A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ASPECTOS DESVALORIZADOS PELOS HUMANOS

Os mitos são construídos nos primórdios da humanidade. Como imaginar o sentimento de justiça e dignidade de um inseto que se transforma em homem para refletir sobre as bases instintivas da psique?

Aspectos desvalorizados pelos humanos

Dignidade é um sentimento que nos leva ao interesse pelas questões do sofrimento de outrem, bem como a justiça – o que torna o homem protegido na relação com o outro. Encontramos tais reflexões no conto “Samsa apaixonado”, no livro Homens sem Mulheres, de Haruki Murakami.

Nesse conto, o personagem de Franz Kafka, o Samsa do livro Metamorfose, segue um   processo inverso. Assim Murakami descreve: “Quando certa manhã acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado de Gregor Samsa”. De alguma maneira o inseto entendeu que se transformara em uma pessoa e que se chamava Gregor Samsa.

Samsa, ao despertar em um ambiente de uma casa, aparentemente abandonado, logo tomou consciência dos temas: invasão, prisão e proteção. Começou a pensar quem era ele antes de ser Gregor. Veio à sua mente uma espécie de sonho que fez surgir em sua cabeça uma nuvem de mosquitos. Sua prioridade é preencher o vazio que sentia no corpo e teve que se habituar aos dilemas da vida humana em meio à guerra.

Ao observar os homens e se olhar no espelho, deu-se conta de que estava nu. Vestiu um roupão. Chamaram à porta. Ao abri-la, viu uma jovem mulher com o corpo deformado – por ser corcunda –, que para ele parecia um inseto. Samsa se apaixona e não sabe por que seus genitais formam uma protuberância se destacando no seu corpo vestido. A jovem viera consertar uma fechadura. Foi enviada pelos pais pela suposta facilidade que teria em passar pelas guerras lá fora.

A jovem já experimentara o abuso do outro e entendeu que aquele órgão, se expressando por trás do roupão, seria mais uma tentativa de humilhação e abuso. Ela reclama disso, e Samsa – em sua humanidade, tenta lhe explicar o que só ele sente. Seu coração acelera. Vivia algo muito bom que os homens chamam de amor. a tensão entre a lentidão do tempo em que se está apaixonado e a aceleração desse mesmo tempo quando se quer amar deixou Samsa confuso e atraído por alguém que não sabe se voltará a ver.

Sonhar é o modo que temos para entrar em contato com a natureza que se expressa de forma mitológica para resgatar os seus segredos. Quem consegue prestar atenção a eles terá o benefício de se conhecer de verdade. Não se pode observar os sonhos com a lógica da consciência, mas com a linguagem metafórica do inconsciente. Poderíamos por meio do sonho descobrir algo sobre a origem de Samsa. Ele sonhou, ou veio à sua cabeça, uma nuvem de insetos? Poderíamos aqui refletir sobre aspectos desvalorizados pelos humanos, ou trazer a ideia do incômodo ou doença que nos fazem tê-los como indesejáveis, ou ainda pensarmos nas bases instintivas da psique, o que nos faz executar atos sem usar a sabedoria da reflexão.

Durante o desenvolvimento da criança, ou da humanidade, a consciência, à medida que evoluía, também o afastava de sua própria natureza ao negligenciar a sua origem mítica. No mito do paraíso, Adão e Eva experimentam o fruto do conhecimento e se dão conta que estão nus e que existem diferenças entre eles. Dessa forma, para entendermos a natureza do homem recorremos aos mitos construídos pela humanidade em seus primórdios, época em que a consciência ainda não o tinha afastado tanto de sua própria natureza.

Assim acontece com as várias guerras lá fora, podemos pensar nos quatro cavaleiros do Apocalipse. O primeiro, a guerra, já contém em si os outros três: a dominação, a peste e a fome. A jovem corcunda, em sua guerra com seu corpo, trouxe a vergonha e humilhação como uma barreira que a impedia de ser amada. Talvez ela represente o “estupro social” das convulsões sociais que é a invasão do mais forte sobre o mais fraco, ou seja, a violência e o desrespeito à integridade do outro.

Na linguagem de um dos muitos mitos da criação, Epimeteu, na criação do homem, deu-se conta de que distribuíra todas as faculdades disponíveis para os animais irracionais e nada sobrou para dar ao homem que nascia nu e desprotegido. Prometeu, irmão de Epimeteu, conseguiu roubar dos deuses o fogo e a sabedoria para dar ao homem a capacidade de criar seus próprios meios necessários à vida. Com esses recursos, os homens começaram a interferir na natureza e ter dificuldade de se relacionar com seus pares. Os homens começaram a se destruir. Zeus, o deus maior do Olimpo, resolveu intervir.

Compadecido, Zeus deu-lhes um de seus dons: a arte da política, constituída de dois atributos: justiça e dignidade. Na dignidade pessoal já está o sentimento de vergonha ou pudor. Para Zeus, todos os homens deveriam desenvolver a Arte da Política, pois assim darão importância aos seus atos que serão julgados e qualificados pelos outros. Do contrário não haveria harmonia social e a espécie humana desapareceria.

A guerra é, portanto, um resultado da incompetência política, quando a arte de governar não consegue o respeito aos valores instituídos e estabelecidos ao longo da vida dos povos de uma nação. Quando falta a Arte da Política, ficamos sem a justiça e sem a dignidade pessoal. O homem então ficará indiferente às questões do outro e se tornará manipulador da realidade, usando o bem coletivo em proveito próprio.

Esses são os desafios de um inseto que evoluiu para um ser racional.

Aspectos desvalorizados pelos humanos. 2

Homens sem Mulheres Autor: Haruki Murakami Editora: Alfaguara

Ano: 2015 – Páginas: 240

CARLOS SÃO PAULO – é médico e psicoterapeuta junguiano. É diretor e fundador do Instituto Junguiano da Bahia.

carlos@ijba.com.br / www.ijba.com.br

OUTROS OLHARES

ELES ESTÃO COM MEDO

Pesquisa aponta um cenário vergonhoso e de barbárie: crianças e adolescentes brasileiros não se sentem seguros nem enquanto estudam no colégio

Eles estão com medo

E.S.S., de 17 anos, mora no bairro Jardim Palmares, no município de Nova Iguaçu, no Estado do Rio. Desde 2016 ela estuda em um colégio público da região, mas, antes disso, passou um ano fora da escola. O motivo que a levou a não querer mais sair de casa para assistir às aulas foi um problema que, com uma cruel persistência, afeta o cotidiano fluminense: a onipresença da violência, que não respeita nem mesmo o ambiente estudantil.

Aos 13 anos, enquanto fazia o caminho de todos os dias para o colégio, E.S.S. percebeu que estava sendo seguida por um homem. Apavorada, entrou em um posto de saúde. Ao voltar para casa, pediu para deixar a escola.

O episódio foi, na verdade, a gota d’água de um oceano de abusos: bullying dos colegas e agressões verbais de professores – que chegaram ao cúmulo de chamá-la de burra – tiraram de E.S.S. a vontade de estar em sala de aula. Hoje, mesmo frequentando outra instituição pública de ensino, localizada também em Nova Iguaçu, a adolescente ainda é assombrada pelo espectro da violência.

E.S.S. faz parte de um universo de quase 4.000 estudantes brasileiros, com idade entre 9 e 17 anos, entrevistados pela ONG Visão Mundial, fundada nos Estados Unidos em 1950, para uma pesquisa. O estudo “Infância [des]protegida” –  que será lançado na terça-feira 28 em Brasília, no Seminário da Rede Nacional de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes –   foi realizado com o objetivo de radiografar a percepção de segurança de crianças e adolescentes que frequentam escolas no Brasil. A pesquisa, feita entre agosto e setembro de 2018 –  antes, portanto, do massacre de Suzano, que vitimou cinco jovens alunos de um colégio naquela cidade paulista em março deste ano -, abrangeu 67 instituições de ensino, em seis estados e sete municípios, com alunos do 5º ao 9º ano. Enquanto 78% dos entrevistados disseram sentir-se seguros dentro de casa, mais da metade dos participantes – 52% –   declarou não se sentir protegida no colégio (leia outros dados da pesquisa no abaixo). Nova Iguaçu, o município onde E.S.S. vive, teve o pior resultado entre as cidades analisadas. “Nossas aulas são canceladas constantemente por causa de situações de violência e perigo”, disse a adolescente. Ela relatou que os constrangimentos que sofreu em classe estão longe de ser exceção: vários de seus colegas também já passaram por bullying, e um dos professores chegou a dizer em sala que os alunos tinham “algum grau de autismo” por não conseguirem entender as matérias.

“O resultado da pesquisa que fizemos reflete a urgência de colocar a escola como um espaço de diálogo, de formação cidadã e de escuta das crianças. O colégio precisa cumprir esse papel social. Viver exposto à violência gera um stress que tem impacto negativo no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes e até mesmo na capacidade de aprendizagem”, afirma a sanitarista pernambucana Karina Lira, uma das coordenadoras do estudo.

Assim como E.S.S. vivencia um conjunto de manifestações de violência em seu dia a dia, a escola situada em local de vulnerabilidade social está presa em uma rede de fatores adversos. “A instituição de ensino não é uma ilha. O aluno traz com ele os problemas que encara no ambiente doméstico e que absorve da violência urbana. Sai de casa para estudar e presencia tiroteios, assaltos, tráfico, assassinatos etc. A comunidade escolar tem de estar preparada para todos esses problemas”, acrescenta Karina.

Em junho do ano passado, no Complexo da Maré, na cidade do Rio de Janeiro, Marcos Vinícius da Silva, de 14 anos, foi baleado por policiais no caminho para o colégio. O garoto recebeu atendimento no pronto-socorro, porém não resistiu. “Bandido não carrega mochila”, lamentou sua mãe, Bruna Silva. No começo deste mês, o governador do Rio, Wilson Witzel (PSL,)foi criticado por sobrevoar de helicóptero a cidade de Angra dos Reis com o objetivo de dar o aval a snipers para atirar, a pretexto de combater bandidos. Como forma de proteção, o Projeto Uerê, uma escola para jovens com bloqueios cognitivos e emocionais localizada na Maré, instalou uma placa no telhado para identificar o local: “Escola. Não atire”. Na instituição, desde 2017 os alunos têm treinamento para se proteger em caso de tiroteio.

No tristíssimo catálogo de episódios de violência que o Brasil exibe, o registro recente que mais chocou o país foi sem dúvida o que ocorreu na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, dois meses atrás. Uma dupla de atiradores, Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro, ambos ex-alunos daquele colégio, entrou na instituição e matou cinco estudantes e duas funcionárias. Depois das cenas de horror, cercados por policiais militares da força tática, um dos atiradores matou o comparsa e em seguida cometeu suicídio. Para Karina, não há como estabelecer uma relação direta entre o caso de Suzano e as percepções identificadas na pesquisa da Visão Mundial. Fatores emocionais e psicológicos estariam também envolvidos no episódio, contudo não há dúvida de que a escola absorve o clima de violência da região. Seja como for, segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, nos últimos cinco anos foram registrados 225.522 boletins de ocorrência em estabelecimentos educacionais do estado – uma média de123 crimes por dia.

Por mais que a análise mostre um cenário obscuro, sem esperança, das condições de vida de boa parte das crianças e adolescentes que representam as próximas gerações do país, o estudo da ONG conclui que o fortalecimento das instituições e de políticas públicas pode ser a solução para proteger os mais vulneráveis. O Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, já traz garantias básicas de seus direitos – como receber educação de qualidade, ter acesso à cultura, poder brincar com colegas da mesma idade, não ser obrigados a trabalhar e não sofrer agressões físicas ou psicológicas por parte daqueles que são encarregados de instruí-los ou de qualquer outro adulto.

E.S.S,. que teve sua história ouvida no levantamento da Visão Mundial, surpreendeu-se até com o fato de ter sido abordada. “Foi a primeira vez que perguntaram a nossa opinião. Interessante, porque mostrou que nós também temos o direito de falar sobre o que pensamos e sobre o que passamos. Temos o direito de nos expressar.”

Eles estão com medo. 2

GESTÃO E CARREIRA

DOMANDO ELEFANTES

De olho no crescente interesse de grandes empresas em se relacionar com startups, as aceleradoras miram um novo nicho e abrem oportunidades.

Domando elefantes

Nos últimos anos, a cara do mercado brasileiro de startups mudou drasticamente. De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), se em 2012 existiam cerca de 2.519 jovens empresas tecnológicas por aqui, esse número mais que triplicou e está em 10.000 atualmente. Só no ano passado, quatro delas se tornaram unicórnios, ou seja, foram avaliadas em 1 bilhão de dólares. Na esteira desse crescimento, um ecossistema de outros negócios surgiu. Entre eles os fundos de investimento, as incubadoras e as aceleradoras. Estas últimas apareceram há cerca de dez anos, replicando o modelo americano no qual investiam dinheiro e conhecimento nas startups em troca de um pedaço desses empreendimentos. O lucro viria anos depois, quando a empreitada prosperasse. De lá para cá, as aceleradoras também se multiplicaram e hoje existem cerca de 41 empresas nesse ramo no Brasil. O número, segundo especialistas, é alto se considerarmos que mundialmente apenas 253 companhias atuam da mesma forma. E agora, depois de uma década de trabalho com as startups, as aceleradoras estão de olho em outro nicho: o das grandes empresas.

Embora tenham movimentado cerca de 19 bilhões de dólares em 2017, para sobreviver as aceleradoras reavaliam seu modelo de negócios. O aumento da competitividade no mercado empreendedor e a necessidade de investimentos altos, tanto em aportes para as startups quanto em times qualificados para atendê-las, são alguns dos entraves à saúde financeira dessas empresas. E um dos campos mais promissores não está nas jovens empresas disruptivas, mas dentro das grandes corporações, cada vez mais ávidas por inovar. Tanto que, de acordo com um estudo da startup de investimentos americana Gust, publicado em 2016 e que entrevistou 579 aceleradoras no mundo todo, cerca de 67% pretendiam gerar receita por meio de serviços corporativos. Apenas 32% esperavam ter retorno financeiro com os exits — quando uma startup com a qual a aceleradora trabalha é comprada e as ações são vendidas. E esse movimento está chegando ao Brasil. “Tal como ocorreu nos Estados Uni- dos e na Europa, as aceleradoras brasileiras encontraram no atendimento às organizações uma forma de fechar as contas e alcançar sustentabilidade econômica”, diz Caio Ramalho, coordenador do curso de MBA em private equity, venture capital e investimentos em startups da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro.

Com isso, departamentos inteiros estão sendo criados dentro das aceleradoras apenas para oferecer serviços como treinamentos corporativos, implantação de times ágeis e programas de incubação em conjunto com grandes empresas. Algumas decidiram ir mais longe e estão focadas apenas nesse trabalho. E, prometendo fazer a inovação sair do discurso, as aceleradoras passaram a ser um competidor de peso contra as consultorias tradicionais. “Por estarem mais próximas da linguagem e das práticas dos empreendedores, elas tendem a ganhar muito ofertando esse serviço”, diz Igor Piquet, diretor de empreendedorismo da Endeavor.

MENOS EXCEL, MAIS MÃO NA MASSA

Criada há sete anos, e tendo acelerado 260 startups, a Ace é um exemplo desse movimento. Desde 2014, a empresa prestava serviços para grandes companhias de forma pontual, mas há um ano resolveu criar um novo braço dentro do grupo com a operação voltada apenas para o público corporativo. Captaram 5 milhões de investimento de um fundo e lançaram a Ace Córtex em fevereiro de 2018. “Queríamos entregar algo além de um PowerPoint com centenas de slides apontando possibilidades. Nosso objetivo era ajudar as empresas a encontrar estratégias de produtos que causassem impacto em seus negócios e a desenvolver os projetos junto com elas no dia a dia”, diz Pedro Waengertner, CEO da Ace.

Um dos exemplos foi o trabalho que a Ace Córtex realizou com a empresa de previdência privada BrasilPrev, em 2018. “Capacitamos os líderes da empresa em metodologias ágeis e ensinamos a eles como apresentar ideias em formatos de pitch, por exemplo”, diz Pedro. Como resultado, no período de cinco meses os executivos da BrasilPrev apresentaram oito projetos de novos produtos. “A expectativa da companhia é que essas iniciativas gerem 20 milhões de reais de retorno em um ano”, afirma Pedro. A estratégia caiu no gosto das em- presas e os clientes da Ace Córtex saltaram de dois, no início de 2018, para 33 atualmente, entre eles gigantes como Basf e Natura. Com isso, o grupo, que atualmente emprega 40 pessoas, pretende aumentar esse número para 100 até o fim do ano. Esses novos profissionais serão, sobretudo, empreendedores — bem-sucedidos ou não. “Já conhecíamos o talento de muitos deles, que tinham passado pela aceleradora anteriormente e que, por algum motivo, não tiveram sucesso em suas startups.” O fracasso, aliás, é visto com bons olhos. “Quem já empreendeu lida melhor com a incerteza inerente aos negócios em fases tão iniciais e não se dá por vencido diante das dificuldades, além de ser mais questionador”, diz Pedro.

PARA CADA NECESSIDADE

A Startup Farm também ajustou a rota no meio do caminho. Fundada há oito anos e com um currículo pelo qual passaram startups como Easy Taxi e WorldPackers, em 2014 a aceleradora resolveu estruturar a OpenCorp Farm, uma unidade de negócios voltada para grandes empresas. “Muitas corporações nos pro- curavam para ajudá-las, então vimos uma oportunidade de atender melhor essa demanda”, diz o CEO Alan Leite. Entretanto, em vez de formatar serviços personalizados, a estratégia da OpenCorp Farm foi identificar necessidades comuns das corporações e criar soluções que se adaptassem a qualquer companhia. “Percebemos uma procura por treinamentos sobre empreendedorismo para cargos de gerência e diretoria, aceleração de projetos internos com as metodologias de startups, além de workshops de resolução de problemas”, afirma Alan. Outra tática foi replicar o programa de aceleração da Startup Farm, que recruta empresas de todos os segmentos, em outros que selecionam startups de ramos específicos, como o Ahead Visa e o Ahead Banco do Brasil.

Atualmente, a OpenCorp Farm tem seis clientes, entre eles Centauro, Banco do Brasil e Oi Futuro, e pretende dobrar a receita em 2019. O time, que hoje tem 16 pessoas, deve aumentar para 22 até o fim do ano. “Terão oportunidade os profissionais com experiência em gestão de portfólio de empresas, investimentos e relacionamento com grandes corporações”, afirma Alan.

MODELO VIÁVEL DE NEGÓCIO ATÉ QUANDO?

Fundada em 2015, a Liga Ventures já nasceu como uma aceleradora corporativa. Depois de ter contato com o empreendedorismo por meio da aceleração de empresas de mídia, os sócios Rogério Tamassia, Guilherme Guimarães e Daniel Salles perceberam que, para o negócio dar certo, o caminho seria grandes empresas. “Enxergamos esse modelo como um dos poucos viáveis porque permite receita recorrente e de curto prazo. O retorno de um investimento de venture capital [capital de risco] em startups, por exemplo, pode levar até dez anos. Com a aceleração corporativa conseguimos ganhar escalabilidade”, afirma Rogério.

Em quatro anos de operação, a Liga Ventures, que tem atualmente 25 clientes de grande porte, como Porto Seguro, Vedacit e Grupo Pão de Açúcar, gerou 300 negócios entre empresas e startups e aumentou de quatro para 21 o número de funcionários. Essa equipe, aliás, teve de mesclar jovens que entendem de tecnologia com executivos mais experientes que conseguem transitar no mundo corporativo e sentar à mesa com os CEOs. “Cerca de 50% de nossos funcionários são gestores de aceleração. Eles atuam como mediadores e conseguem criar harmonia na comunicação entre em- presas e startups, que têm estilos diferentes”, diz Rogério.

Além de estruturar testes de modelos de novos negócios, a Liga Ventures oferece consultoria para áreas mais tradicionais das empresas, como jurídico, financeiro e compras. “Esses departamentos precisam se preparar para trabalhar com as startups de maneira que, quando os programas de aceleração começarem, os processos e contratos já estejam adaptados e deixem de ser lentos e restritivos como costumam ser”, afirma Rogério.

Os benefícios de ter o conhecimento das aceleradoras ajudando grandes empresas são inúmeros — para ambos os lados. Para as companhias, a chance de se aproximar e entender como a inovação acontece nas startups pode ser o segredo que as fará sobreviver nos próximos anos. Para as aceleradoras, pode ser a saída para continuarem sendo sustentáveis e relevantes dentro do ecossistema empreendedor. Porém, é preciso ficar atento. “Startups e organizações são muito diferentes. Estas últimas são bem mais complexas (com vários processos, hierarquias), então utilizar o mesmo método de trabalho indiscriminadamente nunca dará resultados”, afirma Caio Ramalho, da FGV. Isso quer dizer que não basta ensinar às empresas os jargões dos empreendedores ou colocá-las todas para trabalhar em equipes interdisciplinares. O desafio continua sendo o de transformar a cultura desses elefantes brancos, algo que não é fácil nem rápido. E pivotar as grandes corporações pode levar anos. “Se a alta liderança não estiver comprometida com o processo, isso ficará mais difícil. Diversas empresas têm feito investimentos sem absorver o que o ‘estilo startup’ tem a oferecer: perguntas e reflexões ao invés de respostas prontas”, afirma Caio. Resta saber se as aceleradoras vão, de fato, conseguir ajudá-las nesse desafio ou se serão substituídas por outra solução milagrosa que poderá surgir daqui a uns anos.

 

VAGAS À VISTA

Quais são os profissionais demandados pelas aceleradoras para fazer a ponte com as grandes companhias.

NEGÓCIOS

Pessoas formadas em economia e administração de empresas e, sobretudo, com experiência em finanças e negócios encontram boas oportunidades em gestão de projetos. Habilidades em negociações e mediações de conflitos colocam candidatos à frente. analistas de investimentos, gestores de portfólio e de aceleração são vagas que costumam aparecer.

TECNOLOGIA

Produtos e serviços inovadores estão necessariamente ligados à tecnologia. Por isso, quem tem conhecimento de ti consegue acompanhar o desenvolvimento de soluções e apresentá-las aos executivos das grandes empresas.

USER EXPERIENCE

Profissionais especializados em user experience são buscados para cuidar de estratégias e análise de dados, assim como encontrar e resolver problemas em projetos.

INOVAÇÃO

Quem já passou pelas áreas de inovação ou pesquisa e desenvolvimento de grandes companhias traz conhecimento para desenvolver novos produtos e serviços. Experiência em metodologias ágeis aumenta a chance de contratação.

FONTES: Especialistas entrevistados para esta reportagem

 ARRANCANDO NA FRENTE

Quais são os mercados que mais se relacionam com startups e que geram oportunidades para as aceleradoras — e para quem quiser trabalhar nelas.

FINANCEIRO

O setor é o que tem o relacionamento mais próximo e maduro com as aceleradoras e startups, com diversas ações, como coworkings e programas de incubação. A Oxigênio, aceleradora da Porto Seguro, e o Cubo, espaço de inovação do Itaú, são os principais exemplos.

VAREJO

De olho na competição global, o mercado, que é o maior gerador de empregos formais do país, se abre às inovações em busca de modernização. O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, lançou o Pitch Day para se aproximar de startups do varejo, e O Boticário criou o BotiLab para acelerar essas empresas novatas.

AGRÍCOLA

O agronegócio, responsável por um terço dos empregos no país e por 21% do PIB nacional, se

beneficia cada vez mais das soluções tecnológicas. O AgroStart, programa de aceleração patrocinado pela Basf, e a parceria da Monsanto com a Microsoft para fomentar startups do setor são algumas das iniciativas mais maduras.

SAÚDE

Mesmo com uma complexidade elevada por causa da regulamentação rígida, o setor tem intensificado projetos em busca de maior competitividade. Algumas iniciativas são a incubadora de startups Eretz. bio, do Hospital Albert Einstein, e a parceria entre os grupos Fleury e Sabin para investimento conjunto na Qure, incubadora de startups de saúde.

FONTES: Especialistas ouvidos para esta reportagem

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 24 – O SEGREDO DE SE REVESTIR

 

Satanás reserva alguns de seus mais intensos ataques para o momento em que você adentra o lugar secreto – porque ele odeia o que acontece quando os santos se conectam com Deus. Repentinamente nossos pecados, falhas e defeitos começam a se desenrolar aos nossos olhos como numa tv de última geração. Muitos cristãos, de forma inconsciente, evitam o lugar secreto porque não querem enfrentar a barreira da vergonha e da culpa com a qual o inimigo normalmente os ataca no lugar secreto. Portanto, uma das primeiras coisas que devemos fazer de manhã é nos revestirmos com o Senhor Jesus Cristo. Quando estamos revestidos com Cristo, nenhuma acusação poderá nos tocar.

As Escrituras nos advertem que o estilo de Satanás é nos acusar “diante do nosso Deus, dia e noite” (Apocalipse 12.10). Ele não nos acusa quando estamos contemplando o compromisso; mas nos acusa efetivamente quando estamos nos preparando para achegarmos a Deus. Portanto, o primeiro passo para superar a barreira de acusação é perceber que isso é algo esperado, típico dele. O acusador tenta agir assim com todos nós. Este é um risco ocupacional do lugar secreto.

As acusações de Satanás funcionam pelo menos nos quatro níveis apresentados a seguir.

SATANÁS ACUSA DEUS PARA NÓS

Satanás aponta a forma como Deus está praticando a paternidade e dirá: “Veja como Deus está me tratando!”. A acusação que faz sempre soa como sua própria voz e seus próprios pensamentos, mas na verdade são os pensamentos dele inoculados em sua mente. “Não acredito que Deus está me fazendo passar por tudo isso. Deus é um tirano. Não há nada de bom na maneira como está cuidando de mim. Como poderei confiar sendo que Ele está me tratando desta forma? Ele não está cumprindo as promessas que me fez. Acho que nunca as cumprirá.” Satanás deseja que adotemos uma postura de acusação em relação a Deus. Esse é o motivo pelo qual amar a Deus em meio a sua dor é algo espiritualmente tão poderoso para combater os esquemas de Satanás.

SATANÁS NOS ACUSA PARA DEUS

Ele fala para Deus, em nosso ouvido, as falhas abismais que possuímos. Ele menciona todos os nossos defeitos, com detalhes e em cores. Ele nos retrata como sendo um obstáculo para o Reino de Deus. Deus não fica nem um pouco incomodado com as revelações de Satanás, mas, muitas vezes, nós ficamos. Nesses momentos, tememos que nosso Deus possa estar concordando com o acusador. Começamos a imaginar se Deus está bravo conosco. Se nossos corações não estiverem estabelecidos na graça, poderemos nos sentir fora do amor de Deus.

SATANÁS NOS ACUSA UNS PARA OS OUTROS

Satanás acusa outros santos para mim, fazendo com que eu duvide do caminhar deles com Deus. Se Satanás conseguir me fazer duvidar de meus irmãos e irmãs, o próximo passo será me convencer de que eles também duvidam de mim. Agindo dessa forma, ele tem a intenção de causar rupturas de relacionamento no corpo de Cristo.

 SATANÁS NOS ACUSA PARA NÓS MESMOS

Isso é algo em que Satanás é especialmente bom. Ele é um expert em nos censurar por nossos pecados e fraquezas – especialmente quando estamos desejando nos aproximar do Senhor.

Cada um de nós encontrará o próprio e exclusivo caminho para lidar com as acusações do inimigo, mas, a seguir, apresentamos alguns meios-padrão de neutralizar corretamente suas mentiras.

CONFESSE E SE ARREPENDA

As acusações de Satanás atormentam porque normalmente contêm uma determinada fração de verdade. Então, vá em frente, seja agressivo. Confesse seu pecado, dando para ele o pior nome, e se arrependa. E daí que é a enésima vez? Eu sei quem sou. Não sou um pecador que luta para amar a Deus; sou uma pessoa que ama a Deus e que luta contra o pecado. Eu sou basicamente alguém que ama a Deus, não um pecador. Essa é a minha identidade final. Portanto, lutarei mais uma vez contra qualquer pecado conhecido ou comprometimento e o confessarei abertamente a Deus para receber o seu perdão.

CUBRA-SE COM O SANGUE DE JESUS

Obrigado, Senhor, pelo sangue de Jesus! Seu sangue expiatório é poderoso, eternamente eficaz e, por si só, tem o poder de limpar a consciência suja. O sangue de Jesus é minha base para entrar na presença do Rei. Eu entro confiadamente no trono da graça, porque entro por meio de seu sangue através do véu de seu corpo. Sou bem-vindo nas mais altas cortes de glória por causa do sangue derramado por Cristo!

REVISTA-SE

O que eu quero dizer é: vista a armadura completa de Deus, segundo Efésios 6. Quando você ler esta parte das Escrituras, note que o motivo de vestir a armadura de Deus é para que possamos orar:

Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do Diabo, pois a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais. Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo. Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade, vestindo a couraça da justiça e tendo os pés calçados com a prontidão do evangelho da paz. Além disso, usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno. Usem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos. – Efésios 6.11-18

O vestir-se começa com o cinto da verdade. A verdade da Palavra de Deus o capacitará a cingir sua cintura para prepará-lo para correr. O ataque de Satanás consiste em mentiras e meias-verdades. Fale a palavra da verdade; vença a batalha com a verdade! Permaneça confiante na verdade de quem você é em Deus.

 

Veja-se como se estivesse vestido com a couraça da justiça. Você é a justiça de Deus em Cristo! Vista cada parte da armadura, uma de cada vez – as sandálias da paz, o escudo da fé, o capacete da salvação e a espada do Espírito.

Note que essa passagem nos pede para “ficarmos firmes”. Você não tem que procurar uma luta; apenas fique em seu lugar secreto e a luta virá até você! Repentinamente você será lançado em um ringue. Este é o momento de ficar firme. Permaneça na verdade, fique sob o sangue e combata o bom combate. Fique firme até o inimigo admitir a derrota e sair de sua presença – ainda que só por um certo período.

Quando veste a armadura de Deus, na verdade você está se revestindo de Cristo: ”Ao contrário, revistam-se do Senhor Jesus Cristo, e não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne” (Romanos 13.14). Jesus é cada parte da vestimenta; você está revestido de Cristo. Quando o Pai olha para você, enxerga Jesus. E você fica incrivelmente atraente para Ele. Ele o vê com bons olhos e até o prefere! Ele fica muito feliz por ter você em seus braços. O lugar secreto é onde celebramos o fato de Ele ter dado sua vida para ganhar nossos corações.

Nosso revestimento em Cristo agora é “profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência… amor” (Colossenses 3.12,14). Essa é a forma como nos vestimos de branco, conforme Apocalipse 3.5. Eis o segredo: quando percebemos que estamos revestidos de Cristo, nosso nível de confiança perante Deus eleva-se às alturas. As acusações de Satanás não podem se alojar em nós, pois ricocheteiam em nosso escudo da fé. Fomos aceitos pelo Pai e agora podemos apreciar o diálogo pacífico de intimidade com Jesus.

Foi atingido pelas acusações? Revista-se do Senhor Jesus Cristo!