A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

HOMEM E SOCIEDADE

Cérebro dá prioridade para informação gerada por ações cotidianas ligadas a um contexto social

Homem e Sociedade

Nosso cérebro presta, automaticamente, grande atenção aos atos cotidianos ligados a um contexto social. Pesquisadores de Bochum verificaram este fato com a ajuda da hipnose.

O cérebro humano é mais sensível para a informação social, segundo conclusão de pesquisadores de Bochum, Alemanha. Ou seja, a atenção humana se intensifica nos atos cotidianos envolvidos em um contexto social.

Para chegar a essa descoberta, os cientistas utilizaram hipnose em participantes de um estudo, analisando, separadamente, a atenção involuntária (bottom-up) e voluntária (top-down) dessas pessoas em determinadas situações. Hipnotizadas, elas assistiram a um vídeo, onde as pessoas colocam moedas em tigelas de cores diferentes. Os pesquisadores esperavam que o processamento de informação social – neste caso, as atividades cotidianas de outras pessoas – seria priorizado, sob hipnose, porque o cérebro processa automaticamente a informação no processo de atenção involuntária.

Usando eletroencefalografia (EEG), a equipe de pesquisa gravou um sinal que indica de que forma as ações intencionais são processadas. Eles compararam esse sinal específico, tanto no estado hipnótico quanto no estado não hipnótico. O resultado: o sinal específico foi, como esperado, mais forte quando os participantes foram hipnotizados. Se os processos de atenção voluntária são desativados através da hipnose, o cérebro, portanto, prioriza o processamento de informação social.

O projeto demonstra, além da relevância da informação social para o cérebro humano, até que ponto a hipnose é uma opção viável para a análise de processos cognitivos.

OUTROS OLHARES

SINAIS PRECOCES

Pesquisa revela que o autismo pode ser detectado logo depois do primeiro aniversário da criança. A intervenção nessa fase da vida é capaz de mudar a trajetória do distúrbio.

Sinais precoces

Na medicina, a palavra “precoce” vale ouro. Quanto antes se descobre uma doença, como um tumor ou uma alteração na pressão arterial, melhores são as opções de tratamento, maiores são as chances de controle do problema ou de cura. Quando a detecção se refere a distúrbios do desenvolvimento cerebral, comuns na infância, os resultados podem ser ainda mais extraordinários e duradouros – nos primeiros anos devida, o cérebro está em transformação frenética e, portanto, é mais suscetível a mudanças. É o caso do autismo, transtorno que afeta uma a cada 59 crianças. Revelada pela revista científica americana JAMA Pediatrics, uma descoberta abriu uma janela de esperança mundialmente celebrada. Pesquisadores americanos demonstraram que o diagnóstico do autismo pode ser feito a partir dos 14 meses de idade – até agora, as crianças recebiam o veredicto do distúrbio por volta dos 3 ou 4 anos. “A detecção precoce tem impacto no futuro da criança”, disse Karen Pierce, a principal autora do trabalho e professora de neurociência da Universidade da Califórnia.

Para o estudo, foi acompanhado em consultórios de pediatria um grupo de 1.269 crianças com e sem autismo com idade entre 12 e 36 meses. Os pais então foram submetidos a questionários específicos sobre o comportamento dos filhos. Algumas indagações investigavam gestos muito sutis, próprios das faixas etárias mais remotas, como a forma de lidar com objetos – não usar a função original dos brinquedos, por exemplo, ou enfileirá-los com frequência. Em boa parte dos casos, deu-se a identificação no tempo agora mítico de escassos 14 meses de vida. O diagnóstico foi confirmado quando as crianças investigadas completaram 4 anos de idade, com os sinais do autismo já mais claros. “Esse estudo quebra paradigmas porque há um grande receio em estabelecer o diagnóstico muito cedo. Tem-se uma ideia equivocada de que os sintomas podem desaparecer com o passar do tempo ou quando a criança entrar na escola”, explica Guilherme Polanczyk, psiquiatra de crianças e adolescentes da Universidade de São Paulo.

Esperar que uma criança complete 4 anos para ser diagnosticada pode significar uma oportunidade perdida de tratamento. Com o diagnóstico precoce, ela será submetida antes a intervenções de especialistas, como psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais, capazes de melhorar sua linguagem, a interação social e até o Q.I. Os fatores genéticos são importantes, mas os estímulos externos recebidos durante os 36 primeiros meses da infância são cruciais na construção da arquitetura cerebral. Quanto antes eles ocorrerem, melhor. Desde que uma criança nasce, tudo o que ela vê, toca, sente ou experimenta é traduzido em milhares de sinapses. Nessa fase, as regiões dos lobos frontal e temporal, onde estão as áreas dominantes para a linguagem, ficam mais ativas. O bebê de 1 ano já consegue dizer palavras como “mamãe”, “papai”, “au-au”. Pode querer imitar os comportamentos que visualiza ou apontar para situações, buscando a interação com os familiares. Isso nem sempre acontece com crianças autistas.

O autismo é um transtorno de influências genéticas e ambientais que se dá pela falta de comunicação eficiente dos neurônios. Ao mesmo tempo em que há uma falha de conexão entre as redes neurais, ocorre uma hiperconectividade entre eles – o que explicaria determinados interesses tão focados e específicos e a falta de interação com as pessoas, as principais características do transtorno. Um traço também típico dos portadores de autismo é o cérebro cerca de 10% aumentado. Mais: na infância, o cérebro passa por um período de proliferação de conexões, processo que logo depois é substituído por outro, conhecido como poda neuronal. Nesse momento, as ligações entre neurônios subutilizadas são desligadas, em um processo de seleção natural, e apenas as decisivas permanecem. No autismo, a principal hipótese é que tal processo não ocorre de maneira eficaz. Como existe essa falta de especialização de comunicação, a grande quantidade de neurônios persiste, mas eles não são tão treinados. Mas isso não é definitivo – pode ser alterado. Eis a razão pela qual o diagnóstico precoce é tão valioso.

Não há remédio para tratar o transtorno. Apenas para controlar alguns sintomas, como a hiperatividade. O trabalho dos pesquisadores da Universidade da Califórnia lança o desafio de detectar o transtorno em crianças tão pequenas, o que não é simples, principalmente para profissionais que não são treinados para reconhecê-lo. As sutilezas da pouca idade são desafiadoras. Perto de 1 ano de vida, nem toda criança fala. Algumas podem ter manias específicas, mas que se perdem no universo infantil. Fica mais fácil perceber que algo não segue o padrão quando a criança já está mais velha. Aos 3 anos, um filho não responder ao próprio nome ou resistir à mudança de rotina causa estranheza aos pais.

O autismo foi descrito pela primeira vez em 1943, pelo psiquiatra americano Leo Kanner (1894-1981). Em um artigo para a revista especializada Nervous Child, o médico definiu elegantemente um dos onze pacientes sob sua observação: “Ele parece ficar satisfeito sozinho. Não demonstra afeição quando acariciado. Não observa o fato de alguém chegar ou sair e nunca parece feliz em ver os pais”. Kanner tirou suas conclusões ao observar meninos e meninas com idade média de 5 anos. Agora, ao identificar o transtorno em crianças com um quinto dessa idade, a ciência abre um novo caminho para os cuidados com o autismo.

OS PRIMEIROS INDÍCIOS DO TRANSTORNO

O autismo já pode ser detectado na criança ao redor dos 14 meses de idade

 

– Ela não responde ao chamado de seu nome.

– Estabelece pouco ou nenhum contato visual com os pais ou familiares.

– Não desenvolve a linguagem própria da idade (como falar “au-au” para o cachorro) ou retrocede no que já havia desenvolvido.

– Tem dificuldade de se conectar com pessoas. Não segue com o olhar as brincadeiras ou interações.

– Não usa a função original dos brinquedos. Prefere enfileirá-los ou levá-los à boca.

– Tem sensibilidade a ruídos.

– Chacoalha as mãos perto do rosto.

Sinais precoces. 2

GESTÃO E CARREIRA

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Saber questionar o status quo é essencial para se tornar um profissional mais inovador. Veja como melhorar essa habilidade.

A arte de questionar

Quando passava férias com a família, o fundador da Polaroid, Edwin Land, tirou uma fotografia de sua filha de 3 anos. A menina quis saber por que não conseguia ver a imagem. A dúvida da criança levou Land a pensar a respeito. Por que não podíamos enxergar a fotografia imediatamente? O que seria necessário para que isso acontecesse? Foi a partir dessas duas perguntas seminais que o cientista desenvolveu as percepções que iriam resultar nas máquinas instantâneas Polaroid, que abalaram o setor entre os anos de 1946 e 1986, com mais de 150 milhões de unidades vendidas. A história, relatada no livro DNA do Inovador (Alta Books, 59,90 reais), mostra quão poderoso pode ser um questionamento.

Mais do que respostas prontas, são as perguntas que fazem a diferença. São elas que geram aprendizado, provocam a inovação e fortalecem a confiança de um time. Não há nada mais eficiente para mitigar o risco de um negócio e mapear imprevistos do que a capacidade de contestar.

A boa notícia é que essa habilidade pode ser aperfeiçoada. Mas como fazer boas indagações? Como induzir ideias e levar à solução de problemas por meio de perguntas? O primeiro passo é abandonar velhas crenças. Se você tiver respostas acabadas na cabeça, fica difícil pensar algo diferente. É preciso derrubar verdades incontestáveis e imaginar novas possibilidades (inclusive as mais malucas). Foi assim que surgiram empresas famosas, como a Uber: olhando para um cenário em que as pessoas só tinham a opção de andar de táxi e pagar em dinheiro e indagando como tudo isso poderia ser diferente. “Até alguém questionar, muita coisa parece impossível”, diz Arthur Igreja, especialista em inovação e tecnologia da Fundação Getúlio Vargas.

Segundo ele, sem o benefício da dúvida, negócio algum chegará à disrupção. Em O DNA do Inovador, os pesquisadores Hal Gregersen, Jeff Dyer e Clayton Christensen (professores, respectivamente, do MIT, da Wharton School e da Universidade Havard) entrevistaram inventores revolucionários e identificaram que a capacidade de fazer perguntas é uma das cinco habilidades que os diferenciam dos demais. “Coletamos dados de 500 inovadores e de 5.000 executivos de mais de 75 países. Encontramos o mesmo padrão em líderes famosos e não famosos. Os inovadores eram bem mais propensos a questionar, observar, contatar pessoas e experimentar do que executivos típicos”, escrevem os autores. Os estudiosos concluíram também que perguntar é um estilo de vida, não um exercício intelectual da moda. Os chefes vanguardistas interpelam mais — e de modo mais provocativo. Durante a investigação, por exemplo, o trio de estudiosos confrontou o pessoal com a seguinte afirmação: “Faço com frequência perguntas que desafiam o statu quo”. Os que assinalaram a alternativa “concordo firmemente” produziram o dobro de novos negócios do que os que indicaram apenas a opção “concordo”. Nesse sentido, um bom questionador deve considerar os diferentes ângulos de uma mesma situação. “Existe sempre um lado que a gente não vê. Então é preciso imaginar de que outro jeito as situações poderiam acontecer. O que estou dizendo é que as pessoas devem sair do piloto automático para fazer boas perguntas”, diz Marcelo Pimenta, professor de design thinking na ESPM.

A publicitária Marina Rejman, de 50 anos, sabe bem disso. Como questionar é parte de seu trabalho — é especializada em inovação —, ela vive desafiando a si mesma para sair da zona de conforto. “Nossa mente tende a aceitar as coisas como são. Para que isso não aconteça, criei um método que chamo de ‘futuros desejáveis’”, afirma ela, que é fundadora da consultoria Sala de Cultura. A técnica consiste em pensar cenários atuais e imaginar como poderiam ser melhores. Além disso, sempre que inicia um projeto, Marina faz três ponderações: “por quê?”, “e se?” e “por que não?”

Segundo ela, a indagação “por quê?” serve para desafiar o estado das coisas; a condicional “e se?” leva a explorar diferentes possibilidades; enquanto a expressão “por que não?” ajuda a vencer obstáculos, derrubando crenças limitantes do mundo corporativo. “Perguntas como ‘e se nossos produtos chegassem aos clientes de outra forma?’ levam uma empresa a redesenhar seu modelo de negócios. Foi assim que itens do varejo começaram a ser entregues por assinatura e que os filmes passaram a ser transmitidos por streaming, e não mais retirados em locadoras”, exemplifica Marina.

MÁSCARA DE SABICHÃO

Apesar de ajudar na criatividade, no conhecimento e na qualidade das conversas, fazer indagações exige assumir uma posição de humildade, admitindo desconhecimento sobre determinado assunto. É por medo de se expor, inclusive, que muita gente deixa de apresentar suas questões. O maior receio é ser mal interpretado, transmitindo um sinal de fraqueza ou desinformação. “Essa sensação acontece por que temos uma cultura de que é preciso saber de tudo. Essa exigência começa cedo, ainda na escola, quando os alunos são cobrados por respostas”, diz Mônica Barroso, diretora de aprendizagem do The School of Life no Brasil.

Mas o que parece vantajoso num primeiro momento, por evitar a exposição, pode gerar um efeito colateral, dando uma impressão tão ruim quanto a ignorância (ou até pior): a de que você é passivo e inseguro.

Ser questionador tornou-se um diferencial competitivo. Muitas empresas buscam hoje gente com coragem de pensar diferente. Hoje, o mercado já entende que fazer perguntas denota curiosidade e vontade de aprender. “Até numa entrevista de emprego pega bem questionar. Ao indagar sobre o que se espera do cargo, por exemplo, o profissional sugere responsabilidade e vontade de entender a situação”, diz Marina D’Oliveira, professora de negociação na Escola Conquer.

O grande desafio é fazer isso sem parecer perdido no tempo e no espaço. De acordo com especialistas, só é possível passar a impressão correta se preparando com antecedência. Perguntas inteligentes pressupõem estudo prévio. Se não estiver por dentro do tema, dificilmente a pessoa trará pontos relevantes para projetos, reuniões ou debates com colegas. Deve-se pensar (e anotar) quais aspectos precisam ser levantados para, de fato, elevar o nível da discussão. Só tome cuidado para não errar a mão e soar sabichão demais. Um bom questionador abre espaço para aprender o que não sabe. “Um erro comum é elaborar uma questão cheia de informação e opinião. Isso mostra que a resposta pouco importa”, afirma Jean Philippe Rosier, sócio e professor de criatividade e novas inteligências na escola de metodologias criativas Perestroika. O ideal é focar o que você quer compreender — não o que já sabe ou supõe a respeito do assunto.

Um estudo da Universidade Harvard mostrou que fazer perguntas que levem as pessoas a dizer o que pensam são mais eficazes. Os cientistas usaram ressonância magnética para fazer testes. Descobriram, entre outras coisas, que questionamentos que solicitam aos participantes dar opiniões aumentam a atividade neural nas áreas do cérebro associadas à recompensa e ao prazer. Ou seja, a ciência provou que questionar uma pessoa sobre o que ela acredita é uma arma poderosa para fortalecer as conexões e ganhar influência.

 ESCUTA ATIVA

Mas perguntas bem-feitas não bastam. É importante desenvolver também a capacidade de ouvir verdadeiramente o que está sendo dito. “Deve-se praticar a escuta ativa e não ficar pensando na próxima questão enquanto a pessoa responde”, diz Mônica, da The School of Life.

Essa atitude é primordial na hora de fechar negócios, por exemplo. “Meu segredo é ouvir muito e falar pouco, deixando que o cliente exponha todas as suas necessidades”, afirma Luiz Fernando Pivatti, de 34 anos, gestor comercial de uma empresa de TI de pequeno porte. Formado em tecnologia da informação, há um ano ele decidiu fazer um curso de design thinking para melhorar a comunicação. Uma de suas conclusões, durante as aulas, foi que interpelava os potencias compradores de maneira errada. Luiz Fernando fazia perguntas fechadas que exigiam “sim” ou “não” como resposta e davam pouca margem ao diálogo. Após a descoberta, reformou o método. Em vez de indagar se havia interesse em seus produtos, passou a assuntar clientes a respeito de dificuldades. “Qual é seu maior problema atualmente com tecnologia?” é o tipo de questão que ele procura fazer hoje. “Só com isso aumentei em 60% o número de negócios fechados em um ano”, diz.

Outra tática importante é fazer uma pergunta por vez, evitando que as dúvidas fiquem sem respostas. O método da conferência, que consiste em reafirmar pontos – chave para verificar se foram compreendidos, também ajuda. Se a conversa for difícil ou delicada, como as reuniões de metas de time, volte-se para o futuro e aposte em perguntas construtivas, mais eficazes do que as que focam o erro. Em vez de indagar a equipe sobre o que aconteceu ou quem é o responsável, diga: “Como podemos aprender com nosso erro e fazer melhor da próxima vez?” Num mundo de informações fáceis, onde quase toda resposta pode ser encontra- da, o principal diferencial é saber organizar o pensamento e fazer as perguntas certas. Que tal?

A arte de questionar. 2

A ARTE DE QUESTIONAR

Veja as principais diferenças entre questões eficientes e as que não funcionam

PERGUNTAS BOAS

– São claras e fáceis de entender

– Englobam uma questão por vez

– São abertas

– Mostram desconhecimento sobre o tema

– São criativas e confabulam sobre o que poderia ser diferente

– Envolvem preparação

– São respeitosas

– Focam o futuro e exploram o que pode melhorar

– Estimulam o interlocutor a dar opinião

 

PERGUNTAS RUINS

– São longas e confusas

– Levantam muitos pontos de uma só vez

– Pedem como resposta “sim” ou “não”

– Trazem a solução embutida dentro delas

– Ficam presas à crenças limitantes

– São feitas sem planejamento

– Contém suposições e/ou acusações

– Retornam para o passado e almejam encontrar culpados

– São voltadas para o produto ou serviço vendido

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 9 – O SEGREDO DE NÃO TER UM PLANO B

Um dos maiores segredos de intimidade com Deus é se aproximar dele como sua única fonte de ajuda e esperança: “Senhor, nesta situação eu não tenho nenhum plano B – não há outra saída se o Senhor não vier em meu socorro. Você é o único que pode me ajudar!”. Deus ama quando você olha somente para Ele em busca de livramento. E o inverso também é verdade: Ele sente ciúme quando você envolve outros salvadores.

Em Isaías 44.14-20, o Senhor zombou da idolatria dos filhos de Israel mencionando a vã esperança que um pedaço de madeira oferecia:

Ele derruba cedros, talvez apanhe um cipreste, ou ainda um carvalho. Ele o deixou crescer entre as árvores da floresta, ou plantou um pinheiro, e a chuva o fez crescer. É combustível usado para queimar; um pouco disso ele apanha e se aquece, acende um fogo e assa um pão. Mas também modela um deus e o adora; faz uma imagem e se encurva diante dela. Metade da madeira ele queima no fogo; sobre ela ele prepara sua refeição, assa a carne e come sua porção. Ele também se aquece e diz: Ah! Estou aquecido; estou vendo o fogo.

Do restante ele faz um deus, seu ídolo; inclina-se diante dele e o adora. Ora a ele e diz: Salva-me; tu és o meu deus. Eles nada sabem, nada entendem; seus olhos estão tapados, não conseguem ver, e suas mentes estão fechadas, não conseguem entender. Ninguém pára para pensar, ninguém tem o conhecimento ou o entendimento para dizer: Metade dela usei como combustível; até mesmo assei pão sobre suas brasas, assei carne e comi. Faria eu algo repugnante com o que sobrou? Iria eu ajoelhar-me diante de um pedaço de madeira? Ele se alimenta de cinzas, um coração iludido o desvia; ele é incapaz de salvar a si mesmo ou de dizer: Esta coisa na minha mão direita não é uma mentira?

À medida que fui meditando nessa passagem, o Senhor me deu a definição de um falso deus. Essa definição me ajuda, porque embora em nossa cultura ocidentalizada existam pouquíssimas pessoas que realmente adorem figuras de madeira ou pedra, nós temos nossos próprios deuses falsos. Na passagem, o Senhor descreve os idólatras como aqueles que dizem ao pedaço de madeira: “Salva-me: tu és o meu deus” (v. 17). Portanto, um deus é definido pelo seguinte: qualquer coisa a qual atribuímos o poder de nos livrar.

Os ocidentais têm seu próprio conjunto de falsos deuses – as fontes para as quais se voltam em busca de livramento em tempos de crise ou de necessidade:

– Dinheiro

– Plano de saúde

– Tratamento médico/prescrições

– Previdência privada

– Poupança

– Cartões de crédito/empréstimos

– Drogas/álcool

– Prazer/ diversão/ recreação/ esportes

– Sexo

– Amigos (para livrar da solidão)

– Conselheiros

– Cheque especial

Esses outros salvadores disputam nossa fidelidade. Para onde quer que nos voltemos, os deuses de nossa cultura estão promovendo seus poderes. Os comerciais de televisão promovem muitas alternativas para se obter alívio: “Experimente-me! Deixe-me aliviar sua dor. Sou sua resposta. Não precisa procurar mais. Venha até mim e eu o livrarei”.

Algo dinâmico acontece em seu espírito quando você olha para algumas dessas fontes de livramento e diz: “Não! Deus, você é o meu único salvador!”. Seu espírito não é apenas renovado por causa dessa afeição singular, mas a resposta do Pai no modo como Ele se move em seu coração é inigualável.

Aqueles que adoram a Deus são os que vêm primeiramente a Ele no momento de necessidade. Eles buscam a face de Deus e aguardam nele para receber diretivas para agir. O lugar secreto se torna o limiar onde esperam em Deus, buscando sua intervenção poderosa e clamando por sabedoria e revelação.

Ocasionalmente, o Espírito Santo dirá a você: “Neste caso, desejo que você espere somente em mim e permaneça crendo até eu intervir soberanamente em sua situação”. Quando Deus der a você sua palavra, então aperte o cinto de segurança! Você estará na corrida da vida. Você estará adentrando a dimensão de Deus. Aqui encontramos o milagre. Essa é a dimensão onde Deus se levanta em sua ira e vingança e inflige destruição a seus inimigos.

Seu papel é olhar para Ele, amá-lo e crescer em paciência e em fé. O papel dele é liberar o poder de ressurreição no tempo e da maneira dele. Não que todas as crises que você enfrentar entrarão nesta categoria, mas quando entrar… empolgue-se! Você está pegando a autoestrada dos maiores santos da história, a trajetória em que Deus revela o poder de seu braço, o esplendor de sua beleza majestosa e a maravilha de seus propósitos eternos.

Era a essa gloriosa dimensão que Davi se referia:

Descanse somente em Deus, ó minha alma; dele vem a minha esperança. Somente ele é a rocha que me salva; ele é a minha torre alta! Não serei abalado! A minha salvação e a minha honra de Deus dependem; ele é a minha rocha firme, o meu refúgio. Confie nele em todos os momentos, ó povo; derrame diante dele o coração, pois ele é o nosso refúgio. Pausa. – Salmos 62.5-8

À medida que escrevo este capítulo, pessoalmente, tenho grande necessidade da intervenção divina em relação à debilidade física. Tenho sido tentado a considerar outros caminhos de alívio, como alguns dos que listei anteriormente. Mas, em vez disso, tenho falado ao Senhor: “Você é o meu único ajudador. Se você não me salvar, não serei salvo. Se você não me curar, não serei curado. Se você não me livrar, não serei liberto. Não tenho outro recurso, nenhum plano B, nenhum plano alternativo. Não estou incluindo outras opções. É você, somente você. Eu o adoro! Você é meu Deus!”.

Essa conduta são os “olhos bons” aos quais Jesus se referiu quando disse: “Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz” (Mateus 6.22). A versão King James diz: “Se seus olhos forem singulares”. A palavra grega original foi traduzida como “bom” ou “singular”, e significa evitar duplicidade, ter singularidade de foco.

Quando seus olhos estiverem focados somente em Deus como seu salvador e libertador, você se abrirá para a plenitude da luz com a qual Ele visa preencher todo o seu ser.

Davi orou por este foco singular: “Ensina-me o teu caminho, SENHOR, para que eu ande na tua verdade; dá-me um coração inteiramente fiel, para que eu tema o teu nome” (Salmos 86.11). Ao orar “dá-me um coração inteiramente fiel”, Davi estava dizendo: “Senhor, me dê um coração que não seja dividido, que tenha um único foco para que eu possa vê-lo como o único poder soberano a ser temido e adorado”.

Segundo minha experiência, descobri que o Senhor nos testará para determinar se nossa realidade é essa. Ele permitirá que uma grande tempestade sobrevenha em nossas vidas com um fim estratégico. Nosso reflexo natural será encontrar uma fonte de alívio imediato. Temos a tendência de explorar primeiro todas as nossas opções.

Então, é possível que essa tempestade venha para levar você a uma dimensão superior de vida no Reino? Oh, espero que você possa aprender o segredo: quando uma tempestade atingi-lo, corra para o lugar secreto, edifique seu espírito e diga a Deus com uma resolução firme: “Você é minha única expectativa”.

Nosso Deus se apraz em abençoar aqueles que não têm outros deuses perante Ele.