A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DITADURA DA BELEZA

Fala-se muito em transtornos alimentares entre as mulheres, mas esse fenômeno é mais comum do que se pensa no universo masculino

Ditadura da beleza

Para nós, o corpo funciona como uma espécie de mostruário. É por meio da aparência que pretendemos expor e “vender” nossa individualidade. Nesse processo, a imagem vira objeto de investimento e mercadoria. A busca pela aparência ideal jamais termina. Diante da forte pressão exercida pelo mercado de consumo, somos levados a ofertar nossos corpos com artigos que enfeitam uma carnavalesca vitrine, ao deleite e desfrute da cultura de massa.

A busca pelo físico perfeito, que antes era vista como encanação de mulher, surge então como uma urgência também masculina. Pesquisa feita entre adolescentes britânicos, por exemplo, mostrou que a cultura do corpo tem atingido igualmente meninas e meninos. Ao questionar sobre os hábitos de um grupo de 500 jovens, o estudo mostrou que cada vez mais meninos sofrem distúrbios alimentares.

Publicado recentemente no British Journal of Health Psychology, a pesquisa, coordenada pela psicóloga Emma Halliwell (do Centre for Appearance Research, da University of the West of England), mostrou que os fatores que provocam os distúrbios alimentares em rapazes são basicamente os mesmos que afetam as garotas. Ou seja, são fruto da insatisfação com a imagem corporal.

É verdade que o quadro é menos dramático para os meninos. Pelo menos é o que ressalta o artigo. Segundo o material, há algumas diferenças bastante sutis entre homens e mulheres na hora de avaliar a própria imagem: as meninas quase sempre se veem de forma depreciativa quando se comparam às amigas, considerando-se invariavelmente gordas ou feias; entre os meninos, porém, apenas aqueles que se acham muito acima do peso costumam fazer comparações negativas em relação à sua aparência.

Além de procurar entender como os jovens se sentem em relação ao corpo e como eles se avaliam perante seus ideais de beleza, a pesquisadora também levantou informações sobre os hábitos alimentares desses adolescentes. Ao responder os questionários, eles contaram se comem de modo descontrolado em algumas ocasiões, se fazem controle alimentar ou se usam algum método purgativo, como vômito ou abuso de laxantes.

Tudo indica que ainda vale a seguinte máxima: “para meninas, o importante é ser magra, para meninos, é ser musculoso”, salienta a psicóloga. Sabemos que os homens, da mesma forma que as mulheres, estão sujeitos a formar uma imagem corporal distorcida. Só que no público masculino é mais comum a obsessão por exercícios físicos. Alguns recorrem a suplementos energéticos, dietas e “bombas”, principalmente fisiculturistas. Essa preocupação excessiva é chamada de vigorexia ou complexo de Adônis (aquele personagem mitológico que é modelo de força e beleza masculina).

Quem nunca presenciou uma cena desse tipo: o constrangimento do garoto que simplesmente desiste de ir à praia por se achar magro demais (ou forte de menos)? Existem também casos em que o sujeito até é musculoso, mas não se considera forte o bastante. Note que a busca da forma perfeita, nesse caso, resulta da mesma fixação que leva certas mulheres a perseguir a magreza como um ideal. Então, vigorexia e anorexia têm em comum essa preocupação exacerbada em relação à aparência, além de uma percepção distorcida da própria imagem.

Estudos mostram que certos homens estariam mais predispostos que outros. É o caso daqueles que são obrigados a perseguir a silhueta magra e musculosa em razão do trabalho que exercem, como atletas, modelos, bailarinos e atores. Também é bastante evidente a valorização do perfil magro entre homossexuais tanto femininos como masculinos. Entre os homens com transtornos alimentares, de 10% a 42% se declaram homossexuais ou bissexuais. O índice varia de 35% a 42% entre os homens que têm bulimia. Os dados constam do livro Mentes Insaciáveis, livro sobre transtornos alimentares escrito pela psiquiatria carioca Ana Beatriz Barbosa Silva.

De acordo com os dados colhidos por ela, depois das mulheres heterossexuais, o grupo de maior prevalência dos distúrbios alimentares seria o dos homens e mulheres homossexuais. Parece que o padrão sonhado pelo grupo consiste naquele físico esguio e andrógeno bem ao estilo Twiggy, a modelo inglesa magérrima que lançou um padrão de beleza que seria abraçado por toda uma geração, tornando-se a primeira top model do mundo nos anos 60. Apesar de ser comumente tratado como “frescura” de adolescentes, o problema causa sofrimento e não deve ser banalizado por amigos e familiares. “O fato de os meninos estarem cada vez mais vulneráveis à pressão para se adequarem a padrões físicos é sintomático”, alerta Deanne Jade, porta-voz da entidade National Centre for Eating Disorders (Centro Nacional de Transtornos Alimentares) à agência BBC. “A diferença entre o que é aceitável e o que não é ficou muito pequena”, completa.

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Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.