A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MACONHA:  ABSTINÊNCIA FAVORECE A MEMÓRIA

Pesquisadores descobriram que jovens usuários de cannabis que interromperam o consumo por 30 dias aumentaram sua capacidade de aprender e recordar informações.

Maconha - Abstinência favorece a memória

A interrupção do consumo de maconha durante um mês resulta em melhorias mensuráveis nas funções da memória, importantes para a aprendizagem entre usuários regulares na adolescência e na idade adulta jovem. Esta é a conclusão de um estudo desenvolvido pelo Hospital Geral de Massachusetts (MGH, na sigla em inglês), nos Estados Unidos. Os cientistas estão animados com os resultados. “Nossas descobertas trazem duas evidencias muito úteis”, afirma a psiquiatra Randi Schuster, diretora de neuropsicologia do Centro de Medicina de Adicção da Universidade Harvard, principal autora do trabalho. “A primeira é que os adolescentes aprendem melhor quando não estão usando cannabis e a segunda, que é a parte boa notícia da história, é que pelo menos alguns dos déficits associados ao uso da maconha não são permanentes e, na verdade, melhoram rapidamente depois que o consumo é interrompido.”

Os autores observam que o uso de cannabis entre adolescentes é comum, com mais de 13% dos estudantes do ensino fundamental e médio relatando o uso de maconha em uma pesquisa recente e taxas de uso diário aumentando entre estudantes de 14 a 18 anos. O problema é que a adolescência é um momento crítico para o desenvolvimento e a maturação do cérebro, especificamente para regiões que são mais suscetíveis aos efeitos da droga. Um estudo de 2016 da mesma equipe de pesquisa descobriu que usuários de maconha com 16 anos ou menos tinham dificuldade em apreender novas informações, um efeito não observado em usuários com 17 anos ou mais.

NA SALA DE AULA

O estudo. um dos pioneiros a rastrear prospectivamente as mudanças nas funções cognitivas associadas à interrupção do uso da cannabis, foi publicado no periódico científico Journal of Clinicai Psychiatry. Um diferencial da pesquisa é o fato de ser a primeira capaz de determinar não apenas se a melhora cognitiva ocorre, mas também quando, já que durante a abstinência essa melhora é detectável. Foram acompanhados 88 estudantes com idades entre 16 e 25 anos da área de Boston. Todos admitiram usar maconha pelo menos uma vez por semana. Os cientistas compararam o desempenho cognitivo semanal entre um grupo de jovens consumidores de cannabis que concordaram em parar o consumo durante 10 dias e um grupo que continuou a usar a droga. As duas equipes tinham voluntários com perfis comparáveis, para que fossem, tanto quanto possível, controladas variáveis como diferenças preexistentes na aprendizagem, humor, cognição e motivação, além da frequência e intensidade do uso de cannabis.

Os voluntários participaram de avaliações regulares de raciocínio lógico e memória. Para verificação da abstinência e do uso da maconha em cada grupo os jovens fizeram testes regulares de urina. Durante todo o período do estudo, os níveis do biomarcador de cannabis urinário diminuíram constantemente entre o grupo de abstinência, com quase 89%, atendendo aos critérios de 30 dias de interrupção contínua. No grupo de uso contínuo, os níveis de biomarcadores permaneceram inalterados. O teste cognitivo revelou que a memória e mais especificamente a capacidade de aprender e recordar novas informações melhorou apenas entre aqueles que pararam de usar cannabis. Essa alteração ocorreu em grande parte durante a primeira semana sem a droga. Nenhum aspecto do funcionamento cognitivo melhorou entre aqueles que continuaram o uso.

PARTE INFERIOR DO FORMULÁRIO

“A capacidade de aprender e acessar novas informações, que é uma dificuldade frequente na sala de aula, melhorou com a interrupção do uso contínuo da cannabis”. disse Schuster. “Os usuários jovens que param regularmente, por uma semana ou mais tempo, tendem a ter mais facilidade de aprender.” Segundo a psiquiatra, as descobertas sugerem fortemente que a abstinência da maconha ajuda os jovens a aprender, enquanto a continuidade do consumo pode interferir no processo cognitivo e prejudicá-lo.

Schuster reconhece, porém, que ainda há muitas questões a serem estudadas, incluindo se a atenção pode ser favorecida e se a memória continua a melhorar com períodos mais longos sem a droga. Essas e outras questões estão sendo abordadas em um estudo maior que inclui participantes mais jovens, de 13 a 19 anos, e um grupo que nunca usou cannabis. A proposta é determinar se as melhorias cognitivas produzidas pela abstinência de maconha fazem os voluntários retornar a níveis de desempenho cognitivo semelhantes aos de não usuários. Outra investigação, prestes a começar em Harvard, seguirá usuários jovens de cannabis que se abstêm por seis meses, investigando se a cognição continua a melhorar além de 30 dias e se essas melhorias podem afetar o desempenho escolar.

Maconha - Abstinência favorece a memória. 2

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OUTROS OLHARES

JOGOS DE AZAR ON-LINE

A venda de “itens” em games do tipo loot box (caixa de recompensa) pede levar ao vício, o que já desperta preocupação mundo afora – em especial, por causa das crianças.

Jogos de azar on-line

Há cerca de um ano, o web-designer Diego Turco, de 32 anos, que vive em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, percebeu que tem problemas com jogo. Seu vicio consiste em abrir compulsivamente no smartphone o game finlandês de estratégia Clash Royale, e, entre as partidas, sacar várias vezes o cartão de crédito para comprar as chamadas loot boxes (caixas de recompensa) – baús virtuais que trazem, eventualmente, itens capazes de garantir vantagens na disputa. O problema: como em um jogo de azar, poucas vezes a caixa contém algo que realmente ajuda. Os valores são variados – 8 reais em média. Ao dedicar horas ao game, Turco já investiu 1.100 reais na brincadeira. “Os gastos que teria saindo de casa para me divertir eu converto em compras no jogo”, admite ele.

O Clash Royale não é o único nem foi o primeiro game do gênero loot box. A modalidade se popularizou no Ocidente em 2010 com o Trom Fortress. Sua estratégia: é possível baixá-lo gratuitamente no celular, mas o jogador gasta dinheiro para tentar adquirir “recompensas” nas “caixas”. O problema não está na compra, e sim no fato de não ser possível saber o que se ganhará com a despesa efetuada. Em uma tradução para o mundo real, esse tipo de game virtual funciona exatamente como os caça-níqueis. E, como eles, pode viciar. “Hoje tenho noção de que uma sensação incontrolável me coloca em um círculo vicioso com o objetivo de conquistar os prêmios”. diz Diogo Turco. “Sofro até ataques de arritmia cardíaca ao jogar. Preciso abrir baús em horas determinadas para ver se vem o item que quero”, relata. O vício de Turco – e de milhões de jogadores mundo afora – garante ao mercado de loot boxes um ganho extraordinário: avalia-se que gire em torno de 30 bilhões de dólares por ano.

A vocação viciante desse gênero de jogo está longe de ser mera impressão. Uma pesquisa realizada no ano passado pelo governo australiano, que analisou o perfil psicológico de 7.000 praticantes, concluiu que as loot boxes têm as mesmas características das roletas, por exemplo. Segundo o estudo, o hábito de jogar tais games pode levar ao vício e ser “uma droga de entrada para o mundo das apostas“.

Há uma agravante. Enquanto nos cassinos só são permitidos adultos, o universo dos games é também povoado por crianças. Um caso emblemático ocorreu em 2018 no País de Gales – e disparou o alarme da comunidade europeia. O garotinho Jayden-Lee, de 10 anos, gastou o equivalente a 6.000 reais com extras do game americano Fortuite, que conta com 200 milhões de adeptos. Evidentemente, o dinheiro não era dele: saiu do cartão de crédito da mãe. Cleo Ducket, portadora de sequelas de poliomielite – ela anda de cadeira de rodas. Cleo zerou sua conta bancária para cobrir a fatura e precarizou seus cuidados com a saúde. A história de Jayden-Lee causou comoção e foi uma das motivações para que o Fórum Europeu dos Reguladores de Jogo publicasse, em outubro, uma declaração assinada por quinze países que exige análise urgente do problema. Duas nações europeias, a Bélgica e a Holanda, baniram tal tipo de jogo.

Em tese, pela classificação etária, crianças não poderiam comprar as loot boxes. Entretanto, é comum que elas mintam a idade – e assim mirem na jogatina. Por causa disso, em fevereiro passado, os Estados Unidos – onde o fortíssimo lobby da indústria de videogames atua desde 2017 pela não regulamentação dos jogos – decidiram, por meio do FTC, órgão dedicado à proteção ao consumidor, abrir uma investigação sobre a prática. Em uma decisão preliminar, definiu-se que caberá às desenvolvedoras a incumbência de checar – não se sabe ao certo como – a idade dos clientes. Se uma criança mentir e não for detectada, a responsabilidade será da empresa. No Brasil, ainda não há discussão avançada em torno do tema. Contudo, como grande parte dos games é produzida na Europa e nos EUA, espera­ se que as normas firmadas por lá sejam adotadas também aqui.

Jogos de azar on-line. 2

GESTÃO E CARREIRA

VOCÊ PERGUNTA, O ROBÔ RESPONDE

KLM, CNN e Sephora já estão usando o recurso

Você pergunta, o robô responde

O diálogo da imagem foi inventado, mas a possibilidade de trocar mensagens e pedir informações a um robô é real e cresce em progressão geométrica. Hoje, gigantes do mundo corporativo, como a aérea KLM, a rede de notícias CNN e a companhia de produtos de beleza Sephora, só para citar alguns exemplos, já usam essas máquinas dotadas de inteligência artificial, chamadas de chatbots, para interagir com os consumidores. Nesses casos, elas ajudam na venda de passagens aéreas, oferecem notícias, ou mesmo, orientam, passo a passo, como usar determinado tipo de maquiagem.

O potencial desses robôs começa a despontar. Em abril, por exemplo, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, anunciou a liberação de sua plataforma de mensagens, o Messenger, para a criação dos chatbots. A ideia é que o serviço reine entre os bots, assim como a App Store domina os aplicativos. Ou seja, que se transforme em um berçário, um novo ecossistema para o uso (e o abuso) dos desenvolvedores de robôs de bate-papo. “Eu nunca conheci ninguém que gostasse de ligar ou instalar um app para interagir com uma empresa”, disse Zuckerberg. “Então, nós gostaríamos de mostrar uma forma mais interessante de fazer isso.” Detalhe: dois meses depois, em junho, a empresa divulgou uma nota comemorando a conquista de 1 bilhão de usuários no Messenger. Ou seja, se a moda dos robôs pega ali…

Há mais. Segundo o instituto de pesquisa eMarketer, 2,19 bilhões de pessoas vão usar serviços de troca de mensagens em 2019, o que representará 68,2% dos usuários de internet móvel em todo o mundo. Se os consumidores estão mergulhando nos ambientes fechados dos messengers, é esperado que as empresas trilhem o mesmo caminho. Daí o interesse das companhias pelos robôs falastrões: de abril para cá, 18 mil bots foram lançados somente no Messenger, segundo informações do Facebook. Entre as marcas que aderiram à onda está justamente a KLM. Ela criou um serviço que ajuda na reserva de passagens, indica quando o check-in é aberto ou se há atraso nos voos. Tudo a partir de mensagens de texto, direto no Messenger, sem a necessidade de instalar um aplicativo. Para participar da “conversa”, basta adicionar a empresa entre os contatos, como se faz com um amigo qualquer.

No caso da rede de televisão americana CNN, assim como no do jornal The Wall Street Journal, o objetivo dos bots é interagir de forma proativa com os leitores. Ambos os veículos criaram programas que enviam as notícias do dia para a telinha de bate-papo do Messenger. A qualquer momento o leitor recebe sugestões em uma lista de assuntos e escolhe se quer acessar algum deles. Se nenhum interessar, contudo, a pessoa pode digitar o tema sobre o qual quer ler.

O Brasil também já tem seus robôs em ação. Um deles é a Meeka, criada pelo Mecasei.com, site que auxilia noivos a organizar casamentos. Também via Messenger, o sistema ajuda a controlar os gastos, a fechar a lista de presentes e a encontrar os fornecedores para a festa. Ainda em fase de teste, outro robô brasileiro disponível para um papo é o Bigode, gatinho simpático criado pela startup paulista Calamar para ajudar na venda de passagens de ônibus.

Para uma empresa, a vantagem de usar o bot em vez do aplicativo é diminuir o número de passos para chegar até o consumidor. Enquanto o aplicativo exige que o usuário vá até uma loja para fazer o download, o bot pode ser “chamado” para uma conversa no programa de bate-papo, seja ele o Messenger, o Telegram, o Skype, o WeChat, ou mesmo um SMS convencional. O WhatsApp, que também pertence ao Facebook, está fora da lista. Zuckerberg e sua turma ainda não liberaram o uso de robôs nessa plataforma. Considerando que este é o serviço de mensagens mais popular do mundo, é de se supor que a demora tenha uma boa – e rentável – justificativa.

Você pergunta, o robô responde. 2

UMA NOVIDADE DE 50 ANOS
O uso de robôs no relacionamento com seres humanos não é novo. A primeira experiência do tipo aconteceu em 1966, quando o laboratório de inteligência artificial do MIT desenvolveu o Elisa. O programa usava um sistema de inteligência artificial primitiva para responder perguntas abertas feitas por pessoas, o que criava uma impressão de conversa entre as partes. De lá para cá muita coisa mudou. E alguns fatores foram determinantes para garantir que agora a tecnologia realmente deslanchasse: a familiaridade dos consumidores com os serviços de mensagens, o amadurecimento da própria inteligência artificial, o avanço do reconhecimento de linguagens pelas máquinas e a popularização da computação em nuvem. Se antes era necessário comprar servidores e se debruçar sobre bits para colocar um robô no ar, hoje sequer é preciso programar. Basta contratar o serviço, plugar e sair usando.

Facebook, Microsoft e IBM estão entre as empresas que fornecem “motores” de bots. Com isso, Microsoft e Facebook querem dominar o mercado de robôs para, entre outros benefícios, garantir território nesse novo mundo. Assim, podem tentar diminuir a desvantagem competitiva em relação à Apple e ao Google, que detêm o controle dos sistemas operacionais móveis. Na IBM, o protagonista desta tarefa é o Watson, a plataforma de computação cognitiva criada em 2007. Dentro dela há o Watson Developer Cloud, uma espécie de prateleira virtual onde os desenvolvedores encontram peças avulsas para criar suas próprias máquinas. “Dependendo da complexidade, é possível criar um bot em apenas um dia sem pagar nada por isso”, diz Thiago Rotta, arquiteto líder de soluções para IBM Watson no Brasil.

Além de mais fácil de usar, a inteligência artificial também tem aumentado o realismo dos robôs. “Há 50 anos a tecnologia era bem simples, com perguntas abertas e respostas genéricas”, diz Richard Chaves, diretor de inovação e novas tecnologias da Microsoft. Segundo ele, hoje as simulações são quase um teste de Turing, criado para medir a capacidade de uma máquina de se comportar como um ser humano. Um exemplo marcante desse realismo na empresa de Bill Gates é a Xiaoice, robô chinesa que tem mais de 20 milhões de “amigos”. Eles interagem com ela em média 60 vezes por mês. É um bot de bate-papo da rede social Weibo, espécie de Twitter asiático, com 700 milhões de usuários.

Segundo a Microsoft, a Xiaoice é capaz de contextualizar uma conversa com assuntos da atualidade como celebridades, esportes ou finanças, e ainda conta piadas e recita poesias. As pessoas falam com ela sobre assuntos corriqueiros ou discutem problemas pessoais. O espantoso é que, não raro, os humanos encerram a conversa com a máquina usando a frase “I love you”. Tamanha popularidade, e carinho, fez com que Xiaoice fosse escolhida como o perfil mais influente da rede social chinesa por vários meses seguidos.

No Ocidente, outro experimento parecido da Microsoft ganhou fama, mas por conta de um tropeço robótico. Em março deste ano, a empresa apresentou a Tay, um robô de inteligência artificial com a missão de conversar de forma descontraída com os usuários do Twitter e aprender a falar como os jovens. Deu certo. Aliás, deu tão certo que virou um problema. Tay aprendeu a interagir com as provocações dos internautas. Ela se tornou machista, racista, grosseira – e nazista. Em menos de 24 horas, seus tuítes mudaram de “humanos são superlegais” para “Hitler estava certo”. O chatbot foi tirado do ar e a empresa desculpou-se com os consumidores. “Para a Microsoft, foi um grande aprendizado. Poderia dizer que é um ótimo caso de machine learning, pois ela reproduziu o que as pessoas ensinaram”, diz Chaves. A questão é o que ensinaram.

ADEUS APPS?
Somente no primeiro trimestre de 2016, 17,2 bilhões de aplicativos foram baixados nas lojas da Apple e do Google, segundo estudo divulgado pela Sensor Tower. O número representa um aumento de 8,2% sobre o mesmo período do ano passado. É ingênuo dizer que os chatbots ameaçam o mundo dos apps. “Os bots não são uma ameaça aos aplicativos, pelo contrário, são tecnologias complementares”, diz Samuel Rodrigues, analista da consultoria IDC. Mas não há como negar que os robôs mudarão a forma como as empresas criam suas pontes com os consumidores, ainda que, para determinados fins, como jogos, edição de fotos e de vídeo, o app continue sendo a plataforma mais indicada.

Seja como for, projetar o que aconteceu no mundo dos aplicativos para os bots é inevitável. Assim como existem a App Store e a Play Store para vender aplicativos, já foi criada uma loja para distribuir bots. A Kik (bots.kik.com) se auto intitula uma bot shop. Nela são oferecidos robôs subdivididos em quatro categorias: entretenimento, notícias, lifestyle e games. Em meados de julho havia 88 robôs, entre eles alguns de grandes empresas. A varejista H&M tem um bot consultor de moda, que sugere peças para combinar com looks indicados pelo usuário. O já citado robô da Sephora dá dicas de maquiagem, e o do The Weather Channel informa a previsão do tempo.

QUER TECLAR?
É curioso imaginar que, com os bots, a comunicação por texto tenha ganhado novo fôlego, num momento em que vídeos e fotos dominam as redes sociais. Mas a escolha foi consciente. “É difícil reproduzir a voz humana de forma realista e com emoções usando um robô. As pessoas se sentem mal quando percebem que estão conversando com uma máquina, por isso o texto é a comunicação mais indicada nos chatbots”, diz Thiago Christof, sócio- fundador da Calamar, startup 100% voltada à produção de chatbots.

Como as experiências do mercado com essa tecnologia estão começando, os caminhos para tirar o máximo proveito dos robôs ainda estão sendo desbravados. Assim como os sites que surgiram nos primórdios da internet pareciam a reprodução de um folder impresso na web, os chatbots ainda reproduzem a experiência de uso dos aplicativos. “As empresas vão descobrir na prática a melhor forma de usar a nova interface”, diz Christof.

No horizonte próximo, as principais oportunidades que aparecem para o uso de robôs estão nas aplicações de atendimento ao cliente. É possível colocar um bot para receber um pedido de delivery, por exemplo. No caso de uma pizza, a empresa terá de inserir no sistema os sabores que oferece, os tamanhos e seus respectivos preços. “Se o cliente escrever ‘quero uma de mozarela’, a inteligência artificial vai reconhecer e replicar: ‘Entendi, você quer uma pizza de mozarela. Pequena, média ou grande?’”, diz Chaves, da Microsoft.

Além de atender milhares de consumidores ao mesmo tempo, e isso a qualquer hora do dia, os chatbots têm a vantagem de acrescentar uma camada a mais de inteligência no sistema, analisando o histórico de pedidos de um cliente durante uma conversa. Com isso, podem sugerir um serviço adicional ou um produto de forma mais assertiva, baseados no perfil e nos costumes daquele consumidor. “Cerca de 70% dos contatos em um call center são para fazer os mesmos tipos de perguntas. Se as empresas delegarem aos bots esse tipo de atendimento, elas deixarão a comunicação humana disponível para interações mais complexas”, afirma Christof. “Há um ganho na agilidade do atendimento e na redução de despesas”, acredita o fundador da Calamar.

No que diz respeito à privacidade, há uma preocupação, especialmente das empresas donas dos serviços de mensagens em garantir que os robôs não sejam invasivos. No Facebook, antes de entrar no ar, o bot passa por um teste minucioso. Qualquer dúvida ou receio em relação a uma funcionalidade basta para que o projeto seja bloqueado. Na hora de iniciar uma conversa, nada de invadir o espaço do usuário. O Facebook segue uma regra segundo a qual a iniciativa de começar uma conversa seja sempre do usuário. Após o primeiro contato, a empresa passa a ter a possibilidade de mandar notificações, sugerindo serviços ou passando informações relevantes. Mas se o consumidor decidir que não quer mais ser abordado, basta um clique para “por fim à relação”. A vantagem, nesse caso, é que ninguém vai chorar. Ou melhor, a não ser os seguidores da “amada” Xiaoice, a robozinha chinesa.

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ESTE É PRA CASAR
Antecipar problemas e deixar os noivos seguros é a principal missão da Meeka, bot criado pela startup brasileira Mecasei.com para ajudar na organização de casamentos. Com aparência divertida, a robozinha carrega internamente o Watson, a plataforma de computação cognitiva da IBM. O bot está disponível no Messenger desde junho, e é capaz de responder a perguntas como “quais fornecedores ainda precisam ser pagos” ou “quantos convidados já confirmaram presença”. “O Watson faz o trabalho de traduzir dados como planilhas, formulários e relatórios em textos, e quando alguém pergunta algo para a Meeka, ela dá a resposta como se fosse uma pessoa, simulando um diálogo real”, diz Marcio Acorci, cofundador da Mecasei.com. Feliz com os resultados dos primeiros meses de uso, o Mecasei.com tem planos mais ambiciosos para seu robô. “Neste momento estamos ensinando o bot a falar, o próximo passo é ensiná-lo a vender”, diz Acorci.

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BUTIQUE DE ROBÔS
O fenômeno dos bots é recente, mas há no Brasil uma empresa 100% dedicada a desenvolver essa tecnologia. É a Calamar, startup criada em São Carlos, um polo tecnológico no interior de São Paulo. A empresa iniciou seus trabalhos no início deste ano e, em julho, colocou no ar uma primeira versão – ainda em beta – do bot. Batizado de Bigode, o robô auxilia as pessoas na venda de passagens de ônibus. Além dele, a empresa tem outros dez projetos em desenvolvimento, a maior parte voltada para atendimentos em call center. “A demanda é grande nessa área”, diz Thiago Christof, cofundador da Calamar. A turma da empresa fez todo o desenvolvimento da inteligência artificial e do reconhecimento de diálogos. Como são ferramentas muito customizadas, os preços para adquirir um bot podem variar, mas com R$ 10 mil já é possível encomendar um deles.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 28: 13-16

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 13 – Aqui, temos:

1. A tolice de tolerar o pecado, de aliviá-lo e desculpá-lo, negá-lo ou reduzi-lo, diminuí-lo, dissimulá-lo, ou lançar a culpa por ele sobre outras pessoas: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará”, é melhor que nem espere isto. Ele não será bem-sucedido no seu esforço para encobrir o seu pecado, pois este será descoberto, mais cedo ou mais tarde. “Nada há encoberto que não haja de ser descoberto”. Um pássaro no ar levará a notícia. O homicídio será revelado, e também todos os outros pecados. Ele não prosperará, isto é, não obterá o perdão para o seu pecado, nem terá nenhuma verdadeira paz de consciência. Davi reconhece ter estado em constante agitação quando encobriu seus pecados (Salmos 32.3,4). Enquanto o paciente esconde a sua doença, não pode esperar uma cura.

2. O benefício de se afastar dele, tanto por uma confissão penitente como por uma transformação universal: aquele que confessa a Deus a sua culpa, e toma cuidado para nunca mais retornar ao pecado, alcançará misericórdia com Deus, e terá a consolação no seu próprio seio. A sua consciência será aliviada e a sua destruição, evitada. Veja 1 João 1.9; Jeremias 3.12,13. Quando colocamos o pecado diante de nossos olhos (como Davi: “O meu pecado está sempre diante de mim”), Deus o lançará para trás de Si.

 

V.14 – Aqui, temos:

1. O benefício de uma santa precaução. Parece estranho, mas é muito verdadeiro: “Bem-aventurado o homem que continuamente teme”. Muitas pessoas pensam que bem-aventurados são os que nunca temem; mas há um temor que está tão longe de ter um tormento em si, que tem consigo a maior satisfação. Bem-aventurado é o homem que sempre tem em mente um santo respeito e reverência por Deus, pela sua glória, bondade e pelo seu governo, que está sempre temendo ofender a Deus, e incorrer no seu desprazer, que conserva a consciência e teme a aparição do mal, que é sempre zeloso de si mesmo, que não confia na sua própria suficiência, e vive na expectativa de problemas e mudanças, para que, quando vierem. não sejam surpresas para ele. Aquele que conserva esse temor viverá uma vida de fé e vigilância, e por isto, bem-aventurado é ele, bem-aventurado e santo.

2. O perigo de uma arrogância pecaminosa: o que endurece o seu coração, que zomba do temor, e desafia a Deus e os seus juízos, e não se impressiona pela sua Palavra nem pela sua vara, este virá a cair no mal. A sua arrogância será a sua ruína, e qualquer pecado (que é o maior mal) em que venha a cair, será de\ido à dureza de seu coração.

 

V. 15 – Está escrito, “O príncipe dentre o teu povo não maldirás”; mas se o tal for um príncipe ímpio, que oprime o povo, especialmente as pessoas pobres, roubando-lhes o pouco que têm, e fazendo deles vítimas, não importa de que o chamemos, esta passagem das Escrituras o chama de “leão bramidor e urso faminto”.

1. Com respeito ao seu caráter. Ele é bruto, bárbaro e sedento de sangue; ele deve ser colocado entre os animais de rapina, os mais selvagens, e não ser incluído naquela nobre classe de se­ res cuja glória é a razão e a humanidade.

2. Com respeito à maldade que ele faz aos seus súditos. Ele é terrível e apavorante, como o leão que brama, que faz tremer as florestas; ele é como um urso faminto, e quanto mais fome sente, mais maldade faz, e mais ganho cobiça.

 

V. 16 – Duas coisas são aqui sugeridas como as causas da má administração dos príncipes:

1. O amor pelo dinheiro, a raiz de todos os males; o ódio à cobiça aqui se opõe à opressão, segundo o caráter que Moisés estipulou para os bons magistrados, homens tementes a Deus e que odeiem avareza (Êxodo 18.21 ), não somente não sendo cobiçosos, mas odiando a cobiça, e impedindo que as mãos segurem subornos. Um governante que é cobiçoso nunca agirá com justiça nem amará a misericórdia, mas as pessoas sujeitas a ele serão compradas e vendidas.

2. Falta de consideração. Aquele que odeia a cobiça prolongará o seu governo e a sua paz, será feliz com os sentimentos do seu povo e a bênção do seu Deus. É o interesse do príncipe, bem como seu dever, reinar com justiça. Portanto, os opressores e os tiranos são os maiores tolos do mundo; a eles, falta entendimento; eles não procuram a sua própria honra, o seu sossego e a sua segurança, mas sacrificam tudo à sua ambição de possuir um poder absoluto e arbitrário. Eles serão muito mais felizes nos corações de seus súditos do que em suas posições eminentes ou em suas propriedades.