A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A FASE DAS DESCOBERTAS DE SI MESMO

A sexualidade é muito mais que o ato sexual. Muitos fatores podem influenciar nosso comportamento. falar sobre o assunto, mesmo antes da puberdade, é uma tarefa árdua dada a diversidade das condutas humanas

A fase das descobertas de si mesmo

A adolescência é uma fase do desenvolvimento, que geralmente ocorre dos 10 aos 19 anos de idade. Para a Organização Mundial da Saúde, a puberdade se distingue por mudanças envolvidas com particularidades físicas (por exemplo, pela influência dos hormônios no desenvolvimento das características sexuais secundárias), emocionais, relacionais, entre outras. Com a maturação das gônadas (ovários e testículos), a função reprodutora passa a se constituir uma possibilidade; além do mais, é nessa fase que as práticas sexuais ganham outra dimensão, e normalmente costumam ser mais empreendidas, como a masturbação, brincadeiras e jogos com a finalidade de gratificação sexual. Entretanto, não podemos resumir esse período somente como sendo o qual novas práticas sexuais são exploradas; ele é também um momento importante de interação dos adolescentes com seus pares, família e sociedade.

Segundo diversos estudos, é nesse período, geralmente após os 14 anos, que ocorrerá a primeira atividade sexual com outra pessoa. Para muitos, esse momento constitui um marco, habitualmente descrito como início da vida sexual. Não é incomum nos perguntarem com que idade começamos a vida sexual – entretanto a sexualidade humana é muito mais do que o ato sexual em si.

As primeiras práticas e atividades sexuais durante a adolescência influenciam nossas emoções e, por conseguinte, nossas relações. Com frequência ouvimos relatos de pessoas que foram reprimidas durante a adolescência, e de como essa repressão as influenciou de forma negativa em comportamentos futuros; por outro lado, também são frequentes os relatos de indivíduos que não receberam qualquer orientação e/ou foram criados em ambientes considerados permissivos, que também sofrem durante a vida adulta em seus relacionamentos. Portanto, chegar em um denominador do que seja adequado ao pensarmos na educação durante, e até mesmo antes da puberdade, é uma tarefa árdua dada a diversidade das condutas humanas.

Em relação às mudanças físicas que acompanham esse período, algumas considerações merecem destaque. É na adolescência (para alguns em fases precoces, para outros em fases posteriores do desenvolvimento – durante esse período) que se observam nas meninas o aparecimento do broto mamário e na sequência o desenvolvimento das mamas, da pilosidade pubiana e axilar, da genitália e a primeira menstruação, que recebe o nome de menarca. Nos meninos verificam-se aumento dos testículos e posteriormente o surgimento dos pelos pubianos, assim como o aumento do tamanho do pênis. Essas mudanças físicas são velozes, e muitas vezes podem gerar conflitos. De certa maneira é como se o psiquismo não acompanhasse a intensidade do aumento dos hormônios, responsáveis por essas alterações. Com frequência o adolescente pode não reconhecer o seu próprio corpo, sentimentos de inconformidade são comuns, entre eles: sentir-se esquisito, atrapalhado, atribulado, ansioso, frustrado, uma vez que nem sempre a imagem corporal reproduzirá aquela que foi idealizada.

Além desse corpo em mudança, que rapidamente vai perdendo as características infantis, é nesse período que as sensações oriundas de por quem sentimos atração sexual irão se tornando mais evidentes, e então mais dúvidas e receios podem acompanhar essa fase. Como é um período de novas descobertas, nem sempre as brincadeiras sexuais com pessoas do mesmo sexo irão refletir em orientação sexual homossexual na idade adulta. Aliás, os fatores que determinam a orientação sexual são complexos e merecem uma abordagem oportuna e específica sobre o tema. Além do mais, determinadas práticas sexuais são encorajadas dependendo do sexo do nascimento. Para os garotos adolescentes, a masturbação parece ser mais aceita socialmente do que para as garotas. Ao pensarmos em desigualdades, esse fato pode constituir um prejuízo para as adolescentes na exploração e melhor entendimento das reações do próprio corpo.

Após a avalanche de hormônios que acarretam as mudanças físicas, um pouco mais adiante, as sensações e as emoções perceberão o impacto dessas alterações. Chega-se então na fase das grandes paixões, de sensações como: o meu mundo acabou se meu amor não for correspondido; assim como das grandes causas, como: eu tenho razão, os outros é que não me compreendem, e assim por diante. Diante do exposto, o adolescente ainda tem de lidar com questões cruciais que dizem respeito a sua integridade física, como as doenças sexualmente transmissíveis, uso de bebidas alcoólicas, rivalidades entre grupos etc. Além do mais, se esses adolescentes não foram bem instruídos sobre os métodos contraceptivos e preventivos, a possibilidade de uma gravidez indesejada e/ou doenças transmissíveis pelo contato sexual torna-se concreta. Portanto, quanto mais os adolescentes forem aconselhados de maneira adequada, tanto mais serão capazes de tomar decisões apropriadas, que implicarão em mais satisfação em um período da vida do qual guardamos lembranças.

 

GIANCARLO SPIZZIRRI – é psiquiatra doutorando pelo Instituto de Psiquiatria (IPq) da Faculdade de Medicina da USP, médico do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do IPq e professor do curso de especialização em Sexualidade Humana da USP.

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Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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