OUTROS OLHARES

RECICLAR FAZ BEM. PARA A IMAGEM

Empresas de diversos setores investem em ações de marketing contra embalagens e produtos de plástico. A natureza agradece, mas o que elas ganham com isso?

Reciclar faz bem.Para a imagem

Lixo que vira recompensa. É assim que funciona uma nova campanha de marketing da marca de sabão Omo. Com uma parceria firmada em abril, o consumidor pode levar suas embalagens vazias de Omo — e de outros produtos da fabricante de bens de consumo Unilever — a um dos cinco pontos de coleta da startup de logística reversa Molécoola para juntar pontos e trocá-los por produtos de empresas parceiras. O objetivo da ação é divulgar a maior reformulação no portfólio de Omo nos últimos 24 anos, com produtos que contêm ingredientes biodegradáveis e embalagens mais compactas. As garrafas são 100% recicláveis e utilizam plástico reciclado na composição. “Ao estimular a devolução da embalagem, a ideia é estruturar a cadeia e elevar o percentual de plástico reciclado nas garrafas”, diz Eduardo Campanella, vice-presidente de marketing de cuidados com a casa da Unilever.

A redução do uso de plástico — ou o aumento de sua reciclagem — é uma demanda social que tem pressionado cada vez mais as empresas. Segundo um estudo exclusivo, realizado pela empresa de tecnologia MindMiners, especializada em pesquisa digital, 87% dos consumidores no Brasil recomendariam a amigos e familiares os produtos de empresas que reduziram o uso de plástico ou reciclam o material. A atividade é importante também para a decisão de compra de 70% dos respondentes. “As empresas que conseguirem captar quais são os valores dos consumidores e se aproximar deles estarão em vantagem no mercado”, diz Beto Almeida, presidente da consultoria de marketing Interbrand. É fácil entender por que cada vez mais empresas estão engrossando o movimento pelo uso mais comedido do plástico. Cerca de 300 milhões de toneladas do material são produzidas no mundo todo ano, 20 vezes o volume nos anos 60. E estima-se que pelo menos 8 milhões de toneladas acabem chegando aos oceanos — e 100.000 mamíferos marinhos e tartarugas são encontrados mortos por ano em consequência da ingestão de microplásticos. A previsão é que, se continuar assim, até 2050 haverá mais toneladas de lixo plástico no mar do que peixes.

Para conscientizar a população sobre o problema, a marca de cervejas mexicana Corona, pertencente à Ambev, e a ONG Parley for the Oceans construíram há dois meses, na praia carioca de Ipanema, um muro de 15 metros de comprimento por 2 metros de altura com o lixo acumulado durante três dias na área. “Um dia o lixo deixado na praia impedirá que você entre nela”, diz um cartaz afixado perto do muro. A Corona partiu de uma vantagem para fazer essa ação: não usa embalagem de plástico, só vidro. A Ambev diz que faz sentido promover a destinação adequada do plástico. “O propósito da Corona é incentivar as pessoas a curtir a vida na natureza e, nesse contexto, a situação do plástico é preocupante”, afirma Bruna Buás, diretora de marketing de marcas premium da Ambev.

Atualmente, a discussão mais forte tem girado em torno dos canudinhos de plástico. Em São Paulo, a Câmara de Vereadores aprovou no dia 17 de abril um projeto de lei que proíbe o fornecimento desse utensílio em bares e restaurantes. Segundo a pesquisa da MindMiners com consumidores, 43% não usam nenhum tipo de canudo e 24% usam de outro material que não seja plástico. A maioria dos entrevistados diz que deixou de usar o canudo nos últimos seis meses. Mas o canudinho é só parte do problema. Para Bruno Igel, diretor da recicladora de plástico Wise, o importante é saber o que pode ser substituído por materiais mais sustentáveis e dar uma destinação correta ao insumo. “O plástico não é só um vilão. Ele também tem benefícios, como a leveza para o transporte”, diz Igel. Para ele, é preciso promover a cultura do reaproveitamento de plástico no Brasil, como ocorre com as latas de alumínio, cujo índice de reciclagem passa de 90%. Em contraste, menos de 10% do plástico é reciclado.

Algumas iniciativas podem ajudar a mudar o panorama. Neste ano, a maior campanha de marketing da Coca-Cola não será a do Natal, como ocorre tradicionalmente. O foco da marca é a divulgação, a partir deste mês, das garrafas plásticas retornáveis, lançadas em outubro de 2018. A intenção é incentivar a troca do vasilhame vazio de bebidas por outro cheio. O consumidor receberá, em média, 30% de desconto em qualquer refrigerante das marcas da Coca-Cola, e a empresa poderá usar a mesma embalagem até 12 vezes. Até 2020, a Coca-Cola vai investir 1,5 milhão de reais no país na compra de novas embalagens, na ampliação da linha e no auxílio às cooperativas de reciclagem. Globalmente, a companhia assumiu o compromisso de reciclar uma garrafa ou lata para cada unidade que vender até 2030. Só a Coca-Cola produz 200.000 garrafas de plástico por minuto no mundo. “Precisamos do apoio da população para reaproveitar o material”, diz Poliana Sousa, diretora de marketing da Coca-Cola. Para Almeida, da consultoria Interbrand, só convence o consumidor quem se mostra genuíno nas ações. “É um trabalho que exige continuidade. Não basta fazer uma campanha e não criar mecanismos que mudem o modus operandi em maior prazo”, diz ele.

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TÊNIS SUSTENTÁVEL

Outro setor bastante ativo na causa da redução do uso de plástico é o da moda. A fabricante alemã de material esportivo Adidas já colhe resultados com produtos ligados à sustentabilidade. Em 2015, a marca lançou o primeiro conceito de tênis de alto desempenho feito com plásticos retirados do oceano. Neste ano, vai produzir 11 milhões de pares desse modelo. O sucesso motivou a criação de um tênis 100% reciclável. “A decisão de desenvolver o produto nasceu do desafio de acabar com o plástico em aterros e oceanos”, diz Graham Williamson, diretor global de inovação em roupas da Adidas. O tênis 100% reciclável, anunciado em abril, será inicialmente um item para poucos: está prevista a confecção de somente 200 pares até 2021.

“Não se trata apenas de lançar um produto sustentável, mas também de um novo modelo de compra”, diz Williamson. “Para conseguir a adesão das pessoas, queremos promover um consumo mais consciente.” Na extensa cadeia da moda, a agenda sustentável já chega à indústria química, caso da brasileira Braskem. Há três anos, a empresa patrocina a São Paulo Fashion Week com uma pegada ecológica. Entre as ações está a impressão 3D de botões de plástico verde, obtido da cana-de-açúcar. Além disso, desde 2018, os jovens estudantes de moda receberam o desafio de apresentar peças de roupa produzidas com fios oriundos do plástico reciclado de material descartado na edição anterior da São Paulo Fashion Week. Neste ano, na edição que ocorreu em abril, o lixo plástico foi novamente coletado e será usado na confecção de peças para o evento que se dará no segundo semestre. “Com a economia circular, estimulamos a cadeia produtiva sustentável em diversos setores”, diz Ana Laura Sivieri, gerente de marketing global da Braskem. Iniciativas como essas mostram que a fidelização do consumidor e a promoção da imagem da empresa podem caminhar lado a lado com o propósito de preservar o planeta.

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 CONSUMIDORES MAIS CONSCIENTES

Pesquisa exclusiva revela o que pensam os clientes na hora das compras que envolvem plásticos

 

  • Para 70% dos consumidores, é importante, na hora de comprar, saber que a marca trabalha pela redução ou reciclagem do plástico;
  • 87% dos entrevistados recomendariam a amigos ou familiares os produtos de empresas que reciclam ou reduziram o uso de plástico;
  • No último ano, 37% dos consumidores deixaram de comprar produtos que usam plástico;
  • O canudo de plástico, por exemplo, foi abandonado por 63% dos entrevistados

GESTÃO E CARREIRA

”SOU LEGAL, MAS SOU SUA CHEFE”

Entender quais são os limites dos relacionamentos pessoais e profissionais é essencial para os líderes e para as equipes.

Successful company achieving goals with determined staff

A geração Y é bastante questionada, acusada de ser problematizadora, de não gostar de trabalhar ou de trabalhar errado. Recentemente li uma entrevista com Lúcia Costa, diretora executiva da Stato, consultoria de RH, dizendo que “‘esses jovens têm potencial, boa formação, têm tudo para dar certo, para ajudar a empresa e a área, mas, em vez disso, ficam focados no que não têm, no que não está dando certo”. Mesmo tendo nascido na década de 90, mais precisamente em 1994, talvez tenha de concordar em parte com esses argumentos. Um deles tem a ver com o modo como essa geração enxerga a liderança.

Tenho alguns negócios na área de comunicação, tecnologia e cultura – e geri-los não é fácil. Primeiro, porque estou num cargo de liderança aos 24 anos. Segundo, porque já ouvi que sou tão legal que nem pareço chefe. Deve ser porque falar mal dos gestores é um comportamento tão unânime que, quando surge alguém agradável, as pessoas não sabem como lidar com isso.

Não vou tentar diferenciar chefe de líder. Isso eu deixo para vocês. Mas numa organização, mesmo não havendo hierarquia definida, todo mundo sabe quem é a pessoa com o poder da caneta para contratar, demitir, dar feedback, e por aí vai. Não vamos romantizar. Empresa é empresa, mesmo que tenha um ambiente mais confortável e acolhedor. E talvez seja esse discernimento que a geração Y tenha perdido no meio do caminho.

Confesso que não sei qual é a melhor forma de gerir uma empresa, mas continuo ouvindo as pessoas, perguntando se elas precisam de ajuda em determinado trabalho ou se está tudo bem. Isso me deixa numa linha tênue entre parecer ou não uma chefe, mas não tira minha função de sócia ou CEO da empresa.

Já conversei com alguns fundadores e a maioria afirma que, em várias situações, gostaria de dizer “sou legal, mas sou seu chefe” para que entendessem que há um limite entre o que se fala no ambiente de trabalho e fora dele.

Mesmo tentando pontuar que nem tudo precisa ser verbalizado, muitos profissionais não compreendem essa fronteira e fazem comentários impróprios, que podem até causar demissão por justa causa. Não estou dizendo que não haja possibilidade de ter amizades entre líderes e liderados. Porém, existem limites.

Não há regras para manter uma relação pessoal e profissional equilibrada. Mas é necessário ficar atento e atenta às entrelinhas. Se você é funcionário, saiba que é possível evitar situações constrangedoras. Para isso, não exceda na intimidade e não se vanglorie da liberdade. E, se você faz parte da minha geração, pode ficar tranquilo, essa síndrome de “sou amiga da chefe” afeta todas as gerações. Em todo local de trabalho existe, pelo menos, uma pessoa assim. Para sorte dos jovens, isso não é um desastre exclusivamente nosso. Mas podemos aprendera não cometer esse equívoco. Até porque ”sou legal, mas sou sua chefe”.

 

MONIQUE EVELLE – escreve sobre empreendedorismo e inovação. É idealizadora da desabafo social e da Evelle, além de sócia da Sharp e da Conta Black.

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 29 – O SEGREDO DA COLETA DO MANÁ

 

Quando você estiver desesperado por Deus, ficará dependente do poder de sustentação diário de sua Palavra. Sua fonte de sobrevivência será eu maná diário – alimentar-se da Palavra de Deus. Sabemos que a validade do maná do deserto era de apenas um dia; se fosse guardado para o dia seguinte, ele apodreceria (Êxodo 16.12-31). Ainda é verdade que a alimentação feita ontem da Palavra não nos sustenta hoje. E uma das principais funções do lugar secreto é fornecer alimento fresco da Palavra de Deus todos os dias.

Provérbios 16.26 diz: “O apetite do trabalhador o obriga a trabalhar; a sua fome o impulsiona”. É nossa fome pela Palavra de Deus que nos impulsiona ao lugar secreto. Quando estamos espiritualmente famintos, somos energizados para trabalhar na Palavra. A ausência de fome é um sinal de perigo.

Quando alguém está doente, geralmente o primeiro sintoma que aparece é a perda de apetite. Aqueles que perdem o apetite espiritual precisam de um exame médico, espiritualmente falando. Seria um pecado cancerígeno destruindo a vitalidade espiritual? O que se aplica ao estado carnal também se aplica ao espiritual. Há uma grande chance de nosso apetite espiritual ser restaurado

se bebermos bastante água (o Espírito Santo), descansarmos adequadamente (parar de fazer nossos próprios trabalhos), nos exercitarmos na Palavra e evitar­ mos comidas que não são saudáveis (péssimas substituições). A fome espiritual é absolutamente essencial para a saúde espiritual, porque sem ela não seremos motivados a nos alimentar do maná da Palavra de Deus.

É essencialmente importante que cada um de nós aprenda como coletar maná para si. Aqueles que consideram o sermão de domingo de manhã como sua única fonte de nutrição, certamente se tornarão esqueletos espirituais. Deus nunca planejou que vivêssemos da vida secreta de nosso pastor. Ele quer que descubramos por nós mesmos a emoção vitalizadora de nos alimentarmos diariamente de sua Palavra.

Quando você aprender a se alimentar da Palavra, deixará de ficar chateado porque o sermão de domingo não se aplica a sua vida. Ele deixará de ser sua única fonte de alimentação e vida. Se algo no sermão o alimentar, você poderá considerar como um bônus. Mas não dependerá mais das outras pessoas para lhe darem leite, porque terá aprendido a cortar o seu próprio bife. Muitas pessoas têm expectativas equivocadas sobre o que é o culto de domingo de manhã. Elas procuram um lugar para serem ensinadas na Palavra, para serem alimentadas, e um lugar para seus filhos serem ensinados e fortalecidos. Mas, geralmente, esperam receber no culto o que Deus pretendia que recebessem no lugar secreto e no “altar familiar”. Eu chamo de altar familiar os momentos diários em que os pais ficam sentados com seus filhos para instruí-los na Palavra e orarem juntos, de acordo com o mandamento das Escrituras. Quando depositamos expectativas mais altas no culto de domingo de manhã do que ele pode nos oferecer, podemos facilmente nos tornar críticos ou até mesmo cínicos em relação ao corpo de Cristo (uma doença que pode ser terminal e altamente contagiosa, especialmente para nossos filhos). Não é difícil aprender a coletar o maná. Apenas vá até ele e comece a coletar. Pegue sua Bíblia e comece a trabalhar nisso. A princípio você vai se sentir desajeitado, mas continue perseverando. Quanto mais você trabalhar na Palavra, mais habituado se tornará a coletar a porção diária que satisfará a sua alma.

À medida que você perseverar, descobrirá que o Senhor designou o lugar secreto para satisfazer seu coração pelo menos de três maneiras, que estão descritas a seguir.

ALIMENTAR-SE DA PALAVRA

Diz-se daquele que teme a Deus: “Ao contrário, sua satisfação está na lei do SENHOR, e nessa lei medita dia e noite. É como árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera!” (Salmos 1.2-3). À medida que meditamos e nos alimentamos da Palavra de Deus, ficamos parecidos com árvores que produzem fruto, porque temos nutrientes fluindo dentro de nós.

BEBENDO DO ESPÍRITO

Jesus disse: “Mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” Qo 4.14). O Espírito Santo é como a água que nos ajuda a engolir o maná da Palavra. A Palavra deve ser sempre ingerida juntamente com a água do Espírito.

CULTIVANDO UM RELACIONAMENTO DE CONHECIMENTO COM DEUS

Hebreus 8.11 cita o Antigo Testamento: “Ninguém mais ensinará o seu próximo, nem o seu irmão, dizendo: ‘Conheça o Senhor’, porque todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior”. Deus deseja conduzi-lo a um lugar oculto onde você desenvolverá sua própria e exclusiva conexão com Ele, e passará a conhecê-lo de forma totalmente independente de qualquer outra pessoa. Ele deseja que você desenvolva sua própria fórmula secreta de se comunicar com Ele e conhecê-lo. Nenhum homem poderá ensiná-lo a encontrar esse conhecimento e a relacionar-se com Deus; o próprio Espírito Santo será seu professor. Tudo o que você precisa fazer é fechar a porta.

Oh, as incríveis profundidades de comunicação que podemos encontrar no lugar secreto – sem mencionar a ingestão do delicioso alimento espiritual! A partir do momento em que encontramos essas coisas no lugar secreto e conduzimos nossa família nelas, as reuniões de domingo de manhã podem passar a desempenhar seu devido papel em nossas vidas: um lugar onde Deus é glorificado e ministrado; um lugar onde podemos incentivar e apoiar outras pessoas; um lugar onde a visão de nosso corpo coletivo é articulada; um lugar onde nossa unidade é construída; um lugar onde é feita a oração em grupo; um lugar onde o jovem e o fraco são fortalecidos e encorajados; e um lugar onde os que buscam podem se achegar a Cristo. Apenas mais um pensamento rápido. Lembro-me dos dias quando eu, como pastor, compilava a Palavra diariamente para obter material potencial para o sermão. Estava sempre em busca de verdades que alimentariam minha congregação. Mas, então, Deus me deteve e mudou a forma como eu vinha até a Palavra. Agora leio a Bíblia somente para mim. Tenho tanta fome de Deus que todos os dias preciso ser sustentado pelo maná fresco da Palavra. Se não obtenho meu maná para o dia, fico um pouco irritadiço. Agora, coleto maná somente para mim.

Mas veja outra coisa interessante que descobri: quando compartilho com outras pessoas o maná que me alimenta, ele também as alimenta! Na verdade, descobri que as outras pessoas parecem ficar muito mais alimentadas quando compartilho com elas o que primeiramente me sustentou.

O segredo é: aprenda a coletar o seu próprio maná. Então, você terá algo para compartilhar com as outras pessoas.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PSICOLOGIA NA PRÁTICA DO ESPORTE – I

Hoje, há consenso sobre a influência do desempenho mental na atuação dos competidores de alto nível, mas o equilíbrio emocional é determinante também para o sucesso pessoal

Psicologia na prática do esporte

PARA UMA BOA PERFORMANCE NA VIDA

O esporte é um dos principais fenômenos socio- culturais desde a Grécia Antiga. Hoje, certamente, muitos atletas são referência para pessoas que nem sempre são esportistas, mas simpatizam com filosofias que o esporte carrega como foco, atenção, determinação, superação, entre outros. A grande maioria dos atletas medalhistas, por exemplo, se tornam ídolos e até popularizam esportes antes não tão admirados, como aconteceu com Gustavo Kuerten na época em que se tornou o melhor tenista do mundo e também o espelho até mesmo para crianças, que trocaram a adoração pelo futebol por essa modalidade. Mas Guga é só um dos exemplos. O esporte brasileiro – e mundial – tem muitos outros atletas modelos.

Porém, há casos conhecidos em que o esportista apresenta seu melhor momento físico, técnico e tático, entretanto, por diversos fatores, não trabalha bem seu aspecto emocional e este é, sem dúvida, o grande diferencial nas competições. Aquele que estiver preparado psicologicamente terá resultados melhores. Há inúmeras variáveis que podem influenciar positiva ou negativamente a atuação de um atleta ou da equipe. Todos os competidores, desde os grandes favoritos aos iniciantes, sofrem influências, e as pessoas mais equilibradas emocionalmente, naqueles momentos decisivos, é que se consagrarão. E essa lógica serve para a vida também, seja no campo pessoal, profissional, em família etc.

Voltando ao esporte, podemos dizer que esta não é ciência exata; ele é sempre executado por humanos e, por isso mesmo, a imprevisibilidade está presente nos ginásios, nas piscinas, nas pistas, nos campos. O comportamento mental, comprovadamente, influência de maneira definitiva a performance de alguém em qualquer área da vida, que dirá nas competições esportivas. Nossa paixão nacional, o futebol, nos mostrou de forma dolorosa, como um desfecho mal elaborado pode desestabilizar 11 homens em menos de 15 minutos. E afetou também o equilíbrio emocional de uma legião de torcedores.

Foi a partir desse evento, na Copa do Mundo sediada no Brasil, com os “donos da casa” derrotados por um placar vergonhoso, que vimos crescer o debate sobre a atuação de psicólogos esportivos, uma área bem reconhecida em outros países, mas que ainda é pouco explorada no Brasil. De modo geral, todos sabem da importância da prevenção psicológica no esporte, porém, na prática, poucas equipes efetivamente preparam seus atletas devidamente.

Psicologia na prática do esporte. 2

ESTÍMULO ÀS HABILIDADES PSICOLÓGICAS

Segundo Rudik, o rendimento esportivo máximo é alcançado quando os atletas atingem uma forma esportiva caracterizada por vários aspectos, entre eles: melhora da atividade total da consciência, aumentando a velocidade das reações motoras; processos de percepção produzidos com rapidez, tornando-se mais claros e eficazes e aumento da atenção e melhorando a capacidade de distribuí-la ou concentrá-la, elevando também a capacidade de alterar rapidamente o foco de atenção de um objeto para outro; aumento da capacidade de realizar esforços volitivos máximos de confiança em suas próprias forças e de vontade da vencer.

Balague coloca que cada fase do treinamento tem requisitos psicológicos diferentes e, por isso, para que se obtenha um ótimo rendimento é necessário que as habilidades psicológicas sejam estimuladas e desenvolvidas conjuntamente com as capacidades físicas e as habilidades técnicas e táticas.

Para Korsakas e Marques, “se a periodização compreende o planejamento do treinamento esportivo, quando se fala sobre a preparação psicológica integrada aos outros processos desse treinamento, não poderíamos tratá-la de forma diferente. Basicamente por dois motivos: o primeiro pela necessidade de combinar a preparação do atleta considerando-o como uma totalidade, que atuará empregando todo o seu potencial (aspectos físicos, técnicos, táticos e psicológicos) na busca dos objetivos da competição; o segundo pela necessidade de utilizar a preparação psicológica adequadamente, sem acreditar que palestras motivacionais, filmes ou conversas isoladamente poderiam dar conta de uma preparação com qualidade”.