A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OS SETE PECADOS

Neurocientista de Harvard compara erros mnêmicos com transgressões apontadas pela bíblia, distorções e equívocos são mais frequentes do que nos damos conta

Os sete pecados

“Em ”Yumiura”, conto de Yasunari Kawabata, um escritor recebe a visita inesperada de uma mulher que diz tê-lo conhecido há 30 anos. Ela afirma que os dois se encontraram quando ele visitou a cidade de Yumiura, mas o escritor não se lembra dela. Atormentado por outros lapsos recentes de memória, ele interpreta o incidente como mais um sinal do seu declínio mental. Da aflição ele passa ao pânico quando a mulher revela o que aconteceu num dia em que ele foi ao quarto dela. ‘Você me pediu em casamento”, lembra ela, melancólica. O escritor vacila ao refletir sobre a importância daquilo de que se esqueceu. Depois que ela sai, bastante abalado ele procura mapas para localizar Yumiura, na esperança de despertar alguma recordação. Mas nenhum mapa ou livro a cita. O escritor se dá conta então de que ele não poderia ter estado lá naquela época. Apesar de a mulher acreditar em suas memórias, tão detalhadas, emocionadas e precisas, elas eram totalmente falsas.

O conto de Kawabala ilustra como a memória pode causar problemas. Às vezes nós esquecemos o passado; outras, nós o distorcemos. Recordações perturbadoras podem nos atormentar por anos. Mas também dependemos da capacidade para realizar um número impressionante de tarefas cotidianas.

Em muitos casos, só nos damos conta de sua importância quando um incidente provocado por um esquecimento ou distorção exige a nossa atenção.

Como o envelhecimento da população, tem se tornando cada vez mais comum a preocupação com a memória. Em 1998, uma reportagem da revista News Week revelou que o assunto se tornou a principal preocupação no que se refere à saúde dos atarefados, tensos e desmemoriados cinquentões. Esquecer reuniões, guardar óculos ou chaves no lugar errado e não recordar o nome de conhecidos vêm se tomando ocorrências corriqueiras para muitos adultos ocupados, que tentam conciliar a vida profissional e a familiar – e ainda lidar com tantas tecnologias e informações que a cada dia chegam até nós. Afinal, de quantas senhas e códigos precisamos nos lembrar? Raramente menos de seis… Além das frustrações causadas pelas falhas da memória, precisamos lidar com o fantasma da doença de Alzheimer. À medida que o público se familiariza com os horrores da patologia – graças a casos de pessoas famosas, como o ex-presidente Ronald Reagan -, aumenta a inquietante perspectiva de uma vida dominada pelo esquecimento catastrófico.

Embora a magnitude da distorção das lembranças da personagem do conto”Yumiura” pareça exagerada, há casos equivalentes ou até piores na vida real. Podemos pensar, por exemplo, no livro de memórias Fragmentos – Memória de uma infância, 1939-1945, lançado no Brasil em 1998. O autor, Benjamin Wilkomirski, recebeu elogios no mundo inteiro por seu retrato da infância vivida num campo de concentração. Ele apresenta ao leitor cenas chocantes e vívidas dos horrores da guerra. Mais impressionante ainda é que Wilkomirski teria passado grande parte da vida adulta inconsciente dessas lembranças traumáticas, somente se reconciliando com elas com ajuda de terapia. Ele transformou-se numa espécie de herói para sobreviventes do Holocausto. Mas a história começou a se esclarecer pouco depois, quando o jornalista suíço Daniel Ganzfried, também filho de um judeu sobrevivente da Segunda Guerra, publicou um artigo atordoante em Zurique. Ele revelou que Wilkomirski é, na verdade, Bruno Dossekker, nascido em 1941 e entregue por sua mãe, a então jovem Yvone Berthe Grosjean, a um orfanato para adoção. O menino passou todos os anos da guerra com seus pais adotivos, os Dossekker, rodeado pela segurança de sua terra natal, a Suíça. Quaisquer que tenham sido os fundamentos para as suas “memórias” traumáticas dos horrores do nazismo, elas não se originaram em experiências num campo de concentração. Será que Dossekker/Wilkomirski é simplesmente um mentiroso? Talvez não: ainda hoje ele acredita veementemente em suas memórias. Afinal, todos somos capazes de distorcer o passado.

Os sete pecados. 2

AÇÃO E OMISSÃO

Erros de memória, esquecimento e distorções podem ser fascinantes. Acredito que essas falhas podem ser classificadas como, transitoriedade, distração, bloqueio, atribuição errada, sugestionabilidade, distorção e persistência. Exatamente como os sete pecados capitais, esses equívocos ocorrem com frequência e podem ter consequências desastrosas.

Os três primeiros são transgressões de omissão da recordação de um fato, um acontecimento ou uma ideia (mesmo quando queremos lembrar). A transitoriedade está ligada ao enfraquecimento da memória com o passar do tempo. Você provavelmente não teria dificuldade de lembrar o que andou fazendo nas últimas horas. Mas, se alguém lhe perguntar o que fez há seis semanas, seis meses ou seis anos, é provável que não se recorde de muita coisa.

A distração envolve uma ruptura na interface entre a atenção e a memória – como esquecer o lugar onde colocamos objetos pessoais ou um encontro para um almoço. Ocorre, em geral, porque estamos preocupados com outros assuntos e não nos concentramos no que precisamos lembrar. A informação se perde com o tempo, pois nunca foi registrada na memória ou não foi resgatada no momento necessário porque nossa atenção estava focalizada em outro assunto.

O bloqueio refere-se a uma busca sem resultados de uma informação que queremos muito recuperar. Todos nós já fracassamos ao tentar lembrar o nome de uma pessoa conhecida. Essa experiência frustrante acontece mesmo quando o nome parece estar “na ponta da língua” – e, em geral, só nos recordamos da informação bloqueada inesperadamente, horas ou dias depois.

Já a atribuição errada, a sugestionabilidade, a distorção e a teimosia são pecados de ação. O primeiro, que ocorre de forma muito mais frequente do que as pessoas se dão conta, envolve confusão entre fantasia e realidade e vinculação de uma memória a uma fonte equivocada (quando acreditamos, por exemplo, que um amigo nos contou um fato inconsequente que, na verdade, ficamos sabendo pelo jornal). O pecado da sugestionabilidade refere-se a lembranças criadas como resultado de perguntas tendenciosas, comentários ou sugestões feitos quando a pessoa tenta se lembrar de uma experiência.

Já a distorção reflete influências poderosas do nosso conhecimento atual e opiniões sobre o modo como nos lembramos do passado. Com frequência, “editamos ou reescrevemos inteiramente nossas vivências (de forma consciente ou não) com base no que sabemos e acreditamos no presente. O resultado pode ser a representação distorcida de um incidente específico ou de períodos inteiros de nossa vida. O sétimo pecado, a persistência, refere-se à recordação, geralmente deformada e camuflada, de informações ou acontecimentos perturbadores que gostaríamos de eliminar. Em casos extremos, de depressão ou experiências traumáticas, a persistência – que surge como uma defesa psíquica – pode deflagrar ou agravar transtornos psíquicos.

OUTROS OLHARES

SOBRE DEUSES E HOMENS

O curioso caso do deputado mais votado da Bahia, que diz ser possível curar homossexuais com a pregação da Bíblia.

Sobre Deuses e homens

Ser gay é um pecado, acredita o Pastor Sargento Isidório, eleito deputado federal em 2018 pelo partido Avante. Segundo sua interpretação da Bíblia, “a homossexualidade é uma transgressão tão

Grave quanto roubar ou matar. A razão, ele explica o pecado é a negação da espécie, porque homem com mulher vem filho. Homem com homem não vem nada”. Frases como essas são proferidas pelo deputado – o mais votado da Bahia, com 323 mil votos – sem qualquer lustre politicamente correto, seja em suas lives no Facebook, em suas pregações (ele é pastor da Assembleia de Deus) ou em seus discursos no plenário da Câmara. Um de seus projetos, apresentados nos primeiros dois meses de mandato, é a criação do “Dia do Hétero”, no intuito de fazer frente à tendência que avalia existir no mundo de premiar o indivíduo que é homossexual. Isidório se autoproclama ex-gay e prega que a homossexualidade é uma escolha – e que se dá por três vias: pelo que ele chama de “safadeza”, que significaria ceder aos desejos sexuais mais “profanos”; pelo estímulo da “mídia”; ou  porque pais e mães, no período da gravidez, desejaram um bebê de gênero contrário ao do nascimento do filho. O pastor não diferencia gênero de sexualidade. Ele também defende que a reparação à discriminação histórica de minorias não seja concentrada apenas nos gays. “Os negros, por exemplo, ainda não têm reparação. Negro não escolhe ser negro. Já a questão sexual é uma escolha”, arrematou o deputado.

Manoel Isidório de Santana Junior não esconde seu passado. Usa-o como combustível para as pregações que faz diariamente na Fundação Doutor Jesus, projeto social de tratamento de dependentes químicos que fundou em Candeias, Região Metropolitana de Salvador, há 27 anos e para o qual recebe repasses de dinheiro do governo da Bahia. Filho de um lar desfeito – a mãe, dona Maria José, costureira, foi abandonada pelo pai, seu Maneca, funcionário da Petrobras -, aos 6 anos Isidório começou a sofrer abuso de um primo que eventualmente aparecia em sua casa e dormia em seu quarto. O primo era cabo do Exército. Os abusos perduraram até Isidório ter cerca de 12 anos. Aos 16, ele conseguiu o primeiro emprego de carteira assinada, como cobrador de ônibus. A liberdade financeira, diz ele, conduziu-o para os excessos. Largou os estudos, a igreja batista que frequentava, passou a beber, fumar e usar drogas. Foi também nesse período que passou a se relacionar com homens, numa rotina que ele classifica como promíscua e que perdurou para além de seus 30 anos. Hoje ele tem 56.

O passado gay de Isidório só veio à tona recentemente. Quando se lançou na política estadual, em 2001, era um típico representante de corporação, defendendo os interesses de policiais nas greves da PM que ocorreram em alguns estados e que suscitaram até mesmo o esboço de um plano de intervenção militar por parte do governo. Ao ser preso durante um protesto, foi deixado próximo a um depósito de produtos químicos que causaram uma intoxicação que o levou à UTI e afetou suas cordas vocais. As greves lhe deram a notoriedade que terminou por elegê-lo pela primeira vez deputado estadual em 2002. Quem o conhece daqueles tempos não vê qualquer relação entre sua postura de então e o fundamentalismo religioso do presente. “Não se falava que ele era ex-gay ou ex-drogado. Ele era simplesmente uma liderança corporativista em formação. Não havia qualquer componente religioso no discurso”, disse uma liderança política baiana que o conhece desde aquela época.

Ao mesmo tempo que se relacionava com homens durante a juventude, Isidório mantinha duas mulheres, com as quais teve sete filhos. Cada uma vivia em um extremo de Candeias, numa espiral de pobreza agravada pelo vício do companheiro. Depois de trabalhar como cobrador, Isidório foi contratado como auxiliar administrativo em uma empresa que prestava serviço para a Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic) do governo da Bahia. O posto ficava na BR-324, que corta a Região Metropolitana de Salvador. Por conviver com frequência com policiais rodoviários, conta ter se maravilhado com as botas usadas pelos oficiais. Perguntou-lhes certa vez como fazer para ter uma igual. Recebeu como resposta: “Vire policial, mas não creio que a corporação aceite doidos”. Isidório então passou no concurso para policial militar, mas ficou frustrado quando descobriu que só teria direito às botas se passasse na prova para policial rodoviário. E foi o que fez. Atribui o sucesso em concursos ao excesso de vagas e não a seu desempenho acadêmico, já que não conseguiu completar sequer o ensino fundamental.

Conciliar a boemia, as drogas e os relacionamentos homossexuais com a vida na polícia não era difícil, disse o deputado, que assegurou que sua família sabia de seu vício em álcool, mas não das drogas nem das incursões gays. Isidório emendava semanas, por vezes meses sem aparecer em casa. Quando visitava a mãe, ouvia reclamações de que trabalhava demais. A conduta nunca o fez sofrer retaliações no trabalho. Fardado, comportava-se como Isidório, o sargento. Na vida homossexual, preferiu não revelar se os parceiros eram também do quartel. “Não vale a pena relatar, porque essas pessoas, assim como eu, se transformaram”, contou. No período de maior convívio com a criminalidade soteropolitana, chegou a planejar assaltos com marginais, mas disse nunca ter consumado os atos. Isidório também afirmou nunca ter se apaixonado por um homem, apesar de tantos anos levando uma vida dupla. Disse que só teve relações homossexuais quando estava bêbado – o que era, basicamente, seu estado permanente fora do quartel até os 30 anos, período de sua transformação.

No início da década de 90, Isidório contou, escorou-se em um poste, maltrapilho, quase sem andar e sem falar, supostamente infectado pelo vírus HIV – ainda que jamais tenha feito exame para comprovar a existência da doença. Foi quando avistou um grupo de evangélicos entoando cânticos em uma praça de Candeias. Ele disse ter si­ do chamado pelo grupo e que, ao ouvir a música, começou a chorar. O momento de epifania espiritual teria virado uma chave em seu organismo. Entrou Deus e saiu a vontade de beber, se drogar e transar com homens – ou “dar o furico”, como ele prefere dizer, inclusive durante suas pregações. Ele explicou o que sentiu valendo-se do Salmo 103. “Ele (Deus) é o que perdoa todas as tuas iniquidades, que sara todas as tuas enfermidades”. Dali em diante, como novo fiel da Assembleia de Deus, a vida de Isidório mudou. Reatou com Elza, sua primeira mulher, pois recebeu a “mensagem divina” de que só teria forças para aguentar o que estava por vir. Ele seguiu a orientação – e Elza, uma mulher morena de cabelos lisos e feição zangada, aceitou o ex de volta. “Sou a testemunha viva de que a cura existe”, disse.

Isidório atribui a ideia de criar um centro de recuperação de viciados a um “chamado de Deus”. Enquanto ainda se recuperava do vício, levava jovens envolvidos com o tráfico para dentro de sua casa, no intuito de cura-los com a “palavra”, que é como ele se refere ao texto da Bíblia. Longe das drogas, passou a ocupar um terreno baldio localizado na BR-324 que anos depois se tornou seu. No espaço que hoje tem 100 mil metros quadrados, negros e pardos se aglomeram num programa rudimentar de cura que envolve duas premissas básicas: disciplina militar e oração. Ali, Isidório, sua família e seus “arcanjos” – os ex- internos que ascenderam na hierarquia da fundação – dão ordens como num quartel e orientam fiéis como numa igreja. O ambiente é familiar porque o local é, de fato, a casa de toda a sua família desde a década de 90.

Hoje, a Fundação Doutor Jesus tem uma sede e duas filiais – todas em Candeias – e abriga mais de 1.350 dependentes químicos, dos quais 120 são mulheres, que recebem abrigo, alimento, tratamento psicológico e recreação gratuitos. Os internos – que, em alguns casos, além de drogados, são homicidas, ladrões ou jurados de morte pelo tráfico – têm em sua maioria olhar perdido, dentes faltantes e cicatrizes pelo corpo, em decorrência, sobretudo, do uso de crack. O governo da Bahia financia 565 internos da fundação. Na quadra da sede, há faixas de agradecimento ao ex-governador e hoje senador Jaques Wagner (PT) e ao atual chefe do governo, o petista Rui Costa – que Isidório não deixa de elogiar, mesmo dizendo que os repasses estão atrasados em dois meses. Trata-se, hoje, do principal centro de tratamento de viciados da Região Nordeste, que, apesar de ter começado na informalidade, recebe cerca de R$ 10 milhões ao ano da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do estado da Bahia. O governo do estado afirmou, em nota, que os repasses são anuais, não mensais.

“Aqui só tem filho desobediente. Só entra por esse caminho quem desobedece a pai e mãe”. Assim começa o sermão de Isidório aos internos da sede da fundação, nos encontros que promove quatro vezes por semana em um dos galpões do local. Sua pregação costumava ocorrer todos os dias até a rotina parlamentar em Brasília inviabilizar o cronograma. Mas, com ou sem sua presença, todos os internos são obrigados a comparecer três vezes ao dia ao sermão, ora conduzido por Isidório e seus filhos, ora por ex-viciados que viraram funcionários. O deputado se refere aos cultos como “encontros”, argumentando que são sessões “espirituais”, não evangélicas. Não há, contudo, nenhuma diferença entre o discurso proferido ali e o de qualquer outro ministério da Assembleia de Deus.

A pregação tem início depois de cerca de 15 minutos de música evangélica entoada em ritmo de axé, acompanhada de baixo, bateria e tambores de percussão. De camiseta, bermuda e descalço, Isidório apresenta uma performance no palco que arranca risos dos presentes. Ao pregar os males da desobediência, mostra aos internos uma série de facões e porretes, cada um com um nome bíblico, ameaçando usá-los em caso de transgressão. Trata-se de uma brincadeira que já rendeu denúncias de maus-tratos pelo Ministério Público do estado da Bahia, mas que nunca prosperaram. Ele disse que a performance faz parte do personagem que criou para si: ao personificar um sujeito desequilibrado, visa mostrar aos internos que, se ele se recuperou, todos podem se recuperar também. Afirmou ainda que o personagem, ora “louco”, ora autoritário, existe para impor respeito.

No sermão, em meio a versículos da Bíblia, músicas e ameaças aos desobedientes, Isidório dramatiza sua própria história, por vezes em tom cômico. Ao relatar o período em que se relacionou com homens, amarra a camiseta no alto do torso, diminui o comprimento da bermuda, emula trejeitos de mulher e canta, arrancando risos da plateia. Em seguida, inicia a pregação de como é errado ser gay. Começa por dizer que não é contra. Que, fora de sua fundação, todos têm o direito de fazer o que quiserem. “Se ser gay fosse bom, eu estava gay até hoje”, diz, em meio a gritos de “Glória a Deus” de alguns presentes. “A Bíblia diz que Deus criou macho e…?”, pergunta. Todos respondem: “fêmea. “Homem e….?”, volta a questionar. “Mulher”, devolve o coro de 1.300 internos. “Se o cara quiser se vestir de mulher, ele pode. Ele só não vai ser mulher. Se a mulher diz que é homem porque se veste de homem, não vai ser homem nunca. Mulher veio com xoxota, homem veio com chibata. E acabou.” Para dar chancela ecumênica ao discurso, Isidório alega que tal defesa está na Bíblia católica, na evangélica, nos grupos tradicionais de candomblé e no espiritismo. Em nenhum momento é contrariado.

A vida de um interno da Fundação Doutor Jesus é regrada. Há hora para acordar, fazer refeições, descansar e trabalhar. O tempo mínimo de internação é de nove meses. Quem quiser sair antes pode. Mas, caso decida voltar, terá de permanecer um tempo na chamada “disciplina”, informalmente tratada como “presídio” dentro do local. É lá que ficam aqueles que brigam ou transgridem as regras de convivência. A penalidade: o interno é excluído das atividades de recreação, como piscina e esportes, e não tem direito a comer proteína nas refeições. O tempo na “disciplina” dependerá da falta cometida. O máximo é de 90 dias. Quem não aceita ir aos encontros espirituais três vezes ao dia é penalizado. Quem é pego em qualquer lapso de conduta sexual, seja gay, hétero ou individual, vai para a disciplina. Internos que abordarem internas, também.

Quem não transgride pode, ao completar seis meses de internação, se dedicar a atividades profissionalizantes no local, como costura, panificação e serralheria.

Homens e mulheres ficam em áreas distintas, encontrando-se apenas na hora dos cultos – mas, ainda assim, sentados em setores separados e sob a supervisão de funcionários. A vida masculina, contudo, é mais independente. Exceto no período de trabalho (os internos são responsáveis pela manutenção e limpeza do local), homens podem ficar livres no gramado, nas quadras poliesportivas e nas mesas de jogos. Já mulheres ficam confinadas na ala de seus dormitórios – com as crianças. A fundação aceita mulheres grávidas e com filhos pequenos. Elas podem usar a piscina diariamente, em hora determinada. Se quiserem dar uma volta, precisam estar acompanhadas de uma funcionária – sempre do sexo feminino. Dona Elza, mulher de Isidório, passa a maior parte do tempo na ala feminina. “É onde mais tem briga, pois ficam confinadas”, contou ela.

A refeição oferecida no local é motivo de orgulho para a família. Falam com satisfação da cozinha que funciona 24 horas por dia, da panificadora e da câmara fria com capacidade para 20 toneladas de carne que acaba de ser instalada. Ao mostrar o depósito de alimentos, Isidório gabou-se das marcas usadas ali – do achocolatado Nescau à linguiça Sadia, “a melhor da Bahia”. “É tudo top. Não usamos nada de segunda”, contou. Ele sabe que a comida – mais que a “cura” – é um dos maiores atrativos do local, que abriga sobretudo a população carente e esmagadoramente negra da Bahia e de outros estados. Isidório calcula que mais de 80% dos internos sejam viciados em crack. Tanto que, para onde quer que se olhe, há cartazes que estampam que o crack é igual ao suicídio. Contudo, disse não prover tratamento com medicação: apenas disciplina, atendimento psiquiátrico, psicológico, comida e “a palavra”.

Outro componente fundamental, avaliou, é a convivência familiar, que dá ares de lar ao local – e a falta de um lar estruturado é, segundo o pastor, a principal causa da entrada no mundo das drogas entre os internos da fundação. Em segundo lugar, estão os abusos sexuais sofridos na infância. Isidório se permitiu avaliar que o contexto de violência sexual também favorece a homossexualidade nos cerca de 60 internos que, segundo suas contas, são gays.

Isidório negou que sua fundação promova a “cura gay”. Mas, já em seu primeiro contato com a reportagem, ainda em Brasília, na Câmara dos Deputados, afirmou ser comum gays serem admitidos e, ao deixarem o local após o tratamento, se dizerem “curados”. ”Ele chega lá para se recuperar da droga. Mas tem homem que chega de cabelo comprido, vestido de mulher, falando fino. E eu digo: abre a braguilha que vou lhe mostrar que você não é mulher. Já ela chega de cabelo cortado, cueca, calça, camisetinha de macho. Eu digo: você vai para o alojamento das mulheres”, relatou. Em alguns casos, ele contou, ao final de nove meses, a conduta sexual muda. “Há alguns que chegam lá e dão certo. Se organizam, cortam o cabelo, se ajeitam. Se depois voltam para sua prática, é problema deles. Mas há mulher que chega de cabelo raspado e sai bonita, vestida de sainha, normal. Tem até meninas que chegam lésbicas e depois se casam com homens. Ou então travestis que colocam silicone e, depois de um tempo, a própria mão de Deus diminui, ajuda nas deformações que eles fazem com eles mesmos”, explicou.

Uma das “ex-lésbicas” que está de casamento marcado é Elaine Silva, de 29 anos. Há quatro na fundação, ela abandonou o vício e se tornou funcionária. Natural de Baixa Grande, na Bahia, era conhecida como “destruidora de lares” em sua cidade, por se envolver com mulheres casadas. De cabelo raspado e roupas masculinas, nunca havia tido relações com um homem – exceto quando sofreu abuso de um amigo de sua família, ainda criança. Viciada em cocaína, chegou à fundação para tratar o vício. Quando começou a ouvir a “palavra”, passou a questionar sua sexualidade. Um dia, ao limpar a parede do banheiro, começou a chorar e a pedir a Deus que “limpasse” sua vida e a livrasse do “pecado”. Foi então buscar orientação para atingir seu objetivo. “Comecei a ler a Bíblia e a entender que aquela não era a vida que Deus queria para mim.” Questionada sobre o tipo de recomendação que recebia, Silva disse ter ouvido das coordenadoras os benefícios da vida conjugal, do relacionamento com homens, e de como essa era a conduta pregada por Deus. Questionada sobre o que foi mais difícil abandonar – a droga ou a homossexualidade – Silva escolheu a segunda opção. “Rapaz, tem de ter uma determinação”, confessou.

Determinação também é a palavra usada pela sergipana Damares Alves, de 24 anos, homônima da ministra bolsonarista, internada em 16 de janeiro por vício em cocaína – e sobrevivente de duas overdoses. Filha de evangélicos, relacionava-se com mulheres desde os 13 anos, idade em que também começou a usar drogas. Fã de futebol, seu maior ídolo é a jogadora Marta. Ao chegar a Candeias, contudo, Alves resolveu que não queria apenas se curar do vício, mas também deixar de ser gay e tornar-se o que ela chamou de “nova criatura”. “Ser nova criatura é olhar para meu passado e sentir nojo. É olhar para meu passado e não desejar”, disse, em tom de pregação, sob o olhar satisfeito do pastor. Alves trocou a calça e os tênis por saia longa e sandálias, passou a deixar os cabelos soltos e a se esforçar para conter os trejeitos de moleca ao falar. Sobre o futuro, afirmou querer se casar com um homem e ter filhos. “O que posso fazer é orar. Pedir permissão a Deus para que coloque um homem sábio em minha vida. Não um homem mundano, que não vai respeitar meu Evangelho. Tenho de procurar um homem evangélico”, disse. Ela contou que tem sido tão difícil abandonar a preferência sexual quanto a droga. “Um abismo leva a outro. A droga leva à homossexualidade.” No dia seguinte à conversa, Alves recebeu a primeira visita de sua família desde sua internação. Levando uma Bíblia cor- de ­ rosa nas mãos, passou pelo menos uma hora conversando com a mãe, a avó e as tias sobre ser ”nova criatura”, antes de mostrar a elas as instalações do local. A família disse à reportagem não se importar com a sexualidade da jovem, contanto que ela esteja feliz.

Josiane Santos, de 40 anos, alcoólatra, que afirmou ter descoberto ser homossexual aos 10 anos, disse que, após seis meses de internação, também está “curada” – não só do alcoolismo, como da vontade de fazer sexo com mulheres e também do hábito de se masturbar. “Era um vício que eu tinha e do qual, graças a Deus, aqui eu me livrei”, contou. A masturbação ali é proibida sob pena de “disciplina”. Na ala masculina, há cerca de 50 gays. Eles dormem nos mesmos dormitórios e fazem tudo junto dos demais homens – exceto o banho. Nesse caso, são levados para o banheiro de idosos, em horários diferenciados. Não há, na admissão, qualquer pergunta sobre a sexualidade do interno. Mas o pastor disse que percebe ao deparar com os trejeitos dos recém­ admitidos. Na ala masculina, não havia caso de ex-gay para mostrar à reportagem.

A “cura gay” é produto frequentemente oferecido pela igreja evangélica a seus fiéis – e não só por Isidório. Graças ao caráter descentralizado dos diferentes grupos religiosos neopentecostais, não há um controle de tais atividades, tampouco uma doutrina “única” aplicada em todas as agremiações. O fisioterapeuta Kleber Rodrigues, de Belo Horizonte, foi submetido por dois anos a um “tratamento” promovido pelo movimento evangelizador Jocum (Jovens Com Uma Missão), ligado à Assembleia de Deus. Era 2006 e ele tinha 20 anos. Dançava em um grupo de jazz vinculado à igreja e foi convidado pelo pastor para integrar a Jocum. Ali, havia atendimentos pessoais uma vez por semana, além de viagens para retiros espirituais, com cerca de 20 outros homens gays. “Eles não tratavam como doença, mas eram enfáticos que se tratava de um pecado, um espírito maligno se apoderando de você”, explicou, relembrando as diretrizes.

Não à toa, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de pautar a criminalização da homofobia foi confrontada abertamente pela bancada evangélica – incluindo a Igreja Batista Atitude, frequentada pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Para conter os protestos, alguns ministros defenderam que a nova jurisprudência, se aceita, não censurasse pregação religiosa. Livros do Antigo e Novo Testamento, como Levítico e Romanos, falam amplamente sobre o pecado – e é com base nesses escritos que pastores tomam a licença poética de concluir que ser gay é pecar. O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), um dos líderes da bancada evangélica, chegou a empregar em seu gabinete a psicóloga Rozângela Justino, que em 2017 ganhou notoriedade ao conseguir uma liminar na Justiça do Distrito Federal para autorizar nacionalmente o tratamento de reversão sexual. A liminar foi derrubada, mas a psicóloga continua advogando publicamente em favor de sua causa. Tratamentos que visam à hipotética “reversão” da homossexualidade não são aceitos pelo Conselho Federal de Psicologia e profissionais que o praticam podem sofrer suspensão de seu registro. “Não há reversão por­ que não é doença. É uma condição que se desenvolve e cujos fatores de desencadeamento são desconhecidos. Em vez de buscar a cura, se deveria trabalhar a aceitação”, afirmou a psicóloga e sexóloga Maria Luiza Cruvinel.

Pastor Isidório, sempre eleito apoiando causas da bancada progressista baiana, passou pelo PT, PSC, PSB, Pros, PDT e Avante, mas direcionou seu discurso, no decorrer dos anos, para a pauta religiosa como forma de atrair fiéis e eleitores. Em 2018, apoiou Cabo Daciolo para a Presidência no primeiro turno e o petista Fernando Haddad no segundo, contra a orientação dos pastores evangélicos da Bahia. Apesar de policial, rejeitava o principal discurso da campanha de Jair Bolsonaro – o apoio à violência policial contra bandidos. “A história da pistola e de que bandido bom é bandido morto, não gosto. Não é verdadeiro. Primeiro é preciso saber quem criou o tráfico. Não foi o tecido social fragilizado? E quem fragilizou o tecido não foram os políticos do passado com a sociedade conivente? Governo não tem nada a ver com pistola. Policial que mata vai ser premiado? Quem não mata é menos policial? Quem vai escolher esses mortos? Lamentavelmente, na igreja evangélica, esse discurso funcionou. Mas onde está dizendo na Bíblia que bandido bom é bandido morto? A Bíblia diz amai-vos”.

Pastor Isidório disse estar satisfeito com sua obra. Afirmou olhar para trás e enxergar mérito no trabalho de sua fundação – por onde já passaram mais de 50 mil internos. Mas, como todo viciado, contou que vive uma luta diária contra as tentações que já rondaram sua vida. “A cervejinha continua gostosa, o uísque com uma pedrinha de gelo também”, admitiu. Sobre a vontade de se relacionar com homens, concluiu que, tendo sido gay, é melhor manter distância. “Nos momentos ruins, as tentações vêm a toda hora”, ponderou. “Se ficar agarrado com homem, quem com porcos se junta, farelo come”.

Sobre Deuses e homens. 2

GESTÃO E CARREIRA

A ARMADILHA DO BOM QUEIJO

O comportamento perigoso da acomodação, pela sensação de conforto e estabilidade, pode limitar em muito a real produção que um profissional poderia ter em sua carreira.

A armadilha do bom queijo

Pessoas simplesmente param de buscar crescimento porque, por comparação, se encontram em melhor posição que seus pares. O olhar, no entorno, vicia como uma armadilha invisível, criando uma ilusão de faixa de chegada: “Cheguei ao máximo de minha carreira!”. Essa frase finalista pode estagnar uma vida que poderia contribuir mais com a empresa, família, sociedade e (obviamente) consigo mesmo.

Sabemos, pela programação neurolinguística e os informes dos neurocientistas, que o cérebro adora novidades, mas detesta mudanças. Vivemos buscando padrões para explicar tudo o que nossos sentidos podem captar. Por isso é difícil dormir com uma torneira pingando: não há padrão perfeito entre uma gota e outra, o que gera um ruído sem cadência rítmica. O cérebro não gosta muito de coisas sem um padrão previsível.

Assim, sempre que for possível detectar uma relação confortável entre produção e rendimento (retorno financeiro), com certa estabilidade previsível, é possível ocorrer uma paralisação pela busca de crescimento profissional. Esse perfil é muito comum em servidores públicos de uma forma geral, mas também existe em bom tamanho em todos os perfis de atuação dos seres humanos, desde os pequenos comerciantes aos renomados profissionais liberais.

A justificativa mais encontrada, quando se questiona o indivíduo sobre sua escolha em deter o próprio desenvolvimento profissional, é que ele – responde-se prontamente – não é ganancioso, ou que não vive apenas em busca de retorno financeiro. A frase campeã é: “Prefiro qualidade de vida a uma vida só de trabalho!”.

Não há nada de errado nisso e são boas falas, na verdade, o problema é que podem não corresponder à plena verdade dos resultados que poderiam ser alcançados caso existisse a motivação certa.

Durante o lançamento de uma campanha para a aquisição de casa própria no Estado do Rio de Janeiro pelo valor de R$ 1,00 (isso mesmo: um único e mísero real por uma casa popular), um grupo de amigos psicólogos trabalhava na captação de possíveis futuros moradores. O perfil procurado eram moradores de rua, pessoas que viviam em condições sub-humanas e moradores de comunidades carentes. Um dia encontraram uma família que residia sob uma ponte em um valão fora do perímetro urbano, e não havia argumentação suficiente que convencesse a família a deixar a arriscada condição de vida. Em dado momento, o chefe da família argumentou que isso iria gerar despesas que eles não tinham até o momento, como: IPTU, conta de água, de luz e até mesmo gás. O psicólogo, então, como última forma de convencimento, disse: “Mas aqui, de vez em quando, ocorrem cheias, e a água chega a cobrir até mesmo a pista sobre a ponte”. O senhor fechou o semblante, abaixou a cabeça e terminou a conversa com o seguinte argumento: “É só uma vez por ano!”.

Nós, seres humanos, estamos muito bem preparados para defender as crenças que temos como verdade pessoal. Por isso temos guerras. Como, então, uma empresa deve agir em seu corpo laboral a fim de estar sempre motivando o crescimento de seus colaboradores?

Os treinamentos são bem-vindos sempre. No entanto, quando o foco é provocar a busca pelo crescimento, deve-se ter o cuidado de saber direcionar o resultado para a própria instituição, quando for o caso de uma empresa, ou para o amplo mercado quando o foco forem os profissionais liberais.

Pode ser que sua empresa não lhe ofereça essa oportunidade, e a única forma de estar nela é ficando justamente no seu lugar, mantendo essa conhecida segurança. Caso surjam o desconforto e a necessidade de escalar novos degraus, o jeito é deixar de fazer parte da instituição. Por isso, eventos motivacionais dentro das instituições devem ofertar quais possibilidades estão disponíveis em seu próprio ambiente. Caso contrário, o risco de perder elementos será inevitável.

Outro exemplo de como isso pode ser danoso: quando uma grande empresa pública foi privatizada no Rio de Janeiro, na década de 1980, um grupo de recrutadores visitou todas as unidades pelo interior do estado fazendo a seguinte pergunta aos antigos funcionários: “Há quanto tempo o senhor está nessa função?”. A linha de corte foi os que estavam estacionados há mais de dez anos. Não interessava à nova administração pessoas sem ambição. Para ela, isso era um forte indicativo de falta de proatividade.

Uma avaliação pessoal deve ter uma agenda recorrente. Em nossa cultura é normal essa checagem ocorrer no final ou começo de um novo ano ou nos aniversários natalícios. Muitos planos, várias metas e uma curta memoria para mudança. Basta lembrar dessa frase que elaborei em um de nossos livros: “A única constante na vida é a mudança constante na vida”. Se prepare para crescer mais um pouco ainda hoje!

A armadilha do bom queijo. 2

JOEL DE OLIVEIRA – é doutor em Saúde Pública, psicólogo e diretor de Cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (www.isec.psc.br). Entre seus livros estão: Relacionamento em Crise: Perceba Quando os Problemas Começam, Tenha as Soluções; Jogos para Gestão de Pessoas; Maratona para o Desenvolvimento Organizacional; Mente Humana: Entenda Melhor a Psicologia da Vida e Saiba Quem Está à sua Frente Análise Comportamental pelas Expressões Faciais e Corporais (Wak Editora).

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 31: 10-31 – PARTE I

Alimento diário

A MULHER VIRTUOSA 

 

V. 10 a 31 – Esta descrição da mulher virtuosa pretende mostrar que tipos de esposas devem ser as mulheres, e que tipos de esposas os homens devem escolher; ela consiste de vinte e dois versículos, cada um deles iniciado por uma letra do alfabeto hebraico, em ordem, como alguns dos salmos, o que leva alguns a pensar que este fragmento não fazia parte da lição que a mãe de Lemuel lhe ensinava, mas era um poema, por si mesmo, escrito por algum outro autor, e talvez tivesse sido muito repetido entre os judeus piedosos, e para facilitar a memorização tivesse sido escrito alfabeticamente. Nós o temos condensado no Novo Testamento (1 Timóteo 2.9,10: 1 Pedro 3.1-6), onde o dever recomendado às esposas está de acordo com esta descrição de uma boa esposa; e com boas razões há tanta ênfase sobre ele, uma vez que o fato de que as mães sejam sábias e boas, contribui, tanto quanto qualquer outra coisa, para a promoção da religião nas famílias, e a sua transmissão para a posteridade: e todos nós conhecemos os resultados que esta atitude traz em termos de riqueza e prosperidade para uma casa. Aquele que deseja prosperar precisa ter a cooperação da sua esposa. Aqui, temos:

 

I – Uma investigação sobre essa mulher (v. 10); observe:

1. A pessoa buscada: é uma mulher virtuosa – uma mulher de força (este é o significado da palavra), que embora sendo o vaso mais fraco, é fortalecido pela sabedoria e graça e pelo temor a Deus: a palavra usada aqui é a mesma usada na descrição dos bons juízes (Êxodo 18.21), que são homens capazes. homens qualificados para a atividade à qual são chamados, homens sinceros e tementes a Deus. Consequentemente, uma mulher virtuosa é uma mulher temente a Deus. que tem o controle do seu próprio espírito, e sabe como controlar o espírito de outras pessoas, que é piedosa e diligente, e uma boa adjutora para um homem. Em oposição a esta força, lemos sobre a fraqueza de coração de uma mulher que é uma meretriz imperiosa (Ezequiel 16.30). “Uma mulher virtuosa é uma mulher resoluta, que, tendo desposado os bons princípios, é firme e constante com eles, e não será amedrontada, por ventos e nuvens, a se afastar de nenhuma parte do seu dever.

2. A dificuldade de encontrar uma mulher como esta: “Quem a achará?” Isto sugere que as boas mulheres são muito escassas, e que muitas podem parecer ser boas, sem sê-lo, na verdade; aquele que julgou ter encontrado uma mulher virtuosa estava enganado: Era Léia, e não a Raquel que ele esperava. Mas aquele que deseja se casar deve buscar diligentemente uma mulher virtuosa, e ter este principal objetivo em todas as suas buscas. e tomar cuidado para não se deixar influenciar por beleza ou alegria, riqueza ou linhagem, ou pelo fato da jovem saber se vestir bem; pois todas estas condições podem ser satisfeitas e ainda assim a mulher pode não ser virtuosa, e há muitas mulheres verdadeiramente virtuosas que não são assim favorecidas.

3. O valor indescritível de uma mulher assim, e o valor que um homem que tem uma esposa como essa deve atribuir a ela, mostrando, com isto, a sua gratidão a Deus e a sua bondade e o seu respeito por ela, por quem ele nunca deverá pensar que já fez o suficiente. “O seu valor muito excede o de rubis”, e todos os ricos ornamentos com que as mulheres elegantes se adornam. Quanto mais raras são as boas esposas, mais devem ser valorizadas.