A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CRIANÇAS ESFORÇADAS, CRIANÇAS ESPERTAS

Elogiar os pequenos é importante, mas pesquisas demonstram que centrar o foco na dedicação traz melhores resultados para o rendimento escolar e para as escolhas na vida adulta que valorizar a inteligência e as habilidades inatas

Crianças esforçadas, crianças espertas

Auno brilhante, João* cumpriu om facilidade os desafios da escola primária. Fazia as lições sem esforço e tirar notas máximas era parte de sua rotina. Chegava a admirar-se ao ver que alguns dos colegas de classe tinham dificuldade em aprender e, várias vezes, ouviu dos adultos que possuía um dom especial. Por volta dos 13 anos, no entanto, perdeu repentinamente o interesse pela escola, recusando-se a fazer lições de casa e a estudar para provas. Em consequência, suas notas despencaram. Os pais tentaram estimular sua confiança, garantindo­ lhe que ele era muito inteligente. Mas as tentativas de motivá-lo falharam. O menino argumentava que o trabalho escolar era tedioso e sem propósito.

Em uma sociedade como a nossa, que venera o talento e na qual tantos estão convencidos de que ter inteligência ou capacidade superior e confiar nessa habilidade – é receita para o sucesso, histórias como a de João não são raras. Mais de 30 anos de investigação científica, porém, sugerem que a ênfase excessiva no intelecto ou no talento deixa as pessoas vulneráveis ao fracasso, com medo de enfrentar desafios e relutantes em remediar suas deficiências.

Resultado: muitas crianças passam pelas primeiras séries escolares certas de que seu bom  desempenho escolar sem esforço as define como espertas ou talentosas. Esses estudantes nutrem a crença implícita de que a inteligência é inata e fixa, o que faz com que se esforçar para aprender  pareça menos importante do que ser (ou parecer) inteligente. Essa concepção as leva a ver desafios, erros e até o esforço como ameaças a seu ego, em vez encará-los como oportunidades  para melhorar o desempenho – o que faz com que percam a confiança e a motivação quando o trabalho deixa de ser fácil.

Elogiar excessivamente capacidades inatas das crianças reforça essa mentalidade. E, muitas vezes, impede que jovens atletas, profissionais e até relacionamentos afetivos alcancem todo seu potencial. Por outro lado, nossos estudos mostram que ensinar pessoas a ter uma “mentalidade de crescimento”, que estimula o esforço em vez de enfatizar especificamente a inteligência ou o talento, as ajuda a serem grandes realizadoras – tanto na escola quanto na vida.

 OPORTUNIDADE DA DERROTA

Comecei investigando a base da motivação humana – e como as pessoas perseveram depois de contratempos – na pós-graduação de psicologia na Universidade Yale, nos anos 60. Experimentos com animais realizados pelos psicólogos Martin Seligman, Steven Maier e Richard Solomon, da Universidade da Pensilvânia, tinham mostrado que, após repetidos fracassos, a maioria das cobaias conclui que uma situação é sem esperança e está além do seu controle. Depois de tal experiência, os pesquisadores descobriram que um animal com frequência permanece passivo mesmo quando pode realizar uma mudança. Trata-se do “desamparo aprendido”.

Muitas pessoas também aprendem a ser impotentes. Mas nem todos reagem a reveses dessa forma. Formulei então o seguinte questionamento: por que alguns estudantes desistem quando encontram dificuldades, enquanto outros, até menos habilidosos, continuam a se esforçar e a aprender? A resposta está na crença das pessoas sobre os motivos pelos quais falharam.

Em particular, atribuir o mau desempenho à falta de capacidade diminui a motivação, mais do que a ideia de que o fracasso se deve à falta de esforço. Em 1972, trabalhei com um grupo de crianças do ensino fundamental que apresentavam dificuldades de aprendizagem e óbvia falta de esforço (em vez de incapacidade) que as levava a cometer erros em problemas de matemática. O desafio foi ensiná-las a continuar tentando, mesmo quando os exercícios se tornavam mais complexos e difíceis. Outro grupo de crianças que se sentiam incapazes e eram recompensadas por seu sucesso – e não por seu esforço – diante de questões difíceis não melhorou a capacidade de resolver problemas complexos de matemática.

Esses experimentos forneceram uma indicação inicial de que o foco no processo (e não no fim em si) pode ajudar a combater a baixa auto- estima.

Estudos subsequentes revelaram que os estudantes mais persistentes praticamente não remoem seus fracassos; em vez disso, pensam em erros como problemas a serem resolvidos. Na Universidade de Illinois, na década de 70, Carol Diener, na época minha aluna de pós-graduação, e eu pedimos a 60 estudantes da série para pensar alto enquanto resolviam complexos problemas. Alguns voluntários reagiram de maneira defensiva aos erros, menosprezando suas habilidades com comentários do tipo “eu nunca tive uma boa memória”, e suas estratégias de resolução de problemas se deterioraram.

Outros se concentraram em consertar equívocos. Um aconselhou a si mesmo: “Vou diminuir o ritmo e tentar entender isto”. A atitude de duas crianças, em particular, nos chamara a atenção. Uma, diante da dificuldade, puxou a cadeira, esfregou as mãos, deu um tapinha na boca e disse: “Eu adoro um desafio!”. Outra, também enfrentando questões complicadas, levantou os olhos para o experimentador e declarou com satisfação: “Eu estava querendo que isso fosse instrutivo!”. De maneira previsível, os estudantes com essa atitude superaram o desempenho dos colegas nesses estudos.

DUAS INTELIGÊNCIAS

Vários anos depois desenvolvi uma teoria mais ampla sobre o que separa as duas classes gerais de aprendizes – os impotentes e os comprometidos com a qualidade. Percebi que esses tipos de estudantes não apenas explicam seus fracassos de forma diferente, mas também defendem “teorias” sobre inteligência. Os primeiros acreditam que a inteligência é um traço fixo, cada pessoa só dispõe de certa quantidade dela e ponto final. Chamo isso de “mentalidade fixa”. A autoconfiança dessas pessoas é afetada porque atribuem erros à falta de capacidade, o que faz com que se sintam impossibilitadas de mudar. Elas evitam desafios porque temem que eventuais falhas as façam parecer menos inteligentes. Ou seja, evitam o esforço por acreditar que o trabalho árduo significa que são burras.

Já as crianças empenhadas em se aprimorar pensam que a inteligência é maleável e pode ser  desenvolvida por meio da educação e do esforço. Acima de tudo, querem aprender. Para elas, desafios são excitantes  e, em vez de intimidar, oferecem oportunidades valiosas. Estudantes com  tal mentalidade estavam destinados a ter melhor desempenho escolar e exibiriam performance superior à dos demais.

Essas expectativas foram confirmadas, e o registro disso está num estudo publicado no começo de 2007. As psicólogas Lisa Blackwell, da Universidade Columbia, Kali H. Trzesniewski, da Universidade Stanford, e eu acompanhamos 373 estudantes por dois anos, a partir do início da 7ª série, para determinar como as mentalidades podem afetar suas notas de matemática. No início do estudo pedimos aos alunos para concordar ou discordar de afirmações como: “Sua inteligência é algo muito particular de você e você realmente não pode mudá-la”. Avaliamos então suas crenças sobre outros aspectos do aprendizado e vimos o que aconteceu com suas notas.

Como havíamos previsto, estudantes com mentalidade de crescimento acreditavam que quanto mais se esforçassem melhor seria o resultado. Entendiam que mesmo gênios têm de trabalhar duro para concretizar seus projetos. Quando deparavam com um revés, como uma nota decepcionante numa prova, diziam que iam estudar com mais afinco, ou tentar uma estratégia diferente para dominar o assunto.

Os estudantes que tinham a chamada mentalidade fixa, no entanto, estavam preocupados em  parecer inteligentes dando pouca importância ao ato de aprender. Revelavam visões negativas quanto a se esforçar, acreditando que ter de trabalhar intensamente era sinal de baixa capacidade, supondo que uma pessoa com talento ou inteligência não precisaria se esforçar muito para alcançar resultados. Atribuindo a nota ruim a sua falta de habilidade, não consideravam estudar mais no futuro, pelo contrário: expressavam o desejo de evitar aquela matéria e cogitavam até colar nas provas futuras.

Tais visões divergentes tiveram um impacto drástico no desempenho. No início da 7ª série, os resultados dos testes de medição do aprendizado dos estudantes mais empenhados eram comparáveis aos dos que mostravam mentalidade fixa. Mas, conforme a matéria ficou mais difícil, os primeiros demonstraram maior persistência e, como resultado, suas notas superaram as dos outros voluntários já no final do primeiro semestre – e a diferença entre os dois grupos continuou a se ampliar durantes os dois anos seguintes.

Com a psicóloga Heidi Grant, da Universidade Colúmbia, descobri uma relação semelhante entre a forma de pensar e as realizações pessoais, em um estudo realizado em 2003, com 128 calouros do curso preparatório de medicina de Colúmbia que haviam se inscrito no desafiador curso de química geral. Embora todos os estudantes se preocupassem com as notas, os que tiravam as melhores eram aqueles que davam mais valor em aprender do que em mostrar que eram talentosos. O foco nas estratégias de aprendizado e na persistência foi compensador para eles.

CONFRONTAR DIFICULDADES

Num estudo publicado em 1999 sobre 168 calouros da Universidade de Hong Kong, onde todas as aulas e lições eram em inglês, três colegas da instituição e eu descobrimos que os jovens com mentalidade de crescimento que tiveram resultados ruins no exame de proficiência em língua inglesa estavam bem mais inclinados a fazer um curso de reforço de inglês do que aqueles com  mentalidade fixa que tinham tido resultados ruins. Estudantes com visão estagnada da inteligência eram relutantes em admitir sua deficiência e, portanto, rejeitavam a oportunidade de corrigi-la.

De maneira semelhante, a mentalidade fixa pode dificultar as relações sociais, a comunicação e o progresso no ambiente de trabalho, levando profissionais a desencorajar ou ignorar críticas e conselhos construtivos. Pesquisas realizadas pelos psicólogos Peter Heslin e Don VandeWalle, da Universidade Metodista Sulista, e Cary Latham, da Universidade de Toronto, mostram que gerentes que têm uma mentalidade fixa apresentam pouca (ou nenhuma) probabilidade de buscar ou receber bem opiniões de seus funcionários. Como previsto, aqueles com mentalidade de crescimento veem a si mesmos como “trabalhos em andamento” e entendem que precisam de opiniões para melhorar, ao passo que chefes com formas mais inflexíveis de pensar se sentem muito mais ameaçados. E, ao suporem que outras pessoas não são capazes de mudar, também se revelam menos propensos a apostar no aprendizado e no sucesso de seus subordinados. Mas depois que Heslin, VandeWalle e Latham realizaram um curso com os gerentes sobre o valor e os princípios da mentalidade de crescimento, os profissionais se mostraram mais dispostos a ensinar os funcionários e a lhes dar conselhos úteis.

A mentalidade pode afetar a qualidade e a longevidade dos relacionamentos. Segundo resultados de uma pesquisa de 2006 que realizei em parceria com a psicóloga Lara Kammrath, da Universidade Wilfrid Laurier, em Ontário, aqueles com mentalidade fixa são pouco propensos a mencionar problemas nos relacionamentos e a tentar resolvê-los. Afinal, se pensamos que os traços de personalidade são mais ou menos fixos, consertar relacionamentos parece algo fútil. No entanto, indivíduos que acreditam que as pessoas podem mudar e crescer tendem a acreditar mais que conversar e confrontar opiniões, em busca de consenso, levarão a resoluções.

ELOGIO ADEQUADO

Em estudos com centenas de estudantes da 5ª série publicados em 1998, a psicóloga Claudia M. Mueller, da Universidade Colúmbia, e eu apresentamos perguntas de um teste de QI não-verbal para as crianças. Depois dos dez primeiros problemas, nos quais a maioria ia muito bem, nós as elogiávamos. Para algumas, salientávamos a inteligência: “Uau… esse é um resultado muito bom. Você deve ser muito bom nisso”. Para outras, destacávamos o esforço: “Uau… esse é um resultado muito bom. Você deve ter se esforçado bastante”.

Comprovamos que o elogio da inteligência encorajava a mentalidade fixa com mais frequncia do que a valorização do esforço: as que foram cumprimentadas pela inteligência se esquivavam de tarefas desafiadoras e buscavam atividades fáceis, que não as ameaçassem. A maior parte das que foram elogiadas por trabalhar duro queria resolver questões complexas, com as quais pudesse aprender mais. Quando, ainda assim, passamos problemas difíceis para todos, os que foram chamados de inteligentes ficaram desencorajados e duvidaram da própria capacidade. E suas notas, mesmo no conjunto de problemas mais fácil que lhes propusemos depois, diminuíram em comparação com seus resultados anteriores. Em contraste, estudantes encorajados por seus esforços não perderam a segurança quando encararam perguntas mais difíceis, e seu desempenho melhorou de maneira notável nos problemas mais fáceis que tiveram de resolver em seguida.

Mas como podemos transmitir a mentalidade de crescimento para nossas crianças? Contar a elas histórias sobre realizações que foram resultado de trabalho árduo é uma maneira de fazer isso. Por exemplo, nossos estudos mostraram que falar sobre gênios da matemática que basicamente já nasceram assim favorece a crença na inteligência estanque, enquanto descrições de grandes matemáticos que se apaixonaram pela disciplina e desenvolveram habilidades incríveis reforçam a postura mais flexível.

Informação adequada também é fundamental. Blackwell, Trzesniewski e eu projetamos recentemente um workshop de oito sessões para 91 estudantes cujas notas de matemática estavam caindo na 7ª série. Dentre esses jovens, 48 receberam aulas referentes apenas a habilidades de estudo, enquanto os outros assistiram a uma combinação de orientações para estudar e aulas nas quais aprenderam sobre a mentalidade de crescimento e como aplicá-la ao trabalho escolar.

Os voluntários do segundo grupo leram e discutiram o texto Você pode cultivar seu cérebro. Foi-lhes ensinado que o cérebro é como um músculo que fica mais forte com o uso e que aprender incita os neurônios a desenvolver novas ligações. A partir daí, muitos estudantes começaram a se ver como agentes do desenvolvimento do próprio cérebro. Adolescentes que tinham se mostrado desordeiros ou entediados sentaram eretos e prestaram atenção. Um garoto particularmente indisciplinado levantou os olhos durante a discussão e disse: “Quer dizer que eu não tenho de ser burro?” Conforme o semestre avançou, as notas de matemática dos que aprenderam somente as habilidades de estudo continuaram a cair, enquanto as dos que receberam o treinamento da mentalidade de crescimento começaram a retornar aos níveis anteriores à 7ª série. Apesar de não estarem cientes de que havia dois tipos de instrução, professores disseram ter detectado mudanças motivacionais significativas em 27% dos jovens que frequentaram o workshop de mentalidade de crescimento, em comparação com apenas 9% dos estudantes do grupo de controle

NO COMPUTADOR

Outros pesquisadores replicaram nossos resultados. Os psicólogos Catherine Cood, na época da Universidade Colúmbia, Joshua Aronson e Michael lnzlicht, da Universidade de Nova York, relataram em 2003 que cultivar ideias mais flexíveis a respeito do próprio empenho melhorou as notas em testes de medição de aprendizado em matemática e inglês de alunos da 7ª série. Em um estudo de 2002, Cood, então aluna de pós-graduação da Universidade do Texas em Austin, descobriu que estudantes de faculdade começaram a gostar mais do trabalho escolar, valorizando-o e conquistando melhores notas como resultado de um treinamento que encorajou a mentalidade de crescimento.

Nós agora sintetizamos essas lições no programa de computador interativo Brainology, que estava disponível no segundo semestre de 2008. São seis módulos que ensinam aos estudantes o que o cérebro faz e como é possível melhorar seu funcionamento. Num laboratório virtual, os usuários clicam em certas regiões para determinar suas funções, ou em terminações nervosas para ver como se formam ligações quando aprendemos algo. As pessoas também aconselham estudantes virtuais com problemas para treinar formas de lidar com dificuldades; além disso, os usuários podem manter um diário on­line de suas práticas de estudo.

Alunos da 7ª série da cidade de Nova York que testaram uma versão piloto de Brainology nos disseram que o programa havia mudado sua visão do aprendizado e as formas de promovê-lo: “Sempre penso nelas quando estou na escola”. É importante, porém, que os adultos compreendam que transmitir essas informações às crianças não é só uma tática para fazê-las estudar. As pessoas apresentam, sim, diferenças em relação à inteligência, ao talento e às capacidades. No entanto, as pesquisas convergem para a conclusão de que grandes realizações – e até aquilo que chamamos genialidade – são normalmente resultado de anos de paixão e dedicação, e não algo que flui naturalmente de uma habilidade. Wolfgang Amadeus Mozart, Thomas Alva Edison, Pierre e Marie Curie, Charles Darwin e Paul Cézanne não nasceram simplesmente com talento; eles o cultivaram por meio de esforço intenso e prolongado. De maneira semelhante, dedicação e disciplina contribuem mais para o desempenho escolar do que o Ql.

Tais lições aplicam-se a quase qualquer comportamento humano. Muito jovens atletas, por exemplo, valorizam mais o talento que o esforço e, em consequência, fica impossível ensinar-lhes alguma coisa. De maneira semelhante muitas pessoas realizam pouco em seu trabalho por falta de constante elogio e encorajamento para manter a motivação. No entanto, se promovermos a mentalidade de crescimento em nosso lares e escolas, daremos às criança ferramentas para serem bem-sucedidas em suas atividades e se tornarem profissionais e cidadãos responsáveis.

*João é um personagem fictício, criado com base em várias crianças acompanhadas.

 TIPOS DE MENTALIDADE

Constatamos por meio de um experimento que os estudantes que acreditavam na inteligência maleável (linha da mentalidade de crescimento) tiveram notas mais altas de matemática do que aqueles que acreditavam numa inteligência estática (linha da mentalidade fixa), embora os dois grupos tivessem resultados equivalentes no teste de medição do aprendizado na 6ª série. As notas do grupo de mentalidade de crescimento melhoraram no decorrer dos dois anos seguintes, enquanto as notas dos estudantes de mentalidade fixa caíram no mesmo período.

Crianças esforçadas, crianças espertas.2

CAROL S. DWECK é professora de psicologia da Universidade Stanford e membro da Academia de Artes e Ciências Americanas dos Estados Unidos.

OUTROS OLHARES

PARA ONDE VAI A EDUCAÇÃO?

Chegada do novo ministro Abraham Weintraub precisa envolver um choque de gestão. O problema é que a insistência em combater o “marxismo cultural” pode deixar as questões essenciais do MEC novamente em segundo plano.

Para onde vai a educação

Depois de cem dias perdidos sob o comando do téologo Ricardo Vélez Rodrigues, o Ministério da Educação (MEC) ganhou na terça-feira 9 um novo fôlego. Os sinais, no entanto, ainda são nebulosos. O novo ministro, o economista Abraham Weintraub, promete acabar com a letargia na pasta. Em tese, ele chega para fazer o serviço que Vélez não conseguiu realizar e colocar a máquina para funcionar. Seria, de fato, um avanço. O caminho que o ministro recém-empossado parece adotar, porém, produz uma sensação de filme repetido. Mais uma vez, as prioridades envolvem o aparelhamento do MEC para combater a cantilena do marxismo cultural, uma teoria conspiratória segundo a qual a esquerda dissemina suas ideias de modo indireto para enfraquecer as instituições conservadoras. No fundo, o que ainda está em jogo é a promoção de um ideário de direita com mudanças no conteúdo do material escolar e o aumento do controle sobre os professores. A se manter essa toada, a educação no Brasil permanecerá numa trilha perigosa em que o confronto ideológico para eliminar o pensamento de esquerda nas escolas tende a prevalecer sobre as necessidades reais de desenvolvimento educacional.

 JOVENS APOLÍTICOS?

Por exemplo, ao mesmo tempo em que quer que Weintraub entregue resultados e cuide da gestão do MEC, que hoje convive com atrasos no cronograma, o presidente Jair Bolsonaro determina que ele centre fogo na despolitização das escolas. Na posse do ministro, o mandatário deu o tom. Declarou, para o espanto de muitos, que não quer que as novas gerações se interessem por política. “Queremos uma garotada que comece a não se interessar por política, como é atualmente dentro das escolas, mas comece a aprender coisas que possam levá-la ao espaço no futuro”, disse. Weintraub foi na mesma linha: “Uma pessoa que sabe ler e escrever não vota no PT”. Ou seja, se ainda pairam dúvidas sobre a capacidade administrativa do novo titular da pasta, sobram certezas de que o viés doutrinário dificilmente será abandonado.

Na visão do governo, a educação está tomada por esquerdistas que querem catequizar crianças e jovens. E esse seria o principal fator a minar a melhoria do ensino no Brasil. O grande propagador dessa teoria é o filósofo Olavo de Carvalho, cuja influência sobre o MEC deve continuar. Assim como Vélez, Weintraub, professor de direito na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também é seguidor do filósofo. “O ministro não me deve nada e não tem nenhum compromisso comigo. Ele apenas conhece as minhas ideias melhor do que as conhecia o seu antecessor”, afirmou Olavo.

Um sinal de que o caos administrativo combinado com a forte carga ideológica persistirá é que, no dia seguinte à posse, Weintraub substituiu os titulares de seis das sete secretarias do Ministério. O que todos os indicados têm em comum é a falta de experiência na área de educação. O secretário executivo será o economista Antonio Vogel de Medeiros, que substitui o tenente brigadeiro Ricardo Vieira. A entrega do cargo para um civil indica que o filósofo segue levando vantagem sobre os militares, que também disputam espaço no MEC. Para enfrentar o “marxismo cultural”, o ministro pretende no curto prazo controlar tudo que sair do Ministério, começando pelos livros didáticos. “Quero saber quando a sociedade brasileira vai receber um calendário com prazos, metas e prioridades para a educação”, disse a deputada Tábata Amaral (PDT-SP). Para especialistas, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) deveria ser a prioridade número 1 do MEC pelo fato de bancar salários de professores, infra- estrutura, transporte, material didático e tudo que importa na educação. Ocorre que o Fundeb vence em 2020 e o governo até agora não se moveu para renová-lo.

O Brasil amarga índices sofríveis de educação. Há 2,7 milhões de jovens fora da escola e problemas graves de aprendizado. O País gasta hoje o equivalente a 6% do PIB com educação. O percentual supera a média dos países da OCDE, de 5,5%. Mas o gasto por aluno, de US$ 3,8 mil por ano, está muito abaixo dos países desenvolvidos, que é de US$ 10,5 mil. Na pré-escola todas as crianças de quatro e cinco anos deveriam estar matriculadas. Porém, 500 mil, 9,5% do total, não têm vaga – um índice assustador. Ou seja, Weintraub terá muitos problemas para resolver, além do marxismo cultural. Conseguirá?

GESTÃO E CARREIRA

DICAS QUE PODEM SALVAR SUA GESTÃO DE UM NAUFRÁGIO

Se você é aquele tipo de gestor obcecado por resultados, acompanha planilhas constantemente, adora observar gráficos e não abre mão de metas ambiciosas, então está na hora de refletir um pouco mais sobre a sua relação com a equipe. Pode ser que esse modelo de gestão que você tanto acredita talvez não seja a melhor estratégia de liderança para compartilhar com seus colaboradores.

Dicas que podem salvar sua gestõ de um naufrágio

“As demandas para cargos de média e alta gerência vêm crescendo e o foco em resultados continua sendo altamente cobrado. Mas a busca incessante por metas e a falta de tato com os colaboradores podem resultar em problemas para a equipe ou mesmo na queda de um líder em potencial.

O resultado para empresa? Custos em excesso e trabalho para treinar e realocar uma nova liderança. Hoje um líder deve ser inspirador, ter habilidade nas relações humanas, saber quando desacelerar os processos em prol da saúde mental e física de seus profissionais”, explica Ricardo Basaglia, diretor-geral da Michael Page.

De acordo com o executivo, há um estudo das companhias Kronos Incorporated e Future Workplace apontando que 95% das causas de alta rotatividade nas organizações é o excesso de trabalho e a exaustão. “Das dez qualidades vistas num líder, pelo menos seis têm ligação com relações humanas, como escutar, saber dar um feedback ou a capacidade de delegar funções sem sobrecarregar os colaboradores”, completa.

Veja abaixo cinco dicas elaboradas pelo consultor que podem engajar e ajudar líderes a atingir o potencial máximo de seus colaboradores e equipe.

 PEÇA FEEDBACK 

Pergunte como está o balanceamento entre resultado e foco em pessoas. Você pode perguntar, por exemplo, “o que eu posso fazer para demonstrar que eu aprecio o seu trabalho”?

Identifique formas de se conectar com sua equipe
Desenvolva práticas e implemente-as como conversas regulares sobre plano de carreira com os colaboradores, agende coffee breaks para conhecer melhor sua equipe, mesmo que seja fora do expediente e sem caráter profissional. O mais importante é que esses esforços sejam genuínos e naturais.

 TIRE UM TEMPO PARA REFLEXÃO

Repare em tempo real quanto você está sendo impaciente ou indo rápido demais sem considerar a velocidade dos demais colaboradores. Isso fará de você um líder mais presente, além de cuidar da sua própria saúde mental. Pergunte a si mesmo “o que eu estou tentando evitar”? ou “qual é o meu grande medo em diminuir um pouco a velocidade dos processos”?

 MONITORE A SI MESMO

Ser um grande líder requer uma pausa para refletir e escolher uma abordagem diferente. Isso pode significar simplesmente não enviar um e-mail nos finais de semana ou feriados falando sobre seu grande projeto, mas também o reconhecimento de uma grande conquista ou mesmo um serviço diário, que mesmo trivial, foi bem executado por um colega de trabalho.

 COMPARTILHE CONHECIMENTO COM A SUA EQUIPE

Interrompa sua rotina, sempre que possível, para compartilhar conhecimento ou ensinar algo novo para sua equipe. Certamente a troca de informações será enriquecedora e a partir de uma simples conversa, novos projetos inovadores podem começar. Esteja aberto para escutar também o que os colaboradores podem ensinar.

“O alto nível de eficiência e cobrança de um líder em sua equipe acaba tirando o foco nos indivíduos. Com os líderes preterindo a construção de relacionamentos saudáveis, acabam deixando de ser uma inspiração para sua equipe. Eles acabam não demonstrando empatia e alienando grandes potenciais criativos. Ser altamente focado em resultados e perseguir metas é importante para qualquer líder, mas sem uma balança equilibrada entre metas e relações humanas o sucesso certamente será limitado e nunca atingirá seu potencial máximo”, finaliza Basaglia.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 30: 24-28

Alimento diário

QUATRO COISAS PEQUENAS E SÁBIAS

 

V. 24 a 28

I – Tendo especificado quatro coisas que parecem grandiosas e são, na realidade, desprezíveis, Agur aqui especifica quatro coisas que são pequenas e ainda assim admiráveis, miniaturas maravilhosas em que Agur nos ensina várias lições boas; como:

1. Não admirar o volume do corpo, ou a sua beleza, ou a sua força, nem valorizar pessoas ou julgá-las melhor por tais vantagens, mas julgar os homens pela sua sabedoria e conduta, seu empenho e aplicação ao trabalho, que são características que merecem respeito.

2. Admirar o poder e a sabedoria do Criador nos animais menores e aparentemente mais desprezíveis; tanto em uma formiga quanto em um elefante.

3. Culpar a nós mesmos, se não alcançarmos o nosso verdadeiro interesse da mesma maneira como as criaturas mais humildes alcançam os seus.

4. Não desprezar as coisas fracas do mundo; há os que são pequenos sobre a terra, pobres no mundo e de pouca expressão, mas são extremamente sábios, sábios para suas almas e para o outro mundo, e estes são extremamente sábios, mais sábios que o seu próximo. As anotações de margem de algumas traduções da Bíblia Sagrada trazem o seguinte texto: São sábios, tornados sábios pelo instinto especial da natureza. Todos os que são sábios para a salvação se tornam sábios pela graça de Deus.

 

II – Os que ele especifica são:

1. As formigas, animais minúsculos e muito fracos, e apesar disto, muito engenhosos e diligentes em ajuntar alimento apropriado, e com uma estranha sagacidade em fazer isto no verão, que é a estação adequada. Este é um ato de sabedoria tão importante que podemos aprender com elas a ser sábios e prover para o futuro (Provérbios 6.6). Quando os leões vorazes têm fome, as formigas laboriosas têm abundância e não passam necessidade.

2. Os coelhos, ou como alguns preferem interpretar, os arganazes, ratos árabes, ratos do campo, criaturas fracas, e muito temerosas, mas que apesar disto têm tanta sabedoria, que fazem as suas casas nas rochas, onde estão bem protegidos e a sua fragilidade os faz se abrigar nessas fortificações naturais. A percepção da nossa própria indigência e fraqueza deve nos levar Àquele que é uma rocha mais elevada que nós, em busca de abrigo e apoio; ali devemos fazer nossa habitação.

3. Os gafanhotos; também são pequenos, e não têm rei, como têm as abelhas, mas todos saem em bandos, como um exército em formação de batalha; e, observando esta boa ordem entre si mesmos, não é nenhuma inconveniência para eles o fato de não terem rei. Eles são chamados o grande exército de Deus (Joel 2.25); pois, quando Ele quer, os reúne, os comanda e faz guerra com eles, como fez sobre o Egito. Eles saem, todos eles, reunidos (segundo a margem); a sensação de fraqueza deve nos engajar a ficar juntos, para que possamos fortalecer as mãos, uns dos outros.

4. A aranha, um inseto, mas um exemplo tão excelente de diligência em nossas casas como as formigas são, no campo. As aranhas são muito diligentes, tecendo suas teias com uma delicadeza e exatidão de modo que nenhuma formiga pode sequer pretender se aproximar; elas se apanham com as mãos e tecem uma fina teia de suas próprias entranhas, com uma grande habilidade e arte, e não estão somente nas cabanas dos pobres, mas nos palácios dos reis, apesar de todos os cuidados tomados para destruí-las. A Providência guarda maravilhosamente estes tipos de criaturas, não somente aquelas que o homem não sustenta, mas contra as quais a mão de todo homem se levanta, e cuja destruição todos os homens buscam. Aqueles que cuidam do seu trabalho, dedicando-se a ele, fazendo o melhor que podem, estarão nos palácios de reis; mais cedo ou mais tarde serão honrados, e poderão seguir adiante, apesar das dificuldades e dos desencorajamentos com que se depararem. Se uma teia bem tecida for varrida, bastará fazer outra.