A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MEDOS INCOMUNS E PERIGOSOS PARA A SAÚDE – II

A literatura médica registra variados tipos de fobia, como pavor de comer, de aves, de dormir, de sons, de claridade, de água e existem até pessoas que não conseguem ter contato com cabelos ou pelos, entre outros

Medos incomuns e perigosos para a saúde II

A capacidade da mente humana em produzir medos é praticamente inesgotável. Há fobias para quase tudo na vida. Um exemplo claro de um medo bem estranho é a ornitofobia. Trata-se de um medo irracional de pássaros. Do grego, ornito, ave, e phobos, fobia. Muitos personagens da literatura contemporânea ou filmes apresentam tal fobia, como, por exemplo, o personagem Sheldon Cooper, da série The Big Bang Theory.

Os ornitofóbicos temem ser atacados por aves, sejam elas de pequeno ou grande porte, e, dependendo do grau da fobia, podem apresentar sintomas fóbicos até mesmo diante de representações gráficas, fotos, imagens de aves. Alguns, inclusive, nem comem aves.

A maior parte desses fóbicos passou por situação traumática na infância relacionada a alguma ave e não trabalhada na época. Aos poucos, o transtorno foi se desenvolvendo. Porém, em alguns casos, as pessoas não se lembram de terem passado por uma experiência desse tipo, simplesmente não sabem dizer como o medo apareceu.

Alguns estudiosos afirmam que, em alguns casos, o trauma pode não ter sido exatamente com uma agressão ou situação de ameaça de uma ave, mas proveniente de uma relação da imagem da ave a uma vivência traumática, como, por exemplo, uma internação durante a infância, e nesse período o convívio com pombos ao redor ou nas janelas do hospital, ou qualquer outra em que a presença da ave possa desencadear uma memória afetiva de uma situação traumática. A terapia leva tempo e exige uma dessensibilização e, aos poucos, o contato com as aves vai se intensificando.

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SITOFOBIA

Muitas crianças, realmente, dão trabalho para comer e os pais precisam fazer verdadeiras peripécias para alimentar seus pupilos. Entretanto, quem tem sitofobia (do grego sitós = alimento), ou ainda a chamada cibofobia, tem verdadeiro pavor de se alimentar. O paciente portador dessa fobia pode chegar a ter delírios que vão aumentando e se agravando a ponto de imaginar que o alimento ou refeição estão envenenados. Ou mesmo acha que pode engasgar e morrer por causa do alimento. A sitofobia também é comum em casos de esquizofrenia.

É uma das fobias mais difíceis de ser tratadas. Não é anorexia ou bulimia, em que a recusa ao alimento é para não engordar, mas, sim, um medo irracional de perder a vida por acreditar que morrerá por comer o alimento. O tratamento, nesse caso, envolve uma equipe multidisciplinar, com médico, às vezes psiquiatra, psicólogo e nutricionista, e deve ser realizado rapidamente, porque o sitofóbico, ao se recusar a se alimentar acaba ficando muito fraco, sem resistências e propenso a contrair doenças oportunistas a essa fraqueza.

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HIPNOFOBIA

Ao contrário da Bela Adormecida, que passou tanto tempo dormindo, há pessoas, na vida real, que passam as noites em claro, lutando para não dormir, de tanto medo do sono. A hiponofobia é o medo de dormir. Essa fobia está relacionada a muitas outras: medo do desconhecido, medo de pesadelos, medo do escuro, medo de adormecer e perder o controle do que está acontecendo ou do que pode acontecer durante a noite, medo de morrer durante o sono, medo de alucinar durante o sono e de não conseguir acordar mais.

Só de pensar em adormecer, os hipnofóbico já desencadeiam um processo de ataque de pânico ou de ansiedade. Alguns ficam dias sem dormir ou dormem pouco, sempre assombrados pelo temor, e, assim, mantêm um padrão muito baixo de descanso físico e mental.

É uma fobia muito perigosa, pois é sabido que o corpo aguenta mais tempo sem comer do que sem dormir. Além disso, o somnifóbico fica permanentemente cansado, podendo sofrer acidentes e desencadear doenças também de ordem física, como a fadiga, que interrompe os processos cognitivos, reduz a capacidade de atenção e de memória, gera irritabilidade, nervosismo, alterações no humor, além de anemia.

De acordo com especialistas, o medo é a primeira grande causa de insônia. Porém, não é o medo fóbico, mas, sim, o medo dos fracassos, as preocupações, o medo do futuro. Segundo estatísticas, 30% da população mundial sofrem de insônia, isto é, vontade, mas dificuldade para dormir. Contudo, no caso do hipnofóbico, é ele que evita o sono, pelo pavor de dormir.

Medos incomuns e perigosos para a saúde II. 5 FONOFOBIA

A palavra fonofobia se origina do grego, significando medo de sons. Para quem sofre dessa fobia, um ruído repentino como o de um liquidificador, por exemplo, aspirador de pó, uma campainha, um alarme disparado ou qualquer outro e até de vozes altas, ranger de uma porta, é motivo para pânico.

Existem pessoas portadoras de uma extrema sensibilidade a sons, a hiperacusia, outras desenvolveram a misofonia, que é a síndrome da sensibilidade seletiva de sons. O fonofóbico, ao contrário dos transtornos citados, não possui causas físicas ou neurológicas, mas, sim, psicológicas que justificam esse medo. Entretanto, muitas vezes a fonofobia surge a partir de uma hiperacusia ou misofonia não diagnosticadas ou não tratadas corretamente.

Como toda fobia, também pode surgir inconscientemente, a partir de uma experiência ruim vivenciada, em que havia um som que foi memorizado afetivamente de forma traumática, servindo, posteriormente, de gatilho para desencadear todo o processo fóbico.

Os portadores ficam muito assustados em lugares como ruas barulhentas, trânsito, locais onde há eventos ou muitas pessoas, e acabam se isolando e perdendo qualidade de vida. A psicoterapia e o auxílio de medicamentos que aliviam os sintomas são os tratamentos mais indicados para essa fobia.

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ABLUTOFOBIA

Quem já leu os gibis da Turma da Mônica conhece bem um dos personagens que morre de medo de tomar banho! É o Cascão. Na verdade, o Cascão tem medo de qualquer coisa relacionada à água (hidrofobia) e, por isso, acaba ficando também sem tomar banho. Saindo das páginas do gibi e vindo para as da vida real, podemos nos deparar com pessoas que simplesmente possuem verdadeiro pânico em tomar banho, limpar-se ou mesmo lavar as mãos.

A ablutofobia se origina do termo latim ablutere, que significa para lavar. Os portadores dessa fobia possuem um medo patológico em se lavar, tomar banho, se limpar. Se a fobia se agravar, pode ter medo de limpeza em geral.

Durante certo momento da infância, muitas crianças passam, de forma normal, por um período de recusa ou resistência a tomar banho, mas, com o tempo, essa situação muda e a resistência desaparece. Naquele que desenvolve tal fobia acontece o inverso. A resistência vai aumentando e se transformando em medo. Outra possibilidade, como já exposta anterior- mente, é a de que o ablutofóbico tenha, ainda na infância ou adolescência, passado por alguma situação traumática ou de constrangimento envolvendo o momento do banho, a higiene ou a limpeza, que disparou o gatilho para a fobia. O fato pode ter ocorrido com outra pessoa, e testemunhado por ele.

Assim, o ablutofóbico necessita de muita ajuda para livrar-se desse transtorno. Muitas vezes ele apresentará, também, hidrofobia, que é o medo de água, não só no ato do banho, mas de qualquer contato com água.

Deve-se, porém, tomar bastante cuidado, para não confundir aquele momento da infância de  recusa ao banho, por falta de vontade, ao medo de tomar banho. Os sintomas, que incluem resistência ao banho e a qualquer atitude em lavar-se, além de processos ansiosos frente ao chuveiro, devem estar presentes por mais de seis meses para que se possa fazer o diagnóstico, principalmente quando se trata de criança ou adolescente.

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CAETOFOBIA

O portador da caetofobia não consegue mexer nos próprios pelos e cabelos ou nos dos outros. Muitas vezes, não suporta cabelos compridos. A palavra se origina do grego khaite, que significa cabelo solto, e phobos, que quer dizer medo.

Dependendo da gravidade do problema, nem lavar os cabelos o caetofóbico consegue, pois fica enojado em mexer nos fios, sentindo-se severamente agoniado com isso.

Alguns estudos indicam que a causa do problema pode estar ligada a um alto grau de exigência com a higiene, e um mal-estar ao se deparar com fios de cabelos ou pelos em alimentos, roupas ou outros lugares que podem causar má impressão. Alguns fóbicos entram em pânico ao deparar-se com cabelos brancos, outros não chegam perto de pessoas com vasta cabeleira e outros, ainda, vivem depilados, para não terem contato com os próprios pelos.

As causas são diversas, podendo estar ligadas a traumas envolvendo pessoas com muito cabelo, na infância, ou experiências traumáticas como pegar piolho ou uma doença capilar, queda de cabelo, entre outras. Alguns fóbicos limpam demasiadamente a casa para garantir que não haverá cabelos no chão ou em móveis, outros cortam os cabelos bem curtos, alguns apresentam sintomas físicos como aceleração do ritmo cardíaco, tremedeiras, sudorese, enjoo ao deparar-se com cabelos ou pelos soltos. O tratamento envolve psicoterapia e, às vezes, medicamentos.

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HELIOFOBIA

Enquanto o medo do escuro é uma das fobias mais comuns, a heliofobia se constitui no medo irracional do sol, da claridade que ele produz e de seu calor. Para os portadores, todos os dias deveriam ser nublados ou chuvosos. Os vampiros são criaturas mitológicas, que, devido a sua maldição, não conseguem se expor à luz do dia, e precisam de sangue para viver, apesar de estarem teoricamente mortos.

Existe, porém, uma síndrome, até conhecida como síndrome do vampiro, que atinge algumas pessoas. Trata-se de um dos tipos de porfiria, uma doença que faz com que seu portador, ao entrar em contato com o sol, manifeste em sua pele bolhas e manchas dolorosas. Algumas pesquisas indicam que o mito do vampiro pode ter se originado a partir dessa doença, pois alguns médicos, no passado, in- dicavam a necessidade de hemoglobina para o tratamento da porfiria.

A heliofobia nada tem a ver com essa doença, pois, ao contrário de um distúrbio fisiológico, trata-se de um distúrbio psicológico. Também não está relacionada a uma fotofobia, que é a hipersensibilidade à luz. Os heliofóbicos possuem aversão à claridade e se incomodam profundamente com o calor do sol, evitando, ao máximo, sua exposição ao mesmo.

Sintomas como dores de cabeça, sudorese, taquicardia e outros, comuns a ataques de ansiedade, provocada pela fobia, estão presentes no dia a dia dos heliofóbicos que necessitam sair de casa em dias ensolarados. Essa fobia pode ocasionar uma série de doenças físicas, uma vez que o sol é fonte de vida e dele absorvemos a vitamina D, importantíssima para o bom funcionamento do sistema nervoso e do sistema imunológico. Heliofóbicos escondem-se do sol, da claridade solar e muitos acabam se isolando por conta desse pavor. O tratamento exige uma dessensibilização por meio da psicoterapia.

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GAMOFOBIA

A Associação Brasileira de Psiquiatria define gamofobia como um medo irracional e exagerado de casar, ou mesmo de assistir a casamentos de outras pessoas. Só de pensar em um casamento ou mesmo de assumir o compromisso do casamento, o gamofóbico começa a apresentar sintomas de pânico.

Esse medo, aparentemente sem explicação, pode ser fruto de um trauma de infância, vivenciado em relação à separação dos pais ou mesmo de outros parentes ou pessoas próximas. Ainda pode ter suas origens em traumas vividos durante uma cerimônia de casamento, que ficaram marcados emocionalmente e que, por falta de tratamento   adequado, transformaram-se, com o tempo, em fobia.

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CIBERFOBIA

Não há como negar que a agilidade da comunicação virtual, por meio da internet e redes sociais, conquistou todos. É a revolução tecnológica que não para de crescer, facilitando a globalização. Muitos negócios, reuniões, aulas e até palestras são realizados hoje virtualmente, graças à sociedade tecnológica ao nosso dispor.

Assim, de certa forma, a tecnologia virtual faz parte de nossas vidas e a cada dia temos a impressão de estarmos mais dependentes dela.

Ao nos depararmos com novos equipamentos, cada vez mais sofisticados e complexos, podemos apresentar, inicialmente, um receio de não saber utilizá-los corretamente, quebrá-los, ou ainda de ficarmos constrangidos diante de algo que não sabemos inicialmente manipular.

Isso é normal. Existem, porém, pessoas que, a partir de traumas ligados à exposição à tecnologia, estresse excessivo diante de um equipamento, desenvolvem um medo patológico de se confrontar com um computador e toda a tecnologia que o envolve. Os aparelhos passam a ser vistos como verdadeiros bichos de sete cabeças e, frente a eles, os ciberfóbicos apresentam todos os sintomas de ansiedade fóbica, como dores de cabeça, tremores, palpitações, enjoos e náuseas, entre outros.

A ciberfobia pertence a um grupo maior denominado tecnofobia, ou seja, fobia a qualquer recurso tecnológico, abrangendo outros aparelhos eletrônicos, como os smartphones, por exemplo. Essa é uma fobia que atrapalha muito a vida profissional de seu portador e deve ser tratada com psicoterapia e, às vezes, medicamentos para controle da ansiedade por meio de tratamento psiquiátrico.

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ERGOFOBIA

Na maioria das vezes, todos nós, frente a desafios como, por exemplo, enfrentar o primeiro dia em um novo trabalho, temos uma sensação de receio, aquele famoso friozinho na barriga, que, aos poucos, vai se dissipando, conforme vamos nos familiarizando ao novo ambiente. Porém, para os portadores da ergofobia, todos os dias são como o primeiro, quando se fala em trabalho. E de forma exagerada. Dores de cabeça, tonturas, náuseas, batimento cardíaco acelerado são alguns dos sintomas que os ergofóbicos enfrentam ao saírem ou tentarem sair de casa para trabalhar.

São muitas as causas dessa fobia, que pode iniciar com um medo de exposição pública, medo de falhar, medo de novos ambientes, medo de não ser capaz de executar as tarefas propostas, de perder a convivência familiar por não conciliá-las com as profissionais, ou mesmo algum trauma nos primeiros empregos.

Muitas pessoas inteligentes acabam perdendo ótimas oportunidades de desenvolvimento profissional e pessoal por causa dessa fobia. O tratamento, geralmente, é realizado por meio de psicoterapia e avaliação psiquiátrica, dependendo do caso.

OUTROS OLHARES

UM MILHÃO DE ESPÉCIES PODEM DESAPARECER NAS PRÓXIMAS DÉCADAS

Um milhão de espécies podem desaparecer nas próximas décadas

O meio ambiente vive uma devastação sem precedentes na história. Segundo um relatório da Plataforma Intergovernamental de Política Científica para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), das Nações Unidas, divulgado na segunda-feira 6, o planeta caminha para a sexta extinção em massa em toda a sua história. O futuro será degradante. Concluiu-se que cerca de um milhão, das oito milhões de espécies de animais e vegetais existentes na Terra, estão ameaçadas de extinção. Muitas delas, inclusive, poderão desaparecer nas próximas décadas. Os dados, compilados nos últimos três anos por 145 especialistas de 50 países, fazem parte de um dos maiores estudos já feitos sobre o assunto, com 1,5 mil páginas. Dentre as espécies ameaçadas, 40% do número total de anfíbios pode sumir da face da Terra, assim como um terço do total de corais e um terço de todas as espécies de mamíferos marinhos.

Um milhão de espécies podem desaparecer nas próximas décadas. 2

 

GESTÃO E CARREIRA

A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES

Conhecida pelos sanduíches naturais da linha Ateliê, a multinacional francesa Norac Foods escolhe o Brasil como mercado estratégico e aposta na marca Paderrí, de pães e bolos, para alcançar o sucesso.

A multiplicação dos pães

A alcunha “país do futuro” pode estar desacreditada, mas ainda há muitos que enxergam oportunidades de investimento no Brasil. O francês Laurent Caron, 37anos, não imaginava que seu futuro profissional estivesse aqui quando curtia a lua de mel no arquipélago de Fernando de Noronha. Era sua primeira viagem ao Brasil e Laurent ainda galgava cargos de liderança na subsidiária espanhola do Google, onde trabalhou de 2007 a 2015. Hoje, ele divide, com o compatriota Gilles Conan, a direção na operação brasileira da indústria alimentícia Norac Foods, dona das marcas Ateliê e Paderrí. Fundada em 1992 por Bruno Caron, pai de Laurent, a Norac desembarcou aqui em 2012, num saudoso cenário socio econômico promissor e convidativo. Com uma oferta diferenciada de sanduíches naturais e saladas prontas para o consumo, a Norac encontrou a fórmula para o sucesso aliando sua marca Ateliê do Sabor aos então incipientes supermercados de vizinhança das redes Carrefour Expresse Minuto Pão de Açúcar. “Chegamos num momento em que o varejo estava buscando uma oferta para os consumidores que queriam praticidade e produtos mais naturais, para uma dieta balanceada”, diz Laurent. “O investimento que fizemos no Brasil foi o primeiro fora da França”.

O Brasil era um mercado estratégico para uma companhia que ainda tinha pouca penetração mundial, embora já tivesse relevância em diversos mercados da Europa. Em novembro de 2013, a Norac inaugurava uma planta em Ibiúna, interior de São Paulo, que demandou um investimento inicial de RS 55milhões. Com área de 9,3mil metros quadrados, a operação tinha capacidade para produzir 35 milhões de itens por ano. Na ocasião, Bruno, o fundador, afirmou que apenas uma fábrica dificilmente seria suficiente para atender o mercado do estado de São Paulo, com 45,5 milhões de habitantes. O momento da expansão demorou, mas aconteceu. No mês de julho de 2018, a fábrica recebeu uma ampliação de 3 mil metros quadrados. Foram investidos R$40 milhões para a construção, instalações e novos equipamentos. “É um investimento grande para o grupo e mostra a aposta que estamos fazendo no País”, diz Laurent.

A aposta é entrar em uma categoria que ainda não tinha sido explorada pela empresa, a de pães e bolos, por meio da marca Paderrí. A estratégia por trás da bandeira inaugural é repetir o sucesso da Ateliê do Sabor, que agora só atende pelo primeiro nome. Nos últimos anos, a Ateliê encontrou um ‘oceano azul’ para navegar nas gôndolas dos supermercados. “Temos uma mudança social importante em curso. Como as pessoas trabalham muito, moram em casas menores e não têm empregada doméstica, ficou natural passar em lojas de conveniência para comer algo depois da jornada de trabalho”, diz Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).”Isso já acontece muito em países como Japão e Inglaterra”.

Como resposta aos avanços dos aplicativos de entrega, como Rappi, iFood e UberEats, os supermercados tradicionais reforçaram ofertas com opções de comidas prontas e saudáveis. “Nós imaginávamos que com a crise e o aumento do desemprego, a categoria de alimentação saudável teria uma retração, já que os produtos eram mais caros e as pessoas comeriam menos fora do lar”, diz Angélica Salado, analista da consultoria Euromonitor. “Mas aconteceu justamente o contrário. E a Ateliê foi uma das marcas que conseguiram puxar essa tendência de refeições prontas e saudáveis.”

 DESAFIOS LOGÍSTICOS

Com Paderrí, a Norac volta às origens já que, na França, a empresa lidera o mercado de panificação. Ela entra, no entanto, em um mercado extremamente pulverizado e com presença de grandes redes e supermercados com marcas próprias. “É uma nova aventura para o grupo”, diz Laurent. “Esse é um mercado que já existe no Brasil, com atores grandes e estruturados. Mas essa atividade de pães e bolos faz parte do nosso DNA.” Dentre os sete produtos iniciais da marca no País, estão receitas tradicionais francesas como brioche, crepes e o doce ‘madeleine’. Em março, a nova marca já chegava a 800 lojas, enquanto a Ateliê está presente em mais de dois mil pontos de venda nas regiões Sudeste e Sul. Sobre o faturamento da empresa no Brasil, Laurent desconversa. Diz que cresceu de maneira sustentável ao ritmo de dois dígitos nos últimos anos. A operação global da Norac Foods registrou em 2018 uma receita líquida de €886 milhões, com 5,7 mil funcionários espalhados por Europa, Brasil e Estados Unidos. Em 2013, em visita ao Brasil, Bruno Caron projetava um faturamento anual acima de R$100 milhões para a operação local.

Um desafio para a companhia é crescer nacionalmente devido às complexidades logísticas do Brasil. Com 273 empregados no País, a Norac Foods conta com uma fábrica no interior de São Paulo, um centro de distribuição no Rio de Janeiro e uma frota de 28 caminhões que entregam os produtos diretamente nas lojas. Como os itens da marca Ateliê são perecíveis, com vida útil de apenas uma semana, a empresa foi obrigada a reforçar a operação com veículos próprios. No início deste ano, a companhia buscou um parceiro logístico para levar seus produtos aos três estados do Sul. “Existe um desafio logístico para ganhar escala, principalmente em estados mais distantes das linhas de produção. Esse é o maior desafio para a Norac no Brasil hoje”, afirma Angélica Salado, da Euromonitor. Essa empreitada, no entanto, será menos difícil com Paderrí, que conta com produtos que não são refrigerados. A nova marca mostra que a francesa Norac está empenhada para encontrar, pouco a pouco, a receita para a multiplicação dos seus pães no Brasil.

A multiplicação dos pães. 2

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 15 – O SEGREDO DA TERAPIA DE RADIAÇÃO

 

COLOCANDO EM PRÁTICA

A parte I, consideramos os princípios básicos para se estabelecer no lugar secreto com Deus. Agora, vamos ver algumas dinâmicas práticas – a parte mais importante – que nos ajudarão a maximizar o potencial do lugar secreto.

Todos nós nos esforçamos para superar o pecado. A Bíblia descreve esse esforço como “luta contra o pecado”(Hebreus 12.4). Algumas pessoas se esforçam mais que os outras, em parte porque a história de vida mundana delas fez com que as raízes do pecado se tornassem mais profundamente arraigadas em seu ser. Independentemente da intensidade de nosso próprio esforço pessoal, cada um de nós já desejou ter obtido vitória de uma forma mais completa sobre os padrões pecaminosos.

O percurso até a vitória sobre pecados habituais é multifacetado e inclui arrependimento, renúncia de padrões antigos, orações de concordância, responsabilidade, perdão, negar-se a si mesmo, etc. Entretanto, desejo focar este capítulo em um segredo para superar o pecado que é, às vezes, ignorado ou esquecido. Eu o chamo de “expor-se à radiação da presença e da Palavra de Deus”.

O pecado é como um câncer; a presença de Deus é como uma radiação sobre aquele câncer. Quanto mais você ficar na presença de Deus, absorvendo sua Palavra e se deleitando em seu amor, mais poder estará introduzindo em cada fibra de seu ser.

A única forma de sermos transformados é nos aproximando do Senhor. Sua presença é o lugar de transformação. A distância de Deus sempre ocasiona regressão espiritual; a proximidade com Ele sempre traz progressão espiritual. O objetivo da voz de condenação é afastá-lo da presença de Deus – que é, em si, a fonte da nossa vitória. O objetivo da voz de convicção é aproximá-lo da face de Cristo. Para distinguir entre convicção e condenação basta considerar para qual direção a voz o está impelindo – para perto ou para longe do Senhor.

Deus sempre desejou se aproximar do homem, mas sempre que fazia isso, as pessoas morriam. A Lei (Génesis a Deuteronômio) desdobra a história apaixonante de como um Deus completamente santo, com grande desejo por seu povo, tenta se aproximar dele, somente para se deparar com a frustração recorrente de ter que matar seus integrantes devido a sua total rebelião e transgressão.

O Antigo Testamento tinha uma falha fatal. Ele exigia que o povo se mantivesse à distância, por causa da santidade de Deus. Quem cruzasse o limite, morreria. Tantos estavam morrendo no deserto que, por fim, disseram a Moisés: “Nós morreremos! Estamos perdidos, estamos todos perdidos! Todo aquele que se aproximar do santuário do SENHOR morrerá. Será que todos nós vamos morrer?” (Números 17.12-13). Deus também estava consciente do problema, pois lhes disse: “Mas eu não irei com vocês, pois vocês são um povo obstinado, e eu poderia destruí-los no caminho” (Êxodo 33.3).

Segundo Deuteronômio 5.25-27, o povo falou a Moisés que as pessoas morreriam caso se aproximassem de Deus. Por isso, pediram a Moisés para se aproximar de Deus em seu nome. A resposta de Deus foi: “Eles têm razão em tudo o que disseram” (Deuteronômio 5.28). Então, Deus concordou e manteve distância.

Entretanto, isso gerou um ciclo vicioso ascendente. As pessoas tinham que manter distância para sobreviver, mas a distância de Deus fazia com que se deteriorassem mais no pecado. Deus, por sua vez, exigia que mantivessem distância. Este era um padrão que Deus tinha que corrigir e a única solução possível foi através da cruz de Cristo. Pelo sangue da cruz, o homem pecador teve acesso imediatamente à presença do Deus santo e pôde se render à glória que transforma.

À medida que nos entregamos a essa glória, vamos sendo transformados à semelhança da glória de Cristo! A parte incrível é que a despeito de nossas fraquezas, falhas e pecados, somos agora capazes de entrar imediatamente na presença daquele que é completamente santo! Que privilégio! Somente um tolo negligenciaria ou evitaria esse lugar de transformação gloriosa e intimidade prazerosa. Deus se permitiu morrer (literalmente) para mudar seu modo de nos trazer à sua presença.

Quando entramos na presença de Deus, estamos nos expondo a for­ ças poderosas eternas. Tudo dentro de nós se transforma quando tocamos a glória radiante que é emitida da face de Deus. “O SENHOR Deus é sol e escudo” (Salmos 84.11).

O sol fornece calor, luz, energia e raios ultravioletas – radiação. Quando nos colocamos sob o sol de seu semblante, a radiação de sua glória agride as iniquidades cancerosas que nos mantêm impotentes para superá-las completamente. Passar tempo em sua presença talvez seja o procedimento mais eficaz de lidarmos com o problema do pecado crônico que nos incomoda.

Você não sabe que está sendo exposto à radiação quando isso acontece pela primeira vez. As pessoas que ficam queimadas pelo sol só percebem que foram expostas a uma radiação excessiva após o dano ter sido feito. Os efeitos da radiação são sempre retardados. O mesmo se aplica à glória de Deus. Quando passa tempo em sua presença, a princípio você pensa: “Não está acontecendo nada”. Entretanto, se você acreditar na verdade e apenas dedicar grandes períodos de tempo em sua presença, seus efeitos, por fim, serão manifestos.

Experimentei isso em primeira mão, e espero em Deus que você ouça e acredite no que estou lhe dizendo. Coisas poderosas acontecem dentro de você quando passa tempo com Deus. Quando você permanece em sua presença durante períodos prolongados, a composição molecular de sua alma é reestruturada. Você começa a pensar de forma diferente e nem mesmo sabe o motivo. Você passa a ter paixões e interesses diferentes e nem mesmo sabe o motivo.

Deus o está transformando por dentro de uma forma impossível de ser analisada cognitivamente. Tudo o que você sabe é que as paixões pecaminosas que comprometiam sua alma já não têm mais o antigo poder sobre você. O segredo é simplesmente o seguinte: passar grandes períodos de tempo na presença de Deus – amando-o e assimilando sua Palavra.

Mais um último pensamento e este capítulo será concluído. Quando Moisés permaneceu por oito dias na montanha com Deus, perto da glória ardente dele, a única explicação razoável ao fato de ele não ter morrido devido à exposição à radiação, é sugerir que o Senhor não derramou toda a intensidade de sua glória em Moisés.

Entretanto, a história sugere que Deus ajudou Moisés a “desenvolver” a capacidade de suportar essa tremenda exposição à glória. O princípio é o seguinte: quanto mais tempo você passar em sua presença, maior será a tolerância a grandes manifestações de radiação e glória.

Podemos dizer que você começa a desenvolver um protetor solar? Aqueles que se expõem a grandes quantidades de radiação da glória de Deus tornam-se candidatos às intensidades cada vez maiores de glória. “De glória em glória.”

Isso faz você desejar sair correndo para o lugar secreto, não faz?