A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DESLIGAR OU DESLIGAR-SE?

A presença das novas tecnologias na vida das famílias é irreversível, porém o controle da sua utilização deve ser cuidadoso, como o de todas as demais atividades

Desligar ou desligar-se

Na era televisiva, quando os pais decidiam encerrar o dia dos filhos frente à tevê, ou mesmo quando queriam que se dedicassem a outras atividades, bastava desligar o aparelho. Era um botão a ser acionado e pronto. Havia choros, resmungos, mas o caso estava encerrado.

Hoje, temos uma infinidade de opções tecnológicas ao dispor das crianças e jovens e não basta desligar o computador, pois há o tablet, o celular, os jogos eletrônicos… e quem não aderir ao uso dessas tantas possibilidades que nos plugam instantaneamente com o mundo praticamente torna-se um ser fora de seu tempo, isolado do meio social.

Afinal, as crianças de hoje nascem “plugadas”, como se diz popularmente, e os pais ficam sem saber como agir frente aos inevitáveis confrontos que surgem.

Adultos e crianças usam da tecnologia e da internet para praticamente tudo: estudo, trabalho, lazer… Informações de toda ordem são transmitidas e não se pode negar que ocorre um ganho real, pois há trocas significativas, importantes, diversificadas, de cunho informativo atualizado que advém da internet, dos jogos eletrônicos, que constituem por si mesmos um rico ferramental no desenvolvimento de várias habilidades mentais.

Criou-se, a partir da segunda metade do século XX, um modo de comunicação e entretenimento que envolve desde os muito jovens até os adultos, que se não substituiu os livros, de alguma forma tomou boa parte do lugar desses.

entretanto, complicações trazidas às já complexas questões contemporâneas referentes à disciplina se ampliaram à medida que o uso dessas máquinas se alastrou e se tornou de uso tão comum que realmente é difícil saber o limite entre o que é ou não saudável para as crianças. E para os adultos também, que, afinal, são os responsáveis pelo exemplo.

Somos a princípio muito protetores com nossos filhos no dia a dia, mas facilmente permitimos que fiquem expostos à estimulação, violência encoberta sob a forma de veículos tecnológicos. Como? Para começar, o estímulo visual e auditivo, continuado, intenso, extremamente envolvente, gera no cérebro uma condição prazerosa, pois instiga o sistema límbico a liberar dopamina, gerando bem-estar, levando ao comportamento de repetição   do comportamento, por vezes exagerado e pernicioso. Por isso a dificuldade em parar, em desligar o jogo, pois sempre há uma nova etapa a vencer. Casos dramáticos de comportamento aditivo já foram descritos até em crianças pré-escolares.

Perdemos muito em conhecimento com o excesso de informação que nos chega pela internet. O tempo de leitura, de assimilação, de pesquisa, se reduz consideravelmente frente ao inesgotável torrencial de dados que é possível obter em minutos!

A questão toda é o cuidado, o limite que se deve colocar no uso dos eletrônicos e da internet. Afinal, ninguém só trabalha, faz esportes ou estuda o dia inteiro. As atividades   diárias devem ser múltiplas, permitindo contato com diversas situações, experiências e pessoas. As trocas presenciais são comprovadamente indispensáveis para a saúde mental, para o equilíbrio emocional e permitem um crescimento mais sadio.

Intercalar atividades, dosar os horários, colocar sempre as atividades que exigem sua atenção, esforço mental (como tarefas escolares) antes do lazer vão impedir que cenas de birra por deixar um jogo, em troca de fazer lições, aconteçam.

De forma alguma uma criança sai à rua sozinha em um bairro desconhecido, não é? Então, como pode navegar sem a presença de um adulto por sites que podem levar a conteúdos inesperados ou a contatos indesejados? Antes dos dez anos é contraindicado que crianças naveguem sem um adulto por perto e, quanto menor a criança, maior a vigilância, a orientação que a família deve oferecer. Um horário gradual deve ser estabelecido de acordo com a idade e a possibilidade de um responsável estar presente e atento enquanto o pequeno navega pela internet ou quando está jogando, pois todos os momentos podem ser importantes para uma intervenção adulta sobre o tempo utilizado e o conteúdo visto.

assim, também, celulares sofisticados de acesso à internet devem ser deixados para mais tarde. A princípio as crianças a partir dos seis anos podem receber (se necessário) um celular que lhes permita falar apenas com seus pais e familiares, mas com ele receber algumas regras de uso:  guardar o aparelho nas horas de estudo (para evitar a dispersão), nas refeições com  a família (e os pais devem fazer o mesmo) e após o jantar o aparelho deve ser desligado definitivamente: uma noite de sono é muito importante para um cérebro em formação.

É bom que se diga também que jogos eletrônicos bem utilizados, sem dúvida, estimulam positivamente o cérebro infantil, aumentam a massa cinzenta, desenvolvem habilidades específicas e levam à uma participação social de outra ordem, à qual não se pode negar a importância.

Dizer não pode não ser simpático nem agradável, mas, como em todas as demais áreas da educação, é indispensável para impor limites seguros. Afinal, frente à necessidade de uma boa noite de sono, sem toda essa estimulação cerebral dispensável, e com tantos bons livros infantis para serem lidos por pais e filhos, jogos de tabuleiro a serem experimentados, conversas e trocas a serem feitas… Sempre é bom pensar em modificar a rotina e deslig@r-se da tecnologia.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É editora da revista Psicopedagogia da ABPp e autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem.

 irenemaluf@uol.com.br

OUTROS OLHARES

DADOS PARA TODOS

Evento global sobre analytics promovido pela SAS estimula a democratização da tecnologia em todos os setores da sociedade, do mundo corporativo às instituições acadêmicas.

Dados para todos

O centro de convenções de Dallas, no Texas (EUA), foi invadido por um tsunami de tecnologia e inovação entre os dias 28 de abril e 1º de maio, com um dos eventos mais importantes do planeta sobre análise de dados — ou, como muitos preferem dizer, analytics. O encontro foi promovido pela SAS (Statistical Analysis System), criadora de alguns dos softwares de bancos de dados mais usados no mundo e uma das pioneiras no segmento de inteligência digital de negócios. Uma empresa de tecnologia que, aliás, está bem longe do estereótipo “nós-vamos-dominar-o-mundo”, comum aos jovens titãs que habitam o Vale do Silício. Entre 1976 e 2001, a organização funcionou como um instituto. E ainda hoje é conduzida por um de seus cofundadores, Jim Goodnight, um simpático senhor de 76 anos.

Formatado no padrão do South by Southwest — ou SXSW, festival anual que ocorre na quase vizinha Austin, também no Texas —, o fórum global apresentou diversos painéis simultâneos, com cases e estudos desenvolvidos a partir das plataformas de análise de dados da SAS. Workshops “mão na massa” e uma feira com exemplos de sucesso em diversas indústrias também bombaram.

“Queremos democratizar a análise de dados. Ela não é mais um domínio exclusivo dos profissionais capazes de programar computadores. Se a transformação digital é inevitável, como todos concordam, qualquer um pode contribuir com a ciência de dados”, diz Oliver Schabenberger, vice-presidente e COO global da SAS. O executivo também enfatiza que a apresentação de exemplos inspiradores é um dos principais focos do encontro. “Esse é o tema da nossa conferência: a tecnologia de análise de dados em ação, solucionando problemas.”

Dados para todos. 2

FASCINANTE E PERIGOSO 

O cardápio deixou claras a amplitude e a importância da análise de dados. Da medicina ao varejo, da educação ao sistema financeiro, vivemos em um mundo conectado, no qual as pegadas digitais que deixamos pelo caminho são transformadas em dados sobre cada um de nós. Um tema tão fascinante quanto potencialmente perigoso. Exatamente por isso, é cada vez mais importante disseminar conhecimento sobre ele.

A participação de brasileiros foi uma das marcas do fórum. Empresas como a TIM Brasil, por exemplo, tiveram a oportunidade de apresentar seus casos. E nossos acadêmicos também puderam subir ao palco para mostrar seus trabalhos. Um deles foi Bruno Paixão, cientista de dados da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Ele analisou as postagens feitas por todos os candidatos nas redes sociais durante a última eleição presidencial. E mostrou com impressionante clareza como o desempenho digital de cada um deles foi decisivo na corrida eleitoral. “O fórum da SAS foi uma oportunidade única de entrar em contato com o que acontece no cenário mundial”, diz o cientista. “Também saí com a consciência de que o Brasil não está atrás dos outros países em termos de capital intelectual, só precisamos de um ambiente mais propício à inovação no País”, conclui.

Como todo grande evento, o SAS Global Forum será lembrado pelo brilho de suas maiores estrelas. Uma delas foi Reshma Saujani, advogada e candidata derrotada ao Congresso norte-americano, mais conhecida por ser a criadora da ONG Girls Who Code — ou Garotas que Escrevem Códigos. Para ela, a tecnologia é a chave para o sucesso das próximas gerações. “Hoje, a diferença de gênero nas empresas digitais é um problema globalizado”, afirma Saujani. “Nossa iniciativa tem o objetivo de evitar que as meninas fiquem com esse buraco em sua educação. Por isso as ensinamos a escrever códigos e analisar dados.”

Mas niguém brilhou mais que Michio Kaku, físico teórico (leia a entrevista ao lado). Para ele, que apresentou suas previsões para os próximos 20 anos, nossas vidas já foram definitivamente transformadas pela tecnologia. “Hoje, um smartphone pode te dar qualquer tipo de informação, até dizer se você está sendo traído. No futuro, uma lente de contato inteligente te dirá absolutamente tudo sobre um produto, um lugar ou uma pessoa. Bastará perguntar”, afirma o cientista. E Kaku se mostra otimista ao ressaltar um dos aspectos positivos do avanço avassalador da tecnologia — ao menos, durante as próximas décadas. “A internet saberá todos os dados do consumidor e do comerciante. Por isso as indústrias terão de desenvolver produtos e serviços cada vez melhores, elas saberão quais são as necessidades reais do público por meio da análise de dados”, decreta o físico. “E isso levará a um aperfeiçoamento do capitalismo, a um capitalismo perfeito.” A conferir nas cenas do próximo capítulo.

GESTÃO E CARREIRA

A BATALHA DA VENDA DIRETA

Na disputa pelo mercado de cosméticos, as principais empresas do setor, como a Hinode, capricham nos prêmios e em outros meios de atrair e reter quem mais influi nos resultados – os revendedores.

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Quatro cruzeiros pela costa brasileira, duas viagens para Cancún, no México, e duas para a Disney,  nos Estados Unidos. Uma hospedagem em um resort. Um passeio até a Espanha e a França. Dois carros zero-quilômetro. Esses foram os prêmios por desempenho que a paulistana Kelly Rodrigues, de 41 anos, recebeu ao longo de cinco anos de trabalho como consultora de vendas da empresa de cosméticos e produtos de higiene Hinode. Kelly faz parte de uma legião de 700.000 consultores que ajudaram a empresa a faturar 2,7 bilhões de reais em 2018 – ante 1,5 bilhão no ano anterior. A Hinode pratica o chamado marketing multinível, no qual cada consultor ganha uma comissão sobre a venda realizada pela equipe de revendedores que conseguir arregimentar. Sob seu guarda-chuva, Kelly tem hoje um grupo de 5.000 revendedores subordinados, garantindo uma renda média de 80. 000 reais por mês. A consultora, que no início buscava apenas ter uma renda extra, acabou transformando essa atividade em seu negócio em tempo integral. “Depois de dois anos vendendo para a Hinode, encerrei minha agência de serviços via internet e passei exclusivamente a multiplicar minha rede de consultores”, diz Kelly. “Quando repasso a oportunidade de venda para outros, melhoro a possibilidade de lucro deles e ganho um percentual.”

Os números e os prêmios conquistados por Kelly enchem os olhos, mas ela é uma exceção. A Hinode não informa a receita média dos consultores, mas, com base no faturamento da empresa e no número anunciado de revendedores, é possível estimar que cada um ganha, em média, menos de meio salário mínimo por mês. Mas aqui está o pulo do gato da Hinode: nem todos os consultores são, de fato, revendedores dos produtos da marca, mas consumidores finais. Isso porque muitos consultores fazem o pedido mínimo de 360 reais de produtos – que incluem não apenas cosméticos, mas também itens de higiene pessoal, vitaminas e café – para consumo próprio, por preços abaixo do mercado, e os revendem quando encontram uma oportunidade de repassá-los a outras pessoas com uma margem de lucro de até 100%. “Os consultores vendem os produtos pelo dobro do preço que compram de nós”, afirma Eduardo Frayha, vice-presidente de vendas da Hinode. “É um modelo que permite aumentar o lucro da empresa e dos vendedores.” Com esse sistema, a Hinode – negócio que nasceu na garagem da família do presidente Sandro Rodrigues em Lauzane Paulista, um bairro da zona norte de São Paulo, há 30 anos – transformou-se num gigante que incomoda outras empresas de cosméticos. Além do exército de consultores, a marca conta com 1.485 franquias Brasil afora para entregar produtos exclusivamente aos revendedores. Em dezembro do ano passado, a Hinode deu uma demonstração de força ao juntar cerca de 45.000 pessoas, entre consultores e franqueados, na arena Allianz Parque, onde realizou sua convenção anual – um evento para premiar os melhores revendedores, lançar produtos e promover a marca.

O modelo de marketing multinível da Hinode é apenas um dos tantos realizados por empresas que trabalham com vendas diretas, sistema no qual os produtos são vendidos no corpo a corpo com os consumidores, sem a mediação de um estabelecimento. Estima-se que cerca de 4 milhões de  pessoas trabalhem com esse tipo de comércio no Brasil. Em 2017, as vendas diretas geraram uma receita de 45 bilhões de reais no país – o setor de cosméticos detém a maior fatia desse bolo, com 55% do total. Mais do que atrair, o desafio das empresas que atuam nesse negócio é reter a força de vendas. Entre os consultores, 63% vendem produtos com o objetivo de ter uma renda complementar e, muitas vezes, trabalham com mais de uma marca. “Os consultores são como funcionários que precisam ser motivados”, diz Adriana Colloca, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Abevd). “A diferença é que, na venda direta, o contato com o consultor depende de uma estratégia de marketing, pois é preciso elaborar um bom plano de incentivo para que eles vendam mais e melhor.” No Brasil, 41% da população que exercia alguma atividade remunerada em 2017 se encontrava na informalidade. Para atrair parte desse público a atuar na venda direta, a chave tem sido uma combinação adequada de produto de qualidade com marca forte e oportunidade de renda. Segundo Claudio Fazzinga Oporto, presidente da consultoria Phi Nautilus, em uma sociedade como a brasileira, vender produtos de porta em porta é importante especialmente nas classes C, D e E, nas quais um grande número de mulheres não consegue um emprego por falta de escolaridade ou até mesmo porque seu companheiro a proíbe de trabalhar fora de casa. “Muitas vezes, ele não quer que sua mulher tenha um emprego, mas não vê problema se ela vender uma maquiagem enquanto toma café com as vizinhas”, diz Oporto. Para muitas mulheres que vivem essa realidade, é uma brecha a ser aproveitada. “A sensação de pertencimento a uma comunidade e a independência financeira são imensuráveis para essa consultora.”

Na fabricante de cosméticos Avon, a bandeira da liberdade financeira para a mulher é agitada há mais de 100 anos. Para continuar cativando sua força de vendas, a empresa estruturou um programa de carreira no qual a consultora pode se tornar uma líder que prospecta novas revendedoras e, posteriormente, ser contratada como funcionária da Avon na posição de gerente de setor ou gerente de vendas, que coordenam o trabalho das revendedoras e auxiliam nos pedidos e nos treinamentos em diferentes áreas. “Elas são determinantes para nosso negócio”, diz Danielle Bibas, vice-presidente global de marcas, comunicação e conteúdo da Avon. “Nosso esforço é mostrar que é possível crescer e gerar benefícios para todos.”

Diferentemente da Hinode, a Avon e a Natura praticam o marketing mononível – é o modelo tradicional, em que um consultor recebe comissão apenas sobre as próprias vendas (outra empresa do setor, O Boticário, foi procurada, mas não deu entrevista). Para evitar a perda de consultoras em razão do aumento da concorrência, a Natura adotou há dois anos um sistema que classifica as revendedoras em cinco categorias – a cada degrau, crescem a margem de lucro e os benefícios. Ao mesmo tempo, acelerou a digitalização – as consultoras podem vender por meio de um site, sem sair de casa. Com isso, a Natura busca recuperar sua equipe de vendas – hoje tem 1,7 milhão de consultoras, ante quase 1,9 milhão no fim de 2015. A renda média delas também melhorou: o valor não é revelado, mas a empresa afirma que houve um aumento de 12% no ano passado. “Oferecemos uma série de ferramentas para a consultora conectar-se com os consumidores e atender ainda mais ao propósito da marca, aliado à sustentabilidade do negócio”, diz ErasmoToledo, vice-presidente de venda direta da Natura.

Uma prática que está se tornando comum para as marcas de cosméticos que atuam com venda direta é a criação de um ponto de venda físico. Enquanto a Hinode tem franquias que servem de ponto de contato apenas com revendedores, a Avon e a Natura se apoiam em pequenas lojas criadas espontaneamente pelas consultoras – e muitas vezes multimarcas. De olho nesse movimento, a Natura começou há dois anos a oferecer apoio para organização de estoque, gestão de pessoas e mudança na fachada para destacar sua logomarca. Com essa iniciativa, a empresa conseguiu conquistar a exclusividade em muitas lojas. No final do ano passado, 90 das então 130 franqueadas escolheram vender apenas produtos da marca.

Na corrida pela atenção das consultoras, é importante também a agilidade no pós-venda. “A digitalização criou novos métodos de trabalho”, diz Adriana, da Abevd. Se as empresas investem em aplicativos para que o pedido possa ser feito a qualquer hora, é preciso também um esquema rápido de entrega, e as lojas se tornaram pontos de retirada dos produtos. “Antes, o comprador entendia que precisava esperar a data certa para pedir e receber a encomenda. Agora, ele quer tudo rapidamente”, diz o consultor Oporto. Qualquer que seja o sistema adotado, a disputa para atrair consultores está aberta. “Há espaço para todos os modelos, mas quem mostrar que os ganhos são, de fato, sustentáveis vai sair na frente.”

QUEM DA MAIS?

Como as principais empresas de cosméticos procuram arregimentar seu exército de revendedores

HINODE

COMO É: Trabalha com marketing multinível, que permite a um consultor de vendas agregar um número ilimitado de subordinados.

EXEMPLO: Kelly Rodrigues tem 5.000 consultores abaixo dela. Ao conquistar novos vendedores, que, por sua vez, chamam outros, ela ganha um percentual sobre a venda de todos eles, além de fazer vendas próprias.

AVON

COMO É: Adota o modelo mononível, o qual uma consultora não ganha sobre a receita de outras, mas conta com um plano de carreira.

EXEMPLO: A consultora pode se tornar uma líder e buscar novas revendedoras. Posteriormente, já como funcionária da empresa, pode virar gerente de setor ou de vendas em diferentes áreas geográficas.

NATURA

COMO É: Atua também no modelo mononível. Investe na segmentação das consultoras e na abertura de franquias.

EXEMPLO: As consultoras são classificadas de acordo com os pontos que acumulam na venda de produtos. A partir do nível 3 (de um total de 5), elas podem abrir franquias e receber apoio gerencial da empresa.

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 13 – O SEGREDO DA INTERCESSÃO

 

A intercessão, que é um elemento da nossa vida de oração pessoal, é o que estou escolhendo para definir como “oração em favor das necessidades alheias em vez das minhas”. Intercessão é um ministério sacerdotal de um mediador, de alguém que fica entre o céu e uma necessidade terrena e clama ao Pai por ajuda.

O escritor de Hebreus pediu aos santos para intercederem em seu favor: “Orem por nós. Estamos certos de que temos consciência limpa, e desejamos viver de maneira honrosa em tudo. Particularmente, recomendo-lhes que orem para que eu lhes seja restituído em breve” (Hebreus 13.18-19). Esta passagem nos revela um segredo poderoso de oração: a oração acelera os propósitos de Deus na terra. O autor percebeu que seria restituído a eles, mas isso aconteceria mais rapidamente se orassem.

Nós realmente podemos comprar o tempo com nossas orações – “aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus” (Efésios 5.16). Quando o mal está nos ameaçando podemos adiar sua vinda com nossa oração. Quando o bem está demorado, podemos acelerar sua vinda com nossas orações.

Há muitas coisas que Deus planejou para este mundo e muito provavelmente elas acontecerão. A única pergunta é: elas ocorrerão em nós e através de nós? Nós participaremos? Se não orarmos, os planos de Deus acontecerão, mas não tão rapidamente. Eles serão adiados.

Veja aqui o infinito poder de Deus para acelerar as coisas na terra e levar os eventos do mundo ao seu auge. Ele pode concluir com êxito sempre que desejar, mas está procurando uma geração que se recuse a ser desviada – uma geração que seja tão desesperada para ser incluída que se entregue à oração incessante e violenta.

Uma das formas mais profundas de você amar uma pessoa é orando por ela. A intercessão faz algo muito poderoso no intercessor: une o coração dele ao coração de quem está sendo alvo da oração intercessória. Na intercessão, você está investindo na vida de outra pessoa. Esse é mais um dos segredos do lugar secreto. Portanto, nossas orações intercessórias tornam-se “cordas de afeição” que ligam os corações dos cristãos uns aos outros, aproximando o corpo de Cristo por meio de uma das maiores virtudes: o amor.

Não era suficiente para Paulo estar convencido de seu amor para com os outros santos. Ele desejava que tivessem consciência de seu amor: – “mas para que soubessem como é profundo o meu amor por vocês” (2Coríntios 2.4), “que diante de Deus vocês pudessem ver por si próprios como são dedica­ dos a nós” (2Coríntios 7.12).

Portanto, ao sentir amor suficiente por uma pessoa para interceder por ela, por que não encontrar uma maneira de assegurar-lhe sobre a sua intercessão? Quando a pessoa souber que você tem orado por ela, acabará sentindo e tomando consciência de seu amor.

O corpo de Cristo não funciona adequadamente sem os membros orarem mutuamente uns pelos outros. A oração é o sistema de imunidade do corpo de Cristo. Através da oração, combatemos as forças invasoras que buscam adoecer e afligir o corpo de Cristo.

A falta de oração no corpo de Cristo é parecida com a lepra. Aprendi algumas coisas sobre esta doença com Paul Brand, um cirurgião de leprosos. Ele explicou que quando uma pessoa está com essa doença seus nervos param de funcionar adequadamente e deixam de enviar sinais de dor para o cérebro. Nesse estágio, os leprosos começam a perder os dedos das mãos e dos pés em acidentes, porque não sentem dor quando se machucam.

Fazendo uma analogia espiritual, quando a igreja não sente dor por causa dos membros do corpo que estão sofrendo, há indícios da presença de “lepra espiritual”. Os nervos da igreja estão mortos. O que acontece em seguida é que a igreja começa a perder seus membros.

Os sinais de dor que o corpo envia ajudam o membro ferido. A dor é absolutamente necessária para o corpo poder se restaurar e se curar. Portanto, ela é um dom. É crucial que sintamos a dor dos membros que estão sofrendo no corpo, pois assim podemos repará-los e curá-los, se for necessário. A intercessão é uma resposta à dor. Choramos porque estamos sentindo dor. Os choros de intercessão são os choros veementes de cristãos suplicando a Deus em favor de outros.

Conforme penso sobre essas coisas, me lembro de amigos que enfrentam doenças crônicas e problemas de saúde incuráveis. Os cristãos com dificuldades desesperadoras de saúde enviam uma mensagem urgente para o corpo de Cristo: ”A igreja está doente. Não temos o poder para curar este membro. Perigo! Alerta! Precisamos nos reunir, reagir e fazer tudo o que for possível para este membro ser curado”. Entretanto, a resposta da igreja a este tipo de tragédia, geralmente, é de distanciamento e insensibilidade. Nós realmente não sentimos a dor de um membro doente. Somos porta­ dores de lepra espiritual.

Fico imaginando o tipo de graça que será liberado na igreja quando começarmos a nos identificar com os membros do corpo que estão sofrendo como se nós mesmos estivéssemos vivenciando o problema deles. Um dos mistérios fantásticos da oração é como Deus une a casa internacional de afeição (a igreja) através do apoio fervoroso de outra igreja em oração. A oração é um dom de Deus que capacita o corpo a se edificar em amor.

Nosso padrão de oração indica que estamos sentindo dor? Que o Senhor possa colocar um alarme santo dentro de nossos espíritos em relação à falta de poder da igreja. Que Ele nos leve a ajoelhar em uma busca apaixonada pela autoridade de superação, pela qual Jesus morreu para nos dar!