A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O MISTÉRIO DO AMOR

Estudo canadense aponta para a existência de um padrão nos relacionamentos: parceiros com personalidades semelhantes entre si

O mistério do amor

O amor é a capacidade de perceber o semelhante no dessemelhante. “À primeira vista, o aforismo, do filósofo alemão Theodor Wiesengrund­ Adorno (1903-1969,) pode soar contraditório. No entanto, já é possível afirmar com alguma segurança científica que, na verdade, ele ajuda a iluminar algo intrigante: como os seres humanos, afinal de contas, escolhem seus pares românticos. Uma pesquisa publicada recentemente na revista PNAS, órgão da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, atesta que os indivíduos estão sempre à procura de parceiros cujas respectivas personalidades sejam próximas entre si. E isso por um motivo muito, muito simples: o que uma pessoa busca no plano dos relacionamentos afetivos é alguém que, somados e subtraídos todos os atributos, se pareça com ela mesma.

Para chegar a tal conclusão, um grupo de psicólogos da Universidade de Toronto, no Canadá, debruçou-se sobre os dados de 332 voluntários alemães coletados entre 2008 e 2017 por meio de um trabalho do German Family Panei, uma comissão multidisciplinar dedicada a estudar as relações pessoais e a vida privada em seu país de origem. Nele, ex e atuais companheiros, que tiveram namoros com duração média de três anos e dez meses, relatavam como entendiam a própria personalidade e a de seus parceiros, apontando traços como afabilidade, aspirações e rotina.

De acordo com os cientistas canadenses, os resultados revelam que existe uma tendência, tanto em homens como em mulheres, a se envolver com um tipo particular de pessoa. Desse modo, no afã de “perceber o semelhante no dessemelhante” –   vale dizer, no outro -, os indivíduos estariam sempre, inconscientemente, buscando pontos de contato entre o antigo amor e o, vá lá, “candidato a atual”. Em outras palavras: para cada um de nós existiria, sim, o chamado “tipo perfeito”.

Isso evidenciaria que a procura por parceiro afetivo duradouro não passaria de um círculo vicioso, repetitivo? Segundo Yoobin Park, um dos pesquisadores responsáveis pelo trabalho desenvolvido na Universidade de Toronto, não se trata disso. “Nossos resultados não mostram que a preferência por um tipo de personalidade se traduza em relacionamentos iguais, mas tão somente que eles terão algumas semelhanças”, disse. O diferencial na nova relação, sustenta Park, estaria na possibilidade de usar habilidades emocionais – como a capacidade para resolver conflitos – aprendidas com o ex. “De todo modo, é preciso tomar cuidado para não tentar consertar o relacionamento atual baseando-se no antigo, o que significaria que o luto quanto à relação anterior não foi vivido adequadamente.”

Park atenta ainda para outra precaução: que a comodidade de buscar parceiros com os mesmos traços de personalidade dos anteriores acabe resultando na perpetuação de relacionamentos que poderíamos chamar de “tóxicos”. O estudo de que ele participou mostrou que indivíduos introvertidos têm maior predisposição para optar por modelos repetitivos – e muitas vezes problemáticos – de relacionamento amoroso. O contrário ocorre com os de perfil mais desinibido.

Naturalmente, não é simples discernir quando a repetição de “tipos” nas relações afetivas significa a descoberta do “modelo ideal” ou apenas o envolvimento em mais uma relação tóxica. A atriz inglesa Elizabeth Taylor (1932- 2011) teve sete maridos – e oito casamentos. O desencontro entre os números matrimoniais explica-se pelo fato de que com o ator galês Richard Burton a estrela viveu um romance em dois capítulos: eles se casaram em 1964, divorciaram-se em 1974 e voltaram a contrair núpcias em 1975. Esse segundo casamento, contudo, durou apenas um ano – deixando claro que insistir com a mesma pessoa, e não apenas com quem se pareça com ela, está longe de garantir o êxito de uma relação amorosa.

Para além da contribuição que oferece aos estudos da vida afetiva dos seres humanos, o trabalho realizado pela equipe canadense poderá atuar, no futuro, como referência para os serviços e aplicativos de namoro on-line ou voltados para a sugestão de parceiros em potencial, com base justamente nos romances anteriores. Algo parecido com as recomendações de filmes e séries da Netflix, por exemplo – só que tendo como objetivo a descoberta de alguém com quem se possa iniciar uma relação afetiva. Por enquanto, os resultados sugerem que a chave para encontrar felicidade em relacionamentos de longo prazo é, em boa parte dos casos, descobrir alguém novo que seja como o antigo. O semelhante no dessemelhante.

OUTROS OLHARES

VOCÊ ESTÁ COMENDO VENENO

Diante de mais de mil mortes por intoxicação e da contaminação de águas e alimentos sem que os cidadãos tenham sequer conhecimento, é preciso racionalidade no uso de agrotóxicos. Até as exportações podem sair prejudicadas com a atual política liberalizante, que atrai cada vez mais críticas

Você está comendo veneno

Há uma tripla bomba-relógio armada para atingir o Brasil devido ao descaso e o imediatismo do governo, dos parlamentares da bancada ruralista e da cadeia produtiva do agronegócio. É inegável que o uso de pesticidas aumenta a lucratividade das safras nas monoculturas, mas urge planejamento e prevenção. O sinal de alerta já foi aceso: são sucessivos os casos de morte por intoxicação de trabalhadores rurais e agricultores. Além disso, há registro de contaminação do abastecimento de água em mais de mil cidades. São quantidades ínfimas, porém constantes, de contaminantes suspeitos de causar câncer. Hoje, amostras aleatórias dos principais alimentos dos brasileiros, como arroz e feijão, apresentam níveis de elementos químicos centenas de vezes superiores aos tolerados em países desenvolvidos. E sequer os cidadãos têm como saber o que estão ingerindo. Por fim, há o risco econômico. Com o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, as exportações de parte das commodities agrícolas brasileiras destinadas, principalmente, a servir de ração animal, podem ir para consumo humano. Mas só se estiverem livres de agrotóxicos. Ou seja, parte dos US$ 10 bilhões em exportações para o bloco europeu na próxima década não estão garantidos, caso continuemos aspergindo veneno por campos e cerrados sem critério.

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IMPACTO NA POPULAÇÃO

Não se trata de queixas de ambientalistas radicais. Entre 2014 e 2017 foram registradas 1.186 mortes no Brasil por intoxicação com pesticidas, aponta um relatório do Ministério da Saúde. O problema é maior no Paraná, com 231 vítimas fatais. A estimativa é que para cada uma das 30 mil intoxicações registradas nos últimos anos, outras 50 pessoas apresentem problemas crônicos por diferentes níveis de contato com inseticidas, herbicidas, fungicidas e afins. Esta grave questão de saúde pública, que ainda não recebeu a devida atenção, é só um dos vértices da política descuidada de liberação de defensivos. Só neste primeiro semestre 236 produtos foram permitidos, com 93 deles chegando ao mercado. Em contrapartida, 30 princípios ativos estão para ser banidos. Questionada, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou, em abril, que os afetados são pequenos agricultores que não usam equipamentos e trajes adequados. “Às vezes o sujeito fuma aplicando”, disse. A afirmação é simplista. Se há perigo no uso de algo inspecionado pelo poder público, é necessário divulgação e fiscalização. Se isso vale para a condução de veículos automotores, compra de remédios controlados ou posse de armas de fogo, também deveria se aplicar ao que a ministra já classificou como “remédios para plantas”. Sem contar que, no fim, essa conta recai sobre o bolso do contribuinte, pois os afetados vão parar nas filas do Sistema Único de Saúde.

“Nós ficamos só com os impactos”, lamenta a geógrafa Larissa Mies Bombardi, autora do atlas “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e “Conexões com a União Europeia”. Ela se refere ao desequilíbrio entre os lucros advindos das exportações e os custos diretos e indiretos gerados para a população e o meio ambiente. O trabalho de Bombardi foi apresentado na Alemanha e no Reino Unido para legisladores, pesquisadores e ambientalistas. Ela também contesta o argumento de que o uso intensivo de agrotóxicos é necessário por causa do clima tropical. “A opção foi pelo corte de custos”. Cerca de 30% dos agrotóxicos usados no Brasil estão banidos da Europa. Entre eles estão o acefato e a atrazina, que afetariam a fertilidade masculina. O 2-4-D teria contribuído para a morte de 400 milhões de abelhas no Rio Grande do Sul, entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, aponta um estudo da Fapesp. É uma tragédia ambiental. As abelhas são responsáveis pela polinização de 60% das 191 culturas agrícolas do Brasil. Contestado na Europa por suspeita de ser cancerígeno, o glifosato foi banido da Califórnia, mas segue como o produto mais usado no Brasil. Em maio, a Justiça americana condenou a fabricante Bayer a indenizar em US$ 2 bilhões (R$ 8,2 bi) um casal que teria desenvolvido câncer ao utilizar o herbicida Roundup, que contém glifosato. Quase 20 mil ações similares estão em andamento por lá.

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FALTA DE INFORMAÇÃO

A contaminação de rios e lençóis freáticos era desconsiderada até agora por falta de dados e métodos de medição precisos. Por vias diferentes, um relatório da ONG suíça Public Eye e pesquisas da Universidade de Campinas (SP) revelaram mais do que se suspeitava. Na água que abastece 1.396 municípios brasileiros foram detectados traços crescentes de pesticidas. O estado mais afetado é São Paulo, onde em 504 cidades foram detectados os 27 compostos de medição obrigatória pelas empresas de abastecimento. Em segundo lugar vem o Paraná, com 326 localidades. Uma das principais causas seria a pulverização por aviões agrícolas, prática que passou a ser contestada e está proibida no Ceará. Os resultados das análises indicam que os métodos de verificação da qualidade da água para consumo precisam ser aprimorados e divulgados. “As variáveis são tão grandes, que não conseguimos distinguir facilmente os impactos”, diz Douglas de Castro, especialista em direito ambiental.

Entre os vegetais in natura que chegam à mesa dos brasileiros, os que apresentam os maiores índices de contaminação são laranja, abacaxi, couve, uva e alface, apontou um estudo de 2016 do Ministério da Saúde, o último a ser divulgado. A única alternativa para os consumidores é lavar bem tudo o que compram. Pena que a água usada vá cair nos rios, alimentando um ciclo de contaminação e dispersão ainda sem solução aparente. No atual compasso, a busca de uma solução equilibrada para os danos pelo emprego de agrotóxicos deve ficar para a próxima geração.

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GESTÃO E CARREIRA

DISRUPTIVAS. E NO PREJUÍZO

Durante anos as startups como a Uber cresceram queimando o dinheiro de investidores privados. Agora na bolsa de valores, essas empresas precisam provar que, além de inovadoras, podem ser rentáveis.

Disruptivas. E no prejuízo.

 Não faz muito tempo, a única forma de pedir um táxi na rua era fazendo um sinal com a mão para chamar o carro. Ouvir música digital era sinônimo de baixar um arquivo no celular ou no MP3 player. E, na hora de sair de férias, as únicas opções de hospedagem eram hotéis e pousadas. Alugar o apartamento ou a casa de um desconhecido era algo impensável na maioria dos casos. Antigos hábitos de consumo como esses – e muitos outros – mudaram radicalmente na última década graças às empresas de tecnologia. Startups como o aplicativo de transporte Uber, o serviço de música Spotify e o site de hospedagem Airbnb souberam criar negócios inovadores como ninguém, atraindo uma legião de consumidores pelo mundo. Por trás de cada uma delas; havia um grupo de investidores dispostos a abrir a carteira e despejar um volume alto de dinheiro para ajudá-las a crescer. A cada nova rodada de investimento, o valor de mercado dessas empresas aumentava centenas de milhões de dólares. As startups que atingiram um valor acima de 1 bilhão ganharam o apelido de “unicórnios”, tamanha a raridade. Em 2013, havia apenas 38 desses unicórnios no mundo. Hoje são mais de 160 empresas somente nos Estados Unidos, as quais, juntas, têm um valor estimado em 600 bilhões de dólares, cifra duas vezes maior do que o produto interno bruto de Portugal. Mas até os maiores unicórnios, como a Uber, têm um limite para a quantidade de recursos que conseguem levantar de investidores privados. A saída agora tem sido recorrer à bolsa de valores e abrir o capital para continuar crescendo. Até abril, quatro startups unicórnios haviam começado a negociar suas ações na Bolsa de Valores de Nova York em 2019, entre elas a rede social Pinterest e o aplicativo de transporte Lyft (o maior concorrente da Uber nos Estados Unidos). Elas se juntam a uma lista cada vez maior de startups que entraram na bolsa desde 2018, entre eles o Spotify e as brasileiras PagSeguro e Stone, do setor de pagamentos. Outras empresas já divulgaram a intenção de fazer o mesmo movimento neste ano, como o aplicativo de entrega de comida Postmates. Mas a maior e mais aguardada oferta inicial de ações (IPO na sigla em inglês) é, sem dúvida, a da Uber. A expectativa é que a empresa levante 10 bilhões de dólares com a entrada na bolsa e atinja um valor de mercado de 100 bilhões de dólares – e isso deve fazer de seu caso a maior oferta de ações de uma empresa de tecnologia depois do site de comércio eletrônico chinês Alibaba (2014) e da rede social Facebook (2012).

Os números da Uber impressionam. O que se vê é uma empresa que triplicou de tamanho em apenas dois anos, atingindo um faturamento de 11.3 bilhões de dólares em, 2018. É quase a receita de uma companhia como a siderúrgica Gerdau, segundo dados da consultoria Economática. A disparada tem a ver com a crescente popularidade da Uber. No fim de 2018, cerca de 91 milhões de pessoas faziam pelo menos uma corrida com o aplicativo por mês. Ao todo, os passageiros percorreram 42 bilhões de quilômetros em corridas em 2018. Mas a estratégia de expansão agressiva e os preços baixos das corridas impuseram um custo alto à empresa e seus investidores. Somente em 2017 o prejuízo operacional da Uber alcançou 4 bilhões de dólares. No ano passado, a perda foi menor, de 3 bilhões, mas ainda assim muitos analistas se perguntam se a Uber algum dia vai ser um negócio rentável. No documento de abertura de capital. a empresa diz que deve aumentar os gastos no futuro e alerta que “talvez nunca consiga realizar nenhum dos lucros esperados”.

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Perder dinheiro nos primeiros anos do negócio é algo comum para empresas de tecnologia. É até desejável que elas gastem mais do que arrecadam enquanto estiverem expandindo os países de atuação e buscando atrair cada vez mais consumidores. O objetivo não é obter lucros no curto prazo, mas, sim, retornos astronômicos num tempo a perder de vista. Foi assim que empresas como o Google, o Facebook e a Amazon se tornaram o que são. Uma vez que atingem certo tamanho e passam a dominar sua área de atuação – as buscas na internet, as redes sociais, as vendas online-, a concorrência é praticamente eliminada e os lucros aparecem. Mas o tamanho do prejuízo acumulado pela nova geração de empresas de tecnologia é de uma escala sem igual. A Amazon é sempre citada como uma empresa que só começou a dar lucro seis anos depois de abrir o capital em 1997. Mas o prejuízo acumulado em todos esses anos foi de 3 bilhões de dólares, o equivalente ao que a Uber perde em apenas um ano.

Uma das razões dos prejuízos elevados é que, hoje, as startups têm acesso fácil a grandes quantias de capital de investidores privados. Segundo dados da consultoria americana PitchBook e da Associação Nacional de Venture Capital dos Estados Unidos, 644 bilhões de dólares de capital de risco foram investidos em empresas de tecnologia nos últimos dez anos. No mundo, o número é de quase 1 trilhão de dólares. Só a Uber captou 19 bilhões. Com tanto dinheiro disponível, as startups gastam sem parar.

Com mais acesso a recursos, as empresas também levam mais tempo para entrar na bolsa. A Amazon tinha apenas três anos quando fez seu IPO. Já a Uber tem dez anos de estrada. Um estudo feito por Jay Ritter, professor de negócios na Universidade da Flórida, mostra que a média de idade de uma empresa de tecnologia que entra na bolsa subiu de sete para dez anos de 2000 a 2018. Mas, apesar de estarem mais maduras, há mais empresas no vermelho. O levantamento indica que, em 1980, apenas 25% das startups americanas tinham prejuízo quando abriram o capital. Em 2018, a proporção passou para 80%. Para David Erickson, pesquisador da escola de negócios Wharton, na Universidade da Pensilvânia, a entrada de empresas no mercado de ações nem sempre é um caminho para a lucratividade: “Para muitas delas, o IPO é um passo natural de captação de fundos enquanto se desenvolvem e amadurecem. Algumas se dão bem e podem se tornar as empresas de tecnologia mais valiosas no futuro. Mas poucas empresas conseguem replicar o sucesso da Amazon”. Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação na Fundação Getúlio Vargas, lembra que empresas estabelecidas, como o Google também enfrentaram o descrédito de analistas, que questionavam sua lucratividade. “A história mostra que é possível se tornar uma empresa lucrativa após anos de prejuízos. A lógica das empresas de tecnologia é se tornarem grandes, não lucrativas.”

Os IPOs dos unicórnios são um marco na história do Vale do Silício. Eles devem afetar setores inteiros, como o de mobilidade e o de redes sociais. Apenas a Lyft levantou 2,3 bilhões de dólares com a oferta de ações (o preço delas caiu após o anúncio da abertura da Uber). Mas a entrada de capital significa mais competição e mais perdas. Para Paulo Veras, fundador do aplicativo 99, a falta de lucratividade de Uber e Lyft é incomum. “Nesse estágio, as companhias normalmente já deveriam ter encontrado um modelo sustentável de geração de caixa. É como se estivessem acessando a bolsa para levantar um investimento de capital de risco, porque ainda há um risco existencial para a empresa”, diz Veras. Uma esperança de lucratividade de Uber e Lyft está nos carros autônomos, que não precisam de motorista, algo que pode ajudar a elevar as receitas.

É bem verdade que a fórmula das startups do Vale do Silício tem bons casos de sucesso. Quem investiu 100 dólares na Amazon quando ela abriu o capital, em 1997, teria transformado o valor em 10.340 dólares hoje. E não é preciso ir tão longe. Quando a empresa de pagamentos Square lançou suas ações em 2015, os papéis custavam cerca de 12 dólares cada um. Atualmente são negociados por um valor acima de 70 dólares. Para os investidores, apostar numa dessas empresas logo no início pode ser uma oportunidade de ouro – desde que elas consigam provar, no futuro, que podem sair do prejuízo.

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ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 7 – O SEGREDO DO REFÚGIO

Há um lugar de refúgio para as tempestades da vida. As tempestades nos atingirão inevitavelmente neste plano terreno, mas há um lugar para nos escondermos. Naturalmente, estou me referindo ao lugar secreto: “Pois no dia da adversidade ele me guardará protegido em sua habitação; no [lugar secreto de] seu tabernáculo me esconderá e me porá em segurança sobre um rochedo” (Salmos 27.5).

 

“No abrigo [lugar secreto] da tua presença os escondes das intrigas dos homens; na tua habitação os proteges das línguas acusadoras” (Salmos 31.20). Há um lugar onde Deus esconde os seus amados – no santuário de sua presença. O dicionário Webster define santuário como “um lugar de refúgio; abrigo; portanto, de imunidade”. A morada de Deus é um santuário para o soldado cansado da guerra, um lugar de imunidade contra as caçadas do inimigo.

Davi escreveu: “Em ti, SENHOR, me refugio; nunca permitas que eu seja humilhado; livra-me pela tua justiça” (Salmos 31.1). O título do Salmo 63 diz: “Salmo de Davi, quando ele estava no deserto de Judá”. Então, minha pergunta é: como Davi pôde escrever sobre procurar Deus no santuário, quando estava fugindo para manter-se a salvo do rei Saul? Ele estava totalmente isolado, era um fugitivo político escondendo-se no deserto – e permaneceu lá por vários anos! Ele não tinha acesso ao santuário onde ficava a arca, portanto, obviamente não estava falando daquele santuário. Qualquer tentativa que fizesse para se aproximar daquele santuário lhe custaria a vida.

Então, que santuário Davi encontrou? Acredito que ele se referia a sua vida secreta com Deus. Apesar de não poder adorar diante da arca, ele descobriu o lugar secreto como sendo um abrigo do redemoinho de emoções e problemas que bombardeavam constantemente a sua alma. Lugar onde poderia dar vazão aos seus pensamentos ansiosos; ser renovado no amor de Deus à medida que contemplasse sua beleza; aquietar-se com a garantia da proteção de seu Pai celeste; ser curado das feridas causadas pela rejeição; ser revigorado para a jornada; sentir-se a salvo.

O lugar secreto pode ser comparado ao olho do furacão. Enquanto tudo está caindo sobre nossa cabeça, encontramos um santuário interno de descanso e paz. Há algo de paradoxal nisso, porque estamos experimentando, ao mesmo tempo, tormento e paz. Quando nos retiramos para o lugar secreto, a tempestade não para. Na verdade, às vezes, parece que quando nos refugiamos no Senhor em busca de ajuda a tempestade aumenta de intensidade!

Muitos cristãos ficam revoltados com o fato de que quando começam a se dedicar ao lugar secreto, a batalha em suas vidas aumenta. Em vez de encontrar refúgio, eles se deparam com turbulência. Este assunto costuma ser mistificado por muitas pessoas e, portanto, merece algum comentário. Ao mesmo tempo em que o lugar de oração é um lugar de imunidade, também é um dos lugares favoritos de Satanás para atacar o cristão. Quando tentava destruir Daniel, o único motivo que encontrou que pode­ ria favorecê-lo no ataque foi a vida de oração dele. Portanto, Satanás o atacou em seu lugar de oração. E a única forma que Judas achou para entregar Jesus ao chefe dos sacerdotes foi traindo-o no lugar de oração.

Dessa forma, o lugar secreto é tanto um lugar de santuário como também de ataques estratégicos do inimigo. A garantia do crente, entretanto, é que quando ele é atacado no lugar de oração, o Pai está exercendo sua jurisdição soberana em relação à situação inteira. Nada poderá acontecer-lhe no lugar secreto que Deus não permita, especificamente, para seus mais altos propósitos.

Você estará totalmente imune em relação a qualquer coisa que esteja fora da vontade de Deus.

O Salmo 91 trata da tensão entre segurança e turbulência. O salmo começa com uma poderosa promessa: ”Aquele que habita no abrigo do Altíssimo e descansa à sombra do Todo-poderoso”. Então, nós deduzimos: “Ótimo! Nada poderá nos atingir lá!”.

Mas o restante do Salmo parece contradizer esse pensamento. O versículo 3 fala de ser pego no laço do caçador e contaminado por veneno mortal. O fato de Deus nos livrar dessas coisas não nega a realidade da dor da experiência quando, a princípio, somos pegos em sua esfera de ação. O Salmo também descreve o pavor da noite, as setas que voam de dia, a peste que se move sorrateira nas trevas e a praga que devasta ao meio-dia.

O versículo 15 aponta para um grande problema pessoal – o conforto é que o Senhor estará presente no momento da adversidade e trará livramento. Mas, às vezes, esperar por Deus até o livramento chegar pode ser agonizante.

Conforme mencionei, alguns cristãos ficam inconformados com o aumento da batalha quando se dedicam ao lugar secreto. Mas o salmista diz em Salmos 91.7: “Mil poderão cair ao seu lado, dez mil à sua direita, mas nada o atingirá”. Aqueles que estão ao seu lado são os seus guerreiros amigos. Eles se ofenderam pelo fato de Deus permitir tal calamidade em suas vidas depois de terem sido tão fiéis.

Ainda que mil de seus companheiros caiam por causa da calamidade e nunca descubram o poder de ressurreição de Deus – mas levem as promessas dele para o túmulo -, isso não acontecerá com você. Mesmo que dez mil de seus irmãos não sejam libertos, Cristo será o seu libertador.

O Salmo 91 deve ser visto como direcionado não a todos os cristãos, mas a um tipo muito específico de cristão: Aquele que persevera no lugar secreto do Todo-poderoso. Milhares de cristãos podem cair por isso ou aquilo, mas nada o atingirá porque você aprendeu a perseverar.

Quanto mais aumentarmos nossa intimidade com Deus, mais real será a batalha que encontraremos pela frente. Francis Frangipane descreveu isso com a seguinte frase: “Novos patamares, novos demônios”.

À medida que o ataque aumenta, nosso grito se intensifica: “Esconda-me!”. Enquanto o corpo e a alma estiverem sendo afligidos com o aumento do assédio e do abuso do inimigo, o espírito estará encontrando um lugar de grande proteção, descanso e intimidade sob a sombra do Todo-poderoso (veja 2Coríntios 4.8-11). O Espírito Santo nos leva a um lugar de grande paz e conforto espiritual que só inflama a nossa alma com uma paixão ainda maior por Jesus – e isso, por sua vez, faz aumentar a ira de nossos atormentadores.

Que você possa ter a graça de tomar sua decisão agora, meu amigo: perder sua vida e buscar o lugar secreto do Altíssimo. Este é o caminho da cruz. A cruz é onde sofremos grandes ataques, mas mesmo assim não existe lugar mais seguro no Universo para se estar.

Oh, como desejo direcionar o seu coração para este lugar de refúgio! Sua mente está confusa? Corra para o Senhor. Refúgio é um lugar para onde você vai. Um refúgio não é erigido automaticamente ao seu redor; você tem que procurá-lo e correr para o abrigo a fim de encontrar um porto seguro.

A Escritura diz: “Para que, por meio de duas coisas imutáveis nas quais é impossível que Deus minta, sejamos firmemente encorajados, nós, que nos refugiamos nele para tomar posse da esperança a nós proposta” (Hebreus 6.18). Se Deus é seu refúgio, você deve se refugiar nele. O clamor correto deve ser: “Oh, Senhor, estou prestes a ser consumido – me refugio em ti! Esconda-me!”.

Peço-te que sejas a minha rocha de refúgio, para onde eu sempre possa ir; dá ordem para que me libertem, pois és a minha rocha e a minha fortaleza. – Salmos 71.3

 Obrigado, Senhor, pelo presente do lugar secreto!