A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A LATA DE AZEITE E OS IMPEDITIVOS DA VIDA AUTÊNTICA – II

A lata de azeite e os impeditivos da vida autêntica II

Partindo da ideia de que a autenticidade é mais do que uma força pessoal, no post passado comecei a discorrer sobre a importância dessa característica para a chamada felicidade genuína. Mais do que isso, afirmei que, a despeito desse fato, existem algumas razões que costumam condenar as pessoas a uma vida inautêntica. Uma vida que, agora acrescento, seria bastante discutível em termos de felicidade, visto sua inerente ausência de sentido, uma vez que nenhuma anomia pode ser maior do que aquela experimentada por um indivíduo distante da sua própria verdade.

No texto passado afirmei que seriam quatro essas razões (má intenção, desconhecimento, falta de coragem e o “moedor de carne”), tendo discutido, naquela ocasião, apenas as duas primeiras.

Começo este texto, portanto, falando sobre a terceira razão que poderia impedir que uma pessoa leve uma vida autêntica: a simples e pura falta de coragem.

Aristóteles afirmava, sabiamente, que a coragem é a principal das virtudes, visto ser necessária até para que o indivíduo seja ele mesmo.

Concordo integralmente com o sábio filósofo. No entanto, vou além. Tenho medo dos covardes quase tanto quanto dos maus caráteres. Isso porque, considerando a bondade como característica da maior parte dos seres humanos (uma crença bastante discutível, admito), creio ser no covarde que o mau caráter encontra sua principal fonte de manobra. O covarde se corrompe por medo. Medo de perder a aprovação, o afeto, o conforto, o prestígio, não importa. É por medo que ele deixa de viver aquilo em que acredita, abre mão de seus valores e, justamente por conta dessa fraqueza, torna-se perigoso.

Se pensarmos na autenticidade como uma condição para uma vida feliz e considerarmos que é necessário coragem para sermos autênticos, a conclusão é clara: a felicidade exige coragem. E é triste saber que existem pessoas infelizes não pelas condições que cercam suas vidas mas, antes de tudo, pelo medo que as impele a uma vida pela metade em que a extensão de seus discursos não vai além do volume vacilante de suas palavras. Além disso, vivemos em uma época em que imersos em uma avalanche de simulações (sociedade do espetáculo, alguns diriam) ser autêntico e verdadeiro tornou-se um diferencial. Mas isso já é um outro assunto!

A quarta razão que nos afasta da autenticidade é o que chamo de “moedor de carne”. Já defini essa expressão em outros textos meus, portanto, dessa vez, serei breve. Chamo de moedor de carne esse ritmo alucinante em que vivemos que nos faz viver numa espécie de piloto automático e que nos distancia de tudo: das atividades que fazemos, das pessoas ao nosso redor e de nós mesmos. Os dias vão se acumulando uns sobre os outros, a vida vai passando e lá estamos nós dentro (?!) daquele enorme moedor de carne, muitas vezes ligados no 220 volts.

E é assim que o moedor de carne se torna responsável por coisas como a lata de azeite. Antes que você me tome como louca, permita-me, caro leitor, que eu me explique.

Durante boa parte da minha infância e adolescência, brigava com minha mãe por causa das latas de azeite que tínhamos em casa (sim, porque naquela época o azeite era vendido em latas!). Nossas latas de azeite eram sempre melecadas e grudentas, o que me incomodava bastante. Eu tinha a plena convicção de que isso acontecia porque minha mãe fazia dois furos na lata (na época eu desconhecia a teoria dos fluidos). O fato é que brigava com minha mãe todas as vezes. Quando abria uma lata de azeite, eu fazia sempre um furo grande (resolvendo assim o problema do fluxo). Minha mãe ficava louca. Além de fazer um outro furo na lata ainda enfiava um palito de dente no furo que eu havia feito a fim de deixá-lo menor. Foi assim por muito tempo. Até que um dia eu me casei, fiz minha primeira compra de supermercado e, claro, comprei minha lata de azeite. Quando cheguei em casa, peguei a lata e aconteceu: sem que me desse conta, fiz dois furos nela.

Lembro-me desse dia como se fosse hoje. Naquele momento meu cérebro, funcionando no piloto automático, me traíra, fazendo com que eu simplesmente seguisse a minha referência, ainda que isso fosse de encontro com minha crença e minha verdade.

Para mim, a lata de azeite se tornou uma metáfora do que acontece quando estamos distantes de nós mesmos: traímos a nossa essência, deixamos de ser autênticos e, o pior, temos que arcar com uma vida, por assim dizer, um tanto “melecada”.

 

LILIAN GRAZIANO – é psicóloga e doutora em Psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, onde oferece atendimento clínico, consultoria empresarial e cursos na área.

graziano@psicologiapositiva.com.br

OUTROS OLHARES

VOCÊ AINDA SERÁ INFLUENCIADO

Com faturamento mensal de mais de 1 milhão de reais com posts pagos, os artistas – hoje chamados de influencers – fazem do Instagram o palco de seus trabalhos.

Você ainda será influeciado

E no princípio era o verbo – ou melhor, era a fama pura e simples, alimentada pela presença nas novelas da Globo. E lá na pré-história (e a pré-história dos tempos de internet foi ontem mesmo) não havia sucesso ou autógrafo que nascesse longe da notoriedade na televisão. Ninguém era chamado para festas vips (dar um “oi” e zarpar em menos de duas horas) ou para anúncios comerciais se estivesse fora das telas. Bem-vindo aos novos tempos, produto das redes sociais, das onipresentes selfies. Atriz? Ator? O nome da profissão agora é outro: influencer, ou influenciado, mas há quem ache que em inglês fica mais altivo. Basta ter uma conta nas redes sociais, preferencialmente no Instagram, atrair milhares, milhões de fiéis seguidores e cobrar pela postagem. A receita é simples, e o bolo cresce que é uma barbaridade: Bruna Marquezine, a ex de Neymar, por exemplo, chegou a ganhar 200.000  reais por mês durante agravação de uma novela – mas, num único post em que cita um produto, um evento, uma loja, ela pode receber mais de 150. 000 reais. Não raro, consegue 1 milhão de reais mensais. Marina Ruy Barbosa vai no mesmo ritmo. Há dezenas de exemplos para demonstrar a fenomenal virada.

Você ainda será influeciado. 4

A televisão ainda é muito forte, evidentemente, mas vem perdendo a primazia. O mercado publicitário percebeu a onda precocemente e não demorou a entrar no jogo. Só neste ano, segundo o levantamento Latin America AdSpending, da consultoria eMarketer, o Brasil receberá 4,5 bilhões de dólares em marketing digital, este que é coalhado de influenciadores – ops, influencers. “Nenhum anunciante senta à mesa sem falar da estratégia de divulgação em redes sociais”, diz Marco Aurélio Giannelli, conhecido como Pernil, diretor de criação da AlmapBBDO.

Na gênese desse fenômeno, os famosos analógicos ficaram espantados com as cifras de gente digital como Whindersson Nunes, o humorista criado no YouTube que hoje fatura 3 milhões de reais por mês com shows e propagandas. Se ele, que não passou pela Globo, podia ser tão grande, por que não os famosos de pedigree reconhecido? O salto extraordinário deu-se em 2016, com o Stories, a ferramenta do Instagram que permite a publicação e a viralização de vídeos breves. A chance de colar ao filminho o link da página dos anunciantes, que conseguiam medir com precisão quanto um post poderia gerar de vendas imediatas, foi como um abracadabra. Some-se um dado – segundo o IBGE, 93,2%dos lares brasileiros têm ao menos um celular com acesso à internet -, e eis o caldo da nova cultura da civilização moderna.

Há segredos de polichinelo no ofício de influenciador: é preciso mostrar intimidade com o público e produzir conteúdo que pareça ser espontâneo, sem vínculo com o que se quer vender. Daí a profusão de viagens a lugares incríveis, festas espetaculares e amigos queridíssimos ainda mais badalados. É tudo pensado para atrair curtidas, a régua pela qual se medem as metas.

Rapidamente, as negociações de postagens ganharam novas dimensões, e com o crescimento vieram os problemas. No mais recente Carnaval, Bruna Marquezine fechou um contrato de 800.000 reais com a Uber. A entrega: dois posts associados a uma série de Stories durante a folia. Uns drinques a mais aqui e ali, ela acabou publicando foto na garupa de um moto táxi qualquer em Salvador – imagem que realmente atraiu a atenção pública. Levou bronca da empresa que a contratara. O caldo entornou, e dificilmente ela voltará a dar as mãos para a Uber. Além disso, depois de ver Neymar com Anitta na Sapucaí, a atriz ainda tirou sua conta doar – por alguns dias. Ela costuma dizer que adora ser atriz, mas dentro do Projac é sabido (e visto) que seu coração bate mesmo é por um smartphone. Dizem, nos bastidores, que ela tem relutado em protagonizar a novela das 9 Amor de Mãe, com lançamento previsto para o fim de 2019. O motivo: avalia poder ganhar mais dinheiro e fãs nas redes sociais. Marina Ruy Barbosa também já avisou: depois de O Sétimo Guardião, a atual novela das 9, quer ficar distante da tela. Vai para a telinha.

É encanto que engloba diferentes faixas etárias. Em 2017, então com 40 anos, o jornalista Evaristo Costa deixou a bancada do Jornal Hoje com salário de 70.000 reais para se jogar de cabeça e selfie no novo trabalho. Um único post dele equivale ao antigo salário. Caio Castro, galã de primeiro time da Globo, adora a liberdade proporcionada por seu contrato por obra – tem a agenda livre para faturar. Médicos, empresários e estilistas seguem toada parecida. Há o caso de um dentista com 1,7 milhão de seguidores que faz propaganda de carro alemão.

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O maior exemplo de faturamento mundial é a influenciadora Kylie Jenner. Aos 21 anos, a irmã de Kim Kardashian embolsa 1 milhão de dólares por um único post, o mais caro do globo. O segredo dela: postar selfie em escala industrial, fazer poses sexy e expor sua intimidade sem parcimônia. “Os artistas sabem que suas histórias pessoais despertam mais interesse de seguidores e da imprensa do que o trabalho que exercem”, avalia Pedro Tourinho, sócio da agência MAP Brasil e empresário de famosos como Anitta e Bruno Gagliasso, que lançará em agosto o livro Eu, Eu Mesmo e Minha Selfie Como Cuidar da Própria Imagem no Caos do Século XXI.

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Empresário artístico e gestor de imagem, lke Cruz se preocupa com a geração mais jovem de atores. Ansiosos pelos likes e por faturar no mundo digital, eles esquecem de estudar. “Eu sempre digo: uma blogueira não pode ser atriz, mas uma atriz pode ser blogueira”, avisa. O risco, ele aponta, é o vício de a postagem obsessiva ficar nisso mesmo e em muito dinheiro, mas sem atalho para outros voos profissionais. Mas algo é inegável: a avalanche das redes sociais tem o mérito de ter mostrado com clareza algo que os artistas negavam. A maioria se queixava dos paparazzi, da invasão de privacidade. Com o advento do Instagram, eles próprios expõem a intimidade –  de forma editada, filtrada e legendada sem interferência externa. São paparazzi de si mesmos. “E ninguém mais se queixa de violação de intimidade”, diz Cruz. Isso sim é que é influenciar o humor das novas gerações.

Você ainda será influeciado. 2

GESTÃO E CARREIRA

DA NOITE PARA O DIA

Pesquisadores descobriram que manter um hobby noturno ajuda a ter mais disposição no trabalho. Conheça histórias de pessoas que usam seus passatempos a favor da carreira.

Da noite para o dia

O que você faz à noite, fora do trabalho, pode ter uma influência positiva em sua carreira. Pelo menos é o que concluiu uma pesquisa realizada por professores da Austrália, da China e de Hong Kong, publicada na revista científica Journal of Applied Psychology. Durante dez dias, os estudiosos mapearam os hábitos de 183 funcionários chineses de diferentes empresas e ocupações. Os participantes precisavam responder, três vezes ao dia, como se sentiam em relação a seu trabalho. Os dados indicaram que os que mantinham hobbies noturnos mostravam-se mais proativos no dia seguinte. Já os que cumpriam obrigações domésticas ou levavam tarefas do escritório para casa sentiam-se mais enfadados. O resultado não é sem razão. “Quando você faz algo que gosta está adquirindo conhecimento e experiências para se tornar um profissional melhor, são aprendizados para a vida como um todo”, afirma Nélio Bilate, consultor de desenvolvimento humano e organizacional. Além disso, há uma explicação neurológica para os benefícios de um hobby noturno. “O envolvimento intelectual ajuda a liberar os neurotransmissores serotonina e dopamina, que aumentam a sensação de bem-estar e relaxamento. Desenvolver novas habilidades e talentos melhora o foco, a criatividade, a disciplina e a organização”, diz Madalena Feliciano, presidente do Instituto Profissional de Coaching e master em programação neurolinguística. A seguir, profissionais de diferentes áreas mostram como seus passatempos noturnos os ajudam a trabalhar melhor.

Da noite para o dia. 2

DIVISÃO DAS PAIXÕES

Para muitos, o trabalho de Beatriz Ruiz, de 31 anos, já é, por si só, um hobby. Afinal, ela é sommelier de cervejas artesanais da Ambev. Mas a rotina é intensa. Em seu dia a dia, além de cuidar do desenvolvimento de bebidas, ela precisa visitar bares e cervejarias e promover eventos da marca. Com isso, alguns limites pessoais e profissionais se perdem. “Minha vida se mistura muito com o trabalho, estar em bares e eventos todo o tempo pode ser bem confuso.” Esse embaralhamento, somado à cobrança por resultado, fez com que Beatriz se sentisse estressada. Para lutar contra o problema, em 2015 ela procurou algo que a ajudasse a relaxar e, de quebra, fizesse bem à saúde. O pole dance, atividade que mistura dança e condicionamento físico, surgiu como uma opção. “Você adquire um olhar para o corpo e a alma. É um exercício de empoderamento feminino e aceitação de seus limites.” A escolha pelo esporte, que ela pratica no mínimo duas vezes por semana, ajudou na criação de uma nova mentalidade sobre conquistas diárias e melhorou aspectos como introversão e produtividade. “Os impactos do pole dance na minha vida vão além dos benefícios ao corpo e à saúde. A prática também contribuiu para minha concentração no dia a dia de trabalho.”

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FORÇA NA MEDIDA

Oliver Seiler Calô, de 27 anos, formou-se em arquitetura, mas nunca chegou a trabalhar na área. Sua atuação é como professor na escola de marcenaria do pai, há 11 anos. Mas, em 2017, a rotina começou a se tornar desmotivadora. “Percebi que precisava de outra atividade, tinha insônia e comecei a ficar depressivo.” Foi por isso que ele se matriculou em aulas de boxe. Com o passar dos meses, sentiu a animação voltar e mudou alguns comportamentos (parou de fumar e de se alimentar de forma errada). O sono normalizou e sua satisfação com o trabalho aumentou. “Eu me sentia mais forte, com mais foco e disposição.” As turmas de Oliver têm alunos de diversas idades e, em algumas etapas dos projetos, é preciso lidar com grandes máquinas de corte de madeira — processo que exige muita atenção e esforço físico para manter a segurança individual e dos alunos. Com o boxe, ele se tornou mais consciente dos movimentos de seu corpo e passou a usar apenas a força necessária nos movimentos, o que acabou com suas dores nas costas. Além disso, ele se sente mais criativo. “Passei de dois para quatro treinos por semana. O hobby está tão enraizado em mim que quero me aperfeiçoar e aprender cada vez mais.”

Da noite para o dia. 4

MAIS EMPATIA

O administrador Luís Roberto Nascimento, de 39 anos, não imaginou que seria convida- do a apresentar um programa sobre esportes quando enviou, em 2012, um e-mail com a sugestão para que a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) tivesse uma discussão esportiva em sua grade. Ex-aluno da instituição, o paulistano é gestor da área de atendimento ao cliente na Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo. No dia a dia, atua com projetos de melhorias de plataformas e gerencia casos graves de reclamações e, toda quinta-feira à noite, está à frente da bancada do No Tempo do Jogo, programa de 1 hora dedicado a entrevistas, debates e notícias semanais sobre o mundo esportivo. “A sugestão nasceu  de uma paixão que eu já tinha por esportes. Quando recebi o convite, o reflexo foi aceitar.” Sem experiência na área, Luís fez um curso de locução profissional de seis meses de duração para ajudar. “Eu tive de me desenvolver para realizar um trabalho melhor e acabei adquirindo habilidades que levo para as outras áreas da minha vida.” Por causa do hobby, hoje ele se sente mais desenvolto para conversar com pessoas. Além disso, o fato de mediar comentaristas e convidados no programa o ajudou a se tornar um bom ouvinte — algo essencial para seu trabalho do dia a dia. “Melhorei minha empatia.”

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CRIATIVIDADE SOBRE RODAS

O hobby de Renata Lazzarili, de 26 anos, é o que lhe dá força para cumprir suas metas diárias. Quadrinista freelancer, a rotina da designer é cheia de objetivos à ser alcançados. “Preciso de disciplina para ter rendimento.” E bota disciplina nisso. Todos os dias, Renata acorda às 8 horas e tem de seguir à risca sua lista de tarefas — caso alguma delas não seja executada, sua punição é faltar aos treinos de roller derby, esporte no qual duas equipes de jogadoras usando patins disputam desafios. Majoritariamente feminina, a competição é conhecida por sua velocidade e pela exigência física das esportistas. Renata faz parte da Ladies of Helltown, primeira liga brasileira de roller derby, e tem uma escala pesada de treinos: três vezes durante a semana e duas nos fins de semana. Tudo isso para se preparar para o campeonato nacional, que será em novembro, em Blumenau (SC), e envolverá cerca de 180 participantes. Mas, para Renata, a participação no esporte vai muito além de conquistar um troféu: a ajuda efetivamente no trabalho. “Os movimentos inspiram novos traços e ampliam minha visão para as cores. Dá outra perspectiva à ilustração.”

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 10 – O SEGREDO DE ESTAR ACESO

É o lugar secreto que acende nosso fogo, que nos deixa acesos. Estou falando acerca de ter um zelo fervoroso em buscar a face de Jesus e responsabilidade com o seu Reino. Jesus veio trazer fogo à terra (Lucas 12.49), motivo pelo qual pretende nos acender com suas próprias paixões e desejos. Para manter sua intensidade, este fogo deve ser constantemente alimentado por paixões promovidas pela intimidade gerada no lugar secreto. Você está destinado ao fogo. Você queimará por toda a eternidade – a única pergunta é onde. O desejo de seu coração é ser uma labareda viva, acesa com a alegria de contemplar a beleza de Deus, adorá-lo sem limites e estar inserido neste mundo com um zelo autocontrolado e calculado de quem não ama sua própria vida e não tem medo de morrer. Você tem um motivo para viver porque tem um motivo pelo qual morrer. Você deseja ser um promovedor da santidade, razão pela qual nunca ficará satisfeito com o status quo do cristianismo.

A Palavra de Deus é como fogo Jeremias 23.29) e sua presença é totalmente envolta pelo fogo (Ezequiel 1.4,27; Daniel 7.9). Quando você se aproxima de Deus, está se aproximando do intenso brilho das labaredas de eras. Para ficar aceso, você precisa ficar perto de Deus. Quando você se sentir frio, distante e espiritualmente “fora”, será o momento de se retirar para um cantinho, se colocar diante da lareira da Palavra de Deus e deixar que a intensidade de sua face restaure o seu fervor.

O segredo de permanecer aceso por Jesus não é responder as chamadas do altar (por melhores que sejam); não é o fato de alguém impor as mãos sobre você e orar (por mais válido que isso seja); não é ouvir uma boa gravação de pregação ou o mais recente CD de adoração; a única fonte certa para permanecer aceso é se dedicar de forma consistente ao lugar da porta fechada. Esse é o lugar onde “o espírito de fogo” (Isaias 4.4) acende sua alma à medida que você contempla a glória dele com uma face descoberta (2Coríntios 3.18).

Você deseja passar a ter uma grande compulsão pelo lugar secreto? Convide “Aquele” que queima, o Espírito Santo, para acender a eterna chama do ciúme fervoroso dele em sua vida.

As Escrituras dizem: “O Espírito que ele fez habitar em nós tem fortes ciúmes” (Tiago 4.5). O objetivo deste ciúme fervoroso é fazer com que a noiva de Cristo possa ter sua paixão exclusiva e fervorosa por seu amado acesa. Você pode fazer a seguinte oração sublime:

“Espírito Santo, permita que seu ciúme ardente entre em minha vida até todo o sentimento adúltero e falsos deuses serem completamente queimados e até uma imensa paixão consumidora tomar conta de todo o meu ser – para que o meu amor seja totalmente voltado para aquele que é amável, Jesus Cristo!”

O livro do Apocalipse descreve o Espírito Santo da seguinte maneira: “Do trono saíam relâmpagos, vozes e trovões. Diante dele estavam acesas sete lâmpadas de fogo, que são os sete espíritos de Deus” (Apocalipse 4.5). Perguntei para Deus se o mesmo poderia ser dito sobre mim, se eu poderia ser descrito “como aceso diante do trono”!

Como um homem que deseja estar aceso para Deus, olhe para Provérbios 6.27-28 de uma forma diferente da abordagem típica. A princípio, esses versículos estão descrevendo os efeitos prejudiciais do adultério, sua outra aplicação é efetivamente descritiva do lugar secreto com Deus:

Pode alguém colocar fogo no peito sem queimar a roupa? Pode alguém andar sobre brasas sem queimar os pés? – Provérbios 6.27-28

Quando se aproxima do fogo da Palavra de Deus, você está colocando, efetivamente, fogo no peito – e as roupas sujas e contaminadas com lepra de sua vida antiga estão sendo queimadas. Assim que você entra na presença fervorosa do lugar secreto de Deus, começa a andar sobre brasas acesas – e seus pés passam a ser cauterizados para você caminhar em santidade, retidão e obediência.

A resposta para a pergunta é: “Não! Coloque o fogo de Deus em seu ser e tudo em sua vida será diferente! É impossível abraçar esse fogo de vida e não ser transformado! Oh, Senhor, eu coloco o seu fogo em meu peito com prazer e temor”.

João Batista foi um homem que ficou aceso diante de Deus. Deus levou João para a solidão do deserto para acender um fogo divino dentro dele. Quando finalmente foi liberado para o ministério, ele já era uma labareda viva. Observe que nos versículos a seguir Jesus pergunta três vezes “O que vocês foram ver”?

Enquanto saíam os discípulos de João, Jesus começou a falar à multidão a respeito de João: O que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Ou, o que foram ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que usam roupas finas estão nos palácios reais. Afinal, o que foram ver? Um profeta? Sim, eu lhes digo, e mais que profeta. – Mateus 11.7-9

Jesus testificou que as pessoas não foram até João basicamente para ouvir algo, mas para ver algo. Jesus descreveu João como “uma candeia que queimava e irradiava luz” (João 5.35). João era um homem divinamente incendiado, um homem que incubou seu amor por Deus por meio de um compromisso constante de estar sozinho no lugar secreto. Assim, se tornou uma candeia que irradiava luz para a nação inteira contemplar, e as pessoas vinham de todos os lugares para ver este fogo.

As pessoas são sempre atraídas por um grande incêndio. Este é nosso Deus: “Ele faz… dos seus servos, clarões reluzentes” (Hebreus 1.7). Se você permitir, Ele também o tornará um clarão reluzente.