A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MEDOS INCOMUNS E PERIGOSOS PARA A SAÚDE – I

As fobias se apresentam como uma das principais manifestações dentro do espectro de ansiedade patológica e algumas podem parecer bem estranhas aos olhos comuns, mas devem ser levadas a sério e tratadas com o auxílio da psicoterapia e, às vezes, com intervenção psiquiátrica

Medos incomuns e perigosos para a saúde

Apesar de fazer parte da natureza humana, o medo, quando exagerado e constante, se transforma em patologia fóbica. As fobias existem graus diferentes e, dependendo da   gravidade, podem comprometer a vida de seus portadores. Há pessoas que, por uma determinada fobia, por exemplo a insetos, não entram em lugares que tenham grama ou mata, de forma alguma. Outros preferem viajar quilômetros por rodovias por medo de enfrentar um avião.

Todo processo fóbico requer atenção de um especialista. Existem fobias tipicamente infantis.   Sabe-se, assim, que uma fobia infantil não cuidada poderá ser levada para a vida adulta, pois, ao contrário de alguns medos da infância, que, com o tempo e o amadurecimento, desaparecem naturalmente, as fobias não desaparecem sem o devido trabalho terapêutico.

Também podem ser decorrentes de um trauma (consciente ou não), ou, ainda, da vivência de uma situação negativa, que posteriormente desencadeia o processo fóbico. Quando esses fatos ocorrem, o cérebro registra em sua memória afetiva ou emocional tal situação traumática, e a cada exposição posterior, ou ameaça de encontro com o fator desencadeante, todos os sentimentos e reações de ansiedade fóbica voltam a aparecer, provocando uma crise que pode até se transfigurar em um ataque de pânico.

A adrenalina e o cortisol, hormônios liberados pelo medo diante de ameaças, são extremamente liberados durante um ataque de pânico ou crise fóbica, e todo o sistema nervoso prepara o corpo para duas reações possíveis frente ao objeto ameaçador: luta ou fuga. No caso do fóbico, ele optará sempre pela fuga ou evitação, sentindo todas as reações do corpo para essa situação.

Os sintomas ou reações são variados, mas, em geral, o fóbico apresenta falta de ar, tremedeira, taquicardia, sudorese, alterações na pressão arterial, tonturas, que são reações fisiológicas próprias do organismo em vista de uma ameaça real. O grande problema é que na fobia a ameaça também pode ser irreal, uma hipótese, e mesmo assim desencadear todo o processo.

Alguns estudiosos estão investigando uma relação entre genética e fobia, acreditando que de alguma forma o medo seja algo hereditário. Essa seria uma outra causa para o aparecimento do problema.

O tratamento das fobias, em geral, envolve a psicoterapia, e, em muitos casos, o tratamento psiquiátrico, com uso de medicamentos que diminuem ou atenuam os sintomas ansiosos. Existe uma lista enorme de fobias, um medo para quase tudo, e algumas muito estranhas ou esquisitas. Todas devem ser vistas com seriedade e tratadas adequadamente.

Medos incomuns e perigosos para a saúde. 2

EISOPTROFIA

Ao contrário da madrasta da Branca de Neve, que amava um espelho e idolatrava a própria imagem, existem algumas pessoas que simplesmente têm pânico de se verem na frente de um. Eisoptrofobia é uma palavra de origem grega que vem de eis, que significa dentro de, optikos, cujo significado é visão, e phobos, que significa medo.

Essa fobia pode nascer de um perfeccionismo extremo em relação à própria aparência ou até uma baixa autoestima em vista de uma sociedade tão opressora em relação a padrões de beleza. Assim, como existem os transtornos dismórficos corporais, como o caso da anorexia, em que a pessoa se vê de outra forma e não a real, existe também a eisoptrofobia, um medo de enxergar marcas de expressão ou rugas, defeitos ou algo que o fóbico considere como tal, ou ainda uma paranoia em relação aos detalhes que o espelho revela.

Alguns eisoptrofóbicos, porém, justificam a causa relacionada a essa fobia como sendo um medo do sobrenatural, advindo, talvez, de superstições antigas, que envolvem os espelhos, quase sempre presentes em histórias e lendas, nos filmes e na literatura ou mesmo em tradições não tão distantes.

Em várias culturas, crianças são proibidas de se olharem no espelho antes de um ano de idade, para que sejam protegidas de uma maldição. Algumas tribos antigas diziam que ao verem seus reflexos na água poderiam deparar-se com espíritos malignos. Na literatura, os vampiros não conseguem enxergar seus reflexos no espelho, por não possuírem alma.

Assim, influenciados por algum desses fatores, ao se olharem em espelhos, os eisoptrofóbicos podem imaginar que de lá poderão sair espíritos, monstros ou que poderão enxergar a própria alma transfigurada. Nesses casos, alguns não possuem de forma alguma espelhos em casa e entram em pânico quando seus reflexos aparecem em algum objeto.

As fobias, muitas vezes, são desencadeadas por fatores inconscientes e muitos que possuem esse transtorno nem sabem por que o têm. O tratamento nesses casos exige terapia e uma exposição gradual ao espelho. Veremos na sequência outras fobias estranhas e como elas prejudicam a vida das pessoas.

OUTROS OLHARES

UMA VITÓRIA PARA O CIGARRO ELETRÔNICO

O sinal verde do departamento de saúde dos Estados Unidos abre caminho para a popularização de novos dispositivos para fumantes e cria um cenário promissor para a decadente indústria do tabaco.

Uma vitporia para o cigarro eletrônico

A Philip Morris International, uma das maiores fabricantes globais de cigarro, dona de marcas como Marlboro, L&M e Chesterfield, começou 2019 com uma inusitada resolução de ano-novo. No Reino Unido, a companhia lançou uma campanha contra seus próprios produtos, pedindo para que os britânicos deixem de fumar. “Você pode ajudar a antecipar o dia em que todo o Reino Unido não terá mais fumaça”, diziam os anúncios estampados em jornais, revistas e outdoors. Por trás do anti-marketing havia um produto: o cigarro eletrônico. A empresa desembolsou mais de US$ 6 bilhões nos últimos 15 anos para desenvolver dispositivos que, segundo estudos independentes, reduzem em até 95% as substâncias que fazem mal à saúde. Suas concorrentes, como a Souza Cruz, do grupo British American Tobacco (BAT), fizeram o mesmo, cientes de que a os e-cigaretts são fundamentais para a saúde e sobrevivência da indústria do tabaco. Grandes países consumidores como Estados Unidos, no entanto, proibiam a comercialização, mas isso começa a mudar.

Na última semana, a Food and Drugs Administration (FDA), agência de vigilância sanitária americana, liberou a venda do Iqos, sistema de tabaco eletricamente aquecido da Philip Morris. Depois de três anos de análise e mais de 400 mil páginas de laudos científicos, o departamento considerou que a tecnologia que aquece o tabaco – sem atingir a combustão – é apropriada como forma de reduzir os estragos do à saúde pública.

O sistema Iqos é o primeiro produto de tabaco aquecido eletricamente a ser autorizado para venda nos EUA e deve abrir caminho para que produtos semelhantes de outros fabricantes também sejam liberados. “A decisão da FDA de autorizar o Iqos nos EUA é um passo importante para os cerca de 40 milhões de homens e mulheres americanos que fumam. Alguns vão parar. A maioria, não. Para eles, a Iqos oferece uma alternativa livre de fumaça”, diz André Calantzopoulos, CEO da Philip Morris. “Em apenas dois anos, 7,3 milhões de pessoas em todo o mundo abandonaram os cigarros e mudaram completamente para o Iqos. Estamos determinados a substituir os cigarros por alternativas sem fumaça que combinem tecnologia sofisticada e validação científica intensiva. O anúncio da FDA é um marco histórico”.

No Brasil, os cigarros eletrônicos seguem proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O processo de análise está parado lá há dez anos. O órgão alega que, embora estudos indiquem que o produto gere menos danos à saúde, não existe comprovação quanto à segurança da utilização. “A vedação atual ao cigarro eletrônico no Brasil está baseada nos dados então disponíveis e nos argumentos apresentados pelas autoridades de saúde. Um deles é a preocupação com a alegação de que o cigarro eletrônico traz menos risco à saúde sem que isto tenha sido demonstrado de forma clara em estudos”, informou a Anvisa, em nota. “Essa afirmação transmite a falsa sensação de segurança e pode induzir não fumantes a aderirem ao cigarro eletrônico.”

A aprovação do Iqos nos Estados Unidos deve, no entanto, contribuir para que os técnicos da Anvisa mudem sua posição, segundo o diretor de assuntos corporativos da Philip Morris no Brasil, Fernando Vieira. “Estamos confiantes que a Anvisa irá retomar o cronograma do processo regulatório e voltar a debater o tema”, afirma o executivo. “Sabemos que a inovação vem sempre antes da regulamentação.

Uma vitória para o ciharro eletrônico. 2

GESTÃO E CARREIRA

DOUTORA TECNOLOGIA

Telemedicina, órgãos artificiais, edição de genes e robôs. Saiba quem são os profissionais que vão conduzir a medicina do futuro.

Doutora tecnologia

Os investimentos em empresas de tecnologia só crescem. E na saúde não é diferente. Segundo um levantamento global da consultoria Deloitte, os aportes nos negócios inovadores desse segmento terão incremento de 15,8% nos próximos três anos. Até 2022, serão injetados 280 bilhões de dólares por ano em companhias que apresentarem soluções para que as pessoas vivam mais — e melhor. De fato, o mundo carece de ideias inovadoras e escaláveis que supram as necessidades médicas de populações carentes e periféricas. Um estudo conduzido pela Comissão de Saúde Global de Alta Qualidade, financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates, estima que 1,6 milhão de cidadãos em países de renda média e baixa morram por ano por falta de acesso a serviços médicos. No Brasil, embora os gastos com saúde consumam 8,9% do PIB, falta atendimento em centenas de pequenos municípios distantes dos centros urbanos. Nesse contexto, ganha especial destaque a telemedicina — atendimento a distância mediado por plataformas tecnológicas. O setor ainda é considerado digitalmente atrasado, já que a maneira como os serviços de saúde são oferecidos mudou pouco nas últimas décadas. Para ser atendido, seja no sistema público, seja no privado, a pessoa precisa agendar consulta, marcar horário de acordo com a disponibilidade do profissional e sair de casa para ir até a clínica ou o hospital. “O médico tradicional está para o taxista como o motorista de Uber está para a telemedicina. É preciso mudar a forma de trabalhar, acompanhando as necessidades do mercado e dos pacientes. Cada vez mais os tratamentos vão se adequar a um modelo que mescla o mundo real com o virtual”, diz Enrico De Vettori, responsável pela área de saúde da consultoria Deloitte.

Mas, se a transformação, por um lado, é inevitável, por outro, envolve grandes desafios. A regulamentação é a principal delas. A própria telemedicina tem gerado discussões acaloradas no Brasil. O conceito ganhou notoriedade por aqui em fevereiro deste ano, quando o Conselho Federal de Medicina (CFM) propôs liberar a prática no país. Apesar de, em tese, muitos médicos já utilizarem telefonemas, chamadas de vídeo ou mensagens no WhatsApp para esclarecer dúvidas, conselhos regionais, sindicatos médicos e associações de especialistas se manifestaram contra a telemedicina. Apontam, entre outras razões, que o atendimento virtual enfraquece a relação entre médico e paciente e alegam que é necessário garantir, num primeiro contato, o exame clínico presencial. Após a polêmica, o CFM voltou atrás e abriu consulta pública sobre o assunto (ainda não há parecer).

Em países desenvolvidos, como Estados Unidos, Canadá e Israel, a medicina a distância já é realidade. Nesses lugares, o paciente compra uma consulta pelo aplicativo e fala com o médico em tempo real por vídeo. Além disso, dispositivos móveis são usados para aferir a pressão arterial, fazer eletrocardiograma e até examinar a garganta. Com isso, o médico faz uma análise remota e prescreve a medicação, que pode ser enviada diretamente a uma farmácia ou ser entregue em casa.

Segundo Chao Lung Wen, professor na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e chefe da disciplina de telemedicina, a modalidade só funciona quando integra o raciocínio médico aos recursos digitais para aumentar a assertividade do diagnóstico. Apesar das ressalvas, ele acredita que essa vertente é um caminho sem volta. “Ela promove maior agilidade e acessibilidade”, diz.

Na visão do especialista, sair de casa para enfrentar um pronto-socorro abarrotado só deve acontecer em casos de real emergência. O especialista exemplifica como problemas simples poderão ser solucionados a distância: usando um smartphone com otoscópio agregado, os pais examinam o ouvido da criança, e a imagem é compartilhada em tempo real com o pediatra, que dá orientação por teleconferência. “Até 2025, a incorporação da telemedicina na prática diária exigirá novas competências e familiarização no uso de tecnologias. Os profissionais precisam fazer cursos de atualização na área”, diz Chao. Para ele, conhecimento em ética e segurança da informação também será fundamental para quem for trabalhar com saúde no futuro.

 FORÇA IRREFREÁVEL?

Enquanto alguns defendem que a regulamentação excessiva desencoraja a inovação do setor, outros afirmam que a liberação sem freios da tecnologia na medicina pode causar risco de morte (aos pacientes) e desemprego (entre os profissionais). Os argumentos contrários vão da falta de segurança no diagnóstico ao fato de o atendimento digital ser menos humano que o pessoal.

Enquanto as discussões acontecem, a evolução tecnológica segue seu próprio ritmo. Hoje, órgãos artificiais são produzidos em impressoras 3D, adesivos eletrônicos efetuam eletrocardiograma, avaliam a função respiratória e conferem o teor de açúcar no sangue, transmitindo os resultados por meio do Bluetooth, e as casas já monitoram a saúde de seus moradores. Sim. Engenheiros do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, modificaram um roteador sem fio de modo a capturar sinais vitais e o padrão de sono das pessoas que vivem ali. Os robôs-enfermeiros também estão a todo vapor. Em hospitais no Japão, eles fazem triagem dos pacientes, indagando os sintomas e acessando os registros médicos disponibilizados na internet — há até um humanoide capaz de confirmar por ultrassom a veia mais adequada à retirada de sangue ou colocar um acesso intravenoso. Em alguns países da Europa, os robôs são usados como cuidadores, para erguer e mover pacientes, e assistentes de fisioterapia, para auxiliar nos exercícios físicos. Mesmo com tudo isso, de acordo com Anurag Gupta, analista da consultoria de mercado Gartner, os funcionários de carne e osso devem continuar relevantes. “A capacidade da maioria dos profissionais de saúde será reforçada pelo digital, não substituída”, diz.

Doutora tecnologia. 2

MÃO DE OBRA ESPECIALIZADA

Estudiosos acreditam que no futuro a medicina dever focar menos o tratamento de doenças e mais a prevenção. E não faltará oportunidade para médicos capazes de conduzir essa mudança, inclusive aqueles com veia empreendedora e ideias para solucionar gargalos.

Para Giovana Tarnovschi, gerente sênior da Michael Page, consultoria de recrutamento de São Paulo, houve aumento no último ano da demanda por posições em empresas de saúde com foco em inovação e tecnologia. “Quem atua na saúde e tem capacitação e experiência nessas áreas já recebe um salário 30% maior”, afirma. Caio Arnaes, gerente sênior de recrutamento da Robert Half, outra consultoria que registrou alta nas vagas do setor de saúde, descreve as funções com aumento de procura: “Há posições de big data, desenvolvimento de software e gerenciamento de projetos”. Além do pessoal de TI, entram na lista especialistas em genética, cuidadores de idosos e geriatras. Isso porque, em 2030, haverá o mesmo número de crianças e idosos, de acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Também é consenso entre os recrutadores que crescerá a busca por médicos que dominem a área de e-care (gestão e promoção de saúde) e tenham conhecimento técnico em dispositivos de atendimento residencial. “O perfil que as empresas da saúde buscam é o do médico que vai além da medicina, enxergando a importância das áreas de apoio do hospital, como tecnologia, finanças e marketing”, diz João Marcio Souza, CEO da Talenses Executive, empresa especializada em recrutamento de alta liderança. No futuro, o médico de jaleco branco e estetoscópio no pescoço deverá ficar apenas na memória.

FUTURO MÉDICO

As principais tendências para quem atua na área da medicina

TELEMEDICINA

Apesar das questões de regulamentação ainda em discussão no brasil, a prática médica realizada a distância mostra-se uma solução viável para aumentar o acesso aos serviços de saúde, especialmente em locais remotos.

GESTÃO COM TECNOLOGIA

Em um cenário de pressão de custos em toda a cadeia, a tecnologia poderia oferecer excelência clínica ao evitar a repetição de exames e direcionar os tratamentos. Do ponto de vista operacional, haveria ganhos em produtividade e otimização de custos.

ÓRGÃOS ARTIFICIAIS

Partes do corpo impressas em 3d seriam capazes de substituir as funções dos organismos originais quando estes entrassem em falência.

INTERNET DA SAÚDE

Uso de aplicativos com funções que contam passos, medem a frequência cardíaca, acompanham as contrações na hora do parto e permitem ao paciente monitorar-se por conta própria e ir ao médico apenas quando encontrar alguma anormalidade.

EDIÇÃO DE GENES

Cirurgias poderiam ser feitas diretamente em um gene para modificar a sequência do DNA no interior do cromossomo. Dessa forma, seria fácil alterar condições que levam o paciente a desenvolver doenças como fibrose cística e até mesmo eliminar o vírus HIV.

ROBÔS

Equipamentos supertecnológicos auxiliariam profissionais em vários procedimentos, como triagem de pacientes e realização de cirurgias com pouco monitoramento humano.

 

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 14 – O SEGREDO DA VIGILÂNCIA

 

Jesus associou a oração com a observação vigilante. Duas vezes Ele falou para seus discípulos: “Vigiem e orem” (Marcos 13.33; 14.48). Portanto, há algo sobre a oração que diz respeito a olhos abertos, atentos e alertas. No lugar secreto, não nos escondemos dos eventos atuais como uma avestruz enterrando sua cabeça na areia; em vez disso, trazemos nossa consciência dos eventos atuais à luz da busca das Escrituras e do Espírito de Deus.

A exortação de Jesus para vigiar está especialmente associada a seu retorno à terra:

Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão somente o Pai. Fiquem atentos! Vigiem! Vocês não sabem quando virá esse tempo. É como um homem que sai de viagem. Ele deixa sua casa, encarrega de tarefas cada um dos seus servos e ordena ao porteiro que vigie. Portanto, vigiem, porque vocês não sabem quando o dono da casa voltará: se à tarde, à meia-noite, ao cantar do galo ou ao amanhecer. Se ele vier de repente, que não os encontre dormindo! O que lhes digo, digo a todos: Vigiem! – Marcos 13.32-37

Sem dúvida, esta é uma das mais fascinantes e urgentes exortações de Jesus. Ele não poderia ter deixado esta mensagem mais clara. Ele estava conclamando os cristãos para que em todo o tempo ficassem em alerta constante, vigilantes e atentos. E o foco de nosso alerta é sermos encontrados vigilantes quando nosso Senhor retornar.

Perguntaram a um pastor quantas pessoas vinham a sua igreja. Ele respondeu: “Oh, 800 são os que dormem”. Infelizmente, uma quantidade muito grande de crentes está adormecida neste momento tão importante da história humana.

O Senhor nunca colocou em nós o fardo de investigar o futuro, em­ bora nos chame para ficarmos alertas em relação à hora em que vivemos e para percebermos os sinais dos nossos tempos. Ele espera que nós tenhamos entendimento e consciência sobre o hoje.

Conheço somente um único caminho para colocar em prática este mandato urgente: através da aplicação atenta ao lugar secreto. É no lugar secreto que:

– Aguçamos nossos sentidos espirituais para os avisos de Deus.

– Interpretamos os eventos atuais através da lente da Palavra de Deus.

– Anotamos aquelas partes e temas das Escrituras que o Espírito Santo está evidenciando no momento.

– Calibramos constantemente nossas almas e mentes com as palavras retas do Senhor.

– Silenciamos nossos corações tempo suficiente para ouvir.

– Contemplamos com atenção enlevada no trono de Deus.

– Lançamos fora todo o adormecimento espiritual por sermos acesos e renovados em amor.

Uma palavra importante desta hora é “percepção”. Jesus deseja que fiquemos alertas e sejamos capazes de perceber os sinais dos tempos. A percepção será cultivada não pela leitura do jornal da manhã, mas pela leitura da Palavra de Deus. Ganhamos percepção somente através do poder do Espírito Santo (Filipenses 1.9).

Aqueles que permanecem atentos no lugar secreto receberão sabedoria para perceber o mistério da iniquidade e o mistério divino na terra hoje. Muitas vezes em meu lugar secreto eu coloquei tudo de lado, como minhas leituras e pedidos de oração, e fiz uma pausa apenas para fazer esta pergunta: “Senhor, o que você está fazendo na terra hoje? Quais temas o Senhor está enfatizando exatamente agora? Em meio a quais grupos de pessoas o Senhor está se movendo de uma forma incomum? O que o Senhor deseja que eu enxergue quanto ao dia e a hora em que estou vivendo? Qual é a minha função em suas atuais atividades?”.

Depois disso, espero por Ele para obter insight e entendimento. Oh, como meu coração deseja estar completamente alerta e comprometido com as coisas que estão no coração de Deus para este presente momento!

“Eis que venho como ladrão! Feliz aquele que permanece vigilante e conserva consigo as suas vestes, para que não ande nu e não seja vista a sua vergonha” (Apocalipse 16.15). Quando um ladrão faz “uma visita”, ele geral­ mente deixa pequenos sinais de sua presença – o girar de um trinco, o som de passos, o esbarrão em um objeto não visto, etc. De um modo similar, também podem existir sinais sutis da vinda de Cristo que somente a pessoa que estiver alerta perceberá. Aqueles que vigiam, se estiverem atentos, poderão efetivamente perceber os sons da vinda de Cristo. Seria bênção ser encontrado trabalhando ativamente e em alerta nesse momento:

Estejam prontos para servir, e conservem acesas as suas candeias, como aqueles que esperam seu senhor voltar de um banquete de casamento; para que, quando ele chegar e bater, possam abrir-lhe a porta imediatamente. Felizes os servos cujo senhor os encontrar vigiando, quando voltar. Eu lhes afirmo que ele se vestirá para servir, fará que se reclinem à mesa, e virá servi-los. Mesmo que ele chegue de noite ou de madrugada felizes os servos que o senhor encontrar preparados. Entendam, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não permitiria que a sua casa fosse arromba­ da. Estejam também vocês preparados, porque o Filho do homem virá numa hora em que não o esperam. – Lucas 12.35-40

O lugar secreto é o lugar de cumprir estas palavras de Cristo. Não há substituição nem alternativa. É no jardim com o seu Senhor que você cinge à cintura para ação imediata e prepara suas candeias até elas queimarem com paixão ardente.

Não durma. Em vez disso, vigie e ore. Esse é o grande segredo de estar pronto para a volta iminente daquele que ama sua alma.