A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

NEUROGÊNESE, PLASTICIDADE CEREBRAL E A SALA DE AULA

Apesar de sabermos que a plasticidade é maior na primeira infância, ela ainda é grande na adolescência e tudo indica que persiste de maneira significativa na vida adulta.

Neurogênese,plasticidade cerbral e a sala de aula

Quando cursei o ensino médio – naquele tempo longínquo em que ainda se chamava segundo grau – aprendi que a formação de novos neurônios, a neurogênese; ocorria apenas durante a vida intrauterina. Costumo perguntar aos meus alunos de graduação o que eles aprenderam a respeito em seus cursos pré-vestibulares e muitos relatam o mesmo: neurônios não são formados após o nascimento. É curioso como o conhecimento científico atualizado muitas vezes demora a chegar às aulas da educação básica. A primeira evidência de que novos neurônios são produzidos no cérebro humano adulto surgiu há mais de 20 anos, em artigo publicado pela revista Nature Medicine, em 1998. Um grupo de pesquisadores suecos e norte­ americanos liderado pelo neurocientista Fred Gage mostrou o aparecimento de novos neurônios no hipocampo – região cerebral importantíssima para a formação das memórias – de indivíduos adultos.

A demonstração da existência de neurogênese após o nascimento sugere que a plasticidade cerebral não se limita a mudanças na configuração das redes neurais, mas inclui a incorporação de novos neurônios a essas redes. Situações de novas aprendizagens seriam estímulos à formação de novos neurônios. A técnica utilizada no estudo de Gage permitiu a identificação de novos neurônios apenas após a morte dos pacientes que participaram do estudo. De lá para cá, novas técnicas surgiram facilitando a investigação na área, possibilitando a identificação de novos neurônios ainda em vida.

Em 2018, um estudo publicado na revista Nature recolocou em dúvida os resultados obtidos pelo grupo de Gage ao mostrar que a produção de novos neurônios seria grande na infância, mas praticamente indetectável em adultos. Alguns meses depois, outro estudo publicado na também importante revista Cell Siem Cell mostrou que a neurogênese persiste na idade adulta.

É importante ressaltar que os estudos identificaram a neurogênese em apenas uma área cerebral, o hipocampo. Ainda não há evidências de que ela ocorra em outras regiões cerebrais, como o córtex, por exemplo. Uma possível explicação para esses resultados aparentemente contraditórios é a diferença nas técnicas utilizadas para detecção da neurogenese.

Mais recentemente, em março de 2019, estudo realizado por um grupo espanhol também publicado na revista Nature Medicine fortaleceu a ideia de neurogênese em adultos. Os pesquisadores mostraram que ela é abundante em adultos saudáveis, mas declina significativamente em pacientes com a doença de Alzheimer. Novamente a área cerebral investigada nesse último estudo foi o hipocampo.

Ainda há muitas perguntas sem resposta. Uma delas é se a neurogênese também ocorreria de maneira abundante em outras áreas cerebrais. Outro desafio é entender como ocorre o controle da formação de novos neurônios, o que seria um grande passo para intervenções médicas em doenças cardiovasculares e neurodegenerativas.

Podemos nos perguntar quais as implicações desses achados para a educação. Em primeiro lugar, há implicações relacionadas ao ensino. É fundamental que os conceitos de biologia sejam atualizados e, nesse caso específico, permitam aos alunos reconhecer que a plasticidade neural é mais ampla do que se imaginava. Proporcionar uma discussão a partir de resultados aparentemente contraditórios ao longo da história pode ser bastante rico para a compreensão do processo de produção de conhecimento científico. Outra implicação refere-se ao prognóstico de transtornos neuropsiquiátricos, incluindo aqueles associados a dificuldades de aprendizagem.

A constatação da existência de neurogênese na infância e na vida adulta mostra que a plasticidade cerebral pode ser maior do que imaginávamos. Apesar de sabermos que a plasticidade é maior na primeira infância, ela ainda é grande na adolescência e tudo indica que persiste de maneira significativa na vida adulta. Além disso, pesquisas que utilizam técnicas das neurociências podem, num futuro próximo, identificar como e qual, intervenções médicas, psicológicas ou pedagógicas podem produzir efeitos mais positivos sobre a configuração neural e, consequentemente, contribuir para um desenvolvimento cognitivo e emocional mais saudável. Em outras palavras, o potencial de transformação do cérebro é enorme, talvez bem maior do que pudéssemos conceber há algumas décadas. Um argumento a mais em defesa da relevância dos processos educativos nas mudanças que desejamos para a sociedade.

 

FERNANDO LOUZADA – é doutor em Neurociências e Comportamento pela USP e pós-doutorado pela Harvard Medical School.

OUTROS OLHARES

A ARMA SECRETA

Na era da guerra eletrônica, a oportunidade da volta heroica dos pombos-correios.

A arma secreta

16 de abril de 1919, o navio de transporte de tropas Ohioan atracou em Hoboken, Nova Jersey. Entre os vários membros das Expedicionárias Americanas que desembarcavam estava um pequeno  destacamento de 21 homens da Companhia de Serviço de Pombos Nº 1, do Departamento de  Comunicações do Exército Americano. Repórteres de jornais amontoaram-se no píer ao redor do oficial encarregado, o capitão John L. Carney, para perguntar sobre a proezas dos ilustres pombos heróis que o Exército escolheu levar para casa. À frente dos demais estava uma pomba azul chamada Che Ami.  De acordo com a história contada pelo capitão Carney,  Cher Ami, em 4 de outubro de 1918, enfrentara tiros e bombas para entregar uma mensagem de homens cercados no desfiladeiro Charlevaux, na Floresta de Argonne, na França, conhecidos como  “O Batalhão Perdido”. Cher Ami chegou a seu pombal com a mensagem do comandante das Forças, o major  Charles   W. Whittlesey, intacta, mas sem a perna direita e com um machucado no tórax que  cortava o esterno. A pomba sobreviveu aos ferimentos, e a mensagem de Whittlesey forneceu ao quartel divisional e regimental a posição exata da tropas, informação que contribuiu para a libertação dos homens.

Até hoje, a história de Cher Ami é lendária, uma prova da bravura dos animais na guerra. Embora os registros não deixem claro se foi ela ou outro pombo a entregar a mensagem de Whittlesey, a história costuma esconder os objetivos por trás do uso de pombos-correios pelo Exército dos Estados Unidos. De 1917 a 1957, o Departamento de Comunicações americano manteve instalações de criação e treinamento de pombos, e pássaros serviram na Segunda Guerra Mundial e na Coreia. Quando o serviço de pombos foi dissolvido, em 1957, o Exército argumentou que manter tais instalações durante tempos de paz era desnecessário devido aos avanços em comunicações eletrônicas. Os pombos restantes foram vendidos em leilões, e outros poucos seletos foram doados a zoológicos ao redor do país. Hoje em dia, o uso de pombos-correios é visto como uma peculiaridade, um esquete curioso do campo de batalha no começo do século XX.

Mais de 60 anos depois, faz-se necessária uma reavaliação dos pombos-correios militares. A influência do espectro eletromagnético estende-se através dos sistemas e operações do campo de batalha até chegar à estrutura da sociedade civil. Operações defensivas e ofensivas no campo do ciberespaço – combinadas com ataques aéreos, aquáticos e por terra ou infraestrutura espacial – têm o potencial de desativar ou causar danos sérios a toda a comunicação ou às grades de energia.

Adversários que dominam a guerra eletrônica estariam, então, em posição de controlar o campo de batalha e restringir as opções apresentadas aos comandantes americanos ou aliados. Pensando no potencial desta guerra, algumas comunicações entre o front do campo de batalha, o comando do escalão traseiro e os elementos de controle talvez tenham de estar nas patas ou nas costas de um mensageiro emplumado, visto que um humano ou um veículo ou aero nave mais visível acabam sendo vulneráveis demais a intercepções ou destruições.

Numa era em que a inovação militar consegue invocar pensamentos sobre armas futurísticas e pesquisa, desenvolvimento e aquisição custosos, talvez se deva considerar uma inovação restaurada: o pombo-correio. Uma breve análise da experiência dos militares americanos com pombos-correios fornece insights tanto sobre a utilidade desses pássaros como sobre suas vantagens no campo de batalha na era da guerra eletrônica moderna.

A arma secreta. 2

Pombos-correios são parentes do pombo doméstico (Columba livia), que com frequência sequestram itens ou conduzem ataques aéreos estratégicos a residentes e residências urbanos ao redor do mundo. Pombos-correios, entretanto, são mais parecidos com cavalos de corrida, cuidadosamente criados e tratados para maximizar velocidade, resistência e destreza ao navegar. Assim como com os cavalos de corrida, donos de pombais não hesitam em gastar milhares ou centenas de milhares de dólares em pombos campeões, com a esperança de reproduzir o sucesso da raça nas gerações seguintes. A ciência exata não é clara, mas as teorias postulam como os pombos navegam, retornando a seu pombal com a ajuda de meios visuais, magnetorreceptivos ou olfativos. As distâncias percorridas por eles podem variar de 16 a 1.600 quilômetros em terreno desconhecido ou em alto-mar, alcançando velocidades de 96 a 145 quilômetros por hora. Um pombo pode sofrer um ferimento grave durante o voo e continuar a jornada até sua casa, como foi o caso de Cher Ami e de outros nas duas Guerras Mundiais.

O uso de pombos para fins militares data de séculos atrás, mas a Primeira Guerra Mundial difundiu o emprego dos pássaros no campo de batalha tanto pela Tríplice Entente quanto pela Tríplice Aliança. Antes disso, eles foram usados nos anos 1800 primeiramente no jornalismo, com viés militar reacendido apenas na Guerra Franco-Prussiana, durante o Cerco de Paris. Após a entrada dos americanos na Primeira Guerra Mundial, oficiais franceses e britânicos defenderam os pombos-correios depois de suas experiências nas regiões francesas de Verdun e Somme. Na guerra de trincheiras, em que bombardeios da artilharia transformavam linhas telefônicas cuidadosamente arrumadas em confete, os pombos acabavam sendo o único meio de comunicação confiável entre as trincheiras do front e a artilharia e os elementos de comando atrás. Nem bombardeio, poeira, fumaça, gás venenoso ou neblina impediam os mensageiros emplumados. Para os britânicos em Somme, os pombos “sempre foram capazes de operar regularmente. Em vários casos, eram os únicos capazes de resistir ao tempo e aos meios de destruição do inimigo”.

A partir de então, o Departamento de Comunicações do Exército não perdeu tempo e estabeleceu um serviço de pombos em julho de 1917, usando a experiência dos Aliados com uma tecnologia testada para abordar problemas de comunicação. O trabalho continuou a refinar e melhorar os sistemas de comunicação com e sem fio para o campo de batalha, mas a tecnologia já disponível dos pombos assegurou que os homens das Forças Expedicionárias Americanas não fossem pegos de surpresa durante um blecaute de comunicação, quando meios eletrônicos ou emissários fossem atingi­ dos pelo inimigo.

Pombos demonstraram ser confiáveis como mensageiros e hábeis para o uso em uma variedade de contingentes. Na Primeira Guerra Mundial, o Departamento de Comunicações relatou uma taxa de 95% do total de entregas de mensagens. Em 1944, o Exército relatou taxas de 99% de mensagens táticas entregues por pombos. Após o sucesso com as operações de combate na Europa na Primeira Guerra Mundial, as Forças Armadas americanas empregaram pombos no Pacífico, na Europa e no norte da África durante a Segunda Guerra Mundial. As mensagens evoluíram de pequenos pedaços de papel de arroz e seções de mapas a, finalmente, filmes fotográficos revelados. Na Primeira Guerra Mundial, os pombos serviram no regimento dos tanques, no serviço militar aéreo e na aviação naval. Na Segunda Guerra Mundial, estiveram em todos os lugares, em todo o mundo. Fizeram parte da Operação Overlord ao lado de paraquedistas da 101ª e da 82ª Divisão Aerotransportada e foram carregados penhasco acima no Pointe du Hoc com os Rangers em contêineres especiais. Outros pássaros caíram de paraquedas em Burma com membros do Escritório de Serviços Estratégicos, ultrapassando linhas inimigas para levar mensagens, enquanto outros encontraram um lar dentro dos tanques Sherman. Milhares de pássaros trabalharam a bordo dos pesados bombardeiros das Forças Aéreas do Exército em invasões ao redor da Europa. Na campanha italiana, pombos provaram ser inestimáveis na transmissão de mensagens por terrenos acidentados, para coordenar missões para aeronaves ou para a artilharia. Assim como pombos comuns conseguem se adaptar e prosperar em praticamente qualquer ambiente do planeta, o mesmo ocorre com seu emprego militar.

Começando em 1917 e continuando com a Segunda Guerra Mundial, a força de pombos do Exército se baseou na comunidade civil de corrida de pombos. Em 1917, o Serviço de Pombos das Forças Expedicionárias Americanas chamou dois membros fundadores da União Americana de Corrida de Pombos – John L. Carney e David C. Buscall – para receber comissões diretas como primeiros-tenentes e começar uma força de pombos do zero. Ambos os homens – coincidentemente um oficial e um antigo oficial não comissionados do Corpo do Exército e dos Fuzileiros Navais, respectivamente – levaram consigo o conhecimento e a experiência altamente especializados necessários para adquirir, treinar, criar e distribuir pombos para as forças no campo. Com seus contatos civis, eles obtiveram, por compra ou doação, um grande número de pombos de corrida de qualidade e ajudaram a recrutar os oficiais não comissionados necessários para fazer parte da equipe e treinar outros adestradores de pombos no norte da França. A necessidade de treinar esses animais para as Forças Expedicionárias Americanas ainda demonstrou como a natureza especializada do trabalho com pombos valorizou o conhecimento civil sobre eles.

Após a guerra, o Exército continuou a trabalhar em conjunto com organizações civis, como a União Americana de Corrida de Pombos, ao recrutar homens dessa comunidade. Quando o Exército precisou expandir rapidamente a força de pombos na Segunda Guerra Mundial, a comunidade civil respondeu com a doação de dezenas de milhares de pássaros, e até a Primeira Guerra Mundial “reutilizou” voluntários a oficiais e recrutou soldados para treinar e cuidar dos pombos. Nunca foi uma força grande ou cara demais, e os “pombioneiros” do Exército asseguraram a continuidade da comunicação para os homens que lutavam no front, embora sempre tenha sido um método de transmissão secundário ou emergencial. Independentemente do tamanho ou da falta de prestigio, os homens do Serviço de Pombos representaram um exemplo sólido de uma parceria civil-militar capaz de reagir a uma necessidade de tempos de guerra de maneira organizada e eficiente.

Para os desafios contemporâneos da ciber­ guerra e da guerra eletrônica, o Comando do Futuro do Exército americano deveria examinar os registros do dissolvido Serviço de Pombos. A partir da experiência das duas Guerras Mundiais, o esforço com esses animais ergueu-se graças  à parceria com organizações civis. Parecido com o Programa Cibernético de Comissões Diretas, ao recrutar e fornecer grau mais elevado a especialistas em pombos devido a seu treinamento civil, o Exército forneceu aos oficiais e às posições não comissionadas conhecimento e habilidades essenciais para a expansão rápida, a custo mínimo de treinamento e de respectiva infraestrutura associada. Além disso, as conexões desses civis-soldados providenciou o acesso para a aquisição de pombos-correios de qualidade da comunidade civil, proporcionados ao Exército com pouco atraso. A habilidade de “aumentar” a força de pombos tornou-se possível, em parte, por causa do então existente e pequeno Serviço de Pombos dos tempos de paz.

Na arena da tecnologia, os pombos são, decididamente, mensageiros mundanos e, no entanto, comprovados e confiáveis. Usados como tecnologia disponível em tempos de necessidade, em 1917, serviram fielmente ao Exército por meio século. Uma similar aquisição de sucesso pode ser encontrada no “Big Five” do Exército. O Coronel David C. Trybula concluiu que, ao incorporar tecnologias desenvolvidas ou em desenvolvimento aos sistemas, os resultados são “extraordinários e talvez revolucionários” quando comparados com a troca desses sistemas. Embora não esteja argumentando que a tecnologia de pombos-correios possa substituir as tecnologias avançadas de comunicação dos dias de hoje, há vantagens a ser contempladas no ambiente da guerra eletrônica.

Como demonstrado pela luta na região de Donbass, na Ucrânia, e na Síria, a segurança eletromagnética pode ser uma questão de vida ou morte, luz ou escuridão. Utilizando métodos da guerra eletrônica, forças separatistas endossadas pela Rússia causaram uma série de dificuldades para as forças ucranianas. Na atual luta na Síria, forças americanas também estiveram cara a cara com a tecnologia e as táticas russas desse tipo de guerra, um campo de batalha da guerra eletrônica que virou um campo de treinamento para futuros conflitos. Monitorar, travar ou infiltrar sistemas eletrônicos para permitir ou negar efeitos cinéticos acaba valorizando a proteção de sinais de comunicação.

Certamente pombos não são os substitutos dos drones, mas são uma opção de pouca visibilidade para repassar informação. Considerando a capacidade de armazenamento de cartões de memória micro SD, as características orgânicas de um pombo providenciam, às forças na linha do front, um meio relativamente clandestino de transporte de gigabytes de vídeo, voz ou ainda imagens e documentação, voando uma considerável distância com zero emissão eletromagnética ou detecção óbvia por radar. Essas tecnologias decididamente inferiores são difíceis de detectar e rastrear. Pombos não falam caso sejam interrogados, embora não estejam totalmente imunes à prisão sob suspeita de espionagem. Dentro de um ambiente urbano, eles têm um potencial ainda maior de se disfarçar na população aviária local, dificultando ainda mais a detecção. Este último, presume-se. foi um fator no uso desses pássaros para contrabandear drogas clandestinas, derrotando até o mais sofisticado dos muros.

Além disso. fornecem uma ferramenta assimétrica disponível para propósitos de guerra híbridos. A utilização de pombos, de baixo custo e de inferior tecnologia, para transporte de informações ou, potencialn1ente, de agentes químicos em pequenas quantidades – ou até de ciberarmas codificadas -, faz com que sejam recursos fáceis e rápidos, em meio à população civil, para fins militares mais amplos. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Serviço Britânico Confidencial de Pombos do Ml14 soltou cestas de pombos-correios por trás de linhas inimigas para fins de espionagem, coletando, enquanto isso, inteligência militar inestimável de uma vasta coleção de civis franceses, holandeses e belgas. Até como um meio de comunicação de mão única, o pombo-correio provou ser uma preciosa ferramenta militar.

Não alego que as ideias aqui inseridas sejam únicas ou refinadas. Forças militares de pombos estão praticamente extintas, mas, ainda assim, o Exército Popular de Libertação da China e o Exército de Terra Francês mantêm pequenas forças de pombos para o caso de a guerra eletrônica conseguir interromper ou desativar comunicações militares. Quanto aos militares americanos, os únicos rastros desse setor podem ser encontrados em artefatos ou fotografias em museus ao redor do país. O uso militar de pombos-correios no século XXI, de maneiras ainda mais criativas ou similares, é limitado apenas pela iniciativa e imaginação – uma declaração que é verdadeira para a maioria das inovações no campo de batalha e para o potencial desestabilizador da guerra eletrônica.

A arma secreta. 3

GESTÃO E CARREIRA

A INTERNET DAS COISAS EM MOVIMENTO

Engenheiros usaram um McLaren a 200 km/h para exibir a qualidade de rede entre pontos em movimento.

A internet das coisas em movimento

Um grupo de engenheiros e cientistas na Inglaterra precisou testar, em fevereiro, uma rede altamente confiável de internet das coisas (IoT) entre objetos móveis. Acharam um jeito ótimo de fazer isso. Numa terça-feira de tempo claro, colocaram veículos conectados para percorrer as estradas do vasto campo de provas de Millbrook, a 80 quilômetros de Londres. Pareceu corrida maluca: o experimento misturou caminhão de bombeiro, caminhão de carga, ônibus, van, ambulância, viatura de polícia e carros comuns, espalhados ao longo do trajeto, todos com câmeras embutidas, transmitindo vídeos ao vivo por uma rede celular de quinta geração (5G). A rede operou sempre acima de 1 Gbps (ou seja, pelo menos 30 vezes a velocidade média das melhores conexões de banda larga no Brasil). Pela faixa mais externa, voava baixo o astro do show, um McLaren 570s amarelo, a 200 quilômetros por hora. Ultrapassava os demais várias vezes, consecutivamente. Parte importante da brincadeira era conferir a qualidade da comunicação com o carrão, quando ele passava da área de uma antena de celular para a seguinte. Havia 11 delas ao redor do circuito. O streaming de vídeo e a transmissão de dados do motor do veículo seguiram impecáveis.

Foi um novo passo rumo à internet das coisas móveis, a rede que apenas começa a conectar objetos que se deslocam — veículos sobre rodas, navios, aviões, drones, trens, bicicletas, patinetes elétricos, robôs entregadores. Essa “sub-rede” tem exigências diferentes de outra parte da IoT, que conecta objetos estáticos (como robôs fixos numa linha de produção, câmeras de segurança, casas e eletrodomésticos). Coisas móveis precisam transitar entre diferentes cidades, países e continentes sem nenhuma interrupção na cobertura, ao passar pelas redes de diferentes operadoras. Requerem respostas em frações de segundo, como no caso de carros autônomos recebendo orientações de semáforos e estradas inteligentes. A experiência de Millbrook representou um sucesso técnico e deu um exemplo perfeito de como vão funcionar os negócios nessa área: em cooperação intensa entre muitas companhias. As redes têm complexidade cada vez maior. Colaboraram com o teste empresas de hardware (Airspan, americana), software (Quortus, britânica), engenharia (Celestia, holandesa), consultoria (Real Wireless, britânica), automóveis (McLaren) e telecomunicações (a Telefônica britânica), além da Universidade de Surrey.

As conquistas tecnológicas, porém, não resolvem questões ainda em aberto nos modelos de negócios da IoT móvel. Parte fundamental de sua infraestrutura é a rede 5G, de implementação cara e trabalhosa, por precisar de mais antenas, mais próximas entre si, que as gerações anteriores (as antenas estão muito menores, mas isso ainda exige algum debate de engenharia e urbanismo). A maioria das operadoras afirma não ter recuperado ainda os investimentos na rede 4G, inaugurada no mundo em 2008 e no Brasil em 2013. Há uma corrida em andamento entre as companhias para encontrar oportunidades e avaliar gastos com a próxima mudança. A Vivo, maior operadora no Brasil, prevê oferecer uma nova geração de serviços em IoT no primeiro trimestre de 2020 e inaugurar a rede 5G comercial no início de 2021 (se o leilão de banda ocorrer no começo do ano que vem, como planeja o governo federal). “Nos próximos anos, vamos conectar carros, casas e cidades, o que vai aumentar de maneira significativa o tráfego de dados. Vamos precisar de mais rede de acesso, mais backbone e mais fibra”, afirma o CEO da operadora, Christian Gebara. A Vivo conecta 8 milhões de disposivos não tradicionais (ou seja, sem contar smartphones e computadores). A maioria deles é móvel, como carros, contêineres e navios.

Na corrida das empresas rumo ao pote de ouro da IoT móvel, um ponto de passagem obrigatório será apresentar novos serviços em fevereiro de 2020 no MWC Barcelona, maior evento de conectividade do mundo. Em 2018 as companhias apresentaram ideias e, em 2019, experimentos — além do teste em Millbrook, chamaram a atenção o dirigível conectado da Korea Telecom (sobrevoando a Coreia do Sul, atendendo a comandos enviados de Barcelona) e o caminhão conectado da Ericsson (circulando num estacionamento na Suécia, pilotado remotamente de Barcelona). “O que vimos no MWC este ano indica uma tendência. Espero ver em 2020 mais hardware e mais propostas de valor e modelos de negócios”, diz Christian.

A segunda maior operadora no país, a Claro Brasil, também adota tom cauteloso. “Não penso em 5G nos próximos três ou quatro anos, mas estamos investindo desde 2017 para modernizar a rede [3G e 4G] inteira. Os novos equipamentos criam duas ‘sub-redes’ dedicadas à IoT”, diz Eduardo Polidoro, diretor de IoT e M2M na Claro Brasil (grupo das marcas NET, Claro e Embratel). O executivo prevê que a troca dos equipamentos termine este ano e que a IoT responda por mais de 10% da receita do grupo até 2025. A Claro Brasil conecta mais de 1 milhão de dispositivos móveis, de patinetes elétricos a caminhões de carga.

Enquanto as grandes se organizam para cobrir países inteiros, as pequenas cavam novos nichos. Frotas de patinetes elétricos, como os da Yellow e da Lime, estão conectadas à internet. Uma das grandes fabricantes desses equipamentos, a chinesa Ninebot, comprou em 2015 a americana Segway. A Segway, por sua vez, deve apresentar este ano ao mercado seu robô entregador conectado. A companhia de transporte Continental imagina um passo além — vans autônomas distribuindo pela cidade “matilhas” de robôs-com-patas. A IoT móvel chegou também à frota de bicicletas elétricas da rede de pizzarias Domino’s. Com o sistema criado pela francesa Morio, a rede consegue localizar as bicicletas em qualquer parte da Europa. A tecnologia permite acompanhar o uso da bicicleta e saber se o ciclista conduziu a entrega de forma responsável (a Domino’s testa desde 2016 robôs entregadores de pizza, mas ainda não os conecta à internet). Bicicletas e patinetes compartilhadas ainda transmitem pouca informação. Há aplicações mais ambiciosas já em fase comercial.

Um motociclista não vai precisar baixar a cabeça, enquanto pilota, para conferir a rota no celular. O mapa e outras informações vão ser projetadas em seu campo de visão, como ocorre em aeronaves de caça. O capacete se comunica com o celular graças ao sistema da startup francesa EyeLights. O piloto também pode receber uma ligação no capacete e ouvir orientações sem precisar desviar o olhar da via. Dois engenheiros que amam motos fundaram a empresa em 2016. Romain Duflot e Thomas de Saintignon, ambos de 27 anos, haviam iniciado o projeto na faculdade de engenharia, no Icam (sigla em francês do Instituto Católico de Artes e Ofícios). Assim que tirou a habilitação para motos, Romain, filho de um ex-piloto de caça, decidiu dedicar-se à pesquisa para levar aos motociclistas algo só disponível na aviação militar: o HUD (heads-up display), um monitor integrado ao campo de visão, para evitar que o piloto baixe os olhos para o painel. Levaram dois anos para desenvolver o produto, à venda na França, Bélgica e Suíça. Vislumbram o dia em que os sensores se conectarão com a moto. “Onde quer que haja a necessidade de um acessório HUD, podemos adaptá-lo. Isso é a internet das coisas, que permite adaptações sem limites”, afirmam Duflot e Saintignon.

A adaptabilidade fez quatro jovens especializados em engenharia e aeronáutica darem asas, literalmente, à inspeção de aeronaves. Drones equipados com câmeras e sensores, conectados à rede, fazem em minutos o que uma equipe só de humanos levaria até oito horas para fazer. Circulam a aeronave e geram, em tempo real, imagens e relatórios, sem ninguém no comando. A tecnologia criada pela francesa Donecle vem sendo usada pela Air France-KLM. Na aviação comercial, uma aeronave grande parada representa perda da ordem de US$ 10 mil por hora.

Nenhuma empresa levou tão ao pé da letra o conceito da IoT móvel quanto a portuguesa Veniam. Criada na incubadora da Universidade do Porto por dois professores universitários, João Barros e Susana Sargento, a empresa construiu uma rede de internet com veículos. Pegou carona em táxis, caminhões de coleta de lixo e ônibus para transformá-los em roteadores. Cada veículo recebe e transmite. Ao transitar próximo de um ponto de acesso fixo num poste, um veículo capta o sinal e o transmite a outros equipados com o software. Essa rede em movimento está disponível no Porto, em Nova York e em Cingapura. “Nossa meta é levar a tecnologia para milhões de veículos por meio de projetos que temos com fabricantes de automóveis no mundo todo”, diz João Barros, CEO da Veniam, na sede da empresa, no Porto.

O trabalho começou com uma provocação. Um amigo perguntou a ele por que não instalar roteadores nos carros, já que eles andam para todo lado. O pacote tecnológico desenvolvido envolve mais de 150 patentes e rendeu à empresa vários prêmios. As aplicações vão se desdobrando. No Porto, caminhões de lixo transmitem dados sobre qualidade do ar e condições climáticas para a Câmara Municipal. “Não recolhemos dos motoristas nenhum dado sensível, como onde foram ou quanto tempo passaram onde quer que seja”, diz Rui Costa, diretor de Tecnologia da Veniam. “Nossa proposta é pensar no problema à frente: como é a internet que os veículos autônomos precisam?”

A ideia de que qualquer objeto um dia terá algum grau de conectividade é o mantra da Evrythng, startup britânica que criou e gerencia milhões de identidades digitais. O produto conectado é mais inteligente, interativo e rastreável, logo, mais valioso, difunde a empresa. “Cerca de 4 trilhões de produtos são feitos para consumo todos os anos e não sabemos para onde vão, porque não estão conectados. Uma vez resolvido isso, vão surgir muitas oportunidades de negócios”, diz Niall Murphy, CEO e fundador da Evrythng. “Já usamos a internet para procurar informações de indivíduos. Por que não de objetos, como meu par de tênis?” Murphy, um irlandês de 49 anos, já havia criado e vendido algumas empresas. Em 2011, fundou a Evrythng, após obter US$ 25 milhões de investidores. Em um ano, fechou parcerias com organizações como a americana Avery Dennison, maior empresa de etiquetas de roupa do mundo, e a gigante de embalagens WestRock. As oportunidades são numerosas, os riscos também. Assim como no caso dos automóveis conectados, o rastreamento de objetos pode afetar a privacidade do consumidor. Murphy explica sua expectativa otimista: não se trata de um objeto entregar informações sobre o consumidor, e sim de o consumidor acessar informações do que está comprando. “Mas claro que privacidade é uma questão séria. As leis e regulações vão ter de ajudar.” 

A internet das coisas em movimento. 2

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 11 – O SEGREDO DE TOMAR À FORÇA

 

O termo “violência espiritual” captura a intensidade com a qual a geração dos últimos dias buscará a Deus. As pessoas buscarão a Deus com toda a força de seu ser, negando a si mesmas e livrando-se de todos os pecados embaraçantes para correr a corrida com paixão, pureza e perseverança. “Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos céus é tomado à força, e os que usam de força se apoderam dele” (Mateus 11.12).

Este é o momento de buscar a Deus com entrega agressiva! Os sinais dos tempos estão claros; a volta de Cristo é iminente, sentimos uma urgência por parte do Espírito Santo; é hora de despertar de nosso sono e buscar o Reino de Deus como nunca foi feito antes.

A fé genuína busca a Deus ardentemente. “Sem fé é impossível agra­ dar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” (Hebreus 11.6). A verdadeira fé entende não somente que Deus existe, mas que nos recompensa de acordo com a intensidade de nossa busca por Ele. Aqueles que buscam a Deus revelam sua fé de acordo como correm. Homens e mulheres de fé não podem se distrair ou se desviar de seu objetivo, porque acreditam firmemente que Deus irá recompensar sua busca. E eles estão certos!

A violência espiritual começa no lugar secreto. Começa com a forma como você se aplica à disciplina de oração – adoração, contemplação, jejum, leitura, estudo, meditação, audição, absorção da verdade. Este é o ponto onde a tomada à força começa. Eu digo “absorção da verdade” em vez de “memorização” porque é possível memorizar a Escritura sem que ela penetre em seu espírito, mude seu estilo de vida e se torne parte integrante de seu diálogo com Deus e com o homem.

Uma das coisas mais violentas que você pode fazer é combater todos os elementos concorrentes de seu calendário e talhar, consistentemente, o tempo de se fechar no lugar secreto. Nos períodos em que você estiver muito atarefado, poderá parecer que mil outras vozes clamam por sua atenção. Qual voz estará no comando, a voz de tarefas incompletas ou a voz gentil que chama você para o lugar secreto? Golpeie sua espada contra os tentáculos invasores que procuram suprimir sua vida secreta com Deus. Fique sozinho na presença de Deus, ó homem de violência! Beije o Filho, ó mulher de violência!

Também será necessário esforço para fornecer ao seu corpo descanso suficiente, de forma que, ao entrar no lugar secreto, você não fique constantemente caindo no sono. Todos, um dia ou outro, acabam dormindo quando estão sozinhos na presença de Deus; faz parte da nossa natureza humana e Deus compreende isso. Entretanto o homem de violência e sabedoria executará quaisquer medidas que sejam necessárias para ficar em alerta e comprometido regularmente com a parte mais prazerosa do dia.

É fácil confundir o zelo natural com violência espiritual. Algumas pessoas demonstram um zelo incrível por Deus – na forma como adoram, compartilham sua fé ou participam de estudos bíblicos. Mas se for um zelo natural, é um zelo que dura somente enquanto os outros estiverem observando. Quando estas pessoas estão sozinhas com Deus, o zelo desaparece e o nível de intensidade da atividade repentinamente é reduzido. O zelo natural deve ser trocado pelo verdadeiro fervor espiritual – um zelo que é energizado por um fogo santo interno que queima mesmo quando ninguém está olhando.

Deus nos deu uma disciplina que é um dom extraordinário, uma ferramenta poderosa designada providencialmente por Ele para intensificar o esforço de nossa busca. Estou falando do jejum. O jejum, quando com­ binado com oração, é uma das formas mais diretas e eficientes de acelerar o ritmo de sua corrida, especialmente se você estiver se sentindo um pouco letárgico em seu espírito.

Oh, que dom incrível é esta coisa de jejum! Esse, provavelmente, é um dos dons da graça mais subestimado, subempregado e mal compreendido. Não há mérito espiritual no jejum; não se ganha pontos extras com Deus. Mas isso renova seu espírito, sensibiliza sua audição e acelera o ritmo do fluxo divino através de sua vida. Para aqueles que estão comprometidos em explorar a violência espiritual, o jejum e um verdadeiro amigo.

Salomão escreveu: “Se procurar a sabedoria como se procura a prata e buscá-la como quem busca um tesouro escondido… Ele reserva a sensatez para o justo” (Provérbios 2.4,7). A imaginação retrata a sabedoria divina como o tesouro oculto enterrado em uma montanha. E para obter esse tesouro você deverá minerá-lo arduamente. Além disso, as Escrituras dizem: “Dá sabedoria aos sábios” (Daniel 2.21). Não é o tolo que recebe sabedoria, mas sim o sábio. O sábio recebe mais sabedoria em sua vida porque é inteligente o suficiente para buscar a Deus com fervor.

Jesus não responde a todos os fiéis da mesma maneira. Ele responde de forma diferente àqueles que o buscam mais diligentemente. Vemos isso segundo a maneira como tratou os doze. Pedro, Tiago e João foram convidados para alguns dos momentos mais íntimos e maravilhosos de Jesus, enquanto os outros discípulos não foram incluídos. A diferença, eu creio, reside no fato de que os outros tinham algo retido em seus corações em relação ao Senhor, enquanto Pedro, Tiago e João buscavam mais a Jesus. Alguns discípulos duvidavam de Jesus, mesmo após sua ressurreição (Mateus 28.17), e essa reserva no espírito roubava deles os maiores níveis de intimidade. Aqueles que tinham mais, recebiam mais.

Estou escrevendo essas coisas, prezado amigo, para inspirá-lo a buscar ao Senhor. Corra atrás dele! Busque-o de todo o seu coração. À medida que você buscá-lo com mais intensidade, Ele se aproximará de você como nunca antes.

Jesus não favoreceu Pedro, Tiago e João por causa de suas personalidades ou pela combinação de seus dons; Ele os favoreceu porque o favoreciam. “Pois os olhos do SENHOR estão atentos sobre toda a terra para fortalecer aqueles que lhe dedicam totalmente o coração. Nisso você cometeu uma loucura. De agora em diante terá que enfrentar guerras” (2Crônicas 16.9).

O Senhor não faz acepção de pessoas. Ele recompensa todos os que o buscam com fervor – esse é o motivo pelo qual alguns não conseguem ter tanta intimidade com Deus. Ao observar o zelo moderado com que alguns o buscam, se desse a eles o poder e a glória que pedem, estaria ultrajando todos aqueles que o têm buscado com muito mais intensidade.

1Coríntios 9.24 revela que corremos nossa corrida na presença de outros santos: “Vocês não sabem que de todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem o prêmio”. Deus honra a nossa corrida comparando-a com a forma como os outros correram em toda a história da igreja (este é o princípio de 2Coríntios 8.8).

Gente, estamos participando de uma competição séria! Eu não quero dizer que precisamos comparar nossas realizações com as de outra pessoa de um modo carnal, mas nos permitirmos ser inspirados pela rapidez de outros corredores para buscarmos mais a Deus.

Fico inspirado quando leio histórias dos grandes corredores cristãos. Fico tremendamente impactado em meu espírito quando leio o relato de como Francisco de Assis buscava a Deus aos vinte e poucos anos. Um de seus companheiros revelou que Francisco se levantava da cama quando pensava que todos estavam dormindo. Ele se ajoelhava no chão durante a melhor parte da noite e ficava orando uma única sentença: “Meu Deus e meu tudo”. Só então ele dormia um pouco e acordava junto com os outros. Um ritmo verdadeiramente intenso!

Certa vez eu li sobre um prisioneiro chinês que fez um jejum de alimentos e água durante 76 dias, orando pela salvação de seus colegas prisioneiros que abusavam dele o tempo todo. Ao final dos 76 dias, ele se levantou com uma força e autoridade sobrenaturais, pregou para seus colegas de cela e todos os quinze se converteram na hora. Uau!

Eu ouvi também sobre alguns crentes chineses que estavam juntos em um jejum de 21 dias, porque não viam ninguém ressuscitar há três semanas e achavam que havia alguma coisa errada.

E os relatos são muitos. Amo ser inspirado pelo ritmo dos outros! Assim que você ler o relato a seguir, que é uma página do diário de John Wesley, verá um homem que não deixou que nada impedisse sua busca do alto chamado de Deus:

Domingo de manhã, 5 de maio. Preguei na igreja St. Ann. Pediram­me para nunca mais voltar.

Domingo à tarde, 5 de maio. Preguei na igreja St. John. O diácono me disse: “Saia e não volte”.

Domingo de manhã, 12 de maio. Preguei na igreja St. Jude. Também não posso mais voltar lá.

Domingo à tarde, 12 de maio. Preguei na igreja de St. George. Fui chutado novamente.

Domingo de manhã, 19 de maio. Preguei em outra igreja St. alguma coisa. Os diáconos fizeram uma reunião especial e disseram que eu não posso mais voltar lá.

Domingo à tarde, 19 de maio. Preguei na rua. Tiraram-me da rua.

Domingo de manhã, 26 de maio. Preguei em meio à campina, me expulsaram como se eu fosse um búfalo solto durante o culto.

Domingo de manhã, 2 de junho. Preguei no limite da cidade, à beira da estrada, e me expulsaram.

Domingo à tarde, 2 de junho, culto da tarde. Preguei em um pasto, e 10.000 pessoas vieram me ouvir.

Vá após Deus! Ninguém mais poderá atrapalhar sua corrida. Não importa o quanto as outras pessoas não reconheçam o seu ministério, bus­ que a Deus! O coro de santos corredores do céu está torcendo por você. “Terminamos a trajetória pela graça de Deus”, eles estão gritando. “Você também pode!”

Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta. – Hebreus 12.1