A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CORAÇÃO BATE DIFERENTE COM O ESTRESSE

A forma de lidar com o estresse ajuda a determinar o funcionamento do coração

Coração bate diferente com o estresse

Desde estudos pioneiros, já se acreditava nas relações entre o estresse e o coração. O controverso “tipo A”, conceito que emergiu de pesquisas realizadas por dois cardiologistas, na década de 1960, seria uma pessoa em última análise com atitudes que promoveriam o estresse, como competitividade e impaciência. As pessoas do tipo A, segundo os proponentes desse conceito, teriam cerca de quatro vezes maior risco de problemas   cardiovasculares do que pessoas sem essas características. De fato, o coração sofre enorme impacto do estresse, e este, por sua vez, depende muito de nossa interpretação dos acontecimentos.

Uma nova pesquisa descobriu que a forma como lidamos com o estresse afeta diretamente os batimentos cardíacos. Como reagimos ao estresse importa mais do que a quantidade do estresse que enfrentamos. Reações negativas ao estresse, como interpretações catastróficas dos fatos, disparam doenças no coração, alterando o funcionamento dos batimentos cardíacos. Algumas pessoas lidam melhor do que outras com estresse, pois tem sistemas de crenças que levam a uma avaliação menos alarmante.

Para investigar essa hipótese, os pesquisadores mediram a taxa de variabilidade cardíaca.  As medidas da variação na frequência dos batimentos cardíacos são formas de avaliar o funcionamento do sistema nervoso autônomo. Quanto maior a variabilidade, melhor a saúde, pois isso reflete a capacidade do coração responder a desafios. Já as pessoas que apresentam menores taxas de variabilidade cardíaca têm maiores taxas de morte prematura e doença cardiovascular.

Os participantes dessa pesquisa concordaram em realizar oito entrevistas por telefone   diariamente, para monitorar eventos estressantes que teriam ocorrido durante o dia, e também foi medida sua variabilidade cardíaca. Os resultados mostraram que é a percepção dos eventos estressantes que prevê um coração menos saudável. Algumas pessoas do estudo experienciaram muito mais eventos estressantes, mas tinham corações mais saudáveis porque sua atitude era melhor, segundo a pesquisa sugeriu. Esses resultados nos mostram que as percepções das pessoas e suas reações emocionais aos eventos estressantes são mais importantes do que a exposição ao estresse de per si.

Esses achados vão ajudar a desenvolver intervenções que melhoram o bem-estar e   promovem mais saúde. Lidar com os perrengues da vida cotidiana de forma positiva é a chave para a saúde em longo prazo. Essa pesquisa mostrou que pessoas que permaneceram calmas diante de irritações tiveram menos risco de inflamação. Inflação crônica pode levar a problemas de saúde, câncer, doenças cardíacas e obesidade. Na verdade, cada vez mais se acumulam evidências de que os processos inflamatórios estão por trás das doenças físicas e mentais, sendo uma via comum na causalidade de patologias.

O chamado “modelo cognitivo”, criado pelo pai da Terapia Cognitiva, Aaron Beck, é exatamente essa noção de que a interpretação dos acontecimentos é o verdadeiro responsável pelo sofrimento humano. Não sofremos pelos fatos, mas pela interpretação dos fatos, já apontava o filósofo Grego Epíteto. O significado do estímulo é determinante das reações que este nos desperta, pois de acordo com essa atribuição do significado é que o cérebro reage disparando emoções, respostas fisiológicas e conduta. Essa visão que inspirou o desenvolvimento da Terapia Cognitiva tem uma evidência confirmatória a partir desse estudo com a variabilidade cardíaca, mostrando que os terapeutas cognitivos estão no caminho certo ao trabalhar com o sistema de interpretação dos pacientes na melhoria de suas vidas mentais. O coração agradece se adotarmos pensamentos que reduzem o excesso de alarme e estresse, e seguirmos mais leves na vida.

 

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed, 2011).

OUTROS OLHARES

A REVOLUÇÃO 5G

Tecnologia que vai transformar a comunicação está por trás da disputa entre EUA e China

A revolução 5G

Um passageiro assiste um programa na TV de tela grande do seu ônibus, na China. Ao lado dele, outro usa óculos de realidade virtual. Na Coreia do Sul, torcedores veem um dragão criado digitalmente voar sobre suas cabeças em um estádio de beisebol, por meio de realidade aumentada (RA). Esses são exemplos concretos e atuais da nova geração 5G de transmissão de dados. Não é apenas de uma evolução de velocidade, como ocorreu na última transição para o 4G. Trata-se de uma completa mudança de paradigma das comunicações, que criará novos produtos, serviços e modelos de negócio, além de gerar indústrias inteiras.
Tamanho impacto está por trás das disputas entre o governo Trump e a China. As investidas do presidente americano contra a gigante asiática Huawei, que lidera a tecnologia 5G no mundo, têm sido cada vez mais duras. No lance mais recente, no último dia 15, o presidente americano proibiu a companhia chinesa de participar em redes de telecomunicações vitais para a segurança americana e de adquirir componentes de empresas dos EUA — a decisão teve seus efeitos depois postergados por três meses. Como consequência, a gigante Google anunciou que não mais forneceria seu sistema operacional Android para a Huawei. É um duro golpe para a empresa chinesa, que é o segundo maior fabricante de smartphones do mundo. Mas não deve afetar sua posição de domínio. Ela já possui o maior número de patentes associadas ao 5G e investe em pesquisa mais do que todos os competidores juntos.

 INÍCIO DA OPERAÇÃO

A disputa comercial é compreensível. Países que saírem na dianteira se beneficiarão de vantagens econômicas. Com velocidade dez vezes mais rápida que a geração 4G, a nova tecnologia beneficiará não apenas os usuários finais, mas também empresas, expandindo as aplicações que usam big data, inteligência artificial (IA) e a infraestrutura urbana inteligente. A tecnologia já é realidade em cidades da China, Coreia do Sul, Reino Unido e EUA. Terão serviço comercial até o próximo ano Canadá, Noruega, Alemanha, Suíça, Japão e Austrália. No Brasil, a Anatel prevê que o leilão que definirá a distribuição de frequência acontecerá no primeiro trimestre de 2020. A atração de investimentos pelas operadoras terá prioridade sobre o valor de outorga, segundo Nilo Pasquali, superintendente de Planejamento e Regulamentação da agência. O serviço comercial no Brasil deve chegar até o começo de 2021.

A revolução 5G. 2

GESTÃO E CARREIRA

A TOLERÂNCIA CONSTRUTIVA

Com o tempo e com o nosso amadurecimento emocional, aprendemos que tolerar não precisa ser algo tão custoso e desgastante.

A tolerância construtiva

É possível se tornar mais realizado por meio da expansão de nossas potencialidades, através do equilíbrio entre as demandas do mundo e as possibilidades reais. Uma habilidade fundamental a ser desenvolvida nessa busca é a tolerância construtiva, que é um movimento positivo em direção ao outro, apesar de pensamentos, opiniões e convicções diferentes das nossas.

A simples tolerância, conforme a conhecemos, num primeiro estágio, está mais próxima de suportar algo ou alguém de forma passiva e silenciosa do que da serenidade e da compreensão. Em geral, a tolerância custa-nos um alto consumo de energia que não nos permite tolerar por muito tempo (daí o famoso “contar até dez”). Porém, grande parte das pessoas aproxima-se, com o avançar da idade, da tolerância construtiva.

Estamos vivendo um momento histórico em que acelerar o desenvolvimento da tolerância construtiva parece ser fundamental para vencermos a onda crescente de divergências odiosas em todas as áreas, mas em especial na área ideológico-política. Não existe verdadeiro respeito sem tolerância construtiva. A questão que se coloca é como nos posicionar frente aos que assumem uma oposição declarada às nossas ideias. Como conviver harmoniosamente com os que discordam de nós? A primeira ação necessária é perguntar-nos qual carga emocional gostaríamos de receber no lugar do outro, caso estivéssemos na mesma situação em que somos aferidos. De que forma eu gostaria que discordassem de mim? A busca dessa resposta me leva à construção de um modelo de discordância que precisa ser, imediatamente, colocado em prática.

Assistimos nos últimos meses a um verdadeiro festival de rompimentos relacionais em função de divergências político-ideológicas. Conheço casais que se separaram, amigos que se afastaram e familiares que romperam relações porque não apoiavam o mesmo candidato. Diante disso, cabe a reflexão sobre o que tornou essas divergências tão fortes a ponto de jogar para escanteio a relação afetiva. Alguns podem pensar que cisões como essas só ocorrem em relacionamentos em que a afetividade não estava bem sedimentada. Infelizmente não é verdade. Pessoas que se amam podem se separar subitamente por obra da divergência intolerante. Fica a indagação do porque isso acontece.

Nos relacionamentos significativos da nossa vida, o que verdadeiramente importa (ou deveria importar) é como nos encontramos intimamente uns com os outros e não o que eles fazem ou  pensam. A tolerância construtiva acontece quando decidimos aceitar o outro sem necessariamente concordar com o que ele diz ou faz, sente ou pensa. Ocorre quando, independentemente do que pensa ou sente o outro, eu o aceito sem gerar barreiras de aversão em minha vida emocional. Aí está outro elemento fundamental no desenvolvimento da tolerância construtiva: preciso saber o que me faz construir barreiras de aversão com relação ao outro pelo simples fato de ele discordar de mim.

Algumas pessoas têm me dito que a questão não é a discordância, mas a forma como o outro discorda, em geral, querendo impor sua opinião e não se predispondo a ouvir a nossa. Esse comportamento gera, segundo alguns, uma impaciência misturada com indignação, que acaba levando ao que aqui chamamos de divergência intolerante. É fato que pessoas que não querem dialogar, mas sim impor a sua opinião são esgotadores da paciência de quase todos nós. Mas essas pessoas não querem diálogo, elas querem nos chamar para uma guerra em que elas precisam vencer a qualquer preço. Quando eu aceito entrar nesse conflito quase armado, preciso me perguntar urgentemente a quem pertence essa guerra. Ao conseguir perceber que esse embate é do outro, alimentá-lo é fornecer munição para uma batalha que não é sua. Nesse caso, uma boa estratégia é pensar no que o outro significa para você e retirar sua tropa do campo de batalha. Fique atento, porém, ao fato de você não conseguir evadir-se da guerra. Frequentemente isso significa que ela é sua também. Aí começa uma outra investigação importante: por que preciso vencer? O que vai acontecer se eu me retirar do campo de batalha? Eu tenho mesmo convicção dos meus pontos de vista ou tenho medo de ser convencido pelo outro?

É preciso “abrir um parêntese” quando se trata de opiniões que traduzem valores que garantem a ética das relações. Precisamos fazer uma distinção fundamental: trata-se apenas de divergência de valores ou agressão à ética de convivência? Machismo, homofobia e racismo, por exemplo são valores que ferem a ética das relações e, por isso, precisam ser civilizadamente combatidos.

Quando conseguimos escolher ser felizes ao invés de termos razão é porque estamos bem próximos da tolerância construtiva. Chegamos lá quando respeitamos e não nos distanciamos do outro porque ele pensa diferente e nos confronta a partir disso. Nossas opiniões precisam estar em movimento evolutivo, sob pena de nos tornarmos fósseis do radicalismo. Esse movimento depende de estarmos abertos a ouvir os argumentos do outro que diverge de mim. E a partir do contrário, da antítese, que a tese se fortalece ou se modifica, tornando-se uma nova síntese. Não coloque munição em guerra que não é sua. E, se for sua, não dependa de munição alheia.

 

JÚLIO FURTADO – é professor, palestrante e coach. É graduado em Psicopedagogia, especialista em Gestalt- terapia e dinâmica de grupo. É mestre e doutor em Educação. É facilitador de grupos de desenvolvimento humano e autor de diversos livros. www.juliofurtado.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 22 – O SEGREDO DE TERMINAR

 

Às vezes, nosso lugar secreto é interrompido por forças que estão além de nosso controle. Emergências acontecem. E, em outras vezes, a agenda exige que saiamos para atender algum compromisso diário inadiável – como ir trabalhar, por exemplo.

Ocasionalmente, nos sentimos da seguinte maneira: “Não terminei ainda! Senhor, desejo ficar mais tempo com você! Eu, definitivamente, voltarei para este mesmo lugar com você antes de o dia de hoje acabar. Preciso retomar no ponto em que estávamos e terminar minha conversa”.

O Senhor entende quando as exigências da vida nos tiram do lugar secreto. Ele não nos condena nem fica aborrecido. Na verdade, Ele ama contemplar a sinceridade de nosso coração quando nós, honestamente, desejávamos ter podido ficar mais tempo em sua presença.

Depois de ter feito esta ressalva, quero sugerir que há um elemento que algumas pessoas ainda não descobriram. É a questão de “terminar” seu tempo com Deus antes de sair para realizar outra tarefa do dia.

Cada visita ao lugar secreto é um evento em si mesmo. Muitos compreenderam a necessidade de “irromper” – para continuar avançando até cruzar o limiar em seu próprio espírito, até encontrar liberdade no coração e conectividade no espírito. Sabemos que há um período de “aquecimento” e, em seguida, um período de intimidade e interação. Entretanto, nem sempre compreendemos que o período no lugar secreto não é concluído sem o término adequado e a conclusão completa de acordo com o que Deus pretende. É fácil sair antes de Deus ter terminado de falar com você.

Eis um versículo interessante sobre a vida de oração de Jesus: “Certo dia Jesus estava orando em determinado lugar. Tendo terminado, um dos seus discípulos lhe disse: Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou aos discípulos dele” (Lucas 11.1). Pelo versículo, podemos ver que existia claramente o desenvolvimento e o término do período de oração de Jesus, porque está escrito “tendo terminado”.

Tecnicamente falando sabemos que Jesus orava sem cessar, mas quando vinha ao seu lugar secreto, chegava um momento em que Ele terminava. Chegava o momento de concluir. Na verdade, a New American Standard Bible apresenta: “Depois de ele ter terminado”.

Um dos segredos do lugar secreto é permanecer lá até ter terminado. O modo de saber que terminou pode variar a cada dia, mas sugiro que a decisão do término não seja sua, mas de Deus. Deixe Deus decidir quando é o momento de acabar. Dê-lhe a honra de dispensar você.

Salomão nos deu as seguintes palavras de sabedoria. “Não se apresse em deixar a presença do rei, nem se levante em favor de uma causa errada, visto que o rei faz o que bem entende” (Eclesiastes 8.3). Se isso se aplica aos reis terrenos, então essa conduta é muito mais importante para aqueles que se achegam à presença do Rei dos reis. Quando entramos confiadamente em sua presença através do sangue de Cristo, não devemos sair às pressas. Precisamos parar, aguardar nele, ministrar e continuar em nosso culto perante o Rei até que Ele nos dispense.

Aqueles que se demoram em sua presença descobrem grandes alegrias. As maiores dimensões de intimidade com Deus não vêm rapidamente. Nós o visitamos e Ele gentilmente começa a nos atrair em um envolvimento de amor indizível.

Uma abordagem “relâmpago” nunca alcançará esse grau de intimidade. Prossiga e faça o “test drive” deste segredo. Não desista até ter concluído. Entregue-se ao Rei até que envie você de volta para a colheita dele. A intimidade de suas câmaras acenderá sua alma e você levará o perfume de Deus para um mundo perdido que anseia desesperadamente experimentar o que você encontrou.