A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AS VANTAGENS DO PESSIMISMO

Com certeza você já ouviu ou leu milhares de vezes frases de motivação que se propõem a estimular o otimismo. É possível, porém que o empenho em “ver o lado bom” não seja tão  saudável. Pesquisas sugerem que olhar para a vida com ressalvas, sem apostar excessivamente na alegria pode trazer mais equilíbrio e benefício do que a maioria das pessoas supõe.

As vantagens do pessimismo

“Enfatize o positivo”, “veja o lado bom da vida”. Quem já não ouviu (ou leu) esse tipo de apelo, tão propagado e exaustivamente repetido pela mídia, pelos livros de autoajuda e até por alguns profissionais da saúde? Em um tempo em que a introspecção e a visão realista do mundo são cada vez mais confundidas com pessimismo, vistas como algo a ser evitado, é quase impossível não ser compelido a ser “otimista”. O que as pessoas nem sempre se dão conta é de que essa postura excessivamente “positiva” nem sempre tem a ver com equilíbrio e com bem-estar efetivo. O fato é que desde o lançamento de Poor Richard’s Almanack de Benjamin Franklin, pela primeira vez em 1732 – que advertia os leitores de que “a tristeza não serve para nada, senão para ofender” – até na multidão de palestrantes que defendem a motivação em suas preleções, nos dias de hoje, muitos têm se convencido da necessidade de “ser positivo”. Essa atitude otimista embasada na ideia do “nós podemos”, “eu posso” tem sido disseminada nos países ocidentais. Um exemplo? Escolha a opção “pensamento positivo” no site Amazon.com, por exemplo, e você encontrará uma lista infindável de produtos criados para “ajudá-lo” a ver a vida através de lentes cor-de-rosa, incluindo o calendário de parede “poder do pensamento positivo” e uma série de pôsteres “superando a adversidade com coragem e determinação”.

Na verdade, porém, a positividade não é tudo aquilo que tantos gostariam. Embora muitos autores garantam que assumir uma atitude otimista possa trazer benefícios, como saúde e prosperidade sobrenaturais, essa tese permanece totalmente incomprovada. Além disso, pesquisas sugerem que, em determinadas circunstâncias, o otimismo pode ser prejudicial.

 MAIS SAUDÁVEIS? SERÁ?

Apesar da ênfase popular atribuída ao pensamento positivo, a psicologia acadêmica durante décadas apoiou-se no negativo. Até hoje uma leitura atenta dos livros-texto de psicologia revela uma predominância de tópicos dedicados ao lado sombrio da vida: doenças mentais, distúrbios, patologias, crimes, dependências e adicções, dificuldades, preconceitos e assuntos do gênero, refletindo, provavelmente, a preocupação em encontrar formas de remediar problemas pessoais e sociais.

Então, no final da década de 90, um grupo de cientistas famosos liderados pelo psicólogo Martin E. P. Seligman da Universidade da Pensilvânia estabeleceram um campo chamado de psicologia positiva. Essa disciplina florescente explora as causas e efeitos da felicidade, força de caráter e virtudes, capacidade de recuperação e outros aspectos importantes da adaptação psicológica e da saúde. Nem todos os psicólogos positivos apregoam a satisfação a qualquer custo, em um livro de 1990, Seligman alertava que o otimismo “pode às vezes nos impedir de ver a realidade com a necessária clareza”. Mas muitos defendiam a ideia de que o pensamento positivo é bom para todos o tempo todo, observa a psicóloga Barbara Held do Bowdoin College, num artigo de 2004.

Na verdade, a maior parte dos dados que apoiam o pensamento positivo não tem valor científico. Um artigo de revisão publicado em 2010 pelo psicólogo Anthony Ong da Universidade de Cornell mostra que na maioria dos estudos as pessoas otimistas tendem a ser fisicamente mais saudáveis e podem até viver mais. No entanto, ressalta Ong, esses estudos são apenas correlacionais, isto é, se baseiam em associações estatísticas entre pensamento positivo e resultados na vida real mas não informam nada sobre causa e efeito. Por isso, pensar positivamente pode não nos tornar mais saudáveis, mas, inversamente, ser mais saudáveis pode nos levar a pensar positivamente. Há uma outra interpretação para o mesmo resultado: pensamentos positivos e boa saúde dependem de um terceiro fator – ser extremamente ativo, dizem – mas isso não foi medido na maioria dos estudos. A mesma ambiguidade contaminava a maior parte dos estudos que pretendia mostrar que o otimismo pode melhorar o ânimo de pessoas deprimidas ou deslanchar sua carreira profissional.

Mesmo que eventualmente surgissem resultados mais otimistas sobre otimismo, é  pouco  provável que uma perspectiva rósea pudesse beneficiar alguém. Pessimistas defensivos, por exemplo, tendem a se desgastar muito com  futuras condições estressantes, como entrevistas de emprego ou provas muito exigentes, além de superestimar suas probabilidades de fracasso. No entanto, preocupações como essas funcionam para certas pessoas, pois permitem que elas estejam mais bem preparadas. Um trabalho realizado pela psicóloga Julie Norem e seus colegas da Wellesley College mostra que privar pessimistas defensivos de seu mecanismo preferido de defesa, por exemplo, forçando-os a “animar-se” pode piorar o desempenho de suas tarefas. Além disso, num estudo realizado com participantes idosos, Seligman e o psicólogo Derek lsaacowitz da Universidade Brandeis descobriram que pessimistas estavam menos propensos à depressão que os otimistas depois de vivenciarem fatos negativos em suas vidas, como a morte de um amigo. Os pessimistas provavelmente teriam passado mais tempo consolando-se mentalmente pelos momentos desagradáveis.

Outro estudo traz à tona o poder curativo do reforço positivo, aquela fixação onipresente da psicologia popular parodiada pelo ex-comediante Al Franken como o consultor Stuart Smalley (“sou muito bom, sou muito esperto, mas, caramba, as pessoas me amam”). Em um estudo, a psicóloga Joanne Wood da Universidade de Waterloo e seus colegas mostram que participantes com autoestima elevada, que repetiam várias vezes o reforço positivo (“sou uma pessoa digna de amor”), de fato apresentavam logo depois uma ligeira melhora no estado de espírito. Mas, entre os participantes com baixa autoestima, o reforço positivo produzia efeito contrário, piorando seu estado de espírito. Wood e colegas inferiram que afirmações inviáveis, como as propostas por Smalley, na mente das pessoas com baixa autoestima serviam apenas para lembrá-las de quantas vezes tinham fracassado em suas metas de vida.

COISAS BOAS SIM, MAS QUANTAS?

Outro obstáculo provável no movimento do pensamento positivo é que uma atitude positiva pode ser pouco saudável quando levada ao extremo. porque pode ultrapassar os limites da realidade. Em artigo, o psicólogo da Universidade de Michigan, Christopher Peterson, fundador do movimento da psicologia positiva, estabeleceu uma diferenciação entre otimismo realista, que espera o melhor enquanto permanece em sintonia com os potenciais desafios, e otimismo irrealista, que ignora esses desafios.

Um estudo realizado pelo psicólogo Shigehiro Oishi, da Universidade de Virgínia, Ed Diener, psicólogo da Universidade de Illinois e Richard Lucas, também psicólogo da Universidade do Estado de Michigan, reforça as preocupações de Peterson. Usando análises de diversas grandes amostragens internacionais, descobriram que, embora pessoas extremamente felizes sejam mais bem-sucedidas em relacionamentos interpessoais íntimos e em trabalhos voluntários, pessoas moderadamente felizes são mais bem-sucedidas que as extremamente felizes financeira e educacionalmente e também são mais ativas politicamente. Claramente, Oishi e seus colegas mediram felicidade e não o otimismo em si, embora os dois possam estar intimamente associados. Além disso, os resultados levantaram a possibilidade de que, embora uma atitude realisticamente positiva em relação ao mundo geralmente nos ajude a atingir certas metas na vida, uma atitude de Poliana pode ter seu preço talvez por promover a complacência.

É claro que o pensamento positivo tem suas vantagens: pode nos encorajar a assumir os riscos necessários e expandir nossos horizontes. Mas também tem seu lado adverso que pode não valer para todos, particularmente aqueles para quem as preocupações e queixas surgem naturalmente como mecanismos de defesa. Além disso, o pensamento positivo pode ser contraproducente se nos fizer ignorar displicentemente os perigos da vida. Finalmente, como advertiu a jornalista Barbara Ehrenreich em seu livro de 2009, adotar a ideia muito difundida de que atitudes positivas nos permitem “pensar num jeito de esquivar-se” de doenças como câncer tem um lado desagradavelmente obscuro: ela pode dificultar a recuperação dessas doenças, porque as pessoas se sentem culpadas por não terem sido mais alegres ou eficientes em seu empenho em curar-se.

OUTROS OLHARES

É PRECISO FALAR SOBRE ESTUPRO

Nos últimos anos, cada vez mais movimentos feministas e produções culturais, além da internet, têm rompido a bolha de silêncio em torno desse crime.

É preciso falar sobre estupro

A Justiça da Suécia decidiu reabrir as investigações sobre as acusações de estupro contra Julian Assange, fundador do portal WikiLeaks. O processo fora arquivado em 2017, mas a detenção de Assange, depois de sua retirada da embaixada equatoriana em Londres, no início de abril, possibilitou a retomada do caso. Uma suposta vítima alega ter sido estuprada pelo jornalista durante uma viagem que ele fez a Estocolmo em 2010. Pouco antes da decisão do Ministério Público sueco, cerca de 200 pessoas fizeram, na cidade italiana de Ancona, uma série de protestos depois que veio à tona o motivo pelo qual a corte local decidiu arquivar um caso de estupro ocorrido em 2015: as três juízas – sim, todas mulheres! – consideraram a vítima, uma peruana de 22 anos, “masculina demais” para ser tida como atraente a ponto de provocar um estupro.

Na Europa têm sido frequentes manifestações de mulheres pedindo alterações nas leis que tratam do estupro com o objetivo de fazer com que o crime não seja mais definido pelo uso da força, e sim pela falta de consentimento da vítima no momento do ato. Em 2018, Suécia e Islândia, por exemplo, mudaram as respectivas legislações a respeito. Foi uma vitória, sem dúvida, mas o caminho que falta percorrer é ainda longo. Mesmo com a ascensão recente dos movimentos feministas que visam a combater o estupro – como os populares MeToo, nos Estados Unidos, e Mexeu com Uma, Mexeu com Todas, no Brasil, ambos eclodidos dois anos atrás -, o cenário continua aterrador. Em território brasileiro –  para ficarmos no que ocorre mais perto de nós -, 164 casos de estupro foram registrados por dia em 2017. Apenas no Rio de Janeiro, mais de 4.500 mulheres foram violentadas no ano passado. Estima-se que somente 10% dos crimes de estupro sejam notificados. O receio de ser julgada e passar vergonha publicamente, além do medo de sofrer novos ataques, faz com que as vítimas se calem. Assim, o avanço de maior envergadura na cruzada contra tal crime abjeto sob todos os aspectos é o estouro cada vez mais ruidoso da bolha de silêncio em torno dele. Os exemplos se multiplicam -tanto no âmbito dos movimentos sociais como no da produção cultural. “Quando ocorre um abuso, cria-se um ambiente favorável ao criminoso, no qual a mulher finge que não está sendo violentada, as pessoas em volta fingem não ver e os homens que atacam fingem que nada fizeram de errado”, analisa a juíza paulista Tatiane Moreira Lima. Atuando na trincheira das ações sociais, ela é responsável por uma iniciativa, lançada em 2017, que implantou campanhas de conscientização contra o assédio em transportes públicos na cidade de São Paulo. “Os ataques em ônibus são diretamente relacionados à cultura do estupro. A mulher é objetificada de tantas formas, desde como é retratada em comerciais até a maneira como é tratada na rua, que acaba por se tornar um alvo mais fácil”, acrescenta Tatiane. “Depois que demos início à campanha, vítimas passaram a denunciar mais e testemunhas finalmente compreenderam que a omissão também é uma violência contra a sociedade”, conclui ela.

“Há uma década, essas histórias de estupro provavelmente não chegariam ao público”, disse a  economista, socióloga e escritora indiana Sohaila Abdulali, autora do livro Do que Estamos Falando Quando Falamos de Estupro, lançado neste mês no Brasil pela editora Vestígio. Também na frente cultural, duas produções recentes realizadas pela Netflix jogam luz sobre o problema. No documentário City of Joy, de 2016, conta-se a história do ginecologista congolês Denis Mukwege. Ele é responsável por um hospital no qual se realizam cirurgias de reparo de órgãos íntimos de mulheres, incluindo crianças, violentadas por guerrilheiros em áreas de conflito do Congo. Em doze anos de trabalho, atendeu 21.000 vítimas. Resultado: foi jurado de morte e atualmente vive protegido por forças da ONU. Seu empenho lhe rendeu em 2018 nada menos que o Prêmio Nobel da Paz. Já a série Crimes em Déli, deste ano, recria o caso do estupro coletivo e homicídio de uma estudante de 23 anos na Índia, o que motivou manifestações pelas ruas do país em dezembro de 2012.

Na internet, as redes sociais tornaram-se ferramentas fundamentais para amplificar o debate em torno de questões urgentes como a do estupro. Assim nasceu a hashtag MeToo (em tradução, “eu também”), que teve início a partir das acusações contra Harvey Weinstein, então poderoso produtor de Hollywood, e se estendeu a todas as mulheres que resolveram revelar na web casos de assédio. Entre 2017e 2018, a hashtag foi usada 19milhões de vezes no Twitter. Toda a ação levou à exposição dos estupradores. Apenas nos Estados Unidos, onde se revelaram outros crimes, 201 homens perderam cargos em posições de poder, como em Hollywood. No Brasil, em paralelo, nasceu o Mexeu com Uma, Mexeu com Todas, que ganhou corpo quando a figurinista Su Tonani, de 28 anos, denunciou o assédio do ator José Mayer, da Rede Globo. Atrizes como Taís Araújo, Camila Pitanga e Cleo Pires aderiram à iniciativa.

Fazendo eco ao que dizem estudiosos do assunto, Sohaila Abdulali relaciona a denominada “cultura do estupro” – segundo as Nações Unidas, “a sociedade que culpa as vítimas de assédio sexual e normaliza o comportamento sexual violento dos homens” – à sociedade patriarcal. Um estudo publicado em 2014 pela ONU, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (lpea), mostrou como o Brasil está impregnado por aquela mentalidade. De acordo com o levantamento, 58% dos entrevistados no país concordaram que “se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros”. Já 63% afirmaram que “casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família”. E 82% disseram acreditar que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Para dar um basta à barbárie representada pelo estupro, é preciso, sim, meter a colher – ou seja: abrir a boca e denunciar.

É preciso falar sobre estupro. 2

GESTÃO E CARREIRA

O QUE A NATURA VIU NA AVON?

Aquisição da multinacional pela brasileira cria o quarto maior grupo de beleza do mundo, com US$ 10 bilhões de faturamento e atuação em 100 países

O que a Natura viu na Avon

Depois de um longo namoro, a brasileira Natura e a americana Avon — duas das maiores empresas de cosméticos do mundo — estão, enfim, casadas. Elas oficializaram a união que resultará em uma companhia com 76% de capital brasileiro. A operação representa a compra da Avon pela Natura por aproximadamente US$ 3,7 bilhões (R$ 15 bilhões), por meio de troca de ações. Juntas, as empresas são avaliadas em US$ 11 bilhões nas bolsas de valores, algo próximo a R$ 45 bilhões. As 13 cadeiras do conselho de administração serão ocupadas por dez brasileiros e três indicados pelos acionistas da Avon. “Por décadas, Natura e Avon navegaram em linhas paralelas, e agora estão no mesmo barco”, disse Guilherme Leal, fundador da Natura, em teleconferência na manhã da quinta-feira 23.  “Com o negócio, vamos fortalecer ainda mais nossa presença internacional, tendo 68% das vendas fora do Brasil.”

O casamento, no entanto, não agradou a todos. Na quinta-feira, às 15h, as ações da Natura caíam 8,5% na B3, em São Paulo, enquanto os papeis da Avon subiam 7% nos Estados Unidos. “Embora sejam empresas semelhantes no modelo de negócio e no portfólio de produtos, elas são muito diferentes em qualidade da estrutura operacional”, diz o suíço Patrick Schelenbauer, especialista em varejo no Kantonalbank, de Zurique. “A Avon terá de aprimorar muito sua performance financeira e comercial para não se tornar um peso para a Natura dentro da nova holding.” No entanto, para consultor Maximiliano Tozzini Bavaresco, CEO da Sonne Consulting, os ajustes da Avon serão bem executados pela Natura com a criação do novo grupo. “Está claro que a estratégia das duas empresas é gerar escala e fortalecer a companhia em todo o mundo. É só uma questão de tempo para a Natura equacionar esses ruídos.”

A despeito do receio dos investidores expresso nas ações da Natura — que nos últimos anos fez outras grandes aquisições, como a da australiana Aesop, em 2013, e da britânica The Body Shop, em 2017 —, a nova compra cria um colosso no mercado global da beleza. Além da tradicional venda porta a porta, o grupo solidifica suas estruturas de e-commerce e varejo físico, considerados os pontos fracos de ambas as empresas. A partir de agora, a nova companhia conta com um exército de 6,3 milhões de representantes e consultoras, vendas em 100 países, 3,2 mil lojas, faturamento de US$ 10 bilhões, mais de 40 mil funcionários e 200 milhões de clientes em todo o mundo. “Vamos, principalmente, fortalecer a venda direta, que ajuda a criar relações com as clientes através das nossas consultoras”, afirma o presidente do conselho da Natura, Roberto Marques. “Com a Avon, podemos agora atingir os diferentes perfis de consumidores, com maior alcance geográfico e diversificação dos canais de venda.”

O ganho de escala, que irá permitir custos mais baixos e maior poder de barganha junto aos fornecedores, é justamente um dos benefícios destacados por Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar). Ele ressalta, no entanto, que o plano de fortalecer a venda direta destoa da estratégia de integrar diferentes canais de venda, um conceito que está guiando não apenas os passos da Natura, mas de todo o setor. “Até que ponto um ativo depreciado como a Avon, que pouco avançou nessa direção, poderia contribuir nesse cenário?”, questiona.

Pelos cálculos da Natura, a combinação dos negócios resultará em sinergias estimadas entre US$ 150 milhões e US$ 250 milhões anuais. Parte desse dinheiro, segundo a empresa, será reinvestido em aumento da a presença nos canais digitais e mídias sociais, pesquisa e desenvolvimento e expansão da presença geográfica do grupo. “Esta combinação é o começo de um novo e animador capítulo na história de 130 anos da Avon. Com a Natura, teremos acesso mais amplo à inovação e a um portfólio de produtos, uma plataforma digital e de comércio eletrônico mais forte”, garante Jan Zijderveld, CEO da Avon.

O que a Natura viu na Avon. 2

 

O que a Natura viu na Avon. 3

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 20 – O SEGREDO DA LEITURA SIMULTÂNEA

 

A leitura bíblica, feita com um espírito de submissão e oração a Deus, é um importante agente transformador de vida. A Palavra de Deus tem o poder de nos transformar! Apocalipse 1.3 declara uma bênção para “aquele que lê… o que nela está escrito”. Tudo o que você tem a fazer para ser abençoado é apenas ler o livro. Aqueles que compreendem essa verdade são, pessoalmente, comprometidos com a leitura diária da Bíblia. Além disso, temos a garantia de que “toda a Escritura é inspirada por

Deus e útil” (2Timpoteo 3.16). Em outras palavras, cada parte da Bíblia é útil para o leitor. Nenhuma parte dela deve ser ignorada ou negligenciada por aqueles que estão ansiosos por serem moldados à imagem de Cristo. Ele é a Palavra Viva e sua glória deve ser encontrada em cada página das Escrituras. Portanto, cabe a nós fazer questão de ler integralmente a Bíblia. Por muitos anos tenho mantido a prática de ler a Bíblia inteira e estou firmemente comprometido com essa prática por um bom motivo: desejo que cada porção da Palavra inspirada por Deus chegue ao meu coração. Não desejo que nem um único problema permaneça em minha alma porque eu não tive o cuidado de me expor à profundidade plena de sua sabedoria e revelação.

Tenho a expectativa de que Deus me surpreenda com uma percepção do que eu possa ter pensado ser as partes mais improváveis de sua Palavra. Desejo o pacote inteiro, por isso, o leio todo.

Portanto, a leitura bíblica para mim é muito mais que simplesmente o cumprimento de uma cota diária. “Ufa! finalmente terminei a leitura de hoje; agora eu posso prosseguir com a minha vida.” Não. Não é assim que me sinto. Passar tempo com a Palavra é um agente transformador e anseio, com zelo, expor meu coração de forma consistente e habitual a cada parte viva e pulsante das Escrituras.

Alguém disse uma vez que o livro mais lido da Bíblia é Gênesis. Isso ocorre porque milhares de pessoas adotam anualmente uma nova resolução de Ano Novo de ler a Bíblia. Elas começam com o livro de Gênesis, e então perdem todo o seu entusiasmo em algum ponto entre Êxodo e Levítico. Entendo o que acontece. Muitas pessoas não compreendem o segredo que estou prestes a compartilhar.

Uma das principais chaves para manter o entusiasmo de sua leitura diária da Bíblia, em minha opinião, é o segredo da leitura simultânea. O que eu quero dizer com isso é que, em vez de ler vários capítulos de um único livro da Bíblia, leia pequenas partes de quatro livros diferentes no mesmo dia. Embora exista muitas maneiras diferente de fazer, deixe-me explicar melhor contando o jeito como leio a Bíblia.

Primeiro, divido minha leitura em quatro seções:

– Gênesis a Malaquias (exceto Salmos a Cântico dos Cânticos)

– Salmos a Cântico dos Cânticos

– Mateus a João

– Atos a Apocalipse

Sempre marco as partes que estou lendo com quatro clipes de papel. O primeiro clipe marca minha leitura do Antigo Testamento. Tenho a expectativa de ler todos os livros do Antigo Testamento em um ano e, então, divido o número total de páginas por 365 dias e proponho quantas precisarei ler por dia. Segundo o formato da minha Bíblia, se eu ler quatro páginas por dia, lerei com facilidade o Antigo Testamento em um ano.

O próximo clipe de papel marca minha leitura dos Salmos (leio cerca de metade de um Salmo por dia). Meu terceiro clipe de papel marca minhas leituras dos Evangelhos – leio em média duas páginas dessa parte por dia. O quarto clipe de papel marca minha leitura das Epístolas. Como espero ler o Novo Testamento todo a cada seis meses, calculei que preciso ler duas páginas das Epístolas por dia. O número de páginas que você lerá em cada seção dependerá de suas próprias metas pessoais de leitura.

Todos os dias leio trechos das quatro seções. Isso me proporciona vários benefícios, além do fato de a variedade me manter interessado e comprometido.

A primeira seção, Gênesis a Malaquias, tem algumas partes incrivelmente agradáveis e outras mais difíceis de ler. Ao intercalar minha leitura do Antigo Testamento com outros trechos da Bíblia, não fico desanimado com as passagens difíceis. E toda vez que leio o Antigo Testamento, descubro algo: a passagem difícil vai ficando um pouco mais fácil, porque vou lentamente passando a compreendê-la cada vez mais a cada leitura. O Senhor tem um jeito misterioso de nos abençoar do modo inesperado exatamente quando pensamos estar na passagem mais entediante que se possa imaginar. Quando chego à segunda seção, Salmos a Cântico dos Cânticos, meu ritmo de leitura desacelera. Esses livros contêm a linguagem do amor, então a maior parte da minha oração é feita aqui à medida que prossigo de forma lenta e exuberante através das orações e dos louvores dos salmistas. Aqui é onde entrego ao Senhor os sentimentos do meu coração de forma aberta e sem restrições.

E eu amo a terceira seção! É nos Evangelhos que eu contemplo o meu amado, o meu Senhor. Observo como Ele se move, age, fala e pensa. Meu coração chega a doer de desejo para conhecê-lo melhor, para verdadeira­ mente contemplá-lo através do poder do Espírito Santo. Minha principal motivação de ficar absorto nos Evangelhos deriva das palavras de Jesus: “Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido” João 15.7).

Ao permanecer nele e me dedicar à sua Palavra, estou batendo à porta da oração respondida. As chaves do poder e da autoridade do Reino estão nessa porta em que bato diariamente.

E as Epístolas da seção quatro? Elas são incríveis! Nunca me canso de ler como os autores do Novo Testamento articulam a maravilha, a beleza, o poder, o Reino, a cruz, a graça e o julgamento vindouro do Nosso Senhor Jesus Cristo. Oh, a Bíblia é um livro maravilhoso e amo mergulhar em suas páginas! É a busca de Cristo em sua Palavra que me faz levantar de manhã.

O tempo que passo lendo é minha fonte de vida e sanidade. Este é o lugar onde recebo graça para outro dia. Sim, eu amo minha leitura diária da Bíblia!

Espero que esteja entendendo esse pequeno segredo incrível. Você ficará entusiasmado ao dividir a leitura em três ou quatro seções diferentes para ler trechos de todas as seções simultaneamente todos os dias.

Se você adotar essa abordagem, algo mais começará a acontecer. A verdade encontrada na seção um aparecerá em sua leitura daquele dia na seção três; um tema da seção dois será reforçado na seção quatro. Um versículo de uma seção dará frescor, nova luz e ampliará o significado de um versículo de outra seção. Você notará determinados temas aparecendo em vários lugares das Escrituras. E as percepções começarão a explodir dentro de seu coração à medida que os versículos interagirem um com o outro. Essa é a forma como as Escrituras interpretam as Escrituras. Os aspectos da revelação começarão a expandir seu coração e a despertar paixões. Quando isso começar a acontecer, você estará “viciado”! Ficará louco por isso. Verdadeiramente apaixonado.