GESTÃO E CARREIRA

INSTRUMENTOS DE DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL

Ações para o desenvolvimento humano têm seu tempo próprio e devem se fundamentar teoricamente para garantir bons alicerces.

Instrumentos de Desenvolvimento Organizacional

Preocupa-me muito a interface entre teoria e prática, a interface entre ciência e fazer na Psicologia. Desde os tempos de estudante de Psicologia, talvez por ter tido uma experiência profissional anterior à graduação, como empregado de uma grande instituição financeira, e estar estudando Psicologia em uma universidade pública focada na construção científica, questiono o quão difícil é a interface entre ciência e prática profissional. Não obstante, ao atuar inicialmente na área de Psicologia Organizacional e Recursos Humanos, sentia que o ardor do dia a dia, a correria para atender prazos, muitas vezes, dificultavam a mim e a colegas a adequada atualização científico-teórica para embasar as atividades em recursos humanos. Mais de 25 anos decorreram entre minha formação e o momento atual, o dinâmico percurso profissional levou-me ao magistério do ensino superior em Administração de Empresas e Psicologia, possibilitando-me ensinar Psicologia para administradores e Administração para psicólogos, sem, contudo, deixar de lado o exercício prático da profissão de psicólogo organizacional.

Esse percurso profissional promoveu a construção de um olhar crítico e capaz de, sempre, buscar a interface teórico-prática, o que me levou à criação e publicação de instrumentos de avaliação e intervenção, como o Baralho dos Valores e Atitudes Profissionais (Sinopsys, 2015) e o Baralho dos Comportamentos de Liderança (Sinopsys, 2017), e esse olhar crítico balizará minhas palavras sobre avaliação psicológica no contexto organizacional.

Para falar sobre avaliação psicológica nas organizações é preciso começar, sem dúvida, falando da identidade do psicólogo organizacional. Há tempos, Wanderlei Codo cunhou a expressão “lobo mau da Psicologia” ao se referir, simbolicamente, a como era vista a atuação do psicólogo organizacional. Tal expressão tornou-se clássica dado o conteúdo identitário que ela encerra. Será que somos vistos como “lobo mau” pelos nossos pares e clientes? Somos vistos como aquele que engana os clientes (candidatos, funcionários etc.) para alcançar o nosso objetivo? Para quem o psicólogo organizacional trabalha? Para o capital ou para a Psicologia? Res­ pondo dizendo que para ambos, sim, é possível trabalhar para os dois sem perder a identidade de psicólogo que nos constrói e possibilitando a construção de uma sociedade capitalista e biopsicossocialmente saudável.

Vamos começar falando da avaliação psicológica. No que nós, psicólogos organizacionais, no exercício corrido da profissão nas organizações, nos baseamos para emitir pareceres psicológicos e  psicoprofissionais? Há inúmeros instrumentos publicados pela internet, de acesso rápido e que  não são considerados, oficialmente pelo Conselho Federal de Psicologia, como testes psicológicos.  Não vou nomeá­los, mas sei que no meio de RH muitos os utilizam, dada a sua praticidade e acesso por qualquer profissional, uma vez que não são restritos a psicólogos. Porém, qual a confiabilidade que tais instrumentos proporcionam e seus parâmetros psicométricos?

 PROJETO

Certa vez, fui convidado a ingressar em um projeto de desenvolvimento profissional que já estava em curso e os participantes, executivos de uma grande empresa, já haviam passado por uma suposta “avaliação psicoprofissional”, da qual eu não havia participado, e nessa avaliação foram utilizados dois desses instrumentos. Ao começar o trabalho com os executivos, alguns me disseram que eles mesmos não confiavam no resultado de suas avaliações, porque haviam respondido parte na sala de embarque do aeroporto e parte enquanto seus colegas se organizavam para começar uma reunião, já que a resposta ao instrumento era via internet. Como posso eu, profissional, confiar nos resultados dessa avaliação se o próprio avaliado sabe que ela não é confiável? Desse exemplo observo um problema que tem se expandido com a onda do coach. Muitas avaliações, ditas psicológicas, têm sido feitas com instrumentos sem base teórica confiável, sem parâmetros e estudos prévios adequados que sejam capazes de proporcionar fidedignidade aos resultados obtidos, distanciando, cada vez mais, os profissionais de RH e Psicologia Organizacional dos parâmetros científicos que balizam a profissão.

Dentro da Psicologia, somos regidos pelo Código de Ética e Normativas do Conselho Federal de Psicologia (CFP), e estas são bem claras de que ao realizar uma avaliação psicológica com uso de testes, é necessário que sejam utilizados os testes com parecer favorável para o uso, parecer emitido pelo Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos – Satepsi. O Satepsi, trabalhando com parâmetros internacionais de confiabilidade de testes psicológicos, garante que o instrumento com parecer favorável cumpre, em sua estrutura, as condições de confiabilidade dos resultados. Mas não basta a garantia do Satepsi ao instrumento, a forma como este será utilizado pode interferir diretamente nos resultados, ocasionando viés na interpretação.

Toda avaliação psicológica deve ser realizada em condições controladas, apresentadas nos manuais dos instrumentos. A não garantia dessas condições no momento da avaliação pode prejudicar os resultados. Não se pode responder a um teste psicológico na sala de embarque de um aeroporto enquanto se espera um voo, por exemplo.

Instrumentos de Desenvolvimento Organizacional. 4

FERRAMENTAS

Outro ponto de extrema importância diz respeito à escolha do instrumento, e aqui a interface entre o conhecimento psicológico amplo e a prática se mostra muito presente. Deve-se fazer sempre as seguintes perguntas: O que preciso avaliar? Para que estou fazendo a avaliação? O que vou fazer com os resultados da avaliação? A resposta a essas perguntas, em função de uma reflexão ampla que parte do conhecimento em Psicologia, possibilita a escolha dos instrumentos mais adequados, garantindo confiabilidade nos resultados. Após a avaliação, é direito do indivíduo avaliado receber uma devolutiva, e aí, como esta deve ser feita? Por experiência digo que a devolutiva pode tanto proporcionar crescimento como estagnação, cristalização e, por que não, destruição. É fato que muitos dados que obtemos em uma avalição psicológica podem não ser de conhecimento do indivíduo avaliado e, ao devolver esses resultados, é preciso muito cuidado.

Devolutivas em avaliação psicológica consistem em uma das atividades do psicólogo, e ao psicólogo cabe promover o desenvolvimento da pessoa humana em seu contexto biopsicossocial. Portanto, aqui reside uma grande oportunidade de exercício de nossa “missão” profissional. Assim, os dados a serem devolvidos ao indivíduo avaliado devem estar organizados de forma contextual, possibilitando uma discussão crítica destes no universo vivencial do indivíduo, pontuando necessidades e potenciais e dando direções para suprir as necessidades. A devolutiva deve, antes demais nada, ser um ato de construção do indivíduo enquanto pessoa.

O fato é que vivemos hoje em uma sociedade complexa, vivemos a modernidade líquida no sentido do termo cunhado pelo sociólogo Zygmunt Bauman. Há pressa, há urgência que levam a uma avidez e voracidade por resultados práticos, o que não combinam muitas vezes, com o rigor científico, e leva os profissionais a cometerem equívocos que poderiam, facilmente, ser evitados.

O exercício da consultoria em Psicologia Organizacional está marcado por essas características de pressa por resultados e é possível obter resulta­ dos relativamente rápidos sem deixar de lado a base científica. Em minha prática profissional, vivi duas outras situações nas quais eu precisava promover o desenvolvimento de habilidades específicas detectadas nos indivíduos que avaliei, isso por meio de uma devolutiva. Foi aí que, fundamentado na teoria cognitiva, desenvolvi dois instrumentos que possibilitavam, de modo lúdico, o desenvolvimento das habilidades que eu precisava desenvolver em meus clientes.

O primeiro deles foi o Baralho dos Valores e Atitudes Profissionais, no qual fundamentei-me na teoria da dissonância cognitiva, de Leon Festinger. Esse baralho, composto por diversas cartas coloridas, parte da identificação de três habilidades que estão sendo valorizadas pelo indivíduo no exercício de sua profissão e três que estão sendo desvalorizadas, isso num universo de 20 habilidades comuns ao exercício profissional atual. Após a escolha inicia-se um processo, por etapas de reflexão, do por que está valorizando ou não, de onde, na história pessoal do indivíduo, vem o motivo dessa valorização ou desvalorização. Reflete-se quanto às consequências e, finalmente, decide-se o que deve ser feito, tudo isso feito de modo organizado por meio de cartas. O Baralho dos Valores e Atitudes Profissionais possibilita que o indivíduo reflita sobre suas habilidades mais e menos desenvolvidas e, provocado por uma dissonância em suas cognições, repense a forma como está exercendo tais habilidades no cotidiano de seu trabalho, proporcionando desenvolvimento ao mesmo.

Já o Baralho dos Comportamentos de Liderança fundamenta-se na teoria da ação racional, de Fishbein e Ajzen, e preconiza que as ações de um líder devem ser pensadas em função do grupo com o qual trabalha e dos objetivos que deseja alcançar. Por meio de cartas que simulam situações envolvendo habilidades, como de comunicação, assertividade, negociação e empatia, entre outras, o indivíduo deve identificar que tipo de comportamento teria na situação e o que espera obter com este. Esse jogo proporciona uma reflexão sobre os comportamentos que estão sendo emitidos pelos indivíduos no exercício da liderança. Ao jogar o baralho, a forma como as cartas devem ser organizadas leva a uma reflexão da ação que está sendo adotada ao exercer cada uma das habilidades de liderança e o quão eficientes estão sendo essas ações, possibilitando um redirecionamento mais positivo e eficaz destas.

Tanto um baralho como o outro são instrumentos complementares a uma avaliação psicológica, não são testes psicológicos, mas instrumentos que auxiliam, de modo construtivo, na devolutiva psicológica e no desenvolvimento individual no campo organizacional.

Enfim, a modernidade está líquida mesmo, a modernidade cobra urgência, gera voracidade, mas, ainda, qualquer ação para desenvolvimento humano, organizacional ou de um país, tem seu tempo próprio e deve fundamentar-se teoricamente para garantir bons alicerces ao desenvolvimento humano.

Instrumentos de Desenvolvimento Organizacional. 2

A CARTA NA MANGA PARA UM GRANDE LÍDER

Embora seja perpetuada a ideia de que uma pessoa é um “líder por natureza” e nasceu com essa característica, a liderança pode ser desenvolvida. O Baralho de Comportamentos de Liderança explica os principais comportamentos de um líder, trazendo à reflexão e o autoconhecimento para empresas e profissionais. Em forma de  jogo de cartas, foca nas seis habilidades principais para a atuação de um líder: comunicação interpessoal, empatia, assertividade, abordagem e condução, negociação e tolerância ao estresse. “O baralho constitui-se em uma importante ferramenta para trabalhos de desenvolvimento de liderança por meio de treinamentos, atendimentos individuais e  trabalhos de coaching”, explica Benzoni. A iniciativa possibilita que atuais líderes pratiquem uma análise de suas atitudes durante o trabalho, quais seriam as melhores formas de resolver alguma situação, além das consequências que isso traz na equipe.

Instrumentos de Desenvolvimento Organizacional. 3

TEORIA DA DISSONÂNCIA COGNITIVA

O Psicólogo nova-iorquino, Leon Festinger (1919-1989) se tornou famoso pelo desenvolvimento   da teoria da dissonância cognitiva. Festinger também elaborou e propagou a teoria da comparação    social, na qual as pessoas avaliam seus desejos e opiniões por intermédio da comparação com outros indivíduos. Tornou-se bacharel em Ciência pelo City College, de Nova Iorque, em 1939. Após completar os estudos de graduação, ingressou na Universidade de Iowa e      recebeu o título de PhD em 1942.                                                        

 

                                                          

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 30 – O SEGREDO DE PERSEVERAR

 

À medida que nos preparamos para a maratona completa da corrida cristã, não devemos apenas coletar nosso maná diário, mas também crescer em semelhança a Cristo no tocante à perseverança.

Todas nós temos períodos de deserto, quando tudo em nossa vida espiritual está seco, empoeirado e sem inspiração. E a única maneira de atravessar esses momentos é tomando uma decisão antecipada de que não importa o quão árduo venha a ser o trabalho, nunca desistiremos de nossa busca por Deus. Iremos perseverar em Cristo a despeito de tudo. Vou revelar-lhe mais um segredo: este tipo de comprometimento tenaz para perseverar abre caminho para as dimensões mais significativas de relacionamento com o Senhor.

Esses períodos não acabam apenas com a monotonia da mesmice, eles são necessários para a produtividade. Nada pode viver debaixo de sol contínuo. Constante alegria e felicidade, sem nuvens no horizonte, produz aridez. A noite é tão importante quanto o dia; o sol deve ser acompanhado pelas nuvens e pela chuva. Apenas sol contínuo cria um deserto. Não gostamos de tempestades, mas elas fazem parte da vida. A chave para termos vitória está em encontrar a forma de suportá-las de modo que não nos desalojem do lugar secreto com Deus.

É fácil perseverar nos bons momentos. Mas é nos momentos difíceis que nossa perseverança é comprovada. Quando os tempos ficam difíceis, é tentador negligenciar o lugar secreto. Jesus, entretanto, manifestou exatamente a tendência oposta. Quando estava sofrendo, buscou o lugar de oração. Seu período no Getsêmani é um grande exemplo do seu modo de agir: “Estando angustiado, ele orou ainda mais intensamente” (Lucas 22.44). Quando Jesus sofria, Ele orava. Quando sofria mais, Ele orava mais intensamente. Esse era o segredo de Jesus para resistir ao horror de seus sofrimentos. Ele se preparava através da oração para resistir à dor. Se reagirmos adequadamente, o sofrimento poderá ser, na verdade, um presente. A dor pode ocasionar um grande ímpeto para orar – se permitirmos que isso sirva de trampolim para nos aproximar de Deus e não para nos afastar dele.

Paulo orou para que os colossenses fossem “fortalecidos com todo o poder, de acordo com a força da sua glória”, para que tivessem “toda a perseverança e paciência com alegria” (Colossenses 1.11). Um dos maiores desafios, na hora da adversidade, é sofrer durante um longo período com alegria. Isso não é possível por meio da força humana! Por causa disso Paulo orou para que eles pudessem ser “fortalecidos com todo o poder”, pois o poder de Deus permite a alegria em meio a longos períodos de sofrimento.

Ter alegria durante o sofrimento é uma qualidade divina, e a sentença “perseverança e paciência com alegria” é aplicada ao próprio Deus. Considere o quanto Deus sofre, visto que compartilha o sofrimento do mundo. E por quanto tempo tem sofrido! E apesar de todo o sofrimento, Deus é mais forte que qualquer um de nós pode imaginar e também sente grande alegria. Somente Deus pode sofrer tanto e, ainda assim, sentir alegria.

Quando somos chamados a perseverar com grande alegria, é imperativo que encontremos a consolação do lugar secreto. Esse é o lugar onde somos preenchidos e “fortalecidos com todo o poder” durante um período de longo sofrimento. Colocando de uma forma simples, a perseverança divina é impossível de ser adquirida sem vida secreta com Deus bem alicerçada.

Em minha opinião, o sofrimento só pode ser aceito com alegria quando compreendemos o propósito de Deus para aquela dor. “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança” (Tiago 1.2-3). A única maneira de sentir alegria em meio às provações é através do “saber” – saber o propósito de Deus para elas.

Mas como podemos aprender sobre os propósitos de Deus em meio aos nossos sofrimentos? A busca secreta de Deus em sua Palavra é que revelará o propósito para nós. À medida que vemos como Ele conduziu os santos da Bíblia ao longo de suas adversidades, começamos a ver seu coração nos conduzindo através dos mesmos tipos de vitórias gloriosas. O que capacitou Paulo a resistir ao “seu espinho na carne” foi o fato de Deus revelar-lhe seu propósito acerca do espinho. Assim que Paulo viu o propósito, pôde cooperar com a graça de Deus.

Paulo inventou um termo fascinante: “a perseverança… procedente das Escrituras”. Ele é encontrado em Romanos 15.14: “Pois tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança”.

A palavra original para “perseverança” (grego, hupomone) significa “constância, perseverança, continuidade, suporte, firmeza, longanimidade”. A Bíblia é a minha fonte de constância. Sempre que me volto para ela, sou renovado em minha postura de aguardar somente em Deus. Ela não só me sustenta e me capacita a perseverar, mas o testemunho dos propósitos e maneiras de Deus agir são consistentes de Génesis a Apocalipse.

Quando vejo o padrão uniforme das Escrituras, que Deus por fim revela sua salvação àqueles que perseveram, sou fortalecido em esperança. As Escrituras falam da perseverança dos santos tão frequentemente que dizem que as próprias Escrituras são perseverantes!

A Bíblia enaltece todos os que buscam compreender o caminho que Deus estabeleceu para eles: “A sabedoria do homem prudente é discernir o seu caminho, mas a insensatez dos tolos é enganosa” (Provérbios 14.8). É no santuário de sua presença que ganhamos compreensão dos enigmas da vida (Salmos 73.17). O santuário de sua presença é onde Deus revela o propósito, que por sua vez nos capacita a perseverar em meio às dificuldades com alegria, por sabermos que Ele está agindo em todas as coisas para o nosso bem (Romanos 8.28).

Um dos símbolos das Escrituras para esse processo é a pérola. A pérola é formada dentro de uma ostra que experimentou o sofrimento por causa de uma partícula estranha de areia que ficou grudada dentro de sua concha. A pérola representa a transformação eternamente valiosa que Deus opera dentro de nós no momento da dificuldade. Não existe nada que nos transforme tão pronta e profundamente como uma dedicação ao lugar secreto em meio ao rigor do sofrimento.

Quanto mais tempo o grão de areia fica dentro da concha da ostra, mais valiosa se torna pérola. Portanto, o valor formador da tribulação é, às vezes, diretamente proporcional à duração da provação. Quanto maior o sofrimento, mais valiosa a pérola. É a confiança neste fato que nos capa­ cita a perseverar com alegria. Quando perseveramos em amor em meio às dificuldades, nos qualificamos para adentrar os portões da pérola – pois a única maneira de entrar na cidade eterna é através dos portões de pérola do “tesouro aperfeiçoado pelas dificuldades”.

O apóstolo João fornece um exemplo fascinante da recompensa alcançada pela perseverança no lugar secreto, mesmo em face às dificuldades. Já com idade avançada, João foi exilado “na ilha de Patmos por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus” (Apocalipse 1.9). Não há dúvidas de que ele, aos noventa anos, sofria com os rigores de uma prisão em uma ilha. Ele sofria em seu corpo, padecia as dores da solidão e inevitavelmente sentia como se estivesse terminando os seus dias inutilmente.

Apenas sobreviver nesta ilha não era sua ideia para um grande final da sua corrida. Entretanto, em vez de sucumbir devido à preocupação consigo próprio ou ao desânimo, ele disse: “No dia do Senhor achei-me no Espírito” (Apocalipse 1.10). Em outras palavras, ele foi proativamente perseverando em meio às suas dificuldades, dedicando-se ao relacionamento de amor no lugar secreto com seu Amado.

Qual foi a resposta de Deus à perseverança e à paciência de João? Deus o honrou dando-lhe uma revelação inigualável da beleza e da glória de Jesus Cristo, que ele pôde retratar de forma maravilhosa no Livro do Apocalipse. Era como se Deus estivesse dizendo: “Honro aqueles que dão seu amor a mim no lugar secreto enquanto perseveram no fogo das provações e dos sofrimentos. Eu os recompenso capacitando-os a contemplar a luz do conhecimento da glória da minha majestade que é encontrada na face de meu maravilhoso Filho”.

Jamais desista! Hoje pode ser o dia em que Ele recompensará sua devoção com uma revelação sublime da glória eterna do Homem, Jesus Cristo nosso Senhor!

Através do poder do Espírito de Deus, qualquer provação pode ser suportada com alegria por causa da extravagância dessa recompensa.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PSICOLOGIA NA PRÁTICA DO ESPORTE – II

Desempenho mental e preparação emocional são aspectos imprescindíveis para a conquista de vitórias no esporte, mas alguns requisitos podem ser aproveitados também na vida pessoal e profissional

Psicologia na prática do esporte

HABILIDADES PSICOLÓGICAS DEVEM SER SEGUIDAS

É nítido e incontestável que o desempenho e a preparação mental são fatores fundamentais para a obtenção do sucesso na atuação do esportista de alto rendimento. No entanto, essas conquistas precisam ficar restritas apenas ao esporte. Existem algumas habilidades psicológicas que devem ser seguidas por esses competidores, e pessoas focadas em alcançar o sucesso.

EQUILÍBRIO EMOCIONAL

Os esportes competitivos talvez sejam um dos poucos fenômenos sociais em que as emoções oscilam abruptamente. Se nos espectadores é comum, imagine nos atletas. Desenvolver o   equilíbrio emocional é fundamental para qualquer pessoa. No esporte ele chega a ser primordial, pois um erro pode ocasionar uma avalanche de sentimentos negativos e levar à derrota. Saber retornar desses momentos (frequentes) dos jogos e competições é uma habilidade que pode ser diferencial para uma decisão e até para a carreira de qualquer atleta. A tensão exacerbada proporciona emoções negativas, como raiva, frustração e   medo. Como consequência, podem desencadear problemas durante a atuação, incluindo a tensão muscular e desvio de concentração, que propicia distrações, lentidão de raciocínio na execução de golpes, movimentos lentos, entre outros.

Psicologia na prática do esporte II . 2

CONCENTRAÇÃO

É comum ouvir alguém dizendo “Concentre-se”, “Foco”. No esporte, estar concentrado é um dos aspectos importantes para o bom rendimento. A concentração é um tipo de percepção. A percepção é basicamente uma capacidade cognitiva, que faz reconhecer o mundo ao redor através dos sentidos (visão, tato, olfato, audição, paladar). Portanto, para perceber alguns eventos que nos cercam, o cérebro utiliza diferentes tipos de atenção.

O ambiente está cercado por vários estímulos que aguçam a percepção, e a atenção seleciona e codifica alguns deles que interessam no momento. Quando se foca em poucos estímulos, utiliza-se a concentração – que nada mais é do que prestar mais atenção naquilo que é relevante naquele determinado momento. Ou seja, no adversário, nos pensamentos e nas sensações corporais. Quando se ouve alguém falar de foco, é preciso lembrar de um feixe de luz iluminando um local escuro. A falta de concentração em determinados momentos de uma competição é uma das queixas mais frequentes que os psicólogos do esporte têm de lidar no seu trabalho.

Estar concentrado é uma habilidade psicológica muito importante para qualquer atleta, porém pode haver níveis diferentes de concentração, dependendo da situação exigida na competição. Por exemplo, para um pivô no basquete e um atleta de tiro esportivo as exigências são muito distintas. Durante uma competição, a concentração pode ser determinante para o resultado.

 TOLERÂNCIA À FRUSTRAÇÃO

As derrotas podem ensinar mais do que as vitórias. Pouco tempo atrás, o tenista Novak Djokovic era um coadjuvante em relação a Rafael Nadal e Roger Federer. Em diversas entrevistas, ele disse que aprendeu muito com as suas derrotas. Esse foi seu principal combustível para se desenvolver, estudar os seus erros e obter a confiança para perseverar. Alguns adversários são mais do que simplesmente rivais, eles podem proporcionar indireta- mente as condições para a evolução de um atleta. Se a derrota equivale ao fracasso, nunca se ganhará a batalha da confiança com esse tipo de crença (Rolo e Haan, 2009).

DESEMPENHO SOB PRESSÃO

Controlar a ansiedade nos momentos mais difíceis é comportamento típico que ocorre durante as competições e que, naturalmente, põe pressão em quem está atuando. Todo atleta, antes do início de uma partida, sente-se ansioso, agitado, apreensivo de que possa acontecer algo inesperado. Não é adequado que essas sensações cresçam e se tornem amedrontadoras a ponto de não conseguirem realizar plenamente suas capacidades. Aceitar que a ansiedade é inevitável na competição e saber que pode lidar com ela são habilidades essenciais para recuperar o controle psicológico na sequência de acontecimentos inesperados ou distrações (Samulski, 2008). Superar o medo – ele é uma emoção natural do ser humano e pode ser controlado.

O psicólogo do esporte canadense, Garry Martin, ensina que, para eficácia dos aspectos psicológicos – quando eles são transferidos para o ambiente das competições –, os treinos devem ser o mais semelhante possível às exigências durante o torneio. É importante treinar taticamente, mas deve ser dado tempo para treinar questões mentais. Como isso pode ser feito? Simulando condições típicas competitivas, treinos mais intensos, com jogadores sendo mais agressivos, atletas realizando funções diferentes das habituais, com torcida a favor ou contra, com ruído e som alto, com placares adversos etc. Na preparação para os Jogos Olímpicos de Pequim 2008, a equipe de badminton chinesa utilizou muitos treinos simulados, principalmente com o ginásio lotado, para ensinar aos seus atletas como lidar com a pressão da torcida e a adversidade de um jogo, já que esse esporte é um dos mais populares na China. Portanto, a pressão pelo ouro olímpico seria inevitável. Os atletas chineses não decepcionaram: levaram todos os ouros da modalidade.

Mesmo os grandes gênios do esporte, em algum momento da carreira, tiveram obstáculos e percalços e precisaram se superar para reconduzir sua trajetória. Essa característica é chamada de resiliência, termo que, assim como a palavra estresse, vem da Física, e a  Psicologia emprega para designar o indivíduo que consegue ultrapassar grandes adversidades, resistir às pressões e, com muito esforço, reconduzir a sua vida. Na resiliência, a motivação é componente primordial de todo o processo de superação.

AUTOCONFIANÇA

Confiar em si mesmo e na equipe é uma habilidade que deve ser desenvolvida. Quem não a possui dificilmente consegue se dar bem no esporte competitivo. Autoconfiança é diferente de soberba; é entender que o atleta possui qualidades e também limitações, é saber utilizar as qualidades nos momentos negativos e trabalhar as limitações nos treinos.

Assim como saber perder, aprender com as derrotas é uma lição importante, valorizar e usufruir das vitórias também é um comportamento que estimula a autoconfiança. Nos momentos de crise e adversidade é necessário se lembrar das sensações da vitória, do prazer proporcionado ao conseguir um objetivo.

Pensar positivo, ter uma atitude positiva, verbalizar coisas positivas são fatores tão importantes em treino quanto em competição. Essas ações repercutem no corpo, deixando-o mais relaxado e equilibrado para executar os movimentos necessários (Samulski, 2008). Corpo e mente estão interligados e, por isso, as atitudes negativas também refletem em nossos músculos. Como consequência, entre outros aspectos, ocorrem desequilíbrio e diminuição da performance.

Em competição, quanto mais enfrentam adversidades, mais positivos têm que ser para construir confiança e autoestima. A confiança está relacionada diretamente ao êxito percebido. Então, muitas vezes os atletas só acham relevantes as vitórias, quando o mais importante é a atitude durante a competição. Ou seja, há jogos que se vence jogando mal e outros que se é derrotado jogando bem (Gallwey, 2004).

 MOTIVAÇÃO

É possível definir motivação basicamente como os motivos que levam às ações em busca das metas em todos os aspectos da vida. Pode ser exemplificada também como a direção e a intensidade dos esforços. Motivação é uma “energia psicológica” que faz com que a pessoa se comporte de determinadas maneiras. Para saber o que motiva é imprescindível ter autoconhecimento. Portanto, quando se fala em motivação não existe “receita de bolo”, pois ela é pessoal, individual e exclusiva. Não há motivação sem busca por metas.

Segundo Samulski (2008), as metas podem tornar os sonhos e ambições profissionais palpáveis, desde que se faça algo para alcançá-los. É preferível, do ponto de vista psicológico, que se pretenda alcançar metas de atuação em vez de resultados. As metas de atuação podem ser controladas. Os resultados, não. As metas de atuação são de esforço, por exemplo: ter uma boa atitude durante o jogo; manter-se confiante nos momentos difíceis; usar a agressividade positivamente sem deslealdade. Esse tipo de meta é mais fácil de executar, depende exclusivamente do indivíduo. As metas por resultados (ganhar um torneio, chegar às quartas de final, golear um adversário, por exemplo) são mais complexas de se atingir, pois não dependem funda- mentalmente do indivíduo, mas de outras variáveis que não podem ser controladas e a probabilidade de frustração é muito alta.

 RESPEITO

Respeitar o adversário, as regras do jogo, o fair play, o ambiente competitivo, os horários das partidas, os árbitros, assistentes e colaboradores deve ser uma obrigação para qualquer atleta. Ser leal com seus adversários e com o público que está prestigiando. O respeito, mais do que uma habilidade, é um valor moral. Os atletas são pessoas que têm o poder de influenciar a conduta de crianças e jovens e nem sempre compreendem esse papel que exercem na sociedade.

INTELIGÊNCIA TÁTICA

Saber ler as nuances do jogo do adversário, seus pontos fortes e fracos, e utilizar estratégias para minimizar as jogadas dele. Isso é inteligência tática. Em competições, os jogadores deveriam evitar focar em seus pontos fracos (deixe isso para os treinos). Devem pensar nos pontos positivos de seu jogo, tendo por base os pontos fortes, ou seja, abusar de suas jogadas de confiança. Quanto mais positivo for durante a competição, melhor, mesmo que seus pensamentos sejam negativos com relação a si mesmo.

É importante os atletas desenvolverem um repertório grande de variação de jogadas e ter paciência para colocá-las em prática nos momentos adequados. Nem sempre o estilo de jogo de uma equipe irá se encaixar com o do adversário. Ter coragem de arriscar pode ser fundamental quando estiver numa situação como essa. Jogar com simplicidade também ajuda. Inteligência não é sinônimo de belas jogadas. Em muitos momentos, fazer o básico para marcar um ponto pode ser a estratégia mais adequada.

DISCIPLINA

Habilidade e talento, por si só, não são os únicos requisitos para uma carreira vitoriosa. É necessário ter muita disciplina. Michael Jordan disse certa vez que 90% são transpiração, e 10%, inspiração. Pelé, frequentemente, comenta que, após as rotinas diárias, ele ficava mais tempo treinando faltas com a sua perna esquerda (ele é destro) e cabeceio (que ele dizia ser seu pior fundamento).

Treinar com intensidade, cuidar da alimentação e dormir bem são fundamentais para qualquer atleta. O treinamento esportivo nada mais é do que repetição de exercícios.

 ESPÍRITO DE LUTA

Há um estudo que diz que, para ser especialista em qualquer área, são necessárias 10 mil horas de prática. Portanto, isso leva anos para ser adquirido. Infelizmente, algumas coisas terão de ser deixadas de lado em algum momento na carreira esportiva. Às vezes, o lazer, a convivência com os amigos e até com familiares. Porém, todos os seres humanos necessitam de momentos de relaxamento e de descanso (físico e mental). Entregar-se a eles faz parte de uma atitude disciplinada. Desligar do esporte nessas ocasiões e aproveitar para fazer algo que não faz com tanta frequência.

Alguns comportamentos podem ser sinônimo de espírito de luta: garra, atitude, intensidade, coragem, jogar do primeiro ao último minuto com a mesma gana e energia, manter uma situação emocional construtiva quando as coisas vão mal, acreditar em seu potencial. Para Loehr (1990), treinar e jogar com intensidade é uma habilidade que requer repetição. Os atletas terão o melhor de seu desempenho quando puderem manter um estado de intensidade elevada e de energia, que se alimenta essencialmente de suas emoções positivas. Os senti- mentos de entusiasmo, inspiração, decisão e desafio são um ponto central para se desenvolver nessa habilidade. Os treinamentos servem de termômetro para as competições, ou seja, não há fórmula mágica. Quanto mais semelhantes os treinos forem das competições, melhor. Dessa maneira, muitas características aqui apresentadas podem ser facilmente transferidas para a vida. O treinamento sem qualidade não capacitará ninguém a competir bem. E viver é um eterno treinamento, não é mesmo?

DESEMPENHOS FÍSICO E MENTAL

Estudar os comportamentos de todos que estão, de alguma forma, envolvidos no universo esportivo e de exercícios físicos é o objetivo central da Psicologia do Esporte: para isso o profissional que se dedica à disciplina procura entender de que forma os fatores mentais interferem no desempenho físico, além de compreender como a participação nessas atividades afeta o desenvolvimento emocional, a saúde e o bem-estar de uma pessoa que atua nesse ambiente. A Psicologia do Esporte é uma ciência relativamente nova, que tem prestado relevantes serviços para a otimização da performance de atletas e equipes. Oferecer aos esportistas de alto rendimento apoio psicológico é tão importante quanto proporcionar uma alimentação saudável e balanceada, programada por um nutricionista. Isso porque o corpo físico e o mental são duas faces da mesma unidade e merecem igual atenção: A presença profissional mais frequente está relacionada aos esportes de alto rendimento. Entretanto, outras áreas de atuação podem ser exploradas: práticas de tempo livre (atividade física como manutenção da saúde); esporte escolar (cuidar da relação do praticante com o ambiente escolar); iniciação esportiva (crianças e jovens envolvidos em atividades pedagógicas e esportivas) e reabilitação (recuperação psicológica de lesões).

OUTROS OLHARES

DO LABORATÓRIO PARA O PRATO

Embora ainda pequeno, o mercado de carnes alternativas tem atraído um número crescente de empresas de tecnologia e investidores — todos de olho na possibilidade de transformar a produção de alimentos num processo mais sustentável

Do laboratório para o prato

Grandes pastagens, milhares de cabeças de gado e matadouros. Por séculos, a produção de carne foi baseada na criação e no abate de animais em escala industrial. Com o aumento da população, a humanidade precisará produzir cada vez mais alimentos e, por mais que a produtividade do campo esteja aumentando, sempre haverá um impacto ambiental. Diante desse cenário, algumas empresas novatas têm investido em soluções tecnológicas para produzir e vender carne sem a necessidade de criar e sacrificar animais. Toda a matéria-prima é desenvolvida em laboratório. Com isso, espera-se que, em breve, seja possível produzir um bife ou um hambúrguer sem esperar o ciclo de vida dos animais.

As startups que usam a tecnologia na produção de alimentos — apelidadas de foodtechs — buscam alternativas para a produção de diversos tipos de comida. Já existe a maionese sem ovos, o queijo sem leite animal, o hambúrguer à base de proteína vegetal e até um nugget vegano, feito de grão-de-bico, cebola, milho e cenoura. A maioria desses produtos já é comercializada e tem ganhado consumidores especialmente na Europa e nos Estados Unidos. Recentemente, a rede de fast- food Burger King — controlada pelo grupo 3G Capital, dos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira — anunciou que, até o fim do ano, pretende vender um lanche de proteína vegetal em todas as suas unidades nos Estados Unidos. A “carne” é produzida pela startup americana Impossible Foods, especializada no desenvolvimento de produtos de proteína vegetal. Fundada em 2011, ela recebeu, em maio, um investimento de 300 milhões de dólares.

A mudança mais radical no mercado de alimentos, no entanto, são as carnes de proteína animal de verdade, mas que são produzidas em laboratório. Nesse caso, as empresas utilizam pequenas amostras de células-tronco de animais reais, as quais são cultivadas por cientistas. As amostras recebem nutrientes para que se desenvolvam e formem tecidos musculares. Quando pronta, a carne é consolidada em formatos populares. O mais comum é o do hambúrguer, adotado pelas startups americanas Just e Memphis Meats, e também pela holandesa Mosa Meat.

Fundada em 2015, a Mosa Meat foi pioneira no desenvolvimento da tecnologia. O pesquisador e fundador da empresa Mark Post foi a primeira pessoa do mundo a apresentar uma carne cultivada em laboratório em 2013. Dois anos mais tarde, Post e o colega Peter Verstrate criaram a Mosa Meat para aprimorar as técnicas de produção e levar seus produtos ao mercado. “Nosso maior problema hoje é o custo. Para reduzi-lo, precisamos ter uma produção em larga escala. Nosso objetivo é chegar a um custo de 10 dólares por hambúrguer”, diz Verstrate, presidente executivo da empresa. A redução é significativa. O primeiro hambúrguer produzido por Mark Post teve o custo de 330.000 dólares. A Mosa Meat estima que, em cinco anos, deverá alcançar uma capacidade de produção industrial, fazendo com que o preço fique próximo ao de um hambúrguer tradicional.

O objetivo da Mosa Meat e de suas concorrentes é estabelecer-se como uma alternativa mais sustentável à produção de carne. Segundo dados reunidos pela consultoria americana CB Insights, a produção em laboratório consome 82% menos água e emite 79% menos poluentes do que a pecuária de corte atual. “Ainda que as carnes de laboratório não sejam baratas o suficiente, elas provocam um debate sobre o impacto da produção de carne no mundo e nos fazem pensar sobre o que deve ser considerado normal”, diz Neil Stephens, professor na Universidade Brunel, em Londres, e um dos principais estudiosos do tema no mundo.

Além do custo, outro entrave é a rígida regulação sobre a produção de alimentos. A legislação atual não prevê nenhum tipo de carne de laboratório. Nos Estados Uni- dos, existe até um debate quanto a esses alimentos poderem ser chamados de “carne” e sobre qual agência do governo é responsável por regulá-los. Em março, o Departamento de Agricultura, que supervisiona o setor de alimentos, e a FDA (a Anvisa americana) chegaram a um acordo sobre quais são as competências de cada órgão em relação a esse caso. Uma vez reguladas, a expectativa é que as vendas de carne de laboratório cheguem a 20 milhões de dólares até 2027. É uma fração irrisória do mercado de carne mundial, mas a tendência é de crescimento.

Enquanto isso, a aposta mais imediata no mercado de carnes alternativas são as empresas que produzem proteína à base de plantas. Segundo dados da consultoria Mordor Intelligence, o faturamento desse setor foi de 6,3 bilhões de dólares no ano passado e deverá chegar a 8,8 bilhões em 2024. Na liderança do mercado estão as startups americanas Impossible Foods — a mesma que vai fornecer hambúrguer vegetal à rede Burger King — e a Beyond Meat, que foi a primeira empresa do ramo a abrir o capital. Em maio, ela levantou mais de 240 milhões de dólares ao oferecer suas ações na Bolsa de Valores de Nova York. Seus hambúrgueres são feitos de soja ou ervilha e soltam até um sangue (composto de beterraba, no caso). O público-alvo não são apenas os vegetarianos e veganos. São também as pessoas que comem carne. “Se quisermos tratar com seriedade a questão da alimentação sus- tentável, temos de considerar essa reinvenção da carne”, diz o empresário Paul Shapiro, autor do livro Clean Meat (“Carne limpa”, numa tradução livre).

A possibilidade de mudar a forma como a comida é feita anima os investidores do Vale do Silício. Empresários como Bill Gates, fundador da Microsoft, e o britânico Richard Branson, do Virgin Group, são alguns dos que já apostaram nessas empresas foodtechs. Segundo dados da consultoria americana Crunch – base, 25 startups do ramo alimentício arrecadaram um total de 1,8 bilhão de dólares nos últimos dez anos. Entre elas chama a atenção a americana Finless Foods, que produz carne de peixe com as células dos animais. Seu objetivo é evitar os problemas associados à indústria de pescados, como o uso de hormônios ou a contaminação por mercúrio. O custo, também nesse caso, ainda é um problema. Segundo Michael Selden, co- fundador da Finless, a estratégia é posicionar-se no mercado de luxo. “Isso nos ajuda com a questão do preço e nos associa a um segmento de alta qualidade”, diz. E, como a legislação limita a quantidade de peixes pescados anual- mente, seus produtos também oferecem uma alternativa ao mercado.

Outra startup que tenta mudar a produção de alimentos chegou ao Brasil em março. A chilena The Not Company produz maionese vegana, feita de óleo de canola, grão-de-bico, sementes de mostarda, vinagre de uva e suco de limão. Por isso, a empresa diz usar 83% menos água e emitir 37% menos gás carbônico na fabricação em relação à maionese comum. A Not também tem outros produtos sem os ingredientes convencionais, como hambúrguer, chocolate, leite e sorvete. A startup atraiu o interesse até de Jeff Bezos, fundador da varejista online Amazon, que, com outros investidores, colocou 30 milhões de dólares na Not.

As grandes empresas da indústria de alimentos não estão paradas. A brasileira JBS, por exemplo, abriu recentemente um centro de pesquisa nos Estados Unidos, dentro da universidade estadual do Colorado. O investimento foi de 20 milhões de dólares. Lá, a empresa pretende estudar soluções para problemas do setor, criar novos produtos — como proteína à base de plantas — e melhorar o bem-estar animal. Para André Nogueira, presidente da JBS nos Estados Unidos, a indústria alimentícia terá de se tornar cada vez mais eficiente para atender à crescente população mundial. “Temos produtos de proteína vegetal na Austrália e na Europa, como uma salsicha que contém boa parte de ingredientes vegetais. Esse mercado ainda é de nicho e tem muito a se desenvolver para ter relevância comercial”, afirma Nogueira. Ainda assim, o caso das startups de comida é um exemplo de como a tecnologia pode trazer inovação a todo tipo de setor — incluindo os mais tradicionais, como o de alimentos.

BIFE SINTÉTICO

O mercado de carne feita em laboratório deverá ganhar corpo a partir de 2021

Do laboratório para o prato. 2

PROTEÍNA VEGETAL

A venda de carnes à base de vegetais, como hambúrgueres, deverá crescer a uma taxa de 7% ao ano até 2024

Do laboratório para o prato. 3

OUTROS OLHARES

RECICLAR FAZ BEM. PARA A IMAGEM

Empresas de diversos setores investem em ações de marketing contra embalagens e produtos de plástico. A natureza agradece, mas o que elas ganham com isso?

Reciclar faz bem.Para a imagem

Lixo que vira recompensa. É assim que funciona uma nova campanha de marketing da marca de sabão Omo. Com uma parceria firmada em abril, o consumidor pode levar suas embalagens vazias de Omo — e de outros produtos da fabricante de bens de consumo Unilever — a um dos cinco pontos de coleta da startup de logística reversa Molécoola para juntar pontos e trocá-los por produtos de empresas parceiras. O objetivo da ação é divulgar a maior reformulação no portfólio de Omo nos últimos 24 anos, com produtos que contêm ingredientes biodegradáveis e embalagens mais compactas. As garrafas são 100% recicláveis e utilizam plástico reciclado na composição. “Ao estimular a devolução da embalagem, a ideia é estruturar a cadeia e elevar o percentual de plástico reciclado nas garrafas”, diz Eduardo Campanella, vice-presidente de marketing de cuidados com a casa da Unilever.

A redução do uso de plástico — ou o aumento de sua reciclagem — é uma demanda social que tem pressionado cada vez mais as empresas. Segundo um estudo exclusivo, realizado pela empresa de tecnologia MindMiners, especializada em pesquisa digital, 87% dos consumidores no Brasil recomendariam a amigos e familiares os produtos de empresas que reduziram o uso de plástico ou reciclam o material. A atividade é importante também para a decisão de compra de 70% dos respondentes. “As empresas que conseguirem captar quais são os valores dos consumidores e se aproximar deles estarão em vantagem no mercado”, diz Beto Almeida, presidente da consultoria de marketing Interbrand. É fácil entender por que cada vez mais empresas estão engrossando o movimento pelo uso mais comedido do plástico. Cerca de 300 milhões de toneladas do material são produzidas no mundo todo ano, 20 vezes o volume nos anos 60. E estima-se que pelo menos 8 milhões de toneladas acabem chegando aos oceanos — e 100.000 mamíferos marinhos e tartarugas são encontrados mortos por ano em consequência da ingestão de microplásticos. A previsão é que, se continuar assim, até 2050 haverá mais toneladas de lixo plástico no mar do que peixes.

Para conscientizar a população sobre o problema, a marca de cervejas mexicana Corona, pertencente à Ambev, e a ONG Parley for the Oceans construíram há dois meses, na praia carioca de Ipanema, um muro de 15 metros de comprimento por 2 metros de altura com o lixo acumulado durante três dias na área. “Um dia o lixo deixado na praia impedirá que você entre nela”, diz um cartaz afixado perto do muro. A Corona partiu de uma vantagem para fazer essa ação: não usa embalagem de plástico, só vidro. A Ambev diz que faz sentido promover a destinação adequada do plástico. “O propósito da Corona é incentivar as pessoas a curtir a vida na natureza e, nesse contexto, a situação do plástico é preocupante”, afirma Bruna Buás, diretora de marketing de marcas premium da Ambev.

Atualmente, a discussão mais forte tem girado em torno dos canudinhos de plástico. Em São Paulo, a Câmara de Vereadores aprovou no dia 17 de abril um projeto de lei que proíbe o fornecimento desse utensílio em bares e restaurantes. Segundo a pesquisa da MindMiners com consumidores, 43% não usam nenhum tipo de canudo e 24% usam de outro material que não seja plástico. A maioria dos entrevistados diz que deixou de usar o canudo nos últimos seis meses. Mas o canudinho é só parte do problema. Para Bruno Igel, diretor da recicladora de plástico Wise, o importante é saber o que pode ser substituído por materiais mais sustentáveis e dar uma destinação correta ao insumo. “O plástico não é só um vilão. Ele também tem benefícios, como a leveza para o transporte”, diz Igel. Para ele, é preciso promover a cultura do reaproveitamento de plástico no Brasil, como ocorre com as latas de alumínio, cujo índice de reciclagem passa de 90%. Em contraste, menos de 10% do plástico é reciclado.

Algumas iniciativas podem ajudar a mudar o panorama. Neste ano, a maior campanha de marketing da Coca-Cola não será a do Natal, como ocorre tradicionalmente. O foco da marca é a divulgação, a partir deste mês, das garrafas plásticas retornáveis, lançadas em outubro de 2018. A intenção é incentivar a troca do vasilhame vazio de bebidas por outro cheio. O consumidor receberá, em média, 30% de desconto em qualquer refrigerante das marcas da Coca-Cola, e a empresa poderá usar a mesma embalagem até 12 vezes. Até 2020, a Coca-Cola vai investir 1,5 milhão de reais no país na compra de novas embalagens, na ampliação da linha e no auxílio às cooperativas de reciclagem. Globalmente, a companhia assumiu o compromisso de reciclar uma garrafa ou lata para cada unidade que vender até 2030. Só a Coca-Cola produz 200.000 garrafas de plástico por minuto no mundo. “Precisamos do apoio da população para reaproveitar o material”, diz Poliana Sousa, diretora de marketing da Coca-Cola. Para Almeida, da consultoria Interbrand, só convence o consumidor quem se mostra genuíno nas ações. “É um trabalho que exige continuidade. Não basta fazer uma campanha e não criar mecanismos que mudem o modus operandi em maior prazo”, diz ele.

Reciclar faz bem.Para a imagem. 2

TÊNIS SUSTENTÁVEL

Outro setor bastante ativo na causa da redução do uso de plástico é o da moda. A fabricante alemã de material esportivo Adidas já colhe resultados com produtos ligados à sustentabilidade. Em 2015, a marca lançou o primeiro conceito de tênis de alto desempenho feito com plásticos retirados do oceano. Neste ano, vai produzir 11 milhões de pares desse modelo. O sucesso motivou a criação de um tênis 100% reciclável. “A decisão de desenvolver o produto nasceu do desafio de acabar com o plástico em aterros e oceanos”, diz Graham Williamson, diretor global de inovação em roupas da Adidas. O tênis 100% reciclável, anunciado em abril, será inicialmente um item para poucos: está prevista a confecção de somente 200 pares até 2021.

“Não se trata apenas de lançar um produto sustentável, mas também de um novo modelo de compra”, diz Williamson. “Para conseguir a adesão das pessoas, queremos promover um consumo mais consciente.” Na extensa cadeia da moda, a agenda sustentável já chega à indústria química, caso da brasileira Braskem. Há três anos, a empresa patrocina a São Paulo Fashion Week com uma pegada ecológica. Entre as ações está a impressão 3D de botões de plástico verde, obtido da cana-de-açúcar. Além disso, desde 2018, os jovens estudantes de moda receberam o desafio de apresentar peças de roupa produzidas com fios oriundos do plástico reciclado de material descartado na edição anterior da São Paulo Fashion Week. Neste ano, na edição que ocorreu em abril, o lixo plástico foi novamente coletado e será usado na confecção de peças para o evento que se dará no segundo semestre. “Com a economia circular, estimulamos a cadeia produtiva sustentável em diversos setores”, diz Ana Laura Sivieri, gerente de marketing global da Braskem. Iniciativas como essas mostram que a fidelização do consumidor e a promoção da imagem da empresa podem caminhar lado a lado com o propósito de preservar o planeta.

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 CONSUMIDORES MAIS CONSCIENTES

Pesquisa exclusiva revela o que pensam os clientes na hora das compras que envolvem plásticos

 

  • Para 70% dos consumidores, é importante, na hora de comprar, saber que a marca trabalha pela redução ou reciclagem do plástico;
  • 87% dos entrevistados recomendariam a amigos ou familiares os produtos de empresas que reciclam ou reduziram o uso de plástico;
  • No último ano, 37% dos consumidores deixaram de comprar produtos que usam plástico;
  • O canudo de plástico, por exemplo, foi abandonado por 63% dos entrevistados

GESTÃO E CARREIRA

”SOU LEGAL, MAS SOU SUA CHEFE”

Entender quais são os limites dos relacionamentos pessoais e profissionais é essencial para os líderes e para as equipes.

Successful company achieving goals with determined staff

A geração Y é bastante questionada, acusada de ser problematizadora, de não gostar de trabalhar ou de trabalhar errado. Recentemente li uma entrevista com Lúcia Costa, diretora executiva da Stato, consultoria de RH, dizendo que “‘esses jovens têm potencial, boa formação, têm tudo para dar certo, para ajudar a empresa e a área, mas, em vez disso, ficam focados no que não têm, no que não está dando certo”. Mesmo tendo nascido na década de 90, mais precisamente em 1994, talvez tenha de concordar em parte com esses argumentos. Um deles tem a ver com o modo como essa geração enxerga a liderança.

Tenho alguns negócios na área de comunicação, tecnologia e cultura – e geri-los não é fácil. Primeiro, porque estou num cargo de liderança aos 24 anos. Segundo, porque já ouvi que sou tão legal que nem pareço chefe. Deve ser porque falar mal dos gestores é um comportamento tão unânime que, quando surge alguém agradável, as pessoas não sabem como lidar com isso.

Não vou tentar diferenciar chefe de líder. Isso eu deixo para vocês. Mas numa organização, mesmo não havendo hierarquia definida, todo mundo sabe quem é a pessoa com o poder da caneta para contratar, demitir, dar feedback, e por aí vai. Não vamos romantizar. Empresa é empresa, mesmo que tenha um ambiente mais confortável e acolhedor. E talvez seja esse discernimento que a geração Y tenha perdido no meio do caminho.

Confesso que não sei qual é a melhor forma de gerir uma empresa, mas continuo ouvindo as pessoas, perguntando se elas precisam de ajuda em determinado trabalho ou se está tudo bem. Isso me deixa numa linha tênue entre parecer ou não uma chefe, mas não tira minha função de sócia ou CEO da empresa.

Já conversei com alguns fundadores e a maioria afirma que, em várias situações, gostaria de dizer “sou legal, mas sou seu chefe” para que entendessem que há um limite entre o que se fala no ambiente de trabalho e fora dele.

Mesmo tentando pontuar que nem tudo precisa ser verbalizado, muitos profissionais não compreendem essa fronteira e fazem comentários impróprios, que podem até causar demissão por justa causa. Não estou dizendo que não haja possibilidade de ter amizades entre líderes e liderados. Porém, existem limites.

Não há regras para manter uma relação pessoal e profissional equilibrada. Mas é necessário ficar atento e atenta às entrelinhas. Se você é funcionário, saiba que é possível evitar situações constrangedoras. Para isso, não exceda na intimidade e não se vanglorie da liberdade. E, se você faz parte da minha geração, pode ficar tranquilo, essa síndrome de “sou amiga da chefe” afeta todas as gerações. Em todo local de trabalho existe, pelo menos, uma pessoa assim. Para sorte dos jovens, isso não é um desastre exclusivamente nosso. Mas podemos aprendera não cometer esse equívoco. Até porque ”sou legal, mas sou sua chefe”.

 

MONIQUE EVELLE – escreve sobre empreendedorismo e inovação. É idealizadora da desabafo social e da Evelle, além de sócia da Sharp e da Conta Black.

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 29 – O SEGREDO DA COLETA DO MANÁ

 

Quando você estiver desesperado por Deus, ficará dependente do poder de sustentação diário de sua Palavra. Sua fonte de sobrevivência será eu maná diário – alimentar-se da Palavra de Deus. Sabemos que a validade do maná do deserto era de apenas um dia; se fosse guardado para o dia seguinte, ele apodreceria (Êxodo 16.12-31). Ainda é verdade que a alimentação feita ontem da Palavra não nos sustenta hoje. E uma das principais funções do lugar secreto é fornecer alimento fresco da Palavra de Deus todos os dias.

Provérbios 16.26 diz: “O apetite do trabalhador o obriga a trabalhar; a sua fome o impulsiona”. É nossa fome pela Palavra de Deus que nos impulsiona ao lugar secreto. Quando estamos espiritualmente famintos, somos energizados para trabalhar na Palavra. A ausência de fome é um sinal de perigo.

Quando alguém está doente, geralmente o primeiro sintoma que aparece é a perda de apetite. Aqueles que perdem o apetite espiritual precisam de um exame médico, espiritualmente falando. Seria um pecado cancerígeno destruindo a vitalidade espiritual? O que se aplica ao estado carnal também se aplica ao espiritual. Há uma grande chance de nosso apetite espiritual ser restaurado

se bebermos bastante água (o Espírito Santo), descansarmos adequadamente (parar de fazer nossos próprios trabalhos), nos exercitarmos na Palavra e evitar­ mos comidas que não são saudáveis (péssimas substituições). A fome espiritual é absolutamente essencial para a saúde espiritual, porque sem ela não seremos motivados a nos alimentar do maná da Palavra de Deus.

É essencialmente importante que cada um de nós aprenda como coletar maná para si. Aqueles que consideram o sermão de domingo de manhã como sua única fonte de nutrição, certamente se tornarão esqueletos espirituais. Deus nunca planejou que vivêssemos da vida secreta de nosso pastor. Ele quer que descubramos por nós mesmos a emoção vitalizadora de nos alimentarmos diariamente de sua Palavra.

Quando você aprender a se alimentar da Palavra, deixará de ficar chateado porque o sermão de domingo não se aplica a sua vida. Ele deixará de ser sua única fonte de alimentação e vida. Se algo no sermão o alimentar, você poderá considerar como um bônus. Mas não dependerá mais das outras pessoas para lhe darem leite, porque terá aprendido a cortar o seu próprio bife. Muitas pessoas têm expectativas equivocadas sobre o que é o culto de domingo de manhã. Elas procuram um lugar para serem ensinadas na Palavra, para serem alimentadas, e um lugar para seus filhos serem ensinados e fortalecidos. Mas, geralmente, esperam receber no culto o que Deus pretendia que recebessem no lugar secreto e no “altar familiar”. Eu chamo de altar familiar os momentos diários em que os pais ficam sentados com seus filhos para instruí-los na Palavra e orarem juntos, de acordo com o mandamento das Escrituras. Quando depositamos expectativas mais altas no culto de domingo de manhã do que ele pode nos oferecer, podemos facilmente nos tornar críticos ou até mesmo cínicos em relação ao corpo de Cristo (uma doença que pode ser terminal e altamente contagiosa, especialmente para nossos filhos). Não é difícil aprender a coletar o maná. Apenas vá até ele e comece a coletar. Pegue sua Bíblia e comece a trabalhar nisso. A princípio você vai se sentir desajeitado, mas continue perseverando. Quanto mais você trabalhar na Palavra, mais habituado se tornará a coletar a porção diária que satisfará a sua alma.

À medida que você perseverar, descobrirá que o Senhor designou o lugar secreto para satisfazer seu coração pelo menos de três maneiras, que estão descritas a seguir.

ALIMENTAR-SE DA PALAVRA

Diz-se daquele que teme a Deus: “Ao contrário, sua satisfação está na lei do SENHOR, e nessa lei medita dia e noite. É como árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera!” (Salmos 1.2-3). À medida que meditamos e nos alimentamos da Palavra de Deus, ficamos parecidos com árvores que produzem fruto, porque temos nutrientes fluindo dentro de nós.

BEBENDO DO ESPÍRITO

Jesus disse: “Mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” Qo 4.14). O Espírito Santo é como a água que nos ajuda a engolir o maná da Palavra. A Palavra deve ser sempre ingerida juntamente com a água do Espírito.

CULTIVANDO UM RELACIONAMENTO DE CONHECIMENTO COM DEUS

Hebreus 8.11 cita o Antigo Testamento: “Ninguém mais ensinará o seu próximo, nem o seu irmão, dizendo: ‘Conheça o Senhor’, porque todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior”. Deus deseja conduzi-lo a um lugar oculto onde você desenvolverá sua própria e exclusiva conexão com Ele, e passará a conhecê-lo de forma totalmente independente de qualquer outra pessoa. Ele deseja que você desenvolva sua própria fórmula secreta de se comunicar com Ele e conhecê-lo. Nenhum homem poderá ensiná-lo a encontrar esse conhecimento e a relacionar-se com Deus; o próprio Espírito Santo será seu professor. Tudo o que você precisa fazer é fechar a porta.

Oh, as incríveis profundidades de comunicação que podemos encontrar no lugar secreto – sem mencionar a ingestão do delicioso alimento espiritual! A partir do momento em que encontramos essas coisas no lugar secreto e conduzimos nossa família nelas, as reuniões de domingo de manhã podem passar a desempenhar seu devido papel em nossas vidas: um lugar onde Deus é glorificado e ministrado; um lugar onde podemos incentivar e apoiar outras pessoas; um lugar onde a visão de nosso corpo coletivo é articulada; um lugar onde nossa unidade é construída; um lugar onde é feita a oração em grupo; um lugar onde o jovem e o fraco são fortalecidos e encorajados; e um lugar onde os que buscam podem se achegar a Cristo. Apenas mais um pensamento rápido. Lembro-me dos dias quando eu, como pastor, compilava a Palavra diariamente para obter material potencial para o sermão. Estava sempre em busca de verdades que alimentariam minha congregação. Mas, então, Deus me deteve e mudou a forma como eu vinha até a Palavra. Agora leio a Bíblia somente para mim. Tenho tanta fome de Deus que todos os dias preciso ser sustentado pelo maná fresco da Palavra. Se não obtenho meu maná para o dia, fico um pouco irritadiço. Agora, coleto maná somente para mim.

Mas veja outra coisa interessante que descobri: quando compartilho com outras pessoas o maná que me alimenta, ele também as alimenta! Na verdade, descobri que as outras pessoas parecem ficar muito mais alimentadas quando compartilho com elas o que primeiramente me sustentou.

O segredo é: aprenda a coletar o seu próprio maná. Então, você terá algo para compartilhar com as outras pessoas.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PSICOLOGIA NA PRÁTICA DO ESPORTE – I

Hoje, há consenso sobre a influência do desempenho mental na atuação dos competidores de alto nível, mas o equilíbrio emocional é determinante também para o sucesso pessoal

Psicologia na prática do esporte

PARA UMA BOA PERFORMANCE NA VIDA

O esporte é um dos principais fenômenos socio- culturais desde a Grécia Antiga. Hoje, certamente, muitos atletas são referência para pessoas que nem sempre são esportistas, mas simpatizam com filosofias que o esporte carrega como foco, atenção, determinação, superação, entre outros. A grande maioria dos atletas medalhistas, por exemplo, se tornam ídolos e até popularizam esportes antes não tão admirados, como aconteceu com Gustavo Kuerten na época em que se tornou o melhor tenista do mundo e também o espelho até mesmo para crianças, que trocaram a adoração pelo futebol por essa modalidade. Mas Guga é só um dos exemplos. O esporte brasileiro – e mundial – tem muitos outros atletas modelos.

Porém, há casos conhecidos em que o esportista apresenta seu melhor momento físico, técnico e tático, entretanto, por diversos fatores, não trabalha bem seu aspecto emocional e este é, sem dúvida, o grande diferencial nas competições. Aquele que estiver preparado psicologicamente terá resultados melhores. Há inúmeras variáveis que podem influenciar positiva ou negativamente a atuação de um atleta ou da equipe. Todos os competidores, desde os grandes favoritos aos iniciantes, sofrem influências, e as pessoas mais equilibradas emocionalmente, naqueles momentos decisivos, é que se consagrarão. E essa lógica serve para a vida também, seja no campo pessoal, profissional, em família etc.

Voltando ao esporte, podemos dizer que esta não é ciência exata; ele é sempre executado por humanos e, por isso mesmo, a imprevisibilidade está presente nos ginásios, nas piscinas, nas pistas, nos campos. O comportamento mental, comprovadamente, influência de maneira definitiva a performance de alguém em qualquer área da vida, que dirá nas competições esportivas. Nossa paixão nacional, o futebol, nos mostrou de forma dolorosa, como um desfecho mal elaborado pode desestabilizar 11 homens em menos de 15 minutos. E afetou também o equilíbrio emocional de uma legião de torcedores.

Foi a partir desse evento, na Copa do Mundo sediada no Brasil, com os “donos da casa” derrotados por um placar vergonhoso, que vimos crescer o debate sobre a atuação de psicólogos esportivos, uma área bem reconhecida em outros países, mas que ainda é pouco explorada no Brasil. De modo geral, todos sabem da importância da prevenção psicológica no esporte, porém, na prática, poucas equipes efetivamente preparam seus atletas devidamente.

Psicologia na prática do esporte. 2

ESTÍMULO ÀS HABILIDADES PSICOLÓGICAS

Segundo Rudik, o rendimento esportivo máximo é alcançado quando os atletas atingem uma forma esportiva caracterizada por vários aspectos, entre eles: melhora da atividade total da consciência, aumentando a velocidade das reações motoras; processos de percepção produzidos com rapidez, tornando-se mais claros e eficazes e aumento da atenção e melhorando a capacidade de distribuí-la ou concentrá-la, elevando também a capacidade de alterar rapidamente o foco de atenção de um objeto para outro; aumento da capacidade de realizar esforços volitivos máximos de confiança em suas próprias forças e de vontade da vencer.

Balague coloca que cada fase do treinamento tem requisitos psicológicos diferentes e, por isso, para que se obtenha um ótimo rendimento é necessário que as habilidades psicológicas sejam estimuladas e desenvolvidas conjuntamente com as capacidades físicas e as habilidades técnicas e táticas.

Para Korsakas e Marques, “se a periodização compreende o planejamento do treinamento esportivo, quando se fala sobre a preparação psicológica integrada aos outros processos desse treinamento, não poderíamos tratá-la de forma diferente. Basicamente por dois motivos: o primeiro pela necessidade de combinar a preparação do atleta considerando-o como uma totalidade, que atuará empregando todo o seu potencial (aspectos físicos, técnicos, táticos e psicológicos) na busca dos objetivos da competição; o segundo pela necessidade de utilizar a preparação psicológica adequadamente, sem acreditar que palestras motivacionais, filmes ou conversas isoladamente poderiam dar conta de uma preparação com qualidade”.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MUDANÇA DE GÊNERO

A identidade de gênero diz respeito às características sexuais biológicas e, nesse sentido, há diferenças fundamentais entre a natureza do homem e a da mulher

Mudança de gênero

Recentemente jornais e canais de televisão noticiaram que um menino com 5 anos de idade ganhou na justiça o direito de ser tratado, na escola, pelo gênero feminino. Para lembrar, no dia 29 de janeiro, um juiz do Mato Grosso autorizou a mudança do gênero sexual de uma criança de 9 anos, que nasceu com o sexo masculino, afirmando em sua sentença: “A personalidade da infante, seu comportamento, aparência, remetem, imprescindivelmente, ao gênero oposto de que biologicamente possui”. Correto? Para nós, não, pois gênero não se muda, sobretudo de crianças, que são imaturas física e mentalmente.

As características sexuais biológicas possuem diferenças fundamentais entre a natureza do homem e a da mulher, que independem do meio social e da criação familiar. O gênero “masculino” e “feminino” vão se desenvolver conforme o biológico do indivíduo: pênis, bolsa escrotal e escroto, enquanto o feminino possui vagina, útero e ovários, além de haver diferenças cromossômicas.

Porém, como a natureza não é maniqueísta, pois natura non facit saltus (a natureza não dá saltos), existe o meio-tom, a aurora, o cinza, qual os estados intersexuais da espécie humana. São três os principais transtornos de identidade de gênero: Transexualismo, Travestismo e Intersexualismo. Aqui, o que nos interessa é o transexualismo, que consiste em reconhecer em um ente humano, com genital externo de um tipo, um psiquismo nitidamente ao contrário. Essa defasagem entre corpo e psique é o que define o transexual.

Esse tema é de grande importância em Psiquiatria Forense, pois peritos são consultados para saber se determinado indivíduo é ou não portador de transexualismo, visando, basicamente, três itens:

1º – autorização para operação plástica para criação de neovagina (no caso de ter nascido com pênis) ou implantação de prótese peniana (no caso de ter nascido com vagina);

2º – mudança de nome;

3º – mudança de gênero.

Para nós, caso se trate de fato de transexual, a cirurgia pode ser autorizada, assim como o nome pode e deve ser mudado; porém, quanto à mudança de gênero por via judicial, não. É preciso lembrar que a definição de sexo (masculino-feminino, macho-fêmea) é um determinismo biológico que se estabelece nas primeiras semanas de vida intrauterina.  Assim, a determinação biológica não pode ser um ato de vontade que o indivíduo escolhe ou que a autoridade constituída muda por via legal. É preciso respeitar a lei da natureza, que é pétrea. E mais ainda, se for mudado o gênero, redesignado o sexo jurídico, haverá implicações altamente complexas para, por exemplo, casamento (com possível questão de erro essencial sobre a pessoa quanto à identidade), prazos para aposentadoria (no Brasil é diferente para homem e para mulher), nas competições esportivas (a inscrição de um  transexual masculino operado e juridicamente do sexo feminino poderia prejudicar as mulheres). E lembrar também que se o transexual, antes da mudança jurídica de gênero, tiver filho e o seu nome de batismo constar da certidão de nascimento da criança, certamente haverá implicações legais e psicológicas sérias.

Portanto, mesmo com a operação e a mudança de nome, mantém-se juridicamente o gênero cromossômico, físico, biológico que a natureza lhe deu.

GESTÃO E CARREIRA

DE CARONA COM O UBER

Alugando carros para motoristas de aplicativos de transporte urbano, a PPCar prevê triplicar o faturamento neste ano, para mais de 100 milhões de reais – e expandir-se pela América Latina.

De carona com o uber

Quando completou 13 anos, o português Alexandre Ribeiro iniciou uma contagem regressiva. Faltavam-lhe 1.825 dias para tirar a carteira de motorista. Cinco anos depois, lembra, no dia zero de sua contagem, lá foi ele se matricular na escola de condução em Lisboa. Os tempos mudaram, é claro. Hoje em dia, é crescente o número de jovens que não dão a menor bola para ter carro. Graças a essa mudança dos tempos, Ribeiro agora, aos 44 anos, faz outra contagem, desta vez progressiva: quer chegar aos 10.000 carros até o fim do ano. Não para ele, obviamente. Ribeiro é fundador e sócio majoritário da PPCar, uma locadora de automóveis especializada em atender motoristas de aplicativos de viagens, como Uber, 99 e Cabify. O objetivo é mais do que triplicar a oferta de carros (hoje a PPCar tem quase 3.000) e elevar o faturamento da empresa dos 30 milhões de reais em 2018 para mais de 100 milhões em 2019. Para um negócio de apenas dois anos e meio de vida, não está nada mal.

A história da PPCar começou em 2016. Ribeiro, que iniciara a vida adulta trabalhando como consultor de vendas e aos 25 anos montara o próprio negócio de criar games para treinamento em empresas, já morava no Brasil – veio para fazer um projeto para a rede de hotéis Accor e acabou ficando (e casando com uma brasileira). Inquieto, fez um curso na Universidade Singularity, na Califórnia, e saiu decidido a aproveitar as oportunidades da economia compartilhada.Comprou dez carros e contratou motoristas que os dirigissem. “Nem era para ganhar dinheiro”, afirma. “Eu queria entender se havia uma oportunidade.”

Havia. Naquela época, os aplicativos de transporte por automóvel contavam com cerca de 500.000 motoristas no Brasil. Hoje, são mais de 1 milhão. Não só o crescimento é explosivo. Ribeiro também percebeu que os motoristas careciam de educação financeira. A maioria deles não colocava em suas contas os gastos com manutenção, seguro, IPVA, troca de carro. Achavam que seus rendimentos eram líquidos e, lá na frente, tinham de arcar com custos repentinos, para os quais não se haviam planejado.

Feitas as contas, segundo Ribeiro, alugar é muito mais vantajoso do que comprar um carro para fazer o serviço. Primeiro, porque uma empresa consegue descontos da fábrica, pelo volume das encomendas. Além disso, o custo do dinheiro é menor para empresas do que para pessoas físicas; o IPVA é praticamente a metade; os custos de manutenção, devido à escala, são menores; e o seguro pode ser feito pela própria empresa, também com significativa economia. Passado o período de experiência com os motoristas contratados, com receita de 40.000 por mês, Ribeiro decidiu montar a PPCar, com 50 automóveis. Negociou um acordo com a Cabify, que pagava diretamente à PPCar. Esta repassava o pagamento aos motoristas depois de descontar o aluguel do carro. Em um ano, a PPCar cresceu cerca de 20 vezes, mas Ribeiro percebeu que aquele não era o melhor sistema do mundo. Tinha pelo menos três problemas. Primeiro, o risco trabalhista: como sua empresa recolhia o dinheiro e repassava aos motoristas, era mais fácil caracterizá-los como empregados da PPCar, o que poderia levar a um passivo trabalhista. Em segundo lugar, a prestação de contas era um inferno: a cada semana, seu departamento financeiro tinha de emitir as notas e justificar os ganhos e gastos para cada motorista. Finalmente, o sistema era sujeito a fraudes; nada impedia que os motoristas usassem outros aplicativos e ganhassem por fora, escapando ao controle da PPCar.

Em outubro de 2017, Ribeiro promoveu o que no mundo das startups é conhecido como “pivotagem”: um ajuste buscando outro mercado ou outra forma de atuação. Encerrou os contratos e praticamente começou de novo, com um modelo de aluguel “puro”. O desafio era conquistar clientes (os motoristas) concorrendo com locadoras tradicionais com até 100 vezes mais automóveis do que a PPCar (a Localiza, por exemplo, tem uma frota de cerca de 250.000 carros).

A vantagem da PPCar é a especialização. Seu aluguel é até um pouco mais caro, mas inclui uma quilometragem maior, visando a quem vai rodar 10 ou 12 horas por dia. A cobrança do aluguel é semanal, porque os aplicativos também pagam por semana. Os carros são 1.0, novos e econômicos (parte deles, ainda em fase de teste, roda com gás). Não há carros com placas de final 9 e O, sujeitos a rodízio às sextas-feiras em São Paulo. E o mais importante: não é preciso comprovar boas condições financeiras, basta uma caução de 1.000 reais. “Estamos dando crédito a quem não tem”, afirma Ribeiro. “Muitos de nossos motoristas não teriam condições de ter um carro próprio, ainda mais um zero-quilômetro.”

Essas condições são possíveis porque a PPCar montou uma operação totalmente voltada para os aplicativos. Um dispositivo instalado nos carros permite à empresa localizá-los a qualquer momento. “De 120 casos de roubo, nós recuperamos 100”, diz Ricardo Vilela, diretor de tecnologia da empresa. O mesmo dispositivo permite bloquear o carro a distância. Ou seja, se o boleto da semana não for pago, o carro não anda.

A confiança no crescimento do mercado dos aplicativos de transporte é tanta que a PPCar já se internacionalizou. A operação em Portugal começou em janeiro de 2018, e a do México, em junho. No Brasil, a empresa atua em quatro cidades (São Paulo, Rio, Santos e Porto Alegre). A ideia é expandir para mais seis cidades no país e outras seis na América Latina. Os motoristas também participam do crescimento, pela estratégia do marketing multinível: quem indicar um novo motorista ganha 4% de comissão sobre o aluguel do indicado, 3% sobre os pagamentos do indicado, numa escadinha que vai até o quarto nível. “A gente está distribuindo o sucesso também entre os motoristas”, diz Ribeiro. A única sombra nessa expansão toda é a expectativa de um futuro não muito distante em que os carros trafeguem sem motoristas. Ribeiro não parece muito preocupado. Diz que já está formulando um plano para a próxima pivotagem.

De carona com o Uber. 2

OUTROS OLHARES

O NOVO PESO DO QUILO

Após mais de um século, pesquisadores reformulam o modo de quantificar a massa – algo presente na rotina de todos nós e que baseia estudos científicos

O novo peso do quilo

“Ter um sistema de unidades para todos os tempos e todas as pessoas.” Assim o físico alemão Stephan Schlamminger, do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologias dos Estados Unidos, resumiu, em entrevista, o objetivo por trás do processo que, na segunda-feira 20, culminou na redefinição do quilograma. Desde 1889, um cilindro composto de uma mistura dos metais irídio e platina – conhecido como Le Grand K (O Grande K, em francês) – era a representação concreta do que seria 1 quilo (1 kg). Trancado em um cofre parisiense, o objeto recebia visitas frequentes de cientistas de todo o mundo, que, trazendo consigo seus padrões nacionais de medida de massa, os ajustavam de acordo com o célebre cilindro. Até que surgiu um inusitado problema: com o passar do tempo, o Le Grand K deixou de ter 1 quilo.

Em 1990 descobriu-se que o cilindro havia perdido 50 microgramas – a massa de um cílio – devido à deterioração. Para a ciência, era inaceitável: um 1 kg não tinha mais… 1 kg! Pesquisadores passaram a buscar uma solução para o caso. A ideia vitoriosa foi atrelar a medida a uma constante da natureza. Escolheu-se relacionar o quilo à quantidade de átomos. Em novembro, chegou-se à criação de uma simbólica esfera de silicone com o número de partículas que se queria. O novo quilo foi anunciado no dia em que também se reformularam o ampere (unidade decorrentes elétricas), o kelvin (de temperatura) e o mol (quantidade de substâncias químicas em moléculas). Com o kg redefinido, quando você for se pesar na farmácia, em breve o resultado será mais preciso.

O novo peso do quilo. 2

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 28 – O SEGREDO DO DESESPERO

 

PARTE IIII

DEFININDO UM RITMO DE MARATONA

Na Parte II, consideramos algumas dicas práticas para aproveitar ao máximo o lugar secreto. Agora, vamos nos perguntar como podemos preparar nosso coração para assumirmos um compromisso vitalício com o lugar secreto. Não queremos meramente uma explosão de energia nova, somente para vê-la se dissipar em algumas semanas. Desejamos a resolução de buscar a Deus no lugar secreto todos os dias de nossas vidas até sermos chamados de volta para casa.

 

Por muitos anos fui muito disciplinado em minha vida devocional, pois estava determinado a, diariamente, passar um período lendo a Palavra e orando. A cada ano lia a Bíblia inteira em uma tradução diferente.

Adorava o Senhor com louvores e orava por uma longa lista de pessoas. Entretanto, eu ainda não tinha descoberto as maiores alegrias do lugar secreto até o Senhor me conduzir a uma jornada não planejada. Ele permitiu que a calamidade sobreviesse em minha vida a ponto de quase me traumatizar. Minha vida ficou fora de controle e minha própria sobrevivência (espiritual) estava em jogo. Freneticamente, comecei a me esforçar e a buscar o coração de Deus, lendo a Bíblia de capa a capa, tentando compreender os caminhos dele. Parecia que estava lutando para conseguir um pouco de ar como um homem que se afoga.

Para fazer uma colocação simples, eu estava desesperado. Foi nessa busca desesperada por Deus que o lugar secreto começou a florescer para mim como uma flor no deserto. O que fez a diferença em minha própria jornada? Em uma só palavra: desespero.

O desespero muitas vezes nos transforma em pessoas diferentes. Um homem se afogando tem apenas um pensamento – como conseguir ar. Nada mais importa para ele. As prioridades da vida tornam-se muito simples. A mulher que sofria de hemorragia, em Marcos 5.25, estava ansiosa por passar por entre a multidão, porque a única coisa que importava para ela era tocar em Jesus. O desespero produz uma visão afunilada.

Quando Deus afugentou o exército sírio da cidade de Samaria, os israelitas de Samaria estavam tão desesperados de fome durante o cerco que atropelaram o oficial junto à porta da cidade em sua pressa para buscar alimentos (veja 2 Reis 6-7).

Quando você fica desesperado por Deus, sua busca por Ele assume uma qualidade diferente. Quando sua sobrevivência está em jogo, você começa a buscar Jesus de uma forma diferente. Você fica com um olhar que parece meio amalucado para as outras pessoas. Fica disposto a ir a qualquer lugar ou fazer qualquer coisa. Nenhum preço é alto demais. Você olha para a outra pessoa e pensa: “Eu o amo, o respeito, o considero uma ótima pessoa – mas se não sair do meu caminho, vou passar por cima de você, porque eu tenho de conseguir tocar em Jesus!”.

Fontes de entretenimento banais, como televisão e filmes, terão que ser abandonadas.  Convites para festas serão rejeitados. Algumas pessoas podem começar a se afastar, porque você não é mais tão engraçado como costumava ser. Mas isso é irrelevante para você, porque está desesperado por Deus. Nada mais importa agora, a não ser tocar a orla das vestes de Jesus. As pessoas desesperadas não lutam contra as mesmas distrações e dificuldades que as pessoas em geral. Uma pessoa desesperada nunca diria: “Eu me esforço para encontrar tempo para ir ao lugar secreto”. Ou: “Eu me distraio facilmente por causa dos afazeres diários”. Essas pequenas distrações jamais atrapalhariam alguém que está desesperado. As dificuldades normais da vida não chegam nem a incomodar uma pessoa desesperada, por causa da intensidade de foco em sua busca.

Quando você começa a buscar a Deus com esse tipo de desespero, ventos espirituais poderosos começam a soprar em sua vida. Você está deflagrando uma tempestade! As coisas começam a mudar dentro de você com uma rapidez inigualável.

A atividade dos anjos (tantos bons quanto maus) ao seu redor torna-se intensa, mesmo que você não se dê conta. Você ganha a atenção do céu e do inferno. Problemas que estão cozinhando em fogo brando por muitos anos repentinamente chegam ao ponto de ebulição, gritando para serem solucionados. Você se vê cercado pela suspeita e pela vergonha. Deus o coloca em sua classe avançada e a velocidade da transformação e transição em sua vida é vertiginosa.

E o que acontece em seu interior? Você está sendo avivado pela Palavra de Deus! Ela está alimentando e sustentando você. Novas percepções estão eletrizando e carregando você. A proximidade da presença de Deus começa a contagiá-lo. A revelação do amor de Deus está redefinindo seu relacionamento com Ele. A compreensão de seu coração e propósitos está lhe dando uma perspectiva inteiramente nova sobre o Reino de Deus. Você está ficando “viciado” nas glórias do lugar secreto!

Alguém lendo essas palavras pode pensar agora: “Senhor, como posso provar as coisas que Bob está mencionando aqui?”. Eu posso falar apenas a respeito de minhas experiências pessoais. Não havia nada que eu pudesse fazer para provar desse desespero. Precisei da intervenção divina. Eu precisava dele para me deixar desesperado. Eu o invoquei e Ele me respondeu. Isso tudo começa e termina no coração de Deus, pois é quem efetua “tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele” (Filipenses 2.13).

Estou convidando você a fazer uma oração louca – uma oração arriscada: “Senhor, torne-me desesperado por você!”. Se você clamar do fundo de seu coração, Ele o ouvirá. Ele sabe exatamente onde você está e o quanto pode suportar. Ele pode elaborar uma resposta para essa oração que produzirá um grande choro de desespero dentro de sua alma. Ele sabe como nos deixar famintos!

Você não precisa temer as consequências desta oração de santa consagração, porque “o perfeito amor expulsa o medo”. O amor perfeito sabe que tudo o que vier da mão de Deus é para o nosso benefício, portanto, o amor perfeito não teme nada que Deus faça para gerar uma maior devoção e consagração de nossa parte. Deixe Deus aperfeiçoá-lo em seu amor de forma que você possa receber de braços abertos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Quando entramos em um período de sofrimento, nossa primeira reação é clamar por alívio. Entretanto, Deus nem sempre traz alívio imediato, porque pretende que esse sofrimento produza desespero dentro de nós.

Esta verdade me faz lembrar de um diálogo recente que tive com uma amiga, Cindy Nelson. Cindy teve uma enfermidade em seu corpo por muitos anos e, então, foi completamente curada. Ela ficou profundamente grata a Deus por sua cura e passou a ministrar às pessoas que convivem com dor crônica. Entretanto, suas observações sobre sua vida secreta com Deus, desde a sua cura, me intrigaram bastante. Ela me autorizou a reproduzir seu e-mail exatamente como foi escrito:

Apenas recentemente percebi que perdi o desespero que costumava ter de buscar a Deus antes de Ele ter me curado. Lembro-me de depender de cada palavra, cada sopro de Deus para me sustentar. Eu forçava os portões do céu para ouvi-lo. Para ouvir esperança, força, paz, algo que me assegurasse de sua presença e me mantivesse caminhando. Minha necessidade era tão grande e eu sabia que somente Ele poderia atender minhas necessidades. Ainda sei disso, mas me tornei menos dependente dele. Recentemente tive de me arrepender. Eu não quero necessariamente outra tragédia em minha vida para me fazer voltar a ter aquele desespero. (Sei bem disso.). Mas sei que momentos de dificuldade revelam a dependência de uma pessoa por Deus. Em alguns aspectos acho que meus devocionais eram mais ricos em comparação com os de agora. São diferentes. Menos intensos, na verdade. Essa é a única maneira que posso descrevê-los.

Já li histórias de cristãos que permaneceram presos por muitos anos por causa de sua fé e que, após a libertação, lamentaram a perda da intimidade com Deus que tinham na prisão. O Senhor estava tão perto deles no cárcere e depois, em liberdade, tudo tinha ficado diferente. Eles haviam perdido a antiga intimidade de tal forma que alguns chegaram a desejar voltar para a prisão! Apesar de nenhum de nós pedir dificuldades a Deus, não podemos negar o fato de que as dificuldades produzem desespero que, por sua vez, produz intensa intimidade.

Não estou dizendo que a dificuldade é o único caminho para o desespero. Deus tem muitas formas de responder às nossas orações. Mas estou dizendo que um dos maiores segredos para liberar a vida interior com Deus é através do desespero.

O sábio buscará a Deus com anseio desesperado. Este é o caminho para a vida.

OUTROS OLHARES

INFORMAÇÃO TÓXICA

Quem acessa as redes sociais, principalmente as crianças, precisa tomar cuidado com vídeos que estimulam a compra e o manuseio de produtos com substâncias desconhecidas

Informação tóxica

O aparentemente inofensivo e ingênuo “faça você mesmo” pode se tornar uma armadilha perigosa. Há vídeos tutoriais na internet que orientam os leigos a fazer qualquer coisa sem levar em consideração o risco do manuseio de produtos e equipamentos e a habilidade de quem está assistindo. Se a pessoa quer aprender a fazer algo, basta fazer uma busca. Sempre haverá alguém para ensinar. Porém, na selva das redes sociais, há informações irresponsáveis que podem levar a acidentes e causar danos à saúde, principalmente das crianças. Um caso recente, o slime, que parecia apenas uma brincadeira pueril, se tornou uma febre. Crianças de todas as idades, acompanhadas ou não de adultos, aprenderam a fazer a mistura de cola branca, corante e um ativador para produzir a conhecida e instigante geleca.

 ESTRATÉGIA SELVAGEM

O problema é que o slime contém uma substância tóxica, o bórax ou borato de sódio, usado para dar liga na geleca e que pode causar lesões graves. “É uma substância alcalina, um potente detergente semelhante à soda caustica”, afirma a médica dermatologista Tatiana Gabbi. Segundo ela, o tempo prolongado de exposição ao bórax durante a produção e a brincadeira pode causar dermatite nas mãos e braços, principalmente em crianças, por terem a pele mais frágil. A contaminação por ingestão ou inalação também é um problema. Uma criança de doze anos foi internada por uma semana, em São Paulo, apresentando náuseas, vômitos e cólicas abdominais. Suspeita-se de contaminação por bórax. Em nota, a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) diz que a substância “não deve ser manipulada por crianças”. Há também boas propostas nas redes sociais, como a da youtuber Luiza Nery, que faz apresentações explicando os riscos de se fazer o slime usando bórax. “Quando ficamos sabendo que era algo lesivo, passamos a informar que poderia fazer mal”, diz Liz Nery, mãe e empresária de Luiza.

“Trata-se de uma sacada mercadológica. Fazer o seu próprio brinquedo é muito mais prazeroso para a criança do que comprar”, afirma o psicanalista e professor da ESPM, Pedro Luiz de Santi. “Por isso, a intencionalidade de quem passa a informação deve ser levada em consideração”. Para o especialista, o acesso livre e não intermediado à internet é um risco à saúde física e mental das crianças, mais expostas aos supostos vídeos “instrutivos”. “As empresas aplicam, hoje, uma estratégia selvagem. Os novos heróis têm de ser humanizados e por isso as empresas usam os influenciadores digitais que, além de mostrar como se faz, têm a segunda intenção de apresentar produtos para serem comercializados”, explica. Como se vê, é sempre bom tomar cuidado com os ensinamentos da internet.

Informação tóxica. 2

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

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CAPÍTULO 27 – O SEGREDO DE SE SENTIR ATRAENTE PARA DEUS

 

Quando você se aproxima de Deus, como Ele olha para você? Sua resposta a essa pergunta é de vital importância para o sucesso de seu lugar secreto com Deus. E o acusador sabe disso. Ele deseja que você considere Deus como pai rigoroso, exigente, sempre insatisfeito com o seu desempenho, na maioria das vezes desapontado com você e frustrado com a taxa de seu crescimento espiritual.

Se a caricatura de seu Pai celestial for parecida com a imagem que você carrega dentro de você, essa falsa ideia de como Deus o enxerga, começará a dirigir suas respostas emocionais em relação a Ele. Você ficará cansado de tentar agradá-lo e seu espírito não voará na liberdade da adoração de amor que Ele reservou.

Nada é mais fatal para o lugar secreto do que a falsa ideia de como Deus o enxerga. E nada é mais poderosamente energizante do que quando sua mente é renovada pela Palavra de Deus e você passa a entender como Ele o vê. Quando se apropria do fato de que Deus está sorrindo para você, que deseja sua companhia e anseia por intimidade, então a verdade dessa realidade começa a mexer em sua química emocional e você efetivamente começa se sentir atraente para Deus. Isso tem o poder de alterar tudo acerca de como você se relaciona com Deus!

Tudo começa com a compreensão de como Deus se sente sobre a cruz de Cristo. Apocalipse 5.6 descreve Jesus como um cordeiro de pé perante o trono eterno, “que parecia ter estado morto”. Em outras palavras, a morte de Cristo está tão recente na mente de Deus quanto o dia em que aconteceu. O tempo nunca apagará dos olhos de Deus a proximidade do horror do calvário e a função poderosa expiatória do sangue de Cristo. Deus é eterna e infinitamente apaixonado pela cruz de seu Filho!

Aqueles que depositam a fé nesta grande demonstração de amor ficam debaixo do intenso favor do Deus Todo-poderoso. A fé no sacrifício de Cristo libera as infinitas paixões e deleites de um Deus exuberante que anseia estar unido ao seu coração em afeição eterna. Como você depositou seu amor naquele cujo Pai depositou seu amor, agora você pode “entrar” automaticamente na presença de Deus. Você é seu filho, sua família.

Quando sabe que é atraente para Deus, você se achega a sua presença confiadamente. Você vem a sua presença da maneira como Ele deseja, com o rosto erguido, como olhos cheios de expectativas, com um sorriso de deleite, com uma voz ávida e um coração fervoroso.

E Ele não aprecia você menos por causa de seu esforço. Ele sabe de suas fraquezas. Ele vê suas falhas, mas ainda assim o tem como seu filho e o aprecia mesmo quando você cai! Ele ama quando você se levanta e continua avançando em direção aos braços dele.

Como é confortante saber que podemos trazer o pacote inteiro de nossas inadequações e falhas à sua presença e ter certeza de que Ele amorosamente nos abraçará e se deleitará em nós! Ele nos aprecia em cada estágio de nosso processo de amadurecimento.

Salmos 45.11 nos diz como nosso amado Senhor se sente quando olha para nós: “O rei foi cativado pela sua beleza; honre-o, pois ele é o seu senhor”. Essa é a forma como o Rei olha para a noiva que deixou tudo em ordem para se unir a seu marido. Você é incrivelmente belo para Jesus! Quando Ele contempla sua beleza, anseia por tê-lo e abraçá-lo por toda a eternidade. Quando você vem ao lugar secreto, está adentrando as câmaras do Rei que o considera belo e desejável. Não é somente você que anseia pela presença de Deus, Ele também anseia pela sua!

Talvez possamos chamar isso de “o segredo de ser atraente”. É o segredo de compreender que Deus nos acha atraentes. Essa compreensão nos capacita a desejar estar nas câmaras de Deus continuamente. Assim que entramos em sua presença gloriosa somos transformados à sua imagem (2 Coríntios 3.18). E a contínua transformação na imagem de Cristo nos faz ser – como se fosse possível – ainda mais atraentes para Ele!

Como a noiva se enfeita com “vestes santas” (Salmos 110.3), as afeições generosas de um Deus apaixonado são intensificadas. O que I Pedro 3.4 chama de “beleza interior” está se tornando cada vez mais belo no lugar secreto (abrigo) do Altíssimo, onde a beleza que não perece, “demonstrada num espírito dócil e tranquilo”, é aperfeiçoada através da intimidade.

É aqui que a noiva começa a clamar: “Coloque-me como um selo sobre o seu coração” (Cantares 8.6). A noiva está dizendo ao seu amado: “Porque sua vida será vinculada a minha e as principais afeições de seu coração serão dirigidas a mim, torne-me o centro de seu universo. Desejo que seus sentimentos me incluam. Quero compartilhar cada paixão do seu coração. Desejo que seus pensamentos se tornem os meus pensamentos. Desejo ser unida em amor a você”.

É um clamor para se tornar sua alma gêmea. A alma gêmea não é apenas aquela que chega às mesmas conclusões que você, mas que chega àquelas conclusões da mesma maneira que você. A pessoa pensa como você. Sua linha de raciocínio se alinha à sua. Você tem os mesmos processos de pensamento e respostas para as situações da vida. Jesus está transformando sua noiva em sua alma gêmea, e o lugar secreto é onde esse amor é incubado e desenvolvido.

Você não é apenas atraente para Jesus, mas também desejado apaixonadamente por seu Pai celestial! Ele o descreve como a “menina dos seus olhos” (Deuteronômio 32.1O; Zacarias 2.8). Isso significa que Ele o guarda e valoriza como você faz com a própria pupila dos seus olhos.

A descrição da preocupação de Jacó com seu filho Benjamim é equi­ valente à preocupação do Pai conosco:

Agora, pois, se eu voltar a teu servo, a meu pai, sem levar o jovem conosco, logo que meu pai, que é tão apegado a ele, perceber que o jovem não está conosco, morrerá. Teus servos farão seu velho pai descer seus cabelos brancos à sepultura com tristeza. – Génesis 44.30-31

Judá falou que a vida de seu pai estava “vinculada à vida de Benjamim”. Jacó representa seu Pai celeste. A vida de seu Pai celeste também é “vinculada” à vida de seus filhos amados. Ele vive quando vê que você vive; Ele se emociona quando o vê realizado; Ele se regozija quando você é liberto; Ele fica contente quando você está descansando. Ele criou essa coisa incrível chamada “redenção” porque o coração dele é vinculado ao seu. Você é o centro do universo de Deus!

Jesus testificou essa verdade quando orou ao Pai: “Para que o mundo saiba que… os amaste como igualmente me amaste” João 17.23). Pense nisso! Deus nos ama exatamente como ama o seu Filho amado! Ele sente por nós o mesmo que sente por seu Filho santo, imaculado, altruísta. Incrível!

Deus tem sentimentos muito mais profundos e apaixonados por mim do que eu tenho por Ele. Mesmo quando minhas paixões estão ardendo por Ele, não chegam à intensidade do amor de Deus por mim.

E há uma lógica simples que me fez perceber que isso é verdade. A intensidade do meu amor é muito limitada porque eu posso pensar somente em uma coisa de cada vez. Então, quando eu trabalho ou faço as tarefas diárias, os pensamentos cognitivos de Deus realmente desaparecem total­ mente de minha mente. Minha mente retornará para o Senhor algumas horas depois, mas em determinados períodos eu nem mesmo penso nele.

Mas Deus nunca para de pensar em mim. Seus olhos estão constantemente fitos em mim, e sua mente está incessantemente focada em quem eu sou e em quem Ele está me tornando. Quando volto meus pensamentos para Deus, o testemunho imediato do Espírito é: “Estive aqui o tempo todo, aguardando por você. Eu o amo muito!”.

Ele espera você vir até Ele! Ele espera a noite toda, observando-o, aguardando você se levantar, esperando ser o seu primeiro pensamento da manhã. Você não tem que imaginar se Ele deseja que você venha no lugar secreto. Ele está esperando por você e continuará aguardando o quanto for necessário – porque seu coração está ligado à sua vida.

Que você tenha a graça do alto para se apropriar verdadeiramente da realidade deste poderoso segredo: Deus o considera atraente!

“Senhor, que eu nunca venha a me retirar novamente de seus braços!”

GESTÃO E CARREIRA

A ARTE DA PERSUASÃO

Fazer alguém mudar de opinião não depende só de boa lábia. Influenciar pessoas e conseguir o que você deseja é um jogo de confiança. Conheça cinco estratégias para desenvolver essa habilidade.

A arte da persuasão

Persuadir não é coisa só de vendedor, político ou marqueteiro. Todo mundo enfrenta no dia a dia profissional situações em que precisa lançar mão de argumentação e atitudes certeiras para convencer alguém a mudar de opinião ou atitude. Ser ou não bem-sucedido na empreitada — em relação a um pedido de aumento ao chefe, à aprovação de um projeto, obter uns dias a mais na entrega de um trabalho ou mudar o comportamento desagradável de um colega — depende de quais estratégias você usa. Uma coisa é certa: não há fórmulas prontas nem garantia de resultado quando se trata dos contextos profissionais atuais. “Nos modelos de trabalho mais modernos, em que as relações se dão mais na horizontal e as informações estão disponíveis a todos, o chefe já não é o único dono da verdade ou da decisão”, diz Vania Bueno, consultora da HSM Educação Executiva. “Antes, a hierarquia bastava para convencer alguém a mudar de opinião; hoje, a colaboração e a confiança são valores imprescindíveis quando essa é a meta.” Ainda assim, há caminhos que devem ser percorridos (ou evitados) a fim de aumentar seu poder de influência. Nesta reportagem, compartilhamos algumas práticas.

 PRIMEIRO, ESCUTE

É o básico para gerar conexão com o interlocutor e trazê-lo para seu lado. Mas é preciso interessar-se de verdade pela visão do outro e não se mostrar aberto apenas para constar ou conseguir o que deseja. “Dar atenção genuína, observando inclusive os sinais não verbais, como postura, expressões faciais e reações físicas, é chave para compreender o outro e definir ou modificar o rumo da conversa de modo a alcançar o objetivo estipulado ou, pelo menos, chegar a um acordo bom para todas as partes”, explica Jeferson Mola, professor na Trevisan Escola de Negócios e autor do livro Negócio Fechado! As Habilidades Comportamentais e o Sucesso das Negociações (Trevisan, 49,90 reais).

Perceber que isso funciona na prática foi uma virada na mentalidade de Aline Batah, de 25 anos, gerente de vendas da TheFork, plataforma de reservas em restaurantes do TripAdvisor. Ela se destacou na empresa por conseguir vencer a resistência de clientes difíceis e fazê-los fechar negócio — tudo na base da escuta atenciosa e sem alguns vícios e preconceitos arraigados no processo. Um cliente, em especial, já havia conversado com outros colegas da equipe e não estava satisfeito com a solução até então proposta. Quando o caso chegou a Aline, ela gastou mais tempo do que o usual na tarefa, mas acabou convencendo o parceiro. “Cada um tem uma forma como gosta de ser tratado e tomar suas decisões, e isso só se descobre ouvindo. Focada nas metas da companhia, a maioria das pessoas acaba se fechando para essa etapa da negociação e desiste se não ti- ver uma resposta positiva logo”, explica Aline. Segundo ela, dar ouvidos às necessidades e aos desejos reais do interlocutor é importante, inclusive, para formular as perguntas certas e direcionar a venda. “Conversamos, cada um expõe seu lado e chegamos juntos a uma solução boa para os dois, mas que inicial- mente não estava no radar de nenhum”, diz.

 REVELE SEU INTERESSE

Comunicar claramente por que você gostaria que alguém mudasse de opinião ou deixasse de agir de determinada forma eleva a chance de sucesso, além de afastar mal-entendidos. “Em uma argumentação, muitas vezes as posições são diferentes, mas o interesse que está por trás, não”, diz Carolina Nalon, coach, especialista em mediação de conflitos e fundadora do Instituto Tiê. Apesar de parecer óbvio, isso nem sempre é simples de ser colocado em prática.

Por mais de três anos, o psiquiatra Guilherme Moreira Machado, de 34 anos, teve problemas com a agenda de consultas em uma das clínicas particulares em que atende em São Paulo. “Além dos usuais três pacientes por hora, o que já garante pouco tempo para cada um, muitas vezes a equipe marcava encaixes e acomodava pacientes que chegavam depois do horário, o que acabava atrasando a agenda inteira”, diz. Depois de se estressar bastante, ele descobriu em uma aula de comunicação não violenta a estratégia para mudar aquele comportamento do time. Guilherme redigiu um longo e-mail detalhando, ponto a ponto, o que estava acontecendo, como aquilo era ruim para médico e pacientes e qual seria a solução ideal. Foi uma forma de materializar as queixas e fazer com que as mudanças fossem compreendidas por quem não estava no lugar dele e, por isso, não se sentia prejudicado. “No dia seguinte, as coisas já estavam no eixo e nunca mais precisei reclamar”, diz.

INCLUA A VISÃO DO OUTRO

Quando o objetivo é fazer a cabeça de alguém, é comum focar-se na defesa de argumentos construídos e acabar se fechando para a realidade do interlocutor. Mas saber lidar com a diversidade de personalidades é um desafio na hora de vencer uma discussão. “É fundamental considerar a visão de mundo e o sistema de valores do outro e sopesar que nem sempre serão iguais aos seus”, diz Rhia Catapano, doutoranda em marketing comportamental na Escola de Negócios da Universidade Stanford, na Califórnia, e pesquisadora de temas como persuasão e bem-estar do consumidor. “Por exemplo, se está argumentando com alguém conservador, basear a discussão em termos da mesma natureza provavelmente será mais efetivo do que apresentar ideias inovadoras para você, mas que têm pouca relevância para a outra pessoa”, afirma.

 COLOQUE-SE COMO IGUAL

Não é porque você é novo no emprego ou tem um cargo menor que não pode questionar e propor ideias e mudanças. Desde que saiba do que está falando e conheça como as coisas funcionam em seu ambiente (naqueles mais conservadores talvez seja bom ter cautela), falar de igual para igual com os superiores pode contar pontos a seu favor. E não se trata de ser arrogante, passar por cima do chefe ou querer tirar a autonomia dele. “Um liderado pode não só pensar com cabeça de líder como também transformar a cabeça de um líder”, diz Chris Melchiades, COO e sócia da consultoria em desenvolvimento humano Fellipelli. “Apresentar seu ponto com algo na linha: ‘Quem decide é você, mas acho que seria uma boa ideia…’ demonstra autoconfiança, assertividade e maturidade”, afirma.

ESCOLHA O MEIO CERTO

Não há uma regra sobre qual meio — digital ou presencial — é mais certeiro quando a meta é persuadir, mas a escolha deve levar em consideração o conteúdo da mensagem que se pretende emplacar. “Se o tema demanda racionalidade e reflexão, o ideal é criar um contexto que permita a argumentação sem obstáculos ao entendimento — o que é mais difícil conseguir no ambiente online”, diz Rhia. Vale também considerar as descobertas de um estudo conduzido por um grupo de pesquisadores de ciência da informação da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, que analisaram quase dois anos de debates online e levantaram estratégias discursivas eficientes para persuadir. O experimento foi realizado em um fórum de rede social no qual os usuários postavam uma ideia e desafiavam os outros a discordar apresentando argumentos. Os pesquisadores concluíram que não houve mudança de

opinião na maioria dos casos, mas algumas lições ficaram claras. A primeira é que não adianta insistir demais no debate virtual — se você não convenceu ninguém depois de quatro ou cinco trocas de argumentos online, provavelmente não vai conseguir. “É importante admitir quando fracassou na tentativa e, então, mudar de estratégia ou desistir”, afirma Jeferson, da Trevisan. Outro achado foi que expor dados — estatísticas, exemplos concretos, opiniões de autoridades no assunto em questão — ajuda a embasar seu ponto e a gerar convicção no outro. As duas lições valem também para a comunicação presencial.

A arte da persuasão. 2

ARMADILHAS DO CONVENCIMENTO

Às vezes, por uma  diferença de tom ou erro de contexto, estratégias que poderiam ser eficientes acabam dificultando a conquista de um aliado. Veja como evitar deslizes

AUTORIDADE

Pode ser tentador para um líder lançar mão da posição superior para convencer um subordinado a compactuar com suas ideias e ponto final, mas certamente não é a melhor tática. O risco? entrar no campo da coerção, manipulação ou assédio e, com isso, perder a confiança e desgastar o vínculo profissional com o liderado. Autoridade conta, sim, mas deve ser usada de modo honesto, como fator de motivação, não de pressão. Ao conseguir plantar no interlocutor um pensamento do tipo “se ele está falando é porque deve ser verdade”, estará influenciando sem intimidar.

CONSENSO

Uma ideia ou posicionamento compartilhado por muita gente tem mais chance de ser aceito, valorizado e copiado — é fato e, senão fosse assim, os influenciadores digitais, que dependem de número de seguidores e curtidas, não ganhariam muito dinheiro com isso. Cuidado para não usar essa lógica do jeito errado, transformando opinião em mercadoria, usando o nome de outras pessoas como isca e negligenciando o real propósito da sua proposta.

IDENTIFICAÇÃO

Na publicidade, na política e nos negócios, fazer a cabeça de alguém depende em boa medida de criar um vínculo por semelhança — de interesses, gosto estético ou princípios, por exemplo. pense no político que aparece tomando um pingado na padaria para se mostrar próximo do povo. Ou o funcionário que frequenta os mesmos lugares e se veste com as mesmas grifes que o chefe, ainda que o salário não permita tais extravagâncias. Fique esperto: concordar só para agradar, fingir simpatia e simular conhecimento sobre um tema pensando em ser aceito e vender seu peixe é sempre ruim. De cima para baixo (de líder para liderado) ou de baixo para cima (liderado para líder), esse comportamento pode mirrar sua credibilidade e custar caro ao seu crescimento profissional.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

UM PARADOXO NA FORMA DE DESEJO E SUSPENSE

Em Ex-Machina: Instinto Artificial, o diretor Alex Garland levanta questionamento sobre o sujeito a partir da visão pulsional. A pulsão que está para além do instinto e traz inscrita nela inúmeras variáveis

Um paradoxo na forma de desejo e suspense

Filme britânico dirigido e roteirizado pelo estreante diretor Alex Garland, já lança com seu título aqui no Brasil uma questão no mínimo dúbia ao unir o tema do instinto ao artificial, criando, assim, no título, um paradoxo. Lembrando que em Psicanálise não falamos do sujeito a não ser a partir da visão pulsional, a pulsão está para além do instinto e traz inscrita nela variáveis múltiplas. O filme surpreendeu e ficou com o Oscar de Melhores Efeitos Visuais

 Levado por um suspense que vai se apresentando aos poucos, o espectador se vê diante de questões que animam as discussões atuais e pesquisas sobre um futuro ficcional, que se constrói com as descobertas científicas contemporâneas. Ao mesmo tempo remete, de maneira muito pontual, ao que nos faz pensar nas fronteiras da subjetivação. Onde estará a precisa linha que marca a construção de um aparelhamento psíquico próprio do ser humano? Nessa construção, que aspectos não poderão deixar de ser observados? h0ode me dar um exemplo de consciência… que exista sem a dimensão sexual? (…) A consciência pode existir sem interação?

Conheceremos, então, a sedutora personagem, Ava, representada pela recentemente oscarizada atriz Alicia Vikander, trazendo, ainda, nos papéis principais o ator Domhnall Gleeson (como Caleb Smith), que também foi muito elogiado por sua participação no já consagrado The Revenant, e Oscar Isaac como Nathan. O file usa e abusa da tensão sexual não explícita, levando não somente o ingênuo e confuso Caleb a interrogações acerca do lugar do desejo. Em tempos de discussões mais aprofundadas sobre sexo virtual, relações amorosas via rede, solidão compartilhada e novos artefatos excitantes para a atividade sexual, ele cai como uma eficácia inquietante para vivências já corriqueiras. Foi noticiada recentemente, deixando uma grande parcela de intrigados, a confecção de bonecos muito iguais a uma pessoa, cuja finalidade é tão somente para atividades sexuais.

O que se busca com o desejo? A relação de Caleb com Nathan é inicialmente a de um grande fã com seu ídolo, compara conversando com Ava, Nathan a Mozart da ciência da computação. Aos poucos, verá, como logo o adverte Ava, aproveitando-se de uma queda de energia, quando então não podem ser observados, que ele não é seu amigo e que também não é confiável. A rotina dos dois, Nathan e Caleb, entre conversas e o desenvolvimento da pesquisa, vai em uma tensão crescente, acompanhando e dando o ritmo de suspense ao filme. Interessante que em uma conversa dos dois sobre o  comportamento de Ava, Caleb diz que ficou intrigado com o fato dela ter feito uma piada, e que isso foi até aquele momento o sinal mais evidente pra ele de ter ali uma IA (Inteligência Artificial)m segundo sua interpretação, porque ela só poderia fazer isso consciente da própria mente e também da minha. É interessante, então, lembrar do quanto Freud destacou o complexo trabalho psíquico envolvido em um chiste, dos mais elaborados, a ponto de dizer que: “Na brincadeira, se pode dizer tudo, até a verdade”. E será exatamente isso que Ava faz com sua brincadeira de devolver a Caleb sua própria fala sobre querer ver a escolha que faria. De maneira muito intensa, a partir desse momento, ela ganha a cumplicidade do seu interlocutor.

Ava é uma aula de sedução, não poupando nada no uso de tudo aquilo que se constrói culturalmente, como o que faz uma mulher: uma sedutora em potencial A primeira vez que ela se veste se parecendo, então, completamente com uma humana, é cheia de sinais e  significados: embora longe dos artefatos de mulher fatal, sua aparência frágil e meio recatada provoca, como ela mesma observa, uma exaltação dos sentidos sexuais em Caleb.

O diálogo entre Caleb e Nathan sobre a questão de gênero e sexualidade presentes em Ava, intelectualmente, é um dos pontos altos do filme entre a importância da sexualidade para o processo de busca de interação, até ao fato de que não sabemos o que compõe o “programa” da nossa orientação sexual. Jogadas, como em um pingue-pongue entre dois grandes mestres, que faz com que nossos olhos não acompanhem o trajeto da bola, conquistam o já atordoado espectador, que só poderá elaborar em uma posteriori bastante  amplificado pelas impressões do que se verá logo a seguir, guiado pelo roteiro  intrigante  que Garland compôs. Numa sequência como essa é que um cinéfilo suspira pelo prazer que há em se deparar com filmes autorais, daqueles que são engendrados a partir das próprias reflexões e fantasias de seu realizador. Pretensioso ou não, diz o que quer dizer, ousa e se coloca em risco.

POLLOCK

“O desafio é encontrar uma ação que não seja automática”. Partem dessa discussão em torno da pintura que há na casa de Nathan, de Jackson Pollock, artista norte-americano, nascido no início do século passado (em 1912), que parte suas obras de um pingo de tinta. Não usa nem cavalete nem pincéis, com a tela no chão e pisando nela, sua execução partiria de um sentido supostamente aleatório, sem intenção. Sua arte ficou conhecida como “pintura de gotejamento”.

Em pleno início de século, quando se descortinava a questão do inconsciente como determinante dos nossos impulsos, é interessante observar a relação que o roteiro estabelece com o determinismo que ainda hoje buscamos e o desconhecimento que   persiste quanto ao que nos move, nossa “programação”. O que há de insondável, o que há de aleatório, o que há de fortes impulsos em tudo aquilo que realizamos sem saber? Nathan, de certa forma, é a expressão de Pollock, já que este também sofre de alcoolismo, depressão e ataques de fúria, como o pintor em questão. O inconsciente é sempre infantil, já nos lembrou de certa forma isso, também, o diretor Paolo Sorrentino em seu magnífico La Grande Belezza (2013), que levou o Oscar de melhor filme estrangeiro (2014), na cena onde a menina joga tintas em uma tela, meio tipo Pollock, tomada pela angústia de ser levada a se exibir pelos seus pais para uma plateia fútil e adestrada.

Dia 5, Ava diz que vai testar Caleb. Pela sua capacidade de decodificar as microexpressões faciais ela é, como lhe diz Caleb, um detector de mentiras ambulante. E lança a pergunta: o que acontecerá comigo caso eu falhe no teste? Coisa que Caleb realmente não sabe responder, e ela questiona se existe alguém que o desligue caso falhe e por que seria justo fazer isso com ela? A essa altura vê-se que nosso jovem protagonista já se encontra totalmente capturado pela enigmática Ava, totalmente seduzido por aquele ser que parece tão real, e que luta por sua “sobrevivência”. Ela o deixa com a difícil pergunta: você quer ficar comigo?

“Os bons atos anteriores de um homem o defendem”, diz Nathan, após citar Oppenheimer, em meio a uma bebedeira, talvez refletindo sobre seus próprios atos e pesquisas. Ele, um homem riquíssimo, que alcançou a fortuna por ter desenvolvido um programa de buscas e armazenamento de dados chamado de “Livro Azul”, que se torna a base de sua pesquisa secreta sobre IA. Ele acredita que esse tipo de programa não é uma questão de “se”, mas, sim, de “quando”. Então, por que não realizar tal artefato?

Caleb constata que, antes de Ava, Nathan havia produzido outras “Ias”. Fica chocado com a descoberta de que até mesmo a auxiliar Kyoko (Sonaya Mizuno) é uma das suas fabricações – ela serve de todas as maneiras a seu inventor, inclusive sexualmente, como em cenas anteriores já tinha sido demonstrado. (Ava até então, em Kioko, uma subserviência que intrigava e incomodava, não somente Caleb, mas acreditamos que também quem assiste ao filme. Ao puxar sua pele artificial e mostrar a Caleb sua estrutura de máquina, ela revela sua obediência e, ao mesmo tempo, que há inquietação, e de certa maneira deixa clara a visão de dominação que Nathan, em seu isolamento, tem como visão da mulher, talvez de todos. Podemos pensar isso até pela escolha da forma em como colocar Caleb naquela experiência, um falso concurso onde, na verdade, a escolha foi feita pelo histórico de buscas de Caleb e sua inocência.

QUESTIONAMENTO

A pergunta que Nathan coloca fecha a indagação que o filme quer levantar, ou seja, se a capacidade de simular emoção para alcançar o objetivo seria, então, o que se poderia pensar que se alcançou um novo ser com inteligência artificial. Segundo ele, isso fará com que um dia os humanos sejam vistos como olhamos para os fósseis de animais pré-históricos. Ela sente ou simula como meio de alcançar resultados?

Ava, a nova da criação da IA, faz morder a maçã embebida da ilusão fantasiosa

Um paradoxo na forma de desejo e suspense. 2

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EDUCANDO PARA O FUTURO

Durante toda a escolaridade é possível aparelhar gradativamente as crianças e jovens de modo a desenvolver as chamadas habilidades interpessoais

Educando para o futuro

O homem é um ser social por natureza. Desde o momento de seu nascimento, independentemente de onde viva, já se encontra inserido em um grupo social, que se amplia conforme cresce e começa a frequentar a escola, constituindo novas e crescentes relações interpessoais.

Tal rede de relações é estabelecida segundo características do indivíduo, do próprio grupo e da cultura vigente e vai sendo construída gradativamente no decorrer de toda vida e, embora os primeiros anos sejam primordiais nesse aprendizado, é preciso aprender a aprender como planejar novas situações por toda a vida.

Ninguém duvida que o maior objetivo da educação seja criar a autonomia pessoal e social e que essa condição dependa em grande parte da formação acadêmica e depois profissional, de cada pessoa. A constituição de um perfil profissional que acompanhe as mudanças, as demandas de um mundo laboral hiperativo, competitivo e exigente é uma urgência das últimas décadas, à qual ninguém se pode furtar.

Paralelamente a isso, temos como certo que a formação do adulto capaz e autônomo, socialmente responsável, depende primordialmente da educação que recebe da família e da escolaridade que frequenta e que esta não se baseia mais na transmissão de valores e conhecimentos (de toda ordem) praticamente imutáveis, mas na necessidade de criar pessoas com um perfil adaptativo às rápidas mudanças sociais, científicas, mercadológicas,  etc. Aprender como se aprende, para aprender sempre, constitui um padrão de realidade à qual ninguém pode se furtar.

Entretanto, além do imprescindível respeito aos talentos naturais, há de se levar em conta que habilidades de toda ordem devem ser aprendidas a partir da pré-escola, visando o desenvolvimento de um novo perfil, que vai passo a passo evoluindo até alcançar condições ideais de atender as exigências acadêmicas e, um dia, ser profissionalmente competitivo.

Capacidade de se adaptar a mu- danças, responder a desafios de modo organizado, coerente, ser capaz de trabalhar e resolver problemas junto a outras pessoas, demonstrar atitudes interpessoais de comunicação, lide- rança, domínio da tecnologia são imprescindíveis para a vida social e para atender as demandas do mercado de trabalho do século XXI.

No dia a dia é possível, por exemplo, criar métodos e estratégias que objetivam desenvolver as chamadas habilidades interpessoais das crianças e jovens em idade escolar. Isso pode ser realizado mediante jogos e tarefas de grupo, onde é maior a valorização dos comportamentos que demonstrem capacidade de trocas de informação eficientes, empatia, atitudes de comando, controle da frustração, capacidade de suportar pressão, resiliência e autonomia, entre outras.

Segundo Eric Smith, pesquisador da Universidade de Stanford, o controle emocional gera atitudes mais adaptativas em caso de mudanças, desafios, fracassos, estresse comuns na vida estudantil, e preparam para as vicissitudes do mundo profissional principalmente.

Portanto, preparar as crianças e jovens para atender a esse perfil de profissionais que a sociedade precisa para enfrentar as vicissitudes e os novos modelos do século XXI tornou-se um desafio realista para a família e a escola.

E, evidentemente, bons professores que também tenham essa feição tornaram-se indispensáveis: antes de dominar o conteúdo ou ser um mestre na didática, o importante passou a ser sua habilidade interpessoal, ou seja, saber estabelecer um bom relacionamento com seus alunos, desenvolver empatia, criar o sentimento de pertencimento a um grupo. Isso tudo favorece as habilidades cognitivas e influência de forma marcante no ensino e na aprendizagem.

Segundo revela uma importante pesquisa divulgada recentemente pelo Grupo Educacional Person, realizada em 23 países, sobre as características mais valorizadas por alunos, pais, professores e responsáveis pelas políticas educacionais em cada nação, as coincidências foram muitas.

Para os alunos brasileiros, a paciência é a principal qualidade de um bom professor (13%) e saber se relacionar é o segundo quesito mais importante, seguido do profissionalismo e habilidades didáticas.

Inqueridos os familiares dos alunos, 14,2% indicaram o profissionalismo, seguido do relacionamento e da paciência, como características-chave de um bom professor, o que não difere essencialmente do que pensam os próprios professores que agregam ainda a dedicação (9,8%).

A pesquisa revelou que para os representantes políticos se destaca outra qualidade, mas em quarta posição, que está relacionada ao gerenciamento da sala de aula (8,4%), perdendo apenas para o relacionamento (12,2%), paciência (12,2%) e dedicação (10,7%). Tais habilidades fazem com que a criança, no encontro e vivência com seus pares, conheça seus    próprios sentimentos, suas reações emocionais frente ao cotidiano e seus desafios, seu modo de pensar e refletir sobre isso.

Portanto, oportunizar o desenvolvimento das habilidades socioemocionais dos professores é importante para melhorar a aprendizagem acadêmica e para ajudar a desenvolver as mesmas habilidades nas novas gerações.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É editora da revista Psicopedagogia da ABPp e autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem.

irenemaluf@uol.com.br

OUTROS OLHARES

MUNDO CÃO

Ações de patifes, roubos e furtos de cachorros de companhia crescem nas grandes cidades e causam sofrimento e tristeza para seus donos

Mundo cão

Crianças adoecem, pessoas idosas infartam, jovens caem em profunda depressão. Os animais de estimação, para os humanos proprietários que os amam, são como um membro da família. Por isso, o furto de cachorros, seja para revendê-los com preços extremamente rebaixados, seja para extorquir os donos e pedir resgates exorbitantes, tem efeitos similares aos do sequestro de uma pessoa. A dor é dilacerante, o vazio na vida de quem os perdeu se anuncia sem fim. Esse tipo de crime, cometido por verdadeiros patifes desprovidos do menor sentimento de empatia, incide sobre os chamados pequenos cães de companhia, a exemplo de shih tzu e yorkshire — os covardes ladrões, que atacam sobretudo crianças, mulheres e senhoras idosas, não ousam surrupiar rootweilers ou pitbulls. Os filhotes de shih tzu ou yorkshire custam mais de R$ 2 mil e, se for de um pug, o preço pode chegar a casa de R$ 4 mil. Os larápios vendem os animais clandestinamente por aproximadamente 10% desse valor.

Mundo cão. 2

AUMENTO DO CRIME

Sob a forma de subtração dos cães de suas próprias casas, esse delito vem apresentando em São Paulo um aumento de 110% — mais do que dobrou nos últimos dois anos. Em 2018, segundo levantamento da Polícia Civil, foram registrados 137 casos, contra 65 em 2017. Casos de furtos na rua ou dentro de veículos acontecem com menos frequência, mas cresceram 227%. Recentemente, filmagens nos arredores da Alameda Dom João VI, no Parque Imperial, na cidade paulista de Campinas, apontam o sumiço de um belo yorkshire de nove meses. Adultos de péssimo caráter se valeram de crianças para levar o dócil cãozinho. “Três mulheres pararam em frente à loja e olharam tudo. Logo depois, um menino e uma menina, aparentemente de quatro a sete anos, que estavam com as mulheres, chamaram o Ted para rua. Nunca mais vi”, lamenta-se Josemar Silva Gonçalves, dono do animal e também proprietário do estabelecimento comercial onde tudo aconteceu.

A cachorrinha Dorys, de dois anos, da raça shih tzu, foi furtada dentro de casa, na cidade de Arujá, também em São Paulo. A vendedora Thais Guimarães, dona de Dorys, chegou do trabalho, entrou em casa e percebeu que estava tudo de pernas para o ar. “A cachorrinha? Meu Deus, quanta tristeza. Tão querida pela família, era tratada com filha. Pelo branquinho, olhinhos de jabuticaba, ela dormia na cama comigo”, diz Thais. Ela Já fez de tudo para localizar a querida amiga. Mas nada aconteceu.

Onde andará Dorys? Qual o seu destino? Os crimes cometidos contra animais podem alcançar extrema crueldade, e foi isso o que aconteceu na vida de Rubens Araújo. “Quando cheguei à minha chácara, percebi que parte dos meus cães fora levada e a outra parte fora atirada na piscina. Sem conseguir sair da água, eles nadaram, perderam a força e morreram afogados”.

Nem todas as histórias de roubo de cachorros de raça, no entanto, têm final triste. A professora universitária Juana Diniz teve seu cãozinho de estimação, o Café, furtado no supermercado. “Deixei-o preso num setor próprio do estabelecimento. Quando voltei das compras, havia sumido. Fiquei desesperada”, conta Juana. Mas o esperto e inteligente Café, como são todos os shih-tzu, acabou sendo encontrado na Cracolândia, no centro de São Paulo. “Fomos à polícia, fizemos divulgação na internet, procuramos pelo bairro, mas nada. Recebi diversos trotes por telefone, mas uma ligação era verdadeira”, lembra Juana. “O Café fez a maior festa quando me viu”. E ela fez uma festa, ou, melhor, faz até hoje, contou Juana. Um investigador da Policia Civil que prefere não se identificar afirmou que os ladrões preferem animais pequenos porque geram lucro rápido e fácil. Disse também que existem investigações em vigor para detectar feiras clandestinas em que os animais roubados são comercializados. “Mudanças no ambiente social em que o animal vive, no qual formou vínculos, podem proporcionar estresse pós-traumático, da mesma forma que em humanos”, diz o professor Adroaldo José Zanella, da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, especialista em bem-estar animal. “Um cão de raça fica com sequelas permanentes”. O dono, que o ama, também.

Mundo cão. 3

GESTÃO E CARREIRA

A CRISE DOS 90 DIAS.

As empresas perdem 40% dos funcionários durante os três primeiros meses de trabalho. Acabar com esse problema demanda ajustes nos processos de integração e no acompanhamento dos novatos.

A crise dps 90 dias

Os primeiros 90 dias de trabalho são os mais delicados para um funcionário. Se o RH não olhar com lupa para esse período, corre o risco de perder quem acabou de contratar – algo que se reflete financeiramente. Estima-se que quando um empregado abandona o barco no primeiro ano, seu custo se torna três vezes maior do que o salário anual, pois a empresa gastará o triplo para recrutar e treinar de novo alguém. E muitas companhias precisam lidar com esse desperdício. De acordo com um estudo realizado pela consultoria americana Equifax Workforce Solutions, quatro em cada dez trabalhadores que deixaram o emprego tomaram essa decisão um mês após a contratação.

A boa notícia é que dá para prevenir essa questão pois os motivos para a deserção costumam estar relacionados a três questões básicas, como explica Roberto Aylmer, professor da Fundação Dom Cabral: “A grande rotatividade no período de experiência não é um problema, é um sintoma. É efeito de processos seletivos pouco assertivos, integrações ineficientes e falta de congruência entre a descrição e a realidade da vaga”.

Ser sincero no que se espera dos candidatos é realmente o primeiro passo. Uma pesquisa realizada pela consultoria de recrutamento Robert Half com 9.000 executivos no mundo, incluindo o Brasil, revelou que 51% dos brasileiros pediria demissão no primeiro mês caso houvesse incompatibilidade entre o que foi falado na entrevista de emprego e o dia a dia da função. Ainda de acordo com o levantamento, o segundo foco de atenção está nos processos de integração. Por aqui, 37% dos profissionais sairiam caso não se sentissem bem recebidos. O que eles mais desejam   é ser apresentados aos colegas assim que chegar à nova empregadora (expectativa de 8:3%) e encontrar o novo gerente logo no primeiro dia (expectativa de 89%). “Os líderes determinam a qualidade do ambiente e a confiança. São responsáveis por criar uma cultura que pode ser inclusiva ou destrutiva”, diz José Augusto Figueiredo, presidente no Brasil da Lee Hecht Harrison (LHH), consultoria de recolocação e gestão de pessoas.

 MAIS TREINAMENTOS

Trazer a chefia para perto foi uma das atitudes do supermercado Pão de Açúcar, bandeira do Grupo Pão de Açúcar (que inclui marcas como Extra e Assaí), para lidar com seu turnover que, em 2015, chegava a 36% ao ano nas lojas. A título de comparação, o setor de varejo tem um índice na casa de 40%. “Há necessidade de tempo para formar os funcionários e eles deixavam a empresa antes disso, o que impactava na qualidade de atendimento aos clientes”, diz Miguel de Paula, diretor de recursos humanos do Pão de Açúcar. “Os líderes ganharam relevância nessa questão e passaram a se envolver mais com os processos de integração”.

Para entender exatamente onde estava o problema, o RH analisou as pesquisas de engajamento e identificou que os funcionários recém-contratados iniciavam suas atividades na loja sem passar por uma capacitação – a desculpa era a correria do dia a dia. Além da alta rotatividade, existiam outras questões: os empregados não se desenvolviam, perdiam o interesse de conquistar novas funções, tinham queda de produtividade e a satisfação com o atendimento caía. A saída foi renovar os primeiros dias de treinamento. O Pão de Açúcar criou lojas formadoras – nas quais, em vez dos antigos dois dias de integração superficial, os novos funcionários tem uma imersão de pelo menos seis dias (em funções mais técnicas, como padeiro e açougueiro, esse período pode ser maior). Nessa etapa, que se divide entre treinamentos práticos e teóricos, eles compreendem os valores da companhia, são apresentados a toda dinâmica do supermercado e às especificidades de suas tarefas. Profissionais mais experientes foram capacitados para liderar o processo e se tornaram formadores técnicos. Nos últimos dois anos o supermercado treinou 4.500 funcionários em suas seis lojas formadoras – e há expectativa de inauguração de outros dois locais desse tipo. Com essa ação, o turnover caiu 60% em três anos, chegando a 14,7% em 2017. “À medida que retemos mais, aumenta a satisfação dos consumidores, que são atendidos por funcionários mais preparados e engajados”, diz Miguel de Paula.

 PROXIMIDADE A BORDO

Alinhado aos treinamentos iniciais e às boas vindas, os novos empregados também precisam de um acompanhamento bem próximo nos primeiros dias. O RH deve colocar a lupa sobre essas  pessoas para garantir que estão se sentindo confortáveis e que as curvas de aprendizado estão em  crescimento. “Quando a socialização é bem-feita, o funcionário se sente seguro para errar e aprender, fazer perguntas e buscar ajuda. Com isso, a adaptação é mais rápida e a incorporação de valores corporativos é mais profunda”, diz Aylmer, da Fundação Dom Cabral.

Na De Nadai Alimentação, fornecedora de serviços de hotelaria marítima e alimentação para plataformas de petróleo e navios que atuam na cadeia produtiva de óleo e gás, foi feita toda uma revisão de processos para que os novatos se sentissem acolhidos. Ainda mais porque, devido ao tipo de negócio, grande parte do time de 700 pessoas precisa trabalhar embarcada em turnos de 14 dias no mar e 14 dias em terra, descansando.

Além de rever a integração, que passou a ter entre três e seis dias, dependendo do cargo, e ficou mais focada nos valores corporativos e nos procedimentos internos, a companhia também acompanhou de perto o desempenho dos novos funcionários. “Fazemos um diagnóstico para identificar os trabalhadores com baixa performance antes que eles deixem a empresa”, diz Júlio Oliveini, diretor da área de offshore da De Nadai Alimentação. Mês a mês os empregados são  mapeados e os que apresentam algum ponto de atenção são convocados a comparecer à base em terra. Quando chegam ao escritório, o RH tem um plano de ação individual para ajudar na recuperação. As questões mais comuns costumam ser relacionadas a comportamentos interpessoais, como trato com colegas e chefes. “Chegamos a propor remanejamento de função quando necessário”, diz Oliveira. Mas o olhar se estende para fora da companhia também “Disponibilizamos apoio jurídico quando há algum problema na família, fazemos encaminhamento médico e damos até suporte material, caso o colaborador esteja enfrentando algum problema financeiro”, afirma o executivo. Com essas atitudes, a De Nadai saiu de um turnover médio de 4,5% em 2013 para 0,6% em 2017. E nos primeiros 90 dias, estão com o surpreendente índice de 0,2′. “Prova de que a proximidade do RH nos cruciais três meses de experiência faz a diferença”.

 A CASA E SUA

O passo a passo para receber bem os novos funcionários

1 – Venda a vaga corretamente no processo de seleção, deixe claro quais são as atribuições reais, assim, o profissional já sabe exatamente o que o espera.

2 – Faça um planejamento com as atividades e acompanhamentos para o primeiro dia, a primeira semana e o primeiro mês dos novatos.

3 – Treine um time de padrinhos, funcionários que ajudarão quem está começando a circular pela empresa.

4 – Envolva a liderança no processo de boas-vindas, o chefe, além de estar disponível para solucionar dúvidas, precisa ter clareza sobre as atribuições do empregado e passar tarefas logo de cara.

5 – Assegure que o novo funcionário terá acesso aos sistemas internos e aos dispositivos de informática no primeiro dia. melhor ainda se ele já tiver preenchido toda a papelada antes de ganhar o crachá da companhia.

PEDIU PARA SAIR

Quais são as principais motivações dos funcionários para abandonar a empresa no primeiro mês

A crise dps 90 dias. 2

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 26 – O SEGREDO DO TÉDIO

 

Você sempre fica entediado quando está orando?

Se formos verdadeiros, cada um de nós dirá que já se entediou no lugar secreto. Eis aqui o próximo segredinho que este livro vai revelar com eloquência consumada: todos já ficaram entediados em sua vida de oração pessoal e leitura bíblica. Até mesmo os doze “apóstolos do Cordeiro” dormiram no lugar de oração (Mateus 26.40-45)!

Há dias em que parece que estou com uma conexão especialmente boa com Deus. Nesses momentos, geralmente penso: “Por que não é assim sempre?”. Mas, na realidade, há um uma série de dias inexpressivos mesclados aos dias excelentes.

Alguns dias aguardo ansiosamente pelo meu momento com o Senhor e acabo dormindo o tempo todo. Outras vezes, parece que estou desperto o suficiente, mas não sinto, especialmente naquele dia, a presença do Espírito Santo. Não importa o que leio ou quão fervorosamente ore: o dia parece estar fadado ao fracasso.

E sei que não estou sozinho. Quando converso com outras pessoas, percebo que esta é uma experiência comum de seres humanos fracos que, em sua debilidade e fraqueza, estão continuamente falhando na conexão com Deus que seu coração anseia. “O espírito está pronto, mas a carne é fraca”, disse Jesus diretamente em relação à oração, em Mateus 26.41.

Então, o que devemos fazer quando estamos entediados? Perseverar. Aproveitar o tempo. Esforçar. Encarar a dificuldade.

Não permita que nada o dissuada ou desvie, incluindo o tédio. Às vezes, ao longo do caminho, você precisará tomar uma determinada decisão na vida: “Eu me dedicarei pela graça de Deus ao lugar secreto, faça chuva ou faça sol, nos bons ou nos maus dias, quando estiver com vontade ou não, quando for fácil e quando for difícil”. Quando estiver na graça de Deus, você poderá fazer todas as coisas através de Cristo que o fortalece.

O Senhor responde a clamores sinceros de “Socorro!”. Quando estamos nos sentindo especialmente fracos, esse é o momento de estender a mão para Ele em busca da abundância de sua graça. “Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8.26). Jesus chamou o Espírito Santo de “Conselheiro” João 14.16,26; 15.26; 16.7), porque nos foi dado para ajudar nos momentos de fraqueza e necessidade. Chame o seu Conselheiro! “Espírito Santo, preciso de você agora. Ajude-me!” Ele virá em sua ajuda, porque ama nos ajudar a orar.

Quando durmo no lugar secreto, não deixo o inimigo usar esse fato contra mim. Eu apenas me vejo como filho de Deus, deitado em seu colo, tão em paz com Ele que descanso com a simplicidade de uma criança em seus braços. Eu imagino que o Senhor está usando aquele tempo para me contemplar e apreciar o calor de nossa proximidade. Eu poderia ter dormi­ do em qualquer lugar, mas escolhi dormir nos braços de Deus.

Estou escrevendo este capítulo principalmente para neutralizar o esquema do inimigo de colocar um fardo de culpa e vergonha em sua vida secreta com Deus. Ele tenta dizer que você é um fracasso ou um hipócrita quando, na realidade, você está fazendo a mesma caminhada que os maiores santos da história fizeram. Para ser franco, às vezes, orar é entediante e a leitura da Bíblia é como comer serragem.

Mas há uma parte boa: um dia de alegria no Espírito Santo vale mil dias de esforço! “Melhor é um dia nos teus átrios do que mil noutro lugar” (Salmos 84.10). Isso realmente é verdade. Quando Deus toca em você com o Espírito e o energiza com sua Palavra, você fica irremediavelmente “viciado”. Você passa a não se importar com o tempo que o deserto pode durar. E mantem-se na caminhada porque sabe que do outro lado existe um oásis de deleites celestiais.

Veja, agora, notícias ainda melhores: quanto mais você persevera no lugar secreto, a própria natureza de seu relacionamento com o Senhor tende a mudar – e os dias maus começam a diminuir e a ficar intercalados. Há um limiar a ser cruzado e, quando você o cruza, a emoção do lugar secreto agarra o seu espírito e você ganha um momento inigualável em sua conexão com Deus.

O ponto principal é: se você permanecer com Ele, por fim “valerá a pena”. Finalmente o romper do limiar ocorrerá. Pode haver uma grande quantidade de horas entediantes de vez em quando, mas não desista. As melhores coisas da vida – as que têm valor eterno – sempre são conquistadas por um alto preço.

Tédio? Um pequeno preço a ser pago!

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUANDO EXPLODE A RAIVA

Acessos de raiva frequentes e desmedidos podem ser sintomas do transtorno explosivo intermitente, um problema ainda pouco conhecido e frequentemente confundido com falta de educação

Quando explode a raiva

O transtorno explosivo intermitente (TEI) se caracteriza, essencialmente, pela dificuldade    que o paciente apresenta em conter comportamentos impulsivos e agressivos, que acabam por culminar em explosões de raiva. Essas reações impulsivas são sempre muito desproporcionais à situação desencadeadora.

Muitas pessoas, quando ouvem falar sobre transtorno explosivo intermitente, demonstram desconfiança e resistência em considerar que comportamentos explosivos agressivos possam ser sintomas de um transtorno. Comentam que, atualmente, falta de educação passou a ser doença ou que todos os comportamentos que transgridem os padrões usuais de convivência são diagnosticados e classificados como doença. O mesmo não acontece com possíveis portadores de TEI. Ao se identificarem com os sintomas da doença, normalmente, apresentam uma reação de alívio, pois entendem que possa haver uma explicação científica para aqueles comportamentos agressivos, sobre os quais não têm controle, e que causam tanto sofrimento a si mesmo e aos indivíduos com os quais convive.

O sofrimento ocasionado pelo TEI leva a muitos prejuízos tanto na vida pessoal quanto nas relações afetivas, sociais e de trabalho. Em sua grande maioria, as pessoas quando chegam ao consultório já acumulam incontáveis vivências de comportamentos explosivos, os quais, invariavelmente, já comprometeram sua qualidade de vida. São relatos de casamentos destruídos, inúmeros fracassos profissionais, discussões acaloradas com pessoas do seu convívio social ou desconhecidas, brigas no trânsito, problemas com a lei etc.

O TEI está permeado de preconceito. Assim como aconteceu com a depressão, a falta de conhecimento promove a resistência a reflexionar sobre a possibilidade de comportamentos explosivos serem, de fato, fruto de uma doença sobre a qual o paciente não tem controle. O tema desperta desconfiança a respeito de um possível diagnóstico para esse tipo de comportamento.

Não se trata de uma nova doença, mas de um transtorno pouco conhecido e, por consequência, pouco estudado. No século XIX, Jean-Étinne Dominique Esquirol, psiquiatra francês, descreveu pela primeira vez os impulsos agressivos. Esquirol afirmava que “o doente é arrastado para atos que a razão e o sentimento não determinam; que a consciência reprova e que a vontade já não tem forças para reprimir”. Em 1980, o TEI foi conceitualizado no DSM-III como um transtorno psiquiátrico raro. Porém, os estudos subsequentes consideraram que os critérios diagnósticos para a doença haviam sido mal operacionalizados e a pesquisa empírica limitada.

Em 2014, o transtorno explosivo intermitente passou a ser descrito no Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais – DSM-5 – 5ª edição, no capítulo dos Transtornos Disruptivos, do Controle de Impulsos e da Conduta, 312.34 (F63.81).

É muito importante esclarecer que nem todo comportamento explosivo agressivo é considerado TEI. Grohol coloca que o comportamento agressivo pode, com certeza, ocorrer quando nenhum transtorno mental está presente ou, ainda, em quadros clínicos de demência, delírios, na presença de uso abusivo de substâncias (álcool/drogas), condições médicas gerais e epilepsia do lobo frontal. Além disso, deve-se dispensar atenção especial para os transtornos de personalidade borderline, antissocial, bipolar, de TDA/H, pois os critérios diagnósticos desses transtornos diferem dos critérios diagnósticos para TEI.

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CRITÉRIOS

Para que uma pessoa seja diagnosticada como portadora do transtorno explosivo intermitente é necessário que preencha uma série de critérios diagnósticos. De acordo com Coccaro, Kavoussi, Berman e Lish, o TEI é a única categoria diagnóstica psiquiátrica em que a agressão física é um sintoma básico e o único que descreve transtornos agressivos não psicóticos e não bipolares. Conforme descrito no DSM-5, as explosões de agressividade impulsivas (ou decorrentes de raiva) no transtorno explosivo intermitente têm início rápido e, geralmente, pouco ou nenhum período prodrômico. Em geral, as explosões duram menos de 30 minutos e costumam ocorrer em resposta a uma provocação mínima de um amigo íntimo ou colega. Com frequência, indivíduos com TEI apresentam episódios menos graves de violência verbal e/ou física que não causam danos, destruição ou lesões, em meio a episódios mais graves, destrutivo-violentos. Independentemente da natureza da explosão de agressividade impulsiva, a característica básica do transtorno é a incapacidade de controlar comportamentos agressivos impulsivos em resposta a provocações vivenciadas subjetivamente, que, em geral, não resultariam em explosões agressivas. De maneira geral, as explosões de agressividade são impulsivas e/ou decorrentes de raiva, em vez de serem premeditadas ou instrumentais e estão associadas a sofrimento significativo ou a prejuízos na função psicossocial.

Segundo o DSM-5, um diagnóstico de TEI não deve ser feito em indivíduos com idade inferior a 6 anos ou nível equivalente de desenvolvimento ou naqueles cujas explosões de agressividade forem mais bem explicadas por outro transtorno mental. Um diagnóstico do transtorno explosivo intermitente não deve ser feito em indivíduos com transtorno disruptivo da desregulação do humor ou naqueles cujas explosões de agressividade impulsiva forem atribuíveis a outra condição médica ou a efeitos fisiológicos de uma substância. Além disso, pessoas com idade entre 6 e 18 anos não devem receber esse diagnóstico em situações nas quais as explosões de agressividade impulsiva ocorreram no contexto de um transtorno de adaptação.

Ainda de acordo com o DSM-5, as explosões de raiva no TEI podem ser leves (nesses casos, não há presença de agressão física, destruição de propriedades ou danos a outrem) ou severas (com presença de agressão física a pessoas/ animais, destruição de propriedades e/ ou objetos). Em função das mudanças nos critérios diagnósticos, o transtorno explosivo pode ser diagnosticado em pacientes com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, transtorno opositivo desafiador, transtorno de conduta ou do espectro autista, desde que as explosões de raiva impulsiva recorrente excedam as usualmente presentes nesses transtornos. Conforme a APA (2000), o diagnóstico deve descartar os episódios agressivos mais bem contabilizados por outro transtorno mental e deve-se observar que o TEI é, essencialmente, um diagnóstico de exclusão.

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SENSAÇÕES FÍSICAS

Alguns estudos realizados por McElroy com pacientes portadores de TEI identificaram que as explosões de raiva são precedidas ou acompanhadas de sensações físicas de fadiga, formigamento, aperto no peito, elevado grau de energia ou tensão, sudorese, tremores, palpitações, intensa pressão na cabeça, tensão nas costas e pensamentos raivosos que os dominam e os fazem agir impensadamente e de forma agressiva. Logo após a explosão de raiva, descrevem sensação de alívio da tensão e acreditam que sua reação é resultado do comportamento do outro. Passado algum tempo, sentem-se genuinamente envergonhados, culpados, arrependidos e vivenciam intenso sofrimento emocional. Ao descreverem seu estado emocional no momento da explosão se utilizam de frases como: “vontade de matar alguém”, um “pico de adrenalina”, “necessidade de ferir”, “sangue nos olhos”. Conforme descrito no DSM-5, indivíduos com história de trauma físico e emocional durante as primeiras duas décadas de vida estão em risco aumentado para o transtorno.

O que leva uma pessoa a apresentar comportamentos explosivos impulsivos ainda não é consenso entre os estudiosos do assunto. Pesquisas apontam para causas biopsicossociais. Segundo Beck, o TEI está relacionado a distorções cognitivas. De acordo com essa teoria, o portador possui uma série de crenças fortemente negativas sobre outras pessoas, frequentemente resultantes de punições cruéis aplicadas por seus pais na infância. Essa criança cresce acreditando que “o mundo está contra ela” e a violência é a melhor forma de restaurar sua autoestima prejudicada. Teriam observado um dos pais, ou os dois, irmãos mais velhos ou outros parentes agindo de maneira explosivamente violenta.

Ploskin considera que as atitudes explosivas, independentemente das causas, ocorrem mais durante os períodos de estresse e eclodem quando esses indivíduos se confrontam com situações que os fazem evocar experiências frustrantes e ameaçadoras vividas na infância e ao longo da existência. Esses atos têm a finalidade de aplacar e/ou compensar sentimentos de insegurança e autoestima rebaixada.

Nota-se na extensa maioria dos casos clínicos que os portadores de TEI advêm de famílias em que a dinâmica familiar apresenta-se instável e as explosões verbais, bem como comportamentos abusivos físicos e/ou emocionais, se fazem presentes. Como resultado desse histórico de agressividade e violência, os pacientes vivenciam estados de severas frustrações. As atitudes agressivas de seus familiares se tornam modelo e dificultam a aprendizagem de mecanismos que possam inibir esse tipo de comportamento, e assim os pacientes acabam por repetir o mesmo padrão de atuação em sua vida adulta, pois acreditam que certos atos de outras pessoas “justificariam” ataques agressivos a elas. Podemos dizer, então, que se trata de um comportamento transgeracional.

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PERIGO

De acordo com o DSM-5, parentes de primeiro grau de indivíduos com TEI estão em risco aumentado para esse transtorno, sendo que estudos de gêmeos demonstraram uma influência genética substancial para agressão impulsiva. Está descrito no DSM-5 que pesquisas dão suporte neurobiológico para a presença de anormalidades serotoninérgicas em termos globais e no cérebro, especificamente em áreas do sistema límbico (cingulado anterior) e do córtex orbitofrontal em indivíduos com transtorno explosivo intermitente. Em exames de ressonância magnética funcional, respostas da amígdala a estímulos de raiva são mais intensas em indivíduos com TEI em comparação com indivíduos saudáveis.

Em estudo realizado na Universidade de Harvard, pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, Kessler et al. (2006) verificaram que o TEI é um transtorno mental pouco conhecido, marcado por episódios de raiva injustificada, afetando 7,3% de adultos – 11,5/16 milhões de americanos – durante suas vidas. O estudo foi baseado em dados da Pesquisa Nacional de Comorbidade (National Comorbity Survey Replication), entidade nacionalmente representativa, realizado de porta em porta, com 9.282 adultos americanos maiores de 18 anos, conduzido entre 2001 e 2003. Essa amostra demonstrou que 7,3% dos portadores tinham episódios vitalícios, portanto crônicos, e 3,9% apresentaram ocorrências no último ano, portanto episódios pontuais, levando a crer que o TEI, apesar de pouco conhecido, é consideravelmente mais prevalente do que se pensava. Nessa amostra apurou-se que 60,3% receberam tratamento para problemas emocionais ou decorrentes do abuso de substâncias; 28,8% haviam recebido tratamento para a raiva; e 11,7% dos casos pontuais receberam tratamento para raiva nos 12 meses anteriores à realização do estudo.

Os trabalhos acadêmicos demonstram que pessoas agressivas ou nervosas, normalmente, não procuram tratamento na mesma proporção que pessoas deprimidas ou ansiosas. Esses mesmos trabalhos atestam que porta- dores de TEI, em sua maioria, quando procuram tratamento já receberam ajuda profissional para questões de ordem emocional, mas não para o tratamento do sentimento de raiva.

No que se refere a tratamento farmacológico, em seus estudos, Coccaro e Kavoussi concluíram que os inibidores seletivos de recaptação da serotonina – ISRS, particularmente a fluoxetina, são as primeiras opções de tratamento, visto que demonstram efeito “antiagressivo”, reduzindo os comportamentos violentos e aumentando o limite de tolerância aos ataques explosivos.

Sheard, Marini, Bridges, Wapner e Siassi entendem que em situações em que o paciente não responde aos ISRS, uma resposta positiva pode ser obtida através dos estabilizadores de humor (lítio) e antipsicóticos (quetiapina), propiciando um retorno antiagressivo. Barratt, Stanford, Felthous e Kent consideram também a possibilidade de se utilizar alguns anticonvulsivantes (carbamazepina).

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TCC

Com relação ao tratamento psicológico, a terapia cognitivo-comportamental (TCC), combinada com relaxamento, parece ser o caminho certo a ser escolhido para problemas de expressão da raiva.

Deffenbacher e Stark ressaltam que essa combinação diminui níveis de expressão inadequada da raiva.

Beck e Fernandes enfatizam que, através de técnicas específicas, a terapia cognitivo-comportamental promove a ressignificação da percepção negativa desses pacientes, além de diminuir, de forma significativa, a intensidade e a frequência dos episódios violentos. Ainda de acordo com Beck, esses indivíduos, por terem vivenciado na infância e/ou adolescência abusos físicos e/ ou emocionais, acabaram por desenvolver crenças fortemente negativas sobre outras pessoas, e cresceram convencidos de “que o mundo está contra elas”. Com isso, a agressividade é uma maneira de recuperar a autoestima.

Beck aponta alguns erros cognitivos desses pacientes frente às suas crenças, tais como personalização – o indivíduo interpreta os comportamentos das outras pessoas como dirigidos especificamente contra ele; percepção seletiva – o indivíduo identifica somente as situações ou interações que validam a visão negativa que tem do mundo e descarta outras possibilidades; negação (interpreta de forma negativa os motivos dos outros) – o indivíduo tende a culpar as pessoas com as quais se relaciona por incitar seu comportamento explosivo agressivo, desconsiderando ou minimizando sua responsabilidade na situação.

Apesar de não serem registrados estudos científicos a respeito da utilização da hipnose clínica como técnica auxiliar de tratamento, na prática clínica a hipnoterapia cognitiva tem se mostrado eficaz por possibilitar ao paciente intenso relaxamento, manejo de ansiedade e treino do comportamento mais adaptativo conseguido através da escolha de técnicas específicas para cada paciente.

O prognóstico depende de diversos fatores, como interesse em buscar ajuda, motivação para mudança, apoio familiar, entre outros. Em consultório, é possível identificar que quanto mais o paciente adere e se compromete com o tratamento proposto, mais rapidamente começa a experimentar situações de sucesso, no que se refere ao manejo das emoções e de seu comportamento impulsivo agressivo. O paciente passa a se sentir motivado e a desejar repetir as vivências bem-sucedidas. Em muitos casos não há necessidade do uso de medicação, apenas a psicoterapia é suficiente para que o portador de TEI consiga ótimos resultados nos diversos segmentos de sua vida. O tratamento melhora significativamente a qualidade de vida do paciente e das pessoas com as quais convive.

OUTROS OLHARES

SUPERPAI, SUPERFAMÍLIA

O enfermeiro solteiro que adotou nove filhos está agora tentando o décimo

Superpai, superfamília

Gosto muito de falar de adoção, porque é falar do amor. A gente não pode parar de falar de amor nunca. Meu nome é Uanderson Barreto de Souza, tenho 38 anos, sou enfermeiro e funcionário público. Trabalho há 15 anos na Fundação Municipal de Saúde da Prefeitura de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Sou solteiro e sempre soube que adotaria, porque minha avó Teresa tinha dez filhos e uma delas era minha tia Vilma, que foi adotada. Sempre soube que meus filhos seriam adotivos e não se encaixariam no padrão que o brasileiro costuma desejar, que é o de crianças brancas de até 2 anos de idade. Fui trabalhar em um abrigo como enfermeiro e lá comecei minha história.

Tenho dois irmãos, um homem, de 42 anos, e uma mulher, de 36. Temos idades próximas, e cresci brincando com eles. Minha avó teve dez filhos e minha tia Teresinha outros dez. Crescemos juntos, brincando no quintal, dividindo tudo, numa pobreza!

Minha primeira adoção ocorreu em 2011. Eu estava trabalhando em um abrigo e decidi que adotaria crianças marginalizadas, que ninguém quisesse, que estivessem fora do padrão. Conheci então meu filho João, que, à época, tinha 9 anos. Levei-o para casa, depois não aguentei e busquei o Daniel. Ele é irmão biológico do João e os dois já moravam no mesmo abrigo. Daniel é portador de uma doença mental grave e, a princípio, confesso que fiquei com medo. Fui para casa e não consegui ficar sem o Daniel. Voltei ao abrigo, pedi a visitação do Daniel e nunca mais o devolvi. Em 2012 ele virou meu filho. Muitos pensam que esse processo leva tempo, mas, na verdade, a adoção tardia é muito rápida. Em dois ou três meses consegui oficializar tudo.

Ele já tinha 12 anos e, sim, é verdade, os custos foram muitos. Por causa da doença, ele precisou ser atendido por fonoaudióloga e fazer vários tratamentos. Hoje está superbem, superadaptado. A adoção fez muito bem para ele. Conseguiu largar as fraldas e aprendeu muito, ganhou completa independência. Hoje, vai à escola, faz curso, está evoluindo.

Minha casa é pequenininha. Meu Deus, dois quartos, sala, cozinha, banheiro e dez cabeças dentro de casa! Preciso ganhar uma casa, gente – alô Luciano Huck! Porque a pessoa não faz conta de nada, a pessoa dorme no corredor, dorme no teto… Ainda abrigo moradora de rua para ganhar bebê lá em casa. Tenho um projeto chamado Adotando Vidas. O amor extrapolou nossa família e virou quase uma instituição de ajuda humanitária.

Quando criança, eu pegava os animais de rua e levava para casa, chorava com pena do vizinho que não tinha o que comer.. . Coisa de pisciano, sofredor. Não aconteceu nada em minha vida que desse o impulso para isso, é natural, é o dom do amor, de amar o próximo.

Tenho cara de cachorro que caiu da mudança, de “Oi? Tudo bem?”. Falando em cachorro, faz um ano que resgatei a Belinha. Fiquei sabendo que ela estava sofrendo maus-tratos em uma comunidade, peguei um táxi, fui atrás dela e a adotei também.

Desde que trabalhei no primeiro abrigo, tenho o costume de visitar essas instituições e passar um tempo com as crianças. Foi assim que descobri o Alexandre, meu terceiro filho, também irmão de sangue do João e do Daniel. Em julho de 2012, meses depois de adotar o Daniel, fui visitar um abrigo e era o aniversário de 15 anos do Alexandre. Foi coincidência, eu fui à instituição visitar e lá descobri mais um irmão de meus dois filhos. Eu não sei nada sobre os pais biológicos deles. Ou estão mortos, ou vivem em comunidades de risco, ou estão envolvidos com o tráfico…

Fechei esse ciclo biológico, de três irmãos. Depois, em 2014, fui a outro abrigo e conheci Leonardo e Pedro, que são irmãos biológicos de outros pais. Eu não queria separá-los e adotei os dois. Leonardo tinha 12 anos e Pedro 8. Até aí eram cinco filhos, e todas essas histórias são em abrigos aqui de Campos mesmo.

No ano passado, fui ser coordenador de um abrigo em São Francisco de Itabapoana. Aí trouxe Jocilan, o quinto. quinto? Não, o sexto. Eu perco as contas. Eu fiz uma tatuagem em meu braço com todos eles para não perder as contas, estou aqui olhando para ela. Jocilan tem 13, é o amor da minha vida! Nossa Senhora, eu morro por causa daquele menino.  Por causa de todos, mas ele é o  que exige mais defesa de mim. Porque ele é o único que veio sozinho, não tem nenhum núcleo biológico na minha casa. Ele é um amor.

A próxima história, é a do Marcos, também no início do ano passado. Com 16 anos, fez cursinho de informática no abrigo e me pediu, pelo Messenger, para que eu fosse pai dele. Ele era amigo do meu filho no abrigo e me dizia: “Tio, por favor, seja meu pai! Você é a única pessoa que adota crianças grandes, da nossa idade”.  Eu já estou lá há muito tempo! Aí não dá, eu morro. Eu nem vou aceitar mais criança nenhuma do abrigo no meu Face, que é para não correr o risco.

Resisti um pouco, mas depois pedi a visitação. Marcos tinha duas irmãs, Luciara e Vitória, e eu trouxe os três. Hoje eles têm, respectivamente, 17, 28 e 13 anos. Mas ainda falta um. Eles têm um irmão caçula com paralisia cerebral. Ele é cadeirante, e estou fazendo algumas adaptações em casa para poder trazê-lo. Ele é outro amor da minha vida ainda está lá no abrigo, tadinho. Ficou com paralisia cerebral após uma meningite. Ele tem 9 aninhos. Eu quase morro por causa dessa criança.

Eles se lembram dos pais, sim. Foram para o abrigo já grandes, por negligência, maus-tratos… Eu ainda faço isso, ainda visito os abrigos, vou lá, dou atenção aos que lá estão. Mas agora estou proibido de adotar, o juiz me proibiu.

Conheço a realidade dos abrigos bem de perto. Abrigo é prisão de criança, não é solução para nada. Lugar de criança é em família, com estrutura familiar, com os pais. Não é em abrigo, nunca foi e nunca será. Lá é uma rotina maçante, elas só podem ir à frente, aos fundos e cumprir regras. Não têm uma vida social livre, têm uma vida agendada. Não são livres para ir até a frente da casa, para receber uma visita, é como se tivessem de ser moldadas àquele ambiente. Acabam não tendo espaço para desenvolver suas individualidades, e tudo isso acarreta defasagem escolar, vira uma vida mecanizada.

Meus filhos chegaram assim, muito retraídos, quietos. Mas aí o amor e a socialização fazem com que eles se desenvolvam. O acesso à internet, aos meios de comunicação, telefone, é inevitável. Eles fazem vários esportes, cursos profissionalizantes, e esse convívio ajuda muito.

Eu me sinto realizado, feliz. Feliz demais por ser pai. Claro que nem tudo é um mar de rosas. A gente perde algumas coisas, mas nada faz falta para mim. Meus filhos me preenchem em tudo. Minha vocação é ser pai, era meu grande sonho.

Superpai, superfamília. 2

GESTÃO E CARREIRA

DESORIENTADO?

Se você está se sentindo perdido com as grandes transformações do mundo, deve prestar atenção no Oriente, mais especificamente no que ocorre em terras chinesas.

Desorientado

As mudanças que estão ocorrendo em nossa sociedade e no mundo do trabalho estão provocando perplexidade. Por isso, é comum ouvir pessoas dizendo que se sentem “desorientadas”. O significado dessa palavra é interessante. No século 17, o termo designava aqueles que não sabiam o que acontecia no Oriente, de onde vinham as grandes invenções (como a bússola e a pólvora), as grandes embarcações marítimas e os mapas náuticos.

Com a evolução do mundo ocidental, a palavra mudou, principalmente depois da Segunda Guerra Mundial, e as pessoas deixaram de ficar “desorientadas” para se sentir “desnorteadas”, já que toda a modernidade vinha do Norte, mais especificamente dos Estados Unidos. Mas talvez isso esteja mudando.

Lendo uma entrevista do sociólogo francês Alain Tourraine, no esplendor de seus 93 anos, no jornal Valor Econômico, vejo que, novamente, quem não acompanha a modernização do mundo será chamado de desorientado. Isso porque, segundo o estudioso, “a China vai superar os Estados Unidos no avanço tecnológico”.

Não é exatamente uma surpresa que isso aconteça. Os maciços investimentos em educação e simultaneamente em desenvolvimento da tecnologia aceleraram o passo da China nessa corrida pela supremacia mundial.

A diferença é que os chineses se sentem bem nesse papel por já terem experiência prévia em serem os líderes mundiais na economia e na tecnologia. Eles dizem que sabem como se comportar e se manter nessa posição, pois no passado tiveram esse papel durante a dinastia Ming (1368-1644). Nessa época, sob o reinado do imperador Zhu Yunzhang, também conhecido como Hongwu, a China tinha a maior produção de ferro (100.000 toneladas) e a maior frota marinha de navios que visitaram todos os continentes — bem antes dos portugueses e espanhóis. Eram também grandes produtores de prata, ouro e da tão ambicionada seda.

Agora, 650 anos mais tarde, a China tem a maior população mundial (com cerca de 1,4 bilhão de pessoas) e um PIB de 13,2 trilhões de dólares, que ainda é menor do que o americano, mas que, nos próximos anos, tende a superá-lo. Em breve, o país vai se apresentar como o líder da transformação digital, pois está usando a modernidade tecnológica como instrumento de inclusão social, criando milhões de consumidores mensalmente.

Quem estiver desorientado vai ter de ficar esperto e olhar com muito cuidado, humildade e respeito para o que está sendo feito na China. Que tal começar a estudar mandarim? Pode ser um bom começo para se reorientar e entrar no mundo dos novos líderes planetários.

 

LUIZ CARLOS CABRERA – Escreve sobre carreira, é professor na EAESP-FGV e diretor na PMC-Panelli Motta Cabrera & Associados

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 25 – O SEGREDO DE NEGAR-SE A SI MESMO

Então Jesus disse aos seus discípulos: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Mateus 16.24

 

Algumas pessoas podem pensar que Jesus está dizendo: “Como eu tive que sofrer muito para conquistar sua salvação, quero que você também sofra”. Mas Jesus não pretendia que esse fosse um convite mórbido para o sofrimento, mas um convite glorioso para intimidade com Deus. “Se você realmente deseja ficar perto de mim”, Ele nos diz, “então deixe-me entregar-lhe a chave. Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. É um convite para o mais alto nível de intimidade, mas nós sempre o evitamos porque achamos que o preço é muito alto. O que não compreendemos, entretanto, é o que estamos comprando. É exatamente como se alguém estivesse nos oferecendo um Mercedes novinho em folha por 20 reais e nós ficássemos reclamando do fato de estarem tentando nos arrancar 20 reais! Perto do que estamos comprando, esse preço é irrisório! Da mesma forma, negar-se a si mesmo é um preço muito pequeno a pagar pelo incrível deleite da comunhão de amor com Deus.

Se você quiser recebê-lo, o segredo é o seguinte: negar-se a si mesmo pode servir como um catalisador que impulsiona você para frente em direção ao grande prazer da intimidade no lugar secreto. O ato de negar-se a si mesmo e a intimidade seguem de mãos dadas.

Negar-se a si mesmo desperta o fluxo de vida e o amor no lugar secreto. Negar-se a si mesmo não é a mesma coisa que tomar a sua cruz. Para tomar a cruz, pelo menos em um sentido, é crucificar as paixões pecaminosas da carne. A cruz está associada à morte da carne, do homem carnal. Negar-se a si mesmo, entretanto, tem a ver com paixões boas e saudáveis. Negar-se a si mesmo é a redução deliberada de paixões e desejos saudáveis em favor de uma busca mais intensa de Jesus.

Para esclarecer, apresento exemplos das muitas maneiras como o negar-se a si mesmo pode ser aplicado:

***Jejum parcial ou integral de alimentos ou água

***Diminuição do período de sono

***Não participar de uma boa diversão

***Dizer não a convites sociais/de amigos

***Reduzir o tempo de recreação/exercícios

***Fazer uma pausa temporária da relação sexual

***Fazer um voto de celibato

***Gastar menos quando poderia gastar mais

Nenhuma das atividades acima são pecaminosas. Praticadas com moderação e equilíbrio, elas são presentes de Deus que podemos apreciar em nossa vida. Mas algumas pessoas querem mais que uma vida feliz. Elas querem conhecer Jesus e aspiram conquistar o Reino. Desejam acumular tesouros eternos e anseiam derramar o Espírito de Deus em sua geração. Por isso, elas buscam o Reino com intensidade espiritual. Negar-se a si mesmo é um dom de Cristo que nos permite aumentar as chamas de nosso amor sete vezes mais. O fato de negar-se a si mesmo inclui alguns benefícios espirituais, como os que aponto a seguir.

PERSPECTIVA MAIS CLARA

Quanto mais você nega a si mesmo, mais as escamas caem de seus olhos. Você começa a enxergar o mundo como ele é e passa, naturalmente, a perceber o sistema corrupto do mundo que nos cerca. O mundo não renuncia nada, portanto, quando você se submete a negar-se a si mesmo, está remando contra a maré. O negar-se a si mesmo demonstra que não amamos o mundo nem as coisas do mundo.

Foi a falta de alimentos que finalmente trouxe o filho pródigo à razão. “Caindo em si, ele disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm comida de sobra, e eu aqui, morrendo de fome!”‘ (Lucas 15.17). De modo parecido, o verdadeiro jejum espiritual é uma ação poderosa para ajudar a nos direcionarmos novamente para os verdadeiros valores e realidades do Reino.

TRANSFORMAÇÃO ACELERADA

Quando você começar a perceber como o mundo contaminou seu estilo de vida, a graça será liberada para promover uma transformação pessoal. A simples verdade é que o Senhor Jesus honra quem nega a si mesmo. Ele ama a resolução apaixonada e a humildade daqueles que de boa vontade negam-se a si mesmos. Então, recompensa com graça a fim de que a pessoa obtenha pureza pessoal e verdadeira santidade. Ele dá graça ao humilde.

Ao falar sobre jejum, Jesus disse: “E ninguém põe vinho novo em vasilha de couro velha; se o fizer, o vinho rebentará a vasilha, e tanto o vinho quanto a vasilha se estragarão. Ao contrário, põe-se vinho novo em vasilha de couro nova”. Jesus ensinou claramente que o jejum desempenha um papel fundamental na preparação da vasilha de couro velha para mais uma vez poder receber vinho novo. O negar-se a si mesmo tem um poderoso efeito modelador sobre a alma, nos preparando para o vinho novo do movimento novo de Deus entre nós.

PREPARAÇÃO PARA O MINISTÉRIO PROFÉTICO

Quando alguma coisa é praticada excessivamente, você não pode ter autoridade sobre ela enquanto continuar praticando-a, mesmo com moderação. Para ter autoridade sobre o excessivo, você deve se santificar e deixar de praticar até mesmo uma quantidade equilibrada e saudável.

Jesus modelou este princípio. Para tratar da avareza dos fariseus, não se permitiu nem tocar em dinheiro. Para tratar da tendência dos fariseus de usar trajes especiais, usou roupas bem simples. Para tratar do afã dos fariseus pelos melhores lugares nos banquetes e nas sinagogas, não se assentava com eles. Jesus se santificou deixando de praticar o bom e o normal para ter autoridade sobre o excessivo e desequilibrado.

Aqueles que levam mensagens proféticas para o corpo de Cristo geralmente negarão a si mesmos quase que diariamente. As formas estratégicas de negar-se a si mesmo nos qualificam para sermos despenseiros de uma mensagem profética para o corpo de Cristo.

CAPACIDADE DE OUVIR A DEUS

Um dos principais benefícios de negar-se a si mesmo é a capacitação que recebemos para ouvir mais claramente a Deus. Resposta, direção, percepção, enfim, tudo, parece fluir mais livremente quando o ato de negar- se a si mesmo é praticado livremente e de boa-vontade com graça no coração.

Mike Bickle fala articuladamente sobre jejum como sendo uma forma de “fraqueza voluntária”. A fraqueza voluntária, como ele denomina, é a adoção intencional da fraqueza com a finalidade de descobrir uma graça maior. O ato de renunciar a si mesmo tem um efeito de enfraquecimento do vaso humano. Ele nos torna mais vulneráveis. Aqueles que adotam a prática da fraqueza voluntária se apropriaram pessoalmente deste grande princípio: “Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Coríntios 12.9). Quando adotamos a fraqueza, a graça de Deus rapidamente nos fortalece. Aqueles que negam a si mesmos ficarão mais aptos a ouvir a voz de Deus e a entender sua vontade.

Jesus associou intrinsecamente o lugar secreto ao ato de negar-se a si mesmo. Ele disse:

Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a 6m de que os outros vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa. Ao jejuar, arrume o cabelo e lave o rosto, para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê em secreto. E seu Pai, que vê em secreto, o recompensará. – Mateus 6.16-18

O ato de negar-se a si mesmo é praticado em secreto. Ele é feito em silêncio, exclusivamente para Deus, para ser visto apenas por seus olhos. Quando praticado com pureza perante nosso Pai de amor, serve para despertar o fluxo de vida no lugar secreto.

Deseja manter isso em segredo? Quando seu lugar secreto precisar de revitalização, pratique a graça de negar-se a si mesmo. Seu coração será tocado mais prontamente, seu espírito voará mais alto e sua consciência da presença de Deus aumentará.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ASPECTOS DESVALORIZADOS PELOS HUMANOS

Os mitos são construídos nos primórdios da humanidade. Como imaginar o sentimento de justiça e dignidade de um inseto que se transforma em homem para refletir sobre as bases instintivas da psique?

Aspectos desvalorizados pelos humanos

Dignidade é um sentimento que nos leva ao interesse pelas questões do sofrimento de outrem, bem como a justiça – o que torna o homem protegido na relação com o outro. Encontramos tais reflexões no conto “Samsa apaixonado”, no livro Homens sem Mulheres, de Haruki Murakami.

Nesse conto, o personagem de Franz Kafka, o Samsa do livro Metamorfose, segue um   processo inverso. Assim Murakami descreve: “Quando certa manhã acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado de Gregor Samsa”. De alguma maneira o inseto entendeu que se transformara em uma pessoa e que se chamava Gregor Samsa.

Samsa, ao despertar em um ambiente de uma casa, aparentemente abandonado, logo tomou consciência dos temas: invasão, prisão e proteção. Começou a pensar quem era ele antes de ser Gregor. Veio à sua mente uma espécie de sonho que fez surgir em sua cabeça uma nuvem de mosquitos. Sua prioridade é preencher o vazio que sentia no corpo e teve que se habituar aos dilemas da vida humana em meio à guerra.

Ao observar os homens e se olhar no espelho, deu-se conta de que estava nu. Vestiu um roupão. Chamaram à porta. Ao abri-la, viu uma jovem mulher com o corpo deformado – por ser corcunda –, que para ele parecia um inseto. Samsa se apaixona e não sabe por que seus genitais formam uma protuberância se destacando no seu corpo vestido. A jovem viera consertar uma fechadura. Foi enviada pelos pais pela suposta facilidade que teria em passar pelas guerras lá fora.

A jovem já experimentara o abuso do outro e entendeu que aquele órgão, se expressando por trás do roupão, seria mais uma tentativa de humilhação e abuso. Ela reclama disso, e Samsa – em sua humanidade, tenta lhe explicar o que só ele sente. Seu coração acelera. Vivia algo muito bom que os homens chamam de amor. a tensão entre a lentidão do tempo em que se está apaixonado e a aceleração desse mesmo tempo quando se quer amar deixou Samsa confuso e atraído por alguém que não sabe se voltará a ver.

Sonhar é o modo que temos para entrar em contato com a natureza que se expressa de forma mitológica para resgatar os seus segredos. Quem consegue prestar atenção a eles terá o benefício de se conhecer de verdade. Não se pode observar os sonhos com a lógica da consciência, mas com a linguagem metafórica do inconsciente. Poderíamos por meio do sonho descobrir algo sobre a origem de Samsa. Ele sonhou, ou veio à sua cabeça, uma nuvem de insetos? Poderíamos aqui refletir sobre aspectos desvalorizados pelos humanos, ou trazer a ideia do incômodo ou doença que nos fazem tê-los como indesejáveis, ou ainda pensarmos nas bases instintivas da psique, o que nos faz executar atos sem usar a sabedoria da reflexão.

Durante o desenvolvimento da criança, ou da humanidade, a consciência, à medida que evoluía, também o afastava de sua própria natureza ao negligenciar a sua origem mítica. No mito do paraíso, Adão e Eva experimentam o fruto do conhecimento e se dão conta que estão nus e que existem diferenças entre eles. Dessa forma, para entendermos a natureza do homem recorremos aos mitos construídos pela humanidade em seus primórdios, época em que a consciência ainda não o tinha afastado tanto de sua própria natureza.

Assim acontece com as várias guerras lá fora, podemos pensar nos quatro cavaleiros do Apocalipse. O primeiro, a guerra, já contém em si os outros três: a dominação, a peste e a fome. A jovem corcunda, em sua guerra com seu corpo, trouxe a vergonha e humilhação como uma barreira que a impedia de ser amada. Talvez ela represente o “estupro social” das convulsões sociais que é a invasão do mais forte sobre o mais fraco, ou seja, a violência e o desrespeito à integridade do outro.

Na linguagem de um dos muitos mitos da criação, Epimeteu, na criação do homem, deu-se conta de que distribuíra todas as faculdades disponíveis para os animais irracionais e nada sobrou para dar ao homem que nascia nu e desprotegido. Prometeu, irmão de Epimeteu, conseguiu roubar dos deuses o fogo e a sabedoria para dar ao homem a capacidade de criar seus próprios meios necessários à vida. Com esses recursos, os homens começaram a interferir na natureza e ter dificuldade de se relacionar com seus pares. Os homens começaram a se destruir. Zeus, o deus maior do Olimpo, resolveu intervir.

Compadecido, Zeus deu-lhes um de seus dons: a arte da política, constituída de dois atributos: justiça e dignidade. Na dignidade pessoal já está o sentimento de vergonha ou pudor. Para Zeus, todos os homens deveriam desenvolver a Arte da Política, pois assim darão importância aos seus atos que serão julgados e qualificados pelos outros. Do contrário não haveria harmonia social e a espécie humana desapareceria.

A guerra é, portanto, um resultado da incompetência política, quando a arte de governar não consegue o respeito aos valores instituídos e estabelecidos ao longo da vida dos povos de uma nação. Quando falta a Arte da Política, ficamos sem a justiça e sem a dignidade pessoal. O homem então ficará indiferente às questões do outro e se tornará manipulador da realidade, usando o bem coletivo em proveito próprio.

Esses são os desafios de um inseto que evoluiu para um ser racional.

Aspectos desvalorizados pelos humanos. 2

Homens sem Mulheres Autor: Haruki Murakami Editora: Alfaguara

Ano: 2015 – Páginas: 240

CARLOS SÃO PAULO – é médico e psicoterapeuta junguiano. É diretor e fundador do Instituto Junguiano da Bahia.

carlos@ijba.com.br / www.ijba.com.br

OUTROS OLHARES

ELES ESTÃO COM MEDO

Pesquisa aponta um cenário vergonhoso e de barbárie: crianças e adolescentes brasileiros não se sentem seguros nem enquanto estudam no colégio

Eles estão com medo

E.S.S., de 17 anos, mora no bairro Jardim Palmares, no município de Nova Iguaçu, no Estado do Rio. Desde 2016 ela estuda em um colégio público da região, mas, antes disso, passou um ano fora da escola. O motivo que a levou a não querer mais sair de casa para assistir às aulas foi um problema que, com uma cruel persistência, afeta o cotidiano fluminense: a onipresença da violência, que não respeita nem mesmo o ambiente estudantil.

Aos 13 anos, enquanto fazia o caminho de todos os dias para o colégio, E.S.S. percebeu que estava sendo seguida por um homem. Apavorada, entrou em um posto de saúde. Ao voltar para casa, pediu para deixar a escola.

O episódio foi, na verdade, a gota d’água de um oceano de abusos: bullying dos colegas e agressões verbais de professores – que chegaram ao cúmulo de chamá-la de burra – tiraram de E.S.S. a vontade de estar em sala de aula. Hoje, mesmo frequentando outra instituição pública de ensino, localizada também em Nova Iguaçu, a adolescente ainda é assombrada pelo espectro da violência.

E.S.S. faz parte de um universo de quase 4.000 estudantes brasileiros, com idade entre 9 e 17 anos, entrevistados pela ONG Visão Mundial, fundada nos Estados Unidos em 1950, para uma pesquisa. O estudo “Infância [des]protegida” –  que será lançado na terça-feira 28 em Brasília, no Seminário da Rede Nacional de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes –   foi realizado com o objetivo de radiografar a percepção de segurança de crianças e adolescentes que frequentam escolas no Brasil. A pesquisa, feita entre agosto e setembro de 2018 –  antes, portanto, do massacre de Suzano, que vitimou cinco jovens alunos de um colégio naquela cidade paulista em março deste ano -, abrangeu 67 instituições de ensino, em seis estados e sete municípios, com alunos do 5º ao 9º ano. Enquanto 78% dos entrevistados disseram sentir-se seguros dentro de casa, mais da metade dos participantes – 52% –   declarou não se sentir protegida no colégio (leia outros dados da pesquisa no abaixo). Nova Iguaçu, o município onde E.S.S. vive, teve o pior resultado entre as cidades analisadas. “Nossas aulas são canceladas constantemente por causa de situações de violência e perigo”, disse a adolescente. Ela relatou que os constrangimentos que sofreu em classe estão longe de ser exceção: vários de seus colegas também já passaram por bullying, e um dos professores chegou a dizer em sala que os alunos tinham “algum grau de autismo” por não conseguirem entender as matérias.

“O resultado da pesquisa que fizemos reflete a urgência de colocar a escola como um espaço de diálogo, de formação cidadã e de escuta das crianças. O colégio precisa cumprir esse papel social. Viver exposto à violência gera um stress que tem impacto negativo no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes e até mesmo na capacidade de aprendizagem”, afirma a sanitarista pernambucana Karina Lira, uma das coordenadoras do estudo.

Assim como E.S.S. vivencia um conjunto de manifestações de violência em seu dia a dia, a escola situada em local de vulnerabilidade social está presa em uma rede de fatores adversos. “A instituição de ensino não é uma ilha. O aluno traz com ele os problemas que encara no ambiente doméstico e que absorve da violência urbana. Sai de casa para estudar e presencia tiroteios, assaltos, tráfico, assassinatos etc. A comunidade escolar tem de estar preparada para todos esses problemas”, acrescenta Karina.

Em junho do ano passado, no Complexo da Maré, na cidade do Rio de Janeiro, Marcos Vinícius da Silva, de 14 anos, foi baleado por policiais no caminho para o colégio. O garoto recebeu atendimento no pronto-socorro, porém não resistiu. “Bandido não carrega mochila”, lamentou sua mãe, Bruna Silva. No começo deste mês, o governador do Rio, Wilson Witzel (PSL,)foi criticado por sobrevoar de helicóptero a cidade de Angra dos Reis com o objetivo de dar o aval a snipers para atirar, a pretexto de combater bandidos. Como forma de proteção, o Projeto Uerê, uma escola para jovens com bloqueios cognitivos e emocionais localizada na Maré, instalou uma placa no telhado para identificar o local: “Escola. Não atire”. Na instituição, desde 2017 os alunos têm treinamento para se proteger em caso de tiroteio.

No tristíssimo catálogo de episódios de violência que o Brasil exibe, o registro recente que mais chocou o país foi sem dúvida o que ocorreu na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, dois meses atrás. Uma dupla de atiradores, Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro, ambos ex-alunos daquele colégio, entrou na instituição e matou cinco estudantes e duas funcionárias. Depois das cenas de horror, cercados por policiais militares da força tática, um dos atiradores matou o comparsa e em seguida cometeu suicídio. Para Karina, não há como estabelecer uma relação direta entre o caso de Suzano e as percepções identificadas na pesquisa da Visão Mundial. Fatores emocionais e psicológicos estariam também envolvidos no episódio, contudo não há dúvida de que a escola absorve o clima de violência da região. Seja como for, segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, nos últimos cinco anos foram registrados 225.522 boletins de ocorrência em estabelecimentos educacionais do estado – uma média de123 crimes por dia.

Por mais que a análise mostre um cenário obscuro, sem esperança, das condições de vida de boa parte das crianças e adolescentes que representam as próximas gerações do país, o estudo da ONG conclui que o fortalecimento das instituições e de políticas públicas pode ser a solução para proteger os mais vulneráveis. O Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, já traz garantias básicas de seus direitos – como receber educação de qualidade, ter acesso à cultura, poder brincar com colegas da mesma idade, não ser obrigados a trabalhar e não sofrer agressões físicas ou psicológicas por parte daqueles que são encarregados de instruí-los ou de qualquer outro adulto.

E.S.S,. que teve sua história ouvida no levantamento da Visão Mundial, surpreendeu-se até com o fato de ter sido abordada. “Foi a primeira vez que perguntaram a nossa opinião. Interessante, porque mostrou que nós também temos o direito de falar sobre o que pensamos e sobre o que passamos. Temos o direito de nos expressar.”

Eles estão com medo. 2

GESTÃO E CARREIRA

DOMANDO ELEFANTES

De olho no crescente interesse de grandes empresas em se relacionar com startups, as aceleradoras miram um novo nicho e abrem oportunidades.

Domando elefantes

Nos últimos anos, a cara do mercado brasileiro de startups mudou drasticamente. De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), se em 2012 existiam cerca de 2.519 jovens empresas tecnológicas por aqui, esse número mais que triplicou e está em 10.000 atualmente. Só no ano passado, quatro delas se tornaram unicórnios, ou seja, foram avaliadas em 1 bilhão de dólares. Na esteira desse crescimento, um ecossistema de outros negócios surgiu. Entre eles os fundos de investimento, as incubadoras e as aceleradoras. Estas últimas apareceram há cerca de dez anos, replicando o modelo americano no qual investiam dinheiro e conhecimento nas startups em troca de um pedaço desses empreendimentos. O lucro viria anos depois, quando a empreitada prosperasse. De lá para cá, as aceleradoras também se multiplicaram e hoje existem cerca de 41 empresas nesse ramo no Brasil. O número, segundo especialistas, é alto se considerarmos que mundialmente apenas 253 companhias atuam da mesma forma. E agora, depois de uma década de trabalho com as startups, as aceleradoras estão de olho em outro nicho: o das grandes empresas.

Embora tenham movimentado cerca de 19 bilhões de dólares em 2017, para sobreviver as aceleradoras reavaliam seu modelo de negócios. O aumento da competitividade no mercado empreendedor e a necessidade de investimentos altos, tanto em aportes para as startups quanto em times qualificados para atendê-las, são alguns dos entraves à saúde financeira dessas empresas. E um dos campos mais promissores não está nas jovens empresas disruptivas, mas dentro das grandes corporações, cada vez mais ávidas por inovar. Tanto que, de acordo com um estudo da startup de investimentos americana Gust, publicado em 2016 e que entrevistou 579 aceleradoras no mundo todo, cerca de 67% pretendiam gerar receita por meio de serviços corporativos. Apenas 32% esperavam ter retorno financeiro com os exits — quando uma startup com a qual a aceleradora trabalha é comprada e as ações são vendidas. E esse movimento está chegando ao Brasil. “Tal como ocorreu nos Estados Uni- dos e na Europa, as aceleradoras brasileiras encontraram no atendimento às organizações uma forma de fechar as contas e alcançar sustentabilidade econômica”, diz Caio Ramalho, coordenador do curso de MBA em private equity, venture capital e investimentos em startups da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro.

Com isso, departamentos inteiros estão sendo criados dentro das aceleradoras apenas para oferecer serviços como treinamentos corporativos, implantação de times ágeis e programas de incubação em conjunto com grandes empresas. Algumas decidiram ir mais longe e estão focadas apenas nesse trabalho. E, prometendo fazer a inovação sair do discurso, as aceleradoras passaram a ser um competidor de peso contra as consultorias tradicionais. “Por estarem mais próximas da linguagem e das práticas dos empreendedores, elas tendem a ganhar muito ofertando esse serviço”, diz Igor Piquet, diretor de empreendedorismo da Endeavor.

MENOS EXCEL, MAIS MÃO NA MASSA

Criada há sete anos, e tendo acelerado 260 startups, a Ace é um exemplo desse movimento. Desde 2014, a empresa prestava serviços para grandes companhias de forma pontual, mas há um ano resolveu criar um novo braço dentro do grupo com a operação voltada apenas para o público corporativo. Captaram 5 milhões de investimento de um fundo e lançaram a Ace Córtex em fevereiro de 2018. “Queríamos entregar algo além de um PowerPoint com centenas de slides apontando possibilidades. Nosso objetivo era ajudar as empresas a encontrar estratégias de produtos que causassem impacto em seus negócios e a desenvolver os projetos junto com elas no dia a dia”, diz Pedro Waengertner, CEO da Ace.

Um dos exemplos foi o trabalho que a Ace Córtex realizou com a empresa de previdência privada BrasilPrev, em 2018. “Capacitamos os líderes da empresa em metodologias ágeis e ensinamos a eles como apresentar ideias em formatos de pitch, por exemplo”, diz Pedro. Como resultado, no período de cinco meses os executivos da BrasilPrev apresentaram oito projetos de novos produtos. “A expectativa da companhia é que essas iniciativas gerem 20 milhões de reais de retorno em um ano”, afirma Pedro. A estratégia caiu no gosto das em- presas e os clientes da Ace Córtex saltaram de dois, no início de 2018, para 33 atualmente, entre eles gigantes como Basf e Natura. Com isso, o grupo, que atualmente emprega 40 pessoas, pretende aumentar esse número para 100 até o fim do ano. Esses novos profissionais serão, sobretudo, empreendedores — bem-sucedidos ou não. “Já conhecíamos o talento de muitos deles, que tinham passado pela aceleradora anteriormente e que, por algum motivo, não tiveram sucesso em suas startups.” O fracasso, aliás, é visto com bons olhos. “Quem já empreendeu lida melhor com a incerteza inerente aos negócios em fases tão iniciais e não se dá por vencido diante das dificuldades, além de ser mais questionador”, diz Pedro.

PARA CADA NECESSIDADE

A Startup Farm também ajustou a rota no meio do caminho. Fundada há oito anos e com um currículo pelo qual passaram startups como Easy Taxi e WorldPackers, em 2014 a aceleradora resolveu estruturar a OpenCorp Farm, uma unidade de negócios voltada para grandes empresas. “Muitas corporações nos pro- curavam para ajudá-las, então vimos uma oportunidade de atender melhor essa demanda”, diz o CEO Alan Leite. Entretanto, em vez de formatar serviços personalizados, a estratégia da OpenCorp Farm foi identificar necessidades comuns das corporações e criar soluções que se adaptassem a qualquer companhia. “Percebemos uma procura por treinamentos sobre empreendedorismo para cargos de gerência e diretoria, aceleração de projetos internos com as metodologias de startups, além de workshops de resolução de problemas”, afirma Alan. Outra tática foi replicar o programa de aceleração da Startup Farm, que recruta empresas de todos os segmentos, em outros que selecionam startups de ramos específicos, como o Ahead Visa e o Ahead Banco do Brasil.

Atualmente, a OpenCorp Farm tem seis clientes, entre eles Centauro, Banco do Brasil e Oi Futuro, e pretende dobrar a receita em 2019. O time, que hoje tem 16 pessoas, deve aumentar para 22 até o fim do ano. “Terão oportunidade os profissionais com experiência em gestão de portfólio de empresas, investimentos e relacionamento com grandes corporações”, afirma Alan.

MODELO VIÁVEL DE NEGÓCIO ATÉ QUANDO?

Fundada em 2015, a Liga Ventures já nasceu como uma aceleradora corporativa. Depois de ter contato com o empreendedorismo por meio da aceleração de empresas de mídia, os sócios Rogério Tamassia, Guilherme Guimarães e Daniel Salles perceberam que, para o negócio dar certo, o caminho seria grandes empresas. “Enxergamos esse modelo como um dos poucos viáveis porque permite receita recorrente e de curto prazo. O retorno de um investimento de venture capital [capital de risco] em startups, por exemplo, pode levar até dez anos. Com a aceleração corporativa conseguimos ganhar escalabilidade”, afirma Rogério.

Em quatro anos de operação, a Liga Ventures, que tem atualmente 25 clientes de grande porte, como Porto Seguro, Vedacit e Grupo Pão de Açúcar, gerou 300 negócios entre empresas e startups e aumentou de quatro para 21 o número de funcionários. Essa equipe, aliás, teve de mesclar jovens que entendem de tecnologia com executivos mais experientes que conseguem transitar no mundo corporativo e sentar à mesa com os CEOs. “Cerca de 50% de nossos funcionários são gestores de aceleração. Eles atuam como mediadores e conseguem criar harmonia na comunicação entre em- presas e startups, que têm estilos diferentes”, diz Rogério.

Além de estruturar testes de modelos de novos negócios, a Liga Ventures oferece consultoria para áreas mais tradicionais das empresas, como jurídico, financeiro e compras. “Esses departamentos precisam se preparar para trabalhar com as startups de maneira que, quando os programas de aceleração começarem, os processos e contratos já estejam adaptados e deixem de ser lentos e restritivos como costumam ser”, afirma Rogério.

Os benefícios de ter o conhecimento das aceleradoras ajudando grandes empresas são inúmeros — para ambos os lados. Para as companhias, a chance de se aproximar e entender como a inovação acontece nas startups pode ser o segredo que as fará sobreviver nos próximos anos. Para as aceleradoras, pode ser a saída para continuarem sendo sustentáveis e relevantes dentro do ecossistema empreendedor. Porém, é preciso ficar atento. “Startups e organizações são muito diferentes. Estas últimas são bem mais complexas (com vários processos, hierarquias), então utilizar o mesmo método de trabalho indiscriminadamente nunca dará resultados”, afirma Caio Ramalho, da FGV. Isso quer dizer que não basta ensinar às empresas os jargões dos empreendedores ou colocá-las todas para trabalhar em equipes interdisciplinares. O desafio continua sendo o de transformar a cultura desses elefantes brancos, algo que não é fácil nem rápido. E pivotar as grandes corporações pode levar anos. “Se a alta liderança não estiver comprometida com o processo, isso ficará mais difícil. Diversas empresas têm feito investimentos sem absorver o que o ‘estilo startup’ tem a oferecer: perguntas e reflexões ao invés de respostas prontas”, afirma Caio. Resta saber se as aceleradoras vão, de fato, conseguir ajudá-las nesse desafio ou se serão substituídas por outra solução milagrosa que poderá surgir daqui a uns anos.

 

VAGAS À VISTA

Quais são os profissionais demandados pelas aceleradoras para fazer a ponte com as grandes companhias.

NEGÓCIOS

Pessoas formadas em economia e administração de empresas e, sobretudo, com experiência em finanças e negócios encontram boas oportunidades em gestão de projetos. Habilidades em negociações e mediações de conflitos colocam candidatos à frente. analistas de investimentos, gestores de portfólio e de aceleração são vagas que costumam aparecer.

TECNOLOGIA

Produtos e serviços inovadores estão necessariamente ligados à tecnologia. Por isso, quem tem conhecimento de ti consegue acompanhar o desenvolvimento de soluções e apresentá-las aos executivos das grandes empresas.

USER EXPERIENCE

Profissionais especializados em user experience são buscados para cuidar de estratégias e análise de dados, assim como encontrar e resolver problemas em projetos.

INOVAÇÃO

Quem já passou pelas áreas de inovação ou pesquisa e desenvolvimento de grandes companhias traz conhecimento para desenvolver novos produtos e serviços. Experiência em metodologias ágeis aumenta a chance de contratação.

FONTES: Especialistas entrevistados para esta reportagem

 ARRANCANDO NA FRENTE

Quais são os mercados que mais se relacionam com startups e que geram oportunidades para as aceleradoras — e para quem quiser trabalhar nelas.

FINANCEIRO

O setor é o que tem o relacionamento mais próximo e maduro com as aceleradoras e startups, com diversas ações, como coworkings e programas de incubação. A Oxigênio, aceleradora da Porto Seguro, e o Cubo, espaço de inovação do Itaú, são os principais exemplos.

VAREJO

De olho na competição global, o mercado, que é o maior gerador de empregos formais do país, se abre às inovações em busca de modernização. O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, lançou o Pitch Day para se aproximar de startups do varejo, e O Boticário criou o BotiLab para acelerar essas empresas novatas.

AGRÍCOLA

O agronegócio, responsável por um terço dos empregos no país e por 21% do PIB nacional, se

beneficia cada vez mais das soluções tecnológicas. O AgroStart, programa de aceleração patrocinado pela Basf, e a parceria da Monsanto com a Microsoft para fomentar startups do setor são algumas das iniciativas mais maduras.

SAÚDE

Mesmo com uma complexidade elevada por causa da regulamentação rígida, o setor tem intensificado projetos em busca de maior competitividade. Algumas iniciativas são a incubadora de startups Eretz. bio, do Hospital Albert Einstein, e a parceria entre os grupos Fleury e Sabin para investimento conjunto na Qure, incubadora de startups de saúde.

FONTES: Especialistas ouvidos para esta reportagem

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 24 – O SEGREDO DE SE REVESTIR

 

Satanás reserva alguns de seus mais intensos ataques para o momento em que você adentra o lugar secreto – porque ele odeia o que acontece quando os santos se conectam com Deus. Repentinamente nossos pecados, falhas e defeitos começam a se desenrolar aos nossos olhos como numa tv de última geração. Muitos cristãos, de forma inconsciente, evitam o lugar secreto porque não querem enfrentar a barreira da vergonha e da culpa com a qual o inimigo normalmente os ataca no lugar secreto. Portanto, uma das primeiras coisas que devemos fazer de manhã é nos revestirmos com o Senhor Jesus Cristo. Quando estamos revestidos com Cristo, nenhuma acusação poderá nos tocar.

As Escrituras nos advertem que o estilo de Satanás é nos acusar “diante do nosso Deus, dia e noite” (Apocalipse 12.10). Ele não nos acusa quando estamos contemplando o compromisso; mas nos acusa efetivamente quando estamos nos preparando para achegarmos a Deus. Portanto, o primeiro passo para superar a barreira de acusação é perceber que isso é algo esperado, típico dele. O acusador tenta agir assim com todos nós. Este é um risco ocupacional do lugar secreto.

As acusações de Satanás funcionam pelo menos nos quatro níveis apresentados a seguir.

SATANÁS ACUSA DEUS PARA NÓS

Satanás aponta a forma como Deus está praticando a paternidade e dirá: “Veja como Deus está me tratando!”. A acusação que faz sempre soa como sua própria voz e seus próprios pensamentos, mas na verdade são os pensamentos dele inoculados em sua mente. “Não acredito que Deus está me fazendo passar por tudo isso. Deus é um tirano. Não há nada de bom na maneira como está cuidando de mim. Como poderei confiar sendo que Ele está me tratando desta forma? Ele não está cumprindo as promessas que me fez. Acho que nunca as cumprirá.” Satanás deseja que adotemos uma postura de acusação em relação a Deus. Esse é o motivo pelo qual amar a Deus em meio a sua dor é algo espiritualmente tão poderoso para combater os esquemas de Satanás.

SATANÁS NOS ACUSA PARA DEUS

Ele fala para Deus, em nosso ouvido, as falhas abismais que possuímos. Ele menciona todos os nossos defeitos, com detalhes e em cores. Ele nos retrata como sendo um obstáculo para o Reino de Deus. Deus não fica nem um pouco incomodado com as revelações de Satanás, mas, muitas vezes, nós ficamos. Nesses momentos, tememos que nosso Deus possa estar concordando com o acusador. Começamos a imaginar se Deus está bravo conosco. Se nossos corações não estiverem estabelecidos na graça, poderemos nos sentir fora do amor de Deus.

SATANÁS NOS ACUSA UNS PARA OS OUTROS

Satanás acusa outros santos para mim, fazendo com que eu duvide do caminhar deles com Deus. Se Satanás conseguir me fazer duvidar de meus irmãos e irmãs, o próximo passo será me convencer de que eles também duvidam de mim. Agindo dessa forma, ele tem a intenção de causar rupturas de relacionamento no corpo de Cristo.

 SATANÁS NOS ACUSA PARA NÓS MESMOS

Isso é algo em que Satanás é especialmente bom. Ele é um expert em nos censurar por nossos pecados e fraquezas – especialmente quando estamos desejando nos aproximar do Senhor.

Cada um de nós encontrará o próprio e exclusivo caminho para lidar com as acusações do inimigo, mas, a seguir, apresentamos alguns meios-padrão de neutralizar corretamente suas mentiras.

CONFESSE E SE ARREPENDA

As acusações de Satanás atormentam porque normalmente contêm uma determinada fração de verdade. Então, vá em frente, seja agressivo. Confesse seu pecado, dando para ele o pior nome, e se arrependa. E daí que é a enésima vez? Eu sei quem sou. Não sou um pecador que luta para amar a Deus; sou uma pessoa que ama a Deus e que luta contra o pecado. Eu sou basicamente alguém que ama a Deus, não um pecador. Essa é a minha identidade final. Portanto, lutarei mais uma vez contra qualquer pecado conhecido ou comprometimento e o confessarei abertamente a Deus para receber o seu perdão.

CUBRA-SE COM O SANGUE DE JESUS

Obrigado, Senhor, pelo sangue de Jesus! Seu sangue expiatório é poderoso, eternamente eficaz e, por si só, tem o poder de limpar a consciência suja. O sangue de Jesus é minha base para entrar na presença do Rei. Eu entro confiadamente no trono da graça, porque entro por meio de seu sangue através do véu de seu corpo. Sou bem-vindo nas mais altas cortes de glória por causa do sangue derramado por Cristo!

REVISTA-SE

O que eu quero dizer é: vista a armadura completa de Deus, segundo Efésios 6. Quando você ler esta parte das Escrituras, note que o motivo de vestir a armadura de Deus é para que possamos orar:

Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do Diabo, pois a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais. Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo. Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade, vestindo a couraça da justiça e tendo os pés calçados com a prontidão do evangelho da paz. Além disso, usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno. Usem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos. – Efésios 6.11-18

O vestir-se começa com o cinto da verdade. A verdade da Palavra de Deus o capacitará a cingir sua cintura para prepará-lo para correr. O ataque de Satanás consiste em mentiras e meias-verdades. Fale a palavra da verdade; vença a batalha com a verdade! Permaneça confiante na verdade de quem você é em Deus.

 

Veja-se como se estivesse vestido com a couraça da justiça. Você é a justiça de Deus em Cristo! Vista cada parte da armadura, uma de cada vez – as sandálias da paz, o escudo da fé, o capacete da salvação e a espada do Espírito.

Note que essa passagem nos pede para “ficarmos firmes”. Você não tem que procurar uma luta; apenas fique em seu lugar secreto e a luta virá até você! Repentinamente você será lançado em um ringue. Este é o momento de ficar firme. Permaneça na verdade, fique sob o sangue e combata o bom combate. Fique firme até o inimigo admitir a derrota e sair de sua presença – ainda que só por um certo período.

Quando veste a armadura de Deus, na verdade você está se revestindo de Cristo: ”Ao contrário, revistam-se do Senhor Jesus Cristo, e não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne” (Romanos 13.14). Jesus é cada parte da vestimenta; você está revestido de Cristo. Quando o Pai olha para você, enxerga Jesus. E você fica incrivelmente atraente para Ele. Ele o vê com bons olhos e até o prefere! Ele fica muito feliz por ter você em seus braços. O lugar secreto é onde celebramos o fato de Ele ter dado sua vida para ganhar nossos corações.

Nosso revestimento em Cristo agora é “profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência… amor” (Colossenses 3.12,14). Essa é a forma como nos vestimos de branco, conforme Apocalipse 3.5. Eis o segredo: quando percebemos que estamos revestidos de Cristo, nosso nível de confiança perante Deus eleva-se às alturas. As acusações de Satanás não podem se alojar em nós, pois ricocheteiam em nosso escudo da fé. Fomos aceitos pelo Pai e agora podemos apreciar o diálogo pacífico de intimidade com Jesus.

Foi atingido pelas acusações? Revista-se do Senhor Jesus Cristo!

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SEM MAIS ENIGMAS

Símbolos são imagens carregadas de emoções. Eles guardam em si um lado conhecido mergulhado em um mundo desconhecido. Sem medo de falar quebra o silêncio da pedofilia

Sem mais enigmas

Quando um adulto toma um corpo de criança como palco de um crime, sentimos indignação e desejo de puni-lo. Ficamos curiosos. Queremos saber as razões da existência de tais comportamentos. E as crianças? Por que se escondem no silêncio do sofrimento em desfrutar de algo que reconhecem como errado e é ao mesmo tempo incompreensível?

No livro Sem Medo de Falar, Marcelo Ribeiro conta a sua história em que foi vítima de pedofilia. Essa leitura, com a narrativa clara dos fatos, nos faz entender sobre o que acontece com a criança abusada. Tudo começou aos 13 anos, quando entrou para o coral de uma Igreja Católica.

Aos 42, depois de viver dificuldades que ameaçavam o seu casamento, e por amar sua mulher, explode o silêncio e consegue a compreensão dela e de outros que leram o seu relato pessoal. Persegue o pedófilo que continua com as suas ações, numa tentativa de evitar o sofrimento de outras crianças. Descreve assim a ação do pedófilo: “Ele avança aos poucos, recua, avança com cuida- do novamente. Vai estabelecendo seu território e seu comando com paciência… se comporta como um protetor, um líder, uma fonte de inspiração. Cria finalmente um vínculo emocional”. Consegue o silêncio.

Jung tem uma frase que diz: “Os deuses se tornaram doenças”. Como compreender isso? Para a humanidade antiga, as emoções e comportamentos dos homens eram obras dos deuses. Com o desenvolvimento da consciência, o homem passou a considerar esses deuses como histórias lúdicas que divertem as crianças. Um verdadeiro universo ficcional em que a linguagem não obedecia a lógica da consciência e só poderia ser entendida explorando as imagens como metáforas e símbolos. É o lugar onde habita a poesia.

Sabemos hoje que esse cérebro primitivo continua a contar suas histórias míticas com imagens, metáforas e símbolos. Para efeito didático, é como se fosse o cimento que une o corpo à mente. Podemos ter um corpo saudável e uma mente que elabora pensamentos inteligentes, mas nesse “terceiro lugar” existe toda a história da humanidade que só poderá se expressar como símbolos quando ativada por nossas vivências. Aí aparecem os deuses – que agora são doenças –, quando não conseguimos nos conectar com a nossa própria natureza para compreendê-la em suas mensagens por sonhos ou fantasias.

Nossa relação com os símbolos acontece quando procuramos compreendê-los explorando todas as possibilidades metafóricas com sentido para a consciência.

Assim como os anjos – agindo como mensageiros entre o mundo sagrado e o dos homens –, os símbolos agem como mensageiros entre o mundo da consciência e as trevas da inconsciência. Esses símbolos, ao se manifestarem no corpo, traduzem-se como doença em que se ocupa a medicina geral. Quando se expressam na mente, mostram-se em pensamentos, sonhos e fantasias que nos levam a tomar decisões de comportamentos. De tais comportamentos, quando considerados doentes, ocupa-se a Psiquiatria e a Psicologia. Estar “doente” é ter algo menor que faz parte do todo, chamando a atenção para cumprir alguma finalidade da natureza que precisa seguir o caminho da evolução.

Como exemplo: as festas de Baco, deus do vinho, em que os homens as cultuavam com práticas de perversão (como a pedofilia) e a embriaguez coletiva. Hoje essa prática é um transtorno psiquiátrico em que adultos se sentem sexualmente atraídos por crianças.

O que faz alguém não conter em si o culto a esse deus? Muitos são os estudos que o tentam explicar. A medicina tentando localizar alterações no cérebro e a Psicologia observando a expressão simbólica desse deus ou arquétipo ativado que traduz em símbolos as suas necessidades não resolvidas.

O que são tais necessidades não resolvidas? Quando a consciência precisa lidar com acontecimentos que ultrapassam sua capacidade de compreensão, nascem o que chamamos de complexos. Uma criança abusada depende de como o pedófilo introduz as mensagens enigmáticas no psiquismo dela. Tudo que é muito estranho à consciência mergulha num mundo de trevas para voltar à luz como se saísse de cena para colocar outra coisa em seu lugar.

Essa outra coisa atua de maneira a atrapalhar o verdadeiro eu, com as suas deliberações como se fosse outro ser primitivo a tomar decisões, nos deixando com a pergunta: quem em mim teve tal comportamento absurdo? Isso quando alcança o estágio de, ao menos, saber que faz algo não legítimo e que seu comportamento prejudica a si e ao outro.

No caso da pedofilia, o sacrifício em conter em si próprio um deus que se vestiu de um complexo, e faz a sua vida amorosa ter aspectos infantis e necessidades incompatíveis com um amor saudável, exige tratamento até alcançar a maturidade em ser capaz de um sacrifício de conter tais desejos para respeitar o sagrado de uma vida amorosa adulta e saudável.

Dessa forma, Marcelo resolveu romper o silêncio e permitir o sagrado de um amor verdadeiro em sua relação com a mulher. Não basta amar alguém para viver em harmonia. Precisamos lidar com nossos deuses enfeitados em forma de manias e comportamentos desafiadores. Amar é antes de tudo mostrar-se ao outro como se é de verdade, sem enigmas; e esse outro aceitar tal realidade.

Sem mais enigmas. 2

Sem Medo de Falar – Relato de uma Vítima de Pedofilia

Autor: Marcelo Ribeiro / Editora: Paralela / Ano: 2014 – Páginas: 232

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ESPAÇO REDUZIDO

Com menos conforto e bilhetes mais caros, brasileiros agora precisam utilizar bagagem de bordo menor. Franquia gratuita recém-aprovada atenua, mas não resolve os problemas do consumidor

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A volta da franquia gratuita para bagagens em voos nacionais, aprovada no Congresso na quarta dia 22, pode não ser suficiente para melhorar a vida dos passageiros. Além dos já conhecidos problemas enfrentados pelos usuários das companhias aéreas brasileiras, como atrasos e cancelamentos de voos, um novo contratempo surgiu no caminho de quem só deseja viajar com tranquilidade – e já paga caro por isso. Desde o mês passado, companhias brasileiras como Avianca, Gol e Latam, por meio da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (ABEAR), padronizaram o tamanho da mala que pode ser levada a bordo, para 55 centímetros de altura, 35 de largura e 25 de profundidade. Sozinhos, esses números não dizem nada, mas basta circular pelos aeroportos para perceber que se traduzem em bastante transtorno para os passageiros.

Segunda-feira 20, às 11h30, o aeroporto de Congonhas (SP) estava cheio e a estudante Glaucia Roganti tinha acabado de pousar no Brasil, vinda da Califórnia. Ela se deparou com uma surpresa em sua conexão para Florianópolis: a mala cheia de presentes, ao seu alcance durante todo o trajeto internacional, teve de ser despachada por estar um pouco fora das especificações brasileiras. “Gastei R$ 1.700 nesta passagem e ainda tive de pagar R$ 120 para despachar a bagagem”, diz. A mala que ela levava custou R$ 400. Glaucia tem motivos para reclamar – ela e os demais brasileiros. O padrão de bagagem de mão adotado pelas companhias nacionais é menor que o estabelecido por diversas companhias internacionais.

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PROBLEMAS NO DESEMBARQUE

A professora universitária Luciana Badin quase perdeu o voo para o Rio de Janeiro. Ao chegar no embarque de Congonhas, que fica no andar superior ao despacho de malas, os dois agentes da ABEAR mediram sua bagagem de mão e verificaram que estava um pouco acima dos novos padrões. Luciana teve de sair correndo para despachá-la em outro andar. “Viajo direto com essa mala e nunca fui barrada. A qualidade dos voos piorou muito, não temos comodidade e a passagem está muito mais cara”, diz Luciana.

A publicidade tem de ser ostensiva, clara e adequada, para que nenhum passageiro seja surpreendido no momento da esteira do Raio-x”, diz Fernando Capez, diretor executivo do Procon-SP. Apesar dos sites das empresas aéreas registrarem a informação e a ABEAR manter alguns agentes no embarque dos aeroportos, a orientação aos passageiros ainda deixa a desejar. Na área de autoatendimento e balcões de check-in do aeroporto de Congonhas, por exemplo, os poucos modelos de papelão com as novas medidas estavam jogados em cantos, devido à falta de funcionários das companhias aéreas em quantidade suficiente para atender e medir as malas dos passageiros.

 LEI APROVADA

Além da volta da franquia gratuita de bagagens em voos nacionais, a medida provisória recém-aprovada amplia a possibilidade de capital estrangeiro nas empresas aéreas no País. O objetivo é facilitar a concorrência e permitir que companhias estrangeiras passem a operar por aqui, inclusive as de baixo custo. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) protestou contra a volta da franquia gratuita (companhias tinham a expectativa que o presidente Jair Bolsonaro vetasse esse item), dizendo que a nova norma vai encarecer as passagens, já que passariam a embutir os custos de despacho. Mas a promessa de que o preço das passagens aéreas diminuiria após a Resolução 400 da Agência Nacional de Avião Civil (Anac), que passou a valer em março de 2017, não foi cumprida. A norma deixou as companhias livres para cobrarem pelas bagagens despachadas, conforme regras de mercado. De acordo com a Anac, em 2018 o valor da passagem subiu em média 1% em relação ao ano anterior, já descontada a inflação. Dados do portal Consumidor.gov, o canal utilizado pela Anac para receber reclamação dos consumidores, mostram que em 2018 o registro de clientes com problemas com as malas cresceu 157%.

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