que Ele está fazendo? Onde Ele está indo? Ou será que estamos preocupados demais em varrer as migalhas imaginárias das padarias sem pão?

SERÁ QUE SABEMOS, PELO MENOS, QUANDO ELE ESTÁ NA CIDADE?

No dia em que Jesus realizou o que chamamos de Entrada triunfal em Jerusalém, montado em um jumento, Seu trajeto através da cidade, provavelmente, o fez passar perto da porta do templo de Herodes. Acredito que o que deixou os fariseus indignados, na passagem registrada em João 12, foi a perturbação de seu culto religioso dentro do templo.

Posso ouvi-los reclamando: “O que está acontecendo? Vocês estão perturbando o sumo sacerdote! Não sabem o que estamos fazendo? Estamos tendo um importante culto de oração aqui dentro. Sabe por que estamos orando? Estamos orando pela vinda do Messias! E vocês têm a audácia de fazer este desfile barulhento e nos perturbar?! E quem é o responsável por todo esse tumulto?”

ESTÁ VENDO AQUELE MOÇO MONTADO NO JUMENTINHO?

Eles perderam a hora de sua visitação. O Messias já estava na cidade e eles não sabiam. O Messias passou em sua porta, enquanto estavam lá dentro orando para que Ele viesse. O problema era que Ele não veio da forma esperada. Eles não O reconheceram. Se Jesus estivesse em um cavalo branco, ou em uma carruagem real, com soldados à sua frente, os fariseus e os sacerdotes teriam dito:’ “Deve ser Ele.” Infelizmente eles estavam mais interessados em ver o Messias derrubar o jugo do Império Romano do que o jugo espiritual que se transformara em uma praga entre seu povo.

Deus está pronto para Se manifestar, mesmo que precise Se desviar de nossas igrejas para manifestar-Se em bares! Seríamos sábios em lembrar que Ele já fez isto antes, ao se desviar da elite religiosa para jantar com os pobres, os profanos e as prostitutas. A Igreja do Ocidente e a Igreja Americana, em particular, têm exportado seus programas sobre Deus para o mundo inteiro, mas é hora de aprender que tais programas não significam avanço espiritual. O que precisamos é da presença de Deus. Precisamos tê-la, não importa o que aconteça, de onde venha ou o quanto custe. E o Senhor quer vir, mas do Seu jeito, não do nosso. Até que Ele venha, a ausência de “maravilhas” vai assombrar a Igreja.

Podemos estar aqui dentro orando para que o Senhor venha enquanto Ele passa lá fora. Pior que isto, os que estão aqui O perdem enquanto os que estão do lado de fora marcham com Ele!

O PÃO É ESCASSO EM TEMPOS DE FOME.

“Nos dias em que julgavam os juízes, houve fome na terra; e um homem de Belém de Judá saiu a habitar na terra de Moabe, com sua mulher e seus dois filhos.

Este homem se chamava Elimeleque, e sua mulher, Noemi; os filhos se chamavam Malom e Quiliom, efrateus, de Belém de Judá; vieram à terra de Moabe e ficaram ali.

Morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com seus dois filhos, os quais casaram com mulheres moabitas; era o nome duma Orfa e o nome da outra, Rute; e ficaram ali quase dez anos.

Morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando, assim, a mulher desamparada de seus dois filhos e de seu marido.

Então, se dispôs ela com suas noras e voltou da terra de Moabe, porquanto, nesta, ouviu que o Senhor se lembrara do seu povo, dando-lhe pão.”  (Rute 1.1-6.)

HÁ UMA RAZÃO PARA QUE AS PESSOAS DEIXEM A CASA DO PÃO

Noemi, seu marido e seus dois filhos saíram de casa e foram para Moabe, porque havia fome em Belém. O significado literal do nome hebraico de sua cidade natal, Belém, é “casa do pão”. A razão pela qual eles deixaram a casa do pão era que não havia pão na casa. É uma constatação muito simples: Por que as pessoas deixam as igrejas? Porque não há pão. O pão era parte das práticas do templo também, era prova da presença do Senhor: o pão da proposição, o pão da Presença. O pão era o que, historicamente, indicava a presença de Deus. No Antigo Testamento, o pão da proposição estava no Santo Lugar. Era chamado “o pão da Presença” (Números 4.7). A melhor tradução para pão da proposição seria “pão da manifestação”, ou, em termos hebraicos, “pão da revelação”. Era um símbolo celestial do próprio Deus.

Noemi e sua família têm alguma coisa em comum com as pessoas que deixam ou evitam nossas igrejas hoje – eles deixaram o lugar onde estavam e procuraram outro onde pudessem encontrar pão. Posso dizer-lhe porque as pessoas estão se dirigindo aos bares, clubes e aos médiuns caríssimos. Estão tentando se arranjar e sobreviver porque a Igreja as têm frustrado. Elas procuraram, seus pais e amigos procuraram e comunicaram que o armário espiritual está vazio. Não há nada na despensa, nada além de prateleiras vazias, gavetas cheias de receitas para pão, fornos frios e empoeirados.

Temos, falsamente, anunciado que há pão em nossa casa. Mas quando vem a fome, tudo que fazemos é sair em busca das poucas migalhas dos avivamentos passados. Falamos sobre o que Deus fez e onde Ele esteve, mas podemos dizer muito pouco sobre o que Ele está fazendo entre nós hoje. E a culpa não é de Deus, é nossa. Temos somente os vestígios do que já se foi – um resíduo da glória em extinção. E, infelizmente, conservamos o véu do sigilo sobre este fato, da mesma forma que Moisés manteve o véu sobre sua face depois que o brilho da glória se extinguiu. Camuflamos nosso vazio assim como fazia o clero nos dias de Jesus, mantendo o véu no lugar tradicional, mesmo não estando mais a arca da aliança por detrás dele.

Deus também precisa rasgar o véu de nossa carne para revelar nosso vazio interior. E uma questão de orgulho – apontamos orgulhosamente para onde Deus esteve (preservando a tradição do templo), ao mesmo tempo em que negamos a irrefutável e manifesta glória do Filho de Deus. Os religiosos do tempo de Jesus não queriam que o povo percebesse que não havia glória atrás de seu véu. A presença de Jesus representava problemas. Os religiosos pragmáticos se acham no dever de preservar o local onde Deus esteve, ainda que isto implique a sua privação do local onde, de fato, Deus está!

O homem que tem uma experiência nunca ficará à mercê daquele que só tem argumentos, “… uma cousa eu sei: Eu era cego, e agora vejo!” (João 9.25b). Se pudermos conduzir as pessoas à presença manifesta de Deus, todos os aparentes “edifícios” teológicos construídos de papelão vão se desmoronar.

Por que as pessoas dificilmente curvam suas cabeças quando vêm a nossas reuniões e lugares de adoração? “Para onde foi o temor de Deus?”, clamamos como o avivalista A.W. Tozer. As pessoas não sentem a presença de Deus em nossas reuniões, porque ela não está lá em nível suficiente para estimular os nossos “sensores espirituais”. E isto, por sua vez, cria outro problema. Quando as pessoas captam um pouco de Deus, misturado com muito daquilo que não é Deus, acabam se tornando resistentes ao que é verdadeiro. Então, quando dizemos: “Deus está, realmente, aqui”, elas dizem: “Não, eu estive aí, até comprei esta camiseta, e não O encontrei. Realmente, não funcionou para mim.” O problema é que Deus estava lá, mas não havia o suficiente d’Ele! Não havia a experiência da estrada de Damasco. Não havia o sentimento inegável e irresistível de Sua presença.

As pessoas têm vindo à Casa do Pão, frequentemente, apenas para descobrir que aqui existe muito de homens e pouco de Deus. O Todo-Poderoso quer restaurar a sensibilidade de Sua magnífica presença em nossas vidas e em nossas igrejas. Cada vez mais, falamos sobre a glória de Deus cobrindo a Terra, mas como ela vai fluir pelas ruas de nossas cidades, se não pode nem mesmo fluir pelos corredores de nossas igrejas? É preciso começar por algum lugar, e não será pelo lado de fora! É preciso começar aqui, “no templo”. Como Ezequiel escreveu: “Depois disto me fez voltar à entrada do templo, e eis que saíam águas debaixo do limiar do templo, para o oriente” (Ezequiel 47.1a).

Se a glória de Deus não pode fluir pelos corredores do templo, por causa da manipulação humana, Deus terá que se voltar para outro lugar, assim como fez no dia em que Jesus passou pela “Casa do Pão”, que era o templo em Jerusalém. Se não há pão na casa, eu não culpo os famintos por não irem até lá! Eu mesmo não iria!

UM RUMOR CHEGA ATÉ MOABE

Quando Belém, a Casa do Pão, ficou vazia, as pessoas se viram obrigadas a procurar o pão da vida em outro lugar. O dilema que elas enfrentaram é que as alternativas do mundo podem ser mortais. Como Noemi estava prestes a descobrir, Moabe é um lugar cruel. Moabe furtará seus filhos e os sepultará antes do tempo. Moabe separará você de seu cônjuge. Moabe roubará toda a vitalidade que há em você. Por fim, tudo que restara a Noemi eram as duas noras apenas. Com nada além de um futuro sombrio e desastroso fitando a sua face, ela disse: “Vocês não devem permanecer comigo também. Eu não tenho mais filhos para dar a vocês.” Mas, então, ela disse: “Ouvi um rumor…”.

Existe um murmúrio que percorre cada comunidade, aldeia e cidade do mundo. Desce pelas encostas, pelas montanhas e lugares onde os homens habitam. É o murmúrio dos famintos. Se somente um deles ouvisse um boato de que o Pão está de volta à Casa do Pão, a notícia logo se espalharia como uma onda de eletricidade, na velocidade da luz. As novidades sobre o Pão correriam de casa em casa, de um lugar para outro instantaneamente. E você não teria que se preocupar em anunciar na TV ou usar outros meios de comunicação. Os famintos simplesmente ouviriam a notícia:

“Não, não é uma farsa! É difícil de acreditar, mas desta vez não é uma propaganda enganosa. E não são migalhas no chão.

Realmente existe Pão na Casa do Pão! Deus está na Igreja!”

Quando isto acontecesse, seriam tantos os que viriam, que não conseguiríamos comportá-los todos em nossos templos, não importa quantos cultos tivéssemos a cada dia. Por quê? Como? Tudo o que se tem a fazer é trazer o Pão de volta!

SATISFEITOS COM MIGALHAS NO CHÃO

Podemos desfrutar da presença de Deus muito mais do que temos capacidade de imaginar, mas ficamos tão “satisfeitos” com o lugar onde estamos e com o que temos, que não reivindicamos o que há de melhor da parte de Deus. Sim, Ele está se movendo entre nós e trabalhando em nossas vidas, mas temos nos contentado em varrer o chão à procura de migalhas, ao invés de ter as abundantes fornadas de pão quente que Deus preparou para nós nos fornos dos céus! Ele preparou uma grande mesa cheia de Sua presença nestes dias, e está chamando a Igreja: “Venha e coma!”.

Ignoramos a chamada de Deus, enquanto, cuidadosamente, contamos nossas migalhas de pão dormido. Enquanto isso, milhares de pessoas, fora das quatro paredes de nossas igrejas, estão famintas por vida. Elas estão doentes e saturadas da exibição dos programas feitos por homens. Estão famintas de Deus, não de histórias sobre Deus. Elas querem comida, mas tudo que temos para lhes oferecer são migalhas que sobraram do banquete que um dia esteve nas mãos de famintos desesperados, protegidas em vitrines de vidro.

É por isso que vemos homens e mulheres bem-posicionados socialmente, usando cristais em seus pescoços na esperança de entrar em contato com algo que esteja além de si mesmos e de sua triste existência. Ricos e pobres se atropelando em filas para grandes seminários sobre iluminação espiritual e paz interior, engolindo, passivamente, todo o lixo que lhes está sendo passado como se fosse a última revelação do outro mundo.

Como pode ser? Isto deveria envergonhar a Igreja! Tantas pessoas machucadas e carentes voltando-se para médiuns, astrólogos e espíritas para obter orientação e esperança em suas vidas! As pessoas, de tão famintas que estão, chegam a gastar milhões de dólares na indústria do ocultismo que surge da noite para o dia, manipuladas por falsos adivinhos, que não passam de exploradores oportunistas – até mesmo os verdadeiros médiuns ou guias, que tradicionalmente exploram o mundo de espíritos satânicos, são raros neste grupo. O desespero é tanto que elas aceitam as orientações desses negociantes como se fossem uma visão espiritual. Ah, as profundezas da fome espiritual no mundo! Só existe uma razão para que as pessoas estejam tão ansiosas por um contato com algo misterioso, oculto, aceitando até falsificações: elas não sabem onde encontrar O que é verdadeiro. A culpa disto só pode recair sobre um lugar. Esta é a hora perfeita para que a Igreja do Senhor prevaleça.

Quero repetir uma das chocantes frases que continuo ouvindo Deus dizer em meu espírito:

Existe mais de Deus na maior parte dos bares do que na maior parte das igrejas.

Nem crentes nem incrédulos sentem necessidade de se prostrarem quando estão em um culto de adoração, e isto não é imaginação. Eles não sentem a presença de nada nem de ninguém digno de louvor em nosso meio.

Por outro lado, se a Igreja se transformasse naquilo que poderia e deveria ser, então teríamos dificuldades para atender à demanda de “pão” na casa. E quando as pessoas entrassem em nossas igrejas, ninguém teria que lhes dizer para “curvarem suas frontes em oração”. Elas se prostrariam perante Nosso Santo Deus, sem que qualquer palavra fosse dita. Mesmo os perdidos saberiam, instintivamente, que o próprio Deus havia entrado na casa (1 Coríntios 14:25).

Perguntaríamos uns aos outros: “Quem ficará responsável pelos telefones amanhã?” sabendo que as linhas estariam ocupadas com pessoas ligando para dizer: “Tenho que ouvir a respeito de Deus!” Por que digo isto? Porque, quando pagam quantias exorbitantes aos médiuns, as pessoas estão realmente tentando tocar em Deus e encontrar alívio para a dor em suas vidas. Elas só não sabem mais aonde ir. O Rei Saul nos deu o exemplo do errante desesperado que foi cortado da presença de Deus. Quando ele não pôde mais alcançar ou “pegar” Deus, ele disse: “Então, deixe-me achar uma bruxa. Qualquer pessoa! Tenho que ter uma palavra, mesmo que eu tenha que me disfarçar e penetrar sorrateiramente pela porta do fundo. Preciso ter acesso ao reino espiritual.” (1 Samuel 28:7).

Existe outro problema com o qual Deus está preocupado e Jesus o revelou quando repreendeu os líderes religiosos de seu tempo:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois, vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando.” (Mateus 23.13).

Já é terrível quando você mesmo se recusa a ir, mas Deus fica incomodado quando você para na porta e impede que outros entrem! Através de nossa ignorância espiritual e nossa falta de apetite, estamos parados na porta barrando os que estão realmente famintos e perdidos. Temos falado que há pão quando, na verdade, só existem migalhas de pão dormido. Isto tem deixado gerações famintas, desabrigadas e sem outra alternativa, a não ser partir para Moabe. E o preço cobrado em Moabe é muito caro: lá as pessoas pagam com seus casamentos, seus filhos, suas vidas.

Agora, existem rumores de que há pão novamente na Casa de Deus. Esta geração, assim como Rute (que retrata os perdidos), está prestes a acompanhar Noemi, (um retrato dos pródigos), dizendo: “Se você ouviu que realmente há pão lá, então irei com você. Onde quer que vá, eu irei. Seu povo será meu povo, e o seu Deus será o meu Deus” (Rute 1.16). Se… realmente existe pão. A reputação de Belém (a Casa do Pão) estava tão prejudicada que Orfa não foi. Quantos, como ela, “não vão” porque a propaganda da Igreja esgota suas energias?

Sabe quando é que as pessoas se integrarão rapidamente à Igreja local? No momento em que provarem o pão da presença de Deus. Quando Rute ouviu que o pão estava de volta em Belém, ela se levantou de sua tristeza para ir à Casa do Pão.

O QUE ACONTECEU COM O PÃO?

A placa ainda está lá. Ainda levamos as pessoas às nossas igrejas e mostramos a elas os fornos onde costumávamos assar o pão. Os fornos ainda estão no lugar e tudo mais, mas o que encontramos são migalhas da última visitação e da última grande onda de avivamento, sobre a qual os nossos antecessores nos contaram. Agora nos limitamos a ser meros pesquisadores daquilo que esperamos experimentar um dia. Estou, constantemente, lendo sobre avivamento. Um dia desses, Deus me assegurou: “Filho, você está lendo sobre isto porque não teve ainda uma experiência para escrever”.

Estou cansado de ler sobre as últimas visitações de Deus. Quero que Deus se manifeste em algum lugar da minha existência para que, no futuro, meus filhos possam dizer: “Estivemos lá. Nós sabemos: é verdade!” Deus não tem netos. Cada geração deve experimentar Sua presença. O conhecimento não deveria tomar o lugar da experiência.

OS EFEITOS DO PÃO DE VOLTA AO SEU LUGAR

Duas coisas acontecem quando o Pão da presença de Deus é restaurado na Igreja. Noemi foi a pródiga que deixou a Casa do Pão quando a mesa ficou vazia. Entretanto, quando ouviu que Deus havia restaurado o Pão em Belém, a Casa do Pão, rapidamente retornou. Os pródigos voltarão de Moabe, quando souberem que o Pão está de volta em casa e não virão sozinhos. Noemi voltou à Casa do Pão acompanhada de Rute, que nunca havia estado lá antes. Aqueles que nunca vieram, virão. Como resultado, Rute tornou-se integrante da linhagem messiânica de Jesus, quando ela se casou com Boaz e lhe deu um filho chamado Obed, que foi o pai de Jessé, o pai de Davi. A futura realeza conta com as nossas ações que serão desencadeadas por causa da fome de pão.

O avivamento, tal como o conhecemos agora, é simplesmente a “reciclagem” dos salvos para que permaneçam “acesos”. Mas a próxima onda de avivamento verdadeiro trará os perdidos para a Casa do Pão. Pessoas que nunca adentraram as portas de uma igreja na vida, quando ouvirem que realmente há Pão na casa, virão correndo atrás do cheiro de pão quente dos fornos dos Céus!

Estamos, frequentemente, tão saciados e satisfeitos com outras coisas, que insistimos em nos contentar com migalhas de pão dormido. Estamos felizes com nossa música do jeito que é. Estamos felizes com nossas reuniões de “restauração”. Já é hora de termos o que costumo chamar de “insatisfação divina”.

Não estou feliz. Será que posso dizer isto e não ser julgado? Quero dizer com isto que, embora tenha participado do que alguns chamariam de avivamento, ainda não estou feliz. Por quê? Porque sei o que mais pode acontecer. Posso pegar Deus. Sei que existe muito mais do que temos visto ou esperado e isto tem se transformado em uma santa obsessão para mim. Eu quero Deus. Eu quero mais d’Ele.

A SOLUÇÃO PARECE SER QUE HAJA MENOS DE MIM

O plano satânico consiste em nos manter tão cheios de lixo, que não tenhamos fome de Deus, e isto tem funcionado muito bem por séculos. O inimigo tem nos feito acostumar a sobreviver em uma prosperidade terrena, porém, em uma mendicância espiritual. Dessa forma, basta uma migalha da presença de Deus para que nos demos por satisfeitos. Mas existem aqueles que não se contentam mais com migalhas. Querem Deus e nada mais. Falsificações não lhes satisfazem ou interessam; querem o pão verdadeiro. A maior parte, entretanto, mantém suas vidas tão tomadas de “sobras” para a alma e banquetes para a carne, que não sabem o que é estar realmente faminto.

Você já viu pessoas famintas? Quero dizer, pessoas realmente famintas? Se pudesse vir comigo em uma viagem à Etiópia ou a outra localidade assolada pela fome, veria o que acontece quando sacos de arroz são colocados no meio de pessoas realmente famintas. Elas aparecem de todos os lugares em questão de segundos. Muitos de nós comemos antes de irmos para o culto, por isso, quando vemos o pão sobre o altar, não nos sentimos estimulados. Mas, quando Deus me disse, certa manhã, para pregar sobre o pão, Ele disse também: “Filho, se eles estivessem fisicamente famintos, não agiriam da mesma forma” (Curiosamente, naquela manhã, um intercessor sentiu-se constrangido a assar pão e o pastor foi divinamente compelido a colocá-lo sobre o altar!). Nasceu, naquele dia, uma fome pelo pão da presença de Deus, estimulada pelos céus. Este é o pão que tem operado cura, restauração e fome de avivamento por todo o mundo.

A Bíblia diz:

“Desde os tempos de João Batista até agora o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele.” (Mateus 11.12)

Isso não soa, de alguma maneira, como uma descrição nossa? Tornamo-nos tão inertes na igreja, que temos nosso próprio manual de ações “politicamente corretas” e de regras de etiqueta. Porque não queremos nos parecer radicais demais, alinhamos as cadeiras em fileiras muito bem arranjadas e esperamos que nossos cultos sejam igualmente lineares e previsíveis. Precisamos ficar desesperadamente famintos por Deus e, literalmente, nos esquecermos das “boas maneiras”! A aparente diferença entre um louvor litúrgico e um louvor “carismático” é que o programa de um é impresso e o outro memorizado. Geralmente já sabem quando “Deus” vai falar!

Todas as pessoas do Novo Testamento que “esqueceram suas boas maneiras” receberam algo de Deus. Não estou falando da indelicadeza propriamente dita, mas da indelicadeza que brota do desespero! Você se lembra daquela mulher atormentada por uma hemorragia incurável, que, com dificuldade, abriu caminho em meio à multidão para tocar a orla das vestes do Senhor? (Mateus 9:20-22). E quanto à impertinente mulher cananeia que não parava de implorar que Jesus libertasse sua filha endemoninhada em Mateus 15.22-28? Embora Jesus a tenha humilhado, dizendo: “Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” (Mateus 15.26b), ela persistiu. E foi tão indelicada, tão incômoda (ou simplesmente tão desesperadamente faminta por pão), que replicou:

“… Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos.” (Mateus 15.27).

Muitos de nós, por outro lado, vamos a nossos pastores e dizemos: “Oh, pastor, será que poderia, por favor, orar por mim e me abençoar?” Se nada, realmente, acontece, simplesmente damos de ombros e dizemos: “Bem, acho que vou comer ou então relaxar”, ou: “Vou para casa e aplacar a minha fome interior com comida carnal e entretenimento.”

Para ser honesto, espero que Deus incomode homens e mulheres em Sua Igreja e os torne tão obcecados com o pão da Sua presença, de forma que não parem mais. E, quando isto acontecer, não vão querer somente o “por favor, me abençoe”. Vão querer a manifestação da presença de Deus, não importa o que custe ou quão insólitos possam parecer. Poderão parecer rudes ou indelicados, mas não se importarão mais com a opinião de homens, somente com a vontade de Deus. Podemos dizer que a Igreja, de modo geral, não tem dado lugar a pessoas assim.

Um dos primeiros passos para o avivamento real é reconhecer que você está em estado de decadência. Esta não é uma tarefa fácil em face da nossa aparente prosperidade, mas precisamos dizer: “Estamos em decadência. Não estamos mais vivendo nossos melhores momentos.” Ironicamente, nos encontramos na clássica situação descrita no livro A Tale of Two Cities (Uma história de duas cidades), de Charles Dickens: “Foram os melhores momentos, foram os piores momentos”.

Em termos econômicos, talvez, sejam estes os melhores momentos, mas, como um todo, a Igreja não está se movendo sobre uma onda de prosperidade espiritual. Qual foi a última vez que sua sombra curou alguém? Qual foi a última vez que sua presença, em algum lugar, tenha levado as pessoas a dizerem: “Tenho que me reconciliar com Deus”? Onde estão os futuros Finneys e Wigglesworths, homens que incendiaram sua geração através do poder do Espírito Santo? Maravilhas provenientes de Deus faziam parte do cotidiano deles.

Conheço um pastor na Etiópia que certa feita estava ministrando um culto, quando homens do Governo Comunista o interromperam, dizendo: “Estamos aqui para acabar com esta igreja.” Eles já tinham tentado de tudo sem sucesso. Então, naquele dia, agarraram a filha de três anos do pastor e a arremessaram pela janela do templo à vista de todos que ali estavam presentes. Os comunistas pensaram que esta violência acabaria com aquela igreja, mas a esposa do pastor desceu, colocou seu bebê morto nos braços, retornou ao seu lugar na primeira fila, e a adoração continuou. Como conseqüência da fidelidade deste humilde pastor, quatrocentos mil crentes fiéis destemidamente compareceram em suas conferências bíblicas na Etiópia.

Certa vez, meu pai, líder nacional de uma denominação pentecostal nos Estados Unidos, estava conversando com este pastor. Meu pai sabia que ele morava em meio a uma horrível miséria na Etiópia e cometeu o erro de tentar mostrar um pouco do que ele pensava ser consideração. Ele disse ao pastor etíope: “Irmão, temos orado por vocês, por causa de sua pobreza.”

Este humilde homem voltou-se para meu pai e disse: “Não, você não compreende. Nós é que temos orado por vocês, por causa de sua prosperidade.” Meu pai ficou confuso, mas o pastor etíope explicou: “Nós oramos pelos americanos, porque é muito mais difícil para vocês estarem onde Deus quer, em meio à prosperidade, do que para nós em meio à pobreza.”

A maior artimanha que o inimigo tem usado para roubar a vitalidade da Igreja é acenar-lhe com a bandeirinha da prosperidade. Não sou contra a prosperidade. Seja tão próspero quanto você deseja, mas busque Deus ao invés de buscar a prosperidade. Veja bem, é muito fácil começar buscando a Deus e se desviar para outra coisa. Não seja assim! Seja um caçador de Deus e ponto final!

(Nota do autor: Ao utilizar a expressão “caçando Deus”, quero me referir à nossa busca por Deus como Senhor e razão principal da nossa existência – pós-salvação. Não quero dizer que somos salvos pelas nossas obras. A salvação é a graça obtida através do sacrifício de Jesus na cruz e Sua ressurreição. Embora possa parecer óbvio para alguns leitores, considerei importante incluir este esclarecimento. Para aqueles que queiram maior aprofundamento quanto ao assunto, recomendo o livro The Pursuit of God, (A busca de Deus) de A. W. Tozer).

E SE DEUS REALMENTE SE REVELASSE EM SUA IGREJA?

Se Deus realmente se revelasse em sua Igreja, posso assegurar que aqueles “rumores dos famintos”, em sua cidade ou região, espalhariam a notícia rapidamente! Antes que você pudesse abrir as portas no dia seguinte, os famintos já estariam em fila por pão fresco. Por que não vemos este tipo de reação agora? Os famintos têm sido frustrados. Tão logo a menor gota da presença de Deus flui em nossos cultos, dizemos ao mundo inteiro: “Há um rio da unção de Deus fluindo aqui”.

Infelizmente, sempre gritamos: “Deus está aqui! E os famintos vêm somente para descobrir que super-dimensionamos a realidade e que tudo não passou de propaganda enganosa. Temos falsamente apresentado as gotas da unção de Deus como se fossem um rio poderoso, mas o único rio que as pessoas encontram entre nós é um rio de palavras. Algumas vezes, até mesmo construímos maravilhosas pontes sobre leitos secos!

Não podemos esperar que os perdidos e feridos venham correndo para nosso “rio” apenas para descobrir que mal existe o suficiente para aliviar um pouco da sua sede, não chega a ser nem um gole da taça de Deus. Dizemos: “Deus está realmente aqui: há comida na mesa”, mas toda vez que acreditam, veem-se obrigados a procurar pelo chão meras migalhas do banquete prometido. Nosso passado fala mais alto que nosso presente.

NADA TENDES PORQUE…

Em comparação ao que Deus quer fazer, estamos catando farelos, enquanto Ele tem, para nós, um crocante pão quentinho, que acabou de sair dos fornos dos céus! Ele não é Deus de migalhas e de escassez. Ele está esperando que O busquemos para dispensar porções infinitas de Sua presença. Mas nosso problema foi descrito há muito tempo pelo apóstolo Tiago, “Nada tendes, porque não pedis” (Tiago 4.2c). Não obstante, o salmista Davi canta, através dos tempos, que “sua semente” nunca iria “mendigar o pão” (Salmos 37.25).

Precisamos compreender que o que nós temos, onde estamos e o que estamos fazendo é muito pequeno em comparação ao que Deus quer fazer entre nós e através de nós. O jovem Samuel foi profeta numa geração em transição como a nossa. A Bíblia nos diz que cedo, na vida de Samuel, “…a palavra do Senhor era mui rara; as visões não eram frequentes” (I Samuel 3.1b).

Certa noite, o sumo sacerdote Eli foi dormir, ele estava tão avançado em dias, que mal podia enxergar. Parte do problema na Igreja histórica é que nossa visão tem ficado embaçada e não podemos ver como deveríamos. Estamos satisfeitos em ver a Igreja prosseguindo da mesma forma como sempre foi. Enquanto isso, continuamos na nossa rotina, tateando de um lugar para outro, como se Deus estivesse ainda falando conosco. Mas, quando Ele realmente fala, pensamos que as pessoas estão sonhando. Quando Ele realmente aparece, os olhos embaçados não podem vê-Lo. Quando Ele realmente se move, relutamos em acreditar por medo de “esbarrarmos” em algo que não seja peculiar à penumbra em que vivemos. É frustrante quando o Senhor muda de lugar alguma mobília dentro de nós. Dizemos ao jovem Samuel entre nós: “Volte a dormir! Continue fazendo tudo da maneira que lhe ensinei, Samuel! Não há nada de errado. Tudo sempre foi assim.”

Não, nem sempre tudo foi desta forma! E eu não estou satisfeito com tudo deste jeito, quero mais! Não sei quanto a você, mas cada banco vazio que vejo na igreja parece clamar: “Eu poderia ser preenchido com alguns cidadãos de Moabe! Você não pode colocar alguém aqui?” Não sei quanto a você, mas isso alimenta minha santa frustração, minha insatisfação da parte de Deus.

“…e tendo-se deitado também Samuel, no templo do Senhor, em que estava a arca, antes que a lâmpada de Deus se apagasse, o Senhor chamou o menino: Samuel, Samuel. Este respondeu: Eis-me aqui.” (1 Samuel 3.3-4.)

A lâmpada de Deus estava fraca e prestes a se apagar, mas isto não chamou a atenção de Eli: ele já vivia em um permanente estado de penumbra. O jovem Samuel, entretanto, disse: “Ouço algo.” Já é tempo de admitir que a lâmpada de Deus está se apagando. Sim, ainda está queimando, mas as coisas não estão como deveriam estar. Olhamos para esta pequena chama lançando uma luz fraca, aqui e ali, e dizemos: “Oh, é o avivamento!” Pode até ser, para alguns que conseguem chegar bem perto para ver, mas e quanto àqueles que estão distantes? E aqueles que estão perdidos e que nunca leram nossas revistas, assistiram a nossos programas de televisão ou ouviram as nossas fitas de estudo? Precisamos que a luz da glória de Deus brilhe o bastante para que possa ser vista à distância. Em outras palavras, é tempo de a glória de Deus, a luz de Deus, extrapolar os limites da Igreja e iluminar nossas cidades! (Veja Mateus 5:15).

Creio que o Senhor está prestes a manifestar “aquele que abrirá caminhos” (Miquéias 2.13) e que, literalmente, irá fender os céus, para que todos possam comer na mesa de Deus. Antes que isto aconteça, as fontes do grande abismo (Veja Gênesis 1:8; 7:11) devem ser rompidas. Já é tempo de alguma igreja, em algum lugar, parar de tentar ser “politicamente correta” e abrir os céus, para que o maná possa cair e alimentar a fome espiritual da cidade! Já é hora de fendermos os céus e aliviar a agonia dos que estão famintos, para que a glória de Deus comece a brilhar em nossa cidade. Mas a verdade é que não podemos ver nem mesmo uma simples gota fluir pelos corredores, muito menos a glória de Deus fluir pelas ruas, e isto porque não estamos realmente famintos. Estamos como os crentes da Igreja de Laodiceia (Apocalipse 3.17), satisfeitos e contentes.

Pai, eu oro para que o Espírito incomode nossos corações e nos transforme em guerreiros da adoração.

Oro para que não paremos até que vejamos uma rachadura nos céus e eles se abram. Nossas cidades e nações precisam do Senhor. Nós precisamos do Senhor. Estamos cansados de procurar migalhas no chão. Mande-nos pão quente dos céus, mande-nos o maná de Tua presença…

Não importa o que você precise ou o que falte em sua vida – o que você realmente precisa é de Deus. E para tê-Lo, precisa estar faminto. Oro para que Deus lhe faça sentir fome, para, assim, qualificar você à promessa de abastança. Jesus disse:

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão saciados.”

(Mateus 5.6)

Se pudermos ficar famintos, então Ele poderá nos santificar. Ele colocará os pedaços de nossa vida no lugar. Mas a nossa fome é a chave de tudo.

Então quando você se encontrar procurando migalhas no chão da Casa do Pão, ore:

“Senhor, desperte em mim uma fome incontrolável!”

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MOMENTO DE DÚVIDAS E INCERTEZAS

Diversos fatores influenciam o funcionamento sexual durante a gravidez, como a falta de conhecimento das mudanças do corpo e os mitos e tabus que envolvem sexo e gestação

Momento de dúvidas e incertezas

No consultório, é comum ouvir relatos de pacientes que durante o período gestacional têm dificuldade em enfrentar as alterações hormonais, a insegurança da inexperiência, a vergonha, a resistência da parceria no relacionamento, entre outros fatores. Muitas são as variações hormonais durante a gravidez, descreveremos algumas delas. O primeiro hormônio que mencionaremos é a gonadotrofina coriônica humana, que pode ser detectada no sangue materno após alguns dias do início da gestação. Ela estimula a produção de progesterona e estrógenos. A progesterona é essencial durante toda a gestação, ela age no corpo da mulher, preparando-o para a gravidez e o aleitamento. Além deles, começa a ser produzido o hormônio relaxina, que, em conjunto com a progesterona, ajuda na implantação do feto na parede do útero, auxilia no crescimento da placenta, além de inibirem as contrações uterinas, evitando os partos prematuros. Outro hormônio relevante, que aumenta uniformemente durante a gravidez, é a prolactina – que influenciará na produção do leite pelas glândulas mamárias, assim como no aumento das mamas. Já o hormônio ocitocina, que aumenta bastante no final da gestação, possibilitará que as contrações uterinas sejam ritmadas, até o nascimento, além de reduzir o sangramento durante o parto. A ocitocina também é liberada durante a amamentação e faz com que o leite f lua com mais facilidade; assim como ela tem importância na ligação afetiva entre a mãe e o bebê.

Tendo em vista o mencionado, o corpo da mulher passará por diversas mudanças durante a gravidez. Vale lembrar que não há uma alteração específica – durante o período gestacional – que promova a perda do interesse sexual, e sim o resultado da interação dos aspectos biológicos com os emocionais e sociais. Por exemplo: a gravidez pode ser um dos momentos para o redimensionamento dos vínculos afetivos de um casal, que poderão influenciar na intimidade e na resposta sexual; outro aspecto que merece ser lembrado diz respeito às “crenças, mitos e tabus” que acompanham as alterações pelas quais o corpo das mulheres passará. Está relatado que mulheres com conhecimento das mu- danças físicas que seu corpo enfrentará terão uma relação mais saudável com diversos elementos de sua sexualidade; ainda mais quando a parceria estiver envolvida nesse processo. Para facilitar o entendimento e suas possíveis influências da gravidez no funcionamento sexual, dividiremos o período gestacional em três trimestres.

PRIMEIRO TRIMESTRE: Durante essa fase, questões como aceitação e/ou rejeição da gravidez poderão ser relevantes e causar angústia. Sentimentos ambíguos em relação a esse momento da vida poderão estar presentes, os quais, na grande maioria das vezes, irão repercutir na resposta sexual. Várias mulheres não notam diferença no desejo sexual no primeiro trimestre da gravidez, algumas referem, inclusive, melhora no desempenho sexual; entretanto, outras apresentam uma diminuição e/ou falta do interesse sexual. Não podemos esquecer que as alterações hormonais poderão causar sintomas como: náuseas, vômitos, sonolência e até mesmo depressão, que também refletirão de forma negativa no desempenho sexual.

SEGUNDO TRIMESTRE: Habitualmente, os temas relacionados à aceitação/rejeição deixaram de compor o cenário das gestantes (na sua maioria), é uma fase que várias mulheres referem melhora da autoestima, e, consequentemente, percebem-se mais felizes com sua aparência, o que influenciará positivamente no desempenho sexual. Associado ao fato de que sintomas como náuseas, vômitos e sonolência tendem a desaparecer, o que promove bem-estar. Por outro lado, para outras, pode ocorrer diminuição do desejo sexual, que frequentemente está relacionado a sentimentos de fragilidade, sejam eles motivados pelas dificuldades emocionais pertinentes à gestação e/ou problemas relacionais com a parceria, entre outros.

TERCEIRO TRIMESTRE: Nessa fase, o parto está próximo, e consequentemente a ansiedade aumenta, não é incomum a diminuição do interesse sexual ocasionado pelo estresse associado à iminência do parto; além disso, as mudanças físicas, mais acentuadas, podem acarretar dores físicas que, também, influenciarão negativamente na resposta sexual.

O acompanhamento médico é imprescindível durante toda a gestação. Quanto mais bem preparado esse profissional estiver em relação aos aspectos concernentes à sexualidade de suas gestantes, dúvidas poderão ser esclarecidas e dirimidas; assim como orientar para que a atividade sexual seja interrompida, em situações que possam comprometer a saúde da mãe e/ou do feto. Muitas vezes, um acompanhamento psicológico pode ser importante também.

Quando não há intercorrências, a atividade sexual pode ser mantida durante a gravidez, aliado ao fato de que a maior produção de hormônios durante o período gestacional promove incremento da lubrificação vaginal. Portanto, um bom caminho a ser seguido pelas futuras e/ou presentes gestantes é o conhecimento sobre as alterações que seu corpo e psiquismo enfrentarão nesse período. A instrução, aliada aos aconselhamentos por profissionais envolvidos, com a temática da sexualidade humana podem ser de grande valia para a promoção de uma qualidade de vida sexual satisfatória durante a gestação.

 

GIANCARLO SPIZZIRRI – é psiquiatra doutor pelo Instituto de Psiquiatria (IPq) da Faculdade de Medicina da USP, médico do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do IPq e professor do curso de especialização em Sexualidade Humana da USP.

OUTROS OLHARES

BELEZA E TALENTO EM EVIDÊNCIA

Músico e compositor brilhante, Kurt Cobain não resistiu ao uso constante de drogas e à depressão severa que o acompanhou desde a adolescência.

Beleza e talento em evidência

Nascido em Aberdeen, Estados Unidos, em 1967, Kurt Donald Cobain é filho de um mecânico automotivo e uma garçonete. Tinham descendências irlandesa e escocesa, e isso tornava a casa barulhenta, alegre e com bebida farta. Ele era conhecido por ser uma criança feliz, sensível e carinhosa. Com pouca idade já mostrava habilidades artísticas: desenhava seus personagens favoritos e era incentivado pela avó, uma artista profissional. A família Cobain tinha um histórico musical: seu tio fazia parte de uma banda, a tia fazia performances pelo condado, e seu tio-avô teve uma carreira como tenor na Irlanda.

Seu interesse musical se manifestou e foi desenvolvido ainda na infância. Começou a cantar aos 2 anos; aos 4, escreveu uma música sobre uma viagem a um parque e começou a aprender piano. Mas essa tranquilidade mudou, seus pais se divorciaram quando ele tinha 9 anos, fato que marcou sua infância, deixando-o bastante ressentido e triste por anos. Sentiu-se traído pelos pais, e nunca mais conseguiu pertencer a nenhuma organização ou estrutura familiar (nem mesmo quando se casou). Parece que a confiança nas pessoas e em seus vínculos foram danosamente abalados. Foi morar com o pai e visitava a mãe e a irmã nos fins de semana. Seu pai casou-se novamente, e ele não gostava da nova família, principalmente da madrasta, e era recíproco. Um momento importante durante esse tempo de dificuldade emocional foi um presente que recebeu de um tio: uma guitarra. Apesar de bem desgastada, o inspirou a aprender a tocar e o ajudou nos seus momentos de infelicidade. Alienado, irritado e até agressivo em casa, acreditava que seu pai sempre preferiu o lado de sua madrasta e que favorecia os filhos dela e seu meio-irmão, nascido dessa união. Após adquirir guarda total de Kurt, o pai, cansado de seu comportamento rebelde, o colocou sob cuidados de familiares. Em outras palavras, o mandou embora. Ao sair de casa, ele morou com diversos parentes e amigos por vários meses. Nesse período tornou-se um cristão devoto ao viver com a família de um amigo, Jesse Reed. Posteriormente, renunciou ao cristianismo. Acabou, por falta de opção, indo morar com sua mãe, em Aberdeen. Matriculou-se na Aberdeen High School e, durante o ensino médio, impressionou diversos professores com seus dons artísticos; no entanto, semanas antes da graduação, abandonou a escola.

O relacionamento com a mãe não era dos melhores, e ela lhe deu uma escolha: arranjar um emprego ou sair de casa. Ele não levou a sério, continuou tocando sua guitarra e bebendo. Uma semana depois, encontrou todos seus pertences em caixas, fora da casa. A sensação de não ser amado, de ser rejeitado ocupa espaço maior no íntimo de Kurt e sua depressão passa a ser constante. Passou os anos de 1984 e 1985 morando em vários lugares, dormindo na casa de amigos quando podia e em halls e salas de espera de hospitais. Kurt dizia que durante seu tempo sem-teto morava embaixo da ponte do rio Wishkah.

Começou a tocar em lugares para ter algum dinheiro, mas tudo muito inconstante e precário. Ele sempre chamando a atenção pela beleza e talento. Estava continuamente tentando, sem êxito, montar sua banda. Em 1988, as ambições de Kurt começam a se tornar realidade. Ele se uniu a dois amigos e criou o Nirvana. Com o lançamento e o sucesso imediato do disco Nevermind, tornam-se muito conhecidos. Em pouco tempo Cobain era considerado um dos melhores compositores de sua geração. Com o rápido crescimento da banda, colocaram Kurt em uma nova situação de estresse e pressão. Ele, que já bebia e cheirava cocaína demasiadamente, começou a usar heroína.

 

Casou-se em 1992 com Courtney Love (uma pessoa egoísta, interessada no sucesso dele, nem um pouco afetiva e que o usava para se promover), e no mesmo ano nasceu sua filha. Ambos eram usuários de drogas e foram investigados pelo serviço social após Courtney mencionar o uso de heroína enquanto grávida em uma entrevista à Vanity Fair. A relação nociva do casal só confirma sua sensação de ser rejeitado e amplia sua depressão e seu isolamento. Em 1994, em uma manhã, foi encontrado por Love, após uma overdose de Rohypnol e champanhe. Ele permaneceu no hospital durante cinco dias. Em outro episódio, ela ligara para a polícia informando que ele era um suicida e estava trancado num quarto com uma arma. Ao chegar, a polícia confiscou várias armas e remédios de Cobain, que insistia em dizer que só estava fugindo da mulher. Após uma tentativa de intervenção realizada por ela, Kurt foi internado em um centro de recuperação, mas pulou o muro e ficou desaparecido por dias. Durante a maior parte de sua vida, ele sofreu de bronquite e dores estomacais provenientes de uma gastrite devido ao abuso de substâncias. Ele fazia uso regular de Cannabis, LSO, álcool e heroína. Também apresentava depressão severa. O seu fim ocorreu de forma solitária e trágica: suicidou se em sua casa aos 27 anos, com um tiro. Estranhamente o corpo foi encontrado somente dias depois, por um eletricista. A autópsia também revelou altíssima quantidade de heroína no sangue.

Beleza e talento em evidência.2

ANDERSOS ZENIDARCI – é mestre em Psicologia pela PUC-SP, supervisor e palestrante. Coordenador e professor do curso de especialização em Transtornos e Patologias Psíquicas pela Facis, professor de pós-graduação no curso de Psicologia de Saúde Hospitalar na PUC-SP. Atua há mais de 30 anos em atendimento clínico em diversos segmentos da Psicologia, com especial dedicação à psicossomática, transtornos e patologias psíquicas.

GESTÃO E CARREIRA

ASSÉDIO SEXUAL NO TRABALHO

Pesquisa exclusiva revela que um em cada cinco profissionais já sofreu esse tipo de abuso. O que empresas, vítimas e líderes devem fazer para combater esse crime, que, além de prejudicar a saúde mental e física dos funcionários, gera um prejuízo bilionário para as companhias

Assédio sexual no trabalho

Quando se formou em relações internacionais em 2012, Paula Alves, hoje com 30 anos, tinha um sonho: fazer com que seu trabalho gerasse algum tipo de impacto social. Por isso, ficou feliz quando conquistou uma vaga numa ONG em Salvador, sua cidade natal. Suas funções eram de alta responsabilidade e proporcionaria aprendizado, pois Paula seria a assessora do presidente da instituição, um homem influente engajado e inteligente. Tudo parecia ir bem. Mas, um dia, quando acumulava seis meses de casa, a soteropolitana se surpreendeu com algumas mensagens que o presidente começou a lhe enviar via Skype. “Você fica linda com essa cor de roupa”, dizia uma das primeiras, de teor mais pessoal. A profissional não levou aquilo tão a sério. Aos poucos, porém, as declarações saíram do mundo virtual -e o chefe aproveitava os momentos em que estavam sozinhos para tecer comentários pouco profissionais.

Um dos mais marcantes aconteceu numa viagem à Fortaleza em dezembro de 2015. “Ele disse que eu ‘merecia um homem mais velho’. Fiquei incomodada. No dia seguinte, no café da manhã, no hotel, eu falei que tinha me sentido desconfortável, que aquilo era inapropriado para nossa relação, que era de trabalho”, diz Paula. O chefe assentiu e ela acreditou que o recado havia sido compreendido. Só que as investidas não pararam. “Quando estávamos no carro, ele costumava encostar na minha coxa se queria chamar minha atenção. “O comportamento piorou durante uma viagem de cinco dias, entre março e abril de 2017, para Lima, no Peru. Alí o chefe extrapolou os limites. Uma das investidas aconteceu no banco traseiro de um táxi que os levava de volta ao hotel após um jantar de negócios. Os dois estavam conversando normalmente até que o executivo colocou a mão em cima da perna de Paula e a deixou parada. Incrédula, a subordinada tirou imediatamente a mão dele dali. “Ele deu risada. No fundo, aquela situação era divertida para ele, que gostava de ver o poder que tinha sobre mim” A conduta do chefe não melhorou. Numa noite, quando estavam analisando documento para uma reunião que aconteceria logo pela manhã, Paula sugeriu que continuassem o trabalho no dia seguinte bem cedo, pois já estava tarde. Também pediu que fosse dispensada de participar da apresentação. ”Ele disse que deveríamos continuar e que poderíamos tomar uns drinques. Também falou que pensaria respeito da dispensa – tudo dependeria de como eu me comportasse naquela noite. O tom dava a entender que eu estava ali para servi-lo.”

Com medo e envergonhada, Paula guardou a história para si. Além de retaliações e de uma possível demissão, ela temia o julgamento dos outros. Seu receio era que não acreditassem nela. “Eu amava meu trabalho, era boa no que fazia e aprendi muito com meu chefe. Mas paguei um preço alto. Ir até a sala dele se transformava num momento de tortura. “O sofrimento era tanto que Paula ficou fisicamente debilitada lutava, todos os dias, para se levantar da cama. Ela precisava dividir aquilo com alguém e, em junho de 2017, contou tudo a seus pais e começou a fazer terapia. No mesmo mês, Paula pediu demissão, não sem antes compartilhar sua história com as colegas de trabalho – seu objetivo era mostrar com quem elas estavam lidando. “Eu estava muito fragilizada, muito vulnerável. Não foi fácil, mas foi importante. Algumas pessoas ficaram chocadas, outras nem tanto. Houve as que não acreditaram e isso magoou. Na cabeça delas, era mais lógico que eu quisesse ter algo com ele do que o contrário”. Com a ajuda dos pais, Paula pôde ficar oito meses sem trabalhar para se reerguer e encontrar um novo emprego. Hoje é coordenadora de projetos em uma ONG na qual toda a diretoria é composta de mulheres. “Foram três anos assédio. Eu culpei meu jeito espontâneo, minha simpatia. Culpei tudo menos quem eu deveria”.

Assédio sexual no trabalho. 2

GLOSSÁRIO

ASSÉDIO SEXUAL – Constranger uma pessoa com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual. Se o assediador é um superior hierárquico, a justiça considera assédio sexual por chantagem. Se não há relação de poder a jurisprudência entende como assédio sexual por intimidação.

ASSÉDIO MORAL – Condutas que evidenciam violência psicológica contra o empregado.

IMPORTUNAÇÃO SEXUAL – Quando alguém pratica atos libidinosos para se satisfazer sexualmente sem a autorização da outra pessoa.

 

PROBLEMA GLOBAL

Casos corno o de Paula, infelizmente, não são incomuns. Dados de uma pesquisa feita pela Talenses, consultoria de recrutamento executivo com 3.215 entrevistados com exclusividade, revelam que 3.496 das mulheres já sofreram algum tipo de assédio sexual no ambiente de trabalho. Entre os homens o número alcança 12.%. O índice mais baixo entre os profissionais do sexo masculino tem explicação psicológica. Para alguns deles, denunciar um caso de assédio pode demonstrar fraqueza – ainda mais se a assediadora for mulher. “Há uma tendência de eles racionalizarem esse tipo de situação. Grande parte não se verá como vítima nem se culpará. Vai pensar nas qualidades como homem, no que pode ter feito para despertar interesse”, diz Priscila Gunutzmann, professora de psicologia na Universidade Anhembi Morumbi e especialista em gestão de pessoas.

Acultura machista e m alguns ambientes de trabalho também pode contribuir para que as

funcionárias tenham de enfrentar mais essa questão. E esse é um problema global. De acordo com um levantamento da consultoria de recursos humanos Gartner, 40% das profissionais europeias disseram ter enfrentado essa situação. Nos Estados Unidos, o índice chega a 25%. O país é o berço do movimento #MeToo (“Eu também”, em português), que surgiu em 2007, fundado pela ativista pelos direitos das mulheres Tarana Burke, e ganhou força dez anos depois, quando atrizes, modelos e profissionais do cinema se uniram para falar sobre os abusos de um dos produtores mais poderosos do mundo: Harvey Weinstein Responsável por lançar filmes como O Senhor dos Anéis, Bastardos Inglórios e Gênio Indomável, Weinstein, que liderava a produtora Miramax e a The Weinstein Company, foi acusado de assédio – e estupro – por mais de 20 mulheres, entre elas Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow e Cara Delevingne.

Os relatos das vítimas mostram que o executivo seguia, há 30 anos, o mesmo comportamento: propor práticas sexuais a mulheres no começo de carreira dando a entender que, ao fazer sexo com ele, as profissionais teriam uma ascensão meteórica. Era comum que o executivo as convidasse para “reuniões” em quartos de hotel e as recebesse nu ou de roupão. O jornal americano The New York Times, que revelou o escândalo, descobriu que parte da equipe de Weinstein tinha a função de cuidar de todos os detalhes da vida de assediador do chefe. As tarefas do time iam de ministrar injeções penianas para tratar da disfunção erétil do produtor até garantir que as mulheres assediadas se calassem sobre os episódios. O argumento é que ele poderia prejudicá-las profissionalmente – como fez com as atrizes Mira Sorvino e Ashley Judd, que, por terem recusado qualquer envolvimento com ele, eram proibidas de atuar nos filmes que produzia, mesmo quando o diretor pedia, especificamente, para trabalhar com elas. Weinstein ainda está sendo julgado pelas acusações, mas foi demitido da própria produtora em outubro de 2017.

O episódio ganhou repercussão mundial e transformou o movimento #Me Too em um marco da luta contra o assédio sexual no ambiente de trabalho. Afinal, foi por meio dele que um figurão da indústria cinematográfica foi jogado às traças. Além disso, o #Me Too ajudou a estimular algo fundamental no combate a esse tipo de crime: a denúncia. “É difícil falar. Quando temos ações como o #MeToo, uma vítima passa a se identificar com a outra. Ela pensa: Eu não estou mais sozinha”, diz Antônio Carlos Henesey, diretor da ICTS Protiviti, empresa que presta serviços de auditoria de gestão de riscos e compliance responsável por administrar, por exemplo, linha de 0800 para que funcionários denunciem condutas incorretas em suas empregadoras.

Claro que tomar essa decisão não é simples. Há diversas travas – psicológicas e culturais – que deixam as vítimas com medo de abordar o assunto. Também é comum que algumas pessoas demorem a entender que a situação que enfrentam é de assédio sexual. “Isso é algo muito naturalizado, quase banal e esperado”, Daniela Frelin, diretora executiva do Instituto Avon, que apoia causas voltadas para as mulheres. “Quando você nomeia esse tipo de prática joga-se luz sobre o problema, e o primeiro efeito é o aumento do número de notificações. “E empresas começam a ter de lidar cada vez mais com a questão: um levantamento exclusivo da ICTS mostra que o número de denúncias desse tipo nas companhias para as quais presta serviço ao redor do mundo aumentou 140% de 2016 a 2018. E, em cerca de 73% dos casos, as vítimas dão seu nome ao denunciar

 RELAÇÃO DE PODER

Em território nacional a lei que criminaliza o assédio sexual é relativamente recente – entrou em vigor em 2001. “O movimento de nomear violência começou a se espalhar em legislação de vários países. No Brasil, a discussão começou a amadurecer na última década”, diz Gabriela Bíaz advogada voluntária da ONG Rede Feminista de Juristas (deFEMde). Juridicamente delito é definido como “constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual prevalecendo-se de sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função”. A pena é de um a dois anos de prisão. Quando a empresa é denunciada, primeiro é proposto um acordo – a companhia tem a chance de combater práticas de assédio sexual. Se isso não acontece, a companhia é condenada e a Justiça cobra uma multa cujo valor é destinado a benfeitorias sociais. “É feito um ressarcimento à sociedade. Pode ser construir anexos em hospitais equipar a Polícia Rodoviária ou favorecer entidades que possam trazer um benefício coletivo. O dano moral deve cumprir uma missão”, diz Valdirene Assis, procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT). Em agosto do ano passa por exemplo, a rede de hipermercados Walmart foi condenada a pagar 1 milhão de reais no Rio Grande do Sul por casos de assédio sexual em lojas de pelo menos oito cidades. Além da multa a sentença determinava que a varejista criasse um programa interno de combate à prática, oferecendo mecanismos para as denúncias.

Na letra fria da lei o assédio sexual demanda uma hierarquia entre a vítima e o assediador (seja entre chefe e subordinado, seja entre aluno e professor, por exemplo). O poder acaba dando ao assediador a sensação de que pode fazer tudo com seus comandados – não à toa, a pesquisa da Talenses aponta que 98% dos que cometeram o crime ocupam cargo hierarquicamente superior ao da vítima. E, quando o chefe é também o dono da empresa, a situação é ainda pior. Que o diga Juliana Marin, de 34 anos, técnica em biomedicina, que conviveu com o problema durante quatro anos. Em 2009, ela era bolsista de biomedicina em Mogi das Cruzes (SP) precisava de um emprego de meio período para bancar seus estudos. Por isso, aceitou um estágio numa empresa de cosméticos que lhe rendia meio salário mínimo – o suficiente para pagar a passagem para a faculdade.

O ambiente era masculino – além de Juliana apenas mais duas mulheres trabalhavam ali. E o dono da companhia se aproveitava de sua posição para importunar a estagiária. “Tudo começou com um bom-dia “meloso”, diz Juliana. Mas não parou por aí. Quando ela estava ao telefone, o chefe costumava apertar seus ombros. Também era comum que passasse as mãos em seus braços e costas. ”Eu tinha só 24 anos, notava que havia algo estranho, mas não questionava, só tentava me afastar.” Até que finalmente, ele a chamou para sair. Ela se negou, mas o convite se tornou constante. O chefe dizia que aquilo não era nada demais, que seria bom para ela e que Juliana não poderia se empolgar com a situação. “Senti muita raiva por ele acreditar que eu sairia com ele por dinheiro.” Em alto e bom tom, Juliana disse que ele era casado, que ela era sua funcionária e muito mais nova. Isso fez com que o chefe a deixasse em paz. “Aguentei em silêncio pelo medo de ser julgada, procurei outros empregos, mas sofri para achar algo de meio período. Senti nojo e agradeço pelo fato de o ‘não’ mais incisivo ter sido o suficiente para que ele parasse”, diz Juliana, que se demitiu da empresa em 2013 e hoje trabalha com recursos humanos.

 SÓ UMA BRINCADEIRA?

Segundo a Justiça, há outro tipo de assédio: o por intimidação. Este pode ocorrer entre colegas quando há, segundo o texto legal, provocações sexuais inoportunas no ambiente de trabalho que prejudiquem a atuação de uma pessoa ou criem uma situação ofensiva, de intimidação ou humilhação. Nesse caso, juridicamente, não há punição na Justiça do Trabalho. No âmbito civil, a vítima pode processar seu assediador e conseguir uma indenização, por exemplo.

Nos quatro anos em que trabalhou como assistente executiva em um escritório de advocacia no Rio de Janeiro, de 2014 a 2018, A. C. (ela pediu para não ser identificada por estar processando os antigos empregadores) enfrentou os dois tipos de assédio – com a liderança e com um colega. Ela aguentava calada as investidas até que, um dia, o gerente-geral fez uma proposta indecente. O executivo ofereceu 5.000 reais para fazer sexo com a subordinada. A.C. ficou chocada, disse que não queria e fez a única coisa que sentia poder fazer naquele momento: relatou o ocorrido à chefe das secretárias para denunciar a conduta. Mas a atitude não surtiu nenhum efeito. O conselho da líder foi que A.C., ela própria, enviasse uma cartilha sobre assédio sexual ao e-mail do gestor para que ele “aprendesse sobre o assunto – o que ela fez, no mesmo dia. Mas a cultura continuava na empresa. Um ano depois do primeiro episódio, A.C. voltou a enfrentar o problema, dessa vez com um de seus colegas, um secretário americano recém-chegado à firma. Logo nas primeiras investidas, A.C. deixou claro que não estava interessada em nenhum tipo de relacionamento pessoal e que, se um dia mudasse ideia, ela mesma o procuraria. “Falei que ele não precisava ficar atrás de mim”, diz. O rapaz pareceu ter entendido. Mas a calmaria não durou muito. Como eram pares, os dois resolviam muitas coisas juntos e se comunicavam por WhatsApp – e ele usou dessa plataforma para assediá-la. “Ele enviou um gif com uma cena de sexo oral. Fiquei muito chocada. Sem querer me aborrecer, apaguei fui até ele e disse que eu não havia gostado. E a coisa não parou por aí. Em uma noite que estavam apenas os dois no escritório, o secretário se despediu de A.C. e, logo depois enviou a ela outro gif pornográfico. A imagem animada mostrava, explicitamente, um homem e uma mulher transando. “Eu me senti agredida. Mostrei para o diretor de RH na mesma hora e ele disse que aquela situação era inconcebível e que avisaria a diretoria. O secretário foi chamado para conversar com os diretores, entre os quais estavam o gerente-geral que havia assediado A.C. no passado e a chefe das secretárias. O funcionário disse que aquilo era só uma brincadeira e que a colega era louca. A conclusão do comitê foi que, como o empregado não estava em horário de trabalho, aquilo não seria assédio – mesmo que A.C. ainda estivesse no escritório. “Pediram para eu ser profissional, não comentar e agir como se nada daqui tivesse acontecido”, diz. Ela não questionou – apenas pediu que a trocassem de lugar, o que não foi permitido. “Ele sentava na porta do banheiro e, toda vez que eu precisava ele me encarava como se estivesse me enfrentando. Eu evitava até beber água para não ir ao banheiro.” A.C. esperou seu chefe voltar de férias para falar com ele sobre a situação. “Quando ele voltou, contei o caso e ele disse que o secretário era americano e era normal que visse as brasileiras como puta. Segundo o chefe, o melhor a fazer era relevar a situação.  Ele falou que, mesmo sendo amigo de A.C., não poderia aconselhá-la. “Ele disse que também era sócio do escritório, que havia passado seis anos trabalhando noite e dia, inclusive nos fins de semana, e não queria ver a reputação de sua empresa envolvida em um caso de assédio sexual.”

Mesmo contrariada, A.C. deixou o assunto para lá e tirou seus 15 dias de férias, que estavam planejados. Em seu primeiro dia trabalho após o descanso, em 31 de julho ano passado, ela teve uma surpresa: outra secretária estava sentada em seu lugar. O diretor de RH a chamou para conversar e falou que ela estava sendo desligada, mas não explicou os motivos. “Eu era considerada a melhor assistente. As equipes me disputavam, dizia que eu só seria demitida quando o escritório fechasse”, diz. Ao contrário da maioria dos casos, A, C. decidiu processar o empregador. “Até agora estou esperando que pelo menos se retratem. No meio de tantas justificativas tortas, não ouvi sequer um pedido de desculpas. É um total absurdo que, em pleno século 21, qualquer ser humano ainda passe por isso”, diz a assistente executiva, que hoje trabalha em outro escritório no Rio de Janeiro.

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 DESGASTES NA CARREIRA

Além de prejudicar a autoestima e aumentar a insegurança, o assédio sexual tem impactos diretos na trajetória profissional. Isso acontece por diversos fatores. Um deles é que, em alguns casos, quando o empregado não tem uma rede de apoio corporativa para enfrentar o problema, pode ser tachado como aquele que sofreu o assédio” – o que é péssimo para a superação pessoal e, claro, para a reputação na carreira. ”Os traumas emocionais fazem com que a pessoa veja seu potencial limitado. Os outros não se lembram dela de outra forma”, diz Carine Ross, co-fundora do Elas, escola de liderança voltada para mulheres. No limite, desenvolvem-se problemas mais sérios de saúde, como síndrome do pânico, estresse traumático e depressão.

No dia a dia, a consequência imediata é a queda na performance desses profissionais. Afinal, quem está no meio de um turbilhão como esse não consegue se concentrar nas atividades do trabalho e acaba perdendo, também, a motivação para entregar as tarefas. “A autogestão de carreira está atrelada a vários pilares, como network, reputação, competitividade, saúde mental. Quando um deles fica desequilibrado, os outros também ficam”, diz Márcia Oliveira, consultora sênior de carreira da Produtive – empresa de recrutamento.

Outro problema é perder oportunidades interessantes ou ser forçado a mudar de rota por causa do assédio. Foi exatamente o que aconteceu com Patrícia Carvalho, de 32 anos, que hoje é líder da área de marketing da CargoX, startup de compartilhamento de cargas e caminhões. Talvez ela não estivesse nesse cargo nem morando em São Paulo se não fosse um caso de assédio em um antigo trabalho em Brasília (DF), onde nasceu. Patrícia trabalhava numa empresa que admirava e tinha a meta de migrar internamente para outro setor. Cerca de duas vezes por mês, costumava conversar com o diretor dessa área que se dividia entre a capital paulista e Brasília. Mas o comportamento do executivo a afastou de seu objetivo. “Uma vez, eu estava no escritório de São Paulo conversando com algumas mulheres da equipe. Ele chegou até mim, disse que parecia estressada e que faria uma massagem. Colocou a mão nas minhas costas e eu levantei”, diz Patrícia, que viu o diretor repetir esse gesto com outras funcionárias e ouviu de uma colega que não gostava da forma como ele a tratava.

Os toques em Patrícia não pararam. Durante um evento de marketing em Brasília, ela e o executivo estavam sentados, cada um em uma cadeira, numa sala cheia de gente. De repente o diretor avançou e apalpou as duas coxas de Patrícia. “Fiquei muito assustada, na hora e travei. Levantei em disparada e saí da sala”.  Nervosa, ela telefonou para uma colega que havia usado o canal de compliance para denunciar outro funcionário. “Foi muito difícil. Ligue para relatar o que aconteceu, fiquei nervosa me senti desrespeitada: “Meses depois, Patrícia denunciou seu assediador. Outra funcionária foi vítima do mesmo executivo e Patrícia foi citada por essa moça como testemunha. Foi quando finalmente, ela relatou o que havia acontecido. “Acho que ele foi notificado e que citaram o meu nome, pois dali para a frente ele passou a me ignorar. Antes, ele era uma pessoa que me acessava, que me colocava em reuniões. Depois da denúncia, nunca mais trabalhou comigo. Não sei se o orientaram a agir dessa maneira”, diz Patrícia. “Talvez hoje eu estivesse numa posição melhor. Mas o que mais me machuca é o fato de que eu não pude ter a opção”.  Ela resolveu sair da empresa, ainda que o assédio não tenha sido o principal motivo. Em sua procura por um novo trabalho, quando ainda estava no anterior, fazia questão de entender as políticas de combate ao assédio sexual das companhias pelas quais se interessava. “No processo seletivo para a CargoX perguntei como era a liderança do CEO, como ele conduzia as coisas. Disseram que ele era muito respeitador, que nenhuma mulher teve algum problema. Isso era importante, porque os valore dele iam ecoar no restante da empresa. Se a entrevistadora tivesse titubeado, eu declinaria.

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RESPONSABILIDADES COMPARTILHADAS

Se existe um dado alarmante quando se trata de assédio sexual no ambiente de trabalho o fato de que a maioria das denúncias (ainda) vira água. Essa é a conclusão de uma pesquisa feita pela plataforma de carreira Vagas, que ouviu 4.900 profissionais e descobriu que, em 74% dos casos, nada acontece com os assediadores. Para transformar essa realidade, não há caminho fácil. E a primeira atitude passa necessariamente, pela liderança – que é que dá o exemplo no dia a dia e ajuda a construir a cultura da empresa. Caso contrário, nada muda e os comentários e as atitudes de caráter sexual continuam sendo tratados como brincadeira. “As políticas internas precisam ser claras, a partir do momento que alguém na alta gestão faz uma piada e os outros riem, as pessoas pensam: “Se o presidente fala, eu também posso falar”, diz Erika ZoeIler, especialista em diversidade e membro do Conselho Estadual de Condição Feminina (CECF) de São Paulo.

É fundamental construir práticas que serão seguidas do topo à base. E tudo começa pela educação e pelo convite à reflexão. ”O embate nunca é o melhor caminho. É preciso mostrar dados, explicar que um ambiente desse tipo é tóxico, com mais pessoas doentes e menos produtividade”, diz Erika. Nessa jornada pelo esclarecimento, é necessário tomar cuidado para que não se trave uma guerra dos sexos. “Não transformar a realidade organizacional em um contexto de segregação é muito importante. Senão, começa-se a criar a sensação de que qualquer relacionamento com o sexo oposto é, por natureza, problemático”, diz Anderson Sant’Anna, professor de recursos humanos da Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas (FGV- Eaesp). O ponto é encontrar equilíbrio e entender que se o outro se mostra desconfortável com uma aproximação pessoal, a linha entre galanteio e assédio certamente estará sendo ultrapassada – e é preciso parar. Se as empresas não se convencem pelo aspecto humanitário da luta contra o problema pode-se apelar para o bolso: o levantamento da Gartner citado no início desta reportagem mostra que, só em 2016, casos de assédio sexual custaram cerca de 1,6 bilhão de dólares para as companhias nos Estados Unidos. “A melhor forma é a própria empresa assumir a incumbência e desenvolver internamente um trabalho para que não haja espaço para o assédio. Isso reduz danos para todos os trabalhadores e para a saúde financeira”, diz a procuradora Valdirene, do MPT.

Não à toa, entre as organizações que compõem o ranking das Melhores Empresas para Trabalhar de 2018, 9.996 possuem canais sigilosos para denúncias dos funcionários. Em 8.496 delas, as denúncias são encaminhadas à alta direção e, em 83%, há um comitê específico para tratar dos casos. Além disso, em 73% das Melhores existem ações formais de prevenção específicas para assédio sexual, número que cai para 2.996 entre as que não se classificam para a lista.

Seja por zelo à reputação, seja por lucro, fato é que as companhias que lutam contra o problema constroem ambientes de trabalho mais felizes – e, consequentemente, abertos para que possíveis vítimas se sintam acolhidas para falar sobre o assunto. É apenas conversando abertamente sobre os limites que precisam ser estabelecidos que vamos combater um problema grave que pode destruir a saúde e a carreira de muitos profissionais. Nenhuma empresa – ou chefe, ou colega – pode assistir a isso calada. Só assim é que a realidade será transformada.

 O QUE FAZER

Como a vítima, os colegas e as empresas devem agir para lutar contra o problema, de acordo com a cartilha do ministério público do trabalho, feita em conjunto com a organização internacional do trabalho

 A VÍTIMA

Dizer abertamente não, ao assediador

Evitar permanecer sozinho no mesmo local que o assediador

Anotar os detalhes de todas as abordagens de caráter sexual sofridas, como dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam os fatos, conteúdo das conversas e o que mais achar necessário

Procurar a ajuda dos pares, principalmente dos que presenciaram o fato ou que são ou foram vítimas

Reunir provas, como bilhetes, e-mails, mensagens em redes socais, presentes

Entender que a culpa não é sua, já que a irregularidade da conduta não depende do comportamento da vítima, e sim do agressor

Denunciar aos órgãos de proteção e defesa dos direitos das mulheres ou dos trabalhadores, inclusive o sindicato profissional

Comunicar aos superiores hierárquicos e informar por meio dos canais internos da empresa (ouvidoria, comitês de ética, etc.)

Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas

Relatar o fato à comissão interna de prevenção de acidentes (CIPA) e ao serviço especializado ou engenharia de segurança e em medicina do trabalho (SESMT)

 O EMPREGADOR

Criar canais de comunicação eficazes e com regras claras de funcionamento, apuração e sanção de atos de assédio que garantam o sigilo da identidade do denunciante

Inserir o assunto em treinamentos, palestras e cursos em geral, assim como conscientizar os trabalhadores a respeito da igualdade entre homens e mulheres

Capacitar os profissionais de recursos humanos e os líderes para enfrentar o problema

Incluir regras de conduta a respeito do assédio sexual nas normas internas da empresa, inclusive mostrando as formas de apuração e punição

Negociar com os sindicatos da categoria cláusula sociais em acordos coletivos de trabalho para prevenir o assédio sexual

 OS COLEGAS

Oferecer apoio à vítima, inclusive na coleta de provas

Disponibilizar-se como testemunha

Procurar o sindicato e relatar o acontecido

Apresentar a situação a outros trabalhadores e solicitar mobilização

Denunciar aos órgãos públicos competentes

Comunicar ao setor responsável ou ao superior hierárquico do assediador

 AO REDOR DO GLOBO

Levantamento da consultoria Gartner mostra como anda o problema em outros países

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 RAIO X

Levantamento feito pela Talenses com 3.215 pessoas mostra como a questão ocorre no ambiente de trabalho. Veja o perfil de quem respondeu à pesquisa

Assédio sexual no trabalho. 3

  É, OU NÃO É?

Os exemplos mais comuns de assédio sexual de acordo com o Senado Federal

  • Piadas ou expressões de conteúdo sexual
  • Contato físico não desejado, solicitação de favores sexuais
  • Convites impertinentes
  • Pressão para participar de encontros e saídas
  • Insinuações ou ameaças, explícitas ou veladas
  • Gestos ou palavras sexuais escritas ou faladas
  • Promessas de tratamento diferenciado
  • Chantagem para permanência ou promoção no emprego
  • Ameaças, veladas ou explícitas, de represálias, como a de perder o emprego
  • Conversas indesejáveis sobre sexo
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ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPITULO 1 – O DIA EM QUE QUASE O ALCANCEI

 

BUSCANDO A DEUS (SALMO 63.8)

Nós pensamos que sabemos onde Deus está. Nós pensamos que sabemos o que O agrada e estamos certos de que sabemos aquilo que O desagrada. Temos estudado tanto a Palavra de Deus e Suas cartas de amor para as igrejas, que alguns de nós alegam saber tudo sobre Deus. Mas, agora, pessoas como você e eu, em diferentes lugares do mundo, estão começando a ouvir uma voz persistente no silêncio da noite:

“Não estou perguntando o quanto você sabe a Meu respeito. Quero lhe perguntar: Você realmente Me conhece? Você realmente Me deseja?

Eu pensava que sim. Pensava que havia alcançado um nível considerável de sucesso no ministério. Afinal, eu havia pregado em algumas das maiores igrejas dos Estados Unidos. Estava envolvido em obras de alcance internacional, com grandes homens de Deus. Fui à Rússia várias vezes e participei da fundação de muitas igrejas naquele país. Fiz muitas coisas para Deus pensando que era o que deveria fazer.

Mas, em um outono, durante uma manhã de domingo, aconteceu algo que mudou tudo isto e colocou em cheque todos os meus talentos, credenciais e realizações no ministério.

Um velho amigo meu que pastoreava em Houston, no Texas, pediu-me que pregasse em sua igreja. De alguma forma, senti o que o destino estava me preparando. Antes desta chamada, havia brotado em meu coração uma fome que parecia insaciável. Aquele vazio incômodo que perdurava dentro de mim, apesar de minhas realizações ministeriais, ficava cada vez maior. Estava com um frustrante pavor, uma deprimente premonição. Quando recebi aquele convite, senti que algo da parte de Deus me aguardava. Pouco a pouco, sentíamos que estávamos nos aproximando de um encontro com o Pai.

Faço parte da quarta geração de uma família atuante no ministério da Igreja. Mas, para ser honesto com você, eu já estava enfadado de igreja. Estava como a maior parte das pessoas que tentamos atrair aos nossos cultos semanalmente. Elas também estão cansadas da igreja e, por isso, não vêm. Por outro lado, mesmo que a maior parte daqueles que estão em nossas igrejas e em nossas reuniões também possa estar entediada, está, de igual modo, faminta de Deus.

NADA MENOS QUE PROPAGANDA

Você não pode me dizer que as pessoas, quando colocam cristais nos pescoços, gastam dinheiro diariamente para ouvir gurus e contratam médiuns caríssimos, não estejam famintas de Deus.

Elas estão famintas para ouvir algo que esteja além de si mesmas, algo que não estão ouvindo na Igreja hoje. A questão é: as pessoas estão enfadadas da Igreja porque ela tem se portado como mera difusora da Bíblia! As pessoas querem estar ligadas a um poder maior! Sua fome as leva a qualquer lugar, menos à igreja. Elas estão à procura de algo para saciar a fome que lhes corrói a alma.

Ironicamente, mesmo sendo um ministro do evangelho, eu estava sofrendo da mesma fome que aflige aqueles que nunca tiveram um encontro com Jesus! Não me contentava mais em apenas saber sobre Jesus.

Você pode saber tudo sobre presidentes, realezas e celebridades; pode conhecer seus hábitos alimentares, endereço, estado civil. Mas, saber sobre eles não significa ter intimidade com eles, não significa que você os conheça. Na Era da Comunicação, com boatos passados de boca em boca, de papel em papel, de pessoa a pessoa, é possível compartilhar informações sobre alguém sem conhecê-lo pessoalmente. Se você ouvir duas pessoas conversando sobre a última tragédia que se abateu sobre alguma celebridade, ou a última vitória que ela experimentou, pode até pensar que elas conheçam a pessoa de quem estão falando, quando, na verdade, tudo que sabem são fatos a respeito dela!

Por muito tempo a Igreja só tem conhecido fatos sobre Deus. Nós conhecemos “técnicas”, mas não falamos com Ele. Esta é a diferença entre conhecer alguém e saber a respeito dele. Presidentes, realezas e celebridades: posso ter muitas informações sobre eles, mas não conhecê-los, de fato. Se os encontrasse pessoalmente, teriam que ser apresentados a mim, porque o mero conhecimento a respeito de uma pessoa não é o mesmo que uma amizade íntima.

Saber a respeito de Deus não é o suficiente. Temos igrejas cheias de pessoas que podem ganhar qualquer concurso sobre temas bíblicos, mas que não O conhecem. Temo que alguns de nós fomos desviados ou embaraçados, tanto pela prosperidade, quanto pela pobreza. Receio que tenhamos nos tornado uma sociedade tão farisaica, que nossos desejos e vontades não correspondam aos do Espírito Santo.

Se não tomarmos cuidado, estaremos cultivando o “culto ao bem-estar”: satisfeitos com nosso pastor amável, nossa igreja confortável, nosso fiel círculo de amigos, nos esquecendo dos milhares de insatisfeitos, feridos e aflitos que passam por nosso confortável templo todos os dias! Não posso deixar de pensar que, se falhamos até mesmo em tentar alcançá-los com o evangelho de Jesus Cristo, muito sangue foi desperdiçado no Calvário. Isso, de fato, me incomoda.

Tinha que haver algo mais. Eu estava desesperado por um encontro com Deus (o mais íntimo possível).

Depois de pregar na igreja do meu amigo no Texas, voltei para casa. Na quarta-feira seguinte, estava na cozinha, quando o pastor me telefonou de novo e disse: “Tommy, somos amigos há anos e não me lembro de ter convidado alguém para pregar dois domingos consecutivos, mas será que você poderia voltar no próximo domingo?” Concordei. Poderíamos dizer que Deus estava prestes a fazer algo. Estaria o perseguidor agora sendo perseguido? Estaríamos prestes a ser apreendidos pelo que estávamos buscando? (Veja Filipenses 3:12).

O segundo domingo foi ainda mais abençoado. Ninguém queria deixar o prédio após o culto da noite.

“O que devemos fazer?”, meu amigo me perguntou.

“Deveríamos fazer uma reunião de oração na segunda à noite”, eu lhe disse, e acrescentei: “Passaremos todo o tempo orando intensamente. Vamos apurar até que ponto vai a fome das pessoas e ver o que está acontecendo.”

Quatrocentas pessoas se apresentaram na segunda-feira para a reunião de oração e tudo que fizemos foi buscar a face de Deus. Algo, realmente, estava acontecendo. Uma pequena rachadura aparecia no bronze dos céus de Houston. Uma fome coletiva estava clamando por uma visitação.

Voltei para casa. Na quarta-feira, o pastor estava novamente ao telefone me dizendo: “Tommy, você pode voltar no domingo?” Ouvi suas palavras e seu coração. Ele, verdadeiramente, não estava interessado em “minha” volta. O que eu e ele queríamos era que Deus viesse. Ele é um dos nossos, é um caçador de Deus, e estávamos em uma ardente busca. Sua igreja havia estimulado a fome que havia em mim. Eles também tinham sido preparados para esta busca. Havia uma premonição de que estávamos prestes a “pegá-Lo”.

Uma expressão interessante, não é? Pegá-Lo. Realmente é uma expressão impossível. Podemos pegá-Lo assim como o Leste pode pegar o Oeste, eles estão muito longe um do outro.

É como brincar de pega-pega com minha filha. Quando ela chega em casa, após um dia de aula, nós brincamos como tantos outros pais e filhos mundo afora. Ao tentar me pegar, apesar do meu corpo grande e desajeitado, ela não consegue nem mesmo me tocar, porque uma criança de seis anos não pode pegar um adulto. Mas não é este o propósito da brincadeira, porque, alguns minutos depois, ela diz sorridente: “Ah, papai!”.

É neste momento que ela captura não só minha presença, mas, também, meu coração. Então, me volto e não é mais minha filha que está me buscando, agora eu é que corro atrás dela, a alcanço e caímos na grama entre abraços e beijos. O perseguidor torna-se perseguido. Será que podemos pegá-Lo? Literalmente, não, mas podemos pegar Seu coração. Davi fez isso. Se podemos pegar Seu coração, então, Ele se volta e nos busca. Esta é a beleza de ser um caçador de Deus. Você busca o impossível, sabendo que é possível.

Aqueles crentes, em Houston, tinham dois cultos agendados aos domingos. O primeiro culto da manhã começava às 8h30, o segundo, seguido a este, às 11 horas.

Quando voltei, no terceiro fim de semana, senti uma forte unção enquanto estava no hotel, um toque do Espírito, chorei e tremi.

MAL PODÍAMOS RESPIRAR

Na manhã seguinte, entramos no prédio às 8h30 para o culto dominical esperando ver aquela multidão sonolenta com sua adoração desinteressada. Enquanto me encaminhava para sentar na primeira fileira, a presença de Deus já estava naquele lugar de uma forma tão intensa que o ar estava “denso”: mal podíamos respirar.

A equipe de louvor, visivelmente, se esforçava para continuar ministrando. Lágrimas jorravam. Estava cada vez mais difícil tocar. Finalmente, a presença de Deus pairava tão fortemente, que eles não mais conseguiam tocar ou cantar. O dirigente do louvor rompeu em soluços atrás do teclado.

Se houve alguma boa decisão que já tomei na vida, foi a daquele dia. Eu nunca tinha estado tão perto de “pegar” Deus e não iria parar. Então, falei para minha esposa, Jeannie: “Continue a nos conduzir a Ele.” Jeannie sabe como levar as pessoas à presença de Deus através da intercessão e do louvor. Calmamente, colocou-se à frente e continuou a facilitar a adoração e ministração ao Senhor. Não era nada sofisticado, era algo singelo, era a retribuição mais apropriada àquele momento.

A atmosfera me lembrava a passagem de Isaías, capítulo 6, algo que li e até mesmo ousei sonhar que poderia experimentar um dia. Nesta passagem a glória do Senhor encheu o templo. Nunca entendi o que significava a glória do Senhor encher um lugar. Já havia sentido Deus muito próximo, mas daquela vez, em Houston, quando pensava que Deus já estava presente, mais e mais Sua presença enchia o santuário. É como a cauda de um vestido de noiva que, mesmo depois da entrada da noiva na igreja, continua a entrar após ela.

Deus estava lá, não havia dúvidas quanto a isto. Porém, cada vez mais d’Ele continuava entrando no lugar até que, como em Isaías, literalmente, encheu o templo. Algumas vezes o ar ficava tão rarefeito, que se tornava muito difícil respirar. Parecia que o oxigênio vinha em pequenas porções. Soluços abafados percorriam a sala. Em meio a tudo isto, o pastor veio a mim e perguntou: “Tommy, você está pronto para assumir o púlpito?”

“Pastor, estou receoso de subir até lá, porque sinto que Deus está prestes a fazer algo.”

Lágrimas estavam correndo pelo meu rosto quando disse isto. Não temia que Deus me abatesse, ou que algo ruim acontecesse. Simplesmente não queria interferir e afligir a preciosa presença que estava preenchendo aquele lugar! Por muito tempo, nós humanos, permitimos o mover do Espírito Santo até certo ponto. Mas, quando perdemos o controle, logo puxamos as rédeas (a Bíblia chama isto de “apagar o Espírito” em 1 Tessalonicenses 5.19). Por muitas vezes, paramos no véu do tabernáculo.

“Sinto que devo ler 2 Crônicas 7.14, tenho uma palavra do Senhor”, disse meu amigo. Entre muitas lágrimas, balancei a cabeça e disse: “Vá, vá!”

Meu amigo não é um homem dado a expressar seus sentimentos, é essencialmente um homem equilibrado. Mas, quando começou a andar pela plataforma, mostrava-se visivelmente abalado. Naquele momento, tive tanta certeza de que alguma coisa estava prestes a acontecer, que fui em direção à cabine de som no fundo da sala. Sabia que Deus iria se manifestar, só não sabia onde.

Eu estava na primeira fileira, e sentia que algo poderia acontecer atrás de mim ou do meu lado. E eu estava tão desesperado para pegá-Lo, que caminhei para o fundo da sala, enquanto o pastor se encaminhava para o púlpito, dessa forma eu poderia perceber todo o ambiente. Não estava certo do que aconteceria na plataforma, mas sabia que algo iria acontecer. “Deus, eu quero ser capaz de ver o que quer que o Senhor esteja prestes a fazer.”

Meu amigo subiu para o púlpito no centro da plataforma, abriu a Bíblia e, calmamente, leu a arrebatadora passagem de 2 Crônicas 7.14:

“… se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, e buscar a Minha face, e deixar seus maus caminhos; então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.”

Então, ele fechou sua Bíblia, agarrou as bordas do púlpito com as mãos trêmulas e disse: “A palavra do Senhor para nós, hoje, é que paremos de buscar Seus benefícios e busquemos a Ele. Não vamos mais buscar Suas mãos, mas sim a Sua face”.

Naquele instante, ouvi o que parecia ser o eco de um trovão, e o pastor foi, literalmente, tomado e lançado a uma distância aproximada de três metros do púlpito. Quando ele foi arremessado para trás, o púlpito caiu para frente. O belo arranjo de flores, que estava em frente, caiu no chão. Porém, antes que o púlpito batesse no chão, ele já estava partido em dois pedaços. Havia sido partido em dois, como se um raio o tivesse atingido! Naquele instante, o terror tangível da presença de Deus encheu aquela sala. (Nota: O púlpito era feito de um plástico acrílico de alta tecnologia. Este material, segundo os engenheiros, é capaz de suportar milhares de quilos de pressão por metro quadrado).

AS PESSOAS COMEÇARAM A CHORAR E SE LAMENTAR

Rapidamente fui ao microfone do fundo da sala e disse: “Caso você não esteja ciente do que está acontecendo, Deus acaba de se mover neste lugar. O pastor está bem [passaram-se duas horas e meia para que ele pudesse ao menos se levantar, ainda assim com o auxílio dos introdutores. Somente sua mão tremia dando sinal de vida]. Ele vai ficar bem.”

Enquanto tudo acontecia, os introdutores correram para verificar se o pastor estava bem e pegar os pedaços do púlpito. Ninguém, realmente, prestou muita atenção no púlpito partido, pois estávamos muito ocupados com os céus fendidos. A presença de Deus atingira aquele lugar como se fosse uma bomba. As pessoas começaram a chorar e a se lamentar. Eu disse: “Se você não está onde precisa estar, esta é uma boa hora para se reconciliar com Deus.” Eu nunca vira tamanho apelo.

Um tumulto se fez. Pessoas se empurravam. Não esperavam os corredores se esvaziarem. Pulavam os bancos da igreja, homens de negócio arrancavam suas gravatas e estavam, literalmente, amontoados uns sobre os outros, no mais terrível e harmonioso som de arrependimento que eu já tinha ouvido. A simples lembrança disso ainda me causa arrepios. Quando fiz o apelo do culto das 8h30, não tinha ideia de que aquele seria o primeiro dos sete apelos daquele dia.

Quando já era hora de começar o culto das 11 horas, ninguém havia deixado o prédio. As pessoas ainda se encontravam prostradas e, embora não houvesse nenhuma música sendo tocada, a adoração era calorosa e espontânea. Homens maduros dançavam como bailarinos, crianças choravam em manifestação de arrependimento. As pessoas estavam com rosto em terra, ajoelhadas, absortas pela presença do Senhor. Havia tanto da presença e do poder de Deus ali, que as pessoas começaram a sentir uma necessidade urgente de serem batizadas.

Eu assistia às pessoas adentrarem os átrios do arrependimento, e, uma após outra, experimentarem a glória e a presença de Deus enquanto Ele estava ali por perto. Elas queriam ser batizadas e eu estava em dúvida sobre o que fazer. O pastor ainda permanecia no chão. Pessoas vinham até mim e declaravam: “Preciso ser batizado. Alguém me diga o que fazer.” Havia uma quantidade imensa de perdidos que foram salvos, e tudo provocado puramente pelo encontro com a presença de Deus. Não houve sermão nem canções naquele dia – somente o Espírito de Deus.

Duas horas e meia se passaram, e, já que pastor só havia conseguido gesticular um dedo para chamar os anciães até ele naquele instante, os introdutores tiveram que carregá-lo para seu gabinete. Enquanto isso, todas aquelas pessoas me perguntavam (ou a qualquer outro que encontravam) se poderiam ser batizadas. Como um ministro visitante naquela igreja, eu não queria assumir a autoridade de dizer a alguém para batizá-las, então enviei pessoas ao escritório do pastor para verificar se ele autorizaria o batismo.

Eu fazia um apelo após outro e centenas de pessoas vinham à frente. Como, a cada vez, mais pessoas vinham me perguntar a respeito do batismo, percebi, então, que nenhum daqueles que foram ao escritório do pastor retornaram. Finalmente, enviei um pastor assistente já aposentado, dizendo-lhe: “Por favor, descubra o que o pastor quer fazer acerca do batismo, pois ninguém que enviei retornou para me dar uma resposta.” O homem entreabriu a porta e inclinou a cabeça para dentro do escritório. Para sua surpresa, viu o pastor ainda deitado diante do Senhor e todos os que eu havia lhe enviado estirados pelo chão também, chorando e se arrependendo diante de Deus. Então, voltou depressa para me relatar o que tinha visto, e acrescentou: “Vou perguntar-lhe o que pediu, mas, se eu entrar naquele gabinete, pode ser que não volte também”.

BATIZAMOS PESSOAS POR HORAS

Balancei a cabeça concordando com aquele pastor assistente: “Acho que não há problema se os batizarmos.” Então começamos a passar as pessoas pelas águas como um sinal físico de seu arrependimento diante do Senhor. E, por muito tempo, batizamos as pessoas. Mais e mais pessoas continuavam se derramando perante Deus. Como os participantes do primeiro culto ainda estavam lá, havia carros estacionados por todos os lados fora da igreja.

Em um grande terreno vago próximo ao prédio, as pessoas sentiam a presença de Deus tão fortemente, que começavam a chorar sem controle. E, simplesmente, se dirigiam ao estacionamento sem saber o que estava acontecendo. Algumas, ao saírem de seus carros, mal conseguiam andar pelo estacionamento. Outras entraram no prédio somente para cair no chão. Com muito esforço, os introdutores arrastavam aquelas pessoas da porta e as colocavam ao longo do corredor para liberar a entrada. Algumas pessoas conseguiam avançar um pouco para dentro do prédio e outras entravam na sala antes de caírem prostradas em arrependimento.

Alguns, na verdade, se prostravam dentro do santuário, mas, a maior parte não se importava em não achar assentos. Eles se prostravam diante do altar. Não importava, pois não demorava muito para que começassem a chorar e se arrepender. Como eu disse, não houve nenhuma pregação. Nem mesmo música houve na maior parte do tempo. Mas basicamente uma coisa aconteceu naquele dia: A presença de Deus se revelou. Quando isto acontece, a primeira coisa que se faz é o mesmo que Isaías fez ao ver o Senhor no alto e sublime trono. Ele clamou das profundezas de sua alma:

“Então disse eu: Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio dum povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” (Isaías 6.5)

Veja bem: no momento em que Isaías, o profeta, servo escolhido de Deus, viu o Rei da glória, o que ele pensava estar puro e santo parecia trapos imundos. Ele estava pensando: Eu achava que conhecia Deus, mas não conhecia nem um pouco d’Ele! Naquele domingo, parecia termos chegado tão perto, quase O pegamos. Agora sei que é possível.

ELES VOLTAVAM BUSCANDO MAIS

As pessoas continuaram enchendo o auditório. Tudo começou com o extraordinário culto das 8h30 naquela manhã. Finalmente, por volta das 16 horas, consegui comer alguma coisa. Então, voltei para a igreja. Muitos nem saíram. Aquele culto matinal de domingo só terminou 1 hora da madrugada de segunda. Nem precisávamos anunciar nossa programação para segunda-feira à noite. Todos já sabiam. Haveria uma reunião, quer anunciássemos ou não. As pessoas voltavam para casa simplesmente para dormir um pouco ou fazer algo, e retornavam buscando mais – nada que viesse de homens ou de suas programações, porém algo que brotasse de Deus e Sua presença.

Noite após noite, o pastor e eu diríamos: “O que vamos fazer?” Na maioria das vezes nossa resposta era previsível: “O que você quer fazer?” O que queríamos dizer era: “Não sei o que fazer. O que Deus quer fazer?” Algumas vezes, tentávamos ter um culto, mas a fome das pessoas rapidamente nos conduzia à presença de Deus e, de repente, ela é que nos tinha\

Escute, meu amigo: Deus não se importa com sua música, suas torres, seus prédios admiráveis. O carpete de sua igreja não O impressiona – Ele é quem forrou os campos. Deus, realmente, não se preocupa com nada do que você possa fazer para Ele. Ele somente se preocupa com sua resposta a uma pergunta: “Você Me quer?”.

CAIA POR TERRA TUDO QUE NÃO PROVENHA DO SENHOR DEUS!

Programamos nossos cultos de uma forma tão rígida e tão pouco profética, que ficamos nervosos se Deus tenta fazer algo que não planejamos. Não podemos suportar a livre presença de Deus em nossas programações por muito tempo, porque Ele poderia “arruinar” tudo. Esta tem sido minha oração: “Faça com que nossos esquemas se desmoronem, Deus, e que caia por terra tudo que não provenha do Senhor!”.

Deixe-me fazer-lhe uma pergunta: Quando foi que você esteve na igreja e disse: “Vamos esperar no Senhor”? Acho que temos medo de esperar n’Ele, porque não acreditamos que Ele vá se revelar. Tenho uma promessa para você: “… os que esperam no Senhor renovam as suas forças” (Isaías 40.31a). Quer saber por que vivemos fracos como cristãos e não temos tido tudo o que Deus tem para nós? Quer saber por que temos vivido atados aos nossos confortáveis privilégios e não temos tido força para superar nossa própria carnalidade? Talvez, porque não tenhamos esperado n’Ele, para que nos fortaleça. Talvez tenhamos tentado realizar as coisas confiados em nosso próprio poder.

DEUS FEZ DESMORONAR TUDO QUE NÃO PROVINHA D’ELE EM HOUSTON

Não estou tentando fazer com que você se sinta mal. Sei que muitos cristãos e muitos de nossos líderes verdadeiramente se esforçam, mas existe muito mais. Você pode pegar Deus. Pergunte a Jacó! Você verá ruir os esquemas que limitaram o seu caminhar até agora! Você pode pegá-Lo. Nós temos falado, pregado e ensinado sobre avivamento a ponto de saturar a Igreja. É o que tenho feito toda minha vida: preguei o avivamento, ou, pelo menos, penso tê-lo feito.

Deus quebrou nossos esquemas e fez com que tudo ruísse quando Se revelou a nós. Sete noites por semana, por quatro ou cinco semanas seguidas, centenas de pessoas, em cada culto, se enfileiravam em frente ao altar para declarar seu arrependimento e aceitar a Cristo. Elas O cultuavam, esperavam n’Ele e Lhe dirigiam Suas orações. O que aconteceu nos dias dos primeiros cristãos e nos avivamentos mais recentes, estava acontecendo novamente. Então comecei a entender: “Deus, o Senhor quer fazer o mesmo em todos os lugares.” Durante meses a presença de Deus pairou ali.

DEUS ESTÁ VOLTANDO PARA RECUPERAR A IGREJA

Até onde posso dizer, só existe uma coisa que O detém: o Senhor não vai derramar Seu Espírito onde não há fome d’Ele. Ele procura pelos famintos. Ter fome significa não estar satisfeito com a “mesmice”, porque ela nos obriga a viver sem o Senhor em Sua plenitude. Ele só vem quando você está disposto a se voltar totalmente para Ele. Deus está voltando para recuperar Sua Igreja, mas você tem que estar faminto.

Ele quer Se revelar entre nós. Ele quer vir cada vez mais forte, mais forte e mais forte, até que sua carne não seja mais capaz de suportar. A beleza disto é que nem mesmo os perdidos ao nosso redor serão capazes de resistir. Está começando a acontecer. Vejo o dia em que os pecadores mudarão seu rumo nas ruas, estacionarão com olhares confusos e vão bater à nossa porta, dizendo: “Por favor, existe algo aqui, como posso ter isto?”.

O QUE FAZEMOS?

Você não está cansado de tentar distribuir folhetos, bater nas portas e fazer tudo acontecer? Por muito tempo, temos tentado fazer com que as coisas aconteçam. Agora, Deus quer fazer acontecer! Por que você não descobre o que Ele está fazendo e junta-se a Ele? Era isto que Jesus fazia. Ele dizia: “Pai, o que o Senhor está fazendo? É isto que farei”. (Veja João 5:19-20).

Deus quer Se mover com Sua Igreja. Quando foi que você se sentiu tão faminto por Deus, que sua fome o consumiu a ponto de você não mais se importar com o que as pessoas pensassem de você? Eu o desafio a esquecer cada perturbação, cada opinião e pense: O que está sentindo, agora, enquanto lê sobre como Deus tomou estas igrejas? Você está passando por cima disto? O que está embaraçando seu coração? Você não sente o despertar daquela fome que pensou estar esquecida? Quando foi que você sentiu o que está sentindo agora? Levante-se e busque a presença de Deus. Seja um caçador de Deus.

Não estou falando daquela animação típica do louvor e da adoração. Sabemos muito bem como conduzir a música de forma que tudo esteja maravilhoso, o acompanhamento esteja espetacular e tudo pareça perfeito. Mas não é disto que estou falando e não é isso que está causando esta fome em você agora. Estou falando da fome pela presença de Deus. Eu disse “uma fome pela presença de Deus”.

Sem muita cerimônia gostaria de dizer que, na verdade, a Igreja tem vivido por tanto tempo em uma presunção e uma justiça própria que cheira mal diante de Deus. Ele não pode nem olhar para nós em nosso estado presente. Da mesma forma que você ou eu nos sentimos embaraçados em um restaurante ou em um supermercado, quando vemos os filhos de alguém “pintando o sete”, Deus sente o mesmo sobre a nossa justiça própria. Ele está incomodado com nosso farisaísmo. Não estamos “tão juntos” quanto pensamos estar.

O que pode nos mover para o centro do plano de Deus? O arrependimento.

“Naqueles dias apareceu João Batista, pregando no deserto da Judéia, e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus. Pois este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.” (Mateus 3.1-3.)

O arrependimento prepara o caminho e endireita as estradas do nosso coração. O arrependimento eleva os lugares baixos e rebaixa todos os lugares altos de nossas vidas e das famílias cristãs. O arrependimento nos prepara para a presença de Deus. Na verdade, você não pode viver na presença do Pai sem arrependimento. O arrependimento nos permite buscar Sua presença. O arrependimento constrói a estrada para que você alcance a Deus (ou para que Deus alcance você!). Pergunte a João Batista. Quando ele construiu a estrada, Jesus veio andando.

Este é o ponto fundamental do que tenho para dizer: Quando foi que você disse: “Estou indo para Deus”? Quando foi que você deixou tudo de lado, todas as suas ocupações e correu na estrada do arrependimento para buscar a Deus?

NÃO É UMA QUESTÃO DE ORGULHO, MAS DE FOME.

Eu costumava procurar por grandes multidões e bons sermões para pregar, tentava fazer grandes obras para Deus. Meus esquemas ainda não haviam se desmoronado. Agora, eu sou um caçador de Deus. Nada mais importa. Digo a você, como seu irmão em Cristo, que o amo, mas amo mais a Deus. Não me preocupo com o que outras pessoas ou ministros pensam sobre mim. Estou indo atrás de Deus. Não é uma questão de orgulho, mas de fome. Quando você buscar a Deus com todo seu coração, alma e corpo, Ele se voltará para encontrá-lo e você sairá desta experiência desmoronado aos olhos do mundo.

Aquilo que é bom tem sido inimigo do que é melhor. Eu o desafio agora, enquanto lê estas palavras, a deixar seu coração ser quebrado pelo Espírito Santo. É hora de você santificar sua vida. Pare de assistir ao que você costuma assistir; pare de ler o que você costuma ler, se isto tem lhe tomado mais tempo do que a leitura da Palavra de Deus. Ele deve ser sua maior fome e mais urgente.

Se você está contente e satisfeito, então eu o deixarei, e você pode, seguramente, largar este livro de lado, agora, e nunca mais o incomodarei. Mas se você está faminto, tenho uma promessa do Senhor para você. Ele disse: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mateus 5.6).

NUNCA ESTIVEMOS FAMINTOS

Nosso problema é que nunca estivemos realmente famintos. Temos permitido que as coisas deste mundo preencham nossas vidas e “saciem” nossa fome. Temos ido a Deus semana após semana, ano após ano, simplesmente para que Ele preencha pequenos espaços vazios. Eu digo a você que Deus está cansado de estar em segundo lugar em nossas vidas. Ele está cansado até mesmo de ser o segundo na programação e na vida da igreja!

Tudo de bom, incluindo as coisas que sua igreja local faz – desde alimentar os pobres, resgatar órfãos, até o ensino na Escola Bíblica Dominical – deveria fluir na presença de Deus. Nossa motivação básica deveria ser: “Fazemos isso por causa de Deus, porque isto está em Seu coração.” Se não tomarmos cuidado, podemos ser achados tão envolvidos em atividades para Deus, que acabamos nos esquecendo d’Ele.

Você pode estar sendo tão “religioso”, que nunca será espiritual. Não importa o quanto ore. Perdoe-me por dizer isto, mas você pode estar perdido, sem mesmo conhecer Deus, apesar de manter uma vida de oração. Não me importa o quanto você conheça a Bíblia, ou o que você sabe sobre Deus. Estou perguntando: “Você O conhece!”

Um marido e uma esposa podem fazer coisas um para o outro sem que, realmente, se amem. Eles podem participar do pré-natal juntos, ter filhos, dividir a hipoteca, mas nunca aproveitar o alto nível de intimidade que Deus ordenou e designou que houvesse em um casamento (e não me refiro apenas ao relacionamento sexual). Geralmente, vivemos em um plano abaixo daquele que Deus pensou para nós. Então, quando Ele, inesperadamente, aparece em Seu poder, ficamos chocados. Muitos de nós, simplesmente, não estamos preparados para ver “Sua glória encher o templo”.

O Espírito Santo pode já estar falando com você. Se você mal pode conter as lágrimas, deixe-as correr. Minha oração é que o Senhor desperte, agora, aquela antiga fome que você quase esqueceu. Talvez, tempos atrás, você normalmente se sentia dessa maneira, mas permitiu que outras coisas o preenchessem e tomassem o lugar do seu desejo pela presença de Deus. Em nome de Jesus, liberte-se da religião morta e corra para a fome espiritual neste momento. Eu oro para que você fique tão faminto de Deus, que não se importe com mais nada.

Acho que já vejo uma chama… Deus irá inflamá-la.

Senhor, queremos somente a Sua presença. Estamos tão famintos.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O PROCESSO PSICOSSOMÁTICO DO CÂNCER

Transtornos como estresse, depressão, perda do sentido da vida, individualismo e consumismo ganham um papel mais frequente na sociedade moderna e todos esses fatores levam à desarmonia e desencadeiam a doença

O processo psicossomático do câncer

Ao entrar na realidade da doença do câncer, muitas perguntas surgem, tais como: como o conteúdo do câncer se manifesta? Qual seria a sua origem? Hoje, essa doença tem ocupado e preocupado grande parte da população. Desde pesquisadores da área, médicos a leigos e pessoas com o devido sintoma. O que se percebe é o número crescente de casos. Apesar dos avanços na área, ainda não se conseguiu uma cura definitiva dessa realidade assustadora.

A humanidade na atualidade está passando por vários transtornos. Estresse, depressão, a perda do sentido da vida, individualismo, consumismo e o descartável. Todas essas realidades levam à desarmonia do humano, desencadeando a doença.

O artigo pretende levantar a discussão de uma verdade tão atual e silenciosa como é o câncer. Diante de sua natureza destrutiva, o humano encontra-se sem saída, no vazio de sua existência. Esse sintoma tem uma linguagem e um conteúdo manifesto que necessita ser decifrado e entendido.

A Psicanálise busca um novo entendimento para essa realidade. Olha para a doença para buscar aquilo que está escondido e latente. Ao investigar a sua história, se defronta com o fato de que esse sintoma necessita de um impulso para se manifestar sobre o organismo humano. A atitude analítica surge como ponto de partida frente a essa verdade.

O processo psicossomático do câncer. 2

CONTEÚDO MANIFESTO

A doença psicossomática do câncer tem seu simbolismo e sua linguagem, os quais se manifestam de maneira autodestrutiva no organismo humano. O sintoma do câncer, muitas vezes, nasce de uma realidade de sofrimento, dor, ódio, os quais a pessoa inconscientemente introduziu em sua vida. Como um sinal de que algo não está bem, como afirma Rüdiger Dahlke, “o sintoma é um sinal que atrai a atenção, o interesse e a energia, pondo simultaneamente em risco o fluxo natural dos processos”.

A medicina tem estudado e pesquisado muito diante dessa realidade. No entanto, não se tem chegado à raiz do problema. O que realmente acontece para que o câncer possa se manifestar? Ou, ainda, o que torna essa doença tão fatal? Partindo dessa verdade, Dahlke diz que “a doença é um estado do ser humano que indica que, na sua consciência, ela não está mais em ordem, ou seja, sua consciência registra desarmonia”.

Ao faltar a consciência, o sintoma do câncer começa a se manifestar. A pessoa, na realidade, dá vida e existência para ele. Para o psicanalista Salézio Plácido Pereira, “toda doença, indiretamente, tem uma função simbólica para representar um desejo inconsciente, o corpo é a expressão das sequelas e cicatrizes adquiridas durante a sua existência”.

Nesse caso, o câncer, que em sua essência necessitou da falta de algo para se manifestar. Esse algo foi introduzido pela própria pessoa que a criou, quando lhe faltou a consciência. Assim, podemos entender que ele se manifesta no organismo humano quando a consciência está em falta. Nessa falta, o que se concretiza são as raízes autodestrutivas do câncer. Esse sintoma psicossomático desencadeia uma reação no organismo aniquilando com tudo o que gera a vida.

Não tendo consciência disso, a pessoa vai se apagando, se autodestruindo. No entanto, quando se toma consciência deste, se abre a possibilidade de se livrar dessa realidade de doença e morte.

 ORIGEM DO CÂNCER

Freud, ao estudar os primórdios da Psicanálise, descobriu que os sintomas se manifestam no conteúdo latente. Isto é, aquilo que está guardado e escondido, que ainda não chegou à consciência. O sintoma expressa uma linguagem própria e única, aquilo que está faltando. Ao mergulhar no conteúdo do câncer, depara-se sobre a realidade da sua origem. De que modo e como este se manifesta?

A medicina realiza um diagnóstico sob a etiologia naquilo que já se manifestou, esquecendo-se de entrar no conteúdo emocional de sua origem. A Psicanálise, porém, procura olhar para essa realidade escondida e latente. Quando alimenta-se uma vida de estresse, raiva, depressão, desamor e solidão, o caminho poderá ser a criação de um câncer. Para Bolzan, “tanto a saúde quanto o amor são pilares muito fortes na sustentação do instinto de vida, enquanto que a doença e o ódio são fundações consolidadas no instinto de morte”. Todos esses processos vão introduzir-se no organismo humano, causando alguma alteração em algum órgão.

Quando existem as emoções de raiva e ódio, todo o organismo vai receber essa informação; assim, cada órgão vai sofrer com esse impacto. Não existindo consciência, o sintoma do câncer começa a se manifestar.

Jung usou o termo sombra para designar todos os termos rejeitados, isto é, aquilo que se rejeita tende a se transformar em sombra. “A sombra é o maior perigo para as pessoas, pois elas a têm sem conhecê-la e sem saber que existe”.

A sombra se manifesta mediante a uma realidade que foi rejeitada pela pessoa. O que faz adoecer é a sombra, ir ao encontro da mesma é o processo da cura. Quando se tem consciência daquilo que foi rejeitado, o sintoma começa a perder força sobre o organismo.

 EMOÇÕES E PULSÃO

A Psicanálise procura fazer uma interpretação diante da realidade do câncer. Ao mergulhar no sintoma, busca aquilo que está latente e escondido, para fazer com que se traga à consciência. Os sintomas são recursos que o inconsciente utiliza para manifestar o seu desejo, isto é, denuncia aquilo que a pessoa rejeitou. Para Pereira, “a Psicanálise que estuda a dimensão inconsciente da expressão das emoções e pulsões, o sintoma é a manifestação de uma energia recalcada ou reprimida”.

Ao interpretar esses sintomas, leva a pessoa a entender e compreender o que realmente aconteceu para que o câncer pudesse se manifestar. Para curar uma ferida emocional, é necessário que se tome consciência da realidade dela. Assim, acontece o mesmo com o sintoma do câncer. Ao tomar consciência deste, ao levar a busca do desejo de vida e não de morte, se cria a possibilidade da cura. Uma cura que acontece de maneira gradual, na qual, em análise, o paciente vai ouvindo e entendendo as suas dores.

Na verdade, aquilo que não se consegue expressar por palavras aparece como sintoma. Quanto mais se guardam mágoas, ódio e raiva… são essas emoções que poderão desencadear o sintoma do câncer. Por isso que toda manifestação dele não é fruto do acaso, mas sim de um método que se criou para a sua origem. Quanto mais olharmos para a realidade, nas quais o amor, o afeto e a alegria são o motor imóvel da existência, mais o humano terá uma visão diferente de si próprio.

 O ENFOQUE DA PSICANÁLISE

É no corpo físico que se manifestam os desajustes daquilo que não está bem. Por isso, ao entrar na realidade do câncer, se percebem esse desequilíbrio e desarmonia, que se introjetam sobre o organismo. É no corpo humano que se manifestam as emoções autodestrutivas, ódio, raiva, medo e angústia, que desenvolvem um processo destrutivo, causando, nesse caso, o câncer.

Ao desejar a vida, estão se desejando a biofilia, o amor, a felicidade e a saúde. Ao desejar a morte, se desejam a necrofilia, raiva, inveja, revolta, ódio e a doença. Estes desencadeiam uma reação negativa em cada órgão do corpo. Para Chris Griscom, “não somos apenas um organismo físico concreto. Somos uma tapeçaria viva e dinâmica de diversos corpos entrelaçados para facilitar uma integração de realidades experienciais, sensoriais e dedutivas muito complexas. São os corpos físicos, mental, espiritual e emocional”.

A somatização das doenças no corpo, especialmente o câncer, está condicionada a diversos fatores, tais como modo de vida, estresse, solidão, raiva, ódio, inveja e depressão; são realidades que poderão condicionar o sintoma do câncer. Por isso que “a doença se manifesta nessa circunstância, porque não está havendo o equilíbrio e harmonia no eixo energético do pensar, sentir e agir”.

Como a Psicanálise poderá tratar a doença do câncer? Quando o paciente na clínica vem com esse sintoma, o primeiro passo é buscar a sua origem. O que se quer firmar é que, para desencadear a doença, necessitaram-se de um impulso e um método, este criado inconscientemente pela pessoa. Assim, ao mergulhar nessa realidade, na qual ela se predispuser a fazer um trabalho profundo e buscar no seu inconsciente os motivos que a levaram a criar essa doença, com certeza vai realizar o processo de harmonia e equilíbrio de sua energia psíquica.

Partindo dessa verdade, Maria Margarida M. J. de Carvalho afirma que, “segundo Hunghes (1987), o câncer provavelmente não tem uma única causa, mas uma etiologia multifatorial, isto é, vários fatores precisam operar juntos na mesma pessoa para produzir a doença”.

Assim, é possível entender que o sintoma do câncer necessita de muitos fatores para que possa se manifestar. Como um processo psicossomático, introduz um desejo autodestrutivo sobre o organismo, causando, com isso, o desequilíbrio.

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DESARMONIA

A doença se manifesta quando o humano perde a harmonia. Mas que harmonia? Essa desarmonia seria quando não se tem consciência de si e de sua própria realidade. Quando a consciência está em falta, o sintoma começa a se manifestar. O que equivale é a sua realidade, na qual se elabora um método para criar uma doença. Segundo Dahlke, “essa doença se manifesta no corpo como um sintoma. Então, o que se tem é a comprovação de que algo nos falta. Falta consciência, e, portanto, tem-se o sintoma”.

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DEPRESSÃO

A depressão, muitas vezes, é confundida com uma tristeza profunda. No entanto, quando o sentimento de tristeza se torna intenso, dura períodos longos e interfere decisivamente na vida cotidiana da pessoa, este é o sinal para a procura de ajuda profissional. A depressão já é o mais comum dos transtornos mentais, embora seja tratável. A Organização Mundial da Saúde calcula que, em vinte anos, a depressão ocupará o segundo lugar no ranking dos males que mais matam.

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O CAMINHO DA CURA INTRAPSÍQUICA

Conhecer a veracidade do sintoma do câncer é trilhar um caminho na busca da cura intrapsíquica, isto é, quando o paciente escuta a própria dor, entende e conhece o sintoma. Para que o mesmo possa se manifestar, necessita de um método que a própria pessoa inconscientemente assimilou na essência de cada emoção e pulsão: O que se quer afirmar é que o câncer é um impulso autodestrutivo que nasceu mediante uma emoção que não foi elaborada. Ao conhecer a sua história, o câncer se torna menos agressivo; assim, quando existe a resistência, provoca uma pressão maior levando à proliferação dele. O câncer é um processo que necessita de um trauma emocional para se manifestar. Nesses últimos anos o mundo vem mudando rapidamente. A ciência, a tecnologia, a web e o mundo virtual vêm ganhando cada vez mais espaço. Nessa conjuntura de transformações abruptas e repentinas o humano permanece desorientado. Nesse horizonte de possibilidades, a Psicanálise surge como uma voz e um alerta para a reflexão profunda sobre a doença do câncer, que cresce de maneira apavorante. Não obstante, o desenvolvimento e o cultivo integral do humano partem, antes de tudo, da busca da saúde psíquica-física-emocional, que seja a chave para o contato consigo mesmo e com o Outro.

OUTROS OLHARES

SERVIÇO HARMONIZADO

Nos melhores restaurantes do mundo, uma nova etapa se anuncia: a próxima revolução da comida será no salão, com atendimento, objetos e entrosamento diferenciados

Serviço harmonizado

Está na enciclopédia Larousse Gastronomique: o restaurante, tal qual o conhecemos, com salão, cardápio e garçons, foi inventado em Paris, em 1782, por Antoine Beauvilliers, cozinheiro do futuro rei Luís XVIII. De lá para cá, a arte de cozinhar profissionalizou-se e a nouvelle cuisine francesa e a gastronomia molecular espanhola mudaram o conteúdo e o visual das receitas. Fora da cozinha, porém, tudo continuou relativamente igual desde aquele início da belle époque. “Mesmo na alta gastronomia, o serviço ainda é menos valorizado”, disse Josep Roca, sócio, junto com os irmãos Joan e Jordi, do restaurante espanhol El Celler de Can Roca, o segundo melhor no renomado ranking da revista inglesa The Restaurant. Mas isso está mudando, avisa Roca, com conhecimento de causa – maitre e sommelier, ele é o responsável pela vida fora do fogão na sua casa. “A revolução gastronômica seguinte vai acontecer dentro do salão”, sentenciou o espanhol durante o Nam, no Chile, um dos maiores congressos internacionais da área.

As medidas já em andamento envolvem a forma de servir, com pratos, talheres e copos sob medida para o cardápio, a adoção de práticas sustentáveis e a valorização dos palpites “de fora” na formulação das receitas. “Garçons e maitres são os funcionários mais próximos dos clientes”, observa Roca, que os vê “tão importantes quanto o chef ou mais”. No El Celler, os funcionários têm sessões semanais com um psicólogo, para amenizar a pressão do trabalho. Trata-se de um luxo para poucos, claro, mas o conceito se espalha pelo mundo. No Rio de Janeiro, o Org Bistrô oferece ioga e meditação aos funcionários toda terça-feira, entre o turno do almoço e o do jantar. “É nosso momento de paz no dia a dia corrido. A equipe fica mais unida e preza mais o bem-estar da clientela”, diz a chef Tati Lund.

Designers dedicam-se a criar plataformas inusitadas para servir as receitas. “Além de boa comida e bebida, as pessoas buscam experiências gratificantes”, ensina Roca. No El Celler, um carrinho que lembra um robô da Nasa roda pelo salão servindo sobremesas. A criação foi inspirada na obra do artista cinético holandês Theo Jansen, e em breve um segundo garçom cibernético lhe fará companhia, com a função de oferecer café e chá.

Louças e talheres estão se adequando às criações de cada chef. Na Casa do Porco, em São Paulo, cujo menu degustação custa 125 reais (o do Celler de Can Roca sai por 865 reais), os utensílios usados para servir as nove etapas combinam com os pratos. O torresmo de pancetta com goiabada picante, versão do chef Jefferson Rueda para o clássico torresminho, vem disposto dentro de uma cabeça de porco feita em impressoras 3D. Os próprios garçons, bem treinados e envolvi­ dos no processo, estão mudando de atitude – para melhor.

“A postura servil é coisa do passado. O amplo acesso à informação reduziu muito a diferença cultural entre quem serve e quem come”, diz Gastón Acurio, o principal nome da gastronomia peruana, que também falou sobre a revolução no atendimento. Serviço simpático e bem informado – esse futuro promete, no mais harmonioso dos movimentos da arte de bem comer.

GESTÃO E CARREIRA

O CLUBE DOS UNICÓRNIOS

Com a entrada da Loggi nesse grupo, o Brasil já tem oito startups avaliadas em ao menos 1bilhão de dólares. Elas estão fazendo a revolução não só na tecnologia, mas na maneira de trabalhar

O clube dos unicórnios

No fim do expediente de quarta-feira 5 de junho, petiscos e bebidas foram servidos no andar térreo do prédio na região da Avenida Paulista onde está sediada a startup Loggi, uma plataforma que conecta 25.000 motociclistas para entregas em 36 cidades brasileiras. Enquanto um DJ tocava músicas pop, profissionais garantiam suas selfies dentro de uma piscina de bolinhas em meio a dezenas de balões coloridos. A data havia sido um marco na companhia: fundada em 2013, a Loggi anunciou que, após uma injeção de recursos de investidores liderados pelo japonês SoftBank, se tornara um unicórnio – como é chamada a startup (jovem empresa independente de tecnologia) que atinge valor de mercado de ao menos 1 bilhão de dólares. Para celebrar, a imagem da criatura mitológica se repetia por todo lado, em bonecos infláveis ou em tiaras com chifre usadas pelos funcionários.

Desde que o Instagram deixou o mundo de queixo caído ao ser vendido por exato 1 bilhão de dólares ao Facebook, em 2012, as empresas de tecnologia que atingem essa cifra mítica são comparadas aos cavalos encantados por terem se tornado lendas na selva de empreendedores. Até janeiro de 2018, quando a 99 foi arrematada pela chinesa Didi Chuxing, o Brasil não tinha ouvido falar de representante nesse seleto clube. Hoje, o momento é de efervescência – das mais de 300 representantes de startups bilionárias de que se tem notícia no mundo, oito pintaram aqui desde então. E centenas são candidatas a repetir tal cavalgada. Apenas no ano passado, o país atraiu 1,3 bilhão de dólares em investimentos, distribuídos entre 259 startups, 55% mais que no ano anterior.

Mas e a crise? Bem, para essas organizações, ela por vezes mais ajuda que atrapalha, ao usarem tecnologia para a redução de custos e assim se diferenciarem da concorrência. A cearense Arco Educação, a única não paulista no grupo, é bom exemplo. Criada a partir de um conjunto de escolas de Fortaleza, a empresa oferece hoje um sistema educacional presente em 1.400 escolas brasileiras com fortes componentes de ensino a distância, como videoaulas e livros digitais. O material didático digital sai até 40% mais barato que o físico. Quanto maior o número de alunos que assistem às lições, mais a vantagem aumenta. O grande impulso para a expansão tecnológica foi a entrada, em 2014, do fundo americano General Atlantic, que detém hoje um quinto do negócio. Em setembro, a Arco captou 780 milhões de reais na bolsa eletrônica Nasdaq, pela venda de 25% de suas ações. Com o bolso cheio, comprou em maio o Sistema Positivo por 1,65 bilhão de reais.

Não à toa, a euforia é o que se respira dentro dos escritórios. A estética animada e lúdica (às vezes infantilizada, para os olhares de alguns) é a regra. Geladeiras com cervejas de graça e salas de “descompressão” com tapetes de ioga repetem-se em vários deles, mas existem particularidades. Na Loggi, há um urso de pelúcia de 1,50 metro de altura (apelidado de Loggão) e um boneco sparring no qual os mais estressados podem desferir golpes de boxe. Uma vez por semana, o CEO Fabien Mendez liga seu notebook em uma área comum e os empregados são bem-vindos para falar sobre qualquer tema.

Na sede do iFood, em Osasco, funcionários locomovem-se de patinete de um canto a outro (não é só modinha hipster; o prédio, todo térreo, tem 13.000 metros quadrados) e há vídeos no circuito interno (às vezes, ao vivo) para dividir com todos as novidades. “Tentamos fazer com que a comunicação flua como se ainda estivéssemos em uma garagem”, diz o CEO Carlos Moyses, cofundador de uma das empresas que originaram o iFood. Ex­ entregador de pizza na Austrália, ele passa dez dias por ano na China para se conectar com as inovações.

Para além da originalidade no visual, é na ação que esses negócios buscam transformar o ambiente de trabalho. Tome-se como exemplo a desenvolvedora de aplicativos Movile. Se em companhias tradicionais é incomum que uma mulher seja contratada durante a gravidez, ali sete gestantes ganharam seu crachá nos últimos doze meses. Quando voltam da licença-maternidade, elas são recebidas com foto de seu bebê em porta-retratos e um resumo das decisões importantes tomadas em sua ausência. No Nubank não existem alas específicas dentro do escritório – um engenheiro de software pode sentar­ se ao lado de alguém de recursos humanos; cada um posiciona seu notebook onde quiser. Além disso, é possível levar o cachorro para o expediente e trabalhar na varanda para deixar o pet à vontade (vez ou outra algum bichinho se perde nos nove andares e a turma sai em seu resgate).

Há alguns clichês inescapáveis no discurso dessas empresas: dizer que precisam identificar as “dores” da sociedade (problemas a ser resolvidos) e anunciar uma ”missão” mais charmosa que o simples lucro. A “missão” da Gympass, criadora de um passe que permite frequentar milhares de academias, é “combater o sedentarismo”. Isso é levado a cabo dentro do prédio na Vila Olímpia, e acontecem reuniões que começam com todos suando a camisa de forma literal, em um treino. As reuniões mensais mostram um ranking de empregados que usam com mais frequência o próprio serviço – o CEO da operação brasileira, Leandro Caldeira, costuma aparecer entre os primeiros. Ele acorda diariamente antes das 6 horas e já testou de ciclismo a escalada indoor. Dica de ouro para o participante dos processos seletivos da firma, presente em catorze países (dos Estados Unidos a San Marino): se ganhar um passe livre de um mês do RH, não deixe o brinde de lado (os recrutadores poderão monitorar o uso). Uma regra curiosa da alta gerência é não falar do trabalho de um terceiro se ele não estiver presente.

Estar em uma firma diferentona, claro, não é para todo mundo. “O discurso cheio de propósito, as coisinhas gostosas na geladeira, tudo é usado para fazer com que as pessoas tenham longas jornadas, muitas vezes no fim de semana”, diz um ex-funcionário da 99, que descreve um ambiente (excitante ou extenuante, você decide) de constantes mudanças. Conta ter tido meia dúzia de chefes em um ano. ”No ambiente em que se arrisca mais e se corrige o erro rápido, é necessário preparar­ se para alterar as metas do dia para a noite”. A reportagem ouviu relatos parecidos de trabalhadores dos outros unicórnios. Um engenheiro demitido da Stone por não bater as metas ainda assim recomenda o lugar, pelo acesso fácil à chefia para dar ideias.

De acordo com a consultoria Michael Page, os salários em startups são até 20% maiores que a média de mercado. Interessado? A headhunter Juliana Fiuza, especialista em inovação na Follow Recruitment, indica o caminho: “Essas empresas buscam o perfil criativo, flexível e intraempreendedor”. O último termo designa funcionários que vão além das suas obrigações e agem com cabeça de dono, criando oportunidades.

Os rostos jovens vistos ao redor do escritório não são uma impressão. Na 99, apenas 6% dos trabalhadores têm mais de 40 anos. Nas outras companhias, não é muito diferente. “Isso está relacionado ao uso de tecnologias recentes e de redes sociais, mas há espaço para pessoas mais velhas, especialmente no nível de gerência”, diz Cristina Junqueira, do Nubank, a única mulher entre os fundadores do clube do bilhão (40% de seu time é do sexo feminino; 30% do total é LGBT).

A Movile é uma das mais admiradas pelo dinamismo. Seus oito negócios principais são chamados ali dentro de transatlânticos, maiores e complexos, enquanto os projetos iniciais recebem o apelido de jet skis. “Se o profissional tem uma ideia, vai lá, implanta e apresenta os dados. O jet ski pode tombar quando vem uma onda, depois a pessoa se levanta e corrige a rota”, explica o cofundador Eduardo Henrique Lins, que hoje comanda de Miami a Wavy, braço do grupo de inteligência artificial para a comunicação das empresas com seus clientes. O aplicativo PlayKids, de vídeos e jogos para crianças, presente em 187 países, é um desses barquinhos que cresceram. Nasceu após o naufrágio de vinte tentativas para emplacar uma plataforma segmentada de vídeos, de música sertaneja a comédia stand-up.

O clube dos unicórnios. 2

No Brasil, existem cerca de 12.800 startups. Mas, para entrar na elite dos unicórnios, o empreendedor tem de chamar a atenção de investidores em diversas etapas — as contrapartidas vão de sociedade a participação no conselho. Num universo em que mesmo empresas bem estabelecidas podem valer uma fortuna sem dar lucro o potencial é que aguça os apostadores. Lembra-se do exemplo do Instagram, vendido por 1 bilhão de dólares? Seis anos depois, a rede social valia 100 vezes essa cifra. “Olho mais para o sonho e o compromisso do fundador do que para o negócio”, diz Hernan Kazah, que fundou o Mercado Livre em 1999 e hoje investe em novas ideias. “Há muitas replicações com mérito do que é feito no exterior, mas estamos de olho em cases de inovação de abrangência mundial, como foram a Embraer e a Natura”, diz Bruno Rondani, da aceleradora 100 Open Startups.

No Vale do Silício brasileiro, quem quer ser patrão deve ficar de olho em Brasília. Anunciada em 1º de maio pelo presidente Jair Bolsonaro, a medida provisória da liberdade econômica, apelidada de “MP das startups”, prevê incentivos a jovens empresas, como dispensa de alvará na fase inicial. A proposta do governo precisa ser aprovada pelo Congresso até o fim de agosto para virar lei. Para Caio Ramalho, coordenador do MBA de private equity e venture capital da Fundação Getúlio Vargas, os incentivos são bem-­vindos, mas a prioridade deve ser facilitar o fechamento caso a empreitada não dê certo. “Um ambiente saudável de startups existe onde empresas possam nascer e morrer, pois a falha em um negócio pode ser uma lição para o que vem.” Enquanto o oceano burocrático seguir atrapalhando o ciclo de nascimento e morte dos pôneis brasileiros, o país terá menos unicórnios.

O clube dos unicórnios. 3

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

INTRODUÇÃO

AQUELES QUE BUSCAM A DEUS SEMPRE EXISTIRAM

Desde que Deus existe, existem os que O buscam. A História está cheia de exemplos. O meu é somente um a mais. Histórias desse tipo são como mapas que conduzem ao Santo dos Santos ou a lugares celestiais.

Os caçadores de Deus não se limitam a tempo e cultura. Eles vêm dos mais variados lugares e contextos históricos: desde Abraão, o pastor errante, a Moisés, o gago adotivo, incluindo Davi, o jovem pastor de ovelhas. E, assim, no decorrer dos tempos, os nomes continuam aparecendo, desde Madame Jeanne Guyon, Evan Roberts, William Seymour do célebre avivamento de Azusa Street, até os nossos dias. (Nota do tradutor: O avivamento de Azusa Street aconteceu na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, durante o ano de 1906. Estudiosos relatam que este avivamento foi o mais importante da história do movimento pentecostal americano. O avivamento de Azusa Street foi liderado pelo americano de origem africana, William Seymor, e recebeu este nome porque eclodiu numa velha igreja localizada na Rua Azusa.)

Somente a História pode nos dizer os nomes de todos os caçadores de Deus. Você é um deles? Deus está esperando ser alcançado por alguém cuja fome exceda seu autocontrole.

Os caçadores de Deus têm muita coisa em comum. Primeiramente, eles não estão interessados em se acamparem ao redor de verdades conhecidas por todos, ao contrário: estão sempre atrás da doce presença do Todo-Poderoso. Sua busca pode causar espanto à Igreja, mas, geralmente, os transporta de lugares áridos até o lugar que o Senhor está. Se você é um caçador de Deus, não se contentará em, simplesmente, seguir as trilhas de Deus. Você as seguirá até que apreenda Sua presença.

A diferença entre a verdade de Deus e a revelação de Deus é muito simples. A verdade é onde Deus esteve. A revelação é onde Deus está. A verdade são as trilhas de Deus, Seu rastro, Sua trajetória, mas nos leva aonde? Conduz-nos a Ele. Talvez muitas pessoas fiquem satisfeitas se souberem onde Deus esteve, mas os verdadeiros caçadores de Deus não se contentam em somente estudar Seu rastro ou Suas verdades: eles querem conhecê-Lo, saber onde Ele está e o que Ele está fazendo agora.

Infelizmente, a maior parte da Igreja está como um detetive à procura do lugar onde Deus esteve. Um caçador, por exemplo, pode chegar a muitas conclusões estudando as trilhas de um animal. Ele pode determinar a direção em que está indo, há quanto tempo esteve ali, qual seu peso, se é macho ou fêmea e assim por diante.

A Igreja, hoje, gasta incontáveis horas e muita energia debatendo sobre onde Deus esteve, quão poderosamente Ele agiu quando estava lá e a natureza de Sua operação. Para os verdadeiros caçadores de Deus todas estas coisas são irrelevantes. Eles querem percorrer a trilha da verdade até chegarem ao ponto da revelação, o ponto onde Deus está.

Um caçador de Deus pode ser estimulado por algumas verdades e ficar emocionado em determinar o peso da glória que passou por aquele caminho, ou há quanto tempo foi. Mas é, justamente, este o problema: há quanto tempo foi? Um verdadeiro caçador de Deus não se satisfaz com a verdade passada, ele anseia pela verdade presente. O caçador de Deus não quer apenas estudar o que Deus fez, porém está ansioso para ver o que Deus está fazendo.

Existe uma grande diferença entre a verdade presente e a passada (Veja 2 Pedro 1:12). Temo que muito do que a Igreja tenha estudado seja a verdade passada, e muito pouco do que sabemos seja a verdade presente.

Se você quer reconhecer um verdadeiro caçador de Deus, imagine um cão de caça prestes a encontrar o que procura. Deixe que o caçador de Deus sinta o cheiro da proximidade de Deus e veja o que acontece. Como a Bíblia diz, o cheiro das águas faz com que muitas coisas aconteçam (Veja Jó 14:9). Como cães de caça em uma trilha, os caçadores de Deus ficarão ainda mais agitados quando alcançarem sua presa. E, neste caso, a presa é a presença do Pai.

Tudo que posso dizer é que sou um caçador de Deus. E também o são todos aqueles que têm experimentado encontros com Deus. Por que você não vem se juntar àqueles que buscam a Deus? O que queremos é somente estar com Ele.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O MEDO DO TÉDIO

A impaciência é uma característica da atualidade comprovada em uma pesquisa que revela que estamos perdendo a capacidade de nos entretermos com os próprios pensamentos

O medo do tpedio

Durante toda a minha infância, as férias começavam e terminavam com uma viagem de dez horas. No trajeto até a casa da minha avó, geralmente feito de carro (de ônibus demorava ainda mais), eu me ocupava com os próprios pensamentos, ilustrados pela monótona paisagem que via da janela do banco de trás. Era só o começo de um longo período longe de amigos e de estudos, em que o tempo era lento e permitia o exercício da contemplação, da leitura e de infindáveis conversas interiores. Ficar sem ter o que fazer nunca era um problema.

Hoje nem consideramos fazer uma viagem com crianças sem levar um tablet ou outro eletrônico que as mantenham entretidas por um tempo razoável. Se a viagem for longa, nos precavemos da inquietação dos filhos fazendo download de seus filmes e jogos preferidos – de preferência vários, para não correrem o risco de enjoarem dos recursos. Ganhamos tantas formas de combater e de proteger os filhos contra o tédio que ele se tornou um desconhecido, temido e evitado a qualquer custo.

Desconfiados de que estamos perdendo a capacidade de nos entretermos com os próprios pensamentos, pesquisadores da Universidade de Virgínia fizeram uma série de onze experimentos em que participantes precisavam ficar entre seis e quinze minutos sem acesso a nenhuma distração. Em todos eles, a maioria das pessoas relatou uma dificuldade grande em cumprir a tarefa. Nos experimentos feitos em casa, 32% admitiram ter trapaceado e consultado o telefone ou outro aparelho no período em que deveriam estar sem distrações.

Um dos estudos da série revelou um resultado ainda mais surpreendente e desconcertante. Nele, foi dada aos participantes a opção de apertar um botão enquanto estivessem sozinhos. O resultado desse ato seria um dolorido eletrochoque, que todos precisaram experimentar antes de vivenciar os minutos de tédio. Para surpresa dos pesquisadores, mesmo entre aqueles que, antes do experimento, disseram que pagariam para não sentir novamente o choque, um quarto das mulheres e dois terços dos homens acabaram apertando o botão – alguns inúmeras vezes – para escapar da opção aparentemente mais insuportável de não ter nada para fazer.

O estudo é um exemplo extremo de uma dificuldade que, ao que tudo indica, está se acentuando. O fator que imediatamente associamos a isso é a tecnologia e suas constantes notificações, que nos colocam em alerta e nos oferecem pequenas e contínuas gratificações. Não há dúvida de que os smartphones contribuem para tornar o tédio mais dolorido que um eletrochoque. Mas não são os causa- dores dessa ânsia por estímulos – apenas alimentam esse traço da natureza humana, privando adultos e crianças do exercício muitas vezes desconfortável da introspecção.

O distanciamento das pessoas dos momentos que exigem reflexão e controle sobre os próprios pensamentos e das atividades que demandam um tempo prolongado de atenção concentrada é um fenômeno inegável. Estudos indicam que o tempo de atenção dedicado a informações disponíveis na rede está caindo: entre 2000 e 2015 passou de 12 segundos

para 8.25 segundos, de acordo com Statistics Brain. Atualmente, apenas 4% das visualizações em páginas da internet duram mais de 10 minutos – o tempo razoável para que um texto que se aprofunde um pouco em um determinado assunto seja lido até o fim. Essa impaciência provoca inevitáveis prejuízos na aprendizagem e na produtividade: o mesmo levantamento mostra que, enquanto trabalham em seus escritórios, profissionais checam seus e-mails nada menos que 30 vezes por hora, em média.

Hoje, segundo o neurocientista Daniel Levitin, autor de A Mente Organizada (Editora Objetiva, 2016), absorvemos por dia uma quantidade cinco vezes maior de informações que há trinta anos. Sem a capacidade de selecionar os fatos de acordo com sua relevância e aplicabilidade, de analisá-los, refletir e fazer associações pertinentes, eles se mantêm no campo raso das ideias que não se transformam em conhecimento e que logo são apagadas. Para que tenham destino mais nobre e ajudem a construir sabedoria, as informações necessitam de recursos que a busca frenética por novidades e estímulos está tornando escassos: tempo e atenção.

Sem a prática desconfortável e muitas vezes entediante da reflexão, até mesmo um bom livro pode resultar em um ensinamento superficial e impermanente. Estar sozinho e desligar os aparelhos, meditar, contemplar a natureza ou ficar sem fazer nada são formas de exercitar o domínio sobre os próprios pensamentos e atenção. Mais que preparar a mente para o sucesso na aprendizagem, na realização de tarefas que demandam tempo maior de concentração e na compreensão dos eventos externos, essas práticas nos colocam em contato com o mundo interior. A introspecção pode despertar a dor da melancolia e nos colocar frente a frente com nossas fraquezas e inseguranças, mas sem ela jamais alcançaremos o autoconhecimento – caminho único para a realização pessoal e para o sucesso em qualquer relacionamento.

 

MICHELE MÜLLER – é jornalista, pesquisadora, especialista em Neurociências, Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no site www.michelemuller.com.br

OUTROS OLHARES

O MUNDO DAS MARIAS CHUTEIRAS

Figuras folclóricas do imaginário brasileiro, as mulheres que se interessam e se relacionam majoritariamente com jogadores de futebol remetem a histórias curiosas e que podem até inspirar reflexões

O mundo das marias chuteiras

Conquistar um grande craque é o sonho de muitas jovens que vivem atrás dos jogadores de futebol. A sedução muitas vezes é pelo status e pelas regalias que um relacionamento desses pode proporcionar, além de uma fama passageira — mesmo que nas colunas de fofoca. Para os jogadores, cercar-se dessas mulheres que se vestem com roupas curtas e ousadas é um símbolo de prestígio e poder. Em português, o termo constantemente utilizado para se referir a elas é “maria chuteira”, mulheres, em geral jovens, que buscam a todo custo encontros furtivos ou as famosas “escapadas” com os boleiros. Normalmente, saltam de um jogador para outro e não perdem a oportunidade de aparecer aos holofotes com declarações polêmicas ou situações constrangedoras. Todas, sem exceção, querem alcançar a fama às custas de namoricos com celebridades da bola.

A modelo Dani Sperle não esconde que já correu atrás de jogadores de futebol — ela não tem problemas em admitir que já ficou com Adriano ex-Flamengo e Neymar — mas acha que a nomeação de maria chuteira é excessivamente genérica. Ela argumenta que existem também as que se relacionam com músicos ou empresários de sucesso, e que nem por isso possuem um termo específico para designá-las. “Não ligo para profissão, pode ser jogador, empresário ou mecânico. O importante é me identificar com a pessoa”, jura ela.

Existem outras que admitem abertamente que procuram jogadores — inclusive os mais badalados. Andressa Urach já foi uma delas, a ex-concorrente à “Miss Bumbum” foi procurada pelo astro Cristiano Ronaldo, em 2013 quando ele jogava no Real Madrid. O jogador viu algumas fotos dela, e se interessou. Ela viajou para lá com tudo pago, mas a relação foi longe de uma boa experiência, como conta em seu livro “Morri para viver”, publicado em 2015. O encontro entre os dois durou menos de uma hora, no hotel em que o craque estava hospedado. Ela chegou a pedir uma foto com ele após o encontro, mas foi esnobada e ficou trancada no quarto de hotel enquanto esperava por ele. Cristiano era casado com a modelo russa Irina Shayk na época, o que causou um belo rebuliço quando Andressa revelou o encontro para a mídia internacional — que até hoje ele nega que tenha acontecido.

A psicóloga L.Y, que trabalha no meio esportivo há mais de dez anos, conta que os jogadores que saem com muitas “parceiras” podem ter que lidar com um pouco mais de estresse emocional — por causa da repercussão de eventuais namoros midiáticos. “Quando meus atletas falam que estão namorando, eu sempre dou a dica de conhecer melhor a menina, se gosta de verdade e se é alguém que vai te apoiar quando a fase dentro de campo não for boa. É como qualquer pessoa”. Entre as atribuições de uma profissional de psicologia no futebol, está trabalhar a cabeça de um jovem que vai de um salário mínimo para vencimentos na casa dos milhares de dólares quase instantaneamente. “Já tive caso de jogador que vai de um salário de R$ 800 para R$ 25 mil em menos de um mês, qualquer um que não for orientado se perde”, avalia. Esse conceito também vale para as aspirantes a namoradas desses atletas, visto que de uma hora para outra se pode usufruir de um estilo de vida que seria muito mais difícil conseguir por meios de trabalhos convencionais.

O termo maria chuteira carrega consigo alguns julgamentos pré-determinados, como se uma mulher só se interessasse por causa da fama e fortuna que um relacionamento bem sucedido com um jogador de futebol pode proporcionar. Atletas desse esporte muitas vezes vêm de contextos socioeconômicos precários, o que deprecia esses esportistas — “como alguém poderia se apaixonar por um pobretão desses?” — além de transformar as mulheres em meros adornos dos jogadores.

Apesar disso, as boleiras existem e podem ser encontradas em bares e boates frequentados pelos jogadores. Elas mapeiam estrategicamente os points da moda dos atletas e saem literalmente à caça, em busca de minutos de fama e dinheiro. Ao lado de um craque famoso, encontram o caminho mais curto para ensaios sensuais e promoção de carreiras de modelo.

Não se trata de um fenômeno nacional. As marias chuteiras rompem fronteiras. Quando era atleta, o ex-jogador da seleção brasileira Vampeta confidenciou ter levado seis mulheres para a Europa quando jogava na França. Todas bancadas integralmente por ele. “Vou ser sincero. Já levei mulheres para Paris, Milão e Holanda”, disse. Claro que não foram movidas por amor nem por paixão. Os objetivos eram bem pragmáticos: dinheiro, mordomia e fama. Muitos jogadores entram nesse jogo sabendo bem qual partida estão jogando. “É normal atletas que jogam na Europa levarem meninas do Brasil para lá. Anormal é sair um escândalo de estupro”, afirmou o baiano Vampeta

SINAL DE SUCESSO

“Não basta ter um sucesso esportivo, tem que acumular mulheres como sinal de sucesso” avalia Gustavo Andrada, pesquisador do Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ele conduz pesquisas relacionadas ao esporte “Elas são usadas para medir o talento de um jogador. São como um troféu”, afirma.

Para as mulheres que, ao fim e ao cabo, acabam casando com jogadores de futebol, chamadas de wags, uma mistura de wifes e girlfriends, expressão em inglês para designar quem namora e sobe ao altar com os craques, “maria chuteira” não passa de um rótulo que rebaixa a imagem da mulher e acaba sendo explorado quase sempre por uma ótica machista. Para Gustavo Andrada, o aumento da participação feminina no futebol pode ser um antídoto. Jogando, elas deixam de ser personagens dos bastidores do futebol e passam a ser protagonistas no esporte. A Copa do Mundo Feminina da França, que terá ampla cobertura de canais de TV aberta no mês de junho e julho, vai ajudar nessa transição. “A divulgação maior da Copa feminina, tende a trazer algum questionamento. Não sei se muita coisa, mas alguma coisinha certamente fará”, projeta.

O mundo das marias chuteiras. 2

O CASO ELIZA SAMUDIO

Quando se fala em maria chuteira, é comum lembrar do trágico caso entre o goleiro Bruno (ex-Flamengo) e a modelo Eliza Samudio. Motivado por uma gravidez indesejada, o goleiro ordenou o sequestro dela e do filho em junho de 2010. A investigação concluiu que Eliza foi morta por estrangulamento no sítio do jogador em Ribeirão das Neves. Seu corpo foi esquartejado e nunca encontrado pelos policiais. Bruno foi condenado por júri popular a 22 anos e sete meses de prisão por homicídio, ocultação, sequestro e cárcere privado. Em 2017, o goleiro conseguiu uma liminar para um habeas corpus, assinou contrato com o Boa Esporte Clube, de Varginha e chegou a disputar cinco partidas com o clube. Um mês depois, Bruno teve o direito à liberdade revogado e voltou à cadeia. Em 2019, ele estava exercendo trabalho em regime fechado numa associação de assistência aos condenados em Varginha, e tentaria progressão para o semiaberto, mas foi flagrado com duas mulheres em um bar durante o horário em que deveria estar trabalhando. Assim, ele só poderá pedir a progressão de pena em 2023

GESTÃO E CARREIRA

SUPERMERCADO SEM SAIR DO SOFÁ

Supermercado sem sair do sofá

Como fazer compras nos supermercados é um martírio para uma grande parcela da população, os jovens empresários Bruna Vaz Negrão, de 25 anos, e Fábio Blanco, 26 estão conseguindo multiplicar seus negócios – e atrair investidores – como gente grande. No comando do site Shopper.com.br, que permite ao usuário recompor a despensa sem sair do sofá, eles estão com tudo pronto para expandir as entregas para novas praças, como Campinas (SP) e ABC Paulista. Atualmente, a plataforma atende cerca de 500 bairros da cidade de São Paulo, com preços de 10% e 15%, em média, mais baratos do que os praticados pelas grandes redes supermercadistas, segundo eles. “O problema não está apenas no valor dos produtos, mas na prática comum do varejo de remarcar preços de 200 a 300 itens diariamente, o que torna mais difícil a vida do cliente que busca promoções”, afirma Blanco. Recentemente, a empresa recebeu um aporte de R$ 4.5 milhões de dois grandes fundos. “Estamos negociando diretamente com a indústria para oferecer ainda mais promoções e vantagens para os clientes”, diz Bruna. Apenas para lembrar, a inspiração do casal para criar a Shopper veio de Jorge Paulo Lemann, enquanto eles ainda eram estudantes do lnsper. Em uma reunião com potenciais empreendedores, o bilionário brasileiro sugeriu que todos analisassem com atenção as estratégias das grandes companhias do Vale do Silício. Foi aí que, replicando o modelo de negócio da Amazon, nasceu a empresa.

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 52 – O SEGREDO DA UNIÃO COM DEUS

 

Há um profundo clamor, no âmago do coração de todo homem, por uma conexão com Deus. Fomos criados para permanecermos em Cristo! É esse clamor por intimidade com Deus que fez com que você lesse este livro. É o mesmo clamor por uma conexão com Deus que encheu o coração da mulher samaritana em João 4, embora ela nem mesmo soubesse como expressar seus anseios. Ela procurou amor nos lugares errados, mas o Mestre viu seu coração e sabia como atraí-lo.

Quando Jesus falou com essa mulher junto ao poço de Jacó e ela percebeu que Jesus era um profeta, imediatamente fez sua primeira pergunta: “Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar” João 4.20). Sua pergunta foi: “Qual é a forma certa de se conectar a Deus – aqui neste monte ou em Jerusalém?”.

Acima de tudo isso, o anseio do coração dela era de ter uma conexão significativa com o coração de Deus. A pergunta sobre o “local” era feita com tanta frequência naquele tempo que ela acabou perdendo a esperança de algum dia se conectar a Deus e sucumbiu a um estilo de vida de flagrante pecado. Mas, apesar de seu estilo de vida pecaminoso e a sensação de impotência de algum dia encontrá-lo, seu coração ainda doía de desejo de se conectar a Deus!

A resposta de Jesus deve tê-la surpreendido. Ela aprendeu que mesmo que estivesse buscando se conectar a Deus, Ele estava, de forma ainda mais ativa, interessado em buscar aqueles que desejavam se conectar a Ele em Espírito e em verdade João 4.23). Jesus a procurou para lhe revelar que o Pai desejava encontrar adoradores como ela!

Deus tem se mostrado muito diferente do que nós pensamos. Ele anseia por nós, em ser um conosco, em ter um mesmo pulsar de coração conosco. Os antigos tinham um termo para descrever essas dimensões superiores de intimidade espiritual, que chamavam de “união com Deus”. Essa é a conexão com Deus pela qual o coração do homem anseia.

Jesus veio para nos tornar um com Deus João 17.21-23). É na união com Deus que encontramos a maior satisfação e, também, a mais gloriosa motivação para explorarmos as profundezas do seu coração ardente.

Deus soprou na alma humana um profundo desejo de união com Ele. Então, nos equipou com o vocabulário para conversar sobre isso quando nos deu o modelo do casamento. Ele disse: “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Genesis 2.4). A união do casamento ocorreu para servir de exemplo e nos dar um modelo mental para compreendermos a união espiritual.

Agora, por que um homem e uma mulher jovens decidem se casar?

É por puro romance? Bem, um casal pode ter um romance enquanto namora sem precisar se casar. Eles podem ter amor, intimidade, amizade, companheirismo, comunicação, comunhão – todas essas coisas – e ainda não se casar. Mas estou me referindo ao namoro em sua pureza e inocência. Então por que se casar? Porque embora as pessoas possam usufruir de todos os benefícios mencionados acima concernentes ao namoro puro e íntegro, sem ter necessidade se casarem, há uma coisa que elas não têm. Os casais se casam, essencialmente, para se unirem.

Deus nos deu um grande desejo de união – com o nosso cônjuge e ainda mais com Ele. Sabemos que um dia virá em que todos nos uniremos a Cristo na ceia do casamento do Cordeiro, mas as Escrituras mostram claramente que há dimensões de união com Cristo que estão disponíveis para nós aqui e agora. A plenitude virá depois, mas o que está disponível para nós agora merece nossa busca diligente.

Há um versículo, acima de todos os outros, que me levou a buscar a união com Deus. Ele é tão pouco mencionado e destacado que já o tinha lido várias vezes sem perceber seu real valor. Mas um dia o versículo cresceu para mim em grande proporção: “Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com Ele” (1Coríntios 6.17). Segundo o contexto, Paulo está falando da união que acontece através do relacionamento sexual. Sua conclusão é que a união sexual está, de alguma forma, apontando para um tipo de união espiritual que temos com Cristo e que ultrapassa em muito o plano físico/sexual.

Veja o que me chamou a atenção nesse versículo. Ele diz que o Senhor e eu somos um espírito. Quando imaginava uma comunhão espiritual com o Senhor, sempre imaginava dois espíritos separados, como se o espírito dele e o meu estivessem “se beijando”. Mas essa passagem revela que quando estamos unidos a Cristo, deixamos de ser dois espíritos e nos tornamos um. Um espírito com Deus! A ideia é tão fantástica que chega a parecer ilógica ou absurda. Quando me entrego a Cristo, nós dois nos tornamos um.

Cristo em mim, a esperança da glória! Os mais altos céus e a terra não podem conter Deus (Atos 7.49-50), mas de alguma forma Deus criou a alma humana com a capacidade de ser sua habitação. Há algo dentro de nós que é mais capaz de conter Deus do que o Universo. Essa é a forma maravilhosa que Deus nos fez. Posso “ser cheio de toda a plenitude de Deus” (Efésios 3.19), com a plenitude “daquele que enche todas as coisas, em toda e qualquer circunstância” (Efésios 1.23). Os mais altos céus não podem conter Deus, mas o espírito humano pode. Nossa!

Deixe-me ilustrar isso com uma pergunta. Se colocássemos um copo de água pura no oceano, você diria que o oceano está diluído? Não, você diria que o copo de água pura foi totalmente absorvido e perdido na vastidão do oceano. Isso é o que acontece na união com Cristo. Quando me uno a Ele, perco minha identidade no oceano de sua grandeza, e então posso dizer: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Galatas 2.20). Sou um com Ele e minha identidade foi gloriosamente perdida na imensidão de sua majestade e esplendor.

Não estou querendo dizer que nos tornamos Deus. Longe disso. Seremos eternamente os seres criados e Deus será eternamente o Criador. O abismo entre Criador e criatura permanecerá para sempre. Contudo, de alguma forma gloriosa, a criatura se torna um espírito com o Criador, e eles passam a ser unidos com afeições eternas de amor e devoção.

Se este pensamento lhe parece espantoso, saiba que os anjos ficam completamente perplexos com isso. Desde a eternidade passada, existe uma fornalha ardente de amor que foi limitada a três: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Eles têm desfrutado de uma afeição de proporções astronômicas que é tão ardente em sua intensidade e escopo que nenhuma outra criatura ousaria entrar nessa fornalha.

Oh, o amor que atrai o Pai ao coração do Filho e o Espírito Santo ao coração do Pai, e o Filho ao coração do Espírito Santo! E, agora, à medida que os anjos contemplam esse fogo ardente, eles veem a forma de uma quarta criatura andando em meio ao fogo. E essa quarta criatura tem a aparência da noiva de Cristo! A raça humana caída foi elevada à unidade com a Divindade! As ramificações estão além da compreensão até mesmo dos seres mais brilhantes que contemplam diante do trono de Deus.

Somos um espírito com Deus! E tudo o que é necessário é que nos “unamos a Cristo”. Mas o que significa estarmos unidos a Cristo?

A palavra do Antigo Testamento para “unido” tem uma variedade de nuanças em seu significado. Um sentido fascinante da palavra é encontrado em Salmos 63.8: “A minha alma apega-se a ti; a tua mão direita me sustém”. Portanto, a ideia da palavra literalmente é “buscar com a intenção de pegá-lo”. Davi está dizendo: “Senhor, estou buscando-o muito de perto e estou determinado a pegá-lo. E quando eu fizer isso, o agarrarei e nunca o deixarei ir! Ficaremos unidos para sempre!”.

Então, para se unir a Cristo é necessário buscá-lo com intensidade e com a intenção de agarrá-lo. Essa é a busca santa para a qual fomos convidados e é a magnífica obsessão do lugar santo.

Quando penso em estar unido a Cristo e como eu poderia ilustrar esta verdade para você, me remeto ao exemplo de Maria Madalena. Ela representa a noiva de Cristo dos últimos dias que está buscando-o com o desejo de unir-se a Ele. Jesus tinha expulsado sete demônios dela, e porque ela foi perdoada, muito foi amada.

Esse amor ficou evidenciado pela forma como ela chorou na tumba de Jesus e foi a primeira a buscá-lo na manhã da ressurreição. Maria dedicou-se à busca santa, então, quando Jesus se revelou a ela, instantaneamente abraçou os seus pés. Seu coração ansiava por essa união com Deus.

Como Maria, a noiva de Cristo permanece hoje, nos últimos dias, ansiando pela aparição do seu Senhor. “Pai celestial, para onde você o levou? Traga-o para mim e partirei com Ele, pois anseio estar com Ele”. E, da mesma forma que Maria na tumba, estamos procurando, chorando, ansiando, observando. Certamente Ele está voltando para se revelar primeiramente a sua noiva que anseia tanto por Ele! E quando vier pela segunda vez, teremos encontrado Aquele por quem nossa alma anela. Nossa busca estará terminada, pois pegaremos nosso Amado, o agarraremos e nunca mais o deixaremos ir.

Naquele momento, Ele “transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso” (Filipenses 3.21). Essa noiva e esse noivo celestes andarão no corredor da glória juntos e se unirão no matrimônio santo que será celebrado pelo Pai das luzes. Nada jamais nos separará novamente. Não haverá mais choro, nem dor, nem lágrima. O desejo das nações será realizado. E, dessa forma, estaremos para sempre com o Senhor!

Mas até esse dia chegar, me retirarei para o lugar secreto, como a noiva com o coração doente e apaixonada que anseia contemplar o noivo. Eu o buscarei com a intenção de pegá-lo. E exultarei em nosso secreto silêncio – o lugar do mais alto grau de intimidade – pois aqui estou unido a Ele e somos um espírito.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PRECONCEITO GERA SOFRIMENTO PSÍQUICO

Apesar de ser considerada crime, a manifestação de discriminação, seja geográfica, religiosa, de etnia, aparência ou orientação sexual, ainda é frequente e pode provocar danos graves à saúde

Preconceito gera sofrimento psiquico

Você já imaginou a seguinte cena: uma criança ser chamada de feia, gorda, baixa, magrela, idiota, burra, colorida, chocolate, ferrugem ou gigante? Será que alguém gosta quando recebe uma crítica ferrenha? Certamente que não. E com um adulto é diferente? Também não.

O preconceito é algo danoso à vida humana. Inclusive tido como ato ilegal, um crime. É preciso mudar isso rápido, pois essa situação está tornando o ser humano segregado e infeliz a cada dia que passa.

Em princípio todo ser humano é bom. Não importam cor, aparência, intelecto, religião ou país de origem. E onde fica o amor? Pois é exatamente o amor que nutre a natureza das pessoas. O amor pode curar tudo. A empatia é mãe das emoções positivas. Colocar-se no lugar do outro, sentir o que ele sente é fundamental. Até mesmo no trânsito é possível observar isso. Quem já não deu uma fechada em alguém ou fez alguma “barbeiragem”? Via de regra, se alguém faz isso, já é rotulado de ignorante, ou então surge a indagação: “não vê por onde anda”? Será que não foi só um momento de vacilo, um descuido, um cansaço? E saímos ofendendo um ser humano bom.

Todo mundo nasce amoroso e tem em seus princípios naturais a tendência a se relacionar, fazer amizades e cuidar do outro com carinho, como deseja ser cuidado. Mas o que está acontecendo nesse mundo? Preconceito, disputas, rivalidades, mau humor, brigas, guerras. Por quê?

Porque parece que todo mundo quer o “seu mundo” como prioridade. Escolhe sua religião como a melhor, seu partido político como o melhor, sua cor, seu negócio etc. O ser humano necessita de mais amor e mais alegria. A vida é reabastecida por essa energia maravilhosa. Gentilezas e generosidade podem refazer a energia das pessoas.

O Butão, um país tão pequenino lá no Oriente, preza pelo nível de felicidade interna de sua população, o FIB – Felicidade Interna Bruta. Não pelo Produto Interno Bruto (PIB), como nos outros países, para ver seu desenvolvimento.

A vida de hoje coloca as pessoas numa corrida desenfreada pelo consumo. Todos querem ter algo mais e melhor. Por isso, trabalham mais horas e se dedicam a TER. Deveriam se dedicar mais a SER, como no Butão. A vida seria mais prazerosa e educaríamos as crianças do futuro com mais amor.

Será que ninguém vê que se estão criando crianças para um mal maior, cada vez mais com preconceitos, diferenças, agressividade, falta de amor e guerras? As crianças que se desenvolvem num meio amoroso e que recebem elogios verdadeiros de seus pais e educadores são mais fortes e resilientes às dificuldades do futuro.

A autoestima se baseia no amor próprio. Num primeiro momento ela vem de fora. Vem dos pais que abençoam com seu amor e carinho, que dizem que amam seu filho, que o tratam bem. A criança deve crescer recebendo elogios em suas habilidades, em suas conquistas. Desde a mais básica, como conseguir balbuciar as primeiras palavras, bater palmas, entender o significado das coisas. Isso ainda em seu primeiro ano de vida.

E segue assim. Recebendo elogio porque andou sozinha, comeu com as próprias mãos, tomou banho sozinha, deu o laço no sapato, andou de bicicleta com rodinha, sem rodinha, aprendeu a escrever seu nome etc. Uma criança que recebe elogios e carinho se abastece de autoestima primária. Enxerga a si mesma através do amor e cuidados dos pais. Ela se vê como especial e quer mais elogios. Pois como se abastece dos mesmos, os elogios se tornam o alimento que faz a autoestima crescer.

 AMOR

Quem quiser que seu filho tenha uma vida com mais condições de lutar pelas oportunidades, em meio aos obstáculos, deve cuidar bem dele. Dar amor! O cuidado básico e o elogio verdadeiro criam na criança uma autoconfiança. Ela se vê uma pessoa bacana. Para isso bastam atitudes simples: colocar no colo, falar “eu te amo” sempre, fazer carinho, elogiar as pequenas habilidades conquistadas, mostrar os talentos natos que a criança pequena tenha. O caminho das pedras se baseia no amor e no apreciar.

Uma criança que foi elogiada quando pequena enfrenta muito melhor qualquer adversidade. Ela é mais segura. Ela sabe que pode dar conta das coisas. Em contrapartida, o contrário é significativo. No mundo de hoje, com tantas dificuldades, pais que não têm tempo de cuidar bem de seus filhos, que sofrem de ansiedade, depressão ou coisa pior como poderão abastecer seus pequenos de amor?

Uma mãe deprimida não elogia, não investe em seu filho. Pais muito atarefados podem chegar em casa exaustos e não elogiarem ou até mesmo brigarem com seus filhos pequenos.

Muitas dessas crianças estão expostas a serem cuidadas de forma negligente por pessoas desalmadas, que podem começar a tratá-las mal desde cedo. Ofender, desaprovar e até espancar. Assim, vemos crianças que já crescem ser ter autoestima. Sem estímulo amoroso, sem confiança e na condição sub-humana da falta de cuidados. E, muitas vezes, passam fome, frio, medo, raiva e estão caladas por não encontrarem um meio de se livrarem desse que é, no momento, “o seu protetor”.

Essas crianças ainda não têm defesa, não sabem se libertar dos males que sofrem pelos seus próprios cuidadores. Acabam aprendendo que quem cuida é do mal. E evitam contato, amor e relacionamentos. Aprenderam que cuidador faz mal. Agora, imaginem que essa criança despreparada e sem amor-próprio segue para a escola e é exposta ao preconceito malvado das outras crianças, ou dos professores, de alguém na rua. Como ela vai se defender? O preconceito vira um grande sofrimento psíquico!

Se a vida começa assim, como ficará essa pessoa no futuro? Ela se tornará um agressor, imitando os que um dia a agrediram ou tiveram preconceito, segregando pessoas, formando facções, tomando raiva radical de grupos contrários. Ou se tornará um sofredor, talvez até mesmo sofrer de algum mal psíquico maior, como a depressão ou transtorno de personalidade dissociativo, sofrido por aqueles que foram abusados, agredidos quando pequenos.

É possível observar isso com frequência entre as crianças pobres e abandonadas. Elas se tornam pequenos infratores, vendem drogas, assaltam e não sentem que estão fazendo mal a ninguém. No entanto, acham que estão fazendo justiça contra uma sociedade malvada. Outros se tornarão radicais de grupos extremistas, segregarão pessoas de grupos contrários. Participarão de grupos de opinião muito extremistas, porque aprenderam a ser preconceituosos.

Preconceito gera sofrimento psiquico. 2

DESTRUIÇÃO

As coisas só pioram com a evolução da humanidade. Contudo, sabe-se que essa parte preconceituosa vem desde que o homem existe. Mas, infelizmente, será ela a destruir a espécie humana em breve (daqui a alguns milhares de anos ou agora?!).

Se em contrapartida o amor constrói, o mal destrói. Ter preconceito ajuda muito a aumentar o sofrimento psíquico e o mal-estar da humanidade. Devemos cuidar dos nossos e espalhar a luz do amor. A nova onda é seguir aqueles que ajudam, libertam, trazem paz e amor. Dalai Lama uma vez disse: “Basta uma vela acesa para acender mil outras velas”. Que tal entendermos que o mundo precisa de mais amor e tolerância? Praticar o bem sem saber a quem, isso sim traz muita paz e alegria. Se cada um parasse e refletisse sobre o seu próprio preconceito? O que você discrimina? Quem você trata diferente e mal?

Como você poderia fazer diferente? Aplicando a empatia! Colocando-se no lugar do outro, vendo com outros olhos, estendendo a mão àquele que precisa, sem distinguir preconceitos, apenas lembrando que ele é um ser humano também. Simples, faça o bem!

O sofrimento das pessoas que são perseguidas vem do tempo bíblico, com os judeus perseguidos e fugidos da escravidão do Egito, buscando sua Terra Prometida. Ou em séculos atrás, os negros africanos que foram escravizados por sua cor. E, hoje, os gordos, os homossexuais…

Mas todo mundo é gente! Tem sentimentos e dor. E por que discriminamos tanto? Será uma forma de auto- afirmação de que “sou melhor do que você?” Que pena! Ninguém é melhor do que ninguém, ninguém é pior do que ninguém, nem tampouco ninguém é igual a ninguém. Cada um é único, fagulha divina, filho de Deus, ser iluminado. Mas único e diferente do outro. Somos todos diferentes, mas iguais. Somos seres humanos!

Como se pode ajudar a quem sofre preconceitos? Ensinando as qualidades que essa pessoa tem. Mostrando que cada um tem um dom, talento especial, que pode usar esse dom e levar ao mundo coisas boas. Todo mundo pode seguir sua vida com um propósito maior. Traz sentido à vida, faz o coração saltar de alegria. Muda a energia e faz vibrar.

De certa forma, essa maneira de agir, seguir seus propósitos dando sentido à vida pessoal, com prazer e seguindo seus talentos, torna a pessoa muito mais feliz. A alegria de estar alinhado com algo que o indivíduo pode espalhar ao mundo ilumina o caminho e traz de volta aquela autoestima que um dia foi apagada da vida. Mesmo que nunca tenha existido, à medida que a pessoa consegue realizar tarefas que fazem dar sentido à vida, e o faz com prazer, todos serão mais felizes.

Preconceito gera sofrimento psiquico. 3

NEUROCIÊNCIA

E para finalizar, é importante acrescentar que a Neurociência vem estudando que somos os únicos seres na face da Terra capazes de mudar nossa biologia celular pelo que sentimos e pensamos. As células estão constantemente sendo modificadas pelos sentimentos. Já é sabido que uma grave crise depressiva pode arrasar o sistema imunológico. Apaixonar-se, ao contrário, pode trazer mais energia e fortificar as defesas. A alegria e a realização nos mantêm saudáveis e mais longevos.

Para se ter uma ideia, apenas um minuto de raiva ativa o cortisol e baixa o sistema imunológico, e se levam, em média, até seis horas para reequilibrar. Os hormônios do estresse são altamente destruidores e podem acusar, além do mal psíquico, danos irreversíveis ao corpo, como doenças graves e malignas.

O ciclo do sono é interrompido, dorme-se menos e isso será prejudicial à saúde mental e física. Uma pessoa pode deprimir, ter pânico e outras doenças mais pelo estresse. Portanto, é possível imaginar o quanto sofrem aqueles que passam por preconceito diariamente? Qual é a tendência deles de adoecerem?

Para se conseguir uma vida melhor no planeta, é preciso melhorar o amor e a empatia. Que todos possam ter uma vida plena, que o preconceito seja mesmo combatido e que se possa viver com amor e alegria. E Shakespeare, uma vez, disse: “Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos”. Por isso, seja mais um a fazer a diferença certa. Quer saber como você estará amanhã? Veja como se sente hoje. O mesmo se aplica ao que fará ao outro. Cuide bem do próximo como a ti mesmo.

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O SEGREDO DA RESSUSCITAÇÃO

A reversão da morte é um dos grandes desafios da medicina, mas a prática recente mostra que a melhor forma de salvar uma vítima de parada cardíaca é com medidas simples e rápidas

O segredo da ressuscitação

Desde tempos imemoriais são feitas tentativas de reverter a morte. Tentar salvar o próximo é um impulso universal e altruísta do ser humano. Na Bíblia, há uma passagem que narra os esforços do profeta Eliseu para ressuscitar o filho de sua mulher, Sunamita, usando respiração boca a boca. O médico e alquimista Paracelso foi pioneiro, no século 16, na utilização de foles de lareira para introduzir ar nos pulmões de pessoas aparentemente mortas com o objetivo de trazê-las à vida. Hoje em dia, a fórmula de reversão da morte passa por técnicas de compressão pulmonar e por um aparelho chamado desfibrilador externo automático (AED). Se no passado a morte súbita era reconhecida em casos de afogamento, asfixia ou trauma, no mundo contemporâneo sua principal causa é uma parada cardíaca fulminante. “O mais importante na ressuscitação é fazer os procedimentos com simplicidade e prontidão”, diz o cardiologista Sérgio Timerman, diretor do Laboratório de Treinamento e Simulação em Emergências Cardiovasculares do Instituto do Coração (Incor). “É imprescindível dar diagnóstico e atendimento rápidos”.

Hoje, os males que mais provocam paradas cardiorrespiratórias são doenças cardiovasculares, coronarianas, cerebrovasculares e a embolia pulmonar. Diagnosticar a causa da parada aumenta as possibilidades de ressuscitação. Depois que o coração para, as chances da pessoa morrer aumentam 10% a cada minuto que passa. A partir do terceiro minuto, a probabilidade de ficar com alguma sequela é muito grande. “Tempo é vida”, diz Timerman. “Quanto mais a gente complica para fazer a ressuscitação, pior é”. Antigamente, por exemplo, media-se o pulso e agora não se faz mais isso num primeiro atendimento de emergência. Só se buscam dois sinais simples: se a vítima está respirando e se está consciente. Medir o pulso não é função de quem não é médico e a respiração boca a boca tampouco deve ser aplicada por leigos. O importante é reconhecer a parada e iniciar as compressões até que chegue o socorro. “A gente vê pessoas que resistem a uma parada cardíaca por 30, 40 minutos, quando bem atendidas, e ainda conseguem voltar à vida. Mas isso é incomum”, afirma.

CHOQUE ELÉTRICO

Os desfibriladores emitem um choque elétrico que reativa o coração. Embora sejam indispensáveis, eles não são eficientes em todos os casos. Há três situações que levam a um acidente cardiovascular. A mais comum, que representa 60% dos casos, é a fibrilação ventricular, quando o coração passa a bater de maneira caótica e deixa de funcionar como uma bomba. Nesse caso, para reverter o ritmo desordenado, a única maneira é usar um desfibrilador. Outras situações são a assistolia, em que o órgão para de bater e fica sem nenhuma contração, e a atividade elétrica sem pulso, que deixa o coração com os batimentos dissociados. Tanto na assistolia como na atividade elétrica sem pulso, o desfibrilador não tem eficácia. Daí a necessidade de um diagnóstico rápido antes do uso do equipamento.

Segundo Timerman as principais novidades nos processos de reversão da morte estão, na verdade, na pós-ressuscitação e nos procedimentos realizados no hospital. Depois que o paciente se salva, há recursos que devem ser usados para garantir a sobrevivência. O primeiro é a oxigenação por membrana extracorpórea, feita com um aparelho que promove a oxigenação continua do sangue do paciente. Outro tratamento é a hipotermia ou resfriamento da temperatura do corpo, cujo objetivo é preservar as células nervosas.

No Brasil, Timerman estima que haja 280 mil tentativas de ressuscitação por ano e os índices de reversão são baixos. Se um cidadão tiver uma parada cardíaca no meio da rua longe do ambiente hospitalar e sem qualquer apoio técnico, suas chances de sobreviver são de 1%. Mas se o acidente acontecer num hospital ou em um lugar com gente capacitada para lidar com emergências, como o metrô de São Paulo, por exemplo, essa probabilidade pode subir para 30% ou 40%. Em São Paulo existe uma lei desde 2005 que determina a obrigatoriedade de manutenção de um aparelho desfibrilador em locais que tenham concentração ou circulação média diária de pelo menos 1.500 pessoas, mas a adesão à lei deixa muito a desejar. De qualquer forma, o conhecimento sobre a ressuscitação está se disseminando e reverter uma morte que parece certa não é mais um milagre.

O segredo da ressuscitação. 2