A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

LAÇOS AFETIVOS PÓS – DIVÓRCIO

As dissoluções conjugais têm papel importante no mundo psíquico de quem as vivencia e podem ser consideradas como uma das maiores crises da idade adulta.

Laços afetivos pós-divórcio

Observa-se que as separações conjugais têm ocorrido com mais frequência na atualidade. Diante dos aspectos emocionais envolvidos nesse processo, alguns podem olhar a situação como oportunidade, no sentido de buscar promover possibilidades novas e mais saudáveis para o desenvolvimento familiar, enquanto outros podem ser acometidos de transtornos de difícil digestão emocional, além, obviamente, de terem que lidar com as experiências das violações dos direitos acerca da manutenção dos laços afetivos com os filhos, considerada de suma importância para o desenvolvimento psicossocial destes. Há ainda questões relacionadas à partilha de bens que se misturam com as novas demandas sobre a convivência e guarda dos filhos, gerando uma série de conflitos de laborioso acordo.

O divórcio é considerado o ponto final objetivo de uma relação que terminou. O termo “ponto final objetivo” foi utilizado para fazer-nos pensar que é preciso consciência e discernimento emocional acerca de seu significado para conseguir fazer um bom divórcio do ponto de vista subjetivo. Aquele quede fato separa, mas que também cuida de preservar os laços afetivos parentais com a prole sem que a mágoa e o ressentimento da vida conjugal pregressa maculem a relação com os filhos. Pois é muito comum observar casais divorciados no papel, oficialmente, com forte vínculo conjugal inacabado e do qual eles mesmos não se dão conta do próprio sofrimento e do quanto ainda permanecem ligados, principalmente através das brigas. Esse sofrimento é natural; e é a partir desse reconhecimento fundamental que será preciso um tempo interno bastante singular para a elaboração do luto.

A atualidade também estampa a marca da profunda transformação da mulher com sua inserção no competitivo mercado de trabalho. E isso trouxe muitas modificações; antes a mulher mantinha a casa e os filhos enquanto o homem era provedor da família. Hoje homens e mulheres mantêm a casa e a família, e as intolerâncias acerca das diferenças, quando muito frequentes, acabam por levar à separação do casal.

Devido a toda essa mudança, também surgiu um homem, o pai, mais desejoso de uma participação mais efetiva no desenvolvimento e crescimento dos filhos. Cabe lembrar que embora uma mãe seja sempre a mãe e um pai sempre o pai, tanto um quanto o outro podem ter em sua estrutura emocional ambas as funções, materna e paterna, que têm a ver com o simbólico. Ambos podem cuidar e também prover. Mas isso não precisa ser motivo para se ampliar uma discussão e uma competição acerca de quem exerce melhor o papel de pai ou de mãe. Filho continua precisando de duplo referencial, pai e mãe saudáveis emocionalmente para seu desenvolvimento psíquico.

A guarda uniparental, da mãe, era comum anteriormente, e o princípio da isonomia não existia. Seja pelo desinteresse do homem naquela ocasião, que tinha como pressuposto incutido o provimento apenas financeiro da prole, sem precisar cuidar, ou pelo fato da prevalência anterior da lei que garantia a guarda dos filhos à figura materna. Esse aspecto vem sofrendo transformação, hoje o homem busca ter um papel mais participativo nos cuidados com as crianças e nos afazeres domésticos.

Com a inserção da Guarda Compartilhada em 2008, e recentemente com a nova mudança legislativa por meio da Lei nº 13.058/2014, houve uma grande modificação acerca da corresponsabilização dos pais quanto aos filhos. Essa modificação no cenário social apresentou aos pais uma nova forma de convivência com os filhos, isto é, um fortalecimento da importância da presença igualitária de ambos os genitores, tendo a utilização desse modelo como regra, ainda que surjam hipóteses de disputa e litígio entre os pais, exceto se um dos genitores declarar que não deseja a guarda do menor.

Quando se fala em guarda compartilhada pressupõe, que a convivência da criança ou adolescente deverá ocorrer da forma mais equânime possível. Dando chance aos filhos de terem seus pais acompanhando seu desenvolvimento emocional de perto, fortalecendo assim os laços afetivos. Sem dúvida o melhor para a criança e para o adolescente é que os pais consigam ter algum entendimento sobre as necessidades que estes possuem na travessia de sua emancipação até a vida adulta. A comunicação saudável e positiva entre os genitores acerca dos filhos é a base para uma construção da segurança e confiança tão importantes para o desenvolvimento emocional. A forma como os pais conseguem se separar e interagir com seus ex-cônjuges tem papel significativo na aquisição da estruturação da autoestima dos filhos.

Os pais, ainda que separados e em processo de construção ou não de uma nova família, seguem sendo para aquela criança ou adolescente sua família original. Cabe ressaltar que o processo de separação abre espaço não só para uma divisão na família, mas para uma transformação que exige flexibilidade nos arranjos; e aponta para a necessidade ímpar de implantação e manutenção de um casal parental. Se esse casal parental era frágil como tal, torna-se imprescindível a criação de recursos voltados para a comunicação entre os genitores.

OUTROS OLHARES

CRIME NA FLORESTA

A luta do povo caripuna para conter o avanço de madeireiros e grileiros sobre sua terra na Amazônia.

Crime na floresta.jpg

Seriam 12 quilômetros de caminhada Amazônia adentro. Antes dos primeiros passos, Batiti Karipuna pediu silêncio ao grupo. Dali em diante, a comunicação se daria com gestos e assobios.    Seguimos. Meia hora depois, surge a primeira “picada”, um corredor na mata que marca o início de   um lote a ser vendido em um escritório longe dali como terra de ninguém. A cena se repete a cada quilômetro. Entre setembro de 2015 e maio de 2018, foi desmatada uma área equivalente a 11 mil campos de futebol na Terra Indígena (TI) Karipuna, em Rondônia. A invasão da área demarcada escancara a comissão do Estado brasileiro e indica o perigoso avanço do crime ambiental organizado na maior floresta tropical do planeta.

O objetivo original da incursão na mata era mostrar à reportagem o “lote cinco, uma das áreas   mais desmatada na terra dos caripunas. Mas, na véspera o cacique André Karipuna, de 26 anos, achou mais prudente abortar o plano. Ameaçado de morte pelos invasores, André tem visto o perigo se aproximar a cada dia. Nos dias anteriores, o ronco dos tratores tinha se aproximado da aldeia e levado temor à comunidade. O Posto Indígena de Vigilância (PIV) da Fundação Nacional do Índio (Funai), construído a 10 quilômetros da aldeia, foi incendiado pelos invasores em fevereiro de 2018. Em janeiro deste ano, os caripunas depararam com cerca de 20 desconhecidos abrigados no local. Embora haja 58 indígenas da etnia, apena 30 vivem na comunidade. A vulnerabilidade de seu povo tira o sono de André, que tem dois filhos.

“Evito ao máximo andar sozinho ou ir à cidade. Tenho medo do que pode acontecer comigo”, admitiu. André foi escolhido como cacique de seu povo no início de 2017. Seu primo Batiti, o antecessor, estava cansado e queria ter mais tempo com a família após oito anos na posição. O jovem cacique ficou um ano e meio sob observação, antes de ser “efetivado” no posto. Ele admitiu ter ficado inseguro, mas encarou a responsabilidade. André só não contava que a situação do território se agravaria tão rapidamente, justo no início de sua trajetória à frente dos caripunas. Dos 153.350 hectares que compreendem a TI Karipuna, 10.463 estão desmatados. O número é quatro vezes maior do que indicam os dados oficiais que não são divulgados pelo governo desde 2014. As informações atualizadas foram obtidas pela equipe de geoprocessamento da ONG Greenpeace, que observou a região e utilizou imagens de dois satélites. Mais de 80% da área atingida foi degradada entre 2015 e 2018.

Em outubro do ano passado, o cacique viajou como representante da ONG e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) para Genebra, na Suíça, onde denunciou, na sede da ONU, a situação vivida por seu povo a representantes de cerca de 100 países. “Não temos paz nem na própria terra. Se o estado brasileiro não proteger nosso território, os invasores podem nos exterminar para se apropriar dele, porque ele é grande e tem muita riqueza”, afirmou André durante o evento. Da   viagem à Europa, a primeira de avião, a lembrança imediata é do aeroporto. “Eles ficaram com todos os meus produtos de cabelo”, contou, genuinamente frustrado. Passada a experiência “traumática”, André cortou o cabelo, que iam até a cintura, ao retornar à aldeia. A mudança deixou sua aparência menos jovial. O rosto ainda é de menino, assim como o jeito brincalhão, mas a impressão mudou bruscamente quando conversamos na mata, sob a estrutura de um acampamento de invasores incendiado pelos caripunas após os indígenas expulsarem um grupo de quatro homens que almoçavam no local.

“Eles pediram para terminar de comer, mas dissemos para irem logo embora, pois esta terra tem dono”, relatou André ao lado da espingarda que usa para caçar encostada em uma pedra. “Demos tempo para eles arrumarem as coisas e irem embora. Enquanto fugiam disseram que tinha mais 50 vindo. Olha ali o que deixaram”, apontou o cacique, indicando duas correntes de motoserra abandonadas no local.

A invasão da Terra Indígena Karipuna é o retrato do processo de destruição e grilagem que vem se intensificando na Amazônia. O bioma concentra a quase totalidade de terras públicas no território brasileiro, razão pela qual desperta a ganância dos setores extrativistas. Valendo-se do frágil poder de fiscalização do Estado) empresas madeireiras abrem o caminho da destruição, (‘limpando o território para a atividade agropecuária. O processo é comandado pela grilagem, que utiliza centenas de pequenos produtores como instrumento para criar uma demanda social pela concessão de títulos de posse das terras.

A invasões de terra são orquestradas por associações criadas com essa finalidade. Em suas sedes exibem o CNPJ com destaque. O principal grupo a atuar na região é associação dos Produtores Rurais Boa Esperança, que prometeu a legalização de lotes de 50 hectares para quase 500 famílias de agricultores. “Vamos transformar 72 mil hectares da Karipuna em 80 mil hectares da Boa Esperança”, afirmou Ediney Holanda Santos em reunião com os agricultores. Ele é representante da empresa Amazon Gel e fala em nome da associação com os “parceleiros”, como são chamados os compradores das terras. Pelo serviço de regularização dos terre nos localizados na terra indígena, a Boa Esperança cobra R$ 4.800, a serem pagos em dois anos. Ouvido pela reportagem, Santos disse que os colonos só pagaram R$ 200 de sinal até agora. O restante será cobrado após a prometida legalização da terra.

“Rondônia vive da agropecuária, é uma realidade. Colocamos o agricultor ali dentro com o compromisso de preservar 50% do lote. Eu luto por isso. Se deixar para o governo fiscalizar, aquilo vai desaparecer em alguns anos”, defendeu-se Santos. Os valores informados por ele indicam que só o adiantamento rende até R$ 100 mil ao grupo, que mantém atividades em outros municípios de Rondônia. Caso obtenham sucesso na estratégia criminosa, podem receber, ao todo, R$ 2,4 milhões. “É o modus operandi para invadir áreas protegidas há mais de três décadas em Rondônia”, disse a freira Laura Vicuna, missionária do Cimi em Rondônia. “Mas nunca conseguiram a redução de uma terra indígena homologada. Se fizerem isso na Karipuna, será aberto um precedente perigosíssimo para todas as áreas demarcadas do Brasil. Vale lembrar que há 15 povos isolados em Rondônia. Eles podem ser exterminados sem que a gente chegue a conhecer suas culturas milenares.”

Para legitimar a invasão, a Boa Esperança difama lideranças caripunas e repassa informações inverídicas sobre os limites do território. Aos colonos, a associação afirma ter contatos no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e menciona as prerrogativas do programa Terra Legal. Criado em 2009 para acelerar a regularização fundiária, o programa previa a legalização de terras com até 500 hectares. Quando o projeto chegou ao Congresso, o texto foi mudado e criou-se um novo limite de 1.500 hectares, que seria estendido para 2.500 após a edição de uma medida provisória por Michel Temer, em dezembro de 2016.

“A regularização fundiária, que foi pensada para os lavradores familiares, virou a maior política de grilagem legal de terras na Amazônia”, criticou o geógrafo Ricardo Gilson, professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir). Ele lembrou que os terrenos ocupados pela agricultura familiar não costumam passar de 20 hectares, pela falta de capital de investimento para trabalhar uma extensão maior de terra. Em Rondônia, 82% das propriedades tem até 100 hectares. “O agronegócio se apropriou dessa política para a grande propriedade. No sul do estado, uma mesma pessoa tem sete propriedades de 2.500 hectares. Há terras que podem ser legalizadas, e isso tem um valor de mercado muito grande. Se uma terra ilegal de 5 mil hectares vale R$ 1 milhão, poderá valer R$ 5 milhões quando legalizada”, afirmou.

O Laboratório de Gestão do Território, coordenado por Gilson na Unir, vem se debruçando sobre as dinâmicas territoriais em curso em Rondônia. O grupo detectou que os pequenos agricultores que compram as terras prometidas pelas associações de produtores são provenientes da expansão da soja no sul do estado. “Onde o agronegócio se expande, há saída da população do campo. Alguns vão para a cidade, e parte busca novas áreas rurais. Foi o que aconteceu no sul-sudeste do Amazonas e nos arredores de Porto Velho, que era um tapete verde há 20 anos”, disse. O processo descrito pelo geógrafo não afeta somente os povos originários, mas também as áreas de proteção a1nbiental. Na Reserva Extrativista (Resex) Estadual Jaci-Paraná, contígua à TI Karipuna, 49% da floresta foi destruída para a construção de fazendas. O governo de Rondônia estima que 100 mil cabeças de gado sejam criadas ilegalmente no local.

A região também abriga a TI Uru-Eu­ Wau-Wau, bem maior do que a Karipuna, com 1,9 milhão de hectares, onde vivem 150 indígenas. Ali, as invasões vêm acontecendo de forma recorrente desde o ano passado, com mobilizações bem-sucedidas para expulsar os ocupantes ilegais da terra. Neste ano, porém, as ações se intensificaram. Em janeiro, uma placa da Funai que marca o limite da reserva foi cravada de balas. No mês seguinte, o presidente da Funai, Franklimberg de Freitas, visitou a comunidade. Além de monitorar de perto a situação, ele queria levar um recado. Em diversos vídeos que circulam na internet, representantes das associações de produtores rurais garantem aos ocupantes da terra contar com o apoio do presidente Jair Bolsonaro para a regularização das propriedades. “Alguns posseiros fizeram esses comentários, de que o presidente estaria apoiando invasões. Isso é boato. falso. O presidente não tem interesse em qualquer ação nesse sentido. Estivemos na (TI) Uru-Eu-Wau-Wau para dizer que isso não é verdade e que o Estado brasileiro dará uma resposta para quem está invadindo terra indígena ou pensando em invadir terra indígena”, afirmou Freitas na ocasião.

Apesar da garantia de Freitas, indigenistas e ambientalistas apontam a intensificação das invasões no governo Bolsonaro. Segundo eles, as manifestações do presidente contra a demarcação de terras e contra os “excessos” da fiscalização ambiental serviram de incentivo aos grupos criminosos. Um levantamento do Cimi estima que as invasões a terras indígenas tenham aumentado 150% desde a eleição do presidente. Na noite da vitória eleitoral, um posto de saúde e uma escola nas terras pancararus, em Pernambuco, foram atacados com bombas incendiárias. Em Mato Grosso do Sul, comboios de agricultores dispararam contra a comunidade guarani-caiouá. “Há uma leitura política de que é o momento certo para fazer essas invasões, pois há certeza de que o governo federal não vai proteger os grupos vulneráveis”, afirmou Ricardo Gilson.

O procurador-chefe do Ministério Público Federal em Rondônia, Daniel Lobo, lamentou a pouca atenção dada pelo Estado ao crime ambiental organizado. Ele lembro u que a Delegacia de Crimes Ambientais em Rondônia, que tem uma das maiores taxas de desmatamento do país, passou todo o ano de 2018 sem delegado. “Assim como o tráfico de drogas e a corrupção, o crime ambiental é extremamente lucrativo. Mas, ao contrário das outras duas atividades, tem resposta inefetiva. Há pouquíssima estrutura para órgãos de persecução penal”, disse. “A Polícia Federal tem uma quantidade de delegados e agentes reduzida, e o MPF está acorrentado pela Emenda Constitucional 95, que reduz o ingresso de membros. No caso dos órgãos ambientais, falta estrutura e direcionamento específico para o crime ambiental praticado por organizações criminosas.”

Os grupos envolvidos nas atividades ilícitas têm a seu favor o sucateamento dos órgãos de controle. Neste ano, o lhama está operando com menos de metade de seu efetivo total, de 5.642 funcionários. A autarquia é um dos alvos prediletos do presidente da República, assim como a Funai, cujo poder de identificar, delimitar e demarcar terras indígenas foi transferido para o Ministério da Agricultura, comandado pela líder ruralista Tereza Cristina (DEM-MS). Em fevereiro, Bolsonaro editou um decreto que contingenciou em 90% o orçamento da Funai.

Em decisão favorável a um pedido do Ministério Público Federal de Rondônia, a Justiça Federal determinou, em junho do ano passado, que Funai, União e o governo de Rondônia apresentassem, em 30 dias, um plano de ação continuada de proteção da TI Karipuna. A ação deveria ser compartilhada por Forças Armadas, Polícia Militar Ambiental, Polícia Militar, Secretaria de Meio Ambiente (Sedam) e Funai, com o mínimo de 15 pessoas, durante pelo menos dez dias por mês. A resposta continuada não ocorreu como previsto, mas houve efetividade parcial. A Funai realizou ações com o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), destinando recursos para o pagamento de diárias dos policiais. Além disso, a PF e o Exército realizaram operações que chegaram a envolver 170 agentes. Eles encontraram de 10 a 15 estradas abertas na mata, destruíram equipamentos agrícolas e de radiodifusão, motocicletas e acampamentos utilizados pelos invasores. Também foram apreendidas espingardas e motosserras. Apesar do sucesso das ações pontuais, a garantia de vigilância na terra indígena sofreu um baque no fim do ano passado. A Funai suspendeu o pagamento de diárias a funcionários de outros órgão por considerar a transferência de recurso indevida. Com isso, a ação continuada feita em parceria com o BPA foi inviabilizada Após o MPF contestar a interpretação, a Justiça determinou que a autarquia execute o pagamentos das diárias. A decisão vem sendo cumprida, mas a Funai entrou com recurso alegando dificuldades orçamentárias.

A negligência do Estado com os caripuna preocupa o Ministério Público Federal “Acho que se pode falar em uma pretensão de genocídio do povo caripuna, com o objetivo de invadir a TI, tirar os índios e ocupar área”, avaliou o procurador Daniel Lobo. ” os madeireiros e grileiros têm armas e, muitas vezes, são violentos. Então, pode haver genocídio, morte.” Com cerca de 30 pessoas vivendo na aldeia, as possibilidades de defesa são muito reduzidas. O cacique André representa uma exceção no grupo composto sobretudo de crianças e idosos. As características demográficas do povo contam a história da comunidade, que escapou por um triz do extermínio nos anos 70. Naquela altura, os caripunas eram um povo isolado composto de 100 a 200  pessoas. Eles viviam de forma nômade e se dividiam em três grupos. Na esteira do processo de colonização de Rondônia nos anos 60, a Funai entendeu que havia uma situação de grave risco para a comunidade, devido à presença de garimpeiros e seringueiros no território. Na época, ainda não havia sido implementada a abordagem que vigora hoje em relação aos povos isolados, que consiste em evitar o contato e somente documentar vestígios que comprovem a existência desses grupos. Estabelecida a relação com a comunidade, a Funai transferiu os indígenas para a área que ocupam até hoje, na beira do Rio Jaci- Paraná. A estratégia de proteção se revelaria cruel. A interação dos caripunas com os brancos trouxe doenças desconhecidas, e seus corpos não resistiram. Sobraram apenas sete, sendo quatro adultos.

GESTÃO E CARREIRA

5 CARACTERÍSTICAS DO LÍDER DO FUTURO

Criatividade, o equilíbrio, visão de futuro – em busca das melhores práticas – e o autoconhecimento, por exemplo, definem este novo líder.

5 cracterísticas do líder do futuro

 

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ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 4 – O SEGREDO DA OBEDIÊNCIA RADICAL

 

Ouvir a Deus no lugar secreto é uma das maiores chaves para a vida cristã de superação. Entretanto, isso deverá estar associado com seu corolário: a obediência radical. Nós ouvimos e, em seguida, praticamos: “Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos” (Tiago 1.22).

Por “obediência radical” eu quero dizer obediência imediata que atende a ordenança em toda a sua extensão. A obediência radical não busca estar em conformidade com os padrões mínimos, mas com a realização extravagante e ilimitada. Se Jesus disser: “Venda tudo”, então nós venderemos tudo! Imediatamente.

A palavra no Novo Testamento para obediência, hupakoe, é composta de duas palavras gregas, hupo, que significa “sujeito à’, e akouo, “ouvir”. Portanto, obedecer é “sujeitar-se a ouvir”. A obediência envolve ouvir atentamente com um coração submisso e complacente e, em seguida, obedecer a Palavra de Deus.

A obediência implícita começa, para cada um de nós, não em fazer boas obras, mas em sentar aos pés de Deus e ouvir sua Palavra. Devoção ao lugar secreto é o primeiro grande ato de obediência do cristão. Jesus nos revelou:

“Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?”, perguntou ele. Então olhou para os que estavam assentados ao seu redor e disse: ”Aqui estão minha mãe e meus irmãos! Quem faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. – Marcos 3.33-35

A vontade de Deus naquele momento era que as pessoas se sentassem aos pés de Jesus e ouvissem sua palavra. Até cuidar primeiramente dessa responsabilidade, você ficará constantemente frustrado em sua incapacidade de descobrir a alegria da obediência radical.

As atividades do culto recebem sua energia espiritual da fornalha de um relacionamento de amor fervoroso aos pés de Jesus. A verdadeira satisfação de servir a Jesus é descoberta quando fazemos as primeiras coisas: primeiro, nos sentamos e ouvimos; depois, nos levantamos e fazemos.

Meu amigo, Steve Peglow, certa vez me contou que considerava algumas pessoas como “cristãs da lei comum”. Com isso, Steve queria dizer que elas desejavam os benefícios do viver em Cristo sem ter compromisso com Ele. Mas assim como a alegria completa de viver junto é encontrada somente no contexto do compromisso do casamento, a alegria de seguir Jesus é encontrada somente ao nos entregarmos a cada palavra que procede de sua boca.

Algumas pessoas empregam toda a sua energia em pensamentos criativos. Entretanto, Deus tem uma forma de negar os planos dos homens:

O SENHOR desfaz os planos das nações e frustra os propósitos dos povos. Mas os planos do SENHOR permanecem para sempre, os propósitos do seu coração, por todas as gerações. – Salmos 33.10-11

Em vez de se concentrar em ser criativo, concentre-se em ser obe­ diente. Empregue sua melhor energia em aguardar Deus em sua presença, ouvindo sua voz e passando a agir somente quando Ele tiver falado. Não há sentido em propor suas próprias ideias quando somente o conselho de Deus prevalecerá! Estou falando isso de várias formas diferentes: a chave está em ouvir e obedecer.

Oh, que prazer é ouvir sua Palavra e praticá-la! Os benefícios são profundos.

A obediência libera a vida abundante eternamente Jesus disse: “Sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu digo é exatamente o que o Pai me mandou dizer” (João 12.50). Ditas pelo mestre, essas palavras simples contêm uma força maior do que uma leitura superficial pode revelar. Leve esse versículo para seu lugar de meditação e deixe Deus despertá-lo para o poder de vida gerado pela adoção extravagante de seu mandamento. A vida que reside em Deus flui para você mediante a obediência.

A OBEDIÊNCIA INCORRE NA CONTEMPLAÇÃO DE DEUS

Deus olha com especial interesse e afeição para quem é devotado à obediência. Ele disse:

“Não foram as minhas mãos que fizeram todas essas coisas, e por isso vieram a existir?”, pergunta o SENHOR. ”A este eu estimo: ao humilde e contrito de espírito, que treme diante da minha palavra.” – Isaías 66.2

É fantástico apenas imaginar: Você está no lugar secreto com a Palavra de Deus aberta e tremendo na esperança de Deus falar com você; Ele observa seu espírito desejoso e concebe as maneiras de honrar sua devoção. Uau! Tremer diante da Palavra de Deus significa, primeiramente, que desejamos que Ele fale conosco e, depois, que agiremos com pronta diligência segundo a Palavra que nos der. Quando trememos diante da Palavra com este tipo de antecipação aguçada, Deus fixa seus olhos em nós para nos fazer o bem.

A OBEDIÊNCIA GERA MAIOR INTIMIDADE

Em minha opinião, uma das afirmações mais poderosas que Jesus fez na terra está em João 14.21: “Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele”. Jesus disse que a obediência é a prova de amor, e o amor gera em nós uma intimidade incrível com o Pai.

Além disso, a obediência libera a afeição de Cristo e sua disposição de revelar informações sobre si mesmo ao coração humano. Não há nada que eu deseje mais do que Jesus se manifestar a mim!

Devido à esperança de contemplá-lo, adotarei quaisquer e todos os mandamentos que Deus proferir. Eu escolho obedecê-lo não porque fico empolgado em observar minha obediência mudar a vida das pessoas, mas pelo fato de sua presença ser tão doce quando o obedeço. Meu coração fica cheio de zelo por sua proximidade e a obediência apenas alimenta esse fogo.

 A OBEDIÊNCIA CRIA ALICERCES INABALÁVEIS

Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda. – Mateus 7.24-27

Você perceberá que as tempestades vêm tanto para aqueles que praticam as palavras de Jesus quanto para aqueles que não as praticam. Ninguém fica incólume. As tempestades invariavelmente atravessarão o seu caminho. A única questão é: você sobreviverá? Seus alicerces serão sólidos o suficiente para suportar os ventos e as inundações?

Aqueles que têm uma vida pautada na obediência radical se prepararam para a tempestade, e a superam. “Se tão-somente você tivesse prestado atenção às minhas ordens, sua paz seria como um rio, sua retidão, como as ondas do mar” (Isaias 48.18). Quanto mais os ventos incidirem contra a obediência, mas sua retidão ficará evidente, como ondas gigantes e poderosas colidindo contra a encosta com estrondos majestosos da fragrância de Deus.

Naturalmente, existem muitos outros benefícios gerados pela obediência além dos quatro que acabei de citar. Mas estou tentando manter os capítulos deste livro dentro do número de páginas planejado! No entanto, considere apenas outros dois breves pensamentos relacionados à obediência. O primeiro chega até nós através de Maria, a mãe de Jesus.

Maria nos deu uma das melhores definições de obediência: “Sua mãe disse aos serviçais: ‘Façam tudo o que ele lhes mandar”‘ (João 2.5). Os verdadeiros servos são encontrados sentados aos pés de Jesus: “Quem me serve precisa seguir-me; e, onde estou, o meu servo também estará. Aquele que me serve, meu Pai o honrará” (João 12.26). Então, quando Jesus fala, eles apenas ficam sentados aos seus pés.

Os servos não tentam dar ao mestre uma ideia melhor; os servos não reclamam dizendo que a tarefa é estúpida; os servos não tentam decidir se estão com vontade de obedecer imediatamente; os servos não decidem se a tarefa está enquadrada em seu padrão de dignidade para executá-la. Eles apenas obedecem. ”Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes for ordenado, devem dizer: Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever” (Lucas 17.10).

Quanto mais você se aproximar de Deus, mais obediente deve se tornar. Alguns escolhem o nível de obediência em que se esforçam para evitar o pecado e escolher a retidão. Esse era o nível em que os israelitas, que conheciam as leis de Deus, viviam. Moisés, entretanto, conhecia a Deus. Portanto, o nível de obediência de Moisés era necessariamente maior. A questão para Moisés não era mais simplesmente “esta ação está certa ou errada?”. A questão era: “Qual é o mandamento de Deus?”.

Quando Moisés estava na montanha em que Deus se manifestou em chamas de fogo, o mandamento era: “Permaneça atrás da fenda da rocha. Porque se você sair de trás da rocha que o protege e vir a minha face, você morrerá. Você está tão perto de mim agora, Moisés, que se fizer um movimento errado verá a minha face e terá uma parada cardíaca fulminante”.

Agora, há alguma coisa errada ou pecaminosa em sair de trás da rocha? Não. Mas quando você está próximo demais de Deus, é imperativo que siga suas instruções ao pé da letra e permaneça onde Ele colocá-lo.

Isso simplesmente reforça mais um segredo: quanto mais próximo você estiver de Deus, mais obediente deve se tornar.